O conhecimento é o resultado da revelação e só induz ao pensamento. Mesmo em sua forma mais espiritualizada, a percepção envolve o corpo. O conhecimento vem do altar interior e é intemporal porque envolve certeza. Perceber a verdade não é o mesmo que conhece-la. (T-3.III.5:10-13)

O conhecimento não pode enganar, mas a percepção sim. (T-3.VII.4:5)

A percepção não existia até a separação introduzir graus, aspectos e intervalos. (T-3.IV.1:5)

Gráfico “A Metafísica em UCEM”. Fonte: ©Foundation for A Course in Miracles”. Tradução livre: Projeto OREM®.

Para situar determinadas passagens mencionadas neste artigo sobre o sistema de pensamento do Curso, destacamos o gráfico “A metafísica em UCEM”, para a nossa reflexão e melhor compreensão de importantes mensagens (dicas) para o nosso despertar espiritual.

O que é conhecimento?    

Dr. Wapnick enfatiza que a unidade de Deus, ou a Unidade de Deus e Cristo, não é percebida no Céu. Se nós falamos de percepção, nós estamos falando de alguém que percebe e de um objeto que é percebido. O Curso contrasta repetidamente conhecimento e percepção.

Conhecimento é usado quase exclusivamente para denotar o estado do Céu [vide gráfico]. Ele não é o conhecimento de algo. É o conhecimento que é a consciência no nível da realidade da unidade de Deus e Cristo – não há um “eu” que esteja ciente de outro.

Ele explica que quando Jesus usa a palavra conhecimento, ele não está falando sobre conhecimento no sentido convencional em que você sabe algo, você está ciente de algo. Isto é porque tudo ocorre dentro de uma estrutura dualística.

Conhecimento no Curso é apenas um sinônimo para aquele estado de Unicidade perfeita. É o estado do Reino, de puro Ser. É o “conhecimento de que não há nada mais; nada fora dessa Unicidade e nada mais dentro”.

O que é percepção?

Do site http://ucembrasil.blogspot.com/2019/ temos:

Percepção é o mecanismo da mente que confirma o universo dual.

Quando a mente se percebe ‘separada’ de Deus, faz nascer todo um universo de sensações e pontos de vista. Assim, surgem cores, formas, sons, sabores, aromas, texturas, além das interpretações de positivo e negativo.

Esse imenso universo, que não passa de uma ilusão da mente, parece bastante real. Ele sedimenta a noção de individualidade: nós vamos agir para evitar estímulos negativos e favorecer estímulos positivos, sempre considerando os pontos de vista de nosso próprio ego.

Em princípio, a percepção poderia servir como uma espécie de armadilha, que nos manteria para sempre presos às ilusões. No entanto, o Curso nos mostra como nós podemos entregar a nossa percepção ao Espírito Santo. Ele é o Guia que nos ensina a ressignificá-la com propósito santo.

O campo da percepção sempre se voltará para experiências passageiras, portanto ilusórias. Contudo, elas podem seguir o sistema de pensamento do ego, que fomentará o sentimento de ódio e medo ou seguir o sistema de pensamento do Espírito Santo, que refletirá comunhão e amor.

O que diz o Curso sobre conhecimento e percepção?

O Curso diz, no livro Texto, Prefácio, que Um Curso em Milagres começa fazendo uma distinção fundamental entre conhecimento e percepção, entre o real e o irreal.

Nada real pode ser ameaçado. 
Nada irreal existe. 
Nisso está a paz de Deus.

Conhecimento é verdade e está sob uma única lei, a lei do Amor de Deus. A verdade é inalterável, eterna e não é ambígua. É possível não reconhece-la, mas não é possível mudá-la. Ela se aplica a tudo o que Deus criou e só o que Ele criou é real. Está além do aprendizado porque está além do tempo e do processo. Não tem opostos, não tem início e não tem fim. Simplesmente é.

O mundo da percepção, por outro lado, é o mundo do tempo, da mudança, dos inícios e dos fins. Ele se baseia em interpretação, não em fatos. É o mundo do nascimento e da morte, fundado sobre a crença na escassez, na perda, na separação e na morte. Ele é aprendido, mais do que dado, seletivo nas ênfases que dá à percepção, instável em seu funcionamento e impreciso em suas interpretações.

Do conhecimento e da percepção surgem respectivamente dois sistemas de pensamento distintos que são opostos em todos os aspectos.

No domínio do conhecimento, nenhum pensamento existe à parte de Deus, porque Deus e Sua Criação compartilham uma única Vontade.

O mundo da percepção, no entanto, é feito pela crença em opostos e vontades separadas, em perpétuo conflito umas com as outras e com Deus.

O que a percepção vê e ouve parece ser real porque ela só permite que entre na consciência o que está de acordo com os desejos de quem está percebendo. Isso leva a um mundo de ilusões, um mundo que precisa de defesa constante, exatamente porque ele não é real.

Quando foste aprisionado no mundo da percepção, foste aprisionado num sonho de separação [vide gráfico]. Não podes escapar sem ajuda, porque tudo o que os teus sentidos te mostram apenas testemunha a realidade do sonho de separação.

Deus forneceu a Resposta, o único Caminho para a saída, o verdadeiro Ajudante. A função da Sua Voz, Seu Espírito Santo, é ser o mediador entre os dois mundos. Ele pode fazer isso porque, se de um lado conhece a verdade [conhecimento], de outro também reconhece as nossas ilusões [percepções], mas sem acreditar nelas.

A meta do Espírito Santo é ajudar-nos a escapar do mundo de sonhos ensinando-nos a reverter o nosso pensamento e a desaprender os nossos erros.

O perdão é o grande instrumento de aprendizado do Espírito Santo para realizar essa inversão do pensamento [da percepção ao conhecimento]. No entanto, o Curso tem a sua própria definição do que é realmente o perdão, assim como ele define o mundo à sua própria maneira.

A percepção é uma função do corpo e, portanto, representa um limite na consciência. A percepção vê através dos olhos do corpo e ouve através dos ouvidos do corpo. Evoca as respostas limitadas que o corpo dá.

O corpo parece ser amplamente automotivado e independente, no entanto, ele responde só as intenções da mente. Se a mente quer usá-lo para o ataque [o mundo das percepções] em qualquer forma, ele vem a ser vítima da doença, da idade e da decadência. Se, em vez disso, a mente aceita o propósito que o Espírito Santo tem para ele [o mundo do conhecimento], ele vem a ser um meio útil de comunicação com os outros, invulnerável por tanto tempo quanto for necessário para ser gentilmente deixado de lado quando a sua utilidade chegar ao fim. Em si mesmo ele [o corpo] é neutro, como tudo no mundo da percepção. É usado para os objetivos do ego ou do Espírito Santo, dependendo inteiramente do que a mente quer.”

A Percepção Verdadeira – Conhecimento (ET-4.1-8)

O mundo que vês é uma ilusão de um mundo. Deus não o criou, pois o que Ele cria tem de ser eterno como Ele próprio. No entanto, no mundo que vês, não há nada que vá durar para sempre. Algumas coisas durarão, no tempo, um pouco mais do que outras. Mas virá o tempo no qual todas as coisas visíveis terão um fim.

Os olhos do corpo não são, portanto, o meio através do qual o mundo real pode ser visto, pois as ilusões que eles contemplam não podem deixar de levar a mais ilusões da realidade. E é o que fazem. Pois tudo o que vêem não só não vai durar, como se presta a pensamentos de pecado e de culpa. Enquanto isso, todas as coisas que Deus criou são para sempre sem pecado e ,portanto, para sempre sem culpa.

O conhecimento não é o remédio para a falsa percepção já que, estando noutro nível, nunca poderão encontrar-se. A única correção possível para a falsa percepção tem de ser a verdadeira percepção. Ela não irá durar. Mas, enquanto durar, vem para curar. Pois a percepção verdadeira é um remédio com muitos nomes. Perdão, salvação, Expiação, percepção verdadeira; todos são um. Todos eles são o único começo com o fim de levar à Unicidade, muito além deles próprios. A percepção verdadeira é o meio pelo qual o mundo é salvo do pecado, pois o pecado não existe. E é isso que a percepção verdadeira vê.

O mundo ergue-se como uma parede diante da face de Cristo. Mas a percepção verdadeira olha para o mundo como um simples e frágil véu, tão facilmente desfeito que não pode durar mais do que um instante. Afinal, o véu é visto, simplesmente, como é. E, agora, não pode deixar de desaparecer, pois passou a haver um espaço vazio, que foi limpo e está pronto. Onde a destruição era percebida aparece a face de Cristo e, nesse instante, o mundo é esquecido e o tempo acaba para sempre, enquanto o mundo vai girando para o nada de onde veio.

Um mundo perdoado não pode durar. Era o lar dos corpos. Mas o perdão olha para o que vem depois dos corpos. Essa é a sua santidade e é assim que cura. O mundo dos corpos é o mundo do pecado, pois o pecado só poderia ser possível se houvesse um corpo. Do pecado vem a culpa. E, uma vez que toda e qualquer culpa se desvaneceu, o que é que sobra para manter a existência do mundo separado? Pois também os lugares desapareceram, juntamente com o tempo. Só o corpo faz com que o mundo pareça real, uma vez que, por estar separado, o corpo não poderia permanecer onde a separação é impossível. O perdão prova que a separação é impossível porque não vê o mundo. Então, aquilo que deixarás de ver, deixará de ser compreensível para ti, tal como a sua presença, foi, uma vez, a tua certeza.

Este é o deslocamento que a percepção verdadeira traz: o que foi projetado para fora é visto no interior e, uma vez aí, o perdão permite que desapareça. Pois é lá que está erguido o altar ao Filho e é lá que o Pai é lembrado. Uma vez neste ponto, todas as ilusões são trazidas à verdade e colocadas sobre o altar. O que é visto do lado de fora tem de estar além do perdão, pois parece ser, para sempre, pecaminoso. Onde está a esperança se o pecado é visto do lado de fora? Que remédio pode a culpa esperar? Mas, vistos dentro da tua mente, culpa e perdão estão juntos por um instante, lado a lado, sobre um único altar. Aí, finalmente, a doença e o seu único remédio estão unidos numa luz que cura. Deus veio para reivindicar o que é Dele. O perdão está completo.

E, agora, o conhecimento de Deus, imutável, certo, puro e totalmente compreensível, entra no seu reino. A percepção desfez-se, tanto a falsa como a verdadeira. O perdão desapareceu, pois a sua tarefa está cumprida. E os corpos foram-se na luz resplandecente sobre o altar do Filho de Deus. Deus sabe que o altar é Seu assim como é dele. E aqui se unem, pois aqui a face de Cristo resplandeceu fazendo desaparecer o instante final do tempo pelo que, agora, a última percepção do mundo não tem propósito nem causa. Pois onde, finalmente, a memória de Deus veio, não há mais viagem, não há crença no pecado, não há paredes, não há corpos e o apelo sombrio da culpa e da morte é abafado para sempre.

Oh, meus irmãos, se conhecessem a paz que os envolverá e os manterá seguros e puros e belos na Mente de Deus, não fariam outra coisa senão correr para encontrá-Lo, lá onde está o seu altar. Santificado seja o teu nome e o Dele, pois estão unidos aqui neste lugar santo. Aqui, Ele inclina-Se para te erguer até Ele, para fora das ilusões [percepções] rumo à santidade [conhecimento], para fora do mundo e para dentro da eternidade, para fora de todo e qualquer medo e de regresso ao amor. (ET-4:1-8)

Deus ama Seu Filho. Pede-Lhe agora que Ele te dê os meios pelos quais esse mundo desaparecerá; primeiro virá a visão e apenas um instante mais tarde o conhecimento. Pois na graça vês uma luz que cobre o mundo todo de amor e observas o medo desaparecer de cada rosto à medida que os corações se erguem e reivindicam a luz como o que lhes pertence. O que permanece agora que poderia atrasar a vinda do Céu ainda que por um instante? O que ainda está por fazer, quando o teu perdão descansa em todas as coisas? (LE-pI.168.4:1-5)

Glossário para “conhecimento” em UCEM:

  • Foundation for A Course in Miracles – “Céu, ou o mundo pré-separação de Deus e Sua criação unificada em que não há diferenças ou formas e portanto é exclusivo do mundo da percepção; não se confundir com o uso comum de “conhecimento”, que implica o dualismo de um sujeito que conhece e um objeto que é conhecido; no Curso reflete a experiência pura da não dualidade [vide gráfico], sem dicotomia sujeito-objeto. Glossário https://facim.org/glossary/knowledge/
  • Circle of Atonement – Significado raiz: a condição de saber com certeza o que algo é. Convencional: estar ciente ou possuir informações e conceitos. UCEM: a condição celestial de conhecer a realidade por meio da união direta e total com ela, não mediada por sentidos físicos ou interpretação mental. Conhecimento e percepção são mutuamente exclusivos, pois a percepção envolve uma separação entre sujeito e objeto, conhecedor e conhecido. Isso torna a certeza impossível. No entanto, o conhecimento é totalmente certo e indiscutível. Portanto, ele não muda e, por isso, é atemporal. É total, sem graduação. Nele, cada parte é o todo. É totalmente inespecífico, abstrato. Não contém opostos, nem contraste, nem comparações. Não pode ser aprendido, pois o aprendizado se aplica apenas à percepção, onde a informação entra de fora. Ele só pode ser lembrado. Isso acontece quando alcançamos o estado de percepção verdadeira, que não contém oposição ao conhecimento. O objetivo do Curso é prontidão para o conhecimento, não o conhecimento em si (consulte T-18.IX.11). Ver T-3.III, IV, V, T-5.I.6-7, T-6.II.7. https://circleofa.org/glossary-of-terms/i-k/knowledge/

O conhecimento transcende as leis que governam a percepção porque um conhecimento parcial é impossível. (T-3.VI.8:6)

Glossário para “percepção” em UCEM:

  • Foundation for A Course in Miracles nível I: o mundo dualista pós-separação das formas e diferenças, mutuamente exclusivo do mundo não dualista do conhecimento; este mundo surge de nossa crença na separação e não tem realidade fora desse pensamento; nível II (vem da projeção): o que vemos interiormente determina o que vemos fora de nós; crucial para a percepção, portanto, é a nossa interpretação da “realidade”, em vez do que parece ser objetivamente real; mentalidade errada: a percepção do pecado e da culpa reforça a crença na realidade da separação; mentalidade certa: percepção de oportunidades de perdoar serve para desfazer a crença na realidade da separação.
  • Circle of Atonement O processo de tentar conhecer um objeto enquanto separado dele, interpretando ou julgando as informações recebidas por nossos sentidos físicos. Também, as imagens interpretadas que resultam desse processo. Envolve necessariamente uma separação entre sujeito e objeto, entre nós e o que estamos tentando saber. É, portanto, inerentemente incerto (bem como parcial e mutável) e fora do domínio do conhecimento. Parece que as coisas externas e os próprios eventos produzem as nossas percepções deles, mas as nossas percepções são realmente produzidas projetando para fora o nosso próprio sistema de crenças, especialmente nosso autoconceito. Como nós percebemos o mundo determina a nossa condição de experiência e essa percepção é nossa escolha. A percepção de cura é o objetivo do Curso. O ego se envolve em uma percepção falsa ou de cabeça para baixo. Isso vê o mundo da forma e do tempo como real, interpreta esse mundo como culpado e agressivo e, portanto, justifica as respostas emocionais de medo e raiva. O Espírito Santo nos ensina a verdadeira percepção. Isso abre caminho para a etapa final em que Deus nos elevará da percepção ao conhecimento.

A percepção é um espelho, não um fato. E o que enxergo é o meu estado mental, refletido fora de mim. (LE-pII.304.1:3-4)

O que o Curso diz sobre conhecimento?

O conhecimento é poder porque é certo e certeza é força. (T-3.III.1:5)

A percepção verdadeira é a base para o conhecimento, mas conhecer é a afirmação da verdade e está além de todas as percepções. (T-3.III.1:10)

A percepção pode e tem que ser estabilizada, mas o conhecimento é estável. (T-3.III.6:6)

O conhecimento é sempre estável e é bastante evidente que tu não és. (T-3.V.3:3)

Tu, que realmente és um com ele, não precisas senão conhecer a ti mesmo e o teu conhecimento está completo. (T-3.V.8:8)

O pensamento abstrato aplica-se ao conhecimento porque o conhecimento é completamente impessoal e exemplos são irrelevantes para a sua compreensão. A percepção, contudo, é sempre específica e, portanto, bastante concreta. (T-4.II.1:4-5)

O conhecimento está sempre pronto para fluir a toda parte, mas não pode se opor. Assim sendo podes obstruí-lo, embora nunca possas perde-lo. (T-5.I.4:10-11)

O conhecimento é total e o ego não acredita em totalidade. (T-7.VI.4:2)

O conhecimento é a Sua Vontade. Se estás te opondo à Sua Vontade, como podes ter conhecimento? (T-8.I.1:7-8)

Podes conhecer-te só como Deus conhece Seu Filho, pois o conhecimento é compartilhado com Deus. (T-9.VI.4:7)

O conhecimento está muito além da tua concernência individual. Tu que és parte dele és todo ele e só precisas reconhecer que ele é do Pai e não teu. O teu papel na redenção te conduz a ele por restabelecer a sua unicidade em tua mente. (T-13.VIII.7:4-6)

O conhecimento não é ensinado, mas as suas condições têm que ser adquiridas, pois foram elas que foram postas fora. (T-14.I.1:2)

O conhecimento é poder e todo poder é de Deus. (T-14.XI.1:2)

O conhecimento é, portanto, da mente e as suas condições estão na mente com ele. (T-15.VI.7:6)

O conhecimento está muito além de qualquer tipo de consecução. Mas a razão pode servir para abrir as portas que fechaste contra ele. (T-21.V.9:4-5)

Mas o conhecimento está além das metas que buscamos ensinar no escopo deste curso. (LE-pI.138.5:4)

O conhecimento é restabelecido uma vez que a percepção é modificada e então dá lugar inteiramente àquilo que permanece para sempre fora do seu alcance. (LE-pII.336.1:2)

O que o Curso diz sobre percepção?

A consciência, o nível da percepção, foi a primeira divisão introduzida na mente depois da separação, fazendo com que a mente seja um perceptor ao invés de um criador. (T-3.IV.2:1)

A percepção sempre envolve um certo uso equivocado da mente, porque traz a mente à áreas de incerteza. A mente é muito ativa. Quando escolhe estar separada, escolhe perceber. Até então só tem vontade de conhecer. (T-3.IV.5:1-4)

A capacidade de perceber fez com que o corpo fosse possível, porque tens que perceber alguma coisa e com alguma coisa. É por essa razão que a percepção envolve um câmbio ou tradução que o conhecimento não necessita. A função interpretativa da percepção, uma forma distorcida de criação, então te permite interpretar o corpo como tu mesmo numa tentativa de escapar do conflito introduzido por ti. (T-3.IV.6:1-3)

Eu tenho dito que as capacidades que possuis são apenas sombras da tua força real e que a percepção que é inerentemente julgadora, só foi introduzida após a separação. Ninguém tem estado seguro de coisa alguma desde então. Eu também fiz com que ficasse claro que a ressurreição foi o meio para o retorno ao conhecimento, realizado pela união da minha vontade com a do Pai. Podemos agora estabelecer uma distinção que esclarecerá algumas das nossas declarações subsequentes. (T-3.V.1:1-4)

A declaração “Deus criou o homem à sua própria imagem e semelhança” necessita de reinterpretação. “Imagem” pode ser compreendida como “pensamento” e “semelhança” como “de qualidade semelhante”. Deus efetivamente criou o espírito em Seu próprio Pensamento e de uma qualidade semelhante à Sua própria. Não há nada mais. A percepção, por outro lado, é impossível sem uma crença em “mais” e “menos”. Em todos os níveis envolve seletividade. A percepção é um processo contínuo de aceitar e rejeitar, organizar e reorganizar, deslocar e mudar. A avaliação é uma parte essencial da percepção porque os julgamentos são necessários para a seleção. (T-3.V.7:1-8)

A palavra “imagem” está sempre relacionada com a percepção e não é uma parte do conhecimento. Imagens são simbólicas e representam alguma outra coisa. A ideia de “mudar a tua imagem” reconhece o poder da percepção, mas implica também em que não há nada estável para conhecer. (T-3-V.4:6-8)

Ao elegeres a percepção no lugar do conhecimento, tu te colocaste em uma posição na qual só poderias parecer-te com o teu Pai percebendo milagrosamente. Tu perdeste o conhecimento de que tu, em ti mesmo, és um milagre de Deus. A criação é a tua Fonte e a tua única função real. (T-3.V.6:6-8)

O que acontece com as percepções se não existem julgamentos, nem nada além da perfeita igualdade? A percepção vem a ser impossível. (T-3.V.8:1-2)

O perdão é a cura da percepção da separação. (T-3.V.9:1)

Enquanto durar a percepção há lugar para a oração. Uma vez que a percepção se baseia a falta, aqueles que percebem não aceitaram totalmente a Expiação nem se entregaram à verdade. A percepção baseia-se em um estado separado, de modo que qualquer pessoa que percebe seja o que for, necessita de cura. (T-3.V.10:1-3)

O julgamento é simbólico porque além da percepção não há nenhum julgamento. Quando a Bíblia diz “Não julgueis para que não sejais julgados”, quer dizer que se julgas a realidade de outros serás incapaz de evitar julgar a tua própria. (T-3.VI.1:3-4)

O julgamento é o processo no qual se baseia a percepção, mas não o conhecimento. (T-3.VI.2:2)

Vida e morte, luz e escuridão, conhecimento e percepção são irreconciliáveis. (T-3.VII.6:6)

Toda a sua percepção dos outros egos como reais é apenas uma tentativa de se convencer de que ele é real. (T-4.II.6:7)

A percepção não é conhecimento, mas pode ser transferida para o conhecimento ou atravessar a ponte para ele. Talvez seja até mais útil usar aqui o significado literal da palavra transferida, ou seja “transportada”, uma vez que o último passo é dado por Deus. (T-5.I.6:5-6)

Eu já disse que o Espírito Santo é a ponte para a transferência da percepção ao conhecimento… (T-5.III.1:2)

O significado da percepção é derivado dos relacionamentos… O que percebes nos outros, estás fortalecendo em ti mesmo. Podes permitir que a tua mente perceba de modo equivocado, mas o Espírito Santo permite que a tua mente reinterprete as tuas próprias percepções equivocadas. (T-5.III.9:1, 5-6)

A minha única lição, que eu tenho que ensinar como aprendi, é que nenhuma percepção que esteja em desacordo com o julgamento do Espírito Santo pode ser justificada. (T-6.I.11:5)

O ego usa a projeção só para destruir a tua percepção tanto de ti próprio quanto de teus irmãos. (T-6.II.3:7)

Os pensamentos têm início na mente de quem pensa, de onde alcançam o que está fora. Isso é tão verdadeiro em relação ao Pensamento de Deus quanto em relação ao teu. Como a tua mente está dividida, podes perceber assim como pensar. Entretanto, a percepção não pode escapar das leis básicas da mente. Tu percebes a partir da tua mente e projetas as tuas percepções para fora. Embora qualquer tipo de percepção seja irreal, tu a fizeste e portanto o Espírito Santo pode fazer bom uso dela. Ele pode inspirar a percepção e conduzi-la para Deus. Essa convergência só parece estar no futuro distante porque a tua mente não está perfeitamente alinhada com a ideia e, portanto, tu não a queres agora. (T-6.II.9:1-8)

O que a percepção vê e ouve parece ser real porque ela só permite que entre na consciência [no nível da realidade] o que está de acordo com os desejos de quem está percebendo. Isso leva a um mundo de ilusões, um mundo que precisa de defesa constante, exatamente porque ele não é real. (T-Prefácio; página xix)

A projeção faz a percepção. (T-21.in.1:1)

A fantasia é uma forma distorcida de visão. Quaisquer tipos de fantasias são distorções, porque sempre envolvem a torção da percepção em irrealidade. (T-1.VII.3:1-2)

Tu podes aprender a melhorar as tuas percepções e podes vir a ser um aprendiz cada vez melhor. (T-2.II.5:6)

Percepção versus conhecimento (T-3.III.1-7)

Estivemos enfatizando a percepção e falamos muito pouco do conhecimento. Isto porque a percepção tem de ser corrigida antes que se possa conhecer qualquer coisa. Conhecer é ter a certeza. A incerteza significa que não conheces. O conhecimento é poder porque é certo e a certeza é força. A percepção é temporária. Como um atributo da crença no espaço e no tempo, está sujeita ao medo e ao amor. As percepções erradas produzem medo e as percepções verdadeiras fomentam amor, mas nenhuma traz a certeza, pois qualquer percepção varia. Por isso não é conhecimento. A percepção verdadeira é a base para o conhecimento, mas conhecer é a afirmação da verdade e está além de todas as percepções.

Todas as tuas dificuldades decorrem do fato de que não te reconheces a ti mesmo, o teu irmão ou Deus. Reconhecer significa “conhecer de novo”, o que significa que antes já conhecias. Podes ver de muitas maneiras, porque a percepção envolve interpretação o que significa que não é íntegra ou consistente. O milagre, sendo uma maneira de perceber, não é conhecimento. É a resposta certa para uma questão, mas tu não questionas quando conheces. Questionar ilusões é o primeiro passo para as dissipar. O milagre, ou a resposta certa, corrige as ilusões. Como as percepções mudam, a sua dependência do tempo é óbvia. A forma como percebes a qualquer momento determina o que fazes e as ações têm de ocorrer no tempo. O conhecimento é intemporal porque a certeza não é questionável. Tu conhecerás quando tiveres deixado de questionar.

A mente que questiona percebe-se no tempo e, portanto, olha à procura de respostas futuras. A mente fechada acredita que o futuro e o presente são o mesmo. Isto estabelece um estado aparentemente estável que, normalmente, é uma tentativa de se contrapor a um medo sub-reptício de que o futuro venha a ser pior do que o presente. Este medo inibe inteiramente a tendência para questionar.

A visão verdadeira é a percepção natural da vista espiritual, mas ainda é uma correção em vez de um fato. A vista espiritual é simbólica e, portanto, não é um instrumento para o conhecimento. Contudo, é o meio de percepção certa, que a traz ao domínio próprio do milagre. Uma “visão de Deus” seria mais um milagre do que uma revelação. O fato de a percepção estar envolvida nisto, de qualquer maneira, remove a experiência da esfera do conhecimento. É por isso que as visões, por mais santas que sejam, não duram.

A Bíblia diz “Conhece-te a ti mesmo” ou seja, diz para teres a certeza. A certeza é sempre de Deus. Quando amas alguém percebeste-o como é, e isso faz com que te seja possível conhecê-lo. Enquanto não o perceberes como ele é, não podes conhecê-lo. Enquanto fizeres perguntas a respeito dessa pessoa estás claramente a inferir que não conheces Deus. Certeza não requer ação. Quando dizes que estás agindo com base no conhecimento, estás realmente a confundir conhecimento com percepção. O conhecimento provê a força para o pensamento criativo, mas não para fazer as coisas certas. A percepção, os milagres e o fazer estão intimamente relacionados. O conhecimento é o resultado da revelação e induz apenas ao pensamento. Mesmo na sua forma mais espiritualizada a percepção envolve o corpo. O conhecimento vem do altar interior e é intemporal porque envolve a certeza. Perceber a verdade não é o mesmo que conhecê-la.

A percepção certa é necessária antes que Deus possa comunicar diretamente com os Seus altares, os quais estabeleceu nos Seus Filhos. Nesses altares, Ele pode comunicar a Sua certeza e o seu conhecimento e o Seu conhecimento trará paz sem questionamentos. Deus não é um estranho para os Seus Filhos e os Seus filhos não são estranhos uns para os outros. O conhecimento precedeu tanto a percepção quanto o tempo e irá, em última instância, substituí-los. Este é o significado real de “Alfa e Ômega, o princípio e o fim” e “Antes que Abraão existisse Eu sou”. A percepção pode e tem de ser estabilizada, mas o conhecimento é estável. “Teme a Deus e guarda os seus mandamentos” passa a ser “Conhece Deus e aceita a Sua certeza”.

Se atacas o erro noutra pessoa, ferir-te-ás. Não podes conhecer o teu irmão quando o atacas. O ataque é feito sempre contra um estranho. Fazes dele um estranho porque o percebes erradamente e, assim, não podes conhecê-lo. Tu o temes porque fizeste dele um estranho. Percebe-o corretamente para que possas conhece-lo. Não há estranhos na criação de Deus. Para criares como Ele criou só podes criar o que conheces e, portanto, aceitas como teu. Deus conhece as Suas crianças com perfeita certeza. Ele criou-as pelo fato de as conhecer. Ele reconhece-as perfeitamente. Quando elas não se reconhecem umas às outras, não reconhecem a Ele. (T-3.III.1-7)

A percepção não é um atributo de Deus. Seu é o reino do conhecimento. Mas Ele criou o Espírito Santo como Mediador entre a percepção e o conhecimento. Sem esse elo com Deus, a percepção teria substituído o conhecimento para sempre na tua mente. Com esse elo com Deus, a percepção virá a ser tão mudada e purificada que conduzirá ao conhecimento. Essa é a sua função tal como o Espírito Santo a vê. Portanto, essa é a sua função na verdade.       (LE-pI.43.1:1-7)

Tu não podes ver em Deus. A percepção não tem nenhuma função em Deus e não existe. Mas na salvação, que é o desfazer daquilo que nunca foi, a percepção tem um propósito poderoso. Feita pelo Filho de Deus com um propósito não-santo, tem que vir a ser o meio para a restauração da sua santidade à sua consciência. A percepção não tem significado. No entanto, o Espírito Santo lhe dá um significado muito próximo ao de Deus. A percepção curada vem a ser o meio pelo qual o Filho de Deus perdoa a seu irmão e assim perdoa a si mesmo. (LE-pI.43.2:1-7)

Tu não podes ver à parte de Deus porque não podes ser à parte de Deus. O que quer que faças, estás fazendo Nele, porque o que quer que penses, penas com a Sua Mente. Se a visão é real, e ela é real na medida em que compartilha do propósito do Espírito Santo, então não podes ver à parte de Deus. (LE-pI.43.3:1-3)

A diferença entre percepção horizontal e percepção vertical

Buscamos inspiração no artigo intitulado “The difference between horizontal and vertical perception”, de autoria do professor Paul West (16/09/2019), que transcrevemos trechos em tradução livre, para a nossa reflexão e o nosso entendimento sobre o sistema de pensamento de Um Curso em Milagres.

O artigo na íntegra em inglês poderá ser acessado no site Voice for God, através do link https://www.voiceforgod.net/blogs/acim-blog/the-difference-between-horizontal-and-vertical-perception.

Referências no Curso sobre percepção horizontal e percepção vertical

Versão Urtext (sem versão em língua portuguesa):

T 1 B 40z. “Ninguém vem ao Pai senão por mim” está entre as declarações mais mal compreendidas da Bíblia. NÃO significa que eu seja de qualquer modo separado (ou diferente) de ti, EXCETO NO TEMPO. Agora, nós sabemos que o tempo não existe. Na verdade, a declaração é mais significativa em termos de um eixo vertical do que horizontal. Considerado ao longo do vertical, o homem está abaixo de mim e eu estou abaixo de Deus. No processo de “subida”, EU ESTOU mais acima. Isso ocorre porque sem mim a distância entre Deus e o homem seria grande demais para abrangeres. Eu faço a ponte sobre essa distância como teu irmão mais velho de um lado e como um Filho de Deus do outro. Minha devoção aos meus irmãos me pôs a cargo da Filiação, que eu torno completa apenas na medida em que eu a posso COMPARTILHAR.

T 1 B 40ad. No plano longitudinal (ou horizontal), o reconhecimento da verdadeira igualdade de todos os homens na Filiação parece envolver um tempo quase sem fim. Mas nós sabemos que o tempo é apenas um instrumento apresentado como um auxiliar de aprendizado.

T 1 B 41a. O milagre é um instrumento de aprendizado que faz com que a necessidade de tempo diminua. Contudo, o milagre acarreta uma passagem repentina da percepção horizontal para a vertical. Isto introduz um intervalo do qual ambos, tanto o doador como quem recebe, emergem mais adiante no tempo do que teriam estado de outra forma.

Versão FIP (Foundation for Inner Peace), 2ª edição (© 1994 da edição em língua portuguesa)

“Ninguém vem ao Pai senão por mim” não significa que eu seja de qualquer modo separado ou diferente de ti exceto no tempo e o tempo realmente não existe. A declaração é mais significativa em termos de um eixo vertical do que horizontal. Tu estás abaixo de mim e eu estou abaixo de Deus. No processo de “subida”, eu estou mais acima, porque sem mim a distância entre Deus e o homem seria grande demais para abrangeres. Eu faço a ponte sobre essa distância como teu irmão mais velho de um lado e como um Filho de Deus do outro. Minha devoção aos meus irmãos me pôs a cargo da Filiação, que eu torno completa porque compartilho. Isso pode parecer contradizer a declaração “Eu e meu Pai somos um”, mas há dois lados nesta declaração em reconhecimento de que o Pai e maior. (T-1.II.4:1-7)

O milagre minimiza a necessidade de tempo. No plano longitudinal ou horizontal, o reconhecimento da igualdade dos membros da Filiação parece envolver um tempo quase sem fim. Contudo, o milagre acarreta uma passagem repentina da percepção horizontal para a vertical. Isto introduz um intervalo do qual ambos, tanto o doador como quem recebe, emergem mais adiante no tempo do que teriam estado de outra forma. O milagre tem então a propriedade única de abolir o tempo, na medida em que torna desnecessário o intervalo de tempo que atravessa. Não há relação entre o tempo que leva um milagre e o tempo que ele cobre. O milagre substitui um aprendizado que poderia ter levado milhares de anos. Faz isso através do reconhecimento subjacente da perfeita igualdade entre quem dá e quem recebe na qual o milagre se baseia. O milagre encurta o tempo, colapsando-o, assim eliminando certos intervalos dentro dele. Faz isso, porém, dentro de uma sequência temporal mais ampla.           (T-1.II.6:1-10)

A ideia de ordem de necessidades, que decorre do erro original segundo o qual alguém pode ser separado de Deus, requer correção no seu próprio nível, antes que o erro de perceber níveis possa ser de alguma forma corrigido. Tu não podes comportar-te de maneira eficaz enquanto funcionares em níveis diferentes. Todavia, enquanto o fazes, a correção tem que ser introduzida verticalmente, de baixo para cima. Isso é assim porque pensas que vives no espaço, onde conceitos tais como “para cima” e “para baixo” são significativos. Em última instância, o espaço é tão sem significado quanto o tempo. Ambos são meramente crenças. (T-1.VI.3:1-6)

O professor Paul West então enfatiza que o Curso introduz a ideia de que existe um modo de percepção orientado horizontalmente e um modo vertical. O modo horizontal é o que você não deseja e o modo vertical é para o qual você deve tentar mudar. Mas o que são esses dois modos de perceber?

“Vamos começar dizendo que o mundo ainda não existe. Você está projetando um novo mundo dentro de um computador. Você está usando algum software 3D para modelar formas e objetos e os está colocando em uma cena. A sua intenção é criar um filme holográfico 3D de várias cenas CGI [do inglês Computer-Generated Imagery ou Imagens Geradas por Computador], em que vale tudo.

No que diz respeito a você, como diretor e editor, está em condições de igualdade. Não existem regras ou leis inerentes sobre o que é possível ou pode acontecer. Não existem leis da física estabelecidas. Não há limitações. A sua imaginação pode correr solta.

Então você começa a projetar esse ambiente, composto do que parecem ser modelos de objetos – carros, prédios, corpos etc. Mas simplesmente colocando-os em cena, nada acontece. Eles apenas não fazem nada. Nada causa qualquer coisa. Não há consequências. Não existem leis. Não existem forças de repulsão ou gravidade ou colisões entre as coisas. Os objetos podem existir no mesmo espaço até mesmo sobrepostos. Não há reações químicas. Nem processos biológicos.

A partir dessa perspectiva, que chamaremos de ‘vertical‘ ou ‘acima do campo de batalha‘ [veja o gráfico], você está em uma posição de causalidade vertical. O nível em que você está é ACIMA do nível do mundo que você está criando abaixo. O que quer que você decida, acontece.

Portanto, se você decidir mover um dos modelos de um carro, o carro se move. Ele não pode se mover por conta própria. Exceto movendo, ele não faz nada. Não há efeitos ou limites. Você pode até mover um carro para sobrepor outro carro, sem que nada aconteça. Mas digamos que você queira PARECER como se houvesse um acidente de carro. O que você faz?

Bem, primeiro você terá que FAZER com que haja uma cena com dois carros nela. Você terá que fazer os dois carros PARECEREM se mover. Eles não estarão se movendo como resultado de terem um motor, que é apenas um motor de mentira ‘para exibição’. A sua mente vai determinar onde os carros estão. Você pode até pegar os carros e jogá-los em outro lugar ou fazê-los flutuar no ar, sem se importar com as leis da física. Então você deliberadamente move os dois carros no que parece ser um em direção ao outro, em uma estrada falsa, fingindo que eles estão ‘dirigindo’.

Quando os carros se aproximam e parecem que irão se ‘chocar’, nada acontecerá. Eles vão passar um pelo outro. Então você inventou algumas fictícias ‘leis da física’. Você cria algumas regras que sugerem, quando este carro toca o outro carro, PARECERÁ como se eles tivessem se chocado, ‘causando’ um acidente. Pode-se pensar que um carro PARECE ‘causar o acidente’. Mas isso é totalmente ilusório. É de propósito. O carro não faz nada. A mente é que causa TUDO no carro, causa o que parece ser o acidente.

O diretor – o verdadeiro causador – está decidindo que o carro A vai bater no carro B. E o diretor também tem que modelar deliberadamente a forma como o carro B deformará para PARECER COMO SE o impacto do carro A tenha causado danos corporais.

Então, quando você ‘representa a cena’, vai PARECER como se fosse uma animação em que dois carros se movem um em direção ao outro em uma estrada – sob o próprio poder aparente deles – sem ver a mão oculta do diretor – e colidem. O carro B parece estar danificado e parece que o carro A foi a causa. Mas é apenas uma ilusão. Tudo o que acontece é orquestrado de cima. Você se deixou enganar por isso?

Você é mais esperto. Você sabe que NENHUM dos carros tem qualquer poder causal. Você sabe desta posição vertical, olhando de cima para baixo sobre toda a cena, como diretor, que você pode puxar todas as cordas (barbantes) e mudar qualquer coisa à vontade, mesmo mudando ou quebrando as leis da física, que NÃO É VERDADEIRO OU REAL que aquele carro A bate no carro B.

Mas com base nas aparências, vistas através de uma câmera (os olhos do corpo), PARECE que o carro A causa danos ao carro B. A câmera enquadra a cena do jeito certo para torná-la parecer verossímil.

Isso porque quando você vê a cena através da câmera, que SÓ vê o ‘resultado final’ do trabalho do diretor, os olhos do corpo de fato NÃO veem que toda a cena é fabricada, eles de fato NÃO veem que se o diretor então escolher o carro não será danificado, eles de fato NÃO veem que existem cordas sendo puxadas para criar a ILUSÃO das leis da física e eles de fato NÃO veem que o movimento de ambos os carros está sendo orquestrado pela CAUSA REAL, a mente. Todas as leis da física são EFEITOS, não causas.

Mesmo o dano ao carro B não pode ocorrer sem que a mente de nível superior o cause. NÃO é causado pelo carro A. A ilusão de que o carro A tem poder causal é UMA ILUSÃO!

A sua ‘causalidade’ é UMA VEZ REMOVIDA do que é a causa REAL. E tomado ao pé da letra, o corpo está ‘cego pela percepção da forma’ e das aparências, sem olhar para além delas e sem ver os truques e as mentiras que estão produzindo essa ilusão. E assim é seduzido e enganado pelo que vê.

Portanto, ao nível do mundo, que é a cena que contém os objetos, vistos através do corpo como a câmera, olhando para os adereços e tomando-os como sendo não apenas reais, mas a PRIMEIRA ORIGEM DA CAUSALIDADE, o seu corpo assume que não há nenhuma outra causa que VEIO ANTES, nenhuma causa anterior ou superior, nenhuma imagem maior, nenhum autor, nenhuma orquestração do mundo, nenhuma agenda secreta, nenhuma trama para enganar e apenas levar ao pé da letra. Pensa então que o próprio carro teve poder causal. E agora há motivos para culpar o carro por ‘causá-lo’.

Ver a cena desse modo é o que nós chamamos de FALSA PERCEPÇÃO. Todo o mundo físico É FALSO. Todos os objetos são falsos. TODAS as leis da física são falsas. TUDO isso é mentira. Isso é um cenário de filme.

Cada aparente ‘causalidade horizontal‘, onde parece que algo neste nível no mundo CAUSA algo, ou é a verdadeira origem ou o selecionador de algo, cria a ilusão de que o mundo tem consequências reais, poder causal, faz as coisas acontecerem por conta própria e não está sendo executado por um autor mais profundo e oculto.

O SONHADOR – o diretor de todas as coisas que acontecem – passa despercebido e se esconde nos bastidores. Ele é a causa das ‘causas’ no mundo. É ele quem decide que todos os objetos se movam. Ele é quem faz as leis. É ELE quem decide o que PARECE afetar o quê. ELE cria as causas e os efeitos que nós vemos como estando no mesmo nível. Ele orquestra todos os eventos e tem poder SOBRE tudo.

Ele também pode QUEBRAR todas as leis, consistências e ilusões do mundo por meio de sua liberdade aparentemente ‘milagrosa’ e transcender todas as ilusões. Ele pode reescrever o mundo. Ele pode fazer montanhas se moverem em um instante. Ele pode reverter a morte. Ele pode fazer um corpo não real parecer andar sobre as águas falsas, como se a gravidade fosse um absurdo total. Ele INVENTOU a gravidade e não é limitado por ela. Ele FEZ o que chamamos de doença e morte e PODE ABOLIR ambas. Ele é o diretor. Ele tem o poder de dominar todas as coisas do mundo. Não há NADA que sua santidade não possa fazer. Sua mente tem o poder de fazer aparecer MUNDOS!

Para aqueles no nível de percepção horizontal, que estão vivendo no contexto de ASSUMIR que o mundo é real e causal, quando o sonhador desperto – um trabalhador em milagres – decide MUDAR o sonho de uma forma que QUEBRA a ordem normal e as leis, tendo mudado na direção da percepção vertical e EXPRESSANDO uma causalidade vertical, PARECE estar fazendo coisas que são ‘impossíveis’.

Ele parece estar quebrando as leis da física. Ele está andando sobre as águas, está multiplicando objetos, está anulando a morte, está curando todas as doenças, está movendo montanhas com sua mente e parece completamente ilimitado por qualquer coisa no mundo.

Para aqueles que estão dormindo, ele parece milagroso. No entanto, ele está apenas sendo natural. Ele está em contato com o poder de causar e escolher, sob NENHUMA LEI exceto a de Deus. Aqueles fixados no mundo do corpo o vêem como EXTERNO o que é possível. Ele quebra a realidade deles. E eles não entendem como ele pode fazer isso.

Quando você está acreditando em tudo o que o corpo vê, o que é uma ilusão, o mundo ilusório da forma, você está tendo uma ‘percepção horizontal’. É a mesma coisa que falsa percepção. E tudo no mundo, todos os objetos, todas as leis, são o que você vê quando está apenas olhando pela câmera que foi projetada com o propósito de NÃO VER o segredo das atividades nos bastidores. O corpo se fixa apenas na história, na aparência e na ilusão. O resultado final ou efeito. O sonho.

Só o corpo faz o mundo parecer real… (MP-4.5:9)

Para a percepção horizontal, ou seja, a falsa percepção, tudo no mundo parece estar alinhado lado a lado. Como em uma multidão de pessoas. Todos espaçados horizontalmente (em torno de devaneios, fantasias). E assim se um dos corpos está doente e morre, a aparência é que não apenas a doença e a morte são ‘realidade’, há também uma forte CRENÇA nessas aparências. As divisões entre as coisas fazem com que as aparências do corpo pareçam muito tangíveis e pronunciadas. As diferenças são enfatizadas, de modo a cegá-lo para a verdade mais profunda.

As pessoas operando no nível da falsa percepção [percepção horizontal] acreditam que a doença é real, a morte realmente acontece, o mundo é perigoso, as pessoas pecam em corpos, as coisas são atacáveis, há motivos para temer, nós somos vítimas do mundo e estamos sob o efeito do mundo.

Para eles, a FORMA das diferenças engana fortemente, todos os corpos parecem diferentes, os problemas parecem diferentes e o mundo é altamente fragmentado. O que o corpo vê é acreditado. E então todos os tipos de estratégias de enfrentamento surgem dessa percepção dos horrores.

Para se mover para a ‘percepção vertical‘, ou seja, a percepção verdadeira, você não está apenas subindo acima do campo de batalha [veja o gráfico] e ainda percebendo de forma horizontal, você está se movendo PARA FORA da causalidade horizontal e vendo de uma perspectiva totalmente diferente. Fora das leis de espaço, tempo e física. Você está saindo do mundo ilusório, da história, do filme de ficção. Você está retirando a sua percepção do papel de ‘personagem em um sonho‘ [vide no gráfico: sonho de separação] e tornando-se consciente de que VOCÊ É O SONHADOR. Você é aquele que FEZ o mundo, fez os corpos, fez os planetas e inventou todas as leis. E você reconhece que tem ‘feito isso a si mesmo’ – que é o segredo da salvação.

Você inventou corpos, inventou um mundo [mundo de separação], inventou leis, inventou cenários, esqueceu quem você era, acreditou que o SEU FILME estava orquestrando SUA vida, que a sua cena tinha poder causal sobre você, que agora você era um personagem do filme, um corpo – o herói do sonho – e pensou que o sonho estava acontecendo com ‘você’. Você perdeu o contato com a sua causalidade vertical, o fato de estar dirigindo tudo de cima e de não estar sob NENHUMA LEI EXCETO A DE DEUS!

A sua liberdade ‘milagrosa’ DE toda causalidade e leis no nível horizontal, permite que você realize ‘milagres’ – ou melhor, expressões de causalidade vertical, que QUEBRAM E DESAFIAM essas causas ‘indiretamente’ ‘uma vez removidas’.

Ilusões de causas e ilusões de leis não são nada para um trabalhador em milagres, que reconhece que não há ordem de dificuldade porque TODAS as ordens mais inferiores estão sob o SEU efeito, incluindo o que parecem ser as causas. Você está livre de todas as limitações. A hierarquia da ilusão é ESTÁVEL para você. TODAS as ilusões são iguais. Ressuscitar os mortos não é mais difícil do que curar uma dor de cabeça.

Do ponto de vista privilegiado mais avançado da percepção vertical, olhando para TODA a cena de cima, a ILUSÃO das aparências que distraem é VISTA ALÉM. O olho espiritual, a visão de Cristo, parece NÃO SE DISTRAIR com o cenário do filme. Ele vê todos os adereços, câmeras e equipe de som. Ele lê nas entrelinhas. Ele vê a luz da sala em que o filme está sendo editado.

Ele de fato não ACREDITA POR UM MOMENTO que qualquer coisa que a aparência do filme diria seja verdade. Ele nem mesmo admite que os objetos físicos estejam realmente lá. Ele não dá atenção às aparências de forma, formatos, cores, tamanhos, distâncias, pesos, leis ou supostas diferenças de qualquer tipo. Ele tem a VISÃO de ENXEGAR o cenário TODO, incluindo todas as peças escondidas e mecanismos e truques. Ele reconhece que tudo é uma ilusão. Ele não é ENGANADO por nada no nível do mundo.

A percepção vertical é inclusiva, a percepção horizontal é exclusiva.

A mente é a causa. O mundo é o efeito/sonho. A mente sendo causal está verticalmente posicionada acima do mundo. Tudo abaixo, no mundo, é uma ilusão de causalidade horizontal. Nada sobre o mundo é VERDADEIRO.

Acreditar é falsa percepção. Quando você está na percepção verdadeira [percepção vertical] você não REGISTRA as ilusões das diferenças entre as coisas. Os corpos não são separados. Os objetos não são reais. Existe uma conexão sutil que você não viu antes. Uma luz que brilha entre as coisas. Uma cola da qual você se dá conta. Uma unidade e semelhança cintilantes que parece estar por trás de todas as coisas.

Um mundo percebido verticalmente é um mundo perdoado. Estar ciente de TODAS as informações sobre a cena é ter consciência no nível da realidade [awareness] do mundo real. Você deixa de projetar o pecado, a culpa, o medo e a morte na cena. Essas surgem apenas de falsas percepções. Você não o vê de um ponto de vista horizontal. Você ignora os olhos do corpo. Você sabe que nada no mundo é real, então nada está doente, nada está morrendo e tudo é uma coisa só.

Você vê a morte não como um fim, no final de uma sequência linear horizontal, mas como um mergulho PARA BAIXO de um nível superior para uma percepção de nível inferior. Como uma imersão na falsidade. E de cima, você sabe que a morte é FICÇÃO TOTAL. Apenas algum arranjo de partículas falsas que você DECIDE que chamaria de morte. Que pode ser facilmente reorganizado e reanimado se você assim escolhesse. É totalmente falso. Atores em um filme não morrem quando o seu personagem morre.

Aqui, acima do campo de batalha, você sabe que não pode morrer. Você é o autor do mundo. Você não é um corpo. Você não é a história. Você faz as regras. Você pode quebrá-las. E nada no mundo tem qualquer relação com algo real. A morte agora não é mais vista verticalmente como uma interrupção, mas apenas como outra forma de objetos em igualdade com todas as outras. Apenas um efeito sobre o qual você tem poder. Você pode escolher não fazer isso acontecer.

Corpos mortos, corpos vivos, são todos ilusões. Eles NÃO têm significado inerente. O mundo não tem significado inerente. Você dá a ele todo o significado que tem quando o projeta, projetando histórias inventadas nele. O mundo nada mais é do que ficção. Você não está vinculado ou limitado por nada disso. Você é livre. O diretor de um filme não está vinculado a NADA que parece acontecer.

E as edições podem ser feitas a qualquer momento. Você tem poder sobre o mundo, porque você é sua causa.

Só os teus pensamentos te causam dor. Nada exterior à tua mente (horizontal) pode ferir-te ou machucar-te de modo algum. Além de ti mesmo (que está acima disso), não há causa (no nível horizontal) que possa te atingir e trazer a opressão. Ninguém, além de ti mesmo, te afeta (de cima). Nada no mundo (abaixo) tem o poder de deixar-te doente ou triste, fraco ou frágil. Mas tu és aquele que tem o poder de dominar todas as coisas que vês (como o diretor, autor, sonhador, fazedor de leis), meramente reconhecendo o que és (de uma posição alinhada verticalmente acima do mundo). (LE-pI.190.5:1-6)

Dr. Kenneth Wapnick, em seu livro “Q&A: Detailed Answers to Student-Generated Questions on the Theory and Practice of A Course in Miracles”, também aborda esse tema de maneira didática, que transcrevemos trechos em tradução livre para a nossa reflexão.

P: Um Curso em Milagres menciona um plano longitudinal e horizontal. Você poderia explicar esses termos?

R: A passagem em Um Curso em Milagres à qual você está se referindo afirma:

O milagre minimiza a necessidade de tempo. No plano longitudinal ou horizontal, o reconhecimento da igualdade dos membros da Filiação parece envolver um tempo quase sem fim. Contudo, o milagre acarreta uma passagem repentina da percepção horizontal para a vertical (T-1.II.6:1-3).

Essa passagem vem logo depois de Jesus nos dizer:

“Ninguém vem ao Pai senão por mim” não significa que eu seja de qualquer modo separado ou diferente de você, exceto no tempo, e o tempo realmente não existe. A declaração é mais significativa em termos de um eixo vertical do que horizontal (T-1.II.4:1-2).

Jesus usa os termos longitudinal e horizontal para se referir à nossa experiência de tempo linear dentro de um mundo de forma. Ele escolhe essas palavras porque elas implicam em algo que abrange uma distância e segue um caminho de um ponto a outro.

Nós acreditamos que nascemos em um mundo de forma que existia antes de nós e que continuará a existir depois que morrermos. É um mundo em que os eventos parecem seguir uns aos outros e no qual o passado levou ao presente, que por sua vez determinará nosso futuro. Além disso, parecemos viver como corpos, separados uns dos outros com distância entre nós. Portanto, o “plano horizontal” [percepção horizontal] é a nossa aparente realidade cotidiana – uma experiência física linear, sequencial, caracterizada por diferenças e separação.

Mas o Curso nos diz que “o tempo é um truque, uma passe de mágica, uma vasta ilusão …” (LE-pI.158.4:1) e que “… o espaço é tão sem sentido quanto o tempo” (T-1.VI.3:5).

Jesus nos ajuda a lembrar que nós podemos ouvir um Professor interno – o Espírito Santo – que vem de fora desse mundo de sonho espacial e temporal em que nós pensamos estar. No momento em que nós nos afastamos do ego e nós nos voltamos para o Espírito Santo como o nosso guia (o milagre) [vide gráfico], nossa mente se torna um reflexo da Unicidade e atemporalidade do Céu. [vide gráfico].

Esse instante é o que Jesus quer dizer com: “…acarreta uma passagem repentina da percepção horizontal para a vertical.”

A palavra “vertical” significa “o ponto mais alto”. Portanto, o “plano vertical” [percepção vertical] simboliza a nossa elevação acima do mundo em que nós pensamos estar (ou, como Jesus diz, “acima do campo de batalha”). Isso implica retornar à mente não linear [não dualidade].

A ideia de que Jesus não é diferente de nós, exceto no tempo, dificilmente é reconfortante de nossa perspectiva, em que o abismo entre a nossa consciência e a dele parece intransponível. Para nós, parece que nós precisaríamos de milhões de anos de aprendizado para ir de onde nós estamos para onde ele está. Mas, na verdade, tudo o que nós precisamos é uma mudança interna do ego, que nos diz para nos movermos para trás ou para frente (mas de qualquer maneira nos mantém firmemente plantados nesse mundo) para o Espírito Santo, Que gentilmente nos ajudará a alcançar a luz que está além desse mundo ilusório.

Uma nota final; qualquer termo que Jesus usa no Curso para descrever onde nós estamos, ou o processo de retornar ao nosso verdadeiro lar no Céu, é apenas um símbolo. Na verdade, não existe plano horizontal ou vertical, assim como não existe mundo. Mas, uma vez que praticamente todos os símbolos que nós colocamos neste mundo de sonho servem para nos manter dormindo, Jesus usa símbolos com os quais nós podemos nos relacionar e que nos ajudarão a despertar.

Imagem avel-chuklanov-Hn3S90f6aak-unsplash.jpg

Bibliografia da OREM3:

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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