Com o objetivo de conhecimento e de entendimento sobre o sistema de pensamento de uma Organização Baseada na Espiritualidade (OBE), nós estamos transcrevendo trechos do artigo “Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”], editado por Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer.

A fonte do artigo é o livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1, dos autores acima referenciados.

O Prefácio abaixo explica a razão de ser desse importante artigo para entendimento do passado, presente e futuro do que se tem observado no campo da espiritualidade no ambiente de trabalho.

Artigo:

“Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”]

Editado por:

Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer

Fonte:

Livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1

DE GRUYTER (www.degruyter.com)

Instituto Fetzer (Home – The Fetzer Institute)

Essa obra está licenciada sob a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0. Para mais detalhes, acesse http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0.

Tradução livre Projeto OREM® (PO)

Prefácio

Esse livro é extremamente relevante e oportuno. A e a espiritualidade têm sido um aspecto fundamental da experiência humana ao longo dos tempos. No entanto, a forma como são experienciadas e expressas continua a mudar com o passar do tempo. Por exemplo, no contexto dos Estados Unidos (EUA), uma pesquisa recente da Gallup mostra que a participação de Americanos em locais de culto (por exemplo, sinagogas, igrejas ou mesquitas) caiu para 47% – o nível mais baixo nos 80 anos de história da pesquisa e uma queda em relação aos 70% registrados em 1999 (Jones, 2021). Isso representa um declínio constante desde o início do século XXI. Essa tendência é impulsionada por dois fatores: um número maior de adultos que não se identificam com nenhuma religião e um declínio na frequência a igrejas entre aqueles que se identificam com alguma religião. Por trás dessas tendências, existem diferenças populacionais ou geracionais, com as gerações mais jovens expressando menos afiliação religiosa (7% dos tradicionalistas – adultos Americanos nascidos antes de 1946; 13% dos baby boomers (1946-1964); 20% da geração X (1965-1980) e 31% dos millenials (geração Y) (1981-1996)).

Simultaneamente, o Instituto Fetzer apoiou um estudo sobre a espiritualidade Americana que buscou entender melhor o significado da espiritualidade para os Americanos e como ela influencia as suas vidas sociais e ações cívicas (Instituto Fetzer, 2020). O estudo incluiu participantes de diversas afiliações religiosas ou identidades espirituais, incluindo aqueles sem nenhuma. Constatou-se que “a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020). Mais especificamente, 86% das pessoas se consideram espirituais e 68% acreditam que a sua espiritualidade guia as suas ações no mundo. Esses números incluem pessoas que se identificam com alguma tradição religiosa e aquelas que não se identificam.

…“a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020)

O que nós podemos concluir desses dois relatórios aparentemente contraditórios? Eu apresento esses dados como base para a importância e a relevância da espiritualidade no ambiente de trabalho. Para muitos, a espiritualidade no ambiente de trabalho é inadequada. Contudo, como demonstram esses estudos, muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando. Ao mesmo tempo, muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013). De fato, para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores. Além disso, as organizações são frequentemente os mecanismos estruturais pelos quais as sociedades se organizam e alcançam os seus objetivos sociais, econômicos e técnicos mais importantes e complexos. Elas são tanto impulsionadoras quanto representações da vida e dos valores da sociedade. Diante disso, elas permanecem um foco crucial e um potencial impulsionador do crescimento e desenvolvimento pessoal e do florescimento humano.

muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando.

Reconhecendo tudo isso, no Instituto Fetzer (o Instituto), nós nos esforçamos para viver a nossa missão e os nossos valores criando uma comunidade de ambiente de trabalho espiritualmente fundamentada, que nós chamamos de Community of Freedom (COF) [Comunidade da Liberdade]. A nossa COF é o alicerce espiritual do nosso trabalho para transformar a nós mesmos e a sociedade de maneira autêntica e eficaz.

muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013).

As maneiras de ser e as práticas individuais e comunitárias expressas por meio da COF – e enraizadas em nossos valores organizacionais essenciais de amor, confiança, autenticidade e inclusão – apoiam o Instituto no cultivo da cultura necessária para concretizar a nossa missão de ajudar a construir a base espiritual para um mundo amoroso. Uma das estruturas que nós utilizamos para nos mantermos firmes em nossa missão e visão são os nossos community of freedom gatherings (COFG) [encontros da comunidade da liberdade]. Os COFGs consistem em encontros semanais de três horas com todos os funcionários – desde os nossos jardineiros e equipe de programas até a nossa equipe e líderes de finanças e tecnologia da informação. Durante os COFGs, nós convidamos facilitadores externos e professores espirituais para nos ajudar a nos envolvermos em exploração espiritual individual e comunitária e na construção da comunidade. Nós também oferecemos sessões ministradas por funcionários e fornecemos espaço e recursos para que os funcionários busquem os seus caminhos pessoais. Exemplos de sessões incluem conjuntos de práticas contemplativas, a ciência do bem-estar, a capacidade de diálogo e o convívio com o luto coletivo. As sessões geralmente incluem componentes didáticos e experienciais, além de oportunidades para discussões em pequenos e grandes grupos, que permitem aos funcionários compartilhar experiências profundas uns com os outros.

para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores.

Em 2016, o Instituto encomendou um estudo de caso independente para aprender mais sobre os primeiros pontos positivos, desafios e impactos do COFG. Algumas das principais conclusões foram que os funcionários sentiram um aumento na confiança, no moral, na conexão e na capacidade de lidar com dificuldades relacionais a partir do trabalho. O estudo de caso também abordou questões e preocupações dos funcionários sobre o propósito dos COFGs em relação ao nosso trabalho externo, o uso de linguagem inclusiva e a abordagem do COFG e as suas ofertas e como os encontros se traduzem em políticas e práticas organizacionais mais amplas. Algumas dessas questões têm sido respondidas à medida que nós temos aprofundado o nosso trabalho como uma comunidade e outras nós continuamos a investigar e a desenvolver.

O Instituto não só se dedica a cultivar um ambiente de trabalho espiritualmente fundamentado, como também busca aprender com outros que compartilham da mesma visão sobre como cultivar culturas organizacionais que apoiem o desenvolvimento e o florescimento humano; e que permitam às organizações operar a partir de sua visão e valores mais profundos, rumo a um mundo mais amoroso. É esse compromisso que motiva o nosso apoio ao trabalho realizado pela International Association of Management, Spirituality and Religion (IAMSR) [Associação Internacional de Gestão, Espiritualidade e Religião], incluindo esse volume. Aqueles que buscam criar ambientes de trabalho que sejam espaços robustos para o florescimento humano e o mundo que nós desejamos habitar precisam de apoio e companheiros de jornada. Muitos de nós estamos lidando com questionamentos semelhantes sobre os prós e os contras de trazer a espiritualidade para o ambiente de trabalho.

Há muito que nós temos aprendido nos últimos vinte anos de experimentação nessa área e muito mais a aprender. Esse volume oferece algumas das melhores ideias e práticas de líderes de pensamento na área. Que ele sirva de inspiração e alimente a nossa imaginação e esforços coletivos em relação ao que é possível.

Shakiyla Smith, Vice-Presidente de Cultura Organizacional – Instituto Fetzer – 10 de novembro de 2021.

Referências

Fetzer Institute. (September 2020). Study of Spirituality in the United States. Report retrieved from https://spiritualitystudy.fetzer.org/sites/default/files/2020-09/What-Does-Spirituality-Mean To-Us_%20A-Study-of-Spirituality-in-the-United-States.pdf  

Jones, J.M. (2021). U.S. Church Membership Falls Below Majority for First Time. Gallup. Retrieved from https://news.gallup.com/poll/341963/church-membership-falls-below-majority-first time.aspx

Kegan. R., Lahey, L. L.(2016). An everyone culture: Becoming a deliberately developmental organization. Harvard Business Review Press.

Neal. J. (2013). Creating enlightened organizations: Four gateways to spirit at work. Palgrave Macmillan.

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—–Continuação da Parte XV—–

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16 Narrativa da Espiritualidade da Natureza: Uma Jornada Autoetnográfica de Redescoberta

Autor: David M. Boje

Introdução

Qual o papel da narrativa da espiritualidade da Natureza na sustentabilidade das terras públicas? Muitas vezes, a nossa espiritualidade se desvincula da vitalidade da Natureza, de como até mesmo as rochas, as árvores e as mudas são espirituais. Muitas vezes, eu esqueço que eu não estou na Natureza, eu sou a Natureza. A Natureza se separa de nós e, desprovida de espírito, torna-se um recurso material calculável, uma coisa sem vida. Não são apenas as organizações que abusam da Natureza. Essa é uma jornada autoetnográfica de redescoberta do meu eu [ser, self] espiritual, da minha história viva (Bøje, 2005, 2012). É fácil deixar o ego assumir o controle e simplesmente seguir em frente. Nesse caso, há grupos de vizinhos praticando descarte ilegal de lixo, incendiando árvores e arbustos, apenas por diversão. Como alguém que ama a natureza, é difícil oferecer amor e perdão.

Essa combinação da Natureza desprovida de espírito pela maioria das organizações governamentais e por alguns (mas não a maioria) vizinhos que tratam as terras públicas como um depósito de lixo gratuito levou à tragédia dos comuns (tragédia dos bens comuns). A vitalidade da Natureza tem sido marginalizada, a sua espiritualidade não levada a sério. Como eu posso me reconectar com a espiritualidade da Natureza? A minha abordagem é um retorno aos ‘Indigenous Ways Of Knowing’ (IWOK) [‘Modos Indígenas de Conhecimento’] que podem inspirar mudanças nos ‘Western Ways Of Knowing’ (WWOK) [“Modos Ocidentais de Conhecimento”]. Dessa forma, as árvores, as rochas, a água, os micróbios invisíveis a olho nu, têm a sua Natureza espiritual viva. Eu quero descobrir se uma abordagem espiritual às terras públicas, o seu solo, a sua água, a sua vegetação e a sua vitalidade coletiva pode fazer alguma diferença para as multidões. Esse é um estudo de caso, uma autoetnografia dos meus encontros espirituais com o abuso de terras públicas e do meu aprendizado em ouvir a voz da Mãe Natureza, a sua vitalidade espiritual e a minha responsabilidade ética de deixá-la cuidar do seu ar, da sua água, da sua terra e do seu fogo.

Prólogo

Às vezes, eu escuto (listen), mas eu não ouço (hear). Isso torna mais difícil ouvir a Natureza. Por exemplo, em 1995, Grace Ann Rosile me levou para conhecer um Monge Jainista. Ele me deu um nome Jainista, “Arihant”, dado pelo Gurudev Shree Chitrabhanu (1978, 1979a, 1979b, 1980). Eu perguntei: “O que isso significa?” Ele respondeu e eu anotei em meu caderno assim: “Você é o conquistador de seus inimigos internos. Medite sobre isso diariamente.” Eu fiz isso por dez anos, depois eu voltei, cansado e exausto e pedi um novo nome. Ele perguntou o que eu estava fazendo. Eu lhe disse: “Todas as manhãs eu medito sobre os meus inimigos internos e como conquistar cada um deles. Eu tenho tantos inimigos, eu quero um novo nome.” Ele me disse: “Arihant significa que você não tem inimigos, todos são seus amigos.” Por que houve esse mal-entendido? Eu fui programado com uma mente acadêmica, um ‘Western Way of Knowing’ (WWOK) [‘Modo Ocidental de Conhecimento’] e ainda estava sob o domínio dessa programação. Cada pensamento que eu absorvi durante a minha infância carregava mil energias vibrantes da cultura, sociedade, educação, política, mídia e capitalismo do WWOK. A meditação diária estava me ajudando não apenas a ouvir (hear), mas a realmente escutar (listen) uma voz espiritual.

Às vezes, eu escuto (listen), mas eu não ouço (hear). Isso torna mais difícil ouvir a Natureza.

Eu continuo aprendendo a diferença entre o meu escutar (listening) e o meu ouvir (hearing). Em agosto de 2020, após uma Busca da Visão (Vision Quest) nas Montanhas Organ, no Novo México, Mike Three Bears (por Zoom, devido à pandemia) me deu o nome “Rendição ao Espírito”. Novamente, eu interpretei meu nome incorretamente, anotando “Sacrifícios ao Espírito” em meu caderno. Eu estou me acostumando com essa nova resposta. Para ‘quem eu sou?’, ‘Rendição ao Espírito’ é quem eu sou em minha própria história de vida e em minhas sessões diárias de meditação com tambor Xamânico. Só agora eu estou ouvindo o nome, buscando o seu significado.

Nenhuma Boa Ação Fica Impune

Eu comecei a notar esse ano, depois do Vision Quest 2020, que eu fui acusado por adolescentes e alguns jovens adultos locais de ser um velho ranzinza. Tudo o que eu fazia era recolher lixo, tentando manter o lago efêmero, localizado em terras públicas, habitável para a vida aquática sazonal. Eu recolhia todo o lixo: garrafas de cerveja quebradas, cartuchos de espingarda, garrafas de água de plástico e até fraldas e máscaras de COVID-19. Uma bagunça nojenta, um tanto perigosa até mesmo se aventurar no lago. Os adolescentes e alguns adultos, com a pandemia, intensificaram a situação. Eles estavam queimando pneus, paletes e móveis velhos.

Eu fotografei a bagunça em minhas caminhadas matinais. Eu queria ajudar a Mãe Natureza. Vocês verão, conforme eu desdobro e apresento o caso, que talvez a Mãe Natureza possa cuidar de si mesma. Eu estava removendo os montes de lixo queimado. Eu pensei que os incêndios tivessem se apagado. Mas pá após pá de areia ia sendo jogada na carroceria da nossa caminhonete e às vezes pegava fogo e eu apagava com mais uma pá de areia, repetidas vezes. O que eu aprendi foi que eu tinha me tornado um cúmplice intrometido e não estava ajudando em nada os adolescentes a fazerem o que eu tinha feito na idade deles: uma festa regada a álcool no meio do mato. Eu sempre recolhia tudo depois, mas foi assim que o meu pai me ensinou. Como vocês verão, eu não estava ajudando a Mãe Natureza e para entender a espiritualidade da Natureza, eu precisava aprender qual era o meu papel.

Eu me vi recolhendo o lixo, carregando colchões, pneus e móveis quebrados descartados ilegalmente para o aterro sanitário. Eu cheguei a construir uma estufa ecológica com os pneus e algumas composteiras com alguns paletes. Mas a quantidade de lixo descartado semana após semana era insuportável. Então, eu levei tudo para o aterro. Havia fogueiras acesas no lago e, vários dias por semana, dezenas de garrafas de cerveja, vinho e outras bebidas alcoólicas, além de muitas garrafas plásticas de refrigerante e água. Pneus em chamas, colchões, folhas de paletes, uma bagunça de cacos de vidro derretido, pregos, arame e molas. É uma sujeira nojenta e leva dias para limpar. Eu jogava tudo na carroceria da caminhonete e usava ímãs para juntar os pregos e parafusos. Depois, ia para o aterro e pagava a taxa de US$ 4 para poder jogar tudo em uma lixeira de cinzas, o que me tomava várias horas.

A caminhonete que eu dirijo pegou fogo quando eu estava carregando a fogueira, que ainda estava fumegando, na carroceria. Depois, quando eu estava descarregando as cinzas na caçamba de lixo do nosso rancho, ela pegou fogo novamente. A cada vez, eu jogava areia na fogueira e apagava o fogo, só para ele reacender repetidamente. Então, eu corri para o nosso celeiro e comecei a carregar baldes de água e jogar nas chamas na caçamba. Finalmente, eu consegui levar o fogo da fogueira para a caçamba no nosso rancho. Eu me senti como o Mickey Mouse em Fantasia, carregando um balde de água em cada mão, tentando apagar o fogo. E ele continuava reacendendo. Mesmo um dia depois, reacendeu e queimou as tampas da caçamba e toda a tinta. Então, eu parei de recolher o lixo dos adolescentes e fui curtir a vida no deserto.

No Dia da Posse do Presidente Biden, os vizinhos infratores começaram a derramar gasolina no chão e a queimar árvores e arbustos inteiros. Eu suponho que fosse menos trabalhoso arrancar galhos das árvores ou simplesmente incendiar uma árvore inteira do que transportar o material descartado até o lago. Eu fiz o que se costuma fazer para contar a história. Eu enviei relatórios com placas de veículos e fotos dos locais das queimadas, do descarte ilegal e assim por diante para o Gabinete do Xerife. Eu entrei em contato com os fiscais da prefeitura e do condado. Tudo em vão. Com a pandemia da COVID-19, os órgãos públicos estavam sobrecarregados, trabalhando em turnos divididos e com falta de pessoal. Eu consegui, no entanto, encontrar dois fiscais. Nós usamos máscaras e percorremos os locais de descarte. Eles me contaram histórias impressionantes.

Pelo aspecto do lixo, há um negócio clandestino acontecendo. O lixo ilegal parece ser de uma empresa que remove entulhos de quintais e limpa casas (ou apartamentos) após o falecimento ou mudança de alguém e tudo que tinha valor era vendido. Ao invés de pagar uma taxa de aterro de US$ 4 e dirigir os quase cinco quilômetros até o ponto de coleta local, eles simplesmente entram em terrenos públicos e despejam o lixo de graça. Eu perguntei se poderiam pegá-los.

Isso é difícil. Você tem que pegá-los em flagrante. Eles colocam sentinelas e, quando chega a hora da denúncia e você vai até lá, eles já se dispersaram. Mesmo quando você os pega, eles dizem que “não há placas” ou “não sabiam que era terreno público” ou “todo mundo faz isso. Qual é o problema?”

Eu mostrei aos fiscais envelopes e recibos descartados com nomes e endereços. “Eles simplesmente dizem que alguém roubou o lixo deles e que não fazem ideia de como foi parar lá.” Acontece que é praticamente impossível pegar quem descarta lixo ilegalmente. Eu ouvi dizer que o Bureau of Land Management (BLM) estava instalando câmeras de monitoramento da vida selvagem com sensor de movimento, numa tentativa de flagrar quem descarta lixo ilegalmente. As terras do BLM ficam próximas e a maioria dos vizinhos pensa que tudo é responsabilidade do BLM. Então, eu escrevi cartas para o editor, agradecendo ao BLM por instalar a câmera escondida em terras públicas. Essa ação de “narrativas” diminuiu a incidência por um mês, mas, como não houve multas nem prisões, o descarte ilegal voltou com força total. Na verdade, piorou.

Eu organizei várias reuniões por Zoom com os vizinhos e convidei autoridades municipais e do condado. Apenas um funcionário de um distrito vizinho apareceu. O gabinete do xerife me disse para parar de incomodá-los. Não era só lixo, mas os vizinhos (alguns deles, não muitos) iam até a área pública no deserto para praticar tiro ao alvo. Eles atiravam com armas automáticas e semiautomáticas de todos os tipos. Fica barulhento durante a temporada de caça. Dentro e fora da temporada de caça, em qualquer fim de semana e em alguns dias da semana, há muitos tiros. Sparkles (minha cachorra) é muito sensível a tiros, enquanto Cuddle-bear (meu outro cachorro) não liga. Eu sou veterano da Guerra do Vietnã, então eu estou acostumado com tiros. Sparkles para ao som de tiros, congela no lugar e espera até eu ir para casa. Quando eu estou correndo com os cachorros e os cidadãos armados se reúnem, às vezes nós nos misturamos. Eu costumava apenas caminhar entre eles e recolher o lixo. Depois de alguns encontros, algumas provocações, “ei, aqui está uma fralda, pegue, velhote”, eu decidi que não era uma boa ideia.

Os meus vizinhos, cujos pais os ensinaram a respeitar a natureza, a recolher o lixo, a obedecer às leis e assim por diante, disseram que o lago era um caso perdido. Desde a pandemia da COVID-19, a multidão tomou conta do seu território. Não há nada que se possa fazer. Então, eu recorri à intervenção espiritual. Todos os dias, eu saio cedo demais para que a turma dos pistoleiros e bêbados ainda esteja acordada e pratico tambor Xamânico, alternando entre o lago e o Arroyo de Alameda. Assim, um dia encontro as árvores queimadas, a cratera de cinzas, o habitual amontoado de garrafas quebradas e lixo e no dia seguinte, eu encontro um pouco de paz na natureza, onde ainda há algum lixo, mas não tanto a ponto de me oprimir. Um amigo me disse para fazer esse experimento: feche os olhos, sinta a energia ao seu redor e aponte na direção da área mais energética. Provavelmente, você apontará para o lixo, porque pessoas sem raízes espirituais percebem um lugar como espiritual e jogam seu lixo nele. Será que os lugares públicos mais espirituais são justamente aqueles que acumulam os maiores montes de lixo?

Como Eu Posso Dar Sentido a Tudo Isso?

Quais são os processos antenarrativos constitutivos dessas narrativas de uso múltiplo de terras e águas públicas? (Bøje, 2012) Eu juntei um esboço sequencial para representar os processos subjacentes.

Os Gaviões-Papa-Gafanhoto que nidificam nesse local, todos os trilhões de microcosmos bióticos sob os meus pés, constituem a vida aqui. O campo de energia quântica inclui as árvores Lódão-Bastardo (Hackberry) Avô e Avó e as sementes delas. Eu comecei a comer a polpa das sementes, como parte da minha dieta (Bøje & Henderson, 2014; Henderson & Bøje, 2016). Já um vegano, a preparação para o jejum não foi difícil. A dieta envolve ingerir a polpa da semente, alinhando-me com as vibrações das plantas e as vibrações do meu corpo interno na “presença indiscutível” (Gagliano, 2018) do nosso Abaixo [Beneath] (pré-palavras, pré-linguagem) e do nosso Além [Beyond] (presença espiritual intuitiva antecipatória).

Eu quero enfatizar a importância de todos nós respirarmos o mesmo ar que as árvores ancestrais, nutridos pela mesma atmosfera de vapor d’água, pelas vibrações da vida, pela respiração, pela inspiração e expiração, durante a percussão Xamânica, que me penetra.

Árvore e ser humano compartilham os mesmos elementos da vida: ar, água, terra e fogo. A cada respiração, inspirando e expirando, eu reflito que me torno mais semelhante às plantas, mais ciente da comunidade vegetal, dessas colônias de trilhões de células vivas em meu corpo, dentro de mim, porque eu sou um ser terreno. Eu estou em troca inseparável de carbono, água e nutrientes com a vida vegetal. Em minha dieta, iniciada em junho de 2020, o meu aprendizado Xamânico meditativo diário, o meu humilde pedido para me aproximar das árvores ancestrais de Lódão-Bastardo (Hackberry) no Deserto de Chihuahua, eu estava envolvido em processos relacionais antenarrativos pré-constitutivos da história que agora eu conto.

Eu tenho começado a aprender sobre a árvore lódão-bastardo (hackberry). Em agosto de 2020, eu estava me preparando para a Busca da Visão que Michael Three Bears me ofereceu. A minha dieta, que consistia em consumir a polpa de algumas sementes de lódão-bastardo (hackberry) (as sementes em si eram muito duras para comer), tornou-se uma semente para plantar. Durante a Busca da Visão de agosto, muitos encontros espirituais, a dieta, se desdobraram. Em dezembro de 2020, eu comecei a plantar sementes de lódão-bastardo (hackberry) caídas, movendo-as para áreas com cobertura morta protegidas pelas árvores avós. Eu cultivei quatro que germinaram e ainda crescem em nosso viveiro doméstico. Antenarrativamente, trata-se de entrar no Ser (Being), no Além (Beyond) e no Abaixo (Beneath) (o trabalho energético vertical) de trabalhar com ondas de energia vibrantes e materiais. Para a Busca da Visão, eu coletei um galho caído de uma árvore de lódão-bastardo (hackberry) avó para fazer um Bastão da Palavra para usar na cerimônia. Essa é a minha relação de dieta do meu “Eu Sou” com o “Eu Sou” da árvore de lódão-bastardo (hackberry) avó.

Eu comecei a pesquisar as antenarrativas, ou seja, as histórias que estão por trás das narrativas e histórias criadas por diversas agências municipais, distritais, estaduais e federais. Os termos técnicos (Antes [Before], Abaixo [Beneath], Apostas [Bets], Tornando-se [Become], Ser [Being], Entre [Between] e Além [Beyond]) são do meu trabalho sobre a ciência da narrativa (Larsen et al., 2020).

ANTES [BEFORE] – No passado, a queima de pneus, paletes, garrafas de plástico, latas de alumínio e colchões deixava um rastro tóxico.

ABAIXO [BENEATH] – Para contar essa história, você necessita de conceitos (concepções prévias) e aqui eu mostro a relação entre os conceitos do Mundo Físico, do Mundo Mental (qual a história que se passa na cabeça das pessoas que despejam e queimam lixo, poluem e infringem as leis) e do Mundo Mental do governo, com os moradores observando como meros espectadores, sem fazer nada.

SER [BEING] – Existencialismo, particularmente Heidegger, Ser-Aí (Being-There; Ser-Aí-No-Mundo), revela modos de SER no lugar/espaço que nós habitamos aqui e agora. “Libertar-se de uma direção vinculante só é possível sendo livre para aquilo que se abre em uma região aberta” (Heidegger, 2003, seção sobre Fundamentos da Correção).

APOSTAS NO FUTURO – Que futuro todos os personagens (governo & empresas, universidades & organizações ambientais e moradores do Novo México) desejam? Os arrendamentos geram fundos para escolas. No entanto, atualmente o terreno não está arrendado para nada.

TORNANDO-SE [BECOMING] – Eu retiro o lixo da fogueira sempre que ele reaparece e também recolho o lixo diariamente. Boas notícias: nos últimos cinco dias, de 19 a 23 de junho de 2020, não houve mais lixo nem fogueiras. É um lugar tranquilo com potencial.

ENTRE – As jurisdições que regem o uso e a conservação da terra se situam entre a infraestrutura da cidade, do condado e do Escritório de Terras Federal/Estadual. A maioria dos moradores e muitos funcionários presumem que é o BLM (Bureau of Land Management) que tem jurisdição. Isso não é verdade.

ALÉM [BEYOND] – Significa intuitivo, que vai além dos cinco sentidos, e aqui eu estou trabalhando com pessoas do Círculo de Tambores Xamânicos que tiveram essa ideia para criar um esboço sequencial da situação.

Mais sobre o Ser-Aí.

Por exemplo, uma narrativa “nunca é uma apreensão sem pressuposições de alguma coisa que nos é apresentada”, ela é um “pré-dado” (Heidegger, 1926, 1962). SER não é o empírico (isso é o ôntico). Ao invés disso, SER é alguma coisa velada e nós de fato o descobrimos ao irmos a níveis mais profundos. Ser não é apenas o agora, é o lugar, o aqui e agora de uma Situação. As coisas no aqui e agora estão presentes à mão (como alguma ferramenta quebrada e inutilizável) ou prontas para uso em um processo, como na ferraria, onde um martelo que funciona e está acessível, está pronto para uso.

“…uma narrativa “nunca é uma apreensão sem pressuposições de alguma coisa que nos é apresentada”, ela é um “pré-dado” (Heidegger, 1926, 1962).

Outro exemplo: As Árvores já são SER-no-mundo. As árvores estão presentes, ao alcance da mão. Contudo, se o conceito de fogueira (SUPERIOR) se transforma em queimar árvores ‘prontas para uso’, à vista, no aqui e agora, então o SER (pré-dado) se altera. Se as árvores são sistemas vivos naturais da Natureza e se essas árvores possuem emaranhados de muitas outras espécies microscópicas (fungos, microrganismos, bactérias) e muitas outras espécies (pássaros, sapos, coelhos) que nos são visíveis, então essa representação da fogueira pela queima de árvores vivas representa uma mudança existencial.

Por que eu me tornei um velho ranzinza? O que deu errado com toda a minha organização, com os meus inúmeros vídeos no YouTube e apresentações em conferências? Adolescentes e alguns adultos desorientados têm feito festas com consumo excessivo de álcool quase todos os fins de semana, queimando pneus, paletes, atirando em garrafas de cerveja com pistolas e rifles e sujando tudo. Durante o último ano, eu recolhi garrafas quebradas e inteiras, joguei os restos da queimada e as cinzas na minha caminhonete, só para depois jogar toda aquela sujeira nojenta na caçamba de lixo da nossa fazenda. Eu fotografei os veículos e o lixo e enviei os relatórios para o aplicativo “No Throw” no meu celular. Um estudante de uma das minhas disciplinas de doutorado havia desenvolvido o aplicativo. Mas nada aconteceu. Era a pandemia de COVID-19 de 2020 e a prefeitura do Condado de Dona Ana não estava mais fazendo a remoção de lixo descartado ilegalmente. Em 15 de dezembro de 2020, eu vi um jovem descarregando mais gravetos e lenha para a próxima fogueira no lago.

Eu fiz a minha habitual percussão Xamânica, sentado sobre os paletes perto dos preparativos para a fogueira. Eu notei uma corda de amarração novinha em folha, amarela, ainda com a etiqueta. Eu a peguei da pilha de madeira, toras e paletes que logo seria queimada. Eu toquei o tambor para o meu filho Ray e para obter clareza sobre o que fazer na Mesa Leste (East Mesa). Eu me voltei para a Árvore Lódão-Bastardo (hackberry) Avô. Enquanto eu guardava o meu tambor na mochila e pegava os meus dois cachorros, Sparkles e Cuddle Bear, eu ouvi o ronco da caminhonete com a bandeira Americana. Eu caminhei até embaixo da árvore e subi até o topo do aterro do outro lado. Eu senti paz no coração e desci até o lago para devolver a corda amarela ao adolescente. Eu não julguei, culpei ou acusei. Apenas mantive o distanciamento social, a minha máscara no rosto, sem máscara para ele. Nós desejamos tudo de bom um ao outro.

Ao observar o ninho de pássaro em 15 de dezembro, eu fiquei impressionado com a beleza da cena: o pequeno ninho, visível logo abaixo da árvore Lódão-Bastardo (hackberry) Avô, cuidando de suas novas mudas, aguardando dias melhores.

Com a COVID-19, todas as coisas mudaram. As bebedeiras dos adolescentes e de um bom número de adultos, estavam gerando mais lixo diariamente do que eu jamais vira. A quantidade de lixo era tanta que eu não conseguia mais recolher e a nossa lixeira transbordava toda semana, então eu levava o excesso para o aterro sanitário. Eu havia me tornado cúmplice deles, recolhendo fraldas sujas, máscaras de COVID, garrafas quebradas. Mas eu mudei de ideia. Eu estou decidindo, nesse mês, como alcançar os adolescentes da vizinhança durante essa pandemia de COVID-19. Eu meditei diariamente, escrevi em meus cadernos sobre a água e como ela é inseparável da terra (o solo vivo sob os nossos pés), do fogo (as mudanças no aquecimento do planeta) e do ar (que está ficando cada vez mais poluído). Essa percepção da inseparabilidade da água, da terra, do fogo e do ar me levou a abandonar um rascunho de livro de 120.000 palavras e simplesmente recomeçar do zero. Eu estava começando de novo muitos rascunhos em 2020.

Eu meditei sobre como ter um coração que se importa com o ecossistema e, diariamente, recolhia lixo e despejo ilegal, como forma de cuidar dele. Eu confrontava adolescentes e adultos que portavam armas e recolhia o lixo em meio às suas festas regadas a álcool. Eu fotografava os veículos e, quando conseguia uma foto da placa, enviava relatórios aos fiscais do condado (através do aplicativo “No Throw”) e também relatórios escritos com fotos para o Gabinete do Xerife. Nada mudou afinal. Eu realizei uma reunião, usando máscaras de proteção contra a COVID-19, com o gerente do State Land Office (SLO) [Escritório de Terras do Estado] e uma dúzia de vizinhos, para discutir opções de arrendamento de terras públicas.

Eu estava organizando os vizinhos e conversando com todos na Academia de Administração. Eu informei as pessoas sobre as leis vigentes. Eu pesquisei outros regulamentos e decretos. Novamente, tudo estava sendo violado sem nenhuma punição. Eu tentei apelar pelas redes sociais. Eu comecei a fazer vídeos quase semanais (com Julia Haden e Duncan Pelly, publicados no YouTube) e a fazer apresentações em conferências. Muitas tratavam da onto-story (em uma história), da ‘matéria vibrante’ de um conjunto de coisas.

Uma ‘onto-story’ (‘em uma história’) é como a energia de um conjunto de coisas tem uma história para contar. O conceito de onto-story (em uma história) vem do incrível trabalho de Jane Bennett (livro “Vibrant Matter”, de 2008). William James, o pragmatista, diz que as coisas contam uma história. Aqui, eu encontro pneus no deserto que ainda não foram queimados, em uma pilha de pneus já queimados, latas e garrafas de cerveja, plástico de todos os tipos de garrafas de água e outros lixos. É uma tragédia dos commons (bens-comuns), a essência crítica da Terra viva, com a qual ninguém parece se importar, até que a água subterrânea seja poluída por nanopartículas de plástico provenientes da queima. Claro que é ilegal, mas que tipo de sistema educacional e de criação de filhos educa os seus jovens para não se importarem? Eu recolho os pneus, garrafas de vidro, embalagens de plástico e assim por diante.

Em alguns vídeos, eu faço uma mistura de barro com esterco de cavalo (também conhecido como bosta de cavalo) para reciclar e criar arte, construindo paredes e uma estufa Earthship (veja o Apêndice para vídeos). Novamente, tudo isso não teve nenhum resultado positivo para o meio ambiente e não diminuiu o consumo excessivo de álcool entre adolescentes (e também entre alguns adultos). Eu estava produzindo muitos vídeos, mapas, fotos e textos, mas pouca coisa realmente mudou. Insistindo junto às autoridades governamentais e de fiscalização, eu consegui um retorno de um funcionário do condado, que pesquisou o histórico do lago e que possivelmente tinha jurisdição sobre o caso.

O lago efêmero do pântano pode ter mais de um século e ter sido reformado durante o programa de obras públicas da Grande Depressão. Possivelmente, era uma parada de diligências, onde os cavalos eram hidratados e antes disso, um bebedouro para os cavalos das carroças de mineração matarem a sede. Já havia sido uma área de pastagem para gado, mas não há alguns anos. “Quem é o dono dessa terra?”, eu perguntei. “Ela é propriedade do Escritório de Terras do Estado”. O Escritório de Terras do Estado (SLO, na sigla em Inglês) é uma das duas divisões do Departamento do Interior dos EUA; a outra é o Bureau de Gestão de Terras (BLM, na sigla em Inglês). Todos, até mesmo os funcionários eleitos da cidade e do condado, acham que tudo pertence ao BLM, mas onde eu moro, a maior parte pertence ao SLO.

Eu consultei as regras e regulamentos do SLO: nenhum veículo motorizado (quadriciclos, motocicletas, motos de trilha, UTVs, caminhonetes ou carros) é permitido além do estacionamento. Os ‘Friends of EMT’ [‘Amigos do EMT’] pagam US$ 35 por ano ao Escritório de Terras do Estado do Novo México por uma permissão de uso recreativo. Tiro ao alvo não é permitido. Amigos da EMT, levem todo o lixo que produzirem. Aqui estão 10 razões pelas quais veículos off-road, UTVs e ATVs estão destruindo terras públicas, principalmente em East Mesa.

POR QUE a East Mesa Trails (EMT) PROÍBE Veículos Off-Road e Quadriciclos em TERRAS PÚBLICAS

1. Compactação do solo

2. Impactos em microambientes aquáticos (lagoas e vida marinha)

3. Erosão do solo

4. Degrada a qualidade da água

5. Incentiva o descarte ilegal de lixo

6. Fragmenta áreas úmidas com características ilegais

7. Aumenta o escoamento superficial

8. Destrói a vegetação

9. Mata os girinos de peixe-espada e os camarões-fada do Novo México

10. O ruído espanta a vida selvagem

East Mesa Trails

http://dadidboje.com/EMT

Eu olhei com meu terceiro olho horizontal. Eu estou vigilante, ciente de uma pilha prestes a ser queimada, deixada por adolescentes e alguns adultos, uma festa regada a cerveja e uísque prestes a terminar. Com o meu terceiro olho vertical, eu sou Arihant e ‘Rendição ao Espírito’, ciente da espiritualidade da Vida como um todo, onde eu habito. A Árvore Lódão-Bastardo (Hackberry) Avô continuará cuidando de suas mudas, convidando a Árvore Sumagre e os galhos divertidos a enviar água, carbono, enxofre, fósforo e nutrientes para elas. Eu reflito sobre a minha adolescência. Que emocionante ter a chance de criar uma comunidade com os adolescentes de hoje. Eu me pergunto se a natureza e o comércio podem encontrar um equilíbrio. Será possível que os modelos de negócios tomem um rumo ecológico (Bøje & Jørgensen, 2020; Bøje & Rana, 2021; Sparre & Bøje, 2020)?

Epílogo

Em maio de 2021, eu descobri um bosque de Árvores Lódão-Bastardo (Hackberry), uma dúzia delas, todas em círculo. É um lugar que me dá esperança.

Referências

Bennett, M. F. (2008). Religious and spiritual diversity in the workplace. In M. A. Moodian (Ed.), Contemporary Leadership and Intercultural Competence: Exploring the Cross-Cultural Dynamics Within Organizations (pp. 45–60). SAGE PUBN.

Bøje, D. M. (2005). Wilda. Journal of Management, Spirituality & Religion, 2(3), 342–364.

Bøje, D. M. (2012). The-of-care of the life-path of organizations’ double-spiral-antenarrative choices through landscapes. https://davidboje.com/Boje/index.htm

Bøje, D. M., & Henderson, T. L. (2014). Being Quantum: Ontological Storytelling in the Age of Antenarrative. Cambridge Scholars Publishing.

Bøje, D. M., & Jørgensen, K. M. (2020). A ‘storytelling science’ approach making the eco-business modeling turn. Journal of Business Modeling, 8(4), 8–25.

Bøje, D. M., & Rana, M. B. (2021). Defining a sustainably-driven business modeling strategy with a ‘storytelling science’ approach. In Handbook of Sustainability-Driven Business Strategies in Practice. Edward Elgar Publishing.

Chitrabhanu, G. S. (1978). Realized What You Are: The Dynamics of Jain Meditation. Dodd, Mead, and Company.

Chitrabhanu, G. S. (1979a). The Philosophy of Soul and Matter. Dhanjibhai P. Shah.

Chitrabhanu, G. S. (1979b). The Psychology of Enlightenment: Meditations on the Seven Energy Centers. Dodd, Mead, and Company.

Chitrabhanu, G. S. (1980). Twelve Facets of Reality: The Jain Path to Freedom. Dodd, Mead, and Company.

Gagliano, M. (2018). Thus Spoke the Plant: A Remarkable Journey of Groundbreaking Scientific Discoveries and Personal Encounters With Plants. North Atlantic Books.

Heidegger, M. (1926). Being and Time (J. Stambaugh, Trans.) State University of New York Press.

Heidegger, M. (1962). Being and Time (J. Macquarrie & E. Robinson, Trans.) Blackwell. heidegger macquarrie robinson 1962 Being and time.

Henderson, T. L., & Bøje, D. M. (2016). Managing Fractal Organizing Processes. Routledge.

Larsen, J., Bøje, D. M., & Bruun, L. (2020). True Storytelling: Seven Principles for an Ethical and Sustainable Change-Management Strategy. Routledge.

Sparre, M., & Bøje, D. M. (2020). Utilizing participative action research with storytelling interventions to create sustainability in Danish farming. Leadership & Organization Development Journal, 38(4), 41–54.

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—–Continua Parte XVII—–

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Imagem: anika-huizinga-UCrMFsuS0oA-unsplash 07.02.26

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.

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Autor

Graduação: Engenharia Operacional Química. Graduação: Engenharia de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing - PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras - FGV/SP. Blog Projeto OREM® - Oficina de Reprogramação Emocional e Mental - O Blog aborda quatro sistemas de pensamento sobre Espiritualidade Não-Dualista, através de 4 categorias, visando estudos e pesquisas complementares, assim como práticas efetivas sobre o tema: OREM1) Ho’oponopono - Psicofilosofia Huna. OREM2) A Profecia Celestina. OREM3) Um Curso em Milagres. OREM4) A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE) - Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT). Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista como uma proposta inovadora de filosofia de vida para os padrões Ocidentais de pensamentos, comportamentos e tomadas de decisões (pessoais, empresariais, governamentais). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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