“‘Pecado‘ é apenas um jogo infantil que nós inventamos e não teve nenhum efeito na criação de Deus.”

“‘Pecado‘ é uma coisa infantil de ponta afiada com a qual brincamos há eras.’

O pecado é o lar de todas as ilusões.”

O Curso diz:

O meu irmão sem pecado é o meu guia para a paz. O meu irmão pecador é o meu guia para a dor. E contemplarei aquele que eu escolher ver.

Quem é o meu irmão, senão o Teu Filho santo? Se o vejo pecador, estou proclamando que sou um pecador e não um Filho de Deus, só e sem amigos, num mundo amedrontador. No entanto, essa percepção é uma escolha que faço e posso abandonar. Também me é possível ver o meu irmão sem pecado, como Teu Filho santo. E com essa escolha, vejo a minha impecabilidade, o meu eterno Consolador e Amigo a meu lado e o meu caminho seguro e claro. Por isso, escolhe por mim, meu Pai, através da Tua Voz. Pois só Ele faz julgamentos em Teu Nome (LE-pII.351.in., 1:1-7).

Somos os portadores da salvação. Aceitamos o nosso papel de salvadores do mundo que, através do nosso perdão conjunto, é redimido. E esse, a nossa dádiva, assim nos é dado. Olhamos para todos como irmãos e percebemos todas as coisas como benignas e boas. Não buscamos uma função que esteja além das portas do Céu. O conhecimento retornará quando tivermos feito a nossa parte. Só nos preocupamos em dar boas-vindas à verdade (LE-pII.14.3:1-7).

Quando és tentado a acreditar que o pecado é real, lembra-te disso: se o pecado é real, nem tu nem Deus o são. Se a criação é extensão, o Criador tem que ter estendido a Si Mesmo e é impossível que o que é parte Dele não seja absolutamente como o resto. Se o pecado é real, Deus tem que estar em guerra Consigo Mesmo. Ele tem que estar dividido e dilacerado entre bem e mal, em parte são e parcialmente insano. Pois Ele tem que ter criado aquilo cuja vontade é destruí-Lo e tem o poder de fazê-lo. Não é mais fácil acreditar que tu te equivocaste do que acreditar nisso? (T-19.III.6:1-6)

Tu és santo porque a tua mente é parte da Mente de Deus. E, porque és santo, a tua vista também tem que ser santa. “Impecável” significa sem pecado. Não podes ser um pouco sem pecado. Ou és impecável ou não és. Se a tua mente é parte da Mente de Deus, tens que ser impecável ou uma parte da Sua Mente seria pecaminosa. A tua vista está relacionada com a Sua santidade, não com o teu ego e, portanto, não com o teu corpo (LE-pI.36.1:2-8).

A culpa pede punição e o seu pedido é concedido. Não na verdade, mas no mundo de sombras e ilusões construído sobre o pecado (T-26.VII.3:1-2).

Definição de Pecado:

1) Glossário – Foundation for A Course in Miracles – FACIM (tradução livre: Fundação para Um Curso em Milagres – Dr. Kenneth Wapnick) – site: https://facim.org/glossary/sin/:

  • Pecado, do ponto de vista do ego: a crença na realidade de nossa separação de Deus, vista pelo ego como um ato incapaz de correção porque representa o nosso ataque ao nosso Criador, que, portanto, nunca nos perdoaria; leva à culpa, que exige punição; equivalente à separação e o conceito central no sistema de pensamento do ego, do qual todos os outros seguem logicamente;
  • Pecado, do ponto de visto do Espírito Santo: um erro em nosso pensamento a ser corrigido e, portanto, perdoado e curado.

2) Livro “Study Guide for A Course in Miracles” – ACIM – FIP (tradução livre: “Guia de Estudo para Um Curso em Milagres”):

O pecado é uma ideia difícil e destrutiva, que trouxe grande conflito e sofrimento ao mundo.

Algumas formas de cristianismo têm dado grande peso ao “pecado”, dizendo aos crentes que eles são pecadores desde o nascimento e não merecem a misericórdia e o amor de Deus, a menos que se comportem de certas maneiras e realizem certas boas ações.

Elas também promovem a ideia de que Jesus “morreu pelos nossos pecados”, o que significa que Deus teve que sacrificar o Seu próprio Filho como penitência para salvar o resto de nós do pecado, o que, claro, nos leva a nos sentirmos culpados.

UCEM inverte esses ensinamentos. Diz-nos que o que o ego chama de pecado é simplesmente erro e um erro não exige penitência ou punição, mas sim correção.

A correção ocorre no nível da mente, não por meio de boas ações que ocorrem no mundo dos sonhos da separação e necessariamente envolvem ações realizadas por um corpo físico. Aos olhos de Deus e do Espírito Santo, nós somos totalmente inocentes, exatamente como nós fomos criados.

UCEM diz que pecado é “insanidade”. É a mentalidade errada: a crença de que nós poderíamos nos separar da unicidade que é Deus e Seu Filho. Como tal, ele [o pecado] é irreal.

Pois o pecado é a ideia segundo a qual estás sozinho e separado do que é íntegro (T-30.III.3:7).

O pecado é a crença em que o ataque pode ser projetado para fora da mente onde surgiu essa crença (T-26.VII.12:2).

O pecado é apenas um erro em uma forma especial que o ego venera. Ele quer preservar todos os erros e fazer com que sejam pecados (T-22.III.4:5-6).

Os equívocos existem para serem corrigidos e nada mais pedem. O que pede punição necessariamente está pedindo o nada. Cada equívoco tem que ser um pedido de amor. O que é, então, o pecado? O que poderia ser senão um equívoco que queres manter escondido, um pedido de ajuda que não queres que seja ouvido e, portanto, queres manter sem resposta? (T-19.III.4:5-9)

O pecado não tem lugar no Céu, onde seus resultados são desconhecidos e não podem entrar assim como a sua fonte. E nisso está a tua necessidade de ver o teu irmão sem pecado. Nele está o Céu. Ao invés disso, se nele vires o pecado, o Céu está perdido para ti. Mas que o vejas tal como é, e o que é teu brilhará à partir dele para ti (T-20.IV.2:1-5).

3) O que é o pecado? (LE-pII.4.1-5)

Obs.: Buscamos inspiração, para o entendimento da mensagem desta inspirada seção, através dos comentários do professor de Deus Allen Watson, que transcrevemos, em tradução livre, do site Circle of Atonement (https://circleofa.org/workbook-companion/what-is-sin/):

1º parágrafo     

Pecado é insanidade. É o meio pelo qual a mente é levada à loucura e busca deixar que as ilusões tomem o lugar da verdade. E, estando louca, vê ilusões onde a verdade deveria estar e onde realmente está. O pecado deu olhos ao corpo, pois para aqueles que não têm pecado, o que há para contemplar? Que necessidade têm eles da visão, da audição ou do tato? O que ouviriam ou tentariam agarrar? O que perceberiam com os sentidos? Ter sensações não é conhecer. E a verdade só pode ser preenchida com o conhecimento e com nada mais (LE-pII.4.1:1-9).

“Pecado” é a crença de que eu sou mau, corrompido de alguma forma pelos erros que cometi e desfigurado para sempre por meus pensamentos equivocados.

“Pecado” é a crença de que a criação perfeita de um Deus perfeito pode de alguma forma se tornar imperfeita, distorcida e deformada e indigna de seu Criador.

Pecado é insanidade” (1:1).

É o meio pelo qual a mente é levada à loucura e busca deixar que as ilusões tomem o lugar da verdade (1:2).

Esta é a fonte do mundo que vemos:

O mundo que vês é o sistema delusório daqueles a quem a culpa enlouqueceu (T-13.In.2:2).

Esta é a causa por trás da ilusão.

Por causa da culpa, nós temos medo da verdade, medo de Deus, medo de nós mesmos.

Nós acreditamos que perdemos o paraíso e, portanto, nós devemos criar outro lugar onde possamos, ou pelo menos podemos esperar que possamos, encontrar satisfação.

Assim é este mundo. Por causa do pecado, nós acreditamos que não podemos ter o Céu, então fazemos um substituto.

Por causa da loucura induzida pelo pecado e pela culpa, vemos “ilusões onde a verdade deveria estar e onde realmente está” (1:3).

Nós alucinamos. Nós vemos ataque no amor. Nós vemos o amor em ataque. Nós buscamos satisfação em miragens. Nós buscamos a felicidade eterna nas coisas que murcham e morrem.

Nossa cura começa quando nós começamos a reconhecer as ilusões como ilusões.

Este pode ser um momento de grande desespero, quando tudo em que nós pensávamos que poderíamos confiar vira pó.

No entanto, é o início da sabedoria, o início de um grande despertar.

Os pensamentos que manténs são poderosos e as ilusões são tão fortes em seus efeitos quanto a verdade. Um louco pensa que o mundo que vê é real e não duvida disso. Ele não pode ser influenciado pelo questionamento dos efeitos de seus pensamentos. A esperança da liberdade só lhe vem quando finalmente a fonte de seus pensamentos é posta em questão (LE-pI.132.1:4-7)

Nós estamos rodeados de ilusões, os efeitos de nossos pensamentos. Nós não duvidamos verdadeiramente da realidade desses efeitos.

Somente quando a sua fonte “for questionada”, somente quando nós começarmos a questionar o pensamento do pecado que induz a nossa loucura, “a esperança da liberdade” começará a surgir.

Nossos próprios olhos são o produto do pecado:

“O pecado deu olhos ao corpo” (1:4).

Ou, como diz o próximo parágrafo, “O corpo é o instrumento feito pela mente nos seus esforços para enganar a si mesma” (2:1).

A própria percepção é o resultado do pecado, “pois, para aqueles que não têm pecado, o que há para contemplar?” (1:4).

O nosso verdadeiro Ser está totalmente além da percepção. A percepção é inerentemente dualística; “Eu” aqui percebo algum objeto ali. Isso implica uma separação.

O sem pecado, evidentemente, não teria desejo de nada perceber porque nada estaria separado.

O desejo de se separar, de estar à parte e “objetivo” de outra coisa, é parte integrante do conceito de pecado e culpa.

O ser sem pecado, na visão do Curso, experimentaria todas as coisas como parte de si mesmo. Seria “conhecê-las” em vez de “percebê-las”.

O sem pecado não teria necessidade de visão, som ou toque, porque tudo seria parte de si mesmo; conhecido, mas não percebido.

A percepção é tão limitada. Tão incompleta e imperfeita.

O Ser sem pecado não tem necessidade de sentido, pois tudo é conhecido por ele. “Ter sensações não é conhecer” (1:8).

O propósito da percepção não é saber. Ou melhor ainda, o propósito da percepção é não saber.

A percepção é uma separação, um afastamento, um ser separado de.

A consciência do pecado é o que causa esse afastamento, essa contração interior, para longe da unidade.

A verdade, em contraste, “só pode ser preenchida com o conhecimento e com nada mais” (1:9).

A verdade não sente as coisas; a verdade conhece as coisas. Ela as conhece sendo uma só com elas.

Eu não te conheço pela percepção. A percepção me engana; essa é a sua intenção.

A percepção me impede de conhecê-lo. Só posso conhecê-lo quando experimento que sou você. Isso é o que acontece no instante santo, pois o instante santo é uma experiência das mentes como uma só.

Tal experiência pode ser realmente desorientadora para uma mente habituada à solidão; a aparente identidade com a qual nos acostumamos por todas as nossas vidas de repente se foi, não tenho mais certeza se sou eu ou você.

Percebo por um momento que o “eu” que pensei que era pode, de fato, não existir de verdade. Como não, na verdade.

A consciência no nível da percepção do pecado e da culpa é o que impede essa união de mentes.

Eu me mantenho separado de você com medo. Eu reprimo meu amor, duvido do seu.

O Curso está nos levando ao ponto em que esse medo se dissolve e a união, sempre presente, é mais uma vez conhecida pelo que é.

2º parágrafo

O corpo é o instrumento feito pela mente nos seus esforços para enganar a si mesma. O seu propósito é lutar. Mas a meta da luta pode mudar. E agora o corpo serve para lutar por um objetivo diferente. O que ele busca, agora, é escolhido pelo objetivo que a mente adotou para substituir a meta do autoengano. A verdade pode ser o seu objetivo tanto quanto as mentiras. Nesse caso, os sentidos buscarão testemunhas do que é verdadeiro (LE-pII.4.2:1-7).

Como já vimos, “O corpo é o instrumento feito pela mente nos seus esforços para enganar a si mesma” (2:1).

O propósito do corpo, conforme visto pelo ego, é “lutar” (2:2).

Estar em conflito e competir com outros corpos, muitas vezes por outros corpos.

O corpo luta, ele esculpe sua existência do mundo por meio do suor de sua testa e do ataque a outros corpos. Sua lei é a lei da selva, “Matar ou ser morto” (M-17.7:11).

Isso significa que o corpo é uma coisa odiosa e má, a ser desprezada e subjugada? Não.

O objetivo do esforço do corpo pode mudar (2:3).

Dado ao ego, o objetivo é a própria luta, sem fim real. A contenda mantém o ego em movimento. Mas, dado ao Espírito Santo, o nosso esforço pode ter como objetivo a verdade, em vez de mentiras.

O Espírito Santo pode usar tudo o que o ego fez para desfazer os propósitos do ego.

Ele pode usar os nossos relacionamentos especiais, as nossas palavras e os nossos pensamentos, o próprio mundo e os nossos corpos, tudo para servir aos propósitos da verdade.

A chave está na mudança do objetivo, o propósito ao qual o corpo, e tudo o que está associado a ele, serve.

Um relacionamento especial se torna santo quando o seu propósito é mudado de pecado para santidade, de tentar encontrar uma conclusão que nós pensamos estar faltando para se esforçar em lembrar uma conclusão que nós já temos.

Nas palavras de um antigo hino cristão de Frances Ridley Havergill, podemos orar:

Toma a minha vida; que seja
Consagrada, Senhor, a ti.
Toma os meus momentos e os meus dias,
Que fluam sempre em louvores incessantes.
Toma as minhas mãos; que movam
Pelo impulso do teu amor.
Toma os meus pés; que sejam
Velozes e “formosos” para ti.
Toma os meus lábios, que sejam
Cheios de mensagens de Ti.
Toma a minha voz; que eu cante
Sempre, somente, para o meu Rei.

Quando mudamos o objetivo de nosso esforço e estabelecemos um novo propósito para o nosso corpo com seus sentidos, ele começa a “lutar por um objetivo diferente” (2:4).

O objetivo agora é a santidade em vez do pecado; perdão em vez de culpa.

Nossas mentes estavam tentando, por meio do corpo e dos sentidos, enganar a si mesmas (2:5; 2:1).

Nossas mentes estavam tentando tornar reais as suas ilusões de separação.

Agora, o nosso objetivo é redescobrir a verdade. Quando a nossa mente seleciona uma nova meta, o corpo segue.

O corpo serve à mente, e não vice-versa (ver T-31.III.4). Sempre faz o que a mente direciona.

Portanto, quando nós selecionamos conscientemente uma nova meta, o corpo começa a servir a essa meta (ver T-31.III.6:2-3).

“Nesse caso, os sentidos buscarão testemunhas do que é verdadeiro” (2:7).

Simplificando, nós começaremos a ver as coisas de forma diferente. O Texto explica com alguns detalhes como isso funciona (ver T-11.VIII.9-14 e T-19.IV (A).10-11).

Nós começamos a procurar os pensamentos de amor de nossos irmãos em vez de seus pecados. Nós estamos procurando aprender sobre a sua realidade (que é o Cristo) em vez de tentar descobrir a sua culpa.

Nós olhamos além de seus egos, a sua “percepção variável” de si mesmos (T-11.VIII.11:1), e além de suas ofensas.

Nós pedimos ao Espírito Santo que nos ajude a ver a sua realidade e Ele nos mostra isso. “Quando quiseres só o amor, não verás nenhuma outra coisa” (T-12.VII.8:1).

O que nós vemos depende do que nós escolhemos, em nossas mentes, para procurar. Escolha o amor e o corpo se tornará o instrumento de uma nova percepção.

3º parágrafo

O pecado é o lar de todas as ilusões que só representam coisas imaginarias, geradas por pensamentos que não são verdadeiros. São a “prova” de que o que não tem realidade é real. O pecado “prova” que o Filho de Deus é mau, que a intemporalidade tem que ter um fim, que a vida eterna tem que morrer. E o próprio Deus perdeu o Filho que Ele ama, ficando apenas com a corrupção para completar a Si Mesmo; a Vontade de Deus foi para sempre superada pela morte, o amor decapitado pelo ódio e nunca mais haverá paz (LE-pII.4.3:1-4).

Nossas ilusões vêm ou surgem de nossos pensamentos falsos.

As ilusões não são realmente “coisas”; elas são símbolos, representam coisas imaginárias (3:1).

Elas são como uma miragem, uma imagem de algo que realmente não existe.

Os nossos pensamentos de carência, os nossos sentimentos de indignidade, a nossa culpa e medo, a aparência do mundo nos atacando, até mesmo os nossos próprios corpos – todos eles são ilusões, miragens, símbolos que não representam nada.

O pecado é o lar de todas as ilusões (3: 1).

A ideia de nossa corrupção interior, nossa natureza maluca, abriga todas as ilusões.

O pensamento de pecado e culpa cria um ambiente que fomenta e nutre todas as ilusões.

O que precisa mudar é esse pensamento da mente. Tire o pensamento de pecado e as nossas ilusões não terão lugar para morar. Eles simplesmente caem no pó.

Essas ilusões, que vêm de pensamentos falsos e fazem do “pecado” a sua morada, “são a ‘prova’ de que o que não tem realidade é real” (3:2).

Os nossos corpos parecem nos provar que a doença e a morte são reais, por exemplo.

Os nossos sentidos parecem provar que a dor é real.

Os nossos olhos e ouvidos veem todos os tipos de evidências de culpa, da realidade da perda e da fraqueza do amor.

O mundo parece provar que Deus não existe ou que está zangado conosco.

Essas coisas que as nossas ilusões parecem provar não têm nenhuma realidade e, no entanto, parecem reais para nós.

Tudo isso está alojado em nossa crença no pecado e, sem essa crença, elas simplesmente deixariam de existir.

Se “pecado” é algo real, as implicações são enormes. E totalmente impossível. O que a realidade do pecado parece provar?

“O pecado ‘prova’ que o Filho de Deus é mau; que a intemporalidade deve ter um fim; que a vida eterna tem que morrer” (3:3).

Se o Filho criado por Deus pecou de verdade, então o Filho de Deus deve ser mau. Isso é possível?

Se o Filho de Deus é mau, então o que foi criado para ser eterno deve agora terminar; o eterno Filho de Deus deve morrer.

“Justiça” exigiria isso. É possível que algo atemporal termine, que algo eterno morra? Claro que não; essas coisas são absurdas.

Portanto, o pecado também deve ser absurdo. Ele não pode ser.

O pecado também “prova” que “o próprio Deus perdeu o Filho que Ele ama, ficando apenas com a corrupção para completar a Si Mesmo; a Vontade de Deus foi para sempre superada pela morte, o amor decapitado pelo ódio e nunca mais haverá” (3: 4).

O pensamento de que Deus perderia o que Ele ama sempre me pareceu impossível; fez com que toda a ideia de inferno e condenação eterna parecesse completamente inexplicável.

Eu costumava pensar: “Se eu for para o Céu e meu pai [que não acreditava em Deus] for para o inferno, como eu poderia ser eternamente feliz e feliz no Céu, sabendo que o meu pai está sofrendo eternamente no inferno? Se eu não poderia ser feliz com isso, como eu poderia estar no Céu? E se eu não poderia ser feliz com isso, como poderia Deus?”

Se o pecado é real, o Filho criado para ser a completude de Deus agora está corrompido; Deus só tem corrupção para se completar.

A sua vontade foi totalmente frustrada. O mal vence. Nunca mais haverá paz.

Portanto, o pecado simplesmente não pode ser real.

A culpa e o medo seguem o pecado na irrealidade. Se não há pecado, não há culpa. Se não há culpa, não há medo. De que outra forma a paz poderia existir?

“Pecado é insanidade” (1:1).

Simplesmente não pode ser, se Deus é Deus, se Sua Vontade deve ser feita, se Sua criação é eterna.

Isso é o que o perdão nos mostra:

Mas podemos sonhar que perdoamos aquele em quem todo pecado permanece impossível e é isso que escolhemos sonhar hoje. Deus é nossa meta; o perdão é o meio pelo qual as nossas mentes enfim retornam a Ele (LE-pII.256.1:8-9).

4º parágrafo

Os sonhos de um louco são assustadores e o pecado, de fato, parece aterrorizar. E, no entanto, o que o pecado percebe não passa de um jogo infantil. O Filho de Deus pode brincar de tornar-se um corpo, uma presa para o mal e para a culpa, tendo apenas uma pequena vida que terminará na morte. Porém, enquanto isso o seu Pai o ilumina e o ama com um Amor eterno, que as suas pretensões não podem mudar de forma alguma (LE-pII.4.4:1-4).

A lição compara a nossa crença no pecado e as ilusões projetadas que fizemos para apoiar essa crença, aos “sonhos de um louco” (4:1).

Os sonhos de um louco podem ser verdadeiramente aterrorizantes; da mesma forma, a nossa descrição do pecado neste mundo também pode ser muito assustadora.

“O pecado, de fato, parece aterrorizar” (4:1).

Doença, morte e perda de todos os tipos não podem deixar de resultar em terror em nós. A ilusão não é gentil.

“No entanto, o que o pecado percebe não passa de um jogo infantil” (4:2).

Nada disso realmente tem consequências duradouras.

À luz da eternidade, as nossas guerras e pragas não são mais reais e nem mais assustadoras do que a guerra imaginária de uma criança entre super-heróis.

Não há dúvida de que isso é muito difícil de aceitar, principalmente quando você está no meio de tudo isso, acreditando que é real.

No entanto, é o que o Curso está dizendo. Se o corpo não vive de verdade, não morre de verdade.

“O Filho de Deus pode brincar de tornar-se um corpo, uma presa para o mal e para a culpa, tendo apenas uma pequena vida que terminará na morte” (4:3).

Mas não é bem assim. É apenas um jogo que nós estamos jogando. Nada disso realmente significa o que nós pensamos que significa.

Quando nós vamos ao cinema, nós podemos chorar quando um personagem com o qual nos identificamos sofre perda ou morre.

No entanto, uma parte mais profunda de nossa mente sabe que nós estamos assistindo a uma história; o ator não morreu realmente.

E em algum nível, o Curso está nos pedindo para responder ao que chamamos de “vida” da mesma maneira, com um nível mais profundo de conhecimento que sabe que qualquer vida que Deus criou não pode morrer.

O personagem do filme pode morrer, nós podemos chorar e, no entanto, por trás de tudo isso, nós sabemos que é apenas um jogo imaginário e não a realidade final.

Embora nós estejamos todos profundamente envolvidos no drama desse “jogo infantil” (4:2), a realidade continua. Isso nunca mudou.

Porém, enquanto isso o seu Pai o ilumina e o ama com um Amor eterno, que as suas pretensões não podem mudar de forma alguma (4:4).

Nossas “pretensões”, o jogo infantil, a brincadeira de ser corpos que sofrem o mal, a culpa e a morte, não mudaram e não podem mudar a realidade profunda e permanente do Amor de Deus; a segurança perfeita e sem fim em que habitamos Nele.

A imutabilidade do Céu está em ti, tão profundamente interiorizada que tudo nesse mundo apenas passa ao largo, despercebido e sem ser visto. A infinidade serena da paz sem fim te cerca gentilmente em seu abraço suave, tão forte e quieta, tão tranquila no poder do seu Criador, que nada é capaz de invadir o sagrado Filho de Deus no seu interior (T-29.V.2:3-4).

Em certo sentido, o amor de Deus garante a nossa segurança eterna. Porque o Seu Amor é “eterno”, nós também somos. Enquanto o Seu Amor perdura, nós também perduramos.

O Filho da Vida não pode ser morto. Ele é imortal como o seu Pai. O que ele é não pode ser mudado. Ele é a única coisa em todo o universo que tem que ser una. O que parece ser eterno, tudo isso terá um fim. As estrelas desaparecerão e a noite e o dia não mais existirão. Todas as coisas que vêm e vão, as marés, as estações e as vidas dos homens; todas as coisas que mudam com o tempo, que florescem e murcham não retornarão. Onde o tempo estabeleceu um fim, não é onde o eterno pode ser encontrado. O Filho de Deus nunca pode mudar em função daquilo que os homens fizeram dele. Ele será o mesmo, ontem e hoje, pois o tempo não designou o seu destino, nem estabeleceu a hora do seu nascimento e da sua morte. (T-29.VI.2:3-12)

5º parágrafo

Por quanto tempo, Ó Filho de Deus, ainda manterás o jogo do pecado? Não é melhor deixarmos de lado esses brinquedos de criança cheios de pontas afiadas? Em quanto tempo estarás pronto para voltar para casa? Hoje, talvez? Não existe pecado. A criação não pode ser mudada. Ainda queres protelar a volta ao Céu? Até quando, ó Filho santo de Deus, até quando? (LE-pII.4.5:1-8)

Por quanto tempo, perguntam-nos, nós manteremos esse jogo infantil do pecado? Isso é tudo, um jogo tolo. Não é uma coisa horrível, terrível; apenas mentes imaturas brincando com “brinquedos de criança de cheios de ponta afiada” (5:2).

Acho que não é por acaso que no famoso capítulo bíblico sobre o amor, 1 Coríntios 13, o apóstolo Paulo fala de como, quando nós somos crianças, nós falamos como crianças e nós agimos como crianças, mas quando nós crescemos, “acabamos com as coisas de menino” (1 Cor 13:11).

É isso que a lição nos pede que façamos. Está nos pedindo para crescermos.

“Pecado” é uma coisa infantil de ponta afiada com a qual brincamos há eras.

É hora de deixarmos isso de lado e assumirmos o nosso papel “maduro” como extensões do Amor de Deus.

É hora de nós guardarmos esses brinquedos.

É hora de deixar de lado todo o conceito de pecado e culpa, a ideia de que podemos fazer (e já fizemos) algo impossível de mudar que mude a nossa natureza. Algo que merece condenação e punição eternas.

É hora de olhar ao nosso redor e perceber que nada, absolutamente nada, cai nessa classe.

O pecado, como classe ou categoria do comportamento humano, simplesmente não existe. Não há pecados, apenas erros.

Nada está além da correção. Nada nos proíbe do Amor de Deus. Nada tira nossa herança eterna. Nada pode nos separar do Amor de Deus.

Em quanto tempo estarás pronto para voltar para casa? Hoje, talvez? (5:3-4)

Nós saímos de casa. Nós fugimos porque nós acreditamos que éramos maus e fizemos algo imperdoável.

Mas nada é imperdoável. É apenas a nossa própria crença no pecado e na culpa que nos mantém aqui, sem teto.

O lar ainda está esperando por nós.

Como o filho da parábola do filho pródigo, nós estamos sentados em nosso chiqueiro lamentando a nossa perda, enquanto o Pai observa no final da estrada, perguntando: “Quando você estará pronto para voltar para casa? Eu estou aqui; ainda te amo. Eu estou esperando por você.”

Hoje, agora, neste instante santo, vamos ficar quietos por um momento e ir para casa.

Não existe pecado. A criação não pode ser mudada (5:5-6)

Isso é o que nos diz a lembrança de nossa Fonte. “Pecado” é apenas um jogo infantil que nós inventamos e não teve nenhum efeito na criação de Deus.

É um jogo disputado apenas em nossa imaginação; não mudou a realidade nem um pouco.

A “queda” nunca aconteceu. Não há nada para expiar, nada para pagar.

A porta para o Céu está aberta em boas-vindas.

Tudo o que precisamos fazer, então, é parar de imaginar esse jogo infantil.

Tudo o que precisamos fazer é parar de imaginar que a culpa – nossa ou de outrem – tem algum valor e deixá-la ir.

Nós nos apegamos à culpa e ao pecado apenas para manter a nossa ilusão de separação. Vale a pena o preço que nós pagamos?

Quando nós abandonamos o pecado, a separação desaparece e o Céu é restaurado para nós.

Ainda queres protelar a volta ao Céu? Até quando, ó Filho santo de Deus, até quando? (5:7-8)

Imagem felix-mittermeier-L4-16dmZ-1c-unsplash.jpg

…continua Parte II…

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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