Pensar em dinheiro, imediatamente vem à mente a imagem da Lei da Atração e da série “O Segredo” que tanto impactou o mercado da “autoajuda” nos últimos tempos.

A questão que nós levantamos, de fato, é sobre o que o Curso tem a dizer sobre os problemas e questões com dinheiro que tanto nos afligem nesses tempos difíceis de economia mundial estagnada e inseguranças empregatícias em razão da pandemia que nos atinge e questões de guerras.

Para tal nós buscamos inspiração em professores e pesquisadores, especialistas de Um Curso em Milagres, para a nossa reflexão sobre o tema de interesse geral.

Um Curso em Milagres e “O Segredo”

Artigo do professor Greg Mackie intitulado “A Course in Miracles and The Secret” [“Um Curso em Milagres e ‘O Segredo’”], que transcrevemos trechos em tradução livre para o nosso conhecimento e entendimento.

O artigo completo em inglês poderá ser acessado no site Circle of Atonement, link https://circleofa.org/library/a-course-in-miracles-and-the-secret/.

“Você, e somente você, é o criador de sua própria realidade. O mundo está à sua disposição – o seu desejo é seu comando. O que quer que você pensa e sente, você atrairá do mundo; esta é a lei da atração. Portanto, tudo o que você precisa fazer é usar essa lei da atração para manifestar as coisas que você quer do mundo e você será feliz.

Isso é, em poucas palavras, o título ‘Segredo’ de ‘O Segredo’, um vídeo e livro popular mundialmente que foi apresentado na Oprah. Muito parecido com o recente sucesso ‘What the Bleep Do We Know?’ [‘Quem Somos Nós?’, no Brasil], o vídeo apresenta uma coleção de professores, autores, filósofos e cientistas, todos descrevendo esse ‘Segredo’ e como usá-lo em sua própria vida.

Também, como em ‘What the Bleep?’, nós encontramos seguidores entre os estudantes do Curso. Um estudante que visita vários grupos de discussão online do Curso recentemente me disse que, em sua estimativa, cerca da metade das pessoas nesses grupos tinha uma visão favorável de ‘O Segredo’. Claramente, há muitos que o consideram compatível com o Curso.

Mas é isso mesmo? Para responder a essa pergunta, nós precisamos tirar os óculos escuros de nossa cultura circundante e olhar com novos olhos. Dentro da Nova Era/cultura espiritual alternativa na qual a comunidade do Curso reside – uma cultura que, por sua vez, é parte de uma cultura maior que glorifica o consumo conspícuo – coisas como ‘O Segredo’ têm um certo apelo.

Parece tão emocionante ser capaz de manifestar todas as coisas que você sempre quis. Ser ‘fortalecido’ dessa forma parece ter um tom de verdade espiritual. Mas nós temos que perceber que o Curso, embora atualmente imerso nessa cultura, não é influenciado por ela.

O Curso tem a sua própria agenda para nós. Portanto, se o Curso é o nosso caminho, a nossa pergunta deve ser: Independentemente de quaisquer sentimentos que ‘O Segredo’ possa despertar em mim, é realmente compatível com o caminho que o próprio Curso está me chamando para trilhar?

Depois de assistir ao vídeo, a minha resposta é um enfático não. É verdade que compartilha a visão do Curso de que os nossos pensamentos atraem as circunstâncias de nossa vida para nós. Existem também outras semelhanças menores – por exemplo, a ideia de que os nossos pensamentos causam os nossos sentimentos.

No entanto, ‘O Segredo’ aplica a ‘lei da atração’ (que dificilmente é um segredo; professores metafísicos e palestrantes motivacionais têm falado sobre isso há anos) de uma forma tão diametralmente oposta aos objetivos do Curso que, na minha opinião, misturando-a com o Curso turvará as águas e retardará o nosso progresso no caminho do Curso.

Chamar ‘O Segredo’ de ‘diametralmente oposto’ ao Curso é uma declaração forte e haverá declarações mais fortes nesse artigo, então deixe-me oferecer uma pequena isenção de responsabilidade no início.

Eu não estou condenando as pessoas envolvidas em fazer ‘O Segredo’. Todos elas são, é claro, Filhos santos de Deus e eu não tenho dúvidas de que são pessoas sinceras e de bom coração, que estão oferecendo algo que acreditam ser de grande valor.

Nesse artigo, estou simplesmente dando minha opinião honesta sobre as ideias apresentadas em ‘O Segredo’, porque um grande número de estudantes do Curso recentemente têm pedido a opinião do Círculo [site Circle of Atonement https://circleofa.org/] sobre essas ideias.

Eu serei muito direto, mas apenas porque acredito que essas ideias são tão contrárias ao Curso que precisam ser abordadas diretamente. (Se você não viu ‘O Segredo’, minhas descrições podem parecer caricaturas, mas infelizmente são todas muito precisas.)

O meu objetivo é simplesmente apresentar os sistemas de pensamento de ‘O Segredo’ e do Curso lado a lado, para ajudar os estudantes do Curso a discernir a diferença e, assim, trilhar o caminho escolhido com mais eficácia. Convido você a ler esse artigo com esse objetivo em mente.

O sistema de pensamento de ‘O Segredo’ – é tudo sobre você

O que mais me impressionou em ‘O Segredo’ foi a completa ausência de qualquer coisa que seja realmente maior do que você. É um hino ao que Robert recentemente chamou de ‘unfettered self’ [“ser sem restrições“(?)] – um ser que não responde a Deus, aos outros, a nada exceto a seus próprios desejos. Nós podemos ver isso em todos os pontos a seguir, que formam um resumo sucinto do sistema de pensamento de ’O Segredo’.

Você é Deus; você cria a sua própria realidade

Uma das comentaristas do vídeo, Esther Hicks, resume esse aspecto de ‘O Segredo’ perfeitamente: ‘Você é aquele que você chama de Deus’ e ‘Você é o único que cria a sua realidade’. Você é um campo de energia em um universo de energia, com controle total de sua vida e destino. Você responde para nada e a ninguém.

O mundo é o seu gênio; o seu desejo é o seu comando

Essa metáfora é usada pelo próprio ‘O Segredo’. Isso nos equipara a Aladim, que esfregou a sua lâmpada mágica e produziu um gênio que disse o que todos os gênios bons dizem: ‘O seu desejo é uma ordem.’ Esse gênio é o mundo e não nos dá apenas três desejos: Ele nos dá desejos ilimitados. Joe Vitale, outro dos comentaristas, oferece outra metáfora: ‘O universo é um ‘catálogo’ do qual nós pedimos o que quisermos’. Seja qual for a metáfora usada, porém, a ideia básica é a mesma: o mundo existe para servir às necessidades do deus que é você.

O seu trabalho é comandar o universo para lhe dar as coisas que você deseja

Dado o cenário descrito nos dois últimos pontos, o próximo ponto segue logicamente: O que você precisa fazer é colocar aquele gênio para trabalhar, para começar a ‘fazer o seu pedido para o universo’, como diz Vitale. Se você simplesmente fizer isso – por meio do pensamento positivo, do cultivo de bons sentimentos, da visualização vívida do que você deseja, etc. – ‘o universo começará a se reorganizar para que isso aconteça para você.’

Presumivelmente, alguém poderia usar aspectos desse sistema (especialmente técnicas como gratidão) para objetivos espirituais, mas todos os exemplos dados em ‘O Segredo’, sem exceção, retratam o uso da lei da atração para atingir objetivos mundanos.

Jack Canfield (famoso pelo livro ‘Chicken Soup for the Soul’ [‘Sopa de galinha para a alma’]) descreve como ele estabeleceu uma meta de fazer cem mil dólares por ano, visualizando essa meta (entre outras coisas) colocando uma nota falsa de cem mil dólares no teto de seu quarto, onde ele veria quando acordasse todas as manhãs.

Ele diz: ‘Minha vida se tornou mágica, o que todos sonham’ e, em seguida, descreve sua mansão de 4,5 milhões de dólares, a sua ‘esposa irresistível’ e as suas férias ao redor do mundo (como nós vemos, retratos de todas essas coisas).

Há também o relato de um homem que visualizou e finalmente atingiu o seu objetivo de namorar três mulheres diferentes a cada semana (embora, eventualmente, ele tenha se cansado disso e decidido ir para uma mulher só).

Depois, há relatos de pessoas que usaram ‘O Segredo’ para se recuperar de grandes problemas de saúde, incluindo ferimentos graves em um acidente de avião e câncer de mama. Eu achei isso mais atraente – você teria que ter um coração de pedra para não ficar feliz que o sofrimento dessas pessoas foi aliviado. Mas mesmo aqui, eu senti um tom perturbador de ‘Eu usei esse poder mágico para servir às minhas necessidades’.

Você não tem nenhuma função que transcenda o seu interesse próprio; você está aqui para servir a si mesmo

Praticamente ausente em tudo isso está a ideia de uma missão mais ampla que transcende os objetivos pessoais. Neale Donald Walsh, o conhecido autor da série ‘Conversations with God’ [‘Conversas com Deus’], deixa essa falta de missão explícita em sua contribuição para ‘O Segredo’. Ele diz que todos nós estamos procurando um ‘quadro-negro’ no qual Deus escreveu a missão que Ele deseja que nós cumpramos, mas esse quadro não existe, porque Ele não tem propósito ou missão para a sua vida. Em vez disso, ‘O seu propósito é o que você diz que é. A sua missão é o que você dá a si mesmo.’ Agora, é claro, você pode escolher dar a si mesmo uma meta que transcende as necessidades pessoais. Muitas pessoas, mesmo muitas que não acreditam em Deus, fazem exatamente isso. Mas você determina isso e, como nós vimos, metas auto transcendentes não são evidentes em ‘O Segredo’.

Uma subcategoria dessa falta de missão auto transcendente é a falta de qualquer noção real de ajudar os outros – mais uma vez, trata-se de servir a objetivos pessoais. Eu não estou dizendo que as pessoas em ‘O Segredo’ são pessoalmente egoístas. Eu tenho certeza de que muitas dessas pessoas são bastante generosas e se consideram atendendo a uma meta maior do que as suas necessidades imediatas. É que simplesmente nenhum dos exemplos dados em ‘O Segredo’ refletem isso.

Na verdade, parece que a principal maneira de ajudar os outros em ‘O Segredo’ (na verdade, o principal motivo do vídeo em si) é dar o Segredo aos outros – nós ajudamos os outros ensinando-os a conseguir o que desejam para encontrar as suas necessidades, assim como nós fazemos.

Eu devo dar aos criadores de ‘O Segredo’ o crédito por suas boas intenções; se alguém acredita que o Segredo é a chave de tudo, então é uma coisa gentil e altruísta querer divulgá-lo. Dito isto, é um altruísmo que equivale a ensinar aos outros como ser egocêntrico, o que, se você pensar a respeito, é um tipo estranho de altruísmo.

E os criadores de ‘O Segredo’ consideram o Segredo como a chave para tudo, a explicação abrangente para tudo o que acontece no mundo. Por exemplo, um dos comentaristas, Jack Proctor, faz a declaração surpreendente de que o motivo pelo qual um por cento da população controla noventa e nove por cento da riqueza é simplesmente porque aqueles infelizes noventa e nove por cento não sabem o Segredo.

Embora eu tenha certeza de que Proctor não tenha essa intenção, essa ideia parece ser a proverbial ‘licença para roubar’. Se eu ganhar às custas de outra pessoa, o problema não é o meu ataque egoísta a ela; em vez disso, o problema é que ela não conhece o Segredo. As implicações disso são verdadeiramente surpreendentes. Essa ideia pode ser usada para fornecer uma justificativa ‘espiritual’ para opressão e injustiça de todos os tipos.

Pode-se dizer que o motivo da escravidão no sul dos Estados Unidos era que os senhores sabiam o Segredo e os escravos não. Pode-se dizer que o motivo do Holocausto foi que os Nazistas sabiam o Segredo e os Judeus não. Os opressores estão em sintonia com as leis do universo; os oprimidos simplesmente não entendem. Com um aceno de uma varinha mágica, a injustiça terrena se torna justiça cósmica. Esse é um mundo em que qualquer um de nós deseja viver?

A única solução para a injustiça oferecida em ‘O Segredo’ é democratizar o Segredo, dá-lo a todos. A ideia básica por trás disso parece ser uma versão da famosa teoria econômica de Adam Smith, que diz que se as pessoas simplesmente perseguirem os seus próprios interesses, a ‘mão invisível’ do mercado de alguma forma garantirá que todos se beneficiem. Na nova versão, se as pessoas simplesmente pegarem o Segredo e usá-lo para servir a seus próprios interesses, a ‘mão invisível’ do universo de alguma forma garantirá que todos se beneficiem. Olhando para o nosso mundo hoje, parece que a ‘mão invisível’ é de fato bastante invisível.

Servir a si mesmo e conseguir as coisas que você deseja fará você feliz

O resultado final de obter tudo isso de seu gênio é que você ‘se sentirá bem’ (as palavras que encerram ‘O Segredo’). Sentir-se bem de todas as maneiras possíveis é a essência da felicidade; como Canfield diz, ‘Se não for divertido, não faça isso.’ Sentir-se bem é, de fato, meio e fim. Você se treina para se sentir bem imaginando que todas as coisas boas que deseja em sua vida já estão aí – esse é o meio.

Essa imaginação ativa a lei da atração, que traz todas essas coisas boas para a sua vida, então você se sentirá bem – este é o fim. A vida consiste em fazer isso repetidamente para que você se sinta cada vez melhor à medida que aprimora as suas habilidades e, assim, obtém coisas cada vez melhores. Joe Vitale coloca desta forma: ‘Quando você transforma aquela fantasia [a coisa que você quer] em um fato, você está na posição de construir fantasias maiores e melhores’. E quanto maiores e melhores as fantasias, mais feliz você será.

O sistema de pensamento de Um Curso em Milagres – é tudo sobre Deus

É sobre você também, é claro, mas é sobre você como uma criação e extensão de Deus, não como um rei mesquinho que é o único mestre de seu minúsculo domínio, respondendo a nada e a ninguém.

Toda a jornada do Curso é uma jornada para longe do ‘ser sem restrições’ de ‘O Segredo’ – um ser que não está verdadeiramente livre, mas na verdade está acorrentado a seus próprios desejos insaciáveis ​​- e em direção ao Pai amoroso que é nossa única Fonte, o nosso único desejo, o nosso único objetivo, a nossa única alegria, o nosso único Amor. Os pontos a seguir, que decorrem dessa base, são contrapontos ao sistema de pensamento de ‘O Segredo’.

Você não é Deus; você é a criação amorosa de um Pai amoroso

No Curso, você não é Deus – você tem um Deus Que é o único Criador de toda a realidade, incluindo a sua própria. O desejo de brincar de Deus e criar a nossa própria realidade é o próprio desejo que deu início à separação, a crença central do ego, a única fonte de toda a nossa miséria.

O Curso quer nos mostrar quanta miséria as nossas tentativas fúteis de criar a nossa própria realidade nos trouxeram e, lenta mas seguramente, nos levar à compreensão de que

…tu és tal como Deus te criou, e não o que fizeste de ti mesmo (LE-pI.93.7:1).

Essa percepção de que nós não estamos realmente no controle de nossa vida e destino é a melhor notícia que nós poderíamos ouvir, porque significa que a nossa miséria não tem uma causa real. O nosso Pai amoroso continua sendo a nossa Causa e a nossa realidade amorosa como Ele nos criou permanece totalmente inalterada. Despertar para a nossa realidade eterna dada por Deus, não persistindo na ilusão de que nós somos os autores da realidade, é o objetivo do Curso.

O mundo não é um gênio sob o seu comando; ele é um veículo para o plano de Deus para a salvação

Claro, o ego lhe diz que o mundo é aquele gênio em ‘O Segredo’: ele existe para servir às necessidades do deus que é você – para lhe dar o que você deseja. Ele está lá para fornecer todos os bens de que você precisa para sustentar o falso ser que você fez:

…pílulas, dinheiro, roupa ‘protetora’, influência, prestígio, que gostem de ti, conhecer as pessoas ‘certas’ e uma lista infindável de formas do nada que você dotas com poderes mágicos. (LE-pI.50.1:3)

Mas vendo-nos como Aladdin comandando o gênio do mundo para satisfazer todos os nossos caprichos tem consequências desastrosas. Novamente, o que isso realmente nos causa é sofrimento. O egocentrismo inerente a essa visão de nós mesmos é a fonte de toda a nossa solidão e culpa. E a busca sem fim por coisas fora de nós para satisfazer os nossos desejos nos coloca na cansativa roda do hamster de buscar, buscar, mas nunca encontrar.

De acordo com o Curso, o mundo não é um gênio sob o nosso comando. O propósito da vida não é escolher o que nós queremos do ‘campo infinito de possibilidades se desdobrando’, para usar a frase de Rhonda Byrne em ‘O Segredo’.

Aos olhos do Espírito Santo, o verdadeiro propósito do mundo é servir ao plano de Deus para a salvação da busca sem fim por ídolos que nunca irão satisfazer.

Aqui está o único propósito que dá a esse mundo e a longa jornada através desse mundo qualquer significado que possam ter (T-19.IV(D).21:4).

Esse é o único propósito que o Curso deseja que nós vejamos no mundo. O seu trabalho não é ordenar que o universo lhe dê as coisas que você deseja; é esquecer tudo o que você pensa que quer e buscar somente a Deus

Como eu mencionei, em ‘O Segredo’, o seu trabalho é colocar esse gênio para trabalhar, ordená-lo a obter as coisas específicas que você deseja do catálogo do universo. O autor do Curso, entretanto, tem uma visão obscura de pedir coisas específicas. Essa visão é consistente em todo o Curso, mas aqui vou me concentrar no material anterior e depois do ditado do próprio Curso.

Antes de começar a transcrever o Curso, Helen Schucman teve uma experiência na qual ela usou a sua habilidade psíquica para manifestar um broche de ouro. Aqui está a história, do livro ‘Absence from Felicity’  [‘Ausência de Felicidade’], do Dr. Kenneth Wapnick:

Quando ele [Bill Thetford] estava de férias nas Ilhas Virgens, enviei [Helen enviou] a ele uma ‘mensagem mental’ na qual descrevia um broche que gostaria que ele me trouxesse, um broche de ouro com acabamento florentino. Por acaso, eu percebi que eram quase dez horas da manhã quando o pensamento me ocorreu. Bill me entregou o broche em seu retorno. Ele estava andando por uma rua comercial por volta das dez horas após a sua chegada com um amigo que também me conhecia. Eles estavam passando por uma joalheria. Bill não queria entrar, mas o seu amigo praticamente insistiu. O amigo também escolheu um broche de ouro florentino, pedindo a Bill que o comprasse para mim e dissesse que era exatamente o que eu queria. (‘Absence from Felicity’, 1ª ed., P.119)

Isso é muito parecido com as histórias de manifestações contadas com excitação vertiginosa em ‘O Segredo’ – uau, veja o que Helen atraiu para ela! Na verdade, me lembra uma cena em ‘O Segredo’ em que uma mulher olha ansiosamente para um colar e, em seguida, o seu parceiro o dá a ela. No entanto, esse tipo de coisa foi na verdade uma barreira para o que Jesus estava tentando realizar por meio de Helen. Era parte do que ela chamava de ‘fase mágica’, algo que ela precisava superar antes de poder escrever o Curso.

Essa ‘fase mágica’ foi concluída com a sua conhecida visão de pergaminho, onde ela viu um pergaminho que lhe deu a capacidade de ler o passado e o futuro, mas ela escolheu se concentrar no painel central, que dizia simplesmente: ‘Deus é’.

Ao fazer essa escolha, ouviu a Voz dizer-lhe, com imensa gratidão e alívio: ‘Obrigado. Você conseguiu dessa vez. Obrigado’. (‘Absence from Felicity’, p.125) Só então o Curso começou a vir através dela. Pense sobre isso. Se ela tivesse continuado a usar as suas habilidades psíquicas para manifestar broches de ouro e ler o passado e o futuro, nós não teríamos o Curso hoje.

Vários anos depois que o Curso foi concluído, Helen escreveu ‘The Song of Prayer’ [‘A Canção da Oração’], que tem uma extensa discussão sobre orar por coisas específicas. A oração em si não é mencionada em ‘O Segredo’, mas essa discussão é totalmente relevante porque Jesus enfatiza que simplesmente ‘o desejo por essas coisas é a oração.’ (CO-1.III.6:3).

A mensagem de Jesus em ‘The Song of Prayer’ é que orar por coisas mundanas específicas nada mais é do que uma forma de nos aprisionar empurrando o nosso único objetivo real – Deus – para longe de nós:

…orações por coisas, por status, por amor humano, por ‘dádivas’ externas de qualquer tipo são sempre feitas para instituir carcereiros e esconder-te da culpa. Essas coisas são utilizadas como substitutos para Deus e, portanto, distorcem o propósito da oração… A meta de Deus se perde na busca de metas menores de qualquer tipo… (CO-1.III.6:1-2, 5)

Para orar verdadeiramente, então, nós precisamos deixar de lado esses objetivos menores e colocar todo o nosso foco no objetivo de Deus. Abandonar o nosso desejo por coisas terrenas específicas em vez de tentar atraí-las para nós é o verdadeiro ‘segredo’:

O segredo da oração verdadeira é esquecer das coisas que pensas que precisas… Da mesma forma, na oração passas por cima das tuas necessidades específicas tal como as vês e entrega-as nas Mãos de Deus. Lá elas passam a ser as tuas dádivas a Ele, pois Lhe dizem que não queres outros deuses diante Dele, nenhum Amor a não ser o d’Ele. O que poderia ser a Sua resposta exceto que te lembres d’Ele? (CO-1.I.4:1, 3-5)

Em suma, nós devemos pedir apenas a Deus e Ele responde dando-nos a Si mesmo. Observe o forte contraste entre o ‘segredo da verdadeira oração’ e o ‘Segredo’. Com o ‘Segredo’, você atrai as coisas que acha que precisa, a fim de servir ao deus que é você. Com o segredo da verdadeira oração, você se esquece das coisas que acha que precisa, a fim de experienciar o Amor infinito de Deus que é o seu verdadeiro Pai. Os dois ‘segredos’ dificilmente poderiam ser mais diferentes. E o segredo da verdadeira oração não nos entrega algo muito mais satisfatório? Como a Lição 258 diz:

Continuaremos a deixar que a graça de Deus brilhe na inconsciência, enquanto buscamos, em seu lugar, os brinquedos e as bagatelas do mundo? Deus é a nossa única meta, o nosso único Amor. Não temos nenhum objetivo, exceto lembrar-nos Dele. (LE-pII.258:1:3-5)

A sua vida não é servir a seus interesses próprios; você tem uma função no plano de Deus para a salvação – estendendo milagres abnegadamente a todos os seus irmãos.

Na visão do Curso, há realmente um ‘quadro-negro’ no qual Deus escreveu uma missão para você. Esta missão é o que o Curso chama de a nossa função especial no plano de Deus para a salvação, um plano que não está completo até que todos

…encontrem a sua função especial e não cumpram a parte que lhes é atribuída… (T-25.VI.4:3).

A sua vida não é realmente servir aos seus interesses pessoais – na verdade, o Curso diz

Como não tens interesses pessoais… (LE-pI.25.3:2).

A sua vida é realmente sobre servir ao plano de Deus para a salvação. Até que você decida fazer isso, você é

…o escravo do tempo e do destino humano. (LE-pII.317.1:3).

A única maneira de sair dessa escravidão é voluntariamente entregar a sua vida Àquele Que sabe o que a sua função real é.

A nossa disponibilidade para fazer isso abre a porta para o modo do Curso atender às nossas necessidades específicas. Esse modo é pedir ao Espírito Santo o que Ele deseja nos dar. A principal coisa que Ele deseja nos dar, é claro, é a verdadeira percepção, mas também nos dá coisas terrenas.

A grande diferença entre a Sua provisão e o programa de manifestação de ‘O Segredo’ é que Ele nos dá coisas para servir a Sua agenda, não a nossa. Uma vez que nós nos comprometemos com a nossa função especial no plano de salvação de Deus, Ele fornecerá tudo de que nós precisamos – não para nos gratificar, mas para cumprir a nossa função especial. Essa é a essência dessa conhecida citação do Texto:

Uma vez que tiveres aceito o Seu plano como a única função que queres cumprir, nada mais haverá que o Espírito Santo não arranje para ti sem o teu esforço. Ele irá diante de ti endireitando as tuas veredas e não deixando em teu caminho nenhuma pedra em que possas tropeçar, nenhum obstáculo para impedir o teu passo. Nada do que necessites te será negado. Nenhuma dificuldade aparente deixará de se desvanecer antes que a alcances. Não precisas pensar em nada, descuidado de todas as coisas, exceto do único propósito que queres realizar. (T-20.IV.8:4-8)

O cerne do plano de Deus e o nosso papel nele não é manifestar as coisas que nós queremos para nós mesmos, mas o serviço altruísta aos outros – estendendo milagres. O Curso nos instrui a sermos ‘verdadeiramente úteis’ (T-2.V(A).18:2); o Suplemento de Psicoterapia nos diz que ‘nada no mundo é mais santo do que ajudar quem pede ajuda’ (P-2.V.4:2).

E nós não ajudamos as pessoas, dando-lhes um ‘Segredo’ mágico para que possam obter todas as guloseimas que elas desejam. Pelo contrário, no material que precedeu a transcrição de ‘The Song of Prayer’, Jesus disse a Helen que quando você ora pelos outros, uma das coisas que você deseja fazer é ajudá-los a purificar os seus próprios pedidos:

Você pode e, de fato, deve, ajudar [aquele por quem você ora] oferecendo seu amor e apoio para que o seu pedido seja santo e sua verdadeira necessidade reconhecida (‘Absence from Felicity’, p.464).

Dar a eles o seu próprio gênio fará os nossos irmãos recuarem; estender a eles o reconhecimento de que o único objetivo no qual vale a pena almejar é que Deus realmente os ajudará.

A oração pelos outros, é claro, é apenas uma forma que o nosso serviço abnegado aos outros pode assumir. Pode assumir a forma de ensino. Pode assumir a forma de psicoterapia (o tema do Suplemento de Psicoterapia). Na maioria das vezes, assume a forma de simples bondade humana, como quando Helen e Bill ajudaram uma jovem perturbada chamada Charlotte a recompor a sua vida (veja ‘Absence from Felicity‘, pp.120-124).

A chave, porém, é que o conteúdo por trás de nossa ajuda (se nós estamos realmente fazendo a nossa parte no plano de Deus para a salvação) é o reconhecimento de que aqueles que nós ajudamos não são pequenas criaturas desesperadas que precisam de um gênio para trazer coisas mundanas para elas .

Em vez disso, o conteúdo é o reconhecimento de que eles são Filhos santos de Deus, livres de qualquer necessidade exceto a necessidade de Deus, uma necessidade que já está eternamente satisfeita.

Em vez de dar a eles o ‘Segredo’ para manter o falso ser que eles pensam que são, nós damos a eles o ‘segredo da verdadeira oração’: nós os ajudamos a esquecer as coisas que eles acham que precisam, para que possam descobrir quem realmente são. Nós os ajudamos a receber a resposta de Deus: a lembrança Dele.

Servir a si mesmo e obter as coisas que pensa que deseja não o fará feliz; apenas cumprir a sua função no plano de Deus para a salvação e lembrar do seu amoroso Pai o fará feliz

O Curso quer que nos sintamos bem? Sim, é claro; na verdade, ele deseja que nós experimentemos uma alegria radiante, diferente de todas as que já experimentamos nesse mundo. Mas nunca nós sentiremos esse tipo de alegria se o nosso foco for conseguir coisas suculentas do mundo.

O Curso nos diz muitas vezes que em nosso estado de ilusão atual, nem mesmo nós sabemos a diferença entre dor e alegria e, portanto,

Tu … é provável que decidas que precisas exatamente daquilo que mais te feriria. (T-4 .II.5:4)

Assim, à medida que nós buscamos ‘nos sentir bem’ em termos mundanos, nós buscamos a dor sem saber – exatamente o que o ego quer que nós façamos.

Esse gênio, portanto, tem uma agenda sombria, como naquelas histórias em que você tem os seus desejos atendidos, mas os desejos têm consequências indesejáveis ​​terríveis. O resultado final de termos os nossos desejos egocêntricos atendidos é a solidão, a culpa e a compreensão de que não importa quantos desejos mundanos sejam atendidos, eles nunca nos farão felizes.

Cumprir o nosso papel no plano de Deus para a salvação é a única maneira de sermos felizes. E a felicidade que nós experienciamos ao fazer a Vontade de Deus ensina a todos que suas felicidades, também, não está em construir fantasias maiores e melhores, mas em cumprir a função deles nesse mesmo plano:

A Vontade de Deus para ti é a felicidade perfeita. Por que deverias tu escolher ir contra a Sua Vontade? A parte que Ele guardou para assumires na execução do Seu plano te é dada para que possas ser restaurado àquilo que é a Sua Vontade. Essa parte é tão essencial para o Seu plano quanto para a tua felicidade. A tua alegria tem que ser completa para deixar que o Seu plano seja compreendido por aqueles a quem Ele te envia. Eles verão a sua própria função no teu rosto resplandecente e ouvirão o chamado de Deus por eles no teu riso feliz. (LE-pI.100.2:1-6)

Vamos seguir Aquele Que conhece o caminho

Considerando o que nós temos visto, por que alguns estudantes do Curso são atraídos por ‘O Segredo’? Eu só posso supor que é por causa das razões que me referi no início: semelhanças superficiais com o Curso, vistas através dos óculos escuros de uma cultura que glorifica ‘o ser sem restrições’.

Ainda assim, quando visto sem aqueles óculos, ‘O Segredo’ está tão longe do Curso quanto você pode chegar. Apresenta nada menos do que o plano do ego para a salvação, um plano que diz:

…se alguma circunstância ou evento externo fosse mudado, serias salvo (LE-pI.71.2:2).

Sim, ‘O Segredo’ parece ser sobre mudar de ideia, mas você só muda de ideia como um meio de mudar as circunstâncias externas. Basta comandar o seu gênio para adquirir para você as coisas que você deseja do mundo e você será feliz.

‘O Segredo’ apresenta isso como se fosse um novo paradigma de surpresa agradável. Mas, na verdade, é apenas outra versão do mesmo velho paradigma que governou o mundo desde o início: o paradigma do interesse próprio egocêntrico.

A seguinte citação do Suplemento de Psicoterapia, que fala do objetivo equivocado do paciente para a Psicoterapia, expressa perfeitamente a lógica subjacente de ‘O Segredo’:

O paciente espera aprender como conseguir as mudanças que ele quer sem mudar o seu autoconceito em qualquer medida significativa. Ele espera, de fato, estabilizá-lo suficientemente para incluir dentro dele os poderes mágicos que ele busca na psicoterapia. Ele quer fazer com que o vulnerável venha a ser invulnerável e o finito ilimitado. O ser que ele vê é seu deus, e ele busca apenas servi-lo melhor. (P-2.In.3:3-6)

‘O Segredo’, como uma espécie de ‘terapia’ de autoajuda, se encaixa perfeitamente nessa descrição. Ele diz, efetivamente: ‘Você é um ego autônomo que precisa (e merece!) ter o mundo que propicia para você. Até agora, isso não funcionou muito bem – sua vida tem sido decepcionante, porque o mundo tem sido muito mesquinho. Mas você não tem que mudar aquele autoconceito básico que diz que você é um ego que precisa ser alimentado. Você só precisa acessar o poder mágico do ‘Segredo’. Com este poder, você pode entrar em um mundo que é um ‘campo infinito de possibilidades se desdobrando’ e transformar aquela sua vida insatisfatória e cruelmente limitada em uma gloriosa obra-prima de sua própria criação. Assim, você celebrará e servirá ao deus que é você.’

Como estudantes do Curso, é isso que realmente nós queremos? Por que nos desviar do caminho que nós escolhemos e nos perder em algo que tem uma mensagem central totalmente contrária ao Curso, só porque ela tem raras coisas em comum com o Curso?

Para usar uma analogia intencionalmente exagerada para mostrar o meu ponto, é como assistir a um vídeo de treinamento terrorista da Al-Qaeda porque, como o Curso, ele [o treinamento terrorista] enfatiza a importância de fazer a Vontade de Deus.

Eu sei que esse artigo tem sido um remédio muito forte, então eu quero terminar com uma nota de garantia. Todos nós, incluindo eu mesmo, definitivamente, nos afastamos do caminho do Curso de uma forma ou de outra.

Essa divagação é provavelmente inevitável, dado o intenso investimento que nós temos em nossos egos. Nós podemos nos perder em todos os tipos de atalhos espinhosos. Mas isso é apenas um erro, não um pecado e o Curso nos promete que o erro é temporário.

Sempre nós encontraremos o nosso caminho de volta. Portanto, o meu apelo é simplesmente esse: vamos fazer tudo o que nós pudermos para colocar a nossa confiança no caminho que Jesus nos deu. Vamos afirmar o nosso compromisso com o plano de Deus para a salvação, o único que pode nos fazer felizes. Para ajudar a firmar esse compromisso, eu deixo você com essa oração da Lição 324, que o encorajo a dizer a Deus agora mesmo:

Pai, Tu és Aquele Que me deu o plano para a minha salvação. Tu estabeleceste o caminho que devo seguir, o papel que devo desempenhar e cada passo no curso que me foi designado. Não posso perder o caminho. Posso apenas escolher me desviar por algum tempo e depois voltar. A Tua Voz amorosa sempre me chamará de volta e guiará os meus pés no caminho certo. Todos os meus irmãos podem seguir pelo caminho que lhes indico. Mas eu meramente sigo no caminho para Ti conforme Tu me diriges e queres que eu vá. (LE-pII.324.1:1-7)

Portanto, sigamos Aquele Que conhece o caminho. Não precisamos nos demorar e não podemos nos perder da Sua Mão amorosa, a não ser por um instante. Caminhamos juntos, pois O seguimos. E é Ele Que faz com que o final seja certo e Que garante uma volta segura para casa. (LE-pII.324.2:1-4)”

Problemas e questões com dinheiro em UCEM

Destacamos, do livro “Q&A – Detailed Answers to Student-Generated Questions on the Theory and Practice of A Course in Miracles” – Supervised and Edited by Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D. – Foundation for A Course in Miracles – Publisher [tradução livre: “P&R – Respostas Detalhadas a Questões Geradas por Estudantes sobre a Teoria e a Prática de Um Curso em Milagres” – Supervisionado e Editado por Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D. – Fundação para Um Curso em Milagres – Editora), as principais perguntas e respostas sobre o tema “problemas e questões com dinheiro”, para que nós possamos refletir, à luz dos esclarecimentos didáticos do eminente professor e pesquisador Dr. Wapnick, o que nos ensina o sistema de pensamento de Um Curso em Milagres sobre esse tema.

P #113: Parece que tenho esse problema recorrente de nunca ganhar dinheiro suficiente ou nunca conseguir trabalho suficiente para o meu negócio, especialmente durante esses períodos de recessão, embora eu seja um profissional altamente qualificado. Embora ao longo dos anos de prática do processo de perdão sobre isso, eu agora tenha mais e mais paz quando esse problema ocorre, eu ainda fico irritado e desejo poder me livrar totalmente desse problema e não permitir que ele ocorra novamente. Da perspectiva de Um Curso em Milagres, há mais alguma coisa que eu possa fazer para ‘curar’ esse problema? Olhar para a culpa ou a origem da culpa ajudará de alguma forma? O que você sugere?

R: Nós podemos apenas comentar em geral sobre o tipo de situação que você descreveu, mas mesmo assim isso pode ser de ajuda. Primeiro, o propósito do mundo é ser um lugar onde nós temos uma infinidade de problemas para resolver. É uma cortina de fumaça projetada para esconder o problema real, que é a decisão que nós estamos constantemente fazendo em nossas mentes de viver separadamente, separados de Deus, como indivíduos e de considerar os outros responsáveis ​​por nossa condição.

Não importa de fato se nós somos atormentados por um problema recorrente ou por uma infinidade de problemas. Os problemas surgem em nossas vidas porque nós precisamos que eles estejam lá – obviamente, em um nível inconsciente. Portanto, se nós não estivermos cientes da verdadeira origem de nossos problemas (a decisão em nossas mentes), seria infrutífero esperar por uma vida sem problemas; nós estaríamos apenas lutando contra nós mesmos.

Além disso, parte da estratégia do ego é manter a esperança de que os nossos problemas possam ser resolvidos e que chegará o dia em que nós poderemos viver sem problemas no mundo. O objetivo dessa estratégia é nos manter focados em nossas vidas no mundo, porque isso garante que nunca iremos lembrar que nós somos realmente mentes com a intenção de nos manter separados da unicidade na qual nós fomos criados como Cristo e que isso é apenas um pensamento tolo e equivocado contra o qual nós podemos escolher a qualquer momento.

Segundo, a muito gentil – e prática – abordagem do Curso para uma situação como a que você descreveu é para que nós aprendamos que a paz de Deus está dentro de nós e nunca pode ser afetada por nada que pareça estar acontecendo em nossas vidas. Estar em paz é sempre uma questão de escolha.

Não importa quais sejam as circunstâncias de nossa vida, ainda nós podemos escolher ser pacíficos. Jesus nos pede para tomá-lo como o seu modelo nisso. Em meio a circunstâncias aparentemente muito mais traumáticas, ele disse que não se via como perseguido e, portanto, está nos dizendo que também nós podemos aprender a funcionar dessa forma (T-6.I.5-6).

Tenho tornado perfeitamente claro que eu sou como tu e que és como eu, mas a nossa igualdade fundamental só pode ser demonstrada através de uma decisão conjunta. És livre para perceber a ti mesmo como um perseguido, se assim escolheres. Contudo, quando escolhes reagir desse modo poderias te lembrar que, segundo o julgamento do mundo, eu fui perseguido e não compartilhei dessa avaliação de mim mesmo. E porque não a compartilhei, não a fortaleci. Ofereci, portanto, uma interpretação diferente do ataque, interpretação essa que quero compartilhar contigo. Se acreditares nela, vais me ajudar a ensiná-la. (T-6.I.5:1-6)

Como eu já disse, ‘Assim como ensinas, aprenderás.’ Se reages como se estivesses sendo perseguido, estás ensinando a perseguição. Essa não é uma lição que um Filho de Deus deva querer ensinar se quer realizar a sua própria salvação. Ao invés disso, ensina a tua própria imunidade perfeita que é a verdade em ti, e reconhece que ela não pode ser atacada. Não tentes protegê-la tu mesmo, ou estarás acreditando que ela é atacável. Não te é pedido que sejas crucificado, o que foi parte da minha própria contribuição para o ensino. A ti está sendo pedido meramente que sigas o meu exemplo diante de tentações muito menos extremas de perceber de forma equivocada e que não as aceites como falsas justificativas para a raiva. Não pode haver justificativa para o injustificável. Não acredites que haja e nem ensines que há. Lembra-te sempre de que aquilo em que acreditas tu ensinarás. Acredita comigo e nós viremos a ser iguais como professores. (T-6.I.6:1-11)

Em certo sentido, você está dizendo que é uma vítima dessa situação recorrente em sua vida e todos nós temos situações como essa de uma forma ou de outra. Portanto, a primeira coisa que nós podemos aprender é como ‘desconectar’, nós podemos dizer, o nosso estado interno de situações externas. Não é fácil, mas essa é uma parte essencial do aspecto do treinamento da mente do Curso. É um passo importante no processo de recuperação do poder de nossas mentes, o que o ego nunca gostaria que nós fizéssemos.

Terceiro, quando o que parecem ser situações negativas que continuam se repetindo, é frequente o caso que a pessoa está projetando a sua culpa inconsciente em sua vida pessoal – muitas vezes ela é projetada no corpo, resultando em doença – em uma tentativa de punir a si mesma e afastar o castigo de Deus, que é considerado merecido e inevitável.

Fracasso ou infelicidade recorrentes muitas vezes refletem a crença inconsciente de que, se eu não tiver sucesso ou for infeliz, Deus terá pena de mim e será fácil para mim quando for a minha vez de estar diante Dele e prestar contas de minha vida. Portanto, se essa crença está alojada em nossas mentes, então nós precisamos que haja situações em nossas vidas que irão garantir que nós sejamos malsucedidos e infelizes.

Lutar contra isso seria contraproducente. A solução é óbvia. Como as lições do Livro de Exercícios constantemente nos lembram, nós precisamos ir para dentro e descobrir os pensamentos do ego de pecado, culpa e medo que estão direcionando tudo o que nós fazemos e pensamos como indivíduos e trazer essa escuridão para a luz.

O objetivo do processo, porém, não é ficar livre de problemas em nossas vidas, mas aprender que é a culpa que nós não queremos, porque a dor e a turbulência de nosso problema externo não são nada comparados à dor e ao cativeiro internos de nossa culpa.

Nós não temos de fato que tentar mudar nada; nós precisamos apenas olhar, com o amor de Jesus ao nosso lado, para o como nós constantemente atribuímos a nossa infelicidade e fracasso a algo diferente de nossa própria decisão e então não julgar a nós mesmos por fazer isso.

Esse é um passo gigantesco na direção de finalmente restaurar, um dia em nossas mentes, a paz de Deus que é a nossa verdadeira herança. Quando nós estamos imersos nessa paz e nós sabemos que é a nossa identidade compartilhada, então não faria absolutamente nenhuma diferença se o nosso negócio for bem-sucedido ou não, assim como não fez diferença para Jesus se havia pregos em suas mãos e pés ou não.

Às vezes, a situação externa muda quando nós mudamos de ideia, mas isso não teria mais importância para nós, porque a nossa percepção de nós mesmos e do mundo teria mudado completamente.

P #139: Eu ouvi a sua gravação [do Dr. Wapnick] ‘Forma vs. Conteúdo: Sexo e Dinheiro’. A gravação dizia que você projeta de dentro para fora as suas crenças sobre o dinheiro. Como você descobre exatamente quais são as suas crenças para poder mudá-las?

R: Antes de considerar como você pode identificar as suas crenças sobre o dinheiro, um pequeno esclarecimento da abordagem de Um Curso em Milagres para todos os pensamentos e crenças do nosso ego pode ser útil primeiro. Nós queremos tomar consciência deles para que nós possamos assumir a responsabilidade de escolhê-los, mas não para que nós possamos mudá-los. Isso nos colocaria no comando do processo de Expiação, uma fórmula infalível para o fracasso. O objetivo com o Curso é que nós tornemos os nossos pensamentos inconscientes em conscientes, nós aceitemos a responsabilidade por escolhê-los, nós reconheçamos a que propósito eles servem no esquema do ego e, em seguida, nós os liberemos, junto com a culpa que eles necessariamente acarretam, para a luz curadora do Espírito Santo ou Jesus. Mas nós não necessitamos tentar mudá-los! Pois isso os tornaria reais e envolveria a substituição de uma crença do ego por outra.

O dinheiro é simplesmente uma forma externa ou símbolo no qual projetamos as nossas crenças sobre nós mesmos. Então, quais são as suas atitudes e os seus sentimentos em relação ao dinheiro? A propósito, não há respostas certas ou erradas, boas ou más, para as perguntas que se seguem. Todas as respostas refletirão as crenças básicas do ego sobre você e os outros, de natureza de amor especial ou de ódio especial. No final, nós perceberemos que eles não são nem certos nem errados, bons ou maus, mas simplesmente falsos. Mas primeiro nós temos que olhar para eles, porque nós acreditamos neles e olhar com Jesus ou o Espírito Santo ao nosso lado para que nós possamos olhar abertamente e honestamente.

Você sente que nunca tem o suficiente? Você tem medo de perder o dinheiro que tem? Ter dinheiro faz você se sentir melhor ou mais seguro de si mesmo? Você o guarda como um símbolo de segurança e proteção contra perigos e obstáculos imprevistos? Ou você tende a gastá-lo tão rápido quanto o recebe e está sempre endividado? Você vê o dinheiro como um símbolo de status e sucesso, uma medida de seu mérito? Se você não tem muito dinheiro, você tenta fingir que tem mais? Ou você usa a sua pobreza como um emblema de especialismo? Se você tem muito dinheiro, gosta de exibi-lo? Ou você tenta manter um comportamento discreto sobre isso? Como você se sente ao compartilhar o seu dinheiro com outras pessoas ou doá-lo? Você tem ciúmes ou ressentimentos daqueles que têm mais dinheiro do que você? Como você sente que os seus pais têm sido para você de acordo com dinheiro? Se você está em um relacionamento com outra pessoa que envolve gestão conjunta de dinheiro e recursos, há conflito em relação a distribuí-lo? Qual é a natureza das divergências que você tem e que julgamentos você está fazendo sobre como a outra parte lida com o dinheiro?

Ao refletir sobre as suas respostas a essas e outras questões relacionadas a dinheiro que podem vir à mente, você precisa entrar em contato com os pensamentos, os sentimentos e as crenças subjacentes que eles representam. Podem ser pensamentos e sentimentos de inadequação, escassez, privação, limitação, insegurança, medo, vitimização, irresponsabilidade, vergonha e culpa, orgulho, triunfo, superioridade, generosidade, poder, controle e assim por diante.

O reconhecimento importante que você deseja promover é que esses são sentimentos básicos sobre você mesmo, que nada têm a ver com o dinheiro, ou outras pessoas, ou qualquer coisa do mundo. Essas são as repercussões de ter seriamente considerado o pensamento de separação em sua mente e desejar que ele fosse verdade. Pois o pensamento de separação nada mais é do que o desejo de se separar do amor, incluindo a disposição de atacar e destruir o amor a fim de estabelecer um ser individual. E, nesse processo, nós acreditamos que destruímos o nosso próprio valor. E assim todos os sentimentos de inutilidade que os acompanham, que se tornam dolorosos demais para serem guardados em nossa mente e reconhecidos, são então projetados em um mundo de nossa própria criação, com muitos alvos convenientes e repositórios para esses sentimentos, incluindo o dinheiro. E então esses símbolos externos parecem ser o problema, ao invés do pensamento de separação em nossa mente, através do qual nós desvalorizamos o nosso verdadeiro Ser.

Nesse ponto, o sistema de pensamento do ego está bem protegido do princípio da Expiação do Espírito Santo, que diz que a separação é impossível, exceto em sonhos ilusórios e nada realmente aconteceu para nos privar do amor que nós somos. Mas, uma vez que nós entendemos o propósito do ego para o mundo, incluindo o dinheiro, nós podemos olhar para tudo de forma diferente e saber que é uma janela para a nossa própria mente inconsciente. E agora nós podemos fazer uma escolha diferente, lembrando o nosso verdadeiro Valor como santo Filho de Deus.

P #256: Em meu relacionamento com o meu chefe, eu estou tendo dificuldade em saber a diferença entre a mente certa e a mente errada. Eu tento praticar os princípios de generosidade, tolerância e paciência descritos no Manual de Professores, mas nós temos problemas de comunicação em relação ao meu salário. Os meus ganhos mudam por capricho dele, fazendo-me sentir impotente e mal pago. Eu tenho medo de perder o meu emprego se pedir o que considero realmente merecido. Embora dinheiro não seja tudo para mim, eu li no suplemento Psicoterapia que só um curador não-curado tentaria curar por dinheiro, onde o Espírito Santo pode orientar de outra forma.

Eu pareço estar com medo de tudo e sempre tenho culpa em algum lugar. É esta a dor de um relacionamento especial? Você pode me dizer se eu estou tentando ser bom demais? Eu estou tentando aplicar os princípios de Um Curso em Milagres com o ego, temendo a verdadeira orientação do Espírito Santo? Eu sofro de uma forma inversa de pobreza, que se expressa em falsa generosidade?

R: Ao estudar o Curso, é importante lembrar que ele nos fala em diferentes níveis. Nós estamos aprendendo a desfazer o sistema de pensamento do ego com o qual nós nos identificamos, enquanto nós aprendemos uma maneira inteiramente nova de perceber. Parece que nós temos um pé em dois mundos e isso pode ser muito confuso. A mente errada vê o problema como algo externo à mente, causado por um agente externo, nesse caso o seu chefe. A mente certa reconhece que a causa está na mente e o mundo da forma é o efeito. Não atribui culpa a nenhuma situação fora da mente. Uma maneira fácil de distinguir qual parte da mente foi escolhida é perguntar se você está atribuindo a causa de sua perturbação a algo fora de você. Essa é uma maneira simples de distinguir a mente errada da mente certa. Reconhecer que a causa de qualquer aborrecimento é uma escolha na mente é o começo do pensamento correto. Não é toda a história, mas é um começo.

Uma maneira fácil de distinguir qual parte da mente foi escolhida é perguntar se você está atribuindo a causa de sua perturbação a algo fora de você. Essa é uma maneira simples de distinguir a mente errada da mente certa.

Visto que ainda nós acreditamos que nós somos corpos separados e individuais no mundo, nós temos que lidar com o mundo e os nossos relacionamentos de acordo. Nós continuamos a fazer tudo o que nós devemos fazer para atender às nossas necessidades percebidas no corpo. Não há nada de errado em fazer um acordo com o seu chefe sobre o seu salário.

Você pode ser honesto sobre o que você acha que seria um salário justo e, talvez, solicitar um cronograma de mudanças para que o seu salário não flutue de forma imprevisível, se isso for possível. Isso é muito diferente de qualquer outra coisa que nós fazemos para cuidar do corpo. O Curso de fato não dá nenhuma orientação para o comportamento no nível da forma. Em vez disso, ele nos ensina a expor os pensamentos e julgamentos que nós temos sobre nós mesmos e os outros em nossas mentes, para que a mente possa ser curada. Só então as características de um professor de Deus, descritas no Manual, fluirão naturalmente da mente curada. Elas não devem ser ‘exercitadas’ ou ‘praticadas’ enquanto houver crenças subjacentes que se opõem a elas. A prática do Curso se baseia em encontrar todas as crenças ocultas que estão em operação em seu relacionamento com o seu chefe e com todos os demais. Essas são as crenças na separação, escassez e vitimização que de fato tornam todos os nossos relacionamentos em especiais.

O Curso de fato não dá nenhuma orientação para o comportamento no nível da forma. Em vez disso, ele nos ensina a expor os pensamentos e julgamentos que nós temos sobre nós mesmos e os outros em nossas mentes, para que a mente possa ser curada.

O modo de desfazer o especialismo é expor as crenças, reconhecendo-as e trazendo-as ao Espírito Santo para serem transformadas. Não nos é pedido que pratiquemos qualidades santas que nós não possuímos de fato, como desapego da riqueza material ou outras formas de pensar ‘virtuosas’. Não nos é pedido que sejamos ‘bons’ de forma alguma (aliás, também não se espera que nós saiamos do nosso caminho para o ‘mau’). Nós somos solicitados apenas a olhar para as nossas crenças com a disponibilidade de transformá-las. Isso nem sempre é tão fácil quanto parece, porque nós temos o desejo de mantê-las [as nossas crenças]. Nós somos solicitados a nos conscientizar de nosso apego a essas crenças e do quanto nós não queremos que mudem. Nós nos apegamos a elas, apesar da culpa e da dor que causam. Na verdade, é por causa da culpa e da dor que nós nos apegamos a elas. É a isso que o Curso se refere como atração pela culpa:

A atração doentia pela culpa tem que ser reconhecida pelo que é. Pois  tendo se tornado real para ti é essencial vê-la claramente e, retirando o teu investimento nela, aprender a abandoná-la (T-15.VII.3:1-2).

Essa é a orientação que o Espírito Santo dá. Não há imposição de Seu sistema de pensamento e nenhum comportamento no mundo é exigido. Por trás de todas as preocupações com dinheiro, pobreza e injustiça está o sentimento de carência e privação que vem da crença de que a nossa separação de Deus realmente foi realizada.

Essa é a crença fundamental de que o Espírito Santo está nos convidando a questionar. É a crença que está por trás de todo conflito com o seu chefe. Enquanto você trabalha com o seu chefe para chegar a um acordo sobre o seu salário, você pode aplicar os ensinamentos do Curso em sendo muito receptivo consigo mesmo sobre o que você está sentindo e os pensamentos de julgamento que ocorrem em você. Esses pensamentos e sentimentos representam a escolha de se identificar com o sistema de pensamento do ego na mente, que é onde a cura é necessária.

Quando são trazidos à luz do Espírito Santo, são gradualmente transformados e substituídos por Sua paz. Só então a questão de mais ou menos dinheiro será irrelevante e generosidade, tolerância e necessidade de paciência e honestidade com o seu chefe na busca de um acordo é o melhor lugar para praticar o Curso. Acreditar que o acordo é possível já é um reconhecimento de que, em certa medida, você e o seu chefe não têm interesses separados. E esse é o começo da cura.

P #475: Eu ouço muito sobre o poder do dízimo de 10% do dinheiro ganho como uma forma de desfazer uma consciência de falta ou escassez, especialmente quando parece que não se pode pagar, como um ato de fé que a abundância é minha natural posição. Que pensamentos você pode trazer sobre isso?

R: Do ponto de vista de Um Curso em Milagres, isso é uma confusão de forma e conteúdo, embora não haja nada de errado em dar o dízimo se for isso que você decidir fazer. O foco do Curso está sempre em mudar o conteúdo em nossas mentes, porque essa é a causa de nossos problemas. Assim, um sentimento de escassez, carência ou necessidade vem de nossa culpa por termos rejeitado a nossa verdadeira abundância – a nossa Identidade como parte da Integridade de Deus.

Sem culpa não há escassez. Aqueles que não têm pecado não têm necessidades. (CO-1.II.3:5-6).

Portanto, o desfazer de sentimentos da escassez de Deus não poderia e, portanto, não aconteceu. E essa aceitação é refletida em nossa escolha de ver os nossos interesses como os de todos os outros, o que significa olhar sem julgamentos para as expressões dos opostos em nossas vidas: competitividade, rivalidade, pensamento um ou outro e todas as formas de especialismos que reforçam a nossa sensação de nós estarmos separados uns dos outros. O sacrifício não é necessário, nem é considerado útil de acordo com o Curso.

O sacrifício é uma noção totalmente desconhecida para Deus (T-3.I.4:1), um princípio com o qual as tradições bíblicas e religiosas obviamente discordariam fortemente.

Só tu és capaz de te privar do que quer que seja. Não te oponhas a esse reconhecimento, pois isso é verdadeiramente o princípio da aurora da luz (T-11.IV.4:1-2).

Uma vez que nós mesmos somos responsáveis ​​por nosso sentimento de privação, nós mesmos somos os únicos que podem curar isso, olhando para dentro de nossa decisão de reter o amor e ser separado de Jesus ou do Espírito Santo e então pedir a Sua ajuda para reverter essa decisão por meio da prática do perdão em nossos relacionamentos. Isso é inteiramente uma questão de conteúdo em nossas mentes, não de comportamento. Você pode querer ler os seguintes parágrafos que dizem respeito à escassez e à abundância: T-4.IV.3; T-4.II.6-7.

Quando estás triste, saibas que isso não precisa ser assim. A depressão vem de um senso de estares sendo privado de alguma coisa que queres e não tens. Lembra-te de que não és privado de nada, exceto pelas tuas próprias decisões e então decide de outra forma (T-4.IV.3:1-3).

Só aqueles que têm um senso de abundância real e duradoura podem ser verdadeiramente caridosos. Isso é óbvio quando consideras o que está envolvido. Para o ego, dar qualquer coisa implica em que terás que ficar sem ela. Quando associas dar com sacrifício, só dás porque acreditas que estás de algum modo conseguindo algo melhor e, portanto, podes ficar sem o que estás dando. ‘Dar para receber’ é uma lei do ego da qual não se pode escapar, e ele sempre avalia a si mesmo em relação aos outros egos. Está portanto continuamente preocupado com a crença na escassez que lhe deu origem. Toda a sua percepção dos outros egos como reais é apenas uma tentativa de se convencer de que ele é real. A ‘autoestima’ em termos egóticos não significa nada além de que o ego iludiu a si mesmo a ponto de aceitar a própria realidade e é, portanto, temporariamente menos predatório. Essa ‘autoestima’ é sempre vulnerável à tensão, um termo que se refere à qualquer coisa percebida como ameaça à existência do ego (T-4.II.6:1-9).

O ego vive literalmente por comparações. A igualdade está além do seu alcance e a caridade passa a ser impossível. O ego nunca dá a partir da abundância, porque foi feito como um substituto para ela. É por isso que o conceito de ‘receber’ surgiu no sistema de pensamento do ego. Os apetites são mecanismos para ‘receber’ representando a necessidade do ego de confirmar a si mesmo. Isso é tão verdadeiro dos apetites do corpo quanto das assim chamadas ‘necessidades mais elevadas do ego.’ Na origem, os apetites do corpo não são físicos. O ego considera o corpo como a sua casa e tenta satisfazer-se através do corpo. Mas a ideia de que isso é possível é uma decisão da mente que passou a ser completamente confusa em relação ao que é possível na realidade (T-4.II.7:1-9).

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…continua Parte II…

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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