O Curso diz, no Livro Texto – Capítulo 20 – Seção IV – Título: Entrar na arca:

Nada pode ferir-te a não ser que tu lhe dês o poder de fazê-lo. No entanto, tu dás poder assim como as leis desse mundo interpretam o dar; ao dar, tu perdes. Não te cabe dar qualquer poder. O poder é de Deus, dado por Ele e redespertado pelo Espírito Santo Que tem o conhecimento de que à medida que dás, tu ganhas. Ele não dá nenhum poder ao pecado e, por conseguinte o pecado não tem nenhum e também não dá qualquer poder a seus resultados conforme esse mundo os vê – doença e morte, miséria e dor. Essas coisas não ocorreram porque o Espírito Santo não as vê e não dá nenhum poder à sua fonte aparente. Assim Ele quer te manter livre delas. Sem nenhuma ilusão a respeito do que tu és, o Espírito Santo meramente dá tudo a Deus, Que já deu e recebeu tudo o que é verdadeiro. O que não é verdadeiro, Ele não recebeu nem deu. T-20.IV.1:1-9

O pecado não tem lugar no Céu, onde seus resultados são desconhecidos e não podem entrar assim como a sua fonte. E nisso está a tua necessidade de ver o teu irmão sem pecado. Nele está o Céu. Ao invés disso, se nele vires o pecado, o Céu está perdido para ti. Mas que o vejas tal como é e o que é teu brilhará a partir dele para ti. O teu salvador só te dá amor, mas o que queres receber depende de ti. Está nele não ver todos os teus equívocos e nisso está a sua própria salvação. E o mesmo se dá com a tua. A salvação é uma lição em dar, assim como o Espírito Santo a interpreta. É o redespertar das leis de Deus em mentes que estabeleceram outras leis e lhes deram poder para impor aquilo que Deus não criou. T-20.IV.2:1-10                      

As tuas leis insanas foram feitas para garantir que cometesses equívocos e lhes desses poder sobre ti, aceitando os seus resultados como o que te é devido de forma justa. O que isso poderia ser senão loucura? E é isso o que queres ver dentro daquele que vai salvar-te da insanidade? Ele está tão livre disso quanto tu e na liberdade que vês nele, tu vês a tua própria. Pois isso tu compartilhas. O que Deus deu segue as Suas leis e apenas as Suas. E nem é possível àqueles que as seguem sofrer com os resultados de qualquer outra fonte.    T-20.IV.3:1-7

Aqueles que escolhem a liberdade experimentarão apenas os seus resultados. Seu poder é de Deus e eles o darão apenas àquilo que Deus deu, para que seja compartilhado com eles. Nada além disso pode tocá-los, pois é somente isso que vêem, compartilhando o seu poder de acordo com a Vontade de Deus. E assim, a sua liberdade é estabelecida e mantida. Ela é mantida através de toda tentação de aprisionar ou de ser aprisionado. É a essas pessoas, que aprenderam sobre a liberdade, que deves perguntar o que é a liberdade. Não perguntes ao pardal como a águia se eleva aos ares, pois aqueles que têm asas curtas não aceitaram para si mesmos o poder para compartilharem contigo. T-20.IV.4:1-7

Aqueles que não têm pecado dão conforme receberam. Vê, então, o poder da impecabilidade dentro do teu irmão e compartilha com ele o poder da liberação do pecado que ofereceste a ele. A cada um que caminha sobre essa terra em aparente solidão é dado um salvador, cuja função especial aqui é liberá-lo e, assim, libertar a si mesmo. No mundo da separação, cada um é designado separadamente, embora todos sejam o mesmo. Entretanto, aqueles que têm o conhecimento de que todos são o mesmo, não necessitam de salvação. E cada um acha seu salvador quando está pronto para olhar para a face de Cristo e vê-Lo sem pecado. T-20.IV.5:1-6

O plano não vem de ti, nem é necessário que te preocupes com qualquer coisa exceto a parte que te foi dada para aprender. Pois Ele, Que conhece o resto, encarregar-se-á dele sem a tua ajuda. Mas não penses que Ele não precisa da tua parte para ajudar-te com o resto. Pois na tua parte está tudo, sem ela nenhuma parte é completa, nem o todo é completo sem a tua parte. Na arca da paz só entram dois a dois, no entanto, o início de um outro mundo vai com eles. Cada relacionamento santo tem que entrar aqui para aprender a sua função especial no plano do Espírito Santo, agora que compartilha o Seu propósito. E na medida em que esse propósito é cumprido, um novo mundo se ergue no qual o pecado não pode entrar, onde o Filho de Deus pode entrar sem medo e onde ele descansa um pouco para esquecer a prisão e lembrar-se da liberdade. Como pode ele entrar para descansar e relembrar sem ti? A não ser que tu estejas lá, ele não está completo. E é da própria completeza que ele se lembra estando lá. T-20.IV.6:1-10 (destaque meu)

Esse é o propósito que vos é dado. Não penseis que o vosso perdão ao vosso irmão só serve para vós. Pois todo o mundo novo descansa nas mãos de cada dois irmãos que aqui entram para descansar. E à medida que descansam, a face de Cristo resplandece sobre eles e se lembram das leis de Deus, esquecendo-se de todo o resto e ansiando apenas que as Suas leis sejam cumpridas perfeitamente neles e em todos os seus irmãos. Pensas que quando isso tiver sido realizado descansarás sem eles? Não poderias deixar de fora nenhum deles, assim como eu não poderia deixar-te e esquecer parte de mim mesmo. T-20.IV.7:1-6

Podes perguntar a ti mesmo como podes estar em paz quando, já que estás no tempo, há tanto para ser feito antes que o caminho para a paz esteja aberto. Talvez isso pareça impossível para ti. Mas pergunta a ti mesmo se é possível que Deus tenha um plano para a tua salvação que não funcione. Uma vez que tiveres aceito o Seu plano como a única função que queres cumprir, nada mais haverá que o Espírito Santo não arranje para ti sem o teu esforço. Ele irá diante de ti endireitando as tuas veredas e não deixando em teu caminho nenhuma pedra em que possas tropeçar, nenhum obstáculo para impedir o teu passo. Nada do que necessites te será negado. Nenhuma dificuldade aparente deixará de se desvanecer antes que a alcances. Não precisas pensar em nada, descuidado de todas as coisas, exceto do único propósito que queres realizar. Como ele te foi dado, assim também será a sua realização. A garantia de Deus se manterá contra todos os obstáculos, pois ela descansa na certeza e não na contingência. Ela descansa em ti. E o que pode ser mais certo do que um Filho de Deus? T-20.IV.8:1-12

Para explorarmos este importante tema que estamos destacando neste artigo de nº 54, de maneira a ampliar o nosso conhecimento e o nosso entendimento sobre o sistema de pensamento de Um Curso em Milagres, buscamos inspiração em três fontes de estudo, que transcrevemos em tradução livre a seguir.

1) Artigo: “The ark of peace is entered two by two” [“Na arca da paz só entram dois a dois”] – Robert Perry

Texto em inglês no site: https://circleofa.org/library/the-ark-of-peace-is-entered-two-by-two/.

Este artigo foi escrito originalmente para uma coluna que o Professor de Deus Robert Perry fez na revista Inspiration (tradução livre: Inspiração) de Jon Mundy.

Sobre este artigo o autor esclarece que esta coluna é sobre o diálogo UCEM e, uma vez que é inútil dialogar sobre coisas com as quais já concordamos, ele aborda aqui algo que quase ninguém concorda com ele: a sua afirmação de que, para um relacionamento ser santo – como em Um Curso em Milagres define um relacionamento santo –  dois indivíduos devem se unir em um objetivo comum.

Eles não precisam ser estudantes do Curso; o objetivo comum não precisa ser espiritual ou mesmo articulado; mas ambos precisam ter se juntado a ele.

Levantada a questão, nós transcrevemos a seguir trechos do artigo, em tradução livre, sobre este importante tema para o nosso conhecimento e entendimento sobre o sistema de pensamento do Curso.

“O ponto de vista da maioria é que um relacionamento é santo quando uma pessoa perdoa a outra; nenhuma cooperação da outra pessoa é necessária.

Eu posso dizer [Robert Perry] com segurança que a maioria dos estudantes do Curso não concorda comigo nisso. Sempre que discuto a minha visão com uma audiência de estudantes do Curso, geralmente eu sou saudado pelo que parece ser um muro de resistência.

Ken Wapnick ensina abertamente que um relacionamento santo ocorre na mente de alguém (embora as edições anteriores de seu Índice do Glossário dissessem de forma diferente, definindo o relacionamento santo como ‘a união … de duas pessoas que antes se viam como separadas’).

Certa vez, um autor me disse que ele havia entrevistado cinco professores conhecidos do Curso e que os outros quatro – apesar de suas outras diferenças – eram unânimes em dizer que um relacionamento santo requer apenas uma pessoa.

Eu, junto com Allen Watson e meus outros colegas aqui no The Circle of Atonement (https://circleofa.org/), nós estamos claramente em minoria.

Durante anos, eu afirmei que, nas páginas do próprio Curso, a natureza do relacionamento santo é totalmente inequívoca. Simplesmente não é um problema.

No Curso, sempre se fala que o relacionamento santo envolve duas pessoas que estão se unindo mutuamente. Nunca é falado como uma pessoa que perdoa a outra. Não há uma única passagem em que o Curso diga: ‘Quando uma pessoa perdoa a outra, um relacionamento santo é estabelecido.’ No entanto, há muitos que dizem algo assim.

O Professor de Deus fala onde estiverem dois reunidos com o propósito de aprender. O relacionamento é santo devido àquele propósito e Deus prometeu enviar Seu Espírito a qualquer relacionamento santo. MP.2.5:3-4

Esta passagem nos diz o que nos é dito em muitos, muitos lugares: Um relacionamento se torna santo porque duas pessoas se uniram no mesmo propósito.

Se nós permanecermos com as palavras do próprio Curso, não haverá problema. Não há nada para debater. Por que, então, existe um problema? Por que existe tanto consenso de que um relacionamento santo requer apenas um?

O problema, parece-me (com base nas conversas com os estudantes do Curso ao longo dos anos), é que a ideia de que são necessários dois simplesmente não se encaixa conosco. Não se encaixa em nossa ideia do sistema de pensamento do Curso; o Curso simplesmente não pode ensinar tal coisa, nós pensamos. Não atende aos nossos desejos; nós não queremos que nossa jornada para Deus tenha que esperar por algum idiota não cooperativo. Não combina com a nossa experiência; as pessoas ficam iluminadas o tempo todo meditando em uma caverna. Por uma razão ou outra, a ideia simplesmente não se forma dentro de nós. E assim, independentemente de quantas vezes o Curso diz que leva duas, independentemente do fato de que o Curso nunca diz nada mais, simplesmente nós não podemos fazer a ideia funcionar para nós.

Portanto, eu gostaria de devotar o restante deste artigo para tentar fazer com que a noção de que um relacionamento santo exige dois faça sentido para nós.

Vamos começar com a premissa básica do Curso. Todos nós somos um só. Unicidade é o nosso estado natural. Nós experienciamos a nós mesmos como mentes separadas, mas essa experiência é o produto de uma falsa crença na separação, que o Curso chama de ego. A nossa tarefa, portanto, é abandonar essa falsa crença. Assim que nós fizermos isso, nós pararemos de nos sentir separados e até mesmo pararemos de nos sentir como pertencentes a este mundo de separação. A ilusão de viver fora do céu desaparecerá.

Como, então, realmente nós abandonamos a crença de que nós somos separados? Como nos convencemos de que nós somos um só? Isso pode acontecer por meio de experiências internas nas quais experienciamos a nossa unicidade com Deus e todas as coisas? Talvez, mas o Curso parece negar que isso pode ocorrer apenas por meio de experiências privadas:

É impossível lembrar de Deus em segredo e sozinho. Pois lembrar de Deus significa que não estás sozinho e estás disposto a lembrar-te disso … Se empreendeis juntos a busca, vós levais convosco uma luz tão poderosa que dá significado ao que vedes. A jornada solitária falha porque excluiu aquilo que quer achar. T 14.X.10:1-2,6-7

Nós estamos tentando nos lembrar da unicidade com Deus. Isso parece ter pouco a ver com outras pessoas. Mas, de acordo com a passagem acima, a menos que nós empreendamos a busca de Deus com outros, então implicitamente excluímos Deus. Aparentemente, se nós excluirmos a unicidade interpessoal, também excluímos a unicidade divina. Nós podemos reformular a linha final desta maneira: A jornada solitária para Deus falha porque, ao excluirmos a unicidade com os outros, excluímos a própria unicidade.

Por que a unicidade interpessoal é o portal para a unicidade divina? Porque o ego vive no nível deste mundo, que também é o nível de nossos relacionamentos interpessoais. Esse nível é a sua casa. Esse é o nível, portanto, em que deve ser enfrentado e desfeito. Esse é o nível em que nós devemos nos convencer de nossa unicidade, tão convencidos de que, à medida que nós avançamos no nosso dia, nós comemos a nossa comida, nós lidamos com o nosso dinheiro e nós fazemos os nossos negócios, nós não procuramos mais interesses separados, mas operamos a partir do ponto de vista da unicidade perfeita.

Será que experiências solitárias de união com Deus conseguirão isso? Como regra, eu não acho que elas irão, embora o Curso reconheça que elas são incrivelmente úteis ao longo do caminho. É bem possível ter uma experiência solitária de unicidade e logo depois se comportar como uma entidade separada e egoísta.

Lembro-me de ter lido que pessoas que tiveram experiências transcendentais profundas de unicidade por meio de drogas alucinógenas poderiam, em poucas horas, estar de volta em uma discussão sobre quem deveria lavar a louça. A experiência mística da unicidade pode facilmente deixar intacta a crença operacional na separação.

O que desfará essa crença operacional na separação? Perdoar o meu irmão na privacidade de minha mente resolverá o problema? O perdão é o meio de voltar para casa, mas o perdão, dizem, levará inevitavelmente à experiência de união mútua.

Se o perdão nunca levasse a isso, se fosse uma experiência solitária na mente de uma pessoa, não acho que seria o suficiente. Seria como a experiência de Deus, algo que ocorreu dentro da privacidade de minha mente – a própria estrutura de separação. Se eu o estou perdoando e ele não está me perdoando, o meu irmão e eu ainda estamos tendo uma experiência separada. Nós estamos fazendo duas coisas separadas, tendo duas experiências separadas, vivendo separados em nossos dois mundos separados. No nível do mundo, o nível em que vive o ego, a separação ainda está sendo vivida.

Se tudo o que nós vemos em nossas vidas é a atuação da separação, será que as nossas mentes realmente se convencerão da unicidade? Se tudo o que eu sempre experimento é que eu perdoo e você não, o meu profundo ceticismo sobre a nossa unicidade será realmente dissipado? O lugar para onde nós estamos indo é a unicidade pura e mutuamente compartilhada. Como eu posso chegar a este lugar, exceto através de seu reflexo na terra? Eu acredito que é por isso que o Curso diz coisas assim:

A salvação tem que reverter a crença insana em pensamentos separados e corpos separados que levam vidas separadas e seguem seus caminhos separados. Uma função compartilhada por mentes separadas as une num único propósito, pois cada uma é igualmente essencial para todas. LE-pI.100.1:2-3

Para realmente nos convencermos da unicidade, o tempo todo absolutamente, nós devemos experimentar a unicidade no nível em que nós vivemos. Duas mentes separadas devem compartilhar uma função e, assim, encontrar os seus pensamentos separados tornando-se pensamentos compartilhados, os seus corpos separados levando vidas unidas, indo na mesma direção. Esta, diz o autor do Curso em uma passagem surpreendente, é literalmente a única maneira de chegar em casa:

… o mesmo que a salvação requer de qualquer pessoa. Todos temos de compartilhar um objetivo com alguém e, assim, perder qualquer sentimento de interesses separados. Só fazendo isto é possível transcender os estreitos limites que o ego impõe à consciência. P-2.II.8:3-5

Vamos fazer um experimento mental. Tente por um momento entrar em contato com a sua crença arraigada na separação. Observe as coisas que você mantém em segredo dos outros porque não confia neles. Observe com que rapidez a sua confiança, mesmo quando presente, pode se transformar em desconfiança; o seu amor se transforma em desprazer. Veja como você se certifica de não ser prejudicado com o seu dinheiro ou o seu corpo. Veja-se discutindo com um ente querido. Observe a sua exasperação; observe como parece impossível que essa pessoa seja razoável e cooperativa.

Todas essas coisas são sintomas de sua crença profunda de que o seu irmão sempre operará independentemente de você. Ele sempre será uma ameaça potencial aos seus interesses. Você sempre terá que ficar de olho nele. Você nunca pode confiar totalmente que é dois dedos na mesma mão.

Como melhor pode essa crença profundamente arraigada ser curada? Primeiro imagine um relacionamento em que só você perdoa. Você é sempre aquele que escolhe ver as coisas de maneira diferente; o seu irmão é sempre aquele que fica preso nas percepções dele. Você vê o Cristo nele; ele não vê o Cristo em você. Você estende a ele a dádiva do seu amor; ele nem parece desembrulhá-la.

Agora imagine um relacionamento em que ‘cada um perdoa o outro, para que cada um possa aceitar a sua outra metade como parte de si.’ T 27.II.16:7. Imagine um relacionamento no qual ‘nós damos a redenção um ao outro e compartilhamos dela, de tal modo que nós possamos nos erguer como um só na ressurreição, não separados na morte‘ T-19.IV(D).17:5.

Nesse relacionamento, nós damos um ao outro e nós recebemos um do outro de maneira tão plena que cada interação se torna um dar/receber.

Nós perdemos a capacidade de distinguir o dar e o receber. A nossa cooperação e compartilhamento tornam-se tão completos que literalmente nos sentimos como dois dedos na mesma mão.

Nós ganhamos e perdemos tão totalmente juntos que nós relaxamos e paramos de cuidar de nossos interesses separados.

Os nossos mundos separados começam a se misturar. Nós começamos a ter os mesmos pensamentos, sentindo os mesmos sentimentos, experimentando a unicidade de nossas mentes.

Esta é a função de teu relacionamento santo. Pois o que um pensa, o outro vivenciará com ele. O que isso pode significar exceto que a tua mente e a do teu irmão são uma só? T-22.VI.14:1-3

No entanto, a razão vê um relacionamento santo como aquilo que ele é: um estado da mente que é comum, onde ambos alegremente entregam os erros à correção para que ambos possam ser curados em felicidade como um só. T-22.III.9:7

Ambos os relacionamentos que acabei de descrever seriam poderosos instrumentos de ensino. Ambos seriam extremamente úteis em sua jornada para casa. Mas qual seria um espelho terreno mais eficaz da unicidade celestial? Qual deles o convenceria mais profundamente de que a unicidade não é uma teoria, mas um Fato?”

2) “Q&A Detailed Answers to Student – Generated Questions on the Theory and Practice of A Course in Miracles” (tradução livre: “Perguntas e Respostas Detalhadas para o Estudante – Questões Geradas sobre a Teoria e a Prática de Um Curso em Milagres”), do Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

Extraímos do livro trechos, em tradução livre, sobre a questão desta importante seção do Curso, que transcrevemos a seguir para a nossa reflexão e entendimento.

Pergunta nº 223:

Eu gostaria de um entendimento sobre “Entrando na Arca” (T.20.IV). Esta seção parece indicar que nós temos uma pessoa especial com quem trabalhamos a nossa salvação, ao passo que o meu entendimento é que cada indivíduo aparentemente separado é nosso irmão e, portanto, nós devemos ver a face de Cristo em cada ser vivo. Eu estou em um casamento onde a minha esposa não estuda Um Curso em Milagres e, na minha percepção, ela tem medo do que ele [o Curso] está nos ensinando. Eu também encontrei uma instituição de ensino do Curso que nos diz que nós devemos ter um amigo especial com quem podemos realmente estudar e desenvolver a nossa salvação. Você pode resolver essa confusão para mim?

Resposta:

Você parece estar levantando duas questões relacionadas: a primeira é se existe apenas um relacionamento ou muitos nos quais nós devemos praticar o perdão; a segunda é se nós podemos realmente praticar o Curso e aprender as nossas lições de perdão se o nosso parceiro de aprendizagem não for um estudante do Curso.

Para o primeiro, você sem dúvida está se referindo em particular à frase em “A Arca da Paz” que diz: “A cada um que caminha sobre esta terra em aparente solidão é dado um salvador, cuja função especial aqui é libertá-lo e, assim, libertar a si mesmoT-20.IV.5:3.

Você está correto, como esta segunda frase sugere, ao observar que o perdão deve repousar sobre cada irmão aparentemente separado até que nós os vejamos como todos iguais. Mas também é comum que, em qualquer momento, haja uma pessoa em particular com quem nós estamos lutando, que nos dá as nossas lições mais desafiadoras sobre o perdão. Quem é esse outro pode ou não pode mudar com o tempo. Mas mesmo que os rostos possam mudar, as lições subjacentes permanecerão as mesmas, até que nós estejamos dispostos a olhar para eles e, em seguida, liberar a culpa que neles nós projetamos porque nós não queríamos reconhecer que a culpa estava em nossas próprias mentes.

Portanto, todo relacionamento oferece oportunidades de praticar o perdão, mas aqueles que parecem fazer ou dizer algo apenas para nos deixar com raiva e chateados, são os maiores símbolos de nossa própria culpa enterrada e, portanto, fornecem as oportunidades máximas para aprender as nossas lições. Jesus fala no manual sobre esses diferentes níveis de oportunidades de aprendizagem no contexto das relações professor-aluno (MP.3).

O nível de aprendizagem mais simples aparenta ser bem superficial. Consistem do que parecem ser encontros muito casuais, um encontro “por acaso” de duas pessoas aparentemente estranhas em um elevador, uma criança que não olha para onde está indo e “por acaso”, correndo, vai de encontro a um adulto, dois estudantes que “casualmente” caminham para casa juntos. Estes encontros são casuais. MP.3.2:1-3

O segundo nível de aprendizagem é um relacionamento mais prolongado, no qual duas pessoas entram em uma situação razoavelmente intensa de ensino-aprendizagem por um certo tempo e depois aparentemente separam-se. Como no caso do primeiro nível, estes encontros não são acidentais e nem aquilo que aparente ser o final do relacionamento é um final real. MP.3.4:3-4

O terceiro nível de ensino ocorre em relacionamentos que, uma vez formados, duram a vida inteira. Essas são situações de ensino-aprendizado nas quais a cada pessoa é dado um parceiro que é escolhido para o aprendizado por lhe oferecer oportunidades ilimitadas de aprender. Em geral, esses relacionamentos são poucos, porque a sua existência implica que os envolvidos tenham simultaneamente alcançado um estádio em que o equilíbrio de ensino-aprendizado seja, de fato, perfeito. MP.3.5:1-3

Nenhum professor de Deus pode deixar de encontrar a Ajuda de que necessita. MP.3.5:8

Quanto à sua segunda pergunta, uma leitura cuidadosa da seção a que você se refere deve deixar claro que Jesus está apenas falando sobre como nós percebemos o nosso parceiro de aprendizagem e não sobre o que acontece especificamente no nível de comportamento ou forma entre nós dois.

É o nosso ego que quer colocar o foco no que nós fazemos com o nosso parceiro no nível dos corpos. De acordo com o Curso, os relacionamentos existem apenas na mente e não entre os corpos no mundo (T.28.IV.3).

E assim, minha cura em qualquer relacionamento não tem nenhuma relação com como você, como o meu parceiro de aprendizagem, pode ou não participar do estudo e aplicação dos princípios do Curso. Se eu dependesse do seu envolvimento de alguma forma, eu estaria à mercê das suas escolhas e não simplesmente dependente da minha própria decisão interna sobre como percebê-lo.

Agora, em alguns casos, pode ser útil se um parceiro também estiver estudando o Curso e houver oportunidades para compartilhar e discutir no nível da forma. Mas isso não pode de forma alguma ser necessário para a minha salvação ou Jesus estaria nos vendendo a mesma nota de mercadorias que o ego tem tentado passar para nós desde o início.

Além disso, se você, como o meu parceiro de aprendizagem, está com a mente certa ou com a mente errada em qualquer uma de nossas interações, se o Espírito Santo for meu Guia de como eu o vejo, a minha resposta será sempre a mesma.

Pois, aceitando o julgamento do Espírito Santo em vez do meu próprio, saberei que você está apenas estendendo amor ou dando um pedido de amor e minha resposta é sempre a mesma – eu me permito ser um instrumento do Amor do Espírito Santo (T.12.I).

A minha resistência em aceitar a percepção do Espírito Santo sobre você, em quaisquer aspectos de nosso relacionamento, simplesmente aponta para as áreas onde as minhas lições de perdão permanecem não aprendidas.

E é assim que você, como meu parceiro de aprendizagem, é realmente o meu salvador, pois você me direciona para os pensamentos não curados das trevas em minha mente, para que agora eu possa fazer uma escolha diferente sobre como me ver.

O Curso diz:

A visão de Cristo tem uma só lei. Ela não contempla um corpo e o toma por engano pelo Filho que Deus criou. Contempla uma luz além do corpo, uma ideia além do que pode ser tocado, uma pureza não obscurecida por erros, equívocos lamentáveis e pensamentos amedrontadores de culpa que vêm dos sonhos de pecado. Ela não vê separação. Ela olha para todas as pessoas, todas as circunstâncias, todos os acontecimentos e todos os eventos, sem que a luz que ela contempla diminua de intensidade de forma alguma. LE-158.7:1-5

Isso pode ser ensinado e tem que ser ensinado por todos aqueles que querem alcançá-la. Requer apenas o reconhecimento de que o mundo nada pode dar que remotamente possa comparar-se a isso em valor, nem estabelecer uma meta que não desapareça simplesmente, quando isso tiver sido percebido. E é isso que dás nesse dia: não vejas ninguém como um corpo. Cumprimenta cada um como o Filho de Deus que ele é, reconhecendo que ele é um contigo em santidade. LE-158.8:1-4

Assim, os seus pecados são perdoados, pois a visão de Cristo tem o poder de não vê-los. Desaparecem no perdão de Cristo. Sem ser vistos pelo Uno, desaparecem simplesmente porque a visão da santidade, que está além deles, vem para tomar o seu lugar. Não importa a forma que tomaram, nem quão enormes aparentaram ser, nem quem pareceu ser ferido por eles. Os pecados deixaram de ser. E todos os efeitos que pareciam ter desaparecido com eles, desfeitos, para jamais serem refeitos. LE-158.9:1-6

Assim aprendes a dar como recebes. E assim a visão de Cristo também olha para ti. Essa lição não é difícil de aprender, se lembrares que no teu irmão estás apenas vendo a ti mesmo. Se ele estiver perdido no pecado, tu também tens que estar; se nele vires a luz, os teus pecados terão sido perdoados por ti mesmo. Cada irmão que encontrares hoje te proporciona mais uma oportunidade para deixar que a visão de Cristo brilhe sobre ti e te ofereça a paz de Deus. LE-158.10:1-5

Hoje damos graças por Cristo ter vindo procurar no mundo pelo que lhe pertence. A Sua visão não vê estranhos, mas contempla os Seus e alegremente Se une a eles. Eles O vêem como um estranho, pois não reconhecem a si mesmos. Mas, ao dar-Lhe as boas-vindas, se lembram. E Ele os conduz gentilmente de volta ao lar, que é o lugar que lhes é próprio. LE-160.9:1-5

Cristo não esquece ninguém. Não falha em te dar nem um só dos teus irmãos para que te lembres, para que o teu lar possa ser completo e perfeito tal como foi estabelecido. Ele não te esqueceu. Mas tu não te lembrarás de Cristo até olhares para tudo como Ele o faz. Todo aquele que nega o seu irmão está negando a Ele e recusando-se, assim, a aceitar a dádiva da vista através da qual vem a salvação, o seu Ser é claramente reconhecido e o seu lar relembrado. LE-160.10:1-5

3) Ainda dentro do tema deste artigo, o Dr. Wapnick nos esclarece que a noção de “valor de transferência” é uma ideia-chave em Um Curso em Milagres.

“Este curso contém um currículo e os professores sempre querem que os seus alunos generalizem o que aprenderam.

No Livro de Exercícios, na Introdução, isso está muito claramente afirmado (LE-In.4-7). A maneira pela qual eu começo a ‘colocar causa e efeito em sua verdadeira sequência’ é reconhecendo o meu relacionamento especial com outra pessoa.

Começo a ver que a outra pessoa não é a causa da minha angústia nem a causa da minha salvação. Na verdade, a outra pessoa não tem absolutamente nada a ver com o fato de eu estar chateado ou feliz.

Se sou feliz é porque escolhi o Espírito Santo como meu Mestre; se estou chateado, doente, desapontado ou culpado é porque escolhi o ego. É muito simples. Eu volto para minha mente.

Há uma linha no Texto que diz: ‘O milagre é o primeiro passo na devolução à Causa da função da causalidade, não do efeito.’ (T-28.II.9:3). A causa é a mente. A outra pessoa não é a causa de minha angústia (o efeito). É a minha interpretação mental do evento, pessoa ou relacionamento que é a causa.”

Dr. Wapnick também compartilha que qualquer coisa em que nós pensamos é uma tela para projetarmos os nossos “pecados”. Quando nós fazemos a pergunta certa ao professor certo, o mundo se torna – para usar a frase de Freud – “a estrada real” que nos leva de volta para dentro para que nós possamos finalmente olhar o que está em nossas mentes.

Sem essas oportunidades, sem todas essas pessoas em nossas vidas, nós não teríamos a chance de fazer isso, porque as nossas mentes foram lacradas naquele instante em que o ego tornou a culpa real. Isso nos motivou a deixar a culpa para trás, jurando nunca mais voltar. Este mundo, então, é a testemunha dessa promessa.

Você não pode fazer esta jornada sem a outra pessoa porque a outra pessoa é você – uma expressão de si mesmo. E como você escolhe vê-la, é como você escolhe ver e experimentar a si mesmo.

Se você ver a outra pessoa como limitada, você se verá sempre limitado. Se você a ver com ódio, você se verá com ódio. Se você a ver com dor, então você venera a dor dentro de você.

A outra pessoa meramente reflete a experiência do mundo do Céu ou do mundo do inferno que você criou erroneamente para si mesmo.

Cada pedra que você lança contra a outra pessoa nunca se esquece, pois apenas repousa no sofrimento eterno como uma sombra em sua mente sagrada, convencendo-o de que você certamente está condenado.

Percebo, então, ao estudar o sistema de pensamento do Curso, que é através da outra pessoa (pessoa, relacionamento, situação, circunstância, acontecimento, evento, problema…) que eu me permito verdadeiramente me conhecer e, na tela de meus sentidos físicos, como em um espelho, eu percebo e repenso, o reflexo do que eu sou naquele momento.

E, então, se eu estou na mente certa e compartilho o meu perdão incondicional é porque já o recebi perdoado, uma vez que ninguém pode dar o que não recebeu.

E se vejo a Luz Divina na outra pessoa, estes zilhões de pedaços fragmentados de um Único Ser, que também Eu Sou, a Luz Divina desvela-se em mim, em um milagre.

No processo do relacionamento dois a dois, mente a mente, no relacionamento santo, nesta sala de aula que é a vida, o meu Ser é claramente reconhecido e o meu lar relembrado, como diz o Curso.

Um irmão é todos os irmãos. Cada mente contém todas as mentes, pois todas as mentes são uma só. LE-161.4:1-2

Jesus, no Livro de Exercícios, onde aborda de maneira inspiradora, didática e fundamental, a noção de ataque e defesa, defesa e ataque, encanta-nos com a oração que enfatiza o nosso agradecimento pelos nossos irmãos que nos tornam completos, à medida que nós estamos recordando que eles são um só conosco.

Pai, somos como Tu és. A crueldade não habita em nós, pois ela não existe em ti. A tua paz é a nossa. E abençoamos o mundo com o que recebemos de Ti. Escolhemos outra vez e fazemos a nossa escolha por todos os nossos irmãos, sabendo que são um só conosco. Trazemos a eles a Tua salvação assim como a recebemos agora. E agradecemos por eles, que nos tornam completos. Neles vemos a Tua glória e achamos a nossa paz. Somos santos porque a Tua santidade nos libertou. E damos graças. Amém. LE.170.13:1-11

Imagem priscilla-du-preez-rf5U-IXqxzg-unsplash.jpg

Bibliografia da OREM3:

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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