Quando me deparei pela primeira vez com o conceito de “figuras das sombras” em Um Curso em Milagres, eu confesso que levei algum tempo para entende-lo pois tratava-se de mais um tema revelador e impactante do sistema de pensamento do Curso, onde, embora gentilmente, o autor do livro nos leva a refletir sobre a prática de nosso dia a dia nas tomadas de decisões e nos padrões presentes em nossos relacionamentos de modo geral, com o objetivo maior de nos preparar para o nosso despertar e para o retorno à Casa de onde nós nunca partimos.

Para nos aprofundarmos nesta questão sobre as “figuras das sombras” e revisitarmos o tema “o que é um relacionamento especial ou não-santo” (artigos 32 e 33 da OREM3), buscamos inspiração no professor e pesquisador Robert Perry, em seu artigo “Shadow Figures” [“Figuras das Sombras], que transcrevemos trechos em tradução livre para a nossa reflexão e entendimento.

O artigo completo em inglês poderá ser acessado no site Circle of Atonement, através do link https://circleofa.org/library/shadow-figures/.

“’Figura das sombras’ é um termo que ocorre em Um Curso em Milagres sete vezes, em quatro seções diferentes do Livro Texto.

É um conceito do Curso pouco conhecido, mas muito importante.

Nós podemos ver prontamente a verdade neste conceito, mas o Curso o leva a profundidades que são desafiadoras e bastante perturbadoras.

Aqui está a minha definição de glossário para o que são as figuras das sombras: Imagens/memórias mentais sombrias de pessoas específicas de nosso passado que não cumpriram os papéis que lhes atribuímos, que não nos deram o amor especial que nós queríamos deles.

Tentamos reviver o nosso passado com eles no presente e, desta vez, virar a mesa – vingar-nos deles e obter deles o amor que nós desejávamos.

Nós fazemos isso formando relacionamentos especiais com pessoas que nos lembram as nossas figuras das sombras.

Nós tentamos extrair dessas novas pessoas o que as figuras das sombras não nos deram, o que nós pensamos que elas nos roubaram.

No presente, então, nós estamos realmente interagindo com memórias, não com os nossos parceiros atuais.

A noção começa com um passado doloroso, que nós vemos como ocorrendo nas mãos de determinadas pessoas.

Aos nossos olhos, essas pessoas nos machucaram, nos privaram do amor que nós desejávamos. Elas arruinaram os nossos sonhos. Nós atribuímos a elas o papel de nos fazer sentir especiais e eles estragaram tudo.

Agora nós queremos restaurar isso e esse desejo é levado a todos os nossos relacionamentos.

Cenas imaginadas, dor relembrada, desapontamentos passados, injustiças percebidas e privações, tudo isso entra no relacionamento especial, que vem a ser uma maneira pela qual buscas restaurar a tua autoestima ferida (T-15.VII.1:3).

Assim nós carregamos a imagem mental dessas pessoas em nossa mente, as pessoas que nos negaram a felicidade.

Elas, aos nossos olhos, são as responsáveis ​​pela nossa miséria, por nós não termos conseguido o amor que nós desejávamos.

Em cada uma de nossas mentes, há um sótão cheio desses fantasmas. E ainda nós interagimos com eles e fazemos isso o tempo todo.

Nós Estamos conversando com eles e eles, por sua vez, são forçados a testemunhar os novos desdobramentos em nossas vidas, especialmente os nossos novos triunfos, que lhes mostram o quão errados eles estavam.

Exercício

Tome um minuto e escreva as principais figuras das sombras que vêm à mente, as principais pessoas que o privaram do que você queria por omissão ou por cometimento. Ou eles simplesmente não lhe deram o amor que você queria, ou eles ativamente o machucaram e feriram.

Nome das figuras das sombras  O que elas não deram a você?  
  
  
  
  

Nós compartilhamos as nossas observações sobre essa lista em sala de aula. Alguém disse que ‘valor’ continuava aparecendo na coluna da direita. Outra pessoa disse ‘Elas são todas clones’. Alguém disse: ‘No final, são todas do meu passado’.

Perguntaram-me se instituições como escola e igreja poderiam ser figuras das sombras e eu disse que sim, mas mesmo assim, haverá pessoas que, para nós, são a cara dessas instituições. Mas, definitivamente, sim, existem figuras das sombras de grupo.

Uma vez que essas figuras das sombras estão em nossas mentes, agora nós embarcamos no que chamo de ‘teatro da vingança’.

Ambas as palavras são importantes. ‘Vingança’ porque a coisa toda é sobre se vingar das figuras das sombras. ‘Teatro’ porque nós o fazemos encenando uma reconstituição do nosso passado com elas.

O teatro de vingança tem três etapas:

  1. Elenco

Nós basicamente desempenhamos o papel de diretor de elenco, procurando pessoas que de alguma forma nos lembrem as nossas figuras das sombras e, portanto, sejam adequadas para desempenhar o papel delas em nosso teatro de vingança.

Pois eles só vêem aqueles que lhes relembram essas imagens e é com elas que se relacionam (T-13.V.3:2).

Observe o que isso diz. As únicas pessoas que realmente nós vemos e com quem realmente nos relacionamos são aquelas que nos lembram de nossas figuras das sombras. Nós ignoramos todos os outros.

Todos nós nos perguntamos por que nós, ou talvez pessoas que nós conhecemos, somos atraídos pelas pessoas erradas. É como se tivéssemos um radar para isso. Esse radar é o impulso inconsciente para encontrar aqueles que nos lembram as nossas figuras das sombras.

Isso também explica o efeito clone – escolher os mesmos tipos de pessoas como parceiros, um após o outro, mesmo que os relacionamentos acabem sendo desastrosos.

É por isso que qualquer coisa que te faça recordar as tuas mágoas passadas te atrai e parece passar em nome do amor, não importa quão distorcidas possam ser as associações pelas quais chegas a fazer essa conexão. (T-17.III.2:5)

Essa é realmente a teoria da atração do Curso.

Isso é o que nos atrai aos parceiros românticos, amigos, colegas de trabalho, o que quer que seja: a pessoa nos lembra de nossas figuras das sombras, das pessoas de quem nos ressentimos porque não nos deram o que nós queríamos.

A associação entre a figura passada e a pessoa atual pode ser muito distorcida. Pode existir apenas em nossa mente. Mas ainda estará lá.

Exercício

Pense em alguém importante em sua vida agora. Então pergunte a si mesmo quem ele ou ela está interpretando, que figura da sombra do passado? Você pode escolher mais de uma figura da sombra. Então pergunte a si mesmo, qual é a associação? Por que você associa essa pessoa a essa figura sombria?

Pessoa na sua vida agora  Figura da sombra que elas estão encenandoO que associa as duas em sua mente?
   
   
   
   
  • Reencenando

Uma vez que nós tenhamos escalado os atores, nós reencenamos o passado. Isso começa projetando a nossa imagem da figura da sombra nessa pessoa. Em seguida, nós recriamos a mesma situação essencial do passado.

Nessa situação reformulada, nos relacionamos com a pessoa atual, o ator, como se ele realmente fosse a figura da sombra.

Quando nós falamos com o parceiro atual, nós estamos realmente falando com a figura da sombra.

E quando a pessoa atual nos responde, nós ouvimos essa resposta como sendo da figura da sombra.

Assim, fisicamente nós estamos interagindo com o nosso parceiro atual. Mas mental e emocionalmente nós estamos interagindo com nossa figura da sombra. Estamos falando para, dando para e fazendo para a figura de sombra.

E estamos ouvindo, recebendo da e sendo conduzidos pela figura da sombra. Isso, é claro, explica muitos problemas de comunicação.

O Curso até diz:

E receberás mensagens do [teu irmão] saídas do teu próprio passado… (T-13.IV.5:6)

  • Novo final

De algo que escrevi anteriormente:

‘Nós reencenamos a cena de nossa humilhação e planejamos virar o jogo. Desta vez, nós esperamos receber o amor, o reconhecimento e a adulação – em suma, o especialismo – que nos foi tão injustamente negado na primeira vez. Em nosso novo final de script, papai (interpretado por nossa esposa) prefere passar um tempo conosco do que ir pescar; o professor (interpretado por nosso empregador) não consegue imaginar como alguém poderia ignorar as nossas incríveis habilidades; o primeiro marido (interpretado pelo terceiro marido) aprecia profundamente o nosso autossacrifício incansável e a nossa beleza natural.

A ideia geral, em outras palavras, é fazer com que a nova pessoa lhe dê o que a figura da sombra se recusou a dar.

Isso significa que, em sua experiência emocional, você o receberá da figura da sombra.

Mesmo que conscientemente você perceba que é sua esposa lhe dando todo esse elogio e afirmação, inconscientemente você vai sentir isso como a sua mãe elogiando e afirmando você.

Assim, em sua mente, você finalmente terá recebido dela o que nunca recebeu quando criança.

Infelizmente, o ego está apenas segurando a cenoura do novo final. Na verdade, embora nos prometa o novo final, está indo para o antigo final. É envolver-se na compulsão à repetição.

Exercício

Qual é o novo final que você espera da pessoa que usou na tabela anterior (aquela que precede o ponto 2: Reencenação)?

Toda essa teoria pode parecer simplesmente bizarra, mas o especialista em casamento Harville Hendrix, autor (junto com Helen LaKelly Hunt) do livro ‘Getting the Love You Want’ [”Conseguindo o amor que você deseja’], formou praticamente a mesma teoria, com base na observação clínica de milhares de casais:

<Descobri, em anos de pesquisa teórica e observação clínica, que cada um de nós procura alguém que tenha os traços de caráter predominantes das pessoas que nos criaram. O nosso velho cérebro está … tentando recriar o ambiente da infância … A partir de minhas observações sobre [o que] milhares de casais declararam querer de seus parceiros, concluí que é uma necessidade imperiosa curar velhas feridas da infância.

O motivo final pelo qual você se apaixonou por seu cônjuge não é que ele ou ela fosse jovem e atraente, tivesse um emprego impressionante, tivesse um “valor pontual” igual ao seu ou tivesse uma disposição gentil. Você se apaixonou porque o seu velho cérebro confundiu o seu parceiro com os seus pais! O seu cérebro antigo acreditava que finalmente havia encontrado o candidato ideal para compensar os danos psicológicos e emocionais que você experimentou na infância.

Se escolhêssemos parceiros em uma base lógica, nós procuraríamos parceiros que compensassem as inadequações de nossos pais, em vez de duplicá-las. A parte de seu cérebro que direcionou a sua busca por um parceiro, entretanto, não era o seu novo cérebro lógico e ordenado; era o velho cérebro míope bloqueado pelo tempo. E o que o velho cérebro estava tentando fazer era reencenar as condições de nossa educação, a fim de corrigi-las. Ele só pode conseguir isso com uma pessoa semelhante à pessoa com quem as feridas ocorreram. É tentar reparar o dano causado na infância como resultado de necessidades não satisfeitas e a maneira como o faz é encontrar um parceiro semelhante aos pais de quem tenta obter o que os nossos cuidadores não forneceram.>

Os paralelos com o conceito do Curso são impressionantes.

Quando criança, você sentiu que você não recebeu o amor que queria de uma determinada significativa pessoa (ou pessoas). Então agora você procura por alguém que te lembra aquele que não te deu o que você queria.

Essa semelhança, sem que você saiba, é o que realmente o atrai para um parceiro.

Você então fica com esse parceiro, na tentativa de reencenar as condições de sua infância.

Enquanto você está com esse parceiro, em algum nível você realmente o confunde com a pessoa do passado.

Todo o seu objetivo é obter dessa nova pessoa o que a anterior falhou em fornecer.

Todo esse cenário está no Curso e na obra de Harville Hendrix, que diz ter tirado o cenário observando incontáveis ​​casais da vida real.

O Lado Escuro das Figuras das Sombras

Isso provavelmente já parece um pouco doentio, mas talvez não o suficiente para que você ainda não fique babando depois desse novo final.

Então, eu quero cobrir o lado escuro das figuras das sombras, o lado escuro de passar a sua vida interagindo com fantasmas – pois fantasmas, afinal, é o que o termo ‘figura da sombra’ se destina a trazer à mente.

As figuras são as suas próprias caricaturas tendenciosas de pessoas; elas não capturam as pessoas reais…

No entanto, as figuras que ele vê nunca foram reais, pois são feitas apenas das suas próprias reações aos seus irmãos e não incluem as reações que eles têm a ele (T-13.V.2:2).

Vamos encarar isso – as imagens mentais que você carrega de pessoas do seu passado são apenas isso – as suas imagens mentais, as suas representações subjetivas. Elas não são reflexos precisos dessa pessoa.

Como nós sabemos disso? Porque elas incluem apenas as suas reações a elas, não as reações delas a você.

Em outras palavras, as imagens incluem apenas como elas impactaram você, não como você as impactou. Assim, elas não são apenas um reflexo preciso da verdadeira identidade dessa pessoa, mas também não são um reflexo preciso dessa pessoa como uma personalidade neste mundo.

Elas são caricaturas – desenhos criativos que enfatizam as características pouco atraentes daquela pessoa.

Novamente, olhe para trás em sua tabela inicial, a lista de suas principais figuras das sombras e perceba que os nomes que você escreveu não são nomes de pessoas reais. Eles são nomes de imagens mentais em sua mente, nomes das caricaturas condenatórias que você desenhou dessas pessoas.

O atual alguém amado é designado para pagar por um passado do qual nunca fez parte…

É impossível soltar o passado sem abandonar o relacionamento especial. Pois o relacionamento especial é uma tentativa de reencenar o passado e mudá-lo. Que base terias para escolher um parceiro especial sem o passado? Todas essas escolhas são feitas devido a algo de ‘mau’ no passado a que te prendes e que alguma outra pessoa tem que expiar (T-16.VII.1:1-2, 4-5).

Pense nisso – o trabalho da nova pessoa é expiar os crimes da figura da sombra. Isso não é justo?

Para começar, a nova pessoa deve compensá-lo pelo que a figura da sombra o privou. Isso não parece muito justo.

Pior ainda, porém, é o fato de que a nova pessoa deve receber a punição pelas transgressões da figura da sombra. Isso é ainda mais injusto.

Lembre-se de que você experimenta a nova pessoa como uma figura da sombra. E o seu objetivo com a figura da sombra é extrair o amor que eles negaram e puni-los por não tê-lo.

E é isso que você faz com o novo parceiro. De certo modo, você os está multando e prendendo pelo crime de outra pessoa.

Você carrega as figuras das sombras com você como justificativas para atacar no presente…

Elas carregam as manchas de dor na tua mente, orientando-te para atacar no presente em vingança de um passado que já não existe (T-13.IV.6:3).

As figuras das sombras podem ser meramente imagens mentais, mas parecem ganhar vida em nossa mente e assumir um papel ativo.

Primeiro, elas ‘carregam as manchas de dor na tua mente’.

Segundo, elas o direcionam ‘para atacar no presente em vingança de um passado que já não existe’.

Que estejas disposto a perdoar o Filho de Deus por aquilo que ele não fez. As figuras das sombras são as testemunhas que trazes contigo para demonstrar que ele fez o que não fez. Porque as trazes contigo, tu as ouvirás. E tu, que as manténs pela tua própria seleção, não compreendes como vieram à tua mente e qual é o seu propósito. Elas representam o mal que pensas que te foi feito. Tu as trazes contigo somente com o fim de poderes retribuir o mal com o mal, esperando que o seu testemunho faça com que sejas capaz de pensar em outra pessoa como a culpada e não ferir a ti mesmo (T-17.III.1:5-10).

Essa passagem revela o nosso investimento em nos agarrarmos às figuras das sombras. Elas nos concedem a licença para atacar e tirar dos outros.

As figuras das sombras são a prova de que nós fomos vitimados, de que a vida nos condenou. E sempre que nós contamos uma história de vitimização, nós estamos basicamente reivindicando o direito de vitimar por sua vez.

Quando você diz: ‘O amor foi negado a mim’, você está realmente dizendo ‘O amor é devido a mim’.

Quando você diz ‘Eu fui atacado’, está na verdade dizendo: ‘Eu tenho o direito de atacar’.

Esse é todo o valor de uma boa história de vitimização – ela concede a você o direito de vitimar, de recuperar o que é seu por direito.

Volte, então, e olhe para a primeira tabela que você preencheu, a tabela de suas principais figuras das sombras. Tente entrar em contato com o seu apego àquela tabela. Veja se você não consegue sentir o seguinte fato: Esse é o seu IOU [título de dívida, nota promissória].

Isso diz: ‘O mundo me deve’. É a prova que você apresenta ao tribunal do mundo, provando a todos os juízes que você deve ser indenizado pelas injustiças cometidas contra você.

E é por isso que você é inocente quando ataca. Você está apenas fazendo aos outros o que eles já fizeram a você.

Agora pondere o seguinte: sem essa lista, você não teria justificativa para atacar.

Mas você está atacando apenas uma figura em sua mente e, portanto, atacando a si mesmo…

Atacaste o teu irmão uma e outra vez, porque viste nele a sombra de uma figura do teu mundo privado. E por ser assim, não podes deixar de atacar a ti mesmo em primeiro lugar, pois o que atacas não está nos outros. Sua única realidade está na tua própria mente e ao atacares a outros, estás literalmente atacando o que não existe (T-13.V.3:6-8).

Se, em um nível mental/emocional, você está interagindo com a figura da sombra, não com o parceiro atual, então, ao atacar a pessoa atual, você está realmente atacando a figura da sombra.

E se você está apenas atacando uma imagem em sua mente, então você está (a) atacando o que não está lá, e (b) atacando a si mesmo (já que está atacando algo dentro de sua própria mente).

Isto faz algum sentido?

Você está realmente cedendo ao plano do ego de se vingar de você…

Não subestimes a intensidade da compulsão do ego para se vingar do passado. É completamente selvagem e completamente insana. Pois o ego lembra-se de todas as coisas que fizeste que o ofenderam e busca o pagamento que lhe deves. As fantasias que ele traz aos relacionamentos por ele escolhidos, nos quais encena o seu ódio, são fantasias da tua destruição (T-16.VII.3:1-4).

A categoria anterior dizia que, ao atacar as pessoas em nossas vidas, nós estamos realmente atacando as figuras das sombras e realmente atacando a nós mesmos.

Essa passagem dá um passo adiante. Ela diz que o ego está usando a nossa vingança sobre as figuras das sombras por seus crimes contra nós para se vingar de nós por nossos crimes contra isso.

Cada vez que nós deixamos por um breve período o ego, cada vez que nós ignoramos o seu conselho, cada vez que nós alcançamos a mão do Espírito Santo, o ego ficou com raiva e carregou uma queixa contra nós.

Agora, ele quer se vingar de nós por nossa temeridade. E faz isso incitando-nos a nos vingarmos de nossas figuras das sombras.

Apenas pense sobre isso. Quando você marca o seu pequeno triunfo e se vangloria mentalmente na frente de sua coleção particular de figuras das sombras, então você está realmente cooperando na agenda do ego de se vingar de você mesmo.

Você usa as figuras das sombras para se agarrar ao passado e cegá-lo para o presente…

O ‘agora’ não tem qualquer significado para o ego. O presente apenas lembra a ele feridas passadas e ele reage ao presente como se fosse o passado. O ego não pode tolerar a liberação do passado e, embora o passado já esteja acabado, o ego tenta preservar sua imagem respondendo como se ele estivesse presente. Ele dita as tuas reações àqueles que encontras no presente a partir de um ponto de referência passado, obscurecendo a sua realidade presente para ti. Com efeito, se seguires os ditames do ego, reagirás ao teu irmão como se ele fosse outra pessoa e isso, com certeza, te impedirá de reconhece-lo como ele é. E receberás mensagens do teu irmão saídas do teu próprio passado, porque ao fazer com que ele seja real no presente, estás te proibindo de deixar que ele se vá. Assim, negas a ti mesmo a mensagem de liberação que todo irmão te oferece agora (T-13.IV.5:1-7).

Aqui, novamente, nós vemos o verdadeiro motivo do ego. O ego tem medo do presente, tem medo de realmente encontrar o seu irmão no presente e unir-se a ele no amor.

E é por isso que o vê através de uma verdadeira nuvem de fantasmas do passado. É por isso que tudo que ele pode ouvir quando ele fala para você é o seu pai. Ele quer se agarrar ao passado, viver no passado. E, como o Curso diz:

E aquele que vive apenas em memórias não está ciente de onde está” (T-26.V.5:7).

Você não está interagindo com o seu parceiro atual, mas tentando mantê-lo fora do relacionamento…

O ‘ideal’ do relacionamento não-santo torna-se assim um ideal no qual a realidade do outro absolutamente não entra para não ‘estragar’ o sonho. E quanto menos o outro realmente traz para o relacionamento, ‘melhor’ ele se torna. Assim a tentativa de união vem a ser uma maneira de excluir até mesmo a pessoa com quem se buscou a união. Pois ela foi feita de forma a excluir essa pessoa e unir-se a fantasias em ‘êxtase’ ininterrupto (T-17.III.4:5-8).

Aquilo por que realmente nos apaixonamos, nas primeiras partes de um relacionamento, é uma figura da sombra. O que nós vemos diante de nós é uma figura da sombra reformada.

Nós vemos diante de nós, por exemplo, uma mãe arrependida, agora disposta a nos dar todo o amor e carinho que ela não nos deu da primeira vez. E é por isso que nós nos apaixonamos.

O papel do parceiro atual é ser uma tela de projeção útil para essa figura da sombra reformada. E, às vezes, quanto mais em branco a tela estiver, melhor.

A questão é que é por isso que nós nos apaixonamos; é com isso que nós estamos tentando nos juntar – a figura da sombra. A pessoa real na nossa frente não é bem-vinda neste relacionamento. Na verdade, ‘ele foi formado para tirá-la disso.’

Sexo é uma tentativa de se unir às figuras das sombras; é ‘sexo fantasma’…

No relacionamento não-santo, não é com o corpo do outro que se tenta a união, mas com os corpos daqueles que não estão presentes. Pois mesmo o corpo do outro, o que já é uma percepção extremamente limitada dele, não é o foco central do relacionamento tal como é, ou seja, inteiro. O que pode ser usado para fantasias de vingança e o que pode ser associado de forma mais pronta com aquelas pessoas contra as quais realmente se busca vingança é centralizado e separado, como as únicas partes de valor (T-17.III.3:1-3).

Eu percebo que isso é realmente assustador e desconfortável, mas o Curso não está medindo palavras aqui.

Quando nós estamos tentando a união com o corpo do outro – fazendo sexo com o nosso parceiro atual – nós estamos realmente tentando nos unir com ‘os corpos daqueles que não estão presentes lá‘ – nós estamos realmente tentando fazer sexo com as nossas figuras das sombras (enquanto ao mesmo tempo, tentando se vingar delas – falar sobre um relacionamento de amor/ódio!).

Não há outra maneira de ler essa frase inicial. E decorre diretamente do que nós já dissemos, que quando nos relacionamos com o parceiro atual, nós estamos inconscientemente nos relacionando com a figura da sombra. Às vezes não é tão inconsciente. Afinal, as pessoas não costumam fantasiar conscientemente que estão fazendo sexo com outra pessoa?

E é por isso que nos concentramos em partes específicas do corpo do nosso parceiro – porque essas partes ‘podem ser associadas de forma mais pronta com aquelas pessoas com as quais realmente se busca a vingança.

Agora, eu não vou conduzi-lo através de um exercício de identificação de suas partes favoritas no corpo do seu parceiro atual e, em seguida, tentar identificar qual é a associação com as partes do corpo da figura da sombra apropriada. Mas você pode querer fazer isso sozinho de qualquer maneira.

Você ficou insano; você está ouvindo vozes e vendo pessoas que não estão lá…

É através dessas estranhas figuras feitas das sombras que os insanos se relacionam com o seu mundo insano. Pois eles só veem aqueles que lhes relembram essas imagens e é com elas que se relacionam. Assim, de fato, se comunicam com aqueles que não estão presentes e são eles que lhes respondem. E ninguém ouve a resposta dada por eles a não ser aquele que as invocou e só ele acredita que responderam (T-13.V.3:1-4).

A passagem que estou citando não acabou, mas eu quero fazer uma pausa aqui por um momento.

Esse é o elemento mais assustador de todos, na minha opinião. O que isso significa é o seguinte: na medida em que eu ainda tenho um ego, eu não estou realmente interagindo com pessoas reais lá fora.

Talvez eu esteja fisicamente, mas não mentalmente. Em minha mente, eu estou apenas interagindo com a minha pequena coleção de figuras das sombras.

Quando eu falo, eu estou falando com as figuras das sombras. Quando alguém me responde, eu estou ouvindo a resposta das figuras das sombras. E eu sou o único a ouvi-las responder.

Quando olhas para o teu mundo com olhos abertos, necessariamente te ocorre que caíste na insanidade. Vês o que não existe e ouves o que não tem som. As tuas manifestações das emoções são o oposto do que são as emoções. Não te comunicas com ninguém e estás isolado na realidade como se estivesses sozinho em todo o universo. Na tua loucura deixas de ver completamente a realidade e, para onde quer que olhes, vês apenas a tua própria mente dividida (T-13.V.6:1-5).

Este parágrafo final simplesmente sai e diz: ‘te ocorre que caíste na insanidade.’

Não é a definição de insanidade que você está vivendo em um mundo privado que é real apenas para você, que não é compartilhado por outros e que não corresponde à realidade?

Bem, se você comprar a ideia das figuras das sombras, então isso é verdade para você.

Nós gostaríamos de pensar que, embora nós nos retiramos de uma superior, realidade transcendental (e nós somos insanos em uma espécie de sentido metafísico), nós ainda estamos em contato com a realidade deste mundo, nós temos um relacionamento saudável com o nosso ambiente físico e social. Não é verdade, isso está dizendo.

No nível deste mundo, em relação ao seu ambiente físico e social, você caiu na insanidade. Você vê pessoas que não estão lá. Você os ouve falando com você, quando na verdade eles não fazem nenhum som e ninguém mais os ouve.

Você ama o medo e o amor do medo – o que aparece em você sendo atraído por essas figuras das sombras, em você amorosas figuras de medo.

Você não se comunica com ninguém real e, portanto, fica isolado, fechado em algum sótão empoeirado em sua cabeça com todos os seus fantasmas do passado.

E para onde quer que você olhe, tudo o que você vê são as imagens projetadas. Que nojo.

Tente dizer a si mesmo: ‘Na maioria das vezes, eu não estou interagindo com pessoas reais; Eu estou interagindo com figuras das sombras em minha cabeça. Portanto, eu estou sozinho. E eu sou insano.‘ Isso não faz você querer sair dessa?

Reencontrando a Vida

O objetivo por trás de olhar para o lado escuro das figuras das sombras era simplesmente deixá-lo enojado.

Não vamos deixar essas figuras das sombras para trás até nós vermos o quão doente e doloroso tudo isso é.

Mas qual é o lado positivo? Eu serei breve:

Esqueça o passado

O ditado original do Curso [a versão Urtext] continha uma passagem dirigida a Bill, tentando fazê-lo ver que os seus pais nunca realmente o machucaram. Ele usou a ressurreição como uma forma para compreender isso. Ele comparou Bill a Jesus e os pais de Bill àqueles que crucificaram Jesus. Então disse:

Dissemos antes que o propósito da ressurreição era ‘demonstrar que nenhum equívoco tem qualquer influência sobre um Filho de Deus’ [assim como os romanos não podiam realmente ferir Jesus, então os pais de Bill não podiam realmente ferir Bill]. Esta demonstração exonera aqueles que interpretam erroneamente [os romanos, os pais de Bill], ao estabelecer, sem sombra de dúvida, que eles não feriram ninguém. Sua pergunta, que você deve fazer a si mesmo com muita honestidade, é se você está disposto a demonstrar que seus pais não o machucaram. A menos que você esteja disposto a fazer isso, você não os perdoou.

Pare de atribuir papéis às pessoas

O que nos colocou em apuros é todo o ciclo de atribuição de papéis às pessoas, papéis que elas devem desempenhar para atender às nossas necessidades.

Em vez de ‘Aqui está o que você pode fazer por mim’, nós precisamos mudar para ‘Como eu posso ajudar?’

Em vez de ‘Eu passo por essas tribulações’, precisamos dizer: ‘Aceito você como você é’.

Como os teus sonhos viriam a ser felizes se tu não fosses aquele que atribui o papel “adequado” a cada figura que o sonho contém! Pessoa alguma pode falhar, a não ser em relação à ideia que tu fazes dela e não existe traição exceto nisso… As percepções são determinadas pelo seu propósito, nisso elas parecem ser aquilo para que servem. Uma figura de sombra que ataca vem a ser um irmão te dando uma chance de ajudar, se essa vem a ser a função do sonho (T-29.IV.5:1-2, 5-6).

Esteja disposto a entrar em encontros santos no presente

Nós precisamos estar dispostos a parar de falar com as nossas figuras das sombras e começar a realmente encontrar as pessoas reais que estão ao nosso lado no presente.

Poderias reconhecer um encontro santo se o estás percebendo apenas como um encontro com o teu próprio passado? Pois não estarias te encontrando com ninguém e o compartilhar da salvação, que faz com que o encontro seja santo, estaria excluído da tua vista… o agora é a noção mais próxima de eternidade que esse mundo oferece. É na realidade do ‘agora’, sem passado ou futuro, que está o começo da apreciação da eternidade. Pois só o ‘agora’ está aqui e só o ‘agora’ apresenta as oportunidades de encontros santos nos quais se pode achar a salvação (T-13.IV.6:7-8, 7:5-7).

O Capítulo 17 do Livro Texto – Seção III. Sombras do passado, dedica-se a explicar o conceito de figuras das sombras.

Buscamos então inspiração em artigo-estudo do professor Allen A. Watson, intitulado “Shadows of the Past” [Sombras do Passado], que transcrevemos trechos em tradução livre para a nossa reflexão.

O artigo completo em inglês poderá ser acessado no site do professor Watson, através do link http://www.allen-watson.com/allens-text-commentaries.html.

Visão geral da Seção III – Capítulo 17

“Nessa seção, o Curso examina as figuras das sombras – as nossas imagens do passado de pessoas que nos causaram dor de alguma forma – mais profundamente do que em qualquer outra parte do Curso.

Ele continua focando em como o Espírito Santo pode nos revelar a ‘centelha de beleza oculta‘ em cada relacionamento.

Parágrafo 1

Perdoar é meramente lembrar apenas dos pensamentos amorosos que deste no passado e aqueles que te foram dados. Todo o resto tem que ser esquecido. O perdão é uma lembrança seletiva, que não se baseia na tua própria seleção. Pois as figuras feitas de sombras que queres tornar imortais são ‘inimigas’ da realidade. Que estejas disposto a perdoar o Filho de Deus por aquilo que ele não fez. As figuras das sombras são as testemunhas que trazes contigo para demonstrar que ele fez o que não fez. Porque as trazes [trouxe] contigo, tu as ouvirás. E tu, que as manténs [manteve] pela tua própria seleção, não compreendes como vieram à tua mente e qual é o seu propósito. Elas representam o mal que pensas que te foi feito. Tu as trazes contigo somente com o fim de poderes retribuir o mal com o mal, esperando que o seu testemunho faça com que sejas capaz de pensar em outra pessoa como culpada e não ferir a ti mesmo. Elas falam com tanta clareza a favor da separação que ninguém que não estivesse obcecado em manter a separação poderia ouvi-las. Elas te oferecem as ‘razões’ pelas quais você deve dar apoio às metas do ego e fazer dos teus relacionamentos testemunhas do poder egótico (1:1-12).

Questão de estudo

1. Dê uma definição de perdão em uma frase com base neste parágrafo e inclua nela como as figuras das sombras estão relacionadas ao perdão.

Esse parágrafo fornece uma definição muito importante de perdão e, em seguida, relaciona essa definição às ‘figuras das sombras’ de nosso passado, um termo introduzido no Capítulo 13 [do Livro Texto].

Nós vimos passagens sobre o passado que parecem implicar que tudo sobre o passado é irreal e simplesmente abandonado. Por exemplo, nós lemos isto:

O passado se foi; não busques preservá-lo no relacionamento especial que te prende a ele… (T-16.VII.4:1).

No entanto, aqui, o perdão é definido como lembrar apenas os pensamentos de amor que você deu, ou que foram dados a você, no passado. ‘Todo o resto tem que ser esquecido’ (1:1-2).

Isso deixa muito claro que o perdão, ao considerar o passado, rejeita parte dele e retém o resto. Isso é feito sob a orientação do Espírito Santo: ‘O perdão é uma lembrança seletiva, que não se baseia na tua própria seleção”'(1:3).

Aquilo que nós tendemos a nos agarrar, mais do que os pensamentos de amor, são as figuras das sombras, que distorcem e destroem qualquer percepção da realidade (1:4).

Se você se lembra, as figuras das sombras são imagens mentais de pessoas que nós temos do passado, que nós sobrepomos ao presente de tal forma que a nossa percepção do presente é filtrada pelo passado. ‘Elas representam o mal que pensas que te foi feito’ (1:9).

Nós as usamos para justificar o ataque às pessoas no presente.

O que realmente nós precisamos perdoar não é o que as pessoas realmente fizeram, mas ‘o que elas não fizeram’ (1:5), o que, para mim, fala de todo o significado que nós temos projetado nas palavras ou ações reais de outra pessoa – a história que nós inventamos sobre o que essas palavras e ações nos contam sobre a outra pessoa.

Por exemplo, que elas são más, que são indignas de amor, que merecem sofrer pelo que fizeram. O que deve ser perdoado é tudo o que nós inventamos como motivo para excluí-las de nossos corações.

As figuras das sombras são as nossas testemunhas da realidade para ‘demonstrar que ele fez o que não fez’ (1:6).

Elas são as lentes distorcidas através das quais os equívocos da outra pessoa, que são reais, se tornam pecados em nossa percepção.

O perdão nos leva ao ponto em que nós podemos dizer, com Jesus:

Filho de Deus, tu não pecaste, ​​mas tens estado muito equivocado (T-10.V.6:1).

Por nós termos escolhido reter as figuras das sombras, quando nós encontramos o presente, o que ouvimos são as vozes dessas figuras das sombras do passado (1:7).

Nós não percebemos que escolhemos manter essas memórias de mágoas passadas, ‘o mal que pensas que te foi feito’ (1:8–9).

Jesus diz que nós não percebemos como as figuras das sombras surgiram ou qual é o seu propósito (1:8) e então ele passa a nos dizer que o seu propósito é justificar a nossa raiva e a nossa percepção de culpa em outras pessoas (1:10).

Nós esperamos que eles tornem possível colocar a culpa nos outros sem que nenhuma culpa apegue-se a nós, algo que é simplesmente impossível.

Este é um problema que é abordado com certa profundidade na Lição 196 do Livro de Exercícios,

Só posso crucificar a mim mesmo. Diz: O lúgubre e desesperançado pensamento de que podes atacar os outros e salvar a ti mesmo te pregou à cruz (LE-pI.196.5:1).

As figuras das sombras alimentam os nossos relacionamentos especiais, que se tornam ‘alianças não-santas para dar apoio às metas do ego e fazer dos teus relacionamentos testemunhas do poder egótico’ (1:12).

As figuras das sombras são testemunhas claras a favor da separação e só quem ‘não estivesse obcecado em manter a separação poderia ouvi-las’ (1:11).

Isso implica claramente que, quando nós ouvimos essas testemunhas de dores passadas, o motivo é que nós estamos nos identificando com os nossos egos e que nós estamos obcecados em manter a separação.

Parágrafo 2

São essas figuras das sombras que querem fazer com que o ego seja santo em teu modo de ver e te ensinar que o que fazes para mantê-lo a salvo é realmente amor. As figuras das sombras sempre falam a favor da vingança e todos os relacionamentos nos quais entram são totalmente insanos. Sem exceção, esses relacionamentos têm como propósito a exclusão da verdade acerca do outro e de ti mesmo. É por isso que vês em ambos o que não está presente e fazes de ambos escravos da vingança. E é por isso que qualquer coisa que te faça recordar as tuas mágoas passadas te atrai e parece passar em nome de amor, não importa quão distorcidas possam ser as associações pelas quais chegas a fazer essa conexão [E é por isso que qualquer coisa que te faça recordar as tuas mágoas passadas, não importa quão distorcidas podem ser as associações pelas quais você chega à lembrança, que o atrai e parece que você atende pelo nome de amor]. E, finalmente, é por isso que todos os relacionamentos dessa natureza tornam-se tentativas [a tentativa] de união através do corpo, pois só corpos podem ser vistos como meios para a vingança. Que os corpos são fundamentais para todos os relacionamentos não-santos é evidente. A tua própria experiência ensinou-te isso. Mas o que podes não reconhecer são todas as razões que contribuem para fazer com que o relacionamento não seja santo. Pois o que não é santo busca fortalecer a si mesmo, assim como a santidade, reunindo a si aquilo que percebe como semelhante a si. (2:1-10)

Questão de estudo

2. Diz-se que várias coisas caracterizam todos os relacionamentos (ou seja, relacionamentos não-santos) nos quais as figuras das sombras podem entrar. Quais das seguintes opções estão incluídas nessa lista de coisas? (Mais de um.)

A. A ilusão de amor neles vem (ao menos em parte) das figuras das sombras.                                                                                      
B. Eles são totalmente insanos.                                                     
C. Eles são sempre relações sexuais.                                             
D. O propósito deles é excluir a verdade um sobre o outro.              
E. Todos são tentativas de união por meio do corpo.                        
F. Eles são sempre formados por pessoas que compartilham interesses comuns.

Assim, as testemunhas sombrias exaltam o ego, de modo que nós passamos a acreditar que as nossas ações em defesa de nossos egos são realmente amor! (2:1)

Mas as ações que o ego dita são atos de vingança. Quando nós trazemos as figuras das sombras de nosso passado para os nossos relacionamentos presentes, o resultado é a insanidade (2:2).

O Curso é enfático quando diz que o propósito de qualquer relacionamento afetado por suas imagens de dor passada é excluir a verdade sobre a outra pessoa e sobre você mesmo; diz que isso é verdade ‘sem exceção’ (2:3).

Nesse tipo de relacionamento, o objetivo não é se relacionar com a outra pessoa real, mas fazer com que ela desempenhe o papel da figura original e nos dar o amor que a figura original nunca nos deu.

Portanto, nós vemos ‘equívocos’ na outra pessoa que não existem e nós vemos falhas em nós que também não existem, falhas que nós acreditamos terem sido vistas em nós pela figura do passado.

Ambos acabamos desempenhando papéis que não são o nosso verdadeiro ser, servindo ao propósito de vingança (2:4).

Eu acredito que a frase 5 é a maneira do Curso explicar por que as pessoas são atraídas pelas ‘pessoas erradas’, pessoas que acabam machucando-as.

Os seus egos são literalmente atraídos pelas lembranças de mágoas do passado, atraídos por pessoas que os lembram de pessoas de seu passado que são lembradas como fontes de dor.

Eles pensam que estão se apaixonando quando são realmente atraídos para o jogo de vingança do ego.

Excluir a verdade sobre o outro é o propósito por trás de tudo. Isso também explica por que ‘todos os relacionamentos dessa natureza tornam-se tentativas de união através do corpo’ (2:6).

Quando outra pessoa é vista como um corpo, nós não percebemos a sua realidade como espírito. E a vingança deve assumir alguma forma física para ser ‘satisfatória’ para o ego.

O corpo se torna um peão, um instrumento de vingança: mantido à distância como punição; usado para dominar ou controlar; usado para violência física; ou usado para encontrar uma integridade ausente (2:7-8).

Relacionamentos que não sejam santos se reforçam reunindo outros elementos não-santos. Egos atraem egos de várias maneiras (2:9–10).

Parágrafo 3

No relacionamento não-santo, não é com o corpo do outro que se tenta a união, mas com os corpos daqueles que não estão presentes. Pois mesmo o corpo do outro, o que já é uma percepção extremamente limitada dele, não é o foco central do relacionamento tal como é, ou seja, inteiro. O que pode ser usado para fantasias de vingança e o que pode ser associado de forma mais pronta com aquelas pessoas contra as quais realmente se busca vingança é centralizado e separado, como as únicas partes de valor. Cada passo dado no sentido de fazer, manter ou romper um relacionamento não-santo é mais um passo em direção à maior fragmentação e à irrealidade. As figuras das sombras entram mais e mais e a pessoa em quem elas parecem estar diminui de importância. (3:1-5)

Questão de estudo

3. Em relacionamentos não-santos, nós estamos realmente nos relacionando, não com a outra pessoa, mas com as nossas figuras das sombras (3:1, 3, 5). Qual é a direção consistente no processo de um relacionamento não santo?

A. Em direção à fragmentação e irrealidade                                     
B. Em direção ao foco no corpo                                                      
C. Rumo ao foco no passado

Mas, ao tentar usar o corpo para alcançar a união, mesmo aqui nós estamos nos enganando. Você não está apenas limitando quem ou o que a outra pessoa é ao vê-la como um corpo … lembra das figuras das sombras?

Lembre-se de que a outra pessoa está (estejamos ou não conscientes disso e geralmente nós não estamos conscientes disso) desempenhando o papel dessa figura da sombra.

Portanto, se você está fazendo sexo para encontrar união, você pode, muito bem, estar tentando se unir ao corpo de outra pessoa do seu passado! (3:1)

Na verdade, o ego tende a se concentrar nas partes do corpo da outra pessoa que são mais facilmente associadas à pessoa do passado de quem você está buscando vingança (3:2-3).

Meio bizarro e muito freudiano! Ken Wapnick disse: ‘Sem Freud não haveria Curso em Milagres’.

Eu penso que o que ele quis dizer é que muitos dos conceitos de Freud percorrem o Curso e entendê-lo – o que não pretendo fazer – pode ajudar muito na compreensão do Curso.

Quanto mais você se aprofunda no relacionamento, mais fragmentado e irreal você e a outra pessoa se tornam, esteja você formando um relacionamento especial, mantendo-o ou até mesmo rompendo-o (3:4)!

Cada vez mais vocês estão gastando tempo lutando com imagens irreais uns dos outros e cada vez menos tempo realmente se vendo e se relacionando (3:5).

…continua Parte II…

Imagem pexels-lewis-burrows-1000498.jpg

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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