Com o objetivo de conhecimento e de entendimento sobre o sistema de pensamento de uma Organização Baseada na Espiritualidade (OBE), nós estamos transcrevendo trechos do artigo “Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”], editado por Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer.

A fonte do artigo é o livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1, dos autores acima referenciados.

O Prefácio abaixo explica a razão de ser desse importante artigo para entendimento do passado, presente e futuro do que se tem observado no campo da espiritualidade no ambiente de trabalho.

Artigo:

“Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”]

Editado por:

Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer

Fonte:

Livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1

DE GRUYTER (www.degruyter.com)

Instituto Fetzer (Home – The Fetzer Institute)

Essa obra está licenciada sob a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0. Para mais detalhes, acesse http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0.

Tradução livre Projeto OREM® (PO)

Prefácio

Esse livro é extremamente relevante e oportuno. A e a espiritualidade têm sido um aspecto fundamental da experiência humana ao longo dos tempos. No entanto, a forma como são experienciadas e expressas continua a mudar com o passar do tempo. Por exemplo, no contexto dos Estados Unidos (EUA), uma pesquisa recente da Gallup mostra que a participação de Americanos em locais de culto (por exemplo, sinagogas, igrejas ou mesquitas) caiu para 47% – o nível mais baixo nos 80 anos de história da pesquisa e uma queda em relação aos 70% registrados em 1999 (Jones, 2021). Isso representa um declínio constante desde o início do século XXI. Essa tendência é impulsionada por dois fatores: um número maior de adultos que não se identificam com nenhuma religião e um declínio na frequência a igrejas entre aqueles que se identificam com alguma religião. Por trás dessas tendências, existem diferenças populacionais ou geracionais, com as gerações mais jovens expressando menos afiliação religiosa (7% dos tradicionalistas – adultos Americanos nascidos antes de 1946; 13% dos baby boomers (1946-1964); 20% da geração X (1965-1980) e 31% dos millenials (geração Y) (1981-1996)).

Simultaneamente, o Instituto Fetzer apoiou um estudo sobre a espiritualidade Americana que buscou entender melhor o significado da espiritualidade para os Americanos e como ela influencia as suas vidas sociais e ações cívicas (Instituto Fetzer, 2020). O estudo incluiu participantes de diversas afiliações religiosas ou identidades espirituais, incluindo aqueles sem nenhuma. Constatou-se que “a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020). Mais especificamente, 86% das pessoas se consideram espirituais e 68% acreditam que a sua espiritualidade guia as suas ações no mundo. Esses números incluem pessoas que se identificam com alguma tradição religiosa e aquelas que não se identificam.

…“a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020)

O que nós podemos concluir desses dois relatórios aparentemente contraditórios? Eu apresento esses dados como base para a importância e a relevância da espiritualidade no ambiente de trabalho. Para muitos, a espiritualidade no ambiente de trabalho é inadequada. Contudo, como demonstram esses estudos, muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando. Ao mesmo tempo, muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013). De fato, para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores. Além disso, as organizações são frequentemente os mecanismos estruturais pelos quais as sociedades se organizam e alcançam os seus objetivos sociais, econômicos e técnicos mais importantes e complexos. Elas são tanto impulsionadoras quanto representações da vida e dos valores da sociedade. Diante disso, elas permanecem um foco crucial e um potencial impulsionador do crescimento e desenvolvimento pessoal e do florescimento humano.

muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando.

Reconhecendo tudo isso, no Instituto Fetzer (o Instituto), nós nos esforçamos para viver a nossa missão e os nossos valores criando uma comunidade de ambiente de trabalho espiritualmente fundamentada, que nós chamamos de Community of Freedom (COF) [Comunidade da Liberdade]. A nossa COF é o alicerce espiritual do nosso trabalho para transformar a nós mesmos e a sociedade de maneira autêntica e eficaz.

muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013).

As maneiras de ser e as práticas individuais e comunitárias expressas por meio da COF – e enraizadas em nossos valores organizacionais essenciais de amor, confiança, autenticidade e inclusão – apoiam o Instituto no cultivo da cultura necessária para concretizar a nossa missão de ajudar a construir a base espiritual para um mundo amoroso. Uma das estruturas que nós utilizamos para nos mantermos firmes em nossa missão e visão são os nossos community of freedom gatherings (COFG) [encontros da comunidade da liberdade]. Os COFGs consistem em encontros semanais de três horas com todos os funcionários – desde os nossos jardineiros e equipe de programas até a nossa equipe e líderes de finanças e tecnologia da informação. Durante os COFGs, nós convidamos facilitadores externos e professores espirituais para nos ajudar a nos envolvermos em exploração espiritual individual e comunitária e na construção da comunidade. Nós também oferecemos sessões ministradas por funcionários e fornecemos espaço e recursos para que os funcionários busquem os seus caminhos pessoais. Exemplos de sessões incluem conjuntos de práticas contemplativas, a ciência do bem-estar, a capacidade de diálogo e o convívio com o luto coletivo. As sessões geralmente incluem componentes didáticos e experienciais, além de oportunidades para discussões em pequenos e grandes grupos, que permitem aos funcionários compartilhar experiências profundas uns com os outros.

para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores.

Em 2016, o Instituto encomendou um estudo de caso independente para aprender mais sobre os primeiros pontos positivos, desafios e impactos do COFG. Algumas das principais conclusões foram que os funcionários sentiram um aumento na confiança, no moral, na conexão e na capacidade de lidar com dificuldades relacionais a partir do trabalho. O estudo de caso também abordou questões e preocupações dos funcionários sobre o propósito dos COFGs em relação ao nosso trabalho externo, o uso de linguagem inclusiva e a abordagem do COFG e as suas ofertas e como os encontros se traduzem em políticas e práticas organizacionais mais amplas. Algumas dessas questões têm sido respondidas à medida que nós temos aprofundado o nosso trabalho como uma comunidade e outras nós continuamos a investigar e a desenvolver.

O Instituto não só se dedica a cultivar um ambiente de trabalho espiritualmente fundamentado, como também busca aprender com outros que compartilham da mesma visão sobre como cultivar culturas organizacionais que apoiem o desenvolvimento e o florescimento humano; e que permitam às organizações operar a partir de sua visão e valores mais profundos, rumo a um mundo mais amoroso. É esse compromisso que motiva o nosso apoio ao trabalho realizado pela International Association of Management, Spirituality and Religion (IAMSR) [Associação Internacional de Gestão, Espiritualidade e Religião], incluindo esse volume. Aqueles que buscam criar ambientes de trabalho que sejam espaços robustos para o florescimento humano e o mundo que nós desejamos habitar precisam de apoio e companheiros de jornada. Muitos de nós estamos lidando com questionamentos semelhantes sobre os prós e os contras de trazer a espiritualidade para o ambiente de trabalho.

Há muito que nós temos aprendido nos últimos vinte anos de experimentação nessa área e muito mais a aprender. Esse volume oferece algumas das melhores ideias e práticas de líderes de pensamento na área. Que ele sirva de inspiração e alimente a nossa imaginação e esforços coletivos em relação ao que é possível.

Shakiyla Smith, Vice-Presidente de Cultura Organizacional – Instituto Fetzer – 10 de novembro de 2021.

Referências

Fetzer Institute. (September 2020). Study of Spirituality in the United States. Report retrieved from https://spiritualitystudy.fetzer.org/sites/default/files/2020-09/What-Does-Spirituality-Mean To-Us_%20A-Study-of-Spirituality-in-the-United-States.pdf  

Jones, J.M. (2021). U.S. Church Membership Falls Below Majority for First Time. Gallup. Retrieved from https://news.gallup.com/poll/341963/church-membership-falls-below-majority-first time.aspx

Kegan. R., Lahey, L. L.(2016). An everyone culture: Becoming a deliberately developmental organization. Harvard Business Review Press.

Neal. J. (2013). Creating enlightened organizations: Four gateways to spirit at work. Palgrave Macmillan.

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—–Continuação da Parte XII—–

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13 Espiritualidade no Ambiente de Trabalho e Indústrias Criativas

Autores: Payal Kumar, Kasturirangan Sudarshan

Introdução

A espiritualidade, antes considerada pessoal, individual e íntima, evoluiu para um fenômeno amplamente discutido em conselhos de administração, assembleias e conferências. Crescem as discussões e pesquisas sobre o ambiente de trabalho espiritual – um ambiente que apoia e desenvolve o espírito e o bem-estar de seus funcionários e onde as partes interessadas da empresa são vistas como tão importantes quanto os acionistas (Walsh et al., 2003). Tanto que esse crescente interesse pela espiritualidade no ambiente de trabalho (EAT) chegou a ser descrito como um movimento espiritual (Ashmos & Duchon, 2000).

Organizações com inclinação espiritual demonstram valor tanto extrínseco quanto intrínseco. Pesquisas sugerem que essas empresas apresentam maior eficiência, geram melhores taxas de retorno (Jurkiewicz & Giacalone, 2004; Fry, 2003) e conseguem solucionar desafios de recursos humanos (Garg, 2017). Diversos estudos empíricos também sugerem que a espiritualidade no ambiente de trabalho proporciona satisfação intrínseca no trabalho (Moore & Casper, 2006), aumenta o engajamento e a resiliência dos funcionários (Singh & Chopra, 2016), promove o bem-estar dos funcionários e molda uma atitude positiva entre eles (Kolodinsky et al., 2008), além de ajudar os funcionários a desenvolverem a vida interior deles no ambiente de trabalho (Sheep, 2004). A espiritualidade no ambiente de trabalho não apenas proporciona significado ao trabalho em nível pessoal, mas muitas vezes transcende o indivíduo devido a um senso de interconectividade com outros na organização e ao desejo de criar um mundo mais significativo (Karakas, 2010; Milliman et al., 1999).

Além do bem-estar do funcionário, a espiritualidade no ambiente de trabalho também é considerada um fator que impulsiona a criatividade (Freshman, 1999; Shinde & Fleck, 2015), que é a base da inovação e abre caminho para o crescimento organizacional holístico (Wong, 2003). A criatividade é o alicerce para os funcionários das indústrias criativas, também conhecidas como indústrias culturais. As indústrias criativas incluem cinema e vídeo, música, publicidade, design de moda, bem como artes cênicas, televisão e rádio e software (DCMS, 1998). As habilidades criativas e a imaginação de um indivíduo, combinadas com o valor econômico de sua inovação, são a base das indústrias criativas (DCMS, 2001). Do ponto de vista econômico, estima-se que as indústrias criativas globais movimentem cerca de US$ 2,25 trilhões e sejam responsáveis ​​por mais de 30 milhões de empregos em todo o mundo, com grandes empregadores nesse setor nas áreas de artes visuais, livros e música (UNESCO & EY, 2015).

Nas próximas seções, nós apresentamos uma revisão da literatura referente a 1. Espiritualidade no Ambiente de Trabalho, 2. Criatividade no Ambiente de Trabalho e 3. Indústrias Criativas, finalizando o capítulo com uma seção de discussão. A revisão da literatura é intercalada com citações de entrevistas com líderes de pensamento nessa área.

Espiritualidade no Ambiente de Trabalho

Muitos estudiosos definiram espiritualidade, mas não parece haver uma definição comum identificável. Embora existam centenas de artigos, trabalhos e livros sobre o tema, Brown afirma que quanto mais ela lê, mais ela reconhece que o conceito é opaco (2003). Para alguns, a espiritualidade representa uma busca perene pelo propósito e significado da vida (Krishnakumar & Neck, 2002). Outros dizem que é uma disposição da mente ou uma perspectiva de vida (Covey, 2004) e outros ainda que representa a consciência no nível da percepção [consciousness] interior (Sisk & Torrance, 2001) ou mesmo a moralidade (Kohlberg & Ryncarz, 1990). Olufemi-Ayoola & Ogunyemi (2018) compilaram várias definições de espiritualidade no ambiente de trabalho, incluindo vida interior, bem-estar, sentimento de conexão e compaixão pelos colegas de trabalho, etc.

Existem poucos estudos sobre os antecedentes da espiritualidade no ambiente de trabalho. Em um desses estudos, Badrinarayanan e Madhavaram (2008) listaram o comportamento da supervisão, os valores organizacionais, o clima ético e o estilo de vida voltado para o bem-estar como antecedentes. Em outros estudos, o comportamento da supervisão e da alta administração impacta a saúde psicológica e o bem-estar espiritual do funcionário (Dent et al., 2005; Gilbreath e Benson, 2004). No âmbito da empresa, o estilo de vida voltado para o bem-estar é melhor fomentado naquelas empresas com climas éticos (Parboteeah e Cullen, 2003) e melhor implementado por meio de uma adequação pessoa-organização (Afsar e Badir, 2017).

Em termos de variáveis ​​de resultado, diversos estudos identificaram uma influência positiva da espiritualidade no ambiente de trabalho tanto nas organizações quanto nas pessoas que nelas trabalham. A espiritualidade no ambiente de trabalho promove a motivação dos funcionários, aprimora comportamentos positivos e aumenta a produtividade (Olufemi-Ayoola & Ogunyemi, 2018). Além disso, acredita-se que a espiritualidade no ambiente de trabalho leve a uma maior satisfação no trabalho e também ao comprometimento organizacional (Pawar, 2009). Kinjerski e Skrypnek utilizam o termo “espírito no trabalho” para descrever a espiritualidade no ambiente de trabalho (Kinjerski & Skrypnek, 2004). Em um estudo de 2008 com cuidadores de longa permanência, eles descobriram que um programa de espírito no trabalho no ambiente de trabalho é uma maneira eficaz em termos de custo para melhorar a satisfação no trabalho dos funcionários, aumentar o comprometimento organizacional e reduzir a rotatividade, resultando, em última análise, em um melhor atendimento ao paciente. Anteriormente, Moxley (2000) apontou que aproveitar o espírito interior no ambiente de trabalho permite que o funcionário aborde o trabalho com um senso de propósito e satisfação mais elevado. Segundo Fry (2003), quando os funcionários consideram as organizações para as quais trabalham como espirituais, eles se tornam, por sua vez, mais éticos e comprometidos e menos temerosos.

A espiritualidade no ambiente de trabalho promove a motivação dos funcionários, aprimora comportamentos positivos e aumenta a produtividade (Olufemi-Ayoola & Ogunyemi, 2018).

No entanto, nem todos os estudiosos acreditam que a espiritualidade no ambiente de trabalho (EAT) leve a resultados positivos. Alguns dizem que a EAT é uma mera moda gerencial ou apenas uma ferramenta para controlar os funcionários (Fernando, 2005). Outros, como Gibbons (2000), afirmam que a EAT é mais um conceito de gestão fracassado, como a Gestão da Qualidade Total. Outros ainda sugerem que os funcionários em organizações espirituais se sentem desvalorizados, desconectados e perdidos (Meyer et al., 1993). Além disso, ainda não há consenso sobre o aumento da produtividade e dos resultados financeiros da empresa, com Poole (2009) questionando a justificativa comercial para a EAT (ver Tabela 13.1).

Segundo Fry (2003), quando os funcionários consideram as organizações para as quais trabalham como espirituais, eles se tornam, por sua vez, mais éticos e comprometidos e menos temerosos.

Ambiente de Trabalho e Criatividade

Há muito tempo, as organizações enfatizam e priorizam a criatividade como uma proposta de valor fundamental que proporciona uma vantagem competitiva distinta. A criatividade é considerada um fator ligado à eficácia, produtividade e inovação entre os funcionários (Runco, 2004), tanto pela geração de ideias quanto pela reformulação de ideias existentes (Nonaka, 1991). Uma mente criativa pode levar a uma transformação imensa – cultural e socialmente (Harman & Hormann, 1990). Um estudo encomendado pela Adobe (State of Create, 2016) sugere que 70% das pessoas acreditam que ser criativo é valioso para a sociedade e 65% acreditam que isso agrega valor à economia.

A criatividade é considerada um fator ligado à eficácia, produtividade e inovação entre os funcionários (Runco, 2004), tanto pela geração de ideias quanto pela reformulação de ideias existentes (Nonaka, 1991).

Artistas, músicos, designers e arquitetos têm descrito a criatividade como algo semelhante à espiritualidade (Howkins, 2007). No entanto, é importante ressaltar que a criatividade no ambiente de trabalho, como um fenômeno nas indústrias criativas, não apresenta um cenário totalmente positivo, visto que pessoas criativas podem estar sujeitas a transtornos de humor (Mayo, 2009). Em um estudo realizado pela Universidade de Ulster em 2018 (Ulster University, 2018), mais de 500 pessoas empregadas nas indústrias criativas na Irlanda foram entrevistadas sobre a sua saúde mental e bem-estar. Algumas dos principais resultados incluem o fato de que a pressão para atingir altos padrões e o trabalho irregular levam a estresse e depressão severos e que havia uma alta tendência suicida entre os participantes. Outro estudo na Austrália, Mentally Healthy (2018), sugere que a força de trabalho nas áreas de mídia, marketing e indústrias criativas é mais vulnerável a doenças mentais, com muitos funcionários apresentando altos níveis de sintomas de depressão e ansiedade.

Artistas, músicos, designers e arquitetos têm descrito a criatividade como algo semelhante à espiritualidade (Howkins, 2007).

Tanto fatores intrínsecos quanto extrínsecos são considerados impulsionadores da criatividade dos funcionários. Amabile (1996) sugere que, para os funcionários, a motivação intrínseca é um facilitador crucial para a criatividade, assim como um ambiente de trabalho estimulante. Além disso, um bom relacionamento com os supervisores promove a geração de ideias mais criativas por parte dos funcionários (Zhao et al., 2014). Características pessoais que favorecem a criatividade incluem abertura e mente aberta (Dollinger et al., 2004). Marques e Dhiman (2014) afirmam que a demografia também é uma variável importante de estudo, visto que a geração mais jovem no mercado de trabalho parece estar mais aberta a explorar temas que as gerações mais velhas não exploravam:

“Nos últimos anos, nós temos observado um número crescente de encontros intelectuais e práticos sobre espiritualidade, motivação, aprendizado alternativo e pensamento do hemisfério direito do cérebro, bem como um número cada vez maior de pesquisadores buscando abordagens ainda não amplamente difundidas” (2014, p. x).

Consulte a Tabela 13.2 para uma visão geral cronológica de alguns dos estudos (literaturas) sobre ambiente de trabalho e criatividade.

Espiritualidade no Ambiente de Trabalho e Indústrias Criativas

A importância de uma economia criativa em uma perspectiva global pode ser constatada pelo fato de 2021 ter sido declarado o Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável pelas Nações Unidas (ONU). A ONU reconhece que “as indústrias criativas podem ajudar a fomentar externalidades positivas, preservando e promovendo o patrimônio cultural e a diversidade, bem como aumentar a participação dos países em desenvolvimento e os benefícios de novas e dinâmicas oportunidades de crescimento no comércio mundial” (ONU, 2019, p. 2).

Diversas organizações globais têm definido as indústrias criativas, conforme a Tabela 13.3. A Tabela 13.4 lista alguns exemplos de indústrias criativas:

A partir das definições e classificações, pode-se inferir que, quando a criatividade se traduz em um produto ou serviço comercializável, dá origem à economia criativa (Howkins, 2007). Além disso, as indústrias são uma combinação de indústrias criativas e culturais, com uma manifestação intrínseca de qualidades humanas (Peris-Ortiz et al., 2019). Diz o Padre Oswald A J Mascarenhas, S J., titular da Cátedra JRD Tata em Ética Empresarial, XLRI, Índia:

“O verdadeiro trabalho é a impressão da personalidade de alguém na matéria – exemplificado especificamente na cerâmica, escultura, pintura, bordado, jardinagem e na criação dos filhos. O trabalho, definido dessa forma, liberta a criatividade, a imaginação, o caráter, o compromisso e a humanidade.”

Segundo Wong (2003), no contexto do trabalho, a criatividade é um dos atributos da espiritualidade no ambiente de trabalho. Para alguns funcionários envolvidos em indústrias criativas, como artes e música, a espiritualidade desempenha um papel decisivo. Artistas, músicos, designers e arquitetos descreveram o ato de ser criativo como algo semelhante a ser espiritual (Howkins, 2007). Eles acreditam que eles vivenciam uma experiência transcendental durante o processo criativo, que os transporta para um plano diferente quando se imergem em seu trabalho criativo (Mayo, 2009). Frida Kahlo “encontrou a linguagem que a impulsionaria a contar a sua história, sem hesitar, traçando a sua busca pessoal e espiritual e o seu sofrimento” (Rummel, 2000, p. 18).

Segundo Wong (2003), no contexto do trabalho, a criatividade é um dos atributos da espiritualidade no ambiente de trabalho.”

Embora a criatividade seja capaz de levar a uma experiência espiritual, existem estudos que sugerem causalidade reversa, ou seja, a espiritualidade no ambiente de trabalho leva à criatividade e inovação entre os funcionários (Olalere, 2018) e ao desenvolvimento de habilidades para resolução de problemas (Tischler et al., 2002). Essa conexão entre uma experiência espiritual e a criatividade subsequente, contudo, não é exclusiva daqueles que trabalham nas indústrias criativas. Veja o caso de Srinivasa Ramanujan, o gênio da matemática que ascendeu de uma origem humilde para se tornar o primeiro Indiano a ser eleito membro do Trinity College, em Cambridge. Ele atribuiu o seu trabalho à inspiração divina, afirmando que soluções matemáticas complexas lhe surgiam após ter visões da Deusa Mãe (India Today, 2017: https://www.indiatoday.in/education-today/gk-current-affairs/story/srinivasa ramanujan-life-story-973662-2017-04-26, acessado em 13/11/2020). Nesse contexto, a criatividade pode ser considerada uma dádiva da espiritualidade (Bhawuk, 2019).

Embora a criatividade seja capaz de levar a uma experiência espiritual, existem estudos que sugerem causalidade reversa, ou seja, a espiritualidade no ambiente de trabalho leva à criatividade e inovação entre os funcionários (Olalere, 2018) e ao desenvolvimento de habilidades para resolução de problemas (Tischler et al., 2002).”

“Nesse contexto, a criatividade pode ser considerada uma dádiva da espiritualidade (Bhawuk, 2019).”

As organizações fariam bem em proporcionar espaço para a espiritualidade e a criatividade, o que pode levar ao bem-estar espiritual. Enquanto o bem-estar é definido como “a integração da saúde social, mental, emocional, espiritual e física em qualquer nível de saúde ou doença” (Greenberg, 1985, p. 404), o bem-estar espiritual é visto como “uma abertura equilibrada ou a busca pelo desenvolvimento espiritual” (Chandler et al., 1992, p. 170).

As organizações fariam bem em proporcionar espaço para a espiritualidade e a criatividade, o que pode levar ao bem-estar espiritual.

Como as organizações são capazes de promover a espiritualidade e o bem-estar? Pode-se criar espaço para o lazer, bem como para a oração e a reflexão. Em uma entrevista concedida aos autores desse capítulo, a Dra. Mrinalini Kochupillai, professora do Centro de Direito da Propriedade Intelectual de Munique e ex-pesquisadora sênior e titular da Cátedra de Ética Empresarial e Governança Global da Alemanha, afirmou:

Expandir a adoção de práticas espirituais no ambiente de trabalho não diminui a natureza pessoal ou comunitária das preferências religiosas. Embora diversos locais públicos (como aeroportos internacionais) já ofereçam “salas de oração” para atender às necessidades de várias comunidades religiosas, os locais de trabalho podem adotar modelos semelhantes para apoiar práticas espirituais ou religiosas individuais, ou ainda promover práticas espirituais seculares coletivas em momentos específicos, como iniciar cada reunião com dois minutos de silêncio para a prática da atenção plena (mindfulness). Como evidenciado por um crescente número de pesquisas científicas, essas práticas melhoram o bem-estar dos funcionários, a conectividade (da equipe) e contribuem para a produtividade geral, o que, por sua vez, pode impulsionar a criatividade e a inovação no ambiente de trabalho. (Kochupillai, 2020)

Discussão

A economia criativa está crescendo significativamente ano após ano, em paralelo com os avanços tecnológicos, e recebendo cada vez mais atenção na mídia impressa e eletrônica. Em uma entrevista com Chris Frost, Professor Emérito de Jornalismo da Liverpool John Moores University, Reino Unido (2020), ele afirmou:

“O jornalismo desempenha um papel fundamental nas indústrias criativas. Ao escrever sobre e criticar as artes e a produção criativa, os jornalistas estimulam o interesse e o consumo de uma ampla gama de produtos criativos que são parte importante da vida comercial de qualquer país civilizado. A criatividade adiciona magia às nossas vidas e o jornalismo sobre criatividade ajuda a espalhar esse brilho por toda parte.”

A crescente importância de EAT, indústrias criativas e inovação pode ser vista em uma conferência singular sobre Ética na Inovação, realizada em 2017, que promoveu a interação entre ética, ciência e Indústria 4.0 em uma mesma plataforma. Organizada pelo Fórum Mundial de Ética nos Negócios e pelo Instituto Max Planck para Inovação e Concorrência, em Munique, a conferência abordou a perspectiva das múltiplas partes interessadas para buscar respostas a questões éticas na inovação.

Além disso, o Center for Management in the Creative Industries (CMCI) [Centro de Gestão nas Indústrias Criativas] foi criado em colaboração com o Instituto de Arte Sotheby’s e a Escola de Administração Drucker, a Escola de Artes e Humanidades e o Instituto de Liderança Getty da Universidade Claremont Graduate. O centro é voltado para estudantes que aspiram a trabalhar nas indústrias criativas, como a produção cinematográfica. Segundo Larry Crosby, ex-reitor da Escola de Administração Drucker, “A criação do CMCI marca a próxima fase do foco da Escola Drucker nos desafios e oportunidades de gestão específicos das indústrias criativas e da economia criativa em geral” (Universidade Claremont Graduate, 2015: https://www.cgu.edu/news/2015/03/claremont-graduate-university-announces-creation-of-new-center-for-management-in-the-creative-industries-3/ acessado em 11/05/2020).

Em resumo, diversos estudos têm se concentrado no impacto positivo que a EAT tem sobre as organizações e os seus stakeholders. De fato, algumas organizações preferem ser rotuladas como “organizações espirituais” devido aos benefícios que isso traz para todos os envolvidos, incluindo maior criatividade e inovação entre funcionários e clientes. O Times of India Group, na Índia, é um exemplo disso. O grupo abrange empresas de mídia impressa, internet, música e multimídia. Em determinado momento, o grupo teve um programa de treinamento para funcionários chamado “Autodomínio”, com o objetivo de controlar o ego e liberar o potencial individual. Mais recentemente, o Times of India criou a “Fundação Times” com o duplo objetivo de incentivar a sustentabilidade e a transformação, que inclui a consciência no nível da realidade [awareness] espiritual como um pilar importante. Além disso, o veículo de comunicação publica uma coluna semanal popular conhecida como “The Speaking Tree” [“A Árvore Falante”].

Por outro lado, há estudiosos que argumentam que EAT não tem propósito ou valor real. Finalmente, há estudiosos que acreditam que o que de fato aflige muitas organizações modernas hoje é uma forma de vazio e empobrecimento espiritual (Mitroff & Denton, 1999). Esse vazio é exacerbado por líderes tóxicos, cheios de ganância egoísta e carentes de maturidade espiritual (Delbecq, 2009) e também por metodologias enxutas, que sacrificam a criatividade e o significado para o funcionário no altar da hipereficiência (Mehri, 2006).

Em uma entrevista concedida pelos autores desse capítulo ao Padre Oswald A. J. Mascarenhas, S. J., titular da Cátedra JRD Tata em Ética Empresarial da XLRI, Índia, ele afirmou:

“Para evitar o vazio espiritual, as organizações necessitam cultivar A EAT. A EAT deve trazer alegria, atenção plena e significado à vida e à família. É uma humanização do trabalho e do ambiente, que cultiva vínculos, união, harmonia e solidariedade humana, dedicação nacional e cidadania.”

Embora haja muitos trabalhos sobre espiritualidade no ambiente de trabalho e também sobre criatividade, há muito pouco que sintetize os dois temas. Além disso, embora a literatura existente sugira que espiritualidade e criatividade estejam interligadas, isso não significa que todas as indústrias criativas adotem a espiritualidade no ambiente de trabalho. É necessário aprofundar os estudos sobre os antecedentes e as consequências da espiritualidade no ambiente de trabalho em indústrias criativas e em outros setores, preferencialmente na forma de estudos longitudinais.

Pesquisas futuras sobre EAT e indústrias criativas também podem explorar a questão de gênero em economias em conflito e pós-conflito. Charlotte Karam, professora associada da Escola de Negócios Olayan da Universidade Americana de Beirute, editora de seção da revista Feminisms and Business Ethics e membro do conselho editorial do Journal of Business Ethics, é conhecida por seu trabalho como consultora de desenvolvimento de liderança na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA), particularmente no Líbano, Iraque e Líbia. Em uma entrevista recente concedida aos autores, ela afirmou: “Após sofrer com guerras civis, desastres provocados pelo homem e uma classe política corrupta e arraigada, responsável pelas falhas do governo, o ambiente de trabalho muitas vezes serve como um bastião ou um canal de esperança e compaixão. Isso se aplica a todos os setores, mas particularmente às indústrias criativas, onde jovens cada vez mais marginalizados e frustrados recorrem à tecnologia da informação e à arte para canalizar as suas energias para o mundo além de seus espaços locais conflituosos. Pesquisas futuras fariam bem em desvendar o relacionamento entre espiritualidade no ambiente de trabalho e indústrias criativas tendo como pano de fundo estados falidos, bem como a interação entre as estruturas opressivas arraigadas e as identidades interseccionais das populações que tentam sobreviver e construir um futuro viável dentro desses contextos.”

Referências

Adobe. (2016). State of create. Retrieved from: https://www.adobe.com/content/dam/acom/en/ max/pdfs/AdobeStateofCreate_2016_Report_Final.pdf  

Afsar, B., & Badir, Y. (2017). Workplace spirituality, perceived organizational support and innovative work behavior: The mediating effects of person-organization fit. Journal of Workplace Learning, 29(2), 95–109. https://doi.org/10.1108/JWL-11-2015-0086

Amabile, T. (1996). Creativity in Context: Update to the Social Psychology of Creativity. Westview Press.

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—–Continua Parte XIV—–

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.

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Autor

Graduação: Engenharia Operacional Química. Graduação: Engenharia de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing - PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras - FGV/SP. Blog Projeto OREM® - Oficina de Reprogramação Emocional e Mental - O Blog aborda quatro sistemas de pensamento sobre Espiritualidade Não-Dualista, através de 4 categorias, visando estudos e pesquisas complementares, assim como práticas efetivas sobre o tema: OREM1) Ho’oponopono - Psicofilosofia Huna. OREM2) A Profecia Celestina. OREM3) Um Curso em Milagres. OREM4) A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE) - Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT). Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista como uma proposta inovadora de filosofia de vida para os padrões Ocidentais de pensamentos, comportamentos e tomadas de decisões (pessoais, empresariais, governamentais). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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