Com o objetivo de pesquisa, estudo, conhecimento e entendimento sobre o sistema de pensamento de uma Organização Baseada na Espiritualidade (OBE), nós estamos transcrevendo, em tradução livre, trechos do artigo “The spiritual heritage as a source of wisdom in the age of globalisation” [“A herança espiritual como uma fonte de sabedoria na era da globalização”], do autor Dr. Walter Schwimmer – Ex-Secretário-Geral do Conselho da Europa (1999-2004) e Copresidente do Fórum Público Mundial – Diálogo de Civilizações. Fonte 12th Annual GCGI International Conference and the 2nd Joint GCGI and SES Forum – “The Value of Values: Spiritual Wisdom in Everyday Life” [“O Valor dos Valores: Sabedoria Espiritual na Vida Cotidiana”] – 31 de Agosto – 4 de Setembro de 2014 – Waterperry House, Oxford. Site: The spiritual heritage as a source of wisdom.pdf.
Artigo:
The spiritual heritage as a source of wisdom in the age of globalisation [A herança espiritual como uma fonte de sabedoria na era da globalização]
Autor:
Texto do discurso de abertura do Dr. Walter Schwimmer – Ex-Secretário-Geral do Conselho da Europa (1999-2004) e Copresidente do Fórum Público Mundial – Diálogo de Civilizações
Fonte:
12th Annual GCGI International Conference and the 2nd Joint GCGI and SES Forum
“The Value of Values: Spiritual Wisdom in Everyday Life” [“O Valor dos Valores: Sabedoria Espiritual na Vida Cotidiana”]
31 de Agosto – 4 de Setembro de 2014
Waterperry House, Oxford
E-mail:
The spiritual heritage as a source of wisdom.pdf
Tradução livre Projeto OREM®
Resumo
A herança espiritual como uma fonte de sabedoria na era da globalização
“As palavras Bíblicas: ‘Nem só de pão viverá o homem…’, proferidas há 2000 anos, são ainda mais válidas na era da globalização. Os seres humanos não são apenas animais que utilizam ferramentas, regidos apenas por impulsos biológicos, mas seres criadores de visão. Os seres humanos têm objetivos, certamente também materiais, mas os objetivos visionários são idealistas e, muitas vezes, altruístas. Eles estão relacionados a crenças religiosas, bem como a movimentos humanistas. No entanto, independentemente de um ser humano considerar ele ou ela religioso(a) ou não, para todas as pessoas existe alguma coisa que é ‘santa’ ou ‘sagrada’ em sua mente, seja algum princípio, algum objetivo, alguma relação, como, por exemplo, a família. A humanidade não pode existir sem dimensões espirituais. A espiritualidade está liberando bloqueios, levando a novas ideias e guiando as pessoas quando elas necessitam isso.
A humanidade não pode existir sem dimensões espirituais.
No entanto, o mais importante é o desejo, fundamentado na espiritualidade, de ajudar as pessoas e fazer a diferença no mundo. Quando o mundo está atravessando mudanças profundas, o processo que é chamado globalização, nós necessitamos desesperadamente desse desejo de alcançar outras pessoas, por solidariedade, por uma irmandade global – e fraternidade. Quando os modelos econômicos tiverem atingido o seu ápice de evolução e a tecnologia tiver evoluído, será que a espiritualidade também necessita evoluir? A nossa espiritualidade, independentemente da civilização, remonta a 3000 anos atrás. Com a espiritualidade vieram a moral e melhores maneiras de pensar. Ela faz parte da nossa memória coletiva. Ela está presente, em todos os lugares, na mente da humanidade. Tudo o que nós necessitamos é de diálogo entre as civilizações para unir as forças espirituais em prol de um mundo melhor.”
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“Eu gostaria de começar por parabenizar o meu amigo Kamran por ter conseguido reunir um público tão expressivo nessa conferência, incluindo cientistas e teólogos e por prestar homenagem aos seus esforços para mudar o mundo para melhor. Eu não sou economista nem teólogo, Kamran é ambos. Então, como eu posso ousar falar a uma plateia tão distinta sobre a herança espiritual como uma fonte de sabedoria na era da globalização? Eu sou apenas um ex-político que ouviu, no domingo à noite, o Prof. Farhang Jahanpour – vocês se lembram, ele nos disse que ‘os políticos de hoje são ainda mais estúpidos do que os da época da Primeira Guerra Mundial’.
Como ex-chefe da mais antiga e abrangente organização intergovernamental da Europa, eu estou sinceramente preocupado com as perspectivas para a paz global e as condições geopolíticas. Quando eu olho pela janela para a sede da WPFDC (World Public Forum – Dialogue of Civilizations) em Viena, onde Kamran esteve muitas vezes, eu vejo um grande edifício governamental decorado com uma águia bicéfala de 16 metros de largura, o símbolo da monarquia Austro-Húngara. Há 100 anos, ele foi o Ministério da Guerra imperial e real que emitiu as ordens para declarar guerra à Sérvia em 29 de julho, em retaliação ao assassinato do príncipe herdeiro Austríaco. As outras principais potências Europeias embarcaram nesse trem da morte e uma catástrofe global teve início.
Seria estupidez, ou o quê, que levou os governos de 1914 a sofrerem de uma doença que não foi completamente curada [healed] desde então, ou seja, o autismo? Eles eram incapazes de se ouvirem mutuamente, incapazes de explicar as próprias posições deles de forma inteligente e compreensível.
Então, o que a espiritualidade tem a ver com governos e com cooperação internacional? Talvez você se surpreenda: 47 governos Europeus são oficialmente e juridicamente comprometidos com os valores espirituais e morais que são o patrimônio comum de seus povos e a verdadeira fonte da liberdade individual, da liberdade política e do Estado de Direito, princípios que formam a base de toda democracia genuína. Essa é uma citação do preâmbulo do estatuto do Conselho da Europa, a organização mais antiga e abrangente da unificação Europeia. A reafirmação desse compromisso foi assinada em 5 de maio de 1949, no Palácio de St. James, em Londres, por 10 governos Europeus e posteriormente acompanhada pelos outros 37 Estados que aderiram ao Conselho da Europa e ratificaram o seu estatuto, o último deles a República de Montenegro, em 2007.
Permitam-me, nesse momento, fazer um breve desvio para explicar e descrever o Conselho da Europa para aqueles que não estão familiarizados com a arquitetura política Europeia. Como eu já mencionei, o Conselho da Europa é a organização intergovernamental mais antiga e abrangente do continente. Não deve ser confundido com a União Europeia e as suas instituições, como o Conselho Europeu, órgão dos chefes de Estado e de governo da União Europeia. Eu costumo dizer que o Conselho da Europa é o irmão maior, porém mais pobre, enquanto a União Europeia é a irmã menor, porém mais rica.
47 Estados são membros do Conselho da Europa, incluindo Rússia, Ucrânia e Turquia, além de pequenos países como Andorra, Liechtenstein, Mônaco e San Marino. Apenas dois Estados Europeus não são membros: Belarus, devido à falta de democracia e o Estado do Vaticano, devido ao seu status particular (mas a Santa Sé goza de status de observadora junto ao Conselho). Para não confundir você ainda mais, mas em um nível mais elevado, eu contarei uma breve história.
Como Secretário-Geral, eu concedi uma entrevista de uma hora a um jornalista da Associated Press sobre as atividades do Conselho da Europa e, no final, ele me perguntou por que eu estava sentado em frente à bandeira da União Europeia? Eu tive que explicar que a bandeira azul com as 12 estrelas douradas é a bandeira do Conselho da Europa, que, por assim dizer, foi emprestada pela União e o mesmo se aplica ao hino, a Ode to the Joy de Beethoven. Há uma lenda interessante, embora não confirmada, sobre a origem da bandeira, segundo a qual o designer teria se inspirado em uma estátua da Virgem Maria na Catedral de Estrasburgo, coberta com um vestido azul e coroada com uma grinalda de 12 estrelas douradas…
Retomando o tema do meu discurso, eu procurei em vão outras referências diretas a valores espirituais e morais. No entanto, eu encontrei objetivos vinculantes que não podem ser entendidos sem uma sólida base moral e espiritual. A Carta das Nações Unidas define o objetivo da organização como…
‘salvar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que por duas vezes em nossa vida trouxe sofrimento indizível à humanidade e reafirmar a fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos entre homens e mulheres e entre nações grandes e pequenas e estabelecer as condições sob as quais a justiça e o respeito pelas obrigações decorrentes de tratados e outras fontes do direito internacional possam ser mantidos e promover o progresso social e melhores padrões de vida em maior liberdade’.
A Declaração Americana sobre os Direitos e Deveres do Homem e a Convenção Americana sobre os Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos contêm os ‘valores e princípios de liberdade, igualdade e justiça social que são intrínsecos à democracia’.
Você pode contestar as minhas citações sobre compromissos internacionais alegando que os governos, onde quer que estejam, raramente agem de acordo com valores espirituais e morais, mas são movidos por interesses banais e agem, na melhor das hipóteses, pragmaticamente ou, na pior, seguindo Farhang Jahanpour, estupidamente. Você tem razão e eu concordo. No entanto, esses compromissos concretos e solenes nos dá a oportunidade de relembrar autoridades sobre os valores espirituais e morais. E, o mais importante, os valores espirituais e morais são, como diz o estatuto do Conselho da Europa, patrimônio comum dos povos. Esses valores estão no coração das pessoas. No que diz respeito a esses valores, a globalização começou muito antes de esse termo surgir em nossa língua.
As palavras Bíblicas: ‘Nem só de pão viverá o homem…’, proferidas há 2000 anos, são ainda mais válidas na era da globalização. Nenhuma civilização mundial existiu sem máximas espirituais e morais imutáveis, que nós chamamos de valores. A história da humanidade conheceu diversos valores, noções de comportamento digno e indigno e de uma estrutura justa para a sociedade. Mas, em qualquer civilização, nós encontraremos uma máxima, uma regra que nós chamamos de regra de ouro: nós devemos tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. A ética da reciprocidade pode ser explicada sob a perspectiva da psicologia, da filosofia, da sociologia ou da religião.
Independentemente da explicação que se prefira, os seres humanos não são apenas animais que utilizam ferramentas, regidos apenas por impulsos biológicos, mas seres criadores de visão. Os seres humanos têm objetivos, certamente também materiais, mas os objetivos visionários são idealistas e, muitas vezes, altruístas. Eles estão relacionados tanto a crenças religiosas quanto a movimentos humanistas. Os valores morais e éticos, em retrospectiva histórica, possuem um caráter universal. A consciência no nível da percepção [consciousness] secular moderna considera os valores religiosos como secundários em relação aos padrões dominantes, os chamados padrões liberais ou laicos. No entanto, mesmo que a sociedade contemporânea tenha renunciado às suas raízes religiosas, independentemente de um ser humano se considerar religioso ou não, para todos existe alguma coisa que é ‘santa” ou ‘sagrada’ na mente dele ou dela, seja um princípio, um objetivo, uma relação, como por exemplo, a família.
Mas, em qualquer civilização, nós encontraremos uma máxima, uma regra que nós chamamos de regra de ouro: nós devemos tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. A ética da reciprocidade pode ser explicada sob a perspectiva da psicologia, da filosofia, da sociologia ou da religião.
Durante muitos séculos, esses valores emanaram a partir de uma consciência no nível da percepção [consciousness] religiosa, eles foram moldados dentro da estrutura da percepção de mundo do crente. Talvez nem todas as pessoas concordem, nesse contexto, que a moralidade humana comum seja universal, visto que um certo código moral, comum a todas as civilizações, é inerente a todos os povos e nações. Mas permitam-me reiterar a minha convicção de que a regra de ouro se encontra praticamente em todas as civilizações e religiões. O humanismo que a sociedade secular moderna tem proclamado nada mais é do que uma espécie de superestrutura sobre o fundamento religioso.
Mas permitam-me reiterar a minha convicção de que a regra de ouro se encontra praticamente em todas as civilizações e religiões.
Grandes obras de arte foram criadas pela espiritualidade, na arquitetura, como nas catedrais góticas e mesquitas Árabes; na pintura, como os afrescos da Basílica de Sistina em Roma; na literatura, na música – todos vocês conhecem exemplos em praticamente todas as civilizações. Farhang Jahanpour nos fascinou no domingo à noite com as palavras de Rumi e de outros poetas persas. Talvez alguns espectadores e ouvintes estejam apenas reconhecendo o valor artístico, mas a maioria das pessoas ainda sente a espiritualidade que deu origem a essas obras de arte e mesmo em uma sociedade secular, mantém o apreço pela sacralidade. E o que fascina as pessoas que visitam os templos megalíticos de 5000 anos em Malta ou, não muito longe daqui, o sítio arqueológico de Stonehenge? Pode haver um mecanismo de transporte e construção ainda desconhecido, com os recursos precários da antiguidade, mas isso não explica por que milhares de pessoas caminham diariamente ao redor das colunas de Stonehenge, como eu mesmo fiz no ano passado.
Era um dia de verão muito quente, sem sombra alguma, como você provavelmente sabe e apesar desse inconveniente, uma fila interminável de visitantes admirava esse lugar tão singular. E quando eu visitei o Museu Ashmolean, na vizinha Oxford, no domingo, eu encontrei na sala da Europa pré-histórica artefatos que demonstram o desejo de pessoas que viveram há 20.000 anos por harmonia com a natureza e o divino.
A humanidade, o homo sapiens, não poderia e não pode existir sem dimensões espirituais. A espiritualidade libera bloqueios, leva a novas ideias e guia as pessoas quando elas o necessitam. Mas o mais importante é o desejo, fundamentado na espiritualidade, de ajudar as pessoas e fazer a diferença no mundo. Quando o mundo passa por mudanças tremendas, o processo chamado globalização, nós necessitamos desesperadamente desse desejo de nos conectar com outras pessoas, de solidariedade, de uma irmandade global. Quando os modelos econômicos atingiram o seu ápice de evolução e a tecnologia evoluiu, será que a espiritualidade também necessita evoluir? A nossa espiritualidade, independentemente da civilização, remonta a milhares de anos. Com a espiritualidade, vieram a moral e melhores formas de pensar. Faz parte da nossa memória coletiva. Ela está lá, em todo lugar, na mente da humanidade.
Mas como nós podemos usar melhor a moral e melhores maneiras de pensar, a espiritualidade em nossa memória coletiva? Apesar de toda a ética, nós vemos, como em Hamlet de Shakespeare, um mar de problemas, tantas guerras, sofrimentos e injustiças.
Esse ano, 2014, como mencionado anteriormente, nós estamos comemorando o centenário do início da Primeira Guerra Mundial e os 75 anos do início da Segunda Guerra Mundial. Quando nós recordamos as terríveis consequências das duas Guerras Mundiais e lamentamos profundamente a morte de 100 milhões de pessoas, soldados e civis, em ambas as guerras; quando nós pensamos nos horríveis crimes contra a humanidade, incluindo o Holocausto, nós podemos nos perguntar como isso pôde acontecer entre pessoas civilizadas, ignorando completamente a sua regra de ouro comum. Essa é, de fato, uma pergunta frequente quando as pessoas se deparam com violações óbvias e significativas de padrões morais, tanto por pessoas comuns quanto pelas chamadas autoridades.
Apesar do nobre objetivo das Nações Unidas, formulado em 1945, de ‘salvar as gerações vindouras do flagelo da guerra’ e dos projetos de paz Europeus do Conselho da Europa e da União Europeia, nós somos novamente confrontados com tais violações, que chegam ao terrorismo, que por vezes sequestra a religião e ao genocídio contra aqueles que professam uma crença diferente, à guerra fratricida e à agressão. Afeganistão, Congo, Gaza, Iraque, Síria e agora também o leste da Ucrânia: esses são desafios às raízes espirituais dos nossos valores, culminando na antiga questão teológica: ‘Como Deus pode permitir que isso aconteça?’.
Eu não sou teólogo e não estudei teologia como o nosso presidente Kamran. Por isso, eu procurei uma resposta de um teólogo e encontrei uma explicação simples de um Bispo Ortodoxo Russo que se referiu às raízes Judaico-Cristãs. Cito:
‘O Antigo Testamento nos mostra como a vida do povo escolhido mudou fundamentalmente após receber a revelação do único Deus e seguir o caminho da observância dos mandamentos divinos. Os Dez Mandamentos que Deus deu ao povo por meio de Moisés tornaram-se o alicerce espiritual e moral sobre o qual a sociedade Israelita foi construída. Isso não significa que todo o povo Israelita, sem exceção, observou os Dez Mandamentos. Os livros da Bíblia estão repletos de exemplos de descumprimento dos mandamentos, da recusa de indivíduos e de toda uma nação em seguir a verdade divina. Contudo, essa verdade, essa base moral, tornou-se o alicerce sobre o qual a sociedade foi construída, o laço espiritual que uniu todo o povo e o transformou em um único organismo.’
Hoje em dia, nós podemos ouvir frequentemente o argumento dos críticos da religião sobre por que, se os nossos ancestrais eram tão religiosos, o nosso passado foi tão marcado por tantas guerras, sofrimentos e injustiças, muitas vezes declaradas como guerras religiosas? A resposta para essa pergunta é bastante simples: as pessoas receberam os mandamentos, mas elas não os cumpriram.
De fato, em nossos dias, a maioria da população mundial – Cristãos, Muçulmanos, Judeus e representantes de outras religiões tradicionais – concorda com o conteúdo dos Dez Mandamentos e ainda assim alguns não os observam. Muitas pessoas, em seu dia a dia, ignoram esses valores que formam a base da nossa civilização. Já foi dito: ‘Não matarás’ e ainda assim as pessoas matam e até justificam o assassinato, às vezes até com argumentos religiosos.
Nós somos responsáveis por zelar pelos fundamentos espirituais e morais de nossas sociedades, em níveis local, nacional, regional e global. Os desafios que se apresentam ao nosso futuro — o terrorismo global tenta sequestrar a religião, o abismo da pobreza está crescendo, a má gestão financeira em um país tem impactos globais repentinos, as ameaças ao meio ambiente e ao clima, sem esquecer os fluxos migratórios descontrolados — exigem uma resposta coletiva, regional, internacional e global, baseada em valores. Enfrentar esses desafios não deixa espaço para o ‘choque de civilizações’. Pelo contrário, as civilizações são desafiadas em conjunto. O terrorismo não é resultado de uma civilização se opondo ou atacando outra; não, é um ataque a todas as civilizações. A mesma visão se aplica ao problema da pobreza, à manutenção da economia em movimento e ao atendimento das necessidades da população, às ameaças ao clima e aos nossos recursos naturais ou aos fluxos migratórios globais. Nós precisamos de pensamento global e solidariedade global.
Ainda nos encontramos, por vezes, divididos quanto às respostas aos desafios comuns. Alguns são tentados a encontrar inimigos convenientes, alimentando todo tipo de fobias e ódio. Mas não devemos nos distrair dos desafios prementes de garantir a paz, o desenvolvimento sustentável, a dignidade humana e a democracia, pois esses são os elementos-chave para qualquer resposta eficaz.
Mas não devemos nos distrair dos desafios prementes de garantir a paz, o desenvolvimento sustentável, a dignidade humana e a democracia, pois esses são os elementos-chave para qualquer resposta eficaz.
Madre Teresa disse que a paz, assim como a guerra, começa em casa. Certamente nós queremos que os governos e certamente não apenas os governos, mas em particular também atores internacionais como empresas multinacionais, bem como organizações internacionais como a ONU e a União Europeia, baseiem as suas atividades em nossos valores comuns, mas para alcançar isso nós temos que começar em casa, por nós mesmos. Eu já mencionei o título do famoso livro de Samuel Huntington, ‘The Clash of Civilizations’ [‘O Choque de Civilizações´]. Ele é muito citado, mas principalmente por pessoas que nunca o leram. Eu ouso dizer que não há choque de civilizações, porque as civilizações não se chocam. Mas há, muitas vezes, um choque de ignorância. Nós não necessitamos de um ‘Islã para Leigos’, mas também nós não necessitamos de um ‘Cristianismo ou Judaísmo para Leigos’. Nós necessitamos de mais conhecimento sobre o outro, a cultura deles, as suas tradições, os seus valores. E, de repente, nós reconheceremos que nós temos muito mais em comum do que nós pensávamos antes. Nós não necessitamos globalizar os valores, a herança da espiritualidade, eles já são comuns.
Madre Teresa disse que a paz, assim como a guerra, começa em casa.
Quando eu mencionei anteriormente que o livro de Huntington é frequentemente citado por pessoas que não o leram, eu preciso lhes contar o que está escrito no último parágrafo. Nele, Huntington afirma que a batalha final não será entre civilizações, mas entre todas as civilizações unidas contra a barbárie.
Nós não necessitamos de um ‘Islã para Leigos’, mas também nós não necessitamos de um ‘Cristianismo ou Judaísmo para Leigos’.
Tudo o que nós necessitamos é de diálogo entre as civilizações para unir as forças espirituais em prol de um mundo melhor. As ferramentas estão aí: a herança e os valores espirituais.
Huntington afirma que a batalha final não será entre civilizações, mas entre todas as civilizações unidas contra a barbárie.
Sobre o Autor:
Walter Schwimmer nasceu em 16 de junho de 1942, em Viena, Áustria, onde ele estudou Direito na Universidade de Viena e se formou doutor em Direito em 1964. Ele se envolveu no movimento da Young Christian Workers (YCW) [Juventude Operária Cristã].
Em 1971, ele foi eleito para o Parlamento Austríaco (Nationalrat). Ele foi reeleito sete vezes para o parlamento. Ele também foi Presidente do grupo de amizade da União Interparlamentar Áustria-Israel do Parlamento Austríaco de 1976 a 1999.
Com a queda do Muro de Berlim e o fim da divisão da Europa em Ocidente e Oriente, Walter Schwimmer começou a trabalhar pela integração das novas democracias como parceiros iguais nas estruturas Pan-Europeias. Ele se tornou membro da delegação Austríaca à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa em 1991 e presidente do Grupo do Partido Popular Europeu – Democratas Cristãos em 1996.
Em junho de 1999, ele foi eleito Secretário-Geral do Conselho da Europa (setembro de 1999 a agosto de 2004). Uma de suas prioridades políticas foi o diálogo intercultural e inter-religioso. Ele estabeleceu relações estreitas com a Liga Árabe e foi o primeiro Secretário-Geral do Conselho da Europa a participar de uma conferência ministerial e de uma cúpula de chefes de Estado da Organização de Cooperação Islâmica.
Em 2005, após o término de seu mandato no Conselho da Europa, Walter Schwimmer foi convidado por Vladimir I. Yakunin, presidente e fundador do Fórum Público Mundial para o Diálogo de Civilizações (WPFDC), para integrar o Fórum e presidir o seu Comitê de Coordenação Internacional. Em outubro de 2013, durante o 11º Fórum Anual de Rodes do WPFDC, foi nomeado copresidente da organização na reunião dos fundadores.
Walter Schwimmer é autor de vários livros e artigos, nomeadamente “The European Dream”, publicado também em Alemão (“Der Traum Europa”), Italiano (“Sognare Europa”), Russo (“Мечты O Европе”) e Sérvio (“San Evropa”).
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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.
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