Artigo: “Mana for a New Age

Autoria: Rachel Morgain

Esse texto foi retirado do livro “New Mana: Transformations of a Classic Concept in Pacific Languages ​​and Cultures” [Tradução livre: “Novo Mana: Transformações de um Conceito Clássico nas Línguas e Culturas do Pacífico”], em seu capítulo 11 – Mana for a New Age, editado por Matt Tomlinson e Ty P. Kāwika Tengan, publicado em 2016 pela ANU Press, The Australian National University, Canberra, Austrália.

Artigo complementar para o nosso conhecimento e entendimento do sistema de pensamento da Psicofilosofia Huna.

Esse é um artigo que contesta os trabalhos de pesquisa de Max Freedom Long. Como o artigo resume os principais artigos de alguns estudiosos que questionam a autenticidade desses trabalhos, fica aqui esses registros para a nossa avaliação e entendimento.

De parte do Projeto OREM®, o que se pode constatar é que as contestações estão muito mais voltadas para a forma do trabalho do que para o conteúdo das descobertas, limitando-se em alguns princípios da Huna, notadamente no conceito de Mana e deixando à parte a essência dessa Psicofilosofia descortinada por Max e ainda em fase de experimentação.

Assim sendo, como a meta do Projeto OREM®, na OREM1, é focar sempre no conteúdo dos ensinamentos dos “Kahunas” de todos os tempos e de todos os espaços, esse artigo apenas ratifica a necessidade de continuarmos estudando e experienciando os princípios da Psicofilosofia Huna e do que faziam com maestria e precisão os Kahunas Polinésios.

Fica aqui também registrado, desde já, a nossa gratidão a Max Freedom Long, ao Dr. William Brigham e a todos os Huna Research Associates mencionados e não mencionados nos artigos até então editados nesse blog, por boa parte de suas vidas dedicadas a esses ensinamentos, compartilhados para futuras constatações.

[Observação: New Age (“Nova Era”, em inglês) às vezes descrito como movimento New Age ou movimento Nova Era, é um movimento que se espalhou pelas comunidades religiosas ocultistas e metafísicas nas décadas de 1970 e de 1980. Essas comunidades aguardavam ansiosamente uma “nova era” de amor e luz que oferecia uma antecipação da era vindoura através de transformação e cura [healing] interior. Os defensores mais ferrenhos do movimento foram seguidores do esoterismo moderno, através de uma perspectiva religiosa baseada na aquisição de conhecimento místico (gnose) e popular no ocidente desde o século II. Esse novo gnosticismo, firmado nos ideais do gnosticismo antigo, foi sucedido por vários movimentos esotéricos ao longo dos séculos, incluindo o Rosacrucianismo no século XVII e a Maçonaria, a Teosofia e a Magia Cerimonial nos séculos XIX e XX. O termo “new age” foi usado pela primeira vez por William Blake no prefácio de seu poema Milton, em 1804. Fonte: Wikipedia]

Tradução livre Projeto OREM®

“Da cura [healing] dos chakras aos tambores Africanos, das tendas de suor [espécie de sauna primitiva] às jornadas Xamânicas, os movimentos da Nova Era, particularmente na América do Norte, são notórios por seu padrão de apropriação de conceitos e práticas de outras tradições espirituais. Embora as influências dos Índios Americanos e Asiáticos Continentais sejam talvez as mais conhecidas como fontes de material da Nova Era, as tradições dos habitantes das Ilhas do Pacífico, particularmente dos Havaianos, não escaparam à atenção da Nova Era.

Em particular, o movimento conhecido como ‘Huna’ introduziu palavras e conceitos com sonoridade Havaiana no vocabulário da Nova Era. O principal deles é o conceito de ‘mana’, controversamente incluído no que muitas vezes é uma grande lista de nomenclatura religiosa e filosófica não-ocidental, sob a categoria genérica de ‘energia’ ou ‘força vital’.

Adaptado continuamente através de gerações sucessivas de ensinamentos Huna e posteriormente adotado em seções do Movimento Pagão Contemporâneo relacionado através da tradição conhecida como ‘Feri’, o conceito de ‘mana’ exibe alguns temas consistentes nessas tradições, bem diferentes de seu significado nos contextos Havaiano.

Ao ser adotada por esses movimentos, tem sido transformada para se encaixar em um campo de ideias que se tem desenvolvido nas tradições esotéricas Ocidentais a partir, pelo menos, desde o final do século XVIII.” 

Nesse capítulo [capítulo 11 do livro mencionado acima – página 285], o autor traça algumas das ideias que vieram a ser associadas ao conceito de mana por meio de várias iterações dos movimentos da Nova Era na América do Norte:

“Começando com as obras fundamentais de Max Freedom Long, eu analiso a prática espiritual conhecida como Huna, popularizada a partir do final da década de 1930 por meio de uma série de textos de Long e a sua organização Huna Research. Em seguida, eu examino como essas ideias foram desenvolvidas nas obras de um dos professores contemporâneos mais influentes da Huna, Dr. Serge ‘Kahili’ King, que não apenas expandiu substancialmente o vocabulário conceitual relacionado à noção de mana em Huna, mas cujos métodos espirituais e de cura [healing] foram ‘re’-introduzidos no Havaí por meio de locais como o Kalani Retreat Center, localizado na Ilha do Havaí. Por fim, eu exploro como a mana foi adotada no Movimento Pagão Contemporâneo por meio da tradição conhecida como Anderson Feri.

A tradição Feri, criada por Victor e Cora Anderson na Califórnia durante as décadas intermediárias do século XX, baseou-se em ideias extraídas da Huna, incluindo o conceito de mana, conforme escrito por Long. Como uma tradição transmitida oralmente, os conceitos e práticas Feri estão potencialmente sujeitos a muitas interpretações às vezes contraditórias entre aqueles de diferentes linhagens, ensinados por professores diferentes ou pelos mesmos professores em momentos diferentes, sugerindo que é provável que não haja um entendimento único e unificado da mana dentro de Feri.

A minha pesquisa aqui se concentra em entrevistas com um grupo de praticantes de Feri em San Francisco, que também têm laços com o movimento Reclaiming, intimamente relacionado, com quem eu tenho um relacionamento de pesquisa de longa data. Embora as suas ideias possam ser idiossincráticas em alguns aspectos em comparação com outras linhagens Feri, certos tópicos podem, no entanto, ser identificados em como a mana é entendida e falada, que são consistentes com as ideias Huna, apontando para uma adoção generalizada de concepções particulares de mana em toda a Nova Era e Movimentos Pagãos Contemporâneos. Aqui, eu traço essas ideias de volta às concepções cosmológicas que têm uma longa genealogia nas tradições esotéricas Ocidentais, particularmente desde o trabalho de Franz Mesmer no final do século XVIII e o da Sociedade Teosófica estabelecida nas últimas décadas do século XIX.

Max Freedom Long e Huna

A ‘mana’ entrou no movimento da Nova Era principalmente através da prática espiritual conhecida como Huna, a descoberta do professor e escritor Americano branco Max Freedom Long. Long afirmou ter se encontrado com o curador (mais tarde diretor) do Bishop Museum em Honolulu, William Brigham, sugerindo que Brigham era a principal fonte de suas percepções sobre a tradição Havaiana. Long trabalhou como professor na Ilha do Havaí de 1917 a 1920.

De acordo com o trabalho histórico de Makana Risser Chai, que examinou as evidências do tempo de Long em Honolulu, avaliando as suas reivindicações pelas raízes ‘Havaianas’ de seu sistema de Huna, ele chegou a Honolulu em algum momento no final de 1920 ou início de 1921, ganhando a vida trabalhando em uma loja fotográfica (Chai 2011: 104). Desde o primeiro tempo lá, ele passou o seu tempo livre tentando falar com o maior número de pessoas possível, aprendendo o que podia sobre a vida Havaiana. Chai cita uma correspondência pessoal com o autor e ex-pesquisador do Bishop Museum, Pali Jae Lee, que sugere: ‘Todo momento em que ele podia se afastar do trabalho e tentar descobrir algo de alguém, ele o fazia’ (citado em Chai 2011: 115). No processo, ele tentou encontrar um Kahuna que compartilhasse segredos com ele, sem sucesso.(1)

(1) Isso não é surpreendente, dado o breve tempo de Long no Havaí e o status de estrangeiro e, como Lee aponta, menos ainda considerando o clima de medo, suspeita e proibições legais contra o uso da língua e cultura Havaiana entre Kanaka Maoli nessa época (Lee 2007: 90).

Depois de retornar ao Continente dos Estados Unidos de 1939 a 1941, Long escreveu vários romances de mistério ambientados no Havaí, aproveitando as suas experiências e a sua rica imaginação. Mas a partir de meados da década de 1930, ele também escreveu uma série de livros sobre Huna alegando o conhecimento de ‘antigos segredos Havaianos’.

Pali Jae Lee, em pesquisa realizada na década de 1970, rastreou cuidadosamente os diários pessoais de Brigham durante o período em que Long morou em Honolulu. Como ela demonstra, desde o homem que manteve uma conta detalhada ‘até as listas e recibos de mantimentos que comprou, a roupa que ele enviou e recebeu de volta’, não há nenhuma nota de Brigham tendo se encontrado ou falado com Long (Lee 2007: 92). Como sugere Chai, com base no caráter de Brigham e em sua consciência no nível da percepção [consciousness] de sua classe superior, é altamente improvável que ele jamais se dignasse a se encontrar com Long e menos ainda que tivesse aceitado Long como um estudante (Chai 2011: 105). As histórias que Long compartilha em suas obras, que ele alegou ter obtido de Brigham, também não se refletem nos escritos de Brigham (Chai 2011: 106–108).

Curiosamente, Chai sugere que é possível que Long tenha, no entanto, algumas fontes legítimas para os seus escritos sobre o Havaí. Em particular, ela aponta para o papel de Lahilahi Webb, uma Havaiana de família principal, que participou da coroação de Kalakaua e serviu como dama de companhia e enfermeira da rainha Lili’uokalani. Durante o período da estada de Long em Honolulu, Webb trabalhou como guia no Bishop Museum e conheceu Long durante as suas visitas lá. Webb foi tão respeitada durante o seu tempo no museu que se tornou a informante de muitos de seus estudiosos residentes. Webb foi uma fonte de muita informação sobre as tradições Havaianas, inclusive sobre a cura [healing], sobre a sabedoria tradicional e sobre o Kahuna.

No entanto, de acordo com funcionários do museu entrevistados por Pali Jae Lee, ela também estava inclinada a ‘contar muitas tolices ao haole’ (Chai 2011: 116). Chai sugere que é possível que Webb tenha sido a fonte de muitas das histórias que Long atribuiu a Brigham, que ela descreve como ‘descrições relativamente precisas das tradições Havaianas’, embora contenham alguns erros, possivelmente como resultado de ‘pequenas piadas [Webb] pregadas sobre ele’ (Chai 2011: 116).

Apesar dessas descrições às vezes precisas pontilhando o trabalho de Long, Long deixou o Havaí com pouco mais material de origem para o seu sistema Huna do que essas poucas histórias e o ‘velho dicionário Havaiano’ de Lorrin Andrews, que ele examinou atentamente para extrair dele o que ele poderia (Long 1981: 38; veja também Lee 2007: 92, para uma crítica do método do dicionário de Long para aprender sobre conceitos Havaianos).

O relato Havaiano mais simpático, do estudioso e tesouro vivo do Havaí, Charles Kenn, destaca as limitações de uma influência genuinamente Havaiana na obra de Long. Kenn era amigo e correspondente de longa data de Long, que passou algum tempo como um de seus Huna Research Associates (HRA) em Los Angeles no final dos anos 1940. Em 1949, tendo retornado ao Havaí, ele escreveu em uma carta a um membro do HRA que, ‘Eu não tenho dúvidas sobre a sinceridade de Long, mas ele pode ter introduzido alguns fatores não Huna por causa de sua mente de homem branco. ‘ (Chai 2011: 109). Dez anos depois, ele escreveu a seu amigo, autor e estudioso Leinani Melville Jones, que ‘Max Long era ‘auana’ [para se desviar moral ou mentalmente]. Eu também não consigo engolir as suas coisas de ‘Huna’ e eu disse a ele … Max tem boas intenções, mas, sendo um haole … é incapaz de entender o significado interno da filosofia Kahuna’ (citado em Rodman 1979: 131).

Longe de ser capaz de aprender sobre as tradições espirituais Havaianas, o que parece que ele originalmente esperava fazer, no final, o método Huna que Long desenvolveu era um sistema esotérico Ocidental revestido de alguns termos Havaianos e algumas histórias e imagens dispersas. Ele extraiu as suas ideias centrais quase inteiramente das tradições do espiritualismo do início do século XX e, em particular, daquelas da Sociedade Teosófica, com quem havia treinado antes de seu tempo no Havaí (Long 1981: 1).

Outras filosofias Ocidentais que permearam a paisagem intelectual do início do século XX também podem ser rastreadas nos escritos de Long. Em particular, Long introduziu um conceito de ‘três eus’, que ele alegou como parte da tradição Kahuna, mas que em vez disso atraiu influências claras da psicologia Freudiana:

A ‘Unihipili’ (semelhante ao id de Freud), que ele descreve como o ‘espírito básico ou animal em nós’ que ‘tem poderes abaixo da razão’

A ‘Uhane’ ou ‘espírito da mente consciente’ (semelhante ao ego de Freud), que ‘não consegue se lembrar por si mesmo, mas pode usar todo o poder do raciocínio indutivo’

O ‘Aumakua’ (semelhante ao superego de Freud), que ele descreve como o ‘supraconsciente’ ou ‘espírito parental’, o ‘mais antigo e altamente evoluído dos três eus espirituais dos homens’ (Long 1954: 47). (2)

(2) O dicionário Havaiano de Mary Pukui Kawena e Samuel H. Elbert fornece a seguinte tradução para estes termos: ‘unihi.pili: Espírito de uma pessoa morta, às vezes acredita-se estar presente em ossos ou cabelos do falecido e mantido com amor (Pukui e Elbert 1986 : 372) ‘uhane: Alma, espírito, fantasma (363) ‘au.makua: Família ou deuses pessoais, ancestrais divinizados que podem assumir a forma de tubarões … corujas … falcões … [outras formas listadas] (32).

Em The Key to Theosophy [tradução livre: A Chave para a Teosofia], Helena Blavatsky escreveu em 1889 que a consciência no nível da percepção [consciousness] é composta de quatro componentes: o Ego Inferior ou Pessoal, incluindo ‘instintos animais, paixões, desejos, etc.’; o Ego Interior ou ‘Individualidade permanente’; a Alma Espiritual; e o Eu Superior ou ‘raio inseparável do Universal’ (Blavatsky 2006: 99).

No modelo de Long, os dois últimos eus de Blavatsky foram fundidos no ‘Aumakua’ ou ‘supraconsciente’, que assume um sabor mais Freudiano em sua noção um tanto arrogante de um ‘espírito parental’. Assim, Long adaptou essas noções teosóficas em um modelo tripartido do eu (remodelando-as de uma forma que se assemelha mais à estrutura de Sigmund Freud); ele emprestou a cada aspecto um nome Havaiano, mas manteve um fundamento essencialmente teosófico.(3)

(3) De fato, as próprias ideias de Freud foram fortemente influenciadas pelo fermento do Espiritualismo no final do século XIX e pelas práticas do Mesmerismo, que serviram como precursores tanto da Teosofia quanto da Teoria Psicanalítica (Crews 1996).

O conceito de mana na Huna

O conceito de mana elaborado por Long também tem as suas raízes na Teosofia. Blavatsky havia anteriormente identificado a palavra Prana com a noção de ‘vida ou princípio vital’: ‘’Prana’, ou ‘Vida’, é, estritamente falando, a força radiante ou Energia do Atma [a Vida Universal] – O SEU inferior ou mesmo (em seus efeitos) aspecto mais físico, porque manifesto. Prana ou Vida permeia todo o ser do Universo objetivo’ (Blavatsky 2006: 99). Abrindo uma discussão sobre mana, Long escreve:

Nas Psicorreligiões, ambas antigas e modernas (com exceção da Huna), pouco se encontra que nos dê uma ideia clara do PODER que gira as rodas da vida ou que move a maquinaria da oração…

Nas crenças da Índia, muito se fala de prana (que pode ter sido uma ideia extraída de uma fonte semelhante àquela de onde a Huna foi extraída). Prana foi considerada uma ferramenta de valor nos primeiros escritos Teosóficos… O exemplo brilhante de uma força desse tipo foi encontrado na lendária ‘força da serpente’ supostamente subindo na base da espinha em resposta a certos exercícios… e subindo em espirais ao longo da coluna vertebral até atingir o topo da cabeça. Lá a força causou a ‘consciência aberta’ e a pessoa ‘viu Deus’… Eu passei vários meses tentando obter provas desses mecanismos quando jovem e membro [da Sociedade Teosófica]. Também eu tentei por alguns anos encontrar alguma pessoa que desse provas de ter aprendido a despertar e usar essa força, mas sem sucesso. (Longa 1981: 1)

Ela é essa ‘força vital’ ou essência da vida que Long identifica como mana em seus escritos.

Imagens de água corrente são frequentemente usadas para expressar o seu entendimento de mana. Em uma das obras mais influentes de Long, The Secret Science Behind Miracles, ele afirma:

Eles [os Kahunas] conheciam a força como algo que tinha a ver com todos os processos de pensamento e atividade corporal. Ela era a essência da própria vida.

O símbolo Kahuna para essa força era a água. A água flui, assim como a força vital. A água enche as coisas. Assim como a força vital. A água pode vazar – assim como a força vital. (Longa 1954: 31)

Nesse contexto, então, mana é algo que existe dentro do mundo natural, independente da atividade humana que possa dirigi-la ou expressá-la. Tem uma qualidade pseudosubstantiva, com a capacidade de fluir, encher ou vazar.

Tal como acontece com as tradições espiritualistas do século XIX, esse ‘fluxo’ também é frequentemente descrito em metáforas de eletricidade e magnetismo:

Nós supomos que a gravidade é semelhante ao magnetismo e que o magnetismo se encontra onde há uma corrente de natureza elétrica…

Os Kahunas reconheciam a magnética e a oposta, repulsiva, natureza da força vital ou motricidade entretanto, infelizmente, eles não deixaram nenhuma exposição detalhada do assunto. (Longa 1954: 31)

Desenvolvendo ainda mais essa imagem eletromagnética, Long sugere que a mana tem três níveis ou ‘tensões’, que se conectam e operam através dos três eus:

A força vital ou mana dos Kahunas tem três pontos fortes. Se for de natureza elétrica, como os experimentos modernos demonstraram, nós podemos dizer com segurança que as três forças de mana conhecidas pelos Kahunas equivalem a três voltagens.

As palavras Kahuna para as três voltagens eram mana, para a baixa voltagem usada pelo espírito subconsciente e mana-mana para a voltagem mais alta usada pelo espírito consciente como ‘vontade’ ou força hipnótica. Havia uma voltagem ainda maior conhecida como mana-loa(4) ou ‘força mais forte’ e pensava-se que era usada apenas por um espírito supraconsciente associado aos dois espíritos menores para completar o homem trino. (Longa 1954: 52)

A popularidade das imagens eletromagnéticas nas tradições espirituais reflete uma fertilização cruzada da linguagem do século XIX entre as ciências emergentes do eletromagnetismo e as ideias espiritualistas, que remontam pelo menos às noções de Franz Mesmer de ‘magnetismo animal’: o que ele pensava de como um universal, fluido magnético permeável. No século XX, muitos como Long, com interesses no esotérico, viam-se como engajados em experimentos destinados a estabelecer a base científica para as suas ideias sobre uma substância tão potente e universal, agora frequentemente chamada de ‘força vital’ e descreviam essas ideias em linguagem fortemente emprestada dessas ciências.

(4) Pukui e Elbert incluem mana.mana como uma forma duplicada de mana; nenhuma forma de mana loa é reconhecida entre as suas traduções; loa se traduz como: distância, comprimento, altura; distante, longo, alto, longe, permanente (Pukui e Elbert 1986: 236, 209).

Apesar de sua qualidade como uma substância universal, as implicações de reconhecer essa substância nos movimentos da Nova Era giram em torno da pessoa e em particular do indivíduo, que é capaz de se envolver com essa força para transformar a si mesmo. Grande parte dos escritos de Long são dedicados ao que ele descreve como processos de ‘acumular uma boa sobrecarga de mana e enviá-la ao Eu Superior’ para cura, objetivos pessoais ou outros propósitos (Long 1981: 38).

O eu tripartido orientado psicanaliticamente aponta para o foco da Huna como uma espiritualidade de autotransformação, um fato que destaca um dos pontos de partida mais importantes em como a mana passou a ser entendida dentro dos movimentos da Nova Era: que se trata principalmente de transformação, uma fonte de poder interior.

Com base nos escritos de Long, muitos autores dos Estados Unidos Continentais expandiram a tradição da Huna e conceitos centrais como mana. O principal desses proponentes contemporâneos da Huna é Serge ‘Kahili’ King, um prolífico escritor e professor de Huna em workshops da Nova Era, inclusive no Havaí. King é Anglo-Americano e ex-estudante de Long, que afirma ter sido adotado pela família Havaiana Kahili por seu professor Havaiano (King 1992), embora isso tenha sido contestado (K.L. Walker 2005).

Ele descreve a Huna como ‘a filosofia Polinésia e a prática de uma vida eficaz’ (King s.d.), demonstrando a maneira pela qual as ideias da Huna se encaixam no movimento mais amplo da Nova Era ao focar primeiro e principalmente no autoaperfeiçoamento do indivíduo. Essa individualização é clara nos ‘sete princípios’ da Huna identificados por King e amplamente listados entre os autores de livros e sites da Huna. Esses princípios são:

1. IKE – o mundo é o que você pensa que ele é

2. KALA – não há limites, todas as coisas são possíveis

3. MAKIA – a energia flui para onde vai a atenção

4. MANAWA – agora é o momento do poder

5. ALOHA – amar é ser feliz com…

6. MANA – todo o poder vem de dentro

7. PONO – a eficácia é a medida da verdade (King 2009: 53–57).(5)

(5) Pukui e Elbert fornecem as seguintes traduções para esses termos:

‘ike: ver, conhecer, sentir, saudar, reconhecer, perceber, experienciar, estar atento, entender; conhecer sexualmente; receber revelações dos deuses; conhecimento, consciência, entendimento, reconhecimento, compreensão e, portanto, aprendizagem; sentido, como de audição ou visão; sensorial, perceptivo, visual. (Pukui e Elbert 1986: 96)

kala: afrouxar, desatar, libertar, liberar, remover, desafogar, absolver, soltar, tirar, desfazer; proclamar, anunciar; perdoar, desculpar; … oração para libertar alguém de qualquer influência maligna (120)

mā.kia: objetivo, lema, propósito; visar ou lutar por, concentrar-se em (229)

manawa: tempo, turno, estação, data, cronologia, período de tempo (237)

aloha: aloha, amor, afeição, compaixão, misericórdia, simpatia, pena, bondade, sentimento, graça, caridade… (21)

mana: poder sobrenatural ou divino, mana, poder miraculoso; uma nação poderosa, autoridade; dar mana a, tornar poderoso; ter mana, poder, autoridade; autorização, privilégio; milagroso, divinamente poderoso, espiritual; possuidor de mana (235)

pono: bondade, retidão, moralidade, qualidades morais, procedimento correto ou adequado, excelência, bem-estar, prosperidade, benefício, nome, equidade, amor, verdadeira condição ou natureza, dever; … em perfeita ordem, preciso, correto, aliviado; dever (should, sugestão), dever (ought, conselho), ter que (must), necessário (340).

No século XXI, esses princípios foram reproduzidos em imagens postadas na página do Facebook do Kalani Retreat Center, que afirma ser ‘o maior centro de retiros do Havaí’ (Kalani 2010).

No pôster do sexto princípio, ‘Mana: Todo o poder vem de dentro’, as palavras são sobrepostas à imagem de uma mulher fazendo uma pose de ioga em um penhasco com vista para o oceano. Kalani é um destino popular para ioga, bem-estar e cultura Havaiana, retiros pessoais e férias para voluntários. Em 2011, o centro realizou um workshop Huna, que foi promovido da seguinte forma:

De acordo com a antiga filosofia Havaiana Huna, toda doença é resultado do estresse. A pesquisa médica moderna continua a provar essa relação – ligando o estresse a tudo, desde a pressão alta até o ganho de peso. Se você souber como aliviar a tensão, a energia de cura [healing] do corpo pode fluir e você pode alcançar a ‘cura [healing] instantânea’. Esse workshop revela segredos antigos para gerenciar o estresse, bem como as informações mais recentes sobre como alcançar a saúde ideal. (Kalani 2011)(6)

(6) A taxa para o workshop foi superior a US$ 2.000, embora isso inclua acomodações, refeições e uso das acomodações de luxo do resort.

O foco na cura [healing] física e psicológica, permitindo que a energia de cura [healing] do corpo flua e a ideia de que o conceito de mana nos diz que ‘todo o poder vem de dentro’, aponta criticamente para como o foco na transformação individual nos cenários da Nova Era também individualiza o conceito de mana.

Ao mesmo tempo, mana, para King, como para outros autores Huna, existe objetivamente dentro da ordem natural do cosmos. Com base nos experimentos de energia orgone conduzidos pelos seguidores de Wilhelm Reich,(7) King elaborou métodos para medir e coletar mana, usando objetos conhecidos como manaplates e manaboxes. O seu trabalho nesse campo começou no início dos anos 1970 e, embora ele afirme que as suas ideias surgiram de uma visita à África Ocidental e ‘estudando a força vital que alguns Africanos chamam de mungo’, é revelador que nessa época ele também começou a estudar as obras de Reich (King 1999), cujas teorias psicológicas incomuns ganharam força com movimentos espiritualistas esotéricos e alternativos na década de 1970 (Clifton 2006: 62-64). King descreve como ele aprendeu a construir placas que liberam ‘energia’ de folhas de metal como cobre e material isolante como acrílico.

Embora tenha experimentado diferentes formas e arranjos, ele descreve o seu avanço nessa área ao intercalar o metal e o material isolante. Ele os compara a um capacitor, com mais dobras ou camadas aumentando a carga (King 1992: 70–71). Ao usá-los para construir placas, caixas ou outras formas, ele sugere, é possível construir dispositivos que afiam lâminas de barbear, clarificam e purificam a água, carregam baterias e fornecem cura [healing] física e espiritual (King 1992: 72-83). Assim como os escritos de Long, esses primeiros experimentos de King revelam um conceito de mana como uma energia cósmica, entendida por meio de metáforas elétricas de carga, voltagem e capacitância.

(7) Orgone foi um termo cunhado por Reich, um psicanalista envolvido em experimentos de cura [healing] alternativa em meados do século XX, para descrever o que ele via como uma substância de força vital inata dentro do cosmos e particularmente nos seres vivos, que se movia através de todas as coisas e pode ser transmitida através de objetos e de pessoa para pessoa para fins de cura [healing].

Os escritos posteriores de King refletem uma consciência no nível da realidade [awareness] crescente das críticas de tal conceito de ‘mana’ sendo incluído junto com outros conceitos não-ocidentais sob a rubrica genérica de força vital. Talvez influenciado por críticas antropológicas emergentes de concepções anteriores de mana em escritos etnográficos, particularmente o de Roger Keesing (1984), em 1992 King escreveu:

Muitos livros que tratam de energia esotérica tendem a listar ch’i, ki, prana e mana juntos como se fossem a mesma coisa. Embora os pares rimem bem, deve-se afirmar que mana não pertence à lista.

Mana é uma palavra Polinésia que basicamente significa divino ou poder e autoridade ou influência espiritual. É a capacidade de direcionar a energia e não a própria energia. (King 1992: 12)

King explica os seus escritos anteriores que equiparam mana com ‘força vital’, por exemplo em suas discussões sobre manaplates e manaboxes, afirmando que eles foram escritos em uma época ‘quando eu ainda equiparava a palavra ‘mana’ à energia vital para simplificar a introdução dos conceitos Havaianos ao público em geral’ (King 1999).

No entanto, por trás dessa concepção de mana como capacidade humana, King mantém a noção de que existe uma ‘energia’ que pode ser direcionada dessa maneira, refletindo a ampla influência dessas ideias nas tradições esotéricas Ocidentais. Esse continua sendo o entendimento hegemônico de mana dentro da espiritualidade da Nova Era.

Mana no Neopaganismo

O conceito de mana entrou no Paganismo Contemporâneo na América do Norte principalmente através da influência da tradição Feri de Victor e Cora Anderson. A Feri foi fundada no final dos anos 1940 em um período semelhante ao surgimento da Wicca na Grã-Bretanha. Os Andersons alegaram que as suas tradições representam uma prática independente de bruxaria Norte-Americana anterior à Wicca Britânica, uma afirmação que o historiador Chas Clifton sugere, inconclusivamente, é possível, embora seja claro que os Andersons se corresponderam com Gerald Gardner, o fundador da Wicca Britânica, e leu os seus livros, incorporando muitos elementos Wiccanianos em sua prática (Clifton 2006: 130–32). No entanto, Feri extraiu parte de sua inspiração de fontes além da Wicca, incluindo a incorporação de elementos ‘Havaianos’.

Muitas afirmações são feitas sobre o conhecimento de Victor Anderson sobre as crenças Havaianas. Um praticante de Wicca sugere que ‘durante a sua juventude, Victor também teve muitos professores Havaianos nativos e, por meio de seu treinamento com eles, ele cresceu e se tornou um especialista em antigas crenças Havaianas, um Kahuna’ (Knowles 2009). Um pouco mais plausivelmente, um iniciado Feri e estudante de Cora Anderson escreve em um site dedicado a Feri: ‘Cora Anderson mencionou que Victor teve uma namorada Havaiana quando ele era adolescente (a quem um dos poemas em Thorns foi dedicado) e foi presumivelmente exposto a Huna naquela época ‘(V. Walker s.d.).

Embora seja possível que uma associação tão precoce tenha despertado o interesse de Anderson, está claro que Victor Anderson extraiu as suas ideias ‘Havaianas’ do trabalho de Long. Isso é particularmente claro no modelo de consciência no nível da percepção [consciousness] das três almas de Feri, que espelha o sistema de Long e às vezes era ensinado usando os nomes atribuídos por Long.

Uma vez que Feri é uma tradição iniciática transmitida oralmente, os Andersons nunca sistematizaram as suas ideias por escrito, mas sim transmitiram diferentes ensinamentos em diferentes momentos. As entrevistas que eu conduzi com praticantes de Feri em São Francisco em 2013, portanto, mostram entendimentos um tanto díspares dos conceitos de Feri, incluindo ideias de Feri sobre a mana. No entanto, como o modelo de consciência no nível da percepção [consciousness] das três almas, muitas das características vistas nos escritos de Long sobre a mana formam fios consistentes através das descrições desses iniciados Feri.

Como em Huna, a mana em Feri pode ser movida na respiração ou ‘ha’.(8)

Um dos exercícios mais fundamentais em Feri é a ‘Oração Ha’, projetada para atrair mana para alinhar as três almas. Da mesma forma, o ‘Kala Rite’ desenha mana em uma tigela de água mantida entre as mãos para purificar a água, que pode então ser bebida para limpar a alma. Cress, uma nova iniciada, explicou esses exercícios comuns que ela aprendeu, através dos quais a mana é implantada:

Então, você está respirando a mana [na Oração Ha] … Isso funciona melhor para mim se eu abrir o meu coração e fizer ‘hhhh’. Porque então cria essas bênçãos como que chovendo sobre mim e a Terra e todo mundo recebe isso. E eu estou trazendo isso a partir de todas as coisas e estou enviando de volta para todas as coisas, carregada de quem eu sou e do que eu estou fazendo.

(8) Ha: Respirar, expirar; respirar sobre… respiração, vida (Pukui e Elbert 1986: 44).

… Mas há também fazer kala, que é outra maneira de alinhar … Há um … soprar no ovo e depois mudá-lo, benzê-lo, beber, o que … parece-me que é usado para a mesma limpeza e alinhamento, mas também me parece ser usado de maneira um pouco diferente em minha prática. Principalmente porque, quando eu estou fazendo isso, eu tenho coisas para deixar de lado. Há uma limpeza que precisa acontecer antes que eu possa me alinhar. Portanto, é muito mais focado nisso do que em trazê-lo do meu entorno. (Área da Baía de São Francisco, 31 de agosto de 2013)

Embora a descrição de Cress do Rito de Kala seja mais focada pessoalmente, ambas as práticas refletem a ideia fundamental, extraída da Huna, de que a ‘mana’, ou ‘força vital’, pode ser respirada ou extraída de sua presença penetrante no cosmos e usada para efeito espiritual.

Nessas entrevistas, ‘mana’, ‘força vital’ e ‘energia’ foram geralmente usadas ​​de forma intercambiável para descrever a força fundamental usada para trabalhar a magia. Starhawk, uma iniciada Feri que mais tarde se tornou uma das fundadoras e sacerdotisa líder na comunidade Reclaiming, escreveu no início dos anos 1980:

É aqui que a nossa linguagem começa a se decompor… Mesmo se nós falássemos de ch’i ou ki ou mana, ou da força… talvez qualquer nome, qualquer substantivo, seria uma mentira, porque a energia não pode ser separada… Portanto, eu falarei agora nessas metáforas, como se a energia fosse uma coisa em vez de relacionamentos em movimento, até que nós evoluíssemos a linguagem sem substantivo que nos permitisse falar mais verdadeiramente. (1988: 29)

Mana, então, é intercambiável nos escritos de Starhawk para o complexo de termos apropriados de uma variedade de tradições religiosas e espirituais em todo o mundo, mas que não consegue capturar o sentido de ‘relações em movimento’ que ela vê como a essência da atividade espiritual. No entanto, ela também escreveu sobre isso em termos substantivos:

Nenhuma palavra do Inglês moderno transmite o significado de energia no sentido que eu estou usando. A ch’i Chinesa, a prana Hindu e a Mana Havaiana são termos mais claros para a ideia de uma energia vital subjacente que infunde, cria e sustenta o corpo físico; ela se move em nossas emoções, sentimentos e pensamentos e é o tecido subjacente de todo o mundo material. (1988: 51)

Nessa descrição, mana significa uma substância quase tangível que permeia o cosmos.

Falando comigo em uma entrevista, Starhawk declarou:

Existe o conceito que meio que passa pelo esoterismo Ocidental de energia e diferentes corpos etéricos e corpos astrais. E eu penso que isso é mais parecido com a ideia Huna de mana. Mas é essa ideia de algum tipo de energia sutil que você está movendo e moldando e que se move pelo universo. E esse ritual é um processo de orquestrar um movimento dessa energia em direção a uma intenção que geralmente é incorporada em uma imagem ou alguma imagem sensual para fazer as coisas acontecerem.

Ela é como um fluido de certa forma, no sentido de que é uma coisa real, você sabe. Você a sente, pode sentir perto de alguém, pode direcioná-la, pode moldá-la. (Área da Baía de São Francisco, 27 de agosto de 2013)

Essa atribuição de qualidades substantivas à mana é comum, ecoando a compreensão de Long da mana como uma substância que flui como a água.

Os praticantes de Feri descrevem uma gama de experiências sensoriais através das quais detectam a presença de mana. Aurora, que na época de nossa entrevista estudava Feri por aproximadamente seis anos com vários professores, explicou como ela sente a mana visualmente:

Nós geralmente parecemos atrair mana Blue Fire,(9) então é como se nós pegássemos uma lente de mana e nós extraíssemos um tipo de energia… nós estamos apenas pegando uma fatia da torta.

(9) [Blue Fire: tradução livre Fogo Azul] Na Tradição Feri, a mana usada para rituais e conjuração é amplamente representada como azul, uma concepção que antecede a imagem da mana como azul ou verde-azulado em contextos de jogos (ver Golub e Peterson, nesse volume). Não está claro se existe alguma relação direta por trás dessa mesma escolha de cores entre esses dois cenários, mas é notável que uma atribuição de cor à mana, com as suas implicações para a concepção da mana como uma substância fluida, seja consistente entre eles.

… oh, minha cura [healing], quando eu faço massagem, nós poderíamos fazer muito como trazer a luz dourada. Eu penso que isso é muito bom para a cura [healing]… ela é muito protetora e… como é a sensação? É como – eu penso em Apollo, isso parece muito quente e – sim, isso é bom para a cura [healing].

E – ou laranja é – parte disso se relaciona com chakras – talvez isso seja por causa da minha própria experiência de ser treinada em energias de chakra … mas eu de fato sinto que o laranja era mais sexual e o violeta como sendo mais éter e espírito. Quando nós estávamos trabalhando nos reinos do éter e do espírito, eu inspirei e me conectei muito com o violeta e o roxo e – sim.

O amarelo é muito dourado e o Leste é brilhante.

Ah, e verde-limão, verde-claro — a cor das folhas brilhantes da grama é super-fada… a fada, como as pessoas pequenas. (Área da baía de São Francisco, 29 de agosto de 2013)

Uma maneira mais comum de sentir a mana é senti-la com os sentimentos internos. Como Thibaut descreve a sua experiência:

Então, do jeito que eu a sinto, a respiração é a ferramenta para trazer … E então eu sinto na minha barriga, como se sentisse a minha barriga se enchendo e então ela se expande para fora da minha barriga, como se ocupasse mais espaço e assim eu tenho essa barriga de mana externa, se você quiser, é uma coisa enorme. E então eu sinto o movimento.

… Portanto, é uma sensação muito física de como a energia se movendo. É como, você sabe, quando você inspira e empurra a respiração para um membro, há aquela sensação de algo se movendo, é meio que – essa é a maneira de descrever isso.

E ela pode acumular nas extremidades. Como se eu fosse capaz de acumular isso aqui [em suas mãos]. Ou eu sou capaz de juntá-la em bolas e então eu sinto essas bolas em minhas extremidades e a uso.

Sim, como aqui [o instinto dele], ou em minhas mãos. Como quando faço a kala, eu armazeno a energia em minhas mãos, entrando na água, como se fosse muito – algumas pessoas dizem que é ‘calor’, outras dizem que é ‘pressão’. (Área da baía de São Francisco, 29 de agosto de 2013)

A Mana então pode ser sentida com sentimentos internos, ou vista com um olho interior, ou mesmo (embora mais raramente) detectada com um estalo no ouvido ou um cheiro no ar. Dessa forma, a mana é algo que beira o tangível e o fisicamente substantivo, discernível por meio de uma série de modalidades supra sensoriais.

Muitas das explicações dadas sobre a mana em Feri são expressas por meio de metáforas semelhantes a eletricidade que Long usou em seu trabalho.

Gwydion contou a história da primeira vez que viu o que chamou de ‘manifestação física’ do trabalho com mana, além de sua própria percepção interna de senti-la ‘energeticamente’. Como um jovem praticante, em um restaurante em Berkeley, o mentor dele estava explicando a ele o processo de carregar água no Kala Rite:

Eu penso que eu disse algo como: ‘Isso funciona?’ Você sabe, alguma pergunta ingênua. E ela disse, ‘Bem, observe isso!’ E ela carregou o copo de água e então deu um passo para trás e disse, ‘observe’.

E o garçom se aproximou e pegou o copo para ir enchê-lo e levou um choque. E o colocou de volta na mesa. (Área da Baía de São Francisco, 25 de agosto de 2013)

Da mesma forma, Starhawk deu a seguinte descrição de sua prática de ensino em Reclaiming, quando eu perguntei se ela via a mana como potencialmente perigosa:

Certamente, em Reclaiming, o que nós tentamos fazer é encorajar as pessoas a ficarem ancoradas e permanecerem ancoradas. Então é quando você está aterrado, é como se você tivesse um para-raios. Portanto, se houver muita energia flutuando, ela vai para a terra e meio que passa por você. (Área da Baía de São Francisco, 27 de agosto de 2013)

Tal como acontece com o trabalho de Long, essas metáforas de eletricidade falam de ideias do poder ou força vistas por trás de determinados atos de magia ou rituais.

Como explicou Aurora, esse poder está relacionado à quantidade de mana acessada:

Parte de ser capaz de carregar as suas intenções ou carregar os seus encantos, ou ser proativo, é quanta força você tem por trás disso. Se você está levantando um cone de poder,(10) a sua macumba,(11) está muito relacionado a ele. Eu quero dizer, parte disso é a estrutura de como você está lançando o encantamento, ou colocando a sua intenção, dizendo ou escrevendo a coisa correta que é realmente o que você quer dizer é muito importante … E a estrutura desse ritual ou encantamento, então é como você contém o vaso. Mas você ainda precisa da bateria. A bateria é muito importante.

(10) Um cone de poder é um campo energético visto como sendo levantado no centro de rituais e encantamentos e direcionado para um propósito particular e focado.

(11) Macumba é usada informalmente entre os Pagãos para descrever o seu impulso mágico ou vitalidade.

E você pode usar outras baterias… como uma vela ou criar um servidor(12) para fazer o trabalho para você, como se houvesse outras formas de criar baterias. Mas se é você quem carrega o encantamento, você sabe, com certeza… quanto mais energia você tem, mais poder você tem para fazer as coisas que você deseja fazer. (Área da baía de São Francisco, 29 de agosto de 2013)

(12) Um servidor é uma forma de energia criada para realizar uma tarefa específica.

Em muitas dessas entrevistas, os entrevistados alternaram livremente entre ‘mana’ e termos que consideram relacionados, particularmente ‘energia’ e ‘força vital’. Mana passou a ser associada a esses sistemas de pensamento contemporâneos da Nova Era e Pagãos, a um conceito que ocupa um lugar muito central nas tradições esotéricas Ocidentais: uma essência vital substantiva que infunde todo o cosmos e serve como fonte de poder na oração ou ritual.

Desde o trabalho de Mesmer no final do século XVIII e emergindo como um conceito Espiritualista em paralelo com a ciência do eletromagnetismo, as metáforas, imagens e ideias de eletricidade e magnetismo tornaram-se meios centrais para explicar e apreender essa essência vital. A linguagem das forças elétricas, tensões, aterramento e baterias tornou-se familiar para aqueles que procuram explicar o funcionamento de sua magia. Como o conceito de mana foi incluído nesse esquema teórico, ele também passou a ser entendido por meio de metáforas semelhantes de substância, fluxo e poder eletromagnético.

Como em Huna, a mana em Feri pode ser direcionada para si mesmo, usado para cura [healing], ‘alinhamento’ ou outro trabalho de encantamento. Thibaut descreveu como direciona a mana que sente dentro de si, em uma versão do exercício de alinhamento da alma:

Então eu o coloco em minha Aparição [Fetch] [o eu animal] e então eu o movo para que eu sinta esse canal sendo criado. E então, quando eu pressiono para alinhar o ser da Deusa, isso meio que há uma onda de energia passando, que sobe e então alimenta o eu-Divino, o demônio Sagrado, o ser da Deusa e isso derrama e eu sinto isso derramando. (Área da baía de São Francisco, 29 de agosto de 2013)

Mas porque isso é entendido como permeando todos os cantos do cosmos, para os praticantes de Feri, a mana também é capaz de ser usada para se conectar com o ambiente e infundi-lo com bênçãos. Usando uma noção semelhante de criar um canal através do qual a mana pode se mover, Cress descreveu esse processo de alimentar a mana de volta aos arredores de um acampamento Feri que ela frequentou:

Nós estávamos fazendo um cone [de poder] e nós estávamos alimentando os espíritos e alimentando a terra com isso e também nós estávamos coletando e enviando de volta e fazendo outro cone. E parece que a energia e as bênçãos que vêm dessa –  dessa conexão entre o espírito e a terra. (Área da Baía de São Francisco, 31 de agosto de 2013)

Tais processos expressam um senso de interconexão com o cosmos e, mais imediatamente, com a terra do ambiente imediato e os seus espíritos assistentes.

Assim, a mana em Feri é vista como um fenômeno relacional. No entanto, em nítido contraste com a mana do Havaí e de muitas outras regiões da Oceania, os relacionamentos que a mana encapsula em Feri (ou na Huna) raramente estão localizados em um nível social. Um contraste revelador pode ser encontrado nos escritos de Wende Elizabeth Marshall em ‘Potent Mana’, onde ela explora a centralidade das ideias Havaianas de cura [healing] para uma população Kanaka Maoli que sofre de pobreza, doença e os efeitos da colonização e expropriação:

As práticas de cura [healing] e epistemologias dos Nativos Havaianos do final do século XX revigoraram e aplicaram métodos e formas de entender doenças do passado ancestral… Ao expandir o significado de saúde para incluir o impacto da política, da economia e da cultura sobre os corpos dos colonizados, a saúde e o poder político se vincularam de forma decisiva. (2011: 7)

Marshall então situa a recuperação da mana que ocorre por meio desse trabalho de cura [healing] como parte de um movimento de soberania mais amplo voltado para a descolonização: ‘Recuperar a mana como ontologia é crucial para a descolonização e é uma exigência para a sobrevivência dos Indígenas Havaianos’ (2011: 6). Muito diferente das concepções New Age e Pagãs, a mana da cura [healing] Kanaka Maoli evoca um poder coletivo mobilizado com o propósito de transformar toda uma comunidade.

Embora muitos praticantes da Nova Era e Pagãos estejam preocupados com os efeitos alienantes das estruturas sociais opressivas, raramente alguém encontraria a mana da cura [healing] falado em termos tão expressamente sociais.

Comentários conclusivos

Lisa Kahaleole Hall, em uma crítica contundente da apropriação da tradição Kanaka Maoli por não-Havaianos, escreve: ‘Havaianos de coração’ são acompanhados por ‘Havaianos do espírito’ no marketing da indústria espiritual da Nova Era de práticas ‘Huna’… Eles são um grupo eclético, no entanto; Huna.com observa: ‘Também nós oferecemos treinamento em Programação Neurolinguística, Hipnose, Time Line Therapy®, The Secret of Creating Your Future® e Ancient Hawaiian Huna’. O problema com isso, é claro, é que não tem absolutamente nenhuma semelhança com qualquer visão de mundo Havaiano ou prática espiritual.

Alguns desses praticantes de Huna, incluindo o extremamente popular Serge ‘Kahili’ King, reivindicam uma linhagem que vem de ‘Homens das Plêiades’, o que seria bom se eles deixassem os Havaianos fora disso… O desrespeito, a exploração e a distorção cultural e a apropriação da cultura e identidade Havaianas seriam difíceis o suficiente para lidar nos melhores momentos – mas esses não são os melhores para os Havaianos. (Hall 2005: 411–12)

A ideia da Huna como uma tradição Havaiana tem um impacto significativo em Kanaka Maoli e os seus entendimentos da tradição Havaiana, como sugerem os fundadores do site e da página do Facebook ‘Huna não é Havaiano’. Em uma entrevista explicando por que eles começaram esse projeto, Kelea Levy descreveu assistir a uma aula na faculdade em que ela viu um vídeo que eles disseram representar as práticas de cura [healing] tradicionais Havaianas:

Logo de cara, quando eu vi naquele vídeo da aula o que aquela senhora estava fazendo, algo não parecia certo. Eu fiquei muito chateado quando tive que entregar um papel sobre o vídeo e disse que a Huna não era Havaiana e a partir disso fiz a análise de que talvez nada no vídeo fosse real e pudesse ser usado como base para determinar uma forma universal de diagnosticar e tratar doenças no mundo – e fui rebaixado por isso. (Levy, Ka’upenamana, Chai e Auvil 2012)

Makana Risser Chai, colaboradora do site, afirma como uma das principais razões para o seu envolvimento: ‘Eu gostaria que as pessoas, especialmente os Havaianos, percebessem que a Huna [sic] está destruindo insidiosamente a cultura Havaiana. Há tantos Havaianos hoje que estão usando palavras e/ou conceitos Huna, pensando que são Havaianos’ (Levy, Ka’upenamana, Chai e Auvil 2012).

Hall usa o termo ‘Xamãs de Plástico’ para descrever os praticantes da Huna, adotando o termo de Lisa Aldred (2000) criticando a apropriação generalizada da cultura Indígena Americana pelos movimentos da Nova Era.

É certamente verdade que a apropriação de conceitos Indígenas espirituais, religiosos e tradicionais é abundante e muitas vezes acrítico, na Nova Era e nos contextos Pagãos contemporâneos. Há exceções à regra. Durante as minhas entrevistas, Cress afirmou que a maioria de seus professores usava o termo ‘força vital’ em vez de ‘mana’. Pelo menos, em alguns casos, essa evitação pode ser um reconhecimento deliberado de problemas de apropriação, um reconhecimento que eu ouvi expresso por uma pequena minoria de praticantes em outros contextos. No que diz respeito às ideias da Huna na tradição Feri, Cress passou a refletir:

Eu não tenho ideia de como isso se relaciona com o que os habitantes das Ilhas do Pacífico fazem. Eu sei disso – você sabe, eu sei disso – qual é o nome dele? – Anderson, Victor, estudou alguma pessoa no Havaí… outras pessoas podem delinear claramente e eu não sei se ele roubou um monte de coisa, se ele leu um monte de coisa e colocou na prática dele, eu não sei . (Área da baía de São Francisco, 29 de agosto de 2013)

O conceito de mana em Feri está agora em muitos passos distante da apropriação de Long dos termos da língua Havaiana, com a maioria dos praticantes desconhecendo esta genealogia. Assim, o conceito de mana e as ideias relacionadas passaram a assumir uma nova forma dentro dessas tradições esotéricas Ocidentais, não completamente desconectadas, mas certamente geralmente separadas de como os seus significados tomam forma e se transformam na Oceania.

Muitos praticantes da Nova Era e Pagãos contemporâneos têm um ponto cego muito profundo em relação a questões de apropriação e continuam a usar termos como mana sem saber do impacto potencial que essa apropriação indébita tem sobre aqueles de quem as ideias foram originalmente adotadas. Também é verdade que alguns praticantes não-Nativos estão ganhando dinheiro substancial com a perpetuação dessas ideias como ‘sabedoria nativa’.

No entanto, eu sugeriria que o termo ‘xamã de plástico’ – implicando inautenticidade, fingimento e comercialização – não capta bem o espectro completo daqueles que se envolvem com as ideias e práticas exploradas aqui. Muitos praticantes da Nova Era e Pagãos também são muito sérios em suas práticas espirituais, dedicando muito pensamento, tempo e experiência às suas tradições.

Pode-se esperar que um nível muito maior de consciência no nível da realidade [awareness] crítica e cautela seja visto na adoção de linguagem, conceitos e práticas dentro desses movimentos, mas em minha pesquisa, eu sugeriria que aqueles que adotam conceitos de mana são profundamente comprometidos e genuínos em sua busca de práticas espirituais. Eles não são ‘falsos’.

O conceito de ‘mana’, para o bem ou para o mal, foi assim transformado por meio de sua adoção na Nova Era e nas Tradições Espirituais Pagãs Contemporâneas. Uma das ideias-chave nessa transformação é a da mana como uma força do cosmos, comparada a forças e fluxos elétricos e magnéticos. Tal ideia, como Roger Keesing apontou em seu artigo de 1984 ‘Repensando <Mana>’, também tem sido central para as interpretações da mana conforme elas aparecem na literatura etnográfica desde os escritos fundamentais do reverendo Robert Henry Codrington. Keesing sugere que Codrington foi influenciado em sua concepção de mana por metáforas Ocidentais, em particular pela ciência do século XIX (compare Kolshus, nesse volume). Ele afirma que ‘a mana como meio invisível de poder foi uma invenção dos Europeus, baseando-se em suas próprias metáforas populares de poder e nas teorias da física do século XIX’ (Keesing 1984: 148), elaborando que:

Devido à forma como nós substantivamos metaforicamente o ‘poder’, o termo foi adotado para rotular a energia elétrica quantificável como um meio cujo fluxo pode ser canalizado através de cabos e direcionado para fins humanos. Essa concepção fisicalista de energia elétrica como poder … afetou as caracterizações de mana. (Keesing 1984: 150)

Essas metáforas fisicalistas também tiveram uma influência poderosa no esoterismo Ocidental, informando ideias sobre a ‘energia’ cósmica e a ‘força vital’ que tomaram forma através das tradições espirituais do século XIX.

Isso, por sua vez, parece ter afetado a interpretação de Long de ‘mana’, ecoada nas metáforas de mana como ‘tensão’ e ‘poder’ e a ideia de que mana ‘flui’ e ‘carrega’ objetos, pode ser armazenada e canalizada. Como Long escreveu:

Na volumosa literatura que cresceu em torno dos fenômenos psíquicos e do espiritismo durante o século passado, encontram-se postulações esparsas cobrindo a possível participação que o magnetismo pode ter na ação da motricidade sobre os objetos. Essa é uma linha de pensamento muito excitante e promissora e, devido ao território inexplorado que ainda envolve, é recomendado ao leitor como um bom lugar para começar a trabalhar com vistas a ajudar a avançar na investigação geral da magia. (Longa 1954: 31)

Nas concepções da Nova Era, essa ideia da mana como uma força ou fluxo anda de mãos dadas com o seu papel percebido na cura [healing] espiritual e na transformação individual. O que está notavelmente ausente nessa concepção é muita ênfase na mana como um atributo coletivo, ou no papel dos outros em atribuir mana àqueles vistos como mais eficazes ou poderosos.

Nos contextos da Nova Era e Pagãos, mana é uma substância espiritual que existe independentemente da atividade humana e, portanto, pode ser acessada por indivíduos para sua própria cura [healing], influência ou trabalho espiritual. Tem qualidades substantivas que podem ser sentidas através do toque, respiração, cor e de muitas outras maneiras e podem ser usadas para aumentar o poder pessoal.

Mas a sua relação com o mundo social é distante; não é tanto parte de um sistema social, mas um componente-chave de um sistema cósmico ao qual todas as pessoas potencialmente têm acesso como indivíduos, independentemente de seu contexto social.

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John Assaraf – artigo ratificando que somos todos seres perfeitos de Luz está disponível no site http://in5d.com/the-world-of-quantum-physics-everything-is-energy/;

John Curtis – Webinario sobre Ho’oponopono – site Sanación y Salud http://www.sanacionysalud.com/

Joseph Murphy – livro “The Power of Your Subconscious Mind” (tradução livre: “O Poder de Sua Mente Subconsciente”);

Kalikiano Kalei – Artigo: “Quantum Physics and Hawaiian Huna…” [Física Quântica e Huna do Havaí] – Artigo completo em inglês através do site: https://www.authorsden.com/visit/viewarticle.asp?catid=14&id=45582

Kenneth E. Robinson – livro “Thinking Outside the Box” (tradução livre: “Pensar Fora da Caixa”);

Krishnamurti – artigo “Early Krishnamurti” (“Inicial Krishnamurti”) – Londres, 7-3-1931.  Site: https://www.reddit.com/r/Krishnamurti/comments/qe99e1/early_krishnamurti_7_march_1931_london/

Krishnamurti  – livro “O Sentido da Liberdade”, publicado no Brasil em 2007, no capítulo “Perguntas e Respostas”, o tema “Sobre a Crise Atual”; experienciamos, para a nossa reflexão e meditação à luz do sistema de pensamento do Ho’oponopono.

Kristin Zambucka, artista, produtora e autora do livro “Princess Kaiulani of Hawaii: The Monarchy’s Last Hope” (tradução livre: “Princesa Kaiulani do Havaí: A Última Esperança da Monarquia”);

Leonard Mlodinow – livro “Subliminar – Como o inconsciente influencia nossas vidas” – do ano de 2012;

Louise L. Hay – livro “You Can Heal Your Life – (tradução livre: “Você Pode Curar Sua Vida”);

Malcolm Gradwell – livro “Blink: The Power of Thinking without Thinking” (Tradução livre: “Num piscar de olhos: O Poder de Pensar Sem Pensar”);

Manulani Aluli Meyer – artigo “Ho’oponopono – Healing through ritualized communication”, site https://peacemaking.narf.org/wp-content/uploads/2021/03/5.-Hooponopono-paper.pdf

Marianne Szegedy-Maszak – edição especial sobre Neurociência publicada na multiplataforma “US News & World Report”, destacando o ensaio “Como Sua Mente Subconsciente Realmente Molda Suas Decisões”;

Matt Tomlinson e Ty P. Kāwika Tengan – Livro “New Mana: Transformations of a Classic Concept in Pacific Languages and Cultures” [Tradução livre: “Novo Mana: Transformações de um Conceito Clássico nas Línguas e Culturas do Pacífico”], em seu capítulo 11 – Mana for a New Age, publicado em 2016 pela ANU Press, The Australian National University, Canberra, Austrália.

Matthew B. James. Estudo Acadêmico , para um Programa de Doutorado da Walden University, Minneapolis, Minnesota, USA, 2008, doutorando em Psicologia da Saúde, denominada “Ho’oponopono: Assessing the effects of a traditional Hawaiian forgiveness technique on unforgiveness”. O estudo completo pode ser acessado no site da Walden University no link:  https://scholarworks.waldenu.edu/dissertations/622/#:~:text=The%20results%20demonstrated%20that%20those,the%20course%20of%20the%20study.

Max Freedom Long – livro “Milagres da Ciência Secreta”;

Max Freedom Long – Artigo “Teaching HUNA to the Children – How Everything was made” [Ensinando HUNA para as Crianças – Como Tudo foi feito], site https://www.maxfreedomlong.com/articles/max-freedom-long/teaching-huna-to-the-children/;

Max Freedom Long – Artigo “Huna And The God Within”. Fonte: https://www.maxfreedomlong.com/articles/huna-lessons/huna-lesson-2-huna-theory-of-prayer/;

Max Freedom Long – Artigo “The Workable Psycho-Religious System of the Polynesians” [O Sistema Psico-Religioso Praticável dos Polinésios]. Fonte: https://www.maxfreedomlong.com/articles/max-freedom-long/huna-the-workable-psycho-religious-system-of-the-polynesians/;

Max Freedom Long – Artigo “How to Become a Magician” [Como vir a ser alguém que lida com a Magia]. Site: https://www.maxfreedomlong.com/huna-bulletins/hv-newsletter-vol-1-no-9-winter-1973/;

Max Freedom Long – Artigo “The Lord’s Prayer – a Huna Definition” [tradução livre: “A Oração do Pai Nosso – uma Definição Huna”], editado em 1º de março de 1951, HUNA BULLETIN 50, site https://www.maxfreedomlong.com/huna-bulletins/huna-bulletin-050/;

Max Freedom Long – Artigo “When Huna Prayers Fail” [tradução livre: “Quando as Orações Huna Falham”] – Huna Bulletin 53. Site: https://www.maxfreedomlong.com/huna-bulletins/huna-bulletin-053/;

Max Freedom Long – Artigo “Three Questions” [tradução livre: “As Três Perguntas”], editado em 15 de março de 1951, no Huna Bulletin 51. Site: https://www.maxfreedomlong.com/huna-bulletins/huna-bulletin-051/;

Max Freedom Long – Artigo “Huna Angles on Psychoanalysis” [tradução livre: “Pontos de Vista Huna sobre Psicoanálise”], editado em 15 de maio de 1951, no Huna Bulletin 55. Site: https://www.maxfreedomlong.com/huna-bulletins/huna-bulletin-055/;

Max Freedom Long – Artigo “Living in Cooperation on the Earth” [tradução livre: “Vivendo em Cooperação na Terra”], editado em 1º de maio de 1951, no Huna Bulletin 54. Site: https://www.maxfreedomlong.com/huna-bulletins/huna-bulletin-054/;

Max Freedom Long – Artigo “Huna Lesson #1: Building Your Future” [tradução livre: “Lição Huna #1: Construindo o Seu Futuro”]. Site https://www.maxfreedomlong.com/articles/huna-lessons/huna-lesson-1-building-your-future/;

Napoleon Hill – livro “The Law of Success in Sixteen Lessons” (tradução livre: “A Lei do Sucesso em Dezesseis Lições”);

Osho – livro “The Golden Future” (tradução livre: “O Futuro Dourado”);

Osho – livro “From Unconsciousness to Consciousness” (tradução livre “Do Inconsciente ao Consciente”);

Osho – livro “Desvendando mistérios”;

Paul Cresswell – livro “Learn to Use Your Subconscious Mind” (tradução livre: “Aprenda a Usar a Sua Mente Subconsciente”);

Paulo Freire, educador, pedagogo, filósofo brasileiro – livro “A Psicologia da Pergunta”;

Platão – livro “O Mito da Caverna”;

Richard Wilhelm – livro “I Ching”;

Roberto Assagioli, Psicossíntese. Site http://psicossintese.org.br/index.php/o-que-e-psicossintese/

Sanaya Roman – livro “Spiritual Growth: Being Your Higher Self (versão em português: “Crescimento Espiritual: o Despertar do Seu Eu Superior”);

Sílvia Lisboa e Bruno Garattoni – artigo da Revista Superintessante, publicado em 21.05.13, sobre o lado oculto da mente e a neurociência moderna.

Site da Associação de Estudos Huna https://www.huna.org.br/ – artigos diversos.

Site www.globalmentoringgroup.com – artigos sobre PNL;

Site Wikipedia https://pt.wikipedia.org/wiki/Ho%CA%BBoponopono, a enciclopédia livre;

Thomas Lani Stucker – Kahuna Lani – Artigo “The Professional Huna Healer” – Site: https://www.maxfreedomlong.com/articles/kahuna-lani/the-professional-huna-healer/;

Thomas Lani Stucker – Kahuna Lani – Artigo “PSYCHOMETRIC ANALYSIS” [tradução livre: “ANÁLISE PSICOMÉTRICA”], editado no outono de 1982, no Huna Work International #269. Site: https://www.maxfreedomlong.com/articles/kahuna-lani/psychometric-analysis/;

Thomas Troward – livro “The Creative Process in the Individual” (tradução livre: “O Processo Criativo no Indivíduo”);

Thomas Troward – livro “Bible Mystery and Bible Meaning” (tradução livre: “Mistério da Bíblia e Significado da Bíblia”);

Tor Norretranders – livro “A Ilusão de Quem Usa: Reduzindo o tamanho da Consciência” (versão em inglês “The User Illusion: Cutting Consciousness Down to Size”);

“Um Curso em Milagres” – 2ª edição – copyright 1994 da edição em língua portuguesa;

Wallace D. Wattles – livro “A Ciência para Ficar Rico”;

W. D. Westervelt – Boston, G.H. Ellis Press [1915] – artigo: “Hawaiian Legends of Old Honolulu” Site: https://www.sacred-texts.com/pac/hloh/hloh00.htm.

William R. Glover – livro “HUNA the Ancient Religion of Positive Thinking” – 2005;

William Walker Atkinson – livro: “Thought Vibration – The Law of Attraction in the Thought World” (tradução livre: “Vibração do Pensamento – A Lei da Atração no Mundo do Pensamento”) – Edição Eletrônica publicada em 2015;

Zanon Melo – livro “Huna – A Cura Polinésia – Manual do Kahuna”;

Muda…
A Prece atinge o seu foco e levanta voo.
A chuva de bênçãos derrama-se sobre mim, nesse exato momento.
Eu sinto muito.
Por favor, perdoa-me.
Eu te amo.
Eu sou grato(a).
Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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