…continuação da Parte I…

O Relacionamento Santo (corpo) como Metáfora

O processo da forma que sirva ao conteúdo é o objetivo de Jesus para nós em nossos relacionamentos; na verdade, é assim que ele deseja que nós vivamos as nossas vidas em geral. Ele nos diz que uma das marcas do relacionamento especial é o triunfo da forma sobre o conteúdo, pelo qual o ego faz com que as nossas necessidades físicas e psicológicas superem a necessidade de lembrar o Amor que nos criou.

Uma vez que essa necessidade é escondida nos cofres internos da mente, o ego se preserva por meio do conteúdo da culpa e das formas e rituais de especialismo que regem a mente e o corpo.

A seguinte passagem, despojada de seu contexto metafísico mais amplo (o nosso relacionamento especial de ódio com Deus), torna explícita essa necessidade de enterrar o conteúdo de amor da mente certa por trás da adoração da forma:

Sempre que uma forma qualquer de relacionamento especial te tentar a buscar o amor em um ritual, lembra-te de que o amor é conteúdo e não forma de espécie alguma. O relacionamento especial é um ritual de forma, com o objetivo de elevar a forma para que ela tome o lugar de Deus, às custas do conteúdo. Não há nenhum significado na forma e nunca deverá. O relacionamento especial tem que ser reconhecido pelo que é: um ritual sem sentido, no qual a força é extraída da morte de Deus e investida em Seu assassinato como sinal de que a forma trinfou sobre o conteúdo e o amor perdeu o seu significado. (T-16.V.12:1-4)

Quando a dor dessas relações se torna muito grande e nós somos impelidos a pedir ajuda, Jesus responde expondo as consequências deletérias de nossa escolha para o especialismo do ego, que exclui a ele e o seu amor. Seguindo a sua batuta, nós conseguimos ouvir a canção do relacionamento, reconhecendo o seu verdadeiro propósito de aprendizagem. Isso nos permite transcender as várias formas de especialismo e nos identificar, em vez disso, com o conteúdo sinfônico do Curso de interesses compartilhados.

O nosso professor nos ajuda a acentuar as nossas semelhanças em vez das diferenças especiais que atendem às nossas necessidades especiais, liberando-nos para atender a única necessidade do relacionamento. Parafraseando a seguinte passagem, substituindo a necessidade por oração, podemos dizer:

[A nossa] única oração significativa é a que pede o perdão, porque aqueles que foram perdoados têm tudo. Uma vez que o perdão tenha sido aceito, a oração no sentido usual vem a ser completamente sem significado. A oração pelo perdão não é nada mais do que um pedido para que possas ser capaz de reconhecer o que já possuis. (T-3.V.6:3-5)

Sob a batuta de nosso Maestro, nós podemos comparar a nossa experiência de relacionamentos santos a uma grande fuga dupla(*) de Bach, onde dois temas separados se unem em um todo coeso e às vezes majestoso. Aqui, no mundo dos corpos, os indivíduos podem aprender a permanecer fiéis à sua singularidade e, ainda assim, dedicar-se à música maior do relacionamento, colocando-se a seu serviço.

(*)A fuga, uma forma ou maneira de escrever música que existe desde a Renascença, teve o seu auge no período barroco graças ao mestre das fugas Johann Sebastian Bach (1685-1750). O ilustre compositor alemão nos deixou um manuscrito à 4 vozes sem indicação de instrumentação intitulado A Arte da Fuga. Fonte: https://quintaessentia.com.br/projeto/arte-da-fuga/

Ou, mudando os gêneros musicais, nos vemos como um dueto operacional onde duas vozes se fundem como uma só, ainda que o timbre particular da voz individual, essencial ao todo, seja discernível. Nós precisamos nos harmonizar com os nossos parceiros especiais, unindo-nos a eles para ouvir os melos subjacentes do perdão, que é o único propósito de nós estarmos nesse mundo de discórdia e dissonância. Nós precisamos confiar que o relacionamento já é perfeito, uma vez que as mentes são uma só em sua necessidade e propósito comuns.

Na verdade, as nossas mentes aparentemente separadas já estão curadas em um reflexo perfeito de uma Unicidade unida como Um Só. Essa unidade inerente apenas espera o nosso retorno à sanidade, refletindo o espírito da Lição 181, ‘Confio em meus irmãos, que são um comigo.‘ O objetivo da lição é que nós confiamos que além do ego, o nosso ego ou o do outro, brilha a Expiação da mente certa que já corrigiu os erros da mente.

Armados com essa confiança, nós somos capazes de nos relacionar com outras pessoas através dos olhos e ouvidos gentis da desnecessidade (para cunhar uma frase), olhando para além de seus ‘pecados’ para ouvir o que estão dizendo, expressando amor ou verdadeiramente pedindo por ele (T-14.X.7).

E nós respondemos a esse chamado no amoroso nome de Deus, de uma forma que pode ser aceita confortavelmente:

O valor da Expiação não está na maneira na qual ela é expressa. De fato, se é usada de forma verdadeira, inevitavelmente vai ser expressada do modo que for mais útil para quem recebe, seja ele qual for. Isso significa que um milagre, para atingir a sua plena eficácia, tem que ser expressado em uma linguagem que aquele que recebe possa compreender sem medo. (T-2.IV.5:1-3)

Ser a mente disposta para o que é certo significa que nós mudamos o propósito de cada dia da satisfação das necessidades para aprender a aplicar o princípio dos interesses compartilhados, desde o momento em que os nossos olhos se abrem pela manhã até quando eles se fecham à noite.

Esse propósito recém-descoberto é o fulcro em torno do qual giram as nossas percepções de cada evento, situação e relacionamento que nós encontramos. Ele fornece sentido e significado para as nossas vidas pessoais no que, desprovido da razão do Espírito Santo, é um mundo sem sentido.

O grito de guerra de nossa experiência diária é a percepção da mesmice em vez da diferença. A resolução de Ano Novo que Jesus nos deu no Texto pode ser renovada a cada manhã, quando os nossos olhos se abrem para saudar mais um dia de aprendizagem:

Faze com que esse ano seja diferente fazendo com que tudo seja o mesmo. E permite que todos os teus relacionamentos sejam santificados para ti. Essa é a nossa vontade. (T-15.XI.10:11-13)

Essa resolução tem que ser a nossa vontade se nós formos claros sobre o nosso desejo de despertar do inferno de pesadelos de vidas nascidas do ódio diferenciador que foi preservado em nossos relacionamentos diferenciadores, nos quais a necessidade e o propósito de outra pessoa são vistos como separados dos nossos.

Jesus nos ajuda a desviar a atenção da dissonância do objetivo do ego de reforçar a separação e as diferenças, a sua salvação, para reconhecer que tudo e todos são iguais. O seu tema unificador reúne formas aparentemente sem sentido no glorioso som do perdão.

Todas as coisas no mundo são percebidas agora como nada mais que a projeção na forma do conteúdo da mente disposta para o que é errado que compartilhamos como fragmentos de uma mente dividida.

Ainda assim, dentro de nós está a canção curadora do perdão, o conteúdo compartilhado da mente disposta para o que é certo que restaura à nossa consciência o conteúdo refletido da perfeita Unicidade do Céu. É esse reflexo na forma de nossa identidade que corrige a insistência do ego de que nós somos separados e diferentes uns dos outros.

Por fim, nós permitimos que o Espírito Santo nos ensine o verdadeiro significado do perdão, negando a negação do ego da igualdade universal do Filho de Deus:

A luz que une a ti e ao teu irmão brilha através do universo e porque vos une faz com que tu e ele sejais unos com o teu Criador. E Nele toda a criação está unida. … O que te ensina que não podes te separar nega o ego. Deixa que a verdade decida se tu e teu irmão sois diferentes ou o mesmo e que ela te ensine o que é verdadeiro. (T-22.VI.15:1-2, 6-7)

A mudança de percepção das diferenças na forma para a identidade na uniformidade do conteúdo da mente é a base da cura. Essa percepção verdadeira é a base de tudo em nosso mundo multitudinário de diferenças e é o papel de nosso Professor nos ajudar a integrar a nossa compreensão intelectual com uma experiência cotidiana de perdão.

Ouvir as harmonias amenas do milagre nos permite fazer da bondade do perdão o tema diário de nossas vidas, onde nós pensamos nos outros e não em nós mesmos, tendo os relacionamentos sido sobre eles e não sobre nós. Essa cura desfaz a crença na separação, que é o nosso único problema.

O medo do que significa não mais estar separado exige para irmos devagar. Nós convidamos o nosso Mestre a caminhar ao nosso lado nos ‘pequenos passos‘ do perdão (LE-pI.193.13:7) que gentilmente dissolvem as barreiras projetadas do medo que nos mantinham presos em nosso ódio.

Na presença para realçar uma harmonia amena, o som discordante do nada de nosso especialismo irá suavemente ‘derreter, descongelar e se transformar diretamente em um orvalho’, para citar Hamlet, deixando apenas o tudo de nosso Ser que está inteiramente além do mundo de símbolos:

Nada aponta para além da verdade, pois o que pode representar mais do que tudo? No entanto, o verdadeiro desfazer tem que ser benigno. E assim a primeira substituição do teu retrato é outro retrato de outro tipo. Como o nada não pode ser retratado, do mesmo modo não há nenhum símbolo para a totalidade. A realidade é conhecida, em última instância, sem forma, sem retrato e sem ser vista. … O perdão é o meio através do qual a verdade é temporariamente representada. (T-27.III.4:6-8, 5:1-2, 5:5)

E por trás de cada irmão que nós perdoamos não estão apenas outros milhares (T-27.V.10: 4), mas o Deus por Si Mesmo. A seguinte passagem do Texto usa os nossos relacionamentos uns com os outros como uma metáfora para o nosso relacionamento com Deus. Também nós podemos ler isso como o relacionamento de nossa mente dividida com o Seu reflexo, Jesus ou o Espírito Santo:

Sonha suavemente com o teu irmão sem pecado, que se une a ti em santa inocência. … Sonha com a benignidade do teu irmão, em vez de habitares nos seus equívocos em teus sonhos. Seleciona a atenção cuidadosa que ele te presta como matéria dos teus sonhos, ao invés de contares os ferimentos que ele provocou. Perdoa-lhe as suas ilusões e agradece-lhe por toda a ajuda que prestou. E não deixes de lado as muitas dádivas que ele te deu, porque ele não é perfeito em teus sonhos. Ele representa o seu Pai, Que tu vês como Aquele Que te oferece ambas, vida e morte. (T-27.VII.15:1, 3-7)

Resumindo o artigo até este ponto, nós voltamos à metáfora da performance musical e olhamos para a orquestra. Pouco antes de o maestro entrar e levantar a sua batuta, o oboé normalmente emite uma nota ‘lá’, chamado de concerto em ‘lá’ e o maestro (o violinista principal) se levanta enquanto o resto da orquestra se afina na única nota que os traz à harmonia.

Da mesma forma, Jesus nos pede que nós nos sintonizemos em seu concerto em ‘lá’ – Expiação. Alinhados com o foco único do relacionamento de nossa mente com ele, nós sintonizamos os nossos relacionamentos com o propósito único de perdão, o meio da Expiação.

O nosso relacionamento santo com o nosso amado professor torna-se o elemento unificador na sinfonia do perdão, sem o qual desfazer a crença da mente na separação é impossível.

Parte 2 de 2

Havia outro parágrafo na carta anteriormente citada de nossa amiga italiana sobre o concerto de música de câmara a que ela compareceu. Ela fornece uma metáfora maravilhosa para o nosso relacionamento santo com Jesus (nosso violinista principal), o assunto dessa seção:

No entanto, eu vi também que o segundo violino, a viola e o violoncelo estavam sempre à espera de um gesto muito sutil, um aceno, às vezes apenas uma piscadela, do primeiro violino. Eles esperavam por esse pequeno gesto antes de recomeçar a tocar, após cada pausa. E imediatamente após esse pequeno gesto, os quatro voltariam a tocar juntos, perfeitamente no tempo. Mais uma vez, ninguém estava à frente. Ninguém estava atrás. No entanto, todos eles começavam apenas após o diminuto aceno do primeiro violino.

O relacionamento santo da mente, a fonte de todos os relacionamentos santos no mundo, é entre o nosso tomador de decisões e Jesus.

E assim nós caminhamos com ele, pegando a sua mão enquanto nós fazemos o nosso caminho na jornada através do mundo do ego de relacionamentos especiais, corrigidos pelo perdão e nos levando além de todos os relacionamentos:

Quando te unes a mim, estás te unindo sem o ego, porque eu renunciei ao ego em mim mesmo e portanto não posso me unir ao teu. Nossa união é, assim, o caminho para renunciares ao ego em ti. … A minha força nunca será insuficiente e se escolheres compartilhá-la, tu o farás. Eu a dou com disponibilidade e contentamento porque preciso de ti tanto quanto precisas de mim. (T-8.V.4:1-2, 6:9-10)

Jesus precisa de nós no sentido de que ele não pode nos ajudar se nós não escolhermos primeiro nos valer de seu amor. É a mesma necessidade da qual ele fala em suas palavras inspiradoras para nós no Livro de Exercícios:

Pois é só disso que preciso, que ouças as palavras que digo e as dês ao mundo. Tu és a minha voz, os meus olhos, os meus pés, as minhas mãos, através das quais eu salvo o mundo. O Ser do Qual eu te chamo é apenas o teu próprio Ser. Juntos vamos a Ele. Toma a mão do teu irmão, pois esse não é um caminho que percorremos sozinhos. Nele, eu caminho contigo e tu comigo. (LE-pI.rV.In.9:2-7)

Tudo em Um Curso em Milagres que é positivo é realmente uma correção da mente disposta para o que é certo para o sistema de pensamento do ego, que sempre fala primeiro (T-5.VI.3:5).

Nós amamos o ego desde antes do tempo existir, apreciando os seus dons de individualidade e especialismo. Agora nós temos que aprender que nós temos outro amor, que nos oferece os dons imaculados que nos levarão à vida eterna.

Amar o Bem-Amado faz parte da rica tradição da espiritualidade Ocidental (bem como no Oriente; por exemplo, bhakti ioga), começando com O Cântico dos Cânticos do Antigo Testamento e estendendo-se por todo o misticismo do Judaísmo e do Cristianismo.

Alguns de seus exemplos famosos são os escritos de São Bernardo de Claraval e João da Cruz, cheios de ardor pelo Bem-Amado.

Esses grandes místicos usaram os símbolos do amor ao invocar a sua atração pelo amor que transcende a sensualidade e os corpos e reflete a atração do amor pelo amor falada no Curso (T-12.VIII).

Alguns dos poemas de Helen são dirigidos ao seu amado Jesus e refletem a emoção desse amor, ainda que sem sentido, por quem ‘representa um amor que não é desse mundo’ (MP-23.4:2).

Nesses trechos de “Love Song” [“Canção do Amor”], lemos:

Meu Senhor, meu Amor, minha Vida, eu vivo em ti. 
Não existe vida separada do que você é. 
Eu respiro as suas palavras, eu descanso em seus braços. 
Minha visão é santificada por sua única estrela. …

O mundo que eu vejo é meu inimigo
Quando eu esqueço que meu adorável Amor é você. …

Meu Senhor, meu Amor, minha Vida, deixe-me esquecer 
Todas as coisas exceto a beleza que você conhece. 
(“The Gifts of God”, p.53 [livro “As Dádivas de Deus”])

Sem dúvida, todas essas expressões e experiências são simbólicas, mas são as correções necessárias por termos feito do ego o amado. Enquanto nós acreditarmos que nós somos indivíduos com relacionamentos amorosos especiais, nós precisamos do símbolo de um indivíduo com quem nós temos um relacionamento amoroso não especial. Esse é Jesus ou qualquer outra figura que represente uma presença não egoísta em nossas mentes.

Na verdade, sem esses símbolos da mente disposta para o que é certo, os nossos relacionamentos seriam vazios e estéreis, deixando espaço apenas para o amor especial enganoso no qual apodrece a culpa e o ódio. Lembremos nosso jovem amante Lorenzo que, ainda sob o céu enluarado, diz a Jéssica (já citei isso em prosa): 

O homem que música em si mesmo não traz, nem se comove ante a harmonia de agradável toada, é inclinado a traições, tão-só, e a roubos, e a todo estratagema, de sentidos obtusos como a noite e sentimentos tão escuros quanto o Érebo(*). De um homem assim desconfiai sempre. Ouvi a música.

[(*) Érebo ou Érebos (em grego: Ἔρεβος, trad.: Érebos, “trevas” ou “escuridão”) é, na mitologia grega, a personificação das trevas e da escuridão. Tem os seus domínios demarcados por seus mantos escuros e sem vida, predominando sobre as regiões do espaço conhecidas como “Vácuo” logo acima dos mantos noturnos de sua irmã Nix, a personificação da noite. Fonte Wikipédia.]

A aparente doçura das mentiras do ego não são ‘a concórdia dos doces sons’ que vêm da mente do tomador de decisões unindo-se à presença iluminada de seu verdadeiro amor.

É por isso que eu costumo dizer em minhas aulas que nós nunca devemos acreditar em alguém que nos diga que 2 + 2 = 4. Não confie nessas pessoas, apesar de suas boas intenções, pois elas irão simplesmente reforçar as ‘traições e estratagemas’ do ego de nos ter feito acreditar que o mundo separado é uma realidade.

Se eles não tiverem a música da razão da mente disposta para o que é certo em seus corações, os seus pensamentos, palavras e ações serão sombrios e eles inevitavelmente confundirão mente e corpo, sonhador e sonho. Isso apenas confundiria a nossa busca pelo único amor que nos levará além do mundo para o Amor que é nosso lar.

É por esse amor da mente disposta para o que é certo que nós ansiamos, um anseio que dá ao nosso mundo o único significado que ele tem. A jornada pela qual Jesus nos conduz começa com os amores especiais que nós experienciamos como corpos, a projeção na forma de pesadelo do sistema de pensamento do ego de separação, sofrimento e pecado.

Ao abraçá-lo e ao seu ensino amoroso, nós aprendemos que os sonhos externos meramente refletem os sonhos secretos da mente. Como diz o Curso:

A brecha entre a realidade e os sonhos não está entre o sonhar do mundo e o que sonhas em segredo. Essas coisas são uma só. O sonhar do mundo não é senão uma parte do teu próprio sonho que deste para os outros e viste como se fosse o início e o fim do teu. No entanto, o sonhar do mundo teve início com o teu sonho secreto, que não percebes, embora ele tenha causado a parte que vês e não duvidas que seja real. Como poderias duvidar enquanto estás deitado dormindo e sonhas em segredo que a sua causa é real? (T-27.VII.11:4-8).

Destes, nós somos levados silenciosamente aos sonhos felizes de perdão, nos quais nós experienciamos cada vez mais o amor nascido da decisão de nossa mente por nosso Amado, o professor da verdade cujo amor dissolve suavemente o falso amor do ego.

Destes sonhos nós despertamos para a unicidade do conhecimento que está além de toda separação e especialismo, o Amor que move o sol e as outras estrelas, para evocar a conclusão inspiradora de Dante para sua Commedia (A Divina Comédia).

Esse, então, é o verdadeiro relacionamento santo, a nossa unicidade com Deus.

Além da Metáfora: O Verdadeiro Relacionamento Santo

Para recapitular, é essencial, à medida que nós fazemos o nosso caminho de volta do mundo – para a mente errada, para a mente certa e, finalmente, para a Mente Única – que nós não caiamos na armadilha do ego: confundindo símbolo e fonte . Nós nunca precisamos perder de vista o conteúdo (fonte) por trás de nossas experiências de forma (símbolo).

Isso significa que nós entendemos mais especificamente a natureza da jornada sinfônica que nós fazemos com Jesus: das discórdias da relação especial do ego aos realces da amena harmonia que são os nossos relacionamentos santos no mundo, chegando ao reconhecimento de que esses são reflexos do relacionamento santo da mente com o nosso bem-amado.

E, finalmente, nós aprendemos que mesmo essa canção das canções não é o fim, mas reflete o nosso verdadeiro relacionamento santo com o Bem-Amado que está além de todos os símbolos:

Pois Deus criou o único relacionamento que tem significado e esse é o Seu relacionamento contigo (T-15.VIII.6:6).

Todos nós sabemos como é maravilhoso quando os nossos parceiros especiais retribuem a nossa adoração e amor, mas também nós aprendemos como eles se tornam insignificantes quando colocados ao lado do amor glorioso que nós sentimos em nossas mentes certas, que tão frequentemente nós identificamos como Jesus .

Mas mesmo este amor, o mais santo que nós podemos aspirar na ilusão, dissolve-se no nada quando nós nos lembramos de nossa Fonte e o amor além de todos os amores que é a Unicidade com o nosso Criador.

Apesar da beleza absoluta das amenas harmonias de nossos relacionamentos aqui, refletindo a amena harmonia do relacionamento de nossa mente com Jesus, elas ainda fazem parte do mundo dualístico da percepção.

Somente quando nós ‘ouvimos’ a canção não dualística da criação que une o Criador e a criatura, é que nós estamos em casa. O panfleto chama isso de canção da oração:

… a única voz que o Criador e a criação compartilham; a canção que o Filho canta ao Pai, Que retorna os agradecimentos que ela Lhe oferece ao Filho. A harmonia é sem fim assim como também é sem fim o alegre acordo do Amor que Eles dão Um ao Outro para sempre. (CO-1.In.1:2-3)

As palavras falham na presença dessa canção, pois nós estamos no final da jornada. Esse é o estado além de todos os símbolos – além do perdão, amena harmonia e até mesmo o nosso professor, pois não há mais nada para perdoar, com que harmonizar ou aprender. O nada complexo do ego se dissolveu no simples Tudo de Deus:

Como o nada não pode ser retratado, do mesmo modo não há nenhum símbolo para a totalidade. A realidade é conhecida, em última instância, sem forma, sem retrato e sem ser vista. … O perdão desaparece e os símbolos se apagam e nada do que os olhos jamais viram ou os ouvidos jamais ouviram permanece para ser percebido. (T-27.III.5:1-2, 7:1)

Nós chegamos ao Fim que é o puro ser e Jesus gostaria que nós nos perguntássemos por que nós teríamos preferido a dissonância cacofônica do ego à amena canção silenciosa do Amor dos Amores, a unicidade de nosso Ser e de nosso Deus:

Agora somos um em pensamento, pois o medo se foi. E aqui, diante do altar do único Deus, único Pai, único Criador e único Pensamento, estamos juntos como um único Filho de Deus. Não separados Daquele Que é a nossa Fonte; e não estando distantes de nenhum irmão que é parte do nosso Ser uno, cuja inocência uniu-nos a todos em um só, permanecemos em bem-aventurança e damos como recebemos. O Nome de Deus está em nossos lábios. E ao olharmos para dentro, vemos a pureza do Céu brilhar sobre o nosso reflexo do Amor de nosso Pai. (LE-pI.187.10:1-1-5)

Não há paz exceto a paz de Deus e estou alegre e grato por ser assim (LE-pI.200.11:9)”

Imagem pexels-cottonbro-6667031.jpg

Bibliografia da OREM3:

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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