Artigo extraído de trechos do livro “Business Ethics”, dos autores Stephen M. Byars – USC Marshall School of Business e Kurt Stanberry – University of Houston-Downtown, para o nosso conhecimento e entendimento sobre a Ética no Ambiente Empresarial ao longo dos tempos e espaços, onde as Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs) demandam os seus negócios.

É conhecido, através de inúmeros estudos Acadêmicos disponíveis na internet, que a relação entre Ética e Espiritualidade nas Organizações tem crescido em interesse nas últimas décadas, daí esse artigo para profunda reflexão sobre a Ética nos Negócios.

“Download for free at https://openstax.org/details/books/business-ethics.” – ©2018 Rice University

Chapter 2 – “Ethics from Antiquity to the Present”

Tradução livre Projeto OREM®

Capítulo 2 – Ética a partir da Antiguidade até o Presente Momento

—–continuação da Parte I—–  

Um Modelo de Negócios Confucionista

A espiritualidade que emerge de quan como retidão não é apenas sobre o indivíduo; trata-se do ato em si, ou seja, da transação, seja ela realizada em um mercado, loja ou cais de carga. Quando a retidão é direcionada externamente dessa maneira, ela se torna justiça, obrigando todas as partes em uma transação a agir de boa-fé ou correr o risco de perturbar a ordem adequada das coisas. A justiça, nesse sentido, permite a criação de riqueza, investimento e planejamento estratégico, desde que todos cumpram os seus papéis e ajam como um junzi. Uma abrangente espiritualidade de negócios pode até se desenvolver, surgindo das pessoas que compõem coletivamente a empresa. Essa é uma forma tradicionalmente Confuciana de ver a cultura corporativa, como reflexo de uma rede maior de relacionamentos.

As outras duas formas Confucianas de humanidade também se relacionam com os negócios, porque a qualidade de ser íntegro e a sinceridade são capazes de servir como modelos de avaliação de risco, exigindo pensamento lúcido e ação equilibrada com respeito aos mercados, concorrentes e partes interessadas. O dao da humanidade rejeita a premissa de que a ganância reina suprema por si mesma. Em vez disso, a sua contraparte ética é a verdade. Ambas as qualidades existem nas práticas de negócios. Nessa estrutura ética, a lealdade à verdade não é apenas uma frase comum, mas um compromisso com o valor em todos os aspectos de uma empresa, como vendas, finanças, marketing e a cadeia de empregos e contratações. Um consultor de investimentos pode recomendar a média constante aos clientes para que o seu dinheiro esteja em um portfólio diversificado com uma estratégia de longo prazo.

O dao da humanidade, qualidade de ser íntegro, sinceridade e outras virtudes são tratados em The Analects [Os Analectos] (Figura 2.5).

Figura 2.5 The Analects of Confucius [Os Analectos de Confúcio] é uma coleção de ensinamentos e ditos de Confúcio sobre a vida virtuosa e como alcançar a harmonia. Eles foram compilados por seus seguidores e escritos com tinta e pincel em tiras de bambu. (crédito: “Rongo Analects 02” por “Fukutaro”/Wikimedia Commons, Domínio Público)

Alguns têm criticado o Confucionismo por impedir o progresso na China em áreas como educação, ciências naturais e negócios, porque ele tem falhado em se adaptar ao contexto moderno. Negociação de alta frequência, tecnologia blockchain, inteligência artificial e robótica não funcionam com valores culturais de milhares de anos, dizem esses críticos, então o que nós necessitamos é de uma nova consciência no nível da percepção [consciousness] para uma nova era na história humana.

No entanto, essas críticas deixam escapar o ponto. Confúcio estava interessado na mesma coisa que interessava a Aristóteles – a saber, o caráter da pessoa ou pessoas que tomam decisões e não as próprias decisões. A importância do caráter foi comprovada repetidamente por meio de escândalos empresariais como Enron, LIBOR e a crise financeira de 2008, bem como os recentes problemas do Uber e da Volkswagen, nos quais a irresponsabilidade pessoal resultou em desastre. De fato, as escolas de negócios agora oferecem seminários para executivos que integram a ética da virtude – modelos de inspiração Aristotélica e Confuciana – no desenvolvimento da liderança.

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Para uma análise detalhada da ascensão e colapso da Enron, veja o episódio da The Crime Network sobre a Enron (https://openstax.org/l/53Enron) em sua série Corrupt Crimes.

A recente campanha do governo central da China contra práticas comerciais antiéticas fez questão de processar executivos por corrupção na forma de suborno, propinas e peculato, demonstrando que alguns pensamentos Confucionistas sobreviveram desde os tempos antigos. Jack Ma, cofundador do gigante site de comércio eletrônico Alibaba, tem chamado isso de ‘comunismo limpo’, que pode ser outra forma de caracterizar a forma de capitalismo patrocinado pelo Estado que existe na China.27 É claro que o antigo regime comunista não adotou virtude Confuciana. Mao Zedong desconfiava profundamente de Confúcio, considerando-o uma relíquia da Era Imperial e tendo pouco valor para a nova China que pretendia criar com a fundação da República Popular da China em 1949.

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Até que ponto as crianças na China são responsáveis ​​pelos negócios de seus pais? Nesse artigo, Kelly Zong, filha do bilionário Zong Qinghua, explica como ela acredita que a China moderna tem ‘perdido a sua alma’ (https://openstax.org/l/53China) por meio do individualismo egoísta e da obsessão pela riqueza. Se Kelly Zong estiver correta, seria seguro dizer que a China necessita de outro retorno à sabedoria antiga? Por que ou por que não? Você concorda com a avaliação dela sobre a geração atual e o individualismo?

2.3 Comparando a Ética da Virtude do Oriente e do Ocidente

Objetivos de Aprendizado

Ao final dessa seção, você será capaz de:

• Comparar as origens e objetivos da ética da virtude no Oriente e no Ocidente

• Descrever como cada um desses sistemas visava estabelecer uma ordem social para a família e os negócios

• Identificar elementos potenciais de uma universalmente aplicada ética de negócio que Aristóteles e Confúcio cada um construíram, um sistema ético baseado na virtude, com o objetivo final de Aristóteles sendo a felicidade e o de Confúcio sendo a harmonia. Cada um abordava um problema específico. Para Aristóteles, a felicidade consistia na busca da verdade, que, por sua vez, exigia um indivíduo centrado, estável, que pudesse superar o infortúnio ou o caráter fraco. Confúcio procurou acalmar a alma do povo Chinês criando um sistema que refletisse a ordem celestial na Terra. Ambos os sistemas dependem de meios racionais para alcançar fins racionais.

O Oriente Encontra O Ocidente

Dadas as vastas diferenças culturais e históricas da Grécia e da China antigas, você pode se surpreender ao encontrar semelhanças entre os sistemas Aristotélico e Confuciano da ética da virtude. No entanto, não apenas existem semelhanças, mas os dois sistemas compartilham o tema do controle. Para Aristóteles, o controle se manifestava por meio do processo deliberativo de phrónēsis, resultando em vida virtuosa, harmonia e felicidade. Essa aplicação da sabedoria prática estava relacionada ao autocontrole ou temperança. Na ética da virtude Confuciana, o controle era uma função de  autorregulação; instintos primitivos foram contidos e a pessoa ganhou capacidade e coragem para agir de forma mais humana (Figura 2.6). Essa conquista do controle beneficiou não apenas o indivíduo, mas também a família e, por extensão, a nação. A autorregulação era a maneira de Confúcio estabelecer a ordem.

Figura 2.6 Os sistemas Aristotélico e Confuciano da ética da virtude têm em comum o tema do controle, como mostra essa comparação. (atribuição: Copyright Rice University, OpenStax, sob licença CC BY 4.0)

No contexto empresarial, o controle incide diretamente na ética gerencial, que é uma forma de se relacionar consigo mesmo, com os funcionários e com a organização que equilibra a responsabilidade individual e coletiva e na qual a gestão também inclui planejar, organizar e liderar para alcançar os objetivos organizacionais.28

Um gerente autocontrolado e disciplinado é capaz de trabalhar através das camadas de burocracia e das complexidades da interação humana para atingir metas de forma responsável e lucrativa e que aprimora a missão e a cultura da organização. Esses objetivos são alcançados não às custas das partes interessadas, mas de uma forma justa para todos. Nós podemos até dizer que a retidão leva à justiça, que inclui o lucro. Nós vimos anteriormente que nem Aristóteles nem Confúcio desaprovavam o lucro, desde que ele beneficiasse a humanidade de alguma forma. Ambos teriam uma opinião muito definida sobre a otimização da riqueza dos acionistas.

Apesar dessas semelhanças entre as duas tradições, há diferenças – sendo a mais notável o locus da ética. Aristóteles colocou esse locus nos indivíduos, que foram chamados a cumprir o seu propósito com honra, aceitando o destino com dignidade e altivez. A base dessa aceitação era a razão. Para Confúcio, refletindo a situação histórica da China, o locus era a família, que ele imaginava para acabar com a anarquia e colocar a nação em seu curso adequado, fornecendo o padrão básico de relacionamentos para a vida pessoal e profissional.

Certamente, a família contava para Aristóteles assim como o indivíduo contava para Confúcio, mas a ênfase em cada sistema era diferente. Aristóteles reconhecia que ‘um homem solitário tem uma vida difícil, porque não é fácil manter sozinho uma atividade contínua; mas na companhia dos outros e em relação aos outros isso é mais fácil.’29

Independentemente da origem do comportamento ético, os envolvidos nos negócios eram obrigados a agir com accountability e responsabilidade. Eles eram responsáveis ​​perante clientes e fornecedores ao entregar mercadorias como figos, cerâmica ou azeite. E eles tinham que se comportar com responsabilidade para manter a sua reputação pessoal e profissional. Assim, os negócios eram a expressão perfeita da ética tanto no Oriente quanto no Ocidente, porque forneciam um fórum no qual as virtudes eram testadas de maneiras muito reais. Confúcio exortou cada seguidor a ser uma pessoa grandiosa ou humana, ou ru, não um pequeno.30 Isso era tão importante que a escola estabelecida após a sua morte era conhecida como Escola Ru e os princípios ensinados são chamados Ruismo.31

Papéis Pessoais e Profissionais

Outra característica importante dos sistemas Orientais e Ocidentais de ética das virtudes é a integração da vida pessoal e profissional. Uma pessoa não poderia agir de uma maneira em casa e de maneira completamente diferente em público, especialmente líderes cívicos, comerciantes, professores e governantes. A tendência moderna de compartimentalizar vários aspectos de nós mesmos para acomodar as circunstâncias teria intrigado aqueles que viviam na Grécia antiga ou na China.

Um gerente de varejo que contribui generosamente para ajudar a proteger espécies ameaçadas, mas não pensa nada a respeito de trabalhar a equipe de vendas até o esgotamento para atingir as metas mensais, não integrou com sucesso o pessoal e o profissional, por exemplo e até mesmo coloca obstáculos à felicidade individual e à vida na comunidade. Todos desejam eficiência nos negócios, mas compartimentalizar os nossos ideais pessoais e profissionais pode levar a uma ‘accountability pessoal dispersa’ em uma organização e ao tipo de colapso financeiro que ocorreu, por meio da ganância e quebra de regras, nos setores imobiliário e financeiro e levou à recessão mundial de 2008.32

Como seria a integração da vida pessoal e profissional e como aplicá-la nas relações que são a base dos negócios? Para responder a essa pergunta, considere a essência da pessoa virtuosa que cada sistema ético se esforçou para criar. Para Aristóteles, a pessoa virtuosa via a verdade em todo tipo de situação. Uma vez admitida e reconhecida, a verdade não poderia ser negada sem comprometer a honra. Da mesma forma, Confúcio ensinou que ‘Um cavalheiro não se afastará da humanidade pelo espaço de uma refeição. Com pressa e agitação, ele adere a ela; na queda e tropeço, ele adere por ela.’33

Apesar da ênfase que esses sistemas davam ao caráter, no entanto, o caráter não era, em última análise, o que definia o indivíduo virtuoso, a família, a cidade-estado ou a nação. Em vez disso, era a transformação do indivíduo, por meio da educação, em um tipo diferente de ser que agirá virtuosamente mesmo que ninguém esteja olhando. Quando a pessoa se concentra nos meios usados ​​para atingir um fim, eventualmente os meios se tornam um modo de vida ainda mais importante do que o próprio fim. Não é apenas que os meios têm que corresponder ao fim, mas que eles definem a pessoa virtuosa.

A integração das vidas pessoal e profissional tem dois efeitos: motivo e consciência no nível da realidade [awareness]. Motivo é a vontade de fazer a coisa certa porque é a coisa certa, mesmo que não haja nenhum benefício percebido.

Indiscutivelmente, é aqui que a verdadeira natureza do indivíduo é revelada. O outro efeito, consciência no nível da realidade [awareness], é a capacidade de ver a dimensão ética em todos os eventos, escolhas, decisões e ações. Muitos escândalos de negócios poderiam ser evitados se mais pessoas entendessem o valor do capital humano e a necessidade de ver o quadro mais amplo; em outras palavras: responsabilidade sobre a lucratividade. Ou, como diria Confúcio, é a pessoa que pode alargar o Caminho, não o Caminho que alarga a pessoa.34

Existe uma Ética Universal?

Uma questão fundamental no estudo da ética é se nós somos capazes de identificar verdades morais objetivas e universais que atravessam culturas, configurações geográficas e tempo. No nível mais fundamental, a resposta pode ser sim. Como observou Aristóteles, a ética não é uma ciência, mas uma arte.35 Talvez a melhor maneira de responder à questão seja considerar os métodos usados ​​para a tomada de decisões morais. Essa estratégia estaria de acordo com os modelos Aristotélico e Confuciano se nós assumirmos que, uma vez que elas tenham acesso ao insight, a maioria das pessoas seguirá a sua consciência e agirá de maneira razoável e responsável. Os métodos de tomada de decisão poderiam então ser adaptados a qualquer contexto ou dilema.

Mas o que constitui um método razoável e responsável e quem pode escolhê-lo?

É possível que padrões de conduta ética possam ser criados para orientar os negócios de forma leal e justa. Tais padrões já existem na maioria das indústrias e profissões. Os Princípios Contábeis Geralmente Aceitos (GAAP – The Generally Accepted Accounting Principles) orientam aqueles que trabalham em contabilidade e finanças nos Estados Unidos. A International Standards Organization oferece diretrizes e protocolos para muitos setores. Juntamente com a regulamentação governamental, eles podem servir como base para o comportamento ético, talvez até globalmente. Claro, essas diretrizes de modelagem teriam que ser sensíveis à autonomia individual e à soberania nacional, especialmente quando se trata de jurisdição internacional, privacidade e direitos humanos. Por exemplo, as Normas Internacionais de Relatórios Financeiros [IFRS – The International Financial Reporting Standards] servem como uma espécie de GAAP internacional para ajudar as empresas a relatar resultados financeiros em uma linguagem contábil comum além das fronteiras nacionais.

Apesar de nossos melhores esforços, alguém que deseja conduzir os negócios de maneira egoísta e antiética sempre será levado a fazê-lo, a menos que receba um incentivo convincente para não fazê-lo. É evidente porque Aristóteles e Confúcio enfatizavam a importância da escolaridade. Talvez o que seja necessário agora, com base nessas duas abordagens antigas, seja uma educação empresarial focada na transformação e não na conformidade com as diretrizes. Essa proposta toca o cerne dos ensinamentos Aristotélicos e Confucionistas: treinamento e educação. Treinamento e educação ajudam a internalizar em nós práticas de negócios mais altruístas. Eles também permitem uma maior integração entre os nossos entendimentos pessoais e profissionais de como nós devemos tratar amigos, familiares, frequeses e clientes. Não importa o contexto, nós somos então encorajados a tratar os outros com honestidade e respeito, de modo que mesmo alguém que certamente escapará impune do mais escandaloso esquema de corrupção ou lavagem de dinheiro não o fará. Por que não?

Porque fazer isso seria trair a consciência e a identidade da pessoa. Uma educação empresarial que fosse realmente eficaz — uma para o século XXI — produziria um graduado capaz de se levantar e dizer não a esse tipo de auto traição.

O QUE VOCÊ FARIA?

Cenário com Aristóteles e Confúcio

Imagine um cenário em que Aristóteles e Confúcio se sentam para discutir a Chiquita Brands International, um conglomerado global de produtos que pagou dinheiro de ‘proteção’ a grupos de guerrilha Marxistas e de direita na Colômbia entre 1997 e 2004 para garantir que não haveria violência contra os seus funcionários, plantações de banana e instalações. O pagamento violou a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior dos EUA (FCPA – U.S. Foreign Corrupt Practices Act  – 1977), que proíbe subornos e propinas a funcionários estrangeiros. A Chiquita alegou ter sido vítima de extorsão e não teve escolha. No entanto, por suas ações, acabou pagando $ 25 milhões em multas ao governo dos EUA. Em 2007, um grupo de Colombianos moveu uma ação contra a empresa sob o Alien Tort Claims Act, alegando que, por causa de seus pagamentos ilegais, a Chiquita era ‘cúmplice de execuções extrajudiciais, tortura, desaparecimentos forçados e crimes contra a humanidade’ perpetrados contra trabalhadores de plantações pelos ‘esquadrões da morte’ da guerrilha.36 O caso foi para a Suprema Corte dos EUA em 2015, mas a Corte se recusou a ouvi-lo.

Pensamento Crítico

• O que você supõe que Confúcio e Aristóteles, professores da ética das virtudes, diriam sobre o caso dos Colombianos e como eles avaliariam a responsabilidade? O que eles identificariam como o crime cometido? Eles pensariam que os executivos da Chiquita tinham agido com prudência, covardia ou engano?

• O que você faria se confrontado com esse caso?

LINK PARA APRENDIZADO

O Business and Human Rights Resource Center fornece informações úteis e detalhadas sobre casos de ética e o papel das empresas na sociedade, incluindo mais informações sobre o processo da Chiquita (https://openstax.org/l/53Chiquita) e outros casos interessantes.

2.4 Utilitarismo: O Maior Bem para o Maior Número

Objetivos de Aprendizado

Ao final dessa seção, você será capaz de:

• Identificar os principais elementos do Utilitarismo de Jeremy Bentham

• Distinguir a modificação do Utilitarismo de John Stuart Mill a partir da formulação original de Bentham

• Avaliar o papel do Utilitarismo nos negócios contemporâneos

Embora o objetivo final da ética da virtude Aristotélica fosse a Eudaimonia, filósofos posteriores começaram a questionar essa noção de felicidade. Se a felicidade consiste em levar uma vida boa, o que é bom? Mais importante, quem decide o que é bom? Jeremy Bentham (1748–1842), filósofo e jurista Britânico progressista do período do Iluminismo, defendeu os direitos das mulheres, a liberdade de expressão, a abolição da escravidão e da pena de morte e a descriminalização da homossexualidade. Ele acreditava que o conceito de bem poderia ser reduzido a um simples instinto: a busca do prazer e a evitação da dor. Todo comportamento humano poderia ser explicado por referência a esse instinto básico, que Bentham via como a chave para desvendar o funcionamento da mente humana. Ele criou um sistema ético baseado nisso, chamado Utilitarismo. O protegido de Bentham, John Stuart Mill (1806-1873), refinou o sistema de Bentham expandindo-o para incluir os direitos humanos. Ao fazer isso, Mill retrabalhou o Utilitarismo de Bentham de algumas maneiras significativas. Nesta seção, nós examinamos os dois sistemas.

Maximizando a Utilidade

Durante a vida de Bentham, ocorreram revoluções nas colônias Americanas e na França, produzindo a Declaração dos Direitos e a Déclaration des Droits de l’Homme (Declaração dos Direitos do Homem), ambas foram baseadas na liberdade, igualdade e autodeterminação. Karl Marx e Friedrich Engels publicaram O Manifesto Comunista em 1848. Movimentos revolucionários eclodiram naquele ano na França, Itália, Áustria, Polônia e outros lugares.37

Além disso, a Revolução Industrial transformou a Grã-Bretanha e, por fim, o restante da Europa de uma sociedade agrária (baseada na fazenda) em uma sociedade industrial, na qual o vapor e o carvão aumentaram drasticamente a produção manufatureira, mudando a natureza do trabalho, a propriedade e a família. Esse período também incluiu avanços em química, astronomia, navegação, anatomia humana e imunologia, entre outras ciências.

Dado esse contexto histórico, é compreensível que Bentham tenha usado a razão e a ciência para explicar o comportamento humano. O seu sistema ético era uma tentativa de quantificar a felicidade e o bem para que atendessem às condições do método científico. A ética tinha de ser empírica, quantificável, verificável e reproduzível no tempo e no espaço. Assim como a ciência estava começando a entender o funcionamento de causa e efeito no corpo, a ética explicaria as relações causais da mente. Bentham rejeitou a autoridade religiosa e escreveu uma refutação à Declaração da Independência na qual criticou os direitos naturais como ‘absurdo retórico, absurdo sobre palafitas’.38 Em vez disso, a unidade fundamental da ação humana para ele era a utilidade – sólida, certa e factual.

O que é utilidade? O axioma fundamental de Bentham, que fundamenta o Utilitarismo, era que toda moral social e legislação governamental deveriam ter como objetivo produzir a maior felicidade para o maior número de pessoas.

O Utilitarismo, portanto, enfatiza as consequências ou propósito final de um ato em vez do caráter do ator, a motivação do ator ou as circunstâncias particulares que cercam o ato. Tem as seguintes características: (1) universalidade, porque se aplica a todos os atos do comportamento humano, mesmo aqueles que parecem ser feitos por motivos altruístas; (2) objetividade, significando que opera além do pensamento, desejo e perspectiva individual; (3) racionalidade, porque não se baseia em metafísica ou teologia; e (4) quantificabilidade em sua dependência da utilidade.39

A ÉTICA ATRAVÉS DO TEMPO E DAS CULTURAS

Auto-Icon [Autoimagem]

No espírito do Utilitarismo, Jeremy Bentham fez um pedido aparentemente bizarro sobre a disposição de seu corpo após a sua morte. Ele generosamente doou metade de seu patrimônio para a London University, uma universidade pública aberta a todos e oferecendo um currículo secular, incomum para a época. (Mais tarde, tornou-se University College London.) Bentham também estipulou que o seu corpo fosse preservado para instrução médica (Figura 2.7) e posteriormente colocado em exibição no que chamou de ‘auto-icon’ ou autoimagem. A universidade concordou e o corpo de Bentham está em exibição desde então. Bentham queria mostrar a importância de doar os restos mortais para a ciência médica no que talvez tenha sido o seu último ato de desafio contra a convenção. Os críticos insistem que ele era apenas excêntrico.

Figura 2.7 A seu pedido, o cadáver de Jeremy Bentham foi exposto para dissecação pública, conforme retratado aqui por H.H. Pickersgill em 1832. Hoje, o seu corpo está em exibição como ‘autoimagem’ na University College, em Londres, uma universidade que ele fundou cerca de metade de sua propriedade. A sua cabeça preservada também é mantida na faculdade, separada do resto do corpo.) (crédito: ‘Mortal Remains of Jeremy Bentham, 1832’ de Weld Taylor e H. H. Pickersgill/Wikimedia Commons, CC BY 4.0)

Pensamento Crítico

• O que você pensa do pedido final de Bentham? É o ato de um excêntrico ou de alguém profundamente comprometido com a verdade e corajoso o suficiente para agir de acordo com as suas crenças?

• Você acredita que faz sentido continuar atendendo ao pedido de Bentham hoje? Por que é homenageado? Os pedidos precisam fazer sentido? Por que ou por que não?

Bentham estava interessado em reduzir a utilidade a um único índice para que as unidades pudessem ser atribuídas a um valor numérico e até mesmo monetário, que poderia então ser regulado por lei. Essa função de utilidade mede em ’utils’ o valor de um bem, serviço ou ação proposta em relação ao princípio utilitário do bem maior, ou seja, aumentar a felicidade ou diminuir a dor. Bentham criou assim um ‘cálculo hedônico’ para medir a utilidade das ações propostas de acordo com as condições de intensidade, duração, certeza e a probabilidade de que uma certa consequência resultaria.40

Ele pretendia que o Utilitarismo fornecesse uma base racional para fazer julgamentos de valor ao invés de confiar na subjetividade, intuição ou opinião. As implicações de tal sistema na lei e nas políticas públicas foram profundas e tiveram um efeito direto em seu trabalho com a House of Commons [Câmara dos Comuns Britânica], onde ele foi comissionado pelo presidente da Câmara para decidir quais projetos de lei seriam apresentados para debate e votação. O Utilitarismo forneceu uma maneira de determinar a quantidade total de utilidade ou valor que uma proposta produziria em relação ao dano ou dor que poderia resultar para a sociedade.

O Utilitarismo é uma teoria consequencialista. No Consequencialismo, as ações são julgadas apenas por suas consequências, sem consideração ao caráter, motivação ou qualquer compreensão do bem e do mal e separadas de sua capacidade de criar felicidade e prazer. Assim, no Utilitarismo, são as consequências de nossas ações que determinam se essas ações são certas ou erradas. Dessa forma, o consequencialismo difere da ética da virtude Aristotélica e Confucionista, que pode acomodar uma série de resultados, desde que o caráter do ator seja enobrecido pela virtude. Para Bentham, o caráter nada tinha a ver com a utilidade de uma ação.

Todas as pessoas procuravam o prazer e evitavam a dor, independentemente da personalidade ou moralidade. Na verdade, confiar demais no caráter pode obscurecer a tomada de decisões. Em vez de fazer julgamentos morais, o Utilitarismo ponderava os atos com base em seu potencial de produzir o maior bem (prazer) para o maior número de pessoas. Não julgava nem os bons nem as pessoas que se beneficiavam. Na mente de Bentham, a humanidade não mais dependeria de códigos morais imprecisos e ultrapassados. Para ele, o Utilitarismo refletia a realidade das relações humanas e era promulgado no mundo por meio da ação legislativa.

Para ilustrar o conceito de Consequencialismo, considere a história hipotética contada pelo psicólogo de Harvard, Fiery Cushman. Quando um homem ofende dois irmãos voláteis com um insulto, Jon quer matá-lo; ele atira, mas erra. Matt, que pretende apenas assustar o homem, mas o mata acidentalmente, sofrerá uma penalidade mais severa do que o seu irmão na maioria dos países (incluindo os Estados Unidos). Aplicando o raciocínio utilitarista, você pode dizer qual irmão carrega maior culpa por seu comportamento? Você está satisfeito com essa avaliação de responsabilidade? Por que ou por que não?41

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Um dilema utilitário clássico considera um bonde fora de controle e uma gama de más escolhas de um motorneiro. Assista ao vídeo sobre o experimento mental do bonde (https://openstax.org/l/53streetcar) e considere estas questões. Como você faria para tomar a decisão sobre o que fazer? Existe uma resposta certa ou errada? Que valores e critérios você usaria para tomar a sua decisão sobre quem salvar?

Sintetizando Direitos e Utilidades

Como você pode esperar, o Utilitarismo teve os seus críticos. Thomas Hodgskin (1787–1869) apontou o que ele disse ser o ‘absurdo’ de insistir que ‘os direitos do homem são derivados do legislador’ e não da natureza.42 Na mesma linha, o poeta Samuel Taylor Coleridge (1772–1834 ) acusou Bentham de confundir moralidade com lei.43 Outros objetaram que o Utilitarismo colocava os seres humanos no mesmo nível dos animais e transformava as pessoas em funções de utilidade. Também houve reclamações de que era mecanicista, antirreligioso e muito impraticável para a maioria das pessoas seguir. John Stuart Mill procurou responder a essas objeções em nome de seu mentor, mas depois ofereceu uma síntese própria que unia os direitos naturais à utilidade, criando um novo tipo de Utilitarismo, que acabaria servindo para sustentar os princípios econômicos neoclássicos.44

O pai de Mill, James, era um contemporâneo e associado de Bentham, que garantiu que seu filho fosse ensinado em um currículo rigoroso. De acordo com Mill, em tenra idade ele aprendeu Grego e Latim o suficiente para ler os historiadores Heródoto e Tácito em suas línguas originais.45 Os seus estudos também incluíam álgebra, geometria Euclidiana, economia, lógica e cálculo.46 O seu pai queria que ele assumisse uma posição de liderança no movimento político de Bentham, conhecido como Philosophical Radicals.47 Infelizmente, a intensidade e a duração da escolaridade de Millcondições utilitárias de educação — foram tão extremas que ele sofreu um colapso nervoso aos vinte anos de idade. A experiência o deixou insatisfeito com a filosofia de utilidade e reforma social de Bentham. Como alternativa, Mill voltou-se para o romantismo e poetas como Coleridge e Johann Wolfgang Goethe (1749-1832).48 O que ele conseguiu, entretanto, não foi uma rejeição do Utilitarismo, mas uma síntese de utilidade e direitos humanos.

Por que direitos? Sem dúvida, o início da vida e a formação de Mill tiveram muito a ver com a sua defesa da liberdade individual. Ele acreditava que o esforço para obter utilidade era injustificado se coagisse as pessoas a fazer coisas que não queriam. Da mesma forma, o apelo à ciência como árbitro da verdade seria igualmente fútil, acreditava ele, se não temperasse os fatos com compaixão.

‘A natureza humana não é uma máquina a ser construída segundo um modelo e preparada para fazer exatamente o trabalho prescrito para ela, mas uma árvore que precisa crescer e se desenvolver em todos os lados, de acordo com a tendência das forças interiores que a tornam uma coisa viva’, escreveu ele.49

Mill estava interessado em humanizar o sistema de Bentham assegurando que os direitos de todos fossem protegidos, particularmente os das minorias, não porque os direitos fossem dados por Deus, mas porque esse era o caminho mais direto para a verdade. Portanto, ele introduziu o princípio do dano alheio, que afirma que ‘o único propósito pelo qual o poder pode ser legitimamente exercido sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra a sua vontade, é evitar danos a outros. O seu próprio bem, seja físico ou moral, não é garantia suficiente’. 50

Na verdade, há limitações para a versão de Mill do Utilitarismo, assim como havia com o original. Por um lado, nunca houve uma definição satisfatória de ‘dano’ e o que uma pessoa considera prejudicial, outra pode considerar benéfico. Para Mill, o dano foi definido como o retrocesso dos interesses de alguém. Assim, o dano foi definido em relação aos interesses de um indivíduo.

Mas que papel, se houver, a sociedade deve desempenhar na definição do que é prejudicial ou na determinação de quem é prejudicado pelas ações de alguém? Por exemplo, a sociedade é culpada por não intervir em casos de suicídio, eutanásia e outras atividades autodestrutivas, como o vício em drogas? Essas questões se tornaram parte do debate público nos últimos anos e provavelmente continuarão a sê-lo à medida que tais ações forem consideradas em um contexto social mais amplo. Também nós podemos definir intervenção e coerção de forma diferente, dependendo de onde nós nos situamos no espectro político.

Considerar as implicações sociais de uma ação individual destaca outra limitação do Utilitarismo e que talvez faça mais sentido para nós do que faria para Bentham e Mill, ou seja, que não prevê danos emocionais ou cognitivos. Se o dano não for mensurável em termos físicos, ele carece de significado. Por exemplo, se hoje um motorista imprudente excede irresponsavelmente o limite de velocidade, bate em um pilar de concreto e se mata ao destruir o seu veículo (que é seu), o Utilitarismo sustentaria que, na ausência de dano físico alheio, ninguém sofre, exceto o motorista. Nós podemos não chegar à mesma conclusão. Em vez disso, nós podemos afirmar que os sobreviventes e amigos do motorista, juntamente com a sociedade como um todo, sofreram uma perda. Indiscutivelmente, todos nós somos diminuídos pela imprudência do ato dele.

LINK PARA APRENDIZADO

Assista a esse vídeo para obter um resumo dos princípios utilitaristas (https://openstax.org/l/53utilitarian) junto com um exemplo literário de um problema central de utilidade e uma explicação do Utilitarismo de John Stuart Mill.

O Papel do Utilitarismo nos Negócios Contemporâneos

O Utilitarismo é usado com frequência quando os líderes empresariais tomam decisões críticas sobre coisas como expansão, fechamento de lojas, contratações e demissões. Eles não se referem necessariamente a um ‘cálculo utilitário’, mas sempre que avaliam o que se ganha e o que se pode perder em qualquer decisão significativa (por exemplo, em uma análise de custo-benefício), eles fazem uma determinação utilitária. Ao mesmo tempo, pode-se argumentar que uma simples análise de custo-benefício não é um cálculo utilitário, a menos que inclua a consideração de todas as partes interessadas e uma contabilidade completa das externalidades, preferências dos trabalhadores, ações potencialmente coercitivas relacionadas aos clientes ou efeitos comunitários e ambientais.

Como forma prática de medir valor, o sistema de Bentham também desempenha um papel na gestão de riscos. A função de utilidade, ou o potencial de benefício ou perda, pode ser traduzido em tomada de decisão, avaliação de risco e planejamento estratégico. Juntamente com análise de dados, avaliações de mercado e projeções financeiras, a função de utilidade pode fornecer aos gerentes uma ferramenta para medir a viabilidade de projetos em potencial. Pode até dar a eles uma oportunidade de explorar objeções sobre a natureza mecanicista e impraticável do utilitarismo, especialmente da perspectiva do cliente.

O Utilitarismo pode motivar os indivíduos dentro da organização a tomar iniciativas, tornar-se mais responsáveis ​​e agir de forma a melhorar a reputação da organização em vez de manchá-la. Mill’s On Liberty (Figura 2.8), um breve tratamento das liberdades políticas em tensão com o poder do estado, destacou a importância da expressão e da liberdade de expressão, que Mill via não como um direito entre muitos, mas como o direito fundamental, reflexo da natureza, da qual todos os outros direitos derivam o seu significado. E aí reside a maior utilidade para a sociedade e os negócios. Para Mill, o caminho para a utilidade passava pela verdade e a principal forma de chegar à verdade era por meio de um processo deliberativo que estimulava a expressão individual e o choque de ideias.

Figura 2.8 Em On Liberty (1859) (a), John Stuart Mill (b) combinou utilidade com direitos humanos. Ele enfatizou a importância da liberdade de expressão para corrigir erros e criar valor para o indivíduo e para a sociedade. (crédito a: modificação de ‘On Liberty (página de título da primeira edição via fac-símile)’ por ‘Yodin’/Wikimedia Commons, Domínio público; crédito b: modificação de ‘John Stuart Mill pela London Stereoscopic Company, c1870’ por ‘Scewing’/ Wikimedia Commons, Domínio Público)

Quanto ao princípio do dano alheio de Mill, a primeira questão ao tentar chegar a uma decisão de negócios pode ser: essa ação prejudica outras pessoas? Se a resposta for sim, nós temos que fazer um cálculo utilitário para decidir se ainda existe um bem maior para o maior número. Então nós temos que perguntar, quem são os outros que nós temos que considerar? Todas as partes interessadas? Só acionistas? O que o dano implica e quem decide se uma ação proposta pode ser prejudicial? Essa era a razão pela qual a ciência e o debate eram tão importantes para Mill, porque a determinação não podia ser deixada para a opinião pública ou intuição. Foi assim que a tirania começou. Ao introduzir a deliberação, Mill conseguiu equilibrar a utilidade com a liberdade, que era uma condição necessária para a utilidade.

Enquanto Bentham procurava fórmulas numéricas para determinar o valor, confiando na objetividade dos números, Mill buscava o valor na razão e no poder da linguagem para esclarecer onde está a verdade. A lição para os negócios contemporâneos, especialmente com o surgimento do big data, é que nós necessitamos tanto de números quanto de princípios racionais. Se aplicarmos a regra Aristotélica e Confuciana do meio, nós veremos que o equilíbrio entre responsabilidade e lucratividade faz a diferença entre as boas práticas de negócios e as más.”

Notas de Fim

27. Josh Horwitz, “Jack Ma Has Some Thoughts on China’s ‘Clean’ Communism and the US’s Divided Politics,” November 30, 2017. https://qz.com/1142604/jack-ma-has-some-thoughts-on-chinas-clean-communism-and-the-uss-divided-politics/.

28. Peter R. Woods and David A. Lamond, “What Would Confucius Do?: Confucian Ethics and Self-Regulation in Management,” Journal of Business Ethics 102, no. 4 (2011): 670.

29. Aristotle, The Nicomachean Ethics, translated by J.A.K. Thomson. (New York: Penguin Books, 2004), 1170a.

30. Chichung Huang, The Analects of Confucius: A Literal Translation with Introduction and Notes. (New York: Oxford University Press, 1997), 6.13.

31. Chichung Huang, The Analects of Confucius: A Literal Translation with Introduction and Notes. (New York: Oxford University Press, 1997), 34.

32. Robert Hinkley, Time to Change Corporations: Closing the Citizenship Gap. (New York: CreateSpace Independent Publishing Platform, 2011), 53.

33. Chichung Huang, The Analects of Confucius: A Literal Translation with Introduction and Notes. (New York: Oxford University Press, 1997), 4.5.

34. Chichung Huang, The Analects of Confucius: A Literal Translation with Introduction and Notes. (New York: Oxford University Press, 1997), 15.29.

35. Aristotle, The Nicomachean Ethics, translated by J.A.K. Thomson. (New York: Penguin Books, 2004), 1140b.

36. Business & Human Rights Resource Centre, “Chiquita Lawsuits (re Columbia).” https://business-humanrights.org/en/chiquita-lawsuits-recolombia (accessed November 7, 2017).

37. R.J.W. Evans and Hartmut Pogge von Strandmann, “1848–1849: A European Revolution?” in The Revolutions in Europe 1848–1849: From Reform to Reaction, eds. R.J.W. Evans, Hartmut Pogge von Strandmann. (Oxford: Oxford University Press, 2000), 1–8.

38. David Armitage, The Declaration of Independence: A Global History. (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2007), 80.

39. Michael Quinn, “Jeremy Bentham, ‘The Psychology of Economic Man,’ and Behavioural Economics,” Oeconomia 6, no. 1 (2016): 3–32.

40. Jeremy Bentham, An Introduction to the Principles of Morals and Legislation. (London: Clarendon Press, 1823), 30.

41. Max H. Bazerman and Ann E. Tenbrunsel, “Ethical Breakdowns,” Harvard Business Review, April 2011.

42. Thomas Hodgskin, The Natural and Artificial Right of Property, Contrasted. (London: R. Steil, 1832). http://oll.libertyfund.org/titles/hodgskinthe- natural-and-artificial-right-of-property-contrasted.

43. Encyclopedia of Philosophy, s.v. “Coleridge, Samuel Taylor (1772–1834),” (by Michael Moran). http://www.encyclopedia.com/humanities/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/coleridge-samuel-taylor-1772-1834 (accessed November 13, 2017).

44. Ian Shapiro, “Lecture 7 – The Neoclassical Synthesis of Rights and Utility.” http://oyc.yale.edu/political-science/plsc-118/lecture-7 (accessed November 14, 2017).

45. John Stuart Mill, “Autobiography.” I. http://www.gutenberg.org/cache/epub/10378/pg10378-images.html (accessed November 13, 2017).

46. John Stuart Mill, “Autobiography.” I. http://www.gutenberg.org/cache/epub/10378/pg10378-images.html (accessed November 13, 2017).

47. The Stanford Encyclopedia of Philosophy, s.v. “John Stuart Mill. 1. Life,” (by Christopher Macleod). https://plato.stanford.edu/entries/mill/ (accessed November 13, 2017).

48. The Stanford Encyclopedia of Philosophy, s.v. “John Stuart Mill. 1. Life,” (by Christopher Macleod). https://plato.stanford.edu/entries/mill/ (accessed November 13, 2017).

49. John Stuart Mill, “On Liberty,” p. 111. http://www.gutenberg.org/files/34901/34901-h/34901-h.htm (accessed November 14, 2017).

50. John Stuart Mill, “On Liberty,” p. 18. http://www.gutenberg.org/files/34901/34901-h/34901-h.htm (accessed November 14, 2017).

Imagem Livro “Business Ethics”, Stephen M. Byars e Kurt Stanberry – Ethics-from-Antiquity-to-the-Present.jpg – 30 de julho de 2023

—–continua Parte III—

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios podem ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.
Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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