Estamos destacando didático e importante artigo apresentado no XI CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO, em agosto de 2015, de autoria de Telka Baiocchi [email protected], para o nosso conhecimento e entendimento sobre as Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs), em sua Gestão Estratégica e Organizacional.

Site: https://www.inovarse.org/artigos-por-edicoes/XI-CNEG-2015/T_15_010.pdf.

A INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL COMO FATOR DETERMINANTE PARA UM BOM TRABALHO DE LIDERANÇA

Resumo:

Esta pesquisa é um estudo qualitativo que tem como objetivo responder à pergunta: A inteligência espiritual influencia um bom trabalho de liderança? Foram entrevistados 16 líderes e aplicado o PSI – PsychoMatrix Spirituality Inventory de Wolman (2002), questionário com o intuito de medir o grau de inteligência espiritual de cada participante.

Desta maneira, ao procurar respostas para esta questão, foi criado um ambiente de reflexão que despertou a liderança analisada para um novo tipo de inteligência: a espiritual. A compreensão do resultado do questionário e entrevista aplicados, permitiu um maior entendimento do conceito da espiritualidade e de como pode influenciar no dia a dia de trabalho de cada gestor participante. No referencial teórico destacou-se a análise dos diferentes tipos de inteligência e os seus desdobramentos, assim como a sua relação com a liderança.

Os resultados da aplicação dos seus sete fatores revelaram o grau de inteligência espiritual dos participantes, sendo por eles analisado e debatido em um bate papo com cada gestor. A entrevista buscou analisar a partir das percepções dos participantes, propósitos e objetivos de vida que favoreçam uma autorreflexão para a tomada de decisão.

Os resultados e análises revelaram que a presença da espiritualidade é efetiva na vida dos participantes, causando por vezes até surpresa, pois não imaginavam que este tema pudesse fazer parte de forma tão intensa na vida de trabalho em equipe e liderança.

Sentir-se ligado a um ser superior, preocupar-se com o bem-estar físico, buscar aprofundar seus conhecimentos no sagrado e espiritualidade, estar sensível a percepções fora do convencional, participar de atividades em benefício dos outros, aprender com os momentos difíceis e de dor e ainda como uma prática religiosa na infância pode ajudar na vida adulta, são os enfoques dos sete fatores do PSI.

Esta análise promoveu uma ampliação para a análise dos propósitos, sentido, significado e objetivos de vida de cada participante. Desta forma, este estudo visa contribuir com uma maior análise qualitativa e dados estatísticos, visto ser o tema inteligência espiritual subjetivo e de difícil mensuração

1. INTRODUÇÃO

A SITUAÇÃO PROBLEMA

Vive-se hoje a supervalorização do materialismo, onde o ter se sobrepõe ao ser. Os avanços tecnológicos, globalização, velocidade das informações acompanhadas do aumento da necessidade de consumo, foca-se no exterior e pouco no interior, ou seja, aquilo que representa um significado e sentido pessoal. Tudo isso, nos afasta do silêncio, tranquilidade e autoconhecimento que nos conecta com a nossa realidade interior, verdadeira essência.

A busca pelo verdadeiro sentido da vida é algo que sempre acompanha o ser humano e ao colocar os objetivos de vida em conquistas materiais se vê num imenso vazio. Apesar de todos os avanços tecnológicos e avanços materiais o ser humano ainda encontra dificuldade de encontrar significado e sentido para a sua existência.

Desta forma, tendo em vista que o trabalho de liderança é gerir pessoas, motivações e expectativas para se obter um resultado, percebe-se a grande necessidade de pontuar nesta pesquisa a relevância da dimensão espiritual para o trabalho de liderança.

2. OBJETIVOS DA PESQUISA

2.1. OBJETIVO GERAL

Faz-se necessário investigar sobre a importância da inteligência espiritual para o trabalho de liderança e incentivar a autorreflexão dos entrevistados para os resultados compreendendo o seu estilo espiritual e limitações para a aplicação na vida prática. Tendo como base a linha de pensamento holístico, que acredita que o ser humano está integrado de forma harmônica e equilibrada por dimensões física, racional, emocional e espiritual, compondo um todo maior, a dimensão espiritual dentro da realidade materialista e individualista atualmente apresentada, está sendo cada vez mais relegada pela sociedade.

A ausência desta dimensão que chamamos de inteligência espiritual apresenta consequências danosas para o ser humano e sistema organizacional. Desta forma, o objetivo desta pesquisa é mostrar a importância desta inteligência para o trabalho de liderança.

2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

O passo inicial para investigar a importância da inteligência espiritual para a liderança foi levantar dados e informações junto a uma amostra de gestores que descrevessem o seu olhar perante a dimensão espiritual, como percebem o assunto na sua vida pessoal e prática profissional de liderança, visando contribuir para um processo de autoanálise, compreensão das limitações e estilo espiritual.

3. MÉTODO

Foi realizado um levantamento bibliográfico e para isso foram utilizados livros específicos sobre o assunto e também em artigos de órgãos de credibilidade, que abordam o tema com publicações que enfatizassem o assunto. Foi também realizada uma pesquisa qualitativa através da aplicação do inventário PSI em 16 líderes.

O Levantamento bibliográfico teve início no semestre 2 do ano 2014. A pesquisa qualitativa teve início no semestre 1 do ano de 2015, em que foi utilizado o inventário PSI (PsicoMatrix Spirituality Inventory) do Dr. Richard Wolman com as orientações para o seu preenchimento através do link online: http://kwiksurveys.com/s.asp?sid=mpi1tsl3xq01kmb478095, onde foi exposto de forma detalhada a pesquisa a ser desenvolvida.

O inventário possui 49 perguntas e foi direcionada a 16 líderes com o intuito de responder o questionamento problema: A inteligência espiritual é importante para um bom trabalho de liderança? Os questionários foram respondidos e com este resultado, cada gestor participou de uma entrevista para análise e perguntas baseadas em seu resultado. Foi exposto a cada gestor a explicação da história de como o criador do questionário Dr. Richard Wolman (2002) trabalhou na sua construção.

Este levantamento foi realizado entre 20 de janeiro a 8 de fevereiro de 2015. Foi apresentado a correlação da inteligência espiritual com a liderança e o aprofundamento do tema através de uma pesquisa qualitativa em que 16 líderes participaram respondendo o inventário de inteligência espiritual (PSI) e foram entrevistados a partir de seus resultados, assim como o devido esclarecimento sobre a forma de elaboração deste instrumento de mensuração (PSI) da inteligência espiritual e a sua análise de resultado.

Os resultados alcançados representam o ponto de vista dos líderes que responderam ao questionário e a entrevista. Como ocorre em toda pesquisa qualitativa, as opiniões se divergem de acordo com a subjetividade de cada participante, porém não compromete a importância da pesquisa, visto que cada profissional posicionou a sua opinião abrindo espaço para debates e reflexões. A conclusão da autora acerca do estudo elaborado a levou a sugerir propostas de novas investigações sobre o assunto.

4. A CONSTRUÇÃO DA INTELIGÊNCIA AO LONGO DO TEMPO

Para Zohar e Marshall (2000) numa análise mais moderna, a inteligência humana tem influência da genética, experiências diárias, saúde física e mental, alimentação, quantidade de exercícios que praticamos, tipos de relacionamentos que construímos e vários outros fatores.

Afirmam ainda, que além das sete inteligências definidas por Gardner na teoria das inteligências múltiplas, podem existir outras infinitas, porém estão ligadas e são variações de três sistemas neurais do cérebro: O quociente intelectual (QI), emocional (QE) e espiritual (QS). Sobre o funcionamento das três inteligências Zohar e Marshall concluem:

Em condições ideais, as três inteligências básicas funcionam juntas e se apoiam mutualmente. O modo como funciona o nosso cérebro permite que elas tenham condições de fazer isso, mas todas, o QI, o QE e o QS, apresentam uma área própria em que são mais fortes e podem também funcionar separadamente.

Isto é, nós não somos necessariamente poderosos ou fracos em todas as três ao mesmo tempo. Não precisamos ter um poderoso QI ou QS para termos um QE alto, podemos ser fortes em QI e fracos e QE e QS, assim por diante.

Segundo Torralba (2013, p.36), a inteligência espiritual veio corroborar cientificamente o que já era uma convicção plenamente presente em toda tradição filosófica do ocidente, a saber que o ser humano não pode se definir, unicamente, como um ser pensante, mas como um ser que sente, que é dotado de coração.

A inteligência emocional pode se confundir com a terceira inteligência comentada a seguir (inteligência espiritual) pelo alto grau que o QE fornece de consciência social e empatia cognitiva dando habilidade de perceber o que o outro sente sem o uso das palavras.

Porém no livro “O cérebro e a inteligência emocional” de Daniel Goleman com novas perspectivas da dinâmica da inteligência emocional, se aborda o tema do lado obscuro da inteligência emocional em que afirma que um psicopata mapeia muitos aspectos da inteligência emocional, pois pode ser muito bom na empatia cognitiva que é perceber as emoções, mas carecem de empatia emocional que é a capacidade de sentir o que o outro sente e por definição, um psicopata não se importa com as consequências humanas de suas mentiras, manipulações e crueldade. A inteligência espiritual analisada a seguir não só supre esta carência como outras necessidades que tanto aflige a sociedade moderna como a busca do sentido e resiliência (capacidade de superação).

4.1. INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL, RELIGIOSIDADE, ESPIRITUALIDADE E SAÚDE MENTAL

Segundo Oliveira, Pascoalicchio, e Primi (2012), na última década a relação entre a espiritualidade, religiosidade e saúde mental tem sido muito investigada na comunidade científica.

Sobre a saúde mental, Zohar e Marshall (2000) afirmam que psicopatologia Freudiana explica como a psique pode sair do estado de equilíbrio ou ser prejudicada por emoções hostis como: raiva, medo, obsessão, repressão e compulsão, o que poderia ser definido também como doença espiritual. A doença espiritual seria um problema de relacionamento com o centro profundo do eu. Afirmam ainda que na patologia espiritual, nós temos de lidar com as mesmas doenças de que tratam a psicologia e a psicologia ocidental tradicional.

Oliveira, Pascoalicchio, e Primi (2012) afirmam ainda que estudos internacionais revelam que as pessoas que recorrem à fé ou à espiritualidade para lidar de forma mais efetiva com quadros emocionais negativos conseguem obter resultados mais eficazes no enfrentamento de algum problema e que a questão da crença religiosa ou espiritual poderia ser um fator que promoveria uma mudança comportamental de tal modo que as pessoas ficariam impelidas a acreditar na certeza da melhora.

Cabe porém, diferenciar a religiosidade da espiritualidade. Para Zohar e Marshall (2000), a religiosidade é um conjunto de regras e crenças impostas de fora por sacerdotes, profetas ou livros sagrados. Já a espiritualidade é uma capacidade interna, inata do cérebro e da psiquê humana que aplica sentindo na solução de problemas e nos torna seres verdadeiramente íntegros. Logo, é anterior a qualquer cultura específica ou expressão religiosa. Esclarecem ainda as consequências de um bom grau de quociente espiritual (QS).

Nós somos consumidos demais pelo desejo de poder, confiamos demais nas convenções, ficamos obcecados com detalhes, inclinados demais para rebelião, ou o que seja. Quando é alto o nosso QS e nós estamos em contato com a nossa totalidade, a nossa personalidade expressa um pouco de líder, um pouco de artista, um pouco de intelectual (…).

Seguindo esta visão, o desenvolvimento da inteligência espiritual se mostra um grande diferencial para o trabalho de liderança conforme aprofundado no capítulo seguinte.

Quando é alto o nosso QS e nós estamos em contato com a nossa totalidade, a nossa personalidade expressa um pouco de líder, um pouco de artista, um pouco de intelectual (…).

4.2. INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL E LIDERANÇA

Segundo Gustavo e Magdela (2002) atualmente discutem-se processos sociocráticos de decisão como espiritualidade nos negócios, responsabilidade pelo todo, ética nos negócios, entre outros conceitos que impulsionou a busca de um novo conceito de liderança voltado para um processo de maestria pessoal que seria um mergulho em si mesmo, um processo de autoconhecimento, profunda reflexão, meditação e prática de um comportamento inspirador, ou seja, o novo líder busca o autoconhecimento se opondo ao velho chefe que descarrega os seus problemas inconscientes em seus subordinados.

Diz ainda que um dos requisitos centrais da boa liderança é a capacidade de inspirar as pessoas, movê-las, encorajá-las e puxá-las para uma atividade, ajuda-las a manter-se centradas e focadas operando na capacidade máxima. Como a inteligência espiritual pode ser importante neste contexto?

No livro “Insights on Leadership” de Ken Blanchard citado por Gustavo e Magdela (2002), abordam o conceito de liderança servidora em que o líder trabalha para os seus subordinados atingirem as suas metas. Blanchard cita Jesus como um grande exemplo de inteligência espiritual para um bom trabalho de liderança usando o conceito de liderança servidora:

Todos os reis da História mandaram os seus povos morrer por eles. Só há um rei que decidiu morrer por seu povo (…). Ele de fato construiu uma equipe de gestão, os doze apóstolos e foi à luta recrutando pessoas inexperientes (poderia ter procurado bons pregadores). Nenhum dos doze tinha experiência anterior na atividade para a qual foi selecionado, mas todos passaram no teste maior, que é fazer as coisas acontecerem quando o chefe não está mais junto. (…)

Qualquer um que deseje ser o primeiro deve ser o último e o servidor de todos. Era importante que as respostas de Jesus fossem claras para os seus discípulos tanto em palavras como em atos. Qual dos leitores foi convidado a ir à casa de seu chefe recentemente e ao chegar lá a primeira coisa que o chefe fez foi tirar-lhe os sapatos e lavar-lhes os pés? Quando Jesus lavava os pés de seus discípulos, ele estava mostrando simbolicamente uma liderança servidora.

Por fim, Gustavo e Magdela (2002) afirmam a importância de a liderança incentivar o sentido de equipe que apenas se dá com uma gestão “integral” que se baseia no maior conhecimento, domínio do corpo, da alma e do espírito – com maior autoconsciência, a fim de que, naturalmente, com base na solidariedade verdadeira, que é servidora, se formem equipes eficientes. Este conceito se aproxima ao pensamento do Dr. Wolman (2002), criador do inventário PSI o qual mede o grau de inteligência espiritual e foi aplicado nesta pesquisa.

Dr. Wolman (2002) diz que cada um de nós possui uma inteligência espiritual e que nós temos capacidade de pensar com a alma, apesar dos conceitos inteligência e espiritualidade se oporem devido a objetividade que o conceito de inteligência exige. Porém segundo ele, a subjetividade e objetividade convivem dentro de cada um de nós e compreender nosso eu espiritual e as maneiras inteligentes de lidar com a espiritualidade se faz extremamente necessário na atualidade.

4.3. RESULTADOS DE UMA PESQUISA SOBRE INTELIGENCIA ESPIRITUAL COM A LIDERANÇA

4.3.1 A AMOSTRA

Aos 16 gestores participantes foi enviado o convite com link para participação na pesquisa com o inventário PSI e explicação sucinta da pesquisa a ser desenvolvida. As empresas a que pertencem os líderes da presente amostra foram de 4 diferentes áreas: de Petróleo e Gás, Militar, Arquitetura e Publicitária. Ao responder o questionário o percentual de resposta foi automaticamente contabilizado no site para os sete fatores analisados: Divindade, Diligência, Percepção Extra-Sensorial, Intelectualidade, Comunidade, Trauma e Espiritualidade na Infância.

4.3.2 O PROBLEMA

Conforme apresentado no capítulo 1, foi destacado a supervalorização de valores na sociedade atual como: materialismo, velocidade das informações e consumismo exagerado que acaba por afastar o ser humano do silêncio, tranquilidade e autoconhecimento que nos conecta com a nossa realidade interior e verdadeiro sentido da vida. Este afastamento pode gerar sérios problemas para um trabalho de liderança que exige tomada de decisões rápidas que influenciam na vida de outras pessoas.

Desta forma, para destacar a relevância da dimensão espiritual para o trabalho de liderança, além da pesquisa bibliográfica fez-se necessário um estudo de caso para investigar diante de uma amostra de líderes as suas percepções sobre o assunto e até mesmo abrir espaço para reflexões e um despertar para um lado muitas vezes adormecido diante da correria e pressões exigidos pela vida moderna.

4.3.3 ENTENDENDO O INVENTÁRIO PSI (PSYCHOMATRIX SPIRITUALITY INVENTUARY) DO DR. WOLMAN E SUA CONSTRUÇÃO

Hohgraefe (2006) em sua tese de mestrado descreve toda a construção do Inventário PSI do Dr. Wolman (2002). Dr. Wolman, psicoterapeuta Norte Americano desenvolveu uma pesquisa que construiu declarações de familiares, amigos, membros do clero, psicólogos, estudiosos, escritores, músicos que descrevesse a experiência e o comportamento espiritual através de uma análise com psicólogos de sua formação, analisando relatos de pacientes e de religiosos afim de entender se a psicopatologia poderia ser separada da espiritualidade e se seria possível expor as características desta dimensão espiritual num inventário de uma forma que pudesse ser medida sem se prender a uma crença específica.

O teste piloto do PSI foi com 714 indivíduos que participaram de congressos orientados e concentrados em consciência mente/corpo, cura, práticas espirituais e consciência/autoconcessão de poder. Este inventário foi validado para a realidade brasileira ao ser utilizado em pesquisa de mestrado por Shaeffer (2003) e portal el al (2004/2005) PUCRS.

A amostra de pesquisa era de diferentes níveis sociais, econômicos e de escolaridade, sendo mais da metade com nível superior e com idade oscilando entre dezoito e oitenta anos. Com este rico e vasto material foi feito uma análise de fatores estatístico em que foi feito agrupamento de respostas com consistências estatísticas emergindo em sete fatores com pontos em comum de respostas num grupo de respostas sobre espiritualidade. Dois indicativos importantes foram analisados.

Um deles é que o grau de espiritualidade aumenta de acordo com o aumento da idade o que se pode atribuir ao fato de que à medida que as pessoas envelhecem acumulam mais experiência de vida e perda de pessoas queridas tornando-as mais sensíveis ao lado espiritual.

O outro é o resultado ser mais alto para as mulheres e isso pode ser explicado não pelo fato de terem maior espiritualidade que os homens, mas por se sentirem mais a vontade de falar sobre o assunto.

O Resultado deste estudo foi publicado no New Age Journal em 1997 incluindo um convite para os leitores participarem e milhares de pessoas participaram ampliando com dados novos a sua pesquisa e confirmando com dados estatísticos os resultados anteriores.

A natureza representativa da amostra se expandiu com a participação de pessoas não interessadas em espiritualidade, pacientes submetidos a quimioterapia, grupo de presidiários tornando a amostra mais representativa da população em geral.

Dr. Wolman (2002) percebeu que as noções sobre a espiritualidade são vagas e mal definidas e que a maioria das pessoas que falam sobre espiritualidade possuem relatos que constitui um campo de conhecimento subjetivo que merece atenção e uma pesquisa significativa de análise para que esta inteligência possa ser melhor desenvolvida e explorada no ser humano.

Tendo em vista a contextualização histórica do PSI e seu reconhecimento pelo Conselho Federal de Psicologia segundo OLIVEIRA, PASCALICCHIO, LEDIER e PRIMI (2012), pode-se compreender a importante contribuição deste instrumento para a investigação do mundo espiritual. O inventário com as 49 questões enfoca sete fatores: Divindade, Diligência, Percepção Extra-Sensorial, intelectualidade, Comunidade, Trauma e Espiritualidade na Infância.

Com o retorno do inventário respondido foi realizada a apuração dos escores através da tabela de apuração de resultados. De acordo com a tabela do Dr. Wolman pode haver os seguintes resultados: baixo, moderado e alto que são diferentes para homens e mulheres.

Com os resultados apurados através de um referencial descritivo dos sete fatores, foi marcado um encontro individual onde o resultado do participante pôde ser analisado por ele. Este referencial continha a descrição do significado de todos os resultados nas diferentes alternativas (alto, moderado e baixo) com o resultado do participante assinalado em cada fator.

Da compreensão e interpretação dos resultados individual de cada participante foi realizada uma entrevista individual semiestruturada, com o intuito de investigar e estimular reflexão a partir das seguintes perguntas:

Qual era tua expectativa sobre esta pesquisa antes de responder o questionário?

Como se percebeu ao responder o questionário?

Que compreensões (sentimentos) emergiram ao analisar o resultado do inventário em seus diferentes fatores que descrevem a tua experiência espiritual?

Tendo em vista os propósitos e objetivos que um trabalho de liderança exige, o que com esta experiência considera importante para o seu trabalho de tomada de decisão?

4.3.4 ANÁLISE GERAL DOS DADOS DA PESQUISA

Conforme apresentado abaixo na Figura 1 de análise percentual das respostas pode-se observar que dos 16 gestores, 3 fatores se mostraram baixo em que a maioria das respostas (quase 60%) foram nunca e raramente, foram os fatores: comunidade, percepção extrassensorial e trauma.

O fator Comunidade representa participação em atividades sociais como associações de pais e mestres ou atividades voluntárias e beneficentes como trabalhar com pessoas menos afortunadas ou em desvantagem social.

O fator Percepção Extrassensorial compreende os itens que pertencem ao “sexto sentido” ou a eventos psíquicos paranormais que vão desde receber telefonemas ao pensar em alguém a experiências fora do corpo ou quase morte.

O fator Trauma é o estímulo à espiritualidade em função de uma crise, experiência de doença, física ou emocional em si mesmo ou de uma pessoa querida. No caso extremo, perda real de uma pessoa querida.

Dois fatores (Divindade e Intelectualidade) se mostraram com alto índice de respostas com frequência e quase sempre.

O fator Divindade está associado ao conhecimento intuitivo de uma fonte de energia divina, ser superior ou sentimento de assombro na presença de fenômenos naturais.

O fator Intelectualidade representa o compromisso na leitura, estudo ou discussão de textos sagrados ou espirituais e questionamento ativo dos ensinamentos tradicionais da religião.

Já os fatores Espiritualidade na Infância e Diligência se mostraram divididos entre as respostas nunca/raramente e com frequência/quase sempre.

O fator Espiritualidade na Infância se refere a experiências espirituais na infância e o fator Diligência está ligado aos processos de equilíbrio corporal, como técnicas de relaxamento e alimentação consciente.

Cabe ressaltar o índice baixo para a pergunta de uso de técnicas de relaxamento para reduzir o estresse, 81,3% das respostas foram nunca e raramente. Já 80% das respostas foram com frequência e quase sempre para a questão do fator de Diligência: “Eu reservo um tempo para Contemplação e Autorreflexão” e também para a questão do fator de Espiritualidade na Infância: “Eu frequentei cerimônias religiosas quando criança”.

Figura 1: Análise percentual do inventário PSI

4.3.5. ANÁLISE INDIVIDUAL DOS DADOS DA PESQUISA

Entrevistado 1 – Arquiteto

As respostas deste entrevistado apontaram a predominância do resultado baixo nos 7 fatores.

Expressou na entrevista que o resultado ressaltou o seu lado pragmático e que tem orgulho de ser como é, mesmo sem espiritualidade desenvolvida e profundidade nas reflexões da vida. Se acha feliz, com paz interior e se relaciona de forma sadia com os seus semelhantes.

No primeiro momento, achou que a espiritualidade estava ligada apenas a crença em algo superior que rege a sua vida mas que ao refletir na questão de consciência corporal, identificou ser algo que deve ser mais trabalhado para poder ter o máximo de clareza nas tomadas de decisões.

Entrevistado 2 – Técnica de operação e manutenção

As respostas apontaram predominância do resultado alto, moderado apenas para a Intelectualidade e Trauma e baixo para Diligência. Na entrevista revelou que a expectativa na pesquisa era diferente, pois as perguntas eram bem específicas para a espiritualidade comparando com o profissional e achou que seria o contrário.

Ao responder as perguntas despertou uma reflexão a respeito de sua personalidade contemplativa e que isso pode tirar o foco no profissional, pois acreditar que as coisas venham muito de Deus pode atrapalhar correr atrás das coisas.

Sente falta em seu trabalho de mais objetividade e de praticidade e que excesso de espiritualidade pode atrapalhar, porém acredita que para tomada de decisão ajuda mais que atrapalha devido a maior sensibilidade e percepção com o outro e consigo mesmo.

Entrevistado 3 – Gerente de operação e manutenção

As respostas deste entrevistado prevaleceu o resultado alto para 4 fatores, moderado para Trauma e baixo para Percepção Extrassensorial e Comunidade. Na entrevista revelou ter ficado curioso com o tema, pois já tinha familiaridade com o tema Inteligência Emocional mas não conhecia esta nova inteligência que acredita ser complementar e importante para o ser humano.

Revelou ser bastante pragmático e racional e justamente por isso acredita ser impossível tudo ser explicado pelo que a vista pode alcançar. Identifica que o controle do estresse é algo que precisa ser mais desenvolvido para trabalhar internamente e criar um mecanismo mais elaborado de controle para conseguir em determinadas situações não se abalar negativamente com as suas emoções.

Já na tomada de decisão ele acredita que precisam serem tomadas racionalmente mas sempre se colocando no lugar do outro.

Acredita que nenhuma empresa sobrevive trabalhando com apenas um tipo de Inteligência seja Intelectual, Emocional ou Espiritual.

Entrevistado 4 – Coordenador de acompanhamento e controle

As respostas para este entrevistado foi alto para Divindade e Espiritualidade na Infância, moderado para Percepção Extrassensorial, Comunidade e Trauma. Baixo para Intelectualidade e Diligência. Revela ter ficado curioso para saber o seu resultado e reconhece que por mais que acredite em determinadas coisas não se dedica pela falta de tempo e que deveria desenvolver mais certos pontos como a Diligência. Para tomada de decisão acha extremamente necessário o equilíbrio em todos os tipos de Inteligência, logo reconhece a importância da Inteligência Espiritual.

Acha que um líder pode até negar acreditar em Deus devido a função exigir muito o racional, mas esta exigência da racionalidade pode confundir com a descrença em Deus. Acha que todo mundo tem um lado espiritual, pois uma hora na vida isso se manifesta.

Entrevistado 5 – Supervisor técnico

As respostas apontaram a predominância do resultado baixo em 5 dos 7 fatores, sendo alto para Espiritualidade na Infância e moderado no Trauma. A entrevista revelou que achou o tema interessante e lembrou de quando era criança e fez pensar sobre Deus. Não achou que o resultado gerou alguma necessidade de mudança em seu comportamento, mas acha que estar bem consigo mesmo ajuda na tomada de decisão e se colocar no lugar dos outros e que a Espiritualidade ajuda neste processo. O entrevistado sente falta de técnicas de relaxamento como atividades de caminhada, exercício ou tocar violão.

Entrevistado 6 – Ex-oficial da Marinha

O Entrevistado apresentou predominância do resultado alto nos 6 dos 7 fatores e moderado no fator Diligência. Na entrevista revelou que a sua expectativa era que o questionário fosse menos subjetivo, pois a Espiritualidade tem vários entendimentos e não é toda pessoa que entende que precisa estar relaxado para atingir um alto grau de Espiritualidade, então achou o questionário parcial, porém dentro dos fatores apresentados percebeu que poderia melhorar em alguns aspectos como no que diz a contemplação, pois surgiu a reflexão de que quando estava em maior comunhão com Deus seguindo a sua palavra acertava mais em suas decisões. O despertar para este assunto é válido porque a tomada de decisão afeta não só a instituição, mas principalmente as pessoas que têm a sua parte espiritual e que com este cuidado e compreensão as respostas são mais apropriadas para um determinado problema.

Nossa direção espiritual com certeza não é separada da direção profissional e se seguimos o caminho do amor e de Deus acertamos mais diante das dúvidas.

Entrevistado 7 – Supervisor técnico

O entrevistado apresentou resultado baixo em todos os fatores exceto Espiritualidade na Infância.

Revelou que ficou surpreso com algumas perguntas, porém o resultado bateu exatamente com a sua personalidade e se quiser mudar em algo tem o caminho, porém está satisfeito com o resultado de seu trabalho de liderança. Revela ser bastante racional e não acha que a Espiritualidade possa ajudar no seu trabalho. Acredita em Deus, mas é bem prático, acha que tem coisas que não se explica, mas prefere não se envolver com coisas espirituais pois sua dinâmica funciona de maneira prática e racional.

Entrevistado 8 – Ex-supervisor técnico

O entrevistado apresentou resultado alto para os fatores Divindade, Trauma e Espiritualidade na Infância. Moderado para Diligência, Percepção Extrassensorial e Intelectualidade e baixo para Comunidade.

Na entrevista revelou ter concordado com o resultado a respeito da sua personalidade e considera que a função de liderança requer um grande autoconhecimento, pois a tomada de decisão interfere na vida de outras pessoas e quando você se conhece melhor pode liderar, controlar as suas emoções tendo uma maior empatia com os liderados.

O resultado de baixa Comunidade o fez pensar se pode ser algo que precise melhorar, mas o alto grau de Espiritualidade sem dúvida é importante para o trabalho de liderança pois o líder tende a ser engolido por valores do lucro, produção que desumaniza o seu papel de líder e pode ficar fixado em índices e não no bem-estar das pessoas e sendo espiritualmente inteligente você tem este olhar para a dificuldade do ser humano e não só nos processos e resultados que a empresa quer.

Entrevistado 9 – Supervisor técnico

As respostas deste entrevistado apontaram a predominância do resultado alto em seis dos sete fatores, apresentado moderado apenas para Diligência. Na entrevista expressou interesse em saber o seu nível de Espiritualidade e percebeu o quanto estava afastado e distante do lado espiritual e tudo que foi aprendido na infância. Ficou surpreso em perceber que a questão da fé é algo que não sai da gente e que num dado momento da nossa vida isto aflora e direciona a gente. Teve uma autorreflexão de lembranças da vida ao responder o questionário, traumas e o quanto isto o influencia se perceber.

Reviveu certas sensações do passado, achou gratificante esta experiência nostálgica, pois quando começou a responder a pesquisa pensou ser algo superficial, mas o assunto foi o envolvendo e contagiando com as lembranças.

Sentiu falta de viver na prática a vida espiritual, pois acaba por priorizar outras coisas na correria do dia a dia. Devido ao trabalho sob pressão e estresse se sente muitas vezes só e sente precisar liberar este estresse através da autorreflexão, oração, relaxamento, trabalho em grupo numa instituição religiosa e o resultado despertou a consciência para esta grande necessidade.

Acha que a Inteligência Espiritual é fundamental para a tomada de decisão, pois acha que as decisões mais acertadas são aquelas que são feitas de uma maneira mais humana, sem frieza e falta de empatia, não simplesmente cobrar resultado sem dar o respaldo psicológico e orientação necessária para obter o melhor do liderado.

Entrevistado 10 – Consultor técnico

As respostas deste entrevistado apontaram a predominância do resultado moderado em 4 dos sete fatores e 3 altos para Divindade, Comunidade e Intelectualidade.

Na Entrevista revelou que o tema despertou a sua curiosidade para saber como que o tema pode ser aplicado na psicologia, pois nunca tinha ouvido falar desta correlação.

Achou que o resultado correspondeu exatamente a sua personalidade e não sentiu necessidade de mudança. Relata estudar bastante a sua linha religiosa e usa isto para toda a sua vida, visto que os escritos da igreja do primeiro século são escritos presando por sabedoria e consegue aplicar isto com pessoas e em tomadas de decisões no trabalho.

Relata que quando se depara com uma decisão que não se tem amplitude de certeza para a atitude correta, segue como a Bíblia orienta de buscar a multidão de conselheiros na sabedoria, logo, busca pessoas para conversar para chegar a esta certeza, pois acredita que se os subordinados confiam em você e te acham sábio, irão cooperar mais fácil.

Entrevistado 11 – Supervisor técnico

As respostas deste entrevistado apontaram um resultado alto para os fatores Espiritualidade na Infância e Percepção Extrassensorial. Moderado para Diligência e baixo para Divindade, Comunidade, Intelectualidade e Trauma.

Na entrevista relatou ter interesse com o questionário saber através de uma visão externa sobre sua liderança e esperava se deparar com questões técnicas e não espirituais.

Identificou-se com o resultado do questionário e o aplicou como mais uma forma de se conhecer do que como algo que tenha que ser melhorado.

Acredita que a Espiritualidade seja importante na tomada de decisão para conseguir tomar uma decisão mais acertada através da reflexão, pois a sua forma de trabalho é pautado no racional e a sua fé é limitada aos objetivos e resultados.

Entrevistado 12 – Oficial da Marinha

As respostas deste entrevistado apontaram a predominância do resultado alto em 6 dos sete fatores e 1 moderado para Espiritualidade na Infância.

Na entrevista relatou que esperava que o questionário fosse para medir algo que ele percebeu no trabalho que na hora do almoço algumas pessoas tiravam um tempo para buscar a sua religião e notou que aquelas pessoas voltavam diferente e transferia isto para o trabalho na melhora do relacionamento com as pessoas, apesar de perceber também o choque entre as religiões causando a separação em grupos.

Surgiu a surpresa com o tema de que a Espiritualidade pudesse influenciar no trabalho, pois trabalha com pessoas altamente técnicas que tomam decisões baseando-se no racional e conhecimento técnico, mas em contrapartida percebe em seu trabalho que as pessoas tem maior credibilidade e confiança em suas decisões por saberem de sua dedicação a religião.

Todas as suas decisões são baseadas em reflexões, consultas e orações e percebe que quando as suas decisões não foram certas teve uma falha nesta reflexão.

Acha, porém, que o elevado grau de Espiritualidade pode atrapalhar às vezes no trabalho, pois a grande intimidade com Deus pode não ter efeito prático e objetivo para o trabalho, mas sim apenas na dimensão espiritual, ainda assim acha que existe mais benefício que malefício do alto grau de Espiritualidade para tomada de decisão.

Entrevistado 13 – Analista de contratos e suprimentos com função de liderança

As respostas deste entrevistado apontaram a predominância do resultado alto em 6 dos sete fatores e 1 baixo para Espiritualidade na Infância.

A expectativa do entrevistado com a pesquisa era aprender com o resultado para aplicar em seu trabalho.

Na entrevista relatou ter refletido e feito uma autoanálise com o resultado de suas respostas entendendo cada fator. Percebeu uma necessidade de ser mais altruísta e descentralizador em sua liderança.

Dentro do conceito da misericórdia, tolerância, paciência que sua religião ensina acha que a sua liderança precisa ser mais trabalhada neste sentido.

Nisso entra a questão do autoconhecimento, para se analisar e ver que tem que melhorar nisso. A oração atua para melhorar esta autoanálise e a tomada de decisão nunca é feita de forma imediata, a alta Espiritualidade ajuda neste sentido, para ponderar e pensar na melhor decisão e relata ainda que o seu direcionamento está nos ensinamentos bíblicos que atua como um manual.

Entrevistado 14 – Supervisor técnico

As respostas deste entrevistado apontaram um resultado Alto para os fatores Divindade, Trauma e Espiritualidade na Infância. Moderado para Percepção Extrassensorial e Comunidade e baixo para Intelectualidade e Diligência.

Na entrevista relatou ficar curioso com o tema por ter um perfil extremamente racional. Conseguiu fazer uma reflexão com a leitura do resultado no sentido de considerar importante para a tomada de decisão uma auto reflexão, pois tem decisões que precisam ser

feitas imediatamente sem tempo de refletir, de forma racional, outras tem tempo para maior reflexão para tomar decisões acertadas e que o resultado mostrou ser um fator de espiritualidade que pode ser mais bem desenvolvido e ajudar na tomada de decisão.

Entrevistado 15 – Consultor de negócios

As respostas deste entrevistado apontaram o resultado Alto para os fatores Divindade, Percepção Extrassensorial e Espiritualidade na Infância. Moderado para Diligência, Intelectualidade e Trauma e baixo para Comunidade.

Na entrevista relatou que ao responder fez uma análise crítica de cada pergunta e o que queria medir, concordou com o resultado do seu perfil, porém não gerou nenhum tipo de reflexão.

No entanto, acredita que a Espiritualidade seja importante na tomada de decisão no que diz a respeito a valores éticos, pois quanto maior a Espiritualidade, maior será os seus princípios éticos e valores, logo serão cumpridos mesmo que a cultura da empresa em certos momentos de indique o contrário.

Entrevistado 16 – Coordenador de operação e manutenção

As respostas deste entrevistado apontaram o resultado Alto para os fatores Divindade, Comunidade e Espiritualidade na Infância. Moderado para Percepção Extrassensorial, Intelectualidade e Trauma e baixo para Diligência. Na entrevista relatou desconhecer a correlação entre Liderança e Espiritualidade e entende que não é possível dissociar os dois aspectos, ou seja, a liderança exercida profissionalmente está necessariamente interligada aos princípios de formação (inclusive religiosa) de cada pessoa.

Ou seja, inicialmente pareceu meio estranho, depois, ao longo do questionário, pareceu mais natural inclusive refletindo poder melhorar no fator Diligência.

Acredita que a postura de uma pessoa é influenciada, em todos os momentos, por sua visão de Espiritualidade, por essa razão nós vemos que fatores não tradicionais, diferentes da razão pura, são usados para tomadas de decisão, como é o caso do uso de intuição

4.3.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foi possível analisar através dos resultados do PSI que nós desenvolvemos um modo pessoal de usar e expressar a Inteligência Espiritual. Percebe-se que mesmo com a maioria da amostra dos

entrevistados exercerem funções técnicas que tendem para um pensamento mais racional e objetivo, o resultado do fator de Divindade que demonstra uma conexão com um ser superior e força da natureza apareceu alto.

Além disso, a análise dos resultados gerou em cada gestor um momento de reflexão que para muitos serviu para reavaliar os comportamentos em seu trabalho como líder e linguagem para abordar pessoas, conhecer os seus pensamentos, os seus sentimentos, as suas práticas e as suas experiências espirituais.

A maioria percebe a importância da Inteligência Espiritual para um bom trabalho de liderança e tomada de decisões.

O inventário PSI se mostrou um instrumento de base para se detectar a área em que se pode concentrar o esforço para o desenvolvimento evolutivo.

Dr. Wolman (2002) afirma que mesmo aqueles que são resistentes a qualquer assunto “espiritual” podem com um pouco de estímulo começar a perceber a sua própria Espiritualidade, o que foi comprovado e afirmado na presente pesquisa.

5. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES FUTURAS

Pôde-se concluir com esta pesquisa que a Inteligência Emocional apresentada por Goleman (1996) despertou para uma nova percepção além do Racional e Lógico, que percebe os nossos sentimentos, os sentimentos dos outros, bem como o elo entre uma e outra emoção e sensações corporais, emoções e meio-ambiente.

Mas precisamos ir além, compreender quem nós somos, o que as coisas significam para nós e como elas dão sentido às nossas vidas.

Desta forma, ficou claro através da pesquisa bibliográfica e qualitativa que estes questionamentos existenciais, as razões que o homem procura para viver, não se encontram no racional e tampouco são puramente emocionais, pois vem de maneira particular como cada um encara o mundo, se relaciona e acredita, sendo de extrema importância uma inteligência que dê voz a alma.

Para a liderança analisada, esta voz, que se encontra no âmbito espiritual pôde ser percebida de várias maneiras através dos sete fatores.

A Inteligência Espiritual se mostra bem diferente da Religiosidade apesar da segunda ser de extrema importância para o desenvolvimento desta Inteligência, mas o QS aparece como

complementar para uma compreensão mais ampla do crescimento e transformação do potencial humano através de práticas que favoreçam o equilíbrio como o autoconhecimento, fé, relaxamento entre outras que estimulem a interiorização e reflexão.

A maioria dos participantes analisados relatou sentir falta de um tempo para si, como reflexão e atividades de relaxamento onde possam buscar o equilíbrio e organizarem as suas ideias. Uma interessante análise observada foi que os líderes entrevistados assumidamente religiosos relataram receber por parte de seus subordinados um alto grau de credibilidade e confiança por buscar sempre tomar decisões baseando-se em consultas, sejam divinas ou entre a sua equipe.

Os líderes entrevistados com Inteligência Espiritual alta e que se perceberam num momento afastados de Deus mostraram certo incômodo com esta conclusão e se mostraram dispostos a mudar neste sentido.

Já aqueles com menor grau de Inteligência Espiritual se mostraram extremamente satisfeitos com o seu modo de liderança e não se sentiram movidos a uma mudança de comportamento para melhorar o seu grau de Inteligência Espiritual.

Neste contexto, se abre espaço para a necessidade de desenvolvimento desta Inteligência num novo conceito de liderança voltado para o sentido de trabalho, equipe, interiorização e autoconhecimento.

A presente pesquisa contribui para que o participante perceba através do seu perfil de Espiritualidade do momento vivido uma ampliação de seu autoconhecimento permitindo compreender o seu estilo espiritual e ver com mais clareza o que pode melhorar e até mesmo perceber sua resistência com o assunto, os seus propósitos e objetivos no trabalho de liderança.

Afinal, como a inteligência espiritual pode ajudar para um bom trabalho de liderança?

Foi observado nesta que o futuro líder precisará ouvir mais e inspirar confiança a gritar ordens e buscará o autoconhecimento e desenvolvimento que gera o profundo compromisso com o sonho e paixão de servir versus a perseguição do status do poder.

O QS está associado com o lado intuitivo nas decisões e esta intuição só pode ser adquirida com a capacidade de reflexão, atividades de relaxamento onde se possa buscar o equilíbrio e organização das ideias e conhecimento.

Este tipo de sabedoria é o que Zohar e Marshall definem como Inteligência Espiritual que só é possível ser desenvolvida quando vai além do ego e mente consciente e com isto possibilita uma aproximação da própria interioridade dando um maior equilíbrio pessoal, bom senso e tranquilidade, sabendo que nós somos seres complexos, que a vida é complexa e que nós precisamos aprender a viver com esta complexidade.

Imagem anna-samoylova-w55SpMmoPgE-unsplash.jpg

6. REFERÊNCIAS

GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas. Porto Alegre, Artes Médicas, 1995.

GARDNER, H. Inteligência: Um Conceito Reformulado. Editora Objetiva. São Paulo – SP, 2000 p. 85.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro, Objetiva,1995.

GOLEMAN, Daniel, Ph.D. O cérebro e a inteligência emocional: novas perspectivas; tradução Carlos Leite da Silva. Rio de Janeiro, Objetiva, 2012.

Gustavo e Magdela, Boog (coord). Manual de gestão de pessoas e equipes. Volume 2, São Paulo: editora gente 2002.

HAWKISNS, K. Espiritualidade no trabalho e nos negócios: como seguir o caminho espiritual das 8 às 18. São Paulo, Madras,1999.

JUNG, Carl Gustav. Tipos Psicológicos. Petrópolis: Vozes, 1991.

OLIVEIRA, Katya Luciane de; PASCALICCHIO, Marina Ledier e PRIMI, Ricardo. A inteligência espiritual e os raciocínios abstrato, verbal e numérico. Estud. psicol. (Campinas) [online]. 2012, vol.29, n.1, pp. 13-22. ISSN 0103-166X.

Paula, Roberta Manfron de, Costa, Daiane Leal. A ESPIRITUALIDADE COMO DIFERENCIAL COMPETITIVO PARA AS ORGANIZAÇÕES. II Encontro Latino-Americano de Iniciação Científica e VIII Encontro Latino-Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba, São Paulo, 2008

Silva, Leonice M. Kaminski da. Existe uma inteligência existencial/espiritual? O debate entre H. Gardner e R. A. Emmons. Revista de Estudos da Religião No 3 / 2001 / pp. 47-64 ISSN 1677-1222, PUC-SP

TORRALBA,R, Francesc. Tradução de João Batista Kreuch. 2 ed. Inteligência Espiritual. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013

WOLMAN, Richard N. Inteligência espiritual. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

ZOHAR, D.& MARSCHALL, I. (2000). QS: Inteligência espiritual – tradução de Ruy Jungmann – Rio de janeiro, viva livros, 2012

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios podem ajudar tanto as Pessoas como as Organizações.

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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