Com o objetivo de conhecimento e de entendimento sobre o sistema de pensamento de uma Organização Baseada na Espiritualidade (OBE), nós estamos transcrevendo trechos do artigo “Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”], editado por Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer.
A fonte do artigo é o livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1, dos autores acima referenciados.
O Prefácio abaixo explica a razão de ser desse importante artigo para entendimento do passado, presente e futuro do que se tem observado no campo da espiritualidade no ambiente de trabalho.
Artigo:
“Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”]
Editado por:
Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer
Fonte:
Livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1
DE GRUYTER (www.degruyter.com)
Instituto Fetzer (Home – The Fetzer Institute)
Essa obra está licenciada sob a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0. Para mais detalhes, acesse http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0.
Tradução livre Projeto OREM® (PO)
Prefácio
Esse livro é extremamente relevante e oportuno. A fé e a espiritualidade têm sido um aspecto fundamental da experiência humana ao longo dos tempos. No entanto, a forma como são experienciadas e expressas continua a mudar com o passar do tempo. Por exemplo, no contexto dos Estados Unidos (EUA), uma pesquisa recente da Gallup mostra que a participação de Americanos em locais de culto (por exemplo, sinagogas, igrejas ou mesquitas) caiu para 47% – o nível mais baixo nos 80 anos de história da pesquisa e uma queda em relação aos 70% registrados em 1999 (Jones, 2021). Isso representa um declínio constante desde o início do século XXI. Essa tendência é impulsionada por dois fatores: um número maior de adultos que não se identificam com nenhuma religião e um declínio na frequência a igrejas entre aqueles que se identificam com alguma religião. Por trás dessas tendências, existem diferenças populacionais ou geracionais, com as gerações mais jovens expressando menos afiliação religiosa (7% dos tradicionalistas – adultos Americanos nascidos antes de 1946; 13% dos baby boomers (1946-1964); 20% da geração X (1965-1980) e 31% dos millenials (geração Y) (1981-1996)).
Simultaneamente, o Instituto Fetzer apoiou um estudo sobre a espiritualidade Americana que buscou entender melhor o significado da espiritualidade para os Americanos e como ela influencia as suas vidas sociais e ações cívicas (Instituto Fetzer, 2020). O estudo incluiu participantes de diversas afiliações religiosas ou identidades espirituais, incluindo aqueles sem nenhuma. Constatou-se que “a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020). Mais especificamente, 86% das pessoas se consideram espirituais e 68% acreditam que a sua espiritualidade guia as suas ações no mundo. Esses números incluem pessoas que se identificam com alguma tradição religiosa e aquelas que não se identificam.
…“a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020)
O que nós podemos concluir desses dois relatórios aparentemente contraditórios? Eu apresento esses dados como base para a importância e a relevância da espiritualidade no ambiente de trabalho. Para muitos, a espiritualidade no ambiente de trabalho é inadequada. Contudo, como demonstram esses estudos, muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando. Ao mesmo tempo, muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013). De fato, para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores. Além disso, as organizações são frequentemente os mecanismos estruturais pelos quais as sociedades se organizam e alcançam os seus objetivos sociais, econômicos e técnicos mais importantes e complexos. Elas são tanto impulsionadoras quanto representações da vida e dos valores da sociedade. Diante disso, elas permanecem um foco crucial e um potencial impulsionador do crescimento e desenvolvimento pessoal e do florescimento humano.
…muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando.
Reconhecendo tudo isso, no Instituto Fetzer (o Instituto), nós nos esforçamos para viver a nossa missão e os nossos valores criando uma comunidade de ambiente de trabalho espiritualmente fundamentada, que nós chamamos de Community of Freedom (COF) [Comunidade da Liberdade]. A nossa COF é o alicerce espiritual do nosso trabalho para transformar a nós mesmos e a sociedade de maneira autêntica e eficaz.
…muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013).
As maneiras de ser e as práticas individuais e comunitárias expressas por meio da COF – e enraizadas em nossos valores organizacionais essenciais de amor, confiança, autenticidade e inclusão – apoiam o Instituto no cultivo da cultura necessária para concretizar a nossa missão de ajudar a construir a base espiritual para um mundo amoroso. Uma das estruturas que nós utilizamos para nos mantermos firmes em nossa missão e visão são os nossos community of freedom gatherings (COFG) [encontros da comunidade da liberdade]. Os COFGs consistem em encontros semanais de três horas com todos os funcionários – desde os nossos jardineiros e equipe de programas até a nossa equipe e líderes de finanças e tecnologia da informação. Durante os COFGs, nós convidamos facilitadores externos e professores espirituais para nos ajudar a nos envolvermos em exploração espiritual individual e comunitária e na construção da comunidade. Nós também oferecemos sessões ministradas por funcionários e fornecemos espaço e recursos para que os funcionários busquem os seus caminhos pessoais. Exemplos de sessões incluem conjuntos de práticas contemplativas, a ciência do bem-estar, a capacidade de diálogo e o convívio com o luto coletivo. As sessões geralmente incluem componentes didáticos e experienciais, além de oportunidades para discussões em pequenos e grandes grupos, que permitem aos funcionários compartilhar experiências profundas uns com os outros.
…para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores.
Em 2016, o Instituto encomendou um estudo de caso independente para aprender mais sobre os primeiros pontos positivos, desafios e impactos do COFG. Algumas das principais conclusões foram que os funcionários sentiram um aumento na confiança, no moral, na conexão e na capacidade de lidar com dificuldades relacionais a partir do trabalho. O estudo de caso também abordou questões e preocupações dos funcionários sobre o propósito dos COFGs em relação ao nosso trabalho externo, o uso de linguagem inclusiva e a abordagem do COFG e as suas ofertas e como os encontros se traduzem em políticas e práticas organizacionais mais amplas. Algumas dessas questões têm sido respondidas à medida que nós temos aprofundado o nosso trabalho como uma comunidade e outras nós continuamos a investigar e a desenvolver.
O Instituto não só se dedica a cultivar um ambiente de trabalho espiritualmente fundamentado, como também busca aprender com outros que compartilham da mesma visão sobre como cultivar culturas organizacionais que apoiem o desenvolvimento e o florescimento humano; e que permitam às organizações operar a partir de sua visão e valores mais profundos, rumo a um mundo mais amoroso. É esse compromisso que motiva o nosso apoio ao trabalho realizado pela International Association of Management, Spirituality and Religion (IAMSR) [Associação Internacional de Gestão, Espiritualidade e Religião], incluindo esse volume. Aqueles que buscam criar ambientes de trabalho que sejam espaços robustos para o florescimento humano e o mundo que nós desejamos habitar precisam de apoio e companheiros de jornada. Muitos de nós estamos lidando com questionamentos semelhantes sobre os prós e os contras de trazer a espiritualidade para o ambiente de trabalho.
Há muito que nós temos aprendido nos últimos vinte anos de experimentação nessa área e muito mais a aprender. Esse volume oferece algumas das melhores ideias e práticas de líderes de pensamento na área. Que ele sirva de inspiração e alimente a nossa imaginação e esforços coletivos em relação ao que é possível.
Shakiyla Smith, Vice-Presidente de Cultura Organizacional – Instituto Fetzer – 10 de novembro de 2021.
Referências
Fetzer Institute. (September 2020). Study of Spirituality in the United States. Report retrieved from https://spiritualitystudy.fetzer.org/sites/default/files/2020-09/What-Does-Spirituality-Mean To-Us_%20A-Study-of-Spirituality-in-the-United-States.pdf
Jones, J.M. (2021). U.S. Church Membership Falls Below Majority for First Time. Gallup. Retrieved from https://news.gallup.com/poll/341963/church-membership-falls-below-majority-first time.aspx
Kegan. R., Lahey, L. L.(2016). An everyone culture: Becoming a deliberately developmental organization. Harvard Business Review Press.
Neal. J. (2013). Creating enlightened organizations: Four gateways to spirit at work. Palgrave Macmillan.
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—–Continuação da Parte XIII—–
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14 Espiritualidade Pessoal (Ocidental): Revisão da Literatura, Estrutura Conceitual e Agenda de Pesquisa
Autor: Nurit Zaidman
Introdução
O crescente interesse pela “espiritualidade pós-tradicional” no Ocidente tem sido documentado por diversos estudiosos, demonstrando o seu crescimento na França, Grã-Bretanha, Holanda e Suécia (Houtman & Aupers, 2007; Woodhead, 2004). Charles Taylor e outros estudiosos relacionaram-se a isso como uma revolução cultural, indicando que ela “alterou profundamente as condições de crença em nossas sociedades”, moldando os contornos da sociedade como um todo (Taylor, 2007, p. 473; Heelas, 2008). O ponto central dessa revolução cultural é a experiência individual e pessoal. Dentro desse contexto, as principais aspirações são a unidade, a integridade e o holismo. A linguagem dessa nova cultura é repleta de afirmações de harmonia, equilíbrio, fluidez, integração e “estar em unidade” (Taylor, 2007, pp. 506–513; Heelas, 1996; Houtman & Aupers, 2010).
A pesquisa sobre os aspectos culturais e sociológicos da cultura da espiritualidade pessoal (self-spirituality; espiritualidade do eu [ser, self]) tende a se concentrar no debate sobre a orientação de mercado da espiritualidade pessoal (Heelas, 2008; Houtman & Aupers, 2010; Redden, 2016, por exemplo), ou nos aspectos positivos e negativos da espiritualidade no ambiente de trabalho (Watts, 2018a), com uma ênfase excessiva em seu discurso (diálogo, linguagem) (Bell & Taylor, 2003; Gotsis & Kortezi, 2008, por exemplo). Apesar do reconhecimento do crescimento da espiritualidade pessoal (Houtman & Aupers, 2007; Woodhead, 2004; Taylor, 2007; Heelas, 2008), as pesquisas existentes não apresentam uma análise abrangente dessa cultura em sua manifestação nas instituições da sociedade Ocidental: Organizações com fins lucrativos, organizações de saúde pública, escolas públicas, etc. e, principalmente, nos lares dos adeptos. Também tende a retratar uma visão esquemática do valor percebido da espiritualidade pessoal, construída em relação a esses contextos pelos adeptos.
Contudo, algum conhecimento tem sido adquirido sobre a incorporação da espiritualidade pessoal nas organizações. Estudos mostram que os adeptos da espiritualidade pessoal hesitam – ou mesmo temem – revelar o seu envolvimento com ela em seus ambientes de trabalho e que a espiritualidade pessoal tem sido geralmente excluída do domínio público (Islam & Holm, 2016; Mitroff & Denton, 1999; Tejeda, 2015; Zaidman & Goldstein-Gidoni, 2011; Zaidman, 2020). Pesquisas apontaram fatores que explicam a rejeição organizacional, mostrando diferenças nos princípios fundamentais de conhecimento e organização (Karjalainen et al., 2019; Zaidman, 2020). As tensões entre a espiritualidade pessoal e a organização têm sido conceituadas em relação à racionalidade, à igualdade nos relacionamentos e à perspectiva da “pessoa integral”, incluindo a premissa de que todos os aspectos de um indivíduo – incluindo o seu corpo, a sua mente e o seu espírito – devem estar plenamente presentes no trabalho (Zaidman, 2020).
“Estudos mostram que os adeptos da espiritualidade pessoal hesitam – ou mesmo temem – revelar o seu envolvimento com ela em seus ambientes de trabalho e que a espiritualidade pessoal tem sido geralmente excluída do domínio público (Islam & Holm, 2016; Mitroff & Denton, 1999; Tejeda, 2015; Zaidman & Goldstein-Gidoni, 2011; Zaidman, 2020).“
Embora as pesquisas existentes identifiquem esses fatores, há necessidade de maior desenvolvimento teórico desses tópicos, especialmente no que diz respeito ao último, à luz das pesquisas existentes que apontam a legitimidade limitada atribuível ao corpo de uma pessoa dentro de uma organização (Mumby & Putnam, 1992).
Ocasionalmente, adeptos, consultores e outros atores podem agir de acordo com as suas crenças ou práticas, com impacto sobre os seus pacientes, colegas e clientes (Heelas, 2008; Hyland et al., 2015; Boyle & Healy, 2003; Lychnell, 2017). Esses esforços são frequentemente acompanhados por algum grau de tradução (Islam et al., 2017; Zaidman et al., 2009).
De modo geral, as pesquisas existentes ignoram a consideração de características contextuais como fatores que explicam as respostas à espiritualidade pessoal, como o tipo de prática (por exemplo, a atenção plena (mindfulness) é aceita, mas outras práticas são rejeitadas) e as diferenças entre ambientes de trabalho e ocupações em termos dos fatores que facilitam ou dificultam a expressão da espiritualidade pessoal. Da mesma forma, devem ser feitas distinções entre diferentes ambientes de trabalho e ocupações em termos da introdução, divulgação, negociação etc. de diferentes práticas de espiritualidade pessoal por parte dos adeptos e praticantes; e nos modos gerais de implementação das práticas de espiritualidade pessoal nesses contextos.
Além disso, pouco se sabe sobre a incorporação da espiritualidade pessoal no lar. Esse é um aspecto importante, visto que o ambiente doméstico constitui um espaço primordial para os processos de socialização e serve como um importante cenário sociocultural no qual as identidades são articuladas e negociadas (Hirvi, 2016). Contudo, nós não sabemos se e como os adeptos divulgam e expressam a espiritualidade pessoal em casa (no lar) e se e como isso afeta as suas interações com os familiares. Não existe uma base conceitual para avaliar esse fenômeno e não está claro se as teorias existentes sobre a incorporação da espiritualidade pessoal nas organizações podem ser aplicadas ao âmbito doméstico.
Por fim, pouco se sabe sobre as perspectivas dos adeptos e o valor que atribuem à espiritualidade pessoal como experiência vivida no ambiente de trabalho e em casa. Diversos estudos demonstraram que os adeptos da espiritualidade pessoal a percebem como empoderadora; como fonte de autoconfiança, direção e significado; e como uma perspectiva útil a ser adotada no âmbito profissional (por exemplo, Boyle & Healy, 2003; Hedges & Beckford, 2000; Kabat-Zinn, 2003; Mitroff & Denton, 1999; Narayanasamy & Owens, 2001; Zaidman et al., 2018; Zaidman & Goldstein-Gidoni, 2011). Contudo, em geral, esses estudos negligenciam as distinções que devem ser feitas entre essas avaliações, enquanto construídas e experienciadas em contextos específicos. Por exemplo, o valor percebido da espiritualidade pessoal no contexto das interações dos adeptos com os seus filhos.
Esse capítulo propõe uma estrutura conceitual que pode servir de plataforma para futuras pesquisas que avaliem o alcance dessa revolução cultural nas instituições da sociedade Ocidental dominante. A estrutura conceitual baseia-se na literatura sobre religião vivida (por exemplo, Ammerman, 2020; Edgell, 2012; Harvey, 2014; McDannell, 1995) e na literatura qualitativa de campo sobre espiritualidade pessoal. O foco aqui recai sobre os adeptos que não são autônomos e sobre aqueles que vivem com familiares que não são adeptos da espiritualidade pessoal.
“Diversos estudos demonstraram que os adeptos da espiritualidade pessoal a percebem como empoderadora; como fonte de autoconfiança, direção e significado; e como uma perspectiva útil a ser adotada no âmbito profissional (por exemplo, Boyle & Healy, 2003; Hedges & Beckford, 2000; Kabat-Zinn, 2003; Mitroff & Denton, 1999; Narayanasamy & Owens, 2001; Zaidman et al., 2018; Zaidman & Goldstein-Gidoni, 2011).“
O que é Espiritualidade Pessoal?
A espiritualidade pessoal é um fenômeno cultural multifacetado, que incorpora ideias, conceitos e práticas de diversas áreas, incluindo esoterismo, psicologia, filosofia Oriental, medicina complementar e alternativa, religião, feminismo, movimento do potencial humano, movimento ecológico e Neopaganismo (Hanegraaff, 1998). Apesar da diversidade de perspectivas, estudiosos identificaram várias dimensões centrais e inter-relacionadas da espiritualidade pessoal. A primeira é a transcendência do eu [ser, self], ou seja, a crença de que se está conectado a outras pessoas, ideias, à natureza ou a algum tipo de “poder superior” (Ashforth & Pratt, 2003).
Intimamente ligada a isso está a ênfase na individualidade autêntica (authentic selfhood; o “ser verdadeiro”, fiel a si mesmo) e na sabedoria interior, bem como na conexão com essas profundezas internas (Sointu & Woodhead, 2008; Flere & Kirbiš, 2009; Houtman & Aupers, 2007). Em segundo lugar, as pessoas que abraçam a espiritualidade pessoal tendem a estar comprometidas com uma visão de uma individualidade autêntica na relação com o outro [o outro, a natureza, a sociedade, o transcendente]. Essa relacionalidade é concebida como fundamentalmente de pequena escala e igualitária em sua perspectiva (Sointu & Woodhead, 2008). A terceira dimensão abrangente é o holismo e a harmonia, ou seja, a integração de diferentes aspectos do eu [ser, self] em uma concepção coerente e simbiótica do próprio eu [ser, self] (Ashforth & Pratt, 2003; Flere & Kirbiš, 2009). Essa dimensão inclui um foco no corpo (Sointu & Woodhead, 2008). A quarta dimensão é a crença no crescimento pessoal: uma noção clara do que se busca se tornar e do que é necessário fazer para alcançar a autorrealização (Ashforth & Pratt, 2003).
“A espiritualidade pessoal é um fenômeno cultural multifacetado, que incorpora ideias, conceitos e práticas de diversas áreas, incluindo esoterismo, psicologia, filosofia Oriental, medicina complementar e alternativa, religião, feminismo, movimento do potencial humano, movimento ecológico e Neopaganismo (Hanegraaff, 1998).“
A Estrutura Conceitual
A estrutura baseia-se em pesquisas qualitativas existentes que se concentram na incorporação da espiritualidade pessoal nas organizações, incluindo teorias de tradução, sabedoria organizacional, poder na organização, ética e aspectos das relações de gênero no ambiente de trabalho (conforme pesquisado abaixo). A essa pesquisa, eu proponho adicionar insights da pesquisa sobre religião vivida, com o seu foco nas práticas das pessoas conforme contextualizadas no espaço e no tempo (Edgell, 2012; Harvey, 2014; Neitz, 2011). A primeira parte da estrutura conceitual trata do entendimento das perspectivas dos participantes sobre o valor da espiritualidade pessoal. A segunda parte apresenta diversas “práticas sociais” com base nas quais se pode aprender sobre os aspectos interacionais da espiritualidade pessoal em contextos, a saber, relacionamentos, corporeidade, materialidade, ética (Ammerman, 2020; Edgell, 2012; Harvey, 2014) e linguagem (Zaidman et al., 2018). A terceira parte relaciona-se com as formas como os adeptos aplicam a sua espiritualidade pessoal ao tentar demonstrá-la e com os modos de incorporação da espiritualidade pessoal nos locais de trabalho e em casa (no lar) dos participantes. Considera as características contextuais que ditam se e como os aspetos da espiritualidade pessoal podem ser colocados em prática, incluindo questões de poder e gênero (Ammerman, 2020; Zaidman, 2020).
A. Experiência Subjetiva dos Adeptos de Espiritualidade Pessoal em Contextos Específicos
O foco aqui está nas seguintes questões: Como os adeptos percebem a espiritualidade pessoal e qual o significado que lhe atribuem? Como eles experienciam a espiritualidade pessoal no contexto do trabalho e em casa (no lar)? Embora diversos estudos tenham elucidado vários aspectos funcionais da espiritualidade pessoal para os adeptos (por exemplo, Boyle & Healy, 2003; Hedges & Beckford, 2000; Mitroff & Denton, 1999; Narayanasamy & Owens, 2001; Zaidman et al., 2018), há uma necessidade de contextualizar esse conhecimento e de estar ciente de sua problematização (por exemplo, Watts, 2018b).
B. Aspectos da Prática Social da Espiritualidade Pessoal
Guiado por Ammerman (2020) e baseado na religião vivida e na pesquisa sobre espiritualidade pessoal, eu apresento abaixo cinco aspectos da prática social interacional da espiritualidade pessoal.
A Incorporação da Espiritualidade Pessoal
O foco no corpo é entendido como o ponto de acesso à individualidade única e como uma parte integrante da visão holística da pessoa (Ashforth & Pratt, 2003; Sointu & Woodhead, 2008). Essa perspectiva se reflete em diversas práticas nas quais adeptos e praticantes se relacionam com o corpo, incluindo yoga, reiki e meditação. Essa última tem atraído muito interesse e há uma crescente pesquisa sobre os benefícios da atenção plena (mindfulness) no ambiente de trabalho (Hyland et al., 2015). No entanto, poucas pesquisas abordam o envolvimento de outras práticas de espiritualidade pessoal orientadas para o corpo no ambiente de trabalho. Uma exceção é o estudo de Van Otterloo, Aupers e Houtman (2012) sobre profissionais da Holanda que experienciam sentimentos de estresse, alienação e crises pessoais, provocados pela negação de práticas de espiritualidade pessoal em suas organizações de assistência social, levando vários deles a deixarem as suas organizações. Outro exemplo é o estudo de Lychnell (2017), que descreveu como os participantes aplicam o conhecimento espiritual extraído de um programa de meditação baseado no Budismo ao enfrentarem situações difíceis no trabalho, contribuindo para o surgimento de diversas perspectivas para situações desafiadoras no ambiente de trabalho. Sugere-se explorar mais a fundo quais práticas corporais, ou da conexão mente-corpo, os adeptos e praticantes experienciam, constroem, aplicam etc. no contexto do ambiente de trabalho e em casa (no lar) e como. (A discussão sobre medicina complementar ou alternativa está excluída desta estrutura, pois não se alinha completamente aos princípios da espiritualidade pessoal conforme definidos aqui).
A Materialidade da Espiritualidade Pessoal: Espaços e Objetos
A materialidade da vida religiosa existe tanto dentro de contextos oficialmente religiosos quanto fora deles, em objetos e em espaços. Essa observação recentemente deslocou o foco da pesquisa para examinar como as pessoas comuns usam objetos materiais em sua vida religiosa ou espiritual no ambiente de trabalho, em casa, na escola, etc. (Ammerman, 2020; McDannell, 1995).
Quanto à cultura da espiritualidade pessoal, Zaidman (2007) mostra como as lojas da Nova Era se tornam uma “igreja”, denotando o arranjo singular de espaço e objetos, incluindo a criação de fronteiras entre o sagrado e o profano. Embora esse estudo descreva a loja da Nova Era como um santuário, pouco se sabe sobre a materialidade da espiritualidade pessoal nos ambientes de trabalho dos adeptos. A pesquisa sobre a personalização do espaço no ambiente de trabalho, incluindo aspectos relacionados à identificação e ao vínculo do funcionário (Ashkanasy et al., 2014), pode ser aplicada para elucidar dados sobre o uso de objetos materiais por adeptos da espiritualidade pessoal, ou a ausência desse uso.
Até onde eu sei, as pesquisas existentes negligenciam o estudo do uso de objetos materiais por adeptos da espiritualidade pessoal em casa. Pesquisas sobre a materialidade da religião em casa podem servir de base para uma investigação sobre esse tema. Por exemplo, existem estudos que se concentram no altar doméstico, descrevendo a sua importância para a família e apontando diferenças de gênero em sua manutenção (Andrews, 2019; Thanissaro, 2018). Em outro estudo, Eshaghi (2015) analisa fotografias de peregrinações, argumentando que elas têm a capacidade de estender o tempo sagrado experienciado durante a peregrinação para o tempo comum da vida cotidiana.
Relacionamentos
De acordo com Harvey (2014, p. 2), “Entender a religião como vida cotidiana… é que a religião tem tudo a ver com os relacionamentos que constituem, formam e dão vida às pessoas nas atividades cotidianas desse mundo material”. Diversos estudos lançam luz sobre a igualdade e a transposição de fronteiras na comunicação profissional dos adeptos. Constatou-se que as expressões igualitárias de relacionamentos promovidas por consultores em organizações com fins lucrativos e por profissionais de assistência espiritual em organizações de saúde pública foram percebidas como uma ameaça à ordem social vigente (Zaidman & Goldstein Gidoni, 2011; Zaidman, 2017). Os resultados de outro estudo mostram que os vendedores em lojas da Nova Era assumem diversos papéis que vão além da mera troca econômica, como o de conselheiros (Zaidman, 2007). Por outro lado, em um estudo realizado em escolas públicas, constatou-se que a implementação de programas de espiritualidade pessoal envolvia a aceitação da hierarquia social entre o instrutor e os alunos em cada turma (Zaidman & Goldstein-Gidoni, 2021). Esses resultados aparentemente contraditórios necessitam ser investigados mais a fundo.
Ética da Espiritualidade Pessoal
Referimo-nos à ética como os princípios morais que regem o comportamento de uma pessoa na condução de uma atividade. No âmbito organizacional, diversos estudos refletem sobre a ética dos profissionais ao introduzirem, traduzirem ou incorporarem a espiritualidade pessoal nas organizações. Islam, Holm e Karjalainen (2017) argumentam que o conceito de mindfulness (atenção plena) pode ser lido como um “significante vazio” em relação à sua capacidade de codificar e conter uma gama de contradições sociais. Eles demonstram como, no decorrer de programas de mindfulness, essas oposições são enquadradas de forma a se alinharem com as perspectivas gerenciais dominantes. De forma semelhante, Zaidman e Goldstein-Gidoni (2021) descobriram que, ao introduzir a espiritualidade pessoal em escolas públicas, os mediadores utilizam práticas de espiritualidade pessoal para evocar significados diversos (por vezes contraditórios). Além disso, constatou-se que, tanto em escolas públicas quanto em organizações com fins lucrativos, os intermediários aplicam táticas incrementais específicas, como a divulgação progressiva de certos conteúdos de espiritualidade pessoal (Karjalainen et al., 2019; Islam & Holm, 2016; Zaidman et al., 2009), camuflagem (Zaidman et al., 2009) e ocultação (Zaidman et al., 2009).
“Referimo-nos à ética como os princípios morais que regem o comportamento de uma pessoa na condução de uma atividade.“
Mais pesquisas são necessárias para entender como a ética da espiritualidade pessoal é vivenciada pelos indivíduos. Um exemplo raro é o estudo de Watts (2018b) sobre a ética da espiritualidade pessoal e as maneiras como ela é praticada por um Canadense que se identifica como espiritual, mas não religioso. Vários princípios éticos foram identificados, como a “ética da autorresponsabilidade”, ou seja, o princípio de que os indivíduos devem assumir a responsabilidade por si mesmos; a autoridade do eu [ser, self], com foco nas experiências acumuladas, sentimentos etc.; e a ética da produtividade, ou seja, o envolvimento em um processo constante de trabalho pessoal com o objetivo de alcançar o “crescimento”.
Linguagem da Espiritualidade Pessoal
A linguagem é a base da nossa comunicação com os outros. Resultados preliminares de um estudo piloto realizado para esse capítulo, a partir do projeto piloto desse projeto, mostram que a principal prática que as mulheres aplicam em casa é a linguagem da espiritualidade pessoal e que elas são mais abertas em comunicar essa linguagem com os seus filhos do que com os seus cônjuges. Apenas um estudo examinou a incorporação da linguagem da espiritualidade pessoal em organizações. Ele examinou as diferenças de gênero na forma como adeptos de dois países aplicam a linguagem da espiritualidade pessoal no ambiente de trabalho (Zaidman et al., 2018). Com base nessa pesquisa, parece que, ao invés de usar pesquisas sobre espiritualidade pessoal baseadas em categorias éticas, uma pesquisa baseada em categorias êmicas da linguagem da espiritualidade pessoal pode ser uma ferramenta de pesquisa útil para avaliar quem fala essa linguagem, onde, com quem e em que ocasiões. Tal conhecimento pode servir como um indicador da prática dessa cultura (Zaidman et al., 2018).
C. A Prática da Espiritualidade Pessoal em Contextos
Em geral (excluindo mindfulness), as pesquisas existentes sobre a prática da espiritualidade pessoal no ambiente de trabalho indicam que ela é marginalizada e rejeitada (Zaidman, 2020). Com base nesses dados, são apresentadas três subseções: Condições que determinam a revelação da espiritualidade pessoal; O Processo, ou seja, as ações que os adeptos realizam; e os Modos Gerais de incorporação da espiritualidade pessoal. Quanto à prática da espiritualidade pessoal em casa, como não há pesquisas sobre esse tema, diversos estudos sobre religião em casa são discutidos como uma possível plataforma conceitual.
Ambiente de Trabalho
Condições que Determinam a Revelação da Espiritualidade Pessoal
Um estudo demonstra que a dependência de um paramédico em recursos espirituais para equilibrar as suas emoções durante o trabalho frequentemente dependia da qualidade do relacionamento com um parceiro(a) de trabalho e da orientação espiritual desse(a) colega (Boyle & Healy, 2003). Mais pesquisas são necessárias nessa área.
O Processo: As Ações que os Indivíduos Tomam
Em geral, as pesquisas existentes identificam dois métodos principais que os indivíduos (praticantes e adeptos) aplicam quando introduzem, expõem ou implementam práticas de espiritualidade pessoal em organizações. O primeiro é a tradução. Pesquisas existentes mostram que, em escolas públicas e organizações com fins lucrativos, a espiritualidade pessoal é frequentemente traduzida como uma técnica para atingir objetivos orientados ao lucro, bem como uma ferramenta para melhorar e aumentar a competitividade, a eficácia e a produtividade organizacional (Islam & Holm, 2016; Islam et al., 2017; Karjalainen et al., 2019; Zaidman et al., 2009; Zaidman & Goldstein Gidoni, 2021). O processo geralmente envolve reivindicar uma base em evidências empíricas e teoria científica como uma forma de autoridade especializada (Karjalainen et al., 2019).
O segundo método consiste em fazer escolhas calculadas sobre qual aspecto da prática de espiritualidade pessoal expor, quando e para quem. Constatou-se que mulheres empregadas em diversas organizações relataram usar linguagem espiritual durante os intervalos para o café (mas não durante o horário de trabalho oficial); com os seus colegas (mas não com os seus superiores); com outras mulheres (mas não com homens); e com amigas próximas no trabalho (mas não com outras colegas) (Zaidman et al., 2018).
De um modo geral, a discussão sobre a tradução da espiritualidade pessoal nas organizações está descontextualizada e a pesquisa sobre as ações que os indivíduos tomam carece de referência a questões de poder, influência política e gênero.
Modos de Incorporação
Com base em pesquisas existentes, Zaidman (2020) propõe uma classificação de gênero com três modos de incorporação da espiritualidade pessoal na organização. A classificação considera o valor da espiritualidade pessoal no trabalho, a sua tradução e o seu impacto no domínio público da organização. O modo de incorporação masculino domesticado parece se alinhar com o domínio público da organização. O modo de incorporação da espiritualidade pessoal “intrínseco-feminino” descreve uma situação em que a espiritualidade pessoal é experienciada como sabedoria individual. O modo de incorporação da espiritualidade pessoal “contextualizado-feminino” relaciona-se a situações que exigem equilibrar o ocultamento e a exposição das escolhas dos adeptos. Pode-se examinar se essa classificação, ou uma variação dela, pode ser aplicada a dados relacionados às maneiras pelas quais a espiritualidade pessoal é incorporada pelos adeptos em casa.
A pesquisa também aborda a incorporação da espiritualidade pessoal em organizações, enquanto adeptos e praticantes criam limites de tempo e espaço. Por exemplo, profissionais de assistência espiritual se encontravam com pacientes em locais e horários não convencionais. Eles “viajavam” com os pacientes para lugares e tempos imaginários. Dessa forma, conseguiam trabalhar com os pacientes criando uma “bolha”, dissociada da cultura organizacional externa (Zaidman, 2017). Outro exemplo é o de uma gerente de uma loja de cosméticos que criou um território isolado no qual os funcionários aceitavam essa linguagem, mas não os seus gerentes e fornecedores (Zaidman et al., 2018). Pesquisas futuras devem considerar os modos de incorporação da espiritualidade pessoal em relação a ambientes de trabalho e ocupações
Em casa (no lar)
O espaço doméstico constitui um local primordial para o processo de socialização. Ele proporciona um importante cenário sociocultural no qual as identidades são articuladas e negociadas em relação ao ambiente cultural e material circundante e em diálogo ativo com ele. Ao mesmo tempo, o lar também é um dos contextos diários em que as pessoas não apenas mantêm, mas também desafiam, negociam e modificam tradições culturais, linguísticas e religiosas (Hirvi, 2016). Assim, de acordo com Dollahite, Marks e Dalton (2018), o lar é um lugar onde as práticas religiosas podem promover harmonia ou tensão. Os autores se referem a uma série de ideias e práticas centrais que, quando experienciadas em famílias, resultam em inconsistências e tensões inerentes. Por exemplo, se os membros da família divergem sobre a importância relativa da experiência transcendente ou mundana, pode surgir conflito.
Esse pode ser o caso de adeptos da espiritualidade pessoal que podem experienciar a transcendência enquanto os seus familiares não compartilham da mesma experiência. Da mesma forma, as escolhas feitas sobre permitir ou não a entrada na vida pessoal e familiar de diversas ideias, imagens e práticas que podem dividir ou harmonizar os membros da família são relevantes (Dollahite et al., 2018). Pode-se estudar não apenas se esses aspectos da espiritualidade pessoal ajudam ou prejudicam as famílias (como fazem Dollahite et al., 2018), mas também a variedade de consequências para os adeptos e os seus familiares no cotidiano.
Pesquisas futuras podem examinar se os adeptos necessitam negociar ou aplicar comportamentos específicos (tais como tradução) ao tentar praticar a espiritualidade pessoal em casa.


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—–Continua Parte XV—–
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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.
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