…continuação da Parte IV…

Voltemos agora às “Regras para decisões” – Capítulo 30 do livro Texto – Regra 5.

(5) Tendo decidido que não gostas do modo como te sentes, o que poderia ser mais fácil do que continuar com: E assim eu espero ter estado errado (T-30.I.9:1-2).

Isso é muito difícil. Nós já percorremos esse caminho. Nós estamos cientes agora, tendo passado por todas essas outras etapas. Novamente, nós não estamos falando sobre passos literais, mas sim uma descrição geral do processo de querer a paz e então ter medo dela, de querer pegar a mão de Jesus e então querer largá-la e pegar a mão do ego de volta. Então, em algum momento, nós queremos entender que nós estamos errados: eu pensava que o que eu estava fazendo era certo, mas isso não está me fazendo sentir bem.

Essa é a etapa crucial: fazer uma conexão causal entre não me sentir bem (o efeito) e a causa (eu decidi errado) – o que significa que eu cometi um erro. E isso significa que eu não sei o que é melhor para mim.

Agora, o que é tão importante sobre a declaração ‘E assim eu espero ter estado errado‘ é que se eu estiver certo e ainda estiver me sentindo miserável, então não há saída. Se eu estou ciente de que eu estou me sentindo inquieto, ansioso, culpado, infeliz e com dor e ainda assim estiver certo em tudo o que fiz, então literalmente não há esperança. A esperança vem do pensar: bem, talvez eu estivesse errado.

Agora observe que a declaração nem mesmo diz: ‘E então eu sei que estou errado.’ Ela diz: ‘Espero ter estado errado.’ Se eu estiver errado, então há uma resposta certa, porque certo e errado são opostos. Se eu estiver errado, então deve haver uma resposta certa em algum lugar. Esse é o começo, mais uma vez, de se voltar para Jesus. Talvez ele saiba melhor do que eu sei.

A premissa aqui é que eu não estou me sentindo feliz e que a causa de eu não estar feliz é que fiz uma escolha errada.

Se for esse o caso (se agora eu sou capaz de admitir isso), isso vai contra o sentimento de oposição, porque agora eu não vou mais perceber Jesus como o meu inimigo. Agora eu estou rezando para que ele ainda seja o meu amigo e não esteja com raiva de mim – eu não me vejo mais em oposição a ele. Se eu sempre tenho que estar certo, então ele vai ter que estar errado, porque o meu medo é, obviamente, que ele saiba mais do que eu. Portanto, eu sempre tenho que insistir que eu estou certo, o que significa que eu me coloquei mais uma vez naquele momento ontológico original em que nós acreditávamos como um Filho que estávamos certos e Deus errado.

O ‘estar certo’ de Deus é o que Ele diz que ‘não há nada além de Mim – que Minha realidade, que também é a sua realidade, é o não-dualismo perfeito. É a Unicidade perfeita. Não há nada mais.’ [vide gráfico – Nível I]

Se eu quero existir como um ser separado, isso significa que Deus está errado e eu estou certo. Isso é o que nós revivemos continuamente. Este é o problema da autoridade. Eu quero estar certo, o que significa que Deus deve estar errado. Isso significa que eu sempre acredito que eu estou competindo com Deus. E isso significa que eu estou competindo com Jesus. E isso deve significar que eu estou competindo com o Curso dele, porque o Curso dele está me dizendo repetidamente que eu estou errado e ele está certo. Eu ficarei ressentido com isso até que eu possa determinar por mim mesmo que foi a minha insistência em estar certo que me levou a me sentir tão mal. E isso significa que agora eu espero que ele esteja realmente certo e eu errado.

Jesus agora é visto como o seu amigo, como alguém que pode ajudá-lo, porque você está em uma situação miserável e não pode mais se ajudar. Você já sabe que nada lá fora vai funcionar e agora percebe que também não funciona. E então você espera que haja alguém que tenha a resposta certa. Então, basicamente, Jesus não está implorando que nós sejamos os seus amigos para que o seu ego se sinta bem – ele não tem um ego. Ele está implorando porque está dizendo: ‘Se você realmente quer ajuda, posso ajudá-lo. Mas não posso ajudá-lo a menos que se junte a mim.’

Isso funciona contra o senso de resistência e lembra-te que a ajuda não está sendo imposta a ti, mas é algo que queres e da qual necessitas porque não gostas da maneira como te sentes (T-30.I.9:3).

Até chegar a esse ponto, você pode acreditar em um Jesus, você pode até mesmo acreditar em Um Curso em Milagres, mas haverá uma parte de você que sentirá que isso está sendo imposto a você contra a sua vontade. Haverá uma parte de você que teimosamente insistirá que você está certo. E você vai tentar teimosamente afastá-la. E se você tem muito medo dessa parte de você, ela irá para o subterrâneo e você fará tudo isso de maneiras muito sutis. Uma das maneiras mais sutis, como nós vimos, é tentar mudar o que esse Curso diz e fazer com que signifique algo que ele não significa. Essa é uma das maneiras sutis. A maneira nada sutil é simplesmente mandá-lo para o inferno, ou você simplesmente fechar o Livro e dizer: ‘Isso não funciona e eu quero outra coisa’.

Então, novamente, a ideia de esperar que você tenha errado, que implica diretamente que Jesus está certo, ‘funciona contra o senso de oposição e lembra a você que a ajuda não está sendo imposta a você, mas é algo que você deseja’. Veja, repetidamente, Jesus está apelando para o poder de nossas mentes para escolher o que nós queremos. Mas primeiro ele tem que nos lembrar que nós não sabemos o que queremos, então ele tem que nos ensinar o que nós queremos e que realmente nós queremos e precisamos.

Muito frequentemente nos círculos religiosos e certamente isso era verdade no Cristianismo, as pessoas achavam que não tinham escolha. Elas tinham que fazer o que o Jesus da Bíblia, ou o Jesus das Igrejas, dizia. E elas não o fizeram porque queriam. Elas não tinham escolha, porque se não o fizessem, seriam punidas. Aqui Jesus está dizendo: ‘Faça o que eu estou lhe dizendo para fazer, não porque é pecaminoso se não o fizer, mas porque você não será feliz – não porque eu digo, ou a Bíblia diz, ou as igrejas digam isso, mas porque você vai dizer assim que entender que se você realmente quer paz, você precisa fazer do meu modo, simplesmente porque eu sei melhor do que você. E eu estou certo e você errado.’

Na maioria das vezes – na verdade, o tempo todo – o ego em você vai resistir a isso com uma veemência real: ‘Eu não quero que me digam que você está certo e eu errado.’ Esse é o problema da autoridade. Isso é o que leva muito tempo. Você tem que trabalhar para isso e perceber que é melhor estar errado. Essa é uma pílula muito difícil para o ego de qualquer pessoa engolir. Veja, o que nós odiamos em Deus é porque Ele está certo. E o que Ele está certo é que nós não existimos – que a vida só existe no Céu. Qualquer coisa fora do Céu, qualquer coisa em um estado de dualidade não existe – é por isso que O odiamos. A sua própria Presença, o seu próprio Ser está dizendo: você não conta e você não existe, o que significa que o seu especialismo desaparece completamente.

Porque nós odiamos Jesus é que ele reflete essa mensagem, em palavras e linguagem que nós podemos entender. Ele basicamente diz: ‘Você pode protestar e gritar e berrar o quanto quiser, mas no final eu lamento muito dizer-lhe: você está errado e eu estou certo.’

Imagine-se na presença de alguém que fala assim com você! Você quer matá-lo! É por isso que as pessoas o mataram naquela época e é por isso que estão tentando matá-lo agora. É extremamente importante que você entenda isso ao pé da letra e entenda o quão aterrorizado e zangado isso o deixa – que aqui está essa pessoa que lhe diz: ‘Você está errado e eu estou certo.’ Essas palavras são verdadeiras e significam exatamente o que dizem. Você não pode interpretá-las; você não pode mudá-las – elas falam sério. E o seu ego se levantará com fúria.

É muito importante que você entenda que é disso que ele está falando aqui. A virada acontece quando você percebe que é a causa de sua própria infelicidade e que a sua arrogância é a causa de tudo que deu errado em sua vida. Então você começará a desenvolver aquela gratidão que diz:

‘Graças a Deus eu estava errado. Graças a Deus ainda há alguém dentro de mim que me ama, que não me condena, que me mostrará os meus erros.

É por isso que Jesus se refere a si mesmo como um irmão mais velho. Um irmão mais velho é alguém que orienta os seus irmãos e irmãs mais novos. A humildade vem em ser capaz de dizer: ‘Eu estava errado. Graças a Deus eu estava errado. Sobre tudo! Não apenas sobre um assunto específico no mundo. Eu estava errado sobre tudo!’ É nesse ponto, então, que você percebe que deseja essa ajuda – você precisa dela, porque está muito infeliz. Acima de tudo, você pode ver que este é um Curso para desenvolver humildade. E a gratidão anda de mãos dadas com a humildade.

É por isso que, como diz a lição do Livro de Exercícios:

O Amor é o caminho que sigo com gratidão (LE-pI.195.Título).

Essa abertura diminuta [que é simplesmente: ‘Eu espero ter estado errado.’ Você nem mesmo precisa dizer afirmativamente ‘Eu estava errado’ – apenas ‘Eu espero ter estado errado’] será suficiente para permitir que vás adiante com apenas mais alguns poucos passos que precisas dar para que te permitas ser ajudado (T-30.I.9:4).

Assim, Jesus nem mesmo está falando sobre aceitar ajuda neste ponto – lembre-se, nós estamos falando sobre um processo. Ele está falando sobre esperar que talvez eu esteja errado e que haja ajuda. Se você der esse passo, inevitavelmente dará todos os outros passos.

Agora atingiste o momento da decisão, porque te ocorreu que sairás ganhando se o que decidiste não for assim. Até que esse ponto seja alcançado, acreditarás que a tua felicidade depende de estares certo. [Todos nesse mundo acreditam que: é por isso que as pessoas vêm a esse mundo.] Mas esse tanto de razão já atingiste: viste que estarias melhor caso estivesses errado (T-30.I.10:1-3).

O ponto crucial (decisivo) novamente é perceber que você estava errado. Pense em como isso é difícil – como é difícil dizer isso a alguém que é seu superior ou uma autoridade em sua vida – quanto mais alguém como Jesus que chega e diz: ‘Minha própria existência em sua vida está mostrando que você está errado.’ Observe o quão obstinada e ferozmente você resiste a isso.

Ninguém quer ouvir que está errado, porque, como já foi discutido no Workshop, ouvir que você está errado sobre algo específico é um reflexo direto do medo original: eu estava errado sobre tudo. Eu estava errado sobre Deus, errado sobre o Céu, errado sobre mim mesmo. E, portanto, eu estou errado sobre tudo que vejo no mundo.

Este é um verdadeiro ponto crucial (decisivo).

Vamos voltar ao Texto, Capítulo 29, seção VII, ‘Não busques fora de ti mesmo‘. É aqui que vem a frase referida no que nós acabamos de ler:

Preferes estar certo ou ser feliz? (1:9)

‘Não busques fora de ti mesmo‘ é um tema importante no Curso. Anteriormente, Jesus fala da máxima fundamental do ego: ‘Busca e não aches.’ [a regra do ego] O que o ego faz depois de inventar o problema da culpa é dizer, como vimos: ‘Não olhe para isso; vamos colocar a culpa fora de nós.’ Portanto, o problema agora é visto no mundo e, portanto, nós precisamos encontrar uma solução para o problema do mundo. Isso é o que literalmente fez esse mundo.

Lembre-se de que esse mundo é um grande dispositivo de distração ou uma cortina de fumaça [veja gráfico – Nível II] para impedir que o problema real seja resolvido. O verdadeiro problema é que nós escolhemos nos identificar com a nossa culpa e com o nosso ego. Portanto, a única solução que pode ser encontrada é voltar àquele ponto de escolha e então fazer uma outra escolha.

O medo do ego disso, como vimos, é tão grande que o que ele faz é negar totalmente a mente e colocar o seu conteúdo de pecado, culpa e medo fora do mundo. Está fora de você, em seu próprio corpo, em sua própria psique, que não é a mente.

A psique Freudiana é algum derivado do cérebro. Não tem nada a ver com a mente. Portanto, quando os psicólogos falam sobre a psique ou o inconsciente, a conceituação deles sempre terminaria, se você pressioná-los o suficiente, com algum aspecto do cérebro.

O próprio Freud, próximo ao fim da vida, disse que em algum momento as pessoas descobrirão que todas as dinâmicas de que ele falou podem ser explicadas eletroquimicamente. Ele nunca deixou de ser um médico primeiro – tudo o que ele via era em termos de corpo. E então a psique de que ele falou ainda é do corpo. Portanto, quer você diga que tem um problema em sua psique ou em seu corpo, ou que há um problema no mundo, você ainda está procurando fora de você uma solução para um problema que está fora de você.

É por isto, novamente, que esse Curso é tão radical, radicalmente diferente. O único problema, para estabelecer isso ainda mais uma vez, está em nossas mentes. Todo esse mundo, coberto por este véu – este véu da negação [veja gráfico – linha pontilhada] que nos faz esquecer a culpa em nossa mente – todo este mundo é feito como uma defesa contra isso.

Então o ego está dizendo: ‘Na verdade, você tem muitos problemas, mas todos eles estão fora da sua mente – em seu corpo, mental ou fisicamente, ou no mundo. E, portanto, nós vamos tentar encontrar a solução para todos esses problemas.’

Portanto, a máxima do ego é ‘busca e não aches’. Essa declaração, é claro, é tirada da famosa passagem do Sermão da Montanha, onde Jesus diz ‘busque e acharás’. Esse versículo bíblico é o mais frequentemente citado no Curso. Repetidamente, você verá referências para buscar e achar – seja do ponto de vista do Espírito Santo, onde você busca o problema em sua mente e então acha o problema em sua mente, ou do ponto de vista do ego que é sempre buscar fora de você uma solução. De acordo com o ego, o problema está fora de você e se você olhar para fora de você no mundo, achará uma solução.

Portanto, o tema da seção é Jesus dizendo: ‘Não busques fora de ti mesmo’. O problema não está fora de você e, portanto, a solução não está fora de você. O ego tenta continuamente buscar uma solução para um problema, mas nunca a achará. Não diz que você nunca achará a solução. Quando você não acha a solução, o ego diz que é porque você não se esforçou o suficiente ou não é inteligente o suficiente. Ou diz para esperar cem anos e então será achada uma cura para essa doença que você tem. É sempre que, em algum momento posterior, você a achará.

O que o ego nunca lhe diz é que todo o sistema, que é o mundo, está configurado para que você nunca ache uma solução, porque a solução para o problema está na mente. E o ego nunca nos deixará lembrar da mente. Portanto, o que Jesus está nos exortando aqui nesta seção é ‘não busques fora de ti mesmo‘ a solução para os seus problemas.

Voltemos agora às ‘Regras para Decisões’. Nós estamos no fim da quinta regra, que é a de que esperamos estar errados. Analisamos ‘Não busques fora de ti mesmo‘ para realmente elaborar e deixar claro por que nós estamos errados e o quanto nós estamos errados. Portanto, não é apenas estar errado sobre uma coisa específica; é estar errado sobre a própria substância de nossa existência.

Portanto, a última linha antes da Regra 6 é:

Mas esse tanto de razão já atingiste: viste que estarias melhor caso estivesses errado [porque é assim que nós seremos felizes] (T-30.I.10:3).

E agora nós vamos passar para a Regra 6.

(6) Esse diminuto grão de sabedoria bastará para levar-te adiante. Não és obrigado a nada, mas simplesmente esperas receber uma coisa que queres. E podes dizer com perfeita honestidade: Quero um outro modo de olhar para isso (T-30.I.11:1-4).

‘Esse diminuto grão de sabedoria‘ é a ideia de que você estaria melhor se estivesse errado. Portanto, você ainda não aceitou totalmente que está errado e Jesus está certo. Mas agora você reconhece – com esperança – que realmente estaria melhor se estivesse errado. Você ainda não está convencido de que está errado, mas pelo menos está aberto à sugestão de que está errado e que ele está certo. Lembre-se de que nós damos passos muito pequenos.

A sentença 2 é a mesma ideia que nós vimos na regra anterior. Ninguém está forçando isso à você. Isso é algo que você deseja. É por isso que leva tanto tempo: porque você tem que estar convencido de que não está perdendo nada. Esse é o verdadeiro medo: eu estou realmente com medo de que, se eu fizer o que Jesus diz e desistir do meu especialismo e de todas as coisas que valorizo ​​no mundo, nada restará.

Ainda há aquele pensamento em minha mente de que o ego simplesmente pode estar certo e Deus não é confiável. Isso é o que leva tanto tempo e é por isso que é tão importante que a sua experiência de Jesus ou do Espírito Santo e a sua experiência do Curso sejam de um ensino muito, muito gentil. Ninguém o está forçando a fazer nada, a qualquer momento. Tudo o que Jesus está fazendo é sugerir que você leve em consideração o que ele está lhe ensinando e que você estaria melhor com ele do que com o seu ego.

Há duas linhas no Texto, com algo em torno de quatrocentas páginas, quando colocadas juntas lê-se:

‘Demite-se agora mesmo como professor de ti mesmo, pois foste mal ensinado’ (T-12.V.8:3; T-28.I.7:1).

E basicamente o que ele está dizendo é: ‘Olhe honestamente para o que o seu ego lhe ensinou e perceba que não foi muito bem com você. Você não está feliz. Você recebe algumas migalhas de vez em quando, mas a felicidade não dura. E você passa todo o seu tempo tentando negar o quão infeliz você realmente é. Então, por que você não me dá uma chance?’

É isso que ele está pedindo aqui. É por isso que ele exorta você a dar passos muito pequenos, plenamente consciente de que ficará apavorado a cada passo que der.

Portanto, tudo o que você precisa fazer é apenas pensar sobre o que ele está lhe ensinando aqui (o que obviamente faz muito sentido) e então pensar sobre o que você aprendeu por conta própria e deixou o mundo lhe ensinar. Então perceba que isso não faz sentido algum.

Retomamos com a Regra 7.

(7) Esse passo final não é senão o reconhecimento da ausência de resistência para receberes ajuda. É a declaração de uma mente aberta, que ainda não está certa, mas está disposta que lhe mostrem algo: Talvez haja um outro modo de olhar para isso. O que posso perder por perguntar? Assim podes agora colocar uma pergunta que faz sentido e assim a resposta também fará sentido. Tampouco lutarás contra ela, pois vês que és tu que serás ajudado por ela (T-30.I.12:1-6).

Outro modo de entender tudo isso é que, relembrando aquele momento ontológico original, o ego nos fez acreditar que o Espírito Santo era um inimigo. É extremamente importante compreender isso, porque foi isso que pôs em movimento toda uma série de pensamentos dentro de nós. E o produto final desse processo é a formação das religiões formais.

O ego faz do Espírito Santo o inimigo, porque Ele é visto como o representante de Deus, que tornou o pecado real. Onde estaria a religião formal sem pecado? Esse Deus, que obviamente é o Deus especial do ego, tornou o pecado real e então nos ameaça com punição se nós não fizermos o que ele quer. De forma que Deus agora é visto como um inimigo e nós estamos em oposição a ele. Essa é toda a ideia de um campo de batalha [veja gráfico].

Isso realmente é o que o sistema de pensamento do ego é e o que a mente errada é: um campo de batalha onde nós somos colocados contra Deus – onde Deus está decidido a nos destruir por causa de nosso pecado contra ele. Tudo isso obviamente é inventado, mas esse é o conto de fadas do ego para nos ajudar a não prestar atenção ao Espírito Santo e nos fazer ficar com medo de permanecer dentro da mente, que agora é um campo de batalha. É como um campo minado, onde o ego diz: ‘Observe por onde anda, porque se der um passo errado, você explodirá.’

Assim, o que foi estabelecido é que Deus, verdade, amor, o Espírito Santo, Jesus, salvação, perdão – todas essas palavras são realmente sinônimos aqui – são vistos como o inimigo e em oposição a nós.

Se você ler ‘As leis do caos‘ novamente no Capítulo 23, Seção II, você reconhecerá do que tratam essas cinco leis: a insanidade de acreditar que nós estamos em oposição a Deus e Deus (o Deus insano que nós criamos) está em oposição a nós. E não há esperança. Essa mesma ideia é levada a cabo no Manual de Professores, na seção ‘Como os professores de Deus lidam com pensamentos mágicos?’ (MP.17) que é uma descrição muito poderosa e sucinta dessa insanidade. E também diz que não há esperança.

É aí que a frase: ‘Matar ou ser morto’ [veja gráfico] é encontrada. Não há esperança. A única esperança que existe é esquecer – esse é o uso da negação pelo ego. Toda essa ideia é tão carregada de terror (que a qualquer momento Deus vai nos derrubar e nos destruir), que o único modo de nós lidarmos com isso é simplesmente esquecer tudo, fugir de nossas mentes e inventar um mundo no qual nós nos escondemos – e esperança contra esperança contra esperança de que nunca mais nós pensaremos nisso novamente.

O único problema é que o pensamento se infiltra o tempo todo. Ele se infiltra nas religiões. Você encontra isso na Bíblia. Você o encontra em todos os tipos de coisas – mesmo em sistemas que não são religiosos na forma. Você encontra no conto de fadas Chicken Little – que o céu vai desabar. Portanto, o pensamento sempre se infiltra. E quando isso acontece, nós sempre tentamos afastar ou racionalizar, mas não torná-lo real para nós mesmos.

Então é isso que Jesus está enfrentando com esse Curso e é por isso que ele está totalmente ciente de que ninguém dará atenção a isso – certamente não imediatamente. Há uma desconfiança inerente a ele, porque ele representa a verdade de Deus e o amor de Deus. E o ego nos ensinou a não confiar na verdade de Deus – isso irá destruí-lo. Nós somos o produto direto, a sombra desse sistema de pensamento.

Se o corpo é a personificação do ego e o ego é o sistema de pensamento que proclama que nós pecamos contra Deus, Deus nos destruirá como punição por nosso pecado, pois nós somos a personificação desse sistema de pensamento. Então, dentro da própria fibra do nosso ser está esse pensamento de que nós não podemos confiar em Deus, nós não podemos confiar no Espírito Santo, nós não podemos confiar em Jesus. Se você ler o Novo Testamento e o Antigo Testamento, ficará muito óbvio por que você não deve confiar em Deus. Você faz um movimento em falso e está acabado!

O Novo Testamento é tão brutal quanto o Antigo Testamento. Os Cristãos costumavam se orgulhar de que a Bíblia deles era civilizada e tratava apenas de amor e o Antigo Testamento tratava de julgamento e lei e tudo mais. E eles não sabem que ele é uma continuação do mesmo livro. Quer você leia a Bíblia como um judeu ou como um cristão, você vai tremer em suas botas. Você sabe que, se fizer um movimento em falso, está tudo acabado para você. Agora, por que o livro foi escrito dessa forma? E por que esse livro tem tanto domínio sobre a consciência ocidental? Porque diz a verdade do ponto de vista do ego. E nós somos criaturas do ego, então o reconhecemos. O semelhante é sempre atraído pelo semelhante: isso fala conosco.

É isso que Jesus está enfrentando com esse Curso. E é por isso que é tão fácil interpretar mal, mudar e distorcer. Diz exatamente o oposto, não apenas do que você acredita, mas do que você acredita que é. É por isso que ele continua falando sobre a ideia de que você acredita que ele está em oposição a você. Então, em algum ponto, você deve começar a entender que há algo muito, muito errado com o seu pensamento.

E então o que você encontra nesta seção é uma descrição muito simples, mas clara desse processo de ir e vir – o que realmente significa examinar o que você realmente acredita – o que significa que você realmente tem que chegar ao cerne do que o seu sistema de pensamento é e como você realmente pensa que sabe o que é melhor.

A Regra 7 ‘Talvez haja um outro modo de olhar para isso. O que posso perder por perguntar?‘ é um tanto hesitante, certo? Não é uma afirmação ousada do que você quer, mas pelo menos ela está dizendo: ‘Eu não posso perder nada porque eu sei que já sou um perdedor. Eu não posso perder nada mais do que eu já tenha perdido.’

Então, pelo menos agora você reconheceu que o ego não está certo, porque o ego diz: ‘Se você pedir, você vai perder muito; você vai perder a sua vida. Se você pedir ajuda ao Espírito Santo, ou pedir ajuda à Jesus, você vai perder.’ O que esta regra realmente expressa é a quebra da fidelidade ao ego. Neste instante original, quando nós escolhemos o ego, o que basicamente nós fizemos foi jurar um juramento eterno de que nunca abandonaríamos o ego. O ego se tornou o nosso amigo e nós ‘colocamos todos os nossos ovos em sua cesta’, jurando nunca mais confiar no Espírito Santo ou em Jesus. O que esta passagem está dizendo agora como parte desse processo é que talvez seja o ego em quem nós não podemos confiar. Portanto, uma vez que a nossa confiança no ego não nos trouxe nada de valor, o que nós podemos perder perguntando ao outro lado? Pelo menos abre a possibilidade.

Essas, então, são as sete Regras. O processo não para, mas isso é o mais longe que Jesus chega aqui. E você não precisa ir mais longe, porque a porta está aberta. Lembre-se novamente de que o que o milagre faz é basicamente deixar essa porta aberta. Isso o traz de volta à sua mente e o lembra de que você tem uma escolha. Ele [o milagre] não faz a escolha por você, mas diz que você tem uma escolha.

Essa é exatamente a posição em que nós estamos agora, após esta sétima Regra. Nós estamos pelo menos agora dizendo que nós temos uma escolha. Nós não fizemos essa escolha certa, mas pelo menos nós sabemos que não. E isso é o mais longe que esse Curso irá levá-lo, porque é o mais longe que ele deve levá-lo.

Depois de chegar tão longe, o resto é inevitável.

Parte XIII – Regra 7 (continuação) e Conclusão

Nós dissemos que podes dar início a um dia feliz com a determinação de não tomares decisões por tua própria conta. Isso parece ser uma decisão real em si mesma. E, no entanto, não és capaz de tomar decisões por ti mesmo (T-30.I.14:1-3).

Se você pensa que ele o está trazendo de volta à estaca zero, está absolutamente certo. Só que agora ele está dizendo que pode falar com você sobre isso em outro nível. Como nós veremos, ele vai falar sobre esta primeira Regra de uma forma diferente do que ele fez no início, porque agora você já passou pelo processo e tem um melhor entendimento – pelo menos essa é a suposição desta seção – de seu investimento em estar certo e como estar certo não o faz feliz. Na verdade, isso o deixa muito infeliz.

E, novamente, é basicamente assim que ele aborda tudo no Texto, e é por isso que ele diz a mesma coisa continuamente. Ele o está conduzindo gentilmente através de um processo, mesmo que você não esteja ciente de que ele está fazendo isso, o que o ajudará a superar muito do seu investimento em seu ego, para que você possa começar a entender o que ele diz na página um, mesmo que ele diga isso nas páginas dois, dez, vinte e do começo ao fim.

Portanto, agora ele está nos levando de volta à primeira Regra, mas a um nível mais profundo de sofisticação. O que ele vai explicar agora – deixe-me fazer isso primeiro – é que o tomador de decisões deve decidir entre o ego ou o Espírito Santo. Ele não pode decidir com nenhum dos dois; ele não pode decidir com os dois. É por isso que isso não é uma decisão.

A regra da mente é que o tomador de decisões não pode fazer nada sem o ego ou o Espírito Santo. É como se o tomador de decisões estivesse em ponto morto e não importa a quantidade de gasolina que ele dê ao pedal do acelerador, o carro não irá até que ele engate uma das duas marchas. A engrenagem do ego irá para trás, a do Espírito Santo irá para a frente, apenas para levar a analogia adiante. Mas ele deve fazer um ou outro. Ele não pode fazer as duas coisas. Você não pode colocar o seu carro em marcha à ré e à frente ao mesmo tempo. E se você ficar neutro, nada acontece.

Isso é exatamente sobre o que ele está falando em termos de tomador de decisões, ou do poder da mente de escolher. Você deve escolher um ou o outro. Nem nenhum dos dois e nem ambos. Você certamente pode ir e voltar, como todo mundo faz. Então, novamente, isso destaca ainda mais a ideia de como é importante saber que você tem uma escolha e que está totalmente ciente do que está envolvido em ambas as escolhas.

Isto é o que nós vimos nesta seção e certamente todo o Curso é sobre isso, onde Jesus muito meticulosamente expõe para nós como é o sistema de pensamento do ego e o que acontecerá quando você o escolher – todos os horrores do especialismo, todas as devastações do medo, todas as coisas terríveis que ocorrem quando você escolhe o ego. Mas você deve saber disso, porque sem isso você não pode fazer uma escolha significativa.

Por outro lado, ele explica o que acontece se você o escolher. E quando você vê claramente que a escolha é entre, quais são as alternativas, então não há problema em escolher. E, novamente, é isso que o milagre faz. Deixa claro para nós (1) que nós temos uma escolha e (2) entre qual é a escolha. Então é isso que ele está dizendo agora: você não pode tomar decisões por conta própria.

A primeira regra, então, não é a coerção, mas uma simples declaração de um simples fato. Não tomarás decisões por conta própria seja o que for que venhas a decidir (T-30.I.14:6-7).

Porque você não pode tomar decisões por conta própria! Lembre-se de que ele está falando sobre a mesma Regra, mas de forma totalmente diferente. Na primeira apresentação da Regra 1, Jesus quis dizer: não decida com o seu ego; decida comigo. Agora ele está entendendo isso de uma forma mais sofisticada (porque nós passamos por esse processo), o que significa que você não pode decidir por si mesmo – você deve escolher o seu ego ou o seu Espírito Santo. O que é importante nisso é, se o que ele está dizendo é verdade (que você deve escolher entre o ego e o Espírito Santo), quem é você que está escolhendo?

Em outras palavras, o que esta afirmação está refletindo é que você realmente tem um tomador de decisões. Existe uma parte da sua mente que escolhe entre o ego e o Espírito Santo. Por que isso é importante? Porque então você não é mais o seu ego. Veja, o ego nos convenceu de que, quando nós escolhemos o ego, esse foi o fim do jogo: nós éramos o ego. Não havia mais Espírito Santo. Deus agora se tornou uma parte separada de nosso próprio ser. E não havia mais nada.

É por isso que o mundo está tão desesperado e há tanta dor, sofrimento e miséria, culminando na morte. Porque não há esperança. Quando nós escolhemos o ego, nos tornamos o ego e, para todos os efeitos e propósitos, a mente certa desapareceu. Na realidade, é claro que não – mas nós acreditamos que sim. Deus desapareceu e Seu lugar foi tomado por um ídolo; que é uma parte separada do nosso próprio ego.

Portanto, o que ele está refletindo aqui é que isso não é verdade. Você não é o ego. Você escolheu o ego. E há uma parte de sua mente – que nós chamamos de tomador de decisões – que escolhe o ego. E se escolheu o ego, agora pode fazer outra escolha. É por isso que isso é tão importante. O você a quem ele está se referindo quando diz que ‘você não tomará decisões por conta própria’ é o tomador de decisões. Esse é o Filho de Deus – aquele que escolhe – e, portanto, aquele que tem um tremendo poder em sua mente.

Portanto, a ideia é começar a se separar do ego e é por isso que olhar para o seu ego é tão essencial para o perdão. Na verdade, isso é o perdão. Se você está olhando para o seu ego, quem é você que está olhando para o seu ego? Obviamente, não é o seu ego! Novamente, esse é um Curso lógico muito discutido. Mesmo que você não concorde ou goste, a lógica é apresentada de maneira muito precisa.

Se você está olhando para o seu ego, você não pode ser o seu ego. Você deve ser algo separado do seu ego que está olhando para ele.

Se você está olhando para o seu ego com julgamento, não está olhando para nada. Então é apenas o ego brincando com você. Mas quando você olha sem julgamento e diz: ‘Oh, aí está o meu ego de novo. Depende de seus velhos truques de atacar o amor, atacar este, atacar aquele outro, criando problemas, deixando-me doente, deixando todo mundo doente, confundindo-me, tornando o mundo real, tornando o corpo real …’ e então diga: ‘Ah, esse é o meu ego, o que mais há de novo? Isto é o que os egos fazem.’

Então você está começando o processo de se separar desse sistema de pensamento. Você está quebrando a identificação que colocou todo o mundo em apuros – na verdade, que fez o mundo inteiro. Lembre-se novamente: quando o Filho de Deus escolheu o ego, ele se tornou o ego e não sabia de mais nada. Jesus chega e diz: ‘Espere um minuto, há outra coisa. Olhe para mim e você verá o reflexo dessa outra coisa em você.’ Isto é o que a sua mensagem era 2.000 anos atrás e é o que é novamente agora no Curso. Isso é o que você precisa entender – que você não é o ego. É por isso que é tão importante novamente ser capaz de olhar para ele [o ego] sem julgá-lo. Quando você o julga, você o torna real.

Outra maneira de dizer isso, que é o que eu disse antes, é que o ego não tem poder dentro de si mesmo. Não tem absolutamente nenhum poder dentro de si mesmo. Quando você se identifica com ele, você lhe dá poder total. O poder está no tomador de decisões – no poder da mente do Filho de escolher.

O que dá ao sistema de pensamento do ego o seu poder é a sua identificação com ele.

Novamente, todo o aparente poder que o ego tem, em um nível físico, em um nível emocional, em um nível pseudo-espiritual é encontrado na crença do Filho [o tomador de decisões] nele [o ego].

Quando você começa a se separar dele, o ego começa a perder o seu poder. E à medida que você se separa mais e mais, o seu poder diminui mais e mais, até que no final você está totalmente separado dele. Isso significa que você agora escolhe o Espírito Santo, porque é um ou outro. Quando todo o poder se esvai, então o ego, como eu disse antes, desaparece de volta em seu próprio nada.

O que dá ao sistema de pensamento do ego o seu poder é a sua identificação com ele.

O processo de olhar está desengatando as engrenagens. Então o ego simplesmente desaparecerá. O que dá ao ego o seu poder é você ter se unido a ele, a sua identificação com ele. Quando você luta contra isso, obviamente você o torna muito real. É por isso que você não quer lutar. Quando você quer mudá-lo, você o está tornando real. Quando você quer amá-lo e abraçá-lo, você o está tornando real. Quando você olha para ele e sorri gentil e docemente para ele, ele começa a desaparecer [desfazer-se], porque então você está dizendo: ‘Essa é apenas uma ideia tola.’

E você volta ao erro original quando nós todos olhamos para a ‘ideia diminuta e louca‘ e dissemos que era séria. Agora você começa o processo de desfazer isso. Você olha para a ‘ideia diminuta e louca‘ em qualquer forma que ela surja em sua experiência e diz: ‘Isso não é sério; isso é tolo!’ Mas você deve ser capaz de dar um passo atrás e olhar para ele.

O teu dia não é ao acaso. Ele é determinado por aquilo com o qual escolhes vive-lo e pelo modo que o amigo a quem procuraste para pedir conselhos percebe a tua felicidade. Tu sempre pedes conselho antes de te decidires por qualquer coisa que seja. Deixa que isso seja compreendido e verás que não pode existir coerção aqui, nem justificativas para resistência para que possas ser livre (T-30.I.15:1-4).

Você pode ver quantas vezes nesta seção ele volta a essa ideia de coerção e oposição, porque, novamente, ele está totalmente ciente de como as pessoas se sentem a respeito dele. Ele tem plena consciência de como as pessoas se sentem a respeito de seu Curso. Infelizmente, os estudantes do Curso não estão totalmente cientes de como se sentem em relação ao Curso. Mas ele tem plena consciência de como eles se sentem a respeito. Seria bom se eles perguntassem a ele, em vez julgarem a si mesmos.

Novamente, é tão fácil sentir que você está sendo coagido – que Jesus é mais forte, ele representa Deus e você não tem chance. Então é melhor você fazer o que ele diz, mesmo que você particularmente não goste. Tudo isso faz parte da versão sobre Deus do ego, que é uma parte separada de si mesmo. Que Deus é severo e que Deus exige e que Deus dificilmente é amoroso. Ele pode agir com amor quando você Lhe dá o que Ele quer, mas quando você não dá, Ele é feroz. Esse é o Deus, novamente, em que nós acreditamos, porque esse é o Deus que nós fizemos. E você sabe que inventou esse Deus e ainda crê nisso, porque foi para fugir desse Deus que o mundo foi feito. O mundo foi feito para se esconder daquele Deus feroz, um Deus que nós acreditávamos estar em oposição a nós, porque esse Deus acredita que nós estávamos em oposição a ele. Nós projetamos tudo em Deus, então nós parecemos ser as vítimas inocentes. Nós esquecemos que atiramos a primeira pedra, que atacamos primeiro e o Deus que inventamos foi uma projeção ou uma parte fragmentada de nossa própria crença no pecado e na culpa.

Assim, uma vez que você compreenda o propósito para o qual o mundo foi feito para servir no nível macrocósmico e o propósito para o qual o corpo foi feito para servir no nível microcósmico, então você não terá problemas para entender todas essas coisas no Curso. Todas são deduzidas logicamente da ideia de que nós inventamos um Deus à nossa imagem, um Deus que nos destruiria. Nós tivemos que fugir Dele e inventar um esconderijo, que é o mundo. Nós tivemos que inventar um corpo, que é o nosso esconderijo individual. Essa é a natureza da nossa existência. Nós estamos sempre fugindo do ódio de Deus e de Seu castigo, que o ego chama de amor de Deus. É por isso que o amor é tão assustador neste mundo; é por isso que as pessoas ficam com tanto medo de permitir que outras pessoas cheguem perto delas, a menos que possam estar no controle. O medo é sempre: se eu largar a minha guarda, ou as minhas defesas, eu estarei vulnerável e eu serei ferido e eu serei esmagado. Isso não o torna sozinho no mundo ao experimentar isso. Todo o mundo experimenta isso.

Lembre-se, o mundo foi feito como um esconderijo [vide gráfico], uma defesa, um ataque a Deus. E o corpo é a fortaleza individual que você constrói para protegê-lo da parte separada de você mesmo com a qual você não quer ter nada a ver. Novamente, nós inventamos esse Deus colérico para nos livrar da culpa que nós consideramos inaceitável em nós mesmos. Esse é o paradigma que fundamenta o que nós fazemos o tempo todo em todos os aspectos do nosso sonho.

Há uma parte de mim que eu não gosto: eu divido, eu projeto, eu invento você – e então, é claro, eu tenho que te odiar, porque eu acredito que você vai fazer de volta para mim o que eu fiz para você. Eu inventei um corpo como uma fortaleza e lhe dou um corpo, porque isso te mantém separado de mim, assim como o meu corpo me mantém separado de você. Eu fico apavorado, então, em ter esses limites violados: é por isso que as pessoas ficam tão loucas com violações de limites. As nações ficam loucas por isso, as pessoas individuais ficam loucas por isso, os proprietários ficam loucos por isso – todo mundo fica louco por isso. Não importa se você está falando sobre um limite físico ou psicológico, porque é isso que o protege da ira de Deus. Todo mundo tem esse pensamento interior.

É por isso que você não vai abraçar esse Curso voluntariamente sem muito trabalho e prática. Novamente, se você ler esta seção com muito cuidado, verá com que frequência Jesus fala sobre essa questão de oposição e coerção. Isso é o que nós acreditamos. É por isso que, novamente, existem sete regras para decisão em vez de uma – porque você tem tanto medo dessa primeira!

Quem é o senhor do mundo para ti hoje? Que tipo de dia decidirás ter? (T-30.I.16:8-9).

Essas são basicamente as perguntas finais da seção. Quem é o senhor do mundo para você hoje? É o senhor do mundo do ego, da raiva, do especialismo, do assassinato, da morte; ou o senhor do mundo do Espírito Santo, que é um senhor do mundo de perdão e paz? E o que você escolher determinará o tipo de dia que você terá.

O que acontece após este parágrafo é que há uma etapa intermediária que não é especificada. O passo intermediário é que você fez a escolha certa, ou seja, ter Jesus ou o Espírito Santo como o seu conselheiro. Você então entenderá o que Jesus discute no último parágrafo. Já ter se unido ao Espírito Santo permite que você entenda a importância de não ver os interesses de outra pessoa como separados dos seus.

O que é falado no último parágrafo não é se unir ao Espírito Santo – você já fez isso. Essa é a etapa intermediária que não é especificada aqui. Uma vez que você se junta a Jesus ou ao Espírito Santo, você entende que quando você encontra alguém, é um encontro santo.

E o que ele está realmente falando é que essa pessoa especial com quem você está envolvido (e você está sempre envolvido com uma pessoa em qualquer momento de sua vida – uma pessoa especial que é o objeto de sua atenção e pensamentos) é literalmente uma parte separada de um ser maior do qual você é uma parte separada. E é unir-se àquela outra pessoa que você acha que está fora de você (porque você pensa que está fora da mente) que realmente representa a união ou a re-união com você mesmo.

Unir-se é desfazer aquela dinâmica de separar e inventar um ser que você agora acredita estar em outra pessoa e fora de você. Não há como você entender isso sem primeiro se unir ao Espírito Santo. O que se segue dessas perguntas ‘Quem é o senhor do mundo para ti hoje? Que tipo de dia decidirás ter?‘ é que então você escolhe que é Jesus.

Como o Curso diz:

Basta que haja duas pessoas querendo ter felicidade nesse dia para prometê-la ao mundo inteiro. Basta que duas pessoas compreendam que elas não podem decidir sozinhas para garantir que a alegria que pediram seja totalmente compartilhada. Pois compreenderam a lei básica que faz com que a decisão seja poderosa e dá a ela todos os efeitos que ela jamais terá. Bastam dois. Estes dois estão unidos antes que possa haver uma decisão. Permite que esse seja o único conselho que manterás em mente e terás o dia que queres e o darás ao mundo porque o tens. O teu julgamento terá sido suspenso no mundo pela tua decisão em favor de um dia feliz. E assim como recebeste, assim tens que dar (T-30.II.17:1-8).

Antes de passar para a parte final do Workshop, vamos fazer um breve resumo do que cobrimos:

No início, quando nós tivemos a ‘ideia diminuta e louca‘, quando nós acreditamos que estávamos separados de Deus, a nossa mente já dividida – a mente que acreditávamos ter se separado de Deus – agora se dividiu novamente e nos dividiu em dois sistemas de pensamentos: do ego e do Espírito Santo.

O sistema de pensamento do ego diz que a separação é real e, portanto, eu sou real como um ser separado. O sistema de pensamento do Espírito Santo, que se reflete no princípio da Expiação, diz que a separação nunca aconteceu e a pessoa que você pensa que é não existe. Você permanece em casa em Deus.

O tomador de decisões, que é a parte de nossas mentes que deve escolher entre esses dois sistemas de pensamento, escolheu o ego. Nesse ponto, o que ele fez foi separar-se do Espírito Santo, de modo que tudo o que parecia ser realidade agora era o sistema de pensamento do ego. E, como nós vimos, quando nós escolhemos o sistema de pensamento do ego, nós nos tornamos o sistema de pensamento do ego.

Um termo psicológico para descrever isso é ‘dissociação’, em que você se dissocia de algo: você o divide. Isso é o que a palavra literalmente significa: você estava associado ao Espírito Santo e agora você se dissocia[*] – você se afasta ([*]dissociate , “dis” é um prefixo negativo em inglês).

Portanto, a dissociação se refere meramente à separação, o que especificamente aqui significa que nos separamos do Espírito Santo, esquecendo-nos, assim, do Espírito Santo. Aquilo em que nos separamos, ou seja, o ego, tornou-se a única realidade para nós.

Então o ego inventou toda a sua grande história, que é basicamente o que nos atraiu em primeiro lugar: a ideia de que o especialismo era realmente grande e que realmente nós seríamos felizes se estivéssemos certos, enquanto Deus estava errado. Então, seguindo o sistema de pensamento do ego em termos de sua lógica inevitável, o Amor de Deus se torna temível, vingativo, colérico e punitivo. Portanto, nós temos que escapar e, então, nós inventamos o mundo.

O que acontece quando nós inventamos o mundo é que nós nos separamos, basicamente, de nossa mente. Então, de certo modo, nós estamos sempre passando por um processo de separação. Esse processo de separação da mente – projetando-se no mundo – dá origem a todo o processo de fragmentação.

A seção ‘A realidade substituta’, no início do Capítulo 18, explica e descreve isso claramente. O resultado desse processo de fragmentar e subdividir e subdividir ainda mais e mais e mais é esse mundo – o que os Hindus se referem como um mundo de multiplicidade. Em nosso contexto, nós podemos nos referir a ele como um mundo de fragmentação e separação: o exato oposto da integridade. E aquele único Filho de Deus que fez essa escolha se fragmentou em bilhões e bilhões de fragmentos [zilhões…]. Cada um de nós, agora, é uma representação de um desses fragmentos. Ele acredita que está por conta própria e que é seu o próprio universo autocontido.

E neste ponto, nós parecemos desesperadamente presos, porque não há saída uma vez que nos encontramos aqui. Isso é impossível, exceto lembrar que nós não estamos aqui e lembrar que tudo isso aconteceu porque simplesmente nós fizemos a escolha errada. Caímos em um estado de ‘sem mente‘ [piloto automático], um estado de sono profundo e a única maneira de despertar desse sono e desse sonho é se lembrar. Isso, mais uma vez, é o que o milagre faz: nos lembra que tudo isso aconteceu simplesmente porque nós fizemos a escolha errada. Nós escolhemos contra o Espírito Santo, contra a verdade. Nós nos dissociamos dele e então nós nos identificamos com o sistema de pensamento do ego. Esse é o problema. A solução então é lembrar disto.

Jesus é o nome que nós damos a um desses fragmentos, uma daquelas partes da Filiação que lembra quem todos nós somos. Não há nada no Curso que indique quando ele se lembrou – todo mundo sempre quer saber quando ele o fez. Por favor, não siga a Bíblia, porque os escritores da Bíblia certamente não sabiam nada sobre Jesus – caso contrário, o livro não teria saído do jeito que saiu.

Basicamente, você tem que ir para dentro de si mesmo e obter essa resposta por si mesmo. E, claro, não importa quando ele se lembrou, porque não há tempo de qualquer maneira. Então, simplesmente se torna algo sobre o qual você gostaria de discutir quando ficar um pouco bêbado ou algo assim. Não há razão para isso. Simplesmente seja grato por ele ter feito isso.

Visto que ele faz parte da Filiação e nós estamos todos unidos como um pensamento naquela mente, então ele permanece em nossa mente como o exemplo brilhante e lembrete de que nós podemos fazer o que ele fez. O que ele fez foi perceber que tudo isso era bobagem. Quando o Curso diz que o Filho de Deus se lembrou de não rir. . . ele riu, porque percebeu que é simplesmente absurdo nós podermos estar separados de nosso Criador e de nossa Fonte – que uma parte de Deus pudesse se desvencilhar do Todo e de Tudo. Portanto, quando nos unimos a Jesus, nós estamos nos unindo a esse pensamento. No Curso, ele diz: ‘Eu estou a cargo do processo da Expiação’ (T-1.III.1:1). Em outro lugar, ele diz: ‘…eu sou a Expiação’ (T-I.III.4:1) – porque ele é o princípio da correção. Nele se encontra a resposta, pois ao lembrar que nada aconteceu, ele sabia que ainda era parte de Cristo. E Cristo é perfeitamente um, perfeitamente inteiro e perfeitamente unido com a Sua Fonte. Então, ao nos unirmos a Jesus, nós estamos nos unindo a essa unicidade e, portanto, nós estamos nos unindo a Cristo.

É por isso que é tão importante que você se junte a ele – porque ele é o símbolo do fim do sonho. Ele é o princípio da Expiação. Ele também diz, no início do Texto, que o princípio da Expiação, que surgiu no momento em que a separação parecia ocorrer (que é o que o Espírito Santo é), é basicamente muito geral e teve que ser colocado em ação.

O princípio da Expiação estava em efeito muito antes de começar a Expiação. O princípio era amor e a Expiação um ato de amor (T-2.II.4:2-3).

O que ele realmente quis dizer com isso foi que precisava de um símbolo concreto dentro do mundo que as pessoas pudessem identificar e reconhecer. Ele é esse símbolo. Ele deixa claro que não é o único símbolo. Ele diz que é o primeiro. Mas claramente ele não é o único símbolo. Para os nossos propósitos, já que nós estamos estudando dentro do contexto de seu Curso, nós falaremos dele como o símbolo.

Mas também é importante que você perceba que ele não é o único. Mas foi ele quem colocou em ação o princípio da Expiação – a frase usada no Curso.

O princípio da Expiação foi dado ao Espírito Santo muito antes de Jesus colocá-lo em movimento (ET-6.2:4).

E todas essas são realmente metáforas para simplesmente descrever o fato de que Jesus, em nosso sonho, é o símbolo do princípio da Expiação – que a separação de Deus nunca aconteceu.

Se ele é o Amor de Deus, se ele é a manifestação do Amor de Deus na forma e no sonho, então nos unindo a ele e aceitando o seu amor como verdade, o que nós estamos realmente fazendo é nos unir ao mesmo princípio que ele representa.

Então nós nos tornaremos como ele, conforme expresso naquele belo poema de Helen, ‘Uma Oração de Jesus’. Ele diz no Curso que é a manifestação do Espírito Santo. Ele então pede em um ponto que nos tornemos ‘a Sua manifestação nesse mundo’ (ET-6.5:1).

Assim como ele simbolizou para todos nós o Amor de Deus na presença do sonho, ele pede, como estudantes de seu Curso, que nos tornemos cada vez mais como ele, para que nos tornemos símbolos dentro do sonho para outras pessoas, o que significa realmente aceitar a Expiação para você mesmo.

Em certo sentido, você poderia dizer que esse é um dos propósitos do Curso: fazer com que as pessoas façam isso. Basicamente, é necessário apenas um só, como nós vimos, porque há apenas um Filho. Mas enquanto houver a ilusão de muitos, você terá a ilusão de que muitas pessoas terão que fazer isso. É uma ilusão, como já vimos antes. Toda essa ideia de quantificação da salvação é uma ilusão.

Mas, novamente, enquanto nós acreditarmos que estamos aqui, teremos essa ilusão. Portanto, o propósito do Curso é fazer com que mais e mais pessoas se tornem como Jesus. Embora, na realidade, todos nós sejamos apenas uma pessoa só, nós somos todos partes separadas de uma pessoa só.”

Resumo das regras para decisões

Regra 1: O enfoque [que é o enfoque do padrão de que Jesus está falando que nós devemos adotar quando acordamos todas as manhãs] começa com o seguinte: Hoje, eu não tomarei decisões por minha conta.               

Regra 2: Durante todo o dia, a qualquer momento em que penses a respeito disso e tenhas um momento quieto para reflexão, dize mais uma vez a ti mesmo qual é o tipo de dia que queres, os sentimentos que queres ter, as coisas que queres que te aconteçam e as coisas que queres experimentar e dize: Se eu não tomar nenhuma decisão por mim mesmo, esse é o dia que me será dado.

Regra 3: Lembra mais uma vez do dia que queres e reconhece que alguma coisa ocorreu que não é parte dele. Então, reconhece que colocaste uma pergunta por conta própria e necessariamente estabeleceste uma resposta nos teus próprios termos. Então dize: Eu não tenho nenhuma pergunta. Eu esqueci o que decidir.

Regra 4: Se estás tão pouco disposto a receber que não podes sequer abrir mão da tua pergunta, podes começar a mudar a tua mente com isso: Pelo menos, eu posso decidir que não gosto do que sinto agora.      

Regra 5: Tendo decidido que não gostas do modo como te sentes, o que poderia ser mais fácil do que continuar com: E assim eu espero ter estado errado.

Regra 6: Esse diminuto grão de sabedoria bastará para levar-te adiante. Não és obrigado a nada, mas simplesmente esperas receber uma coisa que queres. E podes dizer com perfeita honestidade: Quero um outro modo de olhar para isso.

Regra 7: Esse passo final não é senão o reconhecimento da ausência de resistência para receberes ajuda. É a declaração de uma mente aberta, que ainda não está certa, mas está disposta que lhe mostrem algo: Talvez haja um outro modo de olhar para isso. O que posso perder por perguntar? Assim podes agora colocar uma pergunta que faz sentido e assim a resposta também fará sentido. Tampouco lutarás contra ela, pois vês que és tu que serás ajudado por ela.      

Uma Oração de Jesus

Dr. Wapnick então prossegue esclarecendo-nos:

“Para quem não conhece os poemas de Helen: eles estão reunidos em um livro chamado ‘The Gifts of God.‘ [‘As Dádivas de Deus‘] O seu poema ‘veio’ e foi transcrito da mesma forma que o Curso. Não eram poemas que a própria Helen escreveu, pois ela mesma poderia ter escrito algo. Ela experimentou o mesmo processo que experimentou quando concluiu o Curso. A única diferença é que com o poema, ela sempre sentiu que a sua voz fazia parte dele, assim como a de Jesus – que basicamente, o poema era um empreendimento colaborativo, enquanto o Curso não.

Em outras palavras, ela sentiu que não tinha absolutamente nada a ver com a transmissão ou a escrita do Curso. Mas com o poema, ela sentiu que a sua voz era como uma parte de Jesus ao fazer isso – não a sua voz, pois ela se identificava como um ego. Muitos dos poemas vêm na primeira pessoa, onde é a voz de Helen que fala. Todos os poemas – os primeiros poemas que são relativamente simples, bem como os posteriores que são mais complexos – lidam com temas que estão no Curso de uma forma ou de outra.

Existe toda uma série de poemas que tratam especificamente de Jesus e do relacionamento de Helen com Jesus. Este, ‘A oração de Jesus’, que é um dos meus poemas favoritos, não trata especificamente de Helen. O orador do poema realmente deveria ser cada um de vocês. É realmente uma oração dirigida por cada um de nós a Jesus. E deixa muito clara a sua importância em nossas vidas – o modelo que ele nos apresenta, de que podemos nos tornar como ele e nos unir a ele.

Outro tema importante neste poema é que, ao nos unirmos a ele, também estamos nos unindo a todos os outros. Então, o que você encontra neste poema é exatamente sobre o que estávamos falando até agora, ou seja, a importância de nos unirmos a ele e a todos os outros e que na verdade é impossível nos unirmos a todos sem nos unirmos a ele e igualmente impossível estar unido a ele e não a todos os outros.

Para aqueles de vocês que não conhecem o poema, deixe-me mencionar também que o poema começa com a frase: ‘Uma Criança, um Homem e depois um Espírito‘ – que se refere a Jesus e a sua vida. Duas estrofes abaixo, a mesma frase aparece, mas agora se refere a nós – novamente com a esperança de que nos tornemos como ele.

E as linhas no final do poema são baseadas na oração do Cardeal Newman, um famoso convertido ao catolicismo do século 19, no qual ele basicamente disse o que ecoa aqui. A sua oração era que, conforme as pessoas olhassem para ele, não o vissem, mas apenas Jesus. É com essa oração que este poema termina.

UMA ORAÇÃO A JESUS

Uma Criança, um Homem e depois um Espírito, vem
Em toda a Sua beleza. A menos que Você brilhe
Em minha vida, é uma perda para Você,
E o que é perda para Você também é minha.

Eu não consigo calcular por que eu estou aqui
Exceto por isso: eu sei que eu tenho vindo
para procurar Você aqui e encontrar Você. Em Sua vida
Você mostra o caminho para a minha casa eterna.

Uma criança, um homem e depois um espírito. Assim
Eu sigo no caminho que Você me mostra
Para que eu possa finalmente vir a ser como Você.
O que eu gostaria de ser senão a Sua semelhança?

Há um silêncio onde Você fala comigo
E me dá palavras de amor para dizer por Você
Para aqueles que Você envia para mim. E eu sou abençoado
Porque neles eu vejo Você brilhando.

Não há gratidão que eu possa dar
Por tal dádiva. A luz ao redor de Sua cabeça
Precisa falar por mim, pois eu estou sem fala junto
De Sua mão gentil com a qual a minha alma é conduzida.

Eu recebo a Sua dádiva em mãos santas, pois Você
As abençoou com a Sua própria. Venham, irmãos, vejam
Como parecido com o Cristo eu sou e eu com você
A quem Ele abençoou e mantém como um só comigo.

Uma imagem perfeita do que eu posso ser
Você me mostra, para que eu possa ajudar a renovar
A visão deficiente dos Seus irmãos. Enquanto eles olham para cima
Que eles não olhem para mim, mas apenas para Você.

Regras para decisões – Aplicações práticas

A proposta para elaboração de um plano para aplicações práticas das regras para decisões em nossas vidas, que segue em resumo, teve inspiração a partir da leitura e estudo de artigos dos professores Kenneth Wapnick e Robert Perry, assim como material diverso disponível na internet e arquivo pessoal sem autoria para ser referenciada.

Aplicações práticas

  • Meditação da manhã e da noite: Eu tenho boas meditações nas quais eu estou totalmente presente em Deus e sinto que eu estou descansando pacificamente Nele.
  • Estudo diário: Eu faço o meu estudo do Texto e tenho um tempo gratificante e meticuloso com ele.
  • Os 3 hábitos:
    1 – Respondendo à toda tentação: Eu observo qualquer perturbação em minha paz e respondo rapidamente com minha ideia para o dia.
    2 – Pedindo orientação: Eu peço orientação sobre o que fazer e o que dizer, tanto na hora certa quanto sempre que eu tenho de tomar uma decisão.
    3 – Dando milagres: Eu procuro oportunidades de expressar amor, sabendo que é assim que eu sirvo ao plano e é disso que se trata o meu dia.
  • Propósito: Eu sei que essa é a base para cumprir o meu propósito.
  • “Regras para decisões”
  1. Estabeleça uma configuração mental para o dia:
    De manhã, imagine o seu dia espiritual ideal e diga a si mesmo,
    “Existe um modo pelo qual hoje mesmo pode acontecer assim.”
    Em seguida, diga: “Hoje, eu não tomarei decisões por minha conta”.
  2. Durante o dia:
    Peça orientação sempre que você puder.
    Abstenha-se ativamente de julgar o que as situações significam.
    Do contrário, você ficará com medo de perguntar (solicitar).
  3. Renove a sua mentalidade:
    Sempre que você puder, lembre-se do dia que deseja e diga,
    “Se eu não tomar nenhuma decisão por mim mesmo, esse é o dia que me será dado.”
  4. Rápida restauração:
    Quando você se sentir “indisposto (relutante) em sentar-se (não agir) e pedir (solicitar)”, perceba que este não é o dia que você planejou e diga,
    “Eu não tenho nenhuma pergunta. Eu esqueci o que decidir.”
  5. Mais longa restauração:
    “Pelo menos, eu posso decidir que não gosto do que sinto agora.”
    “E assim eu espero ter estado errado.”
    “Quero um outro modo de olhar para isso.”
    “Talvez haja um outro modo de olhar para isso.”
    “O que posso perder por perguntar?”
    Volte a perguntar a Ele o que fazer nessa situação.

O nosso dia ideal

  1. Eu tenho uma boa meditação pela manhã, na qual eu estou totalmente presente em Deus e sinto que eu estou descansando pacificamente Nele.
  2. Eu me sinto muito conectado em Deus, no Espírito Santo e em Jesus. Eu estou carinhosamente presente Neles ao longo do dia e eu sinto a presença amorosa Deles em troca.
  3. Ao pedir por e seguir orientação constantemente, eu sei que eu estou desempenhando a minha parte no plano de Deus. A orientação que eu recebo molda materialmente o dia.
  4. O dia adquire um sentido de significado santo.
  5. Eu estou em paz e feliz. Eu tenho a sensação de descansar em uma realidade maior e atemporal. As minúcias do dia parecem pequenas demais para incomodarem.
  6. Eu observo qualquer perturbação da minha paz e respondo rapidamente com uma ideia do Curso.
  7. Eu procuro perdoar e ver o bem em todos e assim me tornar uma presença de amor e cura.
  8. O meu comportamento para com os outros decorre de ver o valor divino deles. Eu procuro constantemente oportunidades de lhes dar um milagre.
  9. Eu tenho encontros santos com eles, nos quais nós sabemos que algo de Deus se passou entre nós.
  10. Eu me sinto focado em minha função e no propósito maior ao qual eu estou servindo ao plano de Deus.
  11. Eu me sinto verdadeiramente unido ao(s) meu(s) parceiro(s) por ter esse dia.

Imagem pexels-andrea-piacquadio-3763998.jpg

Bibliografia da OREM3:

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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