Série de artigos sobre ações éticas e antiéticas no negócio, com análises de controvérsias através das lentes do Individualismo (Teoria Econômica de Friedman), do Utilitarismo, do Kantianismo e da Teoria da Virtude, com parecer final, a cada caso, de especialistas em Ética, como Heather Salazar e associados.

Blog Business Ethics Case Analyses

http://businessethicscases.blogspot.com/

Autora: Heather Salazar – Filósofa de Metaética (Ética Analítica), Mente, Linguagem e Psicologia Moral. Professora Associada de Filosofia, Western New England University.

Observação: Metaética é o ramo da ética que estuda a natureza das propriedades, afirmações, julgamentos e atitudes éticas. É um dos quatro ramos tradicionais da ética (os outros são ética descritiva, ética normativa e ética aplicada). Fonte Wikipedia

Material para o nosso conhecimento e entendimento sobre as diversas teorias de ética no negócio, que foram contempladas nos artigos anteriores.

Tradução livre Projeto OREM®

9º caso que nós destacamos para análise:

Uber Vs. Waymo (2016)

Uber Vs. Waymo: Uber Rouba Tecnologia de Carros Autônomos (2016)

Site: http://businessethicscases.blogspot.com/2018/04/uber-vs-waymo-2016.html

Uber Vs. Representação do Processo Judicial Waymo

Controvérsia

A Waymo é a empresa de carros autônomos subsidiária (derivada) do Google, responsável por sua tecnologia profunda LiDAR (Light Detection And Ranging) [Detecção E Alcance De Luz), permitindo que os carros usem sensores para ver o mundo e transportar com segurança sem o funcionamento de um operador humano.

A investigação sobre o possível roubo de segredos comerciais começou em 2016, quando a Waymo recebeu acidentalmente um e-mail de um fornecedor contendo um anexo que detalhava a placa de circuito LiDAR do Uber. Waymo disse que os designs recebidos no e-mail pareciam muito familiares para eles. Eles iniciaram um processo contra o Uber alegando que o Uber tinha roubado os seus segredos comerciais e usado com sucesso as informações para ajudá-los a acompanhar a Waymo na corrida para criar e estabilizar carros autônomos.

Tudo começou com um homem chamado Anthony Levandowski, que trabalhava para o projeto de carros autônomos do Google, mas decidiu sair e tentar abrir a sua própria empresa chamada Otto. Essa era uma empresa startup que fabricava caminhões autônomos, que o Uber decidiu comprar por US$ 680 milhões apenas seis meses após a fundação da empresa em 2016. Waymo acreditava que essa compra era um disfarce para encobrir a traição de Levandowski e as táticas do Uber para alcançar uma tecnologia tão promissora.

Durante o julgamento, a Waymo revelou que Levandowski baixou quatorze mil arquivos do Google relacionados à tecnologia de carros autônomos e baixou ilegalmente 9,7 gigabytes de informações confidenciais e, em seguida, transferiu-os para um disco rígido externo antes de instalar um novo sistema operacional no computador para tentar apagar qualquer evidência de suas ações. Isso ocorreu pouco antes de ele decidir se separar [do Google], enquanto negociava com o Uber e assim criou a Otto. Waymo afirma que o Uber sabia das ações de Levandowski e decidiu continuar com o negócio. Isso serve como o argumento (raciocínio) da Waymo para o processo, já que o Uber cometeu uma injustiça ao adquirir de Levandowski, que tinha oito segredos comerciais, principalmente pertencentes a essa tecnologia LiDAR.

O Uber alega que é normal que os engenheiros baixem os arquivos da empresa e que nenhum dos arquivos tenha se tornado público. Durante os primeiros dias do julgamento, a Waymo decidiu não declarar as suas reivindicações sobre a seção legal substantiva na qual o Uber conscientemente roubou e usou os segredos comerciais da Waymo para promover os seus próprios projetos. O juiz, William Alsup, alertou os advogados da Waymo sobre a falta de progresso em suas reivindicações de injustiça contra o Uber. Esperava-se que Levandowski pleiteasse a 5ª Emenda durante o processo do julgamento, se não fosse pelo arquivamento do caso, o que levantaria ainda mais suspeitas contra o Uber.

O juiz rejeitou o caso e ambas as empresas concordaram com um acordo onde The Wall Street Journal e Buzzfeed relataram que o Uber e a Waymo chegaram a um acordo em 9 de fevereiro de 2018, no qual Waymo aceitou 0,34% do patrimônio do Uber de $ 72 bilhões. Isso significa que a Waymo apenas recebeu $ 245 milhões depois de pedir os danos máximos de $ 1,8 bilhão, chocando todo o tribunal, vendo como $ 245 milhões são substancialmente menores do que os $ 1,8 bilhão desejados pela Waymo.

Essas duas empresas agora estão comprometidas em desenvolver o próprio processo de pesquisa e design deles para trazer carros autônomos para o século XXI. A Waymo receberá 0,34% do capital do Uber, cerca de US$ 245 milhões. O CEO do Uber, Dara Khosrowshahi, confirmou o acordo e declarou: ‘Para ser claro, embora nós não acreditemos que nenhum segredo comercial tenha passado da Waymo para o Uber, nem de fato nós acreditamos que o Uber tenha usado qualquer informação de propriedade da Waymo em sua tecnologia de carro autônomo, nós estamos tomando medidas com a Waymo para garantir que o nosso LiDAR e software represente apenas o nosso bom trabalho’.

O CEO anterior durante o tempo da controvérsia, Travis Kalanick, afirmou: ‘Nós contratamos Anthony porque nós sentimos que ele era incrivelmente visionário, um tecnólogo muito bom e também muito charmoso’, observando que o objetivo era ‘fazer com que os carros sem motorista fossem uma realidade’. O mais novo CEO do Uber declarou: ‘Embora eu não possa apagar o passado, eu posso me comprometer, em nome de todos os funcionários do Uber, que nós aprenderemos com isso e isso informará as nossas ações daqui para frente’. O Uber decidiu demitir Levandowski em 28 de maio de 2017 para evitar mais questionamentos sobre os valores éticos da empresa deles.

Anthony Levandowski

Stakeholders (Partes interessadas)

As partes interessadas envolvidas nessa controvérsia são a alta administração do Uber e da Waymo, os seus supervisores, clientes, acionistas, funcionários, fornecedores, comunidade e meio ambiente.

Cada membro C-suite (C-level) [alto escalão] está envolvido para tomar uma decisão executiva sobre como lidar com a controvérsia, sejam eles por parte do Uber ou da Waymo. Isso significa que todos os supervisores do Uber têm que se reunir e discutir os seus planos de usar ou não a tecnologia e enquanto os supervisores da Waymo necessitam descobrir maneiras de evitar o dilema que estão enfrentando agora.

Os clientes de ambas as empresas ainda estão esperando o lançamento total do carro autônomo, o que significa que eles são afetados depois de serem usuários do Uber ou apoiadores da Waymo.

Os acionistas devem decidir se negociam ou vendem as suas ações com base no futuro de ambas as empresas e se são capazes de superar os honorários advocatícios e acordos para permanecer no caminho certo para maximizar a riqueza de seus acionistas de acordo com a lei.

Os fornecedores de equipamentos, os membros da comunidade que esperam por essa tecnologia para um futuro mais seguro e o meio ambiente que talvez colherá os benefícios de menos poluição e construção de carros operados pelo homem.

Individualismo

De acordo com a Teoria do Individualismo, uma empresa tem que usar práticas éticas quando gera lucro e maximiza a riqueza dos acionistas. Isso significa que todas as ações comerciais que ocorrerem têm que estar de acordo com a lei em todos os sentidos, seja lei social ou lei constitucional e respeitar todos os direitos humanos. Essa teoria realmente enfatiza a independência dos humanos e a importância da autoconfiança e da liberdade individual, excluindo toda interferência externa em relação às escolhas de um indivíduo.

A aplicação dessa teoria ao caso Uber vs. Waymo expõe completamente o Uber de usar práticas antiéticas em seu negócio de tecnologia de carros autônomos conhecida como LiDAR.

Levandowski, do Uber, infringiu a lei ao roubar informações confidenciais de seu empregador anterior enquanto apagava todas as evidências possíveis para roubar com sucesso a tecnologia do carro autônomo. Infringir a lei já é eticamente inadmissível sob essa teoria da ética.

Toda empresa deve beneficiar os seus negócios e maximizar o preço de suas ações de maneira legal, usando apenas ideias originais, caso em que Levandowski e Uber não seguiram. Como o Uber contratou Levandowski, eles também participaram de práticas comerciais antiéticas ao aceitar os designs de Levandowski e não ter certeza se a tecnologia LiDAR era uma ideia original de Levandowski ou não.

Se eles tivessem certeza e decidissem não contratar Levandowski, o Uber teria evitado esse processo e continuado com as suas próprias pesquisas, seguindo ações éticas em busca da tecnologia de direção autônoma.

A propriedade intelectual é tão valiosa que qualquer meio de roubá-la é imediatamente antiético. Sim, as empresas provavelmente tiveram feito isso no passado para adquirir a vantagem competitiva necessária para se tornarem bem-sucedidas, mas todas as ideias têm que vir de dentro dos indivíduos da empresa. O Uber usou informações externas, seja propositalmente ou por acidente e, portanto, merece pagar os danos à Waymo. A opinião pública do Uber estava em alta antes que tudo isso acontecesse.

Agora que o caso se tornou público, as pessoas provavelmente têm percepções negativas das práticas de negócios do Uber, entretanto continuarão dependentes de seus negócios porque muitos jovens não sabem o que aconteceu e ainda necessitam de transporte facilmente acessível diretamente do aplicativo Uber para smartphone. O Uber continua lucrativo, mas sofreu perdas financeiras iniciais após o acordo judicial.

Tecnologia LiDAR

Utilitarismo

De acordo com a Teoria do Utilitarismo, a felicidade do maior número de pessoas e partes interessadas é o aspecto mais importante para ser ético. Isso significa que uma ação é ética se resultar em felicidade geral e antiética se causar infelicidade geral. A felicidade é o único valor real que as pessoas têm aos olhos dos Utilitaristas, então qualquer coisa que consequentemente resulte na felicidade da maioria é considerada ética por esses padrões.

O Uber usou propriedade intelectual roubada para gerar felicidade geral para a sua alta administração, supervisores, clientes, acionistas, funcionários, fornecedores, comunidade e meio ambiente. Isso seria considerado eticamente inadmissível sob o Utilitarismo porque a Waymo já tinha desenvolvido a tecnologia LiDAR como base para carros autônomos e o Uber roubou a ideia em vez de criar a sua própria. Se o Uber tivesse criado a própria tecnologia deles e entregado um carro autônomo para os seus clientes, então eles teriam maximizado a felicidade geral de todas as partes interessadas nesse caso.

O Aplicativo Uber também poderia ter oferecido à Waymo acordos contratuais para combinar as duas divisões de carros autônomos e inserir a maioria desses carros na vida cotidiana do público em geral, maximizando a felicidade de ambas as partes interessadas da empresa.

Por causa das ações de roubo do Uber terem resultado na infelicidade das partes interessadas da Waymo, uma parte maior da população devido ao enorme tamanho das operações de negócios do Google, as ações deles são consideradas antiéticas.

A felicidade da parte interessada do Uber não supera a infelicidade da parte interessada da Waymo. O custo das ações do Uber era de $ 245 milhões do patrimônio da empresa, o que reduz a riqueza dos acionistas e promove negócios ruins que são prejudiciais à empresa e à imagem do Uber.

A partir de um ponto de vista universal, principalmente com foco nas comunidades que usam automóveis como principal fonte de transporte, a exposição da tecnologia LiDAR poderia promover que todas as empresas automotivas buscassem a mesma tecnologia de carros autônomos que poderia muito bem ser o futuro da direção. Se todos os carros usassem isso, a segurança das massas seria muito mais garantida e isso traria felicidade para quase todos no mundo. Não apenas isso, mas outras formas de transporte podem ser capaz de perseguir o mesmo objetivo de maximizar a segurança de todos que necessitam viajar, não importa a distância.

O meio ambiente também poderia se beneficiar devido à diminuição dos recursos naturais que a tecnologia de direção autônoma consome. Se o Uber criasse a sua própria tecnologia, as suas ações seriam consideradas eticamente permissíveis porque resulta em um planeta mais saudável e métodos de transporte mais seguros, além de levar o nosso mundo a níveis mais altos de avanços tecnológicos.

O custo dessas ações seria a Waymo perdendo negócios devido à abundância de tecnologia de direção autônoma, criando mais concorrência, o que acaba resultando em uma economia melhor. No final, as ações do Uber são consideradas eticamente inadmissíveis sob o Utilitarismo devido à infelicidade geral gerada pelo roubo da tecnologia LiDAR.

CEO do Uber (esquerda) vs. CEO da Waymo (direita)
Anthony Lewandowski (meio)

Kantianismo

De acordo com o Kantianismo, a regra número um para ser ético é seguir a fórmula da humanidade. Isso significa que todos têm a obrigação de tratar as outras pessoas racionais com respeito como outro ser humano, em vez de tratá-las como objetos. Kant queria que as pessoas fizessem a coisa certa pelo motivo certo, tendo a vontade de fazer algo apenas porque é a coisa certa a fazer, cumprindo os seus deveres como humanos racionais e sempre se abstendo de mentir. As pessoas são fins, não meios, então podem fazer o que quiserem, no entanto elas têm que seguir as diretrizes das regras de Kant para serem consideradas éticas.

Ao examinar essa polêmica pelas lentes do Kantianismo, o Uber cumpriu os seus deveres e trabalhou em prol de meios de transporte mais seguros, um avanço importante para empresas dessa natureza e tinha em mente o melhor interesse de seus stakeholders. O Uber deixou de fazer a coisa certa, porém, que é desenvolver a sua própria tecnologia de direção autônoma e não usar as ideias de outra empresa no processo de melhorar o seu próprio negócio.

Outro erro antiético cometido foi agir de forma irracional e usar o LiDAR da Waymo sem dizer a eles, o que é classificado como mentira devido ao sigilo das ações pelas costas da Waymo. Essas ações quebram a fórmula da humanidade de Kant porque [o Uber como negócio] os estão tratando como um banco de dados de informações [a equipe da Waymo], em vez de seres humanos com sentimentos e princípios. Ao fazer isso, o Uber não demonstrou nenhum respeito à Waymo por seu trabalho árduo e avanços tecnológicos.

Se o Uber tivesse dito a Waymo que Levandowski roubou as suas ideias e não respeitou a propriedade intelectual deles, o Uber poderia ser visto como um negócio ético sob o Kantianismo e teria evitado um processo caro. Contando a verdade para a Waymo assim que receberam as informações confidenciais de Levandowski, o Uber teria sido eticamente permissível porque é a coisa certa a fazer como humanos. Por causa das ações reais do Uber, o negócio é considerado eticamente inadmissível sob o Kantianismo.

Waymo vs. Uber Tecnologia de Carro Autônomo LiDAR

Teoria da Virtude

A teoria da virtude é derivada das quatro características básicas do ser humano: coragem, honestidade, temperança e justiça. Quando uma entidade comercial usa todas essas quatro virtudes para qualquer ação executada, elas são vistas como éticas sob a Teoria da Virtude. As empresas com coragem assumem os riscos necessários e abraçam todas as recompensas ou consequências que ocorrem por causa de suas ações. Elas têm que lutar por aquilo em que acreditam porque é isso o que elas são.

O Uber não teve coragem de explorar o seu próprio caminho para criar a tecnologia de carros autônomos, então eles roubaram as recompensas que a Waymo recebeu de seus funcionários e as descobertas intelectuais deles e cortaram os sacrifícios feitos para alcançar tal sucesso.

O Uber teve a oportunidade de ser corajoso em recusar o LiDAR roubado, demitir Levandowski e descobrir o seu próprio carro autônomo. Em seguida, a empresa tem que ser honesta com todas as partes interessadas, inclusive com eles mesmos, para que cada decisão seja baseada na confiança e na sinceridade.

O Uber falhou completamente em ter um desempenho honesto e é por isso que eles se envolveram com esse acordo judicial em primeiro lugar.

O Uber usou secretamente a tecnologia da Waymo e teria guardado o segredo até ser exposto, o que acabou acontecendo devido ao e-mail acidental enviado à Waymo com as ideias roubadas. O fato de que a tecnologia de carros autônomos do Uber permaneceria em segredo, se não fosse por aquele e-mail, todos os lucros e benefícios para os seus stakeholders seriam baseados em uma mentira. O Uber necessitava admitir os seus erros para ser honesto e ético.

A terceira característica que as empresas devem adquirir é a temperança, ou autocontrole. O Uber não demonstrou moderação ao perder o autocontrole ao se entregar à tecnologia roubada do LiDAR da Waymo, em vez de se abster dos segredos de Levandowski.

A última parte da Teoria da Virtude é a justiça. Essa é a ideia de justiça como equidade e todas as coisas como sendo iguais. Sim, as pessoas podem dizer que o Uber usou apenas o LiDAR da Waymo, então ambas as empresas têm as mesmas oportunidades de criar carros autônomos, entretanto, como é justo que o Uber não tenha projetado a sua própria tecnologia usando as suas próprias finanças quando a Waymo assim o fez?

Deixar de atender a todas essas quatro características significa que o Uber é eticamente inadmissível sob a Teoria da Virtude.

Obra Citada

Bloom, Jonathan. “Uber-Waymo Trial Could Change How Silicon Valley Does Business.”ABC7 San Francisco, 6 Feb. 2018, https://abc7news.com/uber-trial-begins-today-self-driving-car-waymo-in-court-against-google/3036578/.

Gibson, Kate. “Waymo, Uber Trade Secrets Case Dismissed after Settlement.” CBS News, CBS Interactive, 9 Feb. 2018, https://www.cbsnews.com/news/waymo-uber-trial-settlement-reached-case-dismissed-today-2018-02-09/.

Holley, Peter. “In Stunning Turn, Uber Pays to Settle Its Court Battle with Waymo.” The Washington Post, WP Company, 9 Feb. 2018, https://www.washingtonpost.com/news/innovations/wp/2018/02/09/in-stunning-turn-uber-pays-to-settle-its-court-battle-with-waymo/.

Isaac, Mike. “With Waymo Settlement, Uber C.E.O. Makes His Mark.” The New York Times, The New York Times, 9 Feb. 2018, https://www.nytimes.com/2018/02/09/technology/waymo-uber-ceo-.html.

Wakabayashi, Daisuke. “Uber and Waymo Settle Trade Secrets Suit Over Driverless Cars.” The New York Times, The New York Times, 9 Feb. 2018, https://www.nytimes.com/2018/02/09/technology/uber-waymo-lawsuit-driverless.html.

“Waymo v Uber: Who Stole What?” BBC News, BBC, 5 Feb. 2018, https://www.bbc.com/news/av/technology-42936448.

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10º caso que nós destacamos para análise:

Fitbit: Sensores Imprecisos em Relógios e Rastreadores (2016-2020)

Site: http://businessethicscases.blogspot.com/2020/12/fitbit-innacurate-sensors-on-watches.html

Representação do Sensor (Statnews.com)

A Fitbit é uma empresa Americana de produtos eletrônicos e fitness [tecnologia vestível sem fio], com sede em San Francisco, Califórnia. Eles fazem smartwatches, rastreadores e outros produtos que devem rastrear métricas relacionadas à saúde, como frequência cardíaca, passos e qualidade do sono.

A Fitbit esteve recentemente no noticiário por ter sensores imprecisos em pessoas que não sejam consideradas brancas. Houve várias pesquisas sobre a precisão de seus produtos como um todo, principalmente de 2017 e 2020. Houve pesquisas para apoiar a alegação de que os sensores da Fitbit não são fortes o suficiente para rastrear o coração adequadamente em consumidores com alto nível de melanina na pele.

Esse artigo analisará esse caso na Fitbit através de 4 pontos de vista da teoria da ética. Será analisado pelo Individualismo, Utilitarismo, Kantianismo e Teoria da Virtude.

Um Individualista acreditaria que esse caso é ético, pois a Fitbit está tentando gerar mais lucro dentro da lei.

O ponto de vista Utilitário consideraria esse caso antiético porque a Fitbit não está maximizando a felicidade de todos os seres capazes de experienciar a felicidade porque os seus produtos não funcionam adequadamente em pessoas com tom de pele mais escuro.

Immanuel Kant e o Kantianismo também considerariam esse caso antiético com base nos altos níveis de desonestidade e na falta de confiança que resultaria dessa situação se esse caso fosse aplicado a todos.

Por último, a Teoria da Virtude consideraria esse caso antiético por causa da desonestidade, ganância e ausência das 4 virtudes cardeais.

Existem várias pessoas que esse caso afeta além do principal interessado que é o cliente e isso inclui investidores, concorrentes e presidentes. Alguma coisa que pode ser feita para ajudar a corrigir esse caso seria investir na tecnologia de sensor infravermelho que a Apple usa em seu smartwatch para aumentar a precisão. Outra coisa que pode ser feita é que a Fitbit pode exibir a sua tecnologia ao público e concentrar os seus esforços em criar uma tecnologia que apoie todas as partes.

O Histórico da Empresa

A Fitbit foi fundada em 2007 por James Park em São Francisco, Califórnia. A empresa cresceu o suficiente para se tornar publicamente negociada na bolsa de valores em 18 de junho de 2015.

A Fitbit oferece vários produtos vestíveis, como relógios inteligentes, rastreadores e outros produtos que ajudam a monitorar as medições de saúde. Eles também têm aplicativos para Fitbit que ajudam a monitorar o sono e a manter os seus dados pessoais atualizados. A missão da Fitbit é ‘Capacitar e inspirar você a viver uma vida mais saudável e ativa. Nós projetamos produtos e experiências que se encaixam perfeitamente em sua vida para que você possa atingir os seus objetivos de saúde e fitness, sejam eles quais forem’ (Fitbit)

Imprecisões do Sensor Fitbit Entre Pessoas Que Não Sejam Consideradas Brancas

O Fitbit, juntamente com outros smartwatches e monitores de saúde vestíveis, foram expostos a um problema de precisão. O problema que está passando despercebido é o fato de que os rastreadores Fitbit têm uma taxa maior de imprecisão em pessoas que não sejam consideradas brancas. Após várias pesquisas e estudos sobre a precisão dos sensores ópticos de frequência cardíaca vestíveis, várias conclusões foram feitas com base nos resultados que mostram que o tom da pele desempenha um papel na precisão dos dados. As duas medições principais que o Fitbit rastreia são a frequência cardíaca e o gasto de energia. O foco principal da maioria das imprecisões gira em torno do rastreamento da frequência cardíaca.

O problema da tecnologia Fitbit é que eles, juntamente com outras empresas, usam uma luz verde para rastrear a frequência cardíaca. A luz deve refletir a luz da sua corrente sanguínea de volta para o relógio, então quando ‘há menos sangue no pulso, mais luz está sendo refletida de volta para o sensor que permite que o dispositivo monitore a frequência cardíaca do usuário’ (Samson). O problema ocorre quando a luz verde é usada em pessoas que não sejam consideradas brancas, pois há um aumento do nível de melanina na pele que absorve a luz verde impedindo-a de ler o sangue corretamente. A Fitbit diz que aumentou a força da luz verde para combater esse problema, mas ainda não é tão poderosa quanto a luz infravermelha, que é mais precisa e usada no Apple Watch. Essa luz infravermelha não é usada no Fitbit, pois custa mais dinheiro do que a tecnologia de luz verde.

Isso vem a ser um problema quando um homem Afro-Americano como Vernon Ross, de 49 anos, usa um Fitbit para monitorar a sua frequência cardíaca. Ele havia sido diagnosticado com pressão arterial elevada e usou o Fitbit como uma ferramenta para rastrear a frequência cardíaca para ajudar com a sua pressão arterial. Ross finalmente percebeu que os seus números estavam flutuando em um nível pouco ortodoxo e não combinava com a verificação manual de seu pulso. (Stat News) Isso representa um problema porque se uma empresa como a Fitbit está cortando custos para economizar dinheiro, no entanto isso pode custar informações importantes ao consumidor, vem a se tornar uma falta de confiabilidade e confiança na empresa. Isso não é simplesmente um fenômeno porque há dados para apoiá-lo.

Um estudo de 2017 publicado no MDPI [jornal?] mostra que variáveis ​​‘como tom de pele mais escuro, circunferência do pulso maior e IMC [Índice de Massa Corporal] mais alto foram correlacionadas positivamente com taxas de erro de FC [Frequência Cardíaca] aumentadas’ (Christle, Hastie)

Outro estudo de 2020 do National Center for A Biotechnology Information testou variáveis ​​semelhantes em vários relógios, incluindo o Fitbit. Eles testaram a hipótese de que o tom da pele afeta as leituras do monitor e disseram que ‘o tom da pele parece não ser o condutor do erro absoluto médio ou do erro direcional médio’ (Bent, Goldstein, Kibbe, Dunn). Embora isso possa favorecer à Fitbit em relação a essas alegações do tom de pele, o estudo também relatou que houve ‘interação significativa entre tom de pele e dispositivo’, o que significa que, dependendo do dispositivo usado pelo consumidor, o tom de pele pode desempenhar um papel na precisão como mencionado anteriormente.

As estatísticas mostram que um relógio da Apple tem o erro absoluto médio mais baixo e o Fitbit dispara ligeiramente em erro absoluto médio ao lado da Apple junto com a maioria das outras empresas. Isso é problemático, pois o Fitbit é indiscutivelmente um dos três principais concorrentes quando se trata desses produtos e, se a sua precisão não corresponder à reputação e aos preços, haverá preocupação entre as partes interessadas.

A Fitbit divulgou declarações sobre os problemas de leitura da cor da pele e disse que ‘nós projetamos especificamente o nosso sistema óptico para emitir luz verde com força suficiente para penetrar efetivamente na pele mais escura e o nosso detector para ser sensível o suficiente para detectar com precisão o sinal da frequência cardíaca’. A Apple também divulgou declarações dizendo coisas semelhantes ao insistir no fato de que os Apple Watches usam infravermelho em cima da luz verde para aumentar as taxas de precisão.

Indiscutivelmente, o maior problema que surge disso é que parece que a tecnologia de luz verde é usada na maioria dos sensores, o que, em alguns casos, é claramente impreciso com tons de pele mais escuros.

O artigo da Stat faz referência a Steven LeBeouf, cofundador e presidente da Valencell, uma empresa de desenvolvimento de sensores biométricos. LeBeouf afirma que ‘se você mergulhar a sua mão em uma pilha aleatória de sensores, verá que 9 em cada 10 vezes, eles terão luz verde e, provavelmente, na maioria dos casos, são apenas luz verde’.

Isso vem a ser um pensamento assustador, considerando que o site da Fitbit em novembro de 2020 tem o seu smartwatch mais caro, o Versa 3, listado em US$ 229 com uma descrição de sua nova tecnologia PurePulse 2.0. A descrição da tecnologia de frequência cardíaca em seu site diz que um ‘sensor emite uma luz verde sobre a pele e detectores de luz chamados photobodies medem quanta luz está sendo absorvida’. Não houve menção à tecnologia de infravermelho usada pela Apple, que é comprovadamente mais precisa. É questionável ver essa tecnologia em seu produto top de linha quando a empresa também afirma que a precisão significa tanto para eles.

Vale a pena notar que no artigo da Stat, eles referenciaram Massimiliano de Zambotti, um pesquisador da SRI International e como ele explicou que a pesquisa para essa tecnologia é um processo lento, mas o avanço da tecnologia está se movendo em um ritmo rápido, tornando difícil chegar pleno nas conclusões. Esse é um problema atual que pode ser resolvido muito em breve, mas não é promissor, considerando as implicações de custo da tecnologia de luz verde, juntamente com a falta de empresas ao lado da Fitbit com os mesmos problemas. Como mencionado anteriormente, o primeiro relato de pesquisa que surgiu com esse problema de tom de pele veio de 2017 e houve pesquisas refinadas em 2020.

Stakeholders (Partes interessadas)

As partes interessadas nesse caso são principalmente os consumidores da Fitbit, os presidentes e os principais funcionários de tecnologia.

Os consumidores e especificamente os consumidores que não sejam considerados de cor branca são os mais afetados por isso devido ao declínio da precisão do produto para esses tipos de consumidores. Além disso, outros consumidores que sabem disso podem pensar que isso é moralmente errado.

Os presidentes da Fitbit também estão envolvidos porque isso é algo que pode afetar diretamente a reputação de sua empresa e, por fim, as suas vendas.

Os principais funcionários de tecnologia, incluindo o diretor e o CTO (Chief Technology Officer) Eric Friedman, é uma parte interessada, pois ele tem que ser responsabilizado em relação a falhas tecnológicas. A decisão de comprar e usar sensores baratos pode ter vindo de qualquer pessoa da empresa, mas é mais provável que tenha sido uma decisão colaborativa entre os funcionários de nível de elite da Fitbit.

Outros que são partes interessadas nesse caso são os investidores na Fitbit, de capital aberto. Eles gostariam de saber como a reputação futura de uma empresa na qual estão investindo será afetada se um caso como esse se tornar uma questão maior, em escala mundial, digna de nota.

Isso pode se tornar um problema para todos os envolvidos no investimento na Fitbit porque existem alguns grandes grupos que detêm ações da Fitbit, incluindo DNB Asset Management AS, The Vanguard Group e Goldman Sachs, para citar alguns.

Individualismo

Uma maneira de olhar para o Individualismo de acordo com Milton Friedman é que o único objetivo dos negócios é lucrar dentro das restrições da lei.

Se o caso da Fitbit for analisado a partir do estilo de Friedman sobre o Individualismo, dir-se-ia que nada do que eles fizeram infringiu a lei. O caso parece um pouco tendencioso racialmente, mas não houve preconceito total em termos de sensores e cor da pele. É mais uma falha de sensor e uma deficiência tecnológica do que um produto feito especificamente para discriminar um certo tipo de pessoa. A Fitbit está simplesmente tomando uma decisão econômica ao comprar sensores mais baratos para obter mais lucro com os seus relógios, o que para um Individualista não seria problema. Esse não é um exemplo de ato antiético em termos de Individualismo.

Vale a pena notar os vários processos judiciais com os quais a Fitbit teve que lidar nos últimos 5 anos. Houve um processo popular contra a Fitbit que foi notícia em 2016 afirmando que ‘os Fitbit Charge HR & Surge são imprecisos em exercícios de alta intensidade’ (McLellan, Black, Urban). Também alegou que era perigoso para as pessoas porque alguns clientes o usam como um monitor de saúde. Junto com isso, houve algumas ações coletivas relacionadas a questões semelhantes.

Os processos também levam a um processo movido por investidores, já que as ações da Fitbit caíram 5,8% um dia após os primeiros anúncios do processo contra eles em relação aos monitores de frequência cardíaca. Uma das ações coletivas foi concedida e os clientes que compraram certos relógios defeituosos tiveram direito ao pagamento de $ 12,50 pelos problemas.

Portanto, nesse caso, Friedman veria isso como anti-Individualismo, porque a Fitbit estava alegando que o seu produto estava fazendo algo que não pode fazer, que é rastrear adequadamente a frequência cardíaca, o sono e muito mais. Eles estavam lucrando, mas não dentro da lei nesse cenário. Em termos da questão mais recente sobre cor e precisão da pele, ainda não houve um processo.

Outra maneira de ver o Individualismo de acordo com Tibor Machan é que o único objetivo direto do negócio é o lucro e a obrigação primária do empresário é maximizar o lucro. (Salazar, 17)

Se o caso Fitbit for analisado desse ponto de vista no curto prazo, eles não fizeram nada além de movimentos produtivos de negócios, pois estão lucrando mais com os seus relógios, pois não gastam muito dinheiro com os sensores. Eles estão fazendo o que podem para obter lucro, não importa o custo.

O problema pode surgir se outro processo vier dessa questão, porque as ações da Fitbit no passado foram atingidas por esses processos. No curto prazo, Machan acharia isso ético porque, como empresa, eles estão fazendo tudo o que podem para se manterem financeiramente prósperos. O preço das ações da Fitbit caiu quase 20 dólares por ação desde 2015, então eles necessitam fazer o máximo que puderem agora para obter mais lucro.

Utilitarismo

O Utilitarismo gira em torno de todos os envolvidos na situação e não apenas da empresa ou de um indivíduo. O Utilitarismo tenta maximizar a felicidade e minimizar a infelicidade em qualquer ser que possa ser feliz. Além disso, ‘o Utilitarismo nos diz que nós somos capazes de determinar o significado ético de qualquer ação observando as consequências desse ato’ (DesJardins 29).

Olhando para todas as partes interessadas e como elas foram afetadas, os consumidores foram os mais afetados nesse caso, pois foram eles que gastaram dinheiro em um produto alegando habilidades que não foram implementadas.

Do ponto de vista Utilitário, esse caso seria antiético porque as consequências da polêmica afetam diretamente a qualidade do produto em determinadas cores de pele. A decisão de usar sensores baratos afeta diretamente as pessoas com pele mais escura, pois a precisão do produto diminui para elas.

O consumidor compra esse produto para ‘saber quantas vezes o seu coração está batendo’, mas não no nível que deveria para certos consumidores. (Fitbit)

Um Utilitarista consideraria isso antiético, pois de forma alguma a felicidade de todos os consumidores está sendo maximizada.

A outra parte interessada envolvida que será afetada por isso são os investidores da Fitbit, pois eles foram prejudicados no passado pelos erros da Fitbit e provavelmente poderiam ser prejudicados novamente. A felicidade dos acionistas não será maximizada quando eles lerem esses artigos e análises sobre a precisão dos sensores na cor da pele. Especialmente no estado socialmente sensível em que o nosso país [EUA] está agora, isso pode se tornar um problema astronômico para os acionistas da Fitbit.

Um Utilitarista consideraria esse caso antiético por causa desses efeitos sobre os acionistas, juntamente com a minimização da felicidade em termos de satisfação do cliente. Além disso, os presidentes da empresa não terão o fardo que as outras partes interessadas têm, pois provavelmente estão bem de vida e ganhando um bom dinheiro.

Kantianismo

O Kantianismo, a teoria da ética criada por Immanuel Kant gira em torno da racionalidade e da boa vontade. O Kantianismo é contra a exploração e a manipulação de outros para ganho pessoal. A principal diretriz ética em que Kant acreditava era o que ele chamava de imperativo categórico. Esse é o princípio ético universal de que se deve sempre respeitar a humanidade dos outros e que só se deve agir de acordo com as regras que possam valer para todas as pessoas.

O caso Fitbit é um caso interessante para ser visto de uma perspectiva Kantiana porque você pode instantaneamente argumentar que há muita manipulação e mais ainda exploração dos clientes. Uma das principais regras de Kant é nunca ‘mentir, enganar, manipular ou prejudicar os outros para conseguir o que nós queremos’ (Salazar 17). Para começar com mentira, a Fitbit mentiu para os seus clientes, alegando que a sua tecnologia PurePulse deveria ser forte e eficiente o suficiente para rastrear os batimentos cardíacos de todas as pessoas.

Eles perderam ações judiciais sobre essa exata reivindicação e têm esses problemas de cor da pele mais recentes. Eles estão enganando os seus clientes e acionistas ao lançar esses novos produtos com novas tecnologias que ainda não rastreiam as medições de saúde tão bem quanto deveriam ou tão bem quanto a concorrência com sensores infravermelhos. Os acionistas são enganados por isso, pois compram ações a um preço mais alto do que elas realmente deveria ser avaliadas.

Por fim, os clientes que usam o Fitbit como um sistema de monitoramento de saúde podem ser prejudicados, pois os seus números podem ficar distorcidos e atrapalhar o gerenciamento da saúde, como no caso mencionado anteriormente. Toda essa trapaça, mentira e dano apenas para obter mais lucro para os presidentes é o motivo pelo qual o Kantianismo consideraria isso antiético.

Como mencionado anteriormente, Kant acredita que só se deve agir de acordo com regras que possam ser mantidas para todos. Bem, se todas as empresas usassem tecnologia mais barata para gerar mais lucro para si mesmas e isso resultasse em produtos e serviços imprecisos, insuficientes ou ineficientes, não haveria confiança no mundo dos negócios. Consumidores e empresas não poderiam ter confiança e relacionamentos de curto ou longo prazo, pois todos saberiam que estavam sendo explorados.

É por isso que o caso Fitbit é antiético em termos de Kantianismo.

Sensor de Luz Verde

Teoria da Virtude

A Teoria da Virtude estabelecida por Aristóteles gira em torno do caráter e não das ações dos indivíduos, como são as últimas três Teorias da Ética. (Salazar 22) A Teoria da Virtude é encorpada em racionalidade e em ser racional na vida para viver um estilo de vida virtuoso. Existem 4 virtudes principais conhecidas como as virtudes cardeais. Essas incluem honestidade, coragem, temperança e justiça.

No mundo dos negócios, alguns dos vícios piores ou mais prejudiciais são a ganância, a desonestidade e o egoísmo. (Salazar 23) Esses vícios residem no caso Fitbit, pois a desonestidade se destaca especialmente em relação ao caso porque eles não foram honestos com os seus clientes sobre os seus produtos. Eles desenvolvem novas tecnologias e vendem os seus produtos a um preço às vezes alto e os seus produtos acabam perdendo a precisão. Não é honesto e corajoso ser barato para os seus clientes e especialmente para um determinado grupo de clientes. Seria corajoso para a Fitbit investir em tecnologia mais nova, mais cara e mais precisa em seus produtos para manter a confiança e a honestidade com os seus clientes, mas eles não fizeram isso.

A Fitbit não está sendo justa para os seus consumidores, pois eles estão em falta de criar o melhor produto possível.

A Teoria da Virtude inclui o conceito de seres ‘cumprindo o seu propósito e potencial’ (Salazar 23). A Fitbit, nesse caso, não está cumprindo todo o seu potencial, pois é a quinta maior empresa de dispositivos vestíveis, mas ainda assim fica aquém da precisão do produto. Não é como se eles não tivessem nome e fundos para inserir tecnologia que atenda ao propósito e potencial de seus produtos.

Avaliação da Ética

Pessoalmente, eu penso que a Fitbit tem aparecido nos noticiários com muita frequência por suas imprecisões tecnológicas que eles necessitam fazer uma mudança. As reclamações mais recentes sobre precisão e cor da pele são algo que pode se transformar em um grande problema e vir a ser os problemas da Fitbit ainda piores rapidamente. Eu penso ser antiético ter uma tecnologia que não funciona da melhor maneira possível em pessoas que não sejam consideradas brancas.

Claramente não é feito para discriminar pessoas com pele mais escura, mas a tecnologia usada não deve funcionar apenas em determinados consumidores. Também traz uma discussão mais ampla que é um viés geral no mundo dos negócios. Os produtos não devem ser feitos para que as pessoas consideradas brancas sejam o usuário ‘Padrão’ do produto.

Eu penso que a Fitbit está sendo não somente antiética, mas também carece de orientação financeira porque sim, eles podem economizar dinheiro usando os sensores mais fracos, entretanto a sua reputação e a sua confiança a partir dos consumidores são mais valiosas a longo prazo.

Com base no aspecto dos efeitos da cor da pele de todo esse caso, eu pessoalmente penso que, do ponto de vista comercial, é uma ótica tão ruim ter algo assim nas notícias sobre o seu produto. Como mencionado anteriormente, claramente não foi feito para discriminar, mas você não pode ser uma empresa tão grande quanto a Fitbit e deixar algo assim passar por testes e pesquisas. Eu penso que é apenas um comportamento pouco profissional e antiético de uma empresa que realmente deveria estar evitando isso.

Plano de Ação

Eu penso que o que necessita ser feito é uma revisão completa da sua tecnologia PurePulse2 atual. Ela não está funcionando corretamente em uma taxa que está ajudando a Fitbit a se tornar uma empresa confiável e negócios mais diversificados em geral.

Eles necessitam tirar uma página do livro de competições (Apple), o que resultaria na Fitbit estar usando a tecnologia de infravermelho que o Apple Watch usa. Essa tecnologia não depende dos sensores de luz verde usados ​​pela Fitbit. Ela é mais cara, entretanto mais confiável.

A Fitbit necessita tomar iniciativa em sua reputação e satisfação do cliente. Eles não podem confiar em ser um dos líderes no mercado de smartwatch/rastreador e apenas conduzir as suas vendas até que um dia isso possa piorar.

Eles precisam implementar pesquisa e desenvolvimento para a satisfação de seus clientes, porque a concorrência só piorará se ações antiéticas continuarem ocorrendo.

Obviamente, a atualização para o sensor mais caro possivelmente diminuirá os lucros no curto prazo, a menos que aumentem os preços, mas é uma decisão de longo prazo na qual você tem que apostar. Acredito que as chances estariam a favor da Fitbit se eles fizessem essa mudança, porque os clientes se preocupam com a confiança e a honestidade quando se trata de empresas das quais compram.

Além dessas mudanças concretas do ponto de vista tecnológico, eles podem fazer mudanças na reputação de seus negócios ao reconhecer o preconceito que existe no mundo dos negócios. Eles podem abordar publicamente essa questão que está no mundo dos negócios e fazer mudanças na própria empresa que resolveriam esse caso. Eles necessitam fazer declarações que digam como eles entendem que há algum viés nos negócios e não querem fazer parte disso e é por isso que investiram tanto dinheiro em novas tecnologias para garantir que ninguém fique de fora do produto que eles estão oferecendo.

Passo 1 – Revisar a tecnologia PurePulse2. Investir e integrar a tecnologia infravermelha em todos os rastreadores Fitbit e smartwatch vendidos.

Passo 2 – Implementar o departamento de pesquisa e desenvolvimento para verificar a satisfação do cliente no campo de produtos tecnológicos. Confiar na empresa e investir dinheiro em reputação, satisfação e comercialização para atingir metas de longo prazo.

Passo 3- Abordar publicamente o preconceito racial geral no mundo dos negócios e afastar-se dele. Tornar-se uma grande empresa que percebe isso e que trabalha contra isso na comunidade.

Referências

Bent, Brinnae, et al. “Investigating Sources of Inaccuracy in Wearable Optical Heart Rate Sensors.” NPJ Digital Medicine, Nature Publishing Group UK, 10 Feb. 2020,  www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7010823/.

Brown, Shelby. Fitbits Might Not Track Your Heart Rate Right If You’re a Person of Color. 25 July 2019, www.cnet.com/health/fitbits-might-not-track-your-heart-rate-right-if-you-are-a-person-of-color/.

Hailu, Ruth, et al. Fitbits, Other Wearables May Not Accurately Track Heart Rates in People of Color. 24 July 2019, www.statnews.com/2019/07/24/fitbit-accuracy-dark-skin/.

About Fitbit, www.fitbit.com/global/us/about-us.

Shcherbina, Anna, et al. “Accuracy in Wrist-Worn, Sensor-Based Measurements of Heart Rate and Energy Expenditure in a Diverse Cohort.” MDPI, Multidisciplinary Digital Publishing Institute, 24 May 2017, www.mdpi.com/2075-4426/7/2/3/htm.

Times, Diane Samson Tech. “Popular Wearable Devices Like Fitbit Might Not Accurately Track Heart Rate Of People Of Color.” Tech Times, MENU Business Health Culture Features Buzz, 27 July 2019, www.techtimes.com/articles/244750/20190727/popular-wearable-devices-like-fitbit-might-not-accurately-track-heart-rate-of-people-of-color.htm.

Salazar, Heather. The Business Ethics Case Manual. n.d.

Postado por Sean Jamieson

Imagem gabe-pierce-UAmLjpbFis-unsplash.jpg – 17 de agosto de 2023

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios podem ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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