Artigo “Teaching HUNA to the Children – How Everything was made” [Ensinando HUNA para as Crianças – Como Tudo foi feito] – Max Freedom Long 

Tradução livre Projeto OREM®.

…continuação da Parte I…

AS FLORES SAEM

Depois de outro dia e noite celestiais, o Pai e a Mãe voltaram ao prado e, para o deleite deles, flores de todos os tipos e tamanhos desabrocharam na grama, nos arbustos e nas árvores.

‘Elas são lindas’, disse a Mãe. ‘Mas eu não esperava que todas fossem brancas.’ Ela se inclinou para sentir o cheiro de algumas belas flores em um arbusto baixo. ‘E elas não deveriam ter perfume?’

O Pai examinou os seus planos. ‘Sim, elas devem ser coloridas e ter muitos tipos diferentes de perfumes. Mas,‘ ele se curvou para a Mãe, ‘VOCÊ é a guardiã de tudo o que é belo e perfumado. Elas tiveram que esperar o seu toque. Você verá o que você pode fazer?’

A Mãe rapidamente encontrou os fios certos e começou a enviar uma mensagem telepática para as plantas e flores. ‘Agora crianças, ouçam com atenção. Vocês têm feito um trabalho esplêndido vindo do mar e fazendo flores para o mundo. Vocês gostariam de uma recompensa?’

As flores e as plantas abaixo delas dançavam animadamente, embora houvesse muito pouca brisa. Todas concordaram com a cabeça e a planta delicada abriu e fechou os seus cachos de folhas uma dúzia de vezes, embora as suas flores não fossem muito para se gabar.

A Mãe tirou da bolsa o seu pó compacto de maquiagem e chamou o Vento, dizendo: ‘Quando eu abrir o meu pó compacto, você sopra a fragrância dele por todo o prado para que as flores possam escolher uma fragrância que combine com elas… há centenas para escolher a partir disso. Ela abriu o seu pó compacto e instantaneamente as fragrâncias mais celestiais saíram. As flores ficaram encantadas ao selecionar a fragrância que mais gostaram. Algumas tomavam perfumes poderosos, outras gostavam mais dos delicados mais adequados a elas como violetas ou rosas. Algumas, onde o vento mal chegava, terminavam quase sem perfume.

Em seguida, a Mãe olhou para encontrar a Pequena Nuvem e chamou por ela. ‘Eu preciso de você de novo, Pequena Nuvem’, disse ela e a  Pequena Nuvem estava prestes a explodir de orgulho por ser chamada novamente para ajudar. ‘Flutue até o final do prado’, instruiu a Mãe. ‘Faça uma chuva suave e um belo arco-íris brilhante.’ Ela se virou para as flores, ‘Observem com cuidado e logo vocês verão todas as cores que existem ou existirão. Como segunda parte de vossa recompensa, vocês podem selecionar quantas cores quiserem para as suas flores ou misturar as cores. Agora veja o que vocês podem fazer.’

Pequena Nuvem choveu suavemente. O sol batia nas gotas de chuva e um arco-íris maravilhoso se arqueava por toda o prado. As flores pegaram rapidamente e em um momento o prado e os arbustos e as árvores explodiram em cores. Todas as cores do arco-íris foram usadas…. e cada tipo de flor tinha a sua cor e o seu perfume, exceto algumas que não prestaram atenção e, portanto, não conseguiram agir até que toda a cor tivesse desaparecido e não restasse um cheiro de perfume celestial. Até hoje elas têm que permanecer brancas e algumas simplesmente não têm cheiro algum. A moral é que:

‘Quando a Mãe fala, a pessoa fará bem em prestar atenção e fazer o que lhe for dito o mais rápido possível’.

O Pai escolheu um hibisco vermelho para a Mãe e ela o usava no cabelo de um lado, logo abaixo da coroa de estrelas. A Mãe então encontrou um trevo com quatro folhas e colocou-o na lapela do Pai. ‘Para lhe dar a sorte dos Irlandeses em fazer o pequeno Adão e a pequena Eva,’ ela disse. ‘Agora, o que você disse sobre plantas para fazer fibra branca para fazer fraldas?’

‘Vamos dar uma olhada’, disse o Pai e eles deixaram o prado e encontraram várias plantas, uma das quais tinha grandes cápsulas redondas. O Pai pegou uma e abriu. Embalado bem dentro com várias sementes estava o algodão. ‘Tudo de acordo com o plano’, disse o Pai com satisfação. ‘Isso é muito melhor do que o algodão do choupo. Agora, se nós pudermos encontrar criaturas que possam ser pressionadas a fiar e tecer o algodão, nós estaremos quase prontos para Adão e Eva.’

‘Enquanto eu penso nisso’, disse a mãe, ‘como vou conseguir orifícios nas minhas agulhas de espinhos para a linha quando eu conseguir linha?’

‘Perfuradores’, disse o Pai. ‘Eu planejei vários tipos. Eu ficarei de olho em um bom com um bico duro que possa perfurar os orifícios da maneira correta.’

O Pai apontou para algumas plantas botões de ouro e prímulas veris crescendo na grama. ‘Ambas são da cor certa – amarelo brilhante’, disse ele. ‘Muito inteligente para escolher a cor certa para combinar com os seus nomes. E, com eles aqui, nós devemos estar chegando perto de onde as vacas saíram do mar.’

Eles seguiram em frente e encontraram um caminho ao lado de um belo riacho que corria em direção ao oceano e logo começaram a ver cabras e ovelhas e vacas e touros e búfalos. O touro búfalo veio, fazendo um grande show de começar a capturá-los, mas a Mãe enviou uma mensagem telepática para ele e disse: ‘Comporte-se. Você não pode nos enganar. Além disso, nós somos os seus amigos.’ O búfalo estava sempre muito envergonhado. Ele ficou com o rosto vermelho e até hoje a sua juba está bastante vermelha. Em seguida, um touro com chifres longos e afiados veio investindo contra eles. O Pai deu um passo em direção a ele, dizendo: ‘Espere, filho. Essa não é uma luta de touros. Você pode guardar isso para os momentos em que Adão brincará com vocês e mostrará o que acontece com os touros que têm maus modos.’

A Mãe apontou: ‘Claro, há aquela Pequena Sereia que eu vi lá embaixo no mar. Aquela que você planejou em parte e depois decidiu que não poderia ser humana e ainda viver metade na água e metade fora.’ Ela procurou o fio adequado e enviou uma mensagem telepática de uma saudação amigável para a Pequena Sereia, que estava sentada na margem do córrego, jogando a água nervosamente com o rabo. Ela tinha uma linda concha do mar em uma mão e estava bebendo leite dela. Por outro lado, ela tinha o focinho de um cabrito que estava compartilhando o seu café da manhã.

‘Eu estou muito bem, obrigada’, ela enviou uma mensagem telepática em resposta à saudação da Mãe, pois, como todos nós sabemos, apenas os humanos podem se comunicar com linguagem e quando Adão e Eva foram criados, eles não podiam falar até eles terem ganho um pouco de coisas próprias do SEGUNDO GRAU para combinar com as coisas próprias do PRIMEIRO GRAU com que todas as criaturas vivas começam.

O Pai disse: ‘Eu penso que essa sereia é uma resposta à oração’.

‘Oração para quem?’ perguntou a Mãe. ‘Toda oração não tem que vir até nós? Há mais alguém a quem ela possa ir?’

‘Eu estava apenas emprestando uma linha que ouvi Adão falar ao olhar pelo Telescópio do Tempo, disse o pai. ‘O que quero dizer é que a Pequena Sereia parece ser exatamente o que nós precisávamos.’ Ele se virou para ela e disse de uma maneira telepática muito paternal: ‘Onde você conseguiu o seu leite, Pequena Sereia?’

‘Das cabras dóceis que pastam atrás daqueles arbustos’, respondeu a Pequena Sereia. ‘Elas são muito mansas e muito bondosas. E eu trago para elas água salgada todos os dias do oceano em minha concha, você sabe. Elas AMAM sal.’

O Pai virou-se para a Mãe e disse: ‘Você está pensando o que eu estou pensando?’

‘Sim, eu penso que pode ser’, disse a Mãe. ‘Mas isso não seria contra uma de suas Leis fazer uma Leiteira de uma Sereia apenas para obter ajuda na ordenha de cabras para obter leite para o bebê Adão e Eva?’

‘Não exatamente contra a Lei Natural’, explicou o Pai. ‘Você vê, as Sereias são apenas metade reais. A outra metade é história. Se houvesse problemas mais tarde, nós poderíamos fazer algo a respeito. Ele se virou para a Pequena Sereia e enviou uma mensagem telepática: ‘Você gostaria de ser uma criatura da terra e deixar o caminho todo para viver na terra?’

‘Isso pode ser bom’, disse ela, esperançosa. ‘Se eu pudesse trocar o meu rabo por pernas e pés para poder andar.’ Ela espirrou na água e disse: ‘Você já tentou andar no rabo de um peixe como o meu? Eu não acho que isso pode ser feito.’

A Mãe trocou olhares com o Pai, depois disse à Pequena Sereia: ‘Minha querida, se nos fizeres um grande favor, damos-te um belo par de pernas e pés’.

‘Eu ficarei feliz em tentar ajudar. O que você quer que eu faça?’

O Pai disse: ‘Sente-se bem quieta e inspire quatro respirações profundas e lentas, depois mais quatro e depois mais quatro. Sim, apenas assim. Mais algumas vezes enquanto a Mãe e eu dizemos algumas palavras mágicas. (As palavras foram sussurradas e uma imagem-pensamento feita de pernas e pés.) De repente, a cauda desapareceu e a Pequena Sereia se levantou e começou a dançar. Ela ficou encantada.

A Mãe disse: ‘Espere um momento, criança. Você é quase como uma garota humana e, por isso, precisará ficar bonita com algumas roupas.’ Ela puxou um pouco de grama macia da margem do riacho e fez uma saia de grama fina. Então ela colheu flores e fez um colar com elas para usar no pescoço. — Pronto — disse ela quando terminou. ‘O seu título agora será ‘A primeira Leiteira [gracejo com as palavras em inglês Milkmaid e Mermaid] do Mundo’. Em breve nós vamos criar alguns bebezinhos humanos que serão muito pequenos e indefesos e que não terão mães para cuidar deles e alimentá-los.’

‘Eu amarei ajudar a cuidar dos bebês’, disse a Pequena Sereia. ‘Eu até pego crianças emprestadas para elas brincarem. As crianças são companheiras maravilhosas para brincar.’

‘Então está tudo resolvido, pelo menos por enquanto’, disse o Pai. Ele apontou, dizendo: ‘Está vendo aquela colina ali? A nossa casa fica logo atrás com um belo prado. Leve o seu rebanho de cabras até lá e pratique a sua ordenha. Não demorará muito para que nós precisemos de você.’

‘Eu irei ao mar todos os dias buscar água salgada para as cabras’, disse a Pequena Leiteira, ‘e trarei muitas conchas para o leite’. Com isso ela chamou as cabras e partiu com elas para encontrar a casa e o prado.

O Pai e a Mãe atravessaram para o próximo vale e, no caminho, encontraram várias plantas que subiam pelas rochas e até pelas árvores. A Mãe parou para examiná-las e disse alegremente: ‘Aqui está a minha invenção, mamadeiras crescendo em trepadeiras-caracol!’

O Pai olhou para o que ela tinha escolhido. ‘Uma cuia! Uma das minhas cuias!’ ele disse. ‘Por que, é claro! Corte um buraco na extremidade inferior e sacuda as sementes. Acho que vejo um sobreiro [árvore que pela casca espessa se extrai a cortiça do comércio] ali e, com rolhas, você só vai precisar de um buraco na ponta por onde pode sair o leite para os bebês.’

‘Eu já descobri como fazer um bico para passar por cima da ponta pequena da garrafa de cuia’, disse a Mãe. ‘No mar, as plantas de algas fazem pequenas bolas verdes de borracha e as enchem de ar para manter as plantas flutuando. Cortados em dois, eles farão bicos finos para as mamadeiras. Agora, se nós pudéssemos encontrar uma maneira de fazer o tecido de algodão para as fraldas, nós estaríamos quase prontos para criar os bebês.’

Eles continuaram e, quando eles chegaram ao próximo vale, eles viram que era aquele em que os pássaros viviam. O Pai pegou o seu pacote de planos e passou por eles. ‘Aqui está’, disse ele, selecionando um plano. ‘Com sorte, nós poderemos encontrar alguns pássaros tecelões aqui. Você enviará uma chamada?’

A mãe separou os fios sombrios das cordas do avental e encontrou os corretos. ‘Venham aqui, todos os pássaros tecelões!’ ela enviou uma mensagem telepática.

Eles quase não tiveram que esperar muito tempo, pois bem acima de suas cabeças, nos galhos mais baixos de uma árvore, veio um coro de gorjeios em resposta. Desceu uma dúzia de belos pássaros tecelões. Olhando para cima, o Pai encontrou o seu grande ninho. Foi tecido cuidadosamente com grama e tinha espaço para vários ninhos. A abertura da porta estava na parte inferior. Ele apontou para a Mãe.

‘Maravilhoso!’ ela chorou. ‘Belamente tecido! Se eles podem usar algodão e tecer assim, nós podemos ter fraldas.’ Ela juntou os pássaros tecelões ao redor deles e correu para explicar o problema das fraldas e o que eles queriam. Os pássaros ficaram muito orgulhosos de serem chamados para ajudar e com alguns pica-paus convidados a bicar os capulhos de algodão, eles partiram para encontrar algodão para colher para que a tecelagem pudesse começar.

Uma grande aranha cinzenta tinha estado observando de onde ela estava sentada no meio de uma teia fina que estava tecida entre três pequenos galhos. Ela pulou para cima e para baixo e sacudiu a teia animadamente para atrair a atenção da Mãe e, quando a notou, enviou uma mensagem telepática: ‘Por favor! Nós não podemos ajudar’? Olhe para a bela teia que teci e todos as minhas amigas são tão boas em fiar e tecer!’

‘Claro!’ disse a Mãe. ‘E eu vejo que você tece um adorável fio suave que é muito forte. Ele aguenta ser lavado na água?’

‘Chove e não encolhe nem um pouco’, disse a Sra. Aranha com orgulho. Se você nos disser qual a força do fio que deseja, teceremos fios leves juntos e faremos o que você precisar. Olhe!’ Ela desceu de sua teia e teceu um fio tão fino que mal podia ser visto, mas que era tão forte. Ele saiu de sua boca e quando ela o estendeu, ele caiu direto no chão. Lá ela parou por um momento, então subiu o fio para sua teia para mostrar o quão forte até mesmo o fio mais fino da teia de aranha era feito. A Mãe e o Pai bateram palmas e disseram: ‘Bravo!’

O Sr. Aranha, que era muito menor, mas muito digno, enviou uma mensagem telepática da borda da fina teia de sua esposa. ‘Eu também sou um grande fiadeiro’, disse ele com orgulho.

‘Ah, cale-se!’ repreendeu a Sra. Aranha. ‘Tudo o que você pode tecer são grandes fios – e nenhum deles jamais foi lavado sem se desmantelarem em uma confusão de mentiras.’

O Sr. Aranha suspirou telepaticamente e disse: ‘Bem, se você precisar de alguém para entretê-la e contar algumas histórias, é só me avisar.’

‘O seu problema’, disse o pai, ‘é que você se esquece de começar as suas histórias dizendo: ‘Agora eu vou te contar uma história’, ou dizendo: ‘Era uma vez. (E o Sr. Aranha nunca mais esqueceu depois disso, nem os humanos – caso contrário, logo nós somos chamados de ‘mentirosos’ por nossos inimigos e quase nós NÃO teremos amigos.)’

Logo os pássaros tecelões começaram a chegar com bicos tão cheios de algodão que mal conseguiam cantar uma nota de sua canção de tecelão. A Velha Vovó Pássaro Tecelão havia assumido o comando e chamado todos os pássaros tecelões de todo o vale – e havia um bom número deles. Eles escolheram árvores com galhos retos e enquanto uns traziam algodão, outros começaram a tecer. No início, eles não sabiam exatamente o que tecer, mas a Mãe ficou ao lado e instruiu. Inicialmente, eles fizeram um pano fino de tecido de algodão (morim), mas eles foram orientados a torná-lo muito mais grosso. Da próxima vez que eles tentaram, fizeram uma toalha Turca, mas como ainda não havia Turcos, eles acertaram no erro. Logo a Vovó Pássaro Tecelão pegou o jeito e produziu uma fralda que era grossa e fofa e na medida certa. ‘Enrole a teia e depois a urdidura de um lado para o outro’, ordenou ela e logo tudo ficou bem. Como mágica, as fraldas começaram a tomar forma.

‘Quantas nós devemos fazer?’ perguntou Vovó Pássaro Tecelão, sua boca tão engraçada de algodão que ela mal conseguia enviar uma mensagem telepática de sua pergunta.

A Mãe pensou nisso. Como os pássaros não podem contar muito bem, ela teve que encontrar outra maneira. ‘Faça uma pilha dessa altura’, disse ela, segurando a sua linda mão no ar. ‘Isso servirá para o início e depois nós podemos fazer mais, se necessário. E, sugiro que, quando você as tiver tecidos, as espalhe sobre os arbustos ao sol por um dia para deixá-las branquear. Se chover, espalhe-as cuidadosamente para secar e, quando tudo estiver pronto, voe com elas sobre aquela colina que você vê ao longe. Lá você encontrará uma casa com uma janela aberta na lavanderia. Coloque as fraldas no chão em uma pilha arrumada e muito obrigada a todos vocês. Como recompensa, todos vocês receberão ingressos para a temporada para se empoleirarem nas árvores perto da casa e assistirem ao show quando nós criarmos o pequeno Adão e a pequena Eva. Você também pode ver como as fraldas são colocadas …. e quão úteis eles são. (E foi assim que alguns pássaros conseguiram ingressos para a temporada e porque, quando os humanos estão fazendo coisas, eles possam pousar ao redor e verem o que está acontecendo. Quando você vê um pássaro com algodão na boca voando perto de sua casa, você pode ter certeza de que é um que espera ser chamado para fazer alguma tecelagem.)

‘Vamos seguir aquele caminho até o vale e ver o que há’, sugeriu o Pai. À medida que avançavam, ele disse ansiosamente: ‘Eu fiquei me perguntando se é ou não uma boa coisa distribuir recompensas para as criaturas cada vez que elas fazem um trabalho corretamente’.

A Mãe considerou o assunto e fez uso de sua grande sabedoria. ‘Eu não sou uma Comunista do século 20’, disse ela, ‘nem você deveria ser. Está tudo bem dizer: ‘Trabalhar pelo bem do trabalho’, mas pelo que tenho visto ao olhar para frente no tempo, uma pequena recompensa é uma grande ajuda, seja dada ao homem ou ao pássaro.’

‘Talvez eu esteja errado’, admitiu o Pai. ‘Eu tenho tentado consertar as coisas para que o trabalho em si seja uma recompensa suficiente. Mas Eva é um problema. Na melhor das hipóteses, eu não consigo encontrar uma maneira de fazê-la pular de alegria ao ver uma pia cheia de pratos sujos três vezes ao dia.’

‘Você não pode fazer Adão com um desejo embutido de ajudar com os pratos?’ perguntou a Mãe.

‘Não, ainda não. Cada vez que eu tento, resulta em meus planos que, depois do jantar, ele consegue pousar em sua poltrona com o jornal da noite. Mas eu não desisti. Talvez eu possa seguir o seu sistema e encontrar alguma recompensa para oferecer a ele por secar os pratos para Eva, se nada mais.’

‘Tente enchê-lo de amor, compreensão e simpatia’, disse a Mãe. ‘Isso cobriria infinitas outras falhas em sua natureza. Pela minha parte em criá-lo, eu pretendo tentar construir um bom pacote de gentileza e compaixão, não tanto quanto Eva, mas pelo menos um pouco.’

ONDE O CAÇÃO E O BAGRE FORAM

Subindo mais ao longo do vale, eles chegaram a um lugar onde ele se alargava e viram os cornisos em plena floração enquanto no chão a erva-dos-gatos crescia espessa.

‘Deve haver cães e gatos, ou membros de suas famílias por aqui’, disse o Pai. ‘Eu verei se consigo chamar alguns cães.’ Ele deu vários assobios altos e eles esperaram. Logo houve uma grande correria nos matagais e cães de todos os tipos vieram velozmente. Havia cachorros grandes e pequenos e de todas as cores, mas cada um deles estava cheio de alegria e excitação. ‘Eles devem pensar que nós somos Adão e Eva’, disse o Pai. Ele acariciou as cabeças e coçou atrás das orelhas. A mãe pegou um cachorrinho gordo e marrom e cuidadosamente removeu um carrapicho do cabelo comprido em sua orelha. Os cães fizeram pequenos gemidos de alegria e mostraram que eles estavam todos prontos para seguir em frente.

‘Ainda não,’ a Mãe enviou uma mensagem telepática. ‘Nós não somos Adão ou Eva, mas eles estarão juntos em breve e então nós transmitiremos para vocês. Vocês descobrirão que eles são os melhores amigos do cachorro.’

‘Vocês fizeram muito bem’, elogiou o Pai, ‘e como recompensa nós lhe daremos um belo latido que será todo de vocês. Agora respirem fundo e preparem-se. Vou dar o sinal e então tentem latir.’ Eles acenaram com a cabeça para a Mãe e eles se juntaram ao trabalho, dizendo uma palavra mágica que soava como ‘Au-au’ e quando o Pai levantou a mão, todos tentaram e saiu a mais surpreendente variedade de latidos. Havia latidos grandes e profundos, latidos médios e latidos pequenos e suaves e afiados. Mas cada latido era inconfundivelmente o de um cachorro.

O Pai riu e ergueu as mãos para silenciá-los enquanto enviava uma mensagem telepática: ‘Bom! Está bem. Agora voltem para a vossa caça e nós transmitiremos para vocês em breve.’

Os cães foram obedientes e logo os seus latidos podiam ser ouvidos por toda parte.

A mãe disse curiosamente: ‘Eu entendi que o homem será o melhor amigo do cachorro, certo? Parece-me que havia algo de errado com isso.’

‘Você conseguiu levemente uma mudança’, disse o Pai. ‘Isso deveria ser: ‘O cachorro é o melhor amigo do homem’, mas funciona nos dois sentidos, então nenhum dano foi causado.’

Subindo o vale, chegaram a um lugar onde um grande animal estava rolando em uma cama de erva-dos-gatos.

‘Eu devo tentar fazer uma chamada?’ perguntou a Mãe. O Pai concordou com um sorriso que ela deveria, então ela procurou os fios sombrios certos nas cordas do avental e enviou uma mensagem telepática: “Bichano, Bichano, Bichano!’

Houve uma agitação debaixo de uma árvore próxima e um belo leão grande se levantou e veio preguiçosamente em direção a eles. O Pai olhou para o maço de planos e disse: ‘Sim, um leão’. Ele enviou uma mensagem telepática: ‘Bom dia, Sr. Leão. Eu espero que você e sua esposa e família estejam bem?’

‘O suficiente’, respondeu o Sr. Leão, ‘a menos que você queira dizer que minha esposa não me entende muito bem. No entanto, eu faço de contas.’ Ele se aproximou e ronronou um pouco enquanto a Mãe coçava as orelhas dele.

O Pai disse: ‘Há outros gatos por aqui? Outros tipos? Alguns grandes e alguns pequenos?’

‘Claro’, disse o Sr. Leão. ‘O vale está cheio deles. Mas eles são mais espertos do que se aproximarem demais de mim. Eu sou o chefe por aqui.’

‘Você poderia fazer com que alguns dos outros viessem até nós para que nós pudéssemos vê-los?’ perguntou o Pai.

‘Bem, já que você pergunta, eu suponho que posso,’ disse o Sr. Leão. ‘E tenho feito um bom trabalho expulsando-os desse pedaço de chão, então eu devo ser capaz de persegui-los. Suponha que você fique aqui e faça assobios em voz alta enquanto eu reúno alguns deles. Não sei se consigo trazer o Velho Dentes-de-Sabre, mas se conseguir encontrá-lo, eu trarei apenas ele ou um pedaço de sua pele de coro. Ele odeia que eu seja o chefe dele e ele é um gato razoável para o seu tamanho.’ Com isso, o Sr. Leão logo galopou por entre as árvores, enquanto a Mãe continuava a chamar: “Bichano, Bichano, Bichano!’, gatos de todos os tipos começaram a chegar. Havia gatos domésticos de todas as cores do amarelo ao preto e cinza e malhado. Havia gatos selvagens, leopardos e gatos-civetas que realmente cheiravam muito a civetas [(?)cheiro de café que elas ajudam a produzir, por meio da deglutição e da excreção de grãos de café].

Não muito longe, surgiram os sons da batalha, com rugidos e berros. Uma nuvem de poeira se ergueu e, de repente, fez-se silêncio. Logo o Sr. Leão voltou, mancando um pouco e coberto de poeira e pedaços de grama.

Ele sacudiu a si mesmo e sentou-se para descansar. ‘Aquele tigre, Velho Dentes-de-Sabre, vai chegar em breve,’ ele disse. ‘No começo ele se recusou a vir, mas isso não lhe adiantou nada. Em uma luta ele sempre toma a ofensiva com a esquerda e deixa a sua mandíbula de vidro aberta. Você sabia que ele tinha uma mandíbula de vidro instável, não sabia? Assim, ele pode abrir mais a boca e usar os seus dentes longos. Ele deu um beliscão na minha pata traseira esquerda, mas eu acertei um cruzado de direita em sua mandíbula e ela estalou como um chicote. Isso ainda mais lançou a sua calda desestabilizada em três regiões. Ele virá assim que tirar o queixo da nuca. Sim, lá vem ele agora.’

A Sra. Leão estava ouvindo. Ela disse. ‘Sempre se gabando! E olhe para você! Todo empoeirado e sujo justamente quando nós tínhamos companhia.’

‘Vê o que eu quero dizer?’ disse o Sr. Leão ao Pai. ‘Ela simplesmente nunca me entende ou o que tem que ser feito para manter a ordem no vale. Eu espero que você entenda.’

‘Nós certamente entendemos!’ disse o Pai com entusiasmo. ‘E só para mostrar isso, nós vamos recompensá-lo com um título que você e seus filhos podem levar ao longo dos anos. AGORA EU O PROCLAMO O REI DOS ANIMAIS!’

O Sr. Leão lançou um olhar triunfante para a sua esposa, mas ela apenas fungou e virou-se para dar um tapa na cara de uma grande pantera negra que estava saindo da linha e agindo como se estivesse planejando fazer uma refeição da Mãe.

‘Então está tudo resolvido,’ disse a Mãe, agradecendo a Sra. Leão com a cabeça. Mas então eles foram interrompidos pela chegada do Velho Dentes-de-Sabre. Ele mal conseguia andar e a sua calda fazia um zigue-zague, com três juntas para fora. A pantera negra se moveu para dar lugar a ele e ele caiu desanimado no chão, movendo a mandíbula de um lado para o outro para conseguir com que os seus longos dentes da frente fossem alinhados novamente. Ele não disse nada e o Pai não tentou puxar conversa com ele, pois ele percebeu que quando a calda de alguém está desestabilizada em três regiões, há muito pouco a dizer.

A Mãe disse: ‘Em alguns dias, nós chamaremos através de você um ou dois gatos domésticos, se você puder dispensá-los. A nossa casa fica atrás de uma colina lá atrás e nós não precisamos ser invadidos por ratos.’

‘A qualquer momento’, disse a Sra. Leão, ‘É só dizer e eu encontrarei um bom caçador de ratos.’

Depois de agradecer aos gatos por terem vindo vê-los, o Pai e a Mãe se despediram e voltaram para o vale e para sua casa.

ONDE O PEIXE BOI FOI

Naquela tarde, depois do almoço e da soneca, o Pai sugeriu que fossem à praia ver se a Velha Mãe Baleia sabia para onde o Peixe Boi tinha ido ao sair da água.

Eles foram e, com certeza, a Velha Mãe Baleia sabia. Ela jorrou uma precisa corrente de água inclinada para a esquerda e enviou uma mensagem telepática: ‘Os Peixes Boi foram todos para aquele caminho à esquerda de sua colina e casa. Basta seguir essa trilha e as cascas de nozes e lixo e vocês certamente encontrarão alguns. Eles sempre jogam lixo por aí, não importa para onde eles vão.’

‘Eu lhe agradeço a gentileza’, disse o Pai. ‘Você já emagreceu um pouco?’

A Velha Mãe Baleia suspirou e jorrou água incerta. ‘Bem, eu não sei se posso dizer exatamente que eu tenha emagrecido. Por um tempo eu desisti de lulas e até de alguns outros tipos que engordam, mas você sabe como é quando você tem que trabalhar tanto…’

‘É claro.’ disse o Pai confortavelmente. ‘Não se preocupe. Nós gostamos de nossas baleias gordas. Por favor, dê o nosso amor os seus filhotes.’

O caminho passava por um grande bosque de palmeiras e descobriu-se que o chão estava coberto de cascas. O Pai olhou para os seus planos e disse: ‘Coco. Os filhos do Peixe Boi devem vir aqui com frequência para pegá-los.’ Ele apontou enquanto eles seguiam pelo caminho e comentou: ‘Eles certamente jogam lixo ao redor. Não arrumado e agradável como os outros animais que nós temos estado visitando.’

O sol estava brilhando muito quente e a Mãe parou para olhar para o céu. Assim como ela esperava, havia a Pequena Nuvem acompanhando – apenas em caso de precisar. Mas era fácil ver que ela não esperava que eles fossem dar um passeio. Ela virou o seu arco-íris de cabeça para baixo e estava meio cheio de água da chuva. Ela não sabia muito bem o que fazer com isso, assim ela tinha acabado de chegar do jeito que ela estava.

‘Ah, aí está você, Pequena Nuvem!’ A Mãe enviou uma mensagem telepática. ‘Você poderia, por favor, flutuar acima de nós e fazer um pouco de sombra? Está muito quente hoje.’

‘Tempo de aguaceiro’, acrescentou o Pai. E a Pequena Nuvem estremeceu e segurou a sua bacia de arco-íris de água com todas as suas forças enquanto se movia para fazer sombra.

Logo eles chegaram a um lago e ao longo das margens havia exatamente o que o Pai estava aguardando, os PEIXES BOI filhos do Peixe Boi. Eles estavam por toda parte. Nas árvores e vindo de cavernas nos penhascos acima do lago. Eram de várias cores, do preto ao cinza e não tinham cabelo, exceto na cabeça. Eles fediam muito e quase todos carregavam grandes porretes e tinham cintos de pele em volta da cintura para segurar grandes adagas de osso que pareciam ter sido feitas dos ossos da perna de antílopes com as pontas afiadas nas rochas para polimento e que pudessem ser usadas ​​como punhais. O Pai balançou a cabeça em dúvida. Eles não eram muito promissores. Mesmo quando eles se aproximaram, eles viram que um ringue havia sido feito e dois grandes machos pretos estavam brigando. Os que comandavam o show cobraram um coco de cada um pela entrada no ringue e estavam batendo em todos aqueles que não trouxeram ingressos para afastá-los.

‘Isto fazia parte do seu plano?’ perguntou a Mãe ao ver um preto homem-macaco bater no outro com o seu grande porrete e ouviu enquanto todos na plateia, especialmente as fêmeas, gritavam, aplaudiam e batiam palmas.

‘Eu suponho que isso precisava ser’, admitiu o Pai. ‘Eu não tracei as regras muito de perto para a sua mudança de Peixe Boi para o homem.’ Ele escutou enquanto todos ao redor do ringue enviavam mensagens telepáticas: ‘Mate-o! Mate-o!’ e assisti enquanto um dos peixes boi preto derrubou o seu taco na cabeça do outro e o derrubou na galeria oeste… ‘Madison Square Gardens [uma arena coberta multiuso na cidade de Nova York] e Ali Muhammad vs Qual é o Nome dele’, disse o Pai pensativo.

“Assim como eu vi pelo Telescópio do Tempo. Eu tenho medo de ter deixado os meus planos muito abertos. Essas criaturas fedorentas e quase nuas não são nada do que eu tinha em mente. Aposto que são bandidos, mentirosos e ladrões. Alguns dos que estão ao redor do ringue coletando cocos parecem membros da Mão Negra [Black Hand, crime organizado nos Estados Unidos] e vários podem muito bem ser os ancestrais dos políticos corruptos.’ O Pai enfiou a mão no bolso grande e tirou o kit de vacinação e pequenos frascos para poder começar a dar injeções nos homens-macacos. Ele explicou à mãe: ‘Eu duvido que funcione, mas logo nós veremos’.

‘O que você pretende fazer?’ perguntou a Mãe enquanto o observava encher a seringa e espremer o ar para fora da ponta da agulha.

‘Eu darei a eles injeções’, disse ele. ‘As injeções são Coisas do EU do Segundo Grau. Eu a recolhi depois que ela passou por uma dúzia de vidas no nível animal como Eu do Primeiro Grau. Se eu puder reforçá-la nesses homens animais para dar-lhes um segundo EU ou alma ou espírito – um que possa pensar melhor e raciocinar – eu posso economizar vários milhões de anos ao transformá-los de peixes em homens reais.’ Ele enviou uma mensagem telepática para a multidão barulhenta ao redor do grande lutador e disse: ‘Todos vocês venham e fiquem na fila para pegar suas injeções. Será apenas uma pequena picada e vocês são todos sujeitos durões. Vamos lutador premiado, você é o primeiro.’

‘Eu?’ enviou uma mensagem telepática o grande homem-macaco preto, começando a tremer de medo. ‘EU não! Você não pode Me selecionar! Eu sou o maior! E eu sou um pregador e homem de paz! UMA INJEÇÃO pode me matar. Dê a um daqueles macaquinhos brancos. Eles não são nenhuma perda, mesmo se você matar muitos deles.’

‘Isso é algo que todos os bons Maometanos [os Muçulmanos ou Maometanos estão entre as primeiras pessoas a acreditar na ideia da vacinação] devem ter feito a eles e não faz mal’, disse o Pai. ‘Mostre o cara durão que você é e venha e tome a sua injeção.’

O grande macaco veio, ainda meio assustado e o Pai enfiou a agulha no traseiro dele rapidamente e apertou. O homem-macaco ergueu-se no ar com um grito selvagem e disparou para o grupo de árvores mais próximo, berrando de terror.

‘Que campeão!’ sorriu o Pai. Ele pegou um pequeno macaco pela nuca suja e em um momento ele também se levantou gritando no ar e pousou correndo. Assim foi com toda a fila, mas depois que a última estava terminada, um velho de longa barba branca se recusou a vir. Ele estava em uma jangada de grandes troncos no lago e continuou enviando mensagens telepáticas: ‘Não… ah! Não… ah! Não… ah! Então o Pai deixou ele ir e guardou a seringa.

‘Você ouve alguma coisa da floresta que soa como uma palavra?’ perguntou o Pai enquanto ele se inclinava para a frente, a mão em concha no ouvido para ouvir.’

‘Nem uma única palavra’, disse a Mãe. ‘Mas por que você pergunta? Você esperava que eles começassem a falar com palavras depois de tomar as injeções?’

‘Não, eu realmente não esperava isso. Mas eu só esperava que a injeção pudesse funcionar com um ou dois deles. Você sabe que só os homens que têm uma boa dose da Coisa do Eu de Segundo Grau podem falar com palavras, é claro.’

‘Eu quase tinha esquecido’, disse a Mãe. Eles ouviram um pouco mais, então estavam prestes a desistir, quando da floresta surgiu um exército regular. Todos os homens-macacos estavam armados com os seus porretes e adagas e, liderados por um velho macaco cinza, corriam para atacar o Pai e a Mãe.

‘Ah, meu Deus’, disse o Pai com aborrecimento. Ele ergueu um dedo divino para lhes dar um gostinho da Ira Divina, mas a Mãe empurrou a sua mão para baixo e disse: ‘Deixe-me lidar com isso do meu jeito’. Ela olhou para a Pequena Nuvem e enviou uma chamada telepática: ‘Esvazie a sua tigela de água sobre eles, minha querida. E os toque com um pouco de relâmpagos. Não muito quentes!’

A Pequena Nuvem estava bem acima dos homens-macacos que avançavam. Ela virou o seu arco-íris e fez uma pequena tempestade que era realmente algo para se ver. Isso apanhou cada um dos culpados e lavou todo os trajes e as muambas deles direto para o lago. Logo em seus calcanhares, a Pequena Nuvem pulverizou relâmpagos e, enquanto isso, ela trovejava tão alto que fez as colinas tremerem.

No lago o Velho Não … ah! [gracejo com ‘No … ah!’ na língua Inglesa para a Arca de Noé] ajudou-os a sair da água em sua jangada, um por um. Acima, a Pequena Nuvem sacudiu-se e assumiu a sua posição para fazer sombra. Ela estava tão orgulhosa que mal conseguia se conter.

‘Isto’, disse o Pai, apontando para os agora muito mansos homens-macaco na jangada, ‘é o que nós ouviremos sobre séculos a partir de agora, quando os homens escreverem a história de Noé e de sua Arca. …. Mas nós vamos subir o vale e ver que outros animais nós podemos encontrar. Os cabeças-duras e teimosos serão de pouca utilidade para nós. Nós teremos que começar do início e fazer o pequeno Adão e a pequena Eva do zero’.

A Mãe estivera enviando mensagens telepáticas de elogios para a Pequena Nuvem e agora eles seguiram juntos pelo caminho. Contornava o lago e os levava a outra parte do grande vale. Ali, o Pai parou para examinar uma bela árvore. ‘É uma árvore da chuva (chorona)’, disse ele. ‘Nós devemos estar no território dos macacos agora, ou em breve nós estaremos.’

À medida que eles avançavam, a Pequena Nuvem virou o seu arco-íris de forma muito importante e cuidadosamente o encheu com água da chuva para que ela estivesse pronta no caso de ser novamente chamada para ajudar. Algumas das nuvens maiores estavam flutuando à distância para observar e metade delas estava verde de inveja – o que é uma cor muito ruim se houver arco-íris a ser feito e as cores não devem ser todas misturadas com o verde e transformadas em marrom ou cinza.

A Mãe encheu o bolso do avental com amendoins antes de sair de casa e agora estava pronta para ser a anfitriã de uma festa de recepção real – um Evento realmente Social, pois os Chimpanzés são animais muito corretos e sociais. Eles foram recebidos com altas conversas de prazer e a Velha Mãe Chimpanzé do grupo desceu carregada de polidez e ameixas selvagens.

A Mãe e o Pai enviaram mensagens telepáticas com as suas saudações e agradeceram à Velha Mãe Chimpanzé por seu presente, então deram a cada um dos vários chimpanzés um amendoim. A Velha Mãe Chimpanzé pegou um neto pequeno e deu para a Mãe segurar. Ela então pegou a mão do Pai e, enquanto tagarelava a melhor conversa fiada, o conduziu pelo caminho para a Vila dos Chimpanzés. Lá eles encontraram inúmeros Chimpanzés e a recepção tornou-se um evento social que teria feito a primeira página do Society News [Novidades da Sociedade] em todos os jornais locais – se houvesse algum jornal… o que, é claro, ainda não havia.

O Velho Chimpanzé se apresentou a todos e então enviou uma mensagem telepática, educadamente: ‘Vocês estão apenas passando ou vieram especialmente para nos visitar?’

A Mãe explicou por que eles tinham vindo, mas disse, é claro, que a visita deles era especialmente para ver o Povo Chimpanzé. Então ela explicou que em breve eles estariam criando alguns bebês e, como não teriam mães, precisariam muito de ajuda para amamentá-los e criá-los. ‘Você poderia nos fazer um grande favor, se puder ajudar’, disse a Mãe.

A Velha Mãe Chimpanzé ficou encantada. ‘Se você tem amendoins em sua casa, eu posso dar a você toda a ajuda que você puder utilizar,’ ele enviou uma mensagem telepática.

‘Um grande jardim cheio de amendoins’, disse o Pai. E toda uma plantação de belas bananeiras logo adiante. Na praia você pode colher cocos e tenho certeza de que você vai adorar o trabalho e os bebês e tudo mais.’

A Mãe disse, de maneira prática: ‘Escolha-nos cerca de uma dúzia de chimpanzés fêmeas mais velhas – aquelas que criaram as suas famílias e que sabem muito sobre os pequeninos. E faça com que tragam os seus maridos. Nós vamos precisar de uma equipe e tanto.’

Assim, foi rapidamente organizado e o horário foi definido como o ‘Dia depois de amanhã’.

A Velha Mãe Chimpanzé foi com eles visitar outros macacos e símios do vale e eles tiveram uma tarde tão social como se tivessem bebido um barril de chá e comido dez potes de biscoitos.

Todos foram muito simpáticos e ainda bem que o bolso do avental da mãe era do tipo mágico que se auto enchia, senão os amendoins não teriam durado dez minutos. O povo gorila era especialmente amigável e queria vir junto com os chimpanzés para amamentar os novos bebês prometidos, mas como eles eram muito grandes e não conheciam a sua força, a sua oferta teve que ser recusada. Os macacos, grandes e pequenos, entretidos fazendo travessuras e mostrando como eles faziam macaquices, perseguindo uns aos outros pelas copas das árvores e fazendo balanços de trepadeiras fortes. Quando a tarde acabou, todos votaram que eles nunca tinham se divertido tanto ou provado refrescos tão bons.

Voltando para casa, a Mãe chamou a Pequena Nuvem e enviou uma chamada telepática: ‘Minha querida, você vai flutuar adiante para ver se é seguro para nós passarmos pelo lugar onde esses horríveis homens-macacos vivem?’

A Pequena Nuvem estava predeterminada e pronta. Ela chamou o Sr. Vento para soprar suavemente na outra direção e seguiu em frente, toda escura e sombria acima de seu arco-íris cheio. Eles chegaram ao local onde o ataque havia sido feito pela manhã e pararam para ver o que estava acontecendo.

O Velho No… ah ainda estava em sua jangada no lago, mas o resto dos homens-macacos desembarcaram e estavam alinhados diante de suas cavernas. Eles estavam armados com pilhas de pedras para atirar e prontos para correr para dentro de suas cavernas se ameaçados por outra tempestade.

A Pequena Nuvem primeiro esvaziou a água de sua bacia de arco-íris no lago, procurando por tipo radiestesia o bom Velho No.. ah, e então deu um pequeno estrondo de trovão e começou a lançar relâmpagos nos homens-macacos. Isso era tudo o que era necessário.

Com uivos de consternação e agarrando os seus traseiros chamuscados, eles mergulharam em suas cavernas. A Pequena Nuvem estava parada e atirava um relâmpago ocasional aqui e ali apenas para lembrá-los e o Pai e a Mãe caminhavam imperturbáveis ​​e um pouco divertidos. A Mãe estava segurando o lenço sobre o nariz. Ela disse: ‘Aqueles homens-macaco cheiravam mal o suficiente quando estavam molhados, mas agora que estão chamuscados, o cheiro é duas vezes pior’. No entanto, eles logo passaram pelo cheiro e tudo estava bem. A Pequena Nuvem navegou, toda inflada de orgulho, logo acima de suas cabeças para fazer sombra e até sorriu um pouco para as outras nuvens que estavam observando e que agora estavam ainda mais verdes do que nunca de inveja.

Enquanto eles iam, o Pai parava aqui e ali para olhar os canteiros de barro e fazer bolas disso para levar para casa. Havia argila branca, vermelha, marrom, cinza e até preta. O Pai disse: “Nós faremos várias imagens de argila dos bebês e ver qual delas funciona melhor. Se nós não usássemos o barro, as histórias que os Hebreus e os Polinésios contarão mais tarde sobre a criação de Adão e Eva não coincidirão. E, como você sabe, minha querida, realmente faz pouca diferença o que nós usamos, desde que funcione.’

O GRANDE TRABALHO COMEÇA

Na manhã seguinte, o Pai e a Mãe tomaram um bom café da manhã com cereais e leite de cabra que a Pequena Sereia havia preparado. Depois do desjejum, o Pai expôs os seus planos em sua grande bancada de trabalho e começou a se preparar para começar a fazer os pequenos moldes de madeira a serem usados ​​para moldar os bebês em barro. Ele chamou um enxame de abelhas carpinteiras e as colocou para trabalhar cortando a madeira dos moldes com muito cuidado, sempre seguindo exatamente as linhas que o Pai marcava na madeira.

Enquanto isso, a Mãe e a Pequena Sereia terminavam de lavar a louça e colocavam a casa em ordem. Feito isso, partiram juntas para a beira-mar. A Velha Mãe Baleia as viu no minuto em que elas chegaram e veio bufando e jorrando para dizer em sua telepatia: ‘Bom dia’.

A mãe enviou uma mensagem telepática para ela: ‘Não é uma manhã adorável! E a Pequena Sereia e eu achamos que você pode nos ajudar. Você consegue pensar em alguma coisa que nós poderíamos usar para as pequenas banheiras para banhar os bebês que nós estamos prestes a criar? Grandes conchas de moluscos ou carapaças de tartarugas que os moluscos ou as tartarugas pararam de usar?’

‘Isso é fácil’, respondeu a Velha Mãe Baleia. Eu sei onde há uma pilha inteira de conchas deixadas por mariscos gigantes. Apenas espere aqui e eu lhe trarei algumas. Você vai precisar de uma pilha muito alta delas?’

‘Uma pilha tão alta quanto eu’, disse a Mãe, ‘Talvez um pouco a mais, só para garantir.’

A Velha Mãe Baleia nadou e, em menos tempo do que você poderia dizer, ’Pescador’, estava de volta, a sua grande boca cheia de ótimas conchas de mariscos. Ela as trouxe para um lugar onde a água era profunda ao lado de uma rocha e colocou as conchas na rocha acima da maré. Elas ganharam uma pilha de conschas bem grande para a Mãe e a Pequena Sereia carregarem, então a Velha Mãe Baleia enviou uma mensagem telepática em terra para a sua a parente, a Sra. Elefante, contando-lhe o problema. Então antes que você pudesse dizer. ‘Pescador’ lentamente, três elefantes saíram correndo da floresta e atravessaram a praia. Um era a Sra. Elefante, um era o marido dela, e o terceiro era o bebê deles, agora crescido até um tamanho considerável.

Quando os cumprimentos terminaram, o Sr. Elefante empurrou as suas grandes presas sob a pilha alta de conchas de mariscos, equilibrou a pilha no topo com a sua tromba forte e levantou tudo com a maior facilidade. Com a Pequena Sereia e a Mãe liderando o caminho, eles partiram felizes pela trajetória. Logo eles vieram para a casa e os Elefantes receberam os agradecimentos, dando a cada um deles um saco de amendoins e foram convidados a visitar novamente, qualquer dia que não seja tão bom quanto dizer: ‘Venha para o chá na Segunda-feira’. A Pequena Sereia começou a trabalhar para limpar as conchas com areia para que estivessem prontas quando necessário e a Mãe foi ver se poderia ajudar o Pai.

‘Sim,’ ele disse, enxugando a sua nobre testa. ‘Você pode ser de grande ajuda. Eu acho que gastei todo o meu estoque de Coisas do EU do Segundo Grau tentando fazer homens daqueles homens-macacos malfeitores ontem. Você verá se pode enviar chamadas telepáticas e trazer seis EUs masculinos e seis EUs femininos que viveram várias vidas cada um em algum animal inteligente e que agora podem ser tocados pela Graça Divina e preparados para serem adicionados aos pequenos animais Adãos e Evas para que possam raciocinar e FALAR palavras. Este é o teste. Se nós conseguirmos criá-los bem o suficiente e criar um eu [self] animal e humano para ficarem juntos e trabalharem juntos em um corpo, tudo ficará bem.’

‘Você espera que eles sejam capazes de falar imediatamente?’ perguntou a Mãe.

‘Eu não sei. Em um novo experimento como esse, nunca se pode ter certeza. Mas pelo menos eles devem ser capazes de dizer uma palavra ou duas quando tiverem dois ou três anos. E no final desse tempo, se eles não puderem, nós saberemos que nós falhamos e teremos que esperar alguns milhões de anos para que os homens-macacos os alcancem.’

‘Que linguagem os bebês devem usar quando começarem a falar, se eles começarem?’ perguntou a Mãe curiosa.

‘Eu inventei algumas palavras que serão quase as mesmas em qualquer idioma’, respondeu o Pai enquanto media a profundidade de um dos moldes e fazia uma nova marca para as abelhas carpinteiras usarem. ‘<Mamã> e <Papa> e coisas assim. A propósito, você já descobriu uma maneira de fazer alfinetes de segurança para prender as fraldas?’

‘Sim’, disse a Mãe. ‘Ontem à noite eu coloquei alguns dos espinhos de porco-espinho de molho em vinagre e eles amoleceram para que eu pudesse dobrá-los em um círculo e enfiar as pontas afiadas nas pontas ocas. Funcionou bem. Também enviei uma chamada telepática para o Pequeno Porco-Espinho vir morar no bosque para ter certeza de que nós teremos muitos alfinetes e agulhas. Quanto às agulhas, gostaria de saber se uma de suas atarefadas abelhas carpinteiras teria tempo para fazer alguns orifícios para enfiar as penas que eu escolhi para as agulhas.

O Pai enviou uma mensagem telepática com uma ordem e a abelha chefe mandou uma pequena operária que tinha um cinzel [formão] muito afiado para fazer os orifícios. O trabalho era novo para ela, mas ela fez um trabalho muito bom em pouco tempo.

A Mãe ficou encantada. Ela agradeceu à abelha e chamou a atenção para o seu fio que as aranhas haviam feito. Enfiando a linha na agulha, ela começou a trabalhar em alguns pedaços de pano para fazer babadores. ‘Nós precisaremos de um bom número de babadores’, ela explicou para a Pequena Sereia, que havia terminado de polir as conchas de mariscos e tinha entrado para olhar por cima do ombro da Mãe. O Pai olhou ao redor para ver como estavam os babadores e apontou com surpresa para uma cesta de minhocas [worms, na língua Inglesa] muito ocupadas.

“O que ELAS estão fazendo?’ ele perguntou. ‘Lagartas-rosca’ [cutworms, na língua Inglesa], riu a Mãe, ‘estão cortando o pano para eu fazer os babadouros. Você ainda não inventou a tesoura ou esqueceu?’

‘Quão certa você está,’ o Pai riu. ‘Deixe isso para as mulheres todas as vezes!’ Ele apontou para uma grande bandeja de sementes de milho brotando e perguntou: ‘Isto faz parte do seu projeto?’

‘Isto’, disse a Mãe gentilmente, ‘é a recompensa pelas minhas lagartas-rosca. Quando elas cortarem os babadores, elas estarão com muita fome e eu as colocarei na bandeja para que elas possam cortar as raízes dos pequenos pés de milho e comê-los. É difícil para as plantas de milho, mas como você diz, é a Lei que tudo tem que comer outra coisa para crescer na escala evolutiva da vida para que o nível humano possa finalmente ser alcançado.’

O Pai acenou com a cabeça em aprovação. ‘Sim, essa é a Lei’, ele concordou. ‘Mas você enviou uma chamada telepática para os espíritos Falantes para serem colocados em nossos Adãos e Evas?’

‘A chamada foi enviada’, disse a Mãe. ‘Eu tenho certeza de que nós teremos uma dúzia dos melhores e experientes pequenos EUs  já reunidos.’

O Pai voltou para a sua bancada e verificou os moldes de Adão e Eva. Eles pareciam perfeitos. Assim, ele recompensou as abelhas carpinteiras com pequenas pedras de amolar para afiar os seus cinzeis [formões] e chamou a Mãe: ‘Eu voltarei em breve. Eu estou levando os meus moldes para a praia para que os pássaros maçaricos usem os seus longos bicos de aço para lixar o interior dos meus moldes. E quando isso for feito, eu passarei pela árvore das abelhas e pedirei às abelhas que encerem os meus moldes para mim, para que os bebês saiam perfeitamente lisos e lindos.’ Com isso pegou os moldes e partiu para a praia.

A Mãe sorriu e começou a tatear os cordões do avental em busca dos fios sombrios certos para encontrar os pássaros maçaricos. Ela fez uma chamada e logo conseguiu dizer a eles para irem à praia e vigiarem o Pai e ajudá-lo. Virando-se para a Pequena Sereia, ela disse: ‘O Pai pode ter perdido metade do dia caçando pássaros maçaricos sem primeiro ligar para eles. E agora é melhor eu encontrar os fios certos e chamar aquela abelha rainha na velha árvore com as suas ajudantes e dizer-lhes para preparar a cera. Os homens apenas esperam que tudo, desde as refeições em todos os aspectos, esteja pronto sempre que eles quiserem, abençoe os seus corações irrefletidos.’

Dentro de uma hora o Pai estava de volta, os seus moldes todos lixados e encerados e lindamente prontos para receber a argila prensada neles pela manhã para começar o trabalho nos bebês. Terminado o almoço e as sonecas, era hora dos chimpanzés chegarem e aprenderem o que deveriam fazer.

‘A casa parece muito quente’, disse o Pai. ‘Eu me pergunto onde está a Pequena Nuvem? Ela certamente não está fazendo muita sombra para nós.’

‘Eu a enviei para proteger os chimpanzés quando eles passaram pelos homens-macacos’, disse a Mãe. Eles devem estar aqui quase a qualquer momento agora.’ E enquanto ela falava, uma sombra fresca caiu sobre a casa e o jardim e de fora veio uma conversa alegre de chimpanzés chegando. Eles foram encontrá-los e cumprimentá-los e houve novas apresentações por toda parte. Todos apertaram a mão da Pequena Sereia muito solenemente e foram informados de que ela também era a Leiteira Oficial sempre que ela estava cuidando das cabras.

‘Antes de nós fazermos qualquer outra coisa’, disse a Mãe, ‘Vamos tomar o nosso chá. Reúnam-se aqui na varanda e façam um belo círculo. Eu servirei.’ E ela serviu: amendoim e banana para cada chimpanzé. A Velha Mãe Chimpanzé sentava-se à frente do círculo, como era o seu direito como líder do grupo. Ao lado dela estava sentado o seu marido, o Velho Pai Chimpanzé, muito sério e sábio e sentindo-se da maior importância. Quando o chá acabou e as cascas de banana cuidadosamente colocadas no balde de lixo, o trabalho de instrução começou. Eles foram ensinados a pegar as mamadeiras de leite de cuia, das quais a Mãe tinha muitas nas prateleiras esperando. A Pequena Sereia trouxe os saquinhos verdes cheios de ar das vertentes de leitos de algas no mar e estes foram cortados ao meio e feitos furos em uma das extremidades para servir de bicos nas mamadeiras de cuias cujos gargalos finos foram cuidadosamente cortados. Enquanto as senhoras dos chimpanzés faziam essas coisas, o Pai ensinava os senhores chimpanzés a usar a grande máquina de lavar e eles praticavam em algumas das muitas fraldas que estavam empilhadas e esperando. O problema dos varais foi facilmente resolvido pelo Velho Pai Chimpanzé. Ele enviou a sua equipe para a floresta para trazer longos trailers [carretas] de videiras fortes e verdes. Eles arrancaram as folhas e torceram duas videiras juntas. Amarrando-as entre as árvores, as fraldas podiam ser penduradas para secar sem prendedores de roupa. A linha foi destorcida um pouco e o canto de uma fralda enfiado. Isso ficou muito bom. O Pai foi muito cuidadoso para não dar o menor indício de que lavar era trabalho de mulher e os chimpanzés logo tiveram certeza de que apenas um macho nobre seria capaz de lavar.

Uma ligeira dificuldade surgiu no final do dia. A Pequena Sereia estava usando a sua saia de grama e colares de flores e as senhoras chimpanzés não suportaram não terem roupas semelhantes para se decorar. No final, a Pequena Sereia as ensinou a trançar saias de grama, porém fazer colares de flores era demais para a Velha Mãe Chimpanzé entender. Assim isso acabou que todas as senhoras chimpanzés vestindo as suas novas saias de grama em volta do pescoço e, como a única grama encontrada perto da casa não tinha mais de alguns centímetros de comprimento, as pequenas saias dificilmente eram um babado. Mas isso foi muito satisfatório e, quando o jantar terminou, cada uma tirou o seu adorno e o pendurou perto com muito cuidado enquanto se deitavam nos galhos de uma árvore. Para eles, tinha sido um dia maravilhoso.

De manhã, com o café da manhã terminado, o trabalho sério da criação começou. De longe, os pássaros que tinham ingressos para a temporada vieram pousar nas árvores ao redor da casa para assistir ao show. A Pequena Nuvem assumiu a sua posição para fazer sombra ou chuva ou relâmpagos, conforme fosse necessário. Os chimpanzés se alinharam na ordem social adequada no parapeito da varanda e o Pai trouxe a sua bancada menor para que todos pudessem ver o que estava acontecendo.

A Mãe acolheu os pequenos Eus Espirituais Falantes quando chegaram logo após o amanhecer e deu a cada um pequeno par de asas de anjo para usar apenas por enquanto, para que pudessem ser vistos e pudessem vir ao lugar certo quando quisessem. Claro, como a Coisa do Eu não pode ser vista, eles pareciam um pouco estranhos – apenas duas pequenas asas brancas esvoaçando sem nada para ser visto entre elas. Os chimpanzés esfregaram os olhos com espanto. Eles nunca tinham visto borboletas ou mariposas com apenas asas e sem o corpo, mas eram educados demais para dizer qualquer coisa.

Quando tudo estava pronto, o Pai pegou as bolas de barro e as pressionou nos moldes de madeira. As duas metades dos moldes foram prensadas juntas e o barro a mais foi aparado. Quando os moldes foram abertos, saiu, a cada vez, um par perfeito de Adãos e Evas de barro.

Enquanto eles trabalhavam, a Mãe disse: ‘Você não fez as cabeças muito grandes no topo?’

‘Não’, disse o Pai. ‘O Eu animal usa toda a parte inferior da cabeça, então tive que acrescentar uma segunda história, por assim dizer, para o Eu Falante usar. Eles parecem estranhos para nós depois de vermos pequenos crânios, mas os maiores com o tempo serão considerados muito mais bonitos. De fato, olhando pelo Telescópio do Tempo outro dia, vi que as mulheres do século 20 estavam arrumando os seus cabelos em volta de formas de arame para parecerem que tinham crânios quase tão longos quanto os seus corpos.’

Quando os seis pares de bebês de barro estavam prontos, os pequenos Eus Falantes foram chamados e os machos separados das fêmeas, tomando-se o cuidado de ter os corretos nos bebês para combinar se eram menino ou menina. ‘Não adiantaria’, disse o Pai. ‘Conseguir um Espírito Falante de menino no corpo de uma menina simplesmente não funcionaria.’

A Mãe disse: ‘Eu devo chamar doze espíritos animais experientes para assumir e cuidar do corpo? E de que tipo devem ser?’

‘Eu quase sinto ter que dizer’, respondeu o Pai, ‘que nesse caso não podemos fazer outra coisa senão usar os eus espirituais daqueles homens-macacos que nós passamos a não gostar. Eles são os mais próximos da forma humana que nós estamos moldando e, além disso, se nós usássemos eus de cães ou gatos, eles poderiam voltar de humano para cão ou gato apenas o suficiente para arruinar o experimento.’

‘Eu suponho que os espíritos Falantes farão com que os novos sejam mais parecidos com os humanos’, disse a Mãe. Ela começou a separar os fios do avental e logo estremeceu levemente. ‘Eu os tenho’, disse ela. ‘Eu chamarei muitos deles e nós podemos separar os que viveram mais vezes nos corpos dos macacos e, portanto, serão os mais inteligentes, mesmo que também tenham que ser os mais malvados’. Ela enviou a chamada e o Pai pegou uma grande bandeja e disse algumas palavras mágicas sobre ela.

Eles tinham apenas alguns minutos para esperar. O Pai examinava a bandeja de vez em quando e quando Eus de homem-macaco suficientes pousaram sobre ela para cobri-la bem, ele pegou a sua lupa e um par de pinças e começou a escolher os Eus mais velhos, tomando o cuidado de pegar um Eu de menina e colocá-lo no barro macio de cada pequena Eva fazendo o mesmo com cada um dos bebês Adãos. Feito isto e os eus restantes enviados de volta para viver com o povo dos homens-macaco, o Pai acenou para a Mãe e eles tomaram os seus lugares na frente da mesa e da fileira de bebês de barro. Eles primeiro deram as mãos e depois respiraram fundo, quatro de cada vez, para reunir uma grande quantidade de força vital ou mana.

Da plateia não veio um gorjeio ou mesmo um eco de tagarelice. Ela estava tão quieta que se poderia ter ouvido um alfinete cair, se houvesse alfinetes. A Pequena Nuvem, que foi capaz de olhar para baixo e ver tudo, enviou uma mensagem telepática de um relato operacional de tudo para as outras nuvens. A Velha Mãe Baleia estava ouvindo e passou a notícia para as outras criaturas do oceano. Nenhuma das criaturas sabia exatamente o que estava acontecendo, mas elas sentiram que era um evento de grande importância. Talvez ‘O Fim do Mundo’.

O Pai e a Mãe fizeram uma pausa e disseram aos pequenos Eus que vieram primeiro: ‘Agora ouçam, nós declaramos vocês EUS FALANTES por nossa Divina Graça. Agora solte as suas asas e no momento em que você vir o seu bebê começar a se mexer, mergulhe por uma de suas orelhas e ocupe o seu lugar na segunda camada de sua cabeça.’ As asinhas de anjinho caíram todas no chão e tudo estava pronto.

O Pai e a Mãe se revezaram subindo e descendo a fileira de bebês de barro e soprando a FORÇA DA VIDA neles. Ao mesmo tempo, eles pensaram em imagens de bebês vivos, todos vivos e se contorcendo e de repente aconteceu! Os bebês de barro ganharam vida e um após o outro começaram a chorar enquanto respiravam pela primeira vez. Um não chorou, então o Pai o pegou pelas pernas e deu uma esperta palmadinha no bumbum… Isto o fez chorar e ele começou a berrar vigorosamente.

A plateia foi à loucura de prazer. Tudo o que era capaz de fazer barulho fazia o seu barulho a plenos pulmões. A Pequena Nuvem ficou tão animada que soltou um trovão que abalou a casa inteira. No oceano, todas as baleias jorravam água como loucas. As chimpanzés, que realmente se comportavam muito bem, não aguentaram mais, pularam do parapeito da varanda e teriam agarrado loucamente um bebê para cada um se a mãe não os tivesse impedido.

‘Espere’, ela enviou uma mensagem telepática com firmeza. ‘Cada uma de vocês terá o seu bebê, eu prometo a vocês. Mas primeiro peguem as suas conchas e me ajudem a dar um banho neles. A maioria deles ainda tem barro nos pés. Mas antes disso, joguem fora essas minissaias bobas de grama que você tem em volta do pescoço. Eles estão fora de moda e os aventais estão dentro da moda – veja o meu avental? Olhe, eu fiz um avental para cada uma de vocês. Venha pegá-los e veja se você os amarra na cintura em vez de no pescoço. Os mini aventais estariam mais fora de moda do que as saias. Deixe a Pequena Leiteira ajudá-las a amarrá-los e depois coloquem água morna em suas bacias e nós começaremos a trabalhar.

Então… foi assim que tudo aconteceu. Os seis pares de bebês eram adoráveis. Um belo par era preto e o Pai estava muito orgulhoso deles. ‘Eles serão capazes de suportar o sol sem serem queimados pelo sol e podem viver mesmo no meio da África’, disse ele. Os outros bebês tinham vários tons de marrom e um par bastante vermelho. ‘Estes’, disse o Pai, ‘provavelmente se tornariam o ‘Nobre Homem Vermelho’ [Índios Americanos] da América do Norte.’

Graças à ajuda dos castores, pica-paus e abelhas carpinteiras, o Pai tinha no armazém pequenas cadeiras de balanço e belos berços largos. Ele deu a cada uma das doze mães chimpanzés adotivas uma cadeira e colocou um berço para cada par de bebês.

‘As senhoras Chimpanzés já conhecem os seus bebês individualmente’, disse a Mãe, começando a melhorar o seu trabalho de mostrar como as fraldas deveriam ser colocadas. ‘E é uma coisa boa que eles fazem, pois, exceto pelo par preto e par vermelho, eu mal consigo diferenciá-los. Mas eu os tenho numerados agora, começando na ordem social dos Chimpanzés, com o par Preto como Adão Um e Eva Um. Em seguida vem o par marrom como Adão Dois e Eva Dois. Eu penso que isso vai funcionar bem o suficiente.

Quando chegou a hora da primeira refeição, a Pequena Leiteira estava bem no trabalho. Ela ordenhou as cabras, encheu as mamadeiras de cuia, mostrou às babás Chimpanzés novamente como colocar os bicos finos de algas e ajudou a Mãe a instruir as Chimpanzés na arte de dar mamadeira e arrotar. Os babadores vieram muito a calhar. As coisas saíram exatamente como planejado.

Depois do jantar e quando chegou a hora de dormir, as babás Chimpanzés se deitaram, duas juntas, ao pé dos grandes berços e se revezaram embalando os bebês para dormir.

A Mãe vestiu um avental limpo e ela e o Pai foram sentar-se um pouco na varanda. Era uma noite linda e suave e naquela época da Terra os polos ainda não haviam sido derrubados por um meteoro, então os verões e os invernos eram todos iguais e o clima era tão maravilhoso quanto a Câmara de Comércio de Los Angeles [alusão a um jornal chamado The Land of Sunshine (A Terra do Sol)] mais tarde afirmou que era.

‘Aconteceu uma coisa divertida essa tarde’, disse a Mãe. ‘A Velha Mãe Chimpanzé disse ao marido que o pequeno Adão Número Um Preto se parecia com ela. O Velho Pai Chimpanzé foi contra, dizendo que se ele fosse julgar, ele diria que o Adão Número Um era a cara dele mesmo. A Velha Mãe Chimpanzé colocou o assunto para mim para decidir e eu consegui que eles se comprometessem concordando que ele tinha os olhos dela e o nariz dele. Foi realmente muito engraçado, pois o Adão Número Um, como todos os outros, parecem incrivelmente com bebês chimpanzés.’

‘Eles superarão isso em breve’, disse o Pai, ‘e então todos os Adãos podem se parecer um pouco comigo. E espero que todas as pequenas Evas possam ser abençoadas por se parecerem pelo menos um pouco com você, minha querida.’

‘Você está sempre me lisonjeando’, sorriu a Mãe. ‘Eu ficarei satisfeita se eles se parecerem com os desenhos do seu plano – como seres humanos bastante respeitáveis.’

O Pai conteve um bocejo, pois tinha sido um dia difícil. ‘Nós devemos entrar e experimentar nossas camas?’ ele perguntou. ‘Nós não temos dormido em camas desde que me lembro, mas agora que nós teremos que observar o tempo terrestre e ficar aqui por alguns anos para criar os filhos, eu suponho que é melhor nós começarmos a nos acostumar com horários regulares e as camas.’

E assim aconteceu que tudo se acalmou pacificamente. E foi o fim do Primeiro Dia.

Nada de importante aconteceu até cinco dias depois. Foi em um sábado e a Babá chimpanzé número 6 por acaso viu a Mãe derramar um pouco de alvejante de uma jarra na máquina de lavar, onde algumas fraldas sujas deveriam ser lavadas. Isso deu uma ideia à Babá número 6 e, quando chegou a hora de dar banho nos bebês, ela entrou na lavanderia e pegou a jarra. Da jarra, ela derramou um copo inteiro de alvejante em sua banheira de conchas. A sua colega babá ao lado adicionou uma quantidade generosa de alvejante à água de seu banho e então a jarra foi de mão em mão, cada Chimpanzé pegando-o do próximo até que, por fim, não sobrou uma gota para a água do Adãos Um e Dois ou Evas Um e Dois.

A Pequena Leiteira chegou alguns minutos depois e encontrou as Chimpanzés lavando freneticamente os bebês que haviam entrado na água em que o alvejante havia sido despejado. Um par tinha sido branqueado com cabelos da cor de palha e olhos azuis. O próximo par tinha sido branqueado para um bronzeado amarelo claro e o próximo para um marrom moreno muito claro. O Pai e a Mãe vieram correndo e logo a varanda foi inundada com água de lavagem, mas fora isso, nenhum dano parecia ter sido feito. Os bebês branqueados não pareciam estar machucados. O Pai estudou o assunto por algum tempo, depois fez os seus planos e fez algumas mudanças.

‘Ficará tudo bem’, disse ele à Mãe. ‘Nós podemos usá-los para iniciar as várias raças. Os brancos podem viver nos climas mais frios, onde não ficarão tão queimados pelo sol no verão e os amarelados serão perfeitos para povoar a China quando chegar a hora. Os bronzeados servirão para os Povos Mediterrâneos.’

E foi assim que surgiram várias cores de pessoas e várias raças.

Claro e, como era de se esperar, os pequenos Adão nº 6 e Eva nº 6 tiveram que ser mantidos longe do sol e ter tempo para se bronzearem. Como estava, em ambos cresceram algumas sardas e tiveram que engraxar os seus pequenos narizes para evitar que descascassem. As Velhas Babás 6 e 6, 1/2 não tinha certeza de que os seus bebês brancos eram tão bons quanto os pretos, vermelhos ou marrons, ou mesmo os amarelos. O Pai as encontrou tentando trocá-los e teve que corrigir as coisas sussurrando telepaticamente para elas que os bebês brancos podiam até ser um pouquinho melhores para se adaptarem do que os mais coloridos. Isso satisfez as babás naquela época, mas séculos depois os Adãos e Evas Brancos passaram a acreditar no que o Pai havia insinuado e começaram a se gabar de que eram melhores do que qualquer outra pessoa.

Imagem bruce-christianson-8iz6mgfmMtg-unsplash-scaled.jpg   

…continua Parte III…

Muda…

A chuva de bênçãos derrama-se sobre mim, nesse exato momento.
A Prece atinge o seu foco e levanta voo.

Eu sinto muito.
Por favor, perdoa-me.
Eu te amo.
Eu sou grato(a).

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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