Nos 2 últimos artigos do blog Projeto OREM® (PO) (278 – A Diferença entre Consciousness & Awareness de acordo com Nisargadatta e UCEM – Projeto Orem; 139 – Uma Ponte Teórica entre a Física Quântica e a Filosofia Não-Dual – Projeto Orem), nós temos abordado temas como “pensamento”, “mente”, “consciousness”, “awareness”, “física quântica”, “surgimento do espaço-tempo”, “pessoa”, “observador quântico”, “testemunha” e outros afins, por se tratarem de temas de importância vital para o conhecimento e entendimento da “filosofia não-dualista”.
Esse último artigo do blog (140 – Diferença entre Consciousness e Awareness – Revisitado) nos permite consolidar a nossa reflexão a partir dessa pergunta interior, que visa efetivar, segundo o sábio Nisargadatta, o processo de nosso despertar espiritual e iluminar o nosso caminho de volta para casa:
“Quem sou eu”?
No entendimento do Projeto OREM®, nós utilizamos a seguinte interpretação para “consciousness” e “awareness”:
Onde se lê ‘consciousness’, leia-se consciência no nível da percepção.
Onde se lê ‘awareness’, leia-se consciência no nível da realidade.
Tradução livre e interpretação Projeto OREM® (PO)
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Artigo
“Difference between Consciousness and Awareness – Nisargadatta Maharaj Explains (4 Layers of Self)”
“Diferença entre ‘Consciousness’ e ‘Awareness’ – Nisargadatta Maharaj Explica (4 Camadas do Self)”
Vídeo YouTube
Difference between Consciousness and Awareness – Nisargadatta Maharaj Explains (4 LAYERS of Self)
Fonte
Advaita Awakenings with Gaurav
Advaita Awakenings with Gaurav – YouTube
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O autor
“Nesse vídeo, nós exploramos o ensinamento profundo de Nisargadatta Maharaj por meio de sua explicação sobre os quatro níveis do self: ‘Pessoa’, ‘Consciousness’, ‘Testemunha’ e ‘Awareness’.“
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Capítulo 1: Introdução às quatro camadas
“Todos os objetos da ‘consciousness’ constituem o universo.
O que transcende e sustenta ambos é o estado supremo.
Um estado de absoluta quietude e silêncio.
Quem quer que vá até lá, desaparece.
Em última análise, todos os ensinamentos estão buscando nos conduzir a esse estado supremo — àquela quietude e silêncio interiores.
Mas, para chegar lá, nós nos deparamos com termos diferentes, como ‘awareness’, ‘consciousness’, ‘self’, ‘Brahman’, ‘absoluto’.
“Todos os objetos da ‘consciousness’ constituem o universo. O que transcende e sustenta ambos é o estado supremo. Um estado de absoluta quietude e silêncio. Quem quer que vá até lá, desaparece.“
Portanto, quando esses termos são usados em contextos diferentes, isso pode confundir o buscador [da Verdade] ou a pessoa que está na jornada rumo à liberação […volta para casa].
E essa é uma pergunta que fazem muito a mim também.

Então, qual é a diferença entre ‘consciousness’ e ‘awareness’, porque eu tenho visto utilizarem esses termos em diferentes situações e talvez você também tenha ouvido frases como ‘você é awareness’, ‘você é consciousness’ ou ‘você é a testemunha’.
Mas qual deles é, na verdade? Certo!?
Isso pode ser realmente confuso.
Se você é ‘testemunha’ é algo diferente de ‘awareness’.
E até mesmo ‘consciousness’ e ‘awareness’ são usados de forma intercambiável em muitos ensinamentos diferentes.
Um livro pode usar a palavra ‘awareness’, enquanto outro livro pode empregar um termo completamente diferente, como o ‘self’, ‘atma’ ou até mesmo ‘consciousness’.
Por isso, para esclarecer essa questão, eu quis recorrer aos ensinamentos de Nisargadatta Maharaj, pois são eles que realmente esclarecem todos esses conceitos para mim, pessoalmente.
Assim, eu quis compartilhar isso com você também, para que você seja capaz de entender melhor enquanto você está nesse caminho [do despertar espiritual].
E, para entender isso, você tem que reconhecer que existem quatro diferentes camadas do ‘self’’ ou níveis do ‘self’’.

Para ser sincero, isso serve apenas para que a ‘mente’ entenda a abordagem conceitual.
Na verdade, existe apenas uma realidade, sobre a qual nós iremos falar mais até o final.
No entanto, uma vez que você entenda essas quatro camadas, será muito fácil diferenciar entre todos esses termos distintos, incluindo ‘awareness’ e ’consciousness’.
Então, vamos começar.
No primeiro nível, nós temos a ‘pessoa’ [‘person’].
Capítulo 2: O primeiro nível: A pessoa

A ‘pessoa’ é o corpo, a mente, a história — tudo o que possui nome e forma.
Essa é a vida comum:
- “Eu sou esse corpo.”
- “Os meus pensamentos são eu.”
- “O mundo existe fora de mim.”
Quando nós pensamos sobre nós mesmos como a ‘pessoa’ com determinado nome e determinada história, tudo isso se situa nesse primeiro nível ou camada; além disso, nós temos essa sensação de um ‘self’ separado, na qual nós nos distinguimos a partir do mundo, pensando que o mundo existe fora mim.

Assim, para precisamente citar Nisargadatta Maharaj aqui, ele diz que…
‘…a pessoa é, na verdade, algo muito pequeno, ela é um composto, ela não pode dizer que ela existe por si mesma, mas você pensa que você é a pessoa’.
Portanto, é isso o que nós acreditamos ser, a partir desse ponto de vista individualista e de separação.

Enquanto sendo essa pessoa, nós também estamos sofrendo, nós estamos carregando todos os fardos a partir do passado.
Todas as expectativas em relação ao futuro também estão nos inquietando e é por isso que nós estamos em um constante cabo de guerra — um eterno vai e vem — sem nunca encontrarmos verdadeiro sossego.
Assim, esse é o primeiro nível.
Então, chega um momento em que nós somos apresentados a talvez novos ensinamentos ou talvez nós vislumbremos a nossa verdadeira natureza.
Então, nós iniciamos a nossa jornada de autodescoberta e auto tomada de consciência (self realization), chegando ao nível seguinte que é o nível da ‘consciousness’.
Capítulo 3: O segundo nível: Consciousness

Assim, eu estou definindo isso a partir da perspectiva de Maharaj. Portanto, isso pode ser um pouco diferente do que você tem ouvido em outros ensinamentos sobre não-dualidade.
Então, eu peço que me acompanhe até o final e tudo irá se encaixar para realmente dar verdadeiro sentido a todas as coisas que você tem aprendido até agora — talvez até mesmo em outros ensinamentos também.

Portanto, ‘consciousness’ é a sensação de ser ou a Sensação de ‘EU SOU.
Ela não é a personalidade, mas sim a própria existência.
Antes de você ter identificações como ‘eu sou isso’ — como o seu nome, por exemplo, ou ‘eu sou desenvolvedor de software’, referindo-se à sua profissão, porém, na consciousness, existe simplesmente aquela sensação de ‘eu sou nada mais’.
Nós estamos descartando todas as coisas a mais que vem depois disso.
‘Consciousness’ é o fator que torna possível todas as coisas que nos rodeiam.
É assim que nós assimilamos a realidade objetiva e a entendemos.

Da mesma forma, Maharaj diz aqui que:
‘A sensação de ‘eu sou’ é a primeira a surgir e a última a desaparecer. Ela é o início e o fim de toda experiência.‘
Assim, uma vez que as definições e os apegos a partir da ‘pessoa’ surgem e se unem ao ‘eu sou’, então você acaba sendo dominado pela própria ‘pessoa’; mas, enquanto você estiver permanecendo desapegado disso, você está sendo a ‘consciousness’ — você está repousando como a pura ‘consciousness’.

Então, basicamente, para resumir ‘consciousness’, o que ela sente como a sensação de ‘eu [me] existindo’, ‘eu existo’.
Ela está presente antes mesmo do seu nome.
Se eu lhe perguntasse ‘você existe?’
Agora mesmo, você provavelmente diria que sim.
E esse próprio sentimento é ‘consciousness’.

Ela existe antes da identidade. Ela é apenas presença.
Mas Maharaj disse alguma coisa radical, como você verá.
O que ele disse foi que ‘consciousness’ vem e vai.
Ela está presente no estado de vigília, mas ausente no sono profundo.
Portanto, ela não pode ser o ‘supremo’.
Você talvez já tenha ouvido a palavra ‘consciousness’ sendo usada para se referir ao ‘supremo’.
Entretanto, de acordo com a definição que Maharaj tenta nos transmitir, ‘consciousness’ não é o ‘absoluto’. Ela não é o ‘supremo’, mas sim um degrau para conduzi-lo ao ‘absoluto’.
Além disso, eu aproveito também para mencionar que eu tenho um curso gratuito chamado ‘O Caminho para a Tomada de Consciência [Realization] Direta’, que é um guia passo a passo para entender a sua verdadeira natureza interior. Se você tiver interesse em se inscrever, o link está abaixo.
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Capítulo 4: O terceiro nível: A testemunha

E agora, no próximo nível, existe a ‘testemunha’. Assim, a ‘testemunha’ — a ‘testemunha’ é mais como uma função dentro da ‘consciousness’, mas ela é a função mais elevada.

Então, nas próprias palavras de Maharaj, ele diz que a ‘testemunha’ é aquela que diz ‘eu sou’.
A pessoa diz ‘eu sou isso ou aquilo’, mas a ‘testemunha’ é o observador silencioso desse ‘isso e aquilo’.

Portanto, para deixar isso claro, a ‘testemunha’ não está separada da ‘consciousness’. Ela ainda é parte da ‘consciousness’, mas ela representa uma função mais superior da ‘consciousness’, onde nós estamos separando o objeto e o sujeito.
Assim, ao atuarmos como ‘testemunha’, nós ainda estamos sendo a ‘consciousness’, mas nós estamos separando todas as atividades da pessoa e as observando a partir de um ponto de vista mais elevado.

Portanto, à medida que a prática de ‘testemunhar’ se aprofunda, os pensamentos, as emoções e o próprio corpo passam a ser observados também. Assim, com o desenvolvimento dessa ‘capacidade de testemunhar’, você começa a notar todas as coisas que estão acontecendo em seu interior.

No entanto, você não é afetado por preocupações, conflitos internos, ansiedade, tristeza ou mesmo problemas de relacionamento.
Independentemente do que surja, você não se deixa abalar por esses fatores, pois você está permanecendo à parte de tudo isso, simplesmente ‘testemunhando’.
Assim, enquanto a ‘consciousness’ abrange todas as coisas que estão ocorrendo em seu próprio âmbito — como ver, ouvir, falar, as sensações captadas pelos diferentes órgãos dos sentidos, as percepções e os processos de cognição e entendimento —, o ‘ato de testemunhar’ consiste simplesmente em permanecer presente e observar, à distância, os acontecimentos.
Certo. Portanto, ‘consciousness’ abrange todas as coisas, incluindo tanto o ‘testemunhar’ quanto as demais funções que irão ocorrer em nível pessoal.

Contudo, a ‘testemunha’ ainda requer ‘algo a ser testemunhado’ e ‘alguém que testemunhe’ — ou seja, a ‘dualidade’ persiste; ainda não alcançamos o nível da ‘não-dualidade’.

Algumas pessoas param por aqui, pensando: ‘é isso; talvez eu tenha atingido a sensação de ‘não-dualidade’’.
Mas isso NÃO é totalmente correto, pois o próprio ‘ato de testemunhar’ é uma prática de ‘dualidade’ — ainda que sob uma perspectiva mais elevada — e nós estamos buscando transcender também essa ‘dualidade’.
Capítulo 5: O quarto nível: Awareness

Nós chegamos agora ao nível final, que é a própria ‘awareness’.

Assim, a ‘awareness’ é descrita como o absoluto.
‘Awareness’ existe antes mesmo de ‘consciousness’ surgir.

‘Awareness’ não está observando. Ela não está experienciando. Ela não está pensando. Ela não está presente como um estado.

Então, o que é ‘awareness’? ‘
Awareness’ é primordial. Ela é o estado original. Ela não tem começo nem fim e não possui causa.
‘Consciousness’ é dependente do contato, um reflexo em uma superfície, um estado de ‘dualidade’.

Também há um outro ensinamento que eu gostaria de apresentar aqui. Ele diz que, no ‘absoluto’, não existe alguém que esteja ‘ciente’ [‘aware’].
‘Awareness’ é indivisa, silenciosa e livre de esforço. Ela é o fundamento de toda a existência.

Certo. Então, ‘awareness’ é a realidade fundamental na qual a própria existência se torna possível.
Esse é, creio eu, o aspecto que a maioria das pessoas — e muitos grandes sábios do passado — têm mais dificuldade em descrever.
Veja, em obras como o ‘Ashtavakra Gita’ e até mesmo a ‘Mandukya Upanishad’, utilizam-se muitas negações para nos apontar essa direção; isso ocorre porque, assim que nós tentamos defini-la com uma frase, nós acabamos nos afastando dela, já que tal definição cria uma imagem conceitual ou algum tipo de conceito para facilitar o entendimento.
No entanto, a verdade é que ela não pode ser entendida pela nossa mente cognitiva, pois é ela mesma — a ‘awareness’ — que criou a mente para descrevê-la, o que é uma tarefa extremamente difícil.
Você pode pensar nisso como a presença silenciosa e autoexistente que não começa com a experiência, mas que permite que toda experiência surja.
Ela não conhece as coisas da maneira como ‘consciousness’ conhece os objetos; ela é, antes, o fato inegável do ser, do qual o ato de conhecer emerge.
Eu queria repetir essa última parte para você novamente.
Ela é o fato inegável do ser, do qual o ato de conhecer emerge — antes da ‘percepção’, antes do ‘pensamento’, antes do ‘sentimento’ de ser alguém.
‘Awareness’ já é.
Ela não observa o mundo. Ela é a condição que permite que a observação ocorra. Ela não muda quando as experiências mudam, pois toda mudança se desenrola em seu interior.
‘Awareness’ é a existência conhecendo a si mesma, sem divisão. Ela é íntegra, completa e não exige esforço.

Para deixar claro, você pode pensar sobre isso como ‘awareness’ sendo o próprio sol. A luz solar da ‘testemunha’, reconhecendo que ela não é o objeto sobre o qual a luz solar incide e ‘consciousness’ sendo a própria luz solar iluminando todas as coisas e a ‘pessoa’ sendo os objetos iluminados pela luz solar, acreditando que a luz lhes pertence.

Assim, somente como ‘awareness’ é que você é capaz de sentir a presença não-dual em todos os outros níveis do self da ‘pessoa’, da ‘consciousness’ e até mesmo da ‘testemunha’, que ainda existe dualidade, onde há uma distinção entre sujeito e objeto; mas, quando nós estamos vivendo nesse estado de ‘awareness’ não-dual, Toda a separação se dissolve, pois nós reconhecemos a nós mesmos como o poder que dá origem a toda a existência.
Para encerrar, eu trago essa bela citação de Maharaj, na qual ele diz:

Quando o ‘eu sou eu mesmo’ se vai, o ‘eu sou tudo’ surge.
Quando o ‘eu sou tudo’ se vai, o ‘eu sou’ surge.
Quando até mesmo o ‘eu sou’ se vai, Realidade apenas é.
– Nisargadatta Maharaj
E isso é a ‘awareness’.
A sensação de ‘eu sou’ é a ‘consciousness’.
E, ao permanecer nessa sensação de ‘eu sou’ enquanto observando todas as diferentes atividades da mente e do corpo, nós estamos no estado de ‘testemunha’.
Mas, quando também nós deixamos tudo isso de lado e repousamos no silêncio, simplesmente permanecendo como o ‘absoluto’ — como o ‘self’, que [isso] é o estado de ‘awareness’…
Dito isso, desejo a todos o melhor. Até mais e Namastê.
De Advaita Awakenings with Gaurav
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Imagem: pexels-mrborys-8768012 03.10.26
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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.
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