Com o objetivo de conhecimento e de entendimento sobre o sistema de pensamento de uma Organização Baseada na Espiritualidade (OBE), nós estamos transcrevendo trechos do artigo “Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”], editado por Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer.
A fonte do artigo é o livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1, dos autores acima referenciados.
O Prefácio abaixo explica a razão de ser desse importante artigo para entendimento do passado, presente e futuro do que se tem observado no campo da espiritualidade no ambiente de trabalho.
Artigo:
“Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”]
Editado por:
Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer
Fonte:
Livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1
DE GRUYTER (www.degruyter.com)
Instituto Fetzer (Home – The Fetzer Institute)
Essa obra está licenciada sob a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0. Para mais detalhes, acesse http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0.
Prefácio
Esse livro é extremamente relevante e oportuno. A fé e a espiritualidade têm sido um aspecto fundamental da experiência humana ao longo dos tempos. No entanto, a forma como são experienciadas e expressas continua a mudar com o passar do tempo. Por exemplo, no contexto dos Estados Unidos (EUA), uma pesquisa recente da Gallup mostra que a participação de Americanos em locais de culto (por exemplo, sinagogas, igrejas ou mesquitas) caiu para 47% – o nível mais baixo nos 80 anos de história da pesquisa e uma queda em relação aos 70% registrados em 1999 (Jones, 2021). Isso representa um declínio constante desde o início do século XXI. Essa tendência é impulsionada por dois fatores: um número maior de adultos que não se identificam com nenhuma religião e um declínio na frequência a igrejas entre aqueles que se identificam com alguma religião. Por trás dessas tendências, existem diferenças populacionais ou geracionais, com as gerações mais jovens expressando menos afiliação religiosa (7% dos tradicionalistas – adultos Americanos nascidos antes de 1946; 13% dos baby boomers (1946-1964); 20% da geração X (1965-1980) e 31% dos millenials (geração Y) (1981-1996)).
Simultaneamente, o Instituto Fetzer apoiou um estudo sobre a espiritualidade Americana que buscou entender melhor o significado da espiritualidade para os Americanos e como ela influencia as suas vidas sociais e ações cívicas (Instituto Fetzer, 2020). O estudo incluiu participantes de diversas afiliações religiosas ou identidades espirituais, incluindo aqueles sem nenhuma. Constatou-se que “a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020). Mais especificamente, 86% das pessoas se consideram espirituais e 68% acreditam que a sua espiritualidade guia as suas ações no mundo. Esses números incluem pessoas que se identificam com alguma tradição religiosa e aquelas que não se identificam.
…“a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020)
O que nós podemos concluir desses dois relatórios aparentemente contraditórios? Eu apresento esses dados como base para a importância e a relevância da espiritualidade no ambiente de trabalho. Para muitos, a espiritualidade no ambiente de trabalho é inadequada. Contudo, como demonstram esses estudos, muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando. Ao mesmo tempo, muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013). De fato, para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores. Além disso, as organizações são frequentemente os mecanismos estruturais pelos quais as sociedades se organizam e alcançam os seus objetivos sociais, econômicos e técnicos mais importantes e complexos. Elas são tanto impulsionadoras quanto representações da vida e dos valores da sociedade. Diante disso, elas permanecem um foco crucial e um potencial impulsionador do crescimento e desenvolvimento pessoal e do florescimento humano.
…muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando.
Reconhecendo tudo isso, no Instituto Fetzer (o Instituto), nós nos esforçamos para viver a nossa missão e os nossos valores criando uma comunidade de ambiente de trabalho espiritualmente fundamentada, que nós chamamos de Community of Freedom (COF) [Comunidade da Liberdade]. A nossa COF é o alicerce espiritual do nosso trabalho para transformar a nós mesmos e a sociedade de maneira autêntica e eficaz.
…muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013).
As maneiras de ser e as práticas individuais e comunitárias expressas por meio da COF – e enraizadas em nossos valores organizacionais essenciais de amor, confiança, autenticidade e inclusão – apoiam o Instituto no cultivo da cultura necessária para concretizar a nossa missão de ajudar a construir a base espiritual para um mundo amoroso. Uma das estruturas que nós utilizamos para nos mantermos firmes em nossa missão e visão são os nossos community of freedom gatherings (COFG) [encontros da comunidade da liberdade]. Os COFGs consistem em encontros semanais de três horas com todos os funcionários – desde os nossos jardineiros e equipe de programas até a nossa equipe e líderes de finanças e tecnologia da informação. Durante os COFGs, nós convidamos facilitadores externos e professores espirituais para nos ajudar a nos envolvermos em exploração espiritual individual e comunitária e na construção da comunidade. Nós também oferecemos sessões ministradas por funcionários e fornecemos espaço e recursos para que os funcionários busquem os seus caminhos pessoais. Exemplos de sessões incluem conjuntos de práticas contemplativas, a ciência do bem-estar, a capacidade de diálogo e o convívio com o luto coletivo. As sessões geralmente incluem componentes didáticos e experienciais, além de oportunidades para discussões em pequenos e grandes grupos, que permitem aos funcionários compartilhar experiências profundas uns com os outros.
…para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores.
Em 2016, o Instituto encomendou um estudo de caso independente para aprender mais sobre os primeiros pontos positivos, desafios e impactos do COFG. Algumas das principais conclusões foram que os funcionários sentiram um aumento na confiança, no moral, na conexão e na capacidade de lidar com dificuldades relacionais a partir do trabalho. O estudo de caso também abordou questões e preocupações dos funcionários sobre o propósito dos COFGs em relação ao nosso trabalho externo, o uso de linguagem inclusiva e a abordagem do COFG e as suas ofertas e como os encontros se traduzem em políticas e práticas organizacionais mais amplas. Algumas dessas questões têm sido respondidas à medida que nós temos aprofundado o nosso trabalho como uma comunidade e outras nós continuamos a investigar e a desenvolver.
O Instituto não só se dedica a cultivar um ambiente de trabalho espiritualmente fundamentado, como também busca aprender com outros que compartilham da mesma visão sobre como cultivar culturas organizacionais que apoiem o desenvolvimento e o florescimento humano; e que permitam às organizações operar a partir de sua visão e valores mais profundos, rumo a um mundo mais amoroso. É esse compromisso que motiva o nosso apoio ao trabalho realizado pela International Association of Management, Spirituality and Religion (IAMSR) [Associação Internacional de Gestão, Espiritualidade e Religião], incluindo esse volume. Aqueles que buscam criar ambientes de trabalho que sejam espaços robustos para o florescimento humano e o mundo que nós desejamos habitar precisam de apoio e companheiros de jornada. Muitos de nós estamos lidando com questionamentos semelhantes sobre os prós e os contras de trazer a espiritualidade para o ambiente de trabalho.
Há muito que nós temos aprendido nos últimos vinte anos de experimentação nessa área e muito mais a aprender. Esse volume oferece algumas das melhores ideias e práticas de líderes de pensamento na área. Que ele sirva de inspiração e alimente a nossa imaginação e esforços coletivos em relação ao que é possível.
Shakiyla Smith, Vice-Presidente de Cultura Organizacional – Instituto Fetzer – 10 de novembro de 2021.
Referências
Fetzer Institute. (September 2020). Study of Spirituality in the United States. Report retrieved from https://spiritualitystudy.fetzer.org/sites/default/files/2020-09/What-Does-Spirituality-Mean To-Us_%20A-Study-of-Spirituality-in-the-United-States.pdf
Jones, J.M. (2021). U.S. Church Membership Falls Below Majority for First Time. Gallup. Retrieved from https://news.gallup.com/poll/341963/church-membership-falls-below-majority-first time.aspx
Kegan. R., Lahey, L. L.(2016). An everyone culture: Becoming a deliberately developmental organization. Harvard Business Review Press.
Neal. J. (2013). Creating enlightened organizations: Four gateways to spirit at work. Palgrave Macmillan.
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—–Continuação da Parte X—–
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11 Saúde e Bem-Estar no Contexto de Espiritualidade no Ambiente de Trabalho
Autor: James Campbell Quick
Introdução
A espiritualidade no ambiente de trabalho tem continuado a avançar durante os 12 anos da série de conferências da International Association of Management Spirituality and Religion [Associação Internacional de Gestão, Espiritualidade e Religião], iniciada na Universidade de Viena (WU Vienna), na Áustria, em 2010. O conceito amplo de espiritualidade no ambiente de trabalho remonta ao século XX. O Handbook of Workplace Spirituality and Organizational Performance [Manual de Espiritualidade no Ambiente de Trabalho e Desempenho Organizacional], Segunda Edição (Giacalone & Jurkiewicz, 2010), enfatizou o desempenho nesse domínio. Adotando uma abordagem diferente, esse capítulo concentra-se, ao invés disso, nos conceitos de saúde e bem-estar dentro do contexto da espiritualidade no ambiente de trabalho.
O capítulo está dividido em cinco seções. A primeira seção explora o contexto da espiritualidade no ambiente de trabalho e o estado atual das coisas relevantes para os conceitos de saúde e bem-estar, concluindo com uma ênfase na vitalidade espiritual. A segunda seção examina os avanços e focos durante a década de 2010. A terceira seção analisa os desafios da década de 2020. A quarta seção examina os métodos de investigação sobre saúde e bem-estar no contexto da espiritualidade no ambiente de trabalho. Finalmente, a quinta seção principal identifica publicações importantes relevantes para a saúde, o bem-estar e a vitalidade espiritual.
O capítulo distingue espiritualidade de religião, sendo essa última um sistema organizado de crenças, rituais e práticas estabelecido por uma igreja, sinagoga, mesquita ou outra forma religiosa organizacional específica (Quick et al., 2008). Hartshorne (1963) faz uma distinção importante entre religião e fé Bíblica, sendo essa última inserida no domínio da espiritualidade. As preocupações da espiritualidade são a paz, a harmonia e a transcendência, o que significa a aceitação de uma vida centrada nos outros. Conclusões gerais e diretrizes universais sobre espiritualidade podem ser difíceis de formular, dada a sua natureza subjetiva (Krishnakumar & Neck, 2002).
Espiritualidade no Ambiente de Trabalho: Contexto e Estado da Arte
Nós analisamos três questões como uma forma de entender o contexto da espiritualidade no ambiente de trabalho e o estado da arte como pano de fundo para o presente capítulo. Essas questões são: O que é espiritualidade no ambiente de trabalho? Qual é a base para o conhecimento e as crenças justificadas? Como nós devemos entender saúde e bem-estar?
O que é Espiritualidade no Ambiente de Trabalho?
Mitroff e Denton (1999) propuseram cinco modelos de espiritualidade para o ambiente de trabalho, especificamente para organizações corporativas. Esses modelos são:
- Organização de base religiosa;
- Organização evolucionária, um passo além da organização de base religiosa;
- Organização revolucionária, uma forma mais extrema, frequentemente liderada por ex-viciados em recuperação;
- Organização baseada em valores, que possui uma dimensão subjacente e implícita de espiritualidade; e
- Organização socialmente responsável, que aparenta ser a mais secular.
Uma análise desses cinco modelos sugere a existência de um continuum subjacente de espiritualidade que vai da organização religiosa à secular, ao longo do qual esses cinco modelos podem estar dispostos. Essa abordagem desvincula religião e espiritualidade, o que Quick et al. (2008) fazem explicitamente ao discutirem a vitalidade espiritual.
Krishnakumar e Neck (2002) exploram o significado exato de “espiritualidade” no ambiente de trabalho. A tese deles é que a espiritualidade é um constructo altamente pessoal e carregado de significado, que pode ter efeitos positivos nas organizações se tiver a oportunidade de florescer em toda a sua variedade e diversidade. Os autores consideram visões religiosas, existenciais e a perspectiva da origem intrínseca (ou seja, que se origina no interior do indivíduo) da espiritualidade. Não há consenso uniforme nem uma definição amplamente aceita de espiritualidade. Deixando de lado a questão do desempenho organizacional, como já foi feito, os autores identificam benefícios potenciais da espiritualidade no ambiente de trabalho, incluindo: intuição e criatividade, honestidade e confiança, realização pessoal e comprometimento.
“…a espiritualidade é um constructo altamente pessoal e carregado de significado, que pode ter efeitos positivos nas organizações se tiver a oportunidade de florescer em toda a sua variedade e diversidade. (Krishnakumar e Neck – 2002).“
A liderança é um constructo fundamental no estudo do comportamento organizacional (Nelson & Quick, 2019). Relacionada à espiritualidade no ambiente de trabalho, Fry (2003) apresenta uma teoria da liderança espiritual que tem implicações para a saúde e o bem-estar nesse contexto. O modelo de liderança espiritual de Fry incorpora visão, esperança/fé e amor altruísta com o propósito de criar congruência de visão e valores em todo o espectro de liderança nos níveis organizacionais: estratégico, de equipe e individual. Eden (em publicação) argumenta que a ciência da liderança, em sua melhor forma, se baseia em experimentos de campo que fornecem resultados de causa e efeito aplicáveis. Embora haja muita validade na linha de argumentação de Eden, existe um contraponto a ela no domínio da espiritualidade no ambiente de trabalho.
“…os autores Krishnakumar e Neck -(2002) identificam benefícios potenciais da espiritualidade no ambiente de trabalho, incluindo: intuição e criatividade, honestidade e confiança, realização pessoal e comprometimento.“
Qual é a Base para o Conhecimento e as Crenças Justificadas?
O conhecimento e as crenças justificadas que se baseiam no planejamento experimental como fundamento para a compreensão dos relacionamentos de causa e efeito são válidos no âmbito das ciências naturais, ou das Naturwissenschaften Germânicas. O domínio alternativo é o das Geisteswissenschaften, ou ciências espirituais. Em Inglês, essas podem ser consideradas como as humanidades. As ciências espirituais são subjetivas, interpretativas e baseiam-se na história e na experiência como fundamento para o conhecimento e as crenças justificadas. Martin Luther argumentou que era justificado pela fé e somente pela fé (Metaxas, 2017). Embora Bowlby (1988) tenha argumentado que a autoridade não tem lugar na ciência, isso só é verdade para as ciências naturais. Como Eden (em publicação) aponta corretamente, o conhecimento e as crenças nesse domínio são justificados pela experimentação, pelo debate e pela evidência empírica.
As mesmas regras de evidência não se aplicam necessariamente ao domínio espiritual. Há espaço para autoridade no âmbito espiritual, dependendo das crenças espirituais individuais de cada pessoa. As escrituras antigas da Bíblia Sagrada, do Alcorão, os textos Budistas e os Vedas Hindus estão entre essas fontes de autoridade. A pessoa espiritual pode não ter um Deus ou divindade como figura de autoridade primária, embora muitas tenham. Essas fontes de autoridade contrastam com a autoridade da organização e do ambiente de trabalho, essa última manifestando-se nos líderes da organização.
Um dos desafios da espiritualidade no ambiente de trabalho é lidar com essa questão da dupla autoridade. Lynch (2017, p. x) ilustra isso em sua discussão sobre “A Fé do Centurião” (Mateus 8:5-13). O centurião tem um servo paralítico que está sofrendo terrivelmente. O centurião também ouviu dizer que Jesus Cristo tem o poder de curar [to heal] e, portanto, ele se submete a essa autoridade ao buscar ajuda para o seu servo, sem violar a sua própria cadeia de comando dentro da Legião Romana. Diz-se que a fé do centurião foi responsável pela cura [healing].
Como Nós Podemos Entender a Saúde e o Bem-Estar?
Essas curas [healings] pela fé são frequentemente recebidas com ceticismo e dúvidas ou questionamentos são sempre legítimos na busca pelo conhecimento e pela verdade. Saúde e bem-estar não são ciências exatas, mas a sua proteção e aprimoramento não devem ser deixados ao acaso ou apenas à fé. No contexto da espiritualidade no ambiente de trabalho, saúde e bem-estar podem ser entendidos em quatro dimensões (Quick et al., 2008): saúde física, bem-estar psicológico, vitalidade espiritual e caráter ético. A liderança tem uma responsabilidade conjunta com os membros individuais do ambiente de trabalho para aprimorar essas quatro dimensões da saúde e do bem-estar. Grande parte da saúde física e até mesmo do bem-estar psicológico pode estar sob a autoridade da ciência médica moderna, que pode trabalhar em conjunto com as ciências espirituais. Por exemplo, um jovem médico que atendia a comunidade Choctaw em um hospital Indígena em Oklahoma foi confundido com um capelão quando um paciente confundiu o livro de diagnóstico preto dele com uma Bíblia Sagrada. O paciente pediu ao médico que orasse por ele. Optando por não esclarecer ou debater, o jovem médico simplesmente sentou-se com o homem e orou por sua cura [healing] e recuperação. O médico ficou posteriormente maravilhado com a cura [healing], a recuperação e a alta do homem, que ocorreram mais rapidamente do que o prognóstico médico havia indicado.
“No contexto da espiritualidade no ambiente de trabalho, saúde e bem-estar podem ser entendidos em quatro dimensões (Quick et al., 2008): saúde física, bem-estar psicológico, vitalidade espiritual e caráter ético.“
Avanços e focos na década de 2010
Quais têm sido os avanços e focos em saúde e bem-estar durante a década de 2010? A ênfase aqui é no bem-estar psicológico, vitalidade espiritual e caráter ético, que são três dimensões-chave da saúde e do bem-estar. Os cinco avanços discutidos são: positividade (Fredrickson, 2013), gratidão e perdão (Cameron, 2007), paz interior e aptidão espiritual (Lynch, 2017), coaching com compaixão (Boyatzis & Jack, 2018) e desenvolvimento de líderes com caráter e competência emocional (Wasylyshyn & Gupta, 2021).
Positividade
Fredrickson (2013) revisou a proporção de positividade de 3 para 1 dela e concluiu sabiamente que a positividade não é uma ciência exata. No entanto, pensamentos e emoções positivas impactam a fisiologia e o comportamento. Um aspecto fundamental da abordagem dela é o equilíbrio entre o positivo e o negativo. Indivíduos que experienciam uma proporção aproximada de 1 para 1 entre pensamentos e emoções positivas e negativas são difíceis de conviver devido à alta dose de negatividade; essas pessoas drenam a energia dos outros. O extremo positivo são indivíduos que experienciam proporções de algo como 11 para 1 entre pensamentos e emoções positivas e negativas. Essas pessoas hiperpositivas são muito difíceis de engajar e têm um verdadeiro desafio em lidar com as dificuldades e desafios reais da vida. Aqueles indivíduos que têm uma proporção entre esses extremos possuem negatividade suficiente para ancorá-los à realidade, mas também positividade suficiente para lhes dar ânimo e otimismo. A positividade pode ser contagiosa de uma forma boa, assim como doenças infecciosas podem ser contagiosas de uma forma ruim.
Gratidão e Perdão
A expressão de gratidão é uma fonte de energia e renovação para uma pessoa, que chama a atenção para o positivo sem negar o negativo (Quick et al., 2013). No ambiente de trabalho, o negativo muitas vezes assume a forma de dano, lesão ou prejuízo, seja intencional ou não. Por essa razão, Cameron (2007) recomenda o perdão como um processo pelo qual o dano, a lesão ou o prejuízo podem ser reparados e a cura [healing] pode ocorrer. O perdão não nega o dano nem absolve a pessoa da responsabilidade por causá-lo. O perdão não inclui receber algo em troca, mas sim incentivar a lembrança para que o aprendizado possa ocorrer e os incidentes não se repitam. Os rituais de perdão estão entre as disciplinas e práticas espirituais que levam à cura [healing] e à recuperação a partir de traumas e tragédias.
Paz Interior e Fitness Espiritual [Estado de Fitness Espiritual]
A vitalidade espiritual é capaz de levar à paz interior e ao bem-estar espiritual. Lynch (2017) iniciou a busca dele pela paz interior devido ao caos no mundo ao seu redor. Um centurião moderno, como oficial de combate do Exército dos EUA, era fisicamente saudável, psicologicamente equilibrado e de caráter ético sólido, mas sentia necessidade espiritual. Em sua busca pela paz interior, ele descobriu um caminho pessoal ancorado na fé Bíblica. O caminho não foi isento de reviravoltas e obstáculos, mas provou ser confiável. A vitalidade espiritual se baseia no bem-estar espiritual, nos hábitos diários, rituais e disciplinas pessoais que transformam o caos da vida em paz e ordem interior. Os hábitos diários de Lynch (2017) para o bem-estar espiritual incluíam oração, incluindo confissão, evangelismo no estilo de vida e um forte vínculo conjugal com a sua esposa. A paz interior e o bem-estar espiritual não interferiram nos compromissos de carreira de Lynch, que ascendeu ao posto de tenente-general, um dos 50 oficiais comissionados mais importantes do Exército dos EUA, antes de se aposentar.
Coaching com Compaixão
Boyatzis e Jack (2018) baseiam-se em avanços recentes da neurociência que revelam os mecanismos subjacentes ao coaching, levando ao coaching com compaixão (ou seja, coaching direcionado ao atrator emocional positivo – PEA [positive emotional attractor]). Eles mostram como a neurociência explica diferentes formas de empatia, utilizando regiões cerebrais essenciais para conexões socioemocionais com outras pessoas, entendimento de questões éticas e estar aberto a novas ideias e aprendizado. O trabalho deles ressoa fortemente com uma organização baseada em valores (Mitroff & Denton, 1999). O coaching com compaixão é tão profundamente pessoal quanto Krishnakumar e Neck (2002) argumentam que a espiritualidade é profundamente pessoal. A pessoa que recebe coaching com compaixão se beneficia da experiência, assim como o coach ou líder que a pratica. Além disso, como Boyatzis e Jack (2018) apontam, o coaching com compaixão é mais mutuamente benéfico do que o coaching para obter conformidade (ou seja, coaching direcionado ao atrator emocional negativo – NEA [negative emotional attractor]). Incorporar os avanços da neurociência no ambiente de trabalho oferece um potencial real para melhorar a saúde e o bem-estar.
…”a espiritualidade é profundamente pessoal.“
Caráter e Competência Emocional
O caráter e a competência emocional da liderança de uma organização podem ter um impacto positivo e significativo na saúde e no bem-estar no ambiente de trabalho. A liderança do maior depósito logístico da Força Aérea dos EUA, com 13.000 funcionários, implementou uma intervenção de seis anos (1995-2001) que evitou todas as fatalidades e economizou US$ 33 milhões em queixas e conflitos (Quick et al., 2013, p. 118). Em outro caso, o comandante-geral do Forte Hood do Exército dos EUA implementou um conjunto de políticas voltadas para o soldado e orientadas para a família que, após um ano, resultou em melhorias significativas nos indicadores de saúde e bem-estar em toda a instalação (Lynch & Dagostino, 2013, pp. 15-16). Isso incluiu quedas significativas nos casos de violência doméstica, divórcio e término de relacionamentos. Consequentemente, o moral e o bem-estar melhoraram, com um maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
“Incorporar os avanços da neurociência no ambiente de trabalho oferece um potencial real para melhorar a saúde e o bem-estar.“
Mais importante ainda, a taxa de suicídio caiu drasticamente, levando Fort Hood do topo da lista do Exército com o maior número de suicídios para o final da lista com a menor taxa de suicídio. Os acidentes de trânsito nessa enorme instalação praticamente desapareceram. Antes, a taxa de mortalidade no trânsito passou de uma a cada 15 ou 20 dias para, em determinado momento, 245 dias sem nenhuma fatalidade.
Wasylyshyn e Gupta (2021) estabeleceram o modelo Leadership 3000 para o desenvolvimento de liderança a longo prazo, que é altamente consistente com a organização baseada em valores (Mitroff & Denton, 1999) e focado no desenvolvimento de líderes com caráter e competência emocional. Na Fase 1 de seu modelo de quatro fases, avaliações intensivas são feitas a partir de um histórico de vida detalhado, uma extensa bateria de testes psicométricos e entrevistas organizacionais direcionadas. De uma perspectiva de saúde e bem-estar, os principais comportamentos de liderança buscados incluem fortaleza emocional, liderança corajosa e otimismo pragmático. A capacidade do líder de usar autoconhecimento, autogestão e habilidades de construção de relacionamentos é crucial, assim como a resiliência emocional. Líderes emocionalmente competentes e de bom caráter desempenham funções tanto preventivas quanto terapêuticas na saúde e no bem-estar no ambiente de trabalho.
Desafios para a Década de 2020
Existem quatro desafios para promover a saúde física, o bem-estar psicológico, a vitalidade espiritual e o caráter ético nos ambientes de trabalho em todo o mundo. Esses quatro desafios são: validar o subjetivo, estudar a variância ou gama da experiência espiritual humana, superar o totalitarismo e a tirania da maioria no ambiente de trabalho e gerenciar eficazmente um sistema de autoridade dual.
“Líderes emocionalmente competentes e de bom caráter desempenham funções tanto preventivas quanto terapêuticas na saúde e no bem-estar no ambiente de trabalho.“
Validar o Subjetivo
Krishnakumar e Neck (2002) defendem a tese de que a espiritualidade no ambiente de trabalho é altamente personalizada, o que também significa que não é altamente generalizável. A vitalidade espiritual não pode ser imposta à pessoa, mas sim pode ser despertada a partir do seu interior. Isso se baseia na visão dos autores sobre a origem intrínseca da espiritualidade. Para que a espiritualidade no ambiente de trabalho floresça, é necessário que a organização valide ou afirme, sem necessariamente concordar ou endossar, a experiência humana subjetiva da espiritualidade. A padronização de processos e objetos no ambiente de trabalho pode ter um valor econômico significativo. A tentativa de padronizar os seres humanos no ambiente de trabalho contraria a sua natureza básica, especialmente nas esferas espiritual e ética.
“Para que a espiritualidade no ambiente de trabalho floresça, é necessário que a organização valide ou afirme, sem necessariamente concordar ou endossar, a experiência humana subjetiva da espiritualidade.”
Estudar a Variância ou Gama de Espiritualidade
William James (1902) proferiu uma série clássica de vinte Palestras Gifford em Edimburgo, Escócia, de 1901 a 1902, que exploraram as variedades de experiência religiosa, começando com a atenção à religião e à neurologia. Agora, mais de um século depois e no contexto da espiritualidade no ambiente de trabalho, seria oportuno usar a exploração anterior de James como ponto de partida para o estudo da variância e da gama de experiência espiritual no ambiente de trabalho. Embora o Handbook of Workplace Spirituality and Organizational Performance [Manual de Espiritualidade no Ambiente de Trabalho e Desempenho Organizacional], Segunda Edição, busque, em certa medida, essa direção, ele parte de um ponto de vista organizacional e de desempenho. O que se exige aqui é um estudo com foco primordial na saúde e no bem-estar no ambiente de trabalho e atenção especial à vitalidade espiritual e ao caráter ético. Embora a saúde física e o bem-estar psicológico possam ser bem abordados, a vitalidade espiritual e o caráter ético nem sempre o são (cf. Quick et al., 2008).
Superar o Totalitarismo e a Tirania da Maioria
Schwartz (1990) concentra-se em como o totalitarismo e o processo narcisista, manifestados no ideal organizacional, são tóxicos e levam à decadência corporativa. Esses são justamente a antítese da vitalidade espiritual e do caráter ético no ambiente de trabalho. Há limites para a autoridade e o poder legítimos da liderança em qualquer organização e, quando isso se torna opressivo e indiferente, sufoca a espiritualidade no ambiente de trabalho. No entanto, os seguidores também têm responsabilidade nessa dinâmica (ver Capítulo 12 “Liderança e Seguidores” em Nelson & Quick, 2019). Seguidores eficazes não são passivos nem dependentes. Ao invés disso, eles são ativos, engajados e aceitam a responsabilidade. Assim como a espiritualidade, a boa liderança é convidativa. O totalitarismo e a tirania não têm lugar em organizações corporativas saudáveis e, na medida em que existem, a vitalidade espiritual e o caráter ético são suprimidos (Schwartz, 1990).
Aceitar e Gerenciar as Autoridades Duais
Como Martin Luther redescobriu, a autoridade das escrituras transcende e é separada da autoridade humana (Metaxas, 2017). Esse princípio da autoridade relativa às Escrituras (scriptural) é aplicável a uma ampla gama de crenças espirituais. Portanto, em uma organização espiritualmente vibrante, os indivíduos com vitalidade espiritual terão autoridades duplas a considerar e gerenciar. Da mesma forma, a liderança organizacional enfrenta o desafio de reconhecer esse arranjo de autoridade dupla, se quiser manter a vitalidade espiritual do ambiente de trabalho. O risco aqui é o clássico conflito pessoa-papel ao qual Robert Kahn e os seus colegas (1964) se referiram em seus estudos seminais sobre estresse organizacional, conflito de papéis e ambiguidade. A pessoa espiritual tem autonomia e integridade de caráter alinhadas com as suas crenças, disciplinas e práticas espirituais. Uma questão central para a pessoa e a organização é se essas autoridades duplas são capazes de coexistirem e serem gerenciadas para benefício mútuo. Reconhecer que, em alguns casos, isso não é possível significa que o relacionamento pessoa-organização deve ser dissolvido.
Métodos de Investigação em Saúde e Bem-Estar
Em contraste com as ciências naturais, que são reducionistas por natureza, as ciências do espírito são holísticas por natureza; inclusivas, não exclusivas. Os trabalhos citados nos avanços e focos da década de 2010, mencionados anteriormente nesse capítulo, não possuem um método comum para considerar a saúde e o bem-estar no contexto da espiritualidade no ambiente de trabalho. Os métodos variaram desde medidas neurológicas, avaliações psicométricas, investigação biográfica e, finalmente, dados de arquivos organizacionais. Os métodos e padrões para pesquisa psicológica de alto nível variam dependendo se a pesquisa é quantitativa, qualitativa ou de método misto (American Psychological Association, 2020: Capítulo 3). A saúde e o bem-estar em ambientes ocupacionais e ambientes de trabalho são interdisciplinares por natureza, baseando-se em epidemiologia, psicologia, engenharia, bem como espiritualidade e religião (Macik-Frey et al., 2007; Quick et al., 2013). Portanto, a diversidade de métodos de investigação agrega valor e riqueza ao domínio da saúde e do bem-estar.
“Em contraste com as ciências naturais, que são reducionistas por natureza, as ciências do espírito são holísticas por natureza; inclusivas, não exclusivas.”
Para realmente compreender a saúde e o bem-estar dos trabalhadores Americanos, Pfeffer e os seus colegas realizaram um estudo epidemiológico de vários anos para examinar a morbidade e a mortalidade, bem como os custos com assistência médica (Goh et al., 2016). No nível organizacional, os dois melhores indicadores de saúde e bem-estar têm sido o absenteísmo e a rotatividade voluntária (Cascio & Boudreau, 2011). Embora a espiritualidade possa ser altamente pessoal e a vitalidade espiritual possa ser um conceito abstrato, a teoria e a prática sugerem que os constructos metafísicos têm consequências no mundo real (cf. Kant, 1956).
Publicações Essenciais para Saúde e Bem-Estar
Além dos diversos artigos contemporâneos citados anteriormente nesse capítulo, há duas publicações essenciais a serem consideradas para saúde e bem-estar no contexto da espiritualidade no ambiente de trabalho. São elas o Handbook of Religion and Health [Manual de Religião e Saúde], Segunda Edição (Koenig et al., 2012) e o The SAGE Handbook of Organizational Wellbeing [O Manual SAGE de Bem-Estar Organizacional] (Wall et al., 2021). As conexões espirituais entre a mente (psique) e o corpo (soma) têm sido exploradas há décadas (cf. Siegel, 1985). Koenig, King e Carson (2012) oferecem uma coletânea abrangente de 29 capítulos centrados na saúde física e na saúde mental (bem-estar psicológico). Trata-se de uma abordagem rigorosa com conexões com a religião e as práticas espirituais. Embora Siegel (1985) tenha demonstrado o que pode parecer milagre para alguns, aqueles que têm fé reconhecem o poder de cura [healing] da gratidão, do perdão e do amor. No entanto, Koenig, King e Carson (2012) também abordam o lado sombrio das práticas religiosas que entram em conflito com a medicina e a psicologia modernas, causando danos e até mesmo morte prematura. Essa obra destina-se ao leitor e ao pesquisador criterioso que desejam explorar as conexões entre esses importantes domínios do conhecimento.
O abrangente manual de bem-estar organizacional de Wall, Cooper e Brough (2021) também se destina ao leitor e ao pesquisador criterioso. Organizado em quatro seções principais com 40 capítulos sobre diversas dimensões de saúde, bem-estar e espiritualidade nas organizações, esse manual concentra-se diretamente na organização, no ambiente de trabalho e nos contextos ocupacionais. Contudo, os capítulos sobre luto, prevenção do suicídio e bem-estar espiritual não se restringem apenas ao ambiente de trabalho.
Comentário Conclusivo
A saúde e o bem-estar no ambiente de trabalho podem ser concebidos em quatro dimensões: saúde física, bem-estar psicológico, vitalidade espiritual e caráter ético. A saúde e o bem-estar no contexto da espiritualidade no ambiente de trabalho são melhor estudados tanto pelas ciências espirituais quanto pelas ciências naturais. Essas últimas são nomotéticas por natureza, enquanto as primeiras são idiográficas. A abordagem idiográfica é particularmente adequada dada a natureza altamente personalizada da espiritualidade no ambiente de trabalho.
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—–Continua Parte XII—–
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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.
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