… continuação da Parte I …

…o Espírito Santo é a ponte para a transferência da percepção ao conhecimento (T-5.III.1:1).

O Espírito Santo é a ideia da cura (T-5.III.2:1).

A Voz do Espírito Santo é fraca em ti (T-5.III.4:1).

Não podes compreender a ti mesmo sozinho (T-5.III.5:1).

Encontramos a nossa salvação oferecendo a salvação aos outros.  Allen Watson

Em continuidade ao nosso estudo sobre o que é a Salvação em UCEM e visando o nosso pleno entendimento sobre o sistema de pensamento do Curso, destacamos o artigo-estudo didático do professor Allen Watson, sobre o Capítulo 5, Cura e Integridade, do Livro Texto, Seção III – Título: O Guia para a salvação, que transcrevemos trechos, a seguir, em tradução livre para a nossa reflexão.

O artigo completo em inglês poderá ser acessado através do site do professor Allen Watson, no link abaixo indicado:   http://www.allenwatson.com/uploads/5/0/8/0/50802205/c05s03.pdf.

Guia de Estudo e Comentários de UCEM – Allen Watson

O Guia para a salvação – Visão geral da Seção

O Capítulo Cinco tem dois temas principais: o Espírito Santo como a Voz por Deus que nos chama a retornar e a natureza interpessoal dos milagres, ou a necessidade de compartilhar a nossa cura para saber que a temos.

As Seções II, III e IV, especialmente, enfocam esses dois temas. A seção III enfoca especialmente o papel do Espírito Santo na salvação.

• Questão de estudo •

1. Dê uma olhada nas Seções II e III [do Capítulo 5] e escreva todas as frases que você encontrar que descrevam o que é o Espírito Santo. Procure frases que começam com palavras como “O Espírito Santo é…” ou “Ele é…”

Parágrafo 1

O caminho para reconhecer [Versão Urtext {Ur}: aprender a conhecer/entender] o teu irmão é pelo reconhecimento [Ur: percepção] do Espírito Santo nele. Eu já disse que o Espírito Santo é a ponte para a transferência da percepção ao conhecimento, de modo que podemos [Ur: podemos] usar esses termos como se estivessem relacionados porque em Sua Mente eles estão. Essa relação tem que estar na Sua Mente porque se não estivesse, a separação entre os dois modos de pensar não estaria aberta à cura. Ele é parte da Santíssima Trindade porque a Sua Mente é em parte tua e em parte de Deus. Isso precisa ser esclarecido, não em palavras [Ur: já que dissemos isso antes] mas em experiência (T-5.III.1:1-5).

• Questão de estudo •

2. Explique o que você acha que a sentença 1:5 significa e como ela se relaciona com a sentença 1:1.

O Espírito Santo me conduz da falsa percepção, através da verdadeira percepção, ao conhecimento.

Ele é a “ponte” entre a minha percepção (dualidade) e o conhecimento de Deus (unicidade) (1:2).

“A Sua Mente é parte tua e em parte de Deus” (1:4), o que O coloca em uma posição única, conectando o Criador e a Criação.

Quando reconheço esse Espírito divino em meu irmão ou irmã, reconhecendo-o/a tanto como criação de Deus quanto como uma extensão do Próprio Deus, eu estou verdadeiramente reconhecendo o meu irmão como ele é (1:1). Eu estou vendo com a verdadeira percepção, o que me levará de volta ao conhecimento.

O Espírito Santo está intimamente conectado no Curso com a ideia de compartilhar com os nossos irmãos.

Visto que “O Espírito Santo, [é] a Inspiração compartilhada de toda a Filiação” (T-5.I.7:1), é impossível pensar Nele sem trazer o resto da Filiação.

O inverso também é verdadeiro: é impossível perceber os nossos irmãos verdadeiramente sem trazer o Espírito Santo: “O caminho para reconhecer o teu irmão é pelo reconhecimento do Espírito Santo nele” (1:1).

Nós reconhecemos a verdade sobre os nossos irmãos e as nossas irmãs quando nós percebemos que o Espírito Santo está neles assim como está em nós.

Dentro deles está o mesmo “Chamado para o retorno” (2:2), o mesmo “princípio da Expiação” (T-5.II.3:1), a mesma “Voz Que te chama de volta para onde antes estavas e estarás outra vez” (T-5.II.3:8), a mesma Voz por Deus silenciosamente lembrando e falando pela paz (T-5.II.7:7–8).

Quando você reconhece aquela Voz em seu irmão, você está reconhecendo a verdade sobre o seu irmão.

Esse reconhecimento é uma percepção, ainda não é um conhecimento, mas é “o caminho para aprender a conhecer/entender(1:1, Versão Urtext).

A percepção e o conhecimento verdadeiros estão relacionados na Mente do Espírito Santo (1:2).

Na verdade, a Sua Mente estabelece e mantém a relação entre percepção e conhecimento; Ele [Espírito Santo] é a ponte, o meio pelo qual os nossos pensamentos são transferidos da percepção para o conhecimento.

A percepção, você deve se lembrar, existe no reino do ego e da dualidade (que requer separação), enquanto o conhecimento existe apenas no reino do espírito e da unicidade, onde não existe separação e, portanto, nenhuma percepção.

Da percepção e do conhecimento surgem duas formas de pensar: o pensamento empírico (baseado na percepção) do ego e o que nós poderíamos chamar de pensamento gnóstico do espírito.

[Gnóstico significa “apreensão intuitiva de verdades espirituais”, de acordo com o American Heritage Dictionary.]

A separação entre as duas formas de pensar parece absoluta. Sem a ligação entre percepção e conhecimento fornecido pela Mente do Espírito Santo, não haveria maneira de curar a separação entre eles (1:3). O elo em Sua Mente deve existir porque a cura existe.

Eu penso que este ponto será mais significativo para os inclinados à filosofia entre nós – e eu me incluo nesse número. Para mim, existe um abismo logicamente intransponível entre percepção e conhecimento, ou entre a identificação com o ego e a identificação com a Identidade compartilhada da Filiação.

Há um senso filosófico de: “Você não pode chegar lá a partir daqui.” Como sempre eu tentei expressar, como posso “ser” sem ser diferente de outras coisas? Como posso “eu” desaparecer sem uma sensação de perda no Um? Como pode uma mente totalmente envolvida no pensamento perceptivo fazer a transição para a Gnose [conhecimento]?

O conceito do Espírito Santo, um Ser tanto parte da Mente de Deus quanto parte da minha mente (1:4), um Ser que, sendo parte de Deus, é capaz de transpor esse abismo cósmico, me encanta!

Parece tão apropriado, tão perfeitamente necessário, tão claramente adequado ao problema. No entanto, para outros, o problema parece planejado e o Espírito Santo parece quase totalmente desnecessário.

Essas pessoas não parecem se preocupar com a lacuna filosófica entre Unicidade [perfeita não-dualidade] e dualidade, perfeição e imperfeição, Céu e terra, ou eternidade e tempo.

Essas pessoas parecem ser capazes de dizer: “É claro que nós somos um com Deus!” e deixar por isso mesmo, sem luta ou conflito mental. Eu os abençoo; estou feliz por eles.

Para o resto de nós, que parece não poder evitar ver a antinomia representada por esses dois reinos totalmente distintos, o Espírito Santo vem como uma forma abençoada de sair de um dilema insolúvel.

[Antinomia: uma contradição entre dois princípios aparentemente igualmente válidos ou entre inferências tiradas corretamente de tais princípios. Fonte dicionário Merriam-Webster.]

Não me surpreende quando Jesus diz que essa natureza dual do Espírito Santo “precisa de esclarecimento” (1:5). Filosoficamente, é bastante profundo.

Mas fico surpreso quando ele acrescenta que o esclarecimento necessário virá “não de palavras, mas em experiência” (1:5). Sim, é a resolução de um paradoxo filosófico, mas a resolução não surge por meio de um pensamento profundo e inteligente; vem com a experiência.

Em outras palavras, por meio da gnose, “apreensão intuitiva das verdades espirituais”.

Podemos não ser capazes de envolver as nossas pequenas mentes em torno do conceito de um Ser que é parte da Santíssima Trindade e, ao mesmo tempo, parte de nossa própria mente, mas nós podemos experimentá-Lo e, dessa forma, chegar a compreender o que está sendo dito aqui.

À medida que nós experienciamos a operação do Espírito Santo dentro de nós, nós saberemos por meio dessa experiência o que significa que a Sua Mente é parcialmente nossa e parcialmente de Deus. Nós não precisaremos de explicações; nós simplesmente saberemos.

Parágrafo 2

O Espírito Santo é a ideia da cura. Sendo pensada, a ideia ganha à medida em que é compartilhada. Sendo o Chamado Daquele que fala por Deus é também a ideia de Deus. Como és parte de Deus, és também a ideia de ti mesmo, assim como a de todas as Suas criações [Ur: todas as partes de Deus]. A ideia do Espírito Santo compartilha as características de outras ideias porque segue as leis do Universo do qual faz parte. [Ur: Portanto,] Ela é fortalecida ao ser dada a outros. Aumenta em ti na medida em que a dás ao teu irmão [Ur: irmãos]. [Ur: Uma vez que os pensamentos não precisam ser conscientes para existir,] Teu irmão não precisa estar ciente do Espírito Santo nele mesmo ou em ti para que esse milagre ocorra. Ele pode ter dissociado o Chamado por Deus, assim como tu fizeste. Essa dissociação é curada nos dois à medida que tu vens a estar ciente do [Ur: ver] Chamado Daquele que fala por Deus nele, e assim reconheces o que é esse Chamado (T-5.III.2:1-10).

• Questão de estudo •

3. Explique como pensar no Espírito Santo como uma ideia – a ideia de cura, de Deus e de você mesmo – torna compreensível que você ganhe mais Dele ao doar para Ele.

Nós podemos começar a experienciar esse aspecto semelhante a uma ponte do Espírito Santo à medida que nós começamos a ter experiências de cura.

O Espírito Santo, somos informados, é uma ideia ou um pensamento – a ideia de cura (2:1).

Pode parecer difícil relacionar algo que é uma ideia com algo que age como uma pessoa. No entanto, o Curso se refere ao Espírito Santo e ao seu espírito como uma ideia ou “Pensamento de Deus” (T-13.VIII.4:3 e C-1.1:3), e em (2:3-4) ele chama o Santo Espírito “a ideia de Deus” e “a ideia de ti mesmo”.

O Espírito Santo representa a verdade; em certo sentido, Ele é a verdade, a própria ideia disso. Ele é o pensamento da integridade em nossas mentes, a consciência no nível da realidade, parecendo às vezes turva, de um estado de completeza e integração que nós sabemos que existe e para o qual nos esforçamos, embora nós não possamos nem mesmo descrevê-lo.

Ele é esse pensamento dentro de nós. Ele é a ideia de Deus ou do que Deus é, que parece vir de além do nosso próprio pensamento e nos puxar para cima em direção a si mesmo. Ele é a ideia do nosso verdadeiro Eu, chamando-nos para nós sermos reconhecidos e libertados da prisão do esquecimento.

Claramente, é importante que nós concebamos o Espírito Santo como uma ideia. Por quê?

Porque nós podemos entender que as ideias, como vimos em T-5.I.1, não diminuem quando são compartilhadas ou doadas e aumentam à medida que outras pessoas as recebem.

É importante que nós concebamos o Espírito Santo como uma ideia, porque nós podemos entender que as ideias não diminuem quando são compartilhadas ou doadas e aumentam à medida que outras pessoas as recebem.

Se o Espírito Santo é uma ideia, o mesmo se aplica em relação a Ele. Quando nós damos Ele para os outros, o que nós temos permanece o mesmo ou cresce e Ele estende a Si Próprio àqueles a quem nós O  damos.

A ideia do Espírito Santo é “fortalecida ao ser dada a outros. Aumenta em ti na medida que a dás ao teu irmão” (2:6–7).

Esse pensamento sobre ideias e doações foi desenvolvido pela primeira vez na Seção I, parágrafos 1 e 2. Agora está sendo aplicado especificamente ao Espírito Santo e o Seu sistema de pensamento.

A maneira de fortalecer a sua própria consciência do Espírito Santo é dar o Espírito Santo ao seu irmão, ou reconhecer o Espírito em seu irmão.

Como você faz isso? É necessário que a outra pessoa desperte e se torne consciente do Espírito Santo em sua vida para que você dê Espírito Santo a ela? Jesus nos diz que isso não é necessário (2:8-10).

A única coisa que você precisa fazer é “estar ciente do Chamado Daquele que fala por Deus nele e assim reconheces o que é esse Chamado” (2:10).

O seu irmão não precisa fazer nada. Ele não precisa estar ciente do Espírito Santo em si mesmo, nem reconhecer o Espírito Santo em você.

Nesta passagem, a cura é definitivamente vista como um processo unilateral. Apenas uma mente precisa mudar e ambas as mentes serão curadas. O seu irmão não precisa cooperar de forma alguma. Ele pode estar completamente alheio e ainda receber o milagre.

Quando vejo um irmão através do Espírito Santo em sua própria mente, ele está curado. Mas para que a cura se manifeste, ele deve aceitá-la e ele pode não estar pronto para fazer isso neste momento.

Nesse caso, o Espírito Santo retém a cura para ele até que o seu medo seja reduzido o suficiente para aceitá-la. A mesma ideia é apresentada na seção “A cura dever ser repetida?” no Manual para Professores. (Veja MP-7.2:1-3 e também MP-6.1:6, 2:9.)

Sempre que um professor de Deus tentou ser um canal para a cura, teve sucesso. Caso seja tentado a duvidar disso, não deveria repetir o seu esforço anterior. Aquilo já foi o máximo, porque o Espírito Santo o aceitou assim e o usou assim (MP-7.2:1-3).

O que acontece, porém, se o paciente usa a doença como um modo de vida, acreditando que a cura é uma forma de morte? (MP-6.1:6)

Que ele esteja certo de que ela foi recebida e confie em que será aceita quando for reconhecida como uma benção e não uma maldição (MP-6.2:9).

Exercício: Pense em um irmão que você considera um tanto insano e então repita essas palavras várias vezes, permitindo que elas penetrem em sua consciência no nível da realidade:

Eu vejo o Espírito Santo em você.
Eu reconheço uma Presença em você que é perfeitamente sã, que está sempre procurando guiá-lo para a santidade e que no final terá sucesso.

Parágrafo 3

Aqui nós temos um pouco de material da versão Urtext do Curso que mostra como o ensino cresceu organicamente a partir das experiências do dia a dia de Bill e Helen [os escribas do Curso]:

[Ur: Bill, que fez uma série de contribuições vitais para a nossa joint venture, fez uma [contribuição] importante há algum tempo, que ele mesmo não gostou nem mesmo entendeu. Se reconhecermos o seu valor juntos, nós poderemos usá-la juntos, porque é uma ideia e, portanto, deve ser compartilhada para ser realizada. Quando Bill disse que estava decidido a “não te ver desse jeito”, ele estava falando negativamente. Se ele apresentar a mesma ideia positivamente, ele verá o poder do que disse. Ele percebeu que existem dois jeitos de ver você e também que são diametralmente opostos um do outro.] Existem dois jeitos diametralmente opostos de ver o teu irmão. Ambos têm que estar em tua mente, porque tu és aquele que percebe. Eles também têm que estar na dele, porque tu o estás percebendo. [Ur: O que ele realmente estava dizendo é que não olharia para você através do ego, nem perceberia o seu ego em você. Se afirmado positivamente, ele iria vê-la através do Espírito Santo em sua mente e perceber isso em vocês.] Vê o teu irmão através do Espírito Santo na sua mente e O reconhecerás na tua. [Esta declaração editada estaria mais próxima do original se lesse: Veja-o através do Espírito Santo em sua mente e você O reconhecerá na dele.] O que reconheces no teu irmão, estás reconhecendo em ti mesmo e o que compartilhas, tu fortaleces.

[Obs. minha: Joint venture (expressão comum no reino da economia) é uma expressão de origem inglesa, que significa a união de duas ou mais empresas já existentes com o objetivo de iniciar ou realizar uma atividade econômica comum, por um determinado período de tempo e visando, dentre outras motivações, o lucro. Fonte: site Significados, link https://www.significados.com.br/joint-venture/.]

• Questão de estudo •

4. O que você é encorajado a fazer (em relação ao seu irmão) que o ajudará a reconhecer o Espírito Santo em sua mente?

Jesus aqui pega uma declaração simples de Bill, de que ele estava determinado “a não ver você desse modo” e a usa para unir o ensinamento sobre ver o Espírito Santo em nossos irmãos com o ensinamento sobre como compartilhar uma ideia fortalece a ideia.

O Curso quer que nós vejamos os nossos irmãos através do Espírito Santo em nossa mente; se nós o fizermos, reconheceremos o Espírito Santo em suas mentes (3:4, Urtext).

Ver alguém através do Espírito Santo em minha mente parece ter dois aspectos.

Primeiro, eu penso que significa vê-la como o Espírito Santo vê essa pessoa – a criação perfeita de Deus, o santo e inocente Filho de Deus.

Segundo, eu acredito que significa ver a atividade do Espírito Santo nele – o chamado para Deus, o mesmo desejo de paz e amor que está em nós.

O Curso está reafirmando um de seus temas centrais: Nós encontramos a nossa salvação oferecendo a salvação a outros.

Nós encontramos a nossa salvação oferecendo a salvação a outros.

Nós temos duas opções completamente diferentes de como vemos os nossos irmãos; ambas as opções existem em nossas mentes e nas mentes de nossos irmãos (3:1-3).

Ver através do Espírito Santo é uma opção especificamente mencionada (3:4). A outra opção, obviamente, é ver através do ego.

Quando alguém interage conosco, eles podem estar agindo a partir de seu ego, mas, no entanto, nós podemos escolher como os vemos.

Podemos vê-los através de nosso próprio ego, que se concentrará em seu ego, com o conflito como resultado certo. Ou nós podemos vê-los por meio do Espírito Santo.

O Espírito Santo é o mesmo em nós dois e Ele olhará para o nosso irmão com o mesmo amor com que olha para nós, reinterpretando-o em nome de Deus. Ele verá o seu espírito, não o seu ego. Ele ouvirá o seu pedido de amor e não os seus pensamentos de ataque maliciosos.

À medida que nós vemos o nosso irmão através dos olhos do Espírito Santo, reconhecendo o Espírito Santo nele, nós estamos reconhecendo o Espírito Santo em nós mesmos ao mesmo tempo.

Ao compartilharmos o Espírito Santo com o nosso irmão, nós O fortalecemos em nós mesmos (3:5). Ao ver outra pessoa desta forma, nós verificamos que o que vemos nela, também nós temos. Nós não poderíamos ver no outro se não existisse em nós.

A frase final deste parágrafo é aquela que memorizei. Isso vem à mente com frequência quando interajo com outras pessoas durante o dia.

“O que reconheces no teu irmão, estás reconhecendo em ti mesmo e o que compartilhas, tu fortaleces” (T-5.III.3:5).

Pego-me pensando: “O que estou reconhecendo sobre esta pessoa é algo que quero reconhecer sobre mim mesmo?” Se eu perceber que alguém é contencioso e argumentativo, por exemplo, tenho a opção de me concentrar nesse aspecto ou dirigir a minha atenção para algum aspecto mais positivo da pessoa.

Eu fortaleço tudo o que reconheço, então deixe-me reconhecer as coisas que eu quero fortalecer. Deixe-me determinar ver os outros através do Espírito Santo em minha mente e perceber o Espírito Santo em suas mentes.

Parágrafo 4

A Voz do Espírito Santo é fraca em ti. É por isso que tens que compartilhá-La. Ela tem que aumentar em força antes que possas ouvi-La. É impossível ouvi-La em ti mesmo enquanto Ela está tão fraca em tua [Ur: própria] mente. Ela não é fraca em Si, mas está limitada pela tua recusa em ouvi-La. [Ur: A vontade {disponibilidade} em si é uma ideia e, portanto, é fortalecida por ser compartilhada.] Se cometeres o equívoco de procurar o Espírito Santo apenas em ti mesmo, os teus pensamentos vão assustar-te [Ur: Vocês cometeram o equívoco de olhar para o Espírito Santo em vocês mesmos e é por isso que as suas meditações os assustaram] porque, por adotar o ponto de vista do ego, estás empreendendo [Ur: você empreendeu] uma viagem que é alheia ao ego usando o ego como guia. Isso está fadado a produzir medo. [Ur: a ideia melhor de Bill precisa ser fortalecida em vocês dois. Como era dele, ele pode aumentá-la dando a você.]

• Questão de estudo •

5. Se você sente que a Voz do Espírito Santo parece fraca dentro de você, como você pode fortalecê-la?

Compartilhar o Espírito Santo com outras pessoas é como nós fortalecemos a Sua Voz em nossas próprias mentes (4:1-2).

Se nós quisermos estar mais atentos à presença do Espírito Santo em nossas vidas, nós devemos começar procurando por Ele nos outros.

Quanto mais nós reconhecemos a presença do Espírito Santo em nossos irmãos, mais clara Sua voz se torna em nossas mentes.

A Voz do Espírito Santo é fraca em nós e deve ser fortalecida (4:3-4). Não que a Voz seja realmente fraca em si mesma, mas a nossa recusa em ouvi-La a limita (4:5).

A medida de quão disposta uma pessoa está em ouvir o Espírito Santo em si mesma é a sua disponibilidade para reconhecer o Espírito Santo nos outros.

Se alguém procurar pelo Espírito Santo apenas em si mesmo, vai acabar ficando com medo ao encontrar os pensamentos sombrios, viciosos e assassinos do seu próprio ego (4:6).

E é isso que ele encontrará porque a própria ideia de procurar o Espírito Santo apenas em mim mesmo é uma ideia do ego.

“Por mim mesmo/sozinho” é o cerne do ponto de vista do ego.

O ego acredita estar completamente sozinho, o que é apenas uma outra forma de descrever como ele pensa que se originou. Esse é um estado tão amedrontador que ele só pode voltar-se para outros egos e tentar unir-se a eles em uma frágil tentativa de identificação ou ataca-los, em uma demonstração igualmente frágil de força (T-4.II.8:1-2).

Portanto, se você procurar o Espírito Santo por si mesmo, … você está empreendendo uma viagem que é alheia ao ego usando o ego como guia. Isso está fadado a produzir medo (4:6-7).

Jesus parece estar fazendo um jogo muito sutil de palavras novamente, desta vez com a frase “alheia ao ego”, que tem um significado psicológico muito distinto.

Uma “viagem que é alheia ao ego” seria uma viagem inconsistente com as crenças fundamentais e a personalidade do ego.

Buscar o Espírito Santo é fundamentalmente inconsistente com as crenças do ego. Não é de se admirar, então, que “Isso está fadado a produzir medo”.

Colocando isso em termos práticos, não tente encontrar a Voz por Deus olhando apenas para você mesmo. Você estará pedindo ao ego para fazer algo alheio a ele mesmo e isso produzirá grande medo.

Em vez disso, procure por Ele em seus irmãos. Este caminho é totalmente harmonioso com a sua natureza como Filho de Deus e como parte da Filiação e a alegria é o resultado inevitável.

Um Interlúdio: Olhando para o quadro geral

Eu [o autor do artigo] tenho lutado para entender o que Jesus está dizendo aqui e eu tenho que confessar que não tenho certeza de ter feito isso.

Eu compartilharei com você o que tenho até agora, na esperança de que isso aumente a sua compreensão. Isso envolverá conceitos de toda a Seção, não apenas do parágrafo 5.

Depois de apresentar o que penso ser a ideia geral, voltarei aos comentários em andamento.

Entre as sentenças 2 e 3, o parágrafo 5 parece mudar os temas de pensamentos sobre o tempo e atraso, para uma discussão sobre o Espírito Santo como a Resposta de Deus ao ego, Aquele que nos reinterpreta para Deus.

No entanto, lendo mais adiante, parece haver uma continuidade do pensamento, porque as palavras “tempo” e “eternidade” aparecem posteriormente nos parágrafos 6 e 7.

A conexão entre o tema do tempo e o papel do Espírito Santo é difícil de entender, mas acredito que haja uma. Jesus vê conexões e relações entre ideias que a princípio, para nós, parecem completamente desconectadas, porque ele está vendo as coisas de uma perspectiva muito diferente.

Da perspectiva do ego, as ideias não estão relacionadas; da perspectiva do Espírito Santo, elas estão tão relacionadas que são quase idênticas.

No parágrafo 8, Jesus começa a falar sobre a paz da visão do Espírito Santo em oposição à guerra e conflito que são naturais ao ego. Esta parece ser outra mudança de tema.

No entanto, a frase final do parágrafo (8:13) liga claramente este tema de guerra e paz ao tema do tempo iniciado no parágrafo 5:

A eternidade e a paz estão tão intimamente relacionadas quanto o tempo e a guerra (T-5.III.8:13).

Na mente de Jesus, todos os três desses temas – tempo x eternidade, a função do Espírito Santo como reinterprete e guerra x paz – estão igualmente relacionados ao tema de abertura da seção: que a maneira de reconhecer o nosso irmão é reconhecer o Espírito Santo nele e a maneira de reconhecer a Voz por Deus em nós mesmos é reconhecê-la nos outros.

Se nós começarmos com a ideia do Espírito Santo como a “ponte” entre a percepção e o conhecimento, ideia que é recorrente nesta Seção, eu penso que nós temos uma boa pista de como todos os elementos se unem.

É-nos dito que o Espírito Santo é “o Mediador entre as interpretações do ego e o conhecimento do espírito” (7: 1).

A sua função é reinterpretar o que o ego faz (7:4) para que nós possamos entender tudo isso à luz de Deus.

Portanto, Ele faz a mediação entre as interpretações do ego e o conhecimento por reinterpretar as coisas. Ele não ataca nem destrói nada feito pelo ego; Ele simplesmente as reinterpreta para que nós possamos ver sem culpa.

Ele nos ajuda, por exemplo, a ver o chamado de amor por trás de um ataque. Ele não muda os fatos do que aconteceu, mas Ele transforma totalmente a nossa compreensão do que significa “o que aconteceu”.

Ele é a ponte entre a percepção e o conhecimento. Da mesma forma, então, Ele é a ponte entre o tempo e a eternidade e entre o conflito e a paz.

O ego criou a percepção, o tempo e o conflito. O Espírito Santo reinterpreta todas essas coisas e as usa para nos trazer de volta a Deus.

A sua reinterpretação é a nossa ponte entre a nossa percepção de quem nós somos e o conhecimento de Quem nós realmente somos.

Todas essas coisas, então, estão relacionadas porque em todas elas o Espírito Santo é o nosso Guia para a Salvação, reinterpretando o que nós fizemos de tal forma que nós possamos ver a criação de Deus por trás de tudo.

A reinterpretação do Espírito Santo é a nossa ponte entre a nossa percepção de quem nós somos e o conhecimento de Quem nós realmente somos.

A Sua função de reinterpretar a nós mesmos, ou de fazer a ponte entre o “ser” e o “Ser”, também está relacionada ao tema de reconhecer o Espírito Santo em nós mesmos, reconhecendo-o nos outros.

Encontrar o Espírito Santo em nós mesmos, reconhecendo o Espírito Santo em outras pessoas, ajuda-nos a perceber que nós não somos o ser isolado que pensávamos ser.

“Isso é assim porque não tens significado à parte do teu lugar de direito na Filiação … Essa é a tua vida, a tua eternidade e o teu Ser” (T-5.III.8:2-3).

A Filiação, que inclui a todos nós, é o nosso Ser; portanto, nós não podemos nos encontrar sem encontrar a Filiação.

Se nós começarmos a compartilhar a Sua percepção das coisas, nós veremos muitas coisas de maneira diferente. Por exemplo, se eu começar a perceber que o meu irmão é eu mesmo, uma parte da Filiação assim como eu sou, o mesmo que eu em vez de diferente de mim, eu não irei, como o ego, perceber contendas, conflitos e guerras.

A visão da Filiação é uma visão muito calma e pacífica (8:6) porque não há separação e ninguém para estar em conflito.

Compartilhando a Sua percepção, eu verei o tempo de maneira muito diferente porque vou me concentrar apenas no aspecto eterno do tempo, que é o agora (6:5).

Eu não verei o passado e não trarei a culpa dele para o presente, nem eu vou me preocupar com o futuro. O atraso não terá importância porque agora, na eternidade, tudo já está completo. Eu não vou me preocupar com atrasos em mim mesmo ou em meus irmãos, porque eu vou ver todos, incluindo a mim mesmo, a partir dessa perspectiva reinterpretada da qual o Espírito Santo constantemente me lembra.

Porque a Filiação é Uma Só, se eu compartilho essa percepção sobre eu mesmo, devo ter a mesma percepção de meus irmãos e se eu tenho essa percepção de meus irmãos, eu devo tê-la também sobre mim mesmo.

A Filiação, que inclui a todos nós, é o nosso Ser; portanto, nós não podemos nos encontrar sem encontrar a Filiação.

Isso, então, é o que eu sinto ser a mensagem geral desta Seção, que reúne vários temas aparentemente diversos.

Com esse entendimento geral em mente, voltemos agora aos nossos comentários sobre o parágrafo 5.

Parágrafo 5

O atraso é do ego, porque o tempo é um conceito egótico. [Ur: O atraso é obviamente uma ideia de tempo.] Tanto o atraso e o tempo são sem significado na eternidade. Eu já disse antes que o Espírito Santo é a resposta de Deus ao ego. Tudo o que o Espírito Santo te lembra está em oposição direta às noções do ego, porque percepções verdadeiras e falsas são opostas em si mesmas. O Espírito Santo tem a tarefa de desfazer o que o ego tem feito. Ele o desfaz no mesmo nível em [Ur: no mesmo domínio do discurso] que o ego opera, ou a mente não seria capaz de compreender a mudança.

• Questão de estudo •

6. Este parágrafo afirma claramente que a obra de desfazer do Espírito Santo opera no mesmo nível que o ego (em particular, dentro da estrutura de tempo e espaço). Por que é isso?

O ego não quer que você embarque nessa jornada e fará de tudo para atrasá-lo: “O atraso é do ego” (5:1).

Ele pensa que está ganhando algo ao atrasar você, porque “o tempo é um conceito egótico” (5:1).

Na verdade, o tempo e, portanto, o atraso, são sem significado na eternidade (5:2).

O ego primeiro nos atrasa e depois tenta nos fazer entrar em pânico por nós estarmos atrasados ​​na jornada. O Espírito Santo, que é a ponte entre o tempo e a eternidade, entende a nossa preocupação com o tempo, mas também entende que o tempo não tem sentido e ao se comunicar conosco Ele comunica a Sua despreocupação com os nossos atrasos.

Na sentença 3, Jesus começa a falar do Espírito Santo como a Resposta de Deus ao ego [à separação], uma ideia que ele introduziu anteriormente (T-5.II.2:5, por exemplo).

As ideias das quais o Espírito Santo nos lembra estão em “oposição direta às noções do ego” (5:4).

Este princípio geral pode ser ilustrado pelo que acabou de ser dito sobre o tempo, que é a ideia do ego, mas que não tem sentido na eternidade.

O que é dito a seguir é extremamente importante para entender por que o Espírito Santo trabalha da maneira como Ele faz.

O Espírito Santo tem a tarefa de desfazer o que o ego tem feito. Ele o desfaz no mesmo nível em que o ego opera, ou a mente não seria capaz de compreender a mudança. (5:5-6)

Existem dois pensamentos-chave aqui:

A tarefa do Espírito Santo é desfazer o que o ego tem feito. Ele não precisa criar nada novo porque a criação de Deus já está completa. Ele apenas desfaz o que o ego tem feito que esconde a criação de Deus. Ele remove os bloqueios para a consciência no nível da realidade da presença do Amor.

O Espírito Santo faz o Seu trabalho no mesmo nível em que o ego opera. Como diz o Esclarecimento de Termos, “Este curso permanece dentro da estrutura do ego, onde ele é necessário” (ET-Int.3:1).

A correção é necessária no nível em que o erro ocorreu e esse é o nível do ego. Se a correção viesse em um nível diferente, “a mente não seria capaz de compreender a mudança” (T-5.III.5:6).

É muito importante que nós percebamos isso. Enquanto nós estivermos em processo de correção, vamos permanecer no “nível do ego”.

Nós continuaremos a ter corpos e a parecer indivíduos separados. Nós vamos experienciar as limitações de tempo e espaço.

Nós não devemos esperar nos perder alegremente em alguma experiência contínua e direta dos reinos espirituais. Enquanto nós tivermos lições a aprender, nós continuaremos a experienciar as limitações do corpo.

Não te desesperes, portanto, por causa das limitações. É a tua função escapar delas, mas não existir sem elas (MP-26.4:1–2).

Parágrafo 6

Eu tenho enfatizado repetidamente que um nível da mente não é compreensível para outro. Assim é com o ego e o Espírito Santo [Ur: a Alma], com o tempo e a eternidade. A eternidade é uma ideia de Deus, logo o Espírito Santo [Ur: a Alma] a compreende perfeitamente. O tempo é uma crença do ego, então a mente inferior, que é o domínio do ego, aceita-a sem questionamento. O único aspecto do tempo que é [Ur: realmente] eterno é o agora. [Ur: Isso é o que realmente nós queremos dizer quando nós dizemos que o agora é o único momento. A natureza literal desta declaração não significa nada para o ego. Ele interpreta, na melhor das hipóteses, como “não se preocupe com o futuro”. Isso não é o que realmente significa.]

• Questão de estudo •

7. Para ter uma ideia melhor do que significa que “o único aspecto do tempo que é eterno é o agora”, tente praticar o exercício dado no Livro de Exercícios Lição 230, “Agora quero buscar e achar a paz de Deus”.

Existe um lugar onde o tempo e a eternidade se encontram. Esse lugar é o agora, no momento presente (6:5), ou no que o Curso, no Capítulo 15, começará a chamar de “o instante santo”.

O nível do ego da mente não pode compreender o espírito, nem pode compreender a eternidade (6:1-2).

Somente no instante santo, onde em certo sentido os níveis se sobrepõem, pode haver algum tipo de compreensão.

No instante santo, você sabe que o atraso não é importante porque agora você está inteiro, completo e em paz.

Lá, no instante santo o Espírito Santo faz a ponte entre a ideia aparentemente irreconciliável de eternidade e a crença do ego no tempo (6:3-4).

Tenha em mente essa dicotomia entre nossa mente inferior, dominada pelo ego e nossa mente superior que é controlada pelo espírito.

[Obs. minha: Dicotomia é a divisão de um elemento em duas partes, em geral contrárias, como a noite e o dia, o bem e o mal, o preto e o branco, o céu e o inferno etc. Fonte: site Significados, acesso através do link https://www.significados.com.br/dicotomia/.]

A mente inferior simplesmente não consegue compreender a ideia de que “o agora é o único tempo” ou que “o único aspecto do tempo que é eterno é o agora”.

O conceito não pode se encaixar no sistema de pensamento do ego, por isso é forçado a interpretá-lo mal como significando: “Não se preocupe com o futuro” ou “Sempre aprecie o momento presente.” Não é isso que significa. Significa literalmente que apenas este instante é real e isso é algo que nós não podemos começar a entender, exceto através da experiência do instante santo.

Parágrafo 7

O Espírito Santo é o Mediador entre as interpretações do ego e o conhecimento do espírito [Ur: da Alma]. Sua capacidade de lidar com símbolos faz com que Ele seja capaz de trabalhar com [Ur: contra] as crenças do ego em sua própria linguagem. Sua capacidade [Ur: igual] de olhar para o que está além dos símbolos na eternidade, torna-O capaz de compreender as leis de Deus pelas quais Ele fala. O Espírito Santo pode, portanto, desempenhar a função de reinterpretar o que o ego faz, não pela destruição, mas pela compreensão. A compreensão é luz e luz conduz ao conhecimento. O Espírito Santo está na luz porque Ele está em ti que és luz, mas tu mesmo não tens conhecimento disso. Portanto, é tarefa do Espírito Santo reinterpretar-te a favor de Deus.

• Questão de estudo •

8. Como a capacidade do Espírito Santo de lidar com símbolos do ego e com o que está além dos símbolos o ajuda a desempenhar a Sua função (7:2-4)?

Preenchido com o conhecimento do espírito, o Espírito Santo ainda é capaz de “trabalhar com as crenças do ego em sua própria linguagem” (7:2).

Ele pode preencher essa lacuna. Este parágrafo apresenta uma possível interpretação da linha na Seção I que diz: “O Espírito Santo é a única parte da Santíssima Trindade que tem uma função simbólica” (T-5.I.4:1).

Ele é a única parte da Trindade que trabalha com símbolos, que estão intimamente ligados à separação. (Um símbolo é algo que representa outra coisa. Sem separação, não há “outra coisa” e os símbolos são, portanto, impossíveis.) O Pai não tem nada a ver com símbolos; nem o Filho.

O Espírito Santo é o elo de comunicação ou Mediador entre o reino dos símbolos e o reino do conhecimento direto (7:1).

Esses dois níveis não podem se entender, mas o Espírito Santo entende os dois. Ele entende as leis de Deus, mas também pode alcançar uma mente dominada pelo ego e falar em linguagem simbólica (7:2-3).

Como um intérprete, Ele é capaz de falar tanto a nossa língua quanto a do Céu. Essa capacidade de preencher a lacuna é o que torna possível para Ele reinterpretar o que o ego faz (7:4).

Ele entende a eternidade e pode falar dela no devido tempo. Se isso não fosse possível, nós estaríamos presos no devido tempo.

A palavra “compreensão” (7:4) é importante porque diz como o Espírito Santo reinterpreta as coisas. Ele as compreende. Ou seja, Ele as percebe à luz da verdade e essa verdade conduz ao conhecimento (7:5).

Quando eu tenho um pensamento de ataque, por exemplo, o ego pode interpretá-lo de forma favorável ou desfavorável. Ou o ego justificará o ataque ou, se não puder fazer isso, interpretará como pecado e me fará culpado por isso.

O Espírito Santo, por outro lado, compreende o que realmente está acontecendo, por isso não justifica o ataque nem o condena. Em vez disso, Ele vê isso simplesmente como um equívoco, vindo do meu medo.

Ele vê isso como o meu pedido de amor (ver T-12.II.3:1–4) e responde com amor. Da mesma forma, Ele reinterpreta tudo o que o ego faz ao compreendê-lo, ao vê-lo na luz (7:6) e isso dissipa a escuridão.

Ele conhece a nossa verdadeira natureza como luz (7:6) e, com base nessa verdade, Ele nos reinterpreta a favor de Deus (7:7).

Essa é a sua função. Ele nos mostra que apenas os nossos pensamentos de amor são verdadeiros e tudo o que parece ser pecado e escuridão é uma ilusão (ver T-5.IV.1:3).

Parágrafo 8

Não podes compreender a ti mesmo sozinho. Isso é assim porque não tens nenhum significado à parte do teu lugar de direito na Filiação e o lugar de direito da Filiação é [em] Deus. Essa é a tua vida, a tua eternidade e o teu Ser. É isso que o Espírito Santo te lembra. É isso que o Espírito Santo vê. Essa visão [Ur: invariavelmente] assusta o ego porque é tão calma. A paz é o maior inimigo do ego porque, de acordo com a sua interpretação da realidade, a guerra é a garantia de sua própria sobrevivência. O ego vem a ser forte na discórdia [Ur: porque]. Se acreditas que há discórdia, vais reagir de forma perversa, pois a ideia de perigo entrou em tua mente. A [Ur: Esta] ideia em si mesma é um apelo ao ego. O Espírito Santo é tão vigilante quanto o ego ao chamado do perigo, opondo-Se ao perigo com a Sua força, assim como o ego o recebe com boas-vindas [Ur: com todo o seu poder]. O Espírito Santo neutraliza essas boas-vindas dando boas-vindas à paz. A eternidade e a paz estão tão intimamente relacionadas quanto o tempo e a guerra.

• Questão de estudo •

9. Qual é a visão que o Espírito Santo tem e nos lembra (2–5)?

10. Por que o conceito de “discórdia” é contraditório ao avanço espiritual (8-12)?

Eu penso que todas as ideias em discussão estão relacionadas à ideia de “atraso” mencionada no parágrafo 5. Essa menção segue uma discussão de como nós podemos cometer o equívoco de buscar o Espírito Santo apenas dentro de nós, o que pode parecer atrasar o nosso progresso.

No tempo, isso nos atrasa. Nós podemos ficar agitados com essa demora e desenvolver um senso de luta sobre o nosso progresso espiritual, ou “discórdia”, como o diz o parágrafo 8.

Da mesma forma, pensar que nós podemos ver o Espírito Santo em nós mesmos sem vê-lo nos outros nos coloca em discórdia com os outros.

Para o Espírito Santo, entretanto, a única parte importante do tempo é o agora. E a única coisa importante neste momento é estar em paz – não em discórdia.

No instante santo, nós podemos tocar na falta de preocupação do Espírito Santo sobre o que, para nós, parece ser um atraso e discórdia intoleráveis.

Ele nos vê já completos, já na luz e no instante santo Ele nos lembra de nossa completeza; Ele nos lembra que nós não precisamos fazer nada e que “atrasar” não importa.

Simplesmente não há maneira para nós compreendermos a nós mesmos sozinhos (8:1). Por quê? Porque nós não estamos sozinhos. Nós somos parte da Filiação e a Filiação é parte de Deus (8:2-3).

O Espírito Santo sabe disso, embora nós tenhamos esquecido (8:3-5, veja também 7:6).

Isso é o que Ele vê e o que nos lembra. Se nós tentarmos olhar para o nosso ego sem Ele, ou se nós tentarmos buscar o Espírito Santo apenas em nós mesmos (4:6), nós não entenderemos o que nós vemos.

O que nós somos inclui a totalidade da Filiação e a Filiação está em Deus. Se nós deixarmos esse contexto mais amplo, nós estaremos operando no nível do ego, o que inevitavelmente produzirá mais medo e, portanto, nos atrasará. O atraso não importa, mas também não é necessário.

A visão que o Espírito Santo vê assusta o ego porque é uma visão tão calma e, para o ego, a calma é aterrorizante. A paz é um de seus maiores inimigos (8:5-7).

É por isso que, se você procurar o Espírito Santo com o ego como guia (olhando apenas para si mesmo), você experimentará medo. A própria tranquilidade do que você vê aterrorizará o seu ego.

Por que a paz aterroriza o ego? Porque ele (o ego) prospera em luta, discórdia e guerra (8:7).

O ego vem a ser forte na discórdia (8:8).

A discórdia desperta o ego e nos faz reagir de forma perversa (8:9-10). A paz ameaça o ego.

O ego, portanto, acolhe o perigo e pensamentos de perigo (8:11). Esses pensamentos nos mantêm separados. O Espírito Santo opõe pensamentos de perigo com a Sua paz (8:12).

Os pensamentos de perigo vêm de nossa sensação de estarmos sozinhos contra o mundo. A Sua paz vem (como vimos anteriormente no parágrafo 8:2-4) da visão da Filiação, ou a compreensão de que nós não estamos sozinhos contra o mundo, mas um só com toda a criação de Deus. Portanto, não há nada que se oponha a nós, nada a temer.

Essa é a visão da unicidade eterna da Filiação, compartilhada conosco pelo Espírito Santo, que nos traz paz, nos liberta das preocupações com o tempo e nos traz a consciência de nosso verdadeiro Ser.

“A eternidade e paz estão … intimamente relacionadas …” nessa visão (8:13), assim como “o tempo e a guerra” estão relacionados na percepção do ego.

Parágrafo 9

O significado da percepção [Ur: assim como o conhecimento] é derivado dos relacionamentos. Aqueles que aceitas são os fundamentos das tuas crenças. A separação é apenas um outro termo para a mente dividida. [Ur: Não foi um ato, mas um pensamento. Portanto, a ideia de Separação pode ser dada, assim como a ideia de unicidade pode, e de qualquer forma, será fortalecida na mente do doador.] O ego é o símbolo da [Ur: a] separação, assim como o Espírito Santo é o símbolo da paz. O que percebes nos outros, estás fortalecendo em ti mesmo. Podes permitir que a tua mente perceba de modo equivocado, mas o Espírito Santo permite que a tua mente reinterprete as tuas próprias percepções equivocadas.

• Questão de estudo •

11. Como o Espírito Santo me ajuda a superar as minhas percepções equivocadas?

A ideia por trás deste parágrafo parece ser que o ego deve ser a fonte de qualquer percepção que me coloque em separação ou em conflito, seja dentro de mim mesmo ou com os outros, porque o ego é o símbolo da separação.

Se eu ouvir o Espírito Santo, eu devo estar em paz comigo mesmo e com toda a criação. Como vejo os outros é como eu me vejo. Se não estou em paz com você, eu não estou em paz comigo mesmo.

Este parágrafo começa com uma daquelas declarações que parece importante no minuto em que você a ouve e, ainda assim, como muitas coisas nesta seção, a declaração parece bastante enigmática.

O significado da percepção é derivado dos relacionamentos. Aqueles [relacionamentos] que aceitas são os fundamentos das tuas crenças. (9:1-2)

A percepção, é claro, é o meio criado pelo ego, pelo qual nós “conhecemos” as coisas.

Ele “deriva significado” sobre o que você vê pela maneira como a mente se sente relacionada com o que está sendo visto.

Se eu vir um acidente de carro, por exemplo, a minha mente atribuirá um significado muito diferente, dependendo se o carro envolvido pertence a um estranho ou é o meu carro.

Um atentado terrorista pode suscitar certa simpatia pelas vítimas, mas se o meu filho morrer na explosão, isso significa muito mais para mim.

A intensidade do significado que minha mente atribui varia em proporção ao grau de minha relação com o que percebo.

Que relacionamentos eu aceito em minha mente? Os relacionamentos que aceito determinam as minhas crenças sobre o que vejo (9:2).

Da perspectiva do Espírito Santo, eu estou relacionado com tudo; os meus relacionamentos são com o universo (T-15.VIII.4:4). Se eu compartilhar a visão da Filiação única, tudo terá significado para mim.

A separação é apenas um outro termo para a mente dividida (9:3).

Nós pensamos em nós mesmos como seres separados, mas na verdade existe apenas uma mente, percebendo-se como dividida. A separação que eu vejo externamente é apenas o reflexo da divisão interna. O conflito que vejo lá fora reflete a guerra contra mim mesmo em minha mente.

O ego – a minha consciência separada – é o símbolo dessa guerra (9:4). O Espírito Santo é o símbolo da paz (9:4).

O que eu vejo no meu irmão? Ego ou Espírito Santo? Guerra ou paz? O que você percebe nos outros, você está fortalecendo em si mesmo.

Você pode deixar a sua mente interpretar de maneira equivocada, mas o Espírito Santo permite que a sua mente reinterprete as suas próprias percepções equivocadas. (9:5-6)

A escolha é entre o ego e o Espírito Santo, entre indivíduos separados em conflito ou a calma eterna da Filiação, entre um ser perdidamente se arrastando no tempo ou um Ser eternamente íntegro.

O que eu escolho ver em meu irmão, eu estou fortalecendo em mim mesmo. Se eu escolher ver nele o Cristo com o qual nós ambos estamos relacionados, isso formará o fundamento de minha crença sobre mim mesmo. Se eu decidir não me relacionar com ele, vê-lo como separado, eu formo e fortaleço a minha crença em minha própria separação.

No entanto, mesmo se eu fizer a escolha errada e interpretar mal o meu irmão, o Espírito Santo me capacitará a reinterpretar as minhas percepções equivocadas (9:6).

Ao trazer as minhas percepções equivocadas a Ele, mantendo-as em Sua luz, Ele me capacitará a ver as coisas de maneira diferente.

Ele é o Guia para a Salvação, mostrando-me o caminho para sair da confusão de minhas próprias percepções equivocadas. Ele me reinterpreta em nome de Deus.

Posso unir a minha mente à Dele e com Ele reinterpretar minhas percepções equivocadas. É um empreendimento colaborativo: ele tem a visão, mas nós temos que concordar em compartilhá-la.

Parágrafo 10

O Espírito Santo é o professor perfeito. Ele usa apenas o que a tua mente já compreende para te ensinar que não a compreendes. O Espírito Santo pode lidar com um aluno relutante [Ur: um relutante] sem ir contra a mente do aluno [Ur: vontade], porque parte dela [Ur: sua vontade] ainda é a favor de Deus. Apesar das tentativas do ego de ocultar essa parte, ela ainda é muito mais forte do que o ego, embora o ego não a reconheça. O Espírito Santo a reconhece perfeitamente porque é a Sua própria morada, o lugar na mente onde Ele está em casa. Tu também estás em casa nesse lugar, pois é um lugar de paz e a paz é de Deus. Tu que és parte de Deus, não estás em casa a não ser na Sua paz. Se a paz é eterna, só estás em casa na eternidade.

• Questão de estudo •

12. (a) Qual parte da sua mente – ego ou a parte para Deus – é mais forte? (b) Por que muitas vezes nós não temos consciência da parte que pertence a Deus?

13. Quando você puder, gaste de cinco a dez minutos em meditação tentando se tornar ciente da parte de sua mente que ainda é a favor de Deus, a parte que é chamada de “morada” do Espírito Santo, “o lugar onde Ele está em casa ”, o lugar também onde “… você está em casa… ” e o “lugar de paz”.

Os significados que nós atribuímos às coisas com base em nossa aparente falta de conexão com elas são interpretações equivocadas.

Essas percepções equivocadas constituem o que nós acreditamos ser a nossa “compreensão” das coisas.

O Espírito Santo não lança um ataque frontal às nossas percepções equivocadas; Ele as usa para nos corrigir (10:1-3).

Ele pega o que nós pensamos que nós sabemos e através da lógica, demonstração, experiência dos resultados de nossas crenças e experiência que vem de Sua visão, Ele nos ensina que nós não sabemos absolutamente nada.

Ele não vai “contra a [nossa] mente” (10:3).

Em vez disso, Ele apela para a parte da nossa mente que ainda é a favor de Deus, a parte que “ainda é para Deus” (10:3), que é a parte da mente que o Curso às vezes chama de “mente certa” (T-5.I.3:3) ou “mente superior” (T-4.IV.11:2).

Nós vimos a mesma ideia na última seção:

Ele está na parte da tua mente que sempre fala a favor da escolha certa, porque fala por Deus (T-5.II.8:2).

Existe uma parte de sua mente que não está corrompida; para superar a irracionalidade que você aceitou, o Espírito Santo apela para a razão que habita naquela parte não corrompida da mente.

A mente certa é a aliada do Espírito Santo. A Sua voz fala tanto por sua mente certa quanto por Deus; Ele está lembrando você de sua própria vontade, o que você realmente deseja.

O propósito desse Guia é apenas o de lembrar-te o que tu queres (T-9.I.3:6).

A mente certa é muito mais forte do que o ego (10:4). O ego tenta esconder a sua mente certa de você, mas o Espírito Santo reconhece a sua força e a usa.

A mente certa é a Sua própria morada (10:5). Essa mente também é nossa verdadeira morada, nosso estado nativo. É um lugar de paz e nós estamos em casa apenas em paz (10:6–7).

Visto que a paz é eterna, então porque nós estamos em casa apenas na paz, nós estamos em casa apenas na eternidade (10:8).

A mente certa é o “lugar” que nós visitamos em um instante santo.

Quando medito, muitas vezes penso em mim como “voltando para casa” e, às vezes, isso me ajuda a remover os pensamentos e sentimentos obscuros do ego. Com as barreiras removidas, posso “voltar para casa”, neste lugar de paz eterna que está dentro de mim.

Às vezes, a nossa paz parece tão frágil, sujeita a todas as variações menores da vida, quebrada pelo menor levante de ameaça ou problema.

A verdade é que a nossa paz é mais forte do que qualquer coisa que o ego possa lançar sobre ela. A nossa paz, de fato, nunca foi perturbada. A nossa paz é eterna (10:8).

Nenhuma nota na canção do Céu se perdeu (T-26.V.5:4).

O caos barulhento da mente do ego é apenas uma ilusão. Por dentro, sempre há paz. É esta paz eterna que o Espírito Santo nos lembra.

Parágrafo 11

O ego fez o mundo como o percebe, mas o Espírito Santo, que reinterpreta os feitos do ego, vê o mundo [Ur: apenas] como um instrumento de ensino para trazer-te para casa. O Espírito Santo tem que perceber o tempo e reinterpretá-lo no que é intemporal. [Ur: A mente deve ser conduzida para a eternidade através do tempo, porque tendo feito o tempo, ela é capaz de perceber o seu oposto.] Ele [O Espírito Santo] tem que trabalhar através dos opostos, pois tem que trabalhar com a mente que está em oposição e por ela. Corrige e aprende e sê aberto ao aprendizado. Tu não fizeste a verdade, mas a verdade ainda pode libertar-te. Olha como o Espírito Santo olha e compreende como Ele compreende. A Sua compreensão olha de volta para Deus em memória de mim. Ele está em comunhão [Ur: Santa Comunhão] com Deus sempre e Ele é parte de ti. Ele é o teu guia para a salvação, porque guarda a memória de coisas passadas e por vir [“a lembrança das coisas passadas” é do Soneto 30 de Shakespeare] e as traz ao presente [“as traz para o presente” parece ter sido inserido pelos editores]. Ele mantém esse contentamento de modo gentil em tua mente, pedindo apenas que tu o aumentes em Seu Nome, compartilhando-o, para aumentar a Sua alegria em ti.

• Questão de estudo •

14. Dê o seu entendimento da frase 6: “Olha como o Espírito Santo olha e compreende como Ele compreende.

As maneiras como o ego e o Espírito Santo olham para o mesmo mundo estão em total contraste.

A visão do Curso sobre a origem do mundo é bastante sombria; ensina que o ego fez o mundo como uma expressão de separação, um campo de batalha, uma poderosa distração de Deus e um lugar onde a grandeza é encontrada no desafio e na conquista.

É assim que o ego percebia o mundo, então é assim que ele fez o mundo (11:1). Quando nós olhamos para o mundo sem a ajuda do Espírito Santo, é isso que nós veremos. Assim é o mundo.

No entanto, o Espírito Santo “vê o mundo como um instrumento de ensino para trazer-te para casa” (11:1). Ele é a ponte entre o mundo e o céu. Ele reinterpreta o que o ego fez (11:1). Ele pega exatamente as coisas que o ego fez para nos separar de Deus e as usa para nos levar para casa.

Por exemplo, o ego fez relacionamentos especiais como uma resposta à dádiva do Espírito Santo de Deus, um engano sutil para nos afastar do Céu.

Em certo sentido, o relacionamento especial foi a resposta que o ego deu à criação do Espírito Santo, Que foi a Resposta de Deus à separação (T-17.IV.4:1).

O Espírito Santo não destrói relacionamentos especiais; em vez disso, Ele os transforma em relacionamentos santos e os torna o reflexo mais tangível do Céu possível.

É isso o que o Espírito Santo faz no relacionamento especial. Ele não destrói, nem o arranca de ti. Mas Ele o usa de um modo diferente, como uma ajuda para fazer com que o Seu propósito seja real para ti. O relacionamento especial permanecerá, não como uma fonte de dor e culpa, mas como uma fonte de alegria e liberdade (T-18.II.6:4-7)

Em Sua função como Intérprete do que fizeste, o Espírito Santo usa os relacionamentos especiais, que escolheste para dar apoio ao ego, como experiências de aprendizado que apontam para a verdade (T-15.V.4:5).

Nesse mundo, o Filho de Deus se aproxima o máximo possível de si mesmo em um relacionamento santo (T-20.V.1:1).

Um exemplo de como o Espírito Santo reinterpreta o que o ego fez diz respeito ao tempo. O tempo e o atraso não têm sentido na eternidade. No entanto, o Espírito Santo usa o tempo para nos levar à eternidade (11:2).

Parece que nós aprendemos com o tempo. Como nós lemos no Princípio dos Milagres de nº 15:

…O propósito do tempo é fazer com que sejas capaz de aprender como usá-lo construtivamente. É, portanto, um instrumento de ensino e um meio para um fim. O tempo cessará quando não for mais útil para facilitar o aprendizado. (T-1.I.15:2–4)

O propósito do tempo é unicamente “dar-te tempo” para conseguir esse julgamento [retendo apenas o que é criativo e bom em sua mente] (T2.VIII.5:8).

O Espírito Santo usa o tempo para nos conduzir para fora do tempo. Como nós estamos na ilusão do tempo, parece que nós precisamos de tempo para passar pelo processo de aprendizagem.

O Espírito Santo está perfeitamente disposto a cooperar com essa ilusão, contanto que Ele possa usá-la para nos levar para mais perto de casa.

Nossa mente está em oposição; nós estamos aqui para desaprender essa oposição, porém a fim de que nós possamos alcançar a nossa mente dualística e nos levar para casa, o Espírito Santo deve operar através dos opostos (11:3).

Ele nos encontra onde nós estamos. Graças a Deus, Ele não nos pede para ficarmos livres do conflito antes de nos ajudar! Sim, Ele está aqui para nos ajudar a nos libertar do conflito, porém para nos conduzir para esta liberdade é que Ele trabalha dentro do contexto do conflito.

Corrige e aprende e sê aberto ao aprendizado (11:4).

Ele nos exorta a permitir que Ele nos apresente a correção de nosso pensamento distorcido.

Nós podemos unir as nossas mentes com o Espírito Santo para ver como Ele olha e compreender como Ele compreende (11:6).

Isso é o que nós estamos aprendendo a fazer. Ele “olha de volta para Deus” (11:7).

Ele está em comunhão com Deus sempre e nos chama para compartilhar essa comunhão (11:8).

Ele está dentro de nós como o nosso Guia para a salvação, conduzindo-nos constantemente para o presente eterno (11:9).

A “memória de coisas passadas e por vir” que Ele guarda (11:9) fala, eu penso, de nossa glória anterior e futura como crianças de Deus.

Isso foi referido anteriormente em T-5.II.3:8:

A Sua é a Voz Que te chama de volta para onde antes estavas e estarás outra vez.

Ele mantém “esse contentamento de modo gentil suavemente em tua mente”, mantendo a memória dela lá para que possamos reafirmar a qualquer momento e tudo o que Ele pede é que nós aumentemos esse contentamento compartilhando-o (11:10).

Em resumo, então, o Espírito Santo é uma Presença divina em nossas mentes que opera constantemente para preservar a verdade e retornar essa verdade à nossa consciência.

Ele tem plena consciência do conhecimento unitivo, mas é capaz de trabalhar no reino da dualidade em que nos perdemos, a fim de nos conduzir para fora dessa dualidade e de volta à unicidade que nunca foi perdida.

Resposta-chave às questões de estudo

1. O Espírito Santo é:

a motivação para a mentalidade milagrosa (T-5.II.1:4)  o espírito da alegria (T-5.II.2:1)
o Chamado para o retorno (T-5.II.2:2)  a Resposta de Deus à separação (T-5.II.2:5)
o meio pelo qual a Expiação cura (T-5.II.2:5)o chamado para a alegria (T-5.II.3:2)  
a Voz Que te chama de volta (T-5.II.3:8)a radiância que bani a ideia da escuridão (T-5.II.4:2)  
a gloria Diante da qual a dissociação cai por terra (T-5.II.4:3)  um modo de escolher (T-5.II.6:7)
a Voz por Deus (T-5.II.7:7, T-5.II.8:6)o nosso Guia na escolha (T-5.II.8:1)  
a nossa comunicação remanescente com Deus (T-5.II.8:3)  o caminho no qual a Vontade de Deus é feita assim na terra como no Céu (T-5.II.8:4)
o chamado para despertar e ser contente (T-5.II.10:5)a Mente que nós compartilhamos com Jesus (T-5.II.12:2)  
a Ponte para a transferência da percepção ao conhecimento (T-5.III.1:2)parte da Santíssima Trindade (T-5.III.1:4)  
a ideia da cura (T-5.III.2:1)o Chamado Daquele que fala por Deus e a ideia de Deus (T-5.III.2:4)  
a Resposta de Deus para o ego (T-5.III.5:3)o Mediador entre as interpretações do ego e o conhecimento do espírito (T-5.III.7:1)  
o símbolo da paz (T-5.III.9:4)o Professor perfeito (T-5.III.10:1)  
o reinterprete dos feitos do ego (T-5.III.11:1)o teu Guia para a salvação (T-5.III.11:9)  

2. A consciência no nível da realidade da Mente do Espírito Santo como parte nossa e parte de Deus não é algo que vem através da compreensão intelectual. Em vez disso, essa consciência vem por meio da experiência direta. Uma forma, talvez a principal, pela qual nós passamos a reconhecer o Espírito Santo em nós mesmos é reconhecendo-O em nossos irmãos.

3. Porque o Espírito Santo é a ideia de cura, a ideia de Deus e a ideia de nosso verdadeiro Ser, nós podemos dar a Ele e ganhar mais Dele ao mesmo tempo. O que está sendo dado fortalece as ideias.

4. Você é encorajado a “ver o teu irmão através do Espírito Santo na sua mente”, o que eu penso que significa vê-lo como o Espírito Santo o vê e ver o Chamado por Deus (o Espírito Santo) dentro dele (mesmo quando ele está manifestando algo totalmente contrário a Deus). Quando você reconhece o Espírito Santo em um irmão, você fortalece a sua própria conexão com Ele.

5. Nós podemos fortalecer a voz do Espírito Santo em nós mesmos, compartilhando-O com os outros; isto é, reconhecendo e honrando a voz divina em nossos irmãos e irmãs.

6. O Espírito Santo opera no mesmo nível em que o ego opera, porque se Ele não o fizesse, a mente não seria capaz de compreender as mudanças que Ele deseja fazer.

7. Nenhuma resposta por escrito é esperada.

8. A Sua habilidade de manipular símbolos permite a comunicação com mentes dominadas pelo ego; A Sua habilidade de ver a realidade além dos símbolos permite que ele compreenda as leis de Deus. Essa capacidade dupla permite que Ele reinterprete o que o ego faz e veja a realidade por trás disso.

9. O Espírito Santo vê o nosso Ser, que é a Filiação e Ele nos lembra da Filiação.

10. O Espírito Santo nos ajuda a estar vigilantes para a paz e contra o conflito; portanto, qualquer sensação de conflito e luta sobre o nosso crescimento espiritual é inadequada para a natureza de nossa jornada.

11. O Espírito Santo ajuda a minha mente a reinterpretar as suas próprias percepções equivocadas. Isso indica que eu devo me juntar ao Espírito Santo nesta reinterpretação.

12. (a) A parte da nossa mente que é a favor de Deus é “muito mais forte do que o ego” (10:4). (b) Muitas vezes nós não temos consciência da parte de nossa mente que é a favor de Deus porque o ego constantemente tenta escondê-la de nós.

13. Nenhuma resposta por escrito é esperada.

14. Significa ver com olhos que perdoam, ver a Filiação como Ele vê, ver o Espírito Santo em todos, ver a paz em vez de conflito e permitir que Ele reinterprete tudo para nós.

A visão de um outro professor de Deus

Consideramos interessante trazer para o presente artigo da OREM3 a visão de um outro professor de Deus, sobre a Seção do Livro Texto, que nós estamos estudando e refletindo até então.

Buscamos inspiração no professor Sean Reagan, escritor com foco no não-dualismo e eminente autodenominado estudante do Curso, em seu artigo “A Course in Miracles: The Guide to Salvation” [Um Curso em Milagres: O Guia para a Salvação”], que transcrevemos trechos em tradução livre para a nossa compreensão e reflexão sobre tão importante tema.

O artigo completo em inglês poderá ser acessado no site do autor através do link https://seanreagan.com/a-course-in-miracles-the-guide-to-salvation/.

O Espírito Santo, que é o nosso Guia para a Salvação, é a ideia de cura (T-5.III.2:1), ou seja, “sendo o Chamado Daquele que fala por Deus” e também a ideia de Deus” (T-5.III.2:3).

E, porque nós não estamos separados de Deus, mas nós vivemos como criações de Deus, o Espírito Santo também é a ideia de nós mesmos (T-5.III.2:4).

Implícito nesta definição está a clareza de que o Espírito Santo não é um agente desencarnado (ou vagamente corporificado) agindo no mundo, mas sim um complexo de ideias que age na mente.

Eu uso “complexo” aqui como um substantivo, não um adjetivo, a fim de indicar um todo funcional unificado composto de partes relacionadas.

Esta é uma forma complicada de observar que o nosso desejo de ser curado (para conhecer a paz e amar, ser feliz, acabar com a guerra e a fome etc.) é simultaneamente o reconhecimento de nossa própria necessidade de cura e o meio pelo qual essa cura é dada a nós, se nós estivermos prontos para aceitá-la.

Como nós aceitamos os meios da cura? Como nós somos curados?

Ao ver o Espírito Santo – conforme descrito acima – em nossos irmãos e irmãs. Para mim, ver a cura em você é ver você por meio da cura que já existe em mim e, porque as ideias são fortalecidas por meio do compartilhamento, fortalecer assim a cura em nós dois.

Duas coisas que vale a pena notar aqui.

Primeiro, o Espírito Santo – e, portanto, a cura – já foi dado. Não vamos fazer uma jornada para reivindicar a cura, ou estudar um livro para aprender a cura, ou esperar que Deus nos administre uma bênção especial.

A cura – em sua totalidade – já foi dada. Está “em” nossos irmãos e irmãs porque está “em” nós e, portanto, os nossos relacionamentos – quando eles são dedicados a ver corretamente desta forma – são o Espírito Santo.

Não podes compreender a ti mesmo sozinho. Isso é assim porque não tens significado à parte do teu lugar de direito na Filiação e o lugar de direito da Filiação é em Deus. Essa é a tua vida, a tua eternidade e o teu Ser. É isso que o Espírito Santo te lembra. É isso o que o Espírito Santo vê (T-5.III.8:1-5).

A outra coisa a notar é que o nosso papel na cura é simplesmente estar disposto a ver com – ou através, se essa for uma imagem mais clara – o Espírito Santo.

A cura real não é o nosso trabalho. A nossa tarefa é dar atenção ao Espírito Santo em nós – a ideia de cura em nós – e olhar para o mundo através dessa ideia.

O Espírito Santo tem a tarefa de desfazer o que o ego tem feito (T-5.III.5:5).

Assim, a injunção sutil, mas não trivial: não ultrapasse a descrição do trabalho do Espírito Santo. A nossa parte é de ordens de magnitude menos dramática e especial do que o nosso ego gostaria de admitir.

A versão Urtext de UCEM pode nos ajudar a desenvolver esta seção. Frequentemente, em minha experiência, o Urtext engendra mais conflito do que paz, mas, nesse contexto, ele fornece um exemplo claro de como Helen e Bill entenderam o significado e o propósito desta seção do Texto.

Na versão Urtext, Jesus lembra a Helen de um incidente recente com Bill em que Bill declara a Helen que está determinado a não ver Helen deste jeito [“When Bill said that he was determined ‘NOT to see you that way’”]. Isso, Jesus observa, é negativo – isto é, reflete o que Bill não fará. Jesus continua dizendo:

Se ele apresentar a mesma ideia POSITIVAMENTE, ele verá o PODER do que disse. Ele percebeu que existem dois jeitos de ver você [Helen] e também que são diametralmente opostos um ao outro. Esses dois jeitos devem estar em sua mente, porque ele estava se referindo a SI MESMO como aquele que percebe. Eles também devem estar na SUA [mente de Helen], porque ele estava percebendo VOCÊ (Urtext T 5 E 4.).

Nós poderíamos fazer uma pausa aqui e imaginar um relacionamento semelhante em nossa própria vida, um irmão ou irmã que nós estamos determinados a não ver de um jeito negativo (um pai, um amigo, um filho, um colega de trabalho).

Um Curso em Milagres nos convida a reformular esse compromisso “negativo” (o que NÃO faremos, como NÃO os veremos) positivamente.

Na versão Urtext, Jesus explica a Helen como funciona essa reformulação.

O que [Bill] estava realmente dizendo é que ele NÃO olharia para você através do ego DELE, ou perceber o SEU ego em você. Afirmado positivamente, ele veria você através do Espírito Santo na mente Dele e percebê-Lo em SUA. O que você reconhece em seu irmão, você ESTÁ reconhecendo em si mesmo. O que você compartilha, você FORTALECE (Urtext T 5 E 5).

Jesus mais tarde passa a observar que, quando se trata de perceber de maneira proveitosa os nossos irmãos e as nossas irmãs no mundo, Bill tem a ideia certa (Urtext T 5 E 6).

Assim, esta seção nos esclarece como considerar os nossos irmãos e irmãs e também como observar que os benefícios de considerá-los à luz da ideia de cura nos beneficiam diretamente.

Não somos salvos individualmente ou separados, mas sim juntos. Nós somos salvos para e através de cada um deles.

Esta seção faz referência a outra ideia que considero importante para a compreensão e aplicação de Um Curso em Milagres. Vou citá-la na íntegra e, em seguida, dizer algumas coisas sobre ela.

O Espírito Santo é o Mediador entre as interpretações do ego e o conhecimento do espírito. Sua capacidade de lidar com símbolos faz com que Ele seja capaz de trabalhar com as crenças do ego em sua própria linguagem. Sua capacidade de olhar para o que está além dos símbolos na eternidade, torna-O capaz de compreender as leis de Deus pelas quais Ele fala. O Espírito Santo pode, portanto, desempenhar a função de reinterpretar o que o ego faz, não pela destruição, mas pela compreensão. A compreensão é luz e luz conduz ao conhecimento. O Espírito Santo está na luz porque Ele está em ti que és luz, mas tu mesmo não tens conhecimento disso. Portanto, é tarefa do Espírito Santo reinterpretar-te a favor de Deus (T-5.III.7:1-7)

Existem algumas diferenças não triviais entre esta passagem na edição FIP e na versão Urtext, que são discutidas a seguir.

Aqui está a linguagem relevante da versão Urtext:

“O Espírito Santo é o mediador entre as interpretações do ego e o conhecimento da Alma. A Sua capacidade de lidar com símbolos permite que trabalhe CONTRA as crenças do ego em sua própria linguagem. A sua igual capacidade de olhar ALÉM dos símbolos para a eternidade também lhe permite compreender as leis de Deus, das quais fala” (Urtext T 5 E 9).

A diferença entre “espírito” e “alma” realmente não me incomoda, como acontece com outros estudantes. Eu aprecio a linguagem sem gênero que é usada para se referir ao Espírito Santo (é um “isso”, não um “Ele”).

Não antropomorfizar este conceito permite-nos lembrar que o “Espírito Santo” é realmente uma ideia e não um objeto ou entidade com quem nos relacionamos (a forma como nos relacionamos com o vizinho ou um amigo).

Relacionar-se com as ideias é diferente do que relacionar-se com irmãos e irmãs.

Observe, também, que a versão Urtext sugere que o Espírito Santo trabalha “contra” o ego em vez de “com” o ego. Aqui, a frase FIP é mais consistente com a forma como o Espírito Santo realmente funciona – não é uma guerra com o ego, é apenas traduzir os símbolos e histórias do ego de uma forma que traga o amor. O Espírito Santo é um amante, não um lutador.

Símbolos são coisas (palavras, imagens ou ideias em geral) que representam outra coisa. Elas são pistas (dicas). A palavra “pão” é um símbolo daquilo que mergulhamos no azeite e comemos. Nas estradas dos EUA, um sinal verde em uma interseção significa prosseguir. “Democracia” é uma palavra que significa uma forma de governo que consiste em pessoas que elegem os seus representantes. E assim por diante.

Os símbolos pertencem à estrutura do ego, onde nada pode ser como Deus o criou, mas deve sempre servir aos fins do ego.

Tudo é segregado, dividido e definido contra tudo o mais. Tudo é um símbolo e os símbolos estão sempre mudando e o resultado é confusão e conflito. O resultado é o caos.

Isso funciona para o ego porque o ego é literalmente os nossos esforços para desembaraçar as meadas irremediavelmente emaranhadas e resolver os muitos problemas que o emaranhamento parece produzir.

No Céu – na Criação de Deus – não há símbolos.

Tudo é conhecido precisamente como é e não há distinções que exijam símbolos para distingui-las efetivamente.

O que é conhecido é conhecido diretamente e não requer tradução ou interpretação.

Em nosso estado atual de pensamento e enquadramento egóico, nós não podemos nem mesmo imaginar o que significaria viver assim. Mesmo “Céu” e “Criação de Deus” são apenas símbolos.

No entanto, o Espírito Santo – que é como nós porque entende e pode utilizar símbolos – é diferente de nós porque também conhece o conhecimento perfeito que constitui o Céu.

Portanto, ele pode adotar o simbolismo do ego e usá-lo suavemente para desfazer o que o ego faz com esses símbolos.

A tradução dos relacionamentos de especial para santo – em certo sentido, relacionamento como um milagre – é a nossa experiência mais íntima do Espírito Santo.

Sempre o Espírito Santo desfaz o que o ego faz em favor do que Deus sabe, o que não requer nenhum símbolo para ser conhecido.

O principal símbolo que o Espírito Santo desfaz somos nós! Os nossos próprios egos são símbolos.

No modo egóico, nós somos símbolos de vidas separadas, forjando caminhos separados por meio de um mundo no qual há vencedores e perdedores constantemente confrontados.

Para o ego, nós somos símbolos literais de separação de Deus – temos corpos separados, narrativas pessoais, emaranhados inconstantes de desejo, memória e preferência…

Mas para o Espírito Santo – que é, novamente, a ideia de cura em nossas mentes e, dessa forma, o nosso guia para a salvação – nós podemos ser gentilmente conduzidos através da aparência do mundo do ego e dos seus símbolos em direção ao conhecimento de Deus e do Céu.

A versão Urtext nos lembra da base simples e comum de Um Curso em Milagres. Bill e Helen estavam aprendendo a ser melhores amigos um do outro e, por extensão, das pessoas ao seu redor.

A cura sempre tem efeitos auxiliares radiais. Olhe, então, para os relacionamentos em sua vida – os que funcionam, os que não funcionam. Os que te desafiam, os que te aborrecem. Aqueles onde você está sempre dando e aqueles onde você está sempre recebendo. Todos eles.

Você pode insistir em perceber cada um de seus parceiros nesses relacionamentos como santo? Você pode olhar para eles desde a santidade em você até a santidade neles?

Os relacionamentos podem ou não ser transformados de forma formal (T-5.III.2), mas isso não importa. A nossa dissociação de Deus é curada no nível da mente, onde a dissociação ocorreu e onde é mantida.

Teu irmão não precisa estar ciente do Espírito Santo nele mesmo ou em ti para que esse milagre ocorra. Ele pode ter dissociado o Chamado por Deus, assim como tu fizeste. Essa dissociação é curada nos dois à medida que tu vens a estar ciente do Chamado Daquele que fala por Deus nele e assim reconheces o que é esse Chamado  (T-5.III.2:8-10)

No final das contas, o Espírito Santo é basicamente uma maneira de ver o relacionamento, de estruturar todos os relacionamentos para servir ao objetivo comum de felicidade e paz interior.

É você me curando para que eu possa curá-lo, para que juntos nós possamos nos lembrar de nosso lar compartilhado em Deus.

…continua Parte III…

Imagem mathias-jensen-5x4U6InVXpc-unsplash.jpg

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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