“A raiva vem do julgamento. O julgamento é a arma que eu quero usar contra mim mesmo para afastar o milagre de mim.

Pai, quero o que se opõe à minha vontade e não o que é a minha vontade ter. Endireita a minha mente, meu Pai. Ela está doente. Mas Tu me ofereceste a liberdade e hoje eu escolho reivindicar a Tua dádiva. Assim, dou todo julgamento Àquele Que me deste para julgar por mim. Ele vê o que eu contemplo e ainda assim conhece a verdade. Ele olha para a dor e ainda assim compreende que ela não é real e, na Sua compreensão, ela é curada [healed]. Ele dá os milagres que os meus sonhos querem esconder da minha vontade, mas Ele tem certeza de que é a Tua. E Ele falará por mim e invocará os Teus milagres para que venham a mim.” (LE-pII.347.Título; 1:1-11)

“Ninguém pode julgar com base em evidência parcial. Isso não é julgamento. É apenas opinião baseada na ignorância e na dúvida. A sua aparente certeza não passa de um disfarce para a incerteza que quer ocultar. Ela precisa de uma defesa irracional porque é irracional. E a sua defesa parece ser forte, convincente e indubitável devido a todas as dúvidas subjacentes.” (LE-pI.151.1:1-6)

Os destaques em negrito, sublinhado ou itálico são por minha conta.

Tradução livre Projeto OREM®

Definições – O que é o Julgamento em UCEM

1) Julgamento – Glossário da Fundação para Um Curso em Milagres (FACIM) (https://facim.org/glossary/judgment/):

Nível I (conhecimento; metafísico):

  • estritamente falando, Deus não julga, visto que o que Ele cria é perfeito e um só com Ele; as referências do Curso ao Julgamento de Deus refletem o Seu reconhecimento de Seu Filho como o Seu Filho, para sempre amado e um só com Ele.

Nível II (percepção; corpo e mente):

  • Mentalidade errada: condenação, por meio da qual as pessoas são separadas entre as que devem ser odiadas e as que devem ser “amadas”, um julgamento sempre baseado no passado.
  • Mentalidade certa: visão, por meio da qual as pessoas são vistas como expressando amor ou clamando por ele, um julgamento inspirado pelo Espírito Santo e sempre baseado no presente.

2) Julgamento Final ou Juízo Final – Glossário da Fundação para Um Curso em Milagres (FACIM) (https://facim.org/glossary/last-final-judgment/):

  • Conhecimento: contrastado com a visão Cristã tradicional de julgamento e punição para refletir o relacionamento amoroso de Deus com todos os Seus Filhos: o Seu Juízo Final.
  • Percepção verdadeira: contrastado com a visão Cristã tradicional de julgamento e punição e igualada ao fim da Expiação quando, após a Segunda Vinda, a distinção final é feita entre a verdade e a ilusão, toda a culpa é desfeita e a consciência [no nível da realidade (awareness)] é restaurada para nós como Cristo – o Filho do Deus vivo.

3) Julgamento – Transcrição do vídeo do Dr. Kenneth Wapnick no YouTube, intitulado: “Judgment” (tradução livre: “Julgamento”), para a nossa reflexão sobre o que é o julgamento conforme o sistema de pensamento de Um Curso em Milagres.

Artigo completo em inglês no site https://facim.org/transcript-of-kenneth-wapnick-youtube-video-entitled-judgment/

“O julgamento continua sendo uma das partes mais difíceis de abandonar do sistema de pensamento do ego, porque é o julgamento que realmente é o pão com manteiga do ego.

Na verdade, é o julgamento que deu origem ao ego logo no início, quando nós fizemos um julgamento como um Filho de Deus que o Amor de Deus não era suficiente para nós, que nós queríamos atenção especial Dele, favor especial e, como o Curso explica, quando Deus não nos concedeu esse favor, nós julgamos contra Ele fazendo dele um Pai desamoroso, ou seja, substituindo o Deus verdadeiro pelo deus do ego.

E o deus do ego é um deus que nos julga e uma vez que nós fizemos esse deus à nossa própria imagem e semelhança (sendo uma projeção do nosso eu [ser, self]), então o deus que nós fizemos é o deus … ele é o ser que nós fizemos para ser a nossa identidade e esse ser nasceu em julgamento e é isso que nós projetamos em Deus e, portanto, Ele vem a ser um deus de julgamento.

Tudo o que nós necessitamos fazer é ler a Bíblia, Antigo e Novo Testamentos, para ver o quão julgador esse deus é. No entanto, ele é um deus, mais uma vez, feito como uma projeção de nosso próprio julgamento negativo sobre nós mesmos.

Ou seja, que nós pecamos contra o nosso Criador e Fonte, nós estamos oprimidos com a culpa sobre o que nós acreditamos que nós fizemos, nós julgamos a nós mesmos por isso, nós projetamos esse julgamento e agora nós acreditamos que Deus fará por nós o que nós secretamente acreditamos que fizemos a ele.

Bem, esse é o substrato da mente de todos. Isso é o que está no fundo da consciência [no nível da percepção (consciousness)] de todos e que todos nós buscamos desesperadamente negar e reprimir e, como Freud nos ensinou há muito tempo, tudo o que nós reprimimos, nós automaticamente projetamos para fora.

E então os julgamentos de nós mesmos, todos esses (o que o Curso em um ponto se refere como os nossos ‘pecados secretos e ódios ocultos’) são projetados para fora e nós caminhamos nessa terra cheios de julgamento. E é quase impossível viver nesse mundo sem fazer julgamentos.

Agora, nós não estamos falando sobre os julgamentos benignos que todos nós temos que fazer para existir. Todos nós temos que fazer um julgamento para sair da cama pela manhã, o que nós iremos vestir, o que nós iremos comer, com quem nós iremos passar o nosso tempo, etc., entretanto, em geral esses julgamentos são relativamente neutros.

Porém são os julgamentos que normalmente condenam outras pessoas e são cheios de críticas, esses são os julgamentos que devemos abandonar.

O problema, ainda mais uma vez, é que é esse mesmo julgamento que é a fonte da minha existência e, então, abandonar esse julgamento, o meu ego me diz, significa que vamos abrir mão de quem eu sou, certo.

Por isso é tão difícil colocar em prática essa linha tão importante, que na verdade seria uma grande fonte de conforto para nós se pudéssemos aceitá-la, que chega perto do início do Texto onde Jesus nos diz:

Tu não têm ideia da tremenda liberação e da profunda paz que vêm de te encontrares contigo mesmo e com teus irmãos totalmente sem julgamento (T-3.VI.3:1).

O fato é que, uma vez que todos nós definitivamente desejaríamos aquela paz e liberação da dor que é nossa experiência cotidiana, que é o fim que nós desejamos, nós estamos apavorados de qualquer jeito dos meios que nos são dados para alcançar esse fim, ou seja, desistir do julgamento.

Assim, o que é muito útil ao praticar este Curso é permitir-nos entrar em contato com a dor que é inevitável quando escolhemos nos separar das outras pessoas e então justificar o que fizemos por meio desses julgamentos.

Sempre que acreditamos que alguém fora de nós … qualquer pessoa … é a fonte de nossa felicidade ou de nossa dor, estamos fazendo um julgamento e, se acreditamos que as pessoas são a fonte de nossa felicidade, pensamos que as amaremos.

Isso é o que o Curso chama de “amor especial”. Mas escondido atrás do véu do amor especial está o ódio subjacente, porque o que acontece quando você falha em me dar o que preciso? Então o amor rapidamente se transforma em ódio, que é o que sempre foi.

A qualquer momento, novamente, que acreditamos que alguém é a fonte de nossa angústia em qualquer nível, nós estamos fazendo um julgamento e, por meio desse julgamento, estamos nos separando dessa pessoa.

Em vez disso, o que queremos aprender e praticar é a ideia não de que nós somos diferentes uns dos outros, que é o que o julgamento sempre reforça, mas sim que nós somos todos iguais.

Todos nós compartilhamos a mesma necessidade de despertar desse sonho de culpa, desse sonho de julgamento, desse sonho de sofrimento. Todos nós compartilhamos essa necessidade e, portanto, todos nós compartilhamos as mesmas aspirações de despertar do sonho e voltar para casa.

Foi o julgamento que deu início ao sonho. E abrir mão do julgamento, que é a essência do perdão, é a maneira de desfazer o sonho, despertando-nos desse pesadelo e nos devolvendo ao Deus de Quem nós apenas acreditávamos ter deixado, mas que nunca deixou de amá-Lo e Cuja criação nós nunca deixamos de amar também.”

O significado de julgamento no Curso

Buscamos inspiração em trechos do Workshop “The Meaning of Judgment” (tradução livre “O Significado de Julgamento”), realizado na Fundação para Um Curso em Milagres em Roscoe NY, ministrado pelo Dr. Kenneth Wapnick, que transcrevemos em tradução livre. O artigo completo em inglês no site: https://facim.org/online-learning-aids/excerpt-series/the-meaning-of-judgment/.

O autor nos esclarece que o tópico do julgamento está no centro dos ensinamentos de Jesus em Um Curso em Milagres e, portanto, deve estar no centro de nossa prática do Curso.

“Como Jesus aponta no início do Texto, a escolha de julgar ao invés de conhecer é a causa de nossa perda da paz e, portanto, quando nos encontrarmos conosco mesmos e todos os outros sem julgamento, experimentaremos uma tremenda liberação e uma sensação de paz tão profunda que será além de qualquer coisa que possamos imaginar (T-3.VI.2:1; 3:1).

Esta série de trechos do workshop, a seguir, é baseada em ‘O sonho que perdoa’ do Capítulo 29 do Livro Texto e se concentra nas quatro formas de julgamento:

  1. o sonho de julgamento do ego contra nós mesmos;
  2. olhar com Jesus para este julgamento contínuo de culpa sem julgamento adicional;
  3. julgar todas as coisas de acordo com o julgamento do Espírito Santo; e
  4. unir-se a Jesus no Julgamento de que o Amor de Deus é a única realidade [Juízo Final].

Parte I

Dr. Wapnick estrutura o artigo em torno de quatro tipos diferentes de julgamento, três dos quais estão diretamente articulados em Um Curso em Milagres e o quarto, que é na verdade o segundo tipo de julgamento na sequência que será discutido, está implícito durante todo o caminho.

O primeiro é o sonho de julgamento do ego, baseado na ideia de que podemos estar separados de Deus. É uma maneira de julgar Deus como inadequado, se não insignificante. O ego em toda a sua grande força colocou Deus de joelhos, usurpou a Sua autoridade e criou o seu próprio mundo. Esse julgamento é baseado em diferenças, que são formas diferentes de ataque.

O Curso se refere ao terceiro tipo como o julgamento do Espírito Santo, discutido mais claramente em “O julgamento do Espírito Santo” (T-12.I) e “A igualdade dos milagres” (T-14.X), seções que não foram analisadas neste workshop.

Todos nós somos convidados a compartilhar este julgamento [o terceiro tipo], que vê todos e tudo neste mundo como expressando o Amor de Deus ou pedindo por Ele. Não há ataque neste tipo de percepção.

O quarto julgamento sobre o qual o Curso fala é chamado de Juízo Final, Julgamento Final ou Julgamento Final de Deus (por exemplo, T-2.VIII; LE-pII.10).

Esse julgamento ocorre bem no final do processo da Expiação. Afirma que “aquilo que é falso é falso e o que é verdadeiro jamais mudou” (LE-pII.10.1:1).

Esse julgamento termina totalmente o sonho. É a expressão pura do princípio da Expiação: a separação nunca aconteceu. Uma vez que aceitamos e nos identificamos com o julgamento do Espírito Santo, o Julgamento Final de Deus está apenas a um sopro de distância. Na descrição metafórica do Curso, Deus se abaixa e nos leva de volta a Si mesmo – o último passo de Deus.

A questão crucial, entretanto, é como ir do primeiro julgamento – o sonho de julgamento do ego – para o terceiro julgamento, a percepção do Espírito Santo de tudo como uma expressão de amor ou um chamado por amor.

Passaremos muito tempo falando sobre esse segundo tipo de julgamento. Não tem um nome no Curso, mas é refletido em todo o curso.

Este é o julgamento que fazemos quando olhamos para o julgamento do ego e reconhecemos que todos os nossos pensamentos e julgamentos não tiveram efeito. Sem esse passo intermediário, é impossível saber verdadeiramente do que se trata o julgamento do Espírito Santo.”

O autor enfatiza que um dos erros que os estudantes cometem quando começam a trabalhar com o Curso é pensar que é fácil ir do primeiro para o terceiro tipo de julgamento – do julgamento do ego das diferenças, especialismo e ataque, ao julgamento do Espírito Santo que reconhece a todos como o mesmo, onde a única diferença aparente é que as pessoas expressam amor ou clamam por ele.

“Qualquer pessoa que tenha trabalhado seriamente com Um Curso em Milagres por um período de tempo reconhece que não é fácil mudar dos julgamentos do nosso ego para o julgamento do Espírito Santo. Uma etapa provisória é necessária.

Este tipo de julgamento é expresso de forma muito clara em uma das definições importantes que o Curso dá para o processo de perdão:

“O perdão… ele é quieto e na quietude nada faz. Apenas olha e espera e não julga” (LE-pII.1.4:1,3).

Jesus repetidamente nos encoraja a pegar a sua mão e olhar com ele para as trevas do ego e é esta a segunda forma de julgamento. Esse [tipo de julgamento] não nega os pensamentos do ego que expressamos no mundo – todos os pensamentos de violência, maldade e assassinato.

Essa etapa reconhece que, em última análise, todos os nossos pensamentos não podem ter nenhum efeito sobre nossa paz interior. Isso nos permite olhar para o mundo e ver verdadeiramente que todos aqui estão expressando amor ou pedindo por ele. Sem esse segundo julgamento, a terceira e a quarta etapas são absolutamente impossíveis.

O autor nos orienta que quando é referido no Curso para não pular etapas, é dessa etapa que se está falando. Significa que realmente olhamos para o fato de que julgamos o tempo todo.”

O workshop anterior do autor levanta a questão de “julgar ou não julgar”; que a resposta óbvia parece ser que não devemos julgar. Mas essa é a resposta errada. A resposta certa é não apenas devemos julgar, mas não há como evitar o julgar, porque é isso que este mundo é. Isso é muito importante para compreendermos o sistema de pensamento do Curso.

“Todo este mundo repousa na premissa de que o nosso o julgamento de Deus e do Filho de Deus é válido. Portanto, primeiro queremos ser capazes de julgar e não nos sentir culpados por isso; isso é inerente a esta segunda etapa.

Vemos todos os julgamentos que fazemos contra outras pessoas, nós mesmos, Jesus e Deus, mas sem nos julgarmos por fazer esses julgamentos – em outras palavras, sem nos sentirmos culpados.”

O autor didaticamente utiliza como texto básico para o workshop a seção chamada “O sonho que perdoa” (T-29.IX), que permitirá revisar essas quatro etapas:

  1. primeiro, o sonho de julgamento do ego;
  2. então, olhar com Jesus para esses julgamentos sem nos sentirmos culpados,
  3. o que nos permite então olhar para todos no mundo como nosso irmão ou irmã em Cristo;
  4. e, finalmente, o fim do processo, a Expiação, o reconhecimento de que tudo neste mundo é uma ilusão.

“Todo o sistema de pensamento do ego começou com o julgamento inicial que veio quando a “ideia diminuta e louca” parecia surgir na mente do Filho de Deus.

Antes disso, Deus e Seu Filho habitavam no Céu juntos em uma unidade tão perfeita que seria impossível até mesmo falar de Deus como um Criador ou Fonte distinta de Cristo, Seu Efeito ou Seu Filho.

Em outras palavras, nenhuma diferenciação é possível no Céu. O julgamento, é claro, sempre se baseia na diferenciação. Todos os nossos julgamentos envolvem comparar uma pessoa a outra, ou uma série de eventos a outros, ou um objeto a outro, etc. Todo o nosso mundo de percepção repousa sobre isso. É por isso que não há percepção e nenhum julgamento no Céu.

Quando o Curso fala sobre o Julgamento de Deus, isso significa como a expressão dessa Unicidade perfeita. A presença de Deus como unidade perfeita e Amor perfeito e a presença de Cristo como um só para sempre com a Unicidade de Deus e o Amor de Deus é o julgamento de tudo que o ego pensa.

E esse julgamento simplesmente diz

…”o que é falso [o pensamento de separação] é falso e o que é verdadeiro [a realidade da unicidade do Céu] nunca mudou” (LE-pII.10.1:1).

Mas quando a “ideia diminuta e louca” pareceu surgir, de repente surgiu a dualidade. E esse foi o nascimento do julgamento.

O Filho de Deus agora começou a experimentar a si mesmo em relação a – como separado de – seu Criador e Fonte. E ele não vivenciou esse relacionamento de uma maneira muito boa. Ele se via como deficiente, com Deus tendo injustamente o que ele não tinha, mas que agora ele tinha o poder de roubar de Deus o que ele acreditava que estava vindo para ele.

E assim o Filho se tornou o criador e fonte da vida. Ele se tornou aquele que existia por conta própria. Esse foi o nascimento do ego. Naquele instante, Deus se tornou o efeito do Filho, pois o Filho agora era a causa de Deus.

O Curso se refere a isso como usurpar o papel de Deus. O Filho se coloca como o seu próprio criador, para que Deus, como Ele realmente é, deixe de existir, pelo menos na mente do Filho. Deus não é mais a fonte de todos os seres. O Filho agora é.

O julgamento inicial é que existe uma diferença injusta ou abusiva entre Deus e eu, o que me deixa em um estado de escassez ou falta. Meu ego conclui que me falta a capacidade de criação, de estar no trono, porque Deus me privou disso.

Portanto, estou justificado em receber de Deus o que é meu por direito. Esse é o julgamento inicial.

Uma das coisas mais importantes para entender sobre esse julgamento inicial é que ele se baseia em diferenças.

Antes que a “ideia diminuta e louca” parecesse surgir, não havia consciência separada que pudesse observar, perceber ou pensar sobre quaisquer diferenças.

Dessa “ideia diminuta e louca” e seu sonho inicial de julgamento surgiu todo o universo físico.

Quando Jesus diz em Um Curso em Milagres que este mundo é uma ilusão, ele quer dizer que todo o universo físico é uma ilusão. É irreal.

Sabemos que é irreal porque o mundo que vemos e experimentamos é um lugar de diferenças. É assim que percebemos. É extremamente importante ao trabalhar com Um Curso em Milagres que reconheçamos que tudo no mundo é completamente irreal.

Como resultado, qualquer pensamento de que Deus ou o Espírito Santo faça algo neste mundo deve ser falso. Se eles fizessem qualquer coisa neste mundo por nós, eles seriam loucos, porque eles estariam tornando o mundo da dualidade real, o que comprometeria a Sua própria integridade como puro espírito que é perfeitamente um só.

O mundo todo de tempo e espaço – um mundo de diferenças – surge do pensamento de que o Filho poderia ser diferente de Deus.

Nós somos o mundo em que acreditamos que viemos quando nascemos. Mas nós não ‘entramos’ neste mundo; o mundo vem da projeção do pensamento de separação e diferenças dentro de nossas mentes.

É por isso que o princípio, “Ideias não deixam sua fonte e os seus efeitos apenas parecem estar à parte delas” (T-26.VII.4:7), é tão crucial para a compreensão do ensino do Curso.

O mundo nada mais é do que a projeção desse pensamento de separação e culpa. E não deixou a sua fonte em nossas mentes, onde também permanecemos – o que significa que não há mundo lá fora.

O julgamento que todos fazemos é que existe um mundo para o qual viemos, um mundo dentro do qual experienciamos a nós mesmos, fora de nossas mentes, que existirá depois que morrermos.

Mas este mundo inteiro é um sonho de julgamento. É um sonho porque está fora da realidade da Mente de Deus; e é um julgamento porque qualquer coisa fora da Mente de Deus deve ser percebida como diferente Dela – e isso é um julgamento.

É impossível existirmos neste mundo sem esse tipo de julgamento. Nosso mundo é de fato um mundo de percepção. Todos nós nos percebemos em relação aos outros e às coisas que estão fora de nós e Jesus não está dizendo que devemos negar que essa é a nossa experiência.

Perto do início do Texto, ele diz que todavia, é quase impossível negar a nossa experiência neste mundo (T-2.IV.3:10). Mas ele está nos pedindo para olharmos para isso de forma diferente, como veremos.

O ponto é que não podemos existir neste mundo como indivíduos separados – acreditando que cada um de nós tem um corpo real e uma personalidade distinta dos corpos e personalidades de outras pessoas – e não julgar.

E todos nós somos muito bons em negar o quanto julgamos. Um exemplo claro de como os estudantes do Curso caem nessa armadilha ocorreu quando a Guerra do Golfo estourou.

Alguns estudantes diziam a outros estudantes que expressavam preocupação sobre o que estava acontecendo no Golfo Pérsico: “Que guerra? Não há guerra lá fora. Ao dizer que há uma guerra lá fora, assistir a um noticiário e falar sobre isso, você está dando é uma realidade que não tem.”

Eles não estavam cientes de que estavam fazendo um julgamento ainda pior, porque estavam dizendo: “Há algo terrível lá fora que eu não desejo ver. E, portanto, vou espiritualizar e dizer que Um Curso em Milagres diz que tudo é irreal aqui, que ninguém é diferente, que a guerra é impossível; portanto, não há guerra lá fora.”

Do ponto de vista metafísico, isso é verdade; mas ninguém aqui no mundo, com pouquíssimas exceções, está nesse nível.

E assim nós não somos solicitados a negar os julgamentos que fazemos, razão pela qual é tão importante falar sobre esta etapa intermediária entre o sonho do ego de julgamento e o julgamento do Espírito Santo: estar disposto a aprender a ficar confortável com todos os julgamentos que nós fazemos.

E inicialmente isso significa entender que simplesmente estar neste mundo, acordar de manhã e acreditar que acordamos aqui, é um julgamento e um ataque.

Estamos dizendo: “Eu acredito que estou em casa aqui na minha cama.” A verdade é que nós estamos realmente em casa em Deus e não estaríamos sonhando que nós estamos acordando em casa em nosso quarto se não quiséssemos deixar Deus.

Se tudo ocorre dentro de nossas mentes e tudo é uma escolha, como Um Curso em Milagres nos diz continuamente, então simplesmente acreditar que nós estamos aqui no mundo é um pensamento de ataque. É um pensamento de ataque que diz que prefiro estar aqui a estar com Deus, meu Criador e Fonte.

E pior do que isso, estou dizendo que não só acredito que eu quero estar aqui e que eu posso estar aqui, mas eu acredito que realmente estou aqui, o que significa que eu estou aqui às custas de Deus. Eu usurpei o Seu lugar. Eu o matei e me coloquei em Seu trono.

Simplesmente respirar esconde esse pensamento de ataque vicioso, esse julgamento que diz que eu estou separado de Deus; Eu sou melhor do que Ele; e minha individualidade e minha existência foram compradas às custas dele.

Agora, isso não significa que devemos nos sentir culpados porque respiramos a cada 15 ou 20 segundos, ou que acordamos de manhã e nos sentimos bem. Significa que não devemos nos iludir pensando que todas essas experiências são sagradas ou espirituais, que são reais e, acima de tudo, estão livres de julgamento.

Não podemos fazer nada neste mundo sem julgamento, porque é isso que significa estar neste mundo. Portanto, a resposta não é que não devemos julgar. A resposta é que devemos aprender a ficar confortáveis ​​com todos os julgamentos que fazemos, porque só então podemos ir além deles.

O autor acrescenta outro ingrediente, que tem a ver com o mecanismo de negação. Uma vez que acreditamos que estamos realmente aqui, assumimos que nós, e não Deus, somos o criador e a fonte de nosso próprio ser.

“A culpa envolvida é enorme, porque o ego nos diz que nós não podemos matar Deus e esperar sair impunes. Este é o local de nascimento de nossa culpa, seguida pelo medo terrível de que, quando Deus nos alcançar, Ele nos destruirá.

Portanto, para nos protegermos do horror de nossa culpa que vem da grandiosidade do pecado de tomar o trono de Deus, todos nós fingimos que não o fizemos. Esse é o mecanismo de negação ou repressão. E uma lei inexorável da mente do ego é que, uma vez que negamos algo, devemos projetá-lo.

Portanto, primeiro nos julgamos por atacar a Deus, mas depois dizemos: ‘Não, não fui eu que fiz essa coisa terrível. Outra pessoa fez isso.Assumimos a nossa própria culpa por acreditar que atacamos a Deus ao nos separarmos Dele e a projetamos para fora.

Nós encontramos outra pessoa para culpar por isso; e então nós não temos mais consciência da origem desse sonho de julgamento em nossas próprias mentes.

Nós acreditamos que o sonho é realidade e que existe do lado de fora, externo a nós. Mas a verdade é que o sonho do julgamento nunca deixou a sua fonte em nossas mentes. Nós não nos lembramos disso, mas ainda nós somos aqueles que estão tendo esse sonho de julgamento, pecado e ataque – de assassinar Deus. E sobre o Seu cadáver morto, erguemos o nosso próprio ser.

O problema básico é que primeiro nos julgamos pecadores e depois dizemos que isso é tão terrível que nunca mais olharemos para ele. Então, nós protegemos o pensamento escondendo-o de nós mesmos. O pensamento é tão horrível e tão ansioso que fazemos a promessa de nunca mais olhar para ele: o primeiro nível de proteção.

Então pegamos o pensamento, o projetamos e o colocamos em outra pessoa: o segundo nível de proteção dele. E assim, nós nunca aceitamos a responsabilidade pelo pensamento, porque nós não sabemos mais sobre ele.

Nós o empurramos para o nosso inconsciente. Dizemos a nós mesmos: “Eu não sou aquele que fez isso; outra pessoa que fez isso. Eu não sou aquele que é pecador; outra pessoa pecou contra mim. Eu não sou aquele que cometeu o erro; eu não sou aquele que fez a curva errada, ou fez isso, aquilo, ou outra coisa. Alguém mais fez isso. ‘Em outras palavras, protegemos o julgamento. E enquanto protegermos o julgamento, ele nunca será curado.’

É por isso que essa segunda forma de julgamento é tão importante. Nós precisamos aprender a estar cientes – não que nós sejamos, na verdade, miseráveis ​​pecadores, miseráveis ​​criaturas do especialismo que desejam destruir a todos – mas nós acreditamos que somos. Há uma grande diferença.

Não é assim que Deus nos vê. Na verdade, Deus não nos vê de forma alguma. É assim que nós nos vemos. Mas, uma vez que nós nos vemos dessa maneira, nós negamos o pensamento e o colocamos em outra pessoa, o que significa que o estamos protegendo.

Isso é o que nós queremos dizer psicologicamente quando descrevemos alguém como sendo defensivo. Uma pessoa defensiva ergue um muro quando algo que lhe é dito faz com que se sinta ameaçado.

A pessoa está realmente dizendo: ‘Não se aproxime de mim. Esse pensamento sobre o pecado e esse julgamento que estou fazendo contra mim mesmo é tão rude que não consigo olhar para ele e também não quero que você olhe para ele.’

Isso é realmente o que significa ser defensivo. É uma atitude de proteger o pensamento de que sou uma pessoa terrível. Não é assim que Deus ou Jesus nos vêem; é como nos vemos. Porém se nos recusarmos a reconhecer o que acreditamos sobre nós mesmos, nunca poderemos mudar de ideia sobre essa crença.

É por isso que não podemos simplesmente ir do sonho de julgamento do ego para o julgamento do Espírito Santo de que todos estão pedindo amor ou expressando amor.

É essencial que primeiro nos treinemos – e Um Curso em Milagres é esse programa de treinamento – para olhar para o sistema de pensamento do ego.

Este não é um curso de negação ou de fazer crer que coisas terríveis não acontecem no mundo, que expressam os pensamentos terríveis que se passam na mente do Filho. Repetidamente, Jesus usa palavras muito fortes como assassinato e vicioso para descrever o sistema de pensamento do ego.

Ele não está dizendo que este é um mundo maravilhoso. Como pode ser um mundo maravilhoso se foi feito para escapar de Deus? Como pode ser um mundo maravilhoso se serve para nos proteger de modo que nunca realmente olhemos para o sonho subjacente de julgamento, que é irreal, mas que acreditamos ser real? Como pode ser um mundo maravilhoso se impede a cura?

Ao trabalhar com o Curso, queremos desenvolver uma atitude de sermos capazes de olhar com olhos abertos para o que o mundo é – seja em um nível internacional, interpessoal ou pessoal dentro de nossas próprias mentes.

O objetivo de Um Curso em Milagres é que sejamos capazes de olhar para esses pensamentos do ego sem julgamento. Quando esse julgamento acabar, quando pudermos realmente olhar para todo o ódio e especialismo em nós – a necessidade de ser tão importante, todas as exigências que fazemos para sermos tratados como se fôssemos importantes – sem nos julgarmos ou nos sentirmos culpados por esses pensamentos , sem ter medo de qualquer tipo de punição, então eles irão desaparecer porque o pensamento básico do ego é irreal.

O pensamento básico subjacente à totalidade do sistema de pensamento do ego – e que constitui a premissa básica subjacente a todo o universo físico – é um pensamento irreal. É um pensamento que diz que podemos realmente empurrar Deus e colocá-lo de joelhos, estabelecendo-nos como Deus.

E se pudermos olhar para isso pelo que é, sem julgamento, perceberemos, como o Texto diz em um ponto:

“É uma piada pensar que o tempo pode vir a lograr a eternidade, que significa que o tempo não existe” ( T-27.VIII.6:5).

Em outras palavras, a “ideia diminuta e louca” que deu origem a este mundo é apenas isso: diminuta porque é insignificante, sem poder e sem efeito, e louca porque é insana.

O ego não pode realizar o impossível. Pode nos levar a acreditar que o impossível aconteceu, mas não pode fazer com que aconteça. Mas se não olharmos para ele, não saberemos o que realmente é.

Assim, o propósito de Um Curso em Milagres é fazer com que alcancemos o ponto em que possamos realmente olhar para o ego. E quando o fizermos, ele desaparecerá como o Curso diz, de volta “no nada de onde veio…” (MP-13.1:2).

Nesse ponto, o julgamento do Espírito Santo se torna uma realidade para nós. Visto que então temos apenas o Amor de Cristo dentro de nós e experimentamos apenas o amor de Jesus por nós em nossas mentes, quando nós olhamos para o mundo, nós vemos a maneira como ele vê.

E nós entendemos, como o Texto explica, que todo ataque é realmente uma expressão de medo (T-2.VI.7:1). E por baixo do medo está o apelo ao amor que foi negado, o que significa que agora nós olhamos para o mundo e nós vemos todos pedindo amor ou expressando amor. E assim nossa resposta é sempre a mesma.

Quer você esteja me pedindo amor ou expressando amor por mim, como o seu irmão em Cristo, estender-lhe-ei amor. Eu não verei mais nenhuma diferença. As diferenças superficiais não importam para mim. Tudo o que importa é que você esteja pedindo amor ou expressando amor.

Então, o amor em mim o cumprimenta – minha resposta é sempre a mesma. Esse é o julgamento do Espírito Santo. A partir daí, o Curso explica, Deus desce e nos eleva de volta a Ele enquanto todo o sonho desaparece.

Novamente, o que permite que esses terceiro e quarto passos – o julgamento do Espírito Santo e o Julgamento Final de Deus – ocorram é este segundo passo de olhar sem julgamento para o sistema de pensamento do nosso ego, com toda a sua feiura, maldade e indelicadeza.

Mas olhamos para ele com um sorriso que diz que esses pensamentos não têm efeito sobre Quem eu sou, nenhum efeito sobre o meu relacionamento com Jesus e, portanto, nenhum efeito sobre o meu relacionamento com Deus.”

Parte II – O sonho que perdoa (T-29.IX)

O autor analisa e explica didaticamente a seção IX “O sonho que perdoa” do Livro Texto, capítulo 29, onde os 4 tipos de julgamentos são abordados.

O escravo de ídolos é um escravo voluntário (T-29.IX.1:1).

“Esta parte do Texto fala muito sobre ídolos. Em Um Curso em Milagres, um ídolo é simplesmente outro termo para o ego e seus objetos de especialismo. Em outras palavras, é algo que não é verdadeiro ao qual atribuímos valor e realidade.

Pois ele tem que estar disposto a se inclinar em adoração diante do que não tem vida e a buscar poder no que não tem poder (T-29.IX.1:2).

Claramente, isso está falando sobre o sistema de pensamento do ego. O sistema de pensamento do ego não tem vida porque está fora da Vida de Deus e não tem poder porque está fora do poder de Deus.

Claro, o ego dentro de seu sonho acredita que roubou a vida de Deus, de modo que agora o ego (o Filho de Deus separado) tem vida e Deus não tem nenhuma.

O ego também acredita que roubou o poder de Deus para criar e agora ele tem esse poder e Deus não. Isso é o que Jesus está se referindo aqui como o ídolo.

O que aconteceu ao santo Filho de Deus para que esse pudesse ser o seu desejo, para que ele se deixasse cair e descer ainda mais baixo do que as pedras do chão e ficasse procurando ídolos para que eles o levantem? (T-29.IX.1:3)

Jesus basicamente está perguntando como tudo isso começou: como poderíamos terminar na situação em que nos encontramos, em que nós negamos a nossa realidade como Cristo, nós negamos nosso poder e nós negamos o Amor de Deus?

Em nossa pecaminosidade e culpa, caímos “mais abaixo do que o normal” por causa dessa terrível crença sobre nós mesmos. E então nós olhamos para algo fora de nós para nos ajudar, para nos fazer sentir melhor.

Esse é o propósito dos ídolos do especialismo: eu acredito que Deus não pode me ajudar, mas esta pessoa especial, esta característica especial, este evento especial ou este objeto especial no mundo pode me fazer sentir bem, elevando-me acima do estado manso em que caí.

Ouve, então, a tua história no sonho que fizeste e pergunta a ti mesmo se não é verdade que acreditas que isso não é um sonho (T-29.IX.1:4).

Jesus está falando conosco como indivíduos, mas também está falando conosco como uma mente egóica coletiva que criou esta história. Ele está dizendo (uma vez que você classifique todos os negativos) que devemos nos perguntar de uma forma honesta se é nisso que realmente nós acreditamos. Nós realmente acreditamos que este mundo é realidade.

Existe uma parte forte de nós, não importa o quanto tenhamos estudado este Curso e afirme que acreditamos nele, que não acredita que este mundo é um sonho.

E podemos reconhecer isso na medida em que observamos as nossas mentes se encherem de julgamentos; todas as pequenas coisas do mundo pelas quais nós somos atraídos; todos os ódios mesquinhos e ressentimentos aos quais nos agarramos; todas as coisas mesquinhas que consideramos símbolos de injustiça; todas as coisas especiais que nós queremos para nós mesmos e para os outros, etc.

Todos esses pensamentos deixam muito claro o quanto nos identificamos com esse sonho e o tornamos realidade. Ele diz isso repetidamente em muitos lugares diferentes. É extremamente importante prestar atenção a isso, porque ele está nos dizendo que, sim, nós acreditamos que este mundo é uma realidade e, sim, nós acreditamos que matamos Deus e que o especialismo nos dará o que queremos.

“As leis do caos” (T-23.II) constitui provavelmente a declaração mais forte em Um Curso em Milagres sobre o sistema de pensamento do ego em toda a sua insanidade. E naquela seção, depois de descrever as cinco leis do caos, Jesus diz que podemos insistir que não acreditamos nelas, mas “Irmão, tu acreditas nelas”, afirma (T-23.II.18:3).

Acreditamos que essas leis realmente valem. E acreditamos que o mundo que se baseia nessas cinco leis do caos está realmente lá. Portanto, é extremamente importante não cair na armadilha de insistir que estamos livres de todos os julgamentos apenas porque fizemos o Livro de Exercícios ou estudamos o Curso por cinco, dez ou quinze anos.

O sistema de pensamento do ego não é simplesmente fácil de derrubar, porque ele [o ego] não apenas contém todos os pensamentos de julgamento, ele [o ego] é o pensamento de julgamento.

E enquanto nos identificarmos como um ser separado com a nossa própria personalidade e corpo que está separado de outros corpos, estaremos acreditando na totalidade do sistema de pensamento do ego.

Novamente, não é apenas que nós acreditamos em um sonho de julgamento, nós acreditamos que somos esse sonho de julgamento. E nós sabemos que somos um sonho de julgamento porque nos identificamos como uma das figuras desse sonho de julgamento.

Agora Jesus vai nos contar uma história, como um irmão mais velho contando a seu irmão e irmã uma história do mundo.

Um sonho de julgamento entrou na mente que Deus criou tão perfeita quanto Ele próprio. [É quando a “ideia diminuta e louca” pareceu surgir.] E nesse sonho, o Céu virou inferno e fez-se de Deus um inimigo para com Seu Filho (T-29.IX.2:1-2).

Naquele sonho, nós realmente acreditávamos que éramos diferentes de Deus, que tínhamos uma consciência que poderia se experienciar em relação a Deus e em oposição a Ele. Nesse ponto, o Céu e Deus desapareceram.

Se o Céu e Deus são o estado de perfeita Unidade e perfeita Unicidade e agora eu começo a me sentir diferente e essa diferença é real, então o Céu deve desaparecer porque neguei a realidade básica do Céu. Isso é o que significa “o Céu agora se transformou em inferno” e por que Deus se tornou o inimigo.

Antes desse pensamento de diferenças, Deus e Cristo estavam perfeitamente unidos. Uma vez que o pensamento de separação surge, nós acreditamos que nos separamos de Deus. Roubamos a nossa identidade Dele e agora Deus está em pé de guerra e quer roubá-la de volta de nós. Agora o Deus de Amor se tornou um Deus de vingança. Este é o começo do sonho de julgamento.

Como pode o Filho de Deus despertar do sonho? É um sonho de julgamento. Assim é preciso que ele não julgue e despertará (T-29.IX.2:3-5).

Isso parece muito bom e fácil. Mas, como você sabe por seu trabalho com o Curso, dificilmente é tão fácil. Se este é um sonho de julgamento baseado em diferenças, então para despertar desse sonho e voltar para a casa que nunca deixamos, obviamente nós devemos desistir do julgamento.

O problema é que não temos consciência de que estamos julgando. Não temos consciência por causa do poder de nossas defesas. Essa é a chave para compreender o perdão.

É muito fácil dizer que desistiremos do julgamento; mas não sabemos o que realmente estamos dizendo, porque não sabemos o quanto julgamos. Não sabemos o quanto realmente nós somos filhos do especialismo e o quanto o nosso especialismo nos mantém em movimento, dia após dia.

O especialismo é o ar que respiramos, o princípio que nutre todos os nossos relacionamentos. O especialismo governa cada coisa que fazemos neste mundo. O problema é que não temos consciência disso porque não o vemos em nós mesmos; nós vemos isso fora de nós mesmos.

Sempre que nos descobrimos ficando na defensiva sobre qualquer coisa ou experimentando uma resistência em fazer ou dizer qualquer coisa ou estar com alguém, há algum especialismo oculto, algum julgamento oculto que não queremos ver.

Toda atitude defensiva – sempre que sentirmos o nosso corpo físico ou psicológico se contrair – diz que nos sentimos ameaçados por uma ameaça externa ao nosso especialismo. Existe um pensamento de julgamento em nossas mentes que nós não queremos olhar. O problema não é o pensamento de julgamento; a verdade é que não há pensamento de julgamento. A coisa toda é inventada.

O problema é que acreditamos que existe um pensamento de julgamento. E uma vez que acreditamos que existe um pensamento de julgamento, nos sentiremos culpados por isso. E uma vez que nos sentimos culpados por causa disso, nós devemos negar e projetar para que possamos vê-lo do lado de fora. Isso é extremamente importante.

O problema não é o sistema de pensamento do ego. O problema não é todo o especialismo. O problema não são todos os julgamentos que fazemos. Não existe um sistema de pensamento do ego. Não há pensamento de especialismo. Não há julgamento. O problema é que nós acreditamos que existe. E uma vez que acreditamos nisso, nós nunca mais olhamos para dentro de nossas mentes. Em vez disso, nós criamos o corpo e o mundo para que pudéssemos concentrar toda a nossa atenção fora da mente no corpo, nos outros corpos que parecem existir fora de nós e no mundo em que todos os corpos parecem existir.

A verdade é que não existe mundo lá fora; o mundo é um pensamento inventado para ocultar outro pensamento inventado. Mas se não olharmos para o pensamento original inventado, nunca saberemos que ele não está lá.

Isso não significa que nós devemos olhar para o pensamento original de atacar a Deus. Tudo o que temos a fazer é olhar para o pensamento dentro de nossas mentes que diz: “Eu existo como uma pessoa separada; eu sou importante e todos os outros são meus inimigos.” Mas ninguém quer olhar para isso. É por isso que tentamos nos convencer de que este é um mundo amável e amoroso, com todas essas pessoas amáveis ​​ao redor e as pessoas mais amáveis ​​de todas são estudantes de Um Curso em Milagres.

Participe de uma reunião de grupo de Um Curso em Milagres e você conhecerá a ilusão dessa declaração. O problema é a negação. Nós acreditamos que porque nós estudamos um livro sobre amor, então nós somos criaturas de amor e porque nos juntamos a outras pessoas que estão estudando este livro sobre amor, então nós somos todos filhos do amor.

Tudo o que estamos fazendo é empurrando para baixo todos os pensamentos de ódio, especialismo, competição, ciúme e assassinato que nós não queremos ver. Mas se nós não olharmos para eles, nós continuaremos a acreditar que são reais.

Novamente, o problema não são os pensamentos de especialismo. Não existem pensamentos de especialismo, mas existe a crença de que existem. E uma vez que nós aceitamos a crença, nós temos que protegê-la. É aí que começa o sistema defensivo. E o mundo foi literalmente feito como uma forma de nos defendermos de olhar para dentro, para as nossas próprias mentes.

A coisa mais difícil de fazer é olhar para dentro. Jesus deixa isso claro em muitas passagens do Curso. Duas seções específicas – “Olhar para dentro” (T-12.VII) e “O medo de olhar para dentro” (T-21.IV) – enunciam isso claramente, mas o ponto é expresso em todo o Curso. Pois se olhássemos para dentro, perceberíamos que nada existe – exceto o Amor de Deus.

Não há nada do ego porque não há ego. O problema não é o sistema de pensamento do ego. O problema é a parte da mente dividida, a que geralmente me refiro [Dr. Wapnick] como o tomador de decisões, que acredita que existe um sistema de pensamento do ego e, portanto, acredita que ele deva ser defendido.

Portanto, os julgamentos que faço contra você, tornando as diferenças importantes e reais, são na verdade uma projeção do julgamento que fiz contra mim mesmo por tornar real a diferença entre eu mesmo e Deus. E eu insisto em fazer julgamentos contra você porque isso me protege de realmente olhar para o julgamento que fiz contra mim mesmo.

Tudo o que aconteceu é que adormeci, tive um sonho em que eu sou diferente de Deus e julguei pecaminoso aquele sonho de julgamento. E então eu disse que preciso de outro sonho – o mundo – para me defender do primeiro sonho. Depois de ter feito o sonho do mundo, eu acredito que preciso de mais sonhos para me proteger de todos os sonhos anteriores de julgamento. E então eu nunca volto ao sonho original de julgamento contra Deus.

Portanto, a coisa mais difícil de fazer no mundo é parar de julgar:

“Assim é preciso que ele não julgue e despertará.” (T-29.IX.2:5)

O problema, novamente, é que nós não temos consciência de que estamos julgando.

Você está entendendo equivocadamente este curso se pensa que é um curso sobre qualquer coisa que não seja olhar para o seu ego e sorrir para ele: olhar para o ego com o amor de Jesus ou do Espírito Santo ao seu lado e perceber que não há nada lá.

Mas você deve olhar, o que significa que você deve entrar em contato com a parte de sua mente que é tão resistente e aterrorizada para olhar para todo o especialismo. Este não é um curso sobre amor. Aqueles de vocês que são relativamente novos no Curso podem evitar cometer esse erro e cair na armadilha de pensar que este é um curso sobre amor – não é.

Ele é um curso sobre como olhar para o especialismo com esta Pessoa de amor – Jesus ou o Espírito Santo – ao nosso lado.

Uma vez que possamos fazer isso, o especialismo desaparece, a defesa vai, a necessidade de se defender contra o especialismo vai e tudo o que resta é o amor, que automaticamente se estende através de nós.

Tudo o que temos a fazer é olhar para o especialismo sem julgamento. Mas isso é muito difícil, porque toda a nossa existência como indivíduos é baseada na noção de que existe um pensamento de julgamento em nossas mentes que é tão assustador que, se algum dia olharmos para ele, nós seremos destruídos. E então faremos qualquer coisa, exceto olhar para ele.

Pois o sonho parecerá durar enquanto ele faz parte do sonho (T-29.IX.2:6).

Enquanto acreditamos que nós somos criaturas de julgamento, enquanto acreditamos que nós fazemos parte desse pensamento de ser separado de Deus, então o sonho parecerá existir, porque o sonho nada mais é do que uma projeção deste pensamento.

Não julgues, pois aquele que julga terá necessidade de ídolos que arcarão com o julgamento impedindo que o mesmo caia sobre ele.

Basicamente, é disso que eu estou falando [Dr. Wapnick]. Em resumo, Jesus está nos dizendo para não julgar. Quando nós julgamos, primeiro nós estamos julgando a nós mesmos. Nossa culpa por isso é tão grande que nós temos que projetá-la e fazer um ídolo, para que possamos ver o pecado e a culpa repousando sobre o ídolo e não sobre nós mesmos.

Mas não é nada mais do que uma projeção de nosso próprio ego. Na linguagem popular, um ídolo geralmente é uma imagem de Deus. Bem, o ego se faz Deus, como um pensamento, então o projeta, dá a ele um corpo, uma forma e o adora. Basicamente, esse é o ídolo do especialismo ou julgamento.

Cada um de tem a necessidade de ídolos “que arcarão com o julgamento impedindo que o mesmo caia sobre ele”. Portanto, em vez de olhar para a nossa própria culpa, que é o nosso julgamento de nós mesmos, a nossa culpa agora repousa sobre outra pessoa.

É por isso que tivemos que criar um mundo em primeiro lugar. Como o Livro de Exercícios diz em um ponto, “o ódio é específico” (LE-pI.161.7:1) e “assim foi feita a especificidade” (LE-pI.161.3:1). Precisávamos ter algo fora de nós que acreditássemos ser a realidade na qual pudéssemos projetar a nossa culpa.

É por isso que criamos um Deus colérico e vingativo, um Deus de especialismo. É por isso que criamos um mundo cheio de pessoas, para que pudéssemos encontrar alguém para culpar.

Mas o julgamento não está realmente no mundo fora de nós, porque no final não há mundo fora de nós. O julgamento que faço sobre você é realmente a projeção do julgamento que faço sobre mim mesmo. Mas eu tenho que olhar para a minha necessidade de ter esse julgamento.

E assim também não poderá conhecer o Ser que ele condenou (T-29.IX.2:8).

Portanto, eu não só não sei quem você é, mas certamente eu não conheço o Cristo que eu sou, porque eu disse que o Filho de Deus, como eu realmente sou, não existe mais.

Quando eu me separei de Deus e transformei a dualidade em verdade, transformei a unidade de Deus e Cristo em uma ilusão, o que significa que Deus e Cristo ambos desapareceram. Então eu acredito que ataquei Deus e Cristo e Os condenei. Mas eu nunca me lembrarei de que inventei tudo isso, porque eu acredito que essa realidade é tão ameaçadora que nunca mais devo olhar para ela.

Assim eu continuo me protegendo repetidamente por nunca olhar para a culpa em minha mente. E a resposta para tudo isso é realmente olhar para o fato de que estou inventando tudo. Mas não saberei que eu estou inventando tudo até olhar para ela.

Não julgues, porque fazes de ti mesmo uma parte dos sonhos maus, onde ídolos são a tua “verdadeira” identidade [verdadeira está entre aspas, porque obviamente não é quem nós somos] e a tua salvação do julgamento é colocada sobre ti no terror e na culpa (T-29.IX.2:9).

Novamente, começamos com aquele pensamento básico de julgamento: Eu traí e abandonei o Amor de Deus. Eu dei as costas a ele, usurpei-o, roubei-o. E a culpa é tão avassaladora sobre o que eu fiz que automaticamente leva ao terror de que Deus ou o Amor vai me atacar de volta.

Então, para escapar, eu pego toda a culpa e terror e os projeto fora de mim e faço um ídolo. Eu digo que algo fora de mim atacou. Não fui eu que fiz isso; outra pessoa o fez; outra pessoa é o assassino.

E tudo o que temos a fazer é olhar para todo este cenário pelo que ele é.

…continua Parte II…

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Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenharia Operacional Química. Graduação: Engenharia de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Blog Projeto OREM® - Oficinas de Reprogramação Emocional e Mental que aborda os temas em categorias: 1) Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono. 2) A Profecia Celestina. 3) Um Curso em Milagres (UCEM). 4) Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Pesquisador Independente sobre a Espiritualidade Não-Dualista como Proposta de Filosofia de Vida para os Padrões Ocidentais de Pensamento e Comportamento (Pessoais e Profissionais). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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