Devo ter decidido errado, porque não estou em paz. Tomei a decisão por mim mesmo, mas posso também decidir de outra forma. Quero decidir de outra forma, porque quero estar em paz. Não me sinto culpado porque o Espírito Santo vai desfazer todas as consequências da minha decisão errada se eu Lhe permitir. Escolho permitir-Lhe, deixando que Ele decida a favor de Deus por mim (T-5.VII.6:7-11).

O templo do Espírito Santo não é um corpo, mas um relacionamento (T-20.VI.5:1).

Começando pelo “início”…

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Dr. Kenneth Wapnick, através de seus inúmeros artigos e workshops disponíveis na internet, esclarece-nos sobre o tema do Espírito Santo em Um Curso em Milagres (UCEM), que destacamos trechos a seguir, em tradução livre, para o nosso conhecimento e entendimento do sistema de pensamento do Curso.

No Início há Deus e Seu Filho, ao qual o Curso se refere como Cristo [vide gráfico – Nível I – Não Dualidade].

Talvez a característica mais importante do Céu seja a ideia de que Deus e Cristo são perfeitamente um só. É a Unicidade Deles que caracteriza o estado do Céu.

Há uma definição no Texto onde Jesus diz que o Céu “é meramente uma consciência [no nível da realidade] da perfeita unicidade e o conhecimento de que nada além disso existe, nada fora dessa unicidade e nada mais dentro dela” (T-18.VI.1:6).

Quando o Curso diz que Deus e Cristo são Um Só e que o estado do Céu é Unicidade Perfeita ou Unidade Perfeita, Jesus quer dizer isso literalmente.

Outro termo que poderia ser usado para caracterizar o Céu é que ele é um estado de não-dualidade perfeita. Não existem dois seres que interagem entre si. Uma linha importante no Livro de Exercícios diz:

… e em lugar algum o Pai chega ao fim para dar início ao Filho como algo separado de Si Mesmo (LE-pI.132.12:4).

E há outra passagem na Lição 169 que fala sobre esse estado de unicidade:

A Unicidade é simplesmente a ideia de que Deus é. E no Que Ele é, Ele abrange todas as coisas. Não há mente que contenha algo que não seja Ele. Dizemos “Deus é” e então deixamos de falar, pois nesse conhecimento as palavras são sem significado. Não há lábios para pronunciá-las e nenhuma parte da mente é distinta o suficiente para sentir que agora está ciente de algo que não seja ela mesma (LE-pI.169.5:1-5).

A passagem continua:

Ela se uniu à sua Fonte. E, como a própria Fonte, meramente é. Não podemos falar, escrever ou mesmo pensar sobre isso de modo algum (LE-pI.169.5:6-7, 6:1).

Novamente, não há lugar onde Deus termina e Seu Filho começa.

Portanto, o estado do Céu é de Perfeita Unicidade.

Outra maneira de caracterizar isso é dizer que a Mente de Deus e a Mente de Cristo são totalmente Uma só.

O Curso então explica que o impossível pareceu acontecer. Na realidade, isso nunca aconteceu, mas pareceu acontecer. Foi então que a “ideia diminuta e louca” (T-27.VIII.6:2) de estar separado de Deus parecia entrar na mente do Filho de Deus.

Isso está caracterizado por uma pequena linha vertical descendo [veja o gráfico] – essa é a “ideia diminuta e louca“. É a ideia de que o Filho, de alguma forma, agora está separado de Seu Pai – ele tem uma mente, uma vontade, um ser que é separado e independente de Seu Criador.

Portanto, ele agora pode observar a si mesmo e experimentar a si mesmo em relação a Deus.

Antes que essa ideia diminuta e louca (da qual o Curso também fala como o início do sonho) parecesse surgir, tal fenômeno era impossível, porque o Filho não tinha uma mente ou um ser distinto ou separado de Seu Criador.

Mas assim que o sonho começou – um sonho de separação – o Filho, de repente, começou a observar a si mesmo como alguém separado de seu Pai. E isso deu origem ao que nós podemos chamar de mente dividida (com um “m” minúsculo para distingui-la da Mente de Deus e de Cristo – Mentalidade Una). Veja o gráfico acima do Dr. Wapnick.

Quando o Filho adormece e começa a experimentar a si mesmo como um ser separado, ele tem uma mente que agora parece coexistir com a Mente de Deus ou a Mente de Cristo.

Esta mente tem duas partes, ou aquilo a que o Curso frequentemente se refere como duas vozes que falam por ela. Uma é o que o Curso se refere como ego [mentalidade errada] e a outra é o Espírito Santo [mentalidade certa]. (veja o gráfico)

Essas duas vozes podem ser basicamente entendidas como reações à ideia diminuta e louca. Na realidade, não há duas pessoas fixando residência na mente do Filho. Nós estamos falando no domínio da metáfora ou do mito.

Portanto, por enquanto, nós falamos sobre a mente do Filho ter essas duas partes e falar dessas duas partes como se fossem dois seres aparentemente separados – o ego e o Espírito Santo.

No Curso, sempre se fala do ego como um “isso”, enquanto o Espírito Santo sempre se fala como uma pessoa, como um “Ele”. Mesmo assim, o ego é descrito em termos antropomórficos – ele trama, busca vingança, parece amar, odeia, engana etc.

Portanto, na mente do Filho existem dois sistemas de pensamentos ou duas reações à ideia diminuta e louca.

O sistema de pensamento do ego é que a ideia diminuta e louca realmente aconteceu. Na verdade, uma maneira de definir o ego é dizer que é a crença de que o Filho realmente se separou de seu Criador. Assim, o ego nada mais é do que um pensamento ou uma crença que existe na mente do Filho separado – o pensamento de que a separação realmente ocorreu.

O Espírito Santo, por outro lado, é o sistema de pensamento de que a separação nunca aconteceu – que a “ideia diminuta e louca” deve ser entendida literalmente: a ideia é “diminuta” porque ela era inconsequente e não tinha absolutamente nenhum efeito e é “louca” porque é insana.

É insano pensar que uma parte de Deus, uma parte do Todo, uma parte da unidade total poderia de alguma forma se separar e, de repente, estar fora de tudo – que poderia haver uma realidade além da totalidade, algo além do infinito, um poder além da onipotência.

Dr. Wapnick então prossegue a explicação sobre o que diz o Curso:

Há também uma outra maneira de entender Quem ou o Que é o Espírito Santo.

Quando o Filho adormeceu e começou o seu sonho, ele carregou no sonho a memória de quem ele realmente é como Filho de Deus, a memória do Amor de Deus.

Essa memória, que agora repousa em sua mente separada dentro do sonho, é o que nós chamamos de Espírito Santo. E é essa memória que liga o sonho à realidade.

Isso é semelhante às memórias em nossa experiência cotidiana – quando nós temos uma memória no presente é um link para algo que aconteceu no passado. Isso é o que a palavra memória significa.

O que quer que tenha acontecido no passado – quer tenha acontecido cinco minutos atrás, ontem ou trinta anos atrás – de repente se torna muito real e presente para mim.

Se for uma memória desagradável, terei raiva, ansiedade, medo ou depressão. Se for uma lembrança agradável, experimentarei felicidade e alegria agora, como se o passado estivesse presente. Essa memória é o que une o passado e o presente.

O Espírito Santo trabalha da mesma maneira. Ele vincula a experiência presente do Filho, de acreditar que está em um sonho, com sua realidade, que não está realmente no passado em um sentido temporal. Esse vínculo então o conecta ao Deus de Quem ele nunca realmente deixou.

É por isso que o Curso ensina que o Espírito Santo desfez o erro original no instante em que parecia ocorrer, porque quando o Filho adormeceu ele tinha aquela memória consigo. E essa memória é o que lhe prova que ele nunca se separou de Deus, que era simplesmente um sonho.

O Espírito Santo te capacita a perceber essa integridade agora (T-6.II.8:3).

O que mais o Curso diz sobre o Espírito Santo?

1) No Suplemento “Esclarecimento de Termos” de Um Curso em milagres, temos a resposta:

Jesus é a manifestação do Espírito Santo, a Quem ele chamou à terra depois que ascendeu aos Céus, ou veio a ser completamente identificado com o Cristo, o Filho de Deus tal como Ele o Criou. O Espírito Santo, sendo uma criação do Único Criador, criando com Ele e à Sua semelhança ou espírito, é eterno e nunca mudou. Ele foi “chamado a descer à terra” no sentido de que naquele momento veio a ser possível aceitá-Lo e ouvir a Sua Voz. A Sua Voz é a Voz por Deus e, portanto, tomou forma. Essa forma não é a Sua realidade, que somente Deus conhece junto com Cristo, Seu Filho real, Que é parte Dele (ET-6.1:1-5).

Ao longo do curso, o Espírito Santo é descrito como Aquele que nos dá a resposta para a separação e traz para nós o plano da Expiação, estabelecendo nele o nosso papel em particular e nos mostrando exatamente qual ele é. Ele estabeleceu Jesus como o líder na realização do Seu plano, já que foi o primeiro a cumprir a própria parte com perfeição. Todo o poder no Céu e na terra é, portanto, dado a ele e ele vai compartilhá-lo contigo quando tiveres completado a tua. O princípio da Expiação foi dado ao Espírito Santo muito antes de Jesus colocá-lo em movimento (ET-6.2:1-4).

O Espírito Santo é descrito como o elo de comunicação que resta entre Deus e Seus Filhos separados. De modo a cumprir essa função especial, o Espírito Santo assumiu uma função dupla. Ele conhece porque é parte de Deus; Ele percebe porque foi enviado para salvar a humanidade. Ele é o grande princípio da correção, o portador da verdadeira percepção, o poder inerente da visão de Cristo. Ele é a luz na qual o mundo perdoado é percebido, na qual apenas a face de Cristo é vista. Ele nunca esquece o Criador nem a Sua Criação. Ele nunca esquece o Filho de Deus. Ele nunca te esquece. E Ele traz o Amor do teu Pai a ti em um brilho eterno que nunca será obliterado porque lá Deus o colocou (ET-6.3:1-9).

O Espírito Santo habita na parte da tua mente que é parte da Mente de Cristo. Ele representa o teu Ser e o teu Criador, Que são um. Ele fala por Deus e também por ti, estando unido a ambos. E, portanto, é Ele Que prova que ambos são um só. Ele parece ser uma Voz, pois nesta forma Ele te fala do Verbo de Deus. Ele parece ser um Guia que te conduz através de uma terra distante, pois necessitas dessa forma de ajuda. Ele parece ser tudo aquilo que preenche as necessidades que pensas ter. Mas Ele não se engana quando tu percebes o teu ser aprisionado por necessidades que não tens. É delas que Ele quer libertar-te. É delas que Ele quer proteger-te para que estejas a salvo (ET-6.4:1-10).

Tu és a Sua manifestação nesse mundo. Teu irmão te chama para que sejas a Sua Voz junto com ele. Sozinho, ele não pode ser o Ajudante do Filho de Deus, porque sozinho ele não tem função. Mas junto contigo ele é o brilhante Salvador do mundo, Cujo papel nesta redenção tu completaste. Ele dá graças a ti assim como a ele, pois te ergueste com ele quando ele começou a salvar o mundo. E estarás com ele quando o tempo tiver chegado ao fim e não permanecer nenhum vestígio dos sonhos de rancor nos quais danças ao som da esparsa melodia da morte. Pois no lugar dela o hino a Deus é ouvido por pouco tempo. E então a Voz terá desaparecido, para não mais tomar forma, porém para regressar à eterna Ausência de Forma de Deus (ET-6.5:1-8).

2) No Livro de Exercícios, o Curso diz:

O Espírito Santo é o mediador entre as ilusões e a verdade. Como Ele tem que fazer uma ponte sobre a brecha que existe entre a realidade e os sonhos, a percepção conduz ao conhecimento através da graça que Deus deu a Ele para que fosse a Sua dádiva a todos aqueles que se voltam para Ele em busca da verdade. Todos os sonhos são carregados para a verdade através da ponte que Ele provê, para serem dissipados diante da luz do conhecimento. Ali, cenas e sons são para sempre deixados de lado. E onde eram percebidos antes, o perdão tornou possível o fim tranquilo da percepção (LE-pII.7.1:1-5).

A meta que o ensinamento do Espírito Santo estabelece é apenas esse fim dos sonhos. Pois, cenas e sons têm que ser traduzidos de testemunhos do medo em testemunhos do amor. E quando isso for inteiramente realizado, o aprendizado terá conseguido a sua única meta na verdade. Pois o aprendizado, do modo como o Espírito Santo o orienta para o resultado que Ele percebe, vem a ser o meio para ir além do próprio aprendizado a fim de ser substituído pela Verdade Eterna (LE-pII.7.2:1-4).

Se ao menos conhecesses o quanto o teu Pai anseia para que reconheças a tua impecabilidade, não deixarias a Sua Voz apelar em vão, nem virarias as costas para as Suas substituições das imagens amedrontadoras e dos sonhos que fizeste. O Espírito Santo compreende os meios que fizeste, pelos quais queres alcançar o que é para sempre inalcançável. E se os ofereces a Ele, Ele empregará os meios que fizeste para te exilares para restituir a tua mente ao lugar em que ela está verdadeiramente em casa (LE-pII.7.3:1-3).

Do conhecimento, onde Ele foi colocado por Deus, o Espírito Santo chama por ti para que deixes o perdão repousar sobre os teus sonhos e para que sejas restituído à sanidade e à paz da tua mente. Sem o perdão, os teus sonhos continuarão a aterrorizar-te. E a memória de todo o Amor do teu Pai não voltará, significando que o fim dos sonhos já veio (LE-pII.7.4:1-3).

Aceita a dádiva do teu Pai. É um chamado do Amor para o Amor, para que Ele seja apenas Ele Mesmo. O Espírito Santo é a Sua dádiva, através da qual a quietude do Céu é restituída ao amado Filho de Deus. Recusarias aceitar a função de completar a Deus, quando toda a Sua Vontade é que sejas completo? (LE-pII.7.5:1-4)

3) No Livro Texto, o Curso diz (destacamos algumas passagens, pois aparecem cerca de 780 referências no Livro Texto):

O Espírito Santo é o mecanismo dos milagres. Ele reconhece tanto as criações de Deus quanto as tuas ilusões. Ele separa o verdadeiro do falso através da Sua capacidade de perceber de forma total e não seletiva (T-1.I.28:1-3).

O Espírito Santo é o mais elevado veículo de comunicação. Milagres não envolvem esse tipo de comunicação, porque são instrumentos temporários de comunicação. Quanto retornas à tua forma original de comunicação com Deus, por revelação direta, a necessidade de milagres acaba (T-1.I.46:1-3).

Eu disse anteriormente que o Espírito Santo não pode ver o erro e só é capaz de olhar para o que está além do erro da Expiação. Não há dúvida de que isso pode produzir desconforto, no entanto, o desconforto não é o resultado final da percepção. Quando se permite que o Espírito Santo olhe para a profanação do altar, Ele também olha imediatamente em direção à Expiação. Nada do que Ele percebe pode induzir ao medo. Tudo o que resulta da consciência espiritual é meramente canalizado em direção à correção. O desconforto só surge para trazer à consciência a necessidade de correção (T-2.V.7:3-8).

A salvação nada mais é senão “a mentalidade certa”, que não é a mentalidade Una que é própria do Espírito Santo, mas tem que ser atingida antes que a mentalidade Una seja restaurada (T-4.II.10:1).

Eu não ataco o teu ego. Trabalho com a tua mente superior, o lar do Espírito Santo, quer tu estejas dormindo ou acordado do mesmo modo que o teu ego faz com a tua mente inferior, que é a sua casa (T-4.V.11:1-2).

Esse é o convite ao Espírito Santo. Já tenho dito que posso alcançar o que está acima e trazer o Espírito Santo para ti, mas só posso trazê-Lo a ti com o teu próprio convite. O Espírito Santo está em tua mente certa [vide gráfico], assim como estava na minha (T-5.I.3:1-3).

O Espírito Santo é a única parte da Santíssima Trindade que tem uma função simbólica. Ele é chamado o Curador, o Consolador e o Guia. Ele também é descrito como algo “separado”, à parte do Pai e do Filho. Eu mesmo disse: “Se eu me for, eu vos enviarei um outro Consolador, e Ele habitará convosco.” Sua função simbólica faz com que o Espírito Santo seja difícil de compreender porque o simbolismo é aberto à interpretações diferentes. Como homem e também como uma das criações de Deus, o meu pensamento certo, que veio do Espírito Santo ou a Inspiração Universal, ensinou-me em primeiro lugar e acima de tudo que essa Inspiração é para todos. Eu mesmo não poderia tê-La em mim sem saber disso. A palavra “conhecer” é apropriada nesse contexto, porque o Espírito Santo está tão próximo do conhecimento que o traz à tona ou melhor, permite que ele venha. Eu falei anteriormente da percepção superior ou “verdadeira” que está tão próxima da verdade que o próprio Deus pode fluir através da pequena brecha entre eles. O conhecimento está sempre pronto para fluir a toda parte, mas não pode se opor. Assim sendo podes obstruí-lo, embora nunca possas perdê-lo (T-5.I.4:1-11).

O Espírito Santo é a Mente de Cristo que é ciente do conhecimento que está além da percepção. Ele veio a ser com a separação, como uma proteção, ao mesmo tempo inspirando o princípio da Expiação. Antes disso, não havia nenhuma necessidade de cura, pois não havia ninguém sem consolo. A Voz do Espírito Santo é o Chamado para a Expiação ou a restauração da integridade da mente. Quando a Expiação for completa e toda a Filiação estiver curada, não haverá nenhum chamado para retornar. Mas o que Deus cria é eterno. O Espírito Santo vai permanecer com os Filhos de Deus para abençoar suas criações e mantê-los na luz da alegria (T-5.I.5:1-7).

O Espírito Santo é a Mente da Expiação. Ele representa um estado mental suficientemente próximo da mente disposta para o que é Uno, que transferi-lo para ela é finalmente possível. A percepção não é conhecimento, mas pode ser transferida para o conhecimento ou atravessar a ponte para ele. Talvez seja até mais útil usar aqui o significado literal da palavra transferida, ou seja, “transportada”, uma vez que o último passo é dado por Deus (T-5.I.6:3-6).

O Espírito Santo, a Inspiração compartilhada de toda a Filiação, induz a um tipo de percepção no qual muitos elementos são iguais àqueles no próprio Reino do Céu: Primeiro, sua universalidade é perfeitamente clara e ninguém que a tenha alcançado poderia acreditar, nem por um instante, que compartilhá-la envolve qualquer outra coisa que não seja ganhar. Segundo, ela é incapaz de atacar e está, portanto, verdadeiramente aberta. Isso significa que, apesar de não engendrar conhecimento, não o obstrui de modo algum. Finalmente, indica o caminho para além da cura que ela traz e conduz a mente além da sua própria integração, rumo aos caminhos da criação. É nesse ponto que ocorre uma mudança quantitativa suficiente para produzir um deslocamento qualitativo real (T-5.I.7:1-6).

A cura não é criação, é reparação. O Espírito Santo promove a cura olhando além dela para o que eram as crianças de Deus antes que a cura fosse necessária, e para o que serão quando tiverem sido curadas. Essa alteração da sequência temporal deveria ser bastante familiar porque é muito similar ao deslocamento na percepção do tempo que o milagre introduz. O Espírito Santo é a motivação para a mentalidade milagrosa; a decisão de curar a separação, deixando que ela se vá. A tua vontade ainda está em ti porque Deus colocou-a em tua mente e embora possas mantê-la adormecida, não podes obliterá-la. O próprio Deus mantém a tua vontade viva, transmitindo-a a partir da Sua Mente para a tua enquanto o tempo existir. O milagre em si é um reflexo dessa união de vontade entre Pai e Filho (T-5.II.1:1-7).

O Espírito Santo é o espírito da alegria. Ele é o Chamado para o retorno com o qual Deus abençoou as mentes de Seus Filhos separados. Essa é a vocação da mente. A mente não tinha nenhuma vocação até a separação, porque antes disso tinha apenas o que ela é e não teria compreendido o chamado para o pensamento certo. O Espírito Santo é a Resposta de Deus à separação, o meio pelo qual a Expiação cura até que toda a mente volte outra vez a criar (T-5.II.2:1-5).

O Espírito Santo está em ti num sentido muito literal. Sua é a Voz Que te chama de volta para onde antes estavas e estarás outra vez. Mesmo nesse mundo é possível ouvir apenas essa Voz e nenhuma outra. É preciso esforço e muita disposição para aprender. É a lição final que eu aprendi e os Filhos de Deus são tão iguais como aprendizes quanto como filhos (T-5.II.3:7-11).

Tu és o Reino do Céu, mas tens permitido que a crença nas trevas entre na tua mente e, portanto, precisas de uma nova luz. Tens que permitir que o Espírito Santo, que é radiância, possa banir a ideia da escuridão. Sua é a glória diante da qual a dissociação cai por terra e o Reino do Céu penetra no que lhe é próprio. Antes da separação, não precisavas de orientação. Tu conhecias como virás a conhecer novamente, mas como não conheces agora (T-5.II.4:1-5).

A escolha pelo Espírito Santo é a escolha por Deus. Deus não está em ti em um sentido literal, tu és parte Dele. Quando escolheste deixá-Lo, Ele te deu uma Voz para falar por Ele, pois não podia mais compartilhar Seu conhecimento contigo sem impedimento. A comunicação direta foi quebrada porque tinhas feito uma outra voz (T-5.II.5:4-7).

O Espírito Santo te chama tanto para lembrar como para esquecer. Tu escolheste estar em um estado de oposição no qual opostos são possíveis. Como resultado, há escolhas que tens que fazer. No estado de santidade a vontade é livre, de forma que seu poder criativo é ilimitado e a escolha é sem significado. A liberdade de escolher é o mesmo poder que a liberdade de criar, mas sua aplicação é diferente. A escolha depende de uma mente dividida. O Espírito Santo é um modo de escolher. Deus não deixou Suas crianças sem consolo, mesmo que elas tenham escolhido deixá-Lo. A voz que puseram em suas mentes não foi a Voz pela Vontade de Deus em nome da qual fala o Espírito Santo (T-5.II.6:1-9).

A Voz do Espírito Santo não comanda, pois é incapaz de arrogância. Não exige, porque não busca o controle. Não vence, porque não ataca. Simplesmente lembra. É capaz de compelir devido apenas ao que ela te relembra. Traz à tua mente o outro caminho, permanecendo quieta mesmo em meio ao tumulto que possas fazer. A Voz por Deus é sempre quieta porque fala de paz. A paz é mais forte do que a guerra porque cura. A guerra é divisão, não soma. Ninguém ganha com a discórdia. Que aproveitará a um homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma? Se escutas a voz errada, perdeste de vista a tua alma. Tu não podes perdê-la, mas podes não conhecê-la. Assim sendo, ela está “perdida” para ti até que escolhas certo (T-5.II.7:1-14).

O Espírito Santo é o teu Guia na escolha. Ele está na parte da tua mente que sempre fala a favor da escolha certa, porque fala por Deus. Ele é a tua comunicação remanescente com Deus, que podes interromper, mas não podes destruir. O Espírito Santo é o caminho no qual a Vontade de Deus é feita assim na terra como no Céu. Tanto o Céu quanto a terra estão em ti, porque o chamado de ambos está na tua mente. A Voz por Deus vem dos teus próprios altares a Ele. Estes altares não são coisas, são devoções. No entanto, tu tens outras devoções agora. A tua devoção dividida te deu as duas vozes e tens que escolher em que altar queres servir. O chamado a que respondes agora é uma avaliação, porque é uma decisão. A decisão é muito simples. Ela é tomada tendo por base qual é o chamado que tem maior valor para ti (T-5.II.8:1-12).

O Espírito Santo é o chamado para despertar e ser contente. O mundo está muito cansado porque ele é a ideia da exaustão. Nossa tarefa é a obra alegre de despertá-lo para o Chamado Daquele que fala por Deus. Todos responderão ao Chamado do Espírito Santo, ou a Filiação não pode ser una. Que melhor vocação poderia haver para qualquer parte do Reino, do que restaurá-lo à integração perfeita capaz de fazê-lo íntegro? Ouve apenas isso através do Espírito Santo dentro de ti e ensina os teus irmãos a escutar assim como eu estou te ensinando (T-5.II.10:5-10).

O Espírito Santo é a ideia da cura. Sendo pensada, a ideia ganha à medida em que é compartilhada. Sendo o Chamado Daquele que fala por Deus é também a ideia de Deus. Como és parte de Deus, és também a ideia de ti mesmo, assim como a de todas as Suas criações. A ideia do Espírito Santo compartilha as características de outras ideias porque segue as leis do Universo do qual faz parte. Ela é fortalecida ao ser dada a outros. Aumenta em ti na medida em que a dás ao teu irmão. Teu irmão não precisa estar ciente do Espírito Santo nele mesmo ou em ti para que esse milagre ocorra. Ele pode ter dissociado o Chamado por Deus, assim como tu fizeste. Essa dissociação é curada nos dois à medida que tu vens a estar ciente do Chamado Daquele que fala por Deus nele, e assim reconheces o que é esse Chamado (T-5.III.2:1-10).

A Voz do Espírito Santo é fraca em ti. É por isso que tens que compartilhá-La. Ela tem que aumentar em força antes que possas ouvi-La. É impossível ouvi-La em ti mesmo enquanto Ela está tão fraca em tua mente. Ela não é fraca em Si, mas está limitada pela tua recusa em ouvi-La. Se cometeres o equívoco de procurar o Espírito Santo apenas em ti mesmo, os teus pensamentos vão assustar-te porque, por adotar o ponto de vista do ego, estás empreendendo uma viagem que é alheia ao ego usando o ego como guia. Isso está fadado a produzir medo (T-5.III.4:1-7).

O Espírito Santo é o Mediador entre as interpretações do ego e o conhecimento do espírito. Sua capacidade de lidar com símbolos faz com que Ele seja capaz de trabalhar com as crenças do ego em sua própria linguagem. Sua capacidade de olhar para o que está além dos símbolos na eternidade, torna-O capaz de compreender as leis de Deus pelas quais Ele fala. O Espírito Santo pode, portanto, desempenhar a função de reinterpretar o que o ego faz, não pela destruição, mas pela compreensão. A compreensão é luz, e luz conduz ao conhecimento. O Espírito Santo está na luz porque Ele está em ti que és luz, mas tu mesmo não tens conhecimento disso. Portanto, é tarefa do Espírito Santo reinterpretar-te a favor de Deus (T-5.III.7:1-7).

Não podes compreender a ti mesmo sozinho. Isso é assim porque não tens significado à parte do teu lugar de direito na Filiação e o lugar de direito da Filiação é em Deus. Essa é a tua vida, a tua eternidade e o teu Ser. É isso que o Espírito Santo te lembra. É isso o que o Espírito Santo vê. Essa visão assusta o ego porque é tão calma. A paz é o maior inimigo do ego porque, de acordo com a sua interpretação da realidade, a guerra é a garantia da sua própria sobrevivência. O ego vem a ser forte na discórdia. Se acreditas que há discórdia, vais reagir de forma perversa, pois a ideia de perigo entrou em tua mente. A ideia em si mesma é um apelo ao ego. O Espírito Santo é tão vigilante quanto o ego ao chamado do perigo, opondo-Se ao perigo com a Sua força, assim como o ego o recebe com boas-vindas. O Espírito Santo neutraliza essas boas-vindas dando boas-vindas à paz. A eternidade e a paz estão tão intimamente relacionadas quanto o tempo e a guerra (T-5.III.8:1-13).

O ego é o símbolo da separação, assim como o Espírito Santo é o símbolo da paz. O que percebes nos outros, estás fortalecendo em ti mesmo. Podes permitir que a tua mente perceba de modo equivocado, mas o Espírito Santo permite que a tua mente reinterprete as tuas próprias percepções equivocadas (T-5.III.9:4-6).

O Espírito Santo é o professor perfeito. Ele usa apenas o que a tua mente já compreende para te ensinar que não a compreendes. O Espírito Santo pode lidar com um aluno relutante sem ir contra a mente do aluno, porque parte dela ainda é a favor de Deus. Apesar das tentativas do ego de ocultar essa parte, ela ainda é muito mais forte do que o ego, embora o ego não a reconheça. O Espírito Santo a reconhece perfeitamente porque é a Sua própria morada, o lugar na mente onde Ele está em casa. Tu também estás em casa nesse lugar, pois é um lugar de paz e a paz é de Deus. Tu, que és parte de Deus, não estás em casa a não ser na Sua paz. Se a paz é eterna, só estás em casa na eternidade (T-5.III.10:1-8).

O Espírito Santo, como o ego, é uma decisão. Juntos constituem todas as alternativas que a mente pode aceitar e obedecer. O Espírito Santo e o ego são as únicas escolhas abertas para ti. Deus criou uma delas e não podes erradicá-la. Tu fizeste a outra, então, podes. Só o que Deus criou é irreversível e imutável. O que fizeste sempre pode ser mudado, porque quando não pensas como Deus, não estás realmente pensando em absoluto. Ideias delusórias não são pensamentos reais, muito embora possas acreditar nelas. Mas estás errado. A função do pensamento vem de Deus e está em Deus. Como parte do Seu Pensamento, não podes pensar à parte Dele (T-5.V.6:8-16).

O Espírito Santo, Que fala por Deus no tempo, também sabe que o tempo é sem significado. Ele te lembra disso a cada momento que passa, porque a Sua função especial é devolver-te à eternidade e lá permanecer para abençoar as tuas criações. Ele é a única bênção que podes dar verdadeiramente, porque Ele é verdadeiramente abençoado. Porque Ele te foi dado livremente por Deus, tens que dá-Lo assim como O recebeste (T-5.VI.12:5-8).

O Espírito Santo nunca faz uma lista dos erros porque não assusta as crianças e aqueles a quem falta juízo são crianças. Entretanto, Ele sempre responde aos seus chamados e Sua fidedignidade faz com que elas tenham mais certeza. As crianças, de fato, confundem fantasia e realidade e se assustam porque não reconhecem a diferença. O Espírito Santo não faz nenhuma distinção entre sonhos. Simplesmente os ilumina, afastando-os. A Sua luz é sempre o chamado para o despertar, seja o que for que estejas sonhando. Não há nada que perdure nos sonhos e o Espírito Santo, brilhando com a luz do próprio Deus, fala apenas em favor daquilo que perdura para sempre (T-6.V.4:1-7).

O Espírito Santo, Que conduz a Deus, traduz a comunicação naquilo que é, do mesmo modo que Ele em última instância traduz percepção em conhecimento. Tu não perdes o que comunicas. O ego usa o corpo para o ataque, para o prazer e para o orgulho. A insanidade dessa percepção faz com que ela seja, de fato, amedrontadora. O Espírito Santo vê o corpo só como um meio de comunicação e como comunicar é compartilhar, ele vem a ser comunhão. Talvez penses que o medo, assim como o amor, pode ser comunicado e, portanto, compartilhado. No entanto, isso não é tão real como pode parecer. Aqueles que comunicam o medo estão promovendo o ataque e o ataque sempre quebra a comunicação, fazendo com que ela seja impossível. Os egos de fato se unem em aliança temporária, mas sempre em função do que cada um pode conseguir separadamente. O Espírito Santo só comunica o que cada um pode dar a todos. Ele nunca toma coisa alguma de volta porque quer que tu a conserves. Portanto, Seu ensinamento começa com a lição: Para ter, dá tudo a todos (T-6.V-A.5:1-13).

O Espírito Santo percebe o conflito exatamente como é (T-6.V-B.7:3).

Dissemos anteriormente que o Espírito Santo é avaliador e tem que ser. Ele separa o verdadeiro do falso em tua mente e te ensina a julgar cada pensamento que permites que entre em tua mente à luz do que Deus lá colocou. Qualquer coisa que esteja de acordo com essa luz, Ele retém para fortalecer o Reino em ti. O que está parcialmente de acordo com ela, Ele aceita e purifica. Mas o que está inteiramente em desacordo Ele rejeita julgando contra. É assim que Ele mantém o Reino perfeitamente consistente e perfeitamente unificado. Lembra-te, porém, de que o que o Espírito Santo rejeita, o ego aceita. Isso é assim porque eles estão em desacordo fundamental sobre todas as coisas, estando em desacordo fundamental em relação ao que tu és. As crenças do ego em torno dessa questão crucial variam e é por isso que ele promove diferentes estados de ânimo. O Espírito Santo nunca varia nesse ponto e, assim, o único estado de ânimo que Ele engendra é a alegria. Ele a protege, rejeitando tudo que não nutre a alegria, e assim só Ele é capaz de manter-te totalmente alegre (T-6.V-C.1:1-11).

O Espírito Santo não te ensina a julgar os outros, porque Ele não quer que ensines o erro e o aprendas. Dificilmente Ele seria consistente em Seu ensinamento se permitisse que fortalecesses o que precisas aprender a evitar. Na mente de quem pensa, portanto, Ele é julgador, mas só no sentido de unificar a mente de modo que ela possa perceber sem julgamento. Isso faz com que a mente seja capaz de ensinar sem julgamento e, por conseguinte, de aprender a ser sem julgamento. O desfazer só é necessário em tua mente, de modo que não venhas a projetar em lugar de estender. O próprio Deus estabeleceu o que podes estender com perfeita segurança. Assim sendo, a terceira lição do Espírito Santo é: Sê vigilante só a favor de Deus e do Seu Reino (T-6.V-C.2:1-8).

O Espírito Santo é o tradutor das leis de Deus para aqueles que não as compreendem. Não poderias fazê-lo por conta própria, porque uma mente conflitada não pode ser fiel a um único significado e irá, portanto, mudar o significado para preservar a forma (T-7.II.4:5-6).

O propósito do Espírito Santo ao traduzir é exatamente o oposto. Ele traduz só para preservar o sentido original em todos os aspectos e em todas as línguas. Portanto, Ele se opõe à ideia de que as diferenças na forma são significativas, sempre enfatizando que essas diferenças não importam. O significado da Sua mensagem é sempre o mesmo; só o significado importa. A lei da criação de Deus não envolve o uso da verdade para convencer Seus Filhos da verdade. A extensão da verdade, que é a lei do Reino, se baseia apenas no conhecimento do que é a verdade. Essa é a tua herança e não requer nenhum aprendizado, mas quando deserdaste a ti mesmo, vieste a ser um aprendiz da necessidade (T-7.II.5:1-7).

O Espírito Santo tem que trabalhar através de ti para te ensinar que Ele está em ti. Esse é um passo intermediário rumo ao conhecimento de que estás em Deus, porque és parte Dele. Os milagres que o Espírito Santo inspira não podem ter ordem de dificuldades porque todas as partes da criação são da mesma ordem. Essa é a Vontade de Deus e a tua. As leis de Deus estabelecem isso e o Espírito Santo lembra isso a ti. Quando curas, estás lembrando as leis de Deus e esquecendo as leis do ego. Eu disse anteriormente que esquecer é meramente um modo de lembrar melhor. Não é, portanto, o oposto de lembrar quando percebido apropriadamente. Impropriamente percebido, induz a uma percepção de conflito com alguma outra coisa como faz toda percepção incorreta. Percebido apropriadamente, pode ser usado como uma saída do conflito, como é o caso de toda percepção apropriada (T-7.IV.2:1-10).

Imagem michael-kroul-Vw6Pw0EUN2w-unsplash.jpg

…continua Parte II…

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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