Estamos destacando didático artigo apresentado no X CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO, em agosto de 2014, de autoria de Queila Costa (Universidade Federal Fluminense), para o nosso conhecimento e entendimento sobre as Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs).

Site: https://www.inovarse.org/sites/default/files/T14_0381_17.pdf.

REFLEXÕES SOBRE A ESPIRITUALIDADE NAS ORGANIZAÇÕES

Resumo:

A busca pelo diferencial competitivo no mundo moderno torna-se cada vez mais acirrada, fazendo com que as Organizações busquem competência e inteligência intangíveis que possam agregar valor à sua marca e melhorar os seus resultados, mantendo-as vivas.

A Espiritualidade tem sido um tema bastante observado e desenvolvido por vários pesquisadores em diversas comunidades cientificas, especificamente os EUA despontam na publicação de artigos, livros e na quantidade de pesquisadores focados no assunto.

A comunidade científica brasileira tem voltado o seu olhar para este tema e, não obstante algumas renomadas Organizações buscam o desenvolvimento da Espiritualidade e procuram líderes que por diligência possuam inteligência espiritual, com foco nas características formadoras da Espiritualidade, que para algumas Organizações são as mais importantes, como integridade e ética.

Assim, cada vez mais as Organizações buscam no perfil do colaborador a mais nova, cobiçada e valorizada característica, denominada inteligência espiritual. Entretanto, segundo o autor, se conhece pouco sobre a essência desta característica e, sobre todos os possíveis impactos positivos que a Espiritualidade nas Organizações, pode gerar no desenvolvimento do indivíduo e, por conseguinte, na performance de todo o grupo.

O comprometimento do colaborador com o seu trabalho, com o grupo, bem como, o nível de afetividade deste trabalhador com a Organização passa por uma grande transformação. O indivíduo estabelece a sua relação com a Organização de forma que o trabalho é visto como sua missão. E essa missão, faz com que o indivíduo contribua ativamente para que este ambiente esteja em perfeito equilíbrio, onde as emoções e sentimentos sejam de comprometimento, paz e harmonia, onde o clima organizacional e todos os resultados sejam o melhor possível.

Estes atributos fazem parte das respostas obtidas através de indivíduos espiritualizados, de Organizações que proporcionam, incentivam e desenvolvem iniciativas para que os colaboradores tenham e possam exercer a Espiritualidade. Este trabalho menciona, identifica e, evidencia os aspectos positivos da Espiritualidade nas Organizações e, sugere o aprofundamento dos estudos sobre o tema, dado a relevância deste, para o indivíduo e para o mundo corporativo.

1. INTRODUÇÃO

As discussões sobre Espiritualidade nas Organizações vêm crescendo de forma rápida e exponencial, bem como, a publicação de livros, revistas e sites que abordam o tema. Entretanto, no meio acadêmico ainda são poucas as contribuições empíricas para o tema, segundo o autor este é um tema com muitas vertentes e eixos a serem explorados e, inúmeras vantagens competitivas a serem apresentadas, se de forma coerente forem aplicados ao ambiente corporativo.

O autor ressalta que não há espaço para processos manipulativos que induzam o desenvolvimento da Espiritualidade nas Organizações, que é um movimento onde o indivíduo de forma consciente restabelece a sua conexão com o todo, com o infinito e com o bem maior.

Algumas pesquisas indicam que o comprometimento, a criatividade e inovação, ética e integridade e até mesmo a alegria, alcançam melhorias nos ambientes Organizacionais onde a Espiritualidade pode ser desenvolvida ou é incentivada. Muitos estudos têm comprovado as benesses da Espiritualidade nas Organizações, bem como da inteligência espiritual para os indivíduos e para o meio onde estão inseridos.

Algumas Organizações têm tratado o tema como vantagem competitiva, entendendo que as “respostas” advindas de colaboradores “espiritualizados”, contribuem de forma significativa para que as Organizações sejam mais bem sucedidas ou se mantenham em sucesso.

Apesar de ser um tema relevante, tem sofrido muitos preconceitos no meio acadêmico e, ainda, para algumas Organizações é um tema bastante contraditório. Existem muitos questionamentos por ser considerado um tema relativamente jovem.

“Cavanagh e Bandsuch (2002) consideraram que a Espiritualidade é um domínio da psicologia positiva”. Segundo o autor, o que é chamado de domínio da psicologia positiva é o resultado positivo que o indivíduo espiritualizado leva e dissemina dentro do ambiente corporativo e que é visto como “virtudes”, buscando sempre desenvolver o “seu melhor”, fazendo com que as suas “virtudes” espirituais sejam reais, aplicáveis e percebidas por todo o grupo.

Estas virtudes se traduzem, segundo o autor, com o disseminar do indivíduo “doando” o “seu melhor” e desenvolvendo-se de forma com que as suas virtudes alcancem a todos que estiverem naquele meio. Estas “virtudes” estão ligadas ao respeito, serviço ao próximo, honestidade, integridade, confiança, generosidade, compaixão, resiliência, temperança, ética, companheirismo, cooperação e conciliação.

Nesta condição compreende-se o posicionamento do autor quando afirma que as Organizações através das “virtudes” geradas pela Espiritualidade são beneficiadas com desempenhos de “excelência” de seus colaboradores. O autor acredita que os indivíduos mais espiritualizados, dão vida e sentido ao seu dia a dia, porque tudo é transportado para o cumprimento de uma missão.

Isto nos leva a muitas reflexões, sobre o assunto que hoje várias Organizações vivenciam através da nova era, a chamada “Era da Espiritualidade”, um momento de transposição do mecânico para o humano, momento este que refere-se ao atingimento de um novo e mais alto nível de gestão de negócios, gestão de pessoas, de maturidade organizacional, percepção de novos valores, criação de novas métricas, observância na aplicabilidade e desenvolvimento da Espiritualidade nas Organizações, por fim, este é o momento de observar e seguir o novo caminho que está sendo traçado para suprir o espaço vazio que a era da modernidade deixou.

2. SITUAÇÃO PROBLEMA

Diante de um tema ainda polêmico e contraditório, mas que invade o meio corporativo de forma bastante significativa, o artigo traz algumas reflexões e propõem responder aos seguintes questionamentos:

  • O que é Espiritualidade nas Organizações?
  • Espiritualidade deve estar inserida no meio Corporativo?
  • Existem benesses para a Espiritualidade nas Organizações?

3.OBJETIVO

O presente estudo tem como objetivo incitar algumas reflexões sobre a Espiritualidade nas Organizações e contribuir com trabalhos de formato empírico sobre o tema, com o intuito de chamar a atenção disseminar um tema escasso na academia cientifica brasileira.

4. METODOLOGIA

Este trabalho foi estruturado por meio de pesquisa bibliográfica, baseado em publicações com informações de autores específicos no assunto sobre a Espiritualidade no Contexto Organizacional, incluindo documentos de áudio e vídeo, como também, a vivência de campo do autor em suas pesquisas sobre o tema consubstanciou este trabalho.

5. DELIMITAÇÃO DO TEMA

O autor delimita o presente estudo, incitando algumas reflexões sobre a Espiritualidade nas Organizações. Entretanto, neste artigo, não está sendo tratado ou foi realizada quaisquer interligações ao vasto campo do tema religião. O autor entende que Espiritualidade e religiosidade, são temas distintos e, portanto, podem ser tratados de forma desassociada.

6. ESPIRITUALIDADE NAS ORGANIZAÇÕES

A Espiritualidade tem vindo a ser encarada como um fato positivo para as Organizações, mas a premissa tem sido raramente testada (Milliman et al., 2003). Por conseguinte, é importante levar a cabo investigação que ajude a comunidade científica e os práticos a compreenderem o que ocorre nas atitudes e no desempenho dos colaboradores quando a gestão apoia as necessidades de nível espiritual dos colaboradores (King & Nicol, 1999; Milliman et al., 2003).

O tema Espiritualidade nas Organizações tem sido estudado de forma mais aprofundada nos EUA, tem recebido tratamento como uma matéria relevante e impactante e tem despertado o interesse desta nação, tornando-se referência e dando o primeiro passo no desenvolvimento de teorias de aplicabilidade e métricas de medição de seus efeitos, instigando o olhar cuidadoso de outros países e estudiosos para este assunto.

Algumas revistas americanas nos EUA têm publicado matéria de capa em revistas de negócios, onde algumas publicações mostraram que determinadas empresas americanas buscavam introduzir o tema, como por exemplo, com a contratação de capelães, com o intuito de minimizarem o stress de seus colaboradores, tornando o clima organizacional mais ameno e satisfatório, resultando no aumento significativo de produtividade.

Em um cenário turbulento entre trabalho, ideais e qualidade de vida, o resgate do humano, do indivíduo em sua plenitude passou a ser desejado no meio corporativo. Em busca de se estabelecer uma relação mais saudável entre os colaboradores e Organizações, a Espiritualidade surge como um componente de resgate do indivíduo, o que se chamou aqui do “humano”.

Por se tratar de um tema muito rico, existem muitas especulações sobre o assunto, sendo assim, o autor frisa que Espiritualidade nas Organizações não deve ser tratada como mais uma invenção americana, muito menos advinda do oriente. Entretanto, deve-se trazer a luz a necessidade de contentamento do indivíduo no ambiente corporativo que não mais se sustenta com altos salários e excelentes bonificações.

Existe um movimento que vem acontecendo de forma gradativa e que precisa ser estudado minuciosamente, chamado pelo autor de resgate do indivíduo, que vem tomando forma e, hoje é uma realidade que tem consciência e se expande por sua importância e valor, por ser se tornar a forma promissora de sobrevivência de muitas Organizações, dado a sua relevância.

Segundo uma matéria publicada no Washington Post: para a indústria e o mundo corporativo, os anos 80 foram “a década da alma”. Esta publicação mostra a necessidade da mudança que a “era da Espiritualidade” nas Organizações traz consigo, a qual é uma nova abordagem sobre a vida, movimento, sustentabilidade do humano para dentro das Organizações, valorizando o humano e trazendo a “nova vida” para as Organizações, as quais devem recriar o seu modelo de operação nesta nova Era.

Os valores pessoais precisam estar alinhados aos da Organização para que o indivíduo espiritualizado se mantenha, “servindo” de forma equilibrada e feliz. E, se este alinhamento não existir, este individuo se desliga desta “rede sem vida”, aumentando o crescente número de desligamentos de alta administração de grandes empresas.

É um momento de revisar os valores e a forma de administrar esta nova Organização que tem vida, na era da Espiritualidade.

Em Janeiro de 1999 a edição da revista VOCÊ S.A, veiculou o tema de capa “A Espiritualidade chega às Empresas”, nesta mesma década muitos livros e artigos foram lançados, dentre eles, o livro “O Monge e o Executivo” de James C. Hunter, sendo o “número um” no ranking na lista dos mais vendidos por um longo período de tempo.

Na sequência, do mesmo autor, também se manteve como o segundo livro mais vendido da temporada, a qual durou aproximadamente mais de doze meses, o livro intitulado “Como se Tornar um Líder Servidor”.

Estes dados remetem e reafirmam a busca do indivíduo pelo seu “eu”, por redescobrir a interiorização, que segundo o autor deste artigo está intimamente sendo chamado de Espiritualidade, o que responde ao questionamento sobre a importância e eficácia de incentivar e desenvolver a Espiritualidade nas Organizações.

O mundo corporativo se vê no cruzamento, onde o caminho ganha inversão, buscando-se a interiorização do humano, visando os resultados que serão obtidos de seus atributos e virtudes.

Para o autor estes atributos e virtudes, são traduzidos pelo individuo “doando” a sua mais pura sensibilidade, a sua essência e beleza interior, através de bondade e justiça e, assim deixando o seu legado no meio onde convive, pactuando com este meio a elaboração de sua biografia e assim se “perpetuando” e minimizando a consciência de sua finitude. Criando também um elo mais forte nas suas relações e, para com a Organização, resultando em uma relação diferente do que se conhece e estabelece como “emprego/trabalho”, sendo que para os indivíduos espiritualizados esta relação é percebida como uma missão e não como um “emprego/trabalho”.

Assim, ganha força e “vida” as Organizações que respeitam, incentivam e abrem espaço para que os colabores espiritualizados coloquem todo o potencial que a Espiritualidade traz, para servir e contribuir com a Organização. O Livro “Um Sentido Para a Vida”, de Viktor Frankl traduz muito do que foi narrado pelo autor, quando relata que indivíduos que possuem um objetivo mais elevado de suas vidas, desenvolvem uma filosofia de vida rica de significado e todo o meio e pessoas inseridas neste recebem as suas benesses.

Do mesmo modo, pode-se afirmar que o trabalho nas Organizações Espiritualizadas passa a ser parte de algo que transcende as dimensões materiais e reponde ao questionamento quanto à importância da Espiritualidade nas Organizações, bem como, das benesses obtidas, por tal estímulo.

Ressalta-se que hoje, cada vez mais, existe a necessidade de conexão entre o indivíduo e a Organização, este fato, segundo o autor é simplesmente a necessidade da Espiritualidade.

Espiritualidade esta que transmite ao indivíduo segurança emocional e psíquica, satisfação por ser percebido como um ser valoroso do ponto de vista espiritual e, por conseguinte intelectual.

Essa percepção por parte do indivíduo, faz com que ele demonstre total lealdade e satisfação para com a Organização, traduzindo em uma relação de sentimentos e, não mais de um negócio, que visa simplesmente a relação do “ganha-ganha”. O que, segundo o autor, motiva a criação de novos modelos de gestão, de métricas que permitam medir o nível de satisfação do indivíduo, que ora contribui grandemente para a excelência do clima organizacional e para os resultados e posicionamento da Organização.

Existe também uma nova relação com as Organizações Espiritualizadas e seus colaboradores, segundo o autor, é uma relação de reciprocidade. Nesta nova relação, a Organização passa a figurar em segundo plano de importância para o colaborador, o “individuo espiritualizado”. Este indivíduo se percebe como o propulsor de resultados e se torna automotivado, mostrando cada vez mais empenho, o qual resulta no esforço por maior produtividade, pela perfeição no cumprimento de seus afazeres, porque o nível de sua satisfação e lealdade aumenta de forma exponencial quando percebe que está cumprindo sua missão de forma honrosa.

Parafraseando Gavin e Mason (2004), “quando um local de trabalho é desenhado e gerido para proporcionar significado aos seus trabalhadores, estes tendem a ser mais saudáveis e felizes.

Empregados saudáveis e felizes tendem a ser mais produtivos no longo prazo, gerando melhores bens e serviços mais satisfatórios para os seus clientes e as outras pessoas como as quais interagem e fazem negócios” (p. 381).

Desta forma, pode-se afirmar a importância de continuidade de estudos sobre o tema, de poder inserir a Espiritualidade através de pensamento sistêmico e, por conseguinte, ter a capacidade de Gestão da Espiritualidade, ou seja, a capacidade de levar o trabalho e os indivíduos espiritualizados a darem significado ao seu trabalho, de modo que, a magnitude e beleza de sua interiorização resultem em um ambiente de equilíbrio, paz, cooperativismo e amor.

Por que não amor? Amor construído na forma do bem comum, de respeito com o indivíduo que compartilha do mesmo meio, onde o outro tem tanto quanto valor que si mesmo e, portanto, deve ter as mesmas oportunidades de convívio e resultados proporcionados por esta rede viva.

Assim, segundo o autor pode-se considerar uma das várias definições possíveis para a Espiritualidade nas Organizações.

O teólogo italiano Stefano de Fiores diz que “a civilização industrial não cumpriu as suas promessas: em vez de oferecer um mundo segundo a medida do homem, em que este pudesse viver e morar procurando o bem comum trouxe-nos, entre outras coisas, o critério da produtividade como parâmetro de valor, a massificação e a manipulação das pessoas, uma angustiante incomunicabilidade, um futuro ameaçador, a atrofiados sentimentos e a poluição ecológica. Por esta razão, existe a necessidade de oferecer ao mundo moderno ‘um suplemento de alma’ que permita ao homem evitar ser esmagado por suas próprias produções e encontrar a si mesmo de modo autêntico”.

Segundo a ótica do autor a Espiritualidade nas Organizações pode ser traduzida também como o afloramento do humano que valoriza e dá sentido à sua existência enquanto colaborador.

Este individuo cria para si uma consciência que remete a sua permanência na Organização como em uma rede viva e com vida, onde o imaterial toma forma, através de um indivíduo que se “organiza” para fazer do meio onde está e, neste caso, o meio Corporativo, como um local onde ele possa “servir” como se estive servindo ao seu “SENHOR”, por isso a conexão com resultados de excelência, com a dedicação em produzir cada vez com mais qualidade e sem pesar, de forma leve, melhor e cooperativa.

Este individuo espiritualizado, segundo o autor, alcança a cada dia um nível maior de Inteligência Espiritual, onde os demais do grupo se achegam e buscam agregar-se ao “fenômeno”.

O autor chama de fenômeno o nível de satisfação deste individuo com os resultados adquiridos através do seu comprometimento, ética, dedicação e perseverança em resultados cada vez melhores, o que traz para este a significância do cumprimento de uma missão. Onde o trabalho passa a não ser mais percebido como trabalho, ganha um novo significado para este individuo espiritualizado, sendo este extremamente benéfico para as Organizações.

Hoje, algumas Organizações inseriram em sua seleção de pessoal mais uma característica a ser diagnosticada, a chamada inteligência espiritual. Daí a importância de aumentar os estudos sobre o assunto, uma vez que, o capital espiritual ganha foco nas Organizações e passa então a ser tão mais valioso que o capital financeiro.

Sendo assim, com todas as benesses, pode-se afirmar e responder a um dos questionamentos deste trabalho, que a inserção da Espiritualidade nas Organizações, de fato se torna imprescindível para o reestabelecimento da Organização como um “organismo vivo” dinâmico e positivo. Destarte, ampliando os limites para responder o que será uma Organização de sucesso, com a era da Espiritualidade no meio corporativo, onde essa relação transcende a relação com o dinheiro, com a remuneração, ficando clara a nova relação estabelecida nas Organizações Espiritualizadas, quando as revistas apresentam as Melhores Empresas para se Trabalhar.

A consciência do indivíduo espiritualizado, busca pertencer a um local harmônico, respeitoso, onde a sua Espiritualidade possa ser empregada e, esta possa elevar o nível da Organização, contribui de forma efetiva. Essa consciência, faz parte dos sentimentos nutridos pelos indivíduos, onde o orgulho de fazer parte desta Organização alavanca os efeitos da virtuosidade .

Nesta nova relação com a Organização destaca-se o valor dado para o trabalho como o sentido de causa pessoal, passa a ter significado, para esse indivíduo que é um ser afetivo e espiritual por essência. Tal como aduziram Strack e seus colaboradores (2002, p. 6), “a Espiritualidade é uma dimensão fundamental da existência humana, sendo tão real como qualquer outro conceito”.

Este tema remete a oportunidades para que as Organizações conduzam alguns dos benefícios da Espiritualidade como o aumento da alegria, da serenidade, foco e no geral a satisfação no trabalho desempenhado como uma das ferramentas de melhoria de produtividade e redução do turnover e do absentismo. E com isso, atratividade para se tornarem Empresas onde existam os interessados em estar contribuindo com elas.

O autor afirma através de sua vivência de campo, que os ambientes espirituais são mais flexíveis, leves, felizes e amistosos e, evidencia que é nítida a percepção de que são ambientes com mais amor ao próximo, mais gentileza, compartilhamento e humor.

7. CONCLUSÃO

Concluindo, pode-se afirmar que, pensamentos atuais fortemente enraizados no Mundo Corporativo buscam o novo modelo, onde o maior ativo da Organização o capital humano se desdobra e se interliga, traduzido pelo termo capital espiritual, o qual o autor entende ser tão mais importante gerir, medir, tratar e investir, quanto ao capital financeiro, capital da informação, capital do conhecimento, capital da marca, que hoje, são ativos importantes e tratados de forma parametrizada e organizada, como mencionado por Moggi (2008) não resta dúvida de que a Espiritualidade seja o grande capital da nossa era.

Assim, este trabalho cumpriu com o seu objetivo de incitar o aprofundamento de um tema tão rico e mostrar que existe um novo momento para as Organizações e, que estas devem se preparar para receberem os indivíduos espiritualizados e criar mecanismos que estabeleçam a conexão com os valores destes novos colaboradores.

Se o diferencial competitivo e estratégico das Organizações são as pessoas, o que fortemente o conecta e o motiva a estar ativamente criando, produzindo e reinventando, passa a ser um diferencial, ainda desprezado por muitos líderes e Organizações, sendo que a alegria, a prosperidade de vida, a vontade de fazer o melhor, somente podem ser estabelecidos, em sua plenitude, se as questões da dimensão espiritual estiverem equilibradas, se de forma consciente estiverem fazendo sentido, a este individuo espiritualizado, caso contrário, todas as demais conexões da vida, ficarão extremamente frágeis, dentre elas o resultado no trabalho será o mais impactado.

O Autor conclui afirmando que a Espiritualidade nas Organizações leva o indivíduo, a se sentir conectado com uma “força maior” que o faz ter, dar e emitir sentido para o seu dia a dia, impelindo-o a abraçar “missões e causas” e a “conquistar” o melhor para o “bem comum”.

Com isso, de forma direta e ampla, o autor entende, que as Organizações são beneficiadas de forma grandiosa e relevante, onde recebe indivíduos mais confiantes, mais corajosos, mais íntegros, onde a fé em seu trabalho e na busca do melhor resultado a se obter, alcançar as equipes e pares como um todo.

Percebe-se também, que o capital espiritual, mesmo não sendo tratado no Brasil, as Organizações que possuem este incentivo já estabelecido e que considera o capital espiritual como o seu grande ativo, resultando em indivíduos que são mais propensos a servir, mais criativos e alegres, mais comprometidos e menos ansiosos e estressados. Não podendo deixar de citar que o nível de produtividade é excepcionalmente maior e de melhor qualidade.

Assim, o autor sugere o aprofundamento do tema deste artigo, em suas várias oportunidades de desdobramentos, com o intuito de promover uma maior proximidade do tema à comunidade acadêmica cientifica. Este artigo cumpre com o seu objetivo principal quando deixa ao pesquisador alguns indícios de possíveis relações do tema em um movimento que cresce de forma exponencial em nosso país e que causa um efeito direto nas Organizações, com indivíduos que buscam estarem mais próximos do “seu Eu” da Espiritualidade, ou a como chamamos ao longo deste estudo “força maior”, a fim de, construir e consolidar em si valores pessoais éticos e servir ao próximo, tornando-o um indivíduo melhor e vendo os seus resultados a caminho de algo mais que excelente.

É importante que estudos futuros se focalizem na melhoria das propriedades psíquicas e de como medir os benefícios da Espiritualidade nas Organizações, pois apesar das limitações deste trabalho, o estudo contribui para conferir plausibilidade ao tema Espiritualidade nas Organizações.

O autor se vê otimista com esta nova era, mas salienta que futuros estudos devem dar continuidade sobre o aprofundamento deste rico tema. E, sugere que os novos estudos não devem negligenciar as questões culturais, as quais, segundo o autor, tem interferência direta perante a esta nova era que mudará fortemente a estrutura estabelecida de gestão de pessoas, bem como, na preparação dos novos gestores e líderes que estarão vivenciando esta nova era.

O momento é de definir as premissas e preparar as Organizações a receberem e tratarem de forma adequada às questões relacionadas à Espiritualidade e aos indivíduos espiritualizados.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAVANAGH, G. F. & BANDSUCH, M. R. (2002). Virtue as a benchmark for spirituality in business. Journal of Business Ethics, 38(1/2), 109-117.

COLOMBINI, Letícia. A espiritualidade chega ás empresas. Revista Você S.A. Janeiro de 1999.

Gavin, J. H. & Mason, R. O. (2004). The virtuous organization: The value of happiness in the workplace. Organizational Dynamics, 33(4), 379-392.

GUILLORY, W. A. A Empresa Viva: espiritualidade no local de trabalho. São Paulo: Cultrix, 2002.

HAWKINS, K. Espiritualidade no trabalho e nos negócios: como seguir o caminho espiritual das 8 às 18. São Paulo: Madras, 1999.

Hunter, James. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

King, S. & Nicol, D. M. (1999). Organizational enhancement through recognition of individual spirituality Reflections of Jacques and Jung. Journal of Organizational Change Management, 12(3), 234-242.

MANZ, C. C. Jesus, o maior executivo que já existiu: Lições práticas de liderança para os dias de hoje. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.

Milliman, J., Czaplewski, A. J. & Ferguson, J. (2003). Workplace spirituality and employee work attitudes: Na exploratory empirical assessment. Journal of Organizational Change Management, 16(4), 426-447.

MOGGI, J. A espiritualidade é o grande capital desta era. Revista HSM Management. n. 52, 2008.

OLIVEIRA, A. Espiritualidade na Empresa. São Paulo: Butterfly, 2001.

REGO, A.; SOUTO, S.; CUNHA, M. P. Espiritualidade nas organizações e empenho organizacional: um estudo empírico. Universidade de Aveiro, Portugal, v. 6, p.1-22, 2005.

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SANTARÉM, R. Espiritualidade Corporativa: vencendo a barreira física. 2003. Strack, G., Fottler, M. D., Wheatley, M. J. & Sodomka, P. (2002). Spirituality and effective leadership in healthcare: Is there a combination? Frontiers of Health Services Management, 18(4), 3-17.

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios podem ajudar tanto as Pessoas como as Organizações.

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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