…continuação da Parte I…

Continuamos, na parte II deste artigo sobre o ego, inspirando-nos no livro canalizado “O Desaparecimento do Universo”, de autoria de Gary R. Renard e ensinamentos dos Mestres Ascensionados Pursah e Arten, assim como nos inspiradores e didáticos Workshops do Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

Dr. Wapnick e os Mestres Ascensionados contarão, a seguir, a “história” da natureza e origem de nossa existência – o ego e o mundo que percebemos.

Então – em nossa história, escolhemos o ego e agora estamos identificados com ele. A primeira fragmentação tornou a ciência de nossa Perfeita Unicidade com Deus apenas uma memória. A segunda fragmentação trouxe duas partes à mente. A terceira fragmentação tornou o Espírito Santo apenas uma memória e o ego agora tem a nossa atenção.

Olhamos para ele para nos explicar o que está acontecendo e ele tem uma mensagem para a gente. A mensagem é essa: É melhor você se mandar daqui, camarada. Então, ele continua nos dando algumas razões. Em seu estado mental confuso, essas razões parecem danadas de convincentes em sua lógica.

“Você não sabe o que fez?” – o ego pergunta em nossa história metafórica – “Você se separou de Deus! Você cometeu um pecado enorme contra Ele; agora, você vai ver. Você pegou o paraíso – tudo o que Ele lhe deu – e jogou direto no rosto Dele e disse, ‘Quem diabos precisa de você?’. Você O atacou! Você está morto. Você não tem a mínima chance contra Ele – Ele é impressionante e você não é nada. Você estragou tudo; você é muito culpado. Se você não tirar o seu traseiro daqui [a mente] agora mesmo, será pior do que a morte!”.

Oh, meu Deus, pensamos então, em resposta ao ego. O que fizemos? Você [o ego] está certo – estragamos tudo e atamos o Céu! Mas, para onde podemos ir? O que podemos fazer? Podemos correr, mas não podemos nos esconder. Não existe lugar onde possamos nos esconder do Próprio Deus!

“Bem, isso não é exatamente verdade”, diz o ego, “porque eu estou aqui para ajudá-lo. Eu sou seu amigo – e tenho uma ideia. Tenho um lugar onde podemos ir juntos. Você pode ser seu próprio patrão e não tem que encarar Deus de jeito nenhum. Você nunca O verá. Ele nem mesmo será capaz de ir a esse lugar!”.

É claro que tudo o que o ego está dizendo sobre Deus e sobre o que aconteceu não é verdade, pois o ego é quase tão mentalmente são quanto César Calígula. Deus não faria nada além de nos amar. É aqui que precisamos saber apenas um pouco mais sobre como a mente funciona.

Por causa do poder da mente, precisamos apreciar o poder de nossa própria crença. Foi nossa crença na ideia de que podíamos estar separados de Deus – nosso ato de levá-la [a crença] a sério – que pareceu dar a ele [o ego] tanto poder e realismo.

Como diz o Curso:

A libertação das ilusões está apenas em não se acreditar nelas. (UCEM–LT–Capítulo 8.VIII.16:5-pág. 164)

Temos também que perceber que, pelo fato de termos criado a Dualidade decidindo sermos um perceptor, tudo que percebemos incluirá características que parecem ser opostas àquelas das quais nós aparentemente nos separamos.

O Céu, embora esteja além de todas as palavras, tem esse tipo de características: Ele é Amor perfeito, informe, imutável, abstrato, eterno, inocente, total, abundante e completo. Ele é realidade; ele é vida.

Deus e Cristo e as Criações de Cristo são a Perfeita Unicidade. Não existe nada mais. Esse é o domínio da Vontade de Deus – o Conhecimento do Pai. Descrever a experiência da sua ciência dessa Perfeita Unicidade não é realmente possível, mas saberemos quando tivermos uma experiência temporária disso. Não é parecido com nada mais com o que estejamos familiarizados.

O domínio da percepção, por outro lado, sendo aparentemente oposto ao Céu, inclui características muito diferentes. Mantendo em mente que ainda estamos falando em um nível metafórico aqui, esses atributos incluem: individualidade, forma, aparência, especificidade, mudanças, tempo, separação, fragmentação, ilusão, desejos, escassez e morte.

É por isso que, no Livro do Gênesis 2:16-17, que vem direto da mente inconsciente do escritor, diz, “Tu podes comer livremente de cada árvore do jardim; mas não comas da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois, no dia em que fizeres isso, vais morrer”. O bem e o mal são opostos e, uma vez que você tenha um oposto ao Céu, você tem a morte [a ilusão].

Mas, como o Curso diz consistentemente de milhares de formas diferentes, logo na sua Introdução, “… o que tudo abrange não pode ter opostos”.

Uma vez que nós escolhemos ouvir às tentações do ego para sermos um indivíduo separado, nossa crença na realidade da separação começou a provocar alguns problemas muito sérios para a gente.

Deus agora parece estar fora da gente e tudo o que experimentamos nos diz que nós separamos nosso ser Dele. Esse é um problema que nós ainda temos nesse exato segundo, mesmo que estejamos inconscientes disso.

Tão logo acreditamos na realidade do universo físico, tudo o que percebemos será um lembrete constante, inconsciente de que cometemos o ato de nos separarmos de Deus.

Voltando ao nosso pequeno drama da criação indevida, a voz do ego em nossa mente nos disse algumas coisas sobre nossa condição e também sobre Deus que simplesmente não são verdadeiras. Nós aceitamos isso em parte porque gostamos da ideia de ser um indivíduo com uma vontade aparentemente separada – mesmo que isso não seja realmente possível.

Levando à sério a separação e a voz do ego, isso se traduziu, dentro da nossa mente aparentemente separada, como um pecado contra Deus. Agora, se nós pecamos, isso significa que somos culpados e, nesse nível metafórico, sentimos isso.

Sendo o culpado que pensamos que somos, pensamos então que seremos punidos, imensamente.

Até mesmo no nível desse mundo, um psicólogo iria nos explicar que a culpa inconscientemente requer punição – e, se realmente pensarmos sobre isso, veremos que isso explica muitas coisas. No nível metafórico, estamos falando sobre como nós sinceramente acreditamos que estamos para ser atacados e punidos pelo Próprio Deus!

A antecipação desse tipo de punição de Deus de um destino-pior-do-que-a-morte cria o medo – um medo tão terrível que nem mesmo podemos compreendê-lo. Ainda assim, temos corrido disso pelo que parecem bilhões de anos.

Então, agora, podemos dizer o porquê o nosso universo, nosso mundo e nosso corpo foram feitos pela mente para início de conversa. Na realidade, todos eles foram feitos simultaneamente, ainda que em um sonho linear, as coisas parecem acontecer separadamente.

Não existe outra disciplina espiritual que compreenda e explique a motivação por trás da criação desse mundo, a mesma motivação que o dirige hoje.

Essa motivação é o medo, sempre tendo sua origem, no final das contas, no medo de Deus. A mente transtemporal, não-espacial, aparentemente separada é um estado paralisante de medo por causa de uma punição que acreditamos estar vindo de Deus.

Então, o ego nos convence de que precisamos de uma defesa, sem se importar de mencionar que a defesa que ele oferece é destinada a assegurar sua própria sobrevivência [do ego] através da sua individualidade.

Na verdade, se olharmos para as últimas cinco sílabas da palavra individualidade, veremos que elas significam dualidade. Essa não é apenas uma coincidência semântica.

A voz do ego fala conosco como se fosse nossa amiga e estivesse buscando nossos melhores interesses. Vale ressaltar que o ego nos convenceu de que Deus nos pegará e que é melhor que corramos para ele [o ego], em um lugar onde estaremos seguros.

Esse lugar é esse universo.

Quando o ego está envolvido, a melhor defesa é uma boa ofensa. Na verdade, a defesa e a ofensa são dois lados da mesma moeda. Em uma discussão sobre como esses conceitos se relacionam um com o outro, o Curso ensina:

O ego é a parte da mente que acredita em divisão. Como poderia uma parte de Deus se desligar sem acreditar que O está atacando? Falamos anteriormente do problema da autoridade que está baseado no conceito da usurpação do poder de Deus. O ego acredita que é isso o que fizeste, porque acredita que ele é o que tu és. Se te identificares com o ego, tens que te perceber como se fosses culpado. Sempre que respondes ao teu ego, vais experimentar culpa e temer punição. O ego é bem literalmente um pensamento amedrontador. Por mais ridícula que possa ser a ideia de atacar a Deus para a mente sã, nunca te esqueças de que o ego não é são. Representa um sistema delusório e fala por ele. Escutar a voz do ego significa que acreditas que é possível atacar a Deus e que uma parte de Deus foi arrancada por ti. O medo da retaliação vinda de fora é decorrência disso, porque a severidade da culpa é tão aguda que tem que ser projetada. (UCEM–LT–Capítulo 5.V.3:1-11-pág. 90)

Então, acreditando que a separação realmente aconteceu e dado nosso medo da punição e retaliação de Deus, contra as quais desesperadamente pensamos que precisamos nos defender, nós já desenvolvemos – ouvindo o ego – um sistema de pensamento que diz que nós pecamos, que nós somos culpados e que a punição inevitável de Deus exige uma defesa.

Sentimo-nos completamente vulneráveis e o ego nos disse que ele tem uma ideia – um lugar ao qual podemos ir, onde Deus nunca será capaz de nos encontrar. Em nosso estado confuso, agora somos seguidores do ego ao invés da vontade de Deus e ouvimos a ideia brilhante, mas invertida do ego, para nos colocarmos a salvo daquilo que não nos lembramos mais que é verdadeiramente nossa realidade – mas do que nós agora vivemos com um medo mortal.

Então, agora, chegou finalmente o momento em nossa espetacular revisão onde o ego está para nos dar sua grande reposta para nossa situação desagradável de pesadelo, embora imaginaria.

A magnitude espantosa da vergonha dolorosa e a culpa aguda na nossa mente, que vieram do que acreditamos termos feito, parecem requerer uma fuga imediata e completa.

Então, nós nos unimos ao ego e, o poder incompreensível da nossa mente para criar ilusões como um perceptor – ao invés de fazer do espírito um criador – faz com que o método da nossa fuga se manifeste.

Nesse ponto, o ego, com o qual nós agora nos identificamos totalmente, usa o método ingênuo, mas ilusório, da projeção para jogar o pensamento da separação para fora da nossa mente e nós – ou pelo menos a parte da gente que parece ter uma consciência –parecemos ser projetados junto com ela.

Isso instantaneamente provoca o que é popularmente chamado de Big Bang, ou a criação do universo. Agora, parecemos estar no universo, embora realmente não percebamos que, na verdade, estamos bem literalmente fora da nossa mente.

Agora, o inimigo do qual vivemos apavorados – Deus não mais parece estar na nossa mente conosco – onde pensávamos que não teríamos uma chance contra Ele.

Ao invés disso, Deus, e a esse respeito tudo o mais, agora aparentemente está totalmente fora da gente. A fonte dos nossos problemas, incluindo nossa culpa, agora estão em algum outro lugar – mesmo que já foi deixado claro que não possa haver nenhum outro lugar.

A criação do cosmos é sua proteção contra Deus, seu esconderijo ingênuo. Ao mesmo tempo, o próprio universo se torna o último bode expiatório.

Agora, tanto a causa quanto a culpa por nosso problema da separação, sem mencionar a culpa por todos os nossos problemas novos, problemas substitutos ilusórios, podem ser encontradas – se procuramos o suficiente com o ego – em algum lugar fora da gente.

A afirmação acima é o ponto de ruptura, se bem entendida de maneira consciente (tomador de decisão), para decidirmos ou escolhermos adotar o sistema de pensamento do Espírito Santo, contra nosso antigo e muito antigo escolhido e adotado sistema de pensamento do ego.

Na verdade, todo um novo nível foi criado, no qual o sistema de pensamento do pecado, culpa, medo, ataque e defesa pode ser encenado de uma maneira que proteja nossa mente aparentemente separada, na qual atualmente pensamos como nossa alma, da nossa terrível, embora completamente inconsciente, culpa e medo.

Para ilustrar o quanto o ego resiste a olhar para essa culpa na mente, tudo o que nós precisamos fazer é considerar que, apesar do fato de Um Curso em Milagres falar muito sobre a cura dessa culpa inconsciente, a maioria dos professores do Curso nunca a menciona.

Os Mestres então concluem a estratégia do ego: Agora, como a aquisição máxima em seu grande esquema, o ego cria – rufem os tambores, por favor – o corpo.

Isso possibilita que o ego permita que entre em nossa consciência, quase de maneira exclusiva, apenas as coisas que testemunham a realidade de nossa estimada ilusão.

Ainda assim, o corpo em si mesmo é apenas outra parte da ilusão e pedir a ele para explicar a ilusão para a gente não é diferente de pedir à ilusão para explicar a si mesma – e, é claro, o ego fica mais do que feliz de prover-nos com as respostas.

Esse universo, o mundo e nosso corpo dão forma a uma estrutura de defesa na qual você se esconde do seu pecado imaginário, da sua culpa e do medo consequente da vingança de Deus. O ego tem um método firmemente posicionado para lidar com esse pecado, culpa e medo agora inconscientes – projetandoos nos outros.

Uma vez que tenhamos entendido como esse sistema de pensamento é encenado no nível desse mundo, seremos capazes de observá-lo claramente em ação em todos os lugares – em todos os nossos relacionamentos pessoais, nos relacionamentos dos outros, nos relacionamentos internacionais, na política e nas outras profissões e em todos os outros lugares para onde olharmos. Então, começaremos  a ver que a mensagem do Curso é verdadeira.

Como Jesus coloca no Curso:

Ninguém pode escapar de ilusões a não ser que olhe para elas, pois não encará-las é a forma de protegê-las. Não há necessidade de se acuar diante de ilusões, pois elas não podem ser perigosas. Nós estamos prontos para olhar mais detalhadamente o sistema de pensamento do ego, porque juntos temos a lâmpada que o dissipará e já que reconheces que não o queres, tens que estar pronto. Vamos ser muito calmos ao fazer isso, pois estamos apenas procurando honestamente a verdade. (UCEM–LT–Capítulo 11.V.1:1-4-pág. 215)

Todas as ideias do ego sobre as quais já foram ditas, precisam ser trazidas à verdade – que é Jesus ou o Espírito Santo – onde podemos entregá-las em troca da Expiação. Esses pensamentos têm sido muito bem escondidos em nosso inconsciente desde a aparente separação.

Não sabemos, mas temos muito medo do que esquecemos ou dissociamos. É por isso que realmente não queremos olhar para essas coisas. Por causa do medo oculto, teremos uma tremenda resistência em nos aproximar do nosso inconsciente.

Como o Curso mostra no Texto:

O conhecimento necessariamente precede a dissociação, de modo que a dissociação nada mais é do que uma decisão de esquecer. Então, o que foi esquecido parece ser amedrontador, mas apenas porque a dissociação é um ataque à verdade. (UCEM–LT–Capítulo 10.II.1:2-3-pág. 194)

E também no Texto:

É possível estares separado da tua identificação e estares em paz? A dissociação não é uma solução, é uma delusão [delusão = alucinação, em psicologia]. Aqueles que estão presos a delusões acreditam que a verdade vai assaltá-los e eles não a reconhecerão porque preferem a delusão. Julgando a verdade como algo que não querem, o que percebem são as suas ilusões, as quais bloqueiam o conhecimento. (UCEM– LT–Capítulo 8.VI.1:1-4-pág. 156)

Os Mestres Ascensionados então enfatizam que a nossa geração adora a evolução, pensando que estamos a caminho de criar algum tipo de consciência nova, moderna. Valorizamos a evolução quase tanto quanto valorizamos a energia.

O que é chamado de evolução é meramente o ego separando tudo de uma vez, aparentemente fragmentando e subfragmentando células vezes sem conta para criar corpos e cérebros que parecem ser mais complexos – e portanto, mais impressionantes. Ainda assim, todos os corpos são o mesmo em sua irrealidade.

Tudo em vosso universo é estabelecido para convencê-los da singularidade e realidade do vosso corpo e, portanto, a validação de todo o sistema do ego.

É por isso que o ego está sempre tentando fazer com que pareça que Deus criou o mundo e quer que continuemos a temê-Lo enquanto ainda tem a Ele como a alegada causa da sua vida.

Relacionado ao fato de que o ego quer tomar posse do trabalho de Deus de qualquer maneira, ele quer que espiritualizemos corpos, como o de Jesus – ainda que ele fosse sem significado para Jesus – e torne alguns deles mais especiais do que outros e, portanto, todos eles reais.

Se Deus fez o mundo e seus corpos, então, vocês precisam ser reais. Isso legitima vossa alegada existência individual e também os mantém fugindo de vosso único problema real.

E, o mais importante de tudo, também mantém vossa atenção afastada da única Resposta real para o seu problema – o Espírito Santo, que não está nesse mundo, mas em sua mente.

Então, a criação do universo foi a quarta fragmentação da mente e isso provocou o Big Bang e o que, então, pareceu ser um número quase infinito de fragmentações – ou o mundo da multiplicidade. Uma vez que acreditemos na realidade desse universo, então, vamos, por definição, também acreditar, inconscientemente, que somos separados de Deus e que somos culpados.

Tudo o que vemos, do momento em que sonhamos que nascemos até o momento em que sonhamos que morremos e tudo o que sonhamos entre isso, é simbólico do único pensamento de que nós nos separamos de Deus.

O Céu parece ter sido completamente despedaçado em um número infinito de pedaços e substituído por seu oposto. Ainda assim, a história do universo – passada e futura – é simplesmente um roteiro que foi escrito pelo ego – um conto criado e glorificado pelo ego – que encena, de cada maneira concebível, o ato da separação.

Nesse mundo, a morte torna a separação inevitável. Não é uma questão de ‘se’ – é uma questão de quando e como. Os corpos não podem realmente se unir, embora vocês certamente tenham tentado, mas as mentes podem – e elas podem se unir para sempre.

O ego não quer que focalizemos na mente. Ele quer que focalizemos no corpo como sua realidade. Felizmente, o Espírito Santo também tem um roteiro e podemos mudar para ele em qualquer momento que quisermos. O roteiro do Espírito Santo é consistente. Como o Curso diz:

A verdade não vacila; é sempre verdadeira. (UCEM–LT–Capítulo 9. VIII.7:2-pág. 190)

Uma vez que comecemos a praticar o perdão com Jesus, ou o Espírito Santo, ou ambos, ou com qualquer um que queiramos praticar – embora seja recomendado que não façamos isso sozinho – então começaremos a perceber que o Curso pode ser muito prático.

Ele é escrito em dois níveis diferentes – o nível metafísico sobre o qual acabamos de falar, e o nível do mundo.

Sem seu método prático de perdão, o Curso não seria nada além de um livro lindo e inútil – combustível para debate e jogos do ego. Felizmente, como Jesus diz na Introdução do livro UCEM – Esclarecimento de Termos:

Esse não é um curso de especulação filosófica, nem se preocupa com uma terminologia precisa. Ele se ocupa somente da Expiação, ou da correção da percepção. O meio para a Expiação é o perdão. (UCEM–ET–Introdução.1:1-3-pág. 79)

Você vai descobrir que a ideia do Curso sobre o perdão é única e projetada para desfazer o ego – não pelo ataque, mas através do poder da escolha.

Vossa paz interior e força de Cristo estarão lá, perdoando as coisas que vocês veem bem à vossa frente. Elas são suas oportunidades perfeitas que, quando bem aproveitadas, vão ajudar o Espírito Santo e as leis da mente a levá-los de volta ao Céu.

Embora nem sempre vá ser fácil, haverá muitos momentos bem-vindos ao longo do nosso caminho em que vamos saber que o Curso está trabalhando para a gente. Até agora, estivemos presos no roteiro que encena repetidamente o sistema de pensamento do ego. Chegou a hora de nos liberarmos e começarmos a seguir um novo roteiro – aquele que vai nos levar para casa!

O ego secretamente quer que nos sintamos culpados por pensar que nos separamos de Deus, mas isso não é verdade – apesar de todas as aparências e experiências em contrário.

De agora em diante, tentemos ser honestos conosco mesmos quando considerarmos a verdadeira natureza do universo e desse mundo.

Jesus é muito claro sobre o que a maioria das pessoas acham que seja algum tipo de linda Criação divina de Deus. Apenas um de muitos exemplos, no Texto, Jesus diz sobre esse mundo de falsos ídolos:

Um ídolo é estabelecido pela crença e quando ela é retirada, o ídolo “morre”. Isso é o anticristo: a estranha ideia de que há um poder além da onipotência, um lugar além do infinito, um tempo que transcende o eterno. Aqui o mundo dos ídolos foi estabelecido pela ideia de que foi dada uma forma a esse poder, a esse lugar e a esse tempo e eles moldam o mundo onde o impossível aconteceu. Aqui, o que não morre vem para morrer, o que tudo abrange vem a sofrer perda, o que é sem tempo vem para se fazer escravo do tempo. Aqui o imutável muda; a paz de Deus, para sempre dada a todas as coisas vivas, dá lugar ao caos. E o Filho de Deus, tão perfeito, sem pecado e amoroso como seu Pai, vem para odiar por um breve momento, para sofrer dor e finalmente morrer. (UCEM–LT–Capítulo 29.IX.6:1-6-pág. 668)

Os Mestres Ascensionados Pursah e Arten enfatizam a natureza desse mundo ao invés do próprio mundo porque esse sonho sobre um mundo não é real.

Jesus brevemente se referiu a esse mundo no Evangelho de São Tomé, quando disse coisas como na citação 40:

Uma videira foi plantada fora do Pai, mas, uma vez que não é forte, será arrancada pela raiz e morrerá.

E ele disse, na passagem que aparece na versão Nag Hammadi, como número 56:

Quem quer que chegue a compreender esse mundo achou meramente um cadáver e quem quer que tenha descoberto o cadáver, para ele o mundo não terá mais valor.

E, com relação ao Céu, a citação número 49:

Congratulações àqueles que estão sozinhos e foram escolhidos, pois vão encontrar o Reino de Deus. Pois vós viestes dele e para ele vão retornar outra vez.

Nessa citação, essas pessoas estão sozinhas porque sabem que existe realmente apenas um de nós. É claro que elas realmente não estão sozinhas, porque têm o Espírito Santo.

Como já foi dito, elas são escolhidas porque escolheram escutar. O resto da citação deveria ser autoexplicativa, baseado no que se tem falado até aqui.

Um Curso em Milagres foi dado por Jesus para nos mostrar como voltarmos ao Reino do Céu. Pois, como também já foi dito, o mundo não podia entender tanto há dois mil anos. Hoje, ainda que o mundo seja tão insano como era naquela época, agora estamos em posição de aprender muito mais.

Comecemos a olhar para o mundo mais cuidadosamente, com o Espírito Santo e teremos um alto padrão – tão alto quanto o de Jesus – para nos ajudar a escolher entre o sistema de pensamento do Espírito Santo e o do ego. Como o Curso diz:

A verdade a teu respeito é tão elevada que coisa alguma que não seja digna de Deus é digna de ti. Escolhe, pois, o que queres nestes termos e não aceites nada que não queiras oferecer a Deus como totalmente adequado para Ele. (UCEM–LT–Capítulo 9.VIII.8:4-5-pág. 188)

Os Mestres enfatizam para nos lembrarmos sempre que estivermos preparados para escolher o Espírito Santo como nosso Professor, Jesus estará lá conosco. Se não estivermos preparados, ele ainda estará lá conosco, pois, como Jesus nos diz no Texto:

Se queres ser como eu, eu te ajudarei, sabendo que somos iguais. Se queres ser diferente, eu esperarei até que mudes a tua mente. (UCEM–LT–Capítulo 8.IV.6:3-4-pág. 155)

O sistema de pensamento do ego

O ego consiste em três conceitos fundamentais: pecado – a crença de que nos separamos de Deus; culpa – a experiência de ter pecado, de ter feito algo errado que emana de nossa crença de que atacamos Deus usurpando O Seu papel de Causa Primeira, fazendo de nós mesmos nossa própria causa primeira; e medo – a emoção que inevitavelmente segue a culpa, vinda de nossa crença no pecado e baseada em nosso pensamento de que merecemos ser punidos pelo deus da vingança inventado pelo ego.

Para garantir a sua sobrevivência, o ego continuamente atrai a culpa para si, uma vez que a culpa prova a realidade do pecado e é o pecado que deu origem ao ego. Uma vez que tenha estabelecido a culpa como real, o ego nos ensina a nunca nos aproximarmos ou mesmo olharmos para ela, pois diz que seríamos destruídos por um deus zangado e vingativo – um deus que o ego fez, de fato, para atender ao seu [do ego] propósito – com a intenção de nos punir por nosso pecado contra ele [Deus], ou então aniquilados no esquecimento de nosso próprio nada. Esse medo mantém a culpa e o pecado intactos, pois, sem vê-los como decisões de nossas mentes, nunca podemos mudar nossa crença neles.

Deixados com a ansiedade e o terror causados ​​pelo temor de Deus, nosso único recurso é recorrer ao ego em busca de ajuda, visto que Deus se tornou nosso inimigo.

O plano do ego de salvação da culpa tem duas partes: a primeira é a negação, em que empurramos nossa culpa para fora da consciência, esperando que, por não ver o problema, ela não estará lá. Em segundo lugar, depois que a culpa é negada, nós a projetamos de nós para outra pessoa, magicamente esperando nos livrar da culpa colocando-a inconscientemente fora de nós mesmos.

A projeção tem duas formas principais: relacionamentos especiais de ódio e relacionamentos especiais de amor.

Em relacionamentos especiais de ódio, nosso ódio por nós mesmos ou culpa é transferido para os outros, tornando-os responsáveis ​​pela miséria que sentimos. Nossa raiva ou ataque tenta justificar a projeção, reforçando a culpa dos outros pelos pecados que projetamos de nós mesmos.

Os relacionamentos especiais de amor têm o mesmo objetivo de projetar culpa, embora a forma seja muito diferente. Nossa culpa ensina que somos vazios, insatisfeitos, incompletos e necessitados, todos os aspectos do princípio da escassez.

Acreditando que essa carência jamais possa ser corrigida, buscamos fora de nós mesmos aquelas pessoas que podem nos completar. O amor especial, portanto, assume esta forma: tenho certas necessidades especiais que Deus não pode atender, mas você, uma pessoa especial com atributos especiais, pode atendê-las para mim. Quando você fizer isso, vou te amar. Se você não fizer isso, meu amor se transformará em ódio.

O mundo do ego se torna dividido em inimigos (ódio especial) ou ídolos salvadores (amor especial) e a verdadeira Identidade de Cristo nos outros é obscurecida. O julgamento, sempre baseado no passado em vez da aceitação no presente, é o princípio orientador do ego.

Por meio dos relacionamentos especiais, o ego sustenta a sua existência mantendo a culpa, visto que usar os outros para atender às nossas necessidades constitui um ataque e o ataque em qualquer forma reforça a culpa. Isso aciona o ciclo de ataque-culpa, em que quanto maior a nossa culpa, maior a necessidade de projetá-la, atacando os outros por meio de relacionamentos especiais, o que apenas aumenta a culpa, aumentando a necessidade de projetá-la.

A mente errada do ego é um sonho de separação, mais claramente expresso no mundo físico que foi feito como “um ataque a Deus” (LE-pII.3.2:1).

A existência do corpo é aquela de doença, sofrimento e morte, que testemunham a aparente realidade do corpo em oposição ao espírito, que nunca pode sofrer dor ou morrer.

A crucificação é o símbolo do ego do Curso, representando a crença no ataque e no sacrifício, onde o ganho de um depende da perda do outro.

Todos os aspectos do mundo separado são ilusões, visto que o que é de Deus nunca pode ser separado Dele e, portanto, o que parece separado de Deus não pode ser real. Isso é expresso pelo princípio do Curso “as ideias não deixam sua fonte“: somos uma Ideia (ou Pensamento) na Mente de Deus que nunca deixou a sua fonte.

O ego acredita na separação de Deus e a aparente separação que está sendo constantemente encenada aqui [no mundo] é algo que o aborrece muito, para dizer o mínimo.

Passaremos por milhares de ocasiões em nossa vida quando as coisas parecem estar indo bem, muito bem e, então, subitamente, algo acontece para nos aborrecer.

Pode ser algo que consideramos pequeno ou grande. Não importa. Se isso perturbar a paz da nossa mente, mesmo que em grau mínimo, é simbólico da separação.

Sempre que isso acontece, em todas as suas diferentes formas, é uma maneira de sobreviver repetidamente àquela primeira vez em que estávamos perfeitamente felizes no Céu [em UM SÓ] e então, subitamente, ficamos muito aborrecidos – a primeira vez em que pensamos que éramos separados de Deus – e é nisso que todos os outros aborrecimentos desse mundo são baseados.

Em nossa vida de sonho comum, as causas para os aborrecimentos parecem estar acontecendo com a identidade específica que temos como um corpo, que é em si mesma a falsa ideia da separação.

Em relação ao plano do ego, os seus problemas aparentemente múltiplos aparecem nesse mundo em uma tentativa de fazer você reagir – se sentir mal, culpado, irritado, derrotado, aborrecido, amedrontado, inferior, autoconsciente, chateado, solitário, ou superior e condescendente. Tudo isso é algum tipo de julgamento, não importando a forma.

Assim que você faz esse julgamento, dá validade ao mundo do ego e reforça a realidade aparente da separação e tudo o que vem com ela.

Dentro desse roteiro, que inclui todo o tempo, o ego tem cada variação possível de separação estruturada de tal forma a assegurar a perpetuação do conflito. Isso está misturado às suas boas épocas para fazer com que pareçam mais reais, exceto que essa mistura é apenas outro exemplo de dualidade.

Os Mestres Ascensionados continuam explicando: Ainda que o que realmente somos – espírito – não possa ser separado, vamos lhes dar mais alguns poucos exemplos agora de como o ego tenta prendê-los à crença na separação.

É através das nossas respostas e reações ao que vemos, que fazemos com que a experiência da separação de Deus pareça real. Os detalhes do que estamos tornando real aparecem em nossos relacionamentos e nas situações difíceis que foram delineadas para a gente.

Isso nem sempre é sobre coisas que parecem acontecer conosco. Pode ser sobre eventos que estamos observando como um espectador – nos relacionamentos dos outros, por exemplo, ou até nas notícias que assistimos ou lemos na internet.

Por exemplo, se as pessoas morrem em um acidente de avião, o que poderia ser mais simbólico da queda do homem? Ou, quando um bebê deixa o paraíso do útero da sua mãe e é empurrado para o mundo, o que mais poderia isso simbolizar exceto a separação de Deus?

Quando uma bala, uma faca, um raio laser, uma flecha, uma lança, ou uma estrela do mar fere a pele de alguém, o que a pele faz? Durante um terremoto, o que acontece com o chão sobre o qual construímos os alicerces da nossa vida ilusória? Se alguém é abandonado enquanto é criança ou bebê, isso obviamente é separação – sem mencionar uma oportunidade excelente para que a criança ou o bebê culpe seus pais biológicos ou aqueles que os abandonaram e, portanto, projete a sua culpa inconsciente neles, e preserve o seu ego.

Os exemplos são infinitos, entretanto, mais uma vez…são apenas o mesmo. Na doença, os pensamentos de ataque na mente – geralmente inconscientes – podem ser simbolizados por células do corpo atacando umas às outras, como no câncer, ou na forma de inúmeras outras doenças.

Em cada fase de nossa vida – nossa infância, período escolar, todas as atividades participativas nas quais nos engajamos através das décadas e diferentes carreiras que criam nossas próprias variações dos ditames de Maquiavel, teremos os conflitos que simbolizam a fragmentação ou separação.

Os Mestres Ascensionados prosseguem nos ensinando que o ego é algo bem trabalhoso. Nós já dissemos que o pensamento da separação de Deus foi projetada aparentemente para fora da mente – e nós junto com ele – e que todo um universo que inclui nosso corpo, assim como todos os outros corpos, foram criados.

A propósito, nosso corpo parece estar ligado a nós, mas está, na realidade, fora da gente, como tudo o mais que percebemos. Já que tudo o que parece estar fora de nós é igualmente ilusório, deveríamos considerar nosso corpo como não mais real ou importante para nós do que o corpo de qualquer outra pessoa.

As pessoas são como fantasmas, exceto em um nível aparentemente diferente. Elas pensam que seus corpos estão vivos, mas não estão. Elas vêem apenas o que querem ver. É por isso que Jesus disse, “Deixem os mortos enterrarem seus mortos”. As pessoas precisam de ajuda para encontrarem a verdade e serem levadas para casa. Elas precisam da Ajuda do Espírito Santo, mas Ele também precisa da vossa ajuda, através do vosso perdão às coisas que vocês vêem.

Obviamente, isso não significa que o corpo deveria ser desprezado.

Ao mesmo tempo, nós não deveríamos nos impressionar com ele mais do que Jesus se impressionou com o dele – como nessa breve passagem do Curso.

O corpo é o ídolo do ego, a crença no pecado que se fez carne e então se projetou para fora. Isso produz o que parece ser uma parede de carne em torno da mente, mantendo-a prisioneira em um ponto diminuto de espaço e tempo, devedora para com a morte, e tudo que lhe é dado é apenas um instante no qual suspirar, se lamentar e morrer em honra ao seu patrão. E esse instante não-santo parece ser a vida: um instante de desespero, uma diminuta ilha de areia seca, sem água e estabelecida de forma incerta no esquecimento. (UCEM–LT–Capítulo 20.VII.11:1-3-pág. 467)

O Curso diz que o segundo dos quatro obstáculos à paz é a crença em que o corpo tem valor pelo que oferece. (UCEM-LT-Capítulo 19.IV.B-pág.437)

Nós temos que entender que nos sentimos atraído por todo o sistema do ego. Nós confundimos dor com prazer. Nós somos inconscientemente atraídos pelo pecado, culpa, medo, dor e sofrimento. Isso não nos torna diferente de nenhuma outra pessoa exceto que nós seremos uma das pessoas que está consciente disso – então, nós podemos observar isso, perdoar e, finalmente, ficarmos livre disso. A maioria das pessoas não sabe que busca secretamente o que vai puni-las de alguma forma – não em todas as áreas da sua vida, mas sempre de alguma forma.

As pessoas acreditam inconscientemente que merecem ser punidas por atacar a Deus e jogar fora o Céu e elas encenam isso de muitas maneiras óbvias e dramáticas.

Já foi dito que o universo que vemos é simbólico de um pensamento de que nos separamos de Deus – apresentado de muitas formas – e que sentimos secretamente aterrorizados e imensamente culpados pela separação. Nesse nível do mundo de corpos, o pensamento da separação foi projetado, aparentemente para fora da gente. Agora, as causas substitutas do pecado, a responsabilidade projetada pela culpa e muitas razões imaginárias para o medo de qualquer tipo podem ser encontradas em algum outro lugar fora da gente – e, é claro, as outras pessoas vêem tudo como fora delas.

Uma vez que entendamos isso, não é difícil ver a encenação da separação e a projeção da culpa inconsciente funcionando no mundo todos os dias.

O ego colocou pessoas e grupos de pessoas uns contra os outros em todo o roteiro da história do universo – garantindo a encenação da separação em relacionamentos individuais da mesma forma. Apenas quando todos tiverem despertado do sonho, o pensamento da separação terá terminado.

Os Mestres explicam que mesmo na reunião, ainda existe separação nesse mundo. Para trazer isso à tona, o ego criou relacionamentos especiais.

Como já foi mencionado, com a Dualidade, você tem o amor especial e o ódio especial. O amor agora é seletivo, ao invés de oniabarcante e, portanto, não é realmente amor, mas passa por ele.

Quando parece entrar em uma encarnação, você é imediatamente uma parte de algum tipo de família – o que significa que você não é parte de outras famílias, classes econômicas, culturas, grupos étnicos e países. Você já é diferente dos outros de muitas maneiras. Existem até competições entre famílias, partes das famílias e indivíduos dentro das famílias.

Os relacionamentos especiais dentro da vossa família, seja biológica, adotiva, ou em orfanatos, podem ser bons ou ruins, amorosos ou odiosos – resultando tanto no amor especial quanto em algum tipo de vitimização.

Todos os que sonham com seu caminho nesse mundo vêem a si mesmos como um corpo desde o início e, portanto, um corpo muito especial na verdade. Pensamentos de vítima e vitimização não podem deixar de ser vistos à partir desse ponto de vista, resultando em uma projeção inconsciente do seu pecado e culpa – que estão escondidos por paredes de esquecimento – em alguém ou em algo.

Agora, todos os pecados secretos e ódios ocultos que temos sobre nós mesmos são vistos em algum outro lugar; o fato de que estamos experimentando uma projeção de um sonho irreal de nossa própria mente perdoada é completamente obliterado [esquecido] da consciência.

Outras pessoas e eventos externos, ou as ações mal orientadas de vosso próprio corpo e cérebro e, portanto, aparentemente culpadas, são a causa perceptível de uma série infinita de medos e situações – pequenas e grandes – que chamamos de nossa vida.

Como Jesus ensina no Curso, ao comparar os sonhos que temos na cama à noite, com os sonhos que temos durante o dia:

São as figuras no sonho e o que fazem que parecem fazer o sonho. Tu não reconheces que estás fazendo com que representem para ti, pois se reconhecesses, a culpa não seria delas e a ilusão de satisfação desapareceria. Nos sonhos, essas características não são obscuras. Pareces despertar e o sonho se foi. Entretanto, o que falhas em reconhecer é que aquilo que causou o sonho não se foi com ele. O teu desejo de fazer um outro mundo que não é real permanece contigo. E aquilo para o qual pareces despertar, não é senão uma outra forma desse mesmo mundo que vês nos sonhos. Todo o teu tempo é gasto em sonhar. Os teus sonhos, quando estás dormindo e os teus sonhos, quando estás acordado, têm formas diferentes e isso é tudo. Seu conteúdo é o mesmo. (UCEM–LT–Capítulo 18.II.5:5-14-págs. 399/400)

O ego acrescenta o truque esperto de ter tanta projeção nos relacionamentos de amor especial quanto nos de ódio especial ajudando, portanto, a assegurar a dinâmica contínua de reciclar a culpa. Se procurarmos bastante, o que a maioria das pessoas não fará, então, vamos ver que o amor nesse mundo está sempre qualificado de alguma maneira [amor condicional]. Se essas qualificações não são atendidas, espere para ver.

O ego é um mestre ilusionista e uma das maneiras de desviar a sua atenção, desde o momento em que você nasce, é dar-lhe – e isso pede outro rufar de tambores, por favor – problemas.

Esses problemas geralmente, estão bem à vossa frente e as respostas a eles têm que ser encontradas no mundo e utilizadas. Não importa se o problema é vossa própria sobrevivência, ou algo aparentemente tão grandioso quanto alcançar a paz mundial.

Os problemas e as respostas sempre estão lá fora no mundo, ou no universo. “A verdade está lá fora”, diz a nossa geração. Não importa se eles estão falando sobre extraterrestres, ou quaisquer outros mistérios e problemas substitutos do ego, pois a verdade real não está lá fora – porque o problema real não está lá.

Mas continuamos olhando lá para fora, nunca percebendo que, como o Curso diz sobre o ego:

Seus ditames podem ser então simplesmente resumidos dessa forma: “Busca e não aches”. (UCEM–LT–Capítulo 12.IV.1:4-pág. 237)

Enquanto estamos buscando, quanto mais as coisas mudam para a gente, mais permanecem as mesmas e as suas manchas ocultas de culpa continuam no mesmo lugar.

Algo de que sempre deveríamos tentar nos lembrar é que, mantendo-nos olhando para fora de nós mesmos, o ego nos impede de realmente olharmos para nosso sistema de pensamento.

Como já foi dito, o Curso ensina que as ilusões são projetadas por não se olhar para elas.

O ego não quer olhar para isso. Ele tem medo do vosso poder de escolher contra ele. Se estivermos olhando para isso, então precisamos estar fazendo isso com o Espírito Santo. Se estivermos unido a Ele [Espírito Santo], então, não estaremos mais em nossa mente errada, mas olhando para as coisas com nossa mente certa. Nós não somos mais um efeito ao invés da causa. Não estamos mais sozinhos como indivíduos culpados, mas reconectados com nosso Ser.

Olhem para o ego sem julgamento ou medo. Ele não é real, então, não é algo a se temer. Mas ele é algo a se perdoar. Portanto, para perdoar a si mesmo e aos outros também, você precisa querer olhar para as maneiras através das quais usamos as pessoas e as eliminamos em nossa mente. Isso não é realmente a gente, mas é uma parte do sistema que inconscientemente pensamos ser a gente.

Consequentemente, quando isso chega à ilusão do tempo, deveríamos entender que…

  • o pecado iguala o passado,
  • a culpa iguala o presente,
  • e o medo iguala o futuro.

É claro que poderia ser o futuro imediato ou distante. Realmente não importa.

Como exemplo, vamos dizer que uma pessoa esteja sendo assaltada sob a mira de uma arma e pense que possa ser morta. Ou talvez ela esteja preocupada com a sua aposentadoria daqui a vinte anos. Essas coisas são diferentes na forma, mas são realmente a mesma.

A razão real pela qual essa pessoa está amedrontada é porque acredita que pecou. Se ela não acreditasse no sistema do ego, não poderia ter medo. Essa pessoa pode pensar que não ter medo seria ruim para a sua efetividade e sobrevivência. Entretanto, quando ela é mais efetiva, quando está amedrontada ou quando não está?

Deveríamos também reconhecer que o medo, o pecado, o ódio, a culpa, os ciúmes, a raiva, a dor, a preocupação, o ressentimento, a vingança, a aversão, a inveja e todas as outras emoções negativas são versões da mesma ilusão. É por isso que o Curso ensina muito claramente, antes que todos os devedores se juntem, que:

Medo e amor são as únicas emoções de que és capaz. (UCEM–LT–Capítulo 12.II.9:5-pág. 230)

No livro “Um Retorno ao Amor”, a autora Marianne Williamson diz que o ego baseia sua percepção naquilo que aconteceu no passado, carrega essas percepções para o presente e, assim, cria um futuro como o passado. Se sentimos que falhamos no passado, nossos pensamentos sobre o futuro serão baseados nessas percepções. Aí entramos no presente na tentativa de compensar o passado. Uma vez que a nossa percepção é a nossa principal crença, recriamos essas mesmas condições no futuro. Passado, presente e futuro não são contínuos, a menos que forcemos essa continuidade sobre eles. O mundo do ego é um mundo de mudanças constantes, altos e baixos, escuridão e luz.

A natureza do ego é o ódio. Mesmo que vejam o ódio, o que a maioria das pessoas racionalizam ou encobrem, elas ainda não percebem – que é realmente auto ódio. Então, vemos pessoas no mundo que odeiam, atacam e até matam umas às outras, que iriam ferir ou até nos matar se tivessem uma chance.

As variações disso são infinitas. Pode ser tão simples como se sentir desconfortável com pessoas que discordam da gente, pessoal ou politicamente.

Pode se mostrar na forma de pessoas no trabalho que tentam tornar nossa vida difícil, ou parentes que não nos encorajam. Ou pode haver situações que são mais ameaçadoras fisicamente.

Mas sempre é o caso de vermos para onde levamos o ódio que sentimos por nós mesmos – jogando fora o Céu – e construímos um mundo onde as razões para esse ódio, para nossa culpa e falta de paz poderiam ser vistas fora da gente, quase sempre ligadas de alguma forma a outros seres. Agora a culpa não está na gente. Não fomos nós quem afastamos a paz de nós mesmos, foram eles.

Obviamente, ninguém pode realmente tirar a paz de Deus da gente, a não ser por nossa própria decisão; isso é tão verdadeiro hoje quanto era no primeiro instante da separação aparente. Aceitamos a verdade aparente disso tudo e, para lidar com isso, amarramos tudo de tal forma que os responsáveis agora estivessem lá fora – exatamente onde nós queríamos que estivessem.

Para reflexão, os Mestres enfatizam que as pessoas que nos causam problemas aparecem porque queremos. Elas são nossos bodes expiatórios. Se apenas pudéssemos nos lembrar desse fato da próxima vez em que uma pessoa colérica, aparentemente real, vir a nos aborrecer, então poderemos segurar a nossa língua, pensar com o Espírito Santo e mudar nossa mente.

É assim que nos enganamos a nós mesmos para pensar que não somos culpados, ou pelo menos não tão terrivelmente culpados, para que possamos competir em condições de igualdade a maior parte do tempo – pois a culpa está em algum outro lugar.

Uma vez que estejamos presos nesse labirinto, não podemos ver que tudo isso é desnecessário, porque realmente nunca fomos culpados para início de conversa. Todo o labirinto é uma ilusão para nos defender contra uma ilusão.

Temos que nos lembrar: nós acreditamos que somos realmente culpados em um nível mais profundo do que possamos imaginar.

Precisamos nos defender porque a alternativa é inconcebível para o ego – a de que poderíamos realmente olhar para nossa própria culpa -, cujo horror é atualmente encoberto pelo mundo.

O ego nos mantém convencidos de que examinar a hediondez da culpa é o equivalente da morte. Para evitar a malignidade que vem junto com todo o lixo, nós a projetamos para fora, esquecendo de que o que vai, volta – porque nunca realmente partiu, para início de conversa. Como o Curso diz:

Aquele que vê um irmão como um corpo, o vê como um símbolo do medo. E ele atacará, porque o que contempla é o seu próprio medo fora de si mesmo, pronto para atacar, mas pedindo aos gritos para se unir a ele novamente. Não te equivoques quanto à intensidade da raiva que o medo projetado tem que gerar. Irado, ele urra e arranha o ar na frenética esperança de poder alcançar aquele que o fez e devorá-lo. (UCEM-LE-161.8:1-4-pág.322)

É isso que os olhos do corpo contemplam naquele que o Céu estima, que os anjos amam e que Deus criou perfeito. (UCEM–LE–161.9:1-pág. 322)

O ego sempre está tentando encontrar maneiras de evitar que você examine de perto seu sistema de pensamento.

Em alto e bom som o ego te diz que não olhes para dentro, pois se o fizeres, os teus olhos tocarão o pecado e Deus te trespassará, cegando-te. (UCEM–LT pág. 484)

Como Jesus explica, não é com isso que o ego realmente está preocupado.

Atrás do seu medo [do ego] de olhar para dentro por causa do pecado, existe ainda um outro medo, medo esse que faz o ego tremer.

O que aconteceria se olhasses para dentro e não visses pecado algum? Essa questão “amedrontadora” é algo que o ego nunca pergunta. E tu, que a perguntas agora, estás ameaçando todo o sistema defensivo do ego de modo por demais grave para que ele se incomode em fingir que é teu amigo. (UCEM-LT-Capítulo 21.IV.3:1-3-pág.484)

O autor Gary questiona os Mestres Ascensos e, pela importância da questão, a transcrevemos para a nossa inspiração. A questão de Gary é que se o conteúdo da mente, incluindo nosso próprio ódio e culpa, estão simbolicamente ao nosso redor, então, como podemos realmente olhar para dentro quando estamos presos em um corpo e em um cérebro que só podemos perceber o que está fora?

O Mestre Arten responde esclarecendo que é exatamente assim que o ego nos ajuda. Tudo o que experimentamos comprova a realidade da ilusão e, então, a julgamos e a tornamos real para nós mesmos – mantendo todo o sistema intacto. A resposta para essa pergunta é a resposta para a vida. A maneira de sair disso é a alternativa do Espírito Santo – a lei do perdão. Temos que aprender como virar a mesa em relação ao ego. A única forma de perdoarmos o que está dentro é perdoarmos o que parece estar fora.

O ego nos iludiu para travarmos uma batalha que é continuamente vista do lado de fora de nós mesmos, onde o sistema de pensamento do pecado, da culpa e do medo é projetado de uma forma que garanta que essa batalha seja travada sempre onde a resposta não está. A resposta – o Espírito Santo – permanece dentro da mente fragmentada, junto com a mente do ego que está projetando o universo. Nosso trabalho agora é pararmos de travar a batalha onde não podemos vencer e nos voltarmos para o poder de tomar decisões da nossa mente, onde o Espírito Santo está.

É preciso lembrar que a culpa é apenas um pensamento na mente e nenhuma consequência pode realmente ser criada por uma ação no mundo. Atos como assassinato e suicídio realmente reciclam a culpa que todos inconscientemente pensam ser real e mantêm tudo funcionando.

As pessoas que matam outras ou a si mesmas vêem a morte como uma fuga. Pessoas que matam realmente odeiam a si mesmas, embora tenham projetado esse ódio nos outros e matar seja uma tentativa distorcida de destruir a si mesmas.

Como já foi dito, nosso ódio é realmente auto ódio. Todo criminoso secretamente espera ser pego e punido. Embora uma boa parte da culpa seja projetada nos outros, ela também é projetada em seu próprio corpo ilusório que, como já foi dito, é projetado para fora da nossa mente.

Existem muitas outras variações, como a estratégia do suicídio-através-dos-policiais, onde as pessoas abrem fogo contra a polícia porque sabem que isso provavelmente vai levar à sua própria morte.

Aqueles que cometem suicídio, de qualquer forma, buscam acabar com a dor psicológica intolerável da sua culpa e sofrimento. Uma vez que a culpa inconsciente permanece intacta, eles meramente acabam reencarnando e mantendo o problema não resolvido. A morte não é escapatória. O verdadeiro perdão é a escapatória. Como o Curso ensina:

Não se deixa o mundo pela morte, mas sim pela verdade e a verdade pode ser conhecida por todos aqueles para quem o Reino foi criado e pelos quais ele espera. (UCEM–LT–Capítulo 3.VII.6:11-pág. 54)

Pessoas que matam realmente odeiam a si mesmas e matar é uma tentativa distorcida de destruir-se. O Curso diz:

A raiva nunca é justificada. O ataque não tem fundamento. É aqui que o escape do medo começa e ele será completado. (UCEM–LT–Capítulo 30.VI.1:1-3-pág. 687)

Por que essas coisas são importantes? Porque, como o Curso também ensina, quer estejamos atacando outros com nossos próprios pensamentos, ou outra pessoa pareça estar nos atacando, verbal ou fisicamente:

O segredo da salvação é apenas esse: tu estás fazendo isso a ti mesmo. Seja qual for a forma do ataque, isso ainda é verdadeiro. Seja quem for que se coloque no papel do inimigo e do agressor, isso ainda é verdade. Seja o que for que pareça ser a causa de qualquer dor ou sofrimento que sintas, isso ainda é verdadeiro. Pois não reagirias de forma alguma a figuras de um sonho se soubesses que estavas sonhando. Que elas sejam tão odientas e más quanto puderem, não poderiam ter nenhum efeito sobre ti, a não ser que tenhas fracassado em reconhecer que esse é o teu sonho. (UCEM–LT–Capítulo 27.VIII.10:1-6-pág. 631)

Dr. Wapnick em determinado Workshop esclarece que o sistema de pensamento do ego é baseado na ideia “matar ou ser morto” (MP-17.7:11), que é o mesmo que dizer que é “um ou o outro“.

Todo o sistema de pensamento do ego repousa na crença de que somos diferentes – é assim que o sistema de pensamento do ego começa. Deus é diferente do Filho. Lembrem-se onde nós começamos – Deus e Cristo estão totalmente unidos.

Não há como Deus possa Se perceber em relação a Cristo ou Cristo possa Se perceber em relação a Deus. Não há diferença. Dentro do sonho, quando falamos do Céu, falamos de uma diferença – Deus é o Criador, Cristo é o criado. Mas no Céu, não há mente separada que vê dessa forma – Deus e Cristo não são diferentes. O sistema de pensamento do ego começa com diferenças.

Quando o sonho pareceu começar e a ideia diminuta e louca surgiu na mente do Filho, de repente Deus e o Filho eram diferentes. Então o Filho disse: “Nós somos diferentes – Deus tem algo que eu não tenho. Portanto, eu o pegarei.” O que Deus tinha, é claro, era o poder de criar o Filho – não era o contrário.

Então o Filho roubou de Deus o poder de criar e agora ele o tem. O Filho ainda é diferente de Deus, mas agora está por cima – como no jogo da gangorra. Com a terceira fragmentação, onde o ser pecaminoso e culpado se divide em dois, há novas diferenças. Não sou mais pecador – Deus é pecador, porque Ele vai me atacar.

O sistema de pensamento do ego é baseado na crença em diferenças. Em contraste, o sistema de pensamento do Espírito Santo, que é o reflexo do Céu, baseia-se na crença de que somos todos iguais. Claro, somos diferentes no nível do corpo e da forma, mas essas diferenças não fazem diferença.

O sistema de pensamento do ego afirma – e o mundo reflete esse pensamento – que se Deus tem algo, eu de fato não o tenho. Mas se eu tenho algo, Ele de fato não o tem. É um ou o outro. Ou eu sou o pecador miserável ou Deus é.

Claro que é muito mais fácil para mim escapar da armadilha projetando o pecado em Deus. E uma vez que fazemos isso, que é a terceira fragmentação, tudo é projetado no mundo – vejo todos os outros como tendo algo que eu não tenho. E por que eles têm e eu não? Porque eles o tiraram de mim e isso justifica roubá-los de volta. Esse é realmente o cerne dos relacionamentos especiais.

Sempre que julgamos as figuras no sonho e dessa forma tornamos nosso sonho real, cairemos direto na armadilha do ego – acreditamos que precisamos expiar nosso pecado, ou que outros precisam expiar os deles, ou que eles merecem nossa condenação.

Tu não podes dissipar a culpa fazendo com que ela seja real e depois expiando-a. Esse é o plano do ego, que ele oferece ao invés de dissipá-la. O ego crê na expiação através do ataque, estando totalmente comprometido com a noção insana de que o ataque é salvação. (UCEM–LT–Capítulo 13.I.10:1-3-pág. 253)

Como o Curso ainda diz:

… No ensinamento do ego, portanto, não há como escapar da culpa. Pois o ataque faz com que a culpa seja real e se ela é real, não há nenhum caminho para superá-la. (UCEM–LT–Capítulo 13.I.11:2-3-pág. 253)

O mundo não precisa do perdão de Deus; as pessoas precisam perdoar a si mesmas, perdoando as imagens que vêem.

Deus não perdoa porque Ele nunca condenou. E tem que haver condenação antes que o perdão seja necessário. O perdão é a grande necessidade desse mundo, mas isso é assim porque esse é um mundo de ilusões. Aqueles que perdoam estão portanto liberando a si mesmos das ilusões, enquanto aqueles que negam o perdão estão se ligando a elas. Assim como só condenas a ti mesmo, também só perdoas a ti mesmo. (UCEM-LE-46.1:1-5-pág.79)

Contudo, embora Deus não perdoe, o Seu Amor é, não obstante, a base do perdão. (UCEM-LE-46.2:1-pág.79)

Embora não precisemos do perdão de Deus, porque Ele nunca nos condenou, realmente temos acesso à Sua Voz, o Espírito Santo, que trata da culpa dessa maneira:

O Espírito Santo a dissipa simplesmente através do calmo reconhecimento de que ela nunca existiu. (UCEM–LT-Capítulo 13.I.11:4-pág. 253)

Dr. Wapnick também nos esclarece que, como já foi dito, Deus não precisa fazer nada. Deus simplesmente é. Se Ele fizesse alguma coisa, estaria agindo no mundo como se fosse real. E, de fato, quando planejamos, obviamente estamos falando sobre o tempo. Mas não há tempo para Deus, então Deus não pode planejar.

Esta passagem está realmente falando sobre um processo no qual, quando a separação parecia ocorrer, todo o tempo também ocorria naquele instante e, de fato, ainda está ocorrendo naquele instante – o que o Curso chama de “diminuto tic-tac do tempo” na seção do Texto chamada “O pequeno obstáculo”. E todos os erros, ele explica, ocorreram no primeiro erro. (T-26.V.3:5-pág.589)

O ego também tem um plano de perdão, como diz o Curso:

O ego também tem um plano de perdão porque estás pedindo um plano, embora não o estejas pedindo ao professor certo. O plano do ego, é claro, não faz sentido e não funcionará. Seguindo o seu plano, simplesmente irás colocar-te em uma situação impossível, para a qual o ego sempre te conduz. O plano do ego é fazer com que vejas, em primeiro lugar, o erro com clareza e depois não o vejas. Mas como é possível não veres aquilo que fizeste com que fosse real? Vendo-o com clareza, tu fizeste com que fosse real e não podes deixar de vê-lo. É aqui que o ego é forçado a apelar para “mistérios”, insistindo que precisas aceitar o que não tem significado para salvar-te. Muitos tentaram fazer isso em meu nome, esquecendo que as minhas palavras fazem sentido perfeito porque vêm de Deus. Elas têm tanto sentido agora como sempre tiveram porque falam de ideias que são eternas. (UCEM–LT–Capítulo 9.IV.4:1-9-pág. 179)

O ego pensa que é uma vantagem não se comprometer com coisa alguma que seja eterna, como diz o Curso:

O ego pensa que é uma vantagem não se comprometer com coisa alguma que seja eterna, porque o eterno é a única função que o ego tem tentado desenvolver, mas sistematicamente tem falhado em conseguir. O ego transige com o tema do eterno exatamente como faz com todos os temas que, de alguma maneira, digam respeito à questão real. Passando a envolver-se com assuntos tangenciais, espera esconder a questão real e mantê-la fora da mente. A ocupação característica do ego com coisas que não são essenciais é precisamente para esse propósito. As preocupações com problemas colocados para serem insolúveis são os instrumentos favoritos do ego para impedir o progresso do aprendizado. Em todas essas táticas diversivas há, porém, uma única questão que nunca é colocada por aqueles que as perseguem: “Para quê?”. Essa é a questão que tu tens que aprender a colocar em relação a tudo. Qual é o propósito disso? Seja ele qual for, vai dirigir os teus esforços automaticamente. Quando tomas uma decisão em relação ao propósito, naquele momento tomaste uma decisão a respeito do teu esforço futuro, uma decisão que vai permanecer efetiva a não ser que mudes a tua mente. (UCEM–LT–Capítulo 4.VI.6:1-11-pág. 71)

Em determinado Workshop ministrado pelo Dr. Wapnick, na seção de perguntas e respostas, uma pessoa participante levantou uma questão sobre o que estimula (excita, entusiasma) o ego? Dr. Wapnick então responde que o que estimula o ego é o tomador de decisões.

O ego em si não tem poder algum, por mais poderoso que pareça – e certamente todos nós experimentamos grande poder aqui em termos de nossos pensamentos e sentimentos. Mas o que dá ao sistema de pensamento do ego esse poder não é o ego em si. É o poder da mente de escolher – essa é sua fonte de poder.

David Hoffmeister, no site https://miracleshome.org/index.htm, nos inspira com a mensagem que qualquer pergunta que o ego algum dia já fez é somente uma metáfora porque a única dúvida durou somente um instante. A resposta para qualquer uma das perguntas, como ou por que, é realmente a mesma.

O pensamento de dúvida, expresso em palavras, é aquele que poderia ter uma existência separada do nosso Criador. Este pensamento de dúvida pareceu separar a Única Mente, causando a separação em inúmeras partes e isto nós chamamos de pecado original, a separação, o sonho de pecado que nunca existiu.

Não há razão que algum dia possa se dar a algo que é irreal como não há fonte para o erro, só pode ser visto pelo que é e este é o fim de todas as perguntas.

O que pareceu ocorrer em um único instante não santo foi simultaneamente corrigido. Se isso não fosse assim, a separação teria a sua própria realidade e o poder de Deus realmente seria limitado. O que pareceu ser o instante não santo nunca foi em absoluto.

O que agora parece ser o tempo linear é senão um momento de loucura sendo repetido várias e várias vezes na mente do adormecido Filho de Deus. O reconhecimento de que é irreal acaba com o conceito de tempo linear e todas as ilusões e leva a Mente de volta ao estado original do Instante Santo.

Um senso de separação de Deus é a única carência que realmente precisa ser corrigida. Este sendo de separação vem somente da percepção distorcida da Realidade, da qual então você se percebe como carente e da qual todas as necessidades aparentes surgem.

Nossa responsabilidade é desistir de todas as necessidades exceto a única necessidade de Deus. Não há nenhum universo perceptivo que existisse antes do pensamento de separação, nem realmente existe agora. Devemos ver que o que parece ser uma infinidade de imagens é apenas um erro.

Parece haver uma brecha entre você e o seu irmão, os olhos do corpo mostram diferenças e você acredita nelas. Você deve procurar dentro de você e permitir que o Espírito Santo corrija essa louca ideia.

Tudo que Deus criou é como Ele e Único. Somente o Amor pode criar Amor e o que é temporal não é Amor.

Extensão é de Deus e essa radiância interior que as crianças do Pai herdam Dele é eterna. A vida em um corpo é temporária e não de Deus. A vida não é do corpo, mas da mente. Reconhecer isso é reconhecer a salvação.

Você é tão merecedor do Amor de Deus, você tem o direito ao conforto perfeito que vem da confiança perfeita. Não perca seu tempo com tentativas inúteis para você ficar mais confortável com ilusões reorganizando-as para se ajustar as suas necessidades e desejos aparentes.

O milagre é o meio para você. Ele prepara a sua mente para Deus. O milagre prepara a mente para a aceitação da Expiação, onde as Criações de Deus são completamente dependentes Um do Outro. Ele depende de você porque Ele o criou perfeito.

Você deve aprender a olhar para o mundo como um meio de curar a aparente separação.

A Expiação é a garantia que você finalmente terá êxito. E lembre-se de aplicar a citação, “Busque primeiro o Reino de Deus e todas as coisas te serão dadas.” Todos são um só em Cristo.

Dr. Wapnick nos esclarece que é importante sempre ter em mente que a abordagem básica do Curso é corrigir as percepções errôneas do ego. Como Jesus diz no Curso:

A mente curada não faz planos. Executa os planos que recebe ouvindo a Sabedoria que não lhe é própria (LE-pI.135.11:1-2)

Bibliografia da OREM3:

1) Livro “Um Curso em Milagres” – Livro Texto, Livro de Exercícios e Manual de Professores. Fundação para a Paz Interior. 2ª Edição –  copyright© 1994 da edição em língua portuguesa.

2) Artigo “Helen and Bill’s Joining: A Window Onto the Heart of A Course in Miracles” (tradução livre: A União de Helen e Bill: Uma Janela no Coração de Um Curso em Milagres”) – Robert Perry, site: https://circleofa.org/

3) E-book “What is A Course in Miracles” (tradução livre: O que é Um Curso em Milagres) – Robert Perry.

4) E-book “Autobiography – Helen Cohn Schucman, Ph.D.” – Foundation for Inner Peace (tradução livre: Autobiografia – Helen Cohn Schucman, Ph.D., Fundação para a Paz Interior).

5) Livro “Uma Introdução Básica a Um Curso em Milagres”,  Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

6) Livro “O Desaparecimento do Universo”, Gary R. Renard.

7) Livro “Absence from Felicity: The Story of Helen Schucman and Her Scribing of A Course in Miracles” (tradução livre: “Ausência de Felicidade: A História de Helen Schucman e Sua Escriba de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

8) Artigo “A Short History of the Editing and Publishing of A Course in Miracles” (tradução livre: Uma Breve História da Edição e Publicação de Um Curso em Milagres” – Joe R. Jesseph, Ph.D. http://www.miraclestudies.net/history.html

9) E-book “Study Guide for A Course in Miracles”, Foundation for Inner Peace (tradução livre: Guia de Estudo para Um Curso em Milagres, Fundação para a Paz Interior).

10) Artigo “The Course’s Use of Language” (tradução livre: “O Uso da Linguagem do Curso”), extraído do livro “The Message of A Course in Miracles” (tradução livre: “A Mensagem de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

11) Artigo Who Am I? (tradução livre: Quem Sou Eu?) – Beverly Hutchinson McNeff – Site: https://www.miraclecenter.org/wp/who-am-i/

12) Artigo “Jesus: The Manifestation of the Holy Spirit – Excerpts from the Workshop held at the Foundation for A Course in Miracles – Temecula CA” (tradução livre: Jesus: A Manifestação do Espírito Santo – Trechos da Oficina realizada na Fundação para Um Curso em Milagres – Temecula CA) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

13) Livro “Quantum Questions” (tradução livre: “Questões Quânticas”) – Ken Wilburn

14) Livro “Um Retorno ao Amor” – Marianne Williamson.

15) Glossário do site Foundation for A Course in Miracles (tradução livre: Fundação para Um Curso em Milagres), do Dr. Kenneth Wapnick, https://facim.org/glossary/

16) Livro Um Curso em Milagres – Esclarecimento de Termos.

17) Artigo “The Metaphysics of Separation and Forgiveness” (tradução livre: “A Metafísica da Separação e do Perdão”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

18) Livro “Os Ensinamentos Místicos de Jesus” – Compilado por David Hoffmeister – 2016 Living Miracles Publications.

19) Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – A Canção da Oração” – Helen Schucman – Fundação para a Paz Interior.

20) Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – Psicoterapia: Propósito, Processo e Prática.

21) Workshop “O que significa ser um professor de Deus”, proferido pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D..

22) Artigo escrito pelo escritor Paul West, autor do livro “I Am Love” (tradução livre: “Eu Sou Amor”), blog https://www.voiceforgod.net/.

23) Artigo “The Beginning Of The World” (tradução livre: “O Começo do Mundo”) – Dr Kenneth Wapnick.

24) Artigo “Duality as Metaphor in A Course in Miracles” (tradução livre: “Dualidade como Metáfora em Um Curso em Milagres”) – Um providencial e didático artigo, considerado pelo próprio autor como sendo um dos artigos (workshop) mais importantes por ele escrito e agora compartilhado pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

25) Artigo “Healing the Dream of Sickness” (tradução livre: “Curando o Sonho da Doença”  – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

26) Livro “The Message of A Course in Miracles – A translation of the Text in plain language” (tradução livre: “A mensagem de Um Curso em Milagres – Uma tradução do Texto em linguagem simples”) – Elizabeth A. Cronkhite.

Imagem jason-wong-KRr9SWTsaxg-unsplash.jpg

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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