Com o objetivo de pesquisa, estudo, conhecimento e entendimento sobre o sistema de pensamento de uma Organização Baseada na Espiritualidade (OBE), nós estamos transcrevendo, em tradução livre, trechos do artigo “Quantum Management: the practices and science of flourishing enterprise” [“Gestão Quântica: as práticas e a ciência de empresa florescente”]. Autor: Chris Laszlo. Fonte: Journal of Management, Spirituality & Religion. Publicado: 24 de fevereiro de 2020.

Artigo:

Quantum Management: the practices and science of flourishing enterprise [Gestão Quântica: as práticas e a ciência de empresa florescente]

Autor:

Chris Laszlo – Department of Organizational Behavior, Case Western Reserve University, Cleveland, OH, USA.

Fonte:

JOURNAL OF MANAGEMENT, SPIRITUALITY & RELIGION 2020, VOL. 17, NO. 4, 301–315 https://doi.org/10.1080/14766086.2020.1734063

Resumo

A Gestão Quântica revela o poder das práticas intuitivas diretas — como meditação, imersão na natureza e inúmeras outras — para transformar a consciência no nível da percepção [consciousness] de um líder, tornando-se o ponto máximo de alavancagem para a criatividade empreendedora, incorporando um propósito social. Sobrepostas a essas práticas, estão as perspectivas da física Quântica e disciplinas afins, que oferecem uma visão radicalmente diferente da vida organizacional. Tais perspectivas ajudam os gestores a entender como as práticas intuitivas diretas atuam para transformar uma pessoa no nível mais profundo de sua identidade. As práticas intuitivas diretas proporcionam aos gestores uma experiência de plenitude que aguça a sua consciência no nível da realidade [awareness] de como as suas ações impactam os outros e o mundo. Essa consciência no nível da realidade [awareness] leva os gestores a buscarem o sucesso nos negócios como uma força para o bem, não apenas pela justificativa analítica, que permanece importante, mas também por causa de quem eles são. Os recentes avanços científicos enriquecem a sua experiência, reprogramando o seu entendimento da natureza da realidade.

Keywords

Consciousness; leadership; flourishing; quantum; science; spirituality

Palavras-chave:

Consciência no nível da percepção [consciousness]; liderança; florescimento; quântico; ciência; espiritualidade

Para citar esse artigo (paper):

Chris Laszlo (2020) Quantum management: the practices and science of flourishing enterprise, Journal of Management, Spirituality & Religion, 17:4, 301-315, DOI: 10.1080/14766086.2020.1734063

Para acessar esse artigo (paper):

https://doi.org/10.1080/14766086.2020.1734063

Histórico do artigo (paper):

Recebido em 22 de novembro de 2019

Aceito em 17 de fevereiro de 2020

Tradução livre Projeto OREM®

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Gestão Quântica: As Práticas e a Ciência de Empresa Florescente

Esse artigo (paper) aborda duas questões inter-relacionadas. Como as empresas, enquanto instituições, podem gerar um impacto social positivo? Em segundo lugar, qual o papel da ciência na transformação da maneira como os gestores pensam e agem? Nós argumentamos que, apesar das enormes contribuições para o progresso humano, as empresas com fins lucrativos, orientadas para o mercado, operam a um custo significativo para a sociedade. A solução dos desafios globais e sociais exigirá enorme criatividade empreendedora, bem como um amplo comprometimento com um propósito social, aspectos que não estão suficientemente presentes nas trajetórias de negócios atuais.

Nós propomos que um amplo conjunto de práticas intuitivas diretas pode proporcionar aos gestores uma experiência de plenitude e conexão, aumentando a consciência no nível da realidade [awareness] de como as suas ações impactam os outros e as gerações futuras. Sobrepostas a essas práticas, estão as perspectivas da física Quântica e disciplinas afins, que oferecem uma visão radicalmente diferente da vida organizacional. Tais perspectivas ajudam os gestores a reformular a sua realidade e a entender como as práticas intuitivas diretas atuam para transformar uma pessoa no nível mais profundo de sua identidade. O resultado é uma estrutura científica e um conjunto de práticas para alcançar a criatividade empreendedora com propósito social, necessária para que a educação nos negócios e a prática corporativa enfrentem eficazmente os desafios globais e sociais do mundo.

Tais perspectivas ajudam os gestores a reformular a sua realidade e a entender como as práticas intuitivas diretas atuam para transformar uma pessoa no nível mais profundo de sua identidade.

O contexto: contribuição dos negócios para a sociedade

Nos últimos 200 anos, os negócios têm contribuído inegavelmente para o progresso social em níveis sem precedentes históricos (Estes e Sirgy 2018). A expectativa de vida mais que dobrou nesse período, passando de 35 para mais de 70 anos; o número de pessoas vivendo em extrema pobreza diminuiu como porcentagem da população mundial de 90% para 10%; e a educação básica aumentou de 15% para 85% (Roser 2019). Os negócios proporcionaram empregos, mobilidade e acesso ao bem-estar material. Mais recentemente, o United Nations Millennial Development Goals (MDGs) [Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas] registraram uma redução pela metade nas taxas de mortalidade de crianças menores de cinco anos entre 1990 e 2015. As fichas informativas de MDGs mostraram o notável progresso alcançado na igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres, na saúde materna e no acesso à água potável de melhor qualidade (Millennial Development Goals Report 2015). Hoje, mais pessoas vivem vidas materialmente confortáveis, com saúde e segurança relativamente decentes, do que nunca na história. O governo, o setor sem fins lucrativos e a sociedade civil contribuíram muito para esses resultados, mas os negócios continuam sendo o motor de grande parte do progresso observado em todo o mundo (Friedman 2000; Dicken 2015).

Olhando para o futuro, nós vemos negócios socialmente responsáveis ​​continuarem a surgir em todos os setores da economia. Esses assumem a forma de novas entidades jurídicas, como as B Corporations [Empresas B; B Corps; organizações certificadas pela B Lab], que conferem aos gestores direitos legais para servir às partes interessadas, bem como movimentos totalmente novos, como o Capitalismo Consciente. Em agosto de 2019, 181 CEOs membros da Business Roundtable (BRT) dos EUA divulgaram uma declaração sobre o propósito da corporação. A declaração reconheceu a importância central das partes interessadas (stakeholders), incluindo clientes, funcionários, fornecedores, comunidades locais e o meio ambiente, além dos acionistas, que foram mencionados por último. Compare essa declaração com a emitida pela BRT em 1997, na qual o dever primordial da administração era para com os acionistas (shareholders) da corporação, sendo os interesses de todas as outras partes interessadas apenas derivados desse dever. Tal doutrina da primazia do acionista ecoava um editorial ainda mais antigo do New York Times, escrito pelo economista ganhador do Prêmio Nobel, Milton Friedman, em 1970, que afirmava que a única responsabilidade social das empresas era gerar lucro.

Em 2019, mais de 50% das empresas globais pesquisadas mencionaram os U.N. Sustainable Development Goals (SDGs) [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável] da ONU em suas estratégias de negócios (Ingram, Nguyen e Bala, 2019). O advento de novas tecnologias, que vão da Inteligência Artificial à edição genética CRISPR e à computação Quântica, está ajudando ainda mais as empresas a resolverem grandes problemas sociais rapidamente.

Assim, ao longo dos últimos dois séculos, a empresa com fins lucrativos não apenas tem impulsionado o desenvolvimento econômico, como também tem evoluído para incorporar o desempenho social e ambiental, tornando-se institucionalmente mais socialmente responsável à medida que clientes, funcionários e investidores aumentaram as suas expectativas em relação a isso (Mohrman, O’Toole e Lawler, 2015; Laszlo e Zhexembayeva, 2011). Há muito o que comemorar em 2020, um ano que sugere uma visão perfeita. No entanto, sem uma avaliação lúcida do impacto total dos negócios na sociedade, o seu papel futuro permanece preocupantemente incerto.

“…ao longo dos últimos dois séculos, a empresa com fins lucrativos não apenas tem impulsionado o desenvolvimento econômico, como também tem evoluído para incorporar o desempenho social e ambiental, tornando-se institucionalmente mais socialmente responsável à medida que clientes, funcionários e investidores aumentaram as suas expectativas em relação a isso (Mohrman, O’Toole e Lawler, 2015; Laszlo e Zhexembayeva, 2011).

Será que os negócios estão conduzindo a sociedade na direção certa?

Junto com as contribuições positivas dos negócios para a sociedade, vieram grandes custos não intencionais. Problemas de saúde decorrentes de condições de trabalho miseráveis, exploração do trabalho infantil, doenças crônicas causadas pela exposição prolongada a produtos químicos tóxicos, poluição do ar, contaminação da água, discriminação de gênero e sexual e contratos de servidão por dívida que mantiveram famílias na pobreza por gerações têm sido características da iniciativa privada desde a sua origem. O que mudou agora? Para começar, a escala e a magnitude desses impactos negativos atingiram proporções globais (Rockström e Klum 2015). Somente nos últimos cem anos as empresas foram capazes de alterar o clima da Terra e de contribuir para declínios tão massivos na biodiversidade a ponto de justificar o rótulo de ‘sexta grande extinção’. Somente nesse período recente os negócios têm convertido florestas tropicais em terras agrícolas, fixado nitrogênio no solo e na água e interrompido o ciclo do fósforo em níveis catastroficamente insustentáveis ​​para a saúde e o bem-estar das gerações futuras (Stockholm Resilience Center 2015).

No âmbito social, a desigualdade entre ricos e pobres, medida pelo coeficiente de Gini, está aumentando tanto em países ricos quanto em países pobres. Padrões sociais mínimos de dignidade humana e bem-estar não estão sendo atendidos (Pirson 2017; Raworth 2018). A ausência de bem-estar no ambiente de trabalho é um fenômeno mundial. Estudos mostram que o estresse e o desengajamento no trabalho permanecem elevados (Albrecht 2010, 2013; Bakker, Oerlemans e Brummelhuis 2013; Beck e Harter 2014). Beck e Harter relataram que apenas 30% dos funcionários nos EUA se autodeclaram ‘engajados’ no trabalho, corroborando uma década de pesquisas anuais realizadas pela Gallup e pela Mercer.

A ausência de bem-estar no ambiente de trabalho é um fenômeno mundial.

Compreensivelmente, a maioria dos negócios tem concentrado os seus esforços em reduzir esses impactos negativos. Daí a linguagem de minimizar os danos sociais e reduzir a pegada ecológica da empresa. A responsabilidade social corporativa se traduziu, na prática, em minimizar, reduzir, reutilizar, evitar e prevenir (McDonough e Braungart 2013; Ehrenfeld e Hoffman 2013; Laszlo e Brown et al. 2014). Embora essas abordagens sejam de vital importância, elas não devem ser confundidas com a geração de um impacto positivo (Ehrenfeld e Hoffman 2013). Quando um negócio anuncia que reduzirá as suas emissões de carbono em 50% no próximo ano, está, na verdade, dizendo que prejudicará menos o meio ambiente.

“Quando um negócio anuncia que reduzirá as suas emissões de carbono em 50% no próximo ano, está, na verdade, dizendo que prejudicará menos o meio ambiente.”

Uma maneira mais precisa de pensar sobre esses esforços nos negócios é que eles estão apenas desacelerando o ritmo da insustentabilidade. Isso não deve ser confundido com a geração de um impacto positivo, que significa criar prosperidade econômica, melhorar o bem-estar e contribuir para um ambiente natural regenerativo. Estratégias nos negócios que adotam a sustentabilidade como forma de minimizar danos estão levando a sociedade na direção errada. Somente estratégias de sustentabilidade voltadas para o florescimento são capazes de melhorar o bem-estar das gerações futuras. Uma abordagem completamente diferente para os negócios e a sociedade é, portanto, necessária se quisermos criar um mundo próspero agora e no futuro.

Estudos mostram que o estresse e o desengajamento no trabalho permanecem elevados (Albrecht 2010, 2013; Bakker, Oerlemans e Brummelhuis 2013; Beck e Harter 2014). Beck e Harter relataram que apenas 30% dos funcionários nos EUA se autodeclaram “engajados” no trabalho, corroborando uma década de pesquisas anuais realizadas pela Gallup e pela Mercer.”

Quatro estágios da evolução dos negócios

Para entender a necessidade da abordagem de gestão Quântica, é útil analisar a evolução dos negócios em três eixos: propósito dos negócios, princípios organizacionais e modo de liderança. Até cinquenta anos atrás, em grande parte do mundo não Comunista, o único propósito dos negócios era maximizar os lucros para os acionistas. Os princípios organizacionais centravam-se na eficiência, estendendo os estudos de tempo e movimento de Frederick Taylor a sistemas de gestão cada vez mais sofisticados. O modo de liderança era principalmente baseado no medo, uma vez que os gestores puniam os funcionários e parceiros nos negócios que não cumpriam as obrigações contratuais, muitas vezes utilizando a ameaça de perda do subsistência como a consequência final da falência (Tsao e Laszlo 2019).

Então, nas décadas de 80 e 90, o propósito dos negócios começou a mudar à medida que o valor para as partes interessadas (stakeholder) passou a ser mais amplamente reconhecido (Freeman, 1984; Elkington, 1994). No lugar de um foco exclusivo no valor para o acionista (shareholder), surgiram novos construtos, como valor misto (blended value) (Jed Emerson, 2000), valor sustentável (Hart, 2002; Laszlo, 2003) e, posteriormente, valor compartilhado (Porter, 2011). Os princípios organizacionais evoluíram para se concentrar na eficácia, à medida que os gestores começaram a fazer um conjunto mais amplo de perguntas sobre a natureza do desempenho. Muitos negócios adotaram novos indicadores de desempenho, como o Balanced Scorecard e os da Global Reporting Initiative (GRI). O modelo de liderança evoluiu para incorporar o uso de incentivos de desempenho. Substituindo parcialmente a gestão baseada no medo, as práticas baseadas em incentivos incluíram o uso extensivo de opções de ações como forma de recompensar executivos de empresas de capital aberto pelo melhor desempenho do preço das ações. Na década de 90, as incentive Stock Options (ISOs) [Opções de Ações com incentivo] e os Equity Incentive Plans [Planos de Incentivo de Ações] tornaram-se ferramentas populares para motivar e reter funcionários.

Mais recentemente, em um segmento pequeno, porém crescente, do mercado, o propósito dos negócios evoluiu do valor compartilhado para o negócio como uma força para o bem, no qual a criação de valor para as partes interessadas (stakeholders) da sociedade se torna a principal motivação. Novas formas de negócios convencionais estão surgindo, como as Empresas B (B Corps) (primeira aparição: 2007), as corporações de benefício (primeira aparição: 2010) e o Capitalismo Consciente (2012), que estão em rápido desenvolvimento. As companhias multinacionais Unilever e Danone obtiveram a certificação de Empresa B. A Estratégia Net Positive da IKEA e a missão atualizada da Patagonia, ‘Nós estamos no negócio para salvar o planeta’ (2018), estão entre os exemplos mais visíveis dessa etapa evolutiva. Cuidado e compaixão fundamentam os princípios organizacionais nesses tipos de empresas. O bem-estar dos funcionários, fornecedores, clientes e outras partes interessadas é essencial para o seu sucesso. O modelo de liderança transita de ‘baseado em incentivos’ para ‘servir aos outros’, no qual os gestores buscam justiça, igualdade, comunidade e cooperação.

Será que essa terceira etapa evolutiva não é suficiente para criar os resultados desejados tanto para os negócios quanto para a sociedade? Infelizmente, a resposta é cada vez mais ‘não’, à medida que aumentam as evidências de que os esforços corporativos de sustentabilidade em nível coletivo apenas retardam o ritmo dos danos, o que, como argumentado acima, é muito diferente de criar bem-estar, prosperidade e florescimento para todos.

A questão que se nos apresenta agora é como efetivar uma transformação em nível global, de forma a abordar a magnitude dos desafios globais e sociais da atualidade. O tempo das mudanças incrementais já passou. O que se faz necessário é uma transformação sistêmica: uma disrupção no pensamento e na ação gerencial que impulsione as empresas a se tornarem agentes de benefício global. A fonte dessa transformação, nós argumentamos, reside em uma teoria da mudança que extrai a sua força de um paradigma emergente na ciência, o qual apresenta uma narrativa muito diferente sobre o que significa ser humano e a natureza do mundo em que nós vivemos. Na seção seguinte, a quarta etapa da evolução dos negócios é descrita à luz de teorias da mudança capazes de explicar em que condições ela provavelmente emergirá.

O que se faz necessário é uma transformação sistêmica: uma disrupção no pensamento e na ação gerencial que impulsione as empresas a se tornarem agentes de benefício global.

As 3 mais 1 teorias de mudança

Há mais de cinquenta anos, uma equipe de pesquisadores publicou um artigo (paper) sobre estratégias gerais de mudança em sistemas humanos (Chin e Benne, 1967). Eles propuseram três Theories of Change (ToCs) [Teorias de Mudança] que consideravam universalmente generalizáveis. A primeira foi chamada de empírico-racional, baseada na premissa de que os seres humanos são racionais e seguem os seus próprios interesses. Ela corresponde à lógica nos negócios da sustentabilidade, na qual os projetos sociais são realizados apenas quando há um retorno positivo sobre o investimento. A segunda foi denominada normativo-reeducativa, baseada em normas, valores e atitudes socioculturais aos quais os indivíduos se comprometem. A terceira foi a coercitiva, que exige a submissão daqueles com menos poder aos planos e diretrizes daqueles com maior poder.

No meio século que se passou desde a sua publicação, nenhuma dessas ToCs tem provado ser eficaz, individualmente ou em conjunto, para transformar os negócios em agentes de benefício global. Os esforços nos negócios para serem socialmente responsáveis, com base nas três ToCs, têm ajudado as empresas a minimizar os seus impactos negativos e, em casos limitados, a fazer o bem. Mas, como argumentado nesse artigo, eles não criaram prosperidade para a maioria das pessoas em países onde a desigualdade de renda continua a piorar. Eles não estão resolvendo problemas ambientais graves, como o aumento contínuo das emissões de carbono ou a rápida taxa de extinção de espécies. Eles não estão contribuindo para a saúde e o bem-estar, como evidenciado por pesquisas anuais que mostram altos níveis de desengajamento e estresse no ambiente de trabalho.

A gestão Quântica baseia-se na adição de uma quarta estratégia para a mudança, que nós chamamos de intuitiva-direta. Ela se ancora no papel das práticas intuitivas diretas que oferecem às pessoas uma experiência direta de plenitude e conexão (Heaton, Schmidt-Wilk e McCollum 2011; Sheldrake 2018; Tsao e Laszlo 2019). Tais práticas aquietam a mente analítica e expandem a consciência no nível da percepção [consciousness] da pessoa, de modo que nós nos tornamos mais cientes da unicidade essencial da realidade. Também chamadas de práticas de conectividade, elas abrangem formas Orientais e Ocidentais de atenção plena. Elas incluem meditação, caminhadas na natureza, arte e estética, jardinagem, investigação apreciativa, exercícios físicos e escrita terapêutica, entre inúmeras outras. Adicionar uma ou mais dessas práticas diariamente pode fortalecer a jornada de aprendizado de uma pessoa e elevar a consciência no nível da percepção [consciousness] dele ou dela com criatividade e resiliência.

Experienciar as nossas vidas como profundamente interconectadas física, emocional e espiritualmente transforma a maneira como nós pensamos e agimos. Nós nos tornamos mais empáticos e compassivos. Nós começamos a nos ver como um só com o mundo. Nós nos tornamos mais coerentes em nós mesmos e em nossas interações com os outros e com todas as formas de vida. A experiência de plenitude e conectividade é a base para alterar o comportamento e a tomada de decisões de uma pessoa, tanto nos negócios quanto na vida.

Experienciar as nossas vidas como profundamente interconectadas física, emocional e espiritualmente transforma a maneira como nós pensamos e agimos.

O propósito da gestão Quântica – o quarto estágio da evolução de negócios – passa a ser o de gerar um impacto positivo na sociedade, à medida que os líderes experienciam as suas vidas e as de suas organizações como relacionais e não egocêntricas (centradas no ego). O objetivo se torna criar prosperidade para todos e contribuir para um ambiente saudável e um maior bem-estar. Isso difere bastante dos objetivos de gestão atuais nas estratégias em negócios que, na prática, muitas vezes se limitam a reduzir a pegada ecológica e minimizar os danos sociais.

O propósito da gestão Quântica – o quarto estágio da evolução de negócios – passa a ser o de gerar um impacto positivo na sociedade, à medida que os líderes experienciam as suas vidas e as de suas organizações como relacionais e não egocêntricas (centradas no ego).

Nós não estamos sugerindo que essa quarta ToC deva ser usada em detrimento das outras três. Ao invés disso, nós estamos sugerindo que, para que o ‘novo normal’ seja caracterizado por empresas de impacto positivo, nós necessitamos das quatro ToCs: racional-empírica, normativa-reeducativa, coercitiva e intuitiva-direta. A transformação interna dos líderes de negócios em direção à plenitude e à conectividade, bem como a transformação externa dos negócios em direção a um capaz valor sustentável, são ambas necessárias para o florescimento empresarial.

A transformação interna dos líderes de negócios em direção à plenitude e à conectividade, bem como a transformação externa dos negócios em direção a um capaz valor sustentável, são ambas necessárias para o florescimento empresarial.

O papel da ciência na transformação do pensamento e da ação em negócios

Nós necessitamos reconhecer que a ciência tem uma influência enorme e muitas vezes oculta em nosso pensamento e ação (Kuhn 2012; Kitchener 2012). Em disciplinas tão diversas quanto a física Quântica, a biologia Quântica, a pesquisa da consciência no nível da percepção [consciousness], a epigenética e a neurociência, um novo paradigma científico está emergindo com uma visão de mundo implícita muito diferente das concepções anteriores da realidade. Ao invés de nos considerarmos separados e distintos uns dos outros e da natureza, as novas ciências sugerem que todos nós somos parte de um tecido interconectado da existência. Na linguagem da física Quântica, nós estamos instantaneamente e em todos os lugares conectados uns aos outros e ao mundo (Bohm 1980; Schäfer 2013; Levy 2018). Em um nível macro, a epigenética e a biologia Quântica descrevem sistemas vivos que estão dinamicamente conectados uns aos outros e ao seu ambiente (Boucher 1988; Ball 2011). Ao invés de depender de mutações aleatórias no genoma, a evolução é agora vista como um processo finamente ajustado, com um nível extraordinariamente alto de coerência entre as espécies e os seus ambientes. A própria consciência no nível da percepção [consciousness] é hipotetizada como uma propriedade fundamental do cosmos que nos conecta e nos une (Hameroff e Penrose 2014).

No cerne do novo paradigma científico, que aqui nós denominamos paradigma Quântico, está a física Quântica, tanto por lidar com os aspectos mais fundamentais do comportamento do universo quanto por suas descobertas serem revolucionárias.

Na visão clássica Newtoniana-Cartesiana-Darwiniana, os seres humanos são vistos como seres isolados, sem espírito, em um universo mecânico e sem mente. A agressão e a competição implacável impulsionam o consumismo desenfreado e a maximização do lucro. Os líderes nos negócios absorvem essas premissas paradigmáticas em nossa cultura atual, ‘as quais deixam as pessoas de outras culturas completamente perplexas’ (Meadows 1997, 11).

Em contrapartida, o paradigma quântico, conforme descrito na próxima seção, distingue-se pela integridade e pela interconectividade, um mundo de potencialidades no qual as pessoas são ‘seres espirituais’ atenciosos e compassivos que, por sua natureza essencial, são relacionais e cooperativos.

O estudioso organizacional Gareth Morgan afirmou que ‘imagens e conceitos de todos os tipos são uma forma de tecnologia cognitiva que molda diretamente as nossas relações com o mundo, guiando como nós pensamos e agimos…’ (Morgan 2011, 470). Ele distingue entre ‘metáforas fundamentais’ geradoras, que ampliam e aprofundam os fenômenos que nós estudamos desde metáforas mais superficiais ou decorativas. O nosso propósito aqui é fazer as seguintes perguntas: Como as metáforas e imagens fundamentais da ciência Quântica podem ajudar os gestores a repensar as organizações e remodelar mentalidades e comportamentos gerenciais? Como isso pode abrir novos caminhos para o florescimento empresarial? Vamos analisar.

“…o paradigma quântico distingue-se pela integridade e pela interconectividade, um mundo de potencialidades no qual as pessoas são ‘seres espirituais’ atenciosos e compassivos que, por sua natureza essencial, são relacionais e cooperativos.

O paradigma Quântico

A física Quântica é hoje uma ciência consolidada, baseada em inúmeros experimentos empiricamente comprovados, sendo os mais famosos os experimentos da dupla fenda e do tipo Bell. Ambos foram realizados milhares de vezes em laboratórios ao redor do mundo. Entendê-los nos ajuda a fundamentar a arquitetura da gestão Quântica nos princípios da ciência natural.

O mundo da física Quântica pode parecer distante das preocupações cotidianas dos gestores de negócios. No entanto, familiarizar-se com esses dois experimentos Quânticos consagrados pode ser extremamente valioso para transformar o nosso entendimento do que significa ser humano e da natureza do mundo.

Experimentos Quânticos

No experimento da dupla fenda, o pesquisador começa projetando um feixe de luz através de um painel opaco com duas fendas sobre uma placa fotográfica (uma tela) que detecta a chegada da luz (Figura 1). À medida que o feixe passa pelas duas fendas, ele se espalha e se comporta como ondas que interferem umas com as outras, criando um padrão de interferência. Se o pesquisador fechar uma das fendas, o padrão de interferência desaparece. A luz se comporta como partículas. Até aqui, tudo bem.

A fonte de luz é então atenuada até o ponto de emitir apenas um fóton por vez através das duas fendas abertas sobre a tela atrás dela. Isso pode ser feito usando um canhão de fótons único, do tipo desenvolvido pela primeira vez em 2005. Cada fóton sai do canhão como uma partícula localizada, discreta e indivisível.

Quando ambas as fendas estão abertas, o pesquisador poderia razoavelmente esperar que cada fóton individual passasse por uma ou outra das duas fendas abertas. No entanto, não é isso que acontece. À medida que cada fóton individual é enviado em direção às fendas e à placa fotográfica, com o tempo, um padrão de interferência se forma. Sendo indivisível, um fóton não deveria ser capaz de passar por ambas as fendas ao mesmo tempo, tornando, portanto, um padrão de interferência impossível. Contudo, é exatamente isso que parece acontecer. É como se o fóton único estivesse em dois lugares ao mesmo tempo, viajando por ambas as fendas simultaneamente. O físico da Universidade de Princeton, John Archibald Wheeler, observou: ‘A mecânica Quântica diz que a nuvem de probabilidade que é o fóton até ser detectado pode seguir ambos os caminhos ao mesmo tempo.’ (Wheeler 2000, 225) Essa aparente capacidade de estar em dois (ou mais) lugares ao mesmo tempo é o que os físicos Quânticos chamam de superposição, na qual as entidades Quânticas existem em uma multiplicidade de estados potenciais simultâneos.

A mecânica Quântica diz que a nuvem de probabilidade que é o fóton até ser detectado pode seguir ambos os caminhos ao mesmo tempo.” (Wheeler 2000, 225)

Um detector é então colocado em uma das fendas para verificar por qual fenda o fóton realmente passa. Sempre que isso é feito, o padrão de interferência desaparece. A luz se comporta, ao invés disso, como uma partícula que passa por uma fenda ou outra.

‘Quando nós olhamos, o fóton sempre se manifesta como uma partícula normal do dia a dia. Quando nós não olhamos, o fóton manifesta o seu aspecto ondulatório… Se o detector na fenda for desligado, nós não temos conhecimento do caminho percorrido pelo fóton, o seu segredo está a salvo e ele retoma o seu misterioso comportamento ondulatório e o padrão de interferência reaparece… a consciência no nível da percepção [consciousness] [por parte do fóton] interferiu no experimento de tal maneira que teve um efeito direto no nível Quântico.’ (Levy 2018, 11)

Em resumo, os fótons ou elétrons em estudo comportam-se como se soubessem que estão sendo observados. Wheeler certa vez propôs um desafio: descrever a mecânica Quântica em cinco palavras ou menos. A resposta vencedora do físico Sean Carroll foi: ‘Não olhem: ondas. Olhem: partículas.’ (Carroll 2013, 33)

Quando nós olhamos, o fóton sempre se manifesta como uma partícula normal do dia a dia. Quando nós não olhamos, o fóton manifesta o seu aspecto ondulatório…(Levy 2018, 11)

O experimento do tipo Bell

Comprovado pela primeira vez em laboratório pelo físico francês Alain Aspect em 1982 e repetidamente confirmado desde então, um experimento típico do tipo Bell envolve a observação de entidades Quânticas, como fótons ou elétrons, em um aparato projetado para produzir pares emaranhados e permitir a medição de alguma característica de cada um, como o seu spin.

Não olhem: ondas. Olhem: partículas.” (Carroll 2013, 33)

Na Figura 2, a fonte emissora (S) das partículas emparelhadas envia uma das partículas (A) através de um cristal (a) que tem 50% de probabilidade de enviá-la para cima (D+) e 50% de probabilidade de enviá-la para baixo (D-). Simultaneamente, a outra partícula do par (B) é enviada através do cristal (b), que também tem 50% de probabilidade de enviá-la para cima (D+) e 50% de probabilidade de enviá-la para baixo (D-). Em testes repetidos, se a partícula A sobe (D+), o seu par também sobe (D+). Se ela desce, o seu par também desce. O que nunca acontece, ao longo de milhares de tentativas, é A subir e B descer, ou A descer enquanto B sobe.

Com esse experimento, Alain Aspect conseguiu provar que, quando duas entidades Quânticas são emparelhadas, elas permanecem ligadas para sempre. Uma vez conectadas, as suas funções de onda tornam-se emaranhadas em fase, de modo que não existem mais duas funções de onda independentes, mas apenas uma que engloba ambas as entidades Quânticas. Mesmo quando separadas por grandes distâncias e desviadas ao longo de eixos diferentes, a ligação entre os pares permanece instantânea.

Um fato surpreendente emerge: o emaranhamento é não local, ou seja, não se deve a variáveis ​​ocultas locais, como Einstein, Podolsky e Rosen postularam em seu ‘paradoxo EPR’, proposto pela primeira vez em 1935. O físico Quântico Henry Stapp chamou a não localidade de a descoberta mais profunda de toda a ciência (Nicol 2015). ‘O reconhecimento de que o nosso universo é não local tem mais potencial para transformar as nossas concepções de ‘como as coisas são’, incluindo quem nós somos, do que qualquer descoberta anterior na história da ciência’ (Levy 2018, 90).

Há quase cem anos, na aurora da ciência Quântica, Alfred Korzybski observou que ‘se todas as pessoas aprendessem a pensar à maneira não Aristotélica da teoria Quântica, o mundo mudaria tão radicalmente que a maior parte do que nós chamamos de estupidez e até mesmo boa parte do que nós consideramos insanidade poderiam desaparecer e os problemas intratáveis ​​da guerra, da pobreza e da injustiça de repente pareceriam muito mais próximos de uma solução (citado em Levy 2018, 60). Mais recentemente, Pavlovich e Krahnke observaram que ‘nós vivemos em um mundo Quântico de forças coerentes… [no qual] as fronteiras entre nós e os outros se tornam difusas e, à medida que nós nos tornamos mais altruístas em relação ao outro, nós somos capazes de alcançar o estado de consciência no nível da percepção [consciousness] universal, onde nós podemos ‘viver como um só’’ (Pavlovich e Krahnke 2012, 136).

Implicações ontológicas

Em nítido contraste com o mundo da física Newtoniana e do dualismo Cartesiano, o paradigma Quântico nos diz que nós estamos interconectados não apenas no sentido metafórico de nos sentirmos emocionalmente próximos de um amigo ou em harmonia com a natureza, mas em termos de campos reais de energia e informação que nos unem.

o paradigma Quântico nos diz que nós estamos interconectados não apenas no sentido metafórico de nos sentirmos emocionalmente próximos de um amigo ou em harmonia com a natureza, mas em termos de campos reais de energia e informação que nos unem.

Isso demonstra que as nossas mentes, por meio do ato de observação, desempenham, momento a momento, um papel fundamental na criação da realidade manifesta. ‘A visão do nosso universo e do nosso lugar nele, revelada pela física Quântica, é, em última análise, espiritual – a interdependência fundamental e a inseparabilidade de todos os fenômenos são o pilar central de todas as tradições de sabedoria espiritual.’ (Levy 2018, 164)

A visão do nosso universo e do nosso lugar nele, revelada pela física Quântica, é, em última análise, espiritual – a interdependência fundamental e a inseparabilidade de todos os fenômenos são o pilar central de todas as tradições de sabedoria espiritual.” (Levy 2018, 164)

Com base na teoria e nas descobertas empíricas da física Quântica, nós podemos reunir elementos-chave do paradigma Quântico. A lista abaixo não pretende ser exaustiva, nem foi elaborada em termos que satisfaçam todos os físicos Quânticos. O objetivo é proporcionar ao gestor criterioso uma noção das premissas paradigmáticas emergentes da ciência Quântica sobre o que significa viver e liderar no século XXI.

(1) O universo é um todo interconectado composto de campos vibracionais de energia e informação.

(2) Esses campos de energia e informação não são reais (visíveis). Eles existem apenas como potencialidade (invisíveis). Nós nunca vemos de fato as ondas de luz no experimento da dupla fenda, apenas os efeitos das ondas em uma placa fotográfica. Assim que nós tentamos ver as ondas, elas colapsam em partículas.

(3) Os processos físicos & mentais co-originam de forma interdependente, circular, não linear e acausal. Em termos práticos, isso significa que não existe um mundo físico ‘lá fora’ à parte da nossa observação. As nossas observações são parte integrante daquilo que nós observamos.

(4) Como resultado, pode-se dizer que nós vivemos em um universo participativo cuja manifestação surge através do ato de observação. Através de nossa observação, nós criamos a realidade tal como ela se manifesta para nós. Não é a realidade em si mesma que, nós podemos apenas presumir, existe e é imutável e à qual as tradições espirituais do mundo se referiram de várias maneiras como Deus, o Uno, Tao, Dharma, Ein-Sof, Allah ou Aša.

(5) A consciência no nível da percepção [consciousness] é uma propriedade cósmica. Ela não é produzida no cérebro como resultado físico da ativação de neurônios e axônios, mas ela é uma característica fundamental da realidade. Ela também nos conecta e nos une.

(6) Prevalecem a incerteza, o indeterminismo e a descontinuidade.

Há um consenso crescente na comunidade científica de que a realidade é melhor descrita pela física Quântica do que por qualquer uma das teorias que a precederam (Levy 2018; Schäfer 2013). No entanto, muitos físicos com formação clássica ainda se sentem desconfortáveis ​​com as suas implicações ontológicas, particularmente com a noção de que não existe um ‘lá fora’ objetivo a ser descoberto ou que a consciência no nível da percepção [consciousness] seja um tema de estudo científico.

Agora, nós podemos expandir ainda mais o paradigma Quântico para um segundo conjunto de elementos com implicações mais amplas para a vida e a liderança. Uma lista parcial dos elementos desse segundo conjunto é descrita aqui.

(7) A lógica de quatro valores (verdadeiro, falso, verdadeiro & falso, nem verdadeiro nem falso) é um método de raciocínio mais matizado, estratificado e eficaz em um mundo de interdependência, potencialidade e aparentes contradições (Levy 2018).

(8) A beleza e a bondade existem na experiência da unicidade. Os seres humanos e toda a vida têm uma tendência heliotrópica a buscar essa experiência (Cooperrider 2001; Schäfer 2013).

(9) As práticas de mindfulness [atenção plena] são capazes de possibilitar uma experiência de unicidade. A neurociência fornece evidências no nível do funcionamento cerebral (Lutz e Davidson 2014). A ciência Quântica mostra que essa alteração no funcionamento cerebral pode ser resultado do nosso processamento de informações em nível Quântico que são conectadas (emaranhadas) e coerentes mesmo em níveis não locais (Hameroff e Penrose 2014).

(10) As pessoas são essencialmente cuidadosas, relacionais e cooperativas. Quando elas experienciam a unicidade (isso é, a plenitude e a conectividade do universo), elas são mais propensas a expressar a sua natureza essencial. Essa visão também pode ser encontrada na biologia evolutiva e no estudo da ecologia, que demonstram a extensão em que a cooperação e a simbiose desempenham um papel central nos sistemas vivos.

(11) O objetivo evolutivo da biosfera, dos sistemas ecológicos naturais, das comunidades, das organizações, das pessoas e de toda a vida na Terra é florescer, definido aqui como ‘crescer bem, prosperar, desenvolver-se, viver a vida plenamente’.

(12) A humanidade é parte integrante da natureza. Isso também é muito diferente da concepção predominante, sublinhada pelo dualismo Cartesiano, de que a natureza existe em grande parte como um recurso para o consumo humano.

Em consonância com esses elementos do paradigma Quântico, o propósito dos negócios no quarto estágio evolutivo passa a ser o de gerar um impacto positivo na sociedade e no meio ambiente, agora e para as gerações futuras, à medida que os líderes experienciam as suas vidas e as vidas de suas organizações como relacionais e não como entidades individuais delimitadas. O objetivo passa a ser o de criar prosperidade para todos, não apenas para os acionistas; e o de contribuir para um ambiente saudável e para o bem-estar humano. Isso é muito diferente do objetivo de gerar lucro em um modelo de minimização de danos implícito nos esforços atuais para reduzir a pegada ecológica e diminuir a injustiça social.

Apoio à pesquisa

Em um esforço de pesquisa de vários anos, quarenta e nove líderes de organizações foram entrevistados para validar o paradigma Quântico nos negócios (Tsao e Laszlo, 2019). Oito entrevistas adicionais em profundidade foram conduzidas para dar seguimento às questões levantadas pelas descobertas iniciais. Os entrevistados eram de uma ampla gama de tamanhos de organizações e tipos de indústria. A principal consideração na seleção da amostra foi encontrar organizações e líderes que demonstrassem incorporar o paradigma Quântico, conforme descrito nesse artigo (paper). Os autores buscaram organizações com uma missão de impacto social conhecida como parte de seu propósito de negócios e gestores com evidências de práticas de conectividade em sua abordagem de liderança. As práticas de conectividade foram definidas inicialmente como de natureza reflexiva ou de atenção plena (mindfulness) e, posteriormente, expandidas para incluir uma gama muito mais ampla de práticas intuitivas diretas, com o objetivo de aumentar a consciência no nível da percepção [consciousness] da conectividade.

O conjunto completo de resultados da pesquisa pode ser encontrado no Capítulo 5 de Quantum Leadership [Liderança Quântica] (Tsao e Laszlo 2019). Aqui, nós resumimos alguns destaques que oferecem ao leitor uma descrição prática e baseada em evidências dos principais atributos dos líderes Quânticos:

Líderes Quânticos são:

(1) com alta consciência no nível da percepção [consciousness] de conectividade,

(2) motivados por um senso de propósito maior,

(3) relacionais, colaborativos e centrados nas pessoas,

(4) comprometidos com o autodesenvolvimento e

(5) evolutivos (evolucionários).

Cada um desses atributos foi expandido na pesquisa da seguinte forma:

Um alto nível de consciência no nível da percepção [consciousness] de conectividade significava ter uma visão sistêmica, consciência no nível da realidade [awareness] relacional e sintonia com um campo de energia espiritual ou universal. Os Líderes Quânticos sentem um alto grau de conectividade com a comunidade; com o negócio do qual eles fazem parte (intraorganizacional); com as redes (interorganizacional); com o todo, ou seja, uma conexão com todos os seres; com a totalidade de seus relacionamentos, ou seja, coordenação relacional; com a natureza; com o self; com a construção de sentido; e entre as disciplinas.

Motivados por um senso de propósito maior, esse propósito ganhou significado em termos de adesão a valores e responsabilidade para com os outros. Esse propósito maior visava transformar os negócios, o meio ambiente, a comunidade e a sociedade, as pessoas, o mundo e o crescimento econômico.

A natureza relacional, colaborativa e centrada nas pessoas se expressava por meio da intenção colaborativa; atuando como um elo de ligação na organização ou comunidade; tendo uma experiência de ressonância com os outros; sendo empático; valorizando a diversidade; e empregando habitualmente diferentes pontos de vista no diálogo.

O compromisso com o autodesenvolvimento estava intimamente associado a um profundo desejo de florescer. Isso abrangia não apenas o objetivo do desenvolvimento pessoal, mas também o florescimento de todas as pessoas e de toda a vida na Terra. Os significados atribuídos a esse atributo eram: compromisso com o autodesenvolvimento; florescimento na organização; florescimento na sociedade; florescimento na natureza.

Ser evolutivo (evolucionário) significava ser um líder que aprende, orientado para o futuro e focado em processos; sensível ao contexto e à narrativa, ou seja, ciente do panorama geral; capaz de usar construtivamente o feedback dos outros; transformar crises e limitações em oportunidades; capaz de aprender continuamente coisas novas; e criativo e adaptável.

Essas descobertas da pesquisa oferecem novas perspectivas para ilustrar os contornos da gestão Quântica.

Resumo

Esse artigo (paper) explora o papel das práticas intuitivas diretas na transformação da consciência no nível da percepção [consciousness] como o ponto de maior alavancagem para catalisar o florescimento empresarial. Demonstra-se que uma consciência no nível da percepção [consciousness] da conectividade se alinha com as novas descobertas científicas e percepções espirituais perenes relacionadas à natureza da realidade como um todo integrado. Tais insights ajudam os gestores a entender como as práticas intuitivas diretas atuam para transformar uma pessoa no nível mais profundo de sua identidade. Ao proporcionar às pessoas uma experiência de conectividade que aumenta a sua consciência no nível da realidade [awareness] de como as suas ações impactam os outros e a natureza e ao reprogramar essa experiência através das lentes da ciência de novo paradigma, a gestão Quântica oferece um novo caminho para a criação de um mundo no qual os negócios prosperam, as pessoas experienciam bem-estar e a natureza floresce.

Direções futuras para pesquisa e prática em gestão

A tese desse artigo (paper) é que a teoria e a prática da gestão podem se beneficiar do estudo de práticas intuitivas diretas e da reprogramação da ciência Quântica como um caminho para o florescimento empresarial. Algumas ressalvas importantes são necessárias. Primeiro, o artigo (paper) pretende ser apenas uma exploração inicial do paradigma Quântico emergente. Segundo, os elementos práticos da gestão Quântica necessitam de mais desenvolvimento e teste. O objetivo é incentivar novas pesquisas.

Com essas ressalvas em mente, os seguintes tópicos podem ser de interesse para pesquisadores da área de gestão. Descobertas emergentes nas ciências têm implicações significativas para a forma como nós escolhemos viver, o que, por sua vez, tem consequências ainda inexploradas para a teoria da gestão. Exemplos de campos das ciências naturais que estão revolucionando o nosso entendimento do mundo são a física Quântica, a biologia Quântica, a pesquisa da consciência no nível da percepção [consciousness], a epigenética e a biologia evolutiva. Que imagens do mundo as descobertas nesses campos, consideradas em conjunto, retratam? Como elas alteram pressupostos fundamentais dados como certos no campo contemporâneo da gestão?

Relacionada a esses desenvolvimentos nas ciências naturais está a convergência de diferentes tipos de conhecimento e as suas implicações para a gestão. A ciência de uma realidade interconectada está convergindo para percepções perenes das principais religiões e tradições espirituais do mundo. Uma fonte unificadora de ‘tudo o que é’ pode ser encontrada no Tao Chinês, no Brahma Vedântico, no Sunyata Budista, no Aša Zoroastriano e no reino místico do Sufismo, assim como apareceu em muitas tradições Judaico-Cristãs. Embora a sabedoria espiritual tenha sido amplamente rejeitada como base para a prática da gestão, evidências confirmatórias do campo da ciência estão dando nova relevância às intuições históricas da Unicidade.

“Embora a sabedoria espiritual tenha sido amplamente rejeitada como base para a prática da gestão, evidências confirmatórias do campo da ciência estão dando nova relevância às intuições históricas da Unicidade.”

Nas ciências sociais, novas e empolgantes teorias estão revolucionando disciplinas inteiras. Novos modelos econômicos estão sendo propostos, como a Raworth’s Doughnut Economics [Economia Donut de Kate Raworth] (2018), o Richard Thaler’s predictably-irrational Nudging [Empurrão (Nudge) previsivelmente irracional de Richard Thaler] (2009) e a Amit Goswami’s beyond-materialist Quantum Economics [Economia Quântica além do materialismo, de Amit Goswami] (2015).

No modelo Doughnut [vide abaixo, observação PO], a atividade econômica é limitada pelas fronteiras planetárias (o anel externo da rosquinha), ao mesmo tempo que deve operar segundo padrões sociais mínimos (o anel interno da rosquinha). Ao invés de economias que necessitam crescer, independentemente de nos fazerem prosperar ou não, o modelo concebe economias que ‘nos fazem prosperar, independentemente de crescerem ou não’ (Monbiot 2017).

[Observação PO: Economia Donut (modelo econômico) – Fonte: Wikipédia]

Na psicologia e no comportamento organizacional, o campo emergente da positive organizational scholarship [pesquisa organizacional positiva] (POS) está dando maior ênfase às forças e à transgressão positiva, ao invés de estudar os fenômenos sociais como problemas a serem resolvidos. A POS dá maior peso à dinâmica de sistemas inteiros e às relações de cooperação. ‘[A] pesquisa organizacional está passando de uma ênfase na competição e no reducionismo para parcerias, redes, relacionamentos de alta qualidade, comunidade e negociação com a parte interessada (stakeholder). Esse movimento indica uma mudança de paradigma do individual para o coletivo’ (Pavlovich e Krahnke 2012, 131).

O que esses desenvolvimentos nas ciências naturais e sociais significam para as teorias da gestão? Além disso, como os estudos em Management, Spirituality, and Religion [Gestão, Espiritualidade e Religião] (MSR) podem contribuir de forma mais central para o enriquecimento da área?

Para a prática da gestão, as direções futuras poderiam começar com o crescente corpo de evidências científicas de que uma ampla gama de práticas de mindfulness e espiritualidade tem um efeito transformador em nossa consciência no nível da percepção [consciousness], senso de propósito, saúde e bem-estar (Tackney et al., 2017). Especificamente, essas práticas demonstram ajudar a cultivar uma percepção mais ampla e uma maior consciência no nível da realidade [awareness] de nossa conexão com o self, a família, a comunidade e o meio ambiente (Sheldrake, 2018). Elas transformam as nossas mentalidades e pressupostos sobre o mundo por meio de uma experiência intuitiva direta de conectividade. Introduzir essas práticas no ambiente de trabalho pode ajudar os gestores a se verem como profundamente conectados, não apenas metaforicamente, mas no sentido de uma totalidade física e consciente.

Declaração de Divulgação

O autor não relatou nenhum potencial conflito de interesses.

Notas sobre o colaborador

Chris Laszlo é Professor de Comportamento Organizacional na Weatherhead School of Management da Case Western Reserve University, onde pesquisa e leciona sobre empresas florescentes. Ele é autor de Quantum Leadership (2019), Flourishing Enterprise (2014), Embedded Sustainability (2011) e Sustainable Value (2008), todos publicados pela Stanford University Press. Em 2012, foi eleito um dos “100 Principais Líderes de Pensamento em Comportamento de Negócios Confiáveis” pela Trust Across America™. É membro da International Academy of Management e futuro Presidente do Grupo de Interesse em Management, Spirituality, and Religion [Gestão, Espiritualidade e Religião] (MSR) da Academy of Management.

ORCID

Chris Laszlo http://orcid.org/0000-0003-2741-250X

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.

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Autor

Graduação: Engenharia Operacional Química. Graduação: Engenharia de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing - PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras - FGV/SP. Blog Projeto OREM® - Oficina de Reprogramação Emocional e Mental - O Blog aborda quatro sistemas de pensamento sobre Espiritualidade Não-Dualista, através de 4 categorias, visando estudos e pesquisas complementares, assim como práticas efetivas sobre o tema: OREM1) Ho’oponopono - Psicofilosofia Huna. OREM2) A Profecia Celestina. OREM3) Um Curso em Milagres. OREM4) A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE) - Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT). Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista como uma proposta inovadora de filosofia de vida para os padrões Ocidentais de pensamentos, comportamentos e tomadas de decisões (pessoais, empresariais, governamentais). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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