Com o objetivo de conhecimento e de entendimento sobre o sistema de pensamento de uma Organização Baseada na Espiritualidade (OBE), nós estamos transcrevendo trechos do artigo “Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”], editado por Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer.

A fonte do artigo é o livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1, dos autores acima referenciados.

O Prefácio abaixo explica a razão de ser desse importante artigo para entendimento do passado, presente e futuro do que se tem observado no campo da espiritualidade no ambiente de trabalho.

Artigo:

“Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”]

Editado por:

Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer

Fonte:

Livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1

DE GRUYTER (www.degruyter.com)

Instituto Fetzer (Home – The Fetzer Institute)

Essa obra está licenciada sob a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0. Para mais detalhes, acesse http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0.

Prefácio

Esse livro é extremamente relevante e oportuno. A e a espiritualidade têm sido um aspecto fundamental da experiência humana ao longo dos tempos. No entanto, a forma como são experienciadas e expressas continua a mudar com o passar do tempo. Por exemplo, no contexto dos Estados Unidos (EUA), uma pesquisa recente da Gallup mostra que a participação de Americanos em locais de culto (por exemplo, sinagogas, igrejas ou mesquitas) caiu para 47% – o nível mais baixo nos 80 anos de história da pesquisa e uma queda em relação aos 70% registrados em 1999 (Jones, 2021). Isso representa um declínio constante desde o início do século XXI. Essa tendência é impulsionada por dois fatores: um número maior de adultos que não se identificam com nenhuma religião e um declínio na frequência a igrejas entre aqueles que se identificam com alguma religião. Por trás dessas tendências, existem diferenças populacionais ou geracionais, com as gerações mais jovens expressando menos afiliação religiosa (7% dos tradicionalistas – adultos Americanos nascidos antes de 1946; 13% dos baby boomers (1946-1964); 20% da geração X (1965-1980) e 31% dos millenials (geração Y) (1981-1996)).

Simultaneamente, o Instituto Fetzer apoiou um estudo sobre a espiritualidade Americana que buscou entender melhor o significado da espiritualidade para os Americanos e como ela influencia as suas vidas sociais e ações cívicas (Instituto Fetzer, 2020). O estudo incluiu participantes de diversas afiliações religiosas ou identidades espirituais, incluindo aqueles sem nenhuma. Constatou-se que “a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020). Mais especificamente, 86% das pessoas se consideram espirituais e 68% acreditam que a sua espiritualidade guia as suas ações no mundo. Esses números incluem pessoas que se identificam com alguma tradição religiosa e aquelas que não se identificam.

“…a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020)

O que nós podemos concluir desses dois relatórios aparentemente contraditórios? Eu apresento esses dados como base para a importância e a relevância da espiritualidade no ambiente de trabalho. Para muitos, a espiritualidade no ambiente de trabalho é inadequada. Contudo, como demonstram esses estudos, muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando. Ao mesmo tempo, muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013). De fato, para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores. Além disso, as organizações são frequentemente os mecanismos estruturais pelos quais as sociedades se organizam e alcançam os seus objetivos sociais, econômicos e técnicos mais importantes e complexos. Elas são tanto impulsionadoras quanto representações da vida e dos valores da sociedade. Diante disso, elas permanecem um foco crucial e um potencial impulsionador do crescimento e desenvolvimento pessoal e do florescimento humano.

muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando.

Reconhecendo tudo isso, no Instituto Fetzer (o Instituto), nós nos esforçamos para viver a nossa missão e os nossos valores criando uma comunidade de ambiente de trabalho espiritualmente fundamentada, que nós chamamos de Community of Freedom (COF) [Comunidade da Liberdade]. A nossa COF é o alicerce espiritual do nosso trabalho para transformar a nós mesmos e a sociedade de maneira autêntica e eficaz.

muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013).

As maneiras de ser e as práticas individuais e comunitárias expressas por meio da COF – e enraizadas em nossos valores organizacionais essenciais de amor, confiança, autenticidade e inclusão – apoiam o Instituto no cultivo da cultura necessária para concretizar a nossa missão de ajudar a construir a base espiritual para um mundo amoroso. Uma das estruturas que nós utilizamos para nos mantermos firmes em nossa missão e visão são os nossos community of freedom gatherings (COFG) [encontros da comunidade da liberdade]. Os COFGs consistem em encontros semanais de três horas com todos os funcionários – desde os nossos jardineiros e equipe de programas até a nossa equipe e líderes de finanças e tecnologia da informação. Durante os COFGs, nós convidamos facilitadores externos e professores espirituais para nos ajudar a nos envolvermos em exploração espiritual individual e comunitária e na construção da comunidade. Nós também oferecemos sessões ministradas por funcionários e fornecemos espaço e recursos para que os funcionários busquem os seus caminhos pessoais. Exemplos de sessões incluem conjuntos de práticas contemplativas, a ciência do bem-estar, a capacidade de diálogo e o convívio com o luto coletivo. As sessões geralmente incluem componentes didáticos e experienciais, além de oportunidades para discussões em pequenos e grandes grupos, que permitem aos funcionários compartilhar experiências profundas uns com os outros.

para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores.

Em 2016, o Instituto encomendou um estudo de caso independente para aprender mais sobre os primeiros pontos positivos, desafios e impactos do COFG. Algumas das principais conclusões foram que os funcionários sentiram um aumento na confiança, no moral, na conexão e na capacidade de lidar com dificuldades relacionais a partir do trabalho. O estudo de caso também abordou questões e preocupações dos funcionários sobre o propósito dos COFGs em relação ao nosso trabalho externo, o uso de linguagem inclusiva e a abordagem do COFG e as suas ofertas e como os encontros se traduzem em políticas e práticas organizacionais mais amplas. Algumas dessas questões têm sido respondidas à medida que nós temos aprofundado o nosso trabalho como uma comunidade e outras nós continuamos a investigar e a desenvolver.

O Instituto não só se dedica a cultivar um ambiente de trabalho espiritualmente fundamentado, como também busca aprender com outros que compartilham da mesma visão sobre como cultivar culturas organizacionais que apoiem o desenvolvimento e o florescimento humano; e que permitam às organizações operar a partir de sua visão e valores mais profundos, rumo a um mundo mais amoroso. É esse compromisso que motiva o nosso apoio ao trabalho realizado pela International Association of Management, Spirituality and Religion (IAMSR) [Associação Internacional de Gestão, Espiritualidade e Religião], incluindo esse volume. Aqueles que buscam criar ambientes de trabalho que sejam espaços robustos para o florescimento humano e o mundo que nós desejamos habitar precisam de apoio e companheiros de jornada. Muitos de nós estamos lidando com questionamentos semelhantes sobre os prós e os contras de trazer a espiritualidade para o ambiente de trabalho.

Há muito que nós temos aprendido nos últimos vinte anos de experimentação nessa área e muito mais a aprender. Esse volume oferece algumas das melhores ideias e práticas de líderes de pensamento na área. Que ele sirva de inspiração e alimente a nossa imaginação e esforços coletivos em relação ao que é possível.

Shakiyla Smith, Vice-Presidente de Cultura Organizacional – Instituto Fetzer – 10 de novembro de 2021.

Referências

Fetzer Institute. (September 2020). Study of Spirituality in the United States. Report retrieved from https://spiritualitystudy.fetzer.org/sites/default/files/2020-09/What-Does-Spirituality-Mean To-Us_%20A-Study-of-Spirituality-in-the-United-States.pdf  

Jones, J.M. (2021). U.S. Church Membership Falls Below Majority for First Time. Gallup. Retrieved from https://news.gallup.com/poll/341963/church-membership-falls-below-majority-first time.aspx

Kegan. R., Lahey, L. L.(2016). An everyone culture: Becoming a deliberately developmental organization. Harvard Business Review Press.

Neal. J. (2013). Creating enlightened organizations: Four gateways to spirit at work. Palgrave Macmillan.

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—–Continuação da Parte V—–

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6 Mudança Organizacional e Espiritualidade no Trabalho: Expandindo o Círculo Moral

Autores: Giuseppe Delmestri, Doris Schneeberger

A espiritualidade no trabalho é um amplo campo acadêmico sob o qual se reúnem dois “campos” bastante distintos. De um lado, estão acadêmicos e profissionais que desejam mensurar e aumentar o “capital espiritual” das organizações a fim de fomentar a inovação, a eficiência e os lucros (Zohar & Marshall, 2004); do outro, aqueles que defendem a melhoria da condição humana nas organizações e um reencantamento da natureza para além de quaisquer razões instrumentais (Bøje et al., 2012; Case & Gosling, 2010). Os primeiros, os “instrumentalistas”, defendem a espiritualidade sob a ótica dos negócios; os outros, os “espiritualistas críticos”, defendem, ao invés disso, uma visão espiritual para os negócios, que perderia legitimidade se impedisse o florescimento espiritual de indivíduos e comunidades. A mudança organizacional é enquadrada nos dois campos de acordo com uma diferença epistemológica-axiológica análoga: um deles visa identificar exemplos objetivos de melhores práticas de “organizações espirituais” que levam a maior eficiência e lucros (Mitroff & Denton, 1999), enquanto o outro estuda o papel da liderança e das práticas espirituais para emancipar os indivíduos dentro das comunidades nas organizações (Dent et al., 2005; Mabey & Mayrhofer, 2015). O que é comum aos dois campos é o seu caráter teleológico e ativista, evidente na crença de que, ao alinhar os valores espirituais dos funcionários aos da organização ou ao elevar a sua consciência no nível da realidade [awareness] espiritual, a mudança positiva ocorrerá quase espontaneamente (Dehler & Welsh, 1994).

Nós compartilhamos da preocupação de Case e Gosling (2010, p. 276) de que a organização espiritual, como um tipo ideal instrumentalista, corre o risco de “representar uma tentativa sinistra por parte das organizações capitalistas de controlar, manipular e dominar a alma dos funcionários”. O nosso objetivo nesse capítulo é, portanto, contribuir para a discussão espiritualista crítica em sua tentativa de “buscar conexões mais transformadoras… com a natureza e com o planeta” (Neal, 2013a, p. 735) e em sua busca por uma “ética não antropocêntrica” (Gosling & Case, 2013). Dentro desse programa de pesquisa, contudo, nós reconhecemos um ponto cego. Na suposta corrida não antropocêntrica em direção a uma “abordagem pós-humanista” para o reencantamento de uma natureza indefinida (Bøje, 2012, p. 266), nós corremos o risco de não enxergar a floresta por causa das árvores.

a organização espiritual, como um tipo ideal instrumentalista, corre o risco de “representar uma tentativa sinistra por parte das organizações capitalistas de controlar, manipular e dominar a alma dos funcionários”.

As “árvores” são bilhões de seres sencientes individuais expostos a sofrimento terrível e morte dolorosa, acumulados em fazendas industriais (Lever & Evans, 2017). Nós concordamos com Taylor e Bell (2012, p. 569) que “a espiritualidade tem que ser feita para funcionar dentro, porém contra modernidade, desafiando e transcendendo os fundamentos da eficiência e da calculabilidade que são inerentes às normas organizacionais desencantadas” e consideram animais não humanos (nonhuman animals (NHAs)) por serem vítimas de um sistema modernista de objetificação que os transformam em matéria-prima a ser processada eficientemente (Fischer, 2020). Nessas empresas, os NHAs são considerados máquinas que produzem, sob uma lógica puramente econômica, bens para consumo humano, apesar da falsa aparência de bem-estar oferecida por melhorias marginais dentro de protocolos orgânicos e “humanos” (Lever & Evans, 2017).

As novas gerações, os milhões de crianças e jovens adultos que despertaram politicamente para a luta contra as mudanças climáticas, adotaram em sua maioria uma dieta baseada em vegetais, seguindo as evidências científicas sobre os efeitos negativos dos produtos de origem animal no clima (Willett et al., 2019) e uma repulsa moral pelas práticas convencionais da pecuária (Elder, 2020). Essa geração, em breve munida de maior poder de negociação devido às tendências demográficas atuais (Goodhart & Pradhan, 2017), está ingressando nas organizações e pressionando cada vez mais por mudanças, por exemplo, não apenas pela inclusão de alimentos à base de vegetais nos refeitórios, mas por uma abordagem completamente diferente no relacionamento com os NHAs. O campo da espiritualidade no ambiente de trabalho não pode permanecer indiferente, como tem feito até agora, a esse despertar espiritual que está expandindo o círculo moral para incluir os NHAs vistos em sua individualidade – não apenas como parte de uma “natureza” indefinida ou como membros de espécies cuja biodiversidade nós temos que proteger por razões antropocêntricas. Essa nova sensibilidade ampliada ao sofrimento e à compaixão caminha lado a lado com práticas espirituais como meditação e troca comunitária, curiosamente combinadas mais com racionalidade e ciência do que com religião.

Essa geração, em breve munida de maior poder de negociação devido às tendências demográficas atuais (Goodhart & Pradhan, 2017), está ingressando nas organizações e pressionando cada vez mais por mudanças, por exemplo, não apenas pela inclusão de alimentos à base de vegetais nos refeitórios, mas por uma abordagem completamente diferente no relacionamento com os NHAs.

O propósito desse capítulo é, portanto, não apenas oferecer uma visão geral do entendimento da mudança organizacional na literatura sobre espiritualidade no ambiente de trabalho e da recepção da espiritualidade no trabalho nesse contexto, mas também apontar a necessidade de pesquisas futuras que abordem o papel dos NHAs nas organizações contemporâneas. A seguir, nós discutiremos em primeiro lugar a escassa recepção da espiritualidade no ambiente de trabalho em mudanças organizacionais, analisando dois importantes manuais e dois periódicos especializados. Em seguida, nós analisaremos dois manuais sobre espiritualidade no trabalho e o periódico Journal of Management, Spirituality and Religion (JMSR) para verificar como a mudança organizacional é tratada nesse campo. Além disso, nós focamos em como o relacionamento entre humanos e animais não humanos tem sido enquadrado e teorizado na literatura sobre espiritualidade no ambiente trabalho. Por fim, nós argumentamos que o “cuidado, a compaixão e o apoio aos outros” (MSR Division, 2018, p. 2) exigem o reconhecimento do sofrimento como uma experiência comum a todas as espécies, incluindo os NHAs sencientes entre os “outros” pelos quais nós devemos sentir compaixão. Nós defendemos que esse cuidado e compaixão ampliados, bem como uma abordagem ética de longo prazo, devem ser adotados na busca pelo estágio universalizante do desenvolvimento espiritual (Fowler, 1981). Nós complementamos essas considerações com observações pessoais derivadas de nosso próprio envolvimento como participantes ou pesquisadores em movimentos climáticos.

Espiritualidade no Ambiente de Trabalho na Literatura sobre Mudança Organizacional

O Journal of Organizational Change Management é também um importante veículo de publicação para o campo da espiritualidade no trabalho. Essa sobreposição de leitores sugere uma forte integração dos temas de mudança e espiritualidade, mas o periódico é um espaço onde acadêmicos de ambas as áreas publicam, mantendo, em grande parte, a distinção disciplinar. Nós encontramos, de fato, 208 artigos com o termo de busca “espiritual*”. No entanto, como os tópicos se referem a práticas de mindfulness, medidas de capital espiritual, liderança autêntica ou liderança para a sustentabilidade, eles não abordam diretamente a mudança organizacional como geralmente entendida, ou seja, “mudança organizacional como uma diferença na forma, qualidade ou estado ao longo do tempo em uma entidade organizacional” (Poole & Van de Ven, 2004, p. xi).

Buscando nesses artigos a palavra “mudança” no título e no resumo, nós encontramos apenas o artigo teórico de Long e Mills (2010), que aborda a mudança organizacional de uma maneira mais substancial. Os autores oferecem uma crítica à interpretação instrumental e ao uso da espiritualidade no ambiente de trabalho como um meio de alcançar ganhos materiais por meio da criação de uma cultura comum mais eficiente. Quando enquadrada como instrumentalidade, argumentam Long e Mills (2010), a espiritualidade no ambiente de trabalho torna-se uma ferramenta sutil para impor os valores dos gestores aos funcionários, tentando controlar as mentes deles e desvalorizando as oportunidades de autorrealização espiritual fora do contexto organizacional. Para eles, um projeto de espiritualidade crítica deve desenvolver “a capacidade de operar dentro do contexto de diversos valores, ao invés de tentar operar a partir da crença equivocada de que os valores espirituais unificarão a organização” (p. 337). Long e Mills (2010, p. 338), portanto, consideram o projeto de introdução da espiritualidade no trabalho eticamente justificado apenas se visar a promover “uma consciência no nível da percepção [consciousness] social elevada, necessária para reconstruir o local de trabalho de uma maneira que desafie as desigualdades estruturais, as tendências exploratórias, a insustentabilidade e a marginalização produzidas pelas práticas gerenciais modernas na busca por ganhos materiais”.

No Journal of Change Management, dezesseis artigos incluem a palavra “espiritual*”, mas poucos deles abordam o tema de forma mais substancial. Além de artigos que tratam do componente espiritual da liderança transformadora (Gill, 2002) ou que mencionam a espiritualidade de passagem ao enquadrar a necessidade de mudança organizacional em nível sistêmico para abordar a sustentabilidade climática (Benn & Baker, 2009), destaca-se o apelo de Boje (2012) por uma nova ontologia que considere a nossa interconexão com a natureza. Contudo, a principal atenção dada à espiritualidade nesse periódico provém de profissionais, consultores ou gurus da gestão como Scharmer (2020). O debate sobre a “Teoria U” de Scharmer como uma abordagem prática de gestão de mudanças ou como uma moda “esotérica” de gestão também aborda essa questão (Kühl, 2020). A Teoria U de Scharmer concentra-se em comunidade, autotranscendência e consciência no nível da realidade [awareness], ou seja, uma terminologia próxima ao vocabulário espiritual. O texto afirma a necessidade explícita de a sociedade se transformar para superar a “ruptura espiritual”, referindo-se às práticas de mindfulness [atenção plena] como “novos métodos e ferramentas que ajudam líderes e agentes de mudança a criar espaços para a evolução do eu [ser, self], ou seja, para a mudança da consciência no nível da realidade [awareness] em um sistema do ego para o eco” (Scharmer, 2020, p. 329).

A análise The Routledge Companion to Organizational Change, editado por David M. Boje, Bernard Burnes e John Hassard (2012), permitiu emergir os seguintes tópicos. O capítulo de Bushe (2012) sobre a Investigação Apreciativa (IA) de Cooperrider refere-se ao que parece ser a primeira consideração da espiritualidade na disciplina de mudança organizacional. A IA centra-se na descoberta do que “dá vida” a qualquer sistema organizacional e, nesse sentido, “pode ser considerada uma prática espiritual” (Bushe, 2012, p. 94). E, de fato, em uma entrevista recente com Sandra Waddock (2015, p. 164, parágrafo anterior), o próprio Cooperrider enfatiza que os fundamentos espirituais da IA ​​visam apreciar “o milagre da vida”, inspirados pelo livro de Albert Schweitzer, “Reverence for Life” [“Reverência pela Vida]. Para Schweitzer (1947; citado por Kawall, 2003, p. 340), que se inspirou no conceito de ahimsa do Jainismo (não violência para com todos os seres), a reverência pela vida proporciona o “princípio fundamental da moralidade, ou seja, que o bem consiste em manter, auxiliar e promover a vida e que destruir, prejudicar ou impedir a vida é o mal”.

A posição espiritual de Cooperrider fundamenta uma metaética que combina perspectivas ontológicas, epistemológicas e éticas: o mundo social é um milagre de cooperação, a ciência deve ser generativa e “nós necessitamos de uma reconexão com o milagre da vida nesse planeta, onde nós vemos as coisas novamente em sistemas vivos, ativos, milagrosos e repletos de potencial emergente” (entrevista com Waddock, 2015, p. 249). De maneira semelhante, Boje (2012, p. 520) reconecta-se a algumas dessas ideias sobre a ontologia do nosso mundo e prefigura “um futuro que trata da sustentabilidade ecológica e dos laços ônticos com a natureza” e da “redescoberta do encantamento do mundo natural”, no que ele chama de “abordagem pós-humanista”.

Um capítulo inteiro desse Companion é dedicado ao relacionamento entre espiritualidade no trabalho e mudança organizacional (Taylor & Bell, 2012). Os autores definem espiritualidade no trabalho como um movimento que visa reencantar as nossas organizações, que perderam o sentido devido ao domínio de uma racionalidade puramente instrumental. Dado o nível de desencantamento e a instrumentalidade das abordagens gerenciais à cultura organizacional, somente uma abordagem transformacional pode ter efeito contra a ausência total de questões metafísicas e transcendentes que abordam a magia, o mistério ou o encantamento de nossos mundos sociais e pessoais. No entanto, eles também apontam para o risco de que esse movimento possa produzir apenas um “reencantamento desencantado”. As suas abordagens modernistas podem ser sequestradas pela gestão e transformadas em “um meio de colonizar o eu [ser, self] de uma forma que se estende cada vez mais profundamente nas subjetividades individuais” (p. 571). Eles concluem com uma visão mais positiva, embora paradoxal, sobre o papel da espiritualidade em nossas organizações: “as espiritualidades possibilitam o desenvolvimento de indivíduos capazes de conciliar razão e emoção, mantendo-se relacionais e apegados, ao mesmo tempo que se enraízam nas normas iluministas do pensamento crítico” (Taylor & Bell, 2012, p. 576).

Na edição de 2004 do Oxford Handbook of Organizational Change and Innovation, editado por Marshall Scott Poole e Andrew Van de Ven, não há menção à espiritualidade no trabalho e a religião é mencionada apenas como uma lógica institucional. Na segunda edição, com publicação prevista para meados de 2021, a espiritualidade no ambiente de trabalho, a julgar pelos autores e pelo sumário, parece novamente não receber consideração. Nós passamos agora a analisar como as ideias, teorias e métodos de mudança organizacional foram recebidos na literatura sobre espiritualidade no trabalho.

“as espiritualidades possibilitam o desenvolvimento de indivíduos capazes de conciliar razão e emoção, mantendo-se relacionais e apegados, ao mesmo tempo que se enraízam nas normas iluministas do pensamento crítico” (Taylor & Bell, 2012, p. 576).

Mudança Organizacional na Literatura sobre Espiritualidade no Trabalho

Embora a mudança seja onipresente no Handbook of Faith and Spirituality in the Workplace [Manual de Fé e Espiritualidade no Ambiente de Trabalho], editado por Judi Neal (2013c), aqui ela é entendida principalmente no sentido de mudança espiritual transformadora que supostamente tem efeitos positivos nas organizações. Da mesma forma, a mudança é concebida no sentido de um movimento em direção a um “ambiente de trabalho espiritualmente rico e espiritualmente acolhedor”, segundo Stoner (2013, p. 495). Um capítulo de Russell (2013) sobre liderança espiritual aborda o papel dos líderes como agentes de mudança espiritual. Stead e Stead (2013, p. 271) focam no papel transformador da espiritualidade para impulsionar a mudança rumo à sustentabilidade e à “criação de capital espiritual nas organizações, um tipo de riqueza conquistada ao servir a humanidade e o planeta”.

Major (2013) descreve a redução e a mudança de uma divisão na Hewlett-Packard e utiliza vocabulário relacionado à espiritualidade no trabalho, como “pertencimento” (comunidade), “propósito” (significado) e “transcendência”. Waddock e Steckler (2013, p. 287) investigam o papel da sabedoria e da espiritualidade para fundamentar o empreendedorismo social de forma valiosa diante dos desafios de nossa época, como “mudanças climáticas e falta de sustentabilidade, crescimento populacional e desigualdade e crises de alimentação, segurança e energia”. Eles vislumbram agentes disruptivos de mudança social trabalhando em prol de uma transformação social sistêmica, desafiando os modelos de negócios existentes.

No Palgrave Handbook of Workplace Spirituality and Fulfillment [Manual Palgrave de Espiritualidade e Realização no Ambiente de Trabalho], editado por Satin der Dhiman, Gary Roberts e Joanna Crossman (2018), a mudança organizacional ou a gestão da mudança são mencionadas em dez capítulos, mas principalmente de forma tangencial. Por exemplo, a liderança servidora, a espiritualidade individual e as práticas de mindfulness [atenção plena] são consideradas em diferentes capítulos como fatores que contribuem para um maior engajamento e como pré-condições para uma mudança organizacional eficaz. Apenas em três capítulos há uma abordagem mais ampla e original. Bucci (2018) sugere uma interessante abordagem Bíblica para a gestão da mudança, baseada na transposição de reflexões de autores Cristãos sobre o processo de conversão individual. A ideia central dele é que a mudança sustentável só pode ocorrer se os indivíduos passarem por um processo de conversão guiado por valores espirituais profundamente arraigados e traduz essa percepção em um modelo de estágios para a mudança. Neal (2018), na visão geral da pesquisa dela sobre espiritualidade no ambiente de trabalho, refere-se à integração feita por Dehler e Welsh (1994) do modelo de transformação organizacional de Porras e Silvers (1991) com as noções de emoção e espiritualidade, indo além do foco puramente cognitivo do desenvolvimento organizacional. Por fim, Burton, Jeong e Saini (2018, p. 3) abordam o problema da “espiritualidade sombria”, uma situação em que “um estado de escuridão que ‘se disfarça’ de bem… acaba por prejudicar o crescimento e o desenvolvimento de uma organização e o bem comum”.

No Journal of Management, Spirituality and Religion (JMSR), nós encontramos seis artigos que abordam explicitamente a mudança organizacional ou a gestão da mudança. Goltz (2018) enquadra, de forma instrumental, as práticas de mindfulness [atenção plena] do Budismo como “permitindo um espaço seguro para experienciar o desconforto associado à resistência à mudança e transcender esse desconforto”. Em uma perspectiva instrumental semelhante, Geh e Tan (2009, p. 296) consideram a gestão da mudança organizacional como tendo o objetivo de “ajudar os funcionários a atingir metas de desempenho novas e existentes de forma rápida e eficaz” e sugerem que “indivíduos que experienciam o fundamento espiritual da vida podem crescer e se desenvolver de maneiras consistentes com os objetivos organizacionais”. De forma menos instrumental, Whitney (2010, p. 78) enquadra explicitamente a Investigação Apreciativa como uma abordagem de mudança organizacional que, ao criar ressonância espiritual no ambiente de trabalho, “promove alta colaboração, ou seja, colaboração para o bem comum, ao invés de simplesmente colaboração para realizar o trabalho”.

Case e Gosling (2010, p. 259) criticam essas visões instrumentais que “tratam a espiritualidade em termos a-históricos e apolíticos, como mais um recurso neutro a ser explorado e administrado pelos antigos guardiões do desempenho organizacional”. Pavlovich (2020, p. 333) oferece, ao invés disso, uma teorização da “empatia quântica” como “um mecanismo de organização em nível macro” baseado no trabalho interior (práticas de mindfulness), na conectividade (reflexividade) e na transcendência (empatia), explicitamente concebido não como “um conjunto de ferramentas para a mudança organizacional”, mas como uma forma espiritual de reimaginar um futuro para além das formas capitalistas exploradoras. Groen (2007, p. 310) menciona a gestão da mudança organizacional ao comparar um ambiente de trabalho religioso com um secular e encontra uma “semelhança notável ao se considerar os vários ideais de um ambiente de trabalho permeado pela espiritualidade, como vocação, ética, interconectividade e responsabilidade para com a nossa comunidade local e global”.

Espiritualidade no Trabalho, Animais Não Humanos e Alimentação

Na introdução, nós antecipamos que o foco desse capítulo seria o despertar espiritual de milhões de crianças e jovens adultos em movimentos sociais baseados na ciência. Em nossa própria participação nesses movimentos climáticos, nós pudemos observar a prevalência de alimentos à base de plantas, bem como a importância de formas comunitárias de meditação e encontros, ligadas a uma forte orientação racional de longo prazo. Embora nós consideremos o reconhecimento desse círculo moral em expansão, que inclui as gerações futuras e os animais não humanos de maneiras não instrumentais, como um ponto cego na literatura sobre espiritualidade no ambiente de trabalho, a revisão dessa literatura apresentada acima, onde conceitos como “sustentabilidade ecológica” (Bøje, 2012, p. 520), “conexões transformadoras” com a natureza (Neal, 2013a, p. 735) e “ética não antropocêntrica” (Gosling & Case, 2013) são centrais, revela que a integração de uma nova consideração ética e espiritual dos animais não humanos não deve ser um apelo distante para os estudiosos da espiritualidade.

De fato, Neal (2013b, p. 4) já se refere ao livro Blessed Unrest [Abençoada Inquietação], de Paul Hawken (2007, p. 12), que interpreta esses movimentos dedicados à criação de um mundo sustentável e justo como expressão das “necessidades da maioria das pessoas na Terra de preservar o meio ambiente, promover a paz, democratizar a tomada de decisões e as políticas públicas, revitalizar a governança pública… e melhorar as suas vidas” (citado por Stead & Stead, 2013, p. 273). Neal (2013a, p. 735), a esse respeito, enfatiza no capítulo final de seu Manual a necessidade de o campo da espiritualidade no trabalho “buscar conexões mais transformadoras”. No mesmo trecho, ela relata ter sentido uma conexão espiritual com a natureza: “Eu senti a Terra como um ser vivo e vi o vento como o sopro de Gaia. Eu senti um amor avassalador pelo planeta e, de repente, entendi por que algumas pessoas eram tão apaixonadas por sustentabilidade”.

Ela encerra o capítulo com uma referência otimista à palestra TED de Steven Pinker, “The Myth of Violence” [“O Mito da Violência”], onde o professor de Harvard fornece “documentação esmagadora sobre o declínio da violência na humanidade” (p. 736). O que Neal não menciona é que, ao final da palestra, Pinker introduz a noção de Peter Singer de expandir os círculos morais para incluir não apenas as gerações futuras, mas também os animais não humanos: de fato, embora a violência na humanidade tenha diminuído drasticamente, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, foi exatamente na segunda metade do século passado que a pecuária intensiva em fazendas industriais emergiu, a ponto de, segundo dados da FAO, 136 bilhões de animais não humanos criados em fazendas serem mortos todos os anos após uma vida curta e dolorosa (Elder, 2020, p. 548; Lever & Evans, 2017).

Antes de retornarmos ao tema da expansão do círculo moral na próxima seção, nós apresentamos aqui a nossa análise de como os NHAs e, de forma relacionada, a alimentação, são considerados na literatura sobre espiritualidade no ambiente de trabalho. No Manual de Fé e Espiritualidade no Ambiente de Trabalho de Neal (2013c), nós encontramos a palavra “animal(is)” mencionada em apenas oito páginas em seis capítulos: como o “mandamento” Judaico da mitzvah de ser gentil com eles (Lurie, Cap. 6), como evitar produtos que usam testes em animais e alimentos feitos com coalho na prática devocional de ioga (Greene, Cap. 10), como interconexão na criação através da respiração com animais e plantas na religiosidade Maori (Spiller e Stockdale, Cap. 11), como ancestrais totêmicos e possíveis entidades nas quais o espírito de uma pessoa poderia renascer na espiritualidade Indígena Australiana (Miley e Read, Cap. 12), como nomeado por Adão (Russel, Cap. 15) e como parte do ecossistema a ser incluído junto com plantas, cursos d’água e ar no círculo de partes interessadas do capitalismo consciente (Wigglesworth, Cap. 43). A comida, por sua vez, é mencionada em 30 páginas: como expressão de gratidão ao presidente da Tyson Foods, uma das maiores produtoras mundiais de produtos NHA; como estudo de caso de uma empresa alimentícia Canadense que vende produtos NHA; como prática ritual envolvendo alimentos; como tema de segurança e escassez alimentar; como oferta aos necessitados; e como símbolo de gratidão e cuidado. O termo “vegetariano” é mencionado apenas uma vez, no contexto da prática devocional de ioga (Greene, Cap. 10), enquanto “vegano” nunca é mencionado.

No Manual Palgrave de Espiritualidade e Realização no Ambiente de Trabalho, editado por Dhiman e colegas (2018), o termo “animal*” é mencionado em 21 páginas, distribuídas em 14 capítulos. Além de menções casuais, como a do dicionário Oxford English, que define a alma como “o princípio da vida no homem ou nos animais” (p. 62), a relação entre os direitos dos animais e a indústria farmacêutica (p. 402) ou a presença de animais em zoológicos, há menções mais substanciais, como a da empresa Tyson Foods, conhecida por sua postura religiosa e os entendimentos religiosos da relação entre humanos e animais não humanos no Cristianismo, Budismo e Hinduísmo. Dhiman e Kriger (2018, p. 91), por exemplo, resumem essa relação da seguinte forma:

O Vedānta promove uma vida harmoniosa por meio de uma visão da unicidade de toda a existência. Exteriormente, diversas formas de vida, como plantas, animais, pássaros e seres humanos, parecem ser diferentes umas das outras, mas o princípio vital subjacente de pura consciência no nível da realidade [awareness], o princípio da consciência no nível da percepção [consciousness], é um só e o mesmo. Do ponto de vista espiritual, ao interagirmos com o mundo e a miríade de seres, nós devemos lembrar que todos eles nada mais são do que o nosso próprio Eu [Ser, Self] verdadeiro. Se nós percebermos alguém como diferente de nós, nós podemos sentir aversão ou medo, mas se nós tivermos a visão da unicidade, nós veremos o outro como relacionado e apenas mais um aspecto do nosso próprio Eu [Ser, Self].

De forma semelhante, Pandey e Navare (2018, p. 107) destacam que, no yoga, os seres humanos têm uma obrigação “para com todas as formas de vida não humanas… protegendo-as ou alimentando-as… onde o nosso planeta é referido como Mãe Terra”. Maheshwari e Gupta (2018, p. 495) afirmam que as “escrituras Védicas oferecem um caminho para a convivência harmoniosa com outros seres humanos, animais e o cosmos, conduzindo a um cenário de felicidade universal”. Interessante também é a discussão de Burchard (2018) sobre o conceito Bíblico do sacerdote jardineiro no capítulo Cultivando um Jardim de Beleza e Significado, que inclui ainda o domínio sobre os animais, entendido como responsabilidade. Embora os termos “vegetariano” e “vegano” nunca sejam mencionados nesse manual, o termo “alimento” é citado em vinte capítulos, ao longo de 41 páginas, como oferenda, ritual de presente, escassez, nutrição, fast food e produto de empresas.

No Journal of Management, Spirituality and Religion, a busca pelos termos “animal*” e “alimento” nos títulos e resumos não obteve sucesso. Ao pesquisar o termo “animal*” em todo o texto, nós encontramos 198 menções bastante casuais, referindo-se principalmente ao abate ritual, ao Halal, à nossa suposta superioridade em dignidade em relação aos NHAs, mas também ao respeito por eles. O termo “vegetariano” aparece quatro vezes, incluindo o relato de Boje (2005a, 2005b) sobre a sua conversão ao Jainismo e a uma dieta vegana como parte de sua jornada espiritual, e o de Peter Pruzan, entrevistado por Laszlo Zsolnai (2019, p. 228), abordando o problema da incapacidade dos consumidores Ocidentais de agirem com base em evidências científicas: “o enorme consumo de carne é um dos principais contribuintes para a contínua perturbação do clima global […] e para a destruição de biótipos […] no entanto, a porcentagem da população nessas sociedades bem informadas que é vegetariana ou vegana é pequena”.

Nós também pesquisamos oito bibliografias na página da internet de Bibliografias e Bibliografias Anotadas da Divisão de Recursos da MSR (https://msr.aom.org/ourlibrary/new-item) e encontramos apenas uma referência em uma busca pelas palavras “animal” OU “alimento” em Rao (sem data: 32) Criatividade e Domínio Pessoal. Bibliografia Anotada, onde ele menciona o livro de Robbins (2001) como “uma crítica contundente à criação intensiva de animais, bem como ao tratamento dos animais em geral” e como “argumentando que nossa indústria alimentícia, especialmente a de carne e aves, é destrutiva para a sua saúde e bem-estar… apresentando razões econômicas e ambientais para uma mudança em nossa dieta, deixando de consumir animais como alimento”.

Portanto, a nossa análise mostra que os NHAs têm recebido pouca atenção na literatura sobre espiritualidade no ambiente de trabalho e principalmente a partir de autores associados a tradições religiosas do Extremo Oriente. A importância atribuída ao estudo de caso da Tyson Foods como uma organização espiritual, apesar de ser “a maior processadora e comercializadora mundial de frango, carne bovina e suína” (2018, p. 29), é significativa e evidente também no uso objetificado de palavras para denotar frangos, vacas e porcos. Essa lacuna, no entanto, como nós temos argumentado no início dessa seção, poderia ser facilmente preenchida, como nós discutimos na próxima seção.

Expandindo o Círculo Moral: NHAs Como Sujeitos Morais e Longotermismo (Longoprazismo)

As novas gerações estão cada vez mais envolvidas em movimentos que questionam as práticas econômicas e sociais existentes, pois essas ameaçam a sobrevivência humana e não humana nesse planeta. Movimentos como o movimento juvenil Fridays 4 Future, o seu equivalente adulto Extinction Rebellion, o movimento de cientistas de apoio Scientists 4 Future, para citar apenas alguns, estão exercendo cada vez mais pressão em todo o mundo sobre as instituições políticas e econômicas (Etchanchu et al., 2021). Ao defenderem a própria sobrevivência e a das gerações futuras deles, bem como a preservação da biodiversidade e o respeito por outros seres sencientes, eles expandem o seu círculo moral (o círculo de seres que exigem consideração moral, tanto nas dimensões do tempo, gerações futuras, quanto das espécies, animais não humanos).

“As gerações futuras nos superarão em milhares ou milhões para um; de todas as pessoas que nós poderemos afetar com as nossas ações, a esmagadora maioria ainda está por vir. Essas pessoas têm o mesmo valor moral que nós no presente. Portanto, no agregado, os interesses delas importam enormemente” (John & MacAskill, no prelo, p. 1). A lógica da ideia de visão de longo prazo é clara. As gerações futuras de seres humanos serão impactadas significativamente por nossas ações (devido às mudanças climáticas, à degradação ambiental e ao esgotamento dos recursos naturais, por exemplo). John e MacAskill (no prelo, p. 2) veem a causa fundamental dessa deficiência no imediatismo político e sugerem reformas institucionais para “aumentar os horizontes temporais” dos governos. Eles propõem a instalação de “instituições de pesquisa governamentais e arquivistas”, “avaliações de impacto para a posteridade”, “assembleias para o futuro” e “casas legislativas para as gerações futuras” (ver também Zsolnai, 2006).

Atualmente, a questão de se os sistemas políticos e econômicos causam ou não danos futuros tende a não ser levada em consideração – ou pelo menos não o suficiente. A nossa conduta tende a ser moralmente falha, no sentido de que nós tendemos a não expandir o nosso círculo moral na dimensão temporal. Além disso, nós tendemos a excluir aqueles que não pertencem à nossa própria espécie, causando, assim, danos e sofrimento consideráveis. Peter Singer (2011, p. 120) é uma voz proeminente no discurso da ética filosófica, defendendo a inclusão de NHAs em nosso círculo moral. Ele destaca que “os prazeres e as dores dos animais não humanos não são menos significativos pelo fato de esses animais não serem membros da espécie Homo sapiens”.

As práticas que nós observamos em nossas experiências individuais nos movimentos sociais que buscam expandir os nossos círculos morais nas dimensões temporal e espécies parecem consistentes com a ideia ética de expandir o nosso círculo moral. Nós observamos meditação e atenção plena derivadas da tradição Budista de meditação, mas também formas de sincretismo religioso e Xamanismo (como no grupo Signal “Spirit of XR”, onde a espiritualidade é discutida também em termos “seculares”). O compartilhamento de comida vegetariana ou vegana (mesmo refeições freegan reaproveitadas de alimentos que outros teriam ou descartariam) também é um componente central em encontros comunitários, assim como rituais de “check-ins” e “check-outs”, nos quais os ativistas não apenas compartilham uma refeição, mas também os seus estados emocionais pessoais, a fim de complementar as suas atividades com um aspecto comunitário adicional. Essa combinação de atenção plena e valores comunitários confirma os diferentes significados que tais práticas têm nesses movimentos, em comparação com a recepção mais individualista da ioga e da meditação da Nova Era em gerações mais antigas (Munir et al., 2021).

De fato, du Plessis e Just (2021) veem na recente recepção da atenção plena nesses movimentos um potencial transformador e progressivo. Além disso, essas práticas e os fortes valores de respeito pela natureza e compaixão por todos os seres sencientes não se combinam com crenças irracionais, mas, paradoxalmente, com crenças em princípios científicos racionais – uma observação que confirma a reflexão de Taylor e Bell (2012, p. 576) de que as espiritualidades contemporâneas permitem aos indivíduos “reconciliar razão e emoção”, relacionalidade e pensamento crítico (certamente, não um fenômeno totalmente novo, visto que filósofos Cristãos como Tomás de Aquino também fundamentaram a fé na razão). Em outras palavras, nesses movimentos, “[a] experiência de uma conexão transformadora” (Lurie, 2013, p. 91) assume uma forma espiritual diferente.

Conclusões

Nesse capítulo, nós temos argumentado que os estudos (críticos) sobre espiritualidade no trabalho devem ampliar o seu entendimento de espiritualidade para abranger abordagens mais filosóficas baseadas em valores que defendam a expansão de nosso círculo moral. Vale a pena observar a difusão de práticas de meditação e comunidade baseadas na ciência em movimentos sociais, onde milhões de jovens e não tão jovens são socializados para a vida e a ação política. Como um novo relacionamento com NHAs [nonhuman animals] considerados como seres sencientes é central nessa nova orientação espiritual racional, o nosso entendimento acadêmico dos NHAs e as práticas organizacionais em relação a eles terão que ser completamente repensadas. As organizações serão inundadas por essa nova geração e terão que reagir de muitas maneiras se quiserem manter a sua legitimidade. A decisão sobre se nós devemos abolir completamente a agricultura [industrial] de NHA e adotar o veganismo ou se nós devemos “apenas” reduzir drasticamente o consumo de carne e laticínios, recorrendo, para o restante, à agricultura intensiva de pequena escala com alto padrão de bem-estar animal (Bruckner, 2020) e à carne e laticínios cultivados (Elder, 2020) ainda é debatida, também considerando as condições geográficas e socioeconômicas (Smith, 2016; Jairath et al., 2021).

No entanto, as fazendas industriais são a fonte de 99% dos produtos de origem animal em sociedades industrializadas (Lever & Evans, 2017). Esses locais, onde a lucratividade é priorizada em detrimento do bem-estar animal, representam, sem dúvida, o lado sombrio do domínio humano sobre a natureza. O sofrimento repugnante em matadouros e fazendas industriais deveria nos fornecer ampla razão para expandir o nosso círculo moral e incluir seres sencientes não humanos. Como enfatizado na perspectiva ética do longo prazo, além dos não humanos, o destino das futuras gerações de humanos também depende de nossa conduta ética. Nós gostaríamos de concluir esse capítulo com a dedicatória de abertura de Judi Neal (2013c) em seu Manual, inspirada no pensamento de longo prazo: “Que o trabalho que nós estamos fazendo hoje ajude a criar um mundo melhor para você e para pelo menos sete gerações”.

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—–Continua Parte VII—–

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Imagem: pexels-alwi-hafizh-al-mumtaz-3211525-4840958 24.01.26

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.

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Autor

Graduação: Engenharia Operacional Química. Graduação: Engenharia de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing - PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras - FGV/SP. Blog Projeto OREM® - Oficina de Reprogramação Emocional e Mental - O Blog aborda quatro sistemas de pensamento sobre Espiritualidade Não-Dualista, através de 4 categorias, visando estudos e pesquisas complementares, assim como práticas efetivas sobre o tema: OREM1) Ho’oponopono - Psicofilosofia Huna. OREM2) A Profecia Celestina. OREM3) Um Curso em Milagres. OREM4) A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE) - Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT). Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista como uma proposta inovadora de filosofia de vida para os padrões Ocidentais de pensamentos, comportamentos e tomadas de decisões (pessoais, empresariais, governamentais). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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