Com o objetivo de conhecimento e de entendimento sobre o sistema de pensamento de uma Organização Baseada na Espiritualidade (OBE), nós estamos transcrevendo trechos do artigo “Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”], editado por Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer.
A fonte do artigo é o livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1, dos autores acima referenciados.
O Prefácio abaixo explica a razão de ser desse importante artigo para entendimento do passado, presente e futuro do que se tem observado no campo da espiritualidade no ambiente de trabalho.
Artigo:
“Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”]
Editado por:
Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer
Fonte:
Livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1
DE GRUYTER (www.degruyter.com)
Instituto Fetzer (Home – The Fetzer Institute)
Essa obra está licenciada sob a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0. Para mais detalhes, acesse http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0.
Prefácio
Esse livro é extremamente relevante e oportuno. A fé e a espiritualidade têm sido um aspecto fundamental da experiência humana ao longo dos tempos. No entanto, a forma como são experienciadas e expressas continua a mudar com o passar do tempo. Por exemplo, no contexto dos Estados Unidos (EUA), uma pesquisa recente da Gallup mostra que a participação de Americanos em locais de culto (por exemplo, sinagogas, igrejas ou mesquitas) caiu para 47% – o nível mais baixo nos 80 anos de história da pesquisa e uma queda em relação aos 70% registrados em 1999 (Jones, 2021). Isso representa um declínio constante desde o início do século XXI. Essa tendência é impulsionada por dois fatores: um número maior de adultos que não se identificam com nenhuma religião e um declínio na frequência a igrejas entre aqueles que se identificam com alguma religião. Por trás dessas tendências, existem diferenças populacionais ou geracionais, com as gerações mais jovens expressando menos afiliação religiosa (7% dos tradicionalistas – adultos Americanos nascidos antes de 1946; 13% dos baby boomers (1946-1964); 20% da geração X (1965-1980) e 31% dos millenials (geração Y) (1981-1996)).
Simultaneamente, o Instituto Fetzer apoiou um estudo sobre a espiritualidade Americana que buscou entender melhor o significado da espiritualidade para os Americanos e como ela influencia as suas vidas sociais e ações cívicas (Instituto Fetzer, 2020). O estudo incluiu participantes de diversas afiliações religiosas ou identidades espirituais, incluindo aqueles sem nenhuma. Constatou-se que “a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020). Mais especificamente, 86% das pessoas se consideram espirituais e 68% acreditam que a sua espiritualidade guia as suas ações no mundo. Esses números incluem pessoas que se identificam com alguma tradição religiosa e aquelas que não se identificam.
…“a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020)
O que nós podemos concluir desses dois relatórios aparentemente contraditórios? Eu apresento esses dados como base para a importância e a relevância da espiritualidade no ambiente de trabalho. Para muitos, a espiritualidade no ambiente de trabalho é inadequada. Contudo, como demonstram esses estudos, muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando. Ao mesmo tempo, muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013). De fato, para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores. Além disso, as organizações são frequentemente os mecanismos estruturais pelos quais as sociedades se organizam e alcançam os seus objetivos sociais, econômicos e técnicos mais importantes e complexos. Elas são tanto impulsionadoras quanto representações da vida e dos valores da sociedade. Diante disso, elas permanecem um foco crucial e um potencial impulsionador do crescimento e desenvolvimento pessoal e do florescimento humano.
…muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando.
Reconhecendo tudo isso, no Instituto Fetzer (o Instituto), nós nos esforçamos para viver a nossa missão e os nossos valores criando uma comunidade de ambiente de trabalho espiritualmente fundamentada, que nós chamamos de Community of Freedom (COF) [Comunidade da Liberdade]. A nossa COF é o alicerce espiritual do nosso trabalho para transformar a nós mesmos e a sociedade de maneira autêntica e eficaz.
…muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013).
As maneiras de ser e as práticas individuais e comunitárias expressas por meio da COF – e enraizadas em nossos valores organizacionais essenciais de amor, confiança, autenticidade e inclusão – apoiam o Instituto no cultivo da cultura necessária para concretizar a nossa missão de ajudar a construir a base espiritual para um mundo amoroso. Uma das estruturas que nós utilizamos para nos mantermos firmes em nossa missão e visão são os nossos community of freedom gatherings (COFG) [encontros da comunidade da liberdade]. Os COFGs consistem em encontros semanais de três horas com todos os funcionários – desde os nossos jardineiros e equipe de programas até a nossa equipe e líderes de finanças e tecnologia da informação. Durante os COFGs, nós convidamos facilitadores externos e professores espirituais para nos ajudar a nos envolvermos em exploração espiritual individual e comunitária e na construção da comunidade. Nós também oferecemos sessões ministradas por funcionários e fornecemos espaço e recursos para que os funcionários busquem os seus caminhos pessoais. Exemplos de sessões incluem conjuntos de práticas contemplativas, a ciência do bem-estar, a capacidade de diálogo e o convívio com o luto coletivo. As sessões geralmente incluem componentes didáticos e experienciais, além de oportunidades para discussões em pequenos e grandes grupos, que permitem aos funcionários compartilhar experiências profundas uns com os outros.
…para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores.
Em 2016, o Instituto encomendou um estudo de caso independente para aprender mais sobre os primeiros pontos positivos, desafios e impactos do COFG. Algumas das principais conclusões foram que os funcionários sentiram um aumento na confiança, no moral, na conexão e na capacidade de lidar com dificuldades relacionais a partir do trabalho. O estudo de caso também abordou questões e preocupações dos funcionários sobre o propósito dos COFGs em relação ao nosso trabalho externo, o uso de linguagem inclusiva e a abordagem do COFG e as suas ofertas e como os encontros se traduzem em políticas e práticas organizacionais mais amplas. Algumas dessas questões têm sido respondidas à medida que nós temos aprofundado o nosso trabalho como uma comunidade e outras nós continuamos a investigar e a desenvolver.
O Instituto não só se dedica a cultivar um ambiente de trabalho espiritualmente fundamentado, como também busca aprender com outros que compartilham da mesma visão sobre como cultivar culturas organizacionais que apoiem o desenvolvimento e o florescimento humano; e que permitam às organizações operar a partir de sua visão e valores mais profundos, rumo a um mundo mais amoroso. É esse compromisso que motiva o nosso apoio ao trabalho realizado pela International Association of Management, Spirituality and Religion (IAMSR) [Associação Internacional de Gestão, Espiritualidade e Religião], incluindo esse volume. Aqueles que buscam criar ambientes de trabalho que sejam espaços robustos para o florescimento humano e o mundo que nós desejamos habitar precisam de apoio e companheiros de jornada. Muitos de nós estamos lidando com questionamentos semelhantes sobre os prós e os contras de trazer a espiritualidade para o ambiente de trabalho.
Há muito que nós temos aprendido nos últimos vinte anos de experimentação nessa área e muito mais a aprender. Esse volume oferece algumas das melhores ideias e práticas de líderes de pensamento na área. Que ele sirva de inspiração e alimente a nossa imaginação e esforços coletivos em relação ao que é possível.
Shakiyla Smith, Vice-Presidente de Cultura Organizacional – Instituto Fetzer – 10 de novembro de 2021.
Referências
Fetzer Institute. (September 2020). Study of Spirituality in the United States. Report retrieved from https://spiritualitystudy.fetzer.org/sites/default/files/2020-09/What-Does-Spirituality-Mean To-Us_%20A-Study-of-Spirituality-in-the-United-States.pdf
Jones, J.M. (2021). U.S. Church Membership Falls Below Majority for First Time. Gallup. Retrieved from https://news.gallup.com/poll/341963/church-membership-falls-below-majority-first time.aspx
Kegan. R., Lahey, L. L.(2016). An everyone culture: Becoming a deliberately developmental organization. Harvard Business Review Press.
Neal. J. (2013). Creating enlightened organizations: Four gateways to spirit at work. Palgrave Macmillan.
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—–Continuação da Parte XI—–
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12 Espiritualidade no Ambiente de Trabalho e Trabalho Policial
Autores: Payal Kumar, Kasturirangan Sudarshan
Introdução
A espiritualidade no ambiente de trabalho, como um fenômeno no campo da gestão, tem sido uma revelação. Acadêmicos e profissionais têm indicado que a espiritualidade no ambiente de trabalho tem produzido resultados positivos tanto para a organização quanto para o funcionário. Pesquisas sugerem que essas empresas têm maior eficiência, geram uma melhor taxa de retorno (Jurkiewicz & Giacalone, 2004; Fry, 2003) e são capazes de resolver desafios de recursos humanos (Garg, 2017).
A partir do ponto de vista do funcionário, estudos empíricos sugerem que a espiritualidade no ambiente de trabalho (EAT) pode resultar nos seguintes resultados positivos:
– satisfação intrínseca no trabalho (Moore & Casper, 2006)
– maior engajamento e resiliência dos funcionários (Singh & Chopra, 2016)
– melhoria do bem-estar dos funcionários e aumento da atitude positiva entre eles (Kolodinsky et al., 2008)
– desenvolvimento da vida interior dos funcionários no ambiente de trabalho (Sheep, 2004)
– maior interconectividade e senso de propósito para criar um mundo mais significativo (Karakas, 2010; Milliman et al., 1999)
– maior criatividade (Freshman, 1999; Shinde & Fleck, 2015), que é a base da inovação e que abre caminho para o crescimento organizacional holístico (Wong, 2003).
Além dos diversos resultados positivos, a espiritualidade é reconhecida como um meio importante para lidar com o estresse (Behera & Dash, 2015). O estresse relacionado ao trabalho tem impactado severamente a força de trabalho moderna devido à hiper competição, às altas aspirações e às pressões sociais (Mujtaba et al., 2020). O infeliz evento imprevisível – a pandemia de Covid-19 – também exacerbou os níveis de estresse, com muitas pessoas que trabalham em casa sentindo-se claustrofóbicas e mentalmente esgotadas (NUHS, 2020). De fato, o estresse relacionado ao trabalho é uma das causas mais comuns de doenças mentais e de afastamento do apoio organizacional por parte do funcionário. Como afirma Stinchcomb, “Doenças relacionadas ao estresse substituíram as doenças infecciosas como a principal causa de morte (2004, p. 259)”.
Se existe uma ocupação mais suscetível e vulnerável ao estresse e à síndrome de burnout relacionados ao trabalho, essa profissão é a policial (Farr-Wharton et al., 2016). O estresse ocupacional é intrínseco ao trabalho policial, visto que os policiais frequentemente se deparam com situações estressantes diariamente (Campbell & Nobel, 2009). As mulheres policiais parecem ser mais suscetíveis ao estresse no trabalho do que os seus colegas homens (Violanti et al., 2016).
“Se existe uma ocupação mais suscetível e vulnerável ao estresse e à síndrome de burnout relacionados ao trabalho, essa profissão é a policial (Farr-Wharton et al., 2016). “
Existem várias razões atribuíveis à presença inata de estresse na força policial, incluindo uma agenda de trabalho exigente e a ameaça constante de ser atacado (S. G. Brown & Daus, 2016). O trabalho policial é considerado uma profissão ingrata, pois os policiais enfrentam constantes abusos verbais e escrutínio público (Chopko et al., 2015; Kumar & Kamalanabhan, 2014).
Além do estresse ocupacional, há também o inevitável estresse organizacional comum a qualquer organização. A cultura policial inculca uma estrutura militarista e monolítica como parte das normas de comportamento para os policiais, o que leva a um certo grau de cinismo e hostilidade entre eles. O estresse se acumula, especialmente porque os policiais não têm uma plataforma para expressar a frustração deles (Braithwaite & Gohar, 2014).
O gerenciamento do estresse na organização policial é imperativo e de suma importância, visto que uma força de segurança é fundamental para a existência pacífica de um Estado. As altas expectativas da população em relação aos policiais para manter a paz e garantir que a comunidade esteja livre de crimes também aumentam a pressão e o estresse no trabalho. Portanto, o impacto do estresse relacionado ao trabalho sobre os policiais tem um efeito deletério não apenas na organização policial e no funcionário, mas também na sociedade (Collins & Gibbs, 2003).
Como afirma Kuo, o sucesso de uma força de segurança como a polícia depende de como o estresse inerente é gerenciado (2015). Muitos estudiosos analisaram o impacto da espiritualidade como um mecanismo de prevenção do estresse. Tendo observado o impacto positivo da espiritualidade no bem-estar dos funcionários e no desempenho no trabalho em organizações não policiais, a prática da espiritualidade em organizações policiais tem sido objeto de grande interesse de diversos estudiosos da administração. Nas próximas seções, a literatura foi analisada no contexto dos seguintes temas:
1. Trabalho policial
2. Estresse e fadiga entre os policiais
3. Consequências da espiritualidade no ambiente de trabalho na polícia.
O capítulo termina com uma seção de discussão.
Trabalho Policial: Funções e Características
Uma das principais responsabilidades de um governo é a aplicação da lei. A falha na aplicação da lei equivale à falha de um Estado e o corolário é que a aplicação eficaz da lei é uma marca de um Estado que funciona bem (Kelkar & Shah, 2019). O objetivo principal da força de segurança em um Estado é impedir que as pessoas causem danos a outras e proporcionar segurança geral à sua população (Sullivan, 2004).
Um dos principais protagonistas na aplicação da lei é a força policial. A força policial, como força de segurança, é fundamental para garantir a paz e a harmonia no Estado por meio da implementação eficaz da lei e da ordem. Portanto, os policiais atuam como “agentes da paz”, assegurando que o Estado permaneça livre de crimes e violência (Elliott, 2003). O processo policial evoluiu significativamente, com maior autonomia concedida às organizações policiais para que funcionem de forma independente, sem interferência política e com treinamento mais sofisticado e processos de seleção mais rigorosos (Mawby, 2008).
Embora o trabalho policial deva abranger responsabilidades de bem-estar social, tendo o trabalho policial comunitário como princípio fundamental, ao longo do tempo, por meio de diferentes modelos de trabalho policial, as responsabilidades de bem-estar de um “agente da paz” têm se deslocado para processos de controle mais militarizados. A polícia militarizada, eufemisticamente conhecida como “Nova Polícia”, tem sido alvo de severas críticas por seu tratamento autoritário, evidenciado recentemente pela brutalidade demonstrada no caso George Floyd, intensificando ainda mais o movimento Black Lives Matter. Casos de abuso de autoridade e uso excessivo da força por policiais levaram à perda de confiança e respeito do público pela polícia. Quando questionado sobre a polícia, Sir Robert Peel afirmou que “a polícia é o povo e o povo é a polícia” (Hurd, 2007). Essa afirmação parece muito distante da realidade da polícia atual.
Nesse contexto, o trabalho policial moderno no século XXI enfrenta inúmeros desafios. Da manutenção da paz ao combate a crimes modernos e sofisticados, há uma crescente necessidade de um trabalho policial comunitário com abordagens mais suaves (Millie & Das, 2008). Para agravar a situação, devido à proliferação da internet nos últimos tempos, os processos policiais estão sob constante escrutínio público. A abordagem militarista tradicional não funciona na era das redes sociais. Assim, o escrutínio constante por parte do público em geral, bem como de ativistas que questionam as ações dos policiais, tem efeitos adversos significativos no desempenho das funções de “agente da paz” (Schultz, 2019).
Trabalho Policial: Fadiga e Estresse
Em meio a essa evolução e aos desafios que a corporação policial tem testemunhado, observa-se um nível notavelmente mais alto de estresse e burnout profissional. O estresse na força policial tornou-se um símbolo de status ocupacional (Stinchcomb, 1987) e é considerado uma herança da profissão (Anshel, 2000). Em outras palavras, o estresse para os policiais é inevitável.
O estresse no ambiente de trabalho geralmente se deve ao gerenciamento de demandas que excedem a capacidade ou a disponibilidade de um indivíduo, especialmente quando não é possível evitar, alterar ou controlar essas demandas (Stinchcomb, 1987). A fadiga, resultante do estresse, é amplamente prevalente e a profissão policial não é exceção. Em profissões onde o trabalho social é um componente importante – como na força policial – o estresse é mais palpável do que em outras profissões (Stinchcomb, 2004). Diversos estudos têm indicado a quantidade significativa de estresse a que a força policial é submetida (Chopko et al., 2016; Karunanidhi & Chitra, 2015). O estresse e a fadiga severos que os policiais enfrentam no trabalho têm levado, inclusive, ao suicídio. A National Police Suicide Foundation [Fundação Nacional de Prevenção ao Suicídio Policial] afirmou que quase 98% dos policiais entrevistados haviam cogitado cometer suicídio devido ao estresse (Smith & Charles, 2010). A profissão policial é considerada uma das que apresentam maior incidência de doenças e lesões no trabalho (Pearsall, 2012).
Causas do Estresse
O estresse para policiais deve-se principalmente à natureza intrínseca da profissão e ao estresse organizacional decorrente do gerenciamento de dificuldades administrativas (Pandya, 2017). A natureza inerente do trabalho, que exige que os policiais estejam sempre alertas e vigilantes, requerendo o máximo comprometimento, também é motivo de preocupação, levando ao estresse no trabalho. A constante ameaça à vida é um indicador de estresse inerente (Sigler & Wilson, 1988). Como disse o ex-presidente dos EUA, Barack Obama (Obama, 2021): “Entendam, os nossos policiais arriscam as suas vidas por nós todos os dias. Eles têm um trabalho árduo para manter a segurança pública e responsabilizar aqueles que infringem a lei.” A natureza intrínseca do trabalho, ou seja, o estresse sociológico decorrente da natureza das responsabilidades que são confiadas ao policial, também leva ao estresse episódico devido a certos eventos e incidentes terríveis (J. M. Brown & Campbell, 1994).
Embora o estresse organizacional seja comum a qualquer organização, ele é mais prevalente na polícia devido ao sistema de justiça criminal, que é provocado por burocratas e políticos autocráticos (Hart et al., 1994). O estresse organizacional tem sido mais comum e generalizado do que o estresse sociológico entre os policiais (Ayres & Flanagan, 1990). Além das longas jornadas de trabalho, a polícia, assim como outras organizações, sucumbe às armadilhas da hierarquia. A hierarquia vertical e a necessidade de agradar aos superiores para obter uma promoção são características comuns, mesmo para policiais (Webster, 2014). A tomada de decisões independentes é limitada no processo administrativo, levando a um dilema organizacional. A falta de engajamento e orientação dos funcionários, a falta de relações interpessoais dentro da organização, filosofias de gestão arcaicas, etc., são algumas das outras armadilhas em que os policiais caem, levando ao estresse organizacional.
Um estudo do Bureau of Police Research and Development [Bureau de Pesquisa e Desenvolvimento Policial] de Nova Delhi (2015) identifica as causas da fadiga em policiais Indianos, conforme indicado na Tabela 12.1. Embora o estudo seja voltado para policiais Indianos, pode-se presumir que os resultados sejam bastante generalizáveis para outros policiais também.

Consequências da Fadiga e do Estresse
É importante questionar o impacto do estresse sobre os policiais, visto que ele é uma parte inevitável de seu trabalho. Além disso, como parte do rigoroso treinamento na academia de polícia, os recrutas passam por um ambiente estressante para combater o estresse e a fadiga esperados (Patterson, 2016). Os policiais são treinados em um ambiente altamente intenso, de estilo militar, para criar a percepção de serem fortes física e mentalmente. Isso garante que os policiais nunca pareçam frágeis e vulneráveis (Rose & Unnithan, 2015). Apesar disso, diversos estudos indicam que o estresse causa um impacto significativo sobre os policiais (ver Tabela 12.2).


Os esforços para combater o estresse no treinamento em academias policiais concentram-se mais no aspecto físico, ou seja, em tornar os policiais fisicamente fortes, com pouca ou nenhuma ênfase no preparo mental (DeNysschen et al., 2018), o que leva os policiais a sucumbirem à fadiga e ao estresse. Policiais são propensos à ansiedade e à depressão duas vezes mais do que a população em geral (Mumford et al., 2015). O estresse crônico acaba por prejudicar e minar o entusiasmo/paixão pelo trabalho policial (Stinchcomb, 2004).
“Policiais são propensos à ansiedade e à depressão duas vezes mais do que a população em geral (Mumford et al., 2015).“
Como pode ser observado na Tabela 12.2, as consequências deletérias do estresse representam obstáculos ao funcionamento eficaz das forças policiais. É imprescindível que o bem-estar da força policial seja considerado para o funcionamento eficaz do Estado, sendo a prevenção melhor do que a cura [cure]. A prevenção do estresse permite que os policiais prosperem no sistema por um período mais longo, cujos benefícios podem se estender à população (Frank et al., 2017).
Resultados da Espiritualidade no Ambiente de Trabalho no Trabalho Policial
A relevância da espiritualidade na vida real, bem como em uma perspectiva de pesquisa, tem aumentado imensamente, ainda mais durante os tempos incertos da pandemia, em que as pessoas recorreram à espiritualidade como uma medida de imunidade (Roman et al., 2020). Muitos estudiosos definiram espiritualidade, mas não parece haver uma definição comum identificável.
A espiritualidade representa uma busca perene pelo propósito e significado da vida em suas diversas definições (Krishnakumar & Neck, 2002). Além disso, como afirma Piedmont (Piedmont, 1999), a espiritualidade vê a vida de forma holística, em interconexão com os outros. Com a crescente relevância e o impacto positivo que a espiritualidade tem proporcionado à vida pessoal, ela foi introduzida no ambiente de trabalho para melhorar o bem-estar dos funcionários. A espiritualidade no ambiente de trabalho é o processo de aplicação da espiritualidade por meio do trabalho (Baldacchino, 2017). O crescente interesse pela espiritualidade no ambiente de trabalho tem sido descrito como um movimento espiritual (Ashmos & Duchon, 2000), com mais empresas adotando a espiritualidade no ambiente de trabalho.
“A espiritualidade representa uma busca perene pelo propósito e significado da vida em suas diversas definições (Krishnakumar & Neck, 2002). Além disso, como afirma Piedmont (Piedmont, 1999), a espiritualidade vê a vida de forma holística, em interconexão com os outros.“
Em termos de variáveis de resultado, diversos estudos identificaram uma influência positiva da espiritualidade no ambiente de trabalho (EAT) [workplace spirituality (WS)] tanto nas organizações quanto nos seus colaboradores. A espiritualidade no ambiente de trabalho promove a motivação dos funcionários, aprimora comportamentos positivos e aumenta a produtividade (Olufemi-Ayoola & Ogunyemi, 2018). Além disso, a EAT é considerada um fator que leva a uma maior satisfação no trabalho e ao comprometimento organizacional (Pawar, 2014). Kinjerski e Skrypnek utilizam o termo “espírito no trabalho” para descrever a EAT (2004). Em outro estudo com cuidadores de longa duração, constatou-se que um programa de “espírito no trabalho”, no ambiente de trabalho, é uma maneira custo-efetiva de melhorar a satisfação no trabalho dos funcionários, aumentar o comprometimento organizacional e reduzir a rotatividade, resultando, em última análise, em um melhor atendimento ao paciente (Kinjerski & Skrypnek, 2008).
“Com a crescente relevância e o impacto positivo que a espiritualidade tem proporcionado à vida pessoal, ela foi introduzida no ambiente de trabalho para melhorar o bem-estar dos funcionários.“
Além disso, empresas que incorporam a espiritualidade no ambiente de trabalho apresentam maior eficiência, geram melhores taxas de retorno (Jurkiewicz & Giacalone, 2004; Fry, 2003) e são capazes de solucionar desafios de recursos humanos (Garg, 2017). A espiritualidade no ambiente de trabalho aumenta o moral, resultando em menos faltas ao trabalho (Gupta & Singh, 2016). Portanto, um número considerável de estudos tem demonstrado o impacto positivo que a espiritualidade no ambiente de trabalho pode ter nas organizações e em seus funcionários. Por outro lado, alguns estudiosos afirmam que a espiritualidade no ambiente de trabalho é uma mera moda gerencial ou apenas uma ferramenta para controlar os funcionários (Fernando, 2005). Outros, como Gibbons (2000), dizem que a espiritualidade no ambiente de trabalho é mais um conceito de gestão fracassado, como a Gestão da Qualidade Total. Outros ainda criticam o uso da espiritualidade para ganhos organizacionais, argumentando que a espiritualidade é íntima e pessoal, ligada à vida de cada indivíduo e não pode ser uma doutrina para consumo em massa.
“A espiritualidade no ambiente de trabalho é o processo de aplicação da espiritualidade por meio do trabalho (Baldacchino, 2017).“
Considerando que o estresse é inerente e generalizado na profissão policial, uma ferramenta eficaz de prevenção é imprescindível para todos os envolvidos, incluindo o público em geral. Diversas soluções organizacionais, incluindo intervenções clínicas, podem aliviar o estresse e a fadiga entre os policiais. Apesar de algumas agências policiais oferecerem capelães voluntários para apoiar os policiais com assistência espiritual no combate ao estresse e ao trauma mental (Gouse, 2016), essas medidas não têm se mostrado eficazes devido à falta de conhecimento dos policiais em reconhecer o estresse e as doenças mentais (Donnelly et al., 2015).
“O crescente interesse pela espiritualidade no ambiente de trabalho tem sido descrito como um movimento espiritual (Ashmos & Duchon, 2000), com mais empresas adotando a espiritualidade no ambiente de trabalho.“
Além disso, esses recursos são mais voltados para o tratamento do que para a prevenção. É semelhante à vacinação, que é essencial quando há alto risco de infecção por um vírus. Nessas situações, o foco principal deve ser a prevenção. Portanto, implementar a espiritualidade no ambiente de trabalho como ferramenta de prevenção pode ser uma opção, especialmente para policiais. Dåderman e Colli (2014) enfatizaram a necessidade de espiritualidade nos policiais e na organização policial, considerando o impacto holístico que a espiritualidade tem no bem-estar mental para combater o estresse agudo (Dåderman & Colli, 2014). Veja a Tabela 12.3 para um resumo dos resultados positivos da espiritualidade na força policial.
Os principais temas que emergem desses resultados positivos são:
– Existência significativa
– Compromisso positivo com o trabalho
– Aumento da fé
– Atenção plena (mindfulness)
– Liderança virtuosa
– Visão de mundo compassiva
– Felicidade
– Calma e resiliência
– Vida baseada em valores e ética
– Integridade
– Alívio do estresse
“A espiritualidade no ambiente de trabalho promove a motivação dos funcionários, aprimora comportamentos positivos e aumenta a produtividade (Olufemi-Ayoola & Ogunyemi, 2018).“

Além disso, em um estudo recente de Robinson (2019), os policiais participantes encontraram paz e tranquilidade ao praticarem a espiritualidade. O estudo também revelou a necessidade de incorporar o treinamento espiritual nas academias de polícia por instrutores policiais para influenciar positivamente a saúde, o bem-estar e a satisfação no trabalho dos policiais.
“Considerando que o estresse é inerente e generalizado na profissão policial, uma ferramenta eficaz de prevenção é imprescindível para todos os envolvidos, incluindo o público em geral.“
Em outro estudo de Pandya (2017) sobre o impacto da espiritualidade em policiais de 15 países diferentes, dois grupos de policiais foram estudados, sendo que um deles recebeu treinamento espiritual. Esse estudo sugere que os policiais que receberam tratamento e treinamento espiritual demonstraram qualidades mais humanas, como uma perspectiva compassiva, uma abordagem construtivista e transformadora em relação aos presos, etc.
…”implementar a espiritualidade no ambiente de trabalho como ferramenta de prevenção pode ser uma opção, especialmente para policiais.“
Tendo em vista o impacto positivo geral que a espiritualidade no ambiente de trabalho (EAT) gera na prática, diversos programas de espiritualidade no ambiente de trabalho estão sendo conduzidos com foco em policiais. Por exemplo, na Índia, o National Institute of Mental Health and Neurosciences (NIMHANS) [Instituto Nacional de Saúde Mental e Neurociências], uma instituição pública de referência em saúde mental e neurociências, firmou parceria com o estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, para o Police Wellbeing Programme (PWB) [Programa de Bem-Estar Policial], no qual o NIMHANS treinará cerca de 500 policiais em bem-estar mental e gerenciamento do estresse. O programa inclui, entre outras coisas, treinamento em meditação, ioga, aconselhamento psicológico, etc. Esses policiais treinados, por sua vez, atuarão como instrutores; o objetivo do programa é melhorar a saúde mental e a eficiência da força de trabalho, desde os oficiais de alta patente até os policiais de nível mais baixo. O PWB também se concentra no desenvolvimento de capacidades e no acompanhamento frequente dos policiais para avaliar a eficácia e o sucesso do programa (NIMHANS, 2019).
“Tendo em vista o impacto positivo geral que a espiritualidade no ambiente de trabalho (EAT) gera na prática, diversos programas de espiritualidade no ambiente de trabalho estão sendo conduzidos com foco em policiais.“
O Dr. Nataraj, um proeminente oficial superior aposentado da polícia Indiana, atualmente atuante na política, afirmou em entrevista concedida aos autores que “a espiritualidade, que transcende casta, comunidade e religião, é uma importante força motriz para que os policiais desempenhem as suas funções com serenidade e equilíbrio mental, mesmo sob forte pressão e estresse no trabalho”. Atribuindo à espiritualidade um papel fundamental em suas decisões, o Dr. Nataraj foi essencial na implementação de diversos programas de assistência social durante a sua atuação na polícia, incluindo a reabilitação de presos e a proteção ambiental.
…“a espiritualidade, que transcende casta, comunidade e religião, é uma importante força motriz para que os policiais desempenhem as suas funções com serenidade e equilíbrio mental, mesmo sob forte pressão e estresse no trabalho” (Dr. Nataraj).
O Dr. Nataraj também compartilhou a sua experiência de que o treinamento espiritual para policiais eliminou a disparidade de gênero entre policiais homens e mulheres, levando os policiais homens a reconhecerem que as mulheres geralmente são mais equilibradas na resolução de conflitos e na manutenção da paz na sociedade. Isso resultou na criação de diversas delegacias compostas exclusivamente por mulheres no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia e esse modelo foi replicado em outros países do sul da Ásia.
Da mesma forma, programas de bem-estar semelhantes podem ser observados em outras partes do mundo. Por exemplo, no Reino Unido, como parte do National Police Wellbeing Programme [Programa Nacional de Bem-Estar Policial], o Blue Light Wellbeing Framework [Estrutura de Bem-Estar da Polícia] foi desenvolvido para reunir um banco de dados de melhores práticas e áreas de melhoria no bem-estar dos policiais (College of Police, 2017). Além disso, como uma tendência comum, pode-se notar a incorporação de yoga e treinamento de mindfulness para policiais, visando mitigar o impacto do estresse mental, como, por exemplo, o Programa de Yoga e Mindfulness do Departamento de Polícia da Cidade de Falls Church, nos EUA (Elliot & Lauttamus, 2014).
Discussão
Apesar do impacto positivo que a espiritualidade traz para a polícia, tem havido resistência por parte das organizações policiais em adotá-la e incutir a espiritualidade nos policiais (Moran, 2017). Por um longo período, a cultura policial refletiu uma atitude militarista, onde o cinismo, a crítica e a hostilidade eram tratados com firmeza. Demonstrar fraqueza era estritamente proibido, pois os policiais frequentemente tentavam esconder o estresse e o trauma deles (Bent-Goodley & Smith, 2017). Outro fator de resistência à espiritualidade nas organizações policiais é a falta de entendimento do conceito de espiritualidade. Muitos policiais associavam espiritualidade à religião e, portanto, a espiritualidade não era considerada nem mesmo em um nível básico.
Em resumo, o trabalho policial é uma das profissões mais estressantes, com o estresse sendo perceptível não apenas em termos de cansaço físico e lesões, mas também em termos de bem-estar mental e equilíbrio. A literatura, especialmente no que diz respeito à polícia, indica que a espiritualidade no ambiente de trabalho (EAT) tem um impacto positivo na redução do estresse, além de outros resultados positivos. No entanto, existem diversas barreiras para que a EAT seja plenamente incorporada à força policial.
Nós incentivamos pesquisas futuras sobre EAT e trabalho policial a aprofundarem o impacto da EAT em garantir que os policiais continuem a exercer as suas funções como agentes da paz, relegando incidentes lamentáveis como o de George Floyd a exceções e não à regra. Além disso, pesquisas relevantes podem ser conduzidas sobre como os policiais mais jovens –millenials e geração Z –entendem a EAT e se os baby boomers podem orientá-los em relação à espiritualidade no ambiente de trabalho.
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—–Continua Parte XIII—–
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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.
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