Com o objetivo de pesquisa, estudo, conhecimento e entendimento sobre o sistema de pensamento de uma Organização Baseada na Espiritualidade (OBE), nós estamos transcrevendo, em tradução livre, trechos do artigo “The Spiritual Well-Being Scale (SWBS): Portuguese Translation and Suggestions for Use” [“A Escala de Bem-Estar Espiritual: Tradução para o Português e Sugestões de Uso”]. Artigo recebido em 27 de outubro de 2015 e aprovado em 29 de março de 2016. Autor: Raymond F. Paloutzian – Professor Emérito de Psicologia no Westmont College em Santa Bárbara, Califórnia, EUA. Editor do The International Journal for the Psychology of Religion. Doutorado em Psicologia Social pela Claremont Graduate School; Mestrado em Psicologia Experimental pela Claremont Graduate School (1972); Bacharelado em Psicologia pela California State University, Los Angeles (1968). País de origem: Estados Unidos da América. E-mail: [email protected]. Fonte: Horizonte, Belo Horizonte, v. 14, n. 41, p. 76-88, Jan./Mar. 2016 – ISSN 2175-5841 – PUC Minas.
A Escala de Bem-Estar Espiritual (SWBS) foi citada nos artigos do Blog Projeto OREM abaixo relacionados, porém ainda não tinha sido detalhada através de uma fonte primária de informação.
101 – Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença – Parte III
87 – Personal Wellbeing Index – Adulto (PWI-A) – Manual 2024 – Parte III
Artigo:
“The Spiritual Well-Being Scale (SWBS): Portuguese Translation and Suggestions for Use” [“A Escala de Bem-Estar Espiritual: Tradução para o Português e Sugestões de Uso”].
Artigo recebido em 27 de outubro de 2015 e aprovado em 29 de março de 2016.
Autor:
Raymond F. Paloutzian
Professor Emérito de Psicologia no Westmont College em Santa Bárbara, Califórnia, EUA. Editor do The International Journal for the Psychology of Religion. Doutorado em Psicologia Social pela Claremont Graduate School; Mestrado em Psicologia Experimental pela Claremont Graduate School (1972); Bacharelado em Psicologia pela California State University, Los Angeles (1968). País de origem: Estados Unidos da América. E-mail: [email protected].
Fonte:
Horizonte, Belo Horizonte, v. 14, n. 41, p. 76-88, Jan./Mar. 2016 – ISSN 2175-5841 – PUC Minas
Keywords:
Spiritual Well-Being; Spiritual Well-Being Scale; Spirituality; Spirituality and Health; Religion and Health
Palavras-chave:
Bem-estar espiritual; Escala de Bem-estar espiritual; espiritualidade; espiritualidade e saúde; religião e saúde.
Resumo
“Recentemente, o estudo das relações entre religião e saúde tem se expandido para incluir o estudo dos relacionamentos entre espiritualidade e saúde. ‘Espiritualidade’ é normalmente considerado como sendo, entre os dois, o termo mais inclusivo. Entrementes, o conceito de bem-estar espiritual (SWB – Spiritual Well- Being) tem sido invocado para refletir a autopercepção de bem-estar em termos do que a própria pessoa entende como sendo o sentido de ‘espiritual’ – quer seja com uma conotação religiosa ou existencial. Assim, espiritualidade e SWB não devem ser confundidos um com o outro. Medidas de cada constructo diferem nas dimensões psicológicas que tais termos estão tentando cobrir e no tipo de avaliações que se destinam a produzir. Esse texto explica cada constructo e apresenta a tradução para o Português da SWBS e faz sugestões de uso.”
Introdução
“A partir do último terço do século XX e continuando até o presente, a pesquisa em psicologia da religião tem visto o conceito de espiritualidade ganhar uso comum, além do conceito de religião (PALOUTZIAN, 2016; STREIB & HOOD, 2015). Parte dessa tendência parece evidente no Brasil (ESPERANDIO & MARQUES, 2015). Nas últimas duas décadas, artigos, livros, propostas de financiamento e discussões em encontros profissionais têm frequentemente invocado a terminologia ‘religião e espiritualidade’, além de, por vezes, utilizar cada conceito separadamente.
Ademais, livros e associações de saúde foram criados com base na noção de medicina complementar e alternativa, que tendem a acomodar facilmente diversas espiritualidades e as suas práticas (COBB, PUCHALSKI & RUMBOLD, 2012). As razões para essa tendência foram detalhadas em outros trabalhos (PALOUTZIAN, 2006, 2016; PALOUTZIAN & PARK, 2013, 2014). Resumidamente, porém, ficou claro que, para muitas pessoas, havia uma dimensão espiritual em suas vidas que não era contemplada pelas religiões tradicionais. Alguma coisa nova era necessário.
Os novos caminhos espirituais eram, ao invés disso, frequentemente mais individuais, menos formais, menos doutrinários, menos limitados por uma tradição, flexíveis nas práticas consideradas permitidas e, ocasionalmente, mais aventureiros. Eles podiam ser de outro mundo ou apenas desse mundo e podiam ser moldados para se adequarem às inclinações individuais. O estado de espírito da época fomentou a ideia de que, psicologicamente falando, ‘a qualidade de vida reside na experiência da vida’ (CAMPBELL, 1976, p. 118). Os pesquisadores, então, começaram a desenvolver medidas para avaliar a qualidade subjetiva da experiência de vida.
1 Espiritualidade e Bem-Estar Espiritual
A Escala de Bem-Estar Espiritual (SWBS)¹ foi desenvolvida durante esse período de transição e experimentação como uma das muitas manifestações do crescente interesse pela espiritualidade (BÜSSING, 2012). Paloutzian e Ellison (1982) argumentaram que, como a espiritualidade estava se tornando importante para as pessoas, ela poderia proporcionar uma sensação de bem-estar que é boa, saudável e que as pessoas desejam e necessitam. Parecia que as pessoas necessitavam de alguma coisa que transcendesse a tendência de se concentrarem excessivamente em si mesmas (ELLISON, 1983).
No entanto, nós sabíamos a partir da literatura e a partir de entrevistas em profundidade que ‘espiritualidade’ significava coisas diferentes para pessoas diferentes. Os significados se agrupavam em dois campos – um ancorado em termos religiosos tradicionais e outro ancorado em termos existenciais não religiosos.
Essa descoberta levou ao desenvolvimento do SWBS – Spiritual Well-Being Scale [Escala de Bem-Estar Espiritual], as suas duas subescalas que medem o RWB – Religious Well-Being [Bem-Estar Religioso] e o EWB – Existential Well-Being [Bem-Estar Existencial] e a uma grande quantidade de pesquisas subsequentes sobre o seu relacionamento com variáveis de saúde física e mental (PALOUTZIAN, BUFFORD e WILDMAN, 2012).
1SWBS © 1982 Craig W. Ellison & Raymond F. Paloutzian. All rights reserved.
Um primeiro passo fundamental foi distinguir entre espiritualidade e SWB – Spiritual Well- Being (Bem-Estar Espiritual). As medidas de espiritualidade são geralmente concebidas para avaliar o quão espiritual alguém é, o quanto de espiritualidade alguém alcançou ou o quanto a motivação para se conectar com alguma coisa além de si mesmo é a base de sua vida (PIEDMONT, 2001; PIEDMONT & WILKINS, 2013). Alguém que obtém uma pontuação alta em uma medida de espiritualidade é tipicamente entendido ou por ter alcançado um grau mais elevado de (ou uma maior sensação de) conexão com aquilo que está além de si, ou por ter um grau mais elevado de motivação para alcançar tal estado. Nenhuma dessas noções constitui bem-estar no sentido psicológico conotado e avaliado pela SWBS. A literatura sobre espiritualidade e SWBS deixa essa distinção muito clara.
No entanto, alguns pesquisadores já utilizaram a SWBS quando, na verdade, pretendiam medir a espiritualidade (KOENIG, 2009; KOENIG, KING & CARSON, 2012), um erro que sempre eu desaconselho. Isso ocorre porque a SWBS é uma avaliação de resultado do bem-estar percebido nos dois sentidos em que os pesquisadores tendem a pensar que reflete o que ‘espiritual’ significa para eles (RWB e EWB). Ela não mede o quão espiritual alguém é ou o quão motivado alguém está a ser.
2 A Escala de Bem-Estar Espiritual (SWBS)
Craig Ellison e eu mal pensávamos em qual seria o uso da SWBS após a sua publicação. Para a nossa surpresa, no entanto, nós começamos a receber muitos pedidos para utilizá-la, especialmente de áreas relacionadas à saúde, como enfermagem (PALOUTZIAN, 2002). Desde a sua primeira publicação, a SWBS tem sido muito utilizada como ferramenta em pesquisa e prática na área da saúde. Até a publicação da revisão abrangente de Paloutzian, Bufford e Wildman (2012), a escala havia sido utilizada em mais de 300 artigos e capítulos publicados, 190 dissertações de doutorado e teses de mestrado, 35 pôsteres e apresentações e 50 artigos não publicados. Ela também foi reimpressa em pelo menos 4 livros sobre cuidados paliativos e aconselhamento (DOW, 2006; KUEBLER, HEIDRICH e ESPER, 2007; KELLY, 1995; TOPPER, 2003).
As Subescalas e o Uso da SWBS.
As subescalas RWB e EWB da SWBS contêm 10 itens cada, com aproximadamente metade dos itens invertidos para controlar o viés de resposta. A pontuação total da SWBS é obtida somando-se as pontuações de todos os 20 itens. Obviamente, a pontuação total da SWBS é uma avaliação global; ela pode mascarar questões psicológicas mais específicas, pois combina a percepção de bem-estar religioso e existencial em um único índice. Por isso, sempre aconselho os pesquisadores a analisarem os seus dados pelas pontuações das subescalas SWB e EWB após realizarem uma análise geral das pontuações totais do SWBS (BUFFORD, PALOUTZIAN & ELLISON, 1991).
Eu também aconselho os terapeutas a prestarem muita atenção ao padrão das pontuações das duas subescalas ao usar a SWBS com os clientes. Eu faço essa recomendação porque as pontuações do RWB e do EWB não se comportam necessariamente da mesma maneira. É perfeitamente possível que alguém obtenha pontuações não uniformes nessas duas subescalas, de modo que o padrão obtido de pontuações altas e baixas e as suas relações possam sugerir alguma coisa psicologicamente interessante e, talvez, alguma coisa de relevância pessoal ou clínica.
Quando analisadas independentemente, as duas subescalas tendem a apresentar correlação moderada; as dimensões psicológicas avaliadas por elas se sobrepõem em certa medida, mas são mais independentes do que não. Assim, um indivíduo pode obter pontuação alta ou baixa em qualquer uma das subescalas, resultando em quatro combinações de padrões de pontuação (alta-alta, alta-baixa, baixa-alta, baixa-baixa) nas duas dimensões combinadas. O padrão combinado dessas pontuações pode auxiliar clínicos e terapeutas a gerenciar de forma mais eficaz a recuperação de um paciente em sofrimento, uma vez que as pontuações nas subescalas podem estar associadas de forma diferenciada a medidas de, por exemplo, depressão e ansiedade (ver Paloutzian, Bufford e Wildman, 2012, para uma revisão abrangente). Dessa forma, podem ajudar a prever a eficácia da resposta a diferentes intervenções de promoção da saúde.
Os seguintes pontos podem ser úteis para psicólogos clínicos, terapeutas e psiquiatras considerarem ao utilizar a SWBS no contexto do auxílio a pacientes/clientes.
Primeiro, a SWBS parece ser mais útil para o tratamento de pacientes cujo sofrimento inclui a ausência de sentido de alguma forma – religiosa ou existencial. Ela pode não ser útil para tratar pessoas que sofrem de outros sintomas ou problemas.
Em segundo lugar, as pontuações da SWBS do cliente podem ser usadas de pelo menos duas maneiras. Podem ser comparadas com os dados publicados de outras populações. Isso ajuda o profissional a visualizar o ‘perfil SWBS’ desse cliente, compará-lo com o perfil de outros com problemas semelhantes e diferentes e, assim, avaliar a gravidade do sofrimento do paciente.
Em terceiro lugar, ao comparar as pontuações das subescalas RWB e EWB do paciente entre si, o padrão de pontuação alta-baixa pode sugerir se o sofrimento do cliente envolve principalmente questões religiosas, questões existenciais/de propósito de vida ou ambas.
Por exemplo, se um paciente é profundamente religioso e obtém uma pontuação baixa na escala RWB, mas não na EWB, isso pode sugerir problemas em sua vida religiosa. Por outro lado, se o paciente não for religioso, atenção análoga pode ser dada à pontuação da EWB, os seus itens e implicações.
Em quarto lugar, o padrão de pontuação e as respostas do paciente a itens específicos da SWBS podem ser usados para explorar questões preocupantes por meio da psicoterapia, de modo que a estratégia psicoterapêutica mais eficaz possa ser utilizada.
Em quinto lugar, na prática clínica é bem conhecido que os chamados ‘resfriados comuns’ das dificuldades psicológicas – depressão e ansiedade – estão inversamente correlacionados com as pontuações do SWBS (Bufford et al., 1991; Paloutzian et al., 2012).
Assim, as pontuações da SWBS podem servir como um indicador aproximado que sinaliza ao profissional quando questões envolvendo depressão ou ansiedade necessitam ser exploradas.
Propriedades estatísticas.
As estatísticas de confiabilidade e validade da SWBS e de suas duas subescalas foram examinadas diversas vezes. Os resultados geralmente mostram coeficientes alfa de confiabilidade na faixa de 0,7 a 0,9 (satisfatório a bom), semelhantes aos encontrados na pesquisa original de Paloutzian e Ellison com populações estudantis universitárias padrão (veja também Genia, 2001, como um exemplo típico). O mesmo padrão geral de resultados tende a ser encontrado em populações adultas normais. Da mesma forma, tanto a versão original em inglês quanto a versão em outros idiomas da escala tendem a apresentar um padrão e uma estrutura fatorial semelhantes (BRUCE, 1997; MARQUES, SARRIERA e DELL’AGLIO, 2009; MUSA e PEVALIN, 2012).
Estruturas Fatoriais.
As análises fatoriais de conjuntos de dados da SWBS geralmente resultam em uma estrutura fatorial semelhante à obtida durante o desenvolvimento inicial da escala. Na maioria das vezes, elas produzem um fator ‘vertical’ ou religioso que contém os itens da escala que incluem a palavra ‘Deus’ e um fator ‘horizontal’ ou existencial que inclui os itens da escala que não contêm a palavra ‘Deus’. Existem, no entanto, exceções importantes. Essas exceções podem ser importantes para obter insights sobre a natureza psicológica da amostra estudada.
Por exemplo, embora os estudos de Paloutzian e Ellison (1982), Genia (2001), Marques, Sarriera e Dell’Aglio (2009) e Musa e Pavelin (2012) tenham produzido estruturas fatoriais bastante semelhantes (com os dois fatores primários e o fator existencial ocasionalmente compostos por dois subfatores muito modestos), o estudo de Scott, Agresti e Fitchett (1998) produziu três fatores compostos por conjuntos de itens completamente diferentes. Além disso, os rótulos usados para os fatores na maioria das pesquisas (vertical ou religioso; horizontal ou existencial) não faziam sentido para os fatores obtidos no estudo de Scott et al. Os seus fatores tiveram que receber nomes diferentes porque a sua interpretação e o seu significado não correspondiam aos encontrados na maioria das pesquisas. Por quê?
A razão circunstancial para essas diferenças reside na natureza da amostra estudada. A maior parte da pesquisa foi realizada com populações estudantis ou adultas em geral. Esses estudos tendem a produzir estruturas fatoriais semelhantes. No entanto, os participantes do estudo de Scott et al. eram pacientes psiquiátricos internados. Essa é uma diferença importante. Significa que o próprio significado dos itens que compõem a SWBS, que fazem sentido direto e comum em populações normais, não pode ser considerado o mesmo quando respondido por pacientes psiquiátricos internados. Como os itens transmitem significados diferentes para eles, os fatores de seu conjunto de dados emergem de forma diferente e, portanto, têm que ser submetidos a uma interpretação distinta.
Uma lição importante a partir dessas diferenças é que as propriedades estatísticas que emergem, tais como as estruturas fatoriais, não são propriedades de uma escala; elas são propriedades de um conjunto de dados. Uma escala pode ser bem elaborada ou não, mas em nenhum caso a própria escala possui fatores ou confiabilidades. Essas são propriedades dos conjuntos de dados gerados pelo uso da escala. Portanto, quando uma escala é aplicada a amostras de diferentes tipos, quaisquer diferenças que surjam nas confiabilidades e nos fatores podem ser úteis para entender aqueles de quem esses conjuntos de dados provêm. Uma diferença pode conter pistas importantes sobre a natureza psicológica das amostras estudadas. Nem todas as populações são iguais.
Instrumentos
A SWBS é um instrumento subdividido em duas sub-escalas (de 10 itens cada), uma de Bem-Estar Religioso (RWB) e outra de Bem-Estar Existencial (EWB). Os itens referentes ao RWB contêm uma referência a Deus e os de EWB não contêm tal referência. Metade das questões da escala é escrita na direção positiva e metade na negativa. A escala possui 20 questões que devem ser respondidas através de uma escala Likert de seis opções: Concordo Totalmente (CT), Concordo mais que discordo (Cd), Concordo Parcialmente (CP), Discordo Parcialmente (DP), Discordo mais que concordo (Dc) e Discordo Totalmente (DT). As questões com conotação positiva (3, 4, 7, 8, 10, 11, 14, 15, 17, 19 e 20) têm sua pontuação somada da seguinte maneira, CT=6, Cd=5, CP=4, DP=3, Dc=2 e DT=1. As demais questões são negativas e devem ser somadas de forma invertida (CT=1, Cd=2, CP=3 e assim por diante). O total da escala é a soma das pontuações destas 20 questões e os escores podem variar de 20 a 120.
3 Traduções
A SWBS foi traduzida para diversos idiomas. A lista inclui, entre outros, Árabe, Cebuano, Chinês, Tcheco, Inglês (versão retrospectiva para crianças), Coreano, Malaio, Norueguês, Português, Espanhol, Tagalo, Turco e Vietnamita. Todas as traduções, com exceção de duas, foram testadas empiricamente. Além disso, Cotton et al. (2005) desenvolveram uma versão curta em Inglês da SWBS, apropriada para uso com adolescentes. De particular relevância para essa publicação é a tradução para o Português feita por Luciana Marques (MARQUES, SARRIERA & DELL’AGLIO, 2009), apresentada na Tabela 1.
A tradução é bem feita e apresenta propriedades estatísticas e fatores análogos à escala original em Inglês. Ela está sendo utilizada em pesquisas subsequentes.
Para uma boa tradução de uma escala psicológica, é essencial seguir certos procedimentos bem estabelecidos. Três procedimentos têm se mostrado especialmente eficazes na produção de uma escala traduzida, cujo uso e resultados são de boa qualidade para fins de pesquisa.
1. O primeiro método utiliza o que se chama de retrotradução. O pesquisador começa solicitando a um profissional qualificado, com domínio de ambos os idiomas, que traduza o original para o segundo idioma. Em seguida, um segundo profissional qualificado, igualmente fluente em ambos os idiomas, utiliza a versão traduzida e a retrotraduz para o idioma original. A partir daí, as versões original e retrotraduzida são comparadas. Se forem equivalentes, as versões traduzidas são consideradas satisfatórias; caso contrário, o procedimento é repetido até que se obtenham resultados satisfatórios.
2. Um segundo método consiste em ter a tradução feita por uma comissão de pessoas qualificadas, todas competentes em ambos os idiomas.

3. Um terceiro método consiste em realizar a tradução por uma comissão de pessoas qualificadas, que começam traduzindo a escala individualmente. Em seguida, reúnem-se e todos os membros da comissão compartilham as traduções. Depois, eles discutem cada item detalhadamente e chegam a um consenso sobre a redação precisa de cada um. O produto final é então entregue a uma terceira pessoa, que não faz parte da equipe de tradução, para avaliá-lo, fazer recomendações de alterações e, em seguida, retornar à comissão para a versão final. As escalas traduzidas pelos procedimentos 2 e 3 acima também podem ser submetidas aos procedimentos de retrotradução
O mais importante na tradução de uma escala não é a tradução literal das palavras, mas sim a tradução do significado de cada item, de modo que o que o sujeito entende que está sendo perguntado seja o equivalente psicológico no novo idioma ao que é no idioma original. Isso significa que, às vezes, uma tradução literal exata pode não funcionar, mas uma tradução com ligeiras modificações de palavras ou frases pode ser adequada. Essas questões são descobertas testando o instrumento traduzido em seu contexto intercultural.
Conclusão
É importante lembrar que a Escala de Bem-Estar Espiritual (SWBS) é uma escala psicológica, não teológica. Ela não mede, nem pode medir, a ‘Verdade’ teologicamente definida do bem-estar espiritual de alguém, seja qual for a perspectiva de Deus ou de um ser espiritual. No entanto, ela pode fornecer um índice aproximado da percepção psicológica de bem-estar espiritual de uma pessoa, em termos que façam sentido para ela. Parece ser útil em culturas onde a linguagem e as sensibilidades religiosas/espirituais são análogas às da cultura em que a versão original foi desenvolvida.
Referências
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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.
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