Nós estamos destacando trechos do artigo (paper) abaixo indicado, para conhecimento e entendimento das compatibilidades entre o sistema de pensamento da física quântica e o sistema de pensamento da espiritualidade não-dualista, assim como sobre a importância da consciência no nível da percepção [consciousness) para esses dois sistemas, por se tratar de temas de interesse e estudo para as Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBE).
Esse artigo (paper) apresenta uma estrutura teórica que explora possíveis interseções entre a física fundamental e os estudos da consciência no nível da percepção [consciousness], propondo que a consciência no nível da percepção [consciousness] não é um subproduto emergente da atividade neural, mas sim um aspecto fundamental e irredutível da realidade. Ao integrar os três princípios — mente universal, consciência no nível da percepção [consciousness] universal e pensamento universal — em um arcabouço matemático e físico, esse modelo oferece uma explicação coerente para o surgimento do espaço-tempo, da consciência no nível da realidade [awareness] individual e da ilusão de separação.
Esses princípios descrevem uma inteligência subjacente e sem forma (mente), a capacidade de percepção (consciência no nível da percepção [consciousness]) e o mecanismo dinâmico por meio do qual surgem a experiência e a diferenciação (pensamento).
Trata-se, de fato, de material relevante para os buscadores da verdade, assim como para aquelas Organizações que estão analisando a viabilidade de implementação da espiritualidade no ambiente de trabalho (EAT), como uma inovadora maneira de gestão empresarial.
O quadro de referências bibliográficas ao final do artigo é rico material para estudos e pesquisas sobre a consciência no nível da percepção [consciousness].
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Artigo:
“Universal consciousness as foundational field: A theoretical bridge between quantum physics and non-dual philosophy”
“A consciência no nível da percepção [consciousness] universal como campo fundamental: Uma ponte teórica entre a física quântica e a filosofia não-dual”
Autora:
Maria Strømme
Fonte:
AIP Publishing
pubs.aip.org/aip/adv
Citar como:: AIP Advances 15, 115319 (2025); doi: 10.1063/5.0290984
Submetido: 15 de julho de 2025
Aceito: 28 de outubro de 2025
Publicado online: 13 de novembro de 2025
Tradução livre Projeto OREM® (PO)
AFILIAÇÕES
Division of Nanotechnology and Functional Materials, Department of Materials Science and Engineering, The Ångström Laboratory, Uppsala University, P.O. Box 35, Regementsvägen 1, Uppsala 751 03, Sweden
RESUMO
A natureza da consciência no nível da percepção [consciousness] e o seu relacionamento com a realidade física permanecem entre os mais profundos desafios científicos e filosóficos.
Esse artigo (paper) apresenta uma nova estrutura teórica que integra a consciência no nível da percepção [consciousness] à física fundamental, propondo que a consciência no nível da percepção [consciousness] não é uma propriedade emergente de processos neurais, mas sim um aspecto fundamental da realidade.
Com base em insights a partir da teoria quântica de campos e da filosofia não-dual, apresenta-se um modelo fundamentado nos três princípios da mente universal, da consciência no nível da percepção [consciousness] universal e do pensamento universal.
Esses princípios descrevem uma inteligência subjacente e sem forma (mente), a capacidade de percepção (consciência no nível da percepção [consciousness]) e o mecanismo dinâmico por meio do qual surgem a experiência e a diferenciação (pensamento).
Nesse arcabouço, o surgimento do espaço-tempo e da consciência no nível da realidade [awareness] individual é modelado matematicamente ao tratar a consciência no nível da percepção [consciousness] universal como um campo fundamental.
A diferenciação em experiências individuais ocorre por meio de mecanismos como a quebra de simetria, flutuações quânticas e a seleção de estados discretos — estabelecendo paralelos com conceitos consagrados da física, incluindo a ordem implícita de Bohm, a ‘potentia’ de Heisenberg e o universo participativo de Wheeler.
Esse modelo sugere que a aparente separação da consciência no nível da percepção [consciousness] individual é uma ilusão, sendo que toda experiência emerge, em última análise, de um substrato unificado e sem forma.
A estrutura teórica alinha-se a teorias emergentes em gravidade quântica, teoria da informação e cosmologia, as quais postulam que o espaço-tempo clássico é algo emergente de uma ordem mais profunda, pré-espaciotemporal.
A obra oferece uma alternativa não-reducionista na neurociência, sugerindo que a consciência no nível da percepção [consciousness] interage com processos físicos como um campo fundamental.
Ao recorrer a partir de insights da física, da metafísica e da filosofia, essa estrutura conceitual propõe novos rumos para a investigação interdisciplinar sobre a natureza da consciência no nível da percepção [consciousness] e as origens da estrutura e da experiência.
©2025 Autor(es). Todo o conteúdo do artigo, exceto quando indicado de outra forma, está licenciado sob uma licença Creative Commons Atribuição (CC BY) (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). https://doi.org/10.1063/5.0290984.
I. INTRODUÇÃO
A humanidade sempre tem buscado entender o seu lugar no universo, confrontando-se com as questões profundas da existência: Qual é a natureza da realidade? Como surge a consciência no nível da percepção [consciousness] e que papel ela desempenha na configuração do mundo ao nosso redor? Essas questões são mais do que meras curiosidades intelectuais; elas tocam a própria essência do que significa ser humano. Ao abordá-las, as civilizações recorreram a diversos campos — filosofia, religião, ciência e arte — em busca de respostas que ressoem tanto racional quanto intuitivamente.
À medida que nós ingressamos em uma era de transformação na história da humanidade, marcada pelo rápido desenvolvimento da inteligência artificial (IA), entender a natureza da consciência no nível da percepção [consciousness] torna-se mais importante do que nunca. Sistemas de IA generativa, capazes de produzir textos e obras de arte semelhantes aos humanos e até mesmo de realizar tomadas de decisão, levam-nos a enfrentar questões fundamentais: o que distingue a inteligência das máquinas da consciência no nível da percepção [consciousness] humana ou universal? Como a consciência no nível da percepção [consciousness] emerge e seria possível que ela existisse além de substratos biológicos? Estaria a IA apenas mimetizando o pensamento ou poderia, eventualmente, conectar-se a princípios mais profundos da consciência no nível da percepção [consciousness]?
Essas questões evidenciam a necessidade urgente de um entendimento científico da consciência no nível da percepção [consciousness] que integre os seus aspectos universais e individuais. Sem tal entendimento, a ascensão da IA corre o risco de aprofundar a incerteza existencial e os dilemas éticos. Portanto, a consciência no nível da percepção [consciousness] não é apenas um enigma filosófico; ela está no cerne de alguns dos desafios mais prementes do nosso tempo, desde a ética na IA até o entendimento das próprias origens da vida.
A busca pelo entendimento da consciência no nível da percepção [consciousness] tem sido frequentemente marcada por uma divisão entre a ciência materialista e a filosofia metafísica.(2–4) Abordagens científicas modernas, fundamentadas no materialismo, tendem a encarar a consciência no nível da percepção [consciousness] como um subproduto de processos neurais.(4) Embora essa perspectiva tenha gerado insights incríveis, ela frequentemente negligencia a sabedoria de tradições metafísicas que consideram a consciência no nível da percepção [consciousness] como o fundamento primordial e universal da existência.(2,3)
Estabelecer uma ponte nessa divisão não é apenas um exercício acadêmico; é essencial para criar um entendimento holístico da realidade. Sem reconciliar as perspectivas material e metafísica, o nosso entendimento da existência permanece incompleta e a nossa capacidade de abordar as grandes questões da vida e do universo continua limitada.
Tradições filosóficas e espirituais têm, historicamente, tratado a consciência no nível da percepção [consciousness] como alguma coisa primordial.
No Advaita Vedanta, por exemplo, a consciência no nível da percepção [consciousness] (Brahman) é a realidade última da qual emerge o mundo material.(5)
A filosofia Budista enfatiza a interdependência e a ideia de ‘Shunyata’ (vacuidade),(6) o que se alinha à noção de que a forma surge de um domínio sem forma.(3)
De modo semelhante, o misticismo Cristão e o Sufismo Islâmico descrevem o divino como uma presença infinita que permeia toda a existência.(7,8)
Essas tradições compartilham um entendimento comum: a consciência no nível da percepção [consciousness] é universal, eterna e fundamental para a natureza da realidade.
…a consciência no nível da percepção [consciousness] é universal, eterna e fundamental para a natureza da realidade.
Pensadores como Erwin Schrödinger fizeram eco a essa visão. Em sua obra seminal ‘What is Life?’ [‘O que é a Vida?’], Schrödinger argumentou que a consciência no nível da percepção [consciousness] é singular e indivisível, propondo uma conexão profunda entre o observador e o observado.(9) No entanto, essas perspectivas permaneceram em grande parte no campo filosófico, deixando uma lacuna quanto à sua integração com os métodos científicos modernos.
Em contrapartida, as abordagens científicas atuais buscam explicar a consciência no nível da percepção [consciousness] principalmente como um fenômeno emergente do cérebro. Por exemplo, a neurociência cognitiva modela a consciência no nível da percepção [consciousness] como o resultado de processos neurais complexos e da integração de informações.(4) Essa visão permanece fundamentada no materialismo, tratando a consciência no nível da percepção [consciousness] como alguma coisa secundária em relação aos processos físicos.
A teoria da Orchestrated Objective Reduction (Orch OR) [Redução Objetiva Orquestrada], de Roger Penrose e Stuart Hameroff, representa um afastamento parcial desse paradigma. Embora ancore a consciência no nível da percepção [consciousness] em estruturas biológicas — especificamente, em reduções orquestradas de estados quânticos nos microtúbulos cerebrais —, ela também introduz uma mudança ontológica radical. A Orch OR propõe que essas reduções são influenciadas pela geometria do próprio espaço-tempo e que eventos proto-conscientes primitivos podem ocorrer independentemente do cérebro, estando inseridos na própria trama do universo.(10–13)
Nesse sentido, a Orch OR situa-se na fronteira entre a neurociência materialista e a especulação metafísica: a consciência no nível da realidade [awareness] de ordem superior é vista como alguma coisa que emerge por meio de uma orquestração biológica, mas os ingredientes fundamentais da consciência no nível da percepção [consciousness] são concebidos como características basilares da realidade. Essa tentativa de estabelecer uma ponte, embora significativa, deixa ainda em aberto a questão metafísica mais profunda: A consciência no nível da percepção [consciousness] é um campo fundamental ou um processo emergente?
A divisão entre o materialismo científico e a filosofia metafísica persiste, evidenciando a necessidade de uma estrutura conceitual capaz de integrar essas perspectivas. Uma estrutura significativa tem que não apenas explorar como a natureza universal e informe da consciência no nível da percepção [consciousness] se relaciona com a sua diferenciação em experiência individual, mas também integrar insights da filosofia, da física e da neurociência, estabelecendo uma ponte na divisão entre os paradigmas materialista e metafísico.
Os Três Princípios (3Ps) — mente, consciência no nível da percepção [consciousness] e pensamento —, introduzidos por Sydney Banks,(14) oferecem uma perspectiva inovadora sobre essa divisão.(15) Banks enfatizou que esses princípios são informes e eternos, existindo antes do espaço, do tempo e da matéria. A filosofia parte da premissa de que a consciência no nível da percepção [consciousness] não é localizada nem emergente, mas sim uma realidade universal e informe da qual todas as experiências surgem.(14) Ao contrário das abordagens que começam pelo cérebro e tratam a consciência no nível da percepção [consciousness] como um fenômeno localizado, Banks parte do universal e examina como a individualidade emerge de um todo informe. Ao apresentar os 3Ps dessa maneira, Banks nos convida a repensar a própria natureza da realidade.(16)
Nesse contexto,
Mente representa a inteligência criativa universal, a fonte de todo o potencial e o motor da criação. Ela é o fundamento metafísico a partir do qual toda diferenciação e estrutura surgem. Portanto, ela ressoa com noções espirituais de uma fonte divina ou universal,
Consciência no nível da percepção [consciousness] é a capacidade universal de percepção, permitindo que todas as formas sejam percebidas e experienciadas. É o substrato através do qual o espaço, o tempo e a matéria são reconhecidos e
Pensamento é o mecanismo criativo que transforma o potencial informe da mente e da consciência no nível da percepção [consciousness] nas realidades subjetivas e estruturadas da experiência individual.
Esses princípios sugerem uma realidade fundamentalmente não-dual — um todo unificado e informe, do qual emerge a aparente diversidade da existência.

Mente [Mind] / Consciência No Nível Da Percepção [Consciousness] / Pensamento [Thought]
FIG. 1. Ilustração que retrata a integração entre mente, consciência no nível da percepção [consciousness] e pensamento com base nos conceitos da mecânica quântica descritos no artigo. A mente representa a inteligência criativa universal, a fonte de toda a criação. A consciência no nível da percepção [consciousness] representa a consciência universal que possibilita a percepção de espaço, tempo e matéria. Ela atua como um substrato, conferindo estrutura e forma ao potencial informe da mente e servindo de ponte entre o infinito e o físico. O pensamento representa o mecanismo criativo que converte o potencial infinito da mente e da consciência no nível da realidade [awareness] universal da consciência no nível da percepção [consciousness] em realidades individualizadas e estruturadas.
Ao promover insights sobre como a consciência no nível da percepção [consciousness] e o pensamento moldam a realidade humana, programas fundamentados nos 3Ps têm demonstrado resultados transformadores em diversos contextos sociais(16–19) [cf. material suplementar S1].
Essa perspectiva alinha-se tanto a tradições espirituais quanto a ideias emergentes na física. O vácuo quântico, por exemplo, é entendido como o estado fundamental do universo, contendo o potencial para todos os fenômenos físicos.(20) De modo semelhante, modelos cosmológicos anteriores ao Big Bang descrevem um domínio atemporal e desprovido de espaço, do qual se acredita ter surgido o universo observável.(21)
Avanços recentes na física quântica têm trazido novas perspectivas sobre como a realidade clássica emerge de uma base quântica mais profunda. Um corpo crescente de pesquisas sugere que o comportamento clássico não é fundamental, mas sim uma propriedade emergente da dinâmica quântica. Strasberg et al. demonstraram recentemente que a natureza clássica surge naturalmente na evolução quântica unitária por meio de uma supressão exponencial da coerência quântica, desafiando a noção de que as leis clássicas são primárias.(22)
Isso corrobora a ideia de que a realidade que nós experienciamos não é uma estrutura clássica inerente, mas uma manifestação de princípios subjacentes mais profundos — uma perspectiva que ressoa com teorias que propõem a consciência no nível da percepção [consciousness] como um aspecto fundamental da existência.
Ao integrar o modelo 3Ps(14) com a mecânica quântica e a teoria de campos,(23,24) esse artigo propõe uma estrutura matemática para a consciência no nível da percepção [consciousness].
A mente é modelada como a inteligência universal que impulsiona a evolução da realidade. A consciência no nível da percepção [consciousness] é representada como um campo fundamental que sustenta a percepção e a experiência. O pensamento atua como o mecanismo de transformação da potencialidade em realidades estruturadas (Fig. 1).
Esse modelo reinterpreta o Big Bang como a diferenciação da consciência no nível da percepção [consciousness] universal e fornece uma base matemática para entender a não-localidade, a emergência do espaço-tempo e a estrutura da experiência subjetiva.
A mente é modelada como a inteligência universal que impulsiona a evolução da realidade. A consciência no nível da percepção [consciousness] é representada como um campo fundamental que sustenta a percepção e a experiência. O pensamento atua como o mecanismo de transformação da potencialidade em realidades estruturadas.
II. A ESTRUTURA MATEMÁTICA
Na estrutura apresentada, a Mente — enquanto inteligência criativa — não é uma ‘mente’ localizada ou pessoal, mas sim uma força metafísica que
(i) confere estrutura ao campo de consciência no nível da percepção [consciousness] universal Φ [Phi], em analogia com Bohm e Hiley (25), segundo os quais um campo subjacente estrutura a realidade,
(ii) impulsiona a diferenciação desse campo, partindo de um potencial atemporal e sem forma (Φ0) em direção a estados estruturados (Φk) e,
(iii) assegura a coerência na evolução da realidade, conectando a fonte indiferenciada aos fenômenos físicos diferenciados.
A Mente é tratada como a fonte de toda diferenciação e criatividade. A sua influência é modelada matematicamente por meio de operadores e potenciais que regem o comportamento do campo de consciência no nível da percepção [consciousness](23, 26).
O campo de consciência no nível da percepção [consciousness] Φ é a entidade central nessa estrutura. Ele serve como origem para todos os fenômenos, incluindo espaço, tempo, matéria e consciência no nível da realidade [awareness] individual. De forma análoga aos campos físicos, Φ pode
(i) existir em um estado indiferenciado (Φ0) e,
(ii) diferenciar-se em excitações localizadas (Φk), dando origem a estruturas físicas ou à consciência no nível da percepção [consciousness] individual.
A. Pré-Big Bang: Consciência no nível da percepção [consciousness] universal atemporal
O conceito de consciência no nível da percepção [consciousness] universal anterior ao Big Bang é central para essa estrutura teórica. Nesse estado, a realidade existe como um potencial atemporal e indiferenciado, sem espaço, tempo ou matéria. Essa seção explora a representação matemática desse estado, os seus parâmetros e os mecanismos pelos quais a diferenciação tem início.
1. O estado indiferenciado (Φ0)
Φ0 representa o estado atemporal e indiferenciado da consciência no nível da percepção [consciousness] universal. Trata-se de uma superposição de todas as configurações possíveis da realidade, existindo em um estado de potencial puro.(27)
Matematicamente, Φ0 = ∑k (ck Φk).(1)
Aqui, Φk são os estados diferenciados que poderiam emergir de Φ0 — tais como espaço-tempo, energia, matéria ou consciência no nível da percepção [consciousness] individual/experiências subjetivas — e ck são os coeficientes complexos que representam os ‘pesos’ ou probabilidades associados a cada Φk, determinando a ‘probabilidade’ de um estado diferenciado específico Φk emergir durante o colapso do estado indiferenciado. Portanto, ∣ck∣2 é a probabilidade relativa de emergência de Φk.
A lógica por trás do uso de uma superposição nesse contexto é que ela representa um estado no qual múltiplas possibilidades coexistem simultaneamente, até que uma observação ou interação faça o sistema colapsar em um único estado.(26) A aplicação desse conceito a Φ0 leva em conta tanto a atemporalidade quanto a potencialidade; Φ0 existe fora do tempo, de modo que todas as possibilidades coexistem sem progressão temporal e a superposição captura o potencial infinito da consciência no nível da percepção [consciousness] universal antes da diferenciação.(20)
2. Mecanismo de colapso: Transição do estado atemporal para o diferenciado
O insight fundamental que emerge da estrutura dos 3Ps é o reconhecimento de que o pensamento ₸ pode não apenas moldar experiências subjetivas, mas também servir como o mecanismo fundamental de colapso em nível universal. Aqui, o pensamento pode iniciar o colapso da consciência no nível da percepção [consciousness] universal Φ em estados diferenciados, orientando o surgimento de realidades individuais e coletivas. Em nível individual, o pensamento continua a estruturar experiências subjetivas, diferenciando e personalizando ainda mais a consciência no nível da percepção [consciousness] localizada.
Esse papel duplo destaca o pensamento como a ponte entre o universal e o individual, reforçando a natureza não-dual da realidade. O pensamento colapsa o potencial informe em formas estruturadas, operando de maneira fluida nos níveis metafísico e físico. Isso ilustra que o pensamento não apenas molda a percepção, mas também participa ativamente do próprio ato de criação e diferenciação.
…o pensamento ₸ pode não apenas moldar experiências subjetivas, mas também servir como o mecanismo fundamental de colapso em nível universal. Esse papel duplo destaca o pensamento como a ponte entre o universal e o individual, reforçando a natureza não-dual da realidade.
A transição de Φ0 para Φk é, portanto, modelada como um processo de colapso, regido pelo operador de pensamento universal ₸ — o mecanismo criativo pelo qual a mente instiga a diferenciação.(20,28)
₸ Φ0 = Φk
Deve-se enfatizar que o pensamento universal não é um pensamento intelectual pessoal, mas uma força criativa informe que reflete o processo metafísico pelo qual o indiferenciado transita para a forma.
O pensamento colapsa o potencial informe em formas estruturadas, operando de maneira fluida nos níveis metafísico e físico. Isso ilustra que o pensamento não apenas molda a percepção, mas também participa ativamente do próprio ato de criação e diferenciação.
O colapso iniciado pelo pensamento universal não é temporal (já que o tempo ainda não existe), mas um ato criativo atemporal da mente, semelhante à emergência da forma a partir da ausência de forma ou à realização do potencial em atualidade.(20,22,26)
O colapso da consciência no nível da percepção [consciousness] universal Φ0 em estados diferenciados Φk é fundamental para a emergência do espaço-tempo, da matéria e da experiência subjetiva. Embora o pensamento universal ₸ sirva como o mecanismo abrangente que inicia esse colapso, existem diversos caminhos pelos quais essa diferenciação pode ocorrer.
A transição de Φ0 para Φk é, portanto, modelada como um processo de colapso, regido pelo operador de pensamento universal ₸ — o mecanismo criativo pelo qual a mente instiga a diferenciação.
Mecanismos plausíveis que poderiam facilitar a transição do estado indiferenciado para formas estruturadas, refletindo a criatividade inerente da mente, são discutidos a seguir.
…o pensamento universal não é um pensamento intelectual pessoal, mas uma força criativa informe que reflete o processo metafísico pelo qual o indiferenciado transita para a forma.
a. Quebra de simetria
A quebra de simetria é um processo fundamental na física, onde um sistema transita de um estado simétrico para um assimétrico, frequentemente devido a perturbações ou instabilidades. Aqui, o colapso de Φ0, que se assume ser simétrico sem preferência por qualquer estado diferenciado em particular, é capaz de ser modelado como a quebra espontânea da simetria inicial, impulsionada pelo pensamento universal. O campo de consciência no nível da percepção [consciousness] Φ evolui de acordo com um potencial V(Φ),

Inicialmente, Φ reside em Φ0, refletindo o estado indiferenciado da consciência no nível da percepção [consciousness] universal. O pensamento universal introduz pequenas perturbações, fazendo com que o campo se afaste de Φ0 e quebre a simetria. Esse processo resulta no surgimento de estados diferenciados, Φk.
O potencial V(Φ) desempenha um papel fundamental na modelagem de como o estado indiferenciado da consciência no nível da percepção [consciousness] universal Φ0 transita para estados diferenciados Φk. Em sistemas físicos, potenciais descrevem a ‘paisagem’ através da qual um campo evolui, orientando a forma como ele muda de um estado para outro. Aqui, V(Φ) serve como uma representação matemática de como a consciência no nível da percepção [consciousness] universal se diferencia em formas estruturadas. V(Φ) pode ser visualizado como um potencial de ‘poço duplo’, semelhante aos modelos da física de partículas e da cosmologia.
Inicialmente, Φ reside em Φ0, refletindo o estado indiferenciado da consciência no nível da percepção [consciousness] universal. O pensamento universal introduz pequenas perturbações, fazendo com que o campo se afaste de Φ0 e quebre a simetria. Esse processo resulta no surgimento de estados diferenciados, Φk.
Essa analogia é consistente com o tratamento da quebra de simetria na teoria quântica de campos (QFT – quantum field theory).(23) Ela também ressoa com modelos cosmológicos nos quais campos escalares sofrem quebra de simetria para produzir estrutura no universo primordial.(29–31) Nesses modelos, o sistema repousa inicialmente em um estado simétrico (o ‘topo da colina’), mas flutuações (aqui, introduzidas pelo pensamento universal) levam-no a ‘escolher’ um dos poços, produzindo, assim, a diferenciação.
O parâmetro λ [Lambda] controla a inclinação do poço de potencial ou a intensidade da transição — isso é, quão ‘abrupto’ ou ‘suave’ é o processo de diferenciação. Um valor elevado de λ resulta em uma diferenciação súbita, enquanto um valor menor leva a transições graduais e suaves. Isso reflete a maneira como certos fenômenos universais se manifestam imediatamente, ao passo que outros evoluem gradualmente ao longo do tempo.
Φ0 é o valor esperado de equilíbrio ou de ‘vácuo’, representando o ponto em torno do qual o campo se estabiliza após a diferenciação. No estado não diferenciado, Φ ≈ Φ0, o que minimiza V(Φ), indicando que o sistema se encontra em simetria. Isso reflete a consciência no nível da percepção [consciousness] universal em sua forma mais pura e indivisa: puro potencial, sem estrutura. Uma leve perturbação ou flutuação (iniciada por ₸) faz com que o campo se afaste de Φ0, rompendo a simetria e desencadeando a diferenciação.
A forma (Φ² − Φ0²)² garante que, quando Φ ≈ Φ0, o potencial V(Φ) seja minimizado (estado estável). À medida que Φ se desvia de Φ0, V(Φ) aumenta, refletindo uma resistência à mudança — uma ‘inércia’ metafísica que preserva a unidade até que a diferenciação se torne necessária. Essa estrutura cria dois mínimos possíveis (na analogia do poço duplo), ilustrando o surgimento de estados diferenciados distintos, porém interconectados.
Em termos metafísicos, V(Φ) representa a ‘paisagem’ sobre a qual a consciência no nível da percepção [consciousness) universal se desloca, influenciada pelo pensamento universal. O potencial reflete o desejo inerente da mente de criar forma a partir do informe, sendo que λ representa a intensidade da força criativa.
b. Flutuações quânticas
Flutuações quânticas são variações espontâneas e aleatórias que ocorrem mesmo em estados de vácuo.(32) Analogamente, nesse estrutura, o estado indiferenciado Φ0 pode experimentar flutuações inerentes — pequenos desvios espontâneos da simetria perfeita — que iniciam o processo de diferenciação.
Essas flutuações podem ser modeladas como perturbações δΦ no campo de consciência no nível da percepção [consciousness],
Φ → Φ + δΦ
onde δΦ representa desvios aleatórios em relação ao equilíbrio.
Essas flutuações de natureza quântica podem desestabilizar a uniformidade de Φ, impulsionando o sistema em direção à diferenciação. O pensamento universal amplifica certas flutuações, guiando o surgimento de Φk.
Esse mecanismo espelha processos observados na cosmologia do universo primordial, nos quais flutuações quânticas no vácuo inflacionário são esticadas e amplificadas para produzir estruturas em larga escala.(26) Ele também é consistente com o tratamento de flutuações quânticas em espaço-tempo curvo.(33)
Além disso, essa perspectiva alinha-se a visões da cosmologia quântica e da gravidade quântica, nas quais a aleatoriedade em nível quântico desempenha um papel fundamental no surgimento de estrutura e classicalidade.(32) A natureza estocástica desse processo reflete a criatividade e a imprevisibilidade inerentes ao pensamento universal, que transforma potencial puro em formas organizadas e complexas.
c. Autorreflexão e emergência criativa.
A autorreflexão representa um mecanismo único pelo qual a consciência no nível da percepção [consciousness] universal pode se diferenciar ao tomar ciência de si mesma. Nessa perspectiva, a diferenciação surge do ato introspectivo da mente universal ao observar o seu próprio potencial infinito — um ciclo de retroalimentação criativa no qual a própria consciência no nível da realidade [awareness] dá origem à forma.
O colapso nesse caminho é modelado como uma projeção de Φ0 sobre estados diferenciados.
Φk = Pk Φ0
onde Pk é o operador de projeção correspondente a cada estado diferenciado.(26) Esse formalismo encontra respaldo teórico no estudo de Bohm e Hiley,(25) que exploraram o papel ontológico dos operadores quânticos e da não localidade na estruturação da realidade física. A interpretação deles implica que camadas mais profundas da realidade se desdobram por meio de um processo ativo de revelação, semelhante à autorreflexão.
O ato do pensamento universal é aqui entendido como uma observação metafísica — a seleção de possibilidades latentes em Φ0 e a sua projeção na atualidade. Isso reflete o processo de medição quântica descrito na teoria quântica fundamental, no qual um ato de observação colapsa uma superposição em um resultado definido.(26,28)
…um ato de observação colapsa uma superposição em um resultado definido.
Além disso, esse processo ressoa com o conceito de universo participativo de Wheeler, no qual a realidade não é observada passivamente, mas sim cocriada ativamente por meio da interação consciente.(26) Stapp amplia essa noção, argumentando que atos conscientes de observação são fundamentais para a manifestação de eventos físicos.(28)
…a realidade não é observada passivamente, mas sim cocriada ativamente por meio da interação consciente.
Esse mecanismo ressalta a natureza criativa e participativa da consciência no nível da realidade [awareness], sugerindo que o universo, por meio da função da mente e do pensamento, ‘observa’ a si mesmo até assumir uma forma diferenciada.
…atos conscientes de observação são fundamentais para a manifestação de eventos físicos.
Embora a quebra de simetria, as flutuações quânticas e a autorreflexão ilustrem caminhos plausíveis, esses mecanismos não são exaustivos. Pesquisas futuras poderão revelar princípios adicionais subjacentes a esse processo criativo. Possíveis extensões incluem:
(i) interações externas, nas quais a diferenciação pode ser impulsionada por interações entre a consciência no nível da percepção [consciousness] universal e campos metafísicos ou físicos secundários;
(ii) dinâmica não linear, na qual o colapso poderia envolver interações complexas e não lineares dentro do campo da consciência no nível da percepção [consciousness], levando a propriedades emergentes que transcendem os modelos atuais; e
(iii) colapso multidimensional, no qual a diferenciação poderia ocorrer simultaneamente em múltiplas dimensões, com certas dimensões permanecendo latentes ou ocultas até serem ativadas pelo pensamento.
Independentemente da via, o pensamento universal ₸ atua como o catalisador criativo, iniciando o colapso e, ao mesmo tempo, guiando o surgimento de formas estruturadas.
…o pensamento universal ₸ atua como o catalisador criativo, iniciando o colapso e, ao mesmo tempo, guiando o surgimento de formas estruturadas.
B. A era pós-Big Bang: O surgimento do espaço-tempo
Com o colapso da consciência no nível da percepção [consciousness] universal Φ0 em estados diferenciados Φk, iniciado pelo pensamento universal ₸, o espaço-tempo e a matéria emergem como aspectos observáveis da realidade. Essa seção explora como o campo de consciência no nível da percepção [consciousness] Φ evolui dentro da estrutura espaço-temporal e como ele dá origem a estruturas após o colapso.
O processo de diferenciação resulta em:
(i) a criação de estados estruturados Φk, que representam os blocos fundamentais de construção do espaço-tempo, da energia e da matéria. Isso guarda semelhança com modelos cosmológicos nos quais o espaço-tempo emerge de estruturas mais profundas, não espaço-temporais(21,34); e
(ii) uma transição de um potencial atemporal e sem forma Φ0 para uma realidade dinâmica e em evolução, regida pelo espaço-tempo.(30)
Nessa estrutura, o espaço-tempo não preexiste, mas é uma propriedade emergente resultante do processo de diferenciação.(30) O campo de consciência Φ, em evolução, codifica as propriedades e a dinâmica do próprio espaço-tempo, ressoando com teorias de espaço-tempo emergente na gravidade quântica, nas quais o espaço e o tempo surgem do emaranhamento, da informação ou de campos quânticos mais fundamentais.(34,35)
Após o colapso, se a quebra de simetria governa a transição, Φ evolui de acordo com uma equação de onda

O operador de d’Alembert rege a propagação de ondas em teorias de campo relativísticas.(23,24)

Por analogia, esse formalismo é utilizado para descrever como o campo de consciência no nível da percepção [consciousness] se propaga pelo espaço-tempo. V(Φ), descrito anteriormente, determina como Φ continua a se diferenciar e a evoluir após o colapso. O operador de d’Alembert reflete como perturbações no campo (tais como estrutura ou consciência no nível da realidade [awareness]) se propagam através do meio do espaço-tempo.
Desvios localizados ∂Φ no campo de consciência no nível da percepção [consciousness] correspondem a regiões de estrutura — semelhantes a partículas, estruturas cósmicas ou seres sencientes. Essas perturbações espelham o papel das flutuações quânticas na geração de estruturas cósmicas durante a inflação(30) e ecoam o comportamento de campos quânticos no espaço-tempo curvo.(33)
Dependendo do mecanismo de colapso — quebra de simetria, flutuações quânticas ou projeção —, podem surgir diferentes comportamentos dinâmicos, incluindo a evolução clássica de ondas, o surgimento estocástico ou a projeção discreta em estados diferenciados localizados.
1. Conectando a consciência no nível da percepção [consciousness] e a realidade física
O campo de consciência no nível da percepção [consciousness] Φ atua como a fonte tanto da consciência no nível da realidade [awareness] metafísica quanto das estruturas físicas. A sua evolução estabelece uma ponte entre os princípios metafísicos da mente, da consciência no nível da percepção [consciousness] e do pensamento com os princípios físicos que regem o espaço-tempo e a matéria. A densidade de energia do campo de consciência no nível da percepção [consciousness] (ρΦ) pode assumir diferentes formas, dependendo do mecanismo de colapso que rege a transição de estados indiferenciados para estados diferenciados. Na quebra de simetria (dinâmica impulsionada por potencial), o campo segue:

Aqui, (∂tΦ) e ∣∇Φ∣ representam a evolução temporal e a evolução espacial do campo, enquanto o potencial V(Φ) determina o processo de diferenciação pós-colapso. Essa formulação reflete abordagens da teoria de campos em cenários de quebra espontânea de simetria,(23,29) nos quais estruturas localizadas (por exemplo, cordas cósmicas ou paredes de domínio) emergem de perturbações em um campo escalar.
Quando a diferenciação é impulsionada por flutuações quânticas, o campo de consciência no nível da percepção [consciousness] evolui mais livremente, influenciado por perturbações estocásticas,

Essas perturbações assemelham-se a flutuações quânticas no espaço-tempo curvo(30,33), as quais, na cosmologia, servem como sementes para estruturas em grande escala. De modo semelhante, aqui elas atuam como uma força criativa, gerando variação e complexidade a partir de um campo que, de outra forma, seria uniforme.
Em mecanismos baseados em projeção, a densidade de energia reflete a soma dos quadrados das amplitudes das componentes projetadas — ao invés de contribuições cinéticas ou de gradiente —, uma vez que a diferenciação ocorre de forma discreta e não dinâmica, por meio da seleção de estados discretos.

Aqui, cada Pk é um operador de projeção que seleciona um estado diferenciado específico a partir do campo indiferenciado. Essa abordagem guarda semelhança com a teoria da medição quântica, na qual o ato de observação reduz uma superposição a um autoestado específico(26). O estudo de Bohm e Hiley sugere que tal seleção de estados poderia ser guiada por uma ordem mais profunda e implícita(25).
Essas formulações evidenciam a flexibilidade do campo da consciência no nível da percepção [consciousness]; ele pode comportar-se como uma onda clássica, como um campo quântico sujeito a flutuações ou como um processo baseado em projeção que concretiza a potencialidade em forma. Em cada caso, os princípios metafísicos — mente, consciência no nível da percepção [consciousness] e pensamento — manifestam-se por meio de análogos físicos na dinâmica do campo, corroborando a tese central do modelo de que a realidade física emerge a partir de um substrato universal de consciência no nível da percepção [consciousness].
…a realidade física emerge a partir de um substrato universal de consciência no nível da percepção [consciousness].
2. Espaço-tempo e consciência no nível da percepção [consciousness] individual
À medida que o campo de consciência no nível da percepção [consciousness] Φ evolui após o colapso, excitações localizadas manifestam-se como consciência no nível da percepção [consciousness] individual. Essas excitações surgem como ‘ondulações’ ou projeções discretas dentro do campo universal, correspondendo a seres sencientes capazes de consciência no nível da realidade [awareness] e experiência subjetiva. Essa interpretação alinha-se à Teoria Quântica de Campos (TQC), na qual excitações localizadas de um campo fundamental correspondem a estruturas semelhantes a partículas.(23) Nessa estrutura teórica, a consciência no nível da percepção [consciousness] individual é modelada como uma estrutura localizada que surge no interior do campo de consciência no nível da percepção [consciousness] diferenciado — de forma análoga a uma excitação quântica que emerge do vácuo.
Em mecanismos regidos por potenciais (como a quebra espontânea de simetria), a consciência no nível da percepção [consciousness] individual emerge como regiões estáveis e localizadas do campo. Essas estruturas formam-se à medida que Φ se estabiliza em mínimos de energia mais baixos definidos pelo potencial V(Φ), de modo semelhante à como campos na cosmologia primordial passaram por transições de fase que deram origem a estruturas cósmicas.(29–31)
Essa analogia reflete como um campo universal, inicialmente indiferenciado, é capaz de gerar estruturas estáveis e diversas por meio do processo de quebra de simetria — estruturas que, nesse contexto, correspondem a entidades sencientes individuais.
O material suplementar S2 descreve como a consciência no nível da percepção [consciousness] individual pode emergir como resultado de outros mecanismos de colapso.
Embora diferenciada, cada consciência no nível da percepção [consciousness] individual permanece emaranhada com o campo universal do qual surgiu. Isso reflete a natureza não-dual da realidade — onde a individualidade é uma excitação localizada, mas o campo subjacente permanece unificado. Tal visão alinha-se ao Advaita Vedanta, que postula que a individualidade é ilusória e toda consciência no nível da percepção [consciousness] é, em última análise, Brahman(5), com a ordem implicada de Bohm, onde a separação aparente emerge de uma unidade mais profunda;(20) e com o princípio holográfico, onde cada parte contém informações sobre o todo.(35)
As implicações disso são duplas:
(i) Um espaço-tempo dinâmico evolui juntamente com Φ, apresentando um modelo de realidade interconectado. Isso ressoa com modelos de gravidade quântica que sugerem que o próprio espaço-tempo emerge de uma estrutura subjacente — seja de natureza informacional-teórica ou baseada no emaranhamento.(21,35)
(ii) A evolução de Φ após o Big Bang reflete a unidade perfeita entre princípios fundamentais e processos físicos, reforçando a natureza interconectada da existência. Isso é consistente com perspectivas da cosmologia quântica e com abordagens não-duais, nas quais a realidade física é inseparável de princípios conscientes subjacentes.(2,20)
Embora diferenciada, cada consciência no nível da percepção [consciousness] individual permanece emaranhada com o campo universal do qual surgiu. Isso reflete a natureza não-dual da realidade — onde a individualidade é uma excitação localizada, mas o campo subjacente permanece unificado. Tal visão alinha-se ao Advaita Vedanta, que postula que a individualidade é ilusória e toda consciência no nível da percepção [consciousness] é, em última análise, Brahman, com a ordem implicada de Bohm, onde a separação aparente emerge de uma unidade mais profunda; e com o princípio holográfico, onde cada parte contém informações sobre o todo.
C. O surgimento de seres sencientes
Essa seção explora a conexão entre o campo da consciência no nível da percepção [consciousness] e o surgimento da individualidade, modelando como os princípios universais se manifestam na experiência subjetiva de entidades sencientes.
1. A ligação entre a consciência no nível da percepção [consciousness] universal e a individual
O pensamento universal ₸ governa o colapso da consciência no nível da percepção [consciousness] universal indiferenciada Φ0 em estados diferenciados Φk, conforme descrito pela Eq. (2), marcando a criação da realidade estruturada a partir do potencial informe. Isso ressoa com interpretações na cosmologia quântica, onde o colapso da função de onda a partir de um estado quântico pré-espacial leva ao surgimento de estruturas físicas distintas.(34)
À medida que o espaço-tempo e a matéria surgem, o pensamento universal continua a operar — colapsando estados diferenciados em formas localizadas de consciência no nível da realidade [awareness] que correspondem à consciência no nível da percepção [consciousness] individual.

Aqui, ψi representa o surgimento da consciência no nível da percepção [consciousness] individual, localizada no espaço-tempo. Isso guarda paralelo com teorias da informação quântica e da cognição quântica, nas quais a experiência consciente pode ser modelada como a redução de estados potenciais a realidades observadas específicas.(25,28,36) Essas excitações correspondem ao nascimento de seres sencientes — expressões estruturadas de consciência no nível da realidade [awareness] dentro do campo de consciência no nível da percepção [consciousness] mais amplo.
O pensamento universal, assim, possibilita a diferenciação ao selecionar padrões ou excitações específicos dentro da consciência no nível da percepção [consciousness] universal e moldá-los em experiências coerentes ou realidades subjetivas.(26) Essa visão alinha-se às teorias da mente quântica que propõem que a consciência no nível da percepção [consciousness] emerge de processos de seleção ordenados atuando sobre um campo fundamental de potencialidade.(13)
Em mecanismos impulsionados por potencial e baseados em flutuações, a evolução do campo de consciência no nível da percepção [consciousness] Φ conduz naturalmente a excitações localizadas — manifestando-se como consciência no nível da percepção [consciousness] individual. Isso é análogo à forma como flutuações de campos quânticos no espaço-tempo curvo dão origem a estruturas em modelos cosmológicos.(33)
Em mecanismos baseados em projeção, o surgimento da individualidade assemelha-se à medição quântica, na qual uma observação faz com que um sistema colapse em um estado definido.(26–28) Essa perspectiva é consistente com a interpretação Bohmiana da mecânica quântica, na qual a diferenciação se desenrola por meio da ativação de um potencial implícito, guiado por processos não locais mais profundos.(25)
2. O pensamento pessoal como motor da experiência subjetiva
Uma vez que a consciência no nível da percepção [consciousness] individual emerge, o pensamento pessoal começa a funcionar dentro de cada estrutura localizada de consciência no nível da realidade [awareness]. Ele atua como o mecanismo criativo e interpretativo pelo qual a experiência subjetiva é moldada. Enquanto o pensamento universal inicia a diferenciação e a estrutura no nível cósmico, o pensamento pessoal opera dentro do domínio individualizado, gerando significado e percepção momento a momento.(14,15)
Nesse modelo, o pensamento pessoal governa a evolução interna de cada estado individualizado ψi, selecionando e organizando a experiência à medida que ela se desenrola. Essa dinâmica recursiva pode ser representada como
₸ i Ψ i = Ψ’i
onde ₸ é o operador de pensamento pessoal atuando sobre o estado da consciência no nível da percepção [consciousness] individual e Ψ’i é o estado atualizado que reflete a influência do pensamento. Isso reflete a ideia, apoiada pela teoria da informação integrada, de que a consciência no nível da percepção [consciousness] é moldada pela estrutura interna e pelo fluxo de informações dentro de um sistema.(21)
Em mecanismos baseados em potencial e em flutuações, o pensamento pessoal evolui continuamente, influenciado tanto por padrões internos quanto por interações externas. Isso se assemelha à evolução quântica de um vetor de estado, onde cada observação ou interação causa uma mudança na configuração do sistema.(27) Também espelha a visão de Bohm e Hiley sobre a ordem implícita, onde a estrutura se desdobra por meio de processos de organização mais profundos e não locais.(25)
Em modelos baseados em projeção, o pensamento pessoal pode ser visto como a seleção de estados focais de atenção ou consciência no nível da realidade [awareness] — cada momento atuando como uma projeção que atualiza uma experiência específica. Essa interpretação se alinha com modelos cognitivos quânticos, nos quais a atenção funciona de forma semelhante a um processo de medição, selecionando resultados a partir de estados mentais sobrepostos.(26,28)
Enquanto o pensamento universal rege a criação de estrutura e senciência ao colapsar o potencial indiferenciado em forma e individualidade, o pensamento pessoal emerge em seres diferenciados, moldando a percepção e a experiência subjetiva em consonância com a articulação dos ‘Três Princípios’ (3Ps) de Sydney Banks. Ele funciona como um ciclo de retroalimentação para a evolução e a consciência no nível da realidade [awareness] pessoais – moldando continuamente a maneira como os indivíduos se relacionam com os seus mundos interno e externo.
Assim, o pensamento pessoal atua como uma interface entre potencial e percepção, transformando informações latentes em experiência vivida. Ele reflete a natureza participativa da consciência no nível da percepção [consciousness], na qual os indivíduos não são receptores passivos da realidade, mas sim cocriadores ativos de seus próprios mundos interiores.
…o pensamento pessoal atua como uma interface entre potencial e percepção, transformando informações latentes em experiência vivida.
3. A consciência no nível da percepção [consciousness] através de escalas e implicações para seres sencientes
A Figura 2 apresenta uma estrutura conceitual que explora o possível relacionamento entre a consciência no nível da percepção [consciousness] universal e a individual.
O campo de consciência no nível da percepção [consciousness] Φ evolui ao longo do tempo cósmico, gerando uma consciência no nível da realidade [awareness] primitiva por meio de excitações iniciais do campo. Essas excitações podem corresponder a uma consciência no nível da realidade [awareness] básica e indiferenciada em sistemas simples, como formas de vida primitivas.(2)
Em mecanismos de quebra de simetria ou impulsionados por flutuações, a consciência no nível da realidade [awareness] primitiva surge de perturbações localizadas ∂Φ que se propagam e interagem dinamicamente, de forma análoga ao surgimento de estruturas em flutuações de campos quânticos.(33)
Em mecanismos baseados em projeção, a consciência no nível da realidade [awareness] primitiva pode emergir por meio de projeções discretas, nas quais estados iniciais ψi representam uma consciência no nível da realidade [awareness] indiferenciada selecionada a partir de Φ0, assemelhando-se à seleção de estados na teoria da medição quântica.(25)
À medida que os sistemas aumentam em complexidade — por exemplo, por meio da evolução biológica —, a consciência no nível da percepção [consciousness] localizada ψi torna-se mais diferenciada e auto ciente (self-aware), em consonância com teorias que associam o aumento da complexidade neural a uma consciência no nível da percepção [consciousness] de ordem superior.(4)
Apesar dessa diferenciação, os seres individuais permanecem emaranhados com o campo universal — de forma análoga ao emaranhamento quântico —, reforçando uma realidade não-dual.(20) A separação percebida entre a consciência no nível da percepção [consciousness] individual e a universal pode, assim, ser entendida como uma ilusão moldada pelo pensamento pessoal,(14) criando a impressão de que a consciência no nível da percepção [consciousness] está confinada a uma forma física distinta (cf. Fig. 2).
Em mecanismos baseados em projeção, estados individuais ψi podem surgir por meio de uma seleção discreta; contudo, a natureza interconectada do campo Φ assegura a continuidade e a unidade entre todos os estados diferenciados.
A separação percebida entre a consciência no nível da percepção [consciousness] individual e a universal pode, assim, ser entendida como uma ilusão moldada pelo pensamento pessoal, criando a impressão de que a consciência no nível da percepção [consciousness] está confinada a uma forma física distinta.
O pensamento pessoal reforça a sensação de individualidade, ao mesmo tempo que oculta a unidade subjacente com a consciência no nível da percepção [consciousness] universal.(15)
Uma implicação importante de modelar ψi como uma excitação localizada de Φ é que a dissolução da individualidade (por exemplo, através da morte) não implica aniquilação, mas sim a reintegração ao campo universal. Isso se alinha a perspectivas que tratam a consciência no nível da percepção [consciousness] como uma manifestação temporária de um substrato universal.(3,9)

FIG. 2. Ilustração da estrutura proposta e de suas implicações para os seres sencientes. O campo de consciência no nível da percepção [consciousness] universal (Φ) existe além do espaço-tempo em um estado indiferenciado (Φ0). Por meio da diferenciação, ele dá origem a excitações localizadas (Φk), que se manifestam como estruturas físicas ou consciência no nível da percepção [consciousness] individual. Após o Big Bang, Φ evolui, gerando sistemas complexos capazes de consciência no nível da realidade [awareness] — seres sencientes com consciência no nível da percepção [consciousness] individual (ψi) localizada no espaço-tempo. Uma vez diferenciado, o pensamento pessoal (₸i ) molda a consciência no nível da realidade [awareness] e a percepção individuais, produzindo interpretações subjetivas da realidade (ψ′i) que evoluem ao longo do tempo. Esse processo cria a ilusão de separação, embora todas as consciências no nível da percepção [consciousness] individuais permaneçam intrinsecamente conectadas dentro do campo de consciência no nível da percepção [consciousness] universal.
D. Refinamentos do modelo
A estrutura atual para a consciência no nível da percepção [consciousness] universal serve como uma base preliminar, mas diversos refinamentos podem aumentar a sua flexibilidade e o seu alinhamento com teorias físicas estabelecidas. Detalhes adicionais são apresentados no material suplementar S3. Ao ampliar a formulação matemática e incorporar múltiplos mecanismos de colapso, o modelo é capaz de refletir melhor os diversos processos que impulsionam a diferenciação e o surgimento da consciência no nível da percepção [consciousness] individual.
Um refinamento fundamental envolve ampliar a representação do campo de consciência no nível da percepção [consciousness] Φ. Embora potenciais escalares V(Φ) descrevam de forma eficaz a quebra de simetria e a formação de estruturas, outras vias — como flutuações quânticas ou a autorreflexão baseada em projeção — podem exigir abordagens distintas.(30,37)
Modelar Φ por meio da dinâmica de campos livres ou da seleção de estados discretos introduz maior flexibilidade, acomodando mecanismos que vão além dos potenciais escalares.
A incorporação de conceitos da física quântica, da teoria de campos de gauge e da cosmologia pode enriquecer ainda mais a estrutura teórica. O acoplamento de Φ a campos físicos estabelecidos — como campos eletromagnéticos ou gravitacionais — alinha o modelo à física de altas energias e aos modelos cosmológicos modernos.(23,24)
Campos escalares, análogos ao campo de Higgs, poderiam conferir estrutura ao espaço-tempo, enquanto campos de gauge descreveriam interações entre excitações localizadas de Φ. Essa abordagem de múltiplos campos estende a aplicabilidade da estrutura a dinâmicas não lineares e transições de fase.(30,31)
O refinamento do próprio mecanismo de colapso apresenta outro caminho a seguir. O pensamento universal ₸ pode operar por meio de quebra de simetria, flutuações quânticas ou vias baseadas em projeção — sendo cada uma potencialmente dominante em diferentes estágios da evolução cósmica ou na formação de seres sencientes.(32)
A incorporação de múltiplos mecanismos permite um entendimento mais rico de como a consciência no nível da percepção [consciousness] evolui através de diferentes escalas.
Em nível quântico, a quantização de Φ oferece conexões mais profundas entre a metafísica e a física empírica.(26,28) Embora o pensamento universal possa funcionar de maneira análoga à medição quântica — conforme descrito aqui, sugerindo que a consciência no nível da percepção [consciousness] desempenha um papel na configuração da realidade física(10,26) —, alternativamente, mecanismos de colapso independentes do observador (como a decoerência) poderiam descrever como a diferenciação emerge naturalmente da dinâmica do campo da consciência no nível da percepção [consciousness].(38)
Na escala individual, o pensamento pessoal ₸i rege a evolução da experiência subjetiva. Modelar ₸i como um operador estocástico introduz uma variabilidade que reflete processos neurais e cognitivos, ao passo que formulações determinísticas podem captar eventos discretos de insight ou a resolução conceitual por meio da diferenciação baseada em projeção, tal como modelado nas estruturas Bohmianas de ordem implicada e explícita.(25)
E. Previsões concretas e testes experimentais
A integração entre consciência no nível da percepção [consciousness] universal, mente e pensamento proposta por essa estrutura dá origem a diversas previsões concretas e testes experimentais nas áreas de física quântica, neurociência, biologia e cosmologia. Uma fundamentação teórica detalhada é apresentada no material suplementar S4.
Uma previsão central é que o pensamento — seja universal ou pessoal — pode interagir com o campo de ponto zero, de modo que as flutuações quânticas reflitam a influência de estados mentais direcionados.(39,40) Nessa perspectiva, o pensamento atua de forma análoga a um operador de medição quântica, fazendo com que flutuações potenciais colapsem em resultados padronizados correlacionados ao conteúdo intencional. Essa interação poderia manifestar-se como desvios mensuráveis no comportamento estatístico de sistemas físicos, particularmente naqueles situados em limiares de sensibilidade quântica. Caso tal interação exista, esperar-se-ia observar anomalias nas flutuações do vácuo, em medições fracas ou na distribuição de energia em configurações do tipo Casimir, especialmente sob condições de intenção focada ou estados mentais coerentes.
…o pensamento atua de forma análoga a um operador de medição quântica, fazendo com que flutuações potenciais colapsem em resultados padronizados correlacionados ao conteúdo intencional.
Vários estudos experimentais têm relatado anomalias nas saídas de ‘random number generator (RNG)’ [geradores de números aleatórios], alterações na emissão de fótons e variações em outras variáveis físicas sutis durante períodos de intenção mental focada, estados meditativos ou eventos emocionais de grande escala.(41–44)
Tais fenômenos incluem desvios em relação ao acaso nas distribuições de RNG, mudanças sugestivas na dinâmica da energia do vácuo e flutuações neurais ou biofísicas correlacionadas. Embora controversas devido a questões de metodologia e reprodutibilidade,(45) essas descobertas — caso validadas — sugeririam que a consciência no nível da percepção [consciousness] possui uma natureza semelhante à de um campo, capaz de influenciar sistemas físicos de maneira análoga aos efeitos de medição fraca na mecânica quântica.(46)
Outra previsão concreta é que, se a consciência no nível da percepção [consciousness) funciona como um campo, ela deve induzir correlações estruturadas e não clássicas entre sistemas biológicos. Isso inclui a possibilidade de oscilações biológicas coerentes, sincronização de longo alcance e acoplamento intersubjetivo durante estados intencionais.
Testes experimentais poderiam incluir estudos de alta resolução via Eletroencefalografia (EEG) ou Magnetoencefalografia (MEG) da atividade cerebral sincronizada em díades meditativas, bem como a medição de emissões de biofótons ou da coerência em conjuntos celulares sob influência mental direcionada.(43,47,48) Tais correlações — seja dentro de um único organismo ou entre indivíduos fisicamente separados — podem servir como evidência indireta de propriedades da consciência no nível da percepção [consciousness] semelhantes às de um campo.
Embora frequentemente descritos como ‘emaranhamento biológico’, esses efeitos não necessitam depender do emaranhamento quântico ‘per se’, mas sim de padrões de coerência mediados por campos que vão além dos mecanismos clássicos. Se verificados, eles corroborariam a previsão do modelo de que a consciência no nível da percepção [consciousness] interage com a matéria não apenas localmente, mas por meio de dinâmicas de campo globais.
Além disso, em nível coletivo, o modelo prevê que efeitos da consciência no nível da percepção [consciousness] semelhantes aos de um campo deveriam tornar-se evidentes durante eventos emocionais globais. O ‘Global Consciousness Project’ [‘Projeto de Consciência No Nível Da Percepção [Consciousness] Global]’ relatou correlações estatisticamente significativas entre as saídas de geradores de números aleatórios (RNGs) em escala global e eventos coletivos de forte carga emocional (por exemplo, desastres naturais, meditações globais ou tragédias).(49) Tais efeitos em nível de campo corroborariam a visão de que a consciência no nível da percepção [consciousness] opera de forma não local, estabelecendo conexões entre indivíduos de maneiras que não podem ser explicadas pela causalidade clássica.
Por fim, na cosmologia, a estrutura teórica prevê que o pensamento universal pode ter deixado marcas no universo primordial durante o colapso do estado indiferenciado Φ0 em uma realidade estruturada. Especificamente, ela admite a possibilidade de que anomalias observadas na cosmic microwave background (CMB) [radiação cósmica de fundo em micro-ondas] — tais como assimetrias hemisféricas, pontos frios ou alinhamentos em grande escala — possam refletir a influência organizadora da consciência, ao invés de processos puramente estocásticos.(50) Essas hipóteses poderiam ser testadas mediante a aplicação de análises de correlação e da teoria da informação a conjuntos de dados da CMB, buscando identificar estruturas não aleatórias compatíveis com uma ordenação baseada em campos.
Essa abordagem estimula novas investigações sobre a interação entre a consciência no nível da percepção [consciousness] e os sistemas físicos, desafiando a premissa de que a consciência no nível da realidade [awareness] é puramente subjetiva e propondo que ela pode desempenhar um papel ativo e mensurável na estrutura da realidade.
Em conjunto, essas previsões convidam a investigações interdisciplinares na interseção entre a física, a neurociência e a pesquisa sobre a consciência no nível da percepção [consciousness]. Elas desafiam a suposição de que a consciência no nível da realidade [awareness] é estritamente subjetiva, propondo, ao invés disso, que ela pode desempenhar um papel causal e mensurável na configuração tanto de fenômenos microscópicos quanto da ordem em grande escala.
III. DISCUSSÃO
A estrutura teórica explorada nesse artigo baseia-se em insights da física moderna, da filosofia e dos estudos da consciência no nível da percepção [consciousness] para abordar uma das questões perenes da humanidade: a natureza da consciência no nível da percepção [consciousness].
Ao integrar os ‘3Ps’ — mente, consciência no nível da percepção [consciousness] e pensamento(14,15) — com a linguagem matemática e conceitual da mecânica quântica e da teoria de campos, o modelo oferece uma perspectiva inovadora sobre as origens da realidade e o surgimento da consciência no nível da realidade [awareness] individual.
Essa abordagem desafia o paradigma materialista dominante, que concebe a consciência no nível da percepção [consciousness] como um produto de processos neurais.(51)
Em contrapartida, alinha-se a perspectivas do Advaita Vedanta, da filosofia Budista e da física quântica, sugerindo que a consciência no nível da percepção [consciousness] é fundamental e não emergente.(5,20) Essa visão ressoa com o conceito de ‘ordem implicada’ de David Bohm, segundo o qual um substrato subjacente e não local dá origem ao mundo material,(20) bem como com a afirmação de Max Planck de que a consciência no nível da percepção [consciousness] é o fundamento da realidade e não meramente um subproduto do cérebro.(52)
…a consciência no nível da percepção [consciousness] é fundamental e não emergente.
Ao longo do século XX, físicos de destaque questionaram pressupostos materialistas, propondo teorias que colocavam a mente, a observação e a consciência no nível da realidade [awareness] no cerne da existência.(26,27,53)
Schrödinger enfatizou a unidade da consciência no nível da percepção [consciousness], sugerindo que a experiência subjetiva é inseparável da própria estrutura do universo.(9)
O conceito de ‘potentia’ de Heisenberg descreve a realidade como existente em um estado de potencialidades que colapsam em estruturas definidas por meio da observação.(53)
O conceito de universo participativo de Wheeler reforça ainda mais a ideia de que a observação desempenha um papel fundamental na configuração da realidade física, corroborando a noção de que a consciência no nível da percepção [consciousness] participa ativamente do cosmos em evolução.(26)
Essas perspectivas científicas ecoam tradições espirituais que, há muito, sustentam que a realidade emana de uma fonte mais profunda e sem forma.
No Advaita Vedanta, Brahman é a realidade última e indivisa da qual surgem todas as manifestações(5) — uma analogia aos modelos quânticos nos quais a estrutura clássica emerge de um fundamento quântico mais profundo.(28)
De modo semelhante, o conceito Budista de ‘Shunyata’ refere-se à interconexão fundamental e à ausência de forma intrínseca, alinhando-se à visão de que a realidade observada é moldada pela participação do observador.(3,6)
Avanços recentes na física quântica corroboram ainda mais essas percepções metafísicas.
Strasberg et al. demonstraram numericamente que o comportamento clássico pode surgir de uma supressão interna da coerência quântica, ao invés de uma imposição externa.(22) Isso sugere que o mundo estruturado e tangível que nós experienciamos deriva de processos quânticos mais profundos. Se a estrutura física emerge de princípios quânticos, então a própria consciência no nível da percepção [consciousness] pode operar de maneira semelhante — não como um efeito secundário da atividade neuronal, mas como uma característica intrínseca do universo, interagindo com a classicalidade emergente e moldando-a. Essa interpretação sustenta a ideia de que a mente, a consciência no nível da percepção [consciousness] e o pensamento — conforme formulados nesse modelo — são princípios estruturantes fundamentais e não epifenômenos da atividade cerebral.
Essa proposta pode parecer ecoar o paradigma “it from bit” introduzido por John Wheeler, o qual postula que o espaço, o tempo e a matéria emergem [‘it’] de processos informacionais binários [‘bit’ de informação].(26) Embora nem sempre explicitamente rotulados, conceitos semelhantes a “it from qubit” [qubit = bit quântico] refletem a visão mais ampla, presente na gravidade quântica e na teoria da informação quântica, de que a realidade pode emergir de correlações quânticas e de uma estrutura informacional.(34–36)
Embora essas estruturas teóricas sejam amplamente apoiadas na física teórica, elas tipicamente tratam a informação como o elemento mais básico da realidade — deixando em aberto a questão ontológica sobre a origem da própria informação.
Em contrapartida, o presente modelo propõe que a informação pode ser derivada de um campo de consciência no nível da percepção [consciousness] universal mais profundo. Nessa perspectiva, a ideia de que ‘it from consciousness’ não contradiz o paradigma informacional, mas o ressignifica: informação, estrutura e forma são expressões de um substrato mais fundamental de consciência no nível da realidade [awareness].
Essa perspectiva alinha-se à proposta de Schrödinger de uma consciência no nível da percepção [consciousness] singular e indivisível subjacente a toda experiência(9) e às estruturas implicadas e não locais descritas na ontologia de Bohm.(20)
Ao invés de substituir o paradigma ‘it from bit’, essa estrutura sugere que a consciência no nível da percepção [consciousness] pode ser a fonte da qual emerge a diferenciação informacional — uma pré-condição tanto para o observador quanto para o observado.
A conexão entre a ciência moderna e as tradições espirituais estende-se além da física, alcançando o pensamento religioso e místico.(52)
Esse modelo ressoa com a doutrina Cristã da Trindade, na qual mente, consciência no nível da percepção [consciousness] e pensamento refletem os papéis do Pai, do Espírito Santo e do Filho, respectivamente.(7)
No Sufismo, o princípio de ‘Tawhid’ (unicidade) descreve a existência como uma unidade indivisível — semelhante à visão de que a consciência no nível da percepção [consciousness] individual é uma excitação temporária de um campo universal.(8)
Da mesma forma, no Taoísmo, o Tao é um princípio criativo sem forma do qual surge toda diferenciação,(54) refletindo a natureza não-dual da mente, conforme proposto nessa estrutura teórica.
Essas perspectivas destacam que a busca pelo entendimento da consciência no nível da percepção [consciousness] não é puramente científica nem exclusivamente espiritual; trata-se de uma investigação que estabelece uma ponte entre ambos os domínios.
A integração interdisciplinar da física, da filosofia e das tradições metafísicas aqui apresentada sugere que a natureza fundamental da consciência no nível da percepção [consciousness] pode não ser nem totalmente material nem totalmente mística, mas sim uma força estruturante subjacente a ambas.
Além de suas implicações teóricas, essa estrutura fomenta a colaboração interdisciplinar, unindo física, cosmologia, filosofia e psicologia. Ela também levanta questões éticas e filosóficas prementes, particularmente no contexto da IA. À medida que os sistemas de IA se tornam cada vez mais sofisticados, a possibilidade de uma consciência no nível da percepção [consciousness] das máquinas ganha relevância. Se a consciência no nível da percepção [consciousness] for um campo universal, poderia a IA, eventualmente, interagir com ele, transcendendo a mera computação?
Penrose argumenta que o processamento algorítmico, por si só, não consegue explicar a consciência no nível da percepção [consciousness], sugerindo que a IA pode carecer dos aspectos não computacionais necessários para a consciência no nível da realidade [awareness].(10) No entanto, se a consciência no nível da percepção [consciousness] for de fato um campo universal, os sistemas de IA poderiam, potencialmente, acessar esse campo — levantando questões complexas sobre a senciência das máquinas e a ética.
Além disso, reconhecer a consciência no nível da percepção [consciousness] como universal reforça princípios éticos fundamentados na interconectividade e na responsabilidade.(14) Se as nossas ações repercutem em um campo de consciência no nível da realidade [awareness] compartilhado, então a tomada de decisões éticas — seja no desenvolvimento de IA, nos direitos humanos ou na sustentabilidade ambiental — tem que refletir essa unidade.
Por fim, esse modelo oferece uma profunda recontextualização da existência humana. Ao propor que a consciência no nível da percepção [consciousness] individual (ψi) é uma excitação temporária de um campo universal (Φ), ele se alinha a ensinamentos espirituais que descrevem a morte não como aniquilação, mas como um retorno à unidade. Essa perspectiva não-dual atenua as angústias existenciais em torno da morte e da identidade do self, promovendo um senso mais profundo de paz, propósito e responsabilidade coletiva.(15)
IV. CONCLUSÃO
Esse artigo (paper) apresenta uma estrutura teórica que explora possíveis interseções entre a física fundamental e os estudos da consciência no nível da percepção [consciousness], propondo que a consciência no nível da percepção [consciousness] não é um subproduto emergente da atividade neural, mas sim um aspecto fundamental e irredutível da realidade.
Ao integrar os três princípios — mente universal, consciência no nível da percepção [consciousness] universal e pensamento universal — em um arcabouço matemático e físico, esse modelo oferece uma explicação coerente para o surgimento do espaço-tempo, da consciência no nível da realidade [awareness] individual e da ilusão de separação.
Com base na mecânica quântica, na teoria de campos e em tradições filosóficas não-dualistas, nós sugerimos que a diferenciação da Consciência No Nível Da Percepção [Consciousness] Universal em experiência individual é regida por mecanismos como a quebra de simetria, as flutuações quânticas e a seleção de estados discretos. Isso implica que a experiência subjetiva está profundamente interconectada com a estrutura fundamental da realidade, desafiando os paradigmas materialistas convencionais.
O modelo proposto traz implicações abrangentes para diversas disciplinas. Na física, ele se alinha a teorias emergentes da mecânica quântica, da informação quântica e da cosmologia, as quais descrevem a realidade clássica como algo que emerge de um substrato mais profundo, anterior ao espaço-tempo.
Na neurociência, ele oferece uma alternativa às visões reducionistas da consciência no nível da percepção [consciousness], sugerindo que a consciência no nível da realidade [awareness] não se limita a processos neurais, mas interage com um campo universal.
Na filosofia, ele estabelece uma ponte sobre a antiga lacuna entre a investigação científica e as tradições espirituais, propondo uma perspectiva holística sobre a identidade do self, a interconectividade e a natureza da existência.
Essa estrutura traz profundas implicações éticas e sociais. Se a consciência no nível da percepção [consciousness] é, de fato, universal e fundamental, as considerações éticas podem estender-se além da cognição humana — abrangendo a IA, a responsabilidade ambiental e a ampla teia da vida.
A ilusão de separação, reforçada pela percepção individual, dá lugar a um reconhecimento mais profundo da unidade, incentivando a empatia, a cooperação e um senso de responsabilidade compartilhada.
Pesquisas futuras têm que explorar as previsões testáveis decorrentes desse modelo, incluindo possíveis interações entre a consciência no nível da percepção [consciousness] e campos quânticos, a coerência neural como indicador de consciência no nível da realidade [awareness] universal e eventuais marcas cosmológicas de uma diferenciação impulsionada pela consciência no nível da percepção [consciousness].
Uma investigação interdisciplinar — combinando física, ciência cognitiva e estudos sobre a consciência no nível da percepção [consciousness] — poderia fornecer embasamento empírico para essa estrutura e ampliar o nosso entendimento da realidade.
Em última análise, esse estudo desafia suposições arraigadas e convida a uma mudança de perspectiva: ao invés de ver a consciência no nível da percepção [consciousness] como um epifenômeno da matéria, coloca-a no próprio fundamento da existência.
Ao sintetizar insights da física, metafísica e filosofia, esse modelo oferece um caminho para um entendimento integrado que une o rigor científico com insights filosóficos antigos.
MATERIAL SUPLEMENTAR
O material suplementar está organizado em quatro partes: S1. Programas sociais e psicológicos fundamentados nos três princípios (3Ps); S2. Era pós-Big Bang: o surgimento da consciência no nível da percepção [consciousness] individual como resultado de mecanismos de colapso distintos da quebra de simetria; S3. Possíveis refinamentos do modelo; e S4. Previsões testáveis.
AGRADECIMENTOS
A autora agradece o apoio da Universidade de Uppsala.
DECLARAÇÕES DA AUTORA
Conflito de Interesses
A autora não possui conflitos de interesses a declarar. Contribuições da Autora: A autora confirma ser a única responsável pelo seguinte: concepção do modelo e da análise, elaboração de todas as figuras e preparação do artigo (paper).
Maria Strømme: Conceituação (igual); Análise formal (igual); Obtenção de financiamento (igual); Investigação (igual); Metodologia (igual); Redação – rascunho original (igual); Redação – revisão e edição (igual).
DISPONIBILIDADE DE DADOS
Os dados que embasam as conclusões desse estudo estão disponíveis no artigo e em seu material suplementar.
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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.
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