…continuação da Parte I…

A Metafísica da Separação e do Perdão – Parte IV

Pode ser útil contrastar o processo do Curso de curar o nosso relacionamento com Deus com um processo que reflete outros ensinamentos espirituais. Assim, as pessoas costumam dizer que se sentem muito mais próximas de Deus por meio da natureza – apenas caminhando na floresta em um belo dia, por exemplo.

O problema, típico e comum, é difícil de escapar porque temos uma visão tão idealizada da natureza. Podemos entender que Deus não tem nada a ver com a cidade de Nova York, ou trens do metrô, ou táxis, ou AIDS, ou bombas, ou esse tipo de coisa. Mas a bela floresta, uma bela árvore, um pôr do sol espetacular, este lindo lago – Ele obviamente teve que ter algo a ver com eles, pensamos.

No entanto, todos eles são apenas parte da cortina de fumaça do ego. Sabemos que algo é do ego, se estiver fora de nós. Esta é uma maneira útil de sempre saber se é do ego.

O que acontecerá se houver um incêndio na floresta e os belos bosques desaparecerem? E se eu quebrar minhas duas pernas e não puder andar na floresta? Ou é um dia terrível, a temperatura está abaixo de zero, está nevando e com granizo e não posso ir? Isso significa que não posso ter a paz de Deus?

Sei que é um relacionamento especial quando digo que a minha paz interior, o meu sentimento de felicidade, depende de algo fora de mim sendo de uma determinada maneira.

Isso não significa que as pessoas devam se sentir culpadas porque gostam de um belo passeio na floresta, assim como nós aqui na Fundação não deveríamos nos sentir culpados porque este é um lugar tão bonito. Mas quando o lugar bonito se torna um substituto para o Amor de Deus ou o Amor do Espírito Santo em nossas mentes, então sabemos que cometemos um erro.

Se o tivermos e for externo, teremos medo de que em algum momento nos seja tirado. E então sentiremos que Deus, ou o mundo terrível, está nos privando disso. Da mesma forma, podemos pensar que a civilização está despojando essa bela propriedade e nós somos as vítimas disso – sempre terminaremos como a vítima na dinâmica vítima-vitimizador.

O verdadeiro valor de caminhar na bela floresta é que isso nos lembra que o Amor de Deus está dentro de nós.

Portanto, uma bela cena da natureza seria um símbolo para nós do Amor de Deus, como obviamente é para muitas pessoas. Não há nada de errado nisso, desde que não confundamos o símbolo com a realidade, pelo motivo que acabei de apresentar. O que acontecerá se por algum motivo não pudermos sair para a bela floresta? Isso significa que não teremos o Amor de Deus dentro de nós?

Mas, uma vez que vivemos em um mundo de símbolos – na verdade, nós mesmos somos um símbolo, um símbolo desse sistema de pensamento – precisamos de outros símbolos que representem essa outra escolha para nós. Um Curso em Milagres pode ser esse símbolo – poderíamos substituir o Curso por uma caminhada na bela floresta. Isso pode assumir a forma de um pensamento como “Eu estou me sentindo péssimo e deprimido, mas se eu ler a minha lição diária do Livro de Exercícios, eu me sinto maravilhoso”.

Agora, eu posso cair na armadilha do especialismo com isso também, a menos que eu veja o Livro de Exercícios ou o Curso, a maneira como vejo a caminhada na floresta: simplesmente um lembrete de que há um lugar em minha mente onde eu posso escolher. A lição do Livro de Exercícios ou a caminhada na floresta simplesmente se torna uma maneira de voltar para mim mesmo, para que eu possa sentir a paz de Deus, independentemente de onde eu estou ou do que eu estou fazendo.

Para o ego, o mundo é uma prisão na qual estamos presos como forma de nos esconder da ira de Deus. Mas no final Deus vai nos pegar de qualquer maneira, porque todo mundo morre. Não há escapatória. E antes que Deus me pegue, você vai me pegar, porque todo mundo está querendo roubar de mim o que eu acredito, inconscientemente, eu roubei deles.

Para o Espírito Santo, o mundo é uma sala de aula. Os mesmos relacionamentos, os mesmos objetos de especialidade que meu ego usou para me convencer de que eu não tenho uma mente e que este mundo é uma prisão e um campo de batalha, podem agora me ajudar a perceber que o mundo é realmente um espelho que reflete de volta para mim o conflito em minha mente que eu nem sabia que existia.

Portanto, sentir-me em paz quando estou andando na floresta pode ser um lembrete de que existe outro sistema de pensamento em minha mente – não apenas um sistema de pensamento de raiva, depressão, culpa, ansiedade e conflito, mas um de amor e paz. O erro é quando eu associo o amor e a paz aos belos bosques.

Simplesmente ver a bela floresta como um símbolo que me lembra do que está dentro de mim torna a floresta “sagrada”. E isso pode tornar Auschwitz sagrado também – a forma externa não importa. O que torna algo sagrado é que serve ao propósito de ser uma sala de aula que permite que o milagre me leve de volta à minha mente, onde agora eu posso fazer uma escolha diferente.

Quer eu decida dar um passeio na floresta ou ler uma lição do Livro de Exercícios, a escolha de lembrar o Amor de Deus já foi feita. Então, eu dou um passeio na floresta ou eu faço uma aula e vejo o lembrete. Em outras palavras, eu não estaria disposto a me sentir tão feliz e em paz andando na floresta ou lendo as lições do Livro de Exercícios se primeiro eu não tivesse tomado a decisão de unir-me ao Espírito Santo ou a Jesus. O externo então se torna um símbolo ou reflexo dessa decisão. Eles parecem ocorrer em uma sequência, mas na realidade não ocorrem. Tudo acontece de uma vez.

Eu comecei este workshop dizendo que o que torna o Curso tão único como um caminho espiritual – o que não quer dizer que seja o único ou o melhor, é apenas único – é que ele integra esta visão dominante da relação entre o ego e Deus, entre o mundo e Deus, com orientações práticas muito específicas para viver no mundo. E é disso que eu quero falar agora.

Realmente não importa como chegamos aqui. O que importa é que todos nós nos sentimos como estando aqui. O valor de compreender a metafísica é simplesmente que ela deixa claro para nós por que continuamos fazendo as mesmas coisas tolas repetidamente.

Isso deixa claro por que temos tanta dificuldade em realmente saber quem é Deus e ter uma imagem de Deus que seja clara e limpa de todas as projeções que o mundo – e nós – colocamos sobre ele.

Explica que o que acreditamos ter feito a Deus é o que acreditamos estar fazendo uns aos outros. Portanto, não precisamos saber por que estamos aqui ou como chegamos aqui. Tudo o que precisamos saber é que estamos aqui e que existem dois propósitos para estarmos aqui. Um é do ego e o outro é do Espírito Santo.

O propósito do ego é estabelecer continuamente que a vitimização é real, que é o princípio do mundo. É “um ou outro”, “matar ou ser morto”, “eu ou você”. Este mundo é um campo de batalha. E é uma guerra que eu sei que eu perderei inevitavelmente, porque todo mundo perde – todo mundo morre.

O ego interpreta a morte como o castigo que Deus nos dá por causa do que fizemos. Todos nós acreditamos bem no fundo de nossas mentes que roubamos a vida de Deus, que pegamos essa vida e a escondemos em nossos corpos. O corpo é o microcosmo do mundo como um esconderijo. Portanto, quando Deus finalmente nos descobrir, como inevitavelmente fará, Ele nos roubará de volta o que roubamos Dele. Quando Deus retoma essa vida, a vida sai de nós. E isso é o que chamamos de morte.

A interpretação da morte do ego é exatamente o que se encontra na história de Adão e Eva. E todo o conceito de vida após a morte existe para que não apenas Deus possa me punir aqui, matando-me, mas então Ele pode me punir após a morte, chutando-me para fora do Céu.

O mito de Adão e Eva é notável como uma descrição do sistema de pensamento do ego: Deus não apenas me mata no corpo, mas depois me persegue por todo o inferno. Ele me mantém fora do Seu Reino.

O ego vê este mundo como uma prisão da qual nunca escaparemos. E enquanto estivermos aqui, tentaremos desesperadamente adiar o inevitável. É por isso que as pessoas em alguns círculos da nova era gostam de pensar que os seus corpos podem se tornar imortais. É sua maneira de tentar afastar a ira de Deus. Não estou necessariamente dizendo que essa ideia não seja útil, se é o que funciona para você – mas não é isso que o Curso ensina. O Curso perguntaria por que alguém iria querer ficar aqui.

O mundo, então, é uma prisão na qual tentamos obter o máximo de migalhas que pudermos. E quando conseguirmos as migalhas, alguém terá que ficar sem elas. É sempre cachorro-come-cachorroum ou outro. É por isso que nossa culpa é tão forte.

E especialidade – que não aprofundamos porque isso levaria muito mais tempo – é o termo do Curso para a dinâmica do ego de tentar roubar de outra pessoa o que sinto que é meu por direito. Se for um roubo total, isso é ódio especial – eu simplesmente ataco e mato você.

Eu faço o que tenho que fazer para conseguir o que quero. Se o roubo for sutil e manipulador, então é um amor especial – parece que amo você, mas roubo de você mesmo assim. Eu apenas pareço ser amoroso e gentil para que você não me ataque de volta. Você está fazendo comigo o que eu estou fazendo com você é a versão do ego do casamento feito no céu. Ambos estamos fazendo acordos especiais de amor. E o altar – que é a metáfora do Curso para onde atuamos nosso relacionamento em nossas mentes – goteja sangue.

Não há saída para a versão do mundo do ego, porque não importa o quão bem-sucedidos possamos ser aqui, nossos egos nos dizem que roubamos o que temos e, no final, Deus o pegará de volta. E obviamente, desde que morremos, sabemos que o ego está certo. Portanto, não há esperança.

É por isso que o Curso diz que o sistema de pensamento do ego é infalível (T-5.VI.10:6) – uma vez que alguém é pego nele, não há saída. Mas esse sistema de pensamento não é à prova de Deus, porque existe uma outra maneira de encará-lo. É aqui que entram os detalhes práticos do Curso.

Como estudantes do Curso, somos solicitados a nos tornarmos cada vez mais conscientes de nosso sistema de pensamento do ego, para que aprendamos a não ter medo dele. O problema logo no início, quando o ego nos contou a sua história sobre como éramos pecadores e cheios de culpa, foi que ouvimos quando o ego disse: “Isso é tão terrível, você nunca deve olhar de novo.”

Em um lugar no Curso, Jesus fala sobre termos feito um acordo com o ego no qual juramos nunca olhar para ele (T-19.IV.D.3:3). Portanto, o ego pinta essa imagem terrível em nossas mentes – roubamos de Deus, O matamos e Ele vai nos matar em troca. E então o ego diz: “É tão terrível. Nunca, jamais olhe para isso novamente. Apenas apague da sua memória. Vamos projetá-lo no mundo para que possamos ver o mesmo cenário, mas agora estará fora de nós – não seremos nós!”

Jesus nos diz que devemos estar cientes de que foi isso que fizemos. O problema não é apenas que escolhemos o ego, mas que juramos que nunca o olharíamos. E assim ele nos ajuda, através do Curso, a começar o processo de olhar. Eu quero começar a olhar para o meu ego e todos os meus pensamentos de especialidade – todas as maneiras que eu quero canibalizar você em nome do amor, todas as maneiras que eu quero te matar em nome da indignação justa, todas as maneiras que eu quero me sentir uma vítima às custas de outra pessoa. E exulto com a ideia de outros serem vítimas, então posso culpar quem os fez sofrer – seja uma figura política, uma figura internacional ou um membro da minha própria família. Quando eu puder olhar para tudo isso sem ser culpado, sem ter medo disso e sem me julgar por isso, então estarei começando o processo de desfazer o ego.

Olhar para o meu ego sem julgamento significa que não estou olhando com o meu ego, porque o ego não pode deixar de olhar com julgamento. Isso é o que o ego é – um pensamento crítico.

Se eu puder olhar para o meu ego em ação, com toda a sua feiura e violência e então perceber que eu não sou quem eu sou, mesmo que eu seja o que estou escolhendo me identificar neste momento, então devo estar olhando para Jesus em vez de para o meu ego.

Meu ego nunca olharia sem julgamento e se estou olhando sem julgamento, não posso olhar com meu ego. Este é o começo do fim do sistema de pensamento do ego, porque eu estou seguindo a linha do milagre (ver gráfico). Estou voltando ao ponto de escolha em minha mente e fazendo outra escolha. Estou dizendo que não preciso mais ter medo do sistema de pensamento do meu ego.

O valor do Curso é que ele nos lembra dessa escolha. Jesus passa muito tempo descrevendo o sistema de pensamento do ego, não porque seja real, não porque seja verdadeiro, não porque tenha feito alguma coisa, mas porque acreditamos que é real. Acreditamos que o ego realizou o impossível. Portanto, temos que voltar e olhar para isso e finalmente perceber que não é nada.

Não é um leão que ruge – é um camundongo assustado (T-21.VII.3:11). É um pedacinho de nada, uma “ideia diminuta e louca”.

Quando eu posso olhar para o meu ego com o amor de Jesus ao meu lado, eu estou começando o processo de mudar de ideia e voltar para o Espírito Santo. Isso é perdão.

O valor do mundo como sala de aula é que ele me mostra o que eu nunca soube que existia em minha mente. Vejo todo o horror ao meu redor e vejo como o torno real, seja identificando-me com ele ou sentindo repulsa por ele. Vejo todo o horror em mim – todas as maneiras como o especialismo tem governado a minha vida. E eu percebo como eu o vejo fora de mim – seja em seu corpo ou em meu corpo – que isso é uma projeção do que está dentro de mim.

Depois de saber que está dentro de mim, posso olhar para ele com Jesus ao meu lado e não tenho que julgá-lo. Eu não tenho que mudar o meu ego. Não preciso lutar contra isso, não preciso me sentir culpado por isso. Eu simplesmente tenho que olhar para ele sem julgamento.

Olhar para o ego por um instante sem julgamento é o que o Curso quer dizer com instante santo. No instante santo, eu estou me unindo ao Espírito Santo ou Jesus. O erro de ver o papel de Jesus ou do Espírito Santo como solucionador de problemas no mundo é que isso os torna tão insanos quanto nós.

Inventamos problemas no mundo – quer estejamos falando sobre não ter uma vaga para o meu carro ou ter AIDS, não importa – para nos distrair do problema que tínhamos em nossas mentes quando fizemos a escolha errada.

Ver Jesus fazendo coisas no mundo é arrastá-lo para baixo para a ilusão. E é isso que o Curso quer dizer, trazendo a verdade para a ilusão em vez da ilusão para a verdade (por exemplo, T-17.I.5). Nós somos solicitados a ver que o nosso investimento no problema do mundo é um deslocamento de nosso medo de olhar para o problema real em nossas mentes.

O papel de Jesus é ser um lugar de amor e luz em nossas mentes – que na verdade é um lugar de perdão – a quem vamos quando nós somos tentados a ver o problema ou a solução fora de nós.

Pedir ajuda a Jesus, em termos do Curso, realmente significa olhar com ele para a nossa própria especialidade, sem ter medo dela e sem culpa. À medida que fazemos isso mais e mais, começamos a aprender que o ego não tem efeito. Não importa o quão terrível pensemos que o nosso ego é, ele não se interpôs entre nós e o Amor de Deus.

“… Que nenhuma nota na canção do Céu se perdeu” (T-26.V.5:4).

Esta linha roxa (veja o gráfico), que poderíamos tomar para representar a eternidade, não foi quebrada de forma alguma. Portanto, o papel do Espírito Santo é nos ajudar a olhar para o nosso ego sem julgamento e isso é o perdão.

A Metafísica da Separação e do Perdão – Parte V – Conclusão

Deixe-me encerrar lendo uma passagem do Livro de Exercícios: “O que é perdão?” (LE-pII.1.1,4,5).

É um resumo de tudo o que falamos. A ideia é que eu não preciso fazer nada. Eu não preciso mudar o que está acontecendo no mundo. Eu não preciso mudar o que está acontecendo em minha mente.

Eu só tenho que olhar sem julgamento, com Jesus ou o Espírito Santo ao meu lado, para o que eu acredito que fiz, percebendo o que está me custando.

Ao aprender que eu não devo me sentir culpado por causa de todos os meus pensamentos de julgamento, estou realmente aprendendo que eu não devo me sentir culpado por causa do que fiz a Deus.

Um último ponto antes de lermos isso – é realmente importante que eu não seja pego na tentativa do ego de ter ou fazer duas coisas ao mesmo tempo, no mau sentido. Pois posso ser tentado a dizer a mim mesmo: “Tenho todos esses pensamentos negativos, julgadores e especiais e os estou observando enquanto estou batendo na sua cabeça.”

Mas não é isso o que o Curso quer dizer com olhar. Quando eu olho para o meu ego com Jesus, também percebo o custo – o meu apego a esses julgamentos está literalmente me custando a paz de Deus.

Posso estar perfeitamente disposto a pagar esse preço, mas pelo menos sei o que estou fazendo. Olhar não significa apenas olhar com Jesus enquanto mato todos em minha mente – significa também que estou ciente do que está me custando matar todos. E se realmente estou ciente do que está me custando, vou parar de matar as pessoas em minha mente.

Vamos ler esses parágrafos agora:

O perdão reconhece que o que pensaste que o teu irmão fez a ti não ocorreu. Ele não perdoa pecados tornando-os reais. Ele vê que não há pecado. E, nesse modo de ver, todos os teus pecados são perdoados. O que é o pecado, senão uma ideia falsa sobre o Filho de Deus? O perdão simplesmente vê a sua falsidade e, portanto, a abandona. A Vontade de Deus passa, então, a ser livre para ocupar agora o espaço que lhe é devido. T-pII.1.1:1-7

O perdão, por sua vez, é quieto e na quietude nada faz. Não ofende nenhum aspecto da realidade, nem busca distorcê-la para encaixá-la em aparências que lhe agradem. Apenas olha e espera e não julga. Aquele que não quer perdoar tem que julgar, pois tem que justificar o seu fracasso em perdoar. Mas aquele que quer perdoar a si mesmo tem que aprender a dar boas-vindas à verdade exatamente como ela é. T-pII.1.4:1-5

Assim sendo, não faças nada e deixa o perdão te mostrar o que fazer através Daquele Que é o teu Guia, teu Salvador e Protetor, forte em esperança e certo do teu êxito final. Ela já te perdoou, pois essa é a Sua função, dada por Deus. Agora é preciso que compartilhes a Sua função e perdoes aqueles que Ele salvou, cuja impecabilidade Ele vê e a quem Ele honra como o Filho de Deus. T-pII.1.5:1-3

Perguntas e Discussões Extraídas do Workshop

P: Estou interessado em saber o que estimula o ego. Mas isso não é o mesmo que perguntar como a ideia diminuta e louca pode ter acontecido?

K: Não exatamente, esta pergunta tem uma resposta. O tomador de decisões estimula o ego. O ego em si não tem nenhum poder, por mais poderoso que pareça – e certamente todos nós experimentamos um grande poder aqui em termos de nossos pensamentos e sentimentos. Mas o que dá ao sistema de pensamento do ego esse poder não é o ego em si. É o poder da mente de escolher – essa é sua fonte de poder.

P: Mas ainda há uma parte em mim que não acredita que inventei tudo isso e que escolhi isso.

K: Certo. Acho que o que você está apontando é a ideia de que, à medida que estudamos isso, começamos a ver que se trata de um sistema de pensamento perfeitamente terrível (muito desagradável). E as coisas terríveis que acontecem neste mundo em que vivemos nos mostram a enormidade do ódio e da loucura dentro de nós.

É muito difícil entender e aceitar que não apenas acreditamos nisso, mas também o escolhemos. E não apenas nós o escolhemos, mas continuamos a escolher. Não é que eu o tenha escolhido uma vez no passado – estou escolhendo agora.

Um dos valores reais do Curso (pode parecer um valor duvidoso no início, mas no final é muito curativo) é que ele nos ajuda a descobrir a massa fervilhante de ódio – o ódio a nós mesmos dentro de nós que o mundo inteiro foi feito para mascarar. Lemos o tempo todo sobre a dor e o sofrimento no mundo – na África, por exemplo, ou na Rússia, ou em nosso próprio país, ou em qualquer outro lugar do mundo. E nossa tendência é dizer: “Sim, é terrível, mas está fora de mim. O que isso tem a ver comigo?”

Bem, se estou aborrecido com qualquer coisa no mundo – não se apenas a vejo objetivamente – então deve ser porque, primeiro, eu estou vendo em mim mesmo. Mas eu não quero ver isso em minha mente, então eu a projeto para ver fora de mim.

Essa dinâmica básica ocorre o tempo todo conosco. Algo em nossas mentes é tão terrível – o terrível sentimento de culpa e ódio de nós mesmos e o terror de sermos aniquilados como resultado – que optamos por não olhar para isso. Nós o projetamos fora de nós mesmos e então lidamos com ele como se estivesse fora de nós e não em nós.

Essa é a importância dessa dinâmica da separação: eu não quero ver em mim mesmo, então me divido em dois. E a parte que não quero ver em mim agora é vista fora de mim, de modo que eu não sou eu. Está fora de mim e eu lido com isso fora de mim. Eu nunca terei que lidar com isso dentro de mim, porque eu nem sei mais que isso está em mim.

O Curso nos ajuda, por meio do milagre, a começar a apagar o véu (ver gráfico). Mas o milagre não apaga tudo de uma vez – ele apaga um pouco de cada vez. Esse processo é lento, porque, à medida que o véu é apagado, eu percebo, por meio do milagre, que o problema não está fora de mim – está dentro de mim.

E então, como a maioria dos alunos que trabalham com o Curso por um período de tempo relatam, as coisas parecem piorar. Eles parecem estar muito mais ansiosos, ou muito mais assustados, ou muito mais doentes, ou muito mais em conflito do que jamais estiveram em suas vidas. Mas não é que nunca antes tenham ficado tão ansiosos, ou tão amedrontados, etc. – eles simplesmente não estavam cientes disso.

Em uma passagem perto do final do capítulo 27, Jesus fala sobre como nós fomos capazes de nomear tantas coisas diferentes como causas de nossa dor, mas nunca pensamos que a causa fosse a nossa culpa (T-27.VII.7:4).

Nós somos muito bons em investigar as causas de todos os nossos problemas – toda a dor, todo o desespero, todo o desconforto. Nós fazemos isso individualmente. E ao longo da história houve muitas pessoas brilhantes que nos contaram as causas de nossos problemas – de um nível médico, um nível político, um nível econômico, um nível social, etc. Mas nunca consideramos que a causa de todos os nossos problemas são a nossa culpa.

Nós temos vivido as nossas vidas negando toda essa dor, não querendo vê-la como nossa. Mesmo quando nós começamos a sentir algo, atribuímos isso a outra coisa fora de nós. Assim, Jesus no Curso nos diz que a causa de todos os nossos problemas não está fora de nós. Na verdade, a causa de todos os problemas do mundo está neste ponto azul – o poder de nossas mentes de escolher o ego em vez do Espírito Santo. Esse é o problema.

Uma vez que aceitemos isso, nunca mais poderemos acreditar que estamos à mercê de forças além de nosso controle (T-19.IV.D.7:4). Mas todos nós acreditamos que sim.

Em uma passagem em “As leis do caos”, depois que Jesus descreve com alguns detalhes as cinco leis horríveis que são claramente insanas e assassinas – descrevendo não apenas o que nós acreditamos que se passa entre nós e Deus, mas o que também nós acreditamos que se passa entre nós e um ao outro – ele diz, com efeito, que pareceria impossível nós acreditarmos nessas leis, de tão insanas. E então ele diz:

“Irmão, tu acreditas nelas” (T-23.II.18:3).

A prova de que nós acreditamos nelas é que estamos aqui. Ninguém em seu perfeito juízo viria aqui!

É muito importante lembrar isso. Ninguém em sã consciência poderia vir a este mundo a menos, é claro, que o amor o guiasse. Este mundo não é onde nós estamos, não é onde nós pertencemos e certamente não é um lugar que pode nos fazer felizes. O Céu é onde nós estamos e onde nós pertencemos, totalmente em união com Deus.

O fato de nos identificarmos em estar aqui não é um pecado, mas certamente é um grande erro. O fato de nos identificarmos com o nosso eu físico e psicológico e nos preocuparmos com o que os outros seres físicos e psicológicos fazem conosco é a prova de que nós acreditamos em tudo isso.

Lembre-se, o que nos enraíza neste mundo é o nosso medo da culpa em nossas mentes. Foi assim que tudo começou. O ego nos diz que a nossa realidade não é amor, mas pecado e culpa. E nos diz que a maneira de escaparmos do pecado e da culpa é separá-los e projetá-los em Deus, para que Ele se torne Aquele que nos punirá. Este é o terceiro rompimento.

O ego então diz: “Mas isso é tão terrível – não há saída. Precisamos de outro rompimento.” Nossa atenção agora está enraizada em um mundo que literalmente nós acreditamos estar fora de nossas mentes. Nós acreditamos que a nossa identidade está em um corpo. Nós literalmente acreditamos que nós somos quem nós somos! E nós nunca, então, de acordo com o ego, temos que lidar com o campo de batalha em nossas mentes.

Essa é a cola que continuamente nos liga ao mundo e a todo o nosso especialismo. É por isso que nós não queremos abrir mão de nosso especialismo. É por isso que as pessoas podem ler este Curso, vez após vez, ano após ano e literalmente não ver o que ele diz sobre o ego.

Muitos alunos querem ver apenas as partes amáveis ​​e amorosas do Curso que falam sobre felicidade, paz e alegria e não prestam atenção a todas as partes sobre o especialismo, porque é muito doloroso enfrentar o que é exposto.

Isso desencadeia uma lembrança do que está em nossas mentes, que é o que nós procuramos evitar. Esse é o propósito do mundo. Lembre-se, o mundo é uma cortina de fumaça, um esconderijo, um dispositivo de distração para que nunca nós tenhamos que entrar em contato com a culpa dentro de nós mesmos.

Em vez disso, nós o separamos e o vemos em outro. Qualquer pessoa com quem estejamos envolvidos onde haja qualquer grau de emoção – negativa ou positiva – deve ser uma parte separada de nós mesmos. Caso contrário, não sentiríamos a emoção.
. . . . . . .

Dr. Kenneth Wapnick se referiu brevemente ao ensaio de Freud, “Luto e melancolia”, no qual Freud fala sobre a sensação de perda experimentada pela morte de um ente querido. Dr. Wapnick concluiu com a afirmação de que, quando nós sabemos que o Amor de Deus está dentro de nós, também nós sabemos que o ente querido é uma parte de nós e que nada do que acontece no plano físico pode alterar isso, porque sabemos que nada está acontecendo, porque nós somos todos um só. Dr. Wapnick então continuou:

Quando essa se torna a única visão e o único entendimento que temos, alcançamos o que o Curso chama de mundo real. O tomador de decisões escolhe o Espírito Santo de uma vez por todas e deixa de ser um tomador de decisões, porque o ego se afasta e desaparece.

Nesse ponto, eu sei que todos os Filhos de Deus aparentemente separados são um só.

Minha experiência, então, é que todos os fragmentos aparentes são parte do todo e eu sou parte desse todo. Não é que os outros sejam parte de mim, como minha identidade, mas que todos nós fazemos parte de um todo maior. E, portanto, não pode haver nenhuma experiência de perda.

Isso é basicamente o que Jesus ensinou na cruz: literalmente, nada aconteceu. As pessoas que choraram a sua morte foram aquelas que se identificaram com o seu corpo – uma coisa óbvia a se fazer – que sentiram que o seu amor era o que as salvaria. Então ele desapareceu, ele morreu e eles pensaram que o amor morria, que a salvação morria com ele.

No entanto, toda a mensagem que ele estava ensinando era que o amor que as pessoas sentiam nele era um reflexo do amor que havia nelas. Se elas pudessem realmente entender isso, elas perceberiam que elas e Jesus eram um só e o mesmo – elas compartilhavam o mesmo Eu amoroso, o que significa que não poderia haver experiência de perda.

Claro, Jesus estava realmente nos ensinando, dentro do simbolismo do nosso sonho, que isso é exatamente o que nós acreditávamos ter acontecido com Deus. Nós acreditamos que nos separamos de Deus, acreditamos que havia um sentimento de perda e então inventamos toda a história de que Deus estava com raiva de nós e queria nos punir, etc.

Mas se pudermos saber que nós somos literalmente um só com o Amor de Deus, então não há sensação de perda. E então nós percebemos que o pensamento de separação do ego não tem poder – “nenhuma nota na canção do céu foi perdida”.

. . . . . . .

Outro participante pediu orientação ao Dr. Wapnick na aplicação dos princípios sobre os quais ele havia falado:

K: Eu acho que basicamente a sua pergunta é, como isso realmente se desenrola no dia a dia? O que eu faço? Assim que eu tomo consciência de um pensamento ou sentimento do ego – e depois de um tempo não é difícil encontrá-los: eu fico irritado com alguém, eu fico ansioso, sinto-me fisicamente doente, eu estou fazendo julgamentos sobre os outros – eu quero perceber que “Eu nunca estou transtornado pela razão que imagino”, como diz uma das primeiras lições do Livro de Exercícios (LE-pI.5) e que o que eu estou vendo do lado de fora é, na verdade, uma parte separada de mim mesmo.

O motivo pelo qual eu estou ansioso, zangado, irritado, assustado, doente, etc., não tem nada a ver com o que eu sinto ou acredito sobre a situação. A razão é que deixei cair a mão de Jesus e peguei a mão do ego novamente. Esse é o problema. E então eu me sinto terrivelmente culpado, porque mais uma vez afastei Deus – na pessoa de Jesus ou do Espírito Santo – e me sinto culpado por isso. E agora eu tenho medo de ser punido por isso. Então, eu escapei de toda aquela culpa e medo me envolvendo com qualquer coisa fora de mim que eu acho que está me deixando chateado.

À medida que eu trabalho com tudo isso – seguindo a linha do milagre (ver gráfico) – eu estou percebendo que eu não estou chateado por causa de algo fora de mim. Eu estou chateado por causa de algo dentro de mim. Eu estou chateado por ter escolhido o ego em vez de Jesus ou do Espírito Santo. Isso é tudo que eu tenho que fazer. É a isso que o Curso se refere como um “pouco de boa vontade.” Se eu fizer isso e ainda não me sentir melhor, então eu digo:

Eu não estou me sentindo melhor porque, embora eu entenda o que eu estou fazendo – eu estou realmente afastando o Amor de Deus de mim – eu obviamente ainda quero afastar o Amor de Deus. Eu acredito que o Amor de Deus vai me machucar. Eu acredito que se eu pegar a mão de Jesus e começar a andar de volta para casa, eu irei desaparecer. E toda a maravilhosa auto importância que eu acredito que me faz ser quem eu sou também irá desaparecer. E isso me apavora. Portanto, eu estou perfeitamente disposto, agora, a pagar o custo de afastar Jesus para que possa manter a minha própria identidade miserável – eu estou disposto a fazer isso.

Agora eu posso a fazer isso. Em certo sentido, eu posso ter o melhor dos dois mundos. Ainda eu posso agarrar toda a minha raiva, ansiedade e justificada vitimização. Mas também eu sei por que eu estou fazendo isso e do que eu estou desistindo. Eu estou ciente de que tenho mais medo do amor de Deus do que dessa dor. E eu prefiro me manter separado de você – que é o que minha raiva faz – do que realmente saber que você e eu fazemos parte de um ser maior.

Isso é tudo que tenho que fazer – apenas estar ciente de que é isso que estou fazendo.

P: Dr. Wapnick, quem ou o que é Jesus?

K: Ele é um “quem” e um “o quê”. Como um “o quê”, ele é um símbolo do Amor do Espírito Santo. Ele é a mesma presença abstrata de amor na mente que o Espírito Santo é. Bem no final, quando estivermos no mundo real, saberemos disso. Até esse ponto, ele é um “quem” e um “quem” extremamente importante. Enquanto eu acreditar que eu sou um “quem”, preciso de um “o que” que se pareça com um “quem”. [Risos]

Agora, por que isso me faz pensar em Abbott e Costello! [dupla cômica estadunidense] Mas enquanto eu acreditar que eu sou específico – e todos nós acreditamos que nós somos específicos, que nós somos um “quem” – então precisamos de outro símbolo específico que representará para nós aquela Presença abstrata de Amor que é o Espírito Santo. E estou cometendo um grande erro se acho que eu não preciso de um “quem”.

Se Jesus é um símbolo difícil para você, escolha outro. Mas para a maioria das pessoas no mundo ocidental, ele é, porque quase todo mundo tem problemas não resolvidos com ele. No final das contas, Jesus é abstrato porque no final nós somos abstratos. Mas, enquanto nos sentirmos específicos, distintos e individuais, nós precisamos de alguém que possa falar conosco nesse nível. E Jesus, como o maior símbolo do Amor de Deus no mundo ocidental, é também o maior símbolo do Amor de Deus no mundo ocidental como o ego o vê.

É por isso que Jesus não tem sido um símbolo de amor para os cristãos, muito menos para os judeus ou muçulmanos ou qualquer pessoa que tenha atacado os cristãos. Ele sempre é visto através dos olhos do ego. Ele é visto como um perseguidor, alguém que exige sacrifício e que acredita no pecado e na culpa. Ele deve acreditar no sacrifício e na morte, porque é isso que o mundo fez dele: ele se tornou um símbolo do deus do ego.

Mas Jesus também é um símbolo do Deus verdadeiro. Nossas reações a ele são produto da mesma mente dividida que afeta a maneira como nós vemos as outras pessoas. No final, quando nós estivermos no mundo real, nós perceberemos que não existimos como indivíduos separados mais do que Jesus. Mas enquanto nós estivermos aqui no sonho – como todos nós estamos – ele é extremamente importante como uma presença fora de nossa personalidade que pode nos representar a nós mesmos, até que possamos nos lembrar de nossa Identidade.

P: Mas isso invalidaria o Curso se eu escolhesse usar Buda ou Krishna ou Maomé ou qualquer outra pessoa como este símbolo?

K: Não. Na verdade, nada pode invalidar este livro – esse é o problema! No entanto, se eu escolher Maomé ou Krishna ou Buda ou mesmo Chaimyankel porque eu tenho medo de Jesus, ou eu sou culpado por meu relacionamento com ele, esse é um problema que terei que resolver em algum momento.

É por isso que a presença de Jesus no Curso sempre foi direta. O mesmo ensino poderia ter vindo sem falar sobre Jesus. Todo este processo que descrevi poderia ser apresentado no Curso sem referir-se a Jesus. E não era necessário que ele falasse na primeira pessoa. O fato de que ele fez e que ele usa terminologia cristã e que ele fala sobre a sua própria morte e a reinterpreta para nós, é uma maneira de dizer ao mundo, como ele diz no capítulo 19, que ele precisa de nós para perdoá-lo (T-19.IV.B.6,8).

Agora, Jesus não precisa que o perdoemos por amor a ele. Ele precisa que o perdoemos porque ele não pode nos ajudar se ainda o estivermos afastando.

Portanto, antes de escolher outro símbolo além de Jesus, eu devo primeiro ver por que eu estou fazendo isso. Sempre há exceções e não há maneira certa ou errada de fazer o Curso. Mas para quase todos que cresceram no mundo ocidental – sejam cristãos ou judeus – seria extremamente difícil evitar ter alguns problemas não resolvidos com Jesus. Ele é o maior símbolo do Amor de Deus que conhecemos, o que significa que o ego o fez o seu símbolo do Amor de Deus.

P: A crucificação de Jesus é um exemplo de “Deus como vítima”?

K: Com certeza. A sua morte é o grande exemplo disso. Todos os cristãos então, independentemente de estarem cônscios disso ou não, devem acreditar que ele os está vitimando. Há uma estátua de Jesus na cruz, um crucifixo, quando você se aproxima do portão principal de um famoso mosteiro. E embaixo da cruz há um sinal com as palavras terríveis: “Isso é o que eu fiz por você. O que você fez por mim?” Agora, como você pode amar um cara assim? Qualquer pessoa que cresceu no mundo ocidental deve acreditar que Jesus é um vitimizador.

Há uma razão ainda mais profunda para essa percepção de Jesus, que não abordei neste workshop, mas farei isso brevemente agora. O sistema de pensamento do ego é baseado na ideia “matar ou ser morto” (MP-17.7:11), que é o mesmo que dizer que é “um ou outro”.

Todo o sistema de pensamento do ego repousa na crença de que nós somos diferentes – é assim que o sistema de pensamento do ego começa. Deus é diferente do Filho. Lembre-se de onde começamos – Deus e Cristo estão totalmente unidos. Não há como Deus se perceber em relação a Cristo ou Cristo pode se perceber em relação a Deus. Não há diferença.

No sonho, quando nós falamos do Céu, nós falamos de uma diferença – Deus é o Criador, Cristo é o criado. Mas no Céu, não há mente separada que vê dessa forma – Deus e Cristo não são diferentes.

O sistema de pensamento do ego começa com diferenças. Quando o sonho pareceu começar e a ideia diminuta e louca surgiu na mente do Filho, de repente Deus e o Filho eram diferentes. Então o Filho disse: “Nós somos diferentes – Deus tem algo que eu não tenho. Portanto, vou pegá-lo.” O que Deus tinha, é claro, era o poder de criar o Filho – não era o contrário. Então o Filho roubou o poder de criar de Deus e agora ele o tem. O Filho ainda é diferente de Deus, mas agora está por cima – como no jogo da gangorra. Com o terceiro rompimento, onde o eu pecaminoso e culpado se divide em dois (veja o gráfico), há novas diferenças. Não sou mais pecador – Deus é pecador, porque Ele vai me atacar.

O sistema de pensamento do ego é baseado na crença em diferenças. Em contraste, o sistema de pensamento do Espírito Santo, que é o reflexo do Céu, baseia-se na crença de que nós somos todos iguais. Claro, nós somos diferentes no nível do corpo e da forma, mas essas diferenças não fazem diferença.

O sistema de pensamento do ego afirma – e o mundo reflete esse pensamento – que se Deus o tem, eu não o tenho. Mas se eu tenho, Ele não tem. É um ou outro. Ou eu sou o pecador miserável ou Deus é.

Claro, é muito mais fácil para mim escapar da isca projetando o pecado em Deus. E uma vez que fazemos isso, que é o terceiro rompimento, tudo é projetado para o mundo – vejo todos os outros como tendo algo que eu não tenho. E por que eles têm e eu não? Porque eles tiraram de mim e isso justifica que eu tenha roubado de volta deles. Esse é realmente o cerne dos relacionamentos especiais.

Voltando a Jesus – se Jesus é o Amor de Deus encarnado, então obviamente eu não posso ser, porque é um ou outro. Não pode ser que sejamos iguais. Se nós somos iguais, então o Espírito Santo está me dizendo a verdade. Mas se Jesus é diferente de mim, então o meu ego está vivo e bem. E obviamente Jesus é total inocência, total amor e total luz. Então, o que isso me deixa? Já que acredito que eu sou o lar do mal, das trevas e do pecado, então eu acredito que sou o mal, o eu culpado e Jesus é inocente, santo e amoroso. Ouvindo meu ego, pergunto: “De onde ele tirou isso? Por que ele é tão amoroso e por que ele é o favorito de Deus e eu não?” Bem, a resposta é óbvia – ele roubou de mim. É como a história de Isaque e Jacó na Bíblia, onde Jacó engana o seu pai e rouba a primogenitura de Esaú.

Onde Jesus conseguiu o seu amor e a sua inocência? Ele roubou de mim. Como posso saber se ele roubou de mim? Porque eu secretamente acredito que roubei dele. E por que eu acredito que roubei dele? Porque é isso que acredito que fiz com Deus. Sempre volta a essa ideia metafísica subjacente, que foi como comecei este workshop. É por isso que sempre sentimos que estamos em guerra uns com os outros.

Eu secretamente acredito que tudo o que tenho, eu roubei, porque essa é a premissa básica do sistema de pensamento do ego. O próprio fato de acreditar que existo como uma entidade separada – e todos nós acreditamos que existimos como entidades separadas – é a prova de que roubei de Deus o poder, a vida dessa entidade separada. E se eu acreditar que roubei e me sentir culpado por isso, o que devo fazer? Eu separo o pecado e a culpa – é isso que os egos fazem. Eu divido e digo: “Eu não sou pecador e culpado. Você é.”

A verdadeira razão pela qual estou infeliz e miserável – e todos nós, no fundo de nossos corações, somos infelizes e miseráveis – é que estou aqui. Este não é um mundo feliz. O Céu é o mundo feliz. Em algum nível, sinto que falta algo em mim – há algo injusto e eu estou infeliz.

Por que eu estou infeliz? Em vez de aceitar a responsabilidade por como eu me sinto, eu divido tudo. Por que algo está faltando em mim? Porque você roubou de mim. E por que eu sei que você roubou de mim? Porque eu acredito que primeiro roubei de você, mas depois projetei o ataque em você, só que eu esqueci que fiz isso.

Conscientemente, eu estou ciente de que você tem algo que eu não tenho e eu o odeio por isso. É por isso que o mundo sempre odiou Jesus: ele sempre foi visto como diferente de nós, o que é exatamente o oposto do que ele ensinou.

Ele nos ensinou que O Amor de Deus que você experimenta em mim é um reflexo do Amor de Deus em você. A única diferença entre nós é que eu sei disso e você se esqueceu disso. Portanto, eu estou na sua frente agora como um lembrete de que você pode fazer a mesma escolha por lembrar que eu fiz.

Se o mundo aceitasse isso, o mundo desapareceria, porque o mundo inteiro existe como uma forma de manter essa compreensão longe de nós.

Lembre-se – o medo original e último do ego é que o Filho de Deus caia em si, volte à sua mentalidade certa e escolha o Espírito Santo, o que significa que o Filho de Deus se lembrará de que é o Amor de Deus.

Portanto, o ego inventou uma história de pecado, culpa e medo, projetou o pecado em um Pai irado que também inventou e então inventou um mundo no qual o pecado, a culpa e o medo são repetidos continuamente.

Jesus chega e diz: “Tudo isso é bobagem. Tudo é inventado. Você não precisa lutar contra o Amor de Deus – você é o Amor de Deus.” Se o mundo aceitasse o seu amor e a sua luz resplandecente como seus, então toda a necessidade do mundo como uma defesa contra o amor e a luz desapareceria. Não precisamos de um esconderijo de Deus se sabemos que nós somos o Amor e a luz de Deus.

Mas em vez de admitir isso – o que significaria admitir que o sistema de pensamento do ego está errado e admitir que não preciso mais existir como um ser separado e individual – é muito mais fácil matar Jesus, que é o que o mundo fez.

Não apenas o matou fisicamente, mas pegou a sua mensagem e a massacrou – virando-a de cabeça para baixo de forma que significasse literalmente o oposto do que ele ensinou.

A propósito, você descobrirá que as pessoas estão fazendo a mesma coisa com o Curso – virando a sua mensagem de cabeça para baixo para que não tenham que olhar para o que o Curso – e Jesus – estão realmente dizendo.

Jesus está dizendo:

“Olhe comigo para a enormidade do que você acredita serem seus pecados e sua terrível culpa” – ao que ele se refere a certa altura como seus “pecados secretos e ódios escondidos” (T-31.VIII.9:2)“E se você olhar comigo, vai perceber que não há nada lá. E então tudo o que vai restar é a luz do amor, que você é. E então você vai perceber que eu não estou separado de você e que você e eu somos parte dessa luz maior e um amor maior.”

Bibliografia da OREM3:

  • Livro “Um Curso em Milagres” – Livro Texto, Livro de Exercícios e Manual de Professores. Fundação para a Paz Interior. 2ª Edição –  copyright© 1994 da edição em língua portuguesa.
  • Artigo “Helen and Bill’s Joining: A Window Onto the Heart of A Course in Miracles” (tradução livre: A União de Helen e Bill: Uma Janela no Coração de Um Curso em Milagres”) – Robert Perry, site: https://circleofa.org/
  • E-book “What is A Course in Miracles” (tradução livre: O que é Um Curso em Milagres) – Robert Perry.
  • E-book “Autobiography – Helen Cohn Schucman, Ph.D.” – Foundation for Inner Peace (tradução livre: Autobiografia – Helen Cohn Schucman, Ph.D., Fundação para a Paz Interior).
  • Livro “Uma Introdução Básica a Um Curso em Milagres”,  Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Livro “O Desaparecimento do Universo”, Gary R. Renard.
  • Livro “Absence from Felicity: The Story of Helen Schucman and Her Scribing of A Course in Miracles” (tradução livre: “Ausência de Felicidade: A História de Helen Schucman e Sua Escriba de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Artigo “A Short History of the Editing and Publishing of A Course in Miracles” (tradução livre: Uma Breve História da Edição e Publicação de Um Curso em Milagres” – Joe R. Jesseph, Ph.D. http://www.miraclestudies.net/history.html
  • E-book “Study Guide for A Course in Miracles”, Foundation for Inner Peace (tradução livre: Guia de Estudo para Um Curso em Milagres, Fundação para a Paz Interior).
  • Artigo “The Course’s Use of Language” (tradução livre: “O Uso da Linguagem do Curso”), extraído do livro “The Message of A Course in Miracles” (tradução livre: “A Mensagem de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Artigo Who Am I? (tradução livre: Quem Sou Eu?) – Beverly Hutchinson McNeff – Site: https://www.miraclecenter.org/wp/who-am-i/
  • Artigo “Jesus: The Manifestation of the Holy Spirit – Excerpts from the Workshop held at the Foundation for A Course in Miracles – Temecula CA” (tradução livre: Jesus: A Manifestação do Espírito Santo – Trechos da Oficina realizada na Fundação para Um Curso em Milagres – Temecula CA) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Livro “Quantum Questions” (tradução livre: “Questões Quânticas”) – Ken Wilburn
  • Livro “Um Retorno ao Amor” – Marianne Williamson.
  • Glossário do site Foundation for A Course in Miracles (tradução livre: Fundação para Um Curso em Milagres), do Dr. Kenneth Wapnick, https://facim.org/glossary/
  • Livro Um Curso em Milagres – Esclarecimento de Termos.
  • Artigo “The Metaphysics of Separation and Forgiveness” (tradução livre: “A Metafísica da Separação e do Perdão”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Livro “Os Ensinamentos Místicos de Jesus” – Compilado por David Hoffmeister – 2016 Living Miracles Publications.
  • Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – A Canção da Oração” – Helen Schucman – Fundação para a Paz Interior.
  • Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – Psicoterapia: Propósito, Processo e Prática.
  • Workshop “O que significa ser um professor de Deus”, proferido pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D..
  • Artigo escrito pelo escritor Paul West, autor do livro “I Am Love” (tradução livre: “Eu Sou Amor”), blog https://www.voiceforgod.net/.
  • Artigo “The Beginning Of The World” (tradução livre: “O Começo do Mundo”) – Dr Kenneth Wapnick.
  • Artigo “Duality as Metaphor in A Course in Miracles” (tradução livre: “Dualidade como Metáfora em Um Curso em Milagres”) – Um providencial e didático artigo, considerado pelo próprio autor como sendo um dos artigos (workshop) mais importantes por ele escrito e agora compartilhado pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Artigo “Healing the Dream of Sickness” (tradução livre: “Curando o Sonho da Doença”  – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Livro “The Message of A Course in Miracles – A translation of the Text in plain language” (tradução livre: “A mensagem de Um Curso em Milagres – Uma tradução do Texto em linguagem simples”) – Elizabeth A. Cronkhite.
  • E-book “Jesus: A New Covenant ACIM” – Chapter 20 – Clearing Beliefs and Desires – Cay Villars – Joininginlight.net© (tradução livre: “Jesus: Uma Nova Aliança UCEM” – Capítulo 20 – Clarificando Crenças e Desejos).
  • Artigo “Strangers in a Strange World – The Search for Meaning and Hope” (tradução livre: “Estranhos em um mundo estranho – A busca por significado e esperança”), escrito pelo Dr. Kenneth Wapnick e por sua esposa Sra. Gloria Wapnick.
  • Artigo “To Be in the World and Not of It” (tradução livre: “Estar no Mundo e São Ser Dele”), escrito pelo Dr. Kenneth Wapnick e por sua esposa Sra. Gloria Wapnick.
  • Site https://circleofa.org/.
  • Livro “A Course in Miracles – Urtext Manuscripts – Complete Seven Volume Combined Edition. Published by Miracles in Action Press – 2009 1ª Edição.
  • Tradução livre do capítulo Urtext “The Relationship of Miracles and Revelation” (N 75 4:102).
  • Artigo “How To Work Miracles” (tradução livre “Como Fazer Milagres”), de Greg Mackie https://circleofa.org/library/how-to-work-miracles/.
  • Artigo “A New Vision of the Miracle” (tradução livre: “Uma Nova Visão do Milagre”), de Robert Perry https://circleofa.org/library/a-new-vision-of-the-miracle/.
  • Artigo “What Is a Miracle?” (tradução livre: “O que é um milagre?”), de Robert Perry https://circleofa.org/library/what-is-a-miracle/.
  • Artigo “How Does ACIM Define Miracle?” (tradução livre: “Como o UCEM define milagre?”), de Bart Bacon https://www.miracles-course.org/index.php?option=com_content&view=article&id=232:how-does-acim-define-miracle&catid=37&Itemid=57.
  • Livro “Os cinquenta princípios dos milagres de Um Curso em Milagres”, de Kenneth Wapnick, Ph.D..
  • Artigo “The Fifty Miracle Principles: The Foundation That Jesus Laid For His Course” (tradução livre: “Os cinquenta princípios dos milagres: a base que Jesus estabeleceu para o seu Curso”), de Robert Perry https://circleofa.org/library/the-fifty-miracle-principles-the-foundation-that-jesus-laid-for-his-course/.
  • Artigo “Ishmael Gilbert, Miracle Worker” (tradução livre: “Ishmael Gilbert, Trabalhador em Milagre”), de Greg Mackie https://circleofa.org/library/ishmael-gilbert-miracle-worker/.
  • Blog “A versão Urtext da obra Um Curso em Milagres (UCEM)” https://www.umcursoemmilagresurtext.com.br/.
  • Blog “Course in Miracles Society – CIMS – Original Edition” https://www.jcim.net/about-course-in-miracles-society/.
  • Site Google tradutor https://translate.google.com.br/?hl=pt-BR.
  • Site WordReference.com | Dicionários on-line de idiomas https://www.wordreference.com/enpt/entitled.
  • Artigo “The earlier versions and the editing of A Course in Miracles” (tradução livre: “As versões iniciais e a edição de Um Curso em Milagres), autor Robert Perry https://circleofa.org/library/the-earlier-versions-and-the-editing-of-a-course-in-miracles/.
  • Livro “A Course in Miracles: Completed and Annotated Edition” (“Edição Completa e Anotada”) – Circle of Atonement.

Imagem nasa-hI5dX2ObAs-unsplash.jpg

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

0 0 votes
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
0
Would love your thoughts, please comment.x