O ego é uma tentativa da mentalidade errada para perceber a ti mesmo como desejas ser ao invés de como és. T-3.IV.2:3

A mente pode estar certa ou errada, dependendo da voz que escuta. ET-1.5:1

A mente errada escuta o ego e dá origem a ilusões; percebendo pecado e justificando a raiva, vendo a culpa, a doença e a morte como reais. ET-1.6:1

Mentalidade errada: A parte de nossas mentes separadas e divididas que contém o ego – a voz do pecado, da culpa, do medo e do ataque; Somos repetidamente solicitados a escolher a mentalidade certa em vez da mentalidade errada, que nos aprisiona ainda mais no mundo da separação. Glossário – Índice para Um Curso em Milagres, Quarta Edição – https://facim.org/glossary/wrong-mindedness/

Mentalidade errada: O oposto da mentalidade certa, o estado de espírito baseado no sistema de pensamento do ego, que é a fonte da falsa percepção e de todos os males humanos. Utilizado [o termo] apenas nos primeiros quatro capítulos do Texto e esclarecido no Esclarecimento de Termos. https://circleofa.org/glossary-of-terms/t-z/wrong-mindedness/

Do livro Um Curso em Milagres, Esclarecimento de termos, capítulo 1 – Mente – Espírito, temos:

O termo mente é usado para representar o agente ativador do espírito, suprindo a sua energia criativa. Quando o termo aparece em maiúsculas, refere-se a Deus ou a Cristo (isso é, a Mente de Deus ou a Mente de Cristo). Espírito é o Pensamento de Deus que Ele criou como Ele mesmo. Espírito unificado é o Filho único de Deus, ou Cristo.

Nesse mundo, porque a mente é dividida, os Filhos de Deus parecem estar separados. Nem as suas mentes parecem estar unidas. Nesse estado ilusório, o conceito de “mente individual” parece ser significativo. Ele é, portanto, descrito no curso como se tivesse duas partes: espírito e ego.

O espírito é a parte que ainda está em contato com Deus através do Espírito Santo, Que habita nesta parte, mas vê também a outra. O termo “alma” não é usado a não ser em citações bíblicas diretas devido à sua natureza altamente controversa. Seria, no entanto, equivalente a “espírito”, compreendendo que, sendo de Deus, ela é eterna e nunca nasceu.

A outra parte da mente é inteiramente ilusória e só produz ilusões. O Espírito retém o potencial para criar, mas a sua Vontade, que é de Deus, parece estar prisioneira enquanto a mente não é unificada. A criação continua sem nenhum decréscimo porque essa é a Vontade de Deus. Essa Vontade é sempre unificada e, portanto, não tem significado nesse mundo. Não tem opostos nem graus.

A mente pode estar certa ou errada, dependendo da voz que escuta. A mente certa ouve o Espírito Santo, perdoa o mundo e através da visão de Cristo vê o mundo real em seu lugar. Essa é a visão final, a última percepção, a condição na qual o próprio Deus dá o passo final. Aqui o tempo e as ilusões terminam juntos.

A mente errada escuta o ego e dá origem a ilusões: percebendo pecado e justificando a raiva, vendo a culpa, a doença e a morte como reais. Tanto esse mundo quanto o mundo real são ilusões, porque a mente certa meramente não vê, ou perdoa, o que nunca aconteceu. Ela não é, portanto, a mente Una que está na Mente de Cristo, Cuja Vontade é una com a de Deus.

Nesse mundo, a única liberdade restante é a liberdade de escolha, sempre entre duas opções ou duas vozes. A Vontade não está envolvida na percepção em nível algum e não tem nada a ver com a escolha. A consciência é o mecanismo receptivo, que recebe mensagens de cima ou de baixo, do Espírito Santo ou do ego. A consciência tem níveis e a conscientização pode se deslocar drasticamente, mas não pode transcender o domínio da percepção. Na melhor das hipóteses, ela vem a estar consciente do mundo real e pode ser treinada para fazê-lo cada vez mais. Entretanto, o próprio fato de ter níveis e poder ser treinada demonstra que não é capaz de atingir o conhecimento.

A Mentalidade Errada – O Sistema de Pensamento do Ego

No livro “Introdução Básica a Um Curso em Milagres”, do Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D., temos no capítulo 3 uma abordagem do que é a Mentalidade Errada, segundo o sistema de pensamento do ego, conforme ensinado em Um Curso em Milagres, que transcrevemos para a nossa reflexão:

Dr. Wapnick inicia o capítulo informando que os dois sistemas de pensamento são críticos para a compreensão de Um Curso em Milagres – a mentalidade errada e a mentalidade certa.

A mentalidade errada pode ser equiparada ao ego. A mentalidade certa pode ser equiparada ao sistema de pensamento do Espírito Santo, que é o perdão.

O autor enfatiza que o sistema de pensamento do ego não é muito feliz. O Curso torna muito claro que tanto o ego quanto o Espírito Santo são perfeitamente lógicos e consistentes em si mesmos. São também mutuamente exclusivos. Todavia, nos ajuda muito compreender exatamente o que é a lógica do ego, porque ele é muito lógico. Assim, uma vez que percebamos essa sequência lógica, muitos pontos no Texto, que de outra forma parecem obscuros, tornam-se bastante evidentes.

Dr. Wapnick esclarece que uma das dificuldades ao estudarmos Um Curso em Milagres é que ele não se parece com nenhum dos outros sistemas de pensamento. A maioria procede de uma forma linear na qual você começa com ideias simples e vai construindo em cima delas em direção a complexidade. O Curso não é assim. O sistema de pensamento do Curso é apresentado de um modo circular. Parece andar em círculos sempre em volta do mesmo ponto uma e outra vez.

O autor nos solicita a pensar na imagem de um poço: “Você vai andando em círculos em volta do poço indo cada vez mais para baixo até chegar ao fundo. E o fundo desse poço seria Deus. Mas você continua andando em volta do mesmo círculo. Acontece que ao seguir cada vez mais para baixo, você se aproxima da fundação do sistema do ego. Mas é sempre a mesma coisa.”

E é por isso que o Texto diz a mesma coisa uma e outra vez. Como é quase impossível compreender isso da primeira vez, ou da centésima vez, você precisa das 721 páginas. É um processo e essa é uma das coisas que distinguem Um Curso em Milagres dos outros sistemas de espiritualidade.

Apesar de ser apresentado como um sistema de pensamento bastante intelectualizado, é realmente um processo experimental. É escrito deliberadamente dessa forma, pois parte de um ponto de vista pedagógico e pretende nos fazer estudar de um modo diferente daquele que usaríamos para qualquer outro sistema, conduzindo-nos em volta desse poço. No processo de trabalhar com o material do Curso e com o material das nossas vidas pessoais, nós compreenderemos cada vez mais o que o Curso nos diz.

O autor enfatiza, porém, que nos ajuda bastante abordar o sistema de pensamento do ego de um ponto de vista linear, para podermos compreender como ele é construído. Isso fará com que seja mais fácil lermos o Texto.

Pecado, culpa e medo

Dr. Kenneth Wapnick nos esclarece:

“Ha três ideias centrais para a compreensão do sistema de pensamento do ego. Esses são os fundamentos de todo o sistema: o pecado, a culpa e o medo.

Sempre que vocês virem a palavra ‘pecado’ no Curso, podem substituí-la pela palavra ‘separação’, porque as duas são a mesma.

O pecado pelo qual nós nos sentimos mais culpados, que em última instância é a fonte de toda a nossa culpa, é o pecado de acreditarmos que estamos separados de Deus.

Isso é em princípio a mesma coisa que as igrejas ensinaram como o ‘pecado original’. A descrição no terceiro capítulo do Gênesis nos dá um relato perfeito do nascimento do ego. De fato, o primeiro subtítulo do Capítulo 2 no Texto fala sobre isso (T-2.I.3-4).

Assim o início do ego é acreditarmos que estamos separados de Deus. O pecado é isso: acreditarmos que nos separamos de nosso Criador e constituirmos um ser que é separado do nosso Ser verdadeiro.

O Ser é sinônimo de Cristo. Sempre que vocês virem a palavra ‘Ser’ com letra maiúscula, podem substituí-la por ‘Cristo’.

Nós acreditamos que constituímos um ser (com ‘s’ minúsculo) que é a nossa verdadeira identidade e esse ser é autônomo com relação ao nosso Ser real e com relação a Deus.

Esse é o começo de todos os problemas no mundo: acreditarmos que somos indivíduos separados de Deus. Uma vez que acreditamos que cometemos esse pecado, ou uma vez que acreditamos que cometemos qualquer pecado, é psicologicamente inevitável nos sentirmos culpados por aquilo que acreditamos que fizemos.

Em certo sentido, a culpa pode ser definida como a experiência de termos pecado. Assim, podemos basicamente usar pecado e culpa como sinônimos: uma vez que acreditamos que pecamos é impossível não acreditarmos que somos culpados, passando a sentir o que conhecemos como culpa.

Quando Um Curso em Milagres fala sobre culpa, usa a palavra de modo um pouco diferente daquele no qual ela é usada geralmente, que quase sempre serve para conotar que eu me sinto culpado por aquilo que fiz ou deixei de fazer. A culpa está sempre ligada a coisas específicas do nosso passado. Mas essas experiências conscientes de culpa são apenas como o topo de um iceberg. Se vocês pensarem num iceberg, abaixo da superfície do mar está essa massa gigantesca que representaria o que é a culpa.

Foto de Alexander Hafemann em Unsplash

A culpa é realmente a soma total de todas as crenças, experiências e sentimentos negativos que jamais tivemos sobre nós mesmos. Assim, a culpa pode ser qualquer forma de ódio ou rejeição de si mesmo; sentimentos de incompetência, fracasso, vazio, ou a sensação de que há coisas em nós que estão faltando, ou estão perdidas, ou são incompletas.

A major parte dessa culpa é inconsciente; é por isso que a imagem de um iceberg é tão útil. A major parte das experiências que nos indicariam o quanto nós nos sentirmos mal estão abaixo da superfície da nossa mente consciente, o que faz com que sejam virtualmente inacessíveis a nós. E a maior fonte de toda essa culpa é acreditarmos que pecamos contra Deus por nos separarmos d’Ele. Como resultado disso, vemos a nós mesmos separados de todas as outras pessoas e do nosso Ser.”

Dr. Wapnick ainda prossegue nos esclarecendo que uma vez que nos sentimos culpados é impossível não acreditarmos que seremos punidos pelas coisas terríveis que acreditamos ter feito e pelas coisas terríveis que acreditarmos ser. Como o Curso nos ensina, a culpa sempre exige punição. Uma vez que nos sentimos culpados, acreditaremos que temos que ser punidos pelos nossos pecados.

Psicologicamente não há nenhuma forma de evitarmos esse passo. Então teremos medo. Todo medo, não importa qual pareça ser a sua causa no mundo, vem da crença de que eu devo ser punido pelo que fiz ou pelo que não fiz. E assim terei medo do que será essa punição.

Por acreditarmos que o objeto último do nosso pecado é Deus, contra o qual pecamos por nos separarmos d’Ele, acreditaremos então que será o próprio Deus que virá nos punir.

Quando lemos a Bíblia e nos deparamos com todas aquelas passagens terríveis sobre a ira e a vingança de Deus, agora sabemos onde elas tiveram origem. Isso nada tem a ver com Deus como Ele é, já que Deus é apenas Amor Incondicional. Todavia isso tem tudo a ver com as projeções da nossa culpa sobre Ele. Não foi Deus quem expulsou Adão e Eva do Jardim do Éden; Adão e Eva expulsaram a si mesmos do Jardim do Éden.

Uma vez que acreditamos haver pecado contra Deus, o que todos nós fazemos, temos que acreditar também que Deus nos punirá. O Curso nos fala dos quatro obstáculos para a paz e o último obstáculo é o medo de Deus (T-19.IV-D).

O que fizemos, é claro, por nos tornarmos amedrontados em relação a Deus, foi transformar o Deus do Amor em um Deus de medo: um Deus de ódio, punição e vingança. É justamente isso que o ego quer que façamos.

Uma vez que nos sentimos culpados e pouco importa de onde acreditamos que venha essa culpa, também acreditamos não apenas que somos culpados, mas que Deus nos vai atacar e matar. Assim, Deus, que é o nosso Pai cheio de Amor Incondicional e o nosso único Amigo, vem a ser o nosso inimigo.

E Ele é um inimigo e tanto, nem sequer é preciso dizer. Mais uma vez, essa é a origem de todas as crenças que encontramos na Bíblia, ou em qualquer outro lugar, sobre Deus como um Pai que nos vai punir. Acreditar que Ele é assim é atribuir-Lhe as mesmas qualidades egóticas que nós temos.

Como disse Voltaire: “Deus criou o homem a Sua própria imagem e depois o homem Lhe devolveu o cumprimento”. O Deus que nós criamos é realmente a imagem de nosso próprio ego.

Dr. Wapnick afirma que ninguém pode existir nesse mundo com esse grau de medo e terror e com essa intensidade de ódio e culpa contra si mesmo na sua mente consciente. Seria absolutamente impossível para nós vivermos com essa quantidade de ansiedade e terror, isso nos devastaria. Portanto, tem que haver algum meio de lidarmos com isso. Como não podemos ir a Deus em busca de ajuda, já que dentro do sistema do ego nós transformamos Deus em um inimigo. O único outro recurso disponível é o próprio ego.

Nós vamos ao ego em busca de ajuda e dizemos: “Olhe, você tem que fazer alguma coisa, eu não posso tolerar toda essa ansiedade e todo o terror que sinto. Ajude-me!” O ego, fiel à sua forma, nos oferece uma ajuda que não nos ajuda absolutamente, embora pareça que sim. A “ajuda” vem em duas formas básicas e é, de fato, aqui que as contribuições de Freud podem ser verdadeiramente compreendidas e apreciadas.

Negação e projeção

Dr. Wapnick, de maneira a explicar, didaticamente como sempre, o conceito de negação e projeção, menciona Freud e Jung, a saber:

“Eu acho que devo dar uma mãozinha a Freud, que tem recebido más críticas nos dias de hoje. As pessoas gostam muito de Jung e dos psicólogos não tradicionais e com certa razão, mas Freud foi varrido para o pano de fundo. Contudo, a compreensão básica do ego no Curso se baseia diretamente nos ensinamentos de Freud. Ele era um homem brilhante e se não fosse por Freud, Um Curso em Milagres não teria existido. O próprio Jung nos diz, apesar de todos os problemas que tinha com Freud, que ele estava sendo levado nas costas de Freud. E isso é verdade para todas as pessoas que vieram depois de Freud. Freud descreve de modo muito sistemático e muito lógico exatamente como o ego funciona.

Deixe-me apenas mencionar que Freud usa a palavra ‘ego’ de um modo diferente daquele usado pelo Curso. No Curso, ‘ego’ é usado basicamente com a mesma conotação que existe no Oriente. Em outras palavras, o ego é o ser com letra minúscula. Para Freud, o ego é apenas uma parte da psique, que consiste do id (o inconsciente), o superego (o consciente), e o ego, que é a parte da mente que integra tudo isso. O Curso usa a palavra ‘ego’ de forma que seria basicamente equivalentes a psique total de Freud. Vocês simplesmente têm que fazer essa transição para trabalhar com o Curso.

Incidentalmente, o único erro de Freud foi monumental! Ele não reconheceu que toda a psique era uma defesa contra o nosso verdadeiro Ser, a nossa verdadeira realidade. Freud tinha tanto medo da sua própria espiritualidade que ele teve que construir todo um sistema de pensamento que era virtualmente impregnável à ameaça do espírito. E ele, de fato, fez exatamente isso. Mas foi brilhante ao descrever como a psique ou o ego trabalha.

O seu erro, mais uma vez, foi não reconhecer que a coisa toda era uma defesa contra Deus. Basicamente, o que nós dissemos hoje a respeito do ego está baseado no que Freud havia dito. Nós todos temos para com ele um tremendo débito de gratidão. Particularmente notáveis foram as contribuições de Freud na área dos mecanismos de defesa, ajudando-nos a compreender como nos defendemos contra toda a culpa e medo que sentimos.”

Dr. Wapnick, no livro citado acima, prossegue com a didática metáfora para a nossa compreensão do sistema de pensamento do ego e da mentalidade errada, esclarecendo-nos que quando vamos ao ego em busca de ajuda, abrimos um livro de Freud e achamos duas coisas que nos vão ajudar muito.

“A primeira é repressão ou negação. (O Curso nunca usa a palavra ‘repressão’; ele usa a palavra ‘negação’. Mas vocês podem usar uma ou outra.) O que fazemos com essa culpa, esse senso de pecado e com todo esse terror que sentimos é fazer de conta que não existem. Nós apenas os empurramos para o fundo, fora da consciência e esse empurrar para baixo é conhecido como repressão ou negação.

Apenas negamos a sua existência para nós mesmos. Por exemplo, se estamos com muita preguiça de varrer o chão, varremos a sujeira para baixo do tapete e então fazemos de conta que não está ali; ou um avestruz que quando tem medo apenas enfia a cabeça na areia para não ter que lidar com o que o ameaça tanto, nem sequer se defrontar com isso. Bem, isso não funciona por razões óbvias. Se continuamente varremos a sujeira para baixo do tapete, ele vai ficar cheio de caroços e nós eventualmente vamos tropeçar, enquanto o avestruz pode se ferir muito continuando com a sua cabeça virada para baixo.

Mas, em algum nível, sabemos que a nossa culpa está lá. Assim, vamos ao ego mais uma vez para lhe dizer que ‘negar foi ótimo, mas você vai ter que fazer alguma outra coisa. Esse negócio vai subir e eu vou explodir. Por favor, ajude-me.’ E aí o ego diz: ‘Eu tenho a coisa certa para você. Ele nos diz para procurar na página tal e tal na Interpretação dos Sonhos de Freud e lá nos achamos o que se conhece como projeção’.

Provavelmente não há nenhuma ideia em Um Curso em Milagres que seja mais crítica para a nossa compreensão do que essa. Se vocês não compreenderem a projeção, não compreenderão uma única palavra no Curso, nem em termos de como o ego funciona, nem em termos de como o Espírito Santo vai desfazer o que o ego tem feito.

Projeção muito simplesmente significa que você tira alguma coisa de dentro de si mesmo e diz que realmente isso não está aí; está fora de você, dentro de outra pessoa. A palavra em si literalmente significa jogar fora, atirar algo a partir de, ou em direção a alguma outra coisa ou pessoa e isso é o que todos nós fazermos na projeção.

Nós tomamos a culpa ou o pecado que acreditamos estar dentro de nós e dizemos: Isso não está realmente em mim, está em você. Eu não sou culpado, você é culpado. Eu não sou responsável por ser miserável e infeliz, você sim é culpado pela minha infelicidade. Do ponto de vista do ego, não importa quem seja o ‘você’. Para o ego, não importa em cima de quem você projeta, contanto que ache alguém para descarregar a sua culpa. É assim que o ego nos diz para nos livrarmos da culpa.”

Dr. Wapnick continua a explicação: “Uma das melhores descrições que eu [Dr. Wapnick] conheço desse processo de projeção se encontra no Velho Testamento, no Levítico, onde é dito aos filhos de Israel o que fazer no dia do perdão, Yom Kippur. Eles devem reunir-se e no centro do campo está Arão que, como Sumo Sacerdote, é o mediador entre o povo e Deus. Ao lado de Arão está um bode e Arão coloca a sua mão sobre o bode e simbolicamente transfere todos os pecados que o povo acumulou durante todo o ano para esse pobre bode. Eles, então, chutam o bode para fora do campo. Esse é um relato perfeito e gráfico do que é exatamente a projeção e, como não poderia deixar de ser, é daí que vem a expressão ‘bode expiatório’”.

Dr. Wapnick enfatiza que “assim, tomamos os nossos pecados e dizemos que eles não estão em nós, estão em alguém. Com isso colocamos uma distância entre nós mesmos e os nossos pecados. Ninguém quer estar perto de seus próprios pecados e assim nós os tiramos de dentro de nós e os colocamos em outra pessoa e depois banimos essa pessoa de nossa vida. Há duas formas básicas de fazermos isso. Uma é nos separarmos fisicamente dela; a outra é nos separarmos psicologicamente. A separação psicológica é realmente a mais devastadora e também a mais sutil.

O modo de nos separarmos de outras pessoas, uma vez tendo colocado nossos pecados sobre elas, é atacá-las ou ficar com raiva. Qualquer expressão da nossa raiva – seja na forma de um leve toque de aborrecimento ou intensa fúria, não faz nenhuma diferença – é sempre uma tentativa de justificar a projeção da nossa culpa, não importa qual pareça ser a causa da nossa raiva.

A raiva pode tomar a forma de qualquer reação, desde a mais leve irritação até a fúria. A graduação da emoção que experimentas não importa. Tu virás a ser cada vez mais ciente de que um leve toque de aborrecimento nada amais é do que um véu encobrindo intensa fúria. LE-pI.21.2:3-5

Essa necessidade de projetar a nossa culpa é a raiz da causa de toda a raiva. Você não tem que concordar com o que as outras pessoas dizem ou fazem, mas no minuto em que experimenta uma reação pessoal de raiva, julgamento ou crítica, isso vem sempre porque você viu naquela pessoa alguma coisa que negou em si mesmo.

Em outras palavras, você está projetando o seu próprio pecado e culpa naquela pessoa e os ataca lá. Mas dessa vez, você não os está atacando em si mesmo e sim naquela outra pessoa, que você quer tão longe quanto possível. O que você realmente quer fazer é conseguir que o seu pecado fique tão longe de si mesmo quanto possível.”

Dr. Wapnick nos esclarece que uma das coisas interessantes quando alguém lê o Velho Testamento, especialmente o Levítico ou terceiro livro da Tora, é ver como os filhos de Israel eram minuciosos em suas tentativas de identificar as formas de sujeira que estavam à sua volta e como deveriam manter-se separados de todas elas. Há passagens bastante detalhadas descrevendo o que é a sujeira, seja nas qualidades das pessoas, nas formas da própria sujeira ou em certas pessoas por si mesmas.

Depois, explica-se como os filhos de Israel deveriam manter-se separados dessas formas de sujeira. Quaisquer que sejam as outras razões que podem ter estado envolvidas, um significado central desses ensinamentos era a necessidade psicológica de tirar a sua própria sujeira de dentro de você e colocá-la do lado de fora em outra pessoa e depois separar-se daquela pessoa.

Quando se tem essa compreensão é interessante entrar no Novo Testamento e ver como Jesus era contra isso. Ele abraçou todas as formas de sujeira que as pessoas tinham definido e viam como parte essencial de sua religião [da religião delas] manterem-se separadas daquilo tudo. Ele fazia questão de abraçar os elementos sociais identificados pela lei judaica como proscritos, como se estivesse dizendo: ‘Você não pode projetar a sua culpa nas outras pessoas. Você tem que identificá-la em si mesmo e curá-la onde ela está.

E por isso que Os evangelhos dizem coisas tais como você deve limpar o interior do seu copo e não o exterior; não se preocupe com o argueiro no olho do seu irmão, preocupe-se com a trave no seu; não é o que entra no homem que faz com que ele não seja limpo, mas o que vem de seu interior.

O sentido disso é exatamente o mesmo encontrado no Curso: a fonte do nosso pecado não está fora, mas dentro. Mas a projeção busca fazer com que vejamos nossos pecados fora de nós, procurando então resolver o problema do lado de fora de modo que nunca possamos perceber que o problema está dentro da gente.

Quando vamos ao ego em busca de ajuda e dizemos: ‘Ajude-me a me livrar da minha culpa,’ o ego diz: ‘Está bem, o meio de você se livrar da sua culpa é em primeiro lugar reprimi-la, depois projetá-la para outras pessoas. É assim que você se livra da sua culpa.’

O que o ego não nos diz é que projetar a culpa é um ataque e é a melhor maneira de conservarmos a culpa. O ego não é nenhum tolo: ele quer que continuemos culpados.”

Dr. Wapnick então nos explica que Um Curso em Milagres nos fala da “atração da culpa” (T-19.IV-A.10-17). O ego é muito atraído pela culpa e os seus motivos são óbvios uma vez que você se lembre do que ele é. A explicação racional do ego para os seus conselhos de negação e projeção é a seguinte: o ego não é nada mais do que uma crença, a crença segundo a qual a separação é real.

O ego é o falso ser que aparentemente passou a existir quando nós nos separamos de Deus. Portanto, enquanto acreditarmos que a separação é real, o ego continua em cena. Uma vez que acreditarmos que não há nenhuma separação, então o ego está terminado. Como nos diz o Curso, o ego e o mundo que ele fez desaparecem no nada de onde ele veio (M-l3.1:2). O ego não é nada realmente.

Enquanto acreditarmos que aquele pecado original ocorreu, que o pecado da separação é real, estamos dizendo que o ego é real. É a culpa que nos ensina que o pecado é real. Qualquer sentimento de culpa é sempre uma declaração que diz: ‘Eu pequei’. E o significado último do pecado é que eu me separei de Deus. Portanto, enquanto eu acreditar que o meu pecado é real, eu sou culpado. Quer eu veja o meu pecado em mim ou em outra pessoa, estou dizendo que o pecado é real e que o ego é real. O ego, portanto, tem interesse em nos manter culpados.

Sempre que o ego seja confrontado com a impecabilidade, ele vai atacá-la, pois o maior pecado contra o sistema de pensamento do ego é ser sem culpa. Se você é sem culpa, você também é sem pecado e se você é impecável, não há ego.

Há uma frase no Texto que diz: “Para o ego, os que não tem culpa são culpados” (T-13.II.4:2), porque ser sem culpa é pecar contra o mandamento do ego: “Tu serás culpado”.

Se você não tem culpa, você então passa a ser culpado por não ter culpa. Essa, por exemplo, foi a razão pela qual o mundo matou Jesus. Ele nos estava ensinando que somos sem culpa e, portanto, o mundo teve que matá-lo porque ele estava blasfemando contra o ego.

Dr. Wapnick enfatiza que, assim sendo, o propósito fundamental do ego é manter-nos culpados. Mas ele não nos pode dizer isso porque, se o fizer, não vamos prestar nenhuma atenção a ele, então ele nos diz que, se seguirmos o que ele nos aconselha, ficaremos livres da nossa culpa. E o modo de conseguirmos isso, mais uma vez, é negar a sua presença em nós, vê-la em alguma outra pessoa e depois atacar essa pessoa. Assim ficaremos livres da nossa culpa.

Mas, o que ele não nos diz é que atacar é o melhor meio de nos manter culpados. Isso e verdade porque, como declara um outro axioma psicológico, sempre que você ataca uma pessoa qualquer, seja na sua mente ou de fato, você se sentirá culpado. Não há forma alguma de ferir qualquer um, seja em pensamento ou atos, que não acarrete sentimento de culpa. Você pode não experimentar a culpa – por exemplo, psicopatas não experimentam a própria culpa – mas isso não significa que em um nível mais profundo não se sintam culpados.

Nesse ponto, o que o ego faz e de modo muito astuto, é estabelecer um ciclo de culpa e ataque através do qual quanto mais culpados nos sentimos, maior será a nossa necessidade de negar a culpa em nós mesmos atacando uma outra pessoa por isso. Contudo, quanto mais atacamos um outro, maior será a nossa culpa pelo que fizemos, pois em algum nível reconhecemos que atacamos aquela pessoa falsamente. Isso só nos fará sentir culpa e manterá a coisa toda indefinidamente. É esse ciclo de culpa e ataque que faz o mundo girar [o campo de batalha], não é o amor.

Se alguém lhe diz que o amor faz o mundo girar, esse alguém não sabe grande coisa sobre o ego.

O amor é do mundo de Deus e é possível refletir esse amor neste mundo.

Todavia, neste mundo o amor não tenha lugar. O que tem lugar é a culpa e o ataque e é essa a dinâmica que está tão presente em nossas vidas, seja a nível individual, ou seja a nível coletivo.

O ciclo de ataque-defesa

Dr. Wapnick continua explicando que um ciclo secundário que se estabelece é o de ataque-defesa. Uma vez que eu acredito que sou culpado e projeto a minha culpa em você através do ataque, eu tenho que acreditar (pelo princípio mencionado anteriormente) que a minha culpa exigirá punição.

Como eu ataquei você, não posso deixar de acreditar que mereço ser atacado de volta. Agora, se você de fato me ataca ou não, pouco importa realmente; eu vou acreditar que você vai fazê-lo, devido a minha própria culpa.

Acreditando que você vai me atacar de volta, eu então acredito que preciso defender-me contra o seu ataque. E como eu estou tentando negar o fato de ser culpado, eu sentirei que o seu ataque contra mim não tem justificativa.

No momento em que eu o ataco, o meu medo inconsciente é que você me ataque de volta e é melhor que eu esteja preparado para isso. Assim tenho que construir uma defesa contra o seu ataque. Isso fará com que você fique com medo e assim nós nos tornamos parceiros nisso; quanto mais eu o ataco, mais você tem que se defender de mim retornando o meu ataque e mais eu terei que me defender contra você e atacá-lo de volta. E nós seguimos assim para frente e para trás (LE pI.153.2-3).

Dr. Wapnick destaca que essa dinâmica, obviamente, é o que explica a insanidade da corrida de armas nucleares. Também explica a insanidade que todos nós sentimos. Quanto maior a minha necessidade de defender-me, mais eu estou reforçando o fato de ser culpado. É também muito importante que se compreenda isso nos termos do ego e está dito provavelmente na sua forma mais clara em uma frase do texto que diz:

É essencial reconhecer que todas as defesas fazem exatamente aquilo do qual pretendem defender (T-17.IV.7:l).

O propósito de todas as defesas é proteger-nos ou defender-nos do nosso medo. Se eu não tivesse medo, não teria que ter uma defesa, mas o próprio fato de precisar de uma defesa me diz que eu devo estar amedrontado, pois se eu não estivesse não teria que me dar ao trabalho de me defender. O próprio fato de eu estar me defendendo reforça o fato de que eu devo estar amedrontado e, eu devo estar amedrontado, porque eu sou culpado. Assim as minhas defesas estão reforçando exatamente a coisa da qual me deveriam proteger – o meu medo. Portanto, quanto mais eu me defendo, mais ensino a mim mesmo que eu sou um ego: pecador, culpado, e amedrontado. Ufa!!!

O ego não é realmente tolo. Ele nos convence de que temos que nos defender, mas quanto mais o fazemos, mais culpados nos sentimos. Ele nos diz de muitas formas diferentes como temos que nos defender da nossa culpa. Mas a própria proteção que ele nos oferece reforçará essa culpa. E por isso que vivemos dando voltas e mais voltas no mesmo lugar.

Há uma lição maravilhosa que diz:

A minha segurança está em ser sem defesas. (LE-pI.153. Título).

Se eu vou saber verdadeiramente que estou a salvo e que a minha proteção verdadeira é Deus, a melhor maneira de fazer isso é não me defender. E por isso que nós lemos nos evangelhos sobre os últimos dias de Jesus e vemos que ele não se defendeu absolutamente. A partir do momento que ele foi preso, durante todo o tempo em que estava sendo escarnecido, açoitado, perseguido e até assassinado, ele não se defendeu.

E o que ele estava dizendo era:

“Eu não preciso de defesas”, pois como ele diz no Livro de Exercícios,

Essa é a minha Páscoa. Quero mantê-la santa. Não me defenderei porque o Filho de Deus não precisa de defesa contra a verdade da sua realidade (LE-pI.135.26:6-8).

Quando sabemos verdadeiramente Quem somos e Quem é o nosso Pai, nosso Pai no Céu, não temos que nos proteger pois a verdade não precisa ser defendida. Contudo, dentro do sistema do ego, nós sentiremos que precisamos de proteção e assim sempre nos defenderemos.

Portanto, esses dois ciclos realmente agem para manter todo o sistema do ego em funcionamento.

Quanto mais nos sentimos culpados, mais atacaremos. Quanto mais atacamos, mais sentimos a necessidade de defender-nos da punição esperada ou do contra-ataque, que é, em si mesmo, um ataque.

Dr. Wapnick didaticamente destaca para o nosso entendimento que o segundo capítulo do Gênesis termina com Adão e Eva de pé, nus, um diante do outro, sem vergonha alguma. A vergonha é apenas um outro nome para a culpa e a ausência de vergonha é uma expressão da condição que existia antes da separação.

Em outras palavras, não havia culpa porque não havia nenhum pecado. É no terceiro capítulo que se fala do pecado original e esse começa com Adão e Eva comendo do fruto proibido. Esse ato constitui a sua desobediência para com Deus e esse é realmente o pecado.

Em outras palavras, eles vêem a si mesmos como se tivessem uma vontade separada de Deus e essa vontade pudesse escolher alguma coisa diferente do que Deus tinha criado. E isso, mais uma vez, é o nascimento do ego: acreditar que o pecado é possível.

Assim, eles comem esse fruto e a primeira coisa que fazem depois disso é olhar um para o outro – e dessa vez eles sentem vergonha e se cobrem. Colocam folhas de figueira sobre os seus órgãos sexuais e isso então passa a ser uma expressão da sua culpa.

Compreendem que fizeram uma coisa pecaminosa e a nudez de seus corpos vem a ser o símbolo de seu pecado. Consequentemente, eles têm que se defender disso, que passa a expressar a sua culpa.

A próxima coisa que acontece é Adão e Eva ouvirem a voz de Deus, que os está procurando e agora eles ficam com medo do que Deus vai fazer quando os pegar. Assim eles se escondem nas moitas para que Deus não os veja. Aí está clara a conexão entre a crença no pecado – que é possível separar-se de Deus – e o sentimento de culpa por ter feito isso, seguido do medo do que vai acontecer quando Deus nos pegar e nos punir.

De fato, à medida que o terceiro capítulo continua, Adão e Eva estavam absolutamente certos porque Deus realmente os castiga. A coisa interessante é que quando Deus afinal confronta Adão, ele projeta a culpa em Eva e diz: ‘Não fui eu que fiz isso, foi Eva que me fez fazer isso.’

Então Deus olha para Eva, que faz exatamente a mesma coisa e diz: ‘Não fui eu que fiz isso. Não me culpe, foi a serpente’. Assim vemos com clareza o que fazermos para nos defender do nosso medo e da nossa culpa: projetamos a culpa em um outro.

O ego exige que Adão e Eva sejam punidos por seu pecado, assim quando Deus os encontra, Ele os castiga com uma vida cheia de dor e sofrimento, a partir do nascimento até o fim, que é a morte.

De qualquer modo, esse capítulo do Gênesis é o sumário perfeito de toda a estrutura do ego: o relacionamento entre pecado, culpa, e medo.

Uma das formas mais importantes do ego se defender da culpa é atacando outras pessoas e é isso o que a nossa raiva sempre parece fazer: justificar a projeção da nossa culpa sobre os outros.

É extremamente importante reconhecermos como é forte o investimento do mundo e de cada um de nós como parte do mundo em justificar o fato de estarmos com raiva, porque todos nós precisamos ter um inimigo.

Não há ninguém neste mundo que, em um nível ou outro, não revista o mundo de qualidades boas e más. E nós separamos partes do mundo e colocamos algumas pessoas na categoria do que é bom e outras na categoria do que é mau.

O propósito disso é a nossa tremenda necessidade de termos alguém para projetarmos a nossa culpa. Precisamos de, pelo menos, uma pessoa ou uma ideia ou um grupo, que possamos transformar no bandido, no bode expiatório.

Essa é a fonte de todo preconceito e discriminação. É a tremenda necessidade que temos, que usualmente é inconsciente, de encontrar alguém que possamos transformar no bode expiatório para podermos escapar da carga da nossa própria culpa.

Foi isso o que aconteceu desde o início da história. Tem sido esse o caso em cada sistema de pensamento, ou forma de vida importante que jamais existiu no mundo. Tudo sempre se predicou com base no fato de existirem os mocinhos e os bandidos.

Isso pode ser visto na história do próprio Cristianismo. Desde o início, houve o processo de separar os bons dos maus. Os judeus que acreditavam em Jesus contra os judeus que não acreditavam em Jesus e depois aqueles que acreditavam em Jesus se separaram entre os seguidores de São Pedro, São Paulo, São Tiago etc. e a Igreja se tem subdividido desde então.

Isso acontece devido a essa mesma necessidade inconsciente de encontrarmos alguém que possamos ver como diferente e não tão bom quanto nós mesmos.

Dr. Wapnick termina enfatizando que, mais uma vez, é extremamente útil para nós reconhecermos como é forte o investimento que temos nesse processo. É por isso que no cinema todos ficam contentes no final quando o mocinho ganha e o bandido perde. Nós temos o mesmo investimento em ver o bandido ser punido, pois naquele momento acreditamos ter escapado dos nossos pecados.

Relacionamentos Especiais

Continuamos com a sabedoria do Dr. Wapnick que tem destacado até agora que a raiva é realmente uma forma que a projeção pode tomar. É a mais óbvia forma de ataque às quais o Curso se refere como relacionamentos especiais.

O conceito mais difícil de ser compreendido no Curso e ainda mais difícil de ser colocado em prática e, de fato vivido, é a ideia do “especialismo” (que significa a ideia, condição ou estado de ser especial ou de ver outros como especiais) e a transformação dos nossos relacionamentos especiais em relacionamentos santos.

Relacionamentos especiais vêm em duas formas:

  • A primeira são os relacionamentos especiais de ódio onde encontramos alguém e fazemos dele o objeto do nosso ódio de modo a que possamos escapar do verdadeiro objeto do nosso ódio, que somos nós mesmos.
  • A segunda forma é o que o Curso chama de relacionamentos especiais de amor. Esses são os mais poderosos e os mais insidiosos porque são os mais sutis. E não há nenhum conceito mais difícil no Curso para compreendermos e aplicarmos a nós mesmos do que esse.

Relacionamentos especiais não são mencionados no Livro de Exercícios ou no Manual de Professores de forma alguma e não aparecem no Texto até o capítulo 15 e, a partir daí, por quase nove capítulos, isso é quase tudo o que se lê.

A razão pela qual o amor especial é tão difícil de ser reconhecido e é tão difícil de combater é que ele aparenta ser algo que não é. É difícil esconder de você mesmo o fato de estar com raiva de outra pessoa. Você só pode conseguir isso por pouco tempo.

O amor especial é algo totalmente diferente. Ele sempre parecerá ser o que não é. De fato é o mais tentador e o mais enganador fenômeno deste mundo. Basicamente segue os mesmos princípios que o ódio especial, mas faz isso de forma diferente.

O princípio básico é que tentamos nos livrar da nossa culpa vendo-a em uma outra pessoa. Portanto, é apenas um fino véu disfarçado que encobre o ódio. O ódio, mais uma vez, é apenas uma tentativa de odiar outra pessoa de modo a não termos que odiar a nós mesmos.

O autor então busca descrever o que é o amor especial e depois explora sobre como ele funciona.

Quando falamos sobre culpa anteriormente, foram listadas palavras que designam culpa e uma das expressões enfatizadas é que acreditamos que haja alguma coisa faltando em nós, que exista uma certa carência. O Curso se refere a isso como o ‘princípio da escassez’ e, com efeito, essa é a base de toda a dinâmica do amor especial.

O que o princípio da escassez mostra é que há de fato algo faltando dentro de nós. Há algo que não foi preenchido, não há plenitude. Devido a essa carência, nós temos certas necessidades. E essa é uma parte importante de toda a experiência da culpa.

Assim, mais uma vez, voltando à metáfora, dizemos para o ego: ‘Ajude-me! Essa sensação de não ser nada, ou esse vazio, ou esse sentimento de que há algo faltando é absolutamente intolerável; você tem que fazer alguma coisa.’ O ego diz: ‘Está bem, aqui está o que você vai fazer’.

E, em primeiro lugar, ele nos dá um tapa na cara por dizer: ‘Você está totalmente certo; você é apenas uma criatura miserável e não há nada que possa ser feito para mudar o fato de que está lhe faltando algo que é de importância vital para você’.

É claro que o ego não nos diz que o que está faltando é Deus, porque se nos dissesse isso, escolheríamos Deus e ele deixaria de existir. O ego nos diz que algo inerentemente nos falta e não há nada que se possa fazer para remediar isso.

Mas, depois nos diz que há algo que podemos fazer sobre a dor dessa falta. Embora continue sendo verdadeiro que nada vai mudar essa falta inerente em nosso ser, podemos olhar para fora de nós mesmos buscando alguém ou alguma coisa que possa compensar o que está faltando dentro de nós.

Basicamente, o amor especial declara que eu tenho certas necessidades que Deus não pode satisfazer porque inconscientemente eu fiz de Deus um inimigo e, portanto, não posso buscar auxílio no Deus verdadeiro dentro do sistema egótico.

Mas quando encontro você, uma pessoa especial com certas qualidades ou atributos especiais, eu decido que você vai satisfazer as minhas necessidades especiais. Daí vem a expressão ‘relacionamentos especiais’.

As minhas necessidades especiais serão supridas por certas qualidades especiais em você e isso faz de você uma pessoa especial. E quando você suprir as minhas necessidades especiais da forma que eu as estabeleci, então eu amarei você. Assim, quando você tiver certas necessidades especiais que eu possa satisfazer para você, você me amará. Do ponto de vista do ego, isso é um casamento feito no Céu.

Portanto, o que esse mundo chama de amor é realmente especialismo, uma distorção grosseira do amor tal qual o Espírito Santo o veria.

Uma outra palavra que descreve esse mesmo tipo de dinâmica é “dependência”. Eu passo a depender de você para satisfazer as minhas necessidades e farei com que você dependa de mim para satisfazer as suas. Enquanto nos dois fizermos isso, tudo estará ótimo.

O especialismo é basicamente isso. A sua intenção é compensar a falta que percebemos em nós mesmos usando uma outra pessoa para preencher esse vazio. Fazemos isso da forma mais clara e mais destrutiva com as pessoas. Contudo, podemos também fazer com substâncias ou com coisas.

Uma pessoa, por exemplo, que é alcoólatra está tentando preencher o vazio em si mesma através de um relacionamento especial com a garrafa. Pessoas que comem demais estão fazendo a mesma coisa. Pessoas que tem mania de comprar roupas demais, ganhar um monte de dinheiro, adquirir um monte de coisas, ou ter status no mundo – é tudo a mesma coisa.

Na realidade, uma tentativa de compensação por nos sentirmos mal em nós mesmos através de algo externo que fará com que nos sintamos melhor.

Dr. Wapnick nos esclarece que há um subtítulo perto do fim do Texto que diz “Não busques fora de ti mesmo” (T-29.VII).

“Quando buscamos fora de nós mesmos, estamos sempre buscando um ídolo, que se define como um substituto para Deus. Realmente, só Deus pode satisfazer essa necessidade.

Nesse caso, o especialismo faz o seguinte: ele serve ao propósito do ego parecendo proteger-nos da nossa culpa, mas durante todo o tempo ele a reforça. Faz isso de três formas básicas:

A primeira forma é a seguinte: se eu tenho essa necessidade especial e você vem e a satisfaz para mim, o que eu fiz realmente foi fazer de você um símbolo da minha culpa. (Dr. Wapnick está se referindo nesse momento só a partir do ponto de vista do ego e não se ocupando do Espírito Santo agora.)

O que fiz foi associar você com a minha culpa, porque o único propósito que eu dei ao meu relacionamento e ao meu amor por você é que ele sirva para satisfazer as minhas necessidades.

Portanto, enquanto num nível consciente eu fiz de você um símbolo de amor, num nível inconsciente o que eu fiz realmente foi transformar você num símbolo da minha culpa. Se eu não tivesse essa culpa, eu não teria essa necessidade de você. O próprio fato de eu ter essa necessidade de você me lembra, inconscientemente, que eu sou na realidade culpado.

Assim, essa é a primeira forma na qual o amor especial reforça exatamente a culpa da qual o seu amor está tentando defendê-lo. Quanto mais importante você passa a ser na minha vida, mais você me lembrará de que o propósito real ao qual você está servindo é me proteger da minha culpa, o que reforça o fato de que eu sou culpado.

Uma imagem desse processo que pode ajudar é imaginar a nossa mente como um pote de vidro no qual esteja toda a nossa culpa. O que queremos mais do que tudo nesse mundo e manter essa culpa dentro do pote; nós não queremos saber dela.

Quando buscamos um parceiro especial, estamos buscando alguém que seja a tampa desse pote. Nós queremos que essa tampa feche o pote hermeticamente. Enquanto ele estiver bem fechado, a minha culpa não pode emergir para a consciência e, portanto, eu não saberei dela, ela fica dentro do meu inconsciente.

O próprio fato de eu precisar de você para ser a tampa do meu pote me lembra que há uma coisa terrível no pote que eu não quero deixar escapar. Mais uma vez, o próprio fato de eu precisar de você está me lembrando, inconscientemente, que eu tenho toda essa culpa.

A segunda forma através da qual o amor especial reforça a culpa é a ‘síndrome da mãe judia’. O que acontece quando essa pessoa que veio para satisfazer todas as minhas necessidades começa a mudar e não satisfaz mais essas necessidades da mesma maneira?

Seres humanos infelizmente tem essas qualidades: mudar e crescer; eles não são sempre os mesmos, assim como gostaríamos que fossem. O que isso significa, então, quando a pessoa começa a mudar (talvez não precisando mais de mim como precisava no início) é que a tampa do pote começa a soltar-se. As minhas necessidades especiais não mais serão satisfeitas da forma que eu queria.

À medida que essa tampa começa a se abrir, a minha culpa de repente me ameaça vindo para a superfície e escapando. A culpa escapando do pote significa que eu passo a estar consciente de que realmente acredito que sou terrível. E farei qualquer coisa nesse mundo para evitar essa experiência.”

Dr. Wapnick destaca que num certo ponto no Êxodo, Deus diz a Moisés: “‘Ninguém pode contemplar a minha face e viver’. Nós podemos declarar a mesma coisa sobre a culpa: ninguém pode olhar a face da culpa e viver. A experiência de confrontar o que realmente acreditamos sobre nós mesmos, como somos terríveis, é tão avassaladora que fazemos qualquer coisa no mundo contanto que não tenhamos que lidar com ela.

Assim, quando essa tampa começa a afrouxar e a minha culpa começa a borbulhar subindo para a superfície, eu entro em pânico porque de repente eu sou confrontado por todos esses sentimentos devastadores que tenho sobre mim mesmo.

A minha meta é então muito simples: conseguir fechar hermeticamente de novo essa tampa tão rápido quanto possível. Isso significa que eu quero que você volte a ser o que era antes. Não existe nenhuma forma mais poderosa para conseguir que alguém faça o que você quer do que fazer com que essa pessoa se sinta culpada. Se você quer que qualquer coisa seja feita por uma outra pessoa, você fará com que ela se sinta bem culpada e ela fará o que você quer. Ninguém gosta de se sentir culpado.

A manipulação através da culpa é a marca registrada da mãe judia. Os que não são judeus também conhecem isso. Você poderia ser italiano, irlandês, polonês. Tanto faz, porque a síndrome é universal. O que eu vou fazer é tentar tornar você culpado e direi qualquer coisa assim: ‘O que aconteceu com você? Você costumava ser uma pessoa tão decente, boa, amorosa, preocupada com os outros, sensível, gentil, compreensiva. Agora, olhe para você! Como você mudou! Agora você não dá a mínima. Você é egoísta, só pensa em si mesmo, insensível’ e assim por diante. O que eu estou realmente tentando fazer é tornar você tão culpado que você acabe voltando a ser como era antes. Todo mundo sabe disso, certo?

Agora, se você está jogando o mesmo jogo de culpa que eu, você fará o que eu quero, a tampa volta a se fechar e eu amarei você como amava antes. Se você não faz e não joga mais esse jogo, eu vou ficar com muita raiva de você e o meu amor vai rapidamente virar ódio (que é o que era o tempo todo).

Você sempre odeia a pessoa da qual depende porque a pessoa da qual você depende está sempre lembrando a você a sua culpa, que você odeia. E portanto, por associação, você também odeia a pessoa que pretende amar.

Esse segundo exemplo mostra que isso é o que realmente é. Quando você não mais satisfizer as minhas necessidades assim como eu quero que sejam satisfeitas, começarei a odiar você. E eu te odiarei porque não consigo lidar com a minha culpa. É o que se chama o fim da lua-de-mel. Nos dias de hoje, isso parece acontecer cada vez mais depressa.

Quando as necessidades especiais não são mais satisfeitas da forma que costumavam ser, o amor vira ódio. O que acontece quando a outra pessoa diz que não vai mais ser a tampa do seu pote é bastante óbvio. Nesse caso, eu acho outra pessoa.

Assim como uma das lições no Livro de Exercícios declara: ‘Pode-se achar outra’ (LE-pI.170.8:7) e com bastante facilidade. Assim, você apenas passa a mesma dinâmica de uma pessoa para outra. Você pode fazer isso muitas vezes, repetindo sempre, até que faça alguma coisa com o seu problema real, que é a sua própria culpa.”

Dr. Wapnick esclarece que “quando realmente deixamos que essa culpa se vá, estaremos prontos para entrar em um relacionamento diferente. Isso será amor tal como o Espírito Santo o vê. Mas até que façamos isso e a sua única meta é nos manter a sua própria culpa escondida, apenas procuramos uma outra tampa para o pote. E o mundo sempre coopera muito bem para acharmos pessoas que satisfaçam essa necessidade para nós. E entramos em toda uma série de relacionamentos especiais um depois do outro, um processo que o Curso descreve com detalhes bastante dolorosos.

A terceira forma na qual o especialismo é um disfarce para o ódio e para a culpa ao invés do amor, se mantém tanto para os relacionamentos especiais de ódio quanto para os de amor.

Sempre que usamos as pessoas como um veículo para satisfazer as nossas necessidades, não estamos realmente vendo quem elas são; não estamos vendo o Cristo nelas. Ao invés disso, só estamos interessados em manipulá-las de forma a que venham a satisfazer as nossas próprias necessidades. Não estamos realmente vendo-as como a luz que brilha nelas; estamos vendo-as na forma particular de escuridão que corresponderá a nossa forma particular de escuridão.

E sempre que usarmos ou manipulamos qualquer um para preencher as nossas necessidades, estamos realmente atacando-o porque estamos atacando a sua verdadeira identidade como Filho de Deus ou Cristo, vendo-o como um ego, o que reforça o ego em nós mesmos. O ataque é sempre ódio, assim não podemos deixar de sentir culpa por ter agido assim.

Essas três formas nos mostram exatamente como o ego vai reforçar a culpa, mesmo se nos diz que está fazendo outra coisa. É por isso que o Curso descreve o relacionamento especial como o lar da culpa.

Mais uma vez, o que faz o amor especial ser tal devastação e uma defesa tão eficaz do ponto de vista do ego e que ele parece ser o que não é. Quando o amor especial acontece pela primeira vez parece ser uma coisa tão maravilhosa, santa e amorosa. Todavia, como pode mudar rapidamente, se não formos capazes de ir além do que parece existir para confrontarmos com o problema básico que é a nossa culpa.”

Dr. Wapnick nos ensina que há um subtítulo importante no Texto que se chama “Os dois retratos” (T-17.IV). Descreve a diferença entre o retrato do ego e o retrato do Espírito Santo.

“O retrato do ego é o amor especial e retrata a culpa, o sofrimento e, em última instância, a morte. Esse não é o retrato que o ego quer que vejamos, porque, repetindo, se realmente soubéssemos o que ele pretende, não prestaríamos nenhuma atenção a ele.

Assim o ego coloca o seu retrato numa moldura muito bonita e cheia de enfeites que cintila com diamantes e rubis e todos os tipos de gemas sofisticadas. Nós somos seduzidos pela moldura, ou pelos bons sentimentos aparentes que o especialismo vai nos dar e não reconhecemos a dádiva real da culpa e da morte.

Só quando nos aproximamos da moldura e realmente olhamos para ela podemos ver que os diamantes são realmente lágrimas e os rubis gotas de sangue. O ego, de fato, é apenas isso. Essa é uma parte muito poderosa do Texto.

Por outro lado, o retrato do Espírito Santo é muito diferente. A moldura do Espírito Santo tem muita folga e ela dá espaço para que possamos ver a dádiva real que é o Amor de Deus.

Há uma outra qualidade que é muito importante e sempre uma indicação indubitável para percebermos se estamos envolvidos em um relacionamento especial ou em um relacionamento santo. Sempre podemos notar isso pela nossa atitude para com as outras pessoas.

Se estamos envolvidos em um relacionamento especial, esse relacionamento será exclusivo. Não haverá espaço nele para ninguém mais. A razão para isso é óbvia, uma vez que tenhamos reconhecido como o ego está realmente funcionando. Se eu fiz de você o meu salvador e se você está me salvando da minha culpa, então isso significa que o seu amor por mim e a atenção que você me dá vão me salvar dessa culpa que eu estou tentando manter escondida.

Mas se você começa a se interessar por qualquer coisa que não seja eu – seja uma outra pessoa ou outra atividade – você não está me dando cem por cento da sua atenção. Qualquer que seja a medida do deslocamento do seu interesse ou da sua atenção para outra coisa ou outra pessoa, nessa medida haverá menos para mim. Isso significa que, se eu não recebo cem por cento, essa tampa do meu pote vai começar a soltar-se. E essa é a fonte de todo ciúme. As pessoas ficam com ciúme por sentirem que as suas necessidades especiais não serão satisfeitas da forma como deveriam.

Portanto, se você ama alguma outra pessoa além de mim, isso significa que eu vou receber menos amor. Para o ego, o amor é quantitativo. Há apenas uma certa quantidade disponível. Logo, se eu amo essa pessoa não posso amar aquela com a mesma intensidade.

Para o Espírito Santo, o amor é qualitativo e abraça todas as pessoas. Isso não significa que amamos todas as pessoas da mesma forma, isso não é possível neste mundo. Mas, de fato, significa que a fonte do amor é a mesma; o amor em si é o mesmo, contudo os meios de expressão serão diferentes.

Eu vou ‘amar’ os meus pais ‘mais’ do que eu amo os pais de qualquer pessoa nessa vida, não em qualidade, mas em quantidade. O amor será basicamente o mesmo, todavia, como é óbvio será expresso de um modo diferente. Isso não significa que, porque eu amo os meus pais eu amarei os seus menos, ou que os meus pais sejam melhores do que os seus. Tudo o que isso quer dizer é que essas são as pessoas que eu escolhi, pois no meu relacionamento com elas aprenderei o perdão que vai permitir que eu me lembre do Amor de Deus.

Isso não significa que você deva sentir-se culpado por ter um relacionamento mais profundo com certas pessoas do que com outras. Há exemplos muito claros disso nos evangelhos, onde Jesus era mais íntimo de certos discípulos do que de outros e era mais íntimo de seus discípulos do que dos seus outros seguidores. Não quer dizer que ele amasse menos a nenhuma daquelas pessoas, mas que a expressão do amor era mais íntima e profunda com uns do que com outros.

Um relacionamento santo significa que, por amar uma pessoa, você não está excluindo uma outra; isso não acontece às custas de ninguém. O amor nesse mundo não é assim. O amor especial será sempre as custas de alguém. É sempre um amor de comparações, onde certas pessoas são comparadas com outras; algumas não são boas o suficiente e algumas são aceitáveis.

Do ponto de vista do relacionamento santo, você apenas reconhece que certas pessoas foram “dadas” a você e foram escolhidas por você de modo que você possa aprender e ensinar certas lições, mas isso não faz com que aquela pessoa seja melhor ou pior do que ninguém mais.

É assim que você pode sempre distinguir um relacionamento especial de um relacionamento santo: pela medida na qual ele exclui as outras pessoas.”

Em outro didático artigo do Dr. Kenneth Wapnick, denominado “Living ‘A Course in Miracles’ As Wrong Minds, Right Minds, and Advanced Teachers – Part 1 to 3 – How Wrong Minds Live in the World: The Ego’s Curse of Specialness” (tradução livre: “Vivendo ‘Um Curso em Milagres’ como Mentes Erradas, Mentes Certas e Professores Avançados – Parte 1 de 3 – Como as Mentalidades Erradas Vivem no Mundo: A Maldição do Especialismo do Ego”), ainda com a intenção de exemplificação prática, em aditamento a tudo o que já foi dito até agora neste material de estudo, transcrevemos, em tradução livre, importantes dicas de como estamos, de maneira inconsciente, utilizando a Mentalidade Errada neste mundo que experienciamos.

O artigo completo do Dr. Wapnick, em inglês, pode ser acessado através do site: https://facim.org/living-a-course-in-miracles-as-wrong-minds-right-minds-and-advanced-teachers-part-1-of-3/.

Dr. Wapnick enfatiza que desde o início de sua leitura de Um Curso em Milagres, ele ficou impressionado com a maneira como o Curso integrou uma visão metafísica profunda do mundo – um puro não dualismo – com diretrizes muito específicas que estão enraizadas no trabalho monumental de Freud em compreender a dinâmica do ego (a sua psique).

É essa integração que permite viver plenamente em um mundo dualístico, mas ao mesmo tempo refletindo a realidade da perfeita unicidade não dualista do Céu.

Essa integração de um não dualismo semelhante ao Vedanta com uma psicologia sofisticada é o que, mais do que qualquer outra característica, estabelece a singularidade do Curso entre as espiritualidades mundiais, antigas e contemporâneas.

Além disso, é a prática de seu princípio de perdão que torna a metafísica de Um Curso em Milagres mais do que mera “especulação filosófica” (ET-In.1:1). Como o Curso diz de si mesmo, a respeito da relação dos exercícios do Livro de Exercícios com a teoria do Livro Texto:

Um fundamento teórico tal como o que o Texto provê é necessário como uma estrutura para fazer com que as lições nesse Livro de Exercícios sejam significativas. Contudo, é a prática dos exercícios que fará com que a meta do curso seja possível. Uma mente sem treino nada pode realizar. O propósito deste Livro de Exercícios é o de treinar a tua mente para pensar segundo as linhas propostas pelo Texto. LE-In.1:1-4.

Afinal, os ensinamentos do Curso sobre a natureza ilusória de um mundo que não está aqui não significam nada para nós que vivemos – acordar, trabalhar e dormir – por suas leis temporais/espaciais (LE-pI.169.10), a menos que reflitamos a sua verdade por viver todos os dias com bondade e compaixão por todas as coisas vivas e não vivas.”

Neste didático artigo, Dr. Wapnick discute os diferentes modos que nossas vidas podem assumir como corpos aparentes que parecem interagir com outros corpos aparentes: mentalmente errada como egos especiais, mentalmente identificando-se com a visão de perdão de Cristo e, finalmente, como aqueles professores avançados que progrediram para uma vida dedicada a fazer com que Seu amor curador se estenda através deles para outras mentes.

Como o ego fala primeiro (T-5.VI.3:5), começamos com uma olhada em como o sistema de pensamento de separação e especialismo do ego guia nossa vida diária, lembrando o quão complicado é o ego, tão habilmente soando como o Santo Espírito.

No entanto, existem pistas específicas que podemos procurar que nos ajudariam a penetrar no verniz espiritual do ego para revelar o seu propósito oculto de reforçar ilusões e, assim, nos permitir ir além de suas fachadas sutis para a verdade (por exemplo, T-11.V.1).

Como as Mentalidades Erradas Vivem no Mundo: A Maldição do Especialismo do Ego

É claro que existem maneiras óbvias de viver no mundo com a mentalidade errada: raiva, julgamento, interesses separados. Elas seguem o princípio fundamental do ego de ‘ou um ou o outro‘: um ganha, outro perde – não posso ter algo sem tirar algo de você.

Isso reflete a quarta lei do caos do ego, você tem aquilo que tomou de outros (T-23.II.9:3). Todos nós conhecemos muito bem essas expressões do que Um Curso em Milagres chama de relacionamentos especiais de ódio – em nós mesmos e nos outros em nosso mundo pessoal, para não mencionar no mundo em geral – e por isso não precisamos insistir nelas aqui.

No entanto, difíceis de discernir são as reações insidiosas do ego que parecem tão espirituais e consoantes com o Curso nos relacionamentos de amor especiais que são muito mais devastadoras do que o ódio especial.”

Dr. Wapnick enfatiza que os estudantes de Um Curso em Milagres frequentemente associam “Espiritualidade do Curso” com forma, os comportamentos que eles acreditam que refletem os princípios do perdão, não prestando atenção à advertência de Jesus em “A Canção da Oração” [suplemento] sobre colocar o perdão “numa moldura terrena” (CO-2.III.7:3). Isso significa não entender que o processo de perdão de fato não ocorre verdadeiramente com nada corporal ou externo.

Dr. Wapnick exemplifica lembrando que há muitos anos atrás, durante o desdobramento de 1991 das forças americanas no Iraque (às vezes referida como a primeira Guerra do Golfo), um casal anunciou orgulhosamente em um workshop da Fundação [FACIM – Foundation for A Course in Miracles – site: https://facim.org/foundation-course-miracles/about-us/] que quando chegaram as notícias com relatos de áudio e vídeo da luta, eles irradiaram luz de suas mentes para o aparelho de televisão, lutando contra o sistema de pensamento do ego de guerra que eles estavam observando.

“O erro deles, é claro, foi que esse comportamento bem-intencionado apenas fortaleceu a realidade do princípio odioso do ego de ‘um ou outro’ (bem versus mal), tornando-o real em virtude de ter que se defender contra ele (“as defesas fazem exatamente aquilo do qual pretendem defender” T-17.IV.7:1).

Teria sido muito mais consistente com os ensinamentos de perdão do Curso se eles tivessem reconhecido a culpa e o julgamento em si mesmos que os fizeram ficar chateados com os egos sendo retratados nas notícias – vítimas e vitimizadores. [destaque meu]

Isso teria aberto a porta para suas mentes, permitindo-lhes negar o poder do ego de afetá-los. Eles teriam perdoado a resistência de suas mentes em abandonar a noção insana de que o ego era o problema, aceitando, em vez disso, que o problema era a decisão de suas mentes de acreditar no ego e no poder de seu sistema de pensamento de ódio e morte. [destaque meu]

A propósito, essa prática aparentemente bem-intencionada de irradiar luz não só é comum em estudandes repelindo o mal percebido, mas também em sua forma mais “positiva” de enviar luz a áreas problemáticas do mundo geopolítico ou de corpos individuais.

Novamente, essas formas apenas reforçam a crença na realidade do sistema de pensamento do ego e seu mundo de separação, uma cobertura persuasiva para o verdadeiro problema, a crença de nossa mente no ego:

Só a tua aliança com ele dá ao ego qualquer poder sobre ti… O ego não é nada mais do que uma parte da tua crença sobre ti mesmo… Ele depende da tua mente e como tu o fizeste por acreditares nele, da mesma forma podes dissipá-lo retirando a tua crença nele. Não projetes a responsabilidade pela tua crença nele em mais ninguém, ou preservarás a crença (T-4.VI.1:2,6;T-7.VIII.5:2-3).

Se o Curso acreditasse no pecado, o que é claro que não, o mais notório de todos, equivale ao pecado blasfemo contra o Espírito Santo que nunca pode ser perdoado (cf. Marcos 3:28-29), estaria fazendo o erro real. Como Jesus exorta: “Não vejas erros. Não os tornes reais” (CO 2.I.3:3-4). O erro nunca está fora de nós, porque não existe fora de nós! Jesus novamente: ‘Portanto, não busques mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo’ (T-21.in.1:7).

Outra forma de como o ego orienta nossa vida diária, oculta pelo véu da sinceridade consciente, é quando os estudantes do Curso procuram evitar as formas de envolvimento do ego no mundo, acreditando que, ao fazer isso, estão enfraquecendo o sistema de pensamento do ego.

Os estudantes com boas intenções muitas vezes não participam (e infelizmente menosprezam os que o fazem) em profissões que envolvem o corpo ou sistemas de pensamento da oposição. Isso inclui, embora esta lista dificilmente seja exaustiva, qualquer coisa médica ou legal, ou diferentes tipos de seguro.

Esses estudantes sinceros podem, como muitos proponentes da Ciência Cristã, repudiar os cuidados médicos (tradicionais ou alternativos), alegando que não desejam dar poder ao corpo.

Eles às vezes se recusam a servir em júris, usando o Curso como a razão, ou cancelam apólices de seguro com o fundamento de que isso ‘convida’ calamidades do ego a ocorrerem, reforçando a crença do ego na realidade do tempo linear (passado, presente, futuro).

O que torna isso ainda pior, novamente, são os julgamentos contra outros que cometem tais ‘atos não espirituais’, fortalecendo assim o seu próprio lugar especial – em sua auto percepção, pelo menos – de serem verdadeiros estudantes de Um Curso em Milagres.

Para apoiar as suas posições, esses estudantes podem citar as Lições 136 (“A doença é uma defesa contra a verdade”), 153 (“A minha segurança está em ser sem defesas”) e 194 (“Entrego o futuro nas mãos de Deus”).

Tais citações são infelizes, para dizer o mínimo, porque os estudantes inconscientemente procuram camuflar o seu comportamento muitas vezes cruel e crítico por trás das palavras do Curso, o conteúdo do ego escondido atrás da forma do Curso.

O erro de toda essa ‘atividade espiritual’, em outras palavras, é que ela enfatiza o externo que é percebido como uma ameaça, ignorando o poder do sistema de defesa da mente de negação e projeção.

Para reformular o comentário de Jesus sobre os cristãos: ‘Muitos cristãos sinceros compreenderam isso de modo equivocado’ (T-3.I.1:3). O que foi esquecido é que, uma vez que não há mundo lá fora (ver, por exemplo, LE-pI.132.4-6), não pode haver hierarquia de ilusões, apesar da primeira lei do caos do ego (T-23.II.2:3).

O ego continuamente argumenta em favor de sua verdade, afirmando que algumas coisas no mundo fenomênico são verdadeiramente significativas (leia-se: espirituais), de acordo com valores superiores ou inferiores para pessoas, lugares, objetos e atividades.

Nossa necessidade de tornar o mundo e os corpos reais, importantes e eficazes pode facilmente superar o fato de a mente que toma decisões se tornar consciente de que essa é a única verdade dentro do sonho da separação.

Assim como nunca devemos subestimar o poder da crença da mente no ego (T-5.V.2:11), nunca devemos subestimar o poder da repressão para negar nosso eu consciente, fazendo-nos acreditar que nós somos corpos sem mente, pessoas individuais em uma jornada espiritual.

Precisamos lembrar que a projeção faz a percepção (T-13.V.3:5; T-21.In.1:1): o que vemos do lado de fora é sempre e apenas o que projetamos. Nós queremos perceber e tornar real, no mundo sem mente dos corpos, a separação que não queremos reconhecer como a decisão da mente pelo ego.

Podemos, portanto, discernir um método na loucura decidida do ego de nos fazer realmente acreditar que existe uma hierarquia de ilusões (espiritualidades, profissões, comportamentos).

Essa crença e as experiências que inevitavelmente decorrem dela, servem bem ao propósito do ego de manter a nossa atenção enraizada no mundo do tempo e do espaço, tanto que nunca nos lembramos de que o nosso eu é uma mente que toma decisões.

E toda essa loucura está habilmente escondida por trás dos véus do especialismo que nos diferenciam dos outros, reforçando assim a percepção de que a Filiação fragmentada está viva e bem e muito real.

Para tornar este ponto importante mais uma vez, subestimamos a aura sedutora do especialismo por nossa própria conta e risco, pois o triunfo da forma sobre o conteúdo enterra tão facilmente o problema real (e a solução) que se encontra na mente que toma decisões, fazendo assim a correção impossível.

Por causa dos perigos do especialismo espiritual, Jesus exorta os seus estudantes a tomarem cuidado com os dons de julgamento do ego, vendo em todos eles, por mais tentadores que sejam os seus quadros de especialidade, a imagem oculta de separação e culpa (T-17.IV. Os dois retratos).

É tão bom julgar os outros, principalmente quando podemos esconder o ataque por trás dos véus da espiritualidade. O leitor pode se lembrar desta passagem sobre o fascínio da estrutura de relacionamento especial que esconde o seu verdadeiro dom de morte:

O relacionamento especial tem a moldura mais imponente e enganadora de todas as defesas que o ego usa… Na moldura são tecidas todas as espécies de ilusões fantasiosas e fragmentadas acerca do amor… Não permitas que o teu olhar permaneça no cintilar hipnótico da moldura. Olha para o retrato e reconhece que é a morte que te é oferecida (T-17.IV.8:1,3; 9:10-11).

Ninguém pode realmente negar essa atração pelo especialismo e nada é mais atraente do que o especialismo espiritual. Tem o poder de convencer até os estudantes mais sinceros e sérios a acreditar que o julgamento que eles fazem dos outros tem um fundamento espiritual e pode até ser a vontade de Jesus.

A pista de que respostas como essas são do ego e não do Espírito Santo não é apenas que o mundo se tornou real, mas que diferenças significativas são percebidas na Filiação e nas várias circunstâncias que nos acontecem.

A visão de Cristo de paz para todos, em certo sentido o objetivo de Um Curso em Milagres (T-8.I.1:1-2), é baseada na verdade – o reflexo da perfeita unicidade do Céu – de que somos todos iguais; que as diferenças na forma são insignificantes, pois ocultam a mesmice do conteúdo que se encontra na mente de todos: ego, Espírito Santo e o poder de decisão para escolher entre os dois.

É por isso que Jesus nos exorta a compartilhar a sua visão de perdão com todos os que vemos, sem exceção. A sua percepção unificada se torna a diretriz de como os seus professores viveriam no mundo ilusório de corpos separados.

Meus irmãos na salvação, não deixem de ouvir a minha voz e de escutar as minhas palavras. Eu nada peço senão a tua própria liberação. Não existe lugar para o inferno dentro de um mundo cuja beleza pode ainda ser tão intensa e tão abrangente que apenas um passo o separa do Céu. Aos teus olhos cansados eu trago a visão de um mundo diferente, tão novo, tão limpo e fresco, que esquecerás a dor e a tristeza que viste antes. Entretanto, essa é uma visão que tens que compartilhar com todas as pessoas que vês, pois, de outro modo, não a comtemplarás. Dar essa dádiva é a forma de fazê-la tua. E Deus determinou, em benignidade amorada, que ela fosse tua. T-31.VIII.8:1-7             

Bibliografia da OREM3:

1) Livro “Um Curso em Milagres” – Livro Texto, Livro de Exercícios e Manual de Professores. Fundação para a Paz Interior. 2ª Edição –  copyright© 1994 da edição em língua portuguesa.

2) Artigo “Helen and Bill’s Joining: A Window Onto the Heart of A Course in Miracles” (tradução livre: A União de Helen e Bill: Uma Janela no Coração de Um Curso em Milagres”) – Robert Perry, site: https://circleofa.org/

3) E-book “What is A Course in Miracles” (tradução livre: O que é Um Curso em Milagres) – Robert Perry.

4) E-book “Autobiography – Helen Cohn Schucman, Ph.D.” – Foundation for Inner Peace (tradução livre: Autobiografia – Helen Cohn Schucman, Ph.D., Fundação para a Paz Interior).

5) Livro “Uma Introdução Básica a Um Curso em Milagres”,  Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

6) Livro “O Desaparecimento do Universo”, Gary R. Renard.

7) Livro “Absence from Felicity: The Story of Helen Schucman and Her Scribing of A Course in Miracles” (tradução livre: “Ausência de Felicidade: A História de Helen Schucman e Sua Escriba de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

8) Artigo “A Short History of the Editing and Publishing of A Course in Miracles” (tradução livre: Uma Breve História da Edição e Publicação de Um Curso em Milagres” – Joe R. Jesseph, Ph.D. http://www.miraclestudies.net/history.html

9) E-book “Study Guide for A Course in Miracles”, Foundation for Inner Peace (tradução livre: Guia de Estudo para Um Curso em Milagres, Fundação para a Paz Interior).

10) Artigo “The Course’s Use of Language” (tradução livre: “O Uso da Linguagem do Curso”), extraído do livro “The Message of A Course in Miracles” (tradução livre: “A Mensagem de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

11) Artigo Who Am I? (tradução livre: Quem Sou Eu?) – Beverly Hutchinson McNeff – Site: https://www.miraclecenter.org/wp/who-am-i/

12) Artigo “Jesus: The Manifestation of the Holy Spirit – Excerpts from the Workshop held at the Foundation for A Course in Miracles – Temecula CA” (tradução livre: Jesus: A Manifestação do Espírito Santo – Trechos da Oficina realizada na Fundação para Um Curso em Milagres – Temecula CA) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

13) Livro “Quantum Questions” (tradução livre: “Questões Quânticas”) – Ken Wilburn

14) Livro “Um Retorno ao Amor” – Marianne Williamson.

15) Glossário do site Foundation for A Course in Miracles (tradução livre: Fundação para Um Curso em Milagres), do Dr. Kenneth Wapnick, https://facim.org/glossary/

16) Livro Um Curso em Milagres – Esclarecimento de Termos.

17) Artigo “The Metaphysics of Separation and Forgiveness” (tradução livre: “A Metafísica da Separação e do Perdão”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

18) Livro “Os Ensinamentos Místicos de Jesus” – Compilado por David Hoffmeister – 2016 Living Miracles Publications.

19) Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – A Canção da Oração” – Helen Schucman – Fundação para a Paz Interior.

20) Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – Psicoterapia: Propósito, Processo e Prática.

21) Workshop “O que significa ser um professor de Deus”, proferido pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D..

22) Artigo escrito pelo escritor Paul West, autor do livro “I Am Love” (tradução livre: “Eu Sou Amor”), blog https://www.voiceforgod.net/.

23) Artigo “The Beginning Of The World” (tradução livre: “O Começo do Mundo”) – Dr Kenneth Wapnick.

24) Artigo “Duality as Metaphor in A Course in Miracles” (tradução livre: “Dualidade como Metáfora em Um Curso em Milagres”) – Um providencial e didático artigo, considerado pelo próprio autor como sendo um dos artigos (workshop) mais importantes por ele escrito e agora compartilhado pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

25) Artigo “Healing the Dream of Sickness” (tradução livre: “Curando o Sonho da Doença”  – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

26) Livro “The Message of A Course in Miracles – A translation of the Text in plain language” (tradução livre: “A mensagem de Um Curso em Milagres – Uma tradução do Texto em linguagem simples”) – Elizabeth A. Cronkhite.

27) E-book “Jesus: A New Covenant ACIM” – Chapter 20 – Clearing Beliefs and Desires – Cay Villars – Joininginlight.net© (tradução livre: “Jesus: Uma Nova Aliança UCEM” – Capítulo 20 – Clarificando Crenças e Desejos).

28) Artigo “Strangers in a Strange World – The Search for Meaning and Hope” (tradução livre: “Estranhos em um mundo estranho – A busca por significado e esperança”), escrito pelo Dr. Kenneth Wapnick e por sua esposa Sra. Gloria Wapnick.

29) Artigo “To Be in the World and Not of It” (tradução livre: “Estar no Mundo e São Ser Dele”), escrito pelo Dr. Kenneth Wapnick e por sua esposa Sra. Gloria Wapnick.

30) Site https://circleofa.org/.

31) Livro “A Course in Miracles – Urtext Manuscripts – Complete Seven Volume Combined Edition. Published by Miracles in Action Press – 2009 1ª Edição.

32) Tradução livre do capítulo Urtext “The Relationship of Miracles and Revelation” (N 75 4:102).

33) Artigo “How To Work Miracles” (tradução livre “Como Fazer Milagres”), de Greg Mackie https://circleofa.org/library/how-to-work-miracles/.

34) Artigo “A New Vision of the Miracle” (tradução livre: “Uma Nova Visão do Milagre”), de Robert Perry https://circleofa.org/library/a-new-vision-of-the-miracle/.

35) Artigo “What Is a Miracle?” (tradução livre: “O que é um milagre?”), de Robert Perry https://circleofa.org/library/what-is-a-miracle/.

36) Artigo “How Does ACIM Define Miracle?” (tradução livre: “Como o UCEM define milagre?”), de Bart Bacon https://www.miracles-course.org/index.php?option=com_content&view=article&id=232:how-does-acim-define-miracle&catid=37&Itemid=57.

37) Livro “Os cinquenta princípios dos milagres de Um Curso em Milagres”, de Kenneth Wapnick, Ph.D..

38) Artigo “The Fifty Miracle Principles: The Foundation That Jesus Laid For His Course” (tradução livre: “Os cinquenta princípios dos milagres: a base que Jesus estabeleceu para o seu Curso”), de Robert Perry https://circleofa.org/library/the-fifty-miracle-principles-the-foundation-that-jesus-laid-for-his-course/.

39) Artigo “Ishmael Gilbert, Miracle Worker” (tradução livre: “Ishmael Gilbert, Trabalhador em Milagre”), de Greg Mackie https://circleofa.org/library/ishmael-gilbert-miracle-worker/.

40) Blog “A versão Urtext da obra Um Curso em Milagres (UCEM)” https://www.umcursoemmilagresurtext.com.br/.

41) Blog “Course in Miracles Society – CIMS – Original Edition” https://www.jcim.net/about-course-in-miracles-society/.

42) Site Google tradutor https://translate.google.com.br/?hl=pt-BR.

43) Site WordReference.com | Dicionários on-line de idiomas https://www.wordreference.com/enpt/entitled.

44) Artigo “The earlier versions and the editing of A Course in Miracles” (tradução livre: “As versões iniciais e a edição de Um Curso em Milagres), autor Robert Perry https://circleofa.org/library/the-earlier-versions-and-the-editing-of-a-course-in-miracles/.

44) Livro “A Course in Miracles: Completed and Annotated Edition” (“Edição Completa e Anotada”) – Circle of Atonement.

45) Livro “Q&A – Detailed Answers to Student-Generated Questions on the Theory and Practice of A Course in Miracles” – Supervised and Edited by Kenneth Wapnick, Ph.D. – Foundation for A Course in Miracles – Publisher (tradução livre: “P&R – Respostas Detalhadas a Questões Geradas por Alunos sobre a Teoria e Prática de Um Curso em Milagres” – Supervisionado e Editado por Kenneth Wapnick, Ph.D. – Fundação para Um Curso em Milagres – Editora)

46) Artigo “The Importance of Relationships” (tradução livre: “A Importância dos Relacionamentos”), no site https://circleofa.org/library/the-importance-of-relationships/, autor Robert Perry.

47) Artigo: “The ark of peace is entered two by two” (tradução livre: “Na arca da paz só entram dois a dois”) – Robert Perry Site: https://circleofa.org/library/the-ark-of-peace-is-entered-two-by-two/

48) Artigo “Living a Course in Miracles As Wrong Minds, Right Minds, and Advanced Teachers – Part 2 of 3 – How Right Minds Live in the World: The Blessing of Forgiveness”, por Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D..

49) Artigo “Living a Course in Miracles As Wrong Minds, Right Minds, and Advanced Teachers – Part 1 of 3 – How Wrong Minds Live in the World: The Ego’s Curse of Specialness”, por Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

Imagem soheyl-dehghani-OHMiK2uhO1A-unsplash.jpg

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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