Há uma diferença principal no papel dos mensageiros do Céu, que os distingue daqueles designados pelo mundo. As mensagens que entregam são dirigidas em primeiro lugar a eles mesmos. E é só na medida em que possam aceitá-las para si mesmos, que vêm a ser capazes de levá-las adiante e dá-las em todos os lugares a que eram destinadas. Como os mensageiros terrestres, eles não escreveram as mensagens que trazem consigo, mas vêm a ser os seus primeiros destinatários no sentido mais verdadeiro, recebendo a fim de prepararem-se para dar. LE.154.6:1-4.

Um fazedor de milagres não está preocupado em combater o mundo que há, mas em criar “o mundo que poderia ser”.

Material pesquisado e transcrito de Um Curso em Milagres (Manual de Professores, Livro Texto, Livro de Exercícios) e artigos do Dr. Kenneth Wapnick.

…continuação da Parte I…

Como o Professor de Deus deve passar o seu dia?

Para o Professor de Deus avançado, esta pergunta não tem significado. Não existe programa, porque as lições mudam a cada dia.

O Professor de Deus, porém, está certo de uma coisa: essas lições não mudam por acaso. Vendo isso e compreendendo que é verdadeiro, descansa contente. Ser-lhe-á dito tudo sobre qual deve ser o seu papel nesse dia e todos os dias. E aqueles que compartilham o seu papel encontrá-lo-ão, de modo que possam aprender as lições do dia juntos.

Ninguém que lhe seja necessário está ausente, ninguém é enviado sem um objetivo de aprendizagem já determinado e que possa ser aprendido naquele dia.

Para o Professor de Deus avançado, então, esta pergunta é supérflua. Foi perguntada e respondida e ele mantém-se em permanente contato com a Resposta. Ele está no seu lugar e vê a estrada, na qual caminha, desdobrar-se, segura e suave, à sua frente.

Mas, e aqueles que não alcançaram a certeza do Professor de Deus? Eles não estão prontos, ainda, para essa sua própria falta de estrutura. O que precisam fazer para dar o dia a Deus?

Existem algumas regras gerais que se aplicam, muito embora cada um deva usá-las da melhor forma possível, à sua própria maneira. As rotinas, enquanto tais, são perigosas porque rapidamente se tornam deusas por seu próprio direito [ídolos], ameaçando aquelas mesmas metas em nome das quais foram estabelecidas.

De um modo geral, então, pode dizer-se que é bom começar o dia acertadamente. É sempre possível começar de novo, caso o dia comece com um erro. No entanto, são óbvias as vantagens em termos de economia de tempo.

No início, é sábio pensar em termos de tempo. Este não é, de modo algum, o critério absoluto, mas, inicialmente, é provável que seja o mais simples de se observar.

A economia de tempo, nas fases iniciais, é uma ênfase essencial e, embora ao longo do processo de aprendizagem continuar a ser importante, vai sendo cada vez menos enfatizada.

No início pode dizer-se com segurança que dedicar algum tempo a começar o dia acertadamente, de fato, economiza tempo.

Quanto tempo se deve gastar, pois nessa atividade?

Isso tem de depender do próprio Professor de Deus. Ele não pode reivindicar este título enquanto não tiver terminado o Livro de Exercícios, uma vez que estamos a aprender dentro da estrutura do nosso curso. Depois de terminados os períodos de prática mais estruturada que o Livro de Exercícios contém, a necessidade individual passa a ser a consideração mais importante.

Este Curso é sempre prático. Pode acontecer que o Professor de Deus, ao acordar, não esteja numa situação que lhe favoreça pensar em quietude. Se é esse o caso, que se lembre, apenas, que está a escolher passar o seu tempo com Deus o quanto antes e, portanto, que o faça.

A duração não é a maior preocupação. É fácil uma pessoa ficar sentada uma hora, de olhos fechados e não realizar nada. Do mesmo modo, pode facilmente dar-se a Deus um instante apenas e, nesse instante, unir-se completamente a Ele. Talvez a única generalização que se possa fazer seja esta: o mais cedo possível, depois de despertar, toma para ti, algum tempo de quietude, continuando assim um minuto ou dois a mais depois de começares a achar isso difícil. Pode descobrir que a dificuldade vai diminuir e desaparecer. Se não, esse será o momento de parar.

O mesmo procedimento deve ser seguido à noite. Talvez o teu tempo de quietude deva ser no começo da noite, no caso de não te ser viável conseguir fazê-lo antes de dormir. Não é sábio deitar para fazer isto. É melhor sentar, na posição que preferir.

Tendo completado o Livro de Exercícios, tens que ter chegado a algumas conclusões a este respeito. Se possível, porém, o tempo imediatamente anterior ao momento de dormir é um momento que se deseja dedicar a Deus.

Ele coloca a tua mente num padrão de descanso que te orienta para longe do medo. Se, para ti, for mais conveniente fazer mais cedo essa dedicatória, pelo menos assegura-te de não te esqueceres, por um breve momento – não é preciso mais do que um momento – de fechar os olhos e pensar em Deus.

Há um pensamento, em particular, que deve ser lembrado durante o dia. É um pensamento de pura alegria, um pensamento de paz, um pensamento de libertação sem limites, pois nele todas as coisas são libertadas.

Pensas que fizeste um lugar seguro para ti mesmo. Pensas que fizeste um poder que te pode salvar de todas as coisas assustadoras que vês em sonhos. Não é nisso que está a tua segurança. Desistes apenas da ilusão de proteger ilusões. E é isto que temes, apenas isto. Que tolice ter tanto medo de nada! Absolutamente nada! As tuas defesas não funcionarão, mas não estás em perigo. Não tens necessidade delas. Reconhece isso e elas desaparecerão. E só então aceitarás a tua proteção real.

Como é simples e fácil a passagem do tempo para o Professor de Deus que aceitou a proteção de Deus! Tudo o que fez antes, em nome da segurança, não lhe interessa mais. Pois está a salvo e sabe que é assim. Ele tem um Guia que não falhará. Não precisa de fazer distinções entre os problemas que percebe, pois …

Aquele para Quem se volta com todos esses problemas, não reconhece ordem de dificuldade para os resolver.

Ele está tão seguro no presente quanto estava, antes das ilusões serem aceites na sua mente, e como estará quando as tiver deixado partir.

Não há diferenças no seu estado em momentos diferentes e em locais diferentes, porque, para Deus, todos são um só. Esta é a segurança do Professor de Deus. E não necessita de nada mais do que isto.

No entanto, existirão tentações ao longo do caminho pelo qual o Professor de Deus tem ainda de vigiar e, ao longo do dia, terá necessidade de recordar, a si mesmo, a sua proteção.

Como poderá fazer isto, particularmente nos momentos em que a sua mente está ocupada com coisas externas?

Ele não pode fazer outra coisa senão tentar e o seu sucesso depende da sua convicção de que terá sucesso. Ele tem de estar certo de que o sucesso não lhe pertence, mas que lhe será dado a qualquer momento, em qualquer lugar e circunstância em que chamar por ele.

Haverá ocasiões em que a sua certeza vacilará e, no instante em que isso ocorrer, voltará às tentativas anteriores de depositar a confiança só em si mesmo. Não te esqueças de que isso é magia e a magia é um triste substituto para a verdadeira assistência. Não é suficientemente bom para o Professor de Deus, pois não é suficientemente bom para o Filho de Deus.

Evitar a magia é evitar a tentação. Pois qualquer tentação não é nada mais do que a tentativa de substituir a Vontade de Deus por outra. Essas tentativas podem, de fato, parecer assustadoras, embora sejam apenas patéticas. Não podem surtir nenhum efeito, nem bom nem mau, nem recompensador nem que exija sacrifício, nem curativo nem destrutivo, nem tranquilizador nem assustador.

Quando a magia é, simplesmente, reconhecida como nada, o Professor de Deus alcançou o grau mais avançado. Todas as lições intermediárias levam apenas a isso e trazem essa meta para mais perto do reconhecimento. Pois qualquer tipo de magia, qualquer que seja a forma que assuma, simplesmente, não faz nada. Não tem poder, sendo por isso que é tão fácil escapar-lhe. O que não tem efeito dificilmente pode aterrorizar.

Não há nenhum substituto para a Vontade de Deus. Em termos simples, é a este fato que o Professor de Deus dedica todo o seu dia. Qualquer substituto que resolva aceitar como real só poderá enganá-lo. Mas está a salvo de qualquer mal-entendido, se assim decidir.

Talvez tenha necessidade de lembrar:

“Deus está comigo. Não posso ser enganado”.

Talvez prefira outras palavras, uma apenas uma, ou nenhuma. No entanto, qualquer tentação de aceitar a magia como verdadeira tem de ser abandonada através do seu próprio reconhecimento, não por ela ser assustadora, não por ser pecaminosa, não por ser perigosa, mas, simplesmente, por não ter significado.

Como a magia se enraíza no sacrifício e na separação, dois aspectos de um único erro e nada mais, o Professor de Deus limita-se a abdicar do que nunca teve. E, por este “sacrifício”, o Céu é restaurado na sua consciência.

Não queres fazer esta troca? O mundo fá-la-ia com contentamento se soubesse que poderia ser feita. São os Professores de Deus que têm de ensinar ao mundo que isso é possível. E, assim, a sua função é assegurarem-se de que eles próprios a aprenderam. Não há risco possível ao longo do dia a não ser o de colocares a tua confiança na magia, pois apenas isso conduz à dor.

“Não há outra vontade senão a de Deus”.

Os Seus Professores sabem que assim é e aprenderam que tudo o mais não passa de magia. Qualquer crença na magia é mantida apenas por uma única ilusão simplória – a de que a magia funciona.

No decorrer do seu treino, a cada dia e a cada hora e até mesmo a cada minuto e segundo, os Professores de Deus têm de aprender a reconhecer as formas de magia e a perceber que não têm significado. O medo é retirado dessas formas e, assim, eles prosseguem. E, deste modo, a porta do Céu é reaberta e a sua luz pode brilhar mais uma vez sobre uma mente imperturbada.

Como é que os Professores de Deus lidam com os pensamentos mágicos?

Esta é uma questão crucial tanto para o Professor de Deus como para o aluno. Se este assunto for tratado incorretamente, o Professor de Deus fere-se a si mesmo e também ataca o seu aluno. Isto fortalece o medo e faz com que a magia pareça bastante real para ambos.

Assim, como lidar com a magia vem a ser uma lição fundamental que o Professor de Deus deve dominar. A sua primeira responsabilidade em relação a isto é não a atacar. Se um pensamento mágico faz surgir qualquer forma de raiva, o Professor de Deus pode estar certo de que está a dar força à sua própria crença no pecado, tendo-se condenado a si mesmo. Também pode estar certo de que está a pedir que a depressão, a dor, o medo e o desastre venham até ele. Que se lembre, então, de que não é isso que quer ensinar, pois não é isso o que quer aprender.

Há, porém, uma tentação de responder à magia através de uma forma que a reforça. E isto nem sempre é óbvio. De fato, pode ocultar-se facilmente sob um desejo de ajudar. É esse desejo duplo que faz com que a ajuda seja de pequena valia e não possa deixar de produzir resultados indesejados.

Também não se deve esquecer que o resultado sempre virá, tanto para o Professor como para o aluno. Quantas vezes já foi enfatizado o fato de que só dás a ti mesmo? E onde é que isto poderia ser melhor demonstrado do que nos tipos de ajuda que o Professor de Deus dá a quem necessita do seu auxílio? Aqui, a sua dádiva é dada a ele próprio da maneira mais clara possível. Pois ele dará somente o que escolheu para si mesmo. E, nessa dádiva, está o seu julgamento sobre o Filho santo de Deus.

É mais fácil deixar que o erro seja corrigido onde é mais aparente, uma vez que os erros podem ser reconhecidos pelos seus resultados. Uma lição verdadeiramente ensinada só pode levar à libertação do Professor e do aluno, os quais compartilham uma só intenção.

O ataque só pode ocorrer se a percepção de metas separadas já tiver ocorrido. E, de fato, é isso que não pode deixar de ter acontecido se o resultado for qualquer outra coisa que não alegria. O objetivo único do Professor orienta a meta dividida do aluno numa única direção, pelo que o pedido de ajuda torna-se o único apelo do aluno. Então, isto é facilmente respondido com uma única resposta, a qual não falhará em vir à mente do Professor. Desde aí, ela brilha na mente do seu aluno, fazendo com que seja una com a sua.

Talvez seja útil lembrar que ninguém pode ter raiva de um fato. É sempre uma interpretação que faz surgir emoções negativas, independentemente da sua aparente justificação pelo que parecem ser os fatos.

Independentemente, também, da intensidade da raiva provocada. Pode ser apenas uma leve irritação, talvez leve demais para ser claramente reconhecida. Ou também pode tomar a forma de intensa ira, acompanhada de pensamentos de violência, fantasiados ou aparentemente encenados. Não importa. Todas essas reações são a mesma. Obscurecem a verdade e isso nunca pode ser uma questão de grau. A verdade ou é aparente ou não é. Não pode ser parcialmente reconhecida.

Aquele que não está ciente da verdade não pode deixar de contemplar ilusões.

A raiva, enquanto resposta aos pensamentos mágicos percebidos, é uma causa básica do medo. Considera o que significa esta reação e logo passa a ser aparente a sua posição central no sistema de pensamento do mundo.

Um pensamento mágico, pela sua simples presença, demonstra que houve uma separação de Deus. Declara, da forma mais clara possível, que a mente que acredita ter uma vontade capaz de se opor à Vontade de Deus, acredita igualmente que pode ter sucesso.

Mas, uma vez chegados a este ponto, qual será a tua reação a todos os pensamentos mágicos? Eles só podem redespertar a culpa adormecida, que ocultaste, mas não soltaste. Cada um deles diz claramente à tua mente assustada: “Tu usurpaste o lugar de Deus. Não penses que Ele se esqueceu”. Aqui temos o medo de Deus mais nitidamente representado.

Ao encontro desta situação sem esperança, Deus envia os Seus Professores. Eles trazem a luz da esperança do próprio Deus. Há um caminho através do qual é possível escapar. Tal caminho pode ser aprendido e ensinado, mas isso requer paciência e disponibilidade em abundância.

Quando isto é dado, a simplicidade manifestada na lição destaca-se como uma intensa luz branca contra um horizonte negro, pois é isso que ela é. Se a raiva decorre de uma interpretação e não de um fato, ela nunca é justificável.

Uma vez isto percebido, mesmo que vagamente, o caminho está aberto. Agora, é possível dar o passo seguinte. A interpretação pode ser mudada, afinal. Pensamentos mágicos não têm de levar à condenação, uma vez que, realmente, não têm o poder de fazer surgir a culpa. E, assim, podem não ser vistos e, portanto, verdadeiramente esquecidos.

A loucura apenas parece terrível. Na verdade, não tem poder para fazer seja o que for. Tal como a magia, que vem a ser a sua serva, a loucura não ataca nem protege. Vê-la e reconhecer o seu sistema de pensamento é olhar para o nada. Pode o nada fazer surgir a raiva? Dificilmente.

Lembra-te, então, Professor de Deus, de que a raiva veicula uma realidade que não existe; no entanto, a raiva testemunha claramente que a consideras como um fato.

Agora, escapar é impossível até que vejas que respondeste à tua própria interpretação, a qual projetaste sobre o mundo exterior. Permite que esta espada sombria seja afastada de ti, agora. A morte já não existe. Esta espada não existe. Não há causa para o medo de Deus.

Mas o Seu Amor é a Causa de todas as coisas que estão para além do medo e, assim, para sempre real e para sempre verdadeiro.

Como se faz a correção?

A correção de natureza duradoura – e só essa é a correção verdadeira – não pode ser feita enquanto o Professor de Deus não deixar de confundir interpretação com fato, ou ilusão com verdade.

Se discute com um seu aluno sobre um pensamento mágico, se o ataca ou tenta demonstrar o erro ou a falsidade desse pensamento, não está a fazer outra coisa senão testemunhar a realidade disso.

A depressão é, então, inevitável, pois ele “provou”, tanto para o seu aluno quanto para si mesmo, que a tarefa de ambos é escapar do que é real. E isto só pode ser impossível. A realidade é imutável.

Pensamentos mágicos são apenas ilusões.

Se não fosse assim, a salvação não passaria do mesmo velho sonho impossível, apenas com outra forma. No entanto, o sonho da salvação tem novo conteúdo. Não é apenas na forma que está a diferença.

A maior lição dos Professores de Deus é aprender como reagir aos pensamentos mágicos totalmente sem raiva.

Só dessa forma podem eles proclamar a verdade sobre si mesmos. Através deles, o Espírito Santo pode agora falar da realidade do Filho de Deus. Agora, o Espírito Santo pode lembrar ao mundo a impecabilidade, a única condição que não foi mudada, a única condição imutável inerente a tudo o que Deus criou. Agora, pode falar do Verbo de Deus a ouvidos que escutam e trazer a visão de Cristo a olhos que vêem. Agora, está livre para ensinar a todas as mentes a verdade do que elas são, de modo a que se voltem para Ele com contentamento. Agora, a culpa é perdoada, deixa de ser vista completamente no Seu modo de ver e no Verbo de Deus.

A raiva apenas resmunga: “A culpa é real!” E a realidade é apagada à medida em que esta crença doentia é aceite em substituição do Verbo de Deus. Os olhos do corpo, agora, “vêem”; só os seus ouvidos são capazes de “ouvir”. O espaço pequeno do corpo e o seu fôlego diminuto tornam-se na medida da realidade. E a verdade torna-se diminuta e sem significado.

A correção tem uma única resposta para tudo isto e para o mundo, a qual se baseia no seguinte:

Tu estás apenas a tomar, erradamente, a interpretação pela verdade.

E estás errado. Mas um erro não é um pecado, nem a realidade foi tirada do seu trono pelos teus erros. Deus reina para sempre e só as Suas leis prevalecem sobre ti e sobre o mundo. O Seu Amor continua a ser a única coisa que existe.

O medo é ilusão, pois tu és como Ele.

Para curar torna-se, pois, essencial para o Professor de Deus, permitir que todos os seus próprios erros sejam corrigidos. Se sente o mais leve sinal de irritação em si mesmo enquanto responde a qualquer pessoa, que tome consciência instantaneamente de que fez uma interpretação que não é verdadeira.

Que se volte, então, para dentro, para o seu Guia Eterno e deixe que Ele julgue qual deve ser a resposta. Assim é curado e, na sua cura, o seu aluno é curado com ele.

A única responsabilidade do Professor de Deus é aceitar a expiação para si mesmo.

Expiação significa correção ou o remoção dos erros.

Quando isto tiver sido realizado, o Professor de Deus torna-se o trabalhador em milagres por definição. Os seus pecados foram-lhe perdoados e ele já não se condena. Como pode, então, condenar quem quer que seja? E há alguém a quem o perdão dele não possa curar?

Deve, então, o Professor de Deus evitar o uso de palavras no seu ensino?

Claro que não! Muitos precisam ser alcançados através das palavras, sendo ainda incapazes de ouvir em silêncio.

O Professor de Deus, porém, tem que aprender a usar as palavras de um novo modo. Gradualmente, aprende como deixar que as suas palavras sejam escolhidas para ele, cessando de decidir, ele próprio, o que vai dizer. Este processo é apenas um caso especial da lição do Livro de Exercícios que diz:

“Eu recuarei e deixarei que Ele me mostre o caminho”.

O Professor de Deus aceita as palavras que lhe são oferecidas e dá conforme recebe. Ele não controla a direção da sua fala. Ele escuta, ouve e fala.

Um grande obstáculo neste aspecto da aprendizagem é o medo do Professor de Deus em relação à validade do que ouve. E o que ouve pode ser realmente bastante surpreendente. Também pode parecer um tanto irrelevante em relação ao problema que se apresenta conforme ele o percebe e pode, de fato, confrontá-lo com uma situação que lhe pareça ser bastante embaraçosa.

Todos esses julgamentos não têm valor. São os seus próprios julgamentos, provenientes de uma autopercepção velha e usada, que quer deixar para trás. Não julgues as palavras que vêm a ti, mas oferece-as com confiança. Elas são muito mais sábias do que as tuas.

Os Professores de Deus têm o Verbo de Deus por trás dos símbolos das suas palavras.

E Deus dá às palavras que eles usam o poder do Seu Espírito, elevando-as de símbolos sem significado ao próprio Chamamento do Céu.

Qual a relação entre expiação e a cura?

A Expiação e a cura não estão relacionadas, são idênticas.

Não há ordem de dificuldades em milagres pois não existem graus de Expiação.

É o único conceito completo que é possível nesse mundo, pois é a fonte de uma percepção totalmente unificada. A Expiação parcial é uma ideia totalmente sem significado, assim como é inconcebível a existência de áreas especiais do inferno no Céu.

Aceita a Expiação e estás curado. A Expiação é o Verbo de Deus. Aceita o Seu Verbo e o que restará para tornar possível a doença? Aceita o Seu Verbo e todos os milagres terão sido realizados.

Perdoar é curar.

O Professor de Deus aceitou a Expiação para si mesmo como sendo a sua única função. Assim, o que existe que ele não possa curar? Que milagre pode deixar de lhe ser dado?

O progresso do Professor de Deus pode ser lento ou rápido, dependendo se reconhece a total abrangência da Expiação ou se, por algum tempo, exclui dela certas áreas problemáticas.

Em alguns casos, há uma consciência repentina e completa da perfeita aplicabilidade da lição da Expiação a todas as situações, mas isso é comparativamente raro.

O Professor de Deus pode ter aceito a função que Deus lhe deu muito tempo antes de ter aprendido tudo o que a sua própria aceitação lhe oferece. Somente o fim é certo. O reconhecimento da abrangência total, que é necessário, pode alcançá-lo em qualquer lugar, ao longo do caminho. Se o caminho lhe parece longo, que fique contente. Já decidiu em que direção quer seguir. O que é que lhe foi pedido para além disso? E, tendo feito o que lhe foi requisitado, acaso Deus deixaria de lhe dar o resto?

Se o Professor de Deus quer progredir, precisa compreender que o perdão é cura.

A ideia de que um corpo pode adoecer é um conceito central no sistema de pensamento do ego. Esse pensamento dá autonomia ao corpo, separa-o da mente e mantém intocada a ideia do ataque. Se o corpo pudesse adoecer, a Expiação seria impossível.

Um corpo capaz de ditar à mente o que fazer, de acordo com o que lhe parece adequado, simplesmente, toma o lugar de Deus e prova que a salvação é impossível. O que sobra então para curar? O corpo tornou-se o senhor da mente. Como poderia a mente regressar ao Espírito Santo a não ser através da morte do corpo? E quem iria querer a salvação a este preço?

É certo que a doença não parece ser uma decisão. E ninguém, de fato, acreditaria que quer ser doente. Talvez possa aceitar a ideia em teoria, mas raramente, talvez nunca, ela é consistentemente aplicada a todas as formas específicas de doença, tanto na percepção individual de si mesmo, quanto na percepção de todos os outros.

Nem é nesse nível que o Professor de Deus invoca o milagre da cura.

Ele não vê, nem a mente nem o corpo, vê apenas a face de Cristo a brilhar diante de si, corrigindo todos os erros e curando todas as percepções.

A cura é o resultado do reconhecimento, pelo Professor de Deus, de quem é que tem necessidades de cura. Este reconhecimento não tem nenhuma referência especial. É verdadeiro em relação a todas as coisas que Deus criou. Nele todas as ilusões são curadas.

Quando um Professor de Deus falha ao curar é porque se esqueceu de Quem é.

Assim, a doença do outro vem a ser a sua. Ao permitir que tal aconteça, identifica-se com o ego do outro, tendo-o, deste modo confundido com o corpo. Ao fazer isto, recusou-se a aceitar a Expiação para si mesmo e dificilmente pode oferecê-la ao seu irmão em Nome de Cristo.

De fato, será totalmente incapaz de reconhecer o seu irmão, pois o seu Pai não criou corpos e, assim, está a ver, no seu irmão, somente o irreal. Erros não corrigem erros e a percepção distorcida não cura. Volta atrás, agora, Professor de Deus. Tu erraste. Não mostres o caminho, pois perdeste-o. Volta-te rapidamente para o teu Professor e permite que sejas curado.

A oferta da Expiação é universal.

Ela é igualmente aplicável a todos os indivíduos em todas as circunstâncias. E nela está o poder de curar todos os indivíduos de todas as formas de doença. Não acreditar nisto é ser injusto para com Deus e, portanto, ser infiel para com Ele.

Uma pessoa doente percebe-se separada de Deus. Queres vê-la separada de ti? A tua tarefa é curar o senso de separação que a fez doente. A tua função é fazeres com que reconheça que o que ela pensa acerca de si mesma não é verdade. É o teu perdão que tem de lhe mostrar isto. A cura é muito simples. A Expiação é recebida e oferecida. Tendo sido recebida, tem de ser aceite. É no recebimento, portanto, que está a cura. Tudo o mais tem de decorrer deste único propósito.

Quem pode limitar o poder do próprio Deus? Quem, então, pode dizer quem pode ser curado de quê e o que é que tem de permanecer fora do alcance do perdão de Deus? Isso, de fato, é insanidade. Não cabe aos Professores de Deus traçar limites para Deus, porque não lhes cabe julgar o Seu Filho. E julgar o Seu Filho é limitar o Seu Pai. Ambos passam a ser, igualmente, sem significado. No entanto, isto não será compreendido enquanto o Professor de Deus não reconhecer que ambos são o mesmo mal-entendido.

Compreendendo, o Professor de Deus recebe a Expiação, pois retira o seu julgamento do Filho de Deus, aceitando-o tal como Deus o criou. Agora, já não está à parte de Deus, determinando onde a cura deve ser dada e onde deve ser recusada. Agora, pode dizer com Deus:

“Este é o meu filho amado, criado na perfeição e para sempre perfeito”.

Pode atingir-se Deus diretamente?

Deus pode, de fato, ser atingido diretamente, pois não há distância entre Ele e o Seu Filho. A consciência de Deus está na memória de todos e o Seu Verbo está escrito no coração de todos. No entanto, esta consciencialização e esta memória só podem atravessar os umbrais do reconhecimento quando todas as barreiras contra a verdade forem removidas.

Em quantos isto ocorre? Aqui está, então, o papel dos Professores de Deus. Eles também ainda não atingiram a compreensão necessária, mas uniram-se a outros. E é isso o que os separa do mundo. E é isso que permite que outros deixem o mundo com eles. Sozinhos, não são nada. Mas, na sua união, está o Poder de Deus.

Há aqueles que alcançaram Deus diretamente, sem reter nenhum traço dos limites mundanos e lembrando-se perfeitamente da sua própria Identidade. Estes podem ser chamados Professores dos Professores porque, embora já não sejam visíveis, a sua imagem pode ainda ser invocada.

E eles aparecerão em todos os momentos e em todos os lugares em que for útil fazê-lo. Às pessoas a quem tais aparições assustariam, eles dão as suas ideias. Ninguém pode invocá-los em vão. Nem existe pessoa alguma da qual não estejam cientes. Conhecem todas as necessidades, todos os erros são reconhecidos e eles não os vêem. Virá o tempo em que isto será compreendido. Por enquanto, eles dão todas as suas dádivas aos Professores de Deus, que os procuram em busca de ajuda, pedindo todas as coisas em Seu Nome e em nenhum outro.

Por vezes, um Professor de Deus pode ter uma breve experiência de união direta com Deus. Neste mundo é quase impossível que isso dure. Pode talvez ser conquistado com muita devoção e dedicação e, então, mantido por grande parte do tempo, na terra.

Mas isto é tão raro que não pode ser considerado uma meta realista. Se acontecer, que assim seja. Se não acontecer, que assim seja, também.

Todos os estados deste mundo não podem deixar de ser ilusórios. Se Deus fosse alcançado de forma direta em consciencialização prolongada, o corpo não se manteria por muito mais tempo. Aqueles que abdicaram do corpo somente para estender a sua ajuda aos que estavam para trás, de fato, são poucos. E eles precisam de ajudantes [Professores de Deus] que ainda estão no cativeiro e que ainda estão adormecidos, de modo que, através do seu despertar, a Voz de Deus possa ser ouvida.

Não desesperes, portanto, por causa das limitações. A tua função é escapar delas, mas não existir sem elas. Se queres ser ouvido por aqueles que sofrem, tens de falar a língua deles. Se queres ser um salvador, tens de compreender do que é que se tem de escapar. A salvação não é teórica.

Contempla o problema, pede a resposta e, então, aceita-a quando ela vem. E a sua vinda também não demorará muito. Qualquer ajuda que fores capaz de aceitar ser-te-á provida e nenhuma necessidade que tiveres deixará de ser suprida. Assim sendo, não nos preocupemos demais com metas para as quais não estás pronto. Deus aceita-te onde estás e dá-te as boas-vindas. O que mais poderias desejar se isso é tudo o que precisas?

A curiosa crença segundo a qual parte daquilo que morre pode continuar a viver à parte do que vai morrer, não proclama um Deus amoroso, nem restabelece qualquer terreno para a confiança. Se a morte é real para o que quer que seja, não há vida. A morte nega a vida. Mas se há realidade na vida, a morte é negada. Nisto, não é possível nenhuma transigência.

Ou existe um deus do medo, ou um Deus do amor.

O mundo tenta fazer mil transigências e tentará fazer outras mil. Nenhuma pode ser aceitável para os Professores de Deus, pois nenhuma seria aceitável para Deus. Ele não fez a morte, porque não fez o medo. Para Ele, ambos são, igualmente, sem significado.

O Curso diz: Professor de Deus, a tua única atribuição poderia ser colocada assim: não te comprometas com nada onde a morte tenha lugar. Não acredites na crueldade, nem permitas que o ataque te esconda a verdade. O que parece morrer apenas foi percebido erradamente e levado até à ilusão. Agora, vem a ser tarefa tua fazer com que a ilusão seja levada até à verdade. Sê firme apenas nisto: não te enganes com a “realidade” de nenhuma forma de mutação. A verdade nem se move, nem vacila, nem naufraga na morte e na dissolução.

E qual é o fim da morte?

Nenhum senão este: o reconhecimento de que o Filho de Deus é sem culpa, agora e para sempre. Nada além disto. Mas não te permitas esquecer que não é menos do que isto.

Estas coisas esperam por todos nós, mas ainda não estamos preparados para lhes dar as boas-vindas com alegria. Enquanto qualquer mente permanecer possuída por sonhos maus, o pensamento do inferno é real.

Os Professores de Deus têm como meta despertar as mentes dos que estão a dormir e de ver aí a visão da face de Cristo, para que ela tome o lugar do que eles sonham. O pensamento que assassina é substituído pela bênção. O julgamento é posto de lado e entregue Àquele cuja função é julgar. E, no Seu julgamento final, a verdade sobre o Filho santo de Deus é restaurada. Ele é redimido, pois ouviu o Verbo de Deus e compreendeu o seu significado. Ele é livre, porque permitiu que a Voz de Deus proclamasse a verdade. E todos aqueles que, antes, procuravam crucificar, ressurgem com ele, ao seu lado, à medida em que se prepara, com eles, para encontrar o seu Deus.

O Manual de Professores não tem a intenção de responder a todas as perguntas que o Professor ou o aluno podem fazer. De fato, cobre apenas algumas das mais óbvias, nos termos de um breve sumário de alguns dos principais conceitos do Texto e do Livro de Exercícios.

Não é um substituto para nenhum dos dois, mas apenas um suplemento. Embora seja chamado Manual de Professores, é preciso lembrar que só o tempo separa Professor e aluno, de modo que a diferença é temporária por definição. Em alguns casos pode ser útil para o aluno ler o Manual em primeiro lugar. Outros podem achar melhor começar pelo Livro de Exercícios. Outros ainda podem precisar começar no nível mais abstrato do livro Texto.

Qual serve a quem? Quem ganharia mais somente com orações? Quem precisa apenas de um sorriso, não estando ainda pronto para mais? Ninguém deveria tentar responder a estas perguntas sozinho. Com certeza, nenhum Professor de Deus chegou até aqui sem ter reconhecido isto.

O plano de estudo é altamente individualizado e todos os aspectos estão sob a orientação e o cuidado particular do Espírito Santo. Pergunta e Ele responderá. A responsabilidade é Dele e só Ele é capaz de assumi-la. Fazer isso é a Sua função. Transmitir-Lhe estas questões, é a tua. Querias ser responsável por decisões a respeito das quais entendes tão pouco? Fica contente por teres um Professor incapaz de cometer equívocos. As suas respostas são sempre certas. Dirias isso das tuas?

O Curso trata da ilusão do tempo, mas a ilusão dos níveis de ensino parece ser algo diferente. Talvez a melhor maneira de demonstrar que tais níveis não podem existir seja simplesmente dizer que qualquer nível da situação de ensino-aprendizado é parte do plano de Deus para a Expiação e o Seu plano não pode ter níveis, sendo um reflexo da Sua Vontade. A salvação está sempre pronta e sempre presente. Os Professores de Deus trabalham em níveis diferentes, mas o resultado é sempre o mesmo.

Ser um professor de Deus não significa necessariamente ser religioso ou crer em Deus, seja de que forma for. É necessário, pelo contrário, ensinar o perdão e não condenar. Mas até nisto não é necessária uma coerência total, porque alguém que tenha chegado a este ponto, pode, num só instante e sem utilizar a palavra, ensinar completamente o que é a salvação. Todavia, quem tenha aprendido tudo não precisa de um Professor e quem está curado não precisa de um terapeuta.

Como o Professor de Deus vê o mundo?

Transcrevemos a seguir, em tradução livre, providencial artigo do escritor Paul West, autor do livro I Am Love (tradução livre: Eu Sou Amor), livro este totalmente alinhado com o sistema de pensamento de Um Curso em Milagres, retratando didaticamente como o Professor de Deus vê o mundo, de muita utilidade para o nosso processo de entendimento do sistema de pensamento do Curso:

“Você está fora do mundo, olhando para ele de fora para dentro. Dessa perspectiva, o corpo não tem valor algum. O mundo é reconhecido como totalmente fictício. O corpo é usado temporariamente apenas como uma ferramenta para sentir as vibrações do mundo ilusório, de modo a detectar a sua configuração atual e aparentemente interagir com os seus habitantes.

Em nenhum momento o corpo é confundido com você, nem recebe atributos que não possui. Não é considerado espiritual, nem assustado, nem especial, nem adorado. Todo senso de uso pessoal do corpo se foi. É representado nada mais que um instrumento sem função por meio do qual a luz pode fluir para o sonho como a luz do mundo.

Nessa visão, o corpo não é confundido nem ligeiramente com o seu senso de identidade. A sua aparência não diz nada sobre quem ou o que você é. A sua configuração ou atributos específicos não fazem qualquer declaração sobre a sua verdadeira natureza ou as suas habilidades criativas. É apenas uma imagem, um portal para um mundo falso, através do qual você espia rapidamente para ver a superfície dos objetos e ver corpos se movendo.

Você reconhece que tudo o que o corpo sente não é real ou verdadeiro. Ele capta sinais vibratórios de um mundo que parece existir, mas que não existe. Mostra imagens desse mundo de mentira, registra vibrações sonoras e até parece ser capaz de tocar a superfície de objetos imaginários. Mas não há ilusão de que qualquer uma dessas coisas realmente exista ou que esses sinais estejam transmitindo a verdade. Tudo o que fazem é transmitir mensagens sobre o que parece estar lá, mas em que não se acredita. E assim a mente não usa o corpo para “sentir a realidade”, ela o usa apenas para sentir a irrealidade.

O mundo dos sonhos continua a representar cenas de lutas, abusos, conflitos, doenças físicas e mentais, árvores, edifícios, tempestades, guerra e caos e todos os tipos de atividades. Flores crescendo e morrendo, pássaros comendo, peixes nadando e todas as formas imagináveis mudando de forma.

A mente observa isso por meio dos sentidos do corpo que registram as percepções de tais coisas ocorrendo, mas a mente não é enganada por nenhum deles. Ela sabe que está testemunhando uma mentira, um mundo falso, uma ficção temporária, que não tem verdade inerente e absolutamente nenhuma realidade. E usa o corpo, assim, apenas para interagir temporariamente com aqueles que se veem como corpos, para que haja comunicação, ensino e cura, para guiá-los de forma semelhante ao reconhecimento de uma perspectiva sã neste mundo e nos corpos que utilizam.

Por enquanto, a mente está na periferia do mundo, não imersa e não perdida em suas ilusões. Não é mais tentada pelas aparências. Ela sabe com certeza que nada está acontecendo aqui e mesmo quando o ego demonstra a sua destreza em fabricar cenas de horror e destruição, esses acontecimentos não têm influência sobre a mente. Ela não reage e fica impassível e imperturbada por tais ocorrências ilusórias. E continua a olhar além de todos eles, para a verdade real, que essas aparências uma vez ocultaram, para a luz real e o show real, que está ocorrendo inteiramente além do mundo.

A mente então perdeu o interesse pelo mundo. Chegou a reconhecer que o mundo não tem nada a oferecer. Ela renunciou a todos os investimentos no mundo e a todas as tentativas de acreditar que o mundo pode fazer, alcançar ou dar qualquer coisa de valor. É reconhecido como nada além de um dispositivo de distração, feito de negação, fingindo ser algo, mas em última instância é nada. Não há mais adoração de ídolos, não há investimento emocional, não há nada que ela queira no mundo, porque ela sabe que o mundo não tem nada a oferecer. Não passa de uma prisão para mentes insanas que sofrem e morrem em sonhos de dor. E é claro que não existe pecado.

Tal mente é a luz do mundo e veio abençoar, apenas porque reconhece a verdade e não cai nas armadilhas e nas ilusões de um mundo de erros. Não acredita em nada do que o corpo testemunha ou sugere que está acontecendo e percebe as limitações dos sentidos. Ela os usa apenas para servir na medida em que são capazes e não tem a ilusão de que representem a realidade ou sua experiência. O corpo é conhecido por ser apenas o que é e nada mais e nada mais é que uma ilusão. Não tem vida nem morte.

Dessa visão, o mundo é reconhecido como nada. Uma esfera de não-acontecimentos e eventos ilusórios. Todos os eventos estão em lugar nenhum. Todas as mudanças feitas não têm substância. Nenhuma coisa ocorrendo contém alguma verdade. Nem mesmo os corpos moribundos estão realmente morrendo, nem os corpos doentes estão realmente doentes, nem os corpos vivos estão realmente vivos. É tudo a mesma coisa, uma ilusão, uma imagem de objetos estranhos e interações, nenhum dos quais é real ou verdadeiro.

A hierarquia das ilusões foi achatada e, com ela, a ilusão das ordens de dificuldade. Nada é considerado mais ou menos importante ou valioso do que outro, nem mais difícil de reverter, mudar ou curar. Nada é dado ao mundo, exceto o amor que o dissiparia. E nenhum significado é atribuído a ele além do significado do perdão. Cada ocorrência não tem efeitos. Toda causa vista como um efeito do sonho. E em nenhum lugar há uma consequência real acreditada.

Só por algum tempo o Professor de Deus ocupa um corpo assim, usando-o como bisturi para dissecar as ilusões do mundo e ver além delas a verdade. A mente não perde mais de vista o que é verdadeiro e real além do mundo, fixada na realidade da luz fora do sonho. Não há mais engano ou tentação capaz de infligir sofrimento. E nenhum aspecto do mundo tem o poder de fazer qualquer coisa.

O mundo foi perdoado, esquecido e não acreditado. O corpo não é nada e desnecessário. Todos os prazeres e dores do mundo foram abandonados como futilidades inúteis destinadas a perder tempo e evitar a verdade. A morte não tem mais apelo, pois ela percebe que não realiza nada real e é uma busca sem valor. Ninguém em sã consciência decide fazer tais demonstrações ocorrerem e de que serve um corpo morto como ferramenta de comunicação e cura?

Como um Professor de Deus, você tem um pé no mundo, mas o seu olho espiritual percebe a luz além dele. A sua mente está alinhada com a verdade, mas o seu corpo está fazendo coisas corporais. Você não cai nos truques do ego, nem reage aos seus piores ataques. Você sabe que nada pode afetá-lo porque você se lembrou do que você é. Você é como Deus o criou e vive fora do mundo, em outro mundo de luz, um mundo intocado pelo pecado e pelo perigo, fora do alcance da guerra e da dor.

Nada pode perturbá-lo porque você está seguro em Deus. O sonho do exílio nada mais é que um sonho estranho onde coisas estranhas realmente não acontecem. Onde nada pode ser acreditado. E onde não há verdade. É apenas um deserto, árido e vazio, um recipiente sem vida de nada. E nenhuma vez mudou algo real ou verdadeiro. Você chega num momento para oferecer uma mensagem do além, para lembrar os seus irmãos de que eles acreditam que não é verdade. Você os liberou pelo exemplo e pela demonstração de sua liberdade das evidências do pecado irreversível do mundo. E eles vêem em você uma luz brilhando além do seu corpo.

Este mundo não é real. Não é a sua casa. Isto é falso. Nada nisso é verdade. Não tem valor. Não é o que você quer. E, por fim, você aprenderá a reconhecê-lo como nada, percebendo que, para ganhar todo o Céu, você não está desistindo de nada. E nenhuma memória do mundo dos sonhos permanecerá enquanto você desperta além do mundo para a realidade do Reino. Pois tudo que você sempre pensou que aconteceu foi nada e em lugar nenhum. Somente o amor é real e somente o mundo vivo de luz é verdadeiro. E nesta luz você saberá o que você é e sempre foi.

Eu sou o Filho de Deus, completo, curado e íntegro, brilhando no reflexo do Seu Amor. Em mim a sua criação é santificada e a vida eterna é garantida. Em mim o amor vem a ser perfeito, o medo impossível e a alegria é estabelecida sem opostos. Eu sou o lar santo do próprio Deus. Eu sou o Céu onde habita o Seu Amor. Sou a Sua santa Impecabilidade, pois na minha pureza habita a Sua própria. LE-pII.14.1.

E, agora, em tudo o que faças, sê abençoado.
Deus volta-Se para ti pedindo ajuda para salvar o mundo.
Professor de Deus, Ele oferece-te a Sua gratidão,
e o mundo todo fica em silêncio na graça que trazes do Pai.
Tu és o Filho que Ele ama e é-te dado ser o meio
através do qual a Sua Voz é ouvida em todo o mundo
para acabar com todas as coisas nascidas no tempo,
para trazer o fim de todas as coisas que mudam.
Através de ti, anuncia-se um mundo que não é visto
nem ouvido, embora esteja verdadeiramente presente.
Santo tu és e, na tua luz, o mundo reflete santidade,
pois não estás só nem sem amigos. Eu agradeço por ti
e uno-me aos teus esforços a favor de Deus
sabendo que são, também, a meu favor
e a favor de todos aqueles que caminham para Deus comigo.
AMÉM

Bibliografia da OREM3:

1) Livro “Um Curso em Milagres” – Livro Texto, Livro de Exercícios e Manual de Professores. Fundação para a Paz Interior. 2ª Edição –  copyright© 1994 da edição em língua portuguesa.

2) Artigo “Helen and Bill’s Joining: A Window Onto the Heart of A Course in Miracles” (tradução livre: A União de Helen e Bill: Uma Janela no Coração de Um Curso em Milagres”) – Robert Perry, site: https://circleofa.org/

3) E-book “What is A Course in Miracles” (tradução livre: O que é Um Curso em Milagres) – Robert Perry.

4) E-book “Autobiography – Helen Cohn Schucman, Ph.D.” – Foundation for Inner Peace (tradução livre: Autobiografia – Helen Cohn Schucman, Ph.D., Fundação para a Paz Interior).

5) Livro “Introdução Básica a Um Curso em Milagres”,  Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

6) Livro “O Desaparecimento do Universo”, Gary R. Renard.

7) Livro “Absence from Felicity: The Story of Helen Schucman and Her Scribing of A Course in Miracles” (tradução livre: “Ausência de Felicidade: A História de Helen Schucman e Sua Escriba de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

8) Artigo “A Short History of the Editing and Publishing of A Course in Miracles” (tradução livre: Uma Breve História da Edição e Publicação de Um Curso em Milagres” – Joe R. Jesseph, Ph.D. http://www.miraclestudies.net/history.html

9) E-book “Study Guide for A Course in Miracles”, Foundation for Inner Peace (tradução livre: Guia de Estudo para Um Curso em Milagres, Fundação para a Paz Interior).

10) Artigo “The Course’s Use of Language” (tradução livre: “O Uso da Linguagem do Curso”), extraído do livro “The Message of A Course in Miracles” (tradução livre: “A Mensagem de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

11) Artigo Who Am I? (tradução livre: Quem Sou Eu?) – Beverly Hutchinson McNeff – Site: https://www.miraclecenter.org/wp/who-am-i/

12) Artigo “Jesus: The Manifestation of the Holy Spirit – Excerpts from the Workshop held at the Foundation for A Course in Miracles – Temecula CA” (tradução livre: Jesus: A Manifestação do Espírito Santo – Trechos da Oficina realizada na Fundação para Um Curso em Milagres – Temecula CA) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

13) Livro “Quantum Questions” (tradução livre: “Questões Quânticas”) – Ken Wilburn

14) Livro “Um Retorno ao Amor” – Marianne Williamson.

15) Glossário do site Foundation for A Course in Miracles (tradução livre: Fundação para Um Curso em Milagres), do Dr. Kenneth Wapnick, https://facim.org/glossary/

16) Livro “The Message of A Course in Miracles – A translation of the Text in plain language” – Elizabeth A. Cronkhite

17) Livro Um Curso em Milagres – Esclarecimento de Termos.

18) Artigo “The Metaphysics of Separation and Forgiveness” (tradução livre: “A Metafísica da Separação e do Perdão”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

19) Livro “Os Ensinamentos Místicos de Jesus” – Compilado por David Hoffmeister – 2016 Living Miracles Publications.

20) Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – A Canção da Oração” – Helen Schucman – Fundação para a Paz Interior.

21) Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – Psicoterapia: Propósito, Processo e Prática.

22) Workshop “O que significa ser um professor de Deus”, proferido pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D..

23) Artigo escrito pelo escritor Paul West, autor do livro “I Am Love” (tradução livre: “Eu Sou Amor”), blog https://www.voiceforgod.net/.

Imagem ivan-aleksic-PDRFeeDniCk-unsplash.jpg

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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