Com o objetivo de conhecimento e de entendimento sobre o sistema de pensamento de uma Organização Baseada na Espiritualidade (OBE), nós estamos transcrevendo trechos do artigo “Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”], editado por Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer.
A fonte do artigo é o livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1, dos autores acima referenciados.
O Prefácio abaixo explica a razão de ser desse importante artigo para entendimento do passado, presente e futuro do que se tem observado no campo da espiritualidade no ambiente de trabalho.
Artigo:
“Workplace Spirituality – Making a Diference” [“Espiritualidade no Ambiente de Trabalho – Fazendo uma Diferença”]
Editado por:
Yochanan Altman, Judi Neal and Wolfgang Mayrhofer
Fonte:
Livro “Management, Spirituality and Religion” – Series Editor [“Gestão, Espiritualidade e Religião” – Editor da Série] Yochanan Altman – Volume 1
DE GRUYTER (www.degruyter.com)
Instituto Fetzer (Home – The Fetzer Institute)
Essa obra está licenciada sob a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0. Para mais detalhes, acesse http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0.
Tradução livre Projeto OREM® (PO)
Prefácio
Esse livro é extremamente relevante e oportuno. A fé e a espiritualidade têm sido um aspecto fundamental da experiência humana ao longo dos tempos. No entanto, a forma como são experienciadas e expressas continua a mudar com o passar do tempo. Por exemplo, no contexto dos Estados Unidos (EUA), uma pesquisa recente da Gallup mostra que a participação de Americanos em locais de culto (por exemplo, sinagogas, igrejas ou mesquitas) caiu para 47% – o nível mais baixo nos 80 anos de história da pesquisa e uma queda em relação aos 70% registrados em 1999 (Jones, 2021). Isso representa um declínio constante desde o início do século XXI. Essa tendência é impulsionada por dois fatores: um número maior de adultos que não se identificam com nenhuma religião e um declínio na frequência a igrejas entre aqueles que se identificam com alguma religião. Por trás dessas tendências, existem diferenças populacionais ou geracionais, com as gerações mais jovens expressando menos afiliação religiosa (7% dos tradicionalistas – adultos Americanos nascidos antes de 1946; 13% dos baby boomers (1946-1964); 20% da geração X (1965-1980) e 31% dos millenials (geração Y) (1981-1996)).
Simultaneamente, o Instituto Fetzer apoiou um estudo sobre a espiritualidade Americana que buscou entender melhor o significado da espiritualidade para os Americanos e como ela influencia as suas vidas sociais e ações cívicas (Instituto Fetzer, 2020). O estudo incluiu participantes de diversas afiliações religiosas ou identidades espirituais, incluindo aqueles sem nenhuma. Constatou-se que “a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020). Mais especificamente, 86% das pessoas se consideram espirituais e 68% acreditam que a sua espiritualidade guia as suas ações no mundo. Esses números incluem pessoas que se identificam com alguma tradição religiosa e aquelas que não se identificam.
…“a espiritualidade é um fenômeno complexo, diverso e cheio de nuances que pessoas de todas as autoidentificações espirituais e religiosas experienciam” (Instituto Fetzer, 2020)
O que nós podemos concluir desses dois relatórios aparentemente contraditórios? Eu apresento esses dados como base para a importância e a relevância da espiritualidade no ambiente de trabalho. Para muitos, a espiritualidade no ambiente de trabalho é inadequada. Contudo, como demonstram esses estudos, muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando. Ao mesmo tempo, muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013). De fato, para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores. Além disso, as organizações são frequentemente os mecanismos estruturais pelos quais as sociedades se organizam e alcançam os seus objetivos sociais, econômicos e técnicos mais importantes e complexos. Elas são tanto impulsionadoras quanto representações da vida e dos valores da sociedade. Diante disso, elas permanecem um foco crucial e um potencial impulsionador do crescimento e desenvolvimento pessoal e do florescimento humano.
…muitas pessoas reconhecem a importância da espiritualidade em suas vidas, mesmo que a sua conexão com as estruturas e os espaços para expressá-la esteja se transformando.
Reconhecendo tudo isso, no Instituto Fetzer (o Instituto), nós nos esforçamos para viver a nossa missão e os nossos valores criando uma comunidade de ambiente de trabalho espiritualmente fundamentada, que nós chamamos de Community of Freedom (COF) [Comunidade da Liberdade]. A nossa COF é o alicerce espiritual do nosso trabalho para transformar a nós mesmos e a sociedade de maneira autêntica e eficaz.
…muitas organizações e locais de trabalho estão convidando as pessoas a trazerem o “eu [ser, self] integral” delas, incluindo a espiritualidade delas, para o trabalho, visando maior bem-estar, engajamento, criatividade e eficácia (Kegan & Lahey, 2016; Neal, 2013).
As maneiras de ser e as práticas individuais e comunitárias expressas por meio da COF – e enraizadas em nossos valores organizacionais essenciais de amor, confiança, autenticidade e inclusão – apoiam o Instituto no cultivo da cultura necessária para concretizar a nossa missão de ajudar a construir a base espiritual para um mundo amoroso. Uma das estruturas que nós utilizamos para nos mantermos firmes em nossa missão e visão são os nossos community of freedom gatherings (COFG) [encontros da comunidade da liberdade]. Os COFGs consistem em encontros semanais de três horas com todos os funcionários – desde os nossos jardineiros e equipe de programas até a nossa equipe e líderes de finanças e tecnologia da informação. Durante os COFGs, nós convidamos facilitadores externos e professores espirituais para nos ajudar a nos envolvermos em exploração espiritual individual e comunitária e na construção da comunidade. Nós também oferecemos sessões ministradas por funcionários e fornecemos espaço e recursos para que os funcionários busquem os seus caminhos pessoais. Exemplos de sessões incluem conjuntos de práticas contemplativas, a ciência do bem-estar, a capacidade de diálogo e o convívio com o luto coletivo. As sessões geralmente incluem componentes didáticos e experienciais, além de oportunidades para discussões em pequenos e grandes grupos, que permitem aos funcionários compartilhar experiências profundas uns com os outros.
…para aqueles que não possuem uma religião específica e para aqueles cuja fé e espiritualidade são centrais em suas vidas, o local de trabalho – onde muitos adultos passam a maior parte do tempo fora de casa – pode ser um espaço importante para a expressão e a realização de seus valores.
Em 2016, o Instituto encomendou um estudo de caso independente para aprender mais sobre os primeiros pontos positivos, desafios e impactos do COFG. Algumas das principais conclusões foram que os funcionários sentiram um aumento na confiança, no moral, na conexão e na capacidade de lidar com dificuldades relacionais a partir do trabalho. O estudo de caso também abordou questões e preocupações dos funcionários sobre o propósito dos COFGs em relação ao nosso trabalho externo, o uso de linguagem inclusiva e a abordagem do COFG e as suas ofertas e como os encontros se traduzem em políticas e práticas organizacionais mais amplas. Algumas dessas questões têm sido respondidas à medida que nós temos aprofundado o nosso trabalho como uma comunidade e outras nós continuamos a investigar e a desenvolver.
O Instituto não só se dedica a cultivar um ambiente de trabalho espiritualmente fundamentado, como também busca aprender com outros que compartilham da mesma visão sobre como cultivar culturas organizacionais que apoiem o desenvolvimento e o florescimento humano; e que permitam às organizações operar a partir de sua visão e valores mais profundos, rumo a um mundo mais amoroso. É esse compromisso que motiva o nosso apoio ao trabalho realizado pela International Association of Management, Spirituality and Religion (IAMSR) [Associação Internacional de Gestão, Espiritualidade e Religião], incluindo esse volume. Aqueles que buscam criar ambientes de trabalho que sejam espaços robustos para o florescimento humano e o mundo que nós desejamos habitar precisam de apoio e companheiros de jornada. Muitos de nós estamos lidando com questionamentos semelhantes sobre os prós e os contras de trazer a espiritualidade para o ambiente de trabalho.
Há muito que nós temos aprendido nos últimos vinte anos de experimentação nessa área e muito mais a aprender. Esse volume oferece algumas das melhores ideias e práticas de líderes de pensamento na área. Que ele sirva de inspiração e alimente a nossa imaginação e esforços coletivos em relação ao que é possível.
Shakiyla Smith, Vice-Presidente de Cultura Organizacional – Instituto Fetzer – 10 de novembro de 2021.
Referências
Fetzer Institute. (September 2020). Study of Spirituality in the United States. Report retrieved from https://spiritualitystudy.fetzer.org/sites/default/files/2020-09/What-Does-Spirituality-Mean To-Us_%20A-Study-of-Spirituality-in-the-United-States.pdf
Jones, J.M. (2021). U.S. Church Membership Falls Below Majority for First Time. Gallup. Retrieved from https://news.gallup.com/poll/341963/church-membership-falls-below-majority-first time.aspx
Kegan. R., Lahey, L. L.(2016). An everyone culture: Becoming a deliberately developmental organization. Harvard Business Review Press.
Neal. J. (2013). Creating enlightened organizations: Four gateways to spirit at work. Palgrave Macmillan.
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—–Continuação da Parte XVI—–
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17 Estudos Indígenas com uma Abordagem de Pesquisa Integrativa
Autores: Sharda S. Nandram, Puneet K. Bindlish
Introdução
Com base no propósito da pesquisa, a pesquisa em Gestão pode ser caracterizada como fundamental ou aplicada. Aqui, a pesquisa fundamental refere-se a um estudo sistemático, geralmente realizado para entender um fenômeno sem uma aplicação específica em mente (Legal Information Institute, 2021). Nesse caso, a questão do “porquê” é mais dominante. Já a pesquisa aplicada é uma forma de investigação sistemática em que a questão do “como” é mais dominante, com o objetivo de obter insights e conhecimento para a obtenção de benefícios práticos diretos.
A pesquisa fundamental difere por estabelecer as bases para o avanço do conhecimento, visto que o trabalho científico moderno está sempre em andamento e estudiosos do mundo todo discutem as características fundamentais de um fenômeno por meio de suas publicações. Na pesquisa aplicada, busca-se acessar teorias, conhecimentos, métodos e técnicas acumulados para problemas específicos de gestão, com o objetivo claro de resolvê-los (Roll-Hansen, 2009).
Com base no objeto de pesquisa, o processo de conhecimento pode se referir a algo conhecido ou desconhecido. Consequentemente, a pesquisa fundamental possui duas dimensões de conhecimento: “Conhecer o conhecido” e “Conhecer o desconhecido”. As duas diferem no sentido de que, para a primeira dimensão, o pesquisador se concentra em definições como ponto de partida. Já na segunda, não se parte de uma definição, pois ela pode não existir ou ser inadequada na literatura. Portanto, no segundo caso, o pesquisador que busca conhecer o desconhecido adota uma visão ampla da epistemologia (*). Isso pode envolver a incorporação de experiências (próprias e alheias) e a exploração das esferas subjetivas do nosso ser.
(*) Observação PO: A epistemologia ou filosofia da ciência está preocupada em responder questões como: Como sabemos a verdade? Como separamos as ideias verdadeiras das ideias falsas? Como adquirimos esse conhecimento ou esta afirmação? (Fonte: pesquisa na internet)
Ao permitir que os participantes expressem as suas experiências, o pesquisador tenta perceber do que se trata e induzir um padrão a partir delas. Frequentemente, durante o processo de conhecimento de um conceito por meio da decifração desse padrão, o pesquisador se depara com uma cisão entre duas perspectivas aparentemente opostas: o Essencialismo e o Existencialismo. Para um pesquisador, mesmo para se enquadrar em uma categoria filosófica específica, é necessário um entendimento para desvendar o entendimento ontológico existente sobre o fenômeno, além de levar em conta a sua experiência pessoal com o mesmo. O Essencialismo propõe a visão de que, para qualquer entidade específica (como um animal, um grupo de pessoas, um objeto físico, um conceito), existe um conjunto de atributos necessários à sua identidade e função. Já o Existencialismo sustenta que o pensamento filosófico começa com o sujeito humano – não apenas o sujeito pensante, mas o indivíduo humano que age, sente e vive.
Como um pesquisador com uma perspectiva integrativa, em oposição a uma dicotômica, pode não ser possível se enquadrar completamente em uma dessas categorias filosóficas. Isso geralmente ocorre durante pesquisas Indígenas em diversos contextos. Nesse cenário, tanto uma perspectiva de pensamento para definir os atributos relacionados ao tema quanto uma perspectiva experiencial no contexto local onde o tema está sendo estudado são importantes (Panda & Gupta, 2007). No entanto, um estudo não Indígena (ou Universalista) visa ao entendimento de um fenômeno, onde os conceitos teológicos e filosóficos são assumidos como tendo aplicação universal, independentemente do contexto local. Existe uma abordagem de pesquisa integrativa possível para estudos que nos permita incorporar também a dimensão não Universalista? Isso significa que nós nos concentramos no contexto local, em sua dinâmica baseada nos diferentes propósitos e perspectivas das entidades nesse contexto, enquanto também nós nos conectamos ao terreno comum subjacente desse grupo local, com base em sua visão de mundo.
Um exemplo poderia ser uma visão de mundo que pressupõe que tudo e todos estão conectados em um nível espiritual mais profundo. Partindo do pressuposto de que isso pode levar o pesquisador a buscar a interconectividade, o que pode ser denominado de integratividade, essa foi a razão que motivou a escrita desse capítulo. O capítulo sugere alguns elementos fundamentais para o que se pode chamar de abordagem de pesquisa integrativa, tomando como exemplo a pesquisa sobre liderança por meio da análise de metodologias de pesquisa potenciais. Em seguida, nós concluímos com uma discussão sobre como esse tema pode se beneficiar de uma abordagem de pesquisa autóctone.
Comparação de Metodologias de Pesquisa
Antes de buscarem novos paradigmas, os pesquisadores necessitam reconhecer que sempre houve influência da filosofia ou visão de mundo dominante sobre a forma como eles conduzem as suas pesquisas (Bindlish & Nandram, 2019). Isso pode ser melhor exemplificado pelo tema da liderança, que vem sendo estudado há séculos. Diversas questões metodológicas são levantadas na literatura de pesquisa sobre liderança (Bindlish et al., 2019). Algumas das abordagens tentadas por pesquisadores da área podem ser amplamente agrupadas nas seguintes categorias: indutiva, dedutiva e alternativa.
“Antes de buscarem novos paradigmas, os pesquisadores necessitam reconhecer que sempre houve influência da filosofia ou visão de mundo dominante sobre a forma como eles conduzem as suas pesquisas (Bindlish & Nandram, 2019).”
1. Abordagem indutiva: Bass e Stogdill (1981) estudaram 7.500 referências. Para o Manual de Liderança dele, Rost (1991) estudou 587 títulos abrangendo 221 definições. Existem muitas outras definições que ainda não levam a um entendimento completo, ou que parecem não ser amplamente aplicáveis, ou que podem não ser válidos para os tempos contemporâneos (Walters, 2009). De certa forma, os pesquisadores parecem estar buscando outras abordagens mais recentes, já que muitas vezes oferecem a mesma perspectiva, resultando em resultados semelhantes.
2. Abordagem dedutiva: A disponibilidade de uma quantidade enorme, quase infinita, de dados empíricos também não é capaz de proporcionar um entendimento integrado (Stodgill & Bass, 1981). Pesquisadores têm expressado frustração com a crescente quantidade de dados que não nos aproxima de um entendimento detalhado do conceito de liderança. Investigações empíricas realizadas nas últimas décadas de pesquisa sobre liderança não produziram um entendimento conceitual inequívoco da liderança (Bennis & Nanus, 1985). De fato, essa era a visão compartilhada na década de 1980. Quase duas décadas depois, Vroom e Jago (2007) comentaram: “Embora essa afirmação tenha mais de 20 anos, a nossa posição é que qualquer revisão séria da literatura recente revelaria que a citação é tão relevante hoje quanto era naquela época”. Por um lado, isso mostra que há uma tendência para a pesquisa empírica aplicada em detrimento da pesquisa conceitual fundamental. Por outro lado, alguns pesquisadores sentiram que a pesquisa sobre liderança carecia de medidas adequadas e era bastante frágil em seus delineamentos (Yukl, 1981).
3. Em direção a abordagens alternativas: Levando a busca além das linhas de pensamento acima, pesquisadores exploraram outras abordagens. Alguns sugeriram o uso de histórias de vida como uma forma válida de explorar as complexidades da liderança. Argumentou-se ainda que as histórias de vida incorporam diversidade e análises interdisciplinares, promovendo assim novos métodos críticos de conceitualização e pesquisa da liderança (Shamir et al., 2005). No entanto, biografias foram consideradas melhores do que autobiografias para a pesquisa em liderança, por serem mais confiáveis e menos suscetíveis ao viés pessoal do líder (Gronn, 2005). As formas tradicionais de estudar a liderança por meio de traços e situações também foram criticadas pela incapacidade de produzir evidências científicas sólidas e adequadas para orientar a prática (Vroom & Jago, 2007). Embora reconhecendo que o entendimento da liderança é problemático de várias maneiras, muitos pesquisadores expressaram frustração com quase um século de esforços infrutíferos para encontrar o Santo Graal da liderança. Alguns pesquisadores recentes têm nos convidado a refletir sobre se nós estamos buscando a coisa certa ou não (Pye, 2005). Para confirmar isso, alguns sugeriram que nós nos afastássemos da mentalidade universalista Ocidental convencional e explorássemos a liderança a partir de uma perspectiva Oriental, deixando de lado, por um momento, os nossos estimados modelos convencionais.
“…alguns sugeriram que nós nos afastássemos da mentalidade universalista Ocidental convencional e explorássemos a liderança a partir de uma perspectiva Oriental, deixando de lado, por um momento, os nossos estimados modelos convencionais.“
Após estudar as deficiências das abordagens existentes à liderança, o pesquisador se depara com as seguintes opções:
1. Os mesmos paradigmas novamente: Pod se sentir tentado a tentar o mesmo caminho novamente, já que a visão de mundo dominante expressa na literatura acadêmica ainda acolhe pesquisas que seguem os aspectos existentes dessa visão e estudos que utilizam novos paradigmas não encontrarão muita aceitação em locais relevantes, pois geralmente servem às mesmas visões de mundo dominantes.
2. Integração de filosofias ou integração sintética: Uma abordagem moderada poderia ser tentada, combinando ou reunindo proporcionalmente todas as abordagens, dando o devido peso (em alguns casos, democrático) às abordagens convencionais. Essa abordagem é aqui denominada abordagem baseada na “integração de filosofias”. Semelhante a uma mistura química que retém as propriedades de seus constituintes, essa integração mantém as deficiências fundamentais, como “rituais de manipulação de dados para obtenção de hipóteses nulas” (Cohen, 1994; Gigerenzer et al., 2004; Sedlmeier, 2009), viés em direção à pesquisa aplicada e projetos de pesquisa moldados pela mesma visão de mundo dominante.
Isso também pode levar a erros de percepção, pois as unidades perceptivas, conforme vistas pelos atores em uma determinada visão de mundo, podem ser bastante diferentes daquelas vistas por observadores em uma visão de mundo diferente. Um exemplo é alguém que vive em uma visão de mundo linear versus alguém que vive em uma visão de mundo cíclica, entendendo que a vida não termina com a morte do corpo nessa vida. Ignorar diferentes visões de mundo pode levar a um erro fundamental de atribuição.
Os pesquisadores podem invariavelmente subestimar o grau em que o comportamento de uma pessoa reflete as demandas situacionais, que podem determinar as suas ações com mais força do que a sua personalidade. Gerenciar a diversidade de visões de mundo entre atores e pesquisadores é uma das questões mais fundamentais. Isso poderia ser abordado e explorado por meio de uma abordagem diferente. Pesquisadores observaram que a visão de mundo sintetizada, em sua tentativa de conectar várias visões de mundo, gera compromissos entre diferentes práticas que emanam dessas visões. Esse compromisso ocorre principalmente em nível sistêmico ou estrutural (Graen & Wakabayashi, 1994). Essa opção de abordagem integrativa tornou-se mais dominante devido a uma visão reducionista adotada no planejamento da pesquisa social.
O uso crescente de ferramentas estatísticas (originalmente destinadas à ciência dos materiais, como a física) nas ciências sociais e a consequente utilização de “testes de hipóteses” intensificam essa tendência. Embora essa prática tenha sido severamente criticada com fortes evidências e argumentos, sendo rotulada como “ritual nulo”, ela domina as escolhas feitas por pesquisadores para as suas contribuições científicas. Apesar de, nos modelos contemporâneos, nem todos os estudos exigirem uma hipótese, a “Teoria da Falsificação Empírica” de Karl Popper (também conhecida como “Conjecturas e Refutações”) (Popper, 1963) é um exemplo popular. A teoria da complexidade de Stacey (Stacey et al., 2000) e a teoria da construção de sentido de Karl Weick (Weick et al., 2005) são algumas das teorias que, filosoficamente, parecem seguir nessa direção de um paradigma de pesquisa alternativo.
Ao estudar algumas características dos métodos convencionais de pesquisa, derivadas de livros de metodologia de pesquisa de Cassell e Symon (2004), Huberman e Miles (2002) e Miles (1990), pode-se concluir que existem algumas deficiências nessas abordagens: situações da vida real podem não ser explicadas, há problemas de generalização e podem surgir visões excessivamente simplificadas. Alguns aspectos da realidade podem não ser mensuráveis, pois ocorrem ao longo de um longo período de tempo. Às vezes, as teorias podem se tornar dominantes, enquanto a prática pode ser diferente.
Além disso, a influência do pesquisador no processo de pesquisa deve ser levada em consideração, pois pode variar entre os pesquisadores e, portanto, não se encontram os mesmos padrões emergentes. Alguns pesquisadores podem se basear demais em teorias existentes e, consequentemente, desenvolver pontos cegos que não são percebidos durante o processo de pesquisa, levando à observação parcial do fenômeno. Mesmo métodos indutivos, como a teoria fundamentada, podem apresentar problemas, pois as teorias construídas do zero não encontram oportunidades de validação e as hipóteses não são desenvolvidas para serem testadas posteriormente. Esse problema existe principalmente porque entender a experiência humana vivida é uma atividade demorada e, quando um pesquisador dedica tempo a esse estudo, pode não ter recursos para realizar uma validação posterior fora do âmbito da teoria substantiva. Isso pode ocorrer em estudos quase-experimentais e em estudos com sujeito único.
Outro problema reside no fato de que, em alguns métodos, como pesquisas históricas e de arquivo, interpretações conflitantes podem ocorrer e gerações podem não existir para fornecer as informações contextuais locais necessárias para uma boa interpretação das observações. Estudos realizados em ambientes naturais podem apresentar a desvantagem de menor controle sobre a pesquisa. A pesquisa-ação pode levar a vieses e a organização da parte administrativa necessária para que o pesquisador possa atuar como facilitador e monitorar o processo pode ser um desafio. A análise de conteúdo e a hermenêutica textual podem negligenciar informações não verbais, ou o pesquisador pode influenciar as escolhas que levam à emergência de significados, enquanto outros pesquisadores podem discordar desse processo de construção de significado. Pesquisas, entrevistas e questionários podem ser superficiais para alguns tópicos. Estudos de caso e histórias de vida são métodos de seleção que podem não ser apreciados por outros pesquisadores. A maioria dessas fragilidades pode ser mencionada se a intenção for generalizar ou buscar um entendimento universalista. Diante de todas essas fragilidades, as abordagens de pesquisa transpessoal parecem oferecer uma alternativa para lidar com algumas delas. Elas reconhecem a experiência do pesquisador e permitem estruturas e experiências únicas, não visando a generalização.
Dentre as diversas abordagens de pesquisa disponíveis em ciências sociais e gestão, as abordagens transpessoais são as que melhor abordam as lacunas da pesquisa contemporânea. Algumas das abordagens de pesquisa transpessoal mais comuns, abordagens de pesquisa convencionais e métodos disciplinados de investigação foram revisados e apresentados na Tabela 17.1.
“… as abordagens transpessoais são as que melhor abordam as lacunas da pesquisa contemporânea.“
As visões de mundo dominantes e não dominantes não são sintetizáveis e, talvez, não integráveis devido às suas diferenças naturais, como visões de mundo lineares e não lineares, perspectivas de causa-efeito e de efeito-causa. Portanto, qualquer integração das abordagens mencionadas seria de natureza sintética e pode até mesmo ser impossível. O paradigma que leva a abordagens de dedução e sumarização de elementos não conduziria à resolução do problema de pesquisa, por exemplo, de liderança. Portanto, sugerimos uma abordagem alternativa, denominada abordagem de pesquisa integrativa.

Abordagem de Pesquisa Integrativa
Como discutido acima, a integração ou unificação artificial ou sintética de visões de mundo não é a direção correta, pois sacrifica a natureza Indígena da realidade. A porção sacrificada se perde ou, em outras palavras, é “digerida” pelo paradigma dominante. Portanto, um paradigma de pesquisa integrativa seria digno de ser explorado. Para o contexto Indígena, a literatura menciona algumas abordagens para conduzir pesquisas, como a descolonização de perspectivas (Ashcroft et al., 2006; Dharampal, 1983) e o uso de narrativas Indígenas (Cole, 2017). Para a pesquisa integrativa, no entanto, essas abordagens podem não ser suficientes.
Bindlish et al. (2018) sugerem uma nova abordagem na qual os pesquisadores se preparam mental e espiritualmente antes de iniciar a pesquisa Indígena, utilizando diversas técnicas de reengenharia social como parte de uma abordagem de pesquisa integrativa (Bindlish et al., 2019). Nandram (2015) menciona que qualquer pesquisa que vise o entendimento de um fenômeno pode se beneficiar de uma preparação mental e espiritual do pesquisador, a fim de garantir clareza mental para a coleta de dados em campo. Nandram menciona a investigação consciente (mindful) como uma forma de se preparar para uma observação e interpretação lúcidas do que está sendo visto em um contexto específico (Nandram, 2013b). Entender a visão de mundo do entrevistado é um elemento importante para se obter uma visão holística do estudo.
“Nandram (2015) menciona que qualquer pesquisa que vise o entendimento de um fenômeno pode se beneficiar de uma preparação mental e espiritual do pesquisador, a fim de garantir clareza mental para a coleta de dados em campo.“
Suponha que uma pessoa acredite na teoria do karma; nesse caso, é importante que o pesquisador esteja ciente disso, pois algumas ações na mente dessa pessoa podem estar programadas para o futuro, incluindo vidas futuras (Nandram, 2013a). Por exemplo, em um estudo sobre estresse, a ausência de estresse pode não estar relacionada a uma intervenção realizada, mas sim à visão de mundo da pessoa, que considera a possibilidade de viver outra vida futura e alcançar objetivos que não consegue atingir agora. Ignorar essa informação pode levar a erros fundamentais de atribuição.
“Entender a visão de mundo do entrevistado é um elemento importante para se obter uma visão holística do estudo.“
Para estabelecer um paradigma de pesquisa integrativa, podemos nos inspirar em perspectivas dos métodos de pesquisa Indianos, aqui denominados metodologias de pesquisa da Índia antiga. Essas metodologias emanam de uma visão de mundo Védica, ou chamada dhármica, e podem orientar estudos que buscam uma alternativa aos testes de hipóteses convencionais. Há muitas características interessantes nessas metodologias. Tomemos como exemplo o processo silogístico “Phala-Hetu”, que trata da relação entre “efeito e causa” nessa ordem. Trata-se de um entendimento retrospectivo da causalidade, onde primeiro se concentra o esforço e depois se fazem inferências sobre uma possível causa (Malhotra, 2009).
Diferentemente do paradigma universalista, um paradigma integrativo concentra-se na unidade integral (não sintética), sem a perspectiva nomotética de reivindicar generalizações no nível manifesto (Nandram et al., 2019). A pesquisa que segue uma abordagem integrativa pode exigir contemplações sobre aspectos fundamentais, experimentos mentais e inclusão da intuição, bem como explorações Indígenas (Panda & Gupta, 2007). Também pode envolver um afastamento do estilo típico de questionário de psicólogos ou behavioristas, aproximando-se de uma abordagem de entrevista observacional aberta, que, na prática, é mais experiencial do que a simples entrevista. Os antigos modelos Indianos não dividem explicitamente a pesquisa em fundamental e aplicada. A pesquisa, em geral, inclina-se para a descoberta da natureza real do conceito nomeado (padārtha) e da natureza constituinte fundamental do conceito (tattva).
“Diferentemente do paradigma universalista, um paradigma integrativo concentra-se na unidade integral (não sintética), sem a perspectiva nomotética de reivindicar generalizações no nível manifesto (Nandram et al., 2019).“
O Processo de Pesquisa Integrativa
Todo contexto Indígena oferece muitas possibilidades para enriquecer as abordagens de pesquisa integrativa. Aqui estão alguns aspectos do contexto de pesquisa da Índia antiga. Qualquer processo de pesquisa integrativa envolve um ou mais desses aspectos:
1. Convicção (niścaya) – Aqui, em geral, a convicção pelo conhecimento na busca da verdade precede a pesquisa. Em outras palavras, é a convicção do pesquisador sobre “o que deve ser conhecido”. A convicção do pesquisador em conhecer é o fator principal. Esse aspecto do paradigma da pesquisa integrativa traz o foco de volta para aquilo que vale a pena conhecer e incentiva o pensamento teórico a partir de diferentes perspectivas e cenários do processo de conhecimento. Esse processo de conhecimento provém da estrutura da trindade do conhecimento (conhecedor, cognoscível, conhecimento) derivada da sabedoria Védica (Bindlish et al., 2017, 2018; Nandram, 2019). Um pesquisador que pretende estudar sistemas de conhecimento Indígena necessita ter convicção a respeito, pois isso exige uma mente aberta, engajamento com o sistema e participação ativa nele, sem saber o que esperar em relação à quantidade e qualidade das fontes de dados e ao tempo necessário para obter um entendimento claro. Essa questão é abordada de forma inadequada nos paradigmas de pesquisa contemporâneos.
“A convicção do pesquisador em conhecer é o fator principal.“
2. Assunto ou objeto (jñēya) – Essa é a parte integrante da convicção (niścaya). É o objeto final, que deve ser conhecido ou pesquisado para se conhecer. Esse objeto final também é conhecido como pramēya, um objeto a ser conhecido segundo a filosofia Nyāya, uma das seis principais escolas filosóficas Indianas. Essa parte assemelha-se ao processo de definição da questão de pesquisa, em que o pesquisador escolhe um foco de pesquisa claro após estudar a literatura existente. Mas, em pesquisas Indígenas que utilizam uma abordagem integrativa, esse estudo da literatura pode nem sempre ser possível devido à falta de fontes acessíveis em formatos e idiomas específicos. Como em muitas escrituras Indianas, não há autoria definida e existem centenas ou mesmo milhares de interpretações, uma vez que são localizadas devido ao contexto, às linhagens vivas e aos idiomas.
3. Objetivo (prayōjana) – Em um nível abstrato amplo, o objetivo pode ser a conquista de metas mundanas (abhyudaya) ou a liberação (niḥśrēyasa), ou uma combinação de ambas. Outros objetivos emanam deles. Esse entendimento provém de uma filosofia Indiana conhecida como filosofia Vaiśeṣika. Em uma categorização mais detalhada, o objetivo pode ser um ou mais dos quatro objetivos de vida, segundo a cosmovisão Hindu: retidão (dharma) como caminho para a prosperidade (artha), os desejos mundanos ou materiais (kama) e a emancipação ou liberação (mokṣa). Os três primeiros fazem parte das metas mundanas (abhyudaya) e o último é uma meta espiritual (niḥśrēyasa). Na pesquisa contemporânea, essas amplas categorias de objetivos não são consideradas durante a condução da pesquisa, mas para o tema da espiritualidade, elas são um objetivo importante. No contexto contemporâneo, esse processo pode ser equiparado à formulação do problema e ao problema de gestão que o pesquisador está tentando resolver, o qual estará sempre relacionado a objetivos mundanos.
Espera-se que toda pesquisa tenha clareza quanto ao objetivo, visto que o tema (jñēya) e o objetivo (prayōjana) são partes integrantes da convicção (niścaya) do pesquisador que segue um paradigma de pesquisa integrativa. Em um nível secundário, o pesquisador pode desenvolver ainda curiosidade (jijñāsā) ou dúvida (saṁśaya). A resolução da curiosidade ou o esclarecimento da dúvida podem ser um objetivo secundário da pesquisa.
4. Tese (siddhānta) – Essa é a compilação ou apresentação final do conhecimento sobre o assunto (jñēya). Geralmente, contém afirmações estabelecidas por meio de um ou mais métodos de pesquisa (yukti). Os princípios da tese (siddhānta) podem ter três componentes: o aspecto do conceito nomeado que se pretende conhecer (pakṣa); o raciocínio do silogismo utilizado (hētu); e a evidência para o silogismo utilizado (dr̥ṣṭānta).
Com base na aplicabilidade, os princípios (siddhānta) são categorizados em princípios aplicáveis em todos os contextos (sarvatantra siddhānta) ou princípios aplicáveis em um contexto específico (pratitantra siddhānta). Essa parte do processo assemelha-se ao planejamento da pesquisa e à generalização nos paradigmas de pesquisa modernos. O padrão interessante aqui é que, nos paradigmas modernos, nós podemos falar sobre validade externa, mas ainda assim nós podemos ser cautelosos quanto ao contexto ao qual a validade é atribuída, enquanto o princípio do sarvatantra siddhānta no paradigma integrativo é mais conclusivo. Outro padrão interessante é que, em uma abordagem de pesquisa integrativa, a aplicabilidade a um contexto particular (pratitantra siddhānta) também é apreciada como aplicabilidade universal, o que traz o equilíbrio que, de outra forma, muitas vezes falta nos projetos de pesquisa contemporâneos.
5. Revisão integrativa (samanvaya) – A pesquisa em um modelo Indiano sempre culmina em um processo de reconciliação filosófica. A premissa subjacente é a interconectividade de todos os seres vivos e não vivos. Durante esse processo, a tese é, portanto, analisada sob diversas perspectivas e as objeções são refutadas de modo que todos alcancem um entendimento comum do tema (jñēya). Esse processo de reconciliação pode exigir um processo de diálogo (śāstrārtha), que às vezes é interpretado erroneamente como “debate” ou “defesa”. Trata-se de um processo que visa chegar a um entendimento aceitável da descrição do objeto ou da realidade. Esse processo possui três componentes: a posição do pesquisador sobre o tema (pakṣa); a razão (hetu); e a evidência ou silogismo (dr̥ṣṭānta).
Vale mencionar que a posição do pesquisador frequentemente não ocupa um lugar de destaque nas abordagens de pesquisa contemporâneas. Essa parte do processo é comparável à conclusão e à discussão nessas abordagens. Contudo, a intenção de reconciliação parece ser exclusiva da abordagem integrativa. Em outras abordagens, a crítica é a força motriz para o desenvolvimento de novas perspectivas e a comparação com a visão de mundo já dominante é a forma de concluir uma pesquisa. Aqui, não há visão de mundo dominante ou menos dominante; diferentes perspectivas e propósitos das entidades são intencionalmente incluídos para um contexto específico como parte fundamental da pesquisa. Além disso, esse processo de samanvaya convida à reflexão sobre as descobertas por parte do pesquisador, uma vez que as suas experiências também encontram espaço em uma abordagem de pesquisa integrativa.
“… a intenção de reconciliação parece ser exclusiva da abordagem integrativa.“
Conclusão
Os aspectos importantes da pesquisa para o entendimento dos fenômenos Indígenas podem ser encontrados em um paradigma integrativo, derivado de antigos métodos de pesquisa Indianos, que pareciam estar ausentes ou menos destacados nas abordagens convencionais. Geralmente, nos paradigmas de pesquisa dominantes, dá-se menos relevância à convicção (niścaya) e ao posicionamento do pesquisador (pakṣa), embora essas sejam contribuições importantes para a experiência do tema da pesquisa, visto que uma abordagem integrativa oferece espaço para a inclusão tanto de realidades objetivas quanto de experiências subjetivas. Além disso, nas abordagens convencionais, há um tema limitado (jñēya) e os objetivos (prayōjana) não são incorporados holisticamente, incluindo metas mundanas e espirituais. Outra conclusão é que, nas abordagens convencionais, há uma revisão integrativa limitada (samanvaya). Mais uma conclusão é que a abordagem integrativa oferece espaço tanto para a aplicabilidade local (pratitantra siddhānta) quanto para a universal (sarvantantra siddhānta). Todo o processo de pesquisa deve ser seguido por uma revisão completa de diversos aspectos, perspectivas e propósitos relevantes para o tema, a fim de reconciliá-los. Se um paradigma de pesquisa for capaz de integrar esses aspectos, então poderá ser chamado de abordagem de pesquisa integrativa, que será benéfica tanto para fenômenos modernos quanto para fenômenos Indígenas no contexto social.
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—–Continua Parte XVIII—–
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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.
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