O objetivo de nós revisitarmos os conceitos e mensagens de “Os Princípios dos Milagres de UCEM” é para consolidarmos o nosso pleno entendimento do sistema de pensamento do Curso.

Para tal nós buscamos inspirações no Professor Allen Watson, em seu site no artigo “Commentaries on A Course in Miracles – ACIM Text, Section 1.I – Principles of Miracles” (“Comentários sobre Um Curso em Milagres – UCEM Texto, Seção 1.I – Princípios dos Milagres”), que transcrevemos em tradução livre para a nossa reflexão.

Artigo em inglês poderá ser acessado no site http://www.allen-watson.com/uploads/5/0/8/0/50802205/c01s01a.pdf

“Os primeiros quatro capítulos do Texto são concisos e telegráficos em estilo e isso é especialmente verdadeiro para essa primeira seção. Cada um dos “princípios dos milagres” é uma declaração curta e concisa de uma verdade profunda. Como um provérbio, cada um contém uma dosagem altamente condensada do sistema de pensamento do Curso. Frequentemente, essas primeiras declarações declaram concisamente ideias que são totalmente desenvolvidas apenas muito mais tarde no Texto.

Nós passaremos duas semanas nesses cinquenta princípios porque eles são fundamentais para o resto do Curso, porém com isso nós mal arranharemos a superfície.

Os primeiros quatro capítulos são todos um pouco desconexos; quase como se pensamentos e palavras de conexão estivessem faltando, ou apenas assumidos. Eu comparei isso com a leitura de minhas próprias anotações detalhadas em uma palestra; às vezes me pergunto: “Como o orador foi daqui para lá?” porque eu deixei algo de fora. Isso se deve em parte a duas coisas: 1) a capacidade de Helen Schucman de ouvir e registrar os pensamentos era imperfeita especialmente no início; muitas vezes ela tinha que voltar e fazer correções.

Esse problema diminuiu à medida que ela se acostumou com o processo e, após o Capítulo 4, o ditado veio com mais facilidade. 2) Os capítulos anteriores foram fortemente intercalados com passagens pessoais que foram depois editadas antes da publicação. Isso às vezes torna a conexão entre as sentenças restantes difícil (mas não impossível) de discernir.

Não espere entendê-los todos em uma única leitura, ou mesmo em uma dúzia de leituras. A maioria dos estudantes do Curso descobre que o significado de alguns desses princípios não se torna claro até que tenham estudado os livros por anos.

Eu formei dez grupos de princípios que me parecem ter temas semelhantes. Eu tentarei extrair alguns dos principais conceitos ou temas de cada grupo, abrangendo cinco grupos nesta semana e cinco na próxima.

Considerações sobre os Princípios dos Milagres

Expressões de Amor: Os Milagres São Interpessoais

Principios 1, 3, 11, 35, 9, 18, 21 e 8.

1. Não há ordem de dificuldades em milagres. Um não é mais ‘difícil’ nem ‘maior’ do que o outro. Todos são o mesmo. Todas as expressões de amor são máximas.

3. Milagres ocorrem naturalmente como expressões de amor. O amor que os inspira é o milagre real. Nesse sentido, tudo o que vem do amor, é um milagre.

11. A oração é o veículo dos milagres. É um meio de comunicação do que foi criado com o Criador. Através da oração o amor é recebido e através dos milagres o amor é expressado.

35. Milagres são expressões de amor, mas podem não ter sempre efeitos observáveis.

9. Milagres são uma espécie de troca. Como todas as expressões de amor, que são sempre miraculosas no sentido verdadeiro, a troca reverte às leis físicas. Trazem mais amor tanto para o doador quanto para aquele que recebe.

18. Um milagre é um serviço. É o serviço máximo que podes prestar a um outro. E uma forma de amar o teu próximo como a ti mesmo. Reconheces o teu próprio valor e o do teu próximo simultaneamente.

21. Milagres são sinais naturais de perdão. Por meio de milagres, você aceita o perdão de Deus estendendo-o a outros.

8. Milagres são curativos porque suprem uma falta; são apresentados por aqueles que temporariamente tem mais para aqueles que temporariamente tem menos.

• Questão de Estudo •

1. Antes de ler o comentário, leia estes princípios na ordem listada acima. Que ideias ou frases parecem ser repetidas com bastante frequência? Com base nesses princípios, você diria que um milagre envolve uma pessoa, ou duas ou mais pessoas?

Como os primeiros cinco desses princípios [acima] deixam bastante claro, um milagre é uma expressão de amor e todas as expressões de amor são milagres, no sentido de que são inspiradas pelo amor, que é ‘o verdadeiro milagre’ e que encontra a sua Fonte em Deus. O amor de Deus é o milagre original e, portanto, qualquer expressão de amor também é um milagre.

A frase ‘expressões de amor’ implica uma troca entre pessoas; um para dar amor, um para recebê-lo. Nós precisamos tomar nota disso porque a compreensão tradicional de milagres carece desse elemento interpessoal. Normalmente nós pensamos em um milagre como algo puramente entre nós e Deus; para o Curso, milagres parecem envolver pelo menos duas pessoas. Fala de ‘sua natureza interpessoal’ (T-1.II.2:5); isto é, a natureza dos milagres é que eles ocorrem entre pessoas. Pelo menos duas pessoas estão envolvidas, um doador e um receptor; há uma ‘troca’ de amor.

Em um milagre, uma pessoa, através da oração, recebe o Amor de Deus e, então, temporariamente tendo mais do Amor de Deus (ou pelo menos tendo mais consciência de tê-lo), ela o estende a outra pessoa ou outras pessoas. (‘Estender’ é uma palavra muito importante do Curso, a propósito. A extensão do amor é toda a nossa razão de ser.) Essa extensão pode ou não ser observável – isto é, fisicamente visível; poderia ser puramente um ato mental. Sempre envolve estender o perdão ou reconhecer o valor do próximo. No ato de estender o perdão aos outros, a primeira pessoa o aceita para si mesma.

O milagre começa, então, com Deus expressando amor por mim; continua com a minha mente recebendo esse amor; resulta em uma extensão desse amor, através de mim, para a outra pessoa. Isso é o que o Curso quer dizer com um milagre.

Observe como a visão de milagres do Curso é muito diferente da nossa. ‘Milagres ocorrem naturalmente’, diz (T-1.I.3:1). Para nós, milagres são sobrenaturais por definição! Não para o Curso. Eu voltarei a este ponto mais tarde. Por enquanto, apenas observe que um milagre é uma expressão natural de amor. Nem sempre é chamativo; às vezes os nossos olhos não veem nada acontecendo. Isso é bem comum.

Porém ele ainda é um milagre!

Não Há Ordem de Dificuldades: Os Milagres São Todos Iguais

Principios 1 e 49.

1. Não há ordem de dificuldades em milagres. Um não é mais ‘difícil’ nem ‘maior’ do que o outro. Todos são o mesmo. Todas as expressões de amor são máximas.

49. O milagre não faz distinções entre graus de percepção equivocada. É um instrumento para a correção da percepção que é eficiente, sem levar em consideração o grau ou a direção do erro. É isso o que faz com que ele seja verdadeiramente indiscriminado.

Vamos olhar atentamente para o Princípio nº 1: ‘Não há ordem de dificuldades em milagres’. A frase ‘ordem de dificuldade’ ocorre 28 vezes no Curso; esse princípio dos milagres não é apenas o primeiro numericamente; o Curso se refere a ele como ‘o primeiro princípio dos milagres’ (T-2.I.5:5; T-23.II.3:1), primeiro em importância assim como em número. Jesus diz que é ‘uma verdadeira pedra fundamental do sistema de pensamento que eu ensino e quero que você ensine’ (T-6.V(A).4:5). Nenhum milagre é mais difícil do que qualquer outro milagre; ‘eles são todos iguais… [todos são] máximos” (T-1.I.1:3-4).

Se você pensa em um milagre como uma expressão de amor, isso faz sentido. Se você ama alguém, expressar isso não é nada difícil; é simplesmente natural. Nós poderíamos supor que é mais difícil amar algumas pessoas do que amar outras; isso é realmente uma questão separada. Mas se você já ama alguém de verdade, você o ama completamente e todas as expressões de amor são igualmente fáceis.

Onde nós entramos em dificuldade é quando nós começamos a aplicar este princípio, como o próprio Curso faz, a coisas específicas. Curar o câncer não é mais difícil do que curar um resfriado; transformar esse relacionamento com um pai alcoólatra e abusivo não é mais difícil do que transformar o seu relacionamento com a pessoa mais santa que você conhece.

Central para o Curso é a ideia de que nós estamos realmente enfrentando apenas um problema, que é um problema de percepção equivocada. Todo problema aparente que nós temos nada mais é do que uma variação desse problema central. Cure verdadeiramente um problema e você curou todos eles, porque são todos iguais. Portanto, todos os milagres são igualmente fáceis — ou igualmente difíceis, dependendo de como você vê. A função deles é corrigir a percepção, nos ajudar a ver a verdade, em vez de ver uma ilusão.

Se a ilusão é ‘grande’ ou ‘pequena’ não tem importância; o milagre desfaz a elas todas com igual facilidade.

Essa é a primeira lição do Texto e também uma das últimas; quando realmente nós aprendemos que não há ordem de dificuldade, as nossas lições estão concluídas. O Manual de Professores diz que uma mente totalmente curada colocará todos os problemas e doenças em uma única categoria (sem ordem de dificuldade): irreal (M-8.6:1-4).

• Questão de Estudo •

2. Pense em algumas situações difíceis, barreiras, problemas ou relacionamentos que você enfrenta. Permita-se estar ciente de quão difícil ou talvez até impossível a solução deles lhe parece. Agora, pense em alguns problemas que você considera facilmente resolvidos, ou barreiras que são facilmente superadas. Permita-se perceber o quanto está convencido de que alguns problemas são muito mais difíceis de resolver do que outros. Em seguida, repita as palavras do Princípio nº 1 para si mesmo, corrigindo o seu pensamento: ‘Não há ordem de dificuldades em milagres. Um não é ‘mais difícil’ ou ‘maior’ do que o outro. Todos são o mesmo. Todas as expressões de amor são máximas.’

Milagres Unem o Doador e Aquele que Recebe, Tornando as Mentes Uma Só

Principios 9, 16, 18, 19, 27, 40 e 45.

9. Milagres são uma espécie de troca. Como todas as expressões de amor, que são sempre miraculosas no sentido verdadeiro, a troca reverte às leis físicas. Trazem mais amor tanto para o doador quanto para aquele que recebe.

16. Milagres são instrumentos de ensino para demonstrar que dar é tão bem-aventurado quanto receber. Eles simultaneamente aumentam a força do doador e suprem a força de quem recebe.

18. Um milagre é um serviço. É o serviço máximo que podes prestar a um outro. E uma forma de amar o teu próximo como a ti mesmo. Reconheces o teu próprio valor e o do teu próximo simultaneamente.

19. Milagres fazem com que as mentes sejam uma só em Deus. Eles dependem de cooperação porque a Filiação é a soma de tudo o que Deus criou. Milagres, portanto, refletem as leis da eternidade, não do tempo.

27. Um milagre é uma benção universal de Deus através de mim para todos os meus irmãos. O privilégio dos perdoados é perdoar.

40. O milagre reconhece todas as pessoas como teu irmão e meu também. É um caminho para se perceber a marca universal de Deus.

45. Um milagre nunca se perde. Pode tocar muitas pessoas que nem mesmo encontraste e produzir mudanças nunca sonhadas em situações das quais nem mesmo estás ciente.

• Questão de Estudo •

3. Como o primeiro grupo de princípios, este grupo enfatiza que os milagres envolvem mais de uma pessoa. Em última análise, quantas pessoas estão envolvidas? Por que?

Eu estou repetindo aqui alguns princípios dos agrupamentos anteriores porque eu quero conectar uma parte do que eles dizem a este conceito adicional: os milagres unem o doador e aquele que recebe; eles unem as mentes em Deus.

Os milagres são baseados no fato de que tudo o que Deus criou já é um só; há uma ‘marca universal de Deus’ em todos e em tudo. Nós podemos dizer que um milagre é um reconhecimento da unicidade.

Quando nós oferecemos um milagre, nós estamos meramente admitindo ou reconhecendo aquela marca de Deus naqueles que nos rodeiam. Cada milagre, em última análise, afeta a todos porque essa marca de Deus está em todos.

Todas as mentes já estão unidas. À medida que eu reconheço que a minha mente está unida à sua, que nós juntos compartilhamos a bênção universal, a marca de Deus, isso nos aproxima de reconhecer esta marca em todos.

Mais especialmente, como eu reconheço a marca em você, eu a reconheço em mim. Ao lhe dar essa bênção, eu descubro que também a dei a mim mesmo. Isso demonstra que ‘dar é tão bem-aventurado quanto receber’ (T-1.I.16:1). De fato, mostra que dar e receber são idênticos, que é uma das primeiras lições que o Curso pretende nos ensinar. Quando o Princípio nº 9 diz que os milagres invertem as leis físicas, é isso que ele está se referindo: Quando eu dou um milagre, em vez de ter menos, eu tenho mais!

Você nunca percebeu isto? Quando você dá amor, o seu próprio coração é enriquecido.

Milagres são Naturais

Principios 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 43.

2. Milagres em si não importam. A única coisa que importa é a sua Fonte, Que está muito além de qualquer avaliação.

3. Milagres ocorrem naturalmente como expressões de amor. O amor que os inspira é o milagre real. Nesse sentido, tudo o que vem do amor, é um milagre.

4. Todos os milagres significam vida e Deus é o Doador da vida. A Sua Voz vai dirigir-te de forma muito específica. Tudo o que precisas saber te será dito.

5. Milagres são hábitos e devem ser involuntários. Não devem estar sob controle consciente. Milagres conscientemente selecionados podem ser guiados de forma equivocada.

6. Milagres são naturais. Quando não ocorrem, algo errado aconteceu.

7. Milagres são um direito de todos; antes, porém, a purificação é necessária.

43. Milagres surgem de um estado milagroso da mente, ou um estado de prontidão para o milagre.

• Questão de Estudo •

4. ‘Milagres ocorrem naturalmente como expressões de amor.’ ‘Quando não ocorrem, algo errado aconteceu.’ O que, você acha, pode ter dado errado? Se os milagres são expressões de amor e não estão ocorrendo, qual pode ser o problema? (Veja o Texto, Introdução, 1:7 para uma pista.)

‘Ele objetiva, contudo, remover os bloqueios à consciência da presença do amor, que é a tua herança natural.’ (T.Introdução.1:7)

Milagres não são sobrenaturais; eles são naturais. O amor os inspira, e os milagres ocorrem naturalmente como resultado do amor. O Curso usa muitos termos que significam a mesma coisa que ‘natural’. Milagres são hábitos; involuntários; o nosso direito. Você tem a sensação de que nós não deveríamos ter que pensar em milagres; eles devem apenas estar lá, sem nenhum esforço consciente, como respirar.

Se os milagres são a expressão do amor, então se nós redescobrirmos a nossa identidade como amor, os milagres estarão lá, como respirar. Eu penso que a noção de milagres como hábitos involuntários é impressionante! Quando a minha mente estiver totalmente curada, eu farei milagres como o nosso animal de estimação Corgie perde cabelo; milagres cairão de mim como folhas de uma árvore no outono. Eu estarei apenas cuidando dos meus negócios, ouvindo a Voz de Deus conforme Ela me direciona muito especificamente e aonde quer que eu vá, os milagres se seguirão.

O Livro de Exercícios tem uma descrição maravilhosamente poética de tal pessoa:

A partir deste dia, o teu ministério se reveste de uma devoção genuína e de um brilho que passa da ponta dos teus dedos àqueles que tocas e abençoa todos aqueles que contemplas. Uma visão alcança todos aqueles que encontras e todos aqueles em quem pensas, ou que pensam em ti. Pois a tua experiência de hoje transformará a tua mente de tal modo que ela vem a ser a pedra de toque para os santos Pensamentos de Deus. (LE-pI.157.5:1-3)

Outro ponto interessante é a noção de purificação. Milagres são o nosso direito; devem ser hábitos naturais e inconscientes; se não ocorrem, algo errado aconteceu e a purificação se torna necessária. Quando você considera o contexto, isso não pode significar qualquer tipo de purificação externa, como abster-se de sexo, carne ou bebida. São as nossas mentes que precisam de prontidão para o milagre (T-1.I.43). Nós precisamos, como nos disse a Introdução, remover os bloqueios à consciência no nível da realidade (awareness) da presença do Amor; então os milagres fluirão novamente.

• Questão de Estudo •

5. Compare o Princípio nº 7 com T-18.IX.14:1–2. São os nossos corpos e comportamento que precisam ser limpos e purificados, ou são as nossas mentes e as nossas percepções?

E quando a memória de Deus tiver vindo a ti no lugar santo do perdão, não te lembrarás de nenhuma outra coisa e a memória será tão inútil quanto o aprendizado, pois o teu único propósito será criar. Entretanto, não podes ter o conhecimento disso enquanto todas as percepções não forem limpas e purificadas e finalmente removidas para sempre. (T-18.IX.14:1-2)

Milagres Corrigem Pensamentos

Principios 10, 12, 14, 23, 33, 34, 36, 37, 38, 39, 49 e 50

10. O uso dos milagres como espetáculos para induzir a crença é uma compreensão equivocada do seu propósito.

12. Milagres são pensamentos. Pensamentos podem representar o nível mais baixo ou corporal da experiência, ou o nível mais alto ou espiritual da experiência. Um faz o físico e o outro cria o espiritual.

14. Milagres dão testemunho da verdade. São convincentes porque surgem da convicção. Sem convicção deterioram-se em mágica, que não faz uso da mente e é, portanto, destrutiva; ou melhor, é o uso não-criativo da mente.

23. Milagres rearranjam a percepção e colocam todos os níveis em perspectiva verdadeira. Isso é cura porque a doença vem da confusão de níveis.

33. Milagres te honram porque és amável. Eles dissipam ilusões a respeito de ti mesmo e percebem a luz em ti. Assim expiam os teus erros libertando-te dos teus pesadelos. Por liberar a tua mente da prisão das tuas ilusões, restauram a tua sanidade.

34. Milagres restauram a mente à sua plenitude. Por expiar o senso de carência, estabelecem proteção perfeita. A forca do espírito não deixa lugar para intrusões. 

36. Milagres são exemplos do pensamento certo, alinhando as tuas percepções com a verdade tal como Deus a criou.

37. Um milagre e uma correção introduzida por mim num pensamento falso. Age como catalisador, quebrando a percepção errônea e reorganizando-a adequadamente. Isso te coloca sob o princípio da Expiação onde a percepção é curada. Até que isso tenha ocorrido, o conhecimento da Ordem Divina é impossível.

38. O Espírito Santo é o mecanismo dos milagres. Ele reconhece tanto as criações de Deus quanto as tuas ilusões. Ele separa o verdadeiro do falso através da Sua capacidade de perceber de forma total e não seletiva.

39.O milagre dissolve o erro porque o Espírito Santo o identifica como falso ou irreal. Isso é o mesmo que dizer que por perceber a luz, a escuridão automaticamente desaparece.

49. O milagre não faz distinções entre graus de percepção equivocada. É um instrumento para a correção da percepção que é eficiente, sem levar em consideração o grau ou a direção do erro. É isso o que faz com que ele seja verdadeiramente indiscriminado.

50. O milagre compara o que tu fazes com a criação, aceitando como verdadeiro o que está de acordo com ela e rejeitando como falso o que está em desacordo.

‘Milagres restauram a mente à sua plenitude’ (T-1.I.34:1). O que Jesus quer que nós entendamos é bastante óbvio pelo número de vezes e pelo número de maneiras diferentes em que ele diz isso:

Milagres têm a ver principalmente com as nossas mentes e os nossos pensamentos e não com coisas fora de nossas mentes. Eles não são espetáculos que induzem a crença (uma percepção comum dos milagres que Jesus teria realizado na Bíblia). Eles não trabalham tanto no nível físico quanto no nível espiritual. Eles reorganizam a percepção, em vez de reorganizar o mundo físico.

Eles são pensamentos, exemplos de pensamento correto, correções introduzidas no pensamento falso que alinham as nossas percepções com a verdade, dispositivos para correção da percepção.

Nós normalmente pensamos em milagres como espetáculos externos, como Jesus andando sobre a água ou transformando água em vinho, ou Moisés abrindo o Mar Vermelho. Nos tempos modernos nós associamos curas inexplicáveis ​​e eventos sincronísticos com milagres. Mas o Curso vê um milagre como algo que age em nossos pensamentos para corrigi-los.

O Curso diz que trata de causa e não de efeito (T-21.VII.7:8). Na visão do Curso, o que tradicionalmente nós consideramos milagres são apenas os efeitos dos milagres. A cura [healing] é causada por uma mudança no pensamento e na percepção da pessoa doente; o milagre não é a cura, mas a atividade divina que provocou a mudança na percepção daquela pessoa. O milagre foi o que mudou a mente; a mudança de mente, por sua vez, causou o rearranjo do mundo físico. O Curso quer nos instruir sobre como receber e como dar esses catalisadores mentais que movem e mudam as nossas percepções.

Milagres, como nós lemos anteriormente no Princípio 35, nem sempre têm efeitos observáveis, como curas e sincronicidades. Algumas pessoas passaram a acreditar que o Curso ensina que milagres não têm nada a ver com o mundo físico; eles nunca têm efeitos observáveis. A forma como o Princípio 35 é formulado, no entanto, deixa claro que alguns milagres têm esses efeitos observáveis. Se eu disser: ‘Eu de fato nem sempre como Wheaties [marca Estadunidense de cereal matinal da General Mills] no café da manhã’, não seria correto inferir que isso significa ‘Eu nunca como Wheaties’. Você pode inferir corretamente que alguns dias eu como Wheaties.

Da mesma forma, o Princípio nº 35 pode ser claramente entendido como dizendo: ‘Alguns milagres’ [talvez até a maioria dos milagres] ‘têm efeitos observáveis’. Alguns milagres resultam em corpos sendo curados, em contas sendo pagas, em inimigos sendo reconciliados. Não todos, mas alguns.

Outro conceito equivocado sobre milagres é que um milagre é uma mudança na percepção. O Princípio nº 37 esclarece isso. Diz que ‘um milagre é uma correção introduzida por mim no pensamento falso’, onde ‘eu’ é o autor, Jesus. ‘Milagres rearranjam a percepção’ (T-1.I.23:1). No Princípio 38, o Espírito Santo é identificado como ‘o mecanismo dos milagres’. Sem entrar em uma longa discussão sobre Jesus e o Espírito Santo aqui, nós vamos apenas dizer que o milagre é uma intervenção em nosso pensamento por um agente de Deus. Esse milagre, diz o Princípio nº 37, ‘age como um catalisador, quebrando a percepção errônea e reorganizando-a adequadamente’. Assim, o milagre não é a mesma coisa que uma mudança de percepção; um milagre causa uma mudança na percepção. O Curso é consistente em fazer essa distinção (veja T-1.I.23.1; T-1.II.6:3; T-2.V(A).15:1; T-5.II.1:3 ; LE-pII.13.2:3; e LE-pII.346.1:1).

Por que fazer questão disso? Qual é a diferença entre dizer que um milagre é uma mudança na percepção e um milagre causa uma mudança na percepção? Bem, por um lado, está mais uma vez confundindo efeito com causa. Se nós procurarmos diretamente uma mudança em nossa percepção, talvez não a encontremos. Nós podemos trabalhar para tentar mudar a nossa percepção e ficar bastante frustrados quando nós não podemos fazê-lo. Se nós nos voltarmos para Deus em busca do milagre que causa uma mudança na percepção, nós o encontraremos e experienciaremos a mudança que nós desejamos. Um milagre não é algo que nós fazemos por nós mesmos; é algo que nós recebemos de Deus e depois nós oferecemos aos outros. Com base nessa seção, é assim que eu definiria a palavra ‘milagre’ no Curso:

Um milagre é a intervenção, convidada por nós, de um poder divino – o Espírito Santo ou Jesus Cristo no contexto do Curso – para curar (to heal) padrões de pensamentos humanos de uma forma que está além de nossa capacidade humana. Normalmente, isso também envolve aquele poder divino que se estende da mente de uma pessoa para curar a de outra.

• Questões de Estudo •

6. Muitos pontos desses princípios foram omitidos no comentário geral. Para considerar alguns deles: Observe a distinção entre o uso das palavras ‘fazer’ e ‘criar’ no Princípio nº 12 e, novamente, indiretamente, no Princípio nº 50. Milagres são pensamentos; então duas classes de pensamentos são mencionadas. Em qual das duas classes se enquadram os milagres? Os milagres refletem o que os nossos pensamentos fazem ou o que eles criam? Em que domínio eles atuam, físico ou espiritual?

7. Que definição é dada ao termo ‘magia’ no Princípio nº 14? (Este termo é usado com bastante frequência, por isso ajuda a tornar a definição o mais clara possível agora.)

• Respostas-Chave

1. A frase ‘expressões de amor’ é repetida (ou estreitamente paralela) nos Princípios nº 1, 3, 11, 35 e 9. Alguma forma da ideia ‘troca’, ‘estender’ ou ‘extensão’ aparece em três desses princípios. Todos eles carregam a ideia de algo que ocorre em um relacionamento entre duas ou mais pessoas.

2. Não é necessária resposta escrita.

3. Em última análise, todo milagre envolve a todos – toda a Filiação. Isso ocorre porque os milagres refletem as leis da eternidade, nas quais tudo o que Deus criou é unido como um só. Um milagre é admitir ou reconhecer a unicidade de tudo o que Deus criou.

4. O problema é que nós não temos consciência da presença do amor; nós não estamos reconhecendo o amor que nós somos. Há coisas que bloqueiam essa consciência no nível da realidade que precisam ser removidas. Quando os bloqueios forem removidos, nós estaremos cientes do amor e os milagres ocorrerão naturalmente como resultado.

5. São as nossas mentes e as nossas percepções que precisam de purificação.

6. Os milagres pertencem à classe de pensamentos que representam o nível mais elevado ou espiritual da experiência. Os pensamentos mais elevados criam o espiritual; pensamentos inferiores fazem o físico. Um pensamento milagroso reflete o superior; ele retém o que nós preparamos para a criação, rejeita o que está em desacordo com a criação e aceita o que está de acordo com ela.

7. Mágica é o uso não criativo da mente; é ‘fazer’ em vez de ‘criar’. Assim, como é explicado mais adiante no Curso, pode ser pensado como qualquer tentativa de resolver problemas ou buscar satisfação na separação, por nós mesmos e à parte de Deus.”

Imagem mark-harpur-K2s_YE031CA-unsplash.jpg

…continua Parte II…

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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