Paralelos e Diferenças Entre EQMs e Um Curso em Milagres

… continuação da Parte I …

Nessa seção, nós [os autores do artigo] examinamos a relação entre as filosofias implícitas ou diretamente declaradas nas EQMs e no Curso, sob vários títulos categóricos.

Em cada categoria, nós forneceremos primeiro algumas citações representativas de ambos os lados. Como não encontramos na literatura profissional um estudo sistemático da filosofia revelada nas EQMs, nós não temos como documentar o quão representativa uma determinada citação de EQM pode ser.

Tudo o que nós podemos dizer neste ponto é que as citações que selecionamos nos parecem estar dentro da faixa do que muitas pessoas que passaram por uma EQM – uma conclusão que foi apoiada por revisores deste artigo que são especialistas no campo dos estudos de quase-morte. (J. Holden, comunicação pessoal, 2 de outubro de 2014; J. Long, comunicação pessoal, 2 de outubro de 2014; B. Greyson, comunicação pessoal, 7 de outubro de 2014).

Os relatos de EQM serão indicados pelo nome do experienciador e as passagens do Curso pela palavra ‘Curso’.

Em seguida, nós tentaremos capturar os paralelos que vemos, na forma de um resumo composto, impresso em itálico. Em cada um desses resumos, nós compomos cuidadosamente cada elemento para refletir com precisão as EQMs e o Curso.

O espaço não nos permite sustentar todos os detalhes com aspas, porque cada frase em nosso relato dos paralelos é baseada em uma série de EQMs e um padrão de passagens do Curso.

Nós esperamos, no entanto, que os exemplos que fornecemos sugiram a veracidade geral de nossos resumos.

Finalmente, quando aplicável, nós exploraremos diferenças notáveis ​​que vemos entre os dois.

A Natureza de Deus

Citações Representativas

Peggy: Eu clara e instantaneamente soube que a luz não era apenas uma Luz, mas estava VIVA! Ela tinha uma personalidade e uma inteligência além da compreensão … Eu sabia que a luz era um ser. Eu também sabia que o ser de luz era Deus e não tinha gênero….

Lembro-me vividamente da parte em que a luz fez o que parecia ser ligar uma corrente de AMOR puro, não diluído, concentrado e incondicional. Este amor que experimentei na luz era tão poderoso que não pode ser comparado ao amor terreno, embora o amor terreno seja uma versão muito mais suave. É como saber que o melhor amor que você sente na terra está diluído em cerca de uma parte por milhão da coisa real. (Ring, 2006, pp. 44, 46)

Curso: Não podes compreender o quanto o teu Pai te ama, pois não há nenhum paralelo na tua experiência do mundo que te ajude a compreender isso. Não há nada na terra que possas comparar a isso e nada que jamais sentiste, à parte Dele, se parece com isso nem de leve (T-14.IV.8:1-5).

Beverly Brodsky: Aqui, eu experimentei, em inefável magnificência, a comunhão com o Ser de Luz. Agora eu estava preenchida não apenas com todo o conhecimento, mas também com todo o amor. Era como se a luz fosse derramada dentro e através de mim. Eu era o objeto de adoração de Deus; e de Seu/nosso amor extraí vida e alegria além da imaginação. Meu ser foi transformado; as minhas ilusões, pecados e culpa foram eliminados sem pedir; e agora eu era Amor, Ser primordial e bem-aventurança. E em certo sentido, eu permaneço lá, pela Eternidade. Essa união não pode ser quebrada. Sempre foi e será. (Ring, 2006, p. 299)

Wan I: A paz e o conforto pareciam ser abraçados ou agarrados por um amante e a calma era como a sensação de deitar nos braços de seu/sua amante depois de fazer amor com alguém especial. A sensação de segurança que isso deu foi quase aquela suave [espécie?] de sensação de segurança e conforto que tínhamos quando éramos apenas uma criança sendo abraçados e carregados nos braços de nossos pais. (I., sem data)

Curso (de uma oração que dizemos a Deus): …E todas as minhas tristezas terminam no abraço que prometeste ao Teu Filho, que pensou equivocadamente ter-se perdido da proteção segura dos Teus Braços amorosos (LE.pII.317.2:5).

Analisa D: De repente, eu estava de alguma forma sendo puxado(a?) para essa luz e era o sentimento mais indescritível de paz e amor que eu já experimentei. (D., sem data)

Curso: Você esteve eternamente fixado em Deus em sua criação e a atração dessa fixação é tão forte que você nunca a superará (A Course in Miracles – Original Edition [versão Edição Original de UCEM] – T.5.IX.89).

Paralelos

Os seguintes paralelos são baseados na ideia de que “a Luz” que as pessoas que passaram por uma EQM geralmente reportam pode ser aproximadamente identificada como Deus, mesmo que não se encaixe nas concepções tradicionais de Deus.

Seguindo a prática do Curso e de muitas pessoas que passaram por uma EQM, usaremos o tradicional “Ele” para se referir a Deus, no entendimento de que estamos apenas usando uma convenção cultural para se referir a algo que o Curso (Mackie, 1993) e a maioria das pessoas que passaram por uma EQM indicam estar além do gênero.

Nós poderíamos facilmente ter usado “Isso” [pronome it em inglês, gênero neutro], que nos parece ser o pronome mais comum usado por pessoas que passaram por uma EQM.

Deus não é o Deus tradicional. “Ele” não tem gênero, corpo e ego humano e os seres humanos são inerentemente um só com ele. Deus é mais bem representado como uma vasta luz, mais brilhante do que qualquer luz na terra.

No entanto, Deus também não é um oceano impessoal de consciência. Ele ainda é o criador e claramente tem características pessoais: ele fala, interage, pensa, sente e tem intenções.

Acima de tudo, Deus é incondicionalmente amoroso, não tendo nenhum lado raivoso ou punitivo.

Pode-se descrever o amor de Deus como sendo uma versão mais intensa e abrangente do amor terreno, mas esse amor excede tão incomensuravelmente o amor terreno que é mais correto dizer que nenhuma comparação é possível.

Como resultado, aproximar-se de Deus não significa chegar com medo a um Deus que exige adoração e que julgará as pessoas por suas transgressões. Em vez disso, é uma experiência de deixar para trás todo medo e toda dor.

Os indivíduos sentem uma atração ou “puxão” irresistível que os atrai para Ele.

A presença de Deus parece ser familiar para eles, como se já tivessem estado lá antes. Na verdade, parece que eles estão voltando para casa após uma longa viagem em um país estrangeiro.

Em vez de ser julgado por suas transgressões, Deus vê os seus erros como meras experiências de aprendizado no processo de voltar para casa com Ele, o que não diminui em nada o Seu amor por eles.

À medida que as pessoas alcançam Deus, elas se sentem envolvidas em Seu abraço, que não é físico, mas é como estar envoltas em puro amor, segurança e proteção.

No final das contas, eles se fundem em uma unicidade completa com Ele. Nessa união, Deus revela todo o conhecimento para eles, nada retendo do que Ele conhece.

No processo de união, os indivíduos podem temer a perda da identidade, mas esse medo não é válido, pois eles retêm a essência da identidade pessoal e a união com Deus é a felicidade suprema, a realização perfeita de todos os desejos.

Como resultado, deixar a presença de Deus pode ser uma experiência intensamente dolorosa, resultando em profunda tristeza, dor de cabeça e saudades de casa.

Diferenças

A única discrepância possível que podemos ver entre o Curso e as EQMs neste ponto é que a Luz que é encontrada na maioria das EQMs, em termos do Curso, teria que ser entendida como Deus se comunicando por meio do Espírito Santo.

Essa distinção ocorre porque a Luz muitas vezes fala às pessoas que passaram por uma EQM sobre as suas vidas, porém no Curso, Deus como Deus existe em um nível puramente sem forma e embora Ele esteja ciente da essência da condição humana na terra, Ele não está diretamente ciente das especificidades de nossas vidas.

Ele fala às pessoas sobre esses detalhes, mas apenas por meio do Espírito Santo, uma extensão de Deus que o Curso chama de “Voz por Deus” ou simplesmente “Voz de Deus”.

Essa distinção pode parecer uma diferença com as EQMs, mas há EQMs nas quais uma distinção sutil, mas importante, é feita entre a Luz e Deus.

Por exemplo, na famosa EQM de Pam Reynolds, um companheiro espiritual disse a ela que “a luz é o que acontece quando Deus respira” (Broome, 2002). E Jayne Smith disse: “Eu não pensei que a luz em si fosse necessariamente Deus … Mas eu sei que essa luz é uma parte de Deus, ou uma parte do que Deus emite” (Smith, 2008).

Essas observações parecem bastante consistentes com o Curso.

Verdadeira Identidade Humana

Citações Representativas

D.S. Weiler: Ele [‘o Criador’] me viu como um ser lindo, perfeito, brilhante, vivo, cheio de amor e paz, cheio de alegria. Eu me vi, mas me vi assim, um ser de luz dourada e amor. Eu amei ser eu pela primeira vez que me lembro.

Eu era perfeito assim como eu era. Não havia nada que eu pudesse fazer para me tornar melhor. Eu era tão amoroso e lindo através de seus ‘olhos’. O nosso eu é feito de amor e o amor que nós somos brilha como um sol ali. Eu! Eu estava linda(o?)! Ele [Isso / Deus] não apenas me disse isso, mas me mostrou. Eu me vi.

Eu vi a verdade do que eu era. Eu fiquei repleto com a alegria no conhecimento que eu era um ser amoroso e que eu amava o ser que que me mostrava o amor em mim mesmo(a?). (Weiler, 2007)

Curso: O meu Ser é mais santo do que todos os pensamentos de santidade que eu agora concebo. O seu cintilar e a sua perfeita pureza são muito mais brilhantes do que qualquer luz que eu jamais contemplei. O seu amor é sem limites, com uma intensidade que contém em si mesma todas as coisas na calma da certeza que habita em quietude. A sua força não vem dos impulsos ardentes que movem o mundo, mas do infinito Amor do próprio Deus (LE.pII.252.1:1-4).

Curso: Eu sou um só Ser, unido ao meu Criador, em unidade com todos os aspectos da criação, e ilimitado em poder e paz (LE.pI.95.11:2).

Curso: Despertarei do sonho de que sou mortal, falível e cheio de pecado, e saberei que sou o Filho perfeito de Deus (LE.pI.121.13:7).

Curso: No entanto, nada do que ele possa fazer pode se comparar, mesmo de leve, à gloriosa surpresa de lembrar Quem ele é (MP.25.1:5).

Paralelos

Enquanto com Deus, o ser humano descobre quem realmente é. Embora em certo sentido permaneçam distintamente eles mesmos (em oposição a se dissolverem em um reservatório universal), eles percebem que não são seu corpo, que é apenas uma vestimenta temporária que usam, um veículo que usam.

Eles também percebem que não são a sua identidade terrena, com todas as suas falhas e erros. Isso é apenas uma ilusão, uma ficção com a qual eles habitualmente se identificavam, mas nunca realmente foram.

Eles descobrem que são algo muito maior do que jamais suspeitaram, que são um espírito infinito, uma criação perfeita de Deus, sem falhas ou pecados de qualquer espécie.

O amor de Deus é a própria substância de seu ser. A sua verdadeira identidade não tem limites, sendo um com Deus e com tudo o mais.

No entanto, em algum sentido paradoxal, eles ainda são um “indivíduo”.

Essa descoberta de seu verdadeiro eu é alegre além das palavras e fornece a base para uma autoaceitação total e incondicional, bem como uma imunidade saudável aos julgamentos dos outros.

O Reino Espiritual

Citações Representativas

Lisa: De repente, eu me lembrei desse lugar. Esta era a minha casa, o lugar que realmente era minha casa e me perguntei como poderia ter esquecido disso. Eu senti como se depois de uma longa e difícil jornada em um país estrangeiro eu finalmente tivesse voltado para casa e o ser de luz que estava lá antes de mim era o ser que me conhecia melhor do que qualquer outro na criação. (Lisa, sem data)

Curso: Volta para casa. Não encontraste a tua felicidade em lugares estranhos e em formas alheias que nada significam para ti, embora tenhas buscado torna-los significativos. Não pertences a esse mundo. És um estranho aqui (LE-pI.200.4:1-4).

Jayne Smith: E o tempo todo em que estive nesse estado, parecia infinito. Foi atemporal. Eu era apenas um ser infinito em perfeição. E amor e proteção e segurança e sabendo que nada poderia acontecer com você e você está em casa para sempre. (Ring, 2006, p. 274)

Curso: Oh, meus irmãos, se apenas conhecessem a paz que os envolverá e os manterá seguros e puros e belos na Mente de Deus, não fariam outra coisa senão correr para encontra-Lo, lá onde está o Seu altar (ET-4.8:1).

Pessoa que passou por uma EQM: O sentimento apenas se tornou mais e mais e mais extático e glorioso e perfeito…. Se você pegar as mil melhores coisas que já aconteceram com você em sua vida e multiplicar por um milhão, talvez você possa chegar perto desse sentimento. (Ring, 1999)

Curso: Tenta lembrar-te daquele tempo, – talvez um minuto, talvez menos – em que nada vinha interromper a tua paz, quando estavas certo de ser amado e de estar em segurança. Depois, tenta fazer um retrato em tua mente de como seria se esse momento fosse estendido até o final dos tempos e até a eternidade. E, então, deixa que a sensação de quietude que sentiste seja cem vezes multiplicada e em seguida multiplicada cem vezes mais. Agora, tens uma ideia, nada mais do que um leve indício do estado em que a tua mente descansará quando a verdade vier (LE-pI.107.2:3-5, 3:1).

Ray Kinman: Todos os Seres estavam cantando essa música incrivelmente linda e louvando a Deus. (Atwater, 2007, p. 36)

Curso: O que é o Céu senão uma canção de agradecimento, de amor e de louvor por todas as coisas criadas à Fonte da sua criação? (T-26.IV.3:5)

Paralelos

O reino espiritual – sendo, na verdade, o ambiente natural dos humanos – é muito mais adequado aos seres humanos do que o reino terreno. A essência do reino espiritual, junto com tudo nele, é o amor.

Nesse reino, as pessoas existem em um estado natural de profunda paz, alegria e amor. A sua felicidade pode ser comparada ao momento mais feliz na terra, multiplicado milhares ou milhões de vezes.

Nesse reino, eles não estão sujeitos às vicissitudes de um corpo físico nem às limitações de espaço. Eles também não estão sujeitos ao processo linear do tempo. Em vez disso, existe apenas o eterno agora, no qual tudo acontece ao mesmo tempo.

As suas mentes são imensamente expandidas, sendo capazes de abranger muito mais do que eles podem enquanto limitados por um cérebro.

Este reino é permeado por música de beleza sobrenatural e transcendente, às vezes descrita como um louvor coletivo a Deus.

Os relacionamentos no reino espiritual também não estão sujeitos às mesmas limitações que estão na terra. As pessoas experimentam uma profunda sensação de conexão íntima com os outros, junto com a sensação de tê-los conhecido e amado para sempre.

Não existem estranhos; os relacionamentos são com uma constelação muito maior do que as poucas que são conhecidas na terra.

A comunicação com os outros é direta, mente a mente e, portanto, livre da distância e dos mal-entendidos da comunicação física.

Existem anjos lá. Jesus é uma figura-chave lá também e o senso de relacionamento com ele também é próximo, familiar e natural.

O reino espiritual é o verdadeiro lar dos seres humanos, o lugar de onde vêm e para onde voltarão. É, portanto, familiar para eles; eles se lembram de estar lá.

Comparado a isso, a vida em um corpo físico na terra é sufocante e antinatural, como estar em uma prisão.

Diferenças

Uma possível diferença entre as concepções de EQM e de UCEM do reino espiritual é que, no Curso, o Céu é absolutamente sem forma e qualquer coisa fora dessa ausência de forma é uma ilusão.

Portanto, uma paisagem de EQM não física de bela flora e formas humanas radiantes seria um sonho – um sonho coletivo que está claramente mais próximo da realidade, mas ainda é um sonho.

Isso, de fato, é como o Curso classificaria o reino da vida após a morte que vimos descrito anteriormente com as palavras “ar mais livre e clima mais suave”.

Embora muitas pessoas que passaram por uma EQM percebam que a vida terrena foi um sonho (como discutiremos em breve), não está claro para nós se eles identificam qualquer domínio não físico que ainda contém a forma como sendo também um sonho. Caso contrário, seria uma diferença significativa.

A Natureza do Mundo

Citações representativas

Peggy: A luz me mostrou que o mundo é uma ilusão. Tudo o que me lembro sobre isso é olhar para baixo [para o que ela considerou ser a terra] … e pensar: “Meu Deus, não é real, não é real!” Era como se todas as coisas materiais fossem apenas “adereços” para as nossas almas. (Ring, 2006, p. 45)

Curso: O mundo que vês é uma ilusão de um mundo (ET-4.1:1).

Curso: Não há nenhum mundo! Esse é o pensamento central que o curso tenta ensinar (LE-pI.132.6:2-3).

Anita Moorjani: Parecia que o mundo inteiro era apenas uma culminação dos pensamentos e crenças do coletivo. Ou seja, a culminação dos pensamentos e crenças de todos. Parecia que nada era realmente real, mas tornamos isso real com as nossas crenças. (Moorjani, 2006)

Curso: Condições externas são produzidas pelos pensamentos de muitos, nem todos os quais são puros de coração ainda (UCEM-Urtext T-2.N 5:78.Ur 72:1-3).

Ingrid: Durante a EQM de Ingrid, seu anjo da guarda disse a ela que tudo o que aconteceu com ela fazia parte do programa de teste da Terra e que, em um sentido muito real, a Terra é uma escola onde as pessoas têm que passar em certos testes antes de poderem avançar para a próxima série. (Lundahl & Widdison, 1997, p. 60)

Curso: …o Espírito Santo, que reinterpreta os feitos do ego, vê o mundo como um instrumento de ensino para trazer-te para casa (T-5.IV.11:1).

Beverly Brodsky: Eu de fato me lembro disso: havia uma razão para tudo o que aconteceu, não importa o quão horrível parecesse no reino físico … Na verdade, parece que tudo o que acontece tem um propósito e esse propósito já é conhecido para o nosso ser eterno. (Ring, 2006, p. 298)

Curso: O que deixarias de aceitar se apenas soubesses que tudo o que acontece, todos os eventos, passados, presentes e por vir, são gentilmente planejados por Aquele Cujo único propósito é o teu bem? (LE-pI.135.18:1)

Curso: Todas as coisas são lições que Deus quer que eu aprenda (LE-pI.193.Título).

Paralelos

O mundo físico é uma ilusão. O que acontece na terra, portanto, não acontece realmente.

Os “pecados” que as pessoas cometem não contaminam a sua identidade real.

As coisas prejudiciais feitas a eles realmente não os prejudicam nem comprometem o seu relacionamento real com aqueles que as fazem.

A morte aqui também é uma ilusão; não há morte.

O próprio mundo, incluindo todos os eventos dentro dele, é uma manifestação da consciência de massa, uma projeção maleável de crenças subjetivas.

Paradoxalmente, o mundo também é uma sala de aula orquestrada por Deus, criada por Deus (UCEM: através do Espírito Santo).

Não é um lugar real, mas sim um teatro cuidadosamente construído para facilitar o aprendizado.

Há, portanto, um plano absolutamente perfeito por trás de cada detalhe, voltado para conduzir o ser humano a um objetivo último em que o seu aprendizado seja completo e ele transcenda todo sofrimento.

Portanto, tudo neste mundo acontece por uma razão; não há acidentes.

O futuro é um roteiro já escrito, incluindo as pessoas específicas a serem encontradas – mas os indivíduos podem afetar a sua experiência interna e jornada externa por meio de sua própria escolha.

Diferenças

Embora existam paralelos notáveis ​​entre UCEM e EQMs no assunto do mundo, é aqui que também nós vemos as maiores diferenças.

A ênfase principal do Curso está no universo físico como uma projeção de uma insanidade primordial, a manifestação de uma separação desnecessária de Deus antes que o tempo e o espaço aparecessem.

Assim, embora o Curso ensine que, uma vez que as mentes separadas fizeram o mundo, o Espírito Santo, de alguma forma, o refez (“Há um outro Fazedor do mundo” [T-25.III.4:1]) por isso que se tornou uma sala de aula para o aprendizado; o Curso também é bastante enfático que Deus como Deus não criou o mundo:

Deus não o fez. Disso podes estar certo. O que pode Ele saber do efêmero, do pecador e do culpado, do amedrontado, do sofredor e solitário, e da mente que vive dentro de um corpo que não pode deixar de morrer? Estás apenas acusando-O de insanidade ao pensar que Ele tenha feito um mundo em que tais coisas pareçam ter realidade. Ele não é louco. No entanto, só a loucura faz um mundo como esse (LE-pI.152.6:2-7).

Essa é uma ênfase claramente diferente daquela expressa nas EQMs. Muitas EQMs, por exemplo, apresentam “uma viagem extraordinária através do universo” (Beverly Brodsky em Ring, 2006, p. 298), tratada como a criação gloriosa de Deus, na qual os detalhes de seu funcionamento são revelados à pessoa que passou por uma EQM.

É impossível imaginar algo como aquela viagem no Curso, que não mostra nenhum interesse no cosmos físico, nas leis físicas ou nas ciências físicas.

O seu interesse, em contraste, está nas profundezas da mente e, de fato, mostra interesse pela ciência psicológica.

Se houvesse uma viagem análoga no Curso, portanto, seria de se esperar que fosse através do espaço interno, que revelasse os níveis e a dinâmica da mente, algo com que o Curso trata longamente.

E assim como a ênfase cósmica nas EQMs não é refletida no Curso, o foco do Curso na profundidade e nos meandros da mente parece amplamente ausente nas EQMs.

O Poder do Pensamento, Escolha, Oração e Cura

Citações Representativas

Curso: A mente é muito poderosa e nunca perde a sua força criativa. Ela nunca dorme. A cada instante está criando… Não existem pensamentos vãos. Todo pensamento produz forma em algum nível (T-2.VII.9:5-7, 13-14).

Linda Redford: A verdade foi muito sonora. Eu era responsável por cada decisão, cada ação e cada consequência para mim e para os outros. Quando eu prejudiquei outra pessoa, eu feri a minha própria alma. (Atwater, 2007, pp. 412-413)

Curso: Eu sou responsável pelo que vejo. Eu escolho os sentimentos que experimento e eu decido quanto à meta que quero alcançar. E todas as coisas que parecem me acontecer eu as peço e as recebo conforme pedi (T-21.II.2:3-5).

Anita Moorjani: Eu fui forçada a entender que, como os testes foram feitos para as funções dos meus órgãos (e os resultados ainda não foram divulgados), se eu escolhesse a vida, os resultados mostrariam que os meus órgãos estavam funcionando normalmente. Se eu escolhesse a morte, o resultado mostraria a falência de órgãos como causa da morte, devido ao câncer. Consegui mudar o resultado dos testes com a minha escolha! [Os testes acabaram não mostrando nenhuma falência de órgãos e um corpo completamente livre de câncer.] (Long, 2010, p. 184)

Curso: O paciente, sem o seu auxílio, poderia simplesmente levantar-se e dizer: “Eu não tenho nenhuma utilidade para isso.” Não há forma de doença que não seja curada imediatamente (MP-5.II.2:12-13).

Curso: Milagres fazem com que sejas capaz de curar os doentes e ressuscitar os mortos porque tu mesmo fizeste a doença e a morte, podes, portanto, abolir ambos (T-1.I.24:1).

Paralelos

Pensamentos e crenças têm um tremendo poder e importância. Pensamentos são ações. Eles nunca são insignificantes ou sem efeito.

Os seres humanos são sempre totalmente responsáveis, não apenas por seu comportamento, mas também por seus pensamentos.

Seu poder de escolha está operando o tempo todo. A liberdade de escolher o caminho a seguir é um direito dado por Deus que nada pode tirar deles.

Por meio dos pensamentos e crenças que as pessoas escolhem, elas criam as circunstâncias de sua vida e estados de saúde física.

Uma mente dominada pelo medo produz doenças. No entanto, esse mesmo poder da mente pode ser usado positivamente.

Uma mudança na mente do medo para o amor pode levar a uma cura verdadeiramente milagrosa – tanto da mente quanto do corpo.

Quando o estado de espírito que produziu uma doença desaparece, a doença pode desaparecer sem explicação médica.

Uma mente amorosa também pode curar outras pessoas. Por isso, a oração tem grande poder.

A verdadeira fonte de cura é o amor incondicional de Deus e uma mente que se conectou a esse amor pode canalizá-lo para outras pessoas com efeito curativo.

Diferenças

Uma possível diferença nesta categoria é que, embora tanto UCEM quanto as EQMs ensinem que os humanos escolhem as suas circunstâncias e estados de saúde, a sua ênfase parece diferente.

A ênfase principal do Curso é que os humanos escolhem eventos dolorosos e doenças físicas por motivos insanos. Assim, o Curso inclui afirmações como “A doença é uma defesa contra a verdade” (LE-pI.136.Título) e “A doença é a raiva descarregada no corpo” (T-28.VII.5:1).

A ênfase principal nas EQMs, entretanto, parece ser que os humanos escolhem circunstâncias e estados de saúde negativos para aprender lições espirituais com eles.

Essa diferença é provavelmente apenas uma questão de ênfase, no entanto.

Em algumas EQMs – Anita Moorjani sendo um exemplo proeminente – a doença é vista como uma manifestação de estados mentais negativos, o que soa semelhante à visão do Curso de que a doença é escolhida por motivos insanos.

Por sua vez, o Curso apresenta uma visão que soa semelhante à visão da EQM de que as circunstâncias negativas são lições espirituais: ele ensina que as provações terrenas “são apenas lições que falhaste em aprender apresentadas mais uma vez” (T-31.VIII.3:1) – lições que são “apresentadas” pelo Espírito Santo, mas com as quais as pessoas aparentemente concordaram.

Em material não incluído no Curso publicado, o autor do Curso falou sobre retardo mental como uma lição “combinada de antemão“, dizendo: “A lição envolve não apenas o próprio indivíduo, mas também os seus pais, irmãos e todos aqueles que têm relações íntimas com ele” (UCEM-Urtext 3.N 5:146.Ur 120. T 3 A 7:1-7).

Assim, embora as EQMs e UCEM tenham uma ênfase diferente, a ênfase principal em cada uma delas ecoa claramente na outra.

O Propósito da Vida na Terra

Citações Representativas

Anônimo (falando de revisão de vida): Acredite em mim, o que eu considerava sem importância na vida era a minha salvação e o que eu considerava importante era nulo. (Ring, 2006, p. 156)

Curso: Desse lado, tudo o que vês é grosseiramente distorcido e completamente fora de perspectiva. O que é pequeno e insignificante é engrandecido e o que é forte e poderoso reduzido à pequenez (T-16.VI.7:2-3).

Curso: A tua fé é colocada nos símbolos mais insanos e triviais: pílulas, dinheiro, roupa “protetora”, influência, prestígio, que gostem de ti, conhecer as pessoas “certas” e uma lista infindável de formas do nada que dotas com poderes mágicos (LE-pI.50.1:3).

Hank: Eu percebi que existem coisas que todas as pessoas são enviadas à Terra para realizar e aprender … Para descobrir que o mais importante são os relacionamentos humanos e o amor e não as coisas materialistas. (Lundahl & Widdison, 1997, p. 70)

Curso: Eu não compreendia o que significava dar e pensava em guardar o que desejava só para mim. E, ao olhar para o tesouro que pensei ter, achei um vazio onde não há nada, jamais houve e jamais haverá… No entanto, aquele que eu perdoo me dará dádivas muito além do valor de tudo na terra (LE-pII.344.1:2-3, 6).

Anônimo (um prisioneiro, falando sobre recapitulação de vida): E as únicas imagens nele eram as imagens de pessoas que eu havia ferido … Mas o mais aterrorizante nisso tudo era que cada pontada de sofrimento que eu havia causado aos outros agora era sentida por mim. (Ring, 2006, p. 160)

Minette Crow: O que fazemos a favor ou contra os outros, fazemos a nós mesmos. (Ring, 2006, p. 162)

Curso: Tudo o que faço, faço a mim mesmo. Se ataco, sofro. Mas se perdoo, a salvação me será dada (LE-pI.216.1:2-3).

Anônimo (falando sobre a revisão de vida): São as pequenas coisas – talvez uma criança magoada que você ajudou ou apenas para parar e dizer olá para um prisioneiro. Essas são as coisas mais importantes. (Ring, 2006, p. 156)

Curso: Talvez os dois estranhos no elevador sorriam um para o outro, talvez o adulto não brigue com a criança que o atropelou, talvez os estudantes venham a ser amigos. Mesmo ao nível do encontro mais casual, é possível que duas pessoas percam de vista os seus interesses separados, ainda que por apenas um momento. Esse instante será suficiente. A salvação veio (MP-3.2:5-8).

Mary Jo Rapini: E ele [Deus] disse: “Deixe-me perguntar uma coisa – você já amou outra pessoa do jeito que foi amada aqui?” E eu disse: “Não, é impossível. Eu sou um humano.” E então ele apenas me segurou e disse: “Você pode fazer melhor.” (Inbar, 2010)

George Ritchie: “O que você fez da sua vida para Me mostrar?”… A pergunta, como tudo o mais procedente Dele [Jesus], tinha a ver com o amor. O quanto você amou com a sua vida? Você amou outras pessoas como eu amo você? Totalmente? Incondicionalmente? (Ritchie, 2007, p. 64)

Curso: Tu não podes entrar em nenhum relacionamento real com nenhum dos Filhos de Deus a não ser que os ames a todos e igualmente. O amor não é especial. Se selecionas uma parte da Filiação para o teu amor, estás impondo a culpa a todos os teus relacionamentos e fazendo com que todos sejam irreais. Tu só podes amar como Deus ama. Não busques amar de modo diferente do Seu, pois não há amor à parte do Seu (T-13.X.11:1-5).

Peggy: Uma coisa que eu [aprendi] foi que TODOS nós estamos aqui para fazer uma “missão de amor” … Nossa “missão” é programada no nascimento e é exatamente a coisa ou as coisas que mais amamos. (Ring, 2006, p. 47)

Curso: A cada um Ele [o Espírito Santo] dá uma função especial na salvação que só ele pode desempenhar, um papel somente dele (T-25.VI.4:2).

Curso: Tenho um lugar especial a ocupar, um papel só para mim. A salvação [do mundo] espera até eu aceitar esse papel como aquilo que escolho fazer (LE-pII.317.1:1-2).

Paralelos

As prioridades dos seres humanos na Terra são tipicamente retrógradas. As coisas que consideram importantes tendem a ser triviais, ao passo que as coisas que consideram triviais costumam ser as mais importantes.

As suas prioridades usuais de sucesso material, riqueza, posses, status, poder, etc., estão equivocadas. Eles precisam liberar o seu apego a essas metas falsas.

O que realmente importa são os seus relacionamentos com os outros, incluindo as suas interações aparentemente insignificantes.

A vida, em última análise, não é competição, mas cooperação. O que mais importa não é como as pessoas diferem, mas o que elas têm em comum.

A questão-chave na vida é: “Eu estou sendo ofensivo ou amoroso para com os outros?” As ações dos seres humanos e até mesmo os seus pensamentos, têm um efeito significativo sobre os outros e, na verdade, sobre uma gama muito maior de outras pessoas do que eles jamais imaginaram.

Ter um efeito prejudicial sobre os outros por falta de amor é o principal erro que eles podem cometer aqui. Existe uma lei universal do amor, uma intensificação da Regra de Ouro, segundo a qual tudo o que as pessoas fazem aos outros, elas literalmente fazem a si mesmas.

Portanto, ferir os outros tem um grande impacto psicológico nas pessoas. Isso leva a profundo sentimento de culpa e indignidade.

Em última análise, esses sentimentos são inválidos, pois os seres humanos não podem manchar a pureza e o valor que Deus colocou neles. Como resultado, os seus erros são irrelevantes e não precisam causar culpa.

Mas esses erros precisam ser corrigidos – é para isso que os seres humanos existem na Terra. Na existência física, as pessoas são como crianças, no sentido de que se espera que cometam erros e é vital que aprendam com eles.

As pessoas estão na Terra para aprender a amar os outros com o mesmo amor incondicional com que Deus os ama.

Este aprendizado irá capacitá-los a aceitar e amar a si mesmos e fará de suas mentes um espelho perfeito de Deus para que possam permanecer em Sua presença.

As suas interações na terra são oportunidades cuidadosamente planejadas para dar amor. As suas dificuldades são lições pré-planejadas para aprender a amar.

Por esse motivo, o perdão é um valor fundamental, porque o perdão é a transição para o amor – o abandono do julgamento e do ressentimento em favor do amor incondicional.

A base do perdão é o fato de que em todos existe um valor divino que permanece intacto, independentemente do que essa pessoa tenha feito.

O amor é, em última análise, uma questão interna de pensamento e sentimento, mas é crucial que seja expresso externamente, em ajuda e serviço aos outros.

Expressões de amor (este é o principal significado de “milagre” no UCEM), mesmo nas menores das interações, são o aspecto mais importante da vida de uma pessoa na terra.

Devido à suprema importância de ser útil, cada pessoa recebe uma “missão” (EQM e UCEM) ou “função especial” (UCEM) para realizar na terra.

Esta é uma maneira pela qual os indivíduos podem usar os seus dons e talentos particulares para servir à humanidade. É a sua dádiva única de amor para o mundo.

O seu propósito de vida é feito sob medida para eles pelo plano divino. Assim, em vez de ser algo que os próprios indivíduos criam, é algo que descobrem.

Em última análise, os seres humanos podem viver as suas vidas na terra como um reflexo do reino espiritual. Eles podem viver com a consciência de que apenas o amor é real e que o medo é uma emoção artificial. Eles normalmente não percebem o quanto vivem com medo.

No entanto, em vez de se sentirem à mercê de circunstâncias externas, eles podem viver livres de cuidados, preocupações e medo – até mesmo medo da morte. Enquanto os seus pés estão no chão, as suas mentes podem estar no Céu.

Discussão

Como o material precedente indica, as semelhanças entre as filosofias expressas nas EQMs e em Um Curso em Milagres são bastante impressionantes. Há uma longa lista de temas compartilhados e esses temas se unem para produzir um todo coerente.

Considerando que a sobreposição dos dois conjuntos de informações está longe de ser completa – o Curso especialmente contém uma infinidade de ideias que não têm analogia nas EQMs – eles convergem claramente em temas que são centrais para ambos.

Também existem diferenças e, no caso da origem e da natureza do mundo, essas diferenças podem muito bem atingir o nível de incompatibilidade genuína, embora seja difícil dizer.

Na maior parte, entretanto, podemos imaginar as diferenças chegando a apenas inclinações diferentes nas mesmas realidades.

As semelhanças são ainda mais significativas quando se percebe que a filosofia geral com a qual elas concordam é bastante distinta. Conceitualizamos essa filosofia como a síntese de dois modelos aparentemente incompatíveis, que denominamos “modelo dualístico/de aprendizagem” e “modelo não dualista/de despertar”.

Ao usar o termo “dualista” aqui, não queremos dizer uma ontologia dualística de mente e corpo. Em vez disso, nos referimos a uma visão dualística da própria realidade como composta do mundo físico e um Céu não físico, com o mundo físico sendo tratado, pelo menos na prática, como real.

Essa visão também inclui um dualismo de almas e Deus, de modo que as almas são tratadas como distintas e/ou separadas de Deus.

O “modelo dualístico/de aprendizagem”, então, é aquele em que as almas viajam através do tempo e do espaço em uma jornada educacional. Ao longo desta jornada, o plano de Deus está em ação nos bastidores, guiando almas, orquestrando as suas lições, organizando os seus encontros e enviando-os em missões para o bem de todos. O objetivo é que essas almas avancem em seu aprendizado até atingirem um estado de perfeição, momento em que se unem a Deus.

O modelo “não dualístico/de despertar” é bem diferente. Aqui, a realidade consiste não em dualidade, mas apenas em unicidade. A única coisa real é um reino transcendental de espírito ilimitado e indiferenciado. A verdadeira identidade dos seres humanos é única e até idêntica a essa unicidade ilimitada.

 O mundo físico é apenas uma ilusão, uma ficção – caso contrário, a realidade seria dual – e as identidades separadas que os indivíduos apresentam neste mundo são igualmente ilusões.

A sua tarefa, portanto, não é de crescimento ou mudança literal, pois a sua natureza é imutável. Em vez disso, a sua tarefa é despertar do sonho de uma existência separada para o que eles “sempre já” o são. Na verdade, não há jornada, pois eles já são Aquilo.

Esses dois modelos não se encaixam facilmente, mas eles se fundem nas EQMs e em UCEM, de modo que, em ambos, o aprendizado e o crescimento são realmente um processo de despertar para o que os seres humanos já são e para o mundo, em que fazem esse aprendizado, é realmente apenas uma sala de aula ilusória.

O que permite essa fusão é um foco irresistível no amor incondicional: um Deus de amor, a natureza do ser humano como amor, lições de amor e uma missão de amor.

Dado que o amor é inerentemente relacional, identificar o amor como a essência da realidade não dualística – como o Curso e as EQMs fazem – automaticamente abre a porta para o modelo dualístico/de aprendizagem com o seu caráter totalmente relacional.

Tanto no Curso quanto nas EQMs, então, o amor incondicional é o polo central que une um modelo dualístico/de aprendizagem com um modelo não dualístico/de despertar.

O Curso claramente tem uma ênfase mais forte no modelo não dualístico/de despertar do que as EQMs, uma diferença que une todas as diferenças que exploramos acima, mas essa diferença de ênfase não significa necessariamente incompatibilidade.

Na verdade, as primeiras partes do ditado do Curso – correspondendo aos primeiros vários capítulos em seu Texto – têm um sabor visivelmente mais dualístico, que muda lentamente para uma qualidade mais não dualística conforme o Curso avança.

No entanto, o autor do Curso descreveu essa diferença não como conflito, mas apenas como uma “ascensão no pensamento” devido a uma maior disposição por parte do escriba (Wapnick, 2009, p. 294).

Essa fusão de dualismo e não-dualismo baseada no amor é distinta o suficiente para que se pergunte de onde ela vem. Como o UCEM e as EQMs adquiriram essa mesma orientação distinta? Essa é a questão que essas semelhanças naturalmente levantam.

A resposta dada pelo Curso e pelas EQMs, claro, é que ambos estão realmente acessando a verdade, ou alguma aproximação ou expressão da verdade. É claro que não se pode simplesmente presumir que seja o caso, mas também não deve a possibilidade ser descartada de imediato. Mesmo a mera possibilidade de que essas duas fontes estejam revelando a verdade sobre a realidade e o propósito da vida deve fazer com que alguém se sente, tome nota e pense com cuidado.

Quais são as outras possibilidades? As EQMs e o Curso podem estar acessando algum cenário pré-programado no cérebro. Talvez o cérebro venha equipado pela evolução com várias filosofias que estão armazenadas e as EQMs e UCEM por acaso desencadeiam essa filosofia particular (ou seja, a fusão baseada no amor de dualismo e não dualismo).

Ou talvez realidades não físicas realmente existam e se alguém entrar em um plano ou região particular, esta é a filosofia que surge – daquela região, mas não de outras. Ou, de maneira semelhante, talvez essa filosofia exista como uma espécie de arquétipo no inconsciente coletivo, que o Curso e as EQMs simplesmente ativam.

Uma coisa que pode ser dita com confiança, entretanto, é que o Curso e as EQMs não estão adquirindo essa filosofia de expectativas coletivas na cultura. Nem o modelo dualístico/de aprendizagem nem o modelo não dualístico/de despertar são uma força particularmente poderosa em nossa cultura e sua síntese é ainda mais rara.

As influências dominantes na cultura contemporânea, tanto ocidental quanto oriental, são o materialismo científico e a religião tradicional – nos Estados Unidos, em particular o Cristianismo.

O Cristianismo, é claro, inclui as crenças em Deus e uma vida após a morte beatífica, mas o seu modelo principal poderia ser chamado de “modelo de obediência”.

Embora um número crescente de vozes dentro do Cristianismo moderno esteja propondo um modelo de amor mais incondicional, o modelo de obediência ainda prevalece.

Nesse modelo, a resposta adequada a Deus é a obediência às Suas leis, quer essa obediência seja concebida no nível de comportamento, crença ou ambos. A obediência é então recompensada (eternamente), enquanto a desobediência é punida (novamente, eternamente).

Este modelo de obediência pode prevalecer mesmo onde a graça divina é enfatizada. Como o estudioso do Cristianismo Marcus Borg (1994) apontou, a fé na graça de Deus “tornou-se o novo requisito”, sem o qual “alguém corre o risco de punição eterna” (p. 79).

Curiosamente, esse modelo de obediência surge em EQMs isoladas: aquelas que incluem características típicas de EQM, mas as colocam dentro de uma estrutura religiosa mais tradicional.

Um exemplo é Alexa, uma Cristã devota que, enquanto o seu corpo estava falhando, orou: “Oh Jesus, espero que você seja tudo o que venho adorando todos esses anos!” (Hartung, sem data). Como as EQMs “invertidas” de Ring, a forma de sua EQM era absolutamente típica, mas não o conteúdo. Aqui, no entanto, o conteúdo não era medo, mas sim o cristianismo evangélico.

Em vez de encontrar um Deus de amor incondicional, Alexa se aproximou de um Deus santo demais para se olhar (“tal era o Seu brilho, que não pude olhar diretamente para Ele” [Hartung, sem data]) e foi feito principalmente para ser adorado.

A recapitulação de sua vida foi testemunhada por Jesus e Satanás, com Satanás acusando-a em voz alta e desfrutando cruelmente de suas transgressões, na esperança de que ela fosse entregue a ele para punição. Ela foi salva apenas quando uma grande voz explodiu: “ELA ESTÁ COBERTA PELO SANGUE DO CORDEIRO? SIM!!!” (Hartung, sem data).

A conformidade dessa EQM com o modelo tradicional de obediência é imediatamente reconhecível. No entanto, tão reconhecível é seu contraste com a EQM mais típica.

Se todas as EQMs fossem como Alexa, naturalmente seríamos tentados a ver a sua filosofia como uma expressão de expectativa cultural. No entanto, a maioria das EQMs parece conter uma perspectiva completamente diferente da realidade, o que novamente levanta a questão: de onde realmente vem sua filosofia?

Como dissemos no início, acreditamos que um trabalho mais sistemático precisa ser feito para especificar a filosofia (ou filosofias) expressas nas EQMs.

No entanto, na medida em que o que nós descrevemos aqui se apresenta como razoavelmente representativo da maioria das EQMs, então alguns benefícios importantes podem resultar.

Para os estudantes de Um Curso em Milagres, as EQMs podem servir como ilustrações dramáticas dos ensinamentos-chave do Curso.

Para o campo dos estudos de quase-morte, os paralelos com o Curso podem servir para lançar a filosofia da EQM em nítido relevo, destacando a sua distinção.

Se essa distinção for suficiente para sustentar a ideia de que essa filosofia não é uma mera projeção de doutrinação cultural, ela pode acrescentar outra tábua no caso das EQMs.

Se uma investigação mais aprofundada mostrar que esse é o caso, então as EQMs e Um Curso em Milagres podem se valer mutuamente, ajudando assim a apontar a humanidade na direção da verdade.

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Nota do autor

Robert Perry tem um B.A. em psicologia e é professor do caminho espiritual contemporâneo Um Curso em Milagres e fundador do Circle of Atonement [Círculo da Expiação], um centro de ensino de Um Curso em Milagres.

Greg Mackie tem um B.A. em história e também é professor de Um Curso em Milagres.

[Observação: as passagens do UCEM citadas neste artigo fazem referência à edição da Fundação para a Paz Interior (FIP).]

Imagem pexels-puscau-daniel-florin-217114.jpg

…continua Parte III…

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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