…ensinar é aprender, de tal modo que Professor e aluno são a mesma coisa. MP-Introdução.

Ensinar é demonstrar. MP-Introdução.

O Professor de Deus não pode ficar satisfeito com o Seu ensinamento até que esse ensinamento constitua todo o teu aprendizado. T.15.I.1:3.

Bem-aventurado é o Professor de Deus, Cuja alegria é ensinar ao Filho santo de Deus a sua santidade. T.15.II.2:4.

O terapeuta é somente um professor de Deus, ligeiramente mais especializado. Suplemente “Psicoterapia”

Material pesquisado e transcrito de Um Curso em Milagres, Manual de Professores, Livro Texto e inspiradores artigos do Professor Dr. Kenneth Wapnick.

Quem são os Professores de Deus?

Professor de Deus é qualquer um que escolha sê-lo.

As suas qualificações consistem somente nisto: de algum modo, em algum lugar, ele fez uma opção deliberada na qual não viu os seus interesses como se estivessem à parte dos de outra pessoa. Uma vez que tenha feito isto, a sua estrada está estabelecida e a sua direção assegurada.

Uma luz penetrou nas trevas. Pode ser uma única luz, mas é suficiente. Ele entrou num acordo com Deus, mesmo se ainda não acredita Nele. Tornou-se um Portador da Salvação. Tornou-se um Professor de Deus.

Os Professores de Deus vêm de todas as partes do mundo. Vêm de todas as religiões e de nenhuma. Eles são aqueles que responderam. O Chamamento é universal. Acontece permanentemente em toda a parte.

“Muitos são chamados mas poucos são escolhidos” deveria ser “Todos são chamados, mas poucos escolhem escutar.” T.3.IV.7:12

Chama Professores que falem por Ele e redimam o mundo. Muitos O ouvem, mas poucos responderão. Todavia, tudo é uma questão de tempo. Todos responderão no final, contudo o final pode estar ainda distante, muito distante.

É por isso que o plano dos Professores foi estabelecido. A função deles é ganhar tempo. Cada um começa como uma única luz, mas, com o Chamamento no seu centro, é uma luz que não pode ser limitada. E cada uma economiza mil anos segundo o que o mundo julga acerca do tempo. Para o Chamamento em Si mesmo, o tempo não tem qualquer significado.

O Manual de Professores está dedicado a um ensinamento especial e é dirigido àqueles Professores que ensinam uma forma particular do curso universal. Existem muitas outras formas, todas com o mesmo resultado. Elas, simplesmente, ganham tempo. Entretanto, é só o tempo que se desenrola exaustivamente e o mundo está muito cansado agora. Está velho e gasto e sem esperança.

O resultado nunca esteve em questão, pois o que pode mudar a vontade de Deus? Mas o tempo, com as suas ilusões de mudança e morte, esgota o mundo e todas as coisas dentro dele. O tempo, porém, tem um fim e é isso que os Professores de Deus são designados para trazer. Pois o tempo está nas suas mãos. Tal foi a escolha que fizeram e, por isso, lhes foi dada.

Exceto pelos Professores de Deus haveria pouca esperança de salvação, pois o “mundo do pecado” pareceria para sempre real.

Os Professores de Deus não são perfeitos, se fossem não estariam aqui. No entanto, a sua missão é virem a ser perfeitos aqui e assim ensinam a perfeição repetidamente, de muitas e muitas maneiras, até que a tenham aprendido.

E então não mais são vistos, embora os seus pensamentos permaneçam como uma fonte de força e verdade para sempre. Quem são eles? Como são escolhidos? O que fazem? Como podem realizar a própria salvação e a salvação do mundo?

O Manual de Professores, como Jesus diz, tenta responder a estas perguntas.

As suas qualificações consistem somente nisso: de algum modo, em algum lugar, ele fez uma opção deliberada na qual não viu seus interesses como se estivessem à parte dos de outra pessoa. Uma vez que tenha feito isso, a sua estrada está estabelecida e a sua direção assegurada. Uma luz penetrou nas trevas. Pode ser uma única luz, mas é suficiente. Ele entrou em um acordo com Deus, mesmo se ainda não acredita Nele. Veio a ser um portador da salvação. Veio a ser um Professor de Deus.

Há um curso para cada Professor de Deus. A forma do curso varia muito. Assim como os recursos específicos envolvidos no ensino. Mas o conteúdo do curso nunca muda. Seu tema central sempre é:

“…o Filho de Deus não tem culpa e na sua inocência está a sua salvação”.

Ele pode ser ensinado por ações ou pensamentos, em palavras ou sem som algum, em qualquer língua ou em língua nenhuma, em qualquer lugar, tempo ou modo. Não importa quem era o Professor antes de ter ouvido o Chamado.

Ele veio a ser um salvador pela sua resposta. Viu alguma outra pessoa como ele mesmo. Achou, portanto, a própria salvação e a salvação do mundo. Em seu renascimento, o mundo renasceu.

Mas o tempo, com as suas ilusões de mudança e morte, exaure o mundo e todas as coisas dentro dele. O tempo, porém, tem um fim e é isso que os Professores de Deus são designados para trazer. Pois o tempo está em suas mãos. Tal foi a escolha que fizeram e ela lhes foi dada.

A cada um dos Professores de Deus estão destinados determinados alunos e eles começarão a procurá-lo assim que ele tiver respondido ao Chamado. Foram escolhidos para ele porque a forma do currículo universal que ele vai ensinar é a melhor para eles em função do seu nível de compreensão.

Os seus alunos têm estado esperando por ele, pois a sua vinda é certa. Mais uma vez, é apenas uma questão de tempo. Assim que ele tiver escolhido cumprir o seu papel, eles estão prontos para cumprir os seus. O tempo espera pela sua escolha, mas não por aqueles a quem ele vai servir. Quando ele estiver pronto para aprender, as oportunidades de ensinar lhe serão providas.

Quando aluno e Professor se reúnem inicia-se uma situação de ensino-aprendizado. Pois o Professor não é realmente aquele que realiza o ensino.

O Professor de Deus fala onde estiverem dois reunidos com o propósito de aprender. O relacionamento é santo devido àquele propósito e Deus prometeu enviar Seu Espírito a qualquer relacionamento santo.

Na situação de ensino-aprendizado, cada um aprende que dar e receber é a mesma coisa.

As demarcações que haviam traçado entre os seus papéis, as suas mentes, os seus corpos, as suas necessidades, os seus interesses e todas as diferenças que pensavam separá-los um do outro, desvanecem-se, tornam-se indistintas e desaparecem.

Aqueles que querem fazer o mesmo curso compartilham um único interesse e uma única meta. E assim, aquele que era aprendiz vem a ser ele mesmo um Professor de Deus, pois tomou a única decisão que lhe deu seu Professor. Viu em outra pessoa os mesmos interesses que os seus.

Os Professores de Deus não têm nível de ensino determinado. Cada situação de ensino-aprendizado envolve um relacionamento diferente no início, embora o objetivo final seja sempre o mesmo: fazer do relacionamento um relacionamento santo, no qual ambos são capazes de olhar para o Filho de Deus como alguém sem pecado.

Não há pessoa alguma de quem o Professor de Deus não possa aprender, portanto, não existe ninguém a quem ele não possa ensinar.

Entretanto, por uma questão prática, ele não pode encontrar todas as pessoas, nem todos podem achá-lo. Assim, o plano inclui contatos bastante específicos a serem feitos por cada Professor de Deus.

Não existem acidentes na salvação.

Aqueles que têm que encontrar-se, encontrar-se-ão, pois juntos têm o potencial para um relacionamento santo. Estão prontos um para o outro.

É difícil compreender que o conceito de níveis para ensinar o curso universal é um conceito tão sem significado na realidade quanto o tempo. A ilusão de um permite a ilusão do outro.

No tempo, o Professor de Deus parece começar a mudar a sua mente a respeito do mundo com uma única decisão e, a partir daí, aprende cada vez mais acerca da nova direção à medida que a ensina.

Nenhum Professor de Deus pode deixar de encontrar a Ajuda de que necessita.

Em primeiro lugar, eles têm que passar pelo que poderia ser chamado de um “período de desfazer”. Isso não precisa ser doloroso, mas usualmente é experimentado assim. Parece que as coisas estão sendo tiradas de nós e inicialmente é raro que se compreenda que o fato de que elas não têm valor está apenas sendo reconhecido.

Como é possível que a ausência de valor seja percebida, a não ser que a pessoa esteja em uma posição na qual não possa deixar de ver as coisas sob uma luz diferente? Ela não está ainda num ponto em que possa fazer a mudança toda internamente. E assim, o plano algumas vezes pede mudanças no que parecem ser circunstâncias externas. Estas mudanças são sempre úteis. Quando o Professor de Deus tiver aprendido isso, ele passa para o segundo estádio.

Em seguida, o Professor de Deus tem que atravessar um “período de seleção”. Isso é sempre um tanto difícil porque, tendo aprendido que as mudanças na sua vida são sempre úteis, ele agora terá que decidir todas as coisas considerando se elas são mais ou menos úteis.

Ele vai descobrir que muitas, se não a maior parte das coisas que antes valorizava, apenas dificultarão a sua capacidade de transferir o que aprendeu para novas situações na medida em que surgirem.

Tendo valorizado o que realmente não tem valor, ele não vai generalizar a lição por medo de perda e sacrifício. É preciso um grande aprendizado para compreender que todas as coisas, eventos, encontros e circunstâncias são úteis. Só na medida em que são úteis é que qualquer grau de realidade lhes deve ser atribuído nesse mundo de ilusões. A palavra “valor” não se aplica a nada além disso.

O terceiro estádio pelo qual o Professor de Deus tem que passar pode ser chamado de “um período de abandono”. Se isso for interpretado como uma desistência do desejável, engendrará enormes conflitos.

Poucos Professores de Deus escapam inteiramente dessa aflição. Não há, porém, nenhum sentido em separar o que tem valor do que não tem, a não ser que se dê o passo seguinte, que é óbvio. Portanto, o período intermediário pode ser aquele no qual o Professor de Deus se sente solicitado a sacrificar seus mais caros interesses em nome da verdade.

Ele ainda não se deu conta de quão totalmente impossível seria tal exigência. Ele só pode aprender isso na medida em que, de fato, desiste do que não tem valor. Através disso aprende que onde antecipou dor, acha, ao contrário, uma feliz leveza de coração; onde pensou que algo lhe estava sendo pedido, acha uma dádiva concedida a ele.

Agora vem um “período de assentamento”. Esse é um período de quietude, no qual o Professor de Deus descansa um pouco em certa paz. Agora ele consolida seu aprendizado. Agora começa a ver o valor de transferir o que aprendeu.

O potencial disso é literalmente assombroso e o Professor de Deus está agora em um ponto do seu desenvolvimento no qual vê nisso a sua saída.

“Desiste do que não queres e guarda o que queres.”

Como é simples o óbvio! E como é fácil de se fazer! O Professor de Deus necessita desse período de pausa. Contudo, ele ainda não veio tão longe quanto imagina.

O próximo estádio é, de fato, um “período de desassentamento”. Agora, o Professor de Deus tem que compreender que ele realmente não sabia o que tinha e o que não tinha valor. Tudo o que realmente aprendeu até aqui foi que não queria o que não tinha valor e, de fato, queria o que tinha.

Apesar disso, a sua própria seleção foi sem significado no sentido de lhe ensinar a diferença. A ideia de sacrifício, tão central no seu próprio sistema de pensamento, fez com que fosse impossível para ele julgar.

Ele pensou ter aprendido a disponibilidade, mas vê agora que não sabe para que serve essa disponibilidade. E agora tem que atingir um estado que talvez por muito, muito tempo ainda lhe seja impossível alcançar. Precisa aprender a deixar de lado todo julgamento e pedir apenas o que realmente quer em qualquer circunstância. Se cada passo nesta direção não fosse tão fortemente reforçado, seria de fato muito duro!

Finalmente, há um “período de consecução”. É aqui que o aprendizado é consolidado. Agora, o que antes era visto como meras sombras vem a ser sólidas conquistas, com as quais se pode contar em todas as “emergências” bem como nos momentos tranquilos.

De fato, o seu resultado é a tranquilidade; o resultado do aprendizado honesto, da consistência do pensamento e da transferência total. Esse é o estádio da paz real, pois aqui reflete-se inteiramente o estado do Céu.

Daqui em diante, o caminho para o Céu é fácil e está aberto. De fato, é aqui. Quem poderia querer “ir” a qualquer lugar se a paz já está completa? E quem buscaria trocar a tranquilidade por algo mais desejável? O que poderia ser mais desejável do que isso?

Todos os outros traços dos Professores de Deus baseiam-se na confiança. Uma vez que ela tenha sido alcançada, os outros não podem deixar de se seguir.

Só aqueles que confiam podem se permitir a honestidade, pois só eles podem ver seu valor. A honestidade não se aplica apenas ao que dizes. De fato, o termo significa consistência.

Nada do que dizes contradiz o que pensas ou fazes, nenhum pensamento se opõe a outro pensamento, nenhum ato trai a tua palavra e nenhuma palavra discorda de outra.

Tais são os verdadeiramente honestos. Não há nenhum nível em que estejam em conflito consigo mesmos. Portanto, é impossível para eles estarem em conflito com qualquer pessoa ou qualquer coisa.

A paz da mente que experimentam os Professores de Deus avançados se deve em grande parte à sua perfeita honestidade.

Só o desejo de enganar é que faz a guerra.

Ninguém em unidade consigo mesmo é capaz de sequer conceber o conflito. O conflito é o resultado inevitável do autoengano e o autoengano é desonestidade.

Não há nenhum desafio para um Professor de Deus. Desafio implica dúvida e a confiança na qual os Professores de Deus descansam em segurança faz com que a dúvida seja impossível.

Por conseguinte, só podem ter sucesso. Nisso, como em todas as coisas, são honestos. Só podem ter sucesso porque nunca fazem a própria vontade sozinhos. Escolhem por toda a humanidade, por todo o mundo e por todas as coisas dentro dele, pelo que não muda e permanece imutável além das aparências, pelo Filho de Deus e pelo seu Criador.

“Como poderiam não ter sucesso? Escolhem em perfeita honestidade, seguros da sua escolha tanto quanto de si mesmos.”

Os traços superficiais dos Professores de Deus não são de modo algum parecidos. Eles não são parecidos aos olhos do corpo, vêm de origens muito diferentes, suas experiências do mundo variam muito e suas “personalidades” superficiais são bastante distintas.

Nos primeiros estágios de seu trabalho como Professores de Deus, ainda não adquiriram as características mais profundas que os estabelecerão como o que são.

Deus dá dádivas especiais aos Seus Professores porque eles têm um papel especial no Seu plano para a Expiação.

A sua especialidade é, obviamente, apenas temporária; estabelecida no tempo como um meio de conduzir para fora do tempo. Estas dádivas especiais, nascidas no relacionamento santo para o qual a situação de ensino-aprendizado está dirigida, vêm a ser características de todos os Professores de Deus que tenham avançado no seu próprio aprendizado.

Nesse aspecto, todos eles se parecem. Todas as diferenças entre os Filhos de Deus são temporárias. Entretanto, no tempo, pode-se dizer que os Professores de Deus avançados têm as seguintes características:

  • Confiança,
  • Honestidade,
  • Tolerância,
  • Gentileza,
  • Alegria,
  • Ausência de defesas,
  • Generosidade,
  • Paciência,
  • Fidelidade,
  • Mentalidade aberta.

Confiança é o fundamento no qual repousa a sua capacidade de cumprir a função que lhes cabe. A percepção é o resultado do aprendizado. De fato, percepção é aprendizado, posto que causa e efeito nunca estão separados. Os Professores de Deus têm confiança no mundo, porque aprenderam que ele não é governado pelas leis que o mundo inventou. Ele é governado por um Poder Que está neles mas não vem deles. É esse Poder Que mantém todas as coisas a salvo. É através deste Poder que os Professores de Deus olham para um mundo perdoado.

Os Professores de Deus não julgam. Julgar é ser desonesto, pois julgar é assumir uma posição que não tens. É impossível haver julgamento sem autoengano. O julgamento implica que tens te enganado nos teus irmãos. Como, então, poderias não ter te enganado contigo mesmo?

O julgamento implica falta de confiança e a confiança continua sendo a estrutura sobre a qual se baseia todo o sistema de pensamento do Professor de Deus.

Deixa que isso se perca e todo o teu aprendizado se vai. Sem julgamento todas as coisas são igualmente aceitáveis, pois quem poderia julgar de outra maneira? Sem julgamento, todos os homens são irmãos, pois quem haveria de estar separado? O julgamento destrói a honestidade e despedaça a confiança. Nenhum Professor de Deus pode julgar e esperar aprender.

O dano é impossível para os Professores de Deus. Eles não podem infligi-lo nem sofrê-lo. O dano é o resultado do julgamento. É o ato desonesto que segue um pensamento desonesto. É um veredicto de culpa para um irmão e, portanto, para a própria pessoa. É o fim da paz e a negação do aprendizado. Demonstra a ausência do currículo de Deus e a sua substituição pela insanidade.

Nenhum Professor de Deus pode deixar de aprender – e bem cedo no seu treinamento – que causar dano oblitera completamente a sua função na sua consciência. Fará com que ele fique confuso, amedrontado, raivoso e desconfiado. Fará com que seja impossível aprender as lições do Espírito Santo. E o Professor de Deus também não pode sequer ser ouvido a não ser por aqueles que compreendem que o dano, de fato, nada pode conseguir. Nenhum ganho pode dele advir.

Portanto, os Professores de Deus são totalmente gentis. Necessitam da força da gentileza, pois é nisso que a função da salvação vem a ser fácil. Para aqueles que querem causar dano, ela é impossível. Para aqueles que não vêem significado no dano, ela é meramente natural. Que outra escolha além dessa pode ter significado para quem é São? Quem escolhe o inferno quando percebe um caminho para o Céu? E quem escolheria a fraqueza que não pode deixar de vir do dano, em lugar da força infalível, totalmente abrangente e sem limites da gentileza?

O poder dos Professores de Deus está em sua gentileza, pois compreenderam que seus pensamentos maus não vieram nem do Filho de Deus nem do seu Criador. Assim, uniram os seus pensamentos Àquele Que é a sua Fonte. E assim a vontade deles, que sempre foi a Dele próprio, é livre para ser ela mesma.

A alegria é o resultado inevitável da gentileza. Gentileza significa que o medo agora é impossível e o que poderia vir para interferir com a alegria? As mãos abertas da gentileza estão sempre cheias. Os que são gentis não têm dor. Não podem sofrer. Por que não seriam alegres? Eles estão certos de que são amados e de que estão a salvo.

A alegria vai com a gentileza assim como o sofrimento acompanha o ataque. Os Professores de Deus confiam Nele. E estão certos de que o Professor de Deus vai à sua frente, assegurando que nenhum dano lhes venha a suceder. A alegria é a sua canção de agradecimento. A Sua necessidade deles é tão grande quanto a que eles tem Dele. Que alegria é compartilhar o propósito da salvação!

Os Professores de Deus aprenderam como ser simples. Eles não têm sonhos que necessitem de defesa contra a verdade. Eles não tentam fazer a si mesmos. Sua alegria vem da sua compreensão de Quem os criou. E o que Deus criou necessita de defesa? Ninguém pode vir a ser um Professor de Deus avançado enquanto não compreender inteiramente que defesas não passam de tolos guardiões de ilusões loucas.

Quanto mais grotesco o sonho, mais firmes e poderosas aparentam ser as suas defesas. No entanto, quando o Professor de Deus finalmente concorda em olhar para o que vem depois delas, descobre que ali não havia nada. Lentamente, no início, ele se deixa ser desenganado. Porém aprende mais rápido à medida em que aumenta a sua confiança. Não é o perigo que vem quando se abre mão das defesas. É a segurança. É a paz. É a alegria. E é Deus.

O termo generosidade tem um significado especial para o Professor de Deus. Não é o significado usual da palavra; de fato, é um significado que tem que ser aprendido e aprendido muito cuidadosamente.

Como todos os outros atributos dos Professores de Deus, esse se baseia em última instância na confiança, pois sem confiança ninguém pode ser generoso no sentido verdadeiro.

Para o mundo, generosidade significa “dar para os outros” no sentido de “abrir mão”. Para os Professores de Deus, significa dar para poder ter. Isso tem sido enfatizado em todo o Texto e no Livro de Exercícios, mas talvez seja mais alheio ao pensamento do mundo do que muitas das outras ideias no nosso currículo.

Sua maior estranheza está simplesmente na obviedade da reversão que faz no modo de pensar do mundo. No sentido mais claro possível e no mais simples dos níveis, a palavra significa exatamente o oposto para os Professores de Deus e para o mundo.

O Professor de Deus é generoso por interesse para com Ele Mesmo. Isso não se refere, no entanto, ao ser de que fala o mundo. O Professor de Deus não quer nada que não possa dar aos outros, porque compreende, por definição, que isso não teria valor algum para ele.

Para que iria querer tal coisa? Só teria a perder com isso. Não poderia ganhar. Portanto, ele não busca aquilo que só ele poderia ter, porque essa é a garantia da perda. Ele não quer sofrer. Por que razão infligiria dor a si mesmo? Mas ele quer ter para si todas as coisas que são de Deus e, portanto, são para o Seu Filho. Estas são as coisas que lhe pertencem. Estas, ele pode dar com generosidade verdadeira, protegendo-as sempre para si mesmo.

Aqueles que estão certos do resultado podem se dar ao luxo de esperar e esperar sem ansiedade. A paciência é natural para o Professor de Deus. Tudo o que ele vê é o resultado certo, por algum tempo talvez ainda desconhecido por ele, mas não posto em dúvida.

O tempo será tão certo quanto a resposta. E isso é verdadeiro para tudo o que acontece agora ou no futuro. O passado, do mesmo modo, não conteve nenhum equívoco; nada que não tenha servido para beneficiar o mundo, assim como a ele a quem as coisas pareciam acontecer.

Talvez isso não tenha sido compreendido na época. Mesmo assim, o Professor de Deus está disposto a reconsiderar todas as suas decisões passadas, caso estejam causando dor a alguém.

A paciência é natural para aqueles que confiam. Certos da interpretação final de todas as coisas no tempo, nenhum resultado já visto ou ainda por vir pode causar-lhes medo.

A extensão da fidelidade do Professor de Deus é a medida do seu progresso no currículo. Ele ainda seleciona certos aspectos da sua vida para trazer ao seu aprendizado, enquanto mantém outros à parte? Se é assim, o seu progresso é limitado e a sua confiança ainda não está firmemente estabelecida.

A fidelidade é a confiança do Professor de Deus no Verbo de Deus em dispor todas as coisas de modo certo; não algumas, mas todas. Em geral, a sua fidelidade começa focalizando apenas alguns problemas, permanecendo cuidadosamente limitada por algum tempo. Abrir mão de todos os problemas em função de uma Resposta é reverter inteiramente o pensamento do mundo. Só isso é fidelidade. Nada além disso realmente merece esse nome.

No entanto, vale a pena alcançar cada degrau por menor que seja. Estar pronto, como diz o Texto, não significa maestria. A fidelidade verdadeira, porém, não se desvia. Sendo consistente, é totalmente honesta. Sendo constante, é plena de confiança. Sendo baseada na ausência do medo, é gentil. Tendo certeza, é alegre. E sendo confiante, é tolerante.

A fidelidade, então, combina em si mesma os outros atributos dos Professores de Deus. Implica aceitação do Verbo de Deus e a Sua definição a respeito do Seu Filho. É para Eles que a fidelidade no sentido verdadeiro é sempre dirigida. É na direção Deles que ela olha, buscando até achar. A ausência de defesas a acompanha naturalmente e a alegria é a condição para achá-la. E tendo achado, descansa na certeza quieta Daquilo a Que toda fidelidade é devida.

Pode-se compreender facilmente o papel central que ocupa a mentalidade aberta, talvez o último dos atributos que o Professor de Deus adquire, quando se reconhece a sua relação com o perdão. A mentalidade aberta vem com a ausência de julgamento. Assim como o julgamento fecha a mente contra o Professor de Deus, assim a mentalidade aberta O convida a entrar.

Assim como a condenação julga como mau o Filho de Deus, a mentalidade aberta permite que ele seja julgado pela Voz por Deus a Seu favor. Assim como a projeção da culpa sobre ele o mandaria ao inferno, a mentalidade aberta deixa que a imagem de Cristo seja estendida a ele.

Só quem tem a mente aberta pode estar em paz, pois só eles vêem razão para isso. Como é que os que têm a mente aberta perdoam? Eles abandonaram tudo o que impede o perdão. Na verdade, abandonaram o mundo e permitiram que esse lhes fosse restaurado com tal frescor e em alegria tão gloriosa, que nunca teriam podido conceber tamanha mudança.

Nada é agora como era antes. Nada deixa de cintilar agora, que antes parecia tão opaco e sem vida. E acima de tudo, todas as coisas lhes dão as boas-vindas, pois a ameaça se foi. Nenhuma nuvem permanece para encobrir a face de Cristo. Agora a meta foi conseguida.

O perdão é a meta final do currículo. Pavimenta o caminho para o que vai além de todo aprendizado. O currículo não faz esforços para exceder sua meta legítima. O perdão é o seu único objetivo para o qual todo o aprendizado converge em última instância. E, de fato, o suficiente.

Podes ter notado que a lista dos atributos dos Professores de Deus não inclui coisas que constituem a herança do Filho de Deus. Termos como amor, impecabilidade, perfeição, conhecimento e verdade eterna não aparecem nesse contexto. Seriam por demais impróprios aqui.

A função dos Professores de Deus é trazer ao mundo o verdadeiro aprendizado. Propriamente falando, o que trazem é “desaprendizado”, pois esse é “o aprendizado verdadeiro” no mundo.

Aos professores de Deus é dado trazer ao mundo as boas-novas do perdão completo. Bem-aventurados são eles, em verdade, pois são os portadores da salvação.

A função do professor de Deus:

Se o paciente tem de mudar a sua mente para ser curado, o que faz o Professor de Deus? É capaz de mudar a mente do paciente por ele? É claro que não. Para aqueles que já estão dispostos a mudar a sua própria mente, o Professor de Deus não tem função, a não ser a de se regozijar com eles, pois tornaram-se Professores de Deus com ele.

O Professor de Deus, porém, tem uma missão mais específica para com aqueles que não compreendem o que seja a cura. Esses pacientes não se dão conta de que escolheram a doença. Ao contrário, acreditam que a doença os escolheu. E nem têm a mente aberta em relação a isto. O corpo diz-lhes o que fazer e eles obedecem. Não têm ideia de quanto esse conceito é doentio. Se, pelo menos, suspeitassem disso, seriam curados. Entretanto, de nada suspeitam. Para eles, a separação é bastante real.

O Professor de Deus vem a eles para representar uma outra escolha, aquela que haviam esquecido. A simples presença de um Professor de Deus é uma chamada de atenção. Os pensamentos do Professor de Deus solicitam o direito de questionar o que o paciente aceitou como verdadeiro.

Enquanto mensageiros de Deus, os Seus Professores são os símbolos da salvação. Perante o paciente, eles pedem-lhe perdão para o Filho de Deus, em nome do próprio Deus. Os Professores de Deus representam a alternativa. Com o Verbo de Deus nas suas mentes, vêm, não para curar os doentes, mas para abençoar, para lhes recordar o remédio que Deus já lhes deu.

Não são as mãos dos Professores de Deus que curam. Não é a voz deles que profere o Verbo de Deus. Eles, simplesmente, dão o que lhes foi dado. Com muita gentileza, apelam para os seus irmãos para que se afastem da morte:

“Contempla tu, Filho de Deus, o que a Vida te pode oferecer. Escolherias a doença em lugar disto?”

Jamais os Professores de Deus avançados consideram as formas de doença em que o seu irmão acredita. Fazer isto é esquecer que todas têm o mesmo propósito e não são, portanto, realmente diferentes. Os Professores de Deus procuram a Voz de Deus nesse irmão que está disposto a se auto enganar até acreditar que o Filho de Deus pode sofrer. E lembram-lhe que, como ele não se fez a si mesmo, não pode deixar de permanecer tal como Deus o criou.

Os Professores de Deus reconhecem que ilusões não têm qualquer efeito. A verdade nas suas mentes procura alcançar a verdade nas mentes dos seus irmãos, de tal modo que as ilusões não sejam reforçadas. Desta forma tais ilusões são trazidas à verdade; não é a verdade que é trazida às ilusões. Desta forma as ilusões são dissipadas, não pela vontade de um outro mas pela união da Vontade Única Consigo Mesma. E essa é a função dos Professores de Deus: não ver nenhuma vontade como se fosse separada da sua própria e nem a sua da de Deus.

A cura é certa?

A cura é sempre certa. É impossível deixar que as ilusões sejam trazidas à verdade e continuar a manter ilusões. A verdade demonstra que as ilusões não têm valor.

O Professor de Deus viu a correção dos seus erros na mente do paciente, reconhecendo-o pelo que ele é. Tendo aceite a Expiação para si mesmo, aceitou-a também para o paciente.

O que acontece, porém, se o paciente usar a doença como um modo de vida, acreditando que a cura é uma forma de morte?

Quando assim é, uma cura repentina poderia precipitar uma depressão intensa e um sentido de perda tão profundo que o paciente poderia até tentar destruir-se. Não tendo motivos para viver, pode pedir a morte. A cura, então, para a sua própria proteção, tem de esperar.

A cura sempre será posta de lado, cada vez que for vista como uma ameaça. Mas, no instante em que é bem-vinda, ela lá está. Onde a cura foi dada, será recebida.

Mas o que é o tempo diante das dádivas de Deus?

Muitas vezes, no decorrer do Texto, é referido à casa do tesouro, disposto igualmente para quem dá e para quem recebe as dádivas de Deus. Nenhuma se perde, pois só podem aumentar.

Nenhum Professor de Deus deve sentir-se desapontado, caso tenha oferecido a cura sem que ela tenha sido aparentemente recebida. Não lhe cabe julgar quando a sua dádiva deve ser aceite. Que guarde a certeza de que a cura foi recebida e confie em que será aceite quando for reconhecida como uma bênção e não como uma maldição.

Não é função dos Professores de Deus avaliar o resultado das suas dádivas. A função deles é, apenas, dá-las. Uma vez que tenham feito isto, deram também o resultado, pois ele faz parte da dádiva.

Ninguém pode dar se estiver preocupado com o resultado da doação. Isso é uma limitação do próprio ato de dar e, nesse caso, nem quem dá, nem quem recebe, possuiria a dádiva.

A confiança é uma parte essencial da doação; de fato, é a parte que faz com que o compartilhar seja possível, é a parte que garante ao doador que ele não perde, apenas ganha. Seria possível dar uma dádiva e ficar com o que é dado, para ter a certeza de que é usado como o doador lhe parece apropriado? Isto não é dar, mas aprisionar.

É a renúncia de toda e qualquer preocupação em relação à dádiva que faz com que ela seja verdadeiramente dada. E é a confiança que faz com que a verdadeira doação seja possível.

A cura é a mudança mental que o Espírito Santo, na mente do paciente, vai procurando para esse mesmo paciente.

E é o Espírito Santo, na mente do doador, que lhe dá a dádiva. Como é possível perdê-la? Como pode não ter efeito? Como pode ser desperdiçada? A casa do tesouro de Deus nunca pode estar vazia. Se uma dádiva estivesse em falta, ela não estaria plena.

No entanto, a sua plenitude é garantida por Deus. Neste caso, que preocupação pode ter um Professor de Deus em relação ao que acontece às suas dádivas? Dadas por Deus a Deus, quem, nesse intercâmbio santo, pode receber menos do que tudo?

A cura dever ser repetida?

Esta questão, realmente, responde a si mesma. A cura não pode ser repetida. Se o paciente está curado, o que faltará curar nele? E, se a cura é certa, como já dissemos que é, o que há para repetir?

O Professor de Deus que fica preocupado com o resultado da cura, limita-a. Agora, é a própria mente do Professor de Deus que precisa de ser curada. E é isto que ele precisa de facilitar.

Agora, o Professor de Deus é o paciente e assim se deve considerar. Cometeu um erro e precisa estar disposto a mudar a sua mente em relação a isso. Por lhe ter faltado a confiança que faz com que a verdadeira doação seja possível, não recebeu o benefício da sua dádiva.

Sempre que um Professor de Deus tentou ser um canal para a cura, teve sucesso. Caso tenha sido tentado a duvidar disso, não deveria repetir o seu esforço anterior. Aquilo já foi o máximo e o Espírito Santo assim o aceitou e usou.

Agora, o Professor de Deus só tem um caminho a seguir. Tem de usar a sua razão para dizer a si mesmo que entregou o problema Àquele que não pode falhar e tem de reconhecer que a sua própria incerteza não é amor, mas medo e, por conseguinte, ódio. A sua posição torna-se, então, insustentável, pois está a oferecer ódio a quem ofereceu amor. Isso é impossível. Tendo oferecido amor, só amor pode ser recebido.

É nisto que o Professor de Deus tem de confiar. É isto que realmente significa a declaração de que a única responsabilidade daquele que trabalha em milagres é aceitar a Expiação para si mesmo.

O Professor de Deus é um trabalhador em milagres porque dá as dádivas que recebeu. No entanto, antes, precisa de as aceitar. Não precisa de fazer mais do que isto, nem há nada mais que possa fazer. Por aceitar a cura, é capaz de dá-la. Se duvida disto, que se lembre de Quem deu a dádiva e de Quem a recebeu.

Assim a sua dúvida é corrigida. Ele pensou que as dádivas de Deus podiam ser retiradas. Isso foi um mal-entendido que dificilmente perdurará. Assim, ao Professor de Deus só lhe resta reconhecer esse erro e permitir que seja corrigido.

Uma das mais difíceis tentações a ser reconhecida é esta: duvidar de uma cura em que, aparentemente, os sintomas persistem é um erro na forma de falta de confiança. Como tal, é um ataque.

Regra geral, parece ser exatamente o oposto. À primeira vista, de fato, não parece razoável ser advertido de que a persistência da preocupação é um ataque. Tem todas as aparências de amor. No entanto, o amor sem confiança é impossível e dúvida e confiança não podem coexistir. E o ódio tem de ser o oposto do amor, independentemente da forma que tome.

Não se duvide da dádiva e é impossível duvidar do seu resultado. É essa certeza que dá aos Professores de Deus o poder de serem trabalhadores em milagres, pois depositaram a sua confiança Nele.

A base real da dúvida a respeito do resultado de qualquer problema que tenha sido dado ao Professor de Deus para resolver, é sempre dúvida acerca de si mesmo. E isto necessariamente demonstra que a confiança foi depositada em um ser ilusório, pois só se pode duvidar de um ser assim.

Essa ilusão pode tomar muitas formas. Talvez haja medo da fraqueza e da vulnerabilidade. Talvez haja medo do fracasso e da vergonha associada a um sentimento de inadequação. Talvez haja um embaraço culposo saindo da falsa humildade. A forma do erro não é importante. O importante é, apenas, o reconhecimento de um erro como um erro.

O erro é sempre alguma forma de preocupação com o próprio ser, que exclui o paciente. É um fracasso em reconhecer o paciente como parte do Ser e, portanto, representa uma confusão de identidade.

Um conflito acerca de quem és entrou na tua mente e acabaste por te enganar quanto a ti mesmo. E estás enganado quanto a ti mesmo porque negaste a Fonte da tua criação. Se apenas estás a oferecer cura, não podes duvidar. Se realmente queres o problema resolvido, não podes duvidar. Se estás certo a respeito de qual é o problema, não podes duvidar. A dúvida é o resultado de desejos em conflito. Estejas tu certo do que queres e a dúvida passa a ser impossível.

São necessárias mudanças na situação de vida dos Professores de Deus?

São necessárias mudanças nas mentes dos Professores de Deus.

Isto pode ou não envolver mudanças na situação externa. Lembra-te de que ninguém está onde está acidentalmente e de que o acaso não tem nenhum papel no plano de Deus.

É bastante provável que mudanças de atitudes constituam o primeiro passo no treino do recém-formado Professor de Deus. No entanto, não há um padrão determinado, posto que o treino é sempre altamente individualizado.

Há aqueles que são chamados a mudar a sua situação de vida quase que imediatamente, mas esses, geralmente, são casos especiais. Para a grande maioria é dado um programa de treino de evolução lenta, durante o qual é corrigido o maior número possível de erros anteriores.

Os relacionamentos em particular têm de ser percebidos de forma correta e todas as pedras angulares da incapacidade de perdoar têm de ser removidas. De outro modo, o antigo sistema de pensamento ainda tem base para regressar.

À medida em que o Professor de Deus avança no seu treino, aprende uma lição cada vez mais profunda. Ele não toma as suas próprias decisões; pergunta ao seu Professor qual a Sua resposta e é isso que respeita como o seu guia de ação.

Isto torna-se cada vez mais fácil à medida em que o Professor de Deus aprende a desistir do seu próprio julgamento. Desistir do julgamento – o pré-requisito óbvio para se ouvir a Voz de Deus – é usualmente um processo razoavelmente lento, não porque seja difícil, mas porque pode ser percebido como um insulto pessoal.

O treino do mundo está dirigido no sentido de alcançar uma meta diretamente oposta à do nosso ensinamento. O mundo treina visando a confiança no próprio julgamento como critério de maturidade e força.

O ensinamento treina tendo em vista o abandono do julgamento como condição necessária à salvação.

Como se abandona o julgamento?

O julgamento, como outros instrumentos através dos quais se mantém o mundo das ilusões, é compreendido de forma totalmente errada pelo mundo. De fato, é confundido com sabedoria e substitui a verdade. Considerando a forma que o mundo usa o termo, um indivíduo é capaz de fazer “bom” ou “mau” julgamento e a sua educação tem por objetivo fortalecer o primeiro e minimizar o último.

Entretanto, há grande confusão em torno do que significam estas categorias. O que é “bom” julgamento para um, é “mau” para outro. Além disto, até a mesma pessoa, em um dado momento, classifica a mesma ação como sendo demonstrativa de “bom” julgamento e de “mau” julgamento em outro. Nem é possível ensinar-se qualquer critério consistente para a determinação do que são estas categorias.

A qualquer momento o aluno pode discordar daquilo que o seu pretenso Professor diz a esse respeito e o próprio Professor pode muito bem ser inconsistente em relação àquilo em que acredita. “Bom” julgamento, nestes termos, não significa nada: assim como “mau” também não significa nada.

É necessário que o Professor de Deus reconheça, não que não deve julgar, mas que não pode julgar.

Ao desistir do julgamento, está apenas a desistir do que não tinha.

Desiste de uma ilusão; ou melhor, tem a ilusão de desistir.

De fato, simplesmente, tornou-se mais honesto. Reconhecendo que o julgamento sempre lhe foi impossível, não mais tenta fazê-lo. Não há nenhum sacrifício. Ao contrário, coloca-se numa posição na qual o julgamento pode ocorrer através dele, em vez de por ele. E este julgamento não é “bom” nem é “mau”. É o único julgamento que existe e é apenas um:

“O Filho de Deus não tem culpa e o pecado não existe”.

O objetivo do nosso ensinamento, ao contrário da meta de aprendizagem do mundo, é o reconhecimento de que o julgamento, no sentido usual do termo, é impossível. Isto não é uma opinião, mas um fato. Para poder julgar qualquer coisa acertadamente, a pessoa teria de estar inteiramente ciente de uma escala inconcebível de coisas passadas, presentes e por vir.

A pessoa teria de reconhecer antecipadamente todos os efeitos dos seus julgamentos sobre todas as outras pessoas e coisas, de alguma forma envolvidas com tais efeitos. E a pessoa teria de estar certa de não haver nenhuma distorção na sua percepção, de forma a que o seu julgamento fosse totalmente justo em relação a todos aqueles sobre os quais recai, agora e no futuro. Quem está em posição de fazer isto? Quem, a não ser em grandiosas fantasias, poderia reivindicar tal coisa para si mesmo?

Lembra-te de quantas vezes pensaste que conhecias todos os “fatos” necessários para um julgamento e de como estavas enganado! Existe alguém que não tenha tido esta experiência? Saberias quantas vezes, simplesmente, pensaste que estavas certo, sem jamais reconheceres que estavas errado? Por que escolherias uma base tão arbitrária para tomar decisões? A sabedoria não está em julgar, mas no abandono do julgamento.

Faz, então, apenas mais um julgamento. É o seguinte: Há Alguém contigo cujo julgamento é perfeito. Ele conhece todos os fatos passados, presentes e por vir. Ele, na verdade, conhece todos os efeitos do Seu julgamento sobre todas as pessoas e todas as coisas que, de alguma forma, estão envolvidos com esse julgamento. E Ele é totalmente justo para com todos, pois não há distorção na Sua percepção.

Portanto, deixa de lado o julgamento, não com pesar, mas com um suspiro de gratidão. Agora, estás livre de uma carga tão grande que somente poderias cambalear e cair para debaixo dela. E tudo era ilusão. Nada mais.

Agora, o Professor de Deus pode erguer-se sem cargas e caminhar com leveza. Porém, não é esse, apenas, o seu benefício. O seu senso de preocupação desvaneceu-se, pois já não tem nenhuma preocupação. Abdicou disso, juntamente com o julgamento.

Entregou-se Àquele em cujo julgamento escolheu passar a confiar, em vez do seu próprio. Agora, não se engana. O seu Guia é seguro.

E onde o Professor de Deus veio para julgar, veio para abençoar. Onde ele agora ri, antes costumava vir para chorar.

Não é difícil abandonar o julgamento. Mas é, de fato, difícil tentar mantê-lo. O Professor de Deus abandona o julgamento com felicidade no momento em que reconhece o seu preço. Toda a feiura que vê à sua volta é consequência do julgamento. Toda a dor que contempla é o seu resultado. Toda a solidão e o senso de perda, do tempo que passa e da desesperança crescente, do desespero doentio e do medo da morte; tudo isso veio do julgamento.

Agora, o Professor de Deus sabe que tais coisas não precisam ser assim. Nenhuma delas é verdadeira. Pois desistiu da sua causa e elas, que nunca foram senão os efeitos da sua escolha errada, deixam de estar presas a ele. Professor de Deus, este passo irá trazer-te a paz. Será difícil querer apenas isto?

Quantos Professores de Deus são necessários para salvar o mundo?

A resposta a esta pergunta é: – um só. Um Professor totalmente perfeito, cuja aprendizagem está completa, é o suficiente. Este, santificado e redimido, torna-se o Ser que é o Filho de Deus. Ele, que sempre foi totalmente espírito, agora não mais se vê como um corpo, nem mesmo em um corpo.

Por conseguinte, não tem limites. E não tendo limites, os seus pensamentos estão unidos aos de Deus para sempre. A sua percepção de si mesmo baseia-se no julgamento de Deus e traz os Seus pensamentos às mentes ainda iludidas. Ele é para sempre um só, porque é como Deus o criou. Ele aceitou Cristo e está salvo.

Assim, o filho do homem torna-se o Filho de Deus. Não é realmente uma mudança, é uma mudança de mente. Nada externo se altera, mas tudo internamente reflete agora só o Amor de Deus. Deus já não pode ser temido, porque a mente não vê nenhuma causa para a punição.

Os Professores de Deus parecem ser muitos, pois essa é a necessidade do mundo. No entanto, unidos num só propósito, propósito esse que compartilham com Deus, como poderiam estar separados uns dos outros? Que importa, então, se aparecem em muitas formas? As suas sementes são uma só; a sua união é completa. E Deus, agora, trabalha através deles como se fossem um só, pois é isso o que são.

Por que é necessária a ilusão de serem muitos?

Somente porque a realidade não é compreensível para os iludidos. Raros são os que podem ouvir a Voz de Deus de qualquer maneira que seja e mesmo estes não podem comunicar as mensagens Dele através do Espírito Santo, que lhas deu.

Os Professores de Deus necessitam de um veículo através do qual a comunicação se torne possível para aqueles que não reconhecem que são espírito. Um corpo, esses podem ver. Uma voz podem compreender e ouvir o medo que a verdade encontraria neles. Não te esqueças de que a verdade só pode vir aonde é bem-vinda sem medo. Assim, os Professores de Deus precisam de um corpo, pois a sua unidade não poderia ser reconhecida diretamente.

Entretanto, o que faz os Professores de Deus é o seu reconhecimento de qual é o verdadeiro propósito do corpo. À medida em que avançam na sua profissão, cada vez mais se apercebem de que …

… a função do corpo é apenas deixar que a Voz de Deus fale através dele para ouvidos humanos.

Esses ouvidos carregarão para a mente do ouvinte mensagens que não são deste mundo, as quais a mente compreenderá devido à Fonte donde provêm. Desta compreensão virá o reconhecimento, nesse novo professor de Deus, de qual é realmente o propósito do corpo, do único uso que realmente existe para ele.

Esta lição é suficiente para permitir a entrada do pensamento da unicidade e o que é um só é reconhecido como um só. Os Professores de Deus parecem compartilhar a ilusão da separação mas, devido ao propósito com que usam o corpo, não acreditam na ilusão apesar das aparências.

A lição central sempre é esta:

seja o que for que o corpo seja para ti, é isso que ele virá a ser para ti.

Usa-o para o pecado ou para o ataque, que é o mesmo que pecado e vê-lo-ás como pecaminoso. Porque é pecaminoso é fraco e, ao ser fraco, sofre e morre. Usa-o para trazer o Verbo de Deus àqueles que não O têm e o corpo torna-se santo. Por ser santo, não pode adoecer, nem pode morrer.

Quando a sua utilidade finda, é posto de lado e isto é tudo. A mente toma esta decisão assim como toma todas as decisões que são responsáveis pela condição do corpo.

Contudo, o Professor de Deus não toma esta decisão sozinho. Fazê-lo seria dar ao corpo outro propósito além daquele que o mantém santo. A Voz de Deus vai dizer-lhe quando está cumprido o seu papel, tal como essa Voz lhe diz qual é a sua função. Ele não sofre nem por ir nem por ficar. Agora, a doença, para ele, é impossível.

A unicidade e a doença não podem coexistir.

Os Professores de Deus escolhem olhar para os sonhos durante algum tempo. É uma escolha consciente. Pois aprenderam que todas as escolhas são feitas conscientemente, com total conhecimento da suas consequências. O sonho diz o contrário, mas quem depositaria a sua fé em sonhos uma vez que foram reconhecidos pelo que são?

A consciência do sonhar é a função real dos Professores de Deus. Eles observam as figuras dos sonhos a ir e a vir, a deslocarem-se e a mudarem, a sofrerem e a morrerem. Apesar disso, não são enganados pelo que vêem. Reconhecem que contemplar uma figura de sonho como doente e separada não é mais real do que considerá-la saudável e bonita. Só a unicidade não é coisa de sonhos. E é isso que os Professores de Deus reconhecem por detrás do sonho, além de todas as aparências e ainda assim como algo que, com toda a certeza lhes pertence.

Os Professores de Deus não podem sentir nenhum arrependimento em desistir dos prazeres do mundo. É sacrifício desistir da dor? Algum adulto se ressente quando desiste dos brinquedos de criança? Uma pessoa, cuja visão já vislumbrou a face de Cristo, acaso olha para trás, com saudade, para um matadouro? Ninguém que tenha escapado do mundo e de todos os seus males o encara com condenação, quando volta a olhar para ele. Mas, não pode deixar de se regozijar por estar livre de todos os sacrifícios que os valores do mundo exigiam dele. A eles, a pessoa sacrifica toda a sua paz. A eles, sacrifica toda a sua liberdade. E, para os possuir, tem de sacrificar a sua esperança do Céu e a memória do Amor do seu Pai. Quem, na sua mente sã escolhe nada em substituição de tudo?

Podes acreditar que este Um Curso em Milagres exige o sacrifício de tudo aquilo que realmente aprecias. Num certo sentido isto é verdadeiro, pois aprecias as coisas que crucificam o Filho de Deus, ao passo que o objetivo deste Curso é liberá-lo. Mas não te enganes a respeito do que significa sacrifício. Significa, sempre, desistir do que queres.

Foste chamado por Deus e respondeste. Sacrificarias agora esse Chamamento? Poucos o ouviram por enquanto e esses só podem voltar-se para ti. Não há nenhuma outra esperança no mundo inteiro em que possam confiar. Não há nenhuma outra voz no mundo inteiro que ecoe a de Deus. Se queres sacrificar a verdade, eles permanecem no inferno. E se eles permanecem, tu ficarás com eles.

Até que o perdão seja completo, o mundo tem um propósito. Vem a ser o lar onde nasce o perdão, onde cresce tornando-se cada vez mais forte e mais abrangente. Aqui é nutrido, posto que aqui é necessário.

Um Salvador gentil, nascido onde o pecado foi feito e a culpa parece real. Aqui é o Seu lar, pois aqui, de fato, Ele é necessário. Ele traz consigo o final do mundo. É ao Seu Chamamento que os Professores de Deus respondem, voltando-se para Ele, em silêncio, de modo a receber o Seu Verbo.

“Muitos são chamados mas poucos são escolhidos” deveria ser “Todos são chamados, mas poucos escolhem escutar.” T.3.IV.7:12

O mundo terminará quando todas as coisas nele tiverem sido corretamente julgadas pelo Seu Julgamento. O mundo terminará com a bênção da santidade sobre si. Quando não permanecer nenhum pensamento de pecado, o mundo acaba. Ele não será destruído, nem atacado, nem mesmo tocado. Simplesmente deixará de parecer que existe. Certamente isto parece estar distante, muito distante.

“Quando não permanecer nenhum pensamento de pecado”.

Parece ser, de fato, um objetivo a muito longo prazo. Mas o tempo para e aguarda pelo objetivo dos Professores de Deus. Nenhum pensamento de pecado permanecerá no instante em que qualquer um deles aceitar a Expiação para si mesmo. Não é mais fácil perdoar um pecado do que perdoar todos os pecados.

A ilusão da ordem de dificuldade é um obstáculo que o Professor de Deus tem de aprender a ultrapassar e a deixar para trás. Um pecado perfeitamente perdoado por um Professor de Deus pode tornar a salvação completa. És capaz de compreender isto? Não, isto não tem significado para qualquer um, nesse mundo. Entretanto, é a lição final na qual a unidade é restaurada. Vai contra todos os pensamentos do mundo, mas assim também é o Céu.

…continua Parte II…

Bibliografia da OREM3:

1) Livro “Um Curso em Milagres” – Livro Texto, Livro de Exercícios e Manual de Professores. Fundação para a Paz Interior. 2ª Edição –  copyright© 1994 da edição em língua portuguesa.

2) Artigo “Helen and Bill’s Joining: A Window Onto the Heart of A Course in Miracles” (tradução livre: A União de Helen e Bill: Uma Janela no Coração de Um Curso em Milagres”) – Robert Perry, site: https://circleofa.org/

3) E-book “What is A Course in Miracles” (tradução livre: O que é Um Curso em Milagres) – Robert Perry.

4) E-book “Autobiography – Helen Cohn Schucman, Ph.D.” – Foundation for Inner Peace (tradução livre: Autobiografia – Helen Cohn Schucman, Ph.D., Fundação para a Paz Interior).

5) Livro “Introdução Básica a Um Curso em Milagres”,  Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

6) Livro “O Desaparecimento do Universo”, Gary R. Renard.

7) Livro “Absence from Felicity: The Story of Helen Schucman and Her Scribing of A Course in Miracles” (tradução livre: “Ausência de Felicidade: A História de Helen Schucman e Sua Escriba de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

8) Artigo “A Short History of the Editing and Publishing of A Course in Miracles” (tradução livre: Uma Breve História da Edição e Publicação de Um Curso em Milagres” – Joe R. Jesseph, Ph.D. http://www.miraclestudies.net/history.html

9) E-book “Study Guide for A Course in Miracles”, Foundation for Inner Peace (tradução livre: Guia de Estudo para Um Curso em Milagres, Fundação para a Paz Interior).

10) Artigo “The Course’s Use of Language” (tradução livre: “O Uso da Linguagem do Curso”), extraído do livro “The Message of A Course in Miracles” (tradução livre: “A Mensagem de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

11) Artigo Who Am I? (tradução livre: Quem Sou Eu?) – Beverly Hutchinson McNeff – Site: https://www.miraclecenter.org/wp/who-am-i/

12) Artigo “Jesus: The Manifestation of the Holy Spirit – Excerpts from the Workshop held at the Foundation for A Course in Miracles – Temecula CA” (tradução livre: Jesus: A Manifestação do Espírito Santo – Trechos da Oficina realizada na Fundação para Um Curso em Milagres – Temecula CA) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

13) Livro “Quantum Questions” (tradução livre: “Questões Quânticas”) – Ken Wilburn

14) Livro “Um Retorno ao Amor” – Marianne Williamson.

15) Glossário do site Foundation for A Course in Miracles (tradução livre: Fundação para Um Curso em Milagres), do Dr. Kenneth Wapnick, https://facim.org/glossary/

16) Livro “The Message of A Course in Miracles – A translation of the Text in plain language” – Elizabeth A. Cronkhite

17) Livro Um Curso em Milagres – Esclarecimento de Termos.

18) Artigo “The Metaphysics of Separation and Forgiveness” (tradução livre: “A Metafísica da Separação e do Perdão”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

19) Livro “Os Ensinamentos Místicos de Jesus” – Compilado por David Hoffmeister – 2016 Living Miracles Publications.

20) Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – A Canção da Oração” – Helen Schucman – Fundação para a Paz Interior.

Imagem element5-digital-OyCl7Y4y0Bk-unsplash.jpg

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

0 0 votes
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
0
Would love your thoughts, please comment.x