Trechos do Workshop realizado na Fundação para Um Curso em Milagres – Temecula CA – Ministrado pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

Artigo: “Jesus: The Manifestation of the Holy Spirit”

Tradução livre Projeto OREM®

…Continuação da Parte III…

“Este conjunto de fitas foi originalmente um workshop realizado em dezembro de 1990 na Fundação para Um Curso em Milagres. A apresentação concentrou-se na importância de nós permanecermos fiéis à nossa experiência de Jesus, ao mesmo tempo em que nós reconhecemos que a sua realidade transcende essas experiências individuais. A discussão no workshop também se concentrou em profundidade na relação de Jesus com Helen Schucman, a escriba do Curso e com o próprio Um Curso em Milagres. A nossa experiência e a realidade de Jesus são apresentadas no contexto do símbolo de uma escada, o símbolo usado no panfleto escrito ‘A Canção da Oração’.

A nossa jornada de volta para casa é um processo, com Jesus servindo tanto como nosso guia na ilusão, experienciada nas formas mais significativas para nós, quanto ao mesmo tempo como o final da jornada como lembrete de nossa verdadeira realidade como Cristo. Nas palavras da Lição 302 no livro de exercícios: ‘O nosso Amor nos espera quando vamos a Ele e anda ao nosso lado mostrando-nos o caminho. Ele não falha em nada. Ele é o fim que buscamos e o meio pelo qual vamos a Ele.’
 
O que se segue são excertos da transcrição editada do workshop.

Gráfico Fonte: Dr. Kenneth Wapnick – Tradução livre Projeto OREM®

Jesus: A Manifestação do Espírito Santo

Parte VIII

Continuação de ‘A Oração Verdadeira’ (A Canção da Oração, S-1.1)

Para esclarecer, eu gostaria de observar que há uma suposição que eu estou fazendo com o exemplo do cílio de Helen que pode não ser verdadeira no exemplo da vaga de estacionamento. (Veja afirmações anteriores para uma explicação desses exemplos.) Eu estou supondo que o cílio no olho de Helen veio de um pensamento de se separar de Jesus, o que eu penso que era verdade para ela. Não se segue necessariamente que não encontrar uma vaga para estacionar represente uma decisão de se separar de Jesus. Se não ter lugar para estacionar é acompanhado de ansiedade, então deve vir de uma decisão de se separar dele. Então, juntar-se a ele irá desfazer esse bloqueio. Mas isso não precisa ser assim. Pode não ser do meu interesse encontrar uma vaga de estacionamento. Talvez se eu conseguir a vaga de estacionamento que eu quero, um caminhão passará no sinal vermelho e baterá no meu carro. Como saber o que é melhor ou o que não é melhor para mim?

Este é o ponto principal desta discussão. Eu quero ser livre – não do cílio no meu olho ou da necessidade de uma vaga no estacionamento – mas do pensamento de culpa em minha mente que é a verdadeira causa da minha dor, ansiedade e angústia. Jesus ressalta no Livro de Exercícios, bem como no Texto, que o objetivo de qualquer bom professor é ajudar o estudante a generalizar em lições específicas. Por exemplo, eu aprendo a fazer as tabuadas memorizando primeiro certas operações para que eu possa generalizar essas operações básicas e multiplicar qualquer número do mundo. O Curso está nos ensinando a reconhecer que ao pedir ajuda a Jesus em circunstâncias específicas – seja para fazer compras, remover um cílio, conseguir um emprego ou qualquer outra coisa – eu estou aprendendo que ele está disponível o tempo todo. Mas a sua disponibilidade não é para que ele possa me ajudar na forma – essa é apenas a maneira que escolhi para experienciar o seu amor. Eu realmente quero sentir a sua presença o tempo todo, de modo que não importa o que aconteça na minha vida – seja pequeno ou grande – isso não terá efeito sobre o amor e a paz dentro de mim.
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Como outro ponto de esclarecimento, eu gostaria de abordar a percepção equivocada que muitas pessoas têm de que Jesus teve algum tipo de relacionamento especial com Helen, como se Jesus tivesse escolhido se juntar a Helen nesse nível, mas ignorasse outros que oram pelo mesmo nível de contato pessoal. A questão é que Jesus não se juntou a Helen. Ele não fez absolutamente nada com Helen. Helen fez tudo. Helen sentiu Jesus arrancar um cílio porque uma parte de sua mente se permitiu chegar muito perto dele.

Mas quer nós estejamos falando de remover um cílio ou saber onde ficar para pegar um táxi na cidade de Nova York, Jesus não teve nada a ver com a forma da ajuda. Isso não tinha nada a ver com nada divino. Deus não tem nada a ver com esse mundo. O Espírito Santo não tem nada a ver com esse mundo. Somos nós que construímos o mundo.

Para entender mais claramente o que realmente está acontecendo nesses exemplos, nós temos que dar um passo atrás em todo esse mundo de tempo e espaço e perceber que tudo já aconteceu. Tudo dentro de nossas mentes é totalmente acessível, porque nós somos todos uma mente. Uma analogia que eu costumo usar quando falo sobre o tempo é a ideia de fitas de vídeo. Há uma fita de vídeo de Helen com um cílio no olho e uma fita de vídeo de Helen com um cílio fora do olho. Há uma fita de vídeo de pé na Madison Avenue e 40th Street e pegando um táxi, e há uma fita de vídeo de não pegar um táxi lá. Isso não tem nada a ver com o Espírito Santo ou com Jesus. Nós estamos falando de uma habilidade psíquica baseada no ego e não de intervenção divina.

Tudo dentro de nossas mentes é totalmente acessível, porque nós somos todos uma mente.”

Na Seção do Manual de Professores sobre poderes e habilidades psíquicas (MP-25), Jesus explica que o importante é quem nos guia com uma habilidade psíquica – o ego ou o Espírito Santo. A capacidade psíquica não tem nada a ver com Deus ou com o Espírito Santo. Isso simplesmente permite que as pessoas abandonem algumas barreiras dentro de suas mentes. Nós podemos fazer isso para um propósito do ego ou para o propósito do Espírito Santo. Então, quando Jesus parecia estar dizendo a Helen onde fazer compras, não era realmente Jesus dizendo a ela. O valor real de Jesus para nós é como uma presença em nossas mentes que nos permite sentir-nos seguros o tempo todo porque nós sentimos o seu amor.

A crucificação também demonstra esse princípio – que não se trata da forma externa. Aos olhos do mundo, ele não estava seguro. Então o ponto é, uma vez que eu me identifico com a segurança de Jesus em minha mente, o que quer que aconteça externamente é irrelevante. Eu poderia estar pendurado em uma cruz, eu poderia estar em Auschwitz, eu poderia ser pego em um engarrafamento na Times Square, ou eu poderia estar deitado confortavelmente na minha própria cama. Nada disso teria efeito sobre mim se fosse identificado com Jesus em minha mente. O mundo pode julgar a situação em que eu estou como insegura, mas eu me sentiria seguro.

Portanto, a segurança na mente – que é onde nós estamos – não tem nada a ver com a segurança definida no mundo. Se eu estou me identificando com a segurança da minha mente com Jesus, então eu sei que eu não sou um corpo, porque ele não é um corpo. Ele [Jesus] é um pensamento de amor na minha mente e na mente de todos. Ao me identificar com esse pensamento de amor, eu sou esse pensamento e eu estou perfeitamente seguro. Eu não sou um corpo. Se, no entanto, eu espero que a minha segurança seja refletida no mundo dos corpos, então eu estou dizendo que a minha segurança tem a ver com a situação em que o meu corpo se encontra. O objetivo da crucificação era demonstrar que Jesus sabia que ele não era o seu corpo. O seu corpo podia estar com problemas, mas como ele sabia que não era o seu corpo, ele não teve medo.

Jesus para nós é como uma presença em nossas mentes que nos permite sentir-nos seguros o tempo todo porque nós sentimos o seu amor.”

Agora, um espectador vendo Jesus na cruz poderia ter dito: ‘Ele não é um homem santo. Veja o que está acontecendo com ele’, assim como os seguidores da Nova Era hoje podem dizer: ‘Como essa pessoa pode ser um santo? Olha, ele acabou de perder $10.000 no mercado de ações. Uma pessoa espiritual verdadeiramente avançada nunca faria isso.’ Nós estamos sempre julgando de acordo com a forma. Porque algo não funciona bem no nível da forma para alguém, nós concluímos que algo não está certo na mente dessa pessoa. Se esse princípio se mantiver, então Jesus foi um fracasso da Nova Era.

A questão toda é que o significado de um evento depende de seu propósito. Para ele, a sua crucificação serviu a um propósito de amor. Para a maioria de nós, ser crucificado não serviria a um propósito de amor. Mas nós não podemos julgar pela forma. Esse é o ponto que eu continuo fazendo. A forma do que aconteceu com Jesus no final de sua vida não foi amorosa ou segura – foi assassina. Mas porque havia um pensamento de amor em sua mente – e apenas um pensamento de amor – a sua crucificação foi um ato de amor do seu ponto de vista, embora não do ponto de vista de alguém que não compartilhasse o seu sistema de pensamento.

O objetivo da crucificação era demonstrar que Jesus sabia que não era o seu corpo. Para ele, a sua crucificação serviu a um propósito de amor.”

Agora, unir-se a Jesus realmente reflete unir-se ao nosso verdadeiro Eu, Cristo. Mas nós não acreditamos que nós somos Cristo – nós acreditamos que nós somos esse outro eu, que nós tomamos um pensamento de Cristo que é amor perfeito e o transformamos em um pensamento de separação – um corpo. Portanto, nós precisamos de um pensamento de Cristo que represente essa outra parte de nós. É isso que Jesus representa para todos nós. Enquanto nós tivermos a ilusão de ser esse eu separado que pensamos ser, então nós precisamos da ilusão de um Jesus. Ele é uma ilusão tanto quanto nós. E quando chegar a hora, como eu disse anteriormente, quando realmente nós sabemos que nós não somos o ego e realmente nós sabemos que somos parte de Cristo, nesse ponto nós desaparecemos e Jesus desaparece. Até esse ponto, porém, nós precisamos dele.

Como nós temos visto, nós podemos pensar em Jesus em dois níveis: o nível da realidade e o nível do símbolo.

  • No plano da realidade, Jesus está fora do tempo. Mas ele ainda está dentro da mente dividida, porque ele é um pensamento dentro da mente da Filiação. Cada um de nós é um pensamento dentro da mente da Filiação e nós estamos todos unidos. Todas as mentes estão unidas. Todos os pensamentos são unidos. A diferença entre Jesus e nós é que ele sabe que toda a ideia de separação é uma ilusão e nós não.
  • Porque nós pensamos em nós mesmos como eus separados, nós não nos identificamos cada um como uma mente, ou como um pensamento, mas sim como um corpo. Então esse pensamento é simbolizado neste corpo que nós chamamos a nós mesmos pelo nome. Da mesma forma, porque nós pensamos que Jesus está separado de nós, esse pensamento também é simbolizado por um corpo que nós chamamos de Jesus. Então, no nível do símbolo, nós vamos experienciá-lo ao nosso lado. Nós vamos experienciá-lo como uma presença que está nos guiando, nos ajudando e nos amando. Mas isso é um símbolo. O que eu quero dizer, mais uma vez, é que essa será a nossa experiência aqui. Mas a nossa experiência aqui é simplesmente um símbolo de um símbolo.

Há outro ponto que eu gostaria de esclarecer sobre Helen e o cílio. A minha explicação foi que Helen primeiro soltou a mão de Jesus e então ela experienciou o cílio em seu olho – a causa do cílio em seu olho, portanto, foi a sua separação de Jesus. Se essa fosse a causa, juntar-se a ele desfaria a separação e o cílio teria que desaparecer. No entanto, se a causa do cílio no olho dela tivesse sido outra coisa – digamos, uma decisão de mostrar algo a mim ou a outra pessoa, então o cílio teria permanecido no olho dela porque ele estava ensinando uma lição diferente.

Nós sempre temos que ter cuidado para não confundir a forma com o conteúdo e a causa. Como nós discutimos anteriormente, o amor foi a causa de Jesus ser pendurado na cruz. Para qualquer outra pessoa, a causa seria a culpa. Você não necessariamente conhece a causa apenas observando a forma, que é o efeito. Em outras palavras, a causa leva ao efeito e não o contrário – o efeito não leva à causa. É por isso que é sempre difícil julgar pela forma. No Texto, Jesus diz que basicamente nós não podemos entender nada – alguns dos que nós julgamos serem fracassos eles foram realmente os nossos maiores avanços. E o que nós julgamos ser sucessos foram realmente os nossos maiores reveses (T-18.V.1:6). Nós realmente não sabemos.

Então esse é o problema quando nós tentamos avaliar o nosso progresso pela forma, pelo externo – eu penso que eu sou santo e espiritualmente avançado porque eu tenho vagas de estacionamento. Mas eu realmente sei que eu sou santo e avançado quando eu estou em paz independente do que aconteça.
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Deixe-me agora aplicar o que eu tenho falado sobre o Curso. Usando a mesma ideia básica que nós acabamos de discutir em relação a Helen, Jesus e o cílio, deixe-me falar sobre Helen, Jesus e o Curso. Isso seguirá logicamente de tudo o que nós temos falado. Também ajudará muito a esclarecer novamente a diferença entre forma e conteúdo, entre símbolo e realidade. O símbolo é Um Curso em Milagres – três livros com ensino, estrutura e forma específicos. A realidade é o amor de Jesus.

Lembro-me de uma vez, muitos anos atrás, uma mulher que veio até Helen e disse: ‘Como Jesus poderia ter ditado o Curso? Ele não sabia Inglês.’ Quando nós paramos para pensar sobre isso, a pergunta dela tem uma certa lógica – mas ela estava misturando níveis. Ela estava confundindo a forma do Jesus que viveu na Palestina há mais de dois mil anos atrás, que não sabia uma palavra de Inglês — com o Jesus que ‘ditava’ o Curso para Helen. Do ponto de vista de que a forma de Jesus há mais de dois mil anos era a sua realidade, a pergunta dela fazia muito sentido.

Mas é muito arriscado tentar dizer que Jesus que ‘ditou’ o Curso é o mesmo Jesus que viveu na Palestina. O pensamento de amor que foi refletido como Jesus na Palestina é o mesmo pensamento de amor que é a fonte do Curso. Mas a pessoa não é a mesma pessoa — isso é confundir corpo com pensamentosímbolo com realidade. É assim que nós podemos realmente ser pegos. E é por isso que não há nada no Curso sobre a vida de Jesus. Ele fala apenas sobre a crucificação e a ressurreição e simplesmente para mudar o nosso sistema de pensamento. Ele não fala sobre onde nasceu e onde morava, se gostava de chocolate ou sorvete de baunilha, ou qualquer outro detalhe de sua vida – não faz sentido considerá-los.

O símbolo é Um Curso em Milagres – três livros com ensino, estrutura e forma específicos. A realidade é o amor de Jesus.”

Quando Jesus diz: ‘Foi pedido a ti que me tomasse como teu modelo de aprendizado…’ (T-6.in.2:1), ele não quer dizer que nós devemos pentear os nossos cabelos da maneira que ele penteava os seus cabelos. Ele não quer dizer que nós devemos responder a uma pergunta da mesma forma em que ele respondia à pergunta. Ele quer dizer que nós devemos tomar o seu sistema de pensamento como o nosso modelo. O seu sistema de pensamento era o de ser sem defesa ou proteção diante do ataque, de ser a expressão do amor perfeito que não é afetado de forma alguma por nenhum dos pensamentos ao seu redor. Ele não está falando sobre se comportar como ele. De fato, a certa altura ele diz: ‘Não te é pedido que sejas crucificado…’ (T-6.I.6:6). Ele não quer que nós o imitemos em termos de forma, porque não há forma. Isso está claramente implícito em várias passagens do Curso (por exemplo, T-19.IV-A.17:5-7) que são direcionadas especificamente à Igreja Católica Romana, que cometeu o erro de transformar o corpo de Jesus em um grande coisa.

No entanto, ofereceria eu meu corpo a ti, a quem eu amo, conhecendo a sua pequenez? Ou ensinaria que corpos não podem nos manter separados? O meu não tinha mais valor do que o teu, nem era um meio melhor para a comunicação da salvação, e também não era sua Fonte (T-19.IV-A.17:5-7)

Na verdade, ele está dizendo: ‘Por que eu lhe diria para pegar o meu corpo e comê-lo? Eu não quero compartilhar o meu corpo com você. Isso é bobagem. Eu quero compartilhar a minha mente com você. E quero compartilhar o amor em minha mente – não a minha personalidade, não se eu tinha ou não um bom senso de humor.’ Nada disso é real. Pode ter sido real quando ele viveu na Palestina, mas aquele corpo não vive mais. O pensamento de amor que foi refletido naquele corpo é o que é real. Esse pensamento é a fonte do Curso. E esse pensamento está dentro de todos nós – nós queremos nos unir a esse pensamento. Novamente, não confunda o símbolo com a realidade.

Assim, a resposta para a pergunta da mulher – ‘Como Jesus poderia ter ditado o Curso – ele não sabia Inglês?’ – é que ele não ditou o Curso em Inglês. Ele é um pensamento de amor perfeito. O conteúdo do Curso veio dele – esse é o conteúdo do amor. A forma do Curso veio à mente de Helen. A mente de Helen então, usando a minha analogia anterior, é o vidro. A sua mente tornou-se o vaso através do qual a água se derramava, ou o amor fluía. Se nós olharmos para a forma do Curso e olharmos para a mente de Helen, ou realmente para as formas específicas refletidas em seu cérebro, nós veremos paralelos exatos:

Helen falava Inglês – o Curso é escrito em Inglês. Helen era Americana – o Curso tem muitas referências Americanas (por exemplo, uma referência à Declaração de Independência) e há figuras de linguagem que são particularmente Americanas. Helen era uma amante de Shakespeare – a linguagem e a métrica do Curso são Shakespearianas. Helen era uma educadora – o Curso vem em termos curriculares. Helen era uma psicóloga – o Curso vem em termos psicológicos. Helen era uma estudante perspicaz da Bíblia, não que ela acreditasse na Bíblia como tal, mas ela amava a linguagem bíblica – o Curso tem mais de 800 referências e alusões bíblicas. Helen era uma amante de Platão e entendia Platão muito bem – há muitas alusões a Platão no Curso. Helen era uma estudante perspicaz de lógica e a sua mente era incrivelmente lógica – o Curso desenvolve os seus argumentos de uma maneira muito lógica.

Essa era a forma do Curso, refletindo a estrutura do cérebro de Helen, através da qual o amor de Jesus derramou. O Curso é o que é, não porque está em Inglês, não porque é psicológico ou educacional, e não porque está lindamente escrito. É o amor que vem através das palavras que faz do Curso o que é. O amor é o conteúdo. Esse é o significado, essa é a canção. Os ecos, os tons e os sobretons vieram da mente de Helen. Mas a canção não veio da mente de Helen, a menos que nós identifiquemos a mente de Helen com a Mente de Cristo, que é a mente que Jesus representa, da qual todos nós fazemos parte. É por essa razão que quando as pessoas se aproximam de Helen e dizem: ‘Você poderia, por favor, perguntar a Jesus por mim o que devo fazer?’ ela respondia: ‘Você pergunta a Jesus. Eu orarei com você agora [o que ela às vezes fazia] para reforçar o poder de sua mente para fazer o que eu faço. Isso não é nada demais.’

Assim, apenas como foi Helen quem tirou o cílio de seu olho, nesse contexto foi Helen quem escreveu Um Curso em Milagres – não o seu conteúdo, não a sua mensagem, não o amor que está no Curso, mas a forma em que ele veio. O que torna o Curso o que ele é, é o amor naquelas páginas que as pessoas reconhecem como não vindo desse mundo. No mundo ocidental, Jesus é o símbolo que nós usamos para denotar um amor que não é desse mundo, embora seja experienciado aqui.

É importante entender essa distinção para que, como eu disse anteriormente, nós não façamos um ídolo do Curso como um livro. E assim nós não sentimos que Helen fez algo especial que ninguém mais é capaz de fazer. Nós somos todos canais, nós somos todos escribas, porque nenhum de nós está no corpo de qualquer maneira. O Curso deixa claro que a mente não está no corpo, mas a mente se projeta em um corpo. Isso é que é um canal. As pessoas hoje em dia dão muita importância a quem canaliza. Nós somos todos canais. A qualquer momento, nós estamos falando pelo Espírito Santo ou pelo ego — isso não é grande coisa. Se nós começarmos a dar muita importância à voz, nós sabemos que estamos presos ao ego, porque nós estamos tornando a forma real, nós estamos transformando a forma em algo importante.

Lembre-se novamente, não são os ecos ou os harmônicos que nós queremos. Nós queremos a canção, nós queremos a fonte. Nós não queremos as formas em que ela vem. Todo mundo canaliza o tempo todo. Simplesmente estar em um corpo é canalizar – o corpo é uma canalização do pensamento do ego, é o pensamento do ego que tomou forma. Sempre que abro a boca e digo algo ou escrevo algo, eu estou canalizando — isso não é grande coisa. Ninguém faz isso melhor ou pior do que ninguém. Tudo o que importa é a quem eu estou pedindo para ser a fonte da minha ‘canalização’.

O que tornou Helen diferente no sonho foi a sua capacidade de unir a sua mente totalmente com o Amor de Cristo em sua mente, que para ela, como para a maioria de nós, era simbolizado pela pessoa de Jesus. Mas não é Jesus quem nós queremos – nós queremos o amor que ele simbolizou por nós no mundo. Quando Helen estava escrevendo o Curso, ela foi capaz de trazer o seu copo para ele e não mantê-lo pequeno. Em contraste, quando ela estava vivendo a sua vida normal, ela segurava apenas um dedal, que depois se tornou um cílio, ou perguntas como ‘Onde eu vou comprar meia-calça?’ ou ‘Em que esquina devo parar para pegar um táxi?’ Mas quando ela estava terminando o Curso, Helen abriu toda a sua mente para ele, de modo que a sua mente se tornou a mente dele. E então o amor que ele simbolizava fluiu através dela, através da estrutura de seu cérebro – que novamente era Americano, psicológico, educacional, falado em Inglês, etc. – e saiu na forma desses três livros. O seu cérebro estruturou a forma dos livros, mas esse não é o conteúdo deles, esse não é o conteúdo de sua mensagem. A forma não é o motivo pelo qual esses livros tiveram um efeito tão poderoso – positivo ou negativo – na maioria das pessoas que os viram. É porque nós experienciamos uma presença através das páginas que transcende as palavras.

E ela é uma presença de amor. Helen uniu a sua mente com Jesus, ou realmente com o seu Ser — Jesus é o símbolo desse Ser para todos nós. Dessa união com ele nasceu o Curso, que para ela começou com a sua experiência de se unir a Bill. E a sua união com Bill, com cada um deles deixando de lado quaisquer interesses separados, tornou-se o reflexo do que o Curso chama de ‘a união maior’ [T-28-IV] – a união com o Espírito Santo ou Jesus em nossa mente. É dessa união que o Curso veio. O erro novamente está em confundir a forma com o conteúdo.

Agora, a experiência de Helen, como muitos de vocês ouviram nas histórias que eu conto, foi muito dela mesma como um ser separado conversando com esse outro ser separado em sua mente. Ela tinha diálogos com Jesus que eram conversacionais e ela experimentava o seu relacionamento com ele como muito real e muito pessoal. Ele era alguém que ela tanto amava – mais do que qualquer outra pessoa – e odiava – ela muitas vezes gritava e discutia com ele. Mas tudo isso era simplesmente parte do símbolo, parte da forma. Na realidade, era como uma parte de sua mente falando com outra parte. Essa experiência foi extremamente útil para Helen, assim como seria para qualquer um de nós.

Uma parte importante do processo do Curso é desenvolver um relacionamento pessoal com Jesus ou o Espírito Santo. Por nós estarmos tão separados do nosso verdadeiro Eu, nós precisamos de alguém dentro do nosso sonho separado, um símbolo que possa refletir para nós um sistema de pensamento diferente do nosso sistema de pensamento de separação, culpa e raiva. O que quer que Helen pudesse ter pensado de Jesus naqueles momentos em que estava com raiva dele, ela basicamente confiava em tudo o que ele dizia. Ela sabia com quem estava falando e que tudo o que ele disse a ela era amoroso. Ela também estava ciente de que a qualquer momento ela poderia decidir não prestar atenção nele. Ela também estava ciente, em alguma parte de sua mente, das consequências dessa decisão – ela se sentiria terrível. Mas esse relacionamento era todo um símbolo, como outra parte de sua mente sabia. Ocasionalmente — muito, muito ocasionalmente — Helen tinha uma experiência após a qual me dizia: ‘Essa era diferente da voz normal’. O que ela realmente quis dizer foi que a experiência foi além de Helen conversando com Jesus ou Jesus conversando com Helen — ela havia alcançado uma parte de sua mente na qual havia apenas uma voz. E isso era relativamente raro.

Uma experiência um tanto paralela ocorreu quando Helen estava ajudando os outros. Ela geralmente não perguntava a Jesus o que dizer – ela apenas falava. Basicamente, se nós temos a experiência de ter que perguntar a Jesus o que dizer ou fazer, ainda nós estamos vindo de uma mente dissociada. Quando nós estamos vivendo no mundo real, nós não pedimos – a Voz do Espírito Santo, o Amor de Deus, simplesmente vem através de nós e nós estamos cientes de que nós somos essa voz. Na maioria das vezes nós não estamos nesse estado. Nós podemos entrar e sair dele. Mas na maioria das vezes nós estamos dentro de uma estrutura de mente dividida e, portanto, nós precisamos da ilusão de uma mente separada dentro de nossas mentes que nos diz o que dizer e fazer. Em grande parte do Curso, Jesus se dirige a nós nesse nível porque é onde nós estamos.

Mas quando nós estamos no mundo real, nós não pedimos mais porque nós somos essa voz e essa sabedoria. Quando Helen estava ajudando os outros, muitas vezes ela falava e agia a partir desse nível. Basicamente, os terapeutas fazem isso quando estão em sã consciência. Se, como terapeuta, eu parasse a cada minuto e dissesse a Jesus: ‘O que eu devo dizer agora?’ o paciente experienciaria a terapia como muito desarticulada. Depois de cada intervalo de tempo de cinco ou dez segundos enquanto eu estou perguntando, o paciente estaria pensando: ‘Vamos lá, cara, continue com isso’. E eu estaria pensando: ‘Espere, eu não estou pronto, ainda tenho que verificar’. Não é isso que acontece quando um terapeuta tem a mente certa — então a sabedoria, o amor e a ajuda simplesmente aparecem. E basicamente, essa seria a nossa experiência no mundo real, exceto que no mundo real isso acontece o tempo todo.

Então, perguntar a Jesus em que esquina da rua parar para pegar um táxi ainda está no nível mais baixo da escada. E não há absolutamente nada de errado com isso – é onde todos nós estamos. O Livro de Exercícios começa conosco nesse nível. O propósito do Livro de Exercícios, que é um programa de treinamento de um ano, é nos treinar, antes de tudo, a ouvir a Voz do Espírito Santo ao invés da voz do ego. Quando realmente nós aprendemos como fazer isso e abandonamos todo o nosso medo do Espírito Santo ou de Jesus, então nós nos tornamos essa Voz também. Mas isso acontece muito, muito mais tarde, quando nós nos tornamos o que no Manual de Professores é chamado de professor avançado de Deus. O Manual de Professores distingue entre professores de Deus e professores avançados de Deus.

Como um professor avançado de Deus, nós pedimos cada vez menos, porque nos tornamos a resposta. Mas é arrogância do ego pensar que nós já estamos mais adiantados do que realmente estamos. O Curso vem até nós no nível mais baixo da escada, no nível da forma e do símbolo – é por isso que Jesus se refere a si mesmo com tanta frequência e enfatiza a nossa união com ele. Nós somos todos como criancinhas. Nenhum de nós cresceu no sentido espiritual. O Curso foi escrito para criancinhas – não cronologicamente crianças, mas criancinhas adultas.

Parte IX

Continuação de ‘A Oração Verdadeira’ (A Canção da Oração, S-1.1.3)

Eu gostaria agora de terminar o que nós lemos de A Canção da Oração. Em seguida, nós discutiremos a importância de ter Jesus como símbolo em nossas mentes, a quem recorremos em busca de ajuda. Nós gastaremos tempo suficiente com isso mais tarde, para que nós acabemos em um lugar onde a maioria das pessoas se sinta confortável. Uma coisa que eu enfatizarei é que não há nada pecaminoso ou errado em se ver no degrau mais baixo da escada. Novamente, é aí que Jesus no Curso basicamente assume que nós estamos. E é apenas a arrogância do ego que nos faz sentir que estamos em um nível diferente de onde realmente nós estamos.

Vamos continuar, então, de onde nós paramos em A Canção da Oração – ‘A Verdadeira Oração’ (CO-1.1.3). Eu relerei a última linha do Parágrafo três.

“O Curso vem até nós no nível mais baixo da escada, no nível da forma e do símbolo – é por isso que Jesus se refere a si mesmo com tanta frequência e enfatiza a nossa união com ele. Nós somos todos como criancinhas. Nenhum de nós cresceu no sentido espiritual. O Curso foi escrito para criancinhas – não cronologicamente crianças, mas criancinhas adultas.”

Parágrafo 3 – Sentença 6: ‘Buscaste em primeiro lugar o Reino do Céu e tudo o mais, de fato, te foi dado.’

Quando Jesus diz que tudo mais nos será dado, ele não quer dizer que nós obteremos toda a abundância que o mundo material tem a oferecer. Ele quer dizer que toda a nossa ansiedade desaparecerá e que, independentemente do que aconteça em nosso mundo externo, nós estaremos em paz. Essa não é uma promessa de que, se nós pegarmos a mão de Jesus, nós receberemos centenas de milhares de dólares e todo relacionamento que nós desejarmos nos será dado, etc. – não tem nada a ver com nada externo. Isso significa que quando nós pegamos a sua mão e sentimos o seu amor e a sua paz, esse amor e paz não serão afetados por nada que ocorra no mundo ao nosso redor.

Por outro lado, se o nosso foco estiver nas coisas materiais desse mundo – as expressões em forma que nós sentimos que tomar a mão de Jesus nos dá – então nós podemos conseguir o que nós queremos hoje, mas sempre nós podemos perdê-lo amanhã. Então, por exemplo, eu posso conseguir a vaga de estacionamento hoje, mas eu não tenho certeza de que estará lá na próxima vez que for. Ou eu posso me recuperar de uma doença física e me sentir melhor hoje, mas isso não significa que amanhã eu não possa ficar doente novamente. No entanto, à medida que eu começo a me identificar cada vez mais com o amor de Jesus e a sua paz, não importa o que aconteça, eu não me preocuparei. Isso nos dá uma liberdade tremenda, pois nós não sentimos mais a necessidade de controlar o que outras pessoas fazem ou o que acontece conosco. Tal necessidade sempre vem do medo de que, se eu não tomar cuidado, o pouco que acredito ter seja tirado de mim.
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Parágrafo 4 – Sentença 1: ‘O segredo da oração verdadeira é esquecer das coisas que pensas que precisas.’

Eu penso que preciso de um lugar para estacionar. Eu penso que preciso ser curado do câncer ou da AIDS. Eu penso que preciso de dez mil dólares. Eu penso que preciso de um relacionamento. Eu penso que preciso de algo.

Parágrafo 4 – Sentença 2: ‘Pedir o que é específico é quase a mesma coisa que olhar para o pecado, e depois perdoá-lo.’

Deixe-me explicar brevemente o que isso significa. Um tema importante no próprio Curso é a compreensão do perdão. Como o mundo tem entendido, o perdão toma a forma: Eu te perdoo pela coisa terrível que você fez. Sim, você fez algo que não deveria ter feito e foi uma coisa terrível. No entanto, pela bondade e gentileza do meu coração e como uma indicação da santidade da minha alma e da santidade da minha mente, eu perdoo você.

Mais adiante nesse Panfleto, essa abordagem é chamada de ‘perdão-para-destruir” (CO-2). Perdão de acordo com o Curso, como nós sabemos, significa que nós perdoamos uns aos outros pelo que nós não fizemos. Isso não significa que nós negligenciamos ou negamos o que um corpo fez com outro corpo. Significa simplesmente que o que o seu corpo fez comigo, ou o que o seu corpo fez com aqueles com quem me identifico, não teve efeito sobre o Amor e a paz de Deus dentro de mim.

Que estejas disposto a perdoar o Filho de Deus por aquilo que ele não fez (T-17.III.1:5).

Quando eu me sinto chateado ou zangado com você e o acuso de alguma coisa, eu estou realmente acusando você de tirar a paz de Deus de mim. Mas você não é capaz de entrar em minha mente e tirar a mão de Jesus da minha e nos separar – somente eu posso fazer isso.

Perdão de acordo com o Curso, como nós sabemos, significa que nós perdoamos uns aos outros pelo que nós não fizemos.”

Portanto, nada do que você fez teve qualquer efeito em meu relacionamento com Jesus. Somente o que eu faço tem efeito no meu relacionamento com Jesus. Novamente, esse é o significado do princípio de que nós perdoamos uns aos outros pelo que nós não fizemos. No entanto, quando eu digo que você realmente fez alguma coisa – que você fez com que eu ou um ente querido meu sofresse dor, então eu estou lhe dando um poder que você realmente não tem. Isso é o que o Curso quer dizer com ‘fazer com que o erro seja real’ (por exemplo, T-12.I.1:1) – eu estou dizendo que há um problema lá fora. Então, se eu ‘perdoar’ você, o problema não desapareceu, ainda é real, mas eu escolho ignorá-lo.

Jesus está nos dizendo que pedir a Deus algo específico é, em princípio, a mesma coisa. Eu estou dizendo que eu preciso de uma vaga de estacionamento, ou de mil dólares, um relacionamento, uma cura para o câncer, etc. Se a minha necessidade não for satisfeita, eu não me sentirei feliz. Eu não me sentirei em paz a menos que vire a esquina e encontre uma vaga para estacionar. Ou virar a esquina e encontrar o amor da minha vida. Ou virar a esquina e encontrar uma nota de mil dólares esperando por mim na rua – exatamente o que preciso para pagar todas as minhas contas. Isso torna o erro real. A razão pela qual eu estou ansioso e sinto a escassez – que algo está faltando dentro de mim – não tem nada a ver com qualquer falta externa. A escassez ou a falta que eu estou sentindo vem da minha crença de que me separei do Amor de Deus – esse é o problema, esse é o erro de pedir coisas específicas.

Parágrafo 4 – Sentença 3: ‘Da mesma forma, na oração passas por cima das tuas necessidades específicas tal como as vês e entrega-as nas Mãos de Deus.’

No contexto do que nós temos estado discutindo nesse workshop, nós não deixamos as nossas necessidades irem para as mãos de Deus – nós as deixamos ir para as mãos de Jesus. Dentro do sonho, as mãos de Jesus são o símbolo das Mãos de Deus. Na verdade, Deus obviamente não tem mãos. Então, Jesus está nos lembrando aqui que nós queremos a canção – e não todos os sobretons ou as formas em que a canção chega até nós.

Parágrafo 4 – Sentenças 4-5: ‘Lá [nas Mãos de Deus] elas passam a ser as tuas dádivas a Ele, pois Lhe dizem que não queres outros deuses diante Dele, nenhum Amor a não ser o d’Ele. O que poderia ser a Sua resposta exceto que te lembres d’Ele?’

A lembrança de Deus, dentro do contexto do Curso, é o Espírito Santo. Ele é a memória de Deus dentro de nossas mentes e Jesus é a forma ou manifestação específica dessa memória – a resposta. A resposta não é ‘Vá para a esquerda’ ou ‘Vá para a direita’. ‘Faça essa refeição em vez daquela refeição.’ ‘Fique nessa esquina em vez daquela esquina.’ Nenhuma dessas é a resposta. A resposta é a memória do Amor de Deus. Mas como nós temos medo da pureza e da totalidade desse Amor, somos nós que colocamos esse Amor em um pequeno dedal – e sai uma esquina ou um cílio, ou alguma outra coisa específica.

E então vem esta linha extremamente importante:

Parágrafo 4 – Sentença 6: ‘Isso pode [a lembrança do Amor de Deus, a experiência da Sua paz] ser negociado a favor de um conselho sem importância sobre um problema que tem a duração de um instante?’

Lembre-se, A Canção da Oração foi uma resposta específica para uma discussão que Helen e eu tivemos sobre a questão de pedir coisas específicas. Então Jesus está dizendo: ‘Você quer uma experiência do meu amor por você e do seu amor por mim – é isso que você quer. Você realmente estaria disposta a trocar isso por um conselho insignificante sobre um problema que não dura mais do que um instante?’ Nós não pedimos muito, mas pouco demais (T-26.VI.11:7). Os nossos egos nos dizem que nós não somos dignos de ter uma experiência do Amor de Deus — que nós merecemos apenas que nos digam aonde ir para o café da manhã, ou algo assim. Ou pode ser algo que pareça mais importante, envolvendo, por exemplo, um relacionamento, ou trabalho, ou a saúde de alguém. Mas nada disso dura mais do que um instante. Cada um deles envolve apenas os nossos corpos e nenhum deles envolve a paz de Deus. E, no entanto, nós estamos tão dispostos a nos contentar com as coisas específicas. Os estudantes do Curso geralmente estão dispostos a se contentar com pouco demais, vendo o Curso apenas como uma extensão dos caminhos da Nova Era que ensinam como conseguir as coisas nesse mundo. Eles estão dispostos a se contentar com uma experiência do Espírito Santo dizendo-lhes coisas específicas, em vez de permitir que Ele treine as suas mentes para que possam ter tudo. Esse não é um curso de resolução de problemas no nível de minúcias. Esse não é um curso para viver melhor nesse mundo. Esse é um curso para mudar as nossas mentes sobre o nosso relacionamento com Deus – mudar as nossas mentes da culpa que o ego fez para ser a realidade de nossa mente para o perdão e o amor que está esperando por nós lá.

Para aprender essa lição e aceitar o amor, nós temos que lidar com símbolos. Nós temos que aceitar o amor em quaisquer formas que simbolizem esse amor por nós. Mas a questão não é se contentar apenas com as formas, mas permitir que as formas nos levem mais adiante na escada para que nós possamos começar a ter uma experiência mais profunda do amor de Jesus. Esse é o objetivo.

Parágrafo 4 – Sentenças 7-8: ‘Deus só responde a favor da eternidade. Mas, ainda assim todas as pequenas respostas estão contidas nisso.’

Deus é apenas eternidade – O Seu Amor é eterno. Nós temos que começar com as pequenas respostas – o degrau mais baixo da escada. Mas nós não queremos esquecer que as pequenas respostas são apenas símbolos. E nós queremos o que está além dos símbolos, como nos lembra a seção no final do Texto, ‘Além de todos os símbolos’ (T-27.III).
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Parágrafo 6 – Sentenças 1-2: ‘Esse não é um nível de oração que todos já possam alcançar. Aqueles que não o alcançaram ainda precisam da tua ajuda na oração porque o que pedem ainda não está baseado na aceitação.’

Jesus está falando aqui do topo da escada. Normalmente, quando nós pedimos ajuda, nós não estamos pedindo ajuda para aceitar Quem nós somos. Em vez disso, nós estamos pedindo ajuda para consertar algo. Por exemplo, nós pedimos ajuda para que o nosso terrível fardo de medo, culpa, depressão ou dor seja retirado de nós, o que significa, é claro, que nós não estamos aceitando a responsabilidade de escolhê-lo. Nós vimos a mesma ideia anteriormente em nossa discussão sobre Helen pedir a Jesus para tirar o seu medo. Tal pedido nega o poder da mente que escolheu o medo. Jesus está dizendo aqui que há pessoas que ainda têm medo do poder de suas mentes. Essas linhas foram feitas especificamente para Helen, porque uma de suas perguntas a Jesus ela perguntou sobre como lidar com as pessoas que lhe pediam ajuda e se deveria ou não dar a elas a ajuda específica que elas queriam. Ela decidiu na maioria das vezes que não era útil e, em vez disso, ela se juntava a elas para lembrá-las do poder de suas próprias mentes.

Parágrafo 6 – Sentença 3: ‘Ajuda na oração não significa que um outro passe a ser o mediador entre Deus e tu.’

Se você tem um problema e eu penso que eu posso ajudá-lo com esse problema sendo um intermediário, isso não ajuda. Jesus tem sido frequentemente visto dessa forma, mas não é assim que ele se vê no Curso. A sua visão de seu papel é refletida na próxima linha:

Parágrafo 6 – Sentença 4: ‘Mas, de fato, significa que um outro está ao teu lado e te ajuda a erguer-te até Ele.’

Isto é o que Jesus faz. E ele nos pede, como a sua manifestação no mundo, que nós façamos a mesma coisa. Uma passagem maravilhosa no Manual de Professores (MP-5.III.2) discute a cura em termos do que significa ser um professor de Deus. E diz que o professor de Deus não faz nada, não cura. O professor de Deus simplesmente lembra àqueles que acreditam que eles estão doentes que eles têm o poder de fazer outra escolha. Novamente, é isso que Jesus faz. Ele não escolhe por nós. Ele não faz nada por nós. E nós devemos ser gratos por ele não fazer nada por nós porque, se ele o fizesse, seria parte do mesmo sistema insano do qual todos nós fazemos parte – e isso não seria útil. Ele fica fora do sistema insano em nossas mentes e nos lembra, por sua própria presença, que nós podemos fazer outra escolha.

Agora, nós podemos experienciá-lo fazendo algo, assim como Helen o experienciou arrancando um cílio. Mas a realidade é que ele simplesmente permaneceu em sua mente até que ela voltasse para ele. Foi a sua mente que interpretou aquela experiência como Jesus fazendo algo por ela. Mais uma vez, é por isso que é importante manter perfeitamente clara a distinção entre a aparência e a realidade, entre a forma e o conteúdo.

Parágrafo 6 – Sentenças 5-7: ‘Aquele que compreendeu a bondade de Deus ora sem medo. E aquele que ora sem medo não pode deixar de chegar até Ele. Ele pode, portanto, chegar também até Seu Filho, onde quer que ele esteja e seja qual for a forma que ele pareça tomar.’

Isto, é claro, é o que Jesus é capaz de fazer, sendo um pensamento de amor perfeito dentro da mente da Filiação. Uma vez que as mentes estão unidas e todos os pensamentos dentro de uma mente estão unidos, então o pensamento de que ele é está sempre disponível para todos nós. Nós somos aqueles que temos que escolher isso, mas a escolha está sempre lá.

Eu gostaria de esclarecer a linha: ‘E aquele que ora sem medo não pode deixar de chegar até Ele.’ Por que, você pode perguntar, alguém oraria se não há medo? Mas isso não significa oração no sentido usual. Quando eu rezo sem medo, a oração se torna aceitação. Mas se peço coisas, então obviamente eu estou em estado de medo, porque eu acredito que me falta alguma coisa. Por que eu oraria por algo a menos que eu sinta que não o tenho? Além disso, eu devo sentir que, se não o tiver, algo terrível acontecerá comigo. Quando o meu medo se vai, a minha oração é simplesmente uma aceitação do amor que não só Jesus tem e é, mas que eu estou com ele.

“Quando eu rezo sem medo, a oração se torna aceitação. Quando o meu medo se vai, a minha oração é simplesmente uma aceitação do amor que não só Jesus tem e é, mas que eu estou com ele.”

Imagem pexels-stein-egil-liland-1933320.jpg – 7 de setembro de 2022 – Aurora Boreal

…Continua Parte V…

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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