Salvação e perdão são a mesma coisa. Ambos sugerem que algo saiu errado, alguma coisa da qual é preciso ser salvo, alguma coisa pela qual é preciso ser perdoado; algo que está errado e precisa de uma mudança corretiva, algo à parte ou diferente da Vontade de Deus (LE-pI.99.1:1-2).

O teu Ser não necessita de salvação, mas a tua mente precisa aprender o que é a salvação (T-11.IV.1:3).

A minha salvação vem de mim (LE-pI.70.Título).

O tema revelador sobre a Salvação detalhado no Curso é de suma importância para o estudante alcançar o entendimento sobre o sistema de pensamento de Um Curso em Milagres.

Se, como estudantes, nós queremos efetivamente praticar os ensinamentos do Texto e Manual de Professores, os exercícios do Livro de Exercícios e todo o apoio dos Suplementos, nós temos que entender o princípio da Salvação, conforme o Curso nos ensina.

Para responder a esta questão – “O que é a Salvação em UCEM?” – buscamos inspiração no didático artigo do professor Allen Watson, denominado “Commentary on What is Salvation” [“Comentário sobre O Que é Salvação”] e que pode ser acessado no site Circle of Atonement, link https://circleofa.org/workbook-companion/what-is-salvation/.

Transcrevemos o artigo a seguir, na íntegra em tradução livre, para a nossa reflexão.

Outros estudos do professor Allen Watson sobre o Curso podem ser acessados no site em inglês http://www.allen-watson.com/

Comentário sobre o que é Salvação

Um Curso em Milagres – Livro de Exercícios – Parte II – Seção 2. O que é a Salvação?

Parágrafo 1

A salvação é uma promessa, feita por Deus, de que encontrarias finalmente o teu caminho até Ele. Ela não pode deixar de ser cumprida. Ela garante que o tempo terá um fim e que todos os pensamentos nascidos do tempo também terão um fim. O Verbo de Deus é dado a todas as mentes que pensam ter pensamentos em separado e Ele substituirá esses pensamentos de conflito com o Pensamento da paz (LE-pII.2.1:1-4).

Para começar, será de ajuda perceber que o Curso não atribui a esta palavra o mesmo significado que a religião tradicional.

Salvação” carrega, para a maioria de nós, a conotação de algum desastre iminente do qual nós somos “salvos”. Do inferno, por exemplo. De algum castigo terrível. Das consequências de nossos erros.

A imagem frequentemente usada no Cristianismo tradicional é a de um homem se afogando, sendo atirado uma corda salva-vidas; “Throw out the lifeline,” [“Jogue fora a corda de salva-vidas”], diz o antigo hino do Evangelho.

O Curso refuta diretamente esta ideia:

O teu Ser não necessita de salvação, mas a tua mente precisa aprender o que é a salvação. Tu não és salvo de coisa alguma, mas és salvo para a glória (T-11.IV.1:3-4).

A Salvação no Curso é um “colete salva-vidas”, mas não no mesmo sentido. Não nos salva da morte; ele nos preserva na vida.

É uma garantia de que a morte nunca nos atingirá:

A salvação é uma promessa, feita por Deus, de que encontrarias finalmente o teu caminho até Ele (LE-pII.2.1:1).

Nós não estamos em perigo de destruição, nunca corremos o perigo, nunca estaremos.

A versão de salvação do Curso não reverte um desastre; impede que o desastre aconteça.

Antes do início do tempo, Deus fez Sua promessa, uma promessa que “não pode deixar de ser cumprida” (LE-pII.2.1:2).

Essa promessa garantiu que o tempo e toda a bagunça que parecemos ter feito no tempo, teria um fim e, em última análise, não teria nenhum efeito.

Garantiu que a vida não pode acabar, que a santidade não pode se tornar pecado, que o Céu não pode se tornar o inferno.

Garantiu que nunca poderia haver mais do que uma ilusão de separação e um sonho de sofrimento e morte.

Prometeu que o ego nunca poderia se tornar real, que nenhuma vontade independente de Deus poderia surgir.

Definiu o fim desde o início e tornou-o perfeitamente seguro.

Finalmente encontraremos o nosso caminho para Deus, porque Deus prometeu que assim será.

Como funciona a salvação? A essência disso é declarada aqui em uma única frase:

O Verbo de Deus é dado a todas as mentes que pensam ter pensamentos em separado e Ele substituirá esses pensamentos de conflito com o Pensamento da paz (LE-pII.2.1:4).

No instante em que a nossa mente teve um pensamento de conflito, a Palavra de Deus foi implantada em nossa mente também. Antes mesmo que o desastre pudesse começar, a Resposta foi dada.

Você e eu, que pensamos em nós mesmos como entidades separadas, nós somos essas mentes que pensam que têm pensamentos separados.

Mas o Verbo de Deus foi implantado em nós; a verdade está por trás de todo o nosso autoengano. De dentro, o Pensamento de Deus está trabalhando silenciosamente, esperando, movendo-se para substituir todos os nossos pensamentos de conflito.

Os pensamentos de conflito são incontáveis, assumindo milhares de formas, cada uma em conflito com o universo e a maioria em conflito entre si.

O pensamento de paz é um só. É o único remédio para todo pensamento de conflito, seja ódio, raiva, desespero, frustração, amargura ou morte. O Pensamento de Deus cura todos eles.

O remédio está dentro de mim, agora. Isso é a salvação: voltar-se para o Pensamento de paz e encontrá-lo dentro de mim mesmo.

Parágrafo 2

O Pensamento da paz foi dado ao Filho de Deus, no instante em que a sua mente pensou em guerra. Antes disso, não havia necessidade de tal Pensamento, pois a paz era dada sem opostos e simplesmente existia. Mas quando a mente se dividiu, a cura se fez necessária. Assim, o Pensamento que tem o poder de curar a divisão tornou-se parte de cada fragmento da mente que, embora ainda permanecesse una, deixou de reconhecer a sua unicidade. Nesse momento, ela não mais se conhecia e pensou que havia perdido a própria Identidade (LE-pII.2.2:1-5).

O Pensamento de paz que é a nossa salvação “foi dado ao Filho de Deus no instante em que sua mente pensou na guerra” (LE-pII.2.2:1).

Nenhum tempo transcorreu nada entre o pensamento de guerra e o pensamento da paz. A salvação foi dada instantaneamente quando surgiu a necessidade.

Em uma bela imagem, o Texto diz que “nenhuma nota na canção do Céu se perdeu” (T-26.V.5:4).

A paz do Céu estava completamente intacta. E tendo sido respondido, o problema foi resolvido por todo o tempo e por toda a eternidade, naquele instante atemporal.

Nossa descoberta da salvação, entretanto, leva tempo. Ou pelo menos parece.

Uma analogia pobre: ​​imagine que você de repente está sobrecarregado com uma nota fiscal de dez mil dólares por um motivo até então inesperado, mas naquele exato instante, alguém deposita um milhão de dólares em sua conta corrente. Você poderia gastar muito tempo tentando levantar o dinheiro necessário se não soubesse sobre o depósito, mas na verdade tudo o que você precisa fazer é nada, porque o problema já está resolvido. A sua única necessidade, então, é parar de tentar resolver o problema e saber que ele já foi respondido.

Antes que o pensamento de separação (ou guerra) surgisse, não havia necessidade de um “Pensamento de paz”. A paz simplesmente existia, sem um oposto. Então, em certo sentido, nós podemos dizer que o problema criou a sua própria resposta.

Antes do problema, não havia resposta porque não havia necessidade de uma. Mas quando o problema surgiu, a resposta já estava lá.

Mas quando a mente se dividiu, a cura se fez necessária (LE-pII.2.2:3).

É o pensamento de separação que torna necessário o pensamento de cura, mas quando a cura é aceita, ou quando o pensamento de separação é abandonado, a cura não é mais necessária.

A cura é uma medida temporária (ou temporal, relacionada ao tempo). Não há necessidade disso no Céu.

Como o Curso diz sobre o perdão, porque há uma ilusão de necessidade, há necessidade de uma ilusão de resposta.

Mas essa “resposta” é realmente a simples aceitação do que sempre foi verdadeiro e sempre será. A paz simplesmente existe e a salvação está na nossa aceitação desse fato.

A salvação, como o Curso a enxerga, não é uma resposta divina ativa a uma necessidade real. Em vez disso, é uma resposta aparente a uma necessidade que, na verdade, não existe.

É por isso que o Curso chama o nosso caminho espiritual de “uma jornada sem distância” (T-8.VI.9:7) e, na verdade, “uma jornada que não começou” (LE-pII.225.2:5).

Enquanto nós estamos nela, a jornada parece muito real e, muitas vezes, muito longa. Quando terminar, nós saberemos que nunca saímos do Céu, nunca viajamos para lugar nenhum e sempre estivemos exatamente onde nós estamos: em casa em Deus.

A viagem em si é imaginária. Consiste em aprender, aos poucos, que a distância que nós percebemos entre nós e Deus simplesmente não existe.

Para a nossa mente, a separação é real.

A separação é um sistema de pensamento bastante real no tempo, embora não na eternidade (T-3.VII.3:2).

A mente pode fazer com que a crença na separação seja muito real… (T-3.VII.5:1).

A mente se sente dividida, separada de Deus e com um fragmento da mente separado de outros fragmentos.

Esta é a nossa experiência no tempo e é “bastante real” no tempo, embora não seja real na eternidade.

Na verdade, a mente não está realmente dividida; está simplesmente “deixando de reconhecer a sua unicidade” (LE-pII.2.2:4).

Mas dentro dessa mente, a experiência de separação parece real.

Pense em quase todos os sonhos que você teve em que está interagindo com outras pessoas. Você é você mesmo no sonho e existem outros personagens. Talvez alguém esteja fazendo amor com você. Talvez você esteja discutindo com alguém ou sendo perseguido por um monstro. Dentro do sonho, cada personagem é distinto e separado. As outras pessoas no sonho podem dizer ou fazer coisas que surpreendem você ou que você não entende. E ainda, na verdade, cada um desses “outros personagens” existe apenas em sua mente! A sua mente os está inventando. No sonho, há separação entre os personagens.

Na realidade, existe apenas uma mente e diferentes aspectos dessa mente estão interagindo uns com os outros como se fossem entidades separadas.

Isso, de acordo com o Curso, é exatamente o caso com todo o mundo. É uma mente, experimentando diferentes aspectos de si mesma como se fossem seres separados.

Nesse sonho, a separação entre os diferentes personagens parece ser clara e distinta, intransponível. E, no entanto, a mente ainda é uma.

A única mente não conhece a si mesma; acredita que “havia perdido a própria Identidade” (LE-pII.2.2:5).

Mas a Identidade não se perdeu de fato, apenas em um sonho.

E assim, dentro de cada fragmento da mente que está falhando em reconhecer sua unicidade, Deus implantou o Pensamento da paz, “o Pensamento que tem o poder de curar a divisão” (LE-pII.2.2:4).

Esta “parte de cada fragmento” (LE-pII.2.2:4) lembra a Identidade da mente. É uma parte compartilhada por cada fragmento.

Como um fio dourado passando por um pedaço de tecido, ele nos une e atrai os fragmentos aparentemente separados constantemente em direção à sua verdadeira unicidade.

Este pensamento dentro de nós sabe que “nada jamais aconteceu para perturbar a paz de Deus Pai e Deus Filho” (LE-pII.234.1:4).

Este Pensamento, implantado em nós por Deus, é o que nós buscamos quando nos imobilizamos no instante santo.

Ao aquietar todos os pensamentos separados, nós ouvimos esta Voz dentro de nós, falando de nossa unicidade, de nossa integridade, de nossa paz eterna.

Este Pensamento tem o poder de curar a divisão, de dissipar a aparente solidez de nossas ilusões de separação e de restaurar à Filiação a consciência no nível da realidade de sua unidade.

[A salvação] restaura à tua consciência no nível da realidade a integridade dos fragmentos que percebes como quebrados e separados (MP-19.4:2).

Parágrafo 3

A salvação é um “desfazer”, no sentido de que nada faz por não apoiar o mundo de sonhos e malicia. E, assim, afasta as ilusões. Por não apoiá-las, as abandona simplesmente no pó. Assim, o que escondiam é agora revelado: um altar para o santo Nome de Deus, no qual está escrito o Seu Verbo com as dádivas do teu perdão depositadas diante dele e logo atrás, a memória de Deus (LE-pII.2.3:1-4).

Participar da salvação não é o acréscimo de uma nova atividade, mas o abandono de nosso antigo drama de sonhos e malícia.

Ser salvo é parar de apoiar as nossas ilusões, parar de adicionar lenha ao fogo da raiva, do ataque e da culpa que devastou nossas mentes por eras.

A salvação não é fazer, mas desfazer.

É acabar com a nossa resistência ao fluir do amor, tanto o fluir de Deus para nós quanto o fluir de nós para Deus e os nossos irmãos.

A salvação significa que nós paramos de inventar desculpas para não amar. Significa que nós paramos de inventar razões pelas quais nós não somos dignos disso.

As distrações do ego podem parecer interferir com o teu aprendizado, mas o ego não tem nenhum poder para distrair-te, a não ser que lhes dês o poder de fazê-lo (T-8.I.2:1).

O único poder que o ego tem é o que nós damos a ele; ele usa o nosso próprio poder contra nós. Todas as ilusões do ego são financiadas por nosso investimento nelas.

Quando retiramos esse poder e paramos de apoiar as ilusões do ego, a salvação “as abandona simplesmente no pó” (LE-pII.2.3:3).

Como o ego é desfeito? Por nossa escolha de não suportá-lo mais.

O segredo da salvação é apenas esse: tu estás fazendo isso a ti mesmo (T-27.VIII.10:1).

Quando nós paramos de apoiar as ilusões da mente e elas se transformam em pó, o que resta?

Assim, o que escondiam é agora revelado… (LE-pII.2.3:4).

Quando as ilusões acabam, o que resta é a verdade. E a verdade é uma realidade maravilhosa dentro de nós.

Em vez da malícia, da mesquinhez e do mal que tememos encontrar dentro de nós, encontramos “um altar para o santo Nome de Deus, no qual está escrito o Seu Verbo…” (LE-pII.2.3:4).

A verdade que está por trás de todas as máscaras, os desvios, os enganos sutis do ego, é um altar para Deus dentro do meu próprio coração, um lugar santo, uma santidade antiga e eterna.

Existem tesouros diante deste altar. E são tesouros que coloquei lá! Eles são as dádivas do meu perdão. E é apenas uma curta distância, um momento no tempo, deste lugar “à memória de Deus” (LE.2.3:4).

A descoberta do altar santo para Deus em minha mente é o resultado de nada fazer; de deixar de continuar o meu apoio às ilusões do ego, de me recusar a não mais entregar a minha mente ao ego e aos seus propósitos.

A descoberta do que é verdadeiro a meu respeito e a memória de Deus que daí decorre surgem da minha disposição de questionar as ilusões e deixá-las ir.

Não preciso construir o altar ou reconstruí-lo; está lá, por trás das brumas da autoilusão.

O caminho para a verdade é por meio da exposição das mentiras que a escondem.

Bem dentro de mim, a comunhão com Deus continua ininterrupta, esperando apenas que eu me afaste das mentiras que me dizem o contrário.

Eu posso voltar para aquele altar agora. Eu posso limpar as cortinas que o escondem e entrar na Presença de Deus e encontrar o meu Ser esperando lá.

Parágrafo 4

Vamos diariamente a esse santo lugar para passarmos algum tempo juntos. Aqui, compartilhamos o nosso sonho final. Um sonho em que não há tristezas, pois contém um indício de toda a gloria que nos é dada por Deus. A relva desponta na terra, as árvores começam a brotar e os pássaros vêm viver em seus galhos. A terra renasce com uma nova perspectiva. A noite desapareceu e juntos chegamos até a luz (LE-pII.2.4:1-6).

Se o altar para Deus está dentro de mim, mas permanece amplamente oculto de minha consciência habitual, o que eu preciso fazer é “vir diariamente a este santo lugar” (LE-pII.2.4:1).

Esta é a prática do instante santo recomendada pelo Texto (ver T-15.II.5-6 e T-15.IV), um desvio premeditado de nossas atividades rotineiras para trazer as nossas mentes para este lugar santo, com Jesus ao nosso lado (“Vamos entrar … e passar um tempo juntos” [4: 1]).

O instante santo ainda não aconteceu para ti. No entanto acontecerá e o reconhecerás com perfeita certeza. Nenhuma dádiva de Deus é reconhecida de nenhuma outra forma. Podes praticar a mecânica do instante santo e muito aprenderás em fazê-lo. No entanto, o brilho resplandecente e cintilante do instante santo, que literalmente te cegará para esse mundo pela sua própria visão, tu não podes prover. E aqui está, tudo nesse instante, completo, realizado e totalmente dado (T-15.II.5:1-6).

Começa agora a praticar a pequena parte que te cabe em separar o instante santo. Receberás instruções muito específicas conforme fores avançando. Aprender a separar esse único segundo e a experimentá-lo como algo fora do tempo e começar a vivenciar a ti mesmo como um ser que não é separado. Não tenhas medo de que não vás receber ajuda nisso. O Professor de Deus e a Sua lição darão apoio à tua força. Apenas a tua fraqueza te abandonará nesta prática, pois é a prática do poder de Deus em ti. Usa-o apenas por um instante e nunca mais o negarás outra vez. Quem pode negar a Presença daquilo diante do qual o universo se inclina em apreciação e contentamento? Diante do reconhecimento do universo que A testemunha, as tuas dúvidas têm que desaparecer (T-15.II.6:1-9).

Esse curso não está além do aprendizado imediato, a não ser que acredites que a Vontade de Deus leva tempo. E isso apenas significa que preferirias protelar o reconhecimento de que tal é a Vontade de Deus. O instante santo é esse instante e todos os instantes. É aquele que queres que seja. Aquele que não quiseres que seja está perdido para ti. Cabe a ti decidires quando ele será. Não o atrases. Pois além do passado e do futuro, onde não irás achá-lo, ele está reluzente e pronto para a tua aceitação. No entanto, não podes trazê-lo à tua alegre consciência enquanto não o quiseres, pois ele contém toda a liberação da pequenez (T-15.IV.1:1-9).

A tua prática, portanto, tem que basear-se na tua disponibilidade para permitir que toda a pequenez se vá. O instante em que a magnitude irá despontar sobre ti está tão distante quanto o teu desejo por ela. Na medida em que tu não a desejas, e em vez dela aprecias a pequenez, nessa medida ela está distante de ti. Na medida em que a quiseres, tu a trarás para mais perto. Não penses que és capaz de achar a salvação a teu próprio modo e tê-la. Entrega qualquer plano que tenhas feito para a tua salvação no lugar do plano de Deus. O plano de Deus irá contentar-te e nenhuma outra coisa pode te trazer a paz. Pois a paz é de Deus e de mais ninguém além Dele (T-15.IV.2:1-8).

Sê humilde diante Dele e ainda assim grande Nele. E não dês valor a nenhum plano do ego mais do que ao plano de Deus. Pois deixas vazio o teu lugar no Seu plano, que precisas preencher se queres unir-te a mim, pela tua decisão de unir-te a qualquer outro plano senão o Dele. Eu te chamo para preencher a tua parte santa no plano que Ele deu ao mundo para liberar o mundo da pequenez. Deus quer que o Seu anfitrião habite em liberdade perfeita. Qualquer aliança a um plano de salvação, que não seja o de Deus, diminui o valor da Sua Vontade para ti em tua própria mente. E no entanto, é a tua mente que é anfitriã para com Ele (T-15.IV.3:1-7).

Queres aprender o quanto é perfeito e imaculado o altar santo no qual o teu Pai te colocou? Isso irás reconhecer no instante santo, no qual entregas de boa vontade e com alegria todos os outros planos exceto o de Deus. Pois lá está a paz, perfeitamente clara, porque tens estado disposto a satisfazer as condições que ela requer. Podes reivindicar o instante santo a qualquer momento e em qualquer lugar em que o queiras. Na tua prática, tenta entregar qualquer outro plano que tenhas aceito para achar magnitude na pequenez. Ela não está lá. Usa o instante santo só para reconhecer que sozinho não podes saber onde ela está e só podes enganar a ti mesmo (T-15.IV.4:1-7).

Eu estou no instante santo com tanta clareza quanto queres que eu esteja. E, a extensão na qual aprendes a aceitar-me, é a medida do tempo em que o instante santo será teu. Eu apelo a ti para que faças com que o instante santo seja teu imediatamente, pois a liberação da pequenez na mente do anfitrião de Deus depende da disposição da sua vontade e não do tempo (T-15.IV.5:1-3).

A razão pela qual esse curso é simples é que a verdade é simples. A complexidade é do ego e não é mais do que a tentativa do ego de obscurecer o óbvio. Poderias viver para sempre no instante santo, começando agora e chegando à eternidade, se não fosse por uma razão muito simples. Não obscureças a simplicidade dessa razão, pois se o fizeres, será apenas porque preferes não reconhecê-la e não permitir que ela se vá. A razão simples, colocada simplesmente, é a seguinte: o instante santo é um tempo no qual recebes e dás comunicação perfeita. Isso significa, entretanto, que esse é um tempo em que a tua mente está aberta, tanto para receber como para dar. E o reconhecimento de que todas as mentes estão em comunicação. Ele não busca, portanto, mudar nada mas apenas aceitar tudo (T-15.IV.6:1-8).

Como podes fazer isso, quando preferes ter pensamentos privados e mantê-los? A única forma na qual poderias fazê-lo seria negar a comunicação perfeita que faz do instante santo o que ele é. Tu acreditas que podes abrigar pensamentos que não queres compartilhar e que a salvação está em guardar os teus pensamentos apenas para ti mesmo. Pois em pensamentos privados, conhecidos apenas por ti, pensas que achaste uma maneira de manter o que tens só para ti e compartilhar o que tu queres compartilhar. E, então, te perguntas por que será que não estás em comunicação total com aqueles que estão em torno de ti e com Deus, Que envolve a todos juntos (T-15.IV.7:1-5).

Todo pensamento que mantiveres oculto corta a comunicação porque queres que seja assim. É impossível reconhecer a comunicação perfeita enquanto cortar a comunicação tiver valor para ti. Pergunta a ti mesmo com honestidade: “Eu quero ter comunicação perfeita e estou totalmente disposto a deixar de lado para sempre tudo aquilo que interfere com ela?” Se a resposta é não, então o fato do Espírito Santo estar pronto para dá-la a ti não é suficiente para que seja tua, pois ainda não estás pronto para compartilhá-la com Ele. E ela não pode vir à mente que se decidiu contra ela. Pois o instante santo é dado e recebido quando a disposição da vontade é igual, sendo a aceitação da Vontade única que governa todo pensamento (T-15.IV.8:1-6).

A condição necessária para o instante santo não requer que não tenhas nenhum pensamento que não seja puro. Mas requer que não tenhas nenhum que queiras guardar. A inocência não é feita por ti. Ela te é dada no instante em que a queiras. A Expiação não teria razão de ser se não houvesse necessidade dela. Não serás capaz de aceitar a comunicação perfeita enquanto a ocultares de ti mesmo. Pois aquilo que queres ocultar está oculto para ti. Na tua prática, então, tenta apenas estar vigilante contra o engano e não busques proteger os pensamentos que queres guardar para ti mesmo. Deixa que a pureza do Espírito Santo os dissipe com seu brilho e traze toda a tua consciência para estares pronto para a pureza que Ele te oferece. Assim Ele fará com que estejas preparado para reconheceres que és o anfitrião de Deus e não o refém de ninguém nem de coisa alguma (T-15.IV.9:1-10).

Se você está aberto a isso, parece-me que Jesus está aqui nos pedindo para passarmos algum tempo, diariamente, com ele, na presença de Deus.

Se a figura de Jesus é de alguma forma discordante para você, imagine um guia espiritual anônimo, talvez representando o seu Eu superior. Com ele, você entra nesse templo, fica ao lado do altar e passa algum tempo lá em comunhão com Deus.

Nós precisamos formar o hábito de trazer nossas mentes para o instante santo, nos lembrando da presença de Jesus (ou do Espírito Santo), celebrando esse altar para Deus dentro de nós, com o Seu Verbo escrito nele (LE-pII.2.3:4).

Este Verbo, eu penso, é o Verbo da salvação, a promessa que Ele fez de que nós encontraríamos o nosso caminho até Ele (LE-pII.2.1:1). É o pensamento de paz, que substituirá os nossos pensamentos de conflito.

Este ponto de encontro é onde nós experimentamos a comunicação ininterrupta entre nós e Deus. É aqui que nos banhamos no fluxo do amor que flui constantemente entre o Pai e o Filho.

O Capítulo 14, Seção VIII do Texto descreve este local santo de reunião e diz:

Tudo isso está a salvo dentro de ti, onde o Espírito Santo brilha. Ele não brilha onde há divisão, mas no local do encontro onde Deus, unido ao Seu Filho, fala ao Seu Filho através Dele. A comunicação entre o que não pode ser dividido não pode cessar. O local do encontro santo do Pai e do Filho, que são inseparáveis, está no Espírito Santo e em ti. Toda interferência na comunicação com o Filho que é a Vontade do próprio Deus é impossível aqui. Amor sem interrupção e sem falha flui constantemente entre o Pai e o Filho assim como Ambos querem que seja. E assim é (T-14.VIII.2:10-16).

E assim é. É isso que eu quero saber e vivenciar diariamente, ao vir a este lugar. Aqui eu trago minha culpa e medo e os coloco de lado, aceitando a Expiação para mim. Aqui minha mente renova o seu contato com a sua Fonte. Aqui eu redescubro a comunhão sem fim que é minha, minha herança como Filho de Deus. Aqui os meus pesadelos estão todos banidos e eu respiro o ar perfumado do Céu e de casa.

Quando vamos diariamente a este lugar santo, temos vislumbres do mundo real, “o nosso sonho final” (LE-pII.2.4:2).

No instante santo, vemos com a visão de Cristo, na qual não há tristeza. Temos permissão para ver “um indício de toda a glória que nos é dada por Deus” (LE-pII.2.4:3).

O objetivo do Curso para nós é chegar ao lugar onde nós levamos esta visão sempre conosco; onde nossas mentes são tão transformadas que nós não vemos nada além do mundo real e nós vivemos uma vida que é um instante santo contínuo.

Esse tempo pode parecer distante para mim, mas está muito mais próximo do que eu acredito e no instante santo eu o experimento como agora.

É chegando repetidamente ao instante santo, imergindo repetidamente as nossas mentes na visão do mundo real, que este mundo se torna a única realidade para nós, o sonho final antes de nós acordarmos.

Nesse sonho feliz, “a terra renasce com uma nova perspectiva” (LE-pII.2.4:5).

As imagens da relva despontando na terra, as árvores começando a brotar e os pássaros passando vindo viver em seus galhos (LE-pII.2.4:4) nos falam da primavera, de um renascimento após um longo inverno.

As imagens representam a nova percepção que nós temos do mundo, na qual a nossa noite espiritual se foi e todas as coisas vivas estão juntas na luz de Deus.

Nós olhamos para além das ilusões agora, para além do que sempre nos pareceu uma realidade sólida e nós vemos algo mais firme e seguro além delas, uma visão de santidade e paz eternas.

Vemos e ouvimos “as necessidades de cada coração, o apelo de cada mente, a esperança que está além do desespero, o amor que o ataque quer ocultar, a irmandade que o ódio buscou apartar, mas que ainda permanece tal como Deus a criou” (LE-pI.185.14:1).

Aqui, na visão do mundo real, nós ouvimos “o chamado que ecoa através de cada aparente apelo para a morte, que canta por trás de cada ataque assassino e implora que o amor seja desenvolvido ao mundo moribundo! (T-31.I.10:3)

Vemos que o único propósito do mundo é o perdão.

Como é belo o mundo cujo propósito é o perdão do Filho de Deus! (T-29.VI.6: 1).

Como é bonito caminhar limpo, redimido e feliz, através de um mundo em amarga necessidade de redenção que a tua inocência lhe concede! (T-23.In.6:5)

Parágrafo 5

Daqui, damos a salvação ao mundo, pois é aqui que a salvação foi recebida. A canção do nosso jubilo é o chamado para todo o mundo anunciando que a liberdade está de volta, que o tempo está quase no fim, que ao Filho de Deus só resta mais um instante de espera até que o seu Pai seja lembrado, os sonhos acabem e a eternidade brilhe afastando o mundo e só o Céu exista agora (LE-pII.2.5:1-2).

Voltamo-nos do mundo para o lugar santo interior; nós entramos no instante santo, onde caem as nossas ilusões porque não as sustentamos mais e nós começamos a ver com a visão de Cristo, vendo o mundo real.

E então voltamos ao mundo. “Daqui damos a salvação ao mundo, pois é aqui que a salvação foi recebida” (LE-pII.2.5:1).

Este movimento é repetido várias vezes no Livro de Exercícios e no Texto: à distância do mundo dos sonhos – para o instante santo – voltando para dar a salvação ao mundo.

O Curso de fato não planeja nos retirar do mundo, mas salvá-lo. Não nos impele a uma retraída, vida contemplativa, mas nos impele, de dentro do estado mental que nós nos encontramos em contemplação, para oferecer o que nós temos encontrado para o mundo.

“A canção do nosso júbilo é o chamado para todo o mundo anunciando que a liberdade está de volta” (LE-pII.2.5:2).

Nossa cura interior borbulha em uma “canção do nosso júbilo” e essa canção, essa alegria exuberante, torna-se exatamente o que chama o mundo de volta à sua liberdade.

Nada é tão curativo quanto uma pessoa cujo rosto está radiante de alegria.

Não é tanto que nós viemos ao mundo pregando uma nova religião (ver LE-pI.37), mas que nós a transformamos em conformidade com a nossa alegria.

A tua santidade é a salvação do mundo. Ela te permite ensinar ao mundo que tu e ele são um só, não através de sermões ou de explicações, mas meramente através do teu quieto reconhecimento de que, na tua santidade, todas as coisas são abençoadas junto contigo (LE-pI.37.3:1-2).

Representamos um novo estado de espírito. Como afirma o Manual de Professores, “representamos a Alternativa” (MP-5.III.2:6).

Nós salvamos o mundo sendo salvos.

A salvação resulta não em um mundo material perfeito, mas em um estado no qual “a eternidade tem brilhado afastando o mundo e só o Céu existe agora” (LE-pII.2.5:2).

À medida que nós entramos mais e mais plenamente no instante santo e na visão do “mundo real” que ele traz, nós estamos literalmente acelerando o próprio fim do tempo.

A frase “o mundo real” é na verdade um oxímoro, um par de palavras contraditórias, pois o mundo não é real (ver T-26.III).

Obs. minha: “Oximoro é uma figura de linguagem que coloca palavras de significados opostos lado a lado, criando um paradoxo que reforça o significado das palavras combinadas. A palavra oximoro vem do grego oxymoron, que é formada pela combinação de oxys, que significa intenso ou agudo, e moron, que é tolo.” Fonte site Significados link https://www.significados.com.br/oximoro/.

Esse é o fim da jornada. Temos nos referido a ele como o mundo real. No entanto, existe aqui uma contradição, pelo fato de que as palavras implicam uma realidade limitada, uma verdade parcial, um segmento do universo que se tornou verdadeiro (T-26.III.3:1-3).

O mundo real é o objetivo do Curso para nós e, ainda assim, quando o tivermos alcançado totalmente, nós mal teremos tempo para apreciá-lo antes que Deus dê Seu último passo e a ilusão do mundo desapareça na realidade do Céu (ver T-17.II).

A percepção do mundo real será tão breve que mal terás tempo para agradecer a Deus por ela (T-17.II.4:4).

O pesadelo é gradualmente traduzido em um sonho feliz e, quando todos os pesadelos acabam, não há mais necessidade de sonhar; nós vamos acordar.

A salvação, então, é o processo de traduzir o pesadelo em sonho feliz, o processo de desfazer as ilusões, o processo de remover as barreiras que construímos para amar, o processo, em suma, de perdão.

A experiência que vivemos agora é a nossa sala de aula. A razão de nós estarmos aqui é para aprender a verdade; ou melhor, desaprender os erros.

O Curso nos encoraja a nos contentarmos com o aprendizado e não a sermos impacientes. Nós não seremos e não podemos ser “abruptamente erguidos e jogados na realidade” (T-16.VI.8:1).

Isso nos aterrorizaria, como uma criança no jardim de infância sendo abruptamente nomeada presidente, ou um aluno do primeiro ano de piano sendo forçado a fazer um recital solo no Carnegie Hall.

Cada um de nós está exatamente onde pertence, aprendendo exatamente o que nós precisamos aprender.

Vamos, então, entrar com todo o coração e alegria no processo, praticando os nossos instantes santos, recebendo os nossos pequenos vislumbres do mundo real, cada um nos assegurando da realidade de nosso objetivo e a certeza de sua realização.

Buscamos também inspiração sobre o tema “O que é a Salvação em UCEM?”, em didático artigo do professor e escritor Thomas R. Wakechild, autor do livro “A Course In Miracle Workbook For Dummies” [“Livro de Exercícios de Um Curso em Milagres para Leigos”].

Estamos transcrevendo, em tradução livre, trechos do artigo sobre a seção “Special Theme: What Is Salvation? [Tema Especial: O Que É A Salvação?”] – Copyright © 2014 by Thomas R. Wakechild [Direitos autorais por R. Wakechild], para a nossa reflexão.

O artigo na íntegra em inglês poderá ser acessado no blog do autor através do link http://acourseinmiraclesfordummies.com/blog/wp-content/uploads/2014/07/PDF-What-is-Salvation-with-Notes-Upload-7-15-14-ACIM-Workbook-for-Dummies.pdf

O que é a salvação?

Cobre o Livro de Exercícios de Um Curso em Milagres – Parte II – 2. O que é a salvação? – Lições 231 a 240.

A salvação é uma promessa, feita por Deus, de que você finalmente encontraria o seu caminho para Deus. Deus é a Verdade com V maiúsculo. Substituindo Deus pela palavra Verdade, a salvação agora se torna uma promessa feita por Deus, de que você finalmente encontraria o seu caminho para a Verdade.

Visto que a Verdade é verdadeira e o que é falso não é, a Verdade deve se tornar a nossa realidade.

A salvação garante que o tempo acabará e, com ele, todas as ilusões egóicas de falta, limitação e separação se dissolverão e somente a verdade da unidade e do amor do Ser Único permanecerá.

Deus sabe o que Ele é. O estado natural da mente é conhecer a si mesmo. Uma mente que afirma não se conhecer é uma mente que está adormecida. Uma mente que está desperta sabe o que é e não tem crise de identidade.

É impossível não ser o que você é. Um exemplo do Sr. Smith pode ilustrar melhor este ponto.

O Sr. Smith só pode ser o Sr. Smith. Ele não pode ser um cachorro. O Sr. Smith pode fingir que é um cachorro, mas o seu fingimento não o transforma magicamente em um cachorro. O Sr. Smith continua sendo um homem fingindo que é um cachorro. Ele retém a sua verdadeira realidade como um ser humano chamado Sr. Smith. A negação do Sr. Smith de quem ele é não muda a verdade de que ele ainda é o Sr. Smith.

Da mesma forma, nós somos filhos amados de Deus com quem Deus está bem satisfeito. Nós permanecemos como Deus nos criou. Como o Sr. Smith, nós podemos negar a verdade e fingir que nós não sabemos o que nós somos. No entanto, ainda nós continuamos sendo o filho amado de Deus fingindo ser algo que ele não é.

A mente da criança está adormecida e precisa acordar. Uma vez desperta, a mente lembra o que realmente é e que nada mudou.

A mente retorna ao seu estado natural e se une à Mente compartilhada de Deus. O sonho de separação não tinha capacidade de mudar a realidade do que a Mente adormecida realmente é.

De acordo com UCEM, a salvação não faz nada.

A salvação é apenas o desfazer, no sentido de que a sua mente simplesmente para de suportar [apoiar] o seu mundo de sonho de raiva e medo.

A salvação permite que as ilusões não as sustentem mais. A ilusão de que você poderia ser algo diferente de como Deus o criou simplesmente desaparece. O que a ilusão escondeu é agora revelado e você volta a despertar para a verdade de que permanece como Deus o criou.

A salvação é o sonho feliz de despertar para essa Verdade.

A salvação é o sonho final com um propósito e ponto de vista diferentes.

Portanto, a salvação promove uma nova perspectiva para o seu mundo baseada na ideia de amor, perdão e unicidade.

O mundo que você percebe é transformado de um mundo de ódio e medo para um mundo de misericórdia e amor.

Nesse sonho final, o nosso propósito é dar ao mundo a sua salvação, em vez de nossa condenação.

Ao conceder salvação a todos, nós recebemos e reconhecemos a nossa própria salvação.

O tempo está quase acabando e o retorno à lembrança de Deus está apenas a um instante de distância. Nós estamos no Portão do Paraíso, onde todas as ilusões desaparecem e apenas o Céu permanecerá.

A sua mente precisa de cura quando você afirma que não é o seu grande “S” Ser.

A salvação é a cura da mente dividida. Uma mente que falha em reconhecer a sua verdadeira identidade está delirando. Assim como o Sr. Smith, que se esqueceu de que é apenas um humano fingindo ser um cachorro, a nossa mente insana precisa se lembrar de nossa verdadeira Identidade como o nosso grande “S” Ser.

A cura restaura a mente dividida ao lembrar a sua verdadeira e eterna natureza como Cristo.

A paz de Deus foi dada ao Filho de Deus no instante em que a mente dividida pensou na guerra. O que é guerra senão um ataque à sua própria identidade como criação de Deus.

Uma mente dividida é uma mente adormecida que faz guerra contra a sua natureza crística com base nas percepções equivocadas do seu ego sobre o que você é.

A salvação é a cura ou o despertar da mente adormecida para a verdade de que está apenas sonhando.

O perdão traz a cura porque é o reconhecimento da verdade de que nós continuamos sendo Crianças amadas de Deus mesmo quando nós dormimos.

Quando questionadas, as pessoas costumam responder que se sentem mais amadas quando são aceitas do jeito que são. Amor é a aceitação do outro sem julgamento e, portanto, o amor não tem necessidade de mudar, controlar ou consertar o outro.

O amor permite e mantém a verdade para outra pessoa sem condições egóicas. O amor pode ou não desempenhar o papel que o outro corpo-ego esperava que desempenhasse, porque o amor simplesmente segue a orientação do Espírito Santo. O amor não segue a Voz por medo.

Em nosso mundo de tempo e espaço, o termo salvação está associado à ideia de ser salvo.

Normalmente, na salvação, você é trazido de um estado de pecado, conflito e infelicidade para um novo estado de alegria e redenção.

A salvação religiosa pressupõe que alguém pecou e que a retribuição precisa ser feita se o paraíso for obtido ou reconquistado.

A salvação é outro exemplo de uma palavra comum que inconscientemente engendra medo, uma vez que assume que o Paraíso foi perdido.

A definição comum de salvação apoia a ideia de pecado, culpa e medo que está associada à crença do ego na falta, limitação e separação.

A salvação, como o perdão, é um aspecto do amor que nós não poderíamos experimentar no Céu, pois não há ninguém para ser salvo. O paraíso nunca foi perdido.

Apenas na ilusão do tempo a necessidade de salvação poderia existir, porque o tempo é a ilusão de fingir que você é algo que você não é.

Com o tempo, os nossos egos podem fingir que nós ou outra pessoa precisamos ser salvos. Somente na ilusão do tempo uma mente adormecida pode deixar de perceber a sua unicidade com o Ser Único ou que é o sonhador do sonho de falta, limitação e separação.

No mundo da forma, a salvação ou a salvação de outrem é um exemplo específico de ajuda.

A salvação ou ser útil é um atributo do amor, mas é algo que não pode ser experimentado no Céu.

Para ser útil, é necessário que alguém finja que realmente precisa de ajuda. Salvar outra pessoa exige que alguém acredite erroneamente que pecou ou pode morrer.

Para que você experimente o atributo do amor que nós chamamos de ajuda ou de salvar outra pessoa de seus problemas, você precisa de alguém que esteja disposto a desempenhar o papel de exigir a sua ajuda.

O nosso desejo de participar do jogo da separação nunca foi um problema. O jogo da separação nos permite demonstrar no mundo da forma, aspectos do amor que não podem ser experienciados no Céu.

No Céu, esses atributos e termos não têm sentido devido à nossa verdadeira realidade como parte do Ser Único.

Devido à natureza abstrata de uma Unicidade de Tudo Que É, esses termos não têm função ou propósito na Verdade.

A diferenciação é necessária, se nós quisermos simular a experiência dos aspectos específicos do amor que nós chamamos de perdão ou salvação.

Como o Sr. Smith, o nosso problema com o jogo da separação não é o fato de nós querermos fingir que nós éramos algo que nós não somos. O nosso problema só surgiu quando nós deixamos de lembrar que nós estamos apenas jogando um jogo e que o jogo não tem a capacidade de mudar o que nós somos.

Quando nós esquecemos de rir e nós confundimos o jogo com consequências reais ou mortais, o medo nasceu na mente dos jogadores. Em nossa mente confusa, o jogo agora assumiu uma realidade própria e se tornou a nossa realidade provisória.

O jogo do O Que Sou Eu foi projetado para fornecer experiências simuladas que nós desejávamos e eram impossíveis de experimentar dentro da verdade do Eu Único abstrato.

Nós desejamos ser amor, não apenas para saber que nós somos amor. Nós queríamos demonstrar os vários aspectos do amor e a diferenciação é necessária para que essa experiência seja possível.

Por ser amor na forma, nós completamos Deus e o abstrato Ser Único conhece a Si Mesmo. Lembre-se de que a diferenciação não significa diferente. A diferenciação apenas nos permite estar cientes de vários aspectos de Si Mesmo, que é apenas Amor.

No tempo, a salvação é a compreensão de que ninguém precisa de salvação. É por isso que a salvação não faz nada.

É simplesmente o fim da crença no nosso ego de que nós poderíamos ser algo diferente de como Deus nos criou, perfeitos, inteiros e completos, parte da Unicidade inseparável de Tudo O Que É.

O sonho feliz final que traz salvação ao seu mundo é compartilhar a verdade de que o pecado, a falta, a limitação e a separação não são reais. Os seus irmãos e as suas irmãs são inocentes e sem pecado.

Não há ninguém para salvar, pois a salvação é garantida por Deus e nunca foi perdida, apenas momentaneamente esquecida.

Cada um está em seu próprio caminho perfeito e exatamente onde precisam estar em seu redespertar para a verdade de acordo com o plano de Deus.

No sonho da salvação, você não precisa fazer nada para consertar, mudar, controlar, proteger ou impressionar outra pessoa.

Você simplesmente mantém a verdade de que as mentes adormecidas se esqueceram temporariamente do que são.

O sonho feliz da salvação é semelhante ao que Jesus disse que ele faz. Em Um Curso em Milagres, Jesus diz:

Se queres ser como eu, eu te ajudarei, sabendo que somos iguais. Se queres ser diferente, eu esperarei até que mudes a tua mente (T-8.IV.6:3-4).

No sonho feliz da salvação, a nossa mente egóica não precisa fazer nada. Nós não julgamos os outros nem os tornamos errados pelo ponto em que estão em sua jornada de despertar.

Nós apenas defendemos a verdade para todos e, quando guiados, nós estendemos a mão em ajuda.

Nós descansamos no conhecimento de que apenas o plano de Deus garante que todos encontrarão o caminho de casa e que a lembrança de Deus curará a mente dividida.

Nós confiamos na orientação do Espírito Santo ao pedir e seguir o que o amor deseja que nós façamos.

A salvação é o sonho feliz no qual você percebe que a sua mente egóica não tem nada para fazer.

Você pode abandonar todos os planos do seu ego para a sua salvação, uma vez que a salvação não pode ser conquistada.

Deus deseja que a sua herança divina nunca seja perdida. Você compartilha a verdade de que todos descansam com segurança no amor de Deus.

Com esta concessão da verdade da salvação do seu irmão, você recebe a sua própria salvação. Você agora descansa na paz de Deus.

Buscamos também orientação e inspiração no professor Robert Perry, em seu artigo-estudo didático e revelador “The Core Unit of Salvation” [“A Unidade Central da Salvação“], que para a nossa reflexão transcrevemos trechos em tradução livre a seguir.

O artigo completo em inglês poderá ser acessado através do site Circle of Atonement, link https://circleofa.org/library/the-core-unit-of-salvation/.

A unidade central da Salvação

Qual é o evento ou atividade essencial que nos desperta? Em alguns caminhos é a meditação.

O que há no Curso? Provavelmente responderíamos “o perdão” e isso é verdade.

No entanto, o que quero apresentar aqui é um quadro mais completo do que isso realmente significa.

O que tenho notado ao longo dos anos é um padrão recorrente em torno das passagens sobre perdão e outros tópicos-chave do Curso.

Agora eu percebo que esse padrão recorrente é o evento essencial no qual o Curso vê a salvação acontecendo.

Estou chamando-o de “unidade central da salvação” e, embora simplesmente reúna ideias que já ensinei, isso mudou a minha ideia do Curso em um grau significativo.

Ver isso no centro faz com que o Curso pareça um caminho diferente.

A Ideia

O que vejo repetidamente no Curso é alguma interação entre duas pessoas, breve ou extensa, na qual os mesmos elementos estão presentes repetidamente. A essência disso é: uma interação entre duas pessoas, na qual a salvação é passada de um lado para outro e os dois percebem que são um só.

Essa versão condensada pode ser expandida para o seguinte:

  • A verdadeira percepção entra na mente de alguém, aquele que dá (o doador).
  • Esta percepção verdadeira é expressa para a outra pessoa, aquele que recebe (o receptor).
  • O receptor é curado.
  • O receptor, como resultado, vê algo santo no doador.
  • O receptor expressa gratidão para com o doador.
  • O doador é curado – o receptor tornou-se o seu salvador.
  • Há um reconhecimento por parte de ambos de que o ganho do outro é o seu próprio ganho – eles percebem que os seus interesses são os mesmos.
  • Vendo que os seus interesses são os mesmos, eles percebem que são um só.

Exemplos

A razão pela qual eu estou chamando isso de “unidade central da salvação” é que existem tantas ideias ou passagens importantes, até mesmo centrais no Curso que são variações deste tema básico.

Eles vêm se acumulando em minha mente há muitos e muitos anos. Aqui estão alguns dos principais:

O “tem que haver um jeito melhor” de Helen e Bill.

O evento mais importante elogiado nas páginas do Curso fora o da crucificação/ressurreição é o evento que deu origem ao Curso: Helen e Bill se juntando em busca de um jeito melhor.

O Curso se refere a este evento repetidamente (eu contei 35 ocorrências e essa lista não está completa).

E por que não seria? É o evento no qual o Curso nasceu. Aqui está o seu padrão básico:

  • Bill tem um objetivo maior em sua mente
  • Ele expressa isso para Helen
  • Helen aceita a ideia como sendo dela
  • Ela expressa isso para Bill
  • Ambos se unem neste objetivo maior

A descrição do evento do Curso faz com que ele se encaixe ainda melhor no padrão:

A razão te dirá que eles não podem deixar de ter visto um ao outro através de uma visão que não é do corpo e se comunicado em uma linguagem que o corpo não fala. … Ao contrário de cada um, o outro viu um abrigo perfeito onde seu Ser poderia renascer em segurança e em paz (T-22.I.9:6,8).

O milagre

Nada poderia ser mais básico para o Curso do que o milagre e o milagre se encaixa perfeitamente neste padrão de “unidade central”.

Frequentemente nós pensamos no milagre como um evento estritamente interno (uma mudança na percepção) ou um evento estritamente externo (um cheque pelo correio), mas o Curso tende a descrevê-lo como um evento interpessoal.

Milagres… são genuinamente interpessoais e resultam em verdadeira intimidade com os outros (T-1.II.1:4).

Observe esta passagem inicial sobre o milagre:

Isto [o milagre] introduz um intervalo do qual ambos, tanto o doador como quem recebe, emergem mais adiante no tempo do que teriam estado de outra forma. O milagre substitui um aprendizado que poderia ter levado milhares de anos. Faz isso através do reconhecimento subjacente da perfeita igualdade entre quem dá e quem recebe na qual o milagre se baseia (T-1.II.6:4,7,8).

Uma passagem posterior contém o padrão de uma forma ainda mais completa. Essa é a de “O exemplo da cura” (T-27.V):

  • A sua experiência no instante santo: “…ainda que por apenas um instante, que amas sem atacar” (T-27.V.2.12).
  • O milagre então acontece a partir deste instante, curando as vítimas da guerra. “Ele traz conforto deste lugar de paz para o campo de batalha e demonstra que a guerra não tem efeitos” (T-27.V.3:3).
  • Os olhos das pessoas que você curou brilharão em você: “E olhos sofredores não mais acusarão, mas brilharão em agradecimentos a ti, que deste a bênção (T-27.V.6:4).
  • Isso vai te ensinar a lição que você ensinou a eles. “E então, quando a esqueceres, o mundo gentilmente irá lembrar-te o que ensinaste. A sua gratidão não recusará nenhum apoio a ti, que te deixaste curar para que ele pudesse viver (T-27.V.7:3-4).

O relacionamento santo

Há pouca coisa tão central no Curso quanto o relacionamento santo, que o Curso chama de “a fonte da tua salvação” (T-20.VIII.6:9).

Os estudantes geralmente acham difícil acreditar que realmente é uma união mútua entre duas pessoas, mas é assim que o Curso sempre a caracteriza.

O Curso descreve o relacionamento santo como uma versão estendida desta “unidade central” na qual as duas pessoas dão a salvação para a frente e para trás e gradualmente percebem que são uma só.

Aqui está uma ótima passagem sobre o relacionamento santo que ilustra isso:

Aqui está o teu salvador e o teu amigo, liberado da crucificação através da tua visão e livre para conduzir-te agora aonde ele quer estar. Ele não te deixará, nem abandonará aquele que o salvou da dor. E, contentes, tu e teu irmão percorrerão juntos o caminho da inocência, cantando enquanto contemplam a porta aberta do Céu e reconhecem o lar que os chamou. Dá alegremente ao teu irmão a liberdade e a força para te conduzir até lá. E vem para estar diante do seu altar santo, onde a força e a liberdade esperam, para oferecer e receber brilhante consciência que te conduz ao lar. A lâmpada está acesa em ti para o teu irmão. E pelas mesmas mãos que a deram a ele, tu serás conduzido além do medo até o amor (T-20.II.11:1-7).

Perdão

Muitas vezes nós pensamos que o perdão ocorre na mente de alguém, mas o Curso muitas vezes fala sobre isso em uma linguagem que soa exatamente como o padrão de que estou falando.

As duas passagens a seguir tem pairado em minha mente há alguns anos:

O perdão é a única dádiva que dou, porque é a única dádiva que quero. E tudo o que eu dou, dou a mim mesmo. Essa é a fórmula simples da salvação (LE-pII.297.1:1-3).

Perdoa e sê perdoado. Como dás, assim receberás. Não há outro plano senão esse para a salvação do Filho de Deus (LE-pI.122.6:3-5).

Essas são passagens notavelmente paralelas e extremamente importantes. Aqui está o que vejo que elas têm em comum:

  • Você dá perdão para o outro
  • Isto resulta em perdão sendo dado para você
  • Receber perdão salva você
  • Esse é o plano/fórmula para a salvação

Talvez nós tenhamos visto o perdão de maneira muito restrita, como algo ocorrendo na privacidade de uma mente.

Talvez o fenômeno do perdão, visto como um todo, seja realmente um evento interpessoal, no qual a mudança na mente de alguém leva a uma troca e uma união.

As seis Lições do Perdão

Mesmo em casos de perdão onde nenhuma interação está implícita, o Curso vê um tipo de interação ocorrendo.

Por exemplo, cinco anos atrás, eu examinei a repetição de elementos nas seis lições em que o Livro de Exercícios pede que você selecione alguém e depois perdoe essa pessoa.

O que descobri foi praticamente o mesmo padrão do qual estou falando aqui. Aqui está o padrão exatamente como o gravei há cinco anos.

  1. Selecionando uma pessoa para perdoar
  2. Entrando em contato com a nossa percepção atual dele como pecador
  3. Convidando uma nova percepção dele como nosso salvador
  4. Declarando a nossa intenção de vê-lo como o nosso salvador
  5. Vendo-o brilhando a salvação sobre nós e revelando a nossa santidade
  6. Tendo um sentimento de união com ele

Observe que, embora nenhuma interação física aconteça, ocorre uma interação experienciada.

Você se sente dando perdão a essa pessoa. Então você experimenta a pessoa como o seu salvador que está brilhando a salvação em você e revelando a santidade dela com você. Finalmente, você experiencia a si mesmo e esta pessoa se unindo. Todos os elementos da “unidade central” estão aqui, embora nenhuma interação física tenha acontecido.

O encontro santo

O que especificamente despertou essa percepção foi uma aula que ministrei sobre o encontro santo, uma interação em que a salvação é passada e voltada e as duas pessoas percebem que são uma só.

Quanto mais eu pensava sobre o encontro santo, mais eu tinha que remover a pequena cerca que minha mente havia desenhado inconscientemente em torno dele. Tornou-se mais do que uma coisa menor.

Eu vi que (como o Curso diz) isso é o que todos os encontros deveriam ser. E eu vi isso se mesclando com outros conceitos no Curso.

Tornou-se um exemplo de milagre sendo dado e recebido. Tornou-se um instante santo comum.

Ele se misturou tanto no Curso que percebi que era simplesmente um termo para esta “unidade central” – nada mais e nada menos.

Instantes santos conjuntos

Há uma declaração na seção “Eu não preciso fazer nada” que sempre me intrigou um pouco:

Um relacionamento santo é um meio de ganhar tempo. Um instante passado junto com o teu irmão restaura o universo para ambos… O tempo foi economizado para ti, porque tu e o teu irmão estão juntos. Esse é o meio especial que esse curso está usando para te fazer ganhar tempo (T-18.VII.5:2-3, 6:3-4).

O que isso quer dizer é que instantes santos conjuntos vivenciados por duas pessoas dentro de um relacionamento santo são os meios especiais do Curso para economizarmos tempo na jornada para casa.

Eles são o que diferenciam o Curso de outros caminhos e são o que o torna um caminho mais rápido.

Eles são centrais para o Curso. Por muito tempo, isso me pareceu uma ênfase exagerada nesses instantes santos conjuntos.

Afinal, eu pude encontrar muito poucas referências abertas a instantes santos conjuntos no Curso (e uma delas saiu de cena quando as mudanças de linguagem foram feitas para a Segunda Edição [versão FIP]).

Agora eu percebo que os instantes santos conjuntos estão por todo o Curso.

Encontros santos são instantes santos conjuntos. Quando o milagre é dado, recebido e devolvido, esse é um instante santo conjunto.

O que estou chamando de “unidade central da salvação” é muito simplesmente um “instante santo conjunto”.

Está em todo o Curso. É o meio central que o Curso está usando. E isso é o que distingue o Curso de outros caminhos.

Essa é a única coisa perfeita que nós podemos fazer neste mundo imperfeito.

Duas outras passagens ficaram gravadas em minha mente por vários anos:

Dentro do sonho dos corpos e da morte existe ainda um tema verdadeiro; talvez não mais do que uma diminuta fagulha, um espaço de luz criado na escuridão onde Deus ainda brilha. Tu não podes despertar a ti mesmo. Entretanto, podes te permitir ser acordado. Podes não ver os sonhos do teu irmão. Tu és capaz de perdoar as suas ilusões tão perfeitamente, que ele vem a ser o salvador dos teus sonhos. E à medida em que o vês brilhando no espaço de luz onde Deus habita dentro da escuridão, verás que o próprio Deus está presente onde está o corpo do teu irmão. Diante dessa luz, o corpo desaparece do mesmo modo que as sombras pesadas têm que dar lugar à luz. A escuridão não pode escolher que ele permaneça. A vinda da luz significa que ele se foi. Na glória, então, tu verás o teu irmão e compreenderás o que realmente preenche a brecha que há tanto tempo é percebida como aquilo que vos mantinha à parte. Lá, no seu lugar, a testemunha de Deus estabeleceu o caminho gentil da benignidade para com o Filho de Deus. Àquele a quem perdoas é dado o poder de perdoar as tuas ilusões. Pela tua dádiva de liberdade, a liberdade te é dada (T-29.III.3:1-13).

Essa é a centelha que brilha dentro do sonho para que possas ajuda-lo a despertar e estejas certo de que os seus olhos despertos descansarão em ti. E na sua feliz salvação, tu és salvo (T-29.III.5:6-7).

Aqui, onde as leis de Deus não prevalecem de forma perfeita, ainda assim ele pode fazer uma coisa perfeita e uma escolha perfeita. E através deste ato de perfeita fé em alguém percebido como diferente de si mesmo, ele aprende que a dádiva foi dada a ele e, portanto, os dois têm que ser um só. O perdão é a única função que tem significado no tempo (T-25.VI.5:1-3).

Há muito em comum com essas duas passagens:

  • Você perdoa o seu irmão (na segunda passagem, o “ato de perfeita fé” é claramente a dádiva do perdão, que é mencionada na última frase).
  • Como resultado, a dádiva que você deu é dada a você (em um caso, está claro que ele o devolve ativamente).
  • Há uma percepção que vocês dois são um só.
  • Essa troca de salvação é a única coisa perfeita/santa que pode acontecer neste mundo imperfeito/profano.

Outros como nossos Salvadores

Há um subtema que permeia muitas dessas categorias, que é o seguinte: tem havido um distorção consistente de categorias de sua natureza real como exemplos desta “unidade central”.

Isso tem sido especialmente verdadeiro para esta categoria – outros como os nossos salvadores.

Quase universalmente, os estudantes do Curso acreditam que os nossos outros são salvadores porque eles despertam ou provocam uma reação em nós e trazem o nosso ego à superfície.

É verdade que há uma passagem sobre isso (LE-pI.192.9:6) – uma passagem entre mais de cem! O resto caracteriza o nosso salvador como nos salvando em virtude de sua santidade, não em virtude de sua capacidade de despertar e provocar reações. Observe as seguintes passagens:

Ele [seu salvador] tem em si o poder de perdoar o teu pecado, assim como tu o dele. Nenhum dos dois pode dar a si mesmo esse perdão sozinho. E, no entanto, o salvador encontra-se ao lado de cada um (T-19.IV(D).13:5-7).

O teu salvador só te dá amor, mas o que queres receber depende de ti. Está nele não ver todos os teus equívocos e nisso está a sua própria salvação (T-20.IV.2:6-7).

Pois através dessa dádiva te é dado o poder de liberar o teu salvador para que ele possa te dar a salvação (T-21.II.3:8).

Perdoado por ti, o teu salvador te oferece a salvação (T-25.V.4:5).

Variações

Eu não quero caracterizar isso como um padrão monolítico. Claramente, há muitas variações dentro dele. Aqui estão algumas das variações:

  • O que pode ser compartilhado entre vocês dois pode ser percepções amorosas, ou pode ser um único objetivo pelo qual vocês se unem.
  • Isso pode ser de curto prazo (encontro santo) ou de longo prazo (relacionamento santo).
  • Isso pode ser apenas uma interação experienciada (como nas lições de perdão do Livro de Exercícios)
  • Isso pode ser um encontro com alguém não fisicamente presente (como na descrição em P-3.I.4), no qual a salvação realmente é trocada e a união mútua realmente ocorre, mas nenhum encontro físico ocorre.
  • Isso pode ser um exemplo completo do padrão ou apenas parcial. O Texto parece aludir a isto:

E cada encontro santo no qual entrares inteiramente vai te ensinar que isso não é assim (T-8.III.6:8).

Conclusão

Nós vimos três coisas nesses exemplos:

1. O mesmo padrão básico: uma interação entre duas pessoas em que a salvação é trocada e os dois percebem que são um só.

2. Esse padrão assume muitas formas e é descrito por vários termos diferentes.

3. Grande importância atribuída a este padrão. Isso é:

  • o local de nascimento do Curso
  • o evento mais elogiado no Curso
  • o que o Curso pretende nos ensinar (o milagre)
  • a fonte de nossa salvação (o relacionamento santo)
  • o ensino central do Curso (o perdão)
  • a fórmula para a salvação, o plano para a salvação
  • os meios especiais que o Curso está usando para nos poupar tempo
  • a única coisa perfeita/santa que pode acontecer neste mundo imperfeito/profano

Com base nos três pontos acima, eu penso que é totalmente garantido chamar isso de “a unidade central da salvação”.

Eu tenho alguns pontos de reflexão sobre isso.

Primeiro, isso realmente diferencia o Curso de outros caminhos de realização superior. Ele retrata o acontecimento de uma realização superior, não em momentos privados de meditação, mas na interação real com os outros. Isso parece extremamente significativo para mim.

Segundo, isso me dá uma nova apreciação da extrema importância da interação com os outros.

Terceiro, isso me dá a sensação de humildade que outras pessoas realmente me salvam, estimuladas pelo amor que lhes dei. É verdade que as coloco em ação, mas eu não sou salvo diretamente pelo que faço. Eu sou salvo diretamente pelo que elas fazem.

Ao contrário de outros caminhos, neste caminho eu literalmente não posso me salvar. Eu tenho que realmente persuadir a outra pessoa a me salvar. Se eu não fizer isso, eu estou sem sorte.

Isso significa que os frutos do meu estudo e prática têm que ser substanciais o suficiente para realmente colocar os meus salvadores em ação.

Eu posso pensar que eu sou o estudante do Curso mais iluminado vivo, mas se os outros me rejeitam repetidamente, então algo está errado.

Como o Curso diz:

…o amor volta para ti e o orgulho não (T-9.VIII.8:1).

O amor que dei tem que ser o suficiente para voltar para mim e literalmente me salvar, acordar-me.

Para ser mais franco, se o meu estudo e a minha prática não produzem encontros santos, então eles não significaram muito.

Reflexão escrita

Como isso mudou a sua visão do Curso e/ou da jornada espiritual?

Como isso afetou a sua visão das prioridades em sua vida? Quais coisas parecem ser mais prioritárias agora e quais coisas parecem menos prioritárias?

Isso provoca você a querer tomar algum tipo de decisão, estabelecer algum tipo de resolução interior? Se sim, o quê?

…continua Parte II…

Imagem regine-tholen-ojGvj7CE5OQ-unsplash.jpg

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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