Com o objetivo de conhecimento e de entendimento sobre o sistema de pensamento de uma Organização Baseada na Espiritualidade (OBE), nós estamos transcrevendo trechos do artigo “Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”], editado por Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer.

A fonte do artigo é o livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1, dos autores acima referenciados.

O Prefácio abaixo explica a razão de ser desse importante artigo para entendimento do passado, presente e futuro do que se tem observado no campo da espiritualidade no ambiente de trabalho.

Artigo:

“Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”]

Editado por:

Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer

Fonte:

Livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1

DE GRUYTER (www.degruyter.com)

Instituto Fetzer (Home – The Fetzer Institute)

Essa obra está licenciada sob a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0. Para mais detalhes, acesse http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0.

Prefácio

Esse livro é extremamente relevante e oportuno. A e a espiritualidade têm sido um aspecto fundamental da experiência humana ao longo dos tempos. No entanto, a forma como são experienciadas e expressas continua a mudar com o passar do tempo. Por exemplo, no contexto dos Estados Unidos (EUA), uma pesquisa recente da Gallup mostra que a participação de Americanos em locais de culto (por exemplo, sinagogas, igrejas ou mesquitas) caiu para 47% – o nível mais baixo nos 80 anos de história da pesquisa e uma queda em relação aos 70% registrados em 1999 (Jones, 2021). Isso representa um declínio constante desde o início do século XXI. Essa tendência é impulsionada por dois fatores: um número maior de adultos que não se identificam com nenhuma religião e um declínio na frequência a igrejas entre aqueles que se identificam com alguma religião. Por trás dessas tendências, existem diferenças populacionais ou geracionais, com as gerações mais jovens expressando menos afiliação religiosa (7% dos tradicionalistas – adultos Americanos nascidos antes de 1946; 13% dos baby boomers (1946-1964); 20% da geração X (1965-1980) e 31% dos millenials (geração Y) (1981-1996)).

Simultaneamente, o Instituto Fetzer apoiou um estudo sobre a espiritualidade Americana que buscou entender melhor o significado da espiritualidade para os Americanos e como ela influencia as suas vidas sociais e ações cívicas (Instituto Fetzer, 2020). O estudo incluiu participantes de diversas afiliações religiosas ou identidades espirituais, incluindo aqueles sem nenhuma. Constatou-se que “a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020). Mais especificamente, 86% das pessoas se consideram espirituais e 68% acreditam que a sua espiritualidade guia as suas ações no mundo. Esses números incluem pessoas que se identificam com alguma tradição religiosa e aquelas que não se identificam.

…“a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020)

O que nós podemos concluir desses dois relatórios aparentemente contraditórios? Eu apresento esses dados como base para a importância e a relevância da espiritualidade no ambiente de trabalho. Para muitos, a espiritualidade no ambiente de trabalho é inadequada. Contudo, como demonstram esses estudos, muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando. Ao mesmo tempo, muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013). De fato, para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores. Além disso, as organizações são frequentemente os mecanismos estruturais pelos quais as sociedades se organizam e alcançam os seus objetivos sociais, econômicos e técnicos mais importantes e complexos. Elas são tanto impulsionadoras quanto representações da vida e dos valores da sociedade. Diante disso, elas permanecem um foco crucial e um potencial impulsionador do crescimento e desenvolvimento pessoal e do florescimento humano.

muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando.

Reconhecendo tudo isso, no Instituto Fetzer (o Instituto), nós nos esforçamos para viver a nossa missão e os nossos valores criando uma comunidade de ambiente de trabalho espiritualmente fundamentada, que nós chamamos de Community of Freedom (COF) [Comunidade da Liberdade]. A nossa COF é o alicerce espiritual do nosso trabalho para transformar a nós mesmos e a sociedade de maneira autêntica e eficaz.

muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013).

As maneiras de ser e as práticas individuais e comunitárias expressas por meio da COF – e enraizadas em nossos valores organizacionais essenciais de amor, confiança, autenticidade e inclusão – apoiam o Instituto no cultivo da cultura necessária para concretizar a nossa missão de ajudar a construir a base espiritual para um mundo amoroso. Uma das estruturas que nós utilizamos para nos mantermos firmes em nossa missão e visão são os nossos community of freedom gatherings (COFG) [encontros da comunidade da liberdade]. Os COFGs consistem em encontros semanais de três horas com todos os funcionários – desde os nossos jardineiros e equipe de programas até a nossa equipe e líderes de finanças e tecnologia da informação. Durante os COFGs, nós convidamos facilitadores externos e professores espirituais para nos ajudar a nos envolvermos em exploração espiritual individual e comunitária e na construção da comunidade. Nós também oferecemos sessões ministradas por funcionários e fornecemos espaço e recursos para que os funcionários busquem os seus caminhos pessoais. Exemplos de sessões incluem conjuntos de práticas contemplativas, a ciência do bem-estar, a capacidade de diálogo e o convívio com o luto coletivo. As sessões geralmente incluem componentes didáticos e experienciais, além de oportunidades para discussões em pequenos e grandes grupos, que permitem aos funcionários compartilhar experiências profundas uns com os outros.

para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores.

Em 2016, o Instituto encomendou um estudo de caso independente para aprender mais sobre os primeiros pontos positivos, desafios e impactos do COFG. Algumas das principais conclusões foram que os funcionários sentiram um aumento na confiança, no moral, na conexão e na capacidade de lidar com dificuldades relacionais a partir do trabalho. O estudo de caso também abordou questões e preocupações dos funcionários sobre o propósito dos COFGs em relação ao nosso trabalho externo, o uso de linguagem inclusiva e a abordagem do COFG e as suas ofertas e como os encontros se traduzem em políticas e práticas organizacionais mais amplas. Algumas dessas questões têm sido respondidas à medida que nós temos aprofundado o nosso trabalho como uma comunidade e outras nós continuamos a investigar e a desenvolver.

O Instituto não só se dedica a cultivar um ambiente de trabalho espiritualmente fundamentado, como também busca aprender com outros que compartilham da mesma visão sobre como cultivar culturas organizacionais que apoiem o desenvolvimento e o florescimento humano; e que permitam às organizações operar a partir de sua visão e valores mais profundos, rumo a um mundo mais amoroso. É esse compromisso que motiva o nosso apoio ao trabalho realizado pela International Association of Management, Spirituality and Religion (IAMSR) [Associação Internacional de Gestão, Espiritualidade e Religião], incluindo esse volume. Aqueles que buscam criar ambientes de trabalho que sejam espaços robustos para o florescimento humano e o mundo que nós desejamos habitar precisam de apoio e companheiros de jornada. Muitos de nós estamos lidando com questionamentos semelhantes sobre os prós e os contras de trazer a espiritualidade para o ambiente de trabalho.

Há muito que nós temos aprendido nos últimos vinte anos de experimentação nessa área e muito mais a aprender. Esse volume oferece algumas das melhores ideias e práticas de líderes de pensamento na área. Que ele sirva de inspiração e alimente a nossa imaginação e esforços coletivos em relação ao que é possível.

Shakiyla Smith, Vice-Presidente de Cultura Organizacional – Instituto Fetzer – 10 de novembro de 2021.

Referências

Fetzer Institute. (September 2020). Study of Spirituality in the United States. Report retrieved from https://spiritualitystudy.fetzer.org/sites/default/files/2020-09/What-Does-Spirituality-Mean To-Us_%20A-Study-of-Spirituality-in-the-United-States.pdf  

Jones, J.M. (2021). U.S. Church Membership Falls Below Majority for First Time. Gallup. Retrieved from https://news.gallup.com/poll/341963/church-membership-falls-below-majority-first time.aspx

Kegan. R., Lahey, L. L.(2016). An everyone culture: Becoming a deliberately developmental organization. Harvard Business Review Press.

Neal. J. (2013). Creating enlightened organizations: Four gateways to spirit at work. Palgrave Macmillan.

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—–Continuação da Parte I—–

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2 Introdução à Espiritualidade

Autor: Roger Gill

Introdução

Nesse capítulo, nós apresentamos a espiritualidade e o seu lugar no ambiente de trabalho e nas organizações em geral. Nós analisamos as relações entre espiritualidade e ciência e entre espiritualidade e religião. Nós fazemos um alerta: existe um lado sombrio na espiritualidade no ambiente de trabalho. O capítulo conclui com uma reflexão sobre o futuro da espiritualidade e sugestões para estudos e pesquisas futuras.

O que é Espiritualidade?

Primeiramente, vamos descartar uma noção comum, porém excêntrica, de espiritualidade: a sua frequente confusão com o espiritualismo. O espiritualismo é uma teoria que afirma que o “espírito” existe separadamente da matéria, por exemplo, do corpo e que a única realidade é o espírito. Está associado, por exemplo, à astrologia, médiuns, sessões espíritas, cartas de tarô e à prática de supostamente se comunicar com os mortos. A espiritualidade, seja baseada na religião ou no humanismo secular, pode ser um antídoto para muitos dos problemas sociais atuais; o espiritualismo pode muito bem refletir ou até mesmo contribuir para eles. Kristy Hesketh (2020) tem sugerido que um movimento espiritualista baseado no espiritualismo tem crescido rapidamente como resultado da formação e do desenvolvimento da mídia de massa e do consequente aumento de “notícias falsas” e desinformação. Entender o que motiva as pessoas a acreditarem no inacreditável, assim como entender o que motiva as pessoas a fazerem qualquer coisa, é claramente um desafio constante, principalmente para líderes “espiritualmente inteligentes”.

O entendimento equivocado do que é espiritualidade pode criar preconceitos negativos que dificultam o aprendizado produtivo e a aplicação do conhecimento sobre a essência do ser humano, a motivação e o bem-estar. Judi Neal (2018) relata a experiência dela na década de 1970, quando ela abordou o tema da espiritualidade em uma de suas aulas de comportamento organizacional na Universidade de Yale: “[Eu] fui imediatamente silenciada pelo professor, que afirmou que qualquer pessoa que pensasse ter tido algum tipo de experiência transcendental era delirante, provavelmente esquizofrênica e necessitava de terapia”. E o Tenente-Comandante Justin Top, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, afirma que muitos líderes simplesmente evitam falar sobre espiritualidade devido à natureza controversa dos temas religiosos, mas “tal reação pode ser uma negligência lamentável de uma ferramenta poderosa e importante para a liderança” (Top, 2019, p. 66), o que nós discutimos no próximo capítulo.

A raiz Latina de “espiritualidade” é spiritus, que significa “respiração”. O uso inicial do termo, no século V d.C., para os Cristãos, referia-se à influência de Deus na vida humana – o Espírito Santo. No século XII d.C., passou a se referir, na linguagem moderna, aos aspectos psicológicos da experiência humana. E, em seu sentido moderno, está associado à nouvelle spiritualité de Madame Jeanne-Marie Bouvier de la Motte Guyon, uma mística controversa e anátema para a Igreja Católica, na França do século XVII (Wakefield, 1988, pp. 184, 361–363). No século XX, a palavra passou a ser amplamente utilizada em muitos idiomas e em relação a todas as tradições religiosas, bem como às tradições seculares e humanistas. No entanto, a espiritualidade permanece sem uma definição comum satisfatória (Wakefield, 1988, pp. 184, 362–363; Cross & Livingstone, 1997, p. 1532; Wulff, 1997, p. 5). Para um estudo científico adequado, é necessária uma definição universalmente aceita. Na ausência dessa, é importante e útil declarar e justificar o significado de um termo antes de prosseguir com qualquer exploração ou discussão do conceito que ele denota.

Para mim e para os propósitos desse capítulo, a espiritualidade diz respeito ao espírito humano no sentido de princípio animador de uma pessoa e o que isso significa para a gestão e a liderança nas organizações. Refere-se, portanto, ao que se relaciona com, ou afeta, as emoções e a personalidade de uma pessoa em relação ao humor, à coragem, à determinação e à energia. O espírito é o que impulsiona as pessoas. É uma sinergia de significado, propósito, crenças e valores (em particular, valores morais ou virtudes), um senso de comunidade e pertencimento e um senso de valor ou importância na própria vida que, juntos, nos animam no que nós buscamos e fazemos, conduzindo, assim, à nossa realização e felicidade. É consistente com a necessidade ou o desejo humano tanto de entender a experiência humana quanto de alcançar a autorrealização (em termos da hierarquia das necessidades de Maslow) (Milliman et al., 2017). A espiritualidade individual, para Rocha e Pinheiro (2020), é uma identidade pessoal:

… um estilo de vida que representa hábitos, a busca por significado e propósito, a busca pela transcendência, a conexão com os outros e o divino em todos os aspectos e áreas (pessoal e profissional). É também um componente da espiritualidade no ambiente de trabalho, pois as interações da espiritualidade dentro da organização ocorrem no local de trabalho, à medida que os membros buscam significado no trabalho deles.

No início dos anos 2000, cada vez mais pessoas nos Estados Unidos, no Reino Unido e em outros lugares, especialmente gerentes, estavam buscando significado, valor ou propósito no que faziam e estavam dispostas a abrir mão da riqueza material por esse nível superior de existência (Overell, 2002, p. 2; Chalofsky, 2003; Hoar, 2004; Nash & Stevenson, 2004). O valor provém de um profundo sentimento de bem-estar no trabalho ou em outras atividades, resultante da crença de que se está contribuindo, fazendo a diferença e se conectando com os outros e com alguma coisa maior do que si mesmo, por meio da busca de um propósito comum (Kaizen Solutions, s.d.). E o propósito de vida, como afirma o filósofo da administração Charles Handy (1997, p. 108), dá às pessoas “energia para a jornada”. Como disse o filósofo alemão Nietzsche: “Quem tem um porquê para viver é capaz de suportar quase qualquer como” (Allport, 1983, p. 12).

A espiritualidade pode assumir uma forma humanista (secular) ou – relacionada a um poder superior transcendente – uma forma religiosa. Chris Cook (2004), psiquiatra, sacerdote Anglicano ordenado e professor de Espiritualidade, Teologia e Saúde na Universidade de Durham, comenta:

A espiritualidade é uma dimensão distintiva, potencialmente criativa e universal da experiência humana, que surge tanto na consciência no nível da realidade [awareness] subjetiva interna dos indivíduos quanto em comunidades, grupos sociais e tradições. Ela pode ser experienciada como um relacionamento com aquilo que é intimamente “interno”, imanente e pessoal, dentro de si e dos outros, e/ou como um relacionamento com aquilo que é totalmente “outro”, transcendente e além do eu [ser, self]. Ela é experienciada como sendo de importância fundamental ou última e, portanto, está relacionada a questões de significado e propósito na vida, verdade e valores.

Cook (2020) também afirma, em relação à espiritualidade no campo da psiquiatria:

“A espiritualidade (seja religiosa ou não) tem se tornado uma quarta dimensão de preocupação clínica, ao lado das dimensões psicológica, social e biológica”.

A espiritualidade pode assumir uma forma humanista (secular) ou – relacionada a um poder superior transcendente – uma forma religiosa.

Um estudo com 414 estudantes de pós-graduação em três escolas diferentes – ciências, administração e ciências sociais e humanas – da Universidade de Pondicherry, na Índia, mostrou uma correlação positiva e significativa entre espiritualidade e felicidade subjetiva, sentido da vida e satisfação com a vida (Deb et al., 2020). A busca pela felicidade é um fenômeno humano generalizado. Agnieszka Bojanowska e Anna Zalewska (2016) explicam como o bem-estar está associado à felicidade. Elas descobriram que as pessoas associam a felicidade principalmente à saúde e aos relacionamentos, mas também ao conhecimento, ao trabalho, aos bens materiais e à liberdade. Aqueles que associaram a felicidade ao trabalho demonstraram sentimentos mais positivos. A felicidade associada aos relacionamentos previu maior satisfação com a vida. E a felicidade associada aos bens materiais previu menor satisfação com a vida. No entanto, a felicidade tem se mostrado associada a ser um “receptor”, enquanto o significado da vida está associado a ser um “doador”, preocupado com as necessidades dos outros (Baumeister et al., 2013). Laszlo Zsolnai e Bernadette Flanagan (2019, p. 3) observam que “numerosos estudos documentam que quanto mais as pessoas priorizam objetivos materialistas, menor é o seu bem-estar e maior a probabilidade de se envolverem em comportamentos manipuladores, competitivos e ecologicamente degradantes”.

A busca pela felicidade é um fenômeno humano generalizado.”

Com base na nossa definição de espiritualidade, nós podemos definir bem-estar espiritual como um estado de bem-estar caracterizado por pensamentos, sentimentos e comportamentos positivos nas relações do indivíduo com o seu trabalho, no que diz respeito ao significado, propósito, pertencimento e valor ou mérito naquilo que nós fazemos (Robertson & Cooper, 2015; Anglim & Grant, 2016). Gomez e Fisher (2003) afirmam que a espiritualidade é “um estado de ser que reflete sentimentos, comportamentos e cognições positivas nas relações consigo mesmo, com os outros, com a natureza e com o transcendente, que proporciona ao indivíduo um sentido de identidade, plenitude, satisfação, alegria, contentamento, beleza, amor, respeito, atitudes positivas, paz interior e harmonia, bem como propósito e direção na vida”.

Laszlo Zsolnai e Bernadette Flanagan (2019, p. 3) observam que “numerosos estudos documentam que quanto mais as pessoas priorizam objetivos materialistas, menor é o seu bem-estar e maior a probabilidade de se envolverem em comportamentos manipuladores, competitivos e ecologicamente degradantes”.

Houghton et al. (2016) definem a espiritualidade no contexto das organizações de trabalho como o cultivo do eu [ser, self] interior dos colaboradores, a conectividade e a comunidade e o significado e propósito. Alewell e Moll (2018, pp. 33–46) definem a espiritualidade individual como a conexão com outras pessoas e com o sagrado e o transcendente, bem como com as atitudes e habilidades pessoais que a possibilitam ou facilitam, como o amor. A coesão e a identidade de grupo são frequentemente fortalecidas pela espiritualidade e pela religião na liderança (Price & Hicks, 2006), proporcionando, assim, um sentimento de pertencimento. Rabell e Bastons (2020) apontam que a espiritualidade orienta o ser humano para as necessidades dos outros e para uma abertura intelectual e afetiva a elas, o que reforça a cooperação, atuando como uma “cola social”.

Uma pesquisa com 2.230 pessoas realizada por Caroline Liu e Peter Robinson (2011) identificou três fatores constituintes de conexão inter-relacionados, porém distintos: interconexão com outros seres humanos, interconexão com a natureza e todos os seres vivos e interconexão com um poder superior. A conceituação de espiritualidade deles “incorpora e transcende a religiosidade”.

Gomez e Fisher (2003) afirmam que a espiritualidade é “um estado de ser que reflete sentimentos, comportamentos e cognições positivas nas relações consigo mesmo, com os outros, com a natureza e com o transcendente, que proporciona ao indivíduo um sentido de identidade, plenitude, satisfação, alegria, contentamento, beleza, amor, respeito, atitudes positivas, paz interior e harmonia, bem como propósito e direção na vida”.

Nas reflexões dele sobre o seu encarceramento e sobrevivência ao Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial, o neurologista e psiquiatra Austríaco Viktor Frankl (1984) concluiu que a nossa busca por um sentido na vida é a principal força motivacional do ser humano. Embora se possa argumentar que uma força motriz mais fundamental na vida seja a necessidade de sobreviver, a necessidade de sentido na vida é indiscutível. O significado de eventos, objetivos, tarefas, ações e situações no ambiente de trabalho é determinado significativamente por valores, crenças e necessidades pessoais.

Rabell e Bastons (2020) apontam que a espiritualidade orienta o ser humano para as necessidades dos outros e para uma abertura intelectual e afetiva a elas, o que reforça a cooperação, atuando como uma “cola social”.

O sentido da vida, afirmam King e Hicks (2021), representa um desafio para o estudo e, para fazer sentido de forma útil, isso necessita ser distinguido do “sentido da vida”, que é melhor deixar para filósofos e teólogos. Eles sugerem que o consenso acadêmico atual sobre a natureza do sentido da vida é que ele envolve a compreensão ou coerência da própria experiência; um propósito impulsionado por valores, identidade e objetivos associados; e significado existencial em termos da crença de que a própria vida é valorizada e faz alguma diferença no mundo. Para muitas pessoas, a religião proporciona sentido à vida e, de fato, o próprio sentido da vida, pois oferece orientação sobre como vivê-la de acordo com o plano de Deus. Ecklund e seus colegas (2020) exploram como a religião se cruza com aspectos da posição social das pessoas, como classe social, renda, raça e gênero, na formação da experiência de conflitos no ambiente de trabalho. De forma mais ampla, isso poderia incluir espiritualidade e humanismo.

No início da terceira década do século XX, segundo Marianna Fotaki e colegas (2020), a fragmentação do significado em nosso mundo tem atingido novos patamares. Eles apontam que o mundo enfrenta múltiplas crises relacionadas a diferenças econômicas, financeiras, de alimentação, água, energia, clima, migração e segurança, bem como uma crescente indistinção entre verdade e mentira, honestidade e desonestidade, fato e ficção.

Outras questões dizem respeito à luta entre democracia e autocracia, populismo, ressurgimento do imperialismo hegemônico, xenofobia, ascensão do Antissemitismo, disseminação da Islamofobia, racismo, corrupção e uma série de disfunções culturais. Fotaki e colegas (2020) sugerem que a razão para isso é a “ausência de um entendimento compartilhado sobre as suas causas e sobre maneiras de abordá-las… em parte devido à fragmentação do significado e à falta de imaginação”. Eles argumentam que novas formas de pensar, comunicar e imaginar soluções para essas questões, bem como para o papel das organizações e da gestão em nossas sociedades, são necessárias. Além de vislumbrar futuros possíveis e atraentes, a narrativa e as contribuições da filosofia, teologia e antropologia, assim como as narrativas espirituais, oferecem estratégias para isso.

A falta de sentido na vida é perturbadora. As suas causas incluem o tédio, mas também a falta de propósito e a falta de poder para controlar ou mudar uma situação. Encontrar mais sentido na vida quando há lutas espirituais – com dúvidas sobre si mesmo, conflitos morais e falta de sentido – está associado a baixo neuroticismo; e encontrar sentido prevê maior bem-estar em termos de satisfação com a vida, autoestima e menos depressão e ansiedade (Wilt et al., 2016). Neal Chalofsky (2003) sugere que o trabalho significativo – trabalho que expressa o ser interior de alguém – depende de vários fatores, entre eles:

– Conhecer o próprio propósito de vida e como o trabalho se encaixa nesse propósito

– Ter uma crença positiva na própria capacidade de alcançar esse propósito

– Buscar a oportunidade de fazê-lo por meio do trabalho

– Empoderamento – autonomia e controle sobre o próprio ambiente

– Reconhecer e desenvolver o próprio potencial por meio da aprendizagem

– A natureza do próprio trabalho

Ter um propósito e significado na vida aumenta o bem-estar geral e a satisfação com a vida, melhora a saúde mental e física, aumenta a resiliência, melhora a autoestima e diminui as chances de depressão (Arnold et al., 2007; Smith, 2013). Além disso, ter um senso de propósito na vida prevê até mesmo maior renda e patrimônio líquido (Hill et al., 2016). Quando os funcionários sentem falta de congruência com o propósito de sua organização, eles se desengajam, resultando em falta de motivação e comprometimento e, consequentemente, baixo desempenho tanto no nível individual quanto organizacional (Benefiel & Abbott, 2019, p. 274). Ter um senso de propósito na vida está associado a diversas características de personalidade; em ordem de magnitude, essas são: conscienciosidade, baixo neuroticismo, extroversão, amabilidade e abertura (Anglim & Grant, 2016).

Ter um propósito e significado na vida aumenta o bem-estar geral e a satisfação com a vida, melhora a saúde mental e física, aumenta a resiliência, melhora a autoestima e diminui as chances de depressão (Arnold et al., 2007; Smith, 2013).

O bem-estar espiritual é um aspecto da espiritualidade. A medida em que uma pessoa percebe ou deriva um senso de bem-estar da espiritualidade é importante. Portanto, é útil avaliar isso. O bem-estar espiritual não é o mesmo que saúde mental ou saúde física, mas está intimamente relacionado. Uma definição abrangente e útil de bem-estar espiritual é a de um estado de plenitude, no qual todos os aspectos da vida estão em equilíbrio e a pessoa se sente confiante, criativa e realizada, tanto consigo mesma quanto com os outros, proporcionando um senso de propósito, significado, pertencimento e valor ou importância na vida cotidiana. O desafio da liderança, nesse sentido, é capacitar e engajar as pessoas – seguidores, subordinados ou outros – na busca e conquista desse estado de plenitude.

Assim, é amplamente aceito que a espiritualidade está associada à boa saúde mental e ao bem-estar (Koenig et al., 2012). No entanto, uma relação causal é menos clara, por diversos motivos:

– Variações na definição de espiritualidade e em sua mensuração;

– Evidência de que um temperamento agradável e a sociabilidade (que se correlacionam com a espiritualidade) podem ser as principais características de personalidade que predispõem as pessoas a serem espiritualmente orientadas e que essas características e não a espiritualidade em si, contribuem para o bem-estar;

– Evidência de que os benefícios associados à espiritualidade podem ser em grande parte atribuídos ao fato de ser membro de uma comunidade unida.

Uma definição abrangente e útil de bem-estar espiritual é a de um estado de plenitude, no qual todos os aspectos da vida estão em equilíbrio e a pessoa se sente confiante, criativa e realizada, tanto consigo mesma quanto com os outros, proporcionando um senso de propósito, significado, pertencimento e valor ou importância na vida cotidiana.

Em outras palavras, a espiritualidade pode ser uma consequência do bem-estar espiritual e não sua causa. Michael King (2014) adverte que a experiência espiritual não deve ser confundida com os seus resultados. Um estudo que explorou inconsistências em pesquisas sobre a relação entre espiritualidade e bem-estar concluiu que a personalidade (uma preferência pela cognição intuitiva ao invés da analítica) exerce uma influência importante em quaisquer efeitos positivos de bem-estar (salutogênicos) provenientes da espiritualidade ou religiosidade (Czekóová et al., 2018).

Espiritualidade, Ciência e Religião

Religião e ciência têm sido, há muito tempo, um campo de batalha para discussões. No entanto, de acordo com Oliver Robinson (2018, 2020), espiritualidade e ciência possuem uma relação sobreposta e complementar. Ambas se desenvolveram, afirma ele, como “expressões dos valores modernos de progresso, questionamento, inovação e empoderamento individual”. No entanto, as suas características são opostas ou contrastantes. Como a gestão e a liderança se baseiam tanto na ciência quanto nas artes, essa relação é de interesse para o estudo da espiritualidade e da liderança. Robinson apresenta um modelo de multiple overlapping dialectics (MODI) [modelo de dialéticas múltiplas sobrepostas] composto por sete polaridades (Tabela 2.1).

Tabela 2.1: As sete polaridades dialéticas da ciência e da espiritualidade de Robinson (adaptado de Robinson, 2018, 2020).

O modelo MODI apresenta paralelos com teorias filosóficas da espiritualidade (filosofia Chinesa do yin-yang e alquimia Ocidental, por exemplo, Sol e Luna de Jung (Jung, 1963)), teorias psicológicas (teorias da cognição) e teorias neurológicas (McGilchrist, 2011, 2012). Ele tem potencial para a entendimento das diferenças e da relação entre gestão e liderança, a natureza da liderança eficaz e as semelhanças e diferenças na ampla gama de teorias contemporâneas de liderança.

Para muitas pessoas, no entanto, a espiritualidade está fundamentada na religião. Émile Durkheim (1915/1995, p. 62) define religião como “um sistema unificado de crenças e práticas relativas a coisas sagradas, isto é, coisas separadas e proibidas – crenças e práticas que unem em uma única comunidade moral, chamada Igreja, todos aqueles que a elas aderem”. O conceito de espiritualidade a serviço dos outros transcendeu a religiosidade, chegando mesmo a substituí-la por uma visão secular ou humanista que também envolve a introspecção (Liu & Robertson, 2011). Há quem defenda que a espiritualidade é necessária para a religião, mas a religião não é necessária para a espiritualidade e que o amor altruísta – a consideração ou devoção aos interesses dos outros – é a ponte comum entre elas (Fry, 2003) e uma influência positiva na liderança (Gill & Negrov, 2021). O Dalai Lama (1999, p. 22) afirma:

A religião, a meu ver, está relacionada à fé nas afirmações de uma ou outra tradição religiosa, cujo aspecto é a aceitação de alguma forma de paraíso ou nirvana. A isso se conectam os ensinamentos ou dogmas religiosos, a oração ritual e assim por diante. A espiritualidade, por sua vez, está relacionada às qualidades do espírito humano – como amor e compaixão, paciência, tolerância, perdão, contentamento, senso de responsabilidade, senso de harmonia – que trazem felicidade tanto para si quanto para os outros… É por isso que às vezes digo que talvez possamos prescindir da religião. O que nós não podemos prescindir são dessas qualidades espirituais fundamentais.

Ao distinguir entre religião e espiritualidade, o Dalai Lama descreve as religiões caracteristicamente como incluindo rituais em sua prática (embora práticas espirituais, como a meditação, também possam envolvê-los). Emma Thompson (2021, p. 66), advogada e escritora, afirma: “Reuniões e cerimônias presenciais são essenciais em todas as civilizações e religiões. Os rituais podem refletir formalmente os nossos valores, aspirações e crenças, investindo-os de solenidade e um senso de presença espiritual. Acrescentar beleza sensorial a uma ocasião especial com roupas, flores, música e linguagem é como tirar uma fotografia da alma, eternizando memórias.”

Essa perspectiva também estabelece uma conexão entre religião e espiritualidade, visto que a religião pode ser um precursor da espiritualidade. No entanto, como sugeriu Louis (Jody) Fry (2005, pp. 47–83), um dos principais expoentes da liderança espiritual, os indivíduos podem desenvolver as suas qualidades e valores pessoais sem depender de quaisquer sistemas de crenças religiosas ou metafísicas e a espiritualidade no ambiente de trabalho pode ser inclusiva ou exclusiva de crenças, práticas ou teorias religiosas.

“O Dalai Lama (1999, p. 22) afirma: A religião, a meu ver, está relacionada à fé nas afirmações de uma ou outra tradição religiosa, cujo aspecto é a aceitação de alguma forma de paraíso ou nirvana. A isso se conectam os ensinamentos ou dogmas religiosos, a oração ritual e assim por diante. A espiritualidade, por sua vez, está relacionada às qualidades do espírito humano – como amor e compaixão, paciência, tolerância, perdão, contentamento, senso de responsabilidade, senso de harmonia – que trazem felicidade tanto para si quanto para os outros… É por isso que às vezes digo que talvez possamos prescindir da religião. O que nós não podemos prescindir são dessas qualidades espirituais fundamentais.”

Valores moralmente vinculativos, como os fundamentados em uma religião e até mesmo valores espirituais, podem alterar a tomada de decisões organizacionais e o comportamento ético, por exemplo, em empresas familiares (Astrachan et al., 2020). No entanto, não está claro se pessoas com crenças religiosas são mais ou menos propensas a se comportarem eticamente do que não crentes: as evidências parecem ser ambivalentes (Rashid & Ibrahim, 2008). Paul Tracey (2012), em sua extensa revisão sobre tendências e direções futuras na relação entre religião e organização, apontou que, embora a religião tenha desempenhado um papel profundo na formação das sociedades contemporâneas, a sua relação com as organizações e sua gestão não foi muito explorada. Por exemplo, ele afirma: “A ideia de que objetos se tornam sagrados em uma determinada organização devido ao significado coletivo que lhes é atribuído por uma comunidade específica tem implicações importantes para o estudo de organizações, tanto religiosas quanto seculares”. Ao discutir a conhecida visão de Karl Marx sobre a religião como “o ópio do povo”, na qual religião e economia estão intrinsecamente ligadas e a religião é mascarada como controle e “exploração que permeia o capitalismo”, Tracey sugere que Marx ignorou os aspectos positivos da religião, como o seu papel como base de quase todas as revoltas operárias, bem como a sua influência, na verdade, maior sobre as classes dominantes do que sobre os trabalhadores.

“Reuniões e cerimônias presenciais são essenciais em todas as civilizações e religiões. Os rituais podem refletir formalmente os nossos valores, aspirações e crenças, investindo-os de solenidade e um senso de presença espiritual. Acrescentar beleza sensorial a uma ocasião especial com roupas, flores, música e linguagem é como tirar uma fotografia da alma, eternizando memórias.” Emma Thompson (2021, p. 66)

Poder expressar e explorar a nossa religião ou espiritualidade é uma necessidade humana básica e um direito humano universal, aplicável a todos e consagrado nas leis Europeias e Britânicas, com base na Declaração Universal dos Direitos Humanos (Mental Health Foundation, 2014). A religião é uma parte importante da vida de muitos Americanos, em particular (Ecklund et al., 2020). Em 2008, o Monitor de Religião da Fundação Bertelsmann, ao examinar as respostas de 21.000 pessoas de todo o mundo, pertencentes às principais religiões, constatou que a religiosidade nos Estados Unidos era muito maior do que na maior parte da Europa, incluindo a Alemanha (Joas, 2010, pp. 317–334). Mais recentemente, o Pew Research Center (2015) descobriu que mais de 75% dos Americanos são afiliados a alguma tradição religiosa, principalmente Cristã (59%). E um estudo de grande escala nos Estados Unidos revelou que 20% dos funcionários em todos os níveis hierárquicos consideram o trabalho deles uma vocação espiritual (a percepção de que o seu trabalho tem significado ou propósito, de modo que esteja direcionado para um bem maior), enquanto 58% não o veem dessa forma, com variações entre grupos étnicos, gênero (24% das mulheres e 17% dos homens) e posição na organização (26% no topo e 16% na base).

Houve uma interessante diferença inversa entre os Americanos de acordo com a renda e a identidade religiosa: Cristãos Protestantes e Muçulmanos apresentaram os percentuais mais altos (de 26% a 33%), seguidos por Católicos Romanos (18%) e Judeus (16%); os números foram de 19% para outras religiões e 8% para nenhuma religião (Ecklund et al., 2020). A revisão da literatura sobre religião e organização feita por Tracey constatou que a religião é importante para a identidade, evidentemente em organizações religiosas, com exemplos bem conhecidos das relações entre os povos Palestino e Judeu em Israel e entre Católicos Romanos e Protestantes na Irlanda do Norte, embora sejam necessárias mais pesquisas sobre esse papel em organizações seculares (Tracey, 2012).

Embora poder expressar e explorar a nossa religião seja um direito humano universal, as pessoas no trabalho podem experienciar conflitos entre a sua fé e as exigências de seu emprego. No estudo Americano mencionado acima, cerca de 20% dos entrevistados relataram fazê-lo ocasionalmente (Ecklund et al., 2020); mais entrevistados negros do que brancos relataram essa prática; mais funcionários com salários mais baixos do que com salários mais altos fizeram isso; e mais Muçulmanos do que outros Cristãos também fizeram isso. Não houve diferenças significativas por gênero ou posição na organização. Muçulmanos (62%) e Judeus (54%) foram os que mais sofreram discriminação religiosa, sentindo que foram tratados injustamente com mais frequência por causa de sua fé, em comparação com pessoas de outras religiões e aquelas que não professam nenhuma religião.

Segundo Kriger e Dhiman (2018), o Budismo não é apenas uma religião, mas também uma filosofia para um modo de vida espiritual. Como religião, afirmam eles, por meio do exemplo do Buda e do Caminho (Dharma), conecta os seres humanos e a sociedade como um todo à natureza da realidade. E como modo de vida, valoriza normas éticas para viver com sabedoria e em harmonia com os outros. Em certo sentido, o Budismo é uma religião ou filosofia pragmática, pois, se a experiência pessoal não estiver de acordo com algum aspecto da teoria ou filosofia Budista, esse aspecto deve ser descartado. Mai Vu (2018) realizou um estudo sobre a abordagem Budista à liderança espiritual no Vietnã, no qual descobriu que essa envolvia um processo de autotransformação e funcionava como um meio hábil de responder a desafios contextuais de maneira flexível e consciente. Kriger e Dhiman (2018) descrevem os objetivos do Budismo como a criação de uma felicidade duradoura, a cessação do sofrimento e um equilíbrio permanente em todos os aspectos do indivíduo e da sociedade, bem como a criação de “uma sociedade harmoniosa baseada na equanimidade, na bondade amorosa, na compaixão e na alegria recíproca para si e para os outros”. Como afirmam, esses objetivos têm implicações importantes para a espiritualidade engajada no ambiente de trabalho.

A “Nova Espiritualidade” é um termo cunhado por Gordon Lynch (2007) para uma espiritualidade baseada em “valores e práticas progressistas, informados por recursos conceituais, materiais e sociais associados a sistemas de crenças estabelecidos, mas desvinculados de suas raízes institucionais”, como a religião (Bell et al., 2020). Esse movimento, segundo Lynch (2007, pp. 3-4), tem sido particularmente evidente na Grã-Bretanha, Canadá, Escandinávia e Austrália e Nova Zelândia, mas não tanto nos Estados Unidos e em muitas sociedades Católicas Romanas da Europa Ocidental. Bell e seus colegas (2020) apresentam a nova espiritualidade como uma abordagem interdisciplinar para o entendimento de diferentes formas de espiritualidade contemporânea e neoliberalismo. Eles mapeiam as vidas e experiências de atores sociais ao se engajarem com novas e alternativas formas de espiritualidade em um contexto capitalista neoliberal. Exemplos incluem o individualismo expresso na atenção plena e no desenvolvimento de gestão de espaços ao ar livre, a mercantilização da espiritualidade, o fascínio por jardins e jardinagem e a “fé contemporânea do inovacionismo”.

“Muitos caminhos Tu criaste: todos eles conduzem à Luz”, escreveu Rudyard Kipling (1906) em seu “Um Canto a Mitra”, o deus Romano do sol nascente, da guerra, da justiça e dos contratos, que alguns estudiosos sugerem ter surgido inicialmente na antiga religião Politeísta Persa. Ananda Coomaraswamy (1944), o grande historiador da arte, usou a expressão “caminhos que levam ao mesmo cume” para se referir à gama de crenças religiosas e concepções de espiritualidade do mundo que nos legaram a sabedoria atemporal e universal encontrada em todos os lugares, conhecida como filosofia perene (Sotillos, 2020, p. xii), popularizada por Aldous Huxley (1945) em uma antologia. O estudo das religiões comparadas fundamenta essa visão (Bouquet, 1962). Samuel Sotillos (2020, p. 5) afirma: “A crítica perenialista do mundo moderno e pós-moderno preocupa-se com a perda do sentido do sagrado e com a crise espiritual que se desenvolveu em consequência disso… com as suas consequências destrutivas”. Sotillos refere-se aqui às religiões e não a concepções seculares ou humanistas de espiritualidade, mas uma crise espiritual decorrente do aumento dos conflitos geopolíticos, do materialismo, do consumismo e do sofrimento humano levou a uma atenção renovada e crescente à espiritualidade, tanto religiosa quanto secular.

Ao discutir a conservação de recursos e o legado do Príncipe Philip, Duque de Edimburgo, o Rabino Jonathan Wittenberg (2021, p. 28) declara:

“Para os místicos de todas as religiões e para muitos sem fé formal, Deus não é uma divindade distante, lá no alto, como as fadas no céu. O sagrado reside em toda a vida, em cada ser humano, nos animais, pássaros, árvores e nos próprios elementos, na água corrente e no solo fértil”.

E ele cita o Príncipe Philip:

“Se Deus está na natureza, a própria natureza se torna divina”.

Wittenberg acrescenta:

“Portanto, nós temos a responsabilidade de não prejudicá-la, não apenas por nossos próprios interesses egoístas, mas como um dever”.

Quase não é preciso dizer, mas as implicações para a gestão e a liderança no governo e nos negócios em relação ao consumo humano, à conservação de recursos e à proteção do meio ambiente são claras: nas palavras de Wittenberg, nós não somos proprietários do planeta, mas os seus administradores.

Existem muitos caminhos para o mesmo objetivo, mas o que esses caminhos têm em comum e em que eles diferem? Talvez entender isso — a multiplicidade de religiões e práticas espirituais — nos ajudaria a entender melhor a espiritualidade no ambiente de trabalho, especialmente em negócios internacionais e em equipes multinacionais e a forjar uma sinergia espiritual para o bem comum. Desde os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, motivados por crenças religiosas, tem crescido o movimento que argumenta que a religião é prejudicial à humanidade, embora os seus defensores tenham sido criticados por selecionar evidências tendenciosamente (Whitehouse, 2019). Resolver essa questão, argumenta o antropólogo social de Oxford, Harvey Whitehouse (2019), depende da clareza sobre o que se entende por “bom” e “ruim” e da investigação do papel, se houver, que a religião desempenhou “no estabelecimento dos comportamentos cooperativos que permitiram que as sociedades humanas crescessem de pequenos grupos de adores a vastos impérios e estados nação”. Nós poderíamos acrescentar grandes corporações empresariais e outras organizações de todos os tipos que empregam pessoas. Entre os primeiros líderes espirituais e profetas, incluem-se Buda, Confúcio e Zaratustra, que, sem dúvida, alcançaram esse objetivo pregando as ideologias moralistas deles. Os rituais sagrados serviram como uma espécie de cola social, incentivando a coesão e a cooperação entre as pessoas.

as implicações para a gestão e a liderança no governo e nos negócios em relação ao consumo humano, à conservação de recursos e à proteção do meio ambiente são claras: nas palavras de Wittenberg, nós não somos proprietários do planeta, mas os seus administradores.

Mubbasher Khanzada (2005) explorou as visões de líderes das três religiões monoteístas – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – sobre o que caracterizava as suas crenças, com o objetivo de desenvolver uma visão holística. Ele descobriu que há muito em comum entre essas religiões em termos de valores e ética, moralidade e princípios e regras para a interação com as pessoas. Um princípio fundamental que emergiu e que é endossado em estudos de religião comparada, é “Faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você” – comumente chamado de Princípio de Ouro ou Regra de Ouro, que remonta pelo menos aos tempos Confucionistas e da Grécia Antiga e está consagrado em praticamente todas as religiões do mundo, bem como no Humanismo. Há um corolário talvez mais útil: “Não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem a você”. De qualquer forma, é importante notar que a utilidade de um princípio depende de saber como os outros desejam ser tratados. Outros princípios-chave que surgiram são a fé (na unicidade de Deus ou na unicidade da humanidade), a crença, a verdade, o amor, a esperança, a justiça, o perdão, a humildade e a tolerância.

As diferenças que surgiram entre as três religiões Abraâmicas dizem respeito às visões sobre a natureza e a personalidade de Deus e sobre quem transmitiu a mensagem – os profetas. Khanzada (2005, p. 70) afirma: “O que nos divide tem mais a ver com ignorância, intolerância, percepções equivocadas e mal informadas do que com a realidade em si. A comunicação e o diálogo abertos, sem preconceito e ódio, permitiriam que a racionalidade seguisse o seu curso e convergiríamos para o mesmo ponto focal: a vontade de Deus”. Novamente, as lições para a gestão e a liderança no governo e nos negócios são evidentes. Um começo poderia ser dado no Reino Unido, melhorando o ensino religioso nas escolas que, segundo o órgão de fiscalização educacional do governo, Ofsted, estão “implantando concepções errôneas prejudiciais sobre religião e falhando em preparar os alunos para uma sociedade multirreligiosa e multissecular” (M. Davies, 2021). Há uma questão mais ampla relacionada ao ensino e à aprendizagem no que diz respeito à religião.

Um princípio fundamental que emergiu do estudo das 3 religiões Abraâmicas e que é endossado em estudos de religião comparada, é “Faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você” – comumente chamado de Princípio de Ouro ou Regra de Ouro, que remonta pelo menos aos tempos Confucionistas e da Grécia Antiga e está consagrado em praticamente todas as religiões do mundo, bem como no Humanismo. Há um corolário talvez mais útil: “Não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem a você”.

Segundo Donald Wiebe, o estudioso da filosofia da religião, o estudo acadêmico da religião em faculdades e universidades da Europa e da América do Norte é quase sempre permeado por viés religioso (Wiebe, 2021). A análise dele sugere que a fronteira entre o estudo objetivo (científico) da religião e a educação religiosa com o propósito de aprimoramento social tornou-se tênue. Ele defende que o estudo objetivo e científico da religião não deve ser prejudicado por influências religiosas ou moralizantes: rigor e honestidade são cruciais para o conhecimento e para a integridade de seu ensino, aprendizagem e aplicação.

Embora a espiritualidade tenha sido frequentemente equiparada à religião, nos últimos tempos tem incluído cada vez mais uma forma secular [observação PO: pode incluir a ciência, a educação, a política, a cultura, a sociedade em geral] e não religiosa. O Humanismo, por exemplo, é uma filosofia segundo a qual as pessoas moldam as suas próprias vidas porque acreditam que essa é a única vida que nós temos: não há vida após a morte (T. Davies, 2008). O Humanismo postula que nós damos sentido ao mundo através do raciocínio lógico e da evidência e acredita que nós devemos tratar aqueles que nos rodeiam com afeto, entendimento e respeito: em outras palavras, com amor. O Humanismo baseia-se na ciência, ao invés da revelação de uma fonte sobrenatural, para entender o mundo e concentra-se na ação humana. O Humanismo é tipicamente não religioso e geralmente está alinhado com o Secularismo. No entanto, o termo “espiritualidade secular” é controverso. Alguns afirmam que o Secularismo cresceu durante o século XX em detrimento da religião.

Há algumas evidências de que pessoas que são espirituais, mas não religiosas, são mais propensas a problemas de saúde mental do que aquelas que são espirituais e religiosas e aquelas que não são nem espirituais nem religiosas (M. King, 2014). Essa pesquisa, como apontam Cook e Powell (2013), não comprovou, nem poderia comprovar, qualquer associação causal e o contexto cultural pode ser um fator moderador (por exemplo, EUA religioso versus Reino Unido secular), portanto, não se pode afirmar que a espiritualidade seja prejudicial à saúde. O seu autor, Michael King (2013), contudo, sustenta que “uma vida religiosa ou espiritual não confere nenhuma vantagem em termos de saúde mental”. Enquanto isso, argumentos clínicos têm sido apresentados em favor de um cuidado de saúde pessoal individualizado, no qual é o próprio paciente quem determina a importância da religião e da espiritualidade, ao invés de qualquer política ou prática formal imposta (Tim Mins et al., 2016). Isso é corroborado por pesquisas sobre liderança, em particular pelo modelo de liderança transformacional de Bass e Avolio e um de seus quatro construtos principais: a consideração individualizada, que consiste em tratar os indivíduos de acordo com suas necessidades e reconhecer sua singularidade (Bass, 1985, 1990; Bass & Avolio, 1994).

Espiritualidade Organizacional e no Ambiente de Trabalho

Até agora, nós definimos a espiritualidade como algo pessoal, mas uma organização pode ser “espiritual”? A noção de espírito foi introduzida nas discussões sobre saúde organizacional em 2001 pelo sociólogo John Bruhn, que a definiu, de forma consistente com a nossa definição em relação aos indivíduos, como “o núcleo ou coração de uma organização… o que a torna vibrante e lhe dá vigor” (Bruhn, 2001, p. 17). A natureza do trabalho que as pessoas realizam, como o percebem e como o executam são partes integrantes de seu autoconceito (Geh, 2014). Pawar (2017) considera o próprio trabalho, a espiritualidade individual e a espiritualidade no ambiente de trabalho como constituindo, em conjunto, a espiritualidade organizacional.

Russ Moxley (2000, p. 39) contrapõe o que chama de “organização com espírito” a uma “organização sem espírito” (Tabela 2.2).

Tabela 2.2: Organizações com espírito e sem espírito (reproduzida com permissão da editora, Jossey Bass/John Wiley & Sons).

A EILEEN FISHER, Inc., uma empresa Americana de moda feminina fundada em 2000, é uma organização exemplar em termos de espiritualidade no ambiente de trabalho, de acordo com um estudo de caso de Bonita Betters-Reed et al. (2020). Os valores pessoais da fundadora, incluindo valores espirituais, segundo Judi Neal (2013), são considerados essenciais para estabelecer a empresa como uma organização baseada em valores, na qual esses valores são traduzidos em práticas organizacionais e incorporados à cultura, cultivando um senso de significado e propósito. A dignidade e o valor de cada pessoa na empresa “orientam tudo, desde as práticas de contratação até o estilo de liderança e o atendimento ao cliente”.

O significado do trabalho é um aspecto importante da espiritualidade no ambiente de trabalho. Richard Hackman e Greg Oldham (1976, 1980) definem significado, nesse contexto, como uma função da variedade de habilidades, da identidade da tarefa e da relevância da tarefa.

– Variedade da habilidade – a medida em que o trabalho exige o uso de uma gama de habilidades e oferece uma variedade de tarefas a serem executadas.

– Identidade da tarefa – a medida em que um ocupante do cargo é capaz de concluir um trabalho completo e identificável.

– Significado da tarefa – a medida em que o trabalho é percebido como tendo um impacto sobre outras pessoas e as vidas delas na organização ou em geral.

John Milliman e colegas (2017) fornecem uma análise útil da relação entre espiritualidade no ambiente de trabalho e a adequação entre a pessoa e o ambiente (Tabela 2.3):

Tabela 2.3: Espiritualidade no ambiente de trabalho e adequação pessoa-ambiente (com base na Tabela 1, Milliman et al., 2017).

*Person–Environment fit (P–E fit)

O bem-estar humano é um objetivo fundamental da liderança ética: em um grupo ou equipe, no trabalho ou no lazer, em uma organização, em uma nação, em nosso mundo. Daniel Siegel (2012, p. 459) define bem-estar geral como “um estado de regulação ideal e funcionamento adaptativo do corpo, da mente e dos relacionamentos”. Exemplos de bem-estar físico insatisfatório, citados por ele, incluem dificuldade para trabalhar ou realizar outras atividades físicas devido a problemas de saúde. O bem-estar psicológico insatisfatório inclui a incapacidade de trabalhar devido a problemas emocionais. E o bem-estar relacional insatisfatório inclui a falta de comunicação e intimidade com os outros. Em um estudo sobre conflito trabalho-família, Selvarajan, Singh e colegas (2020) descobriram que a espiritualidade mitigava os seus efeitos negativos sobre o bem-estar.

Estudos sobre o relacionamento entre espiritualidade e desempenho e eficácia organizacional são escassos (Houghton et al., 2016). Uma das razões pode ser o fato de ambos os conceitos serem definidos de maneiras diferentes. A maioria das medidas de desempenho e eficácia organizacional são de natureza financeira. Nidhi Sharma e Reetesh Singh (2020) utilizaram a Petchsawanga and Duchon’s Workplace Spirituality Measure (Petchsawang & Duchon, 2009) [Escala de Espiritualidade no Ambiente de Trabalho de Petchsawang e Duchon] e a Taylor and Bower’s scale (Taylor & Bower, 1972) [escala de Taylor e Bower] para mensurar a eficácia organizacional em termos de funcionamento de grupo, satisfação no trabalho e integração de objetivos em uma amostra de acadêmicos do ensino superior na Índia. Eles estabeleceram uma associação entre as duas medidas, espiritualidade e eficácia organizacional e a universalidade dessa associação em diversos fatores demográficos.

O Lado Sombrio da Espiritualidade

A espiritualidade, em particular a espiritualidade organizacional, tem um lado sombrio. Há exemplos de sua distorção e exploração para fins instrumentais, como a gestão cínica de impressões, o controle e a dominação e a esperança e expectativa de ganhar mais dinheiro (Case & Gosling, 2010; Tourish, 2013, pp. 59–76). Dennis Tourish e Naheed Tourish (2010) argumentam que o movimento da espiritualidade no ambiente de trabalho “promove normas culturais e comportamentais restritivas e, portanto, busca reforçar o poder dos líderes em detrimento da autonomia de seus seguidores”. Funcionários e seguidores podem chegar à conclusão de que estão sendo manipulados de forma enganosa para o benefício da organização e não para o seu próprio. Por sua vez, isso pode levar à desconfiança, ao cinismo, à repulsa pela gestão e ao desengajamento – o oposto das características mais honrosas e éticas da espiritualidade – e, potencialmente, até mesmo a greves e sabotagens.

A história da gestão e da liderança está repleta de inovações intrinsecamente úteis e éticas, como o enriquecimento do trabalho, os círculos de qualidade, o empoderamento, a espiritualidade, a atenção plena, o viés inconsciente e outras, que foram exploradas de forma cínica e, em sua maioria, malsucedida. Inspirada nos ensinamentos Budistas, a atenção plena, por exemplo, é uma prática individual que as pessoas utilizam para cultivar a sabedoria, a fim de ajudá-las a resolver problemas que causam sofrimento e aprimorar o desenvolvimento pessoal. No entanto, no contexto secular, a atenção plena corporativa ou organizacional é amplamente reconhecida como um esforço da empresa para aumentar a consciência no nível da realidade [awareness] de seus funcionários em cada momento e ajudá-los a discernir e responder a ameaças rapidamente, sendo, portanto, mercantilizada e comercializada (Vu & Gill, 2018).

Além disso, o que pode ser desejável e progressista tem um lado oposto: o que é indesejável e prejudicial. A melhor forma de transmitir significado espiritual sem impor crenças religiosas ou Ateísmo aos outros permanece ideologicamente controversa e um desafio a ser resolvido (Holland et al., 2016) – tanto no mundo corporativo quanto no governo. Religião, espiritualidade e liderança espiritual não são exceção. De acordo com o relatório do grupo parlamentar multipartidário do Reino Unido sobre religião na mídia, muitas pessoas religiosas acreditam que os jornalistas são “indiferentes à religião e à crença e, na pior das hipóteses, ativamente tendenciosos contra pessoas de fé” (Grupo Parlamentar Multipartidário sobre Religião na Mídia, 2021). Os jornalistas se concentram demais na liturgia, nas doutrinas e nos rituais, diz o relatório e não o suficiente na experiência vivida das pessoas, ou seja, no conhecimento religioso, enquanto a Humanists UK alerta que tem que haver liberdade para criticar crenças e ideias religiosas (Zeffman, 2021, p. 4).

Para onde caminha a espiritualidade?

É necessário um melhor entendimento de como o trabalho contribui para o significado em nossas vidas (L. A. King & Hicks, 2021), da espiritualidade no ambiente de trabalho e da espiritualidade organizacional em geral (Rocha & Pinheiro, 2020). Como afirmam King e Hicks (2021), existem muitas oportunidades para isso no trabalho. Por exemplo, a confiança de que as nossas ações e os nossos comportamentos são valorizados e importantes para outras pessoas pode ser fortalecida ao enfrentarmos desafios, superarmos obstáculos e recebermos reconhecimento por isso. E perceber como os nossos objetivos no trabalho podem contribuir para um propósito maior, como o bem comum, também proporciona significado à vida. No entanto, embora nós saibamos que o significado no trabalho traz benefícios tanto pessoais quanto organizacionais, nós necessitamos saber mais sobre como as organizações podem fomentar isso.

É necessário um melhor entendimento de como o trabalho contribui para o significado em nossas vidas (L. A. King & Hicks, 2021), da espiritualidade no ambiente de trabalho e da espiritualidade organizacional em geral (Rocha & Pinheiro, 2020).

Uma importante revisão de pesquisas sobre espiritualidade no ambiente de trabalho, realizada por Judi Neal, abordou as suas tendências históricas, metodologias de pesquisa empregadas, exemplos organizacionais de espiritualidade no ambiente de trabalho, práticas espirituais no setor corporativo, as consequências da espiritualidade e recomendações para pesquisas futuras (Neal, 2018). Neal recomenda estudos adicionais sobre a evolução e as relações entre os campos da espiritualidade e da psicologia, da espiritualidade e da saúde, ambos relativamente consolidados e da espiritualidade no ambiente de trabalho e da teologia, um fenômeno emergente (Tackney, 2018). Espera-se que esse livro seja um passo nessa direção. Neal (2018) identifica três movimentos na espiritualidade no ambiente de trabalho: o espírito no trabalho, a fé no trabalho e o capitalismo consciente. Ela afirma que o movimento do espírito no trabalho é predominantemente secular e influenciado, em particular, por tradições e práticas Orientais, como mindfulness [atenção plena], meditação e ioga (Neal, 2013). O movimento da fé no trabalho é defendido principalmente por líderes empresariais e acadêmicos Cristãos Protestantes (Miller, 2007). E o movimento do capitalismo consciente é impulsionado principalmente por CEOs e práticas empresariais exemplares (Mackey & Sisodia, 2013).

É necessário aprofundar a pesquisa sobre as características e inter-relacionamentos da espiritualidade individual, no ambiente de trabalho e organizacional: Rocha e Pinheiro (2020) apontam que a maior parte da literatura existente é teórica ao invés de empírica (incluindo o próprio modelo de espiritualidade organizacional desenvolvido por eles). A pesquisa também é dificultada pela falta de definições claras e amplamente aceitas, um problema também presente no campo da pesquisa em liderança.

É claro que é útil para os pesquisadores definirem o que eles entendem por “espiritualidade”, mas a grande variedade de definições utilizadas torna quase impossível a criação de uma teoria geral da espiritualidade. Abordagens de métodos mistos em pesquisa são as mais propensas a lançar luz sobre a natureza e os inter-relacionamentos entre espiritualidade, gestão e religião. Outras linhas de pesquisa a serem exploradas incluem os efeitos da espiritualidade não apenas sobre as partes interessadas diretas, mas também sobre as comunidades em geral, as influências do ambiente – condições econômicas, crises e desastres, mudanças climáticas, guerras, terrorismo, conflitos e paz, diversidade e corrupção – sobre a espiritualidade. Preocupações semelhantes aplicam-se ao papel e à importância da instituição da religião na teoria organizacional, com seu foco restrito em corporações (Tracey et al., 2014).

Progressos consideráveis têm sido feitos no estudo dos resultados da espiritualidade no trabalho, como, por exemplo, o significado do trabalho, o senso de propósito, o senso de conectividade e pertencimento, o reconhecimento, a realização, a satisfação, o bem-estar, a felicidade, o comprometimento e o desempenho e a produtividade organizacional, e, de fato, o bem maior da sociedade. Mais avanços poderiam ser feitos em relação às semelhanças e diferenças interculturais, tanto setoriais quanto nacionais e às suas razões. Diferenças em valores e crenças e comportamentos associados, são a causa de muitos conflitos, frequentemente baseados em mal-entendidos. Mas, apesar desse progresso, as necessidades espirituais das pessoas no trabalho ainda representam um desafio crescente para aqueles em posições de liderança nos negócios, no governo e na sociedade em geral (Gill, 2014). As questões são a consciência no nível da realidade [awareness] e o entendimento dessas necessidades e a disponibilidade, o desejo e a capacidade de atendê-las. Esse é um grande desafio para a liderança e a gestão hoje e isso necessita ser abordado. A liderança espiritual pode ser a chave.

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—–Continua Parte III—–

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.

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Autor

Graduação: Engenharia Operacional Química. Graduação: Engenharia de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing - PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras - FGV/SP. Blog Projeto OREM® - Oficina de Reprogramação Emocional e Mental - O Blog aborda quatro sistemas de pensamento sobre Espiritualidade Não-Dualista, através de 4 categorias, visando estudos e pesquisas complementares, assim como práticas efetivas sobre o tema: OREM1) Ho’oponopono - Psicofilosofia Huna. OREM2) A Profecia Celestina. OREM3) Um Curso em Milagres. OREM4) A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE) - Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT). Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista como uma proposta inovadora de filosofia de vida para os padrões Ocidentais de pensamentos, comportamentos e tomadas de decisões (pessoais, empresariais, governamentais). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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