Artigo extraído de trechos do livro “Business Ethics”, dos autores Stephen M. Byars – USC Marshall School of Business e Kurt Stanberry – University of Houston-Downtown, para o nosso conhecimento e entendimento sobre a Ética no Ambiente Empresarial, ao longo dos tempos e espaços, onde as Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs) demandam os seus negócios.

É conhecido, através de inúmeros estudos Acadêmicos disponíveis na internet, que a relação entre Ética e Espiritualidade nas Organizações tem crescido em interesse nas últimas décadas, daí esse artigo para profunda reflexão sobre a Ética nos Negócios.

“Download for free at https://openstax.org/details/books/business-ethics.” – ©2018 Rice University

Chapter 2 – “Ethics from Antiquity to the Present”

Tradução livre Projeto OREM®

Capítulo 2 – Ética a partir da Antiguidade até o Presente Momento

Figura 2.1 A precisão e uso prático das balanças [como símbolo da justiça…] no mercado, fizeram com que elas fossem mantidas aqui no alto pela figura da Justiça em Bruges, Bélgica, um símbolo comum na jurisprudência e na lei tanto no Oriente como no Ocidente. Ainda hoje, o conceito de contrabalançar diferentes ideias e filosofias fundamenta muitas abordagens do direito e da ética. (crédito: modificação de ‘Golden Lady Justice’ por Emmanuel Huybrechts/Flickr, CC BY 2.0)

Linhas Gerais do Capítulo

[que serão abordados em 2 partes pelo Projeto OREM®]

2.1 O Conceito de Negócios Éticos na Atenas Antiga

2.2 Conselhos Éticos para Nobres e Funcionários Públicos na China Antiga

2.3 Comparando a Ética da Virtude do Oriente e do Ocidente

2.4 Utilitarismo: o Maior Bem para o Maior Número

2.5 Deontologia: Ética como Dever

2.6 Uma Teoria da Justiça

Introdução

Desde a época do escambo (troca ou permuta) até a era do bitcoin, a maioria das pessoas envolvidas em transações comerciais têm buscado confiança.

Sem confiança, que é um resultado fundamental do comportamento ético, não apenas as relações comerciais, mas todas as relações entrariam em colapso. Para desenvolver uma visão de nossos próprios conceitos de ética, esse capítulo examina como os sistemas éticos se desenvolveram ao longo do tempo, começando com a distinção entre a ética e a lei.

Ética são os padrões de comportamento pelos quais nós nos consideramos responsáveis em nossa vida pessoal e profissional. Leis e regulamentos estabelecem os padrões mínimos pelos quais a sociedade vive essas normas éticas. Como as leis são padrões mínimos, não é incomum que um ato seja legal, mas geralmente considerado antiético. O fato é que direito e ética nem sempre são a mesma coisa. Sempre, no entanto, eles estão em diálogo e cada um informa o outro. O maior desafio na tomada de decisões em negócios é ir além da letra da lei para criar uma cultura de ética (Figura 2.1).

É possível você identificar um momento em sua vida em que foi difícil seguir a sua consciência ou a sua moralidade pessoal conflitada com as normas sociais? Qual era a natureza do conflito e como você o abordou?

2.1 O Conceito de Negócios Éticos na Atenas Antiga

Objetivos do Aprendizado

Ao final dessa seção, você será capaz de:

• Identificar o papel da ética na antiga Atenas

• Explicar como a ética da virtude Aristotélica afetou as práticas de negócios

Seria difícil exagerar a influência da antiga Atenas na civilização Ocidental. As conquistas Atenienses nas artes, literatura e governo moldaram a consciência no nível da percepção [consciousness] Ocidental. Temas perenes, como a busca pela identidade individual e pelo lugar de cada pessoa no mundo, aparecem em inúmeros romances e roteiros Hollywoodianos. O papel das teorias éticas Atenienses na filosofia tem sido profundo e os princípios Atenienses continuam a ser influentes na filosofia contemporânea. A ética, como uma forma de filosofia aplicada, era um foco importante entre os líderes da antiga Atenas, particularmente professores como Sócrates, Platão e Aristóteles. Eles ensinavam que a ética não era meramente o que alguém fazia, mas quem ele era. A ética era uma função do ser e, como princípio orientador para lidar com os outros, também se aplicava naturalmente às áreas sensíveis do dinheiro e do comércio.

A Antiga Atenas

Como uma metrópole moderna, a cidade-estado (pólis) de Atenas no século V aC atraía pessoas de longe que desejavam uma vida melhor. Para alguns, essa vida significava engajar-se em realizar transações e no comércio, graças à abertura da nova democracia estabelecida sob o legislador Clístenes em 508 aC. Outras foram atraídas pela arquitetura incrivelmente rica, poesia, drama, práticas religiosas, política e escolas de filosofia de Atenas. A juventude viajava para lá na esperança de estudar com professores tão brilhantes como os matemáticos Arquimedes e Pitágoras; dramaturgos como Sófocles e Eurípides; historiadores Heródoto e Tucídides; Hipócrates, o pai da medicina; e, claro, o renomado mas enigmático filósofo Sócrates. Mais do que equivalentes aos astros do rock de sua época, esses pensadores, estudiosos e artistas desafiavam os jovens a buscar a verdade, não importando o custo para si mesmos ou as suas ambições pessoais. Esses líderes não estavam interessados ​​em fama ou mesmo em desenvolvimento pessoal, senão na criação de uma sociedade ideal. Essa foi a Era de Ouro da Grécia antiga, cujas realizações foram tão profundas e duradouras que formaram os pilares da civilização ocidental por quase dois milênios e meio.

A filosofia, em particular, floresceu durante a Era de Ouro, com várias escolas de pensamento tentando dar sentido aos mundos natural e humano. O mundo humano foi pensado para ser fundamentado no mundo natural, entretanto para transcendê-lo de maneiras impressionantes, sendo o mais óbvio o uso humano da razão e da deliberação.

Filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles abordaram questões fundamentais da existência humana com tal perspicácia que as suas ideias têm permanecido relevantes e universais mesmo no início da inteligência artificial. Como observou o matemático e filósofo britânico Alfred North Whitehead (1861-1947), ‘a caracterização geral mais segura da tradição filosófica Europeia é que ela consiste em uma série de notas de rodapé de Platão.’1

Por que os insights desses filósofos Gregos ainda são relevantes hoje? Uma razão é o desenvolvimento do antigo conceito da virtude. A pessoa mais intimamente associada à virtude no Ocidente e ao desenvolvimento do que agora é conhecido como ética da virtude – isto é, um sistema ético baseado no exercício de certas virtudes (lealdade, honra, coragem) enfatizando a formação do caráter – é Aristóteles, o famoso aluno de Platão (384–322 aC) (Figura 2.2)

A Figura 2.2 Ética de Nicômaco, pelo antigo filósofo Grego Aristóteles (a), é uma coleção aproximada das notas de aula de Aristóteles para os seus alunos sobre como viver uma vida virtuosa e alcançar a felicidade; é o mais antigo tratamento sobrevivente da ética no Ocidente. A coleção possivelmente recebeu o nome do filho de Aristóteles. Essa edição de 1566 (b) foi impressa em Grego e Latim. (crédito a: modificação de ‘Aristotle Altemps Inv8575’ por ‘Jastrow’/Wikimedia Commons, Domínio público; crédito b: modificação de ‘Aristotelis De Moribus ad Nicomachum’ por ‘Aavindraa’/Wikimedia Commons, Domínio público)

Ética da Virtude Aristotélica

Para Aristóteles, tudo o que existe tem um propósito, ou fim e foi projetado para atingir esse fim. Por exemplo, o fim próprio dos pássaros é voar, o dos peixes é nadar. Aves e peixes foram projetados com os meios apropriados (penas, barbatanas) para atingir esses fins. Teleologia, do Grego telos, que significa meta ou objetivo é o estudo dos fins e dos meios direcionados para esses fins. Qual é o telos dos seres humanos? Aristóteles acreditava que era eudaimonia, ou felicidade. Com isso, ele não quis dizer a felicidade num sentido superficial, como se divertir ou estar contente. Em vez disso, ele equiparou a felicidade ao florescimento humano, que ele acreditava que poderia ser alcançado por meio do exercício da função que distingue os humanos do mundo natural: a razão.2

Para Aristóteles, a razão era suprema e mais bem usada para aumentar não a riqueza, mas o caráter. ‘No entanto, o que é a felicidade?’ ele perguntava. ‘Se nós considerarmos qual é a função do homem, nós encontraremos que a felicidade é uma atividade virtuosa da alma.’3

No entanto, porque os seres humanos são dotados não apenas de razão, mas também da capacidade de agir de maneira ética e honrada, eles podem rejeitar o fim deles, intencionalmente ou por omissão. A grande tarefa da vida, então, é reconhecer e buscar a felicidade, não importando os constrangimentos impostos ao indivíduo, sendo os mais dramáticos o sofrimento e a morte. Aves e peixes têm pouca dificuldade em atingir os seus objetivos e nós somos capazes de presumir que muito disso é devido ao código genético deles. Como a felicidade pode não estar codificada geneticamente nos seres humanos, eles têm que aprender a ser felizes. Como eles fazem isso? Segundo Aristóteles, a eudaimonia é alcançada levando uma vida virtuosa, que é alcançada ao longo do tempo. ‘A felicidade é um tipo de atividade; e uma atividade claramente é desenvolvida e não é uma peça de propriedade já em posse de alguém.’4

Aristóteles identificou dois tipos de virtudes, que a comunidade filosófica de sua época concordava serem objetivas e não subjetivas. Os dois tipos eram intelectuais e morais. As virtudes intelectuais — incluindo conhecimento (epistḗmē), sabedoria (sophíā) e, o mais importante para Aristóteles, prudência (phrónēsis) ou sabedoria prática — serviram como guias para o comportamento; isto é, uma pessoa agia com prudência com base na sabedoria adquirida ao longo do tempo por meio da aquisição e teste contínuos de conhecimento.

Para dar uma aplicação simplificada, porém prática, do pensamento Aristotélico, um gerente de contratação age com prudência ao avaliar um grupo de candidatos com base no conhecimento de suas experiências e no insight obtido após anos trabalhando nessa função [sabedoria]. O gerente pode até usar a razão intuitiva em relação a um candidato, o que Aristóteles acreditava ser outra maneira de chegar à verdade. Entendida dessa forma, a intuição do gerente é uma impressão sobre o caráter e o potencial de alguém se encaixar em uma organização. Entre as virtudes intelectuais, a prudência desempenhou o papel principal porque ela ajudou os indivíduos a evitar o excesso e a deficiência e a chegar ao meio-termo entre os dois.

A prudência tem sido traduzida como ‘senso comum’ e ‘sabedoria prática’ e ajuda os indivíduos a tomarem a decisão certa da maneira certa, na hora certa e pelo motivo certo. Na visão de Aristóteles, somente a pessoa verdadeiramente prudente poderia possuir todas as virtudes morais.

A distinção que Aristóteles fez é que as virtudes intelectuais são adquiridas puramente por meio do aprendizado, enquanto as virtudes morais são adquiridas por meio da prática e do desenvolvimento de hábitos. Em contraste com as virtudes intelectuais, que se concentravam em atos externos, as virtudes morais tinham a ver com o caráter. Elas incluíam coragem, autocontrole, liberalidade, magnificência, honra, paciência e amabilidade. Algumas dessas virtudes tinham significados diferentes na Grécia antiga do que hoje. ‘Liberal’, por exemplo, não se referia a uma postura política ou econômica, mas a um aspecto da personalidade. Alguém poderia ser considerado liberal se fosse aberto e compartilhasse dele próprio ou dela própria e os talentos dele ou dela sem medo de rejeição ou expectativa de reciprocidade.

O paradigma dessas virtudes era o indivíduo magnânimo, alguém para quem a fama e a riqueza exerciam pouca atração.5 Essa pessoa tinha autoconhecimento; não era imprudente, rápido em se irritar ou submisso aos outros; e agia com autorrespeito, controle e prudência. O indivíduo magnânimo alcançava a felicidade levando uma vida caracterizada pela razão e pela vontade. Ele ou ela permanecia no controle de si mesmo e não entregava a sua autoridade — ou arbítrio moral — para outros, seja no julgamento ou na tomada de decisões. ‘Assim, a magnanimidade parece ser uma espécie de coroa das virtudes, porque as exalta e nunca se encontra separada delas. Isso faz com que isso seja difícil de ser verdadeiramente magnânimo, porque isso é impossível sem excelência abrangente’, de acordo com Aristóteles.6

A relação entre as virtudes intelectuais e morais não era tão clara quanto parece, porque Aristóteles acreditava que a ação precedia o caráter. Em outras palavras, a principal maneira de mudar o caráter era por meio de um comportamento consistente e intencional na direção da virtude. Aristóteles deu o exemplo de coragem. Uma pessoa não era corajosa primeiro e depois realizava atos de coragem. Em vez disso, a coragem resultava de mudanças graduais, pequenos passos dados ao longo do tempo que moldavam o caráter da pessoa. Baseava-se no reconhecimento da justiça, de modo que a coragem fosse direcionada para o fim certo. A tarefa importante era desenvolver o hábito de levar uma vida virtuosa. Qualquer um poderia fazer isso; no entanto, era uma disciplina que tinha de ser aprendida e praticada com dedicação.

Nós somos capazes de ver que esse hábito de virtude é especialmente relevante para os negócios hoje, quando a tentação de se conformar a uma cultura organizacional estabelecida é esmagadora, mesmo quando essa cultura possa permitir e até encorajar práticas questionáveis. Adicione o poder de sedução do dinheiro e a coragem de qualquer um pode ser testada.

A característica mais notável da ética da virtude é que ela vê a unidade ética básica – o agente fundamental da moralidade – como o indivíduo, que corre atrás publicamente da visão de mundo dele ou dela. Uma vida de virtude, portanto, ocorria nas esferas econômica e política para que outros pudessem participar e se beneficiar a partir dela. Na sociedade Ateniense, era importante que os negócios fossem conduzidos com competência e ética. Embora Aristóteles desconfiasse dos negócios, ele reconhecia a sua importância para preservar e nutrir a democracia Ateniense. Ele também elogiava a criação do dinheiro para promover a meta da justiça, de modo que um sapateiro e um construtor de casas, por exemplo, pudessem negociar os seus produtos em igualdade de condições.

A virtude no mercado era demonstrada por meio do comportamento ético, segundo Aristóteles: ‘As pessoas de fato buscam o próprio bem delas e pensam que elas estão certas em agir dessa maneira. É a partir dessa crença que surgiu a noção de que essas pessoas são prudentes. Presumivelmente, no entanto, é impossível garantir o próprio bem independentemente da ciência doméstica e política.’7 Essa crença na natureza pública da virtude foi crucial para o florescimento da cidade-estado e também tem implicações para os negócios contemporâneos, que têm que considerar o indivíduo, a organização, a indústria e a sociedade em seu desenvolvimento e planejamento.

A ÉTICA ATRAVÉS DO TEMPO E DAS CULTURAS

A Democracia Ateniense

Simplesmente como o tempo e o lugar influenciam a percepção de ética das pessoas, assim o entendimento delas da democracia também é subjetiva.

Você pode se surpreender ao saber que a versão Ateniense da democracia era significativamente diferente da nossa. Por exemplo, embora a palavra ‘democracia’ venha do Grego para o povo (dêmos) e poder (krátos), somente os homens adultos que possuíam propriedades podiam votar e o voto era direto; Atenas não era uma república com representantes eleitos, como os Estados Unidos. Estrangeiros residentes, ou metics — aqueles que mudam de casa — não eram elegíveis para a cidadania e não podiam votar. Eles tinham direitos limitados e o status deles era de segunda classe, embora isso não impedisse que muitos deles alcançassem a riqueza e a fama.

Frequentemente, eles estavam entre os melhores artesãos, artífices e comerciantes da cidade-estado. Os metics podiam fazer negócios no mercado (ágora) desde que pagassem impostos especiais anualmente. Um dos mais famosos foi Aristóteles, que nasceu fora de Atenas, no norte da Grécia.

As mulheres, mesmo aquelas que eram cidadãs, não podiam votar e tinham direitos limitados quando se tratava de propriedade e herança. A principal função delas na sociedade Ateniense era cuidar e administrar o lar. ‘A mulher Ateniense tem que ser a Penélope perfeita – uma parceira do marido, uma guarda da casa e alguém que pratica as virtudes definidas pelo marido dela. A beleza física não deveria ser uma meta, nem mesmo um atributo primário de valor. A dedicação total ao bem-estar do marido, filhos e família era a virtude suprema‘8

(Figura 2.3).

Figura 2.3 Penélope e Odisseu em uma cena da Odisseia de Homero, conforme retratada em 1802 pelo pintor alemão Johann Tischbein. Para os antigos Gregos, Penélope representava todas as virtudes de um parceiro amoroso e obediente. Ela permaneceu fiel a seu marido Ulisses, apesar de sua ausência de cerca de vinte anos durante e após a Guerra de Tróia. (crédito: “Odysseus and Penelope” por H. R. Wacker e James Steakley/Wikimedia Commons, Public Domain)

Finalmente, nem todas as transações eram tão diretas quanto vender linho Egípcio, frutas secas ou especiarias. Os comerciantes de escravos também traziam as suas ‘mercadorias’ para o mercado. A escravidão era uma parte habitual de muitas culturas em todo o mundo antigo, da Pérsia à Arábia, África e China. Em Atenas e arredores, estima-se que durante a Era de Ouro (século V aC) havia 21.000 cidadãos, 10.000 metics (Atenienses não nativos que ainda compartilhavam alguns dos benefícios da cidadania) e 400.000 escravos.9 Apesar da ênfase Ateniense quanto à virtude e à honra, havia pouca ou nenhuma objeção a possuir escravos, porque eles formavam uma parte indispensável da economia, fornecendo mão-de-obra para a agricultura e a produção de alimentos.

A escravidão persiste até hoje. Por exemplo, acredita-se que quase trinta milhões de pessoas em todo o mundo vivem e trabalham como escravos, incluindo três milhões na China e quatorze milhões na Índia.10 A servidão também existe para trabalhadores migrantes forçados a viver e trabalhar em condições desumanas sem recorrer à ajuda legal ou mesmo às necessidades básicas da vida. Tais condições ocorrem em setores tão diversos quanto a pesca comercial no Sudeste Asiático e a construção no Catar.11

Pensamento Crítico

• Considere como a democracia tem se expandido desde a Era de Ouro da Grécia, eventualmente incluindo o sufrágio universal e os direitos fundamentais para todos. Embora nós tentemos não julgar as culturas de hoje como tendo práticas certas ou erradas, muitas vezes julgamos culturas e civilizações anteriores. Como avaliar uma prática como a escravidão na antiguidade sem impor valores modernos a uma civilização que existiu há mais de dois milênios e meio?

• Existem verdades e valores absolutos que transcendem o tempo e o espaço? Se sim, de onde podem vir? Se não, por que não?

Comportamento Honroso nos Negócios

A crença comum na Grécia antiga de que os negócios e o dinheiro eram de alguma forma corrompidos refletia o conceito de Platão de que o mundo físico era uma expressão imperfeita, ou sombra, do ideal. Todas as coisas no mundo físico eram de alguma forma inferior ao ideal e isso incluía os produtos do pensamento e do trabalho humano.

Por exemplo, uma vaca existe no mundo físico como uma expressão imperfeita e temporária da essência ideal de uma vaca, o que nós poderíamos chamar de ‘a qualidade de ser uma vaca [cowness]’. (Essa imperfeição explicava as muitas variações encontradas na criatura terrena.) Os negócios, como uma invenção humana baseada no interesse próprio, também não tinham um ideal ou fim apreciável.

Afinal de contas, de que adiantava ganhar dinheiro se não tiver mais dinheiro? Qualquer fim além disso não era evidente. Em outras palavras, o dinheiro existia simplesmente para se replicar e era alimentado pela avareza (o amor ao dinheiro) ou ganância (o amor pelos bens materiais). ‘Quanto à vida do empresário, isso não lhe dá muita liberdade de ação. Além disso, a riqueza obviamente não é o bem que nós estamos buscando, porque isso serve apenas como um meio; ou seja, para obter alguma outra coisa mais’, disse Aristóteles.12

No entanto, os negócios tiveram um efeito interessante que ajudou a revigorar a vida Ateniense e encorajou os envolvidos a serem virtuosos (ou então arriscar a reputação deles). Esse efeito era associação. Os negócios eram baseados na troca livre e justa de mercadorias, que associava não apenas itens de mercadorias, mas também compradores, vendedores e funcionários públicos. A maneira de assegurar uma associação eticamente sólida era através do exercício da prudência, especialmente em sua exigência de que as pessoas não agissem precipitadamente, mas deliberadamente.

Esse aspecto deliberativo da prudência fornecia uma maneira para que compradores, vendedores e todos os envolvidos em uma transação agissem com honra, o que era de extrema importância. A honra não era apenas uma virtude fundamental, mas o ambiente cultural em que o mundo antigo existia. Uma das piores ofensas que alguém poderia cometer, fosse homem, mulher, livre ou escravo, era agir de maneira desonrosa. Claro, embora agir deliberadamente não garanta que alguém esteja agindo com honra, para os Atenienses, agir de forma calculada não era uma indicação de desonra. Atos desonrosos incluíam qualquer um que perturbasse a ordem básica (dikē) da vida na qual todos tinham um papel, incluindo os deuses.

Curiosamente, a abordagem Aristotélica para os negócios não condenava o ganho de dinheiro ou o acúmulo de riquezas. O que preocupava Aristóteles, principalmente por causa de seus efeitos nocivos sobre o indivíduo e a cidade-estado, era a ganância. Aristóteles considerava a ganância um excesso que desequilibrava a balança da justiça e levava ao escândalo. O dinheiro pode ser a isca, mas a ganância faz com que a pessoa estenda a mão e agarre o máximo possível, caindo na armadilha do escândalo. Os Gregos consideravam o exercício da ganância um ato irracional e, portanto, ignóbil. Somente a atenção à honra e a prudência deliberada poderiam salvar alguém de agir de forma tão tola.

A honra na Grécia antiga não era apenas uma característica individual, mas também uma função do grupo ao qual um indivíduo pertencia e a autoestima derivada da pessoa a partir da adesão a esse grupo. A virtude cívica consistia em viver honrosamente em comunidade. Os escândalos de negócios hoje muitas vezes surgem não de conflitos de interesse, mas de conflitos de honra nos quais os funcionários se sentem divididos por sua lealdade a um colega de trabalho, um supervisor ou a organização.13

Embora poucas pessoas usariam o termo honra para descrever a cultura contemporânea do local de trabalho ou a missão corporativa, quase todas as pessoas entendem a importância da reputação e o seu impacto, positivo ou negativo, em um negócio. A reputação não é acidental. Ela é o produto de uma cultura formada pelo esforço individual e coletivo. Esse esforço é direcionado, intencional e contínuo.  

De acordo com Aristóteles e pensadores posteriores que expandiram a sua obra, como o filósofo e teólogo do século XIII Tomás de Aquino, agir de forma desonrosa lança descrédito a todos os envolvidos. Fins e meios tinham que estar alinhados, particularmente nos negócios, que forneciam o sustento das pessoas e asseguravam a saúde econômica da cidade-estado. Agir com honra significava tentar ser magnânimo em todas as transações e superar a obsessão com os instintos mais básicos. A pessoa honrada era magnânima, prudente, justa e interessada em autopromoção, desde que não ferisse a integridade pessoal ou o corpo político.

A importância da prudência é evidente porque, disse Aristóteles, ela ‘está preocupada com os bens humanos, isto é, coisas sobre as quais a deliberação é possível; pois nós sustentamos que é função do homem prudente deliberar bem; e ninguém delibera sobre coisas que não podem ser de outro modo, ou que não são meios para um fim e esse fim é um bem prático. E o homem que é bom em deliberação geralmente é aquele que pode almejar, com a ajuda de seu cálculo, o melhor dos bens alcançáveis.’14

Tomás de Aquino dividiu ainda mais a prudência Aristotélica em memória, razão, compreensão, docilidade, perspicácia, previsão, circunspecção e cautela.15 Para usar essas qualidades de maneira construtiva, um empresário tinha que direcioná-las para um fim apropriado, que se aplica aos negócios hoje, assim como aconteceu na Atenas do século IV.

Um comerciante não podia ganhar dinheiro de forma aleatória, mas tinha que manter as necessidades dos clientes em mente e conduzir os negócios com preços e taxas justos. Esse exercício de prudência fazia parte da ordem cósmica que assegurava a correta administração do lar, do mercado e da própria civilização. Da mesma forma, cometer fraude ou engano para atingir um fim, mesmo que esse fim fosse bom ou justo, não era considerado um ato honroso.

Somente quando fins e meios estavam alinhados e funcionavam em harmonia, os envolvidos na transação eram considerados virtuosos. Essa virtude, por sua vez, poderia levar à felicidade que Aristóteles vislumbrava e para a qual apontava todo o seu sistema de ética das virtudes.

A ÉTICA ATRAVÉS DO TEMPO E DAS CULTURAS

Três Formas de Justiça

Juntamente com a honra, a justiça – como retratada na imagem no início desse capítulo – fazia parte do ambiente cultural da sociedade Ateniense. Os cidadãos muitas vezes dependiam de litígios para resolver disputas, particularmente conflitos sobre transações comerciais, contratos, herança e propriedade. A justiça existia em três formas, como hoje: legal (judicial), comutativa (corretiva) e distributiva. Na justiça legal, a cidade-estado era responsável por estabelecer leis justas para o bem-estar de seus cidadãos. A justiça comutativa caracterizava as relações entre os indivíduos. Os tribunais tentavam corrigir os danos infligidos e devolver o que havia sido ilegalmente retirado dos queixosos. A justiça distributiva governava o dever da cidade-estado de distribuir benefícios e encargos equitativamente entre o povo.

Nós somos capazes de ver essas formas de justiça funcionando hoje de maneira muito prática. Por exemplo, no âmbito da justiça comutativa, as empresas são muitas vezes responsabilizadas ética e financeiramente por qualquer dano causado por seus produtos. E a justiça distributiva é debatida em questões acaloradamente contestadas, como taxas de impostos corporativos e individuais, cobertura universal de saúde, assistência de renda estadual e federal, moradia subsidiada, elegibilidade para a previdência social, auxílio para mensalidades universitárias (por exemplo, as bolsas Pell [EUA]) e programas semelhantes projetados para criar uma ‘rede de segurança’ para os menos afortunados. Alguns programas de rede de segurança foram criticados por seu custo excessivo, ineficiência e injustiça para aqueles que pagam por eles sem receber nenhum benefício ou voz em sua administração.

Pensamento Crítico

• Como o antigo conceito de justiça distributiva é entendido no debate político atual?

• Quais são os valores subjacentes que informam cada lado do debate (por exemplo, valores como maximização da riqueza e responsabilidade social corporativa)?

• É possível esses lados serem reconciliados e, em caso afirmativo, o que tem que acontecer para uni-los? A virtude tem um papel a desempenhar aqui; se sim, como?

LINK PARA APRENDIZADO

Para uma discussão mais aprofundada sobre justiça, leia esse artigo sobre justiça e imparcialidade (https://openstax.org/l/53justice) do Markkula Center for Applied Ethics.

Como, exatamente, a honra e a prudência deliberada impedem alguém de agir de maneira tola na vida e antiética nos negócios? E como é seguir essas virtudes hoje?

2.2 Conselhos Éticos para Nobres e Funcionários Públicos na China Antiga

Objetivos de Aprendizado

Ao final desta seção, você será capaz de:

• Identificar as principais características da ética da virtude Confuciana

• Explicar como a ética da virtude Confuciana pode ser aplicada aos negócios contemporâneos

Os ensinamentos e escritos de Confúcio (551–479 aC; também chamado de Kung Fu Tzu ou Mestre Kung) não apenas duraram mais de dois milênios e meio, mas também influenciaram a cultura Chinesa a tal ponto que permanecem parte do caráter nacional. No Confucionismo clássico, a prática da virtude constituía a essência da governança. Diferentemente da virtude Aristotélica (arête), a virtude Confuciana enfatiza os relacionamentos. Aristóteles mostra como uma pessoa autodeterminada pode viver bem em sociedade. Confúcio mostrou como uma pessoa que determina relacionamentos pode viver bem com os outros. As razões para essa distinção ficarão mais claras ao longo da seção.

Como uma figura icônica, Confúcio teve um impacto na política, literatura, administração civil, diplomacia e religião na China. Embora, segundo a maioria dos relatos, ele se considerava um fracasso, nunca tendo alcançado a posição e a segurança que buscou durante a sua vida. Entretanto, a sua história é um testemunho da recompensa de uma vida vivida com integridade e simplicidade.

Revolta Social na China Antiga

Mais de um século e meio antes de Aristóteles e do outro lado do globo, Confúcio, um pregador errante do principado de Lu na China, também lutava para responder às questões da vida, embora de forma prática e não filosófica. Confúcio se comprometia a curar [healing] as divisões sociais que estavam dilacerando a China sob o declínio da Dinastia Zhou. Essas divisões levaram ao que os historiadores chamam de ‘Período dos Estados Combatentes’, que persistiu por duzentos anos após a morte de Confúcio. Era uma época de guerra e violência constantes.16

Para combater a desintegração social que encontrou em toda parte, Confúcio olhou para o passado, ou ‘a sabedoria dos antigos’. Ele pediu um ‘retorno a li’, que era a ordem adequada do universo em que todos tinham um papel a desempenhar e havia harmonia no mundo.17

Nós podemos ver essa harmonia em um ambiente de negócios contemporâneo como uma equipe de pessoas trazendo diferentes talentos para um projeto específico para o bem [propósito] (e lucro) da empresa. Nesse sentido, li refere-se a realizar essas tarefas em colaboração com outras pessoas para cumprir a missão da organização. Para Confúcio, li era expresso por meio de atos rituais. Quando os rituais corretos eram seguidos da maneira certa com a intenção certa para o fim certo, tudo estava bem. É claro que também existem rituais corporativos e, como todos os atos rituais, reforçam a coesão e a identidade dentro do grupo. Identificá-los ajuda a melhorar a conscientização, a produtividade e, talvez, a felicidade dos funcionários.

Um exemplo disso seria a orientação para os novos funcionários, cujo objetivo é aclimatar os recém-chegados à cultura corporativa, ao ethos da empresa e às tradições associadas à forma como a empresa faz negócios. Finalmente, antecipando o meio-termo de Aristóteles, li enfatizava o meio-termo entre deficiência e excesso. ‘Nada em excesso’ era seu princípio orientador.18

[Ethos (em grego antigo θος : ‘hábito, costume, uso’; θος ‘caráter, disposição, costume, hábito’) é o conjunto de traços e modos de comportamento que conformam o caráter ou a identidade de uma coletividade. Fonte Wikipedia]

Huston Smith, notável historiador das religiões mundiais, observou que a ampla adoção dos ensinamentos de Confúcio dentro de uma geração depois de sua morte não se deveu à originalidade de suas ideias.19 O que fez do humilde estudioso a maior força cultural da história da China foi o acaso. Confúcio apareceu em cena no momento certo, oferecendo a um país fraturado uma alternativa a dois extremos, nenhum dos quais estava funcionando. Esses eram um realismo que era tirânico e confiava na força bruta para conter as facções rivais e uma abordagem idealista chamada Moismo que se baseava no amor universal e na ajuda mútua. Confúcio rejeitou o primeiro como grosseiro e o segundo como utópico.20 Em vez disso, ele ofereceu uma abordagem prática, mas empática, uma espécie de disciplina com carinho para a época.

LINK PARA APRENDIZADO

Leia esse artigo que fornece um histórico útil sobre o Confucionismo (https://openstax.org/l/53Confucianism) para aprender mais.

Ética da Virtude Confuciana

Estudiosos acreditam que, assim como Aristóteles, Confúcio enfatizou a vida virtuosa em seu sistema ético, com o objetivo de criar um junzi, ou uma pessoa graciosa, magnânima e culta: em outras palavras, um ser humano florescente. Um junzi exibia refinamento, autocontrole e equilíbrio em todas as coisas, não agindo nem precipitadamente nem timidamente. Tal pessoa era o oposto de um indivíduo ‘pequeno’ [insignificante(?)], que passava o tempo envolvido em rivalidades mesquinhas e para quem o poder era a medida final do sucesso.

O conceito de junzi e o indivíduo magnânimo Aristotélico têm muito em comum, exceto que para Confúcio havia uma urgência acrescida. Ser um junzi não era apenas uma questão de honra, mas de sobrevivência. Não é exagero dizer que a própria existência da China dependia da capacidade dos indivíduos – nobres e camponeses – de se erguerem acima da barbárie ao seu redor e abraçar um modo de vida voltado tanto para a reforma social, política e administrativa e para dentro em direção ao desenvolvimento espiritual. Confúcio (Figura 2.4) acreditava que viver as virtudes que ele ensinava alcançaria ambos os objetivos.

Figura 2.4 Confúcio (Kung Fu-Tzu ou Mestre Kung), retratado aqui em frente ao Templo de Confúcio em Pequim, viveu durante um período turbulento na história da China. Ele procurou acabar com a violência e o caos por meio do retorno à ordem, harmonia e reverência, especialmente dentro da família. (crédito: “KongZi, Templo de Confúcio com telhado de ouro, estátua principal” por “klarititemplateshop.com”/Flickr, CC BY 2.0)

A pedra angular da tradição deliberada de Confúcio era o dao da humanidade, ou o Caminho, que estabelecia a humanidade como a resposta à ilegalidade desenfreada.21 Confúcio acreditava que as pessoas eram inerentemente boas e que a maneira de impedir o comportamento desumano era fazer com que elas fossem ainda melhores, ou mais humanas. Ele identificou três meios para fazer isso, que nós exploramos a seguir: ‘sinceridade e veracidade de todo o coração’, o ‘meio constante’ e ‘conveniência’ (quan).22 Virtudes específicas como caráter moral, retidão, sabedoria, coragem, respeito, piedade filial e simplicidade faziam parte desses meios. Alguém que viveu virtuosamente tornou-se mais humano, o que resultou em um indivíduo florescente e em um mundo ordenado.

‘Sinceridade e veracidade de todo o coração’ significavam mais do que sinceridade, porque até os mentirosos podem ser convincentes.

A sinceridade que Confúcio tinha em mente estava mais próxima da lealdade e aquilo a que os humanos tinham de ser leais era a verdade. Confúcio pretendia combater a lealdade cega que havia contribuído para a erupção da anarquia em toda a China. Por exemplo, se um súdito fosse chamado a oferecer conselhos, o assunto tinha que ser verdadeiro, mesmo que o governante não gostasse do conselho, o que realmente aconteceu com Confúcio, levando-o a renunciar ao cargo de ministro da justiça em Lu.23

O que um súdito devia ao governante não era deferência nauseante, mas a verdade, que beneficiaria a todos a longo prazo. As implicações para o comportamento ético nas corporações modernas podem ser óbvias. Relatar comportamento antiético como denunciante ou até mesmo defender a verdade em uma reunião às vezes é mais fácil dizer do que fazer e é por isso que viver virtuosamente requer prática disciplinada e o apoio de indivíduos com ideias semelhantes.

O ‘meio constante’ refere-se ao equilíbrio entre o excesso e a deficiência no sentido existencial e prático.

Nós devemos seguir o caminho do meio, evitando extremos de pensamento e ação por meio de atos rituais. Nós não podemos pretender levar uma vida equilibrada; nós temos que demonstrá-la realizando atos que mantenham a ordem pessoal e coletiva.

O Livro de Li cataloga muitos desses atos, que formam um guia para uma vida adequada, indicando a maneira correta de manter os cinco grandes relacionamentos que sustentam a sociedade Chinesa: pais/filhos, marido/esposa, irmãos mais velhos/mais novos, mestre/aprendiz, e governante/súdito. Confúcio e os seus pares acreditavam que observar adequadamente esses cinco relacionamentos principais era essencial para o bem social e invocaria o favor divino sobre as pessoas.

Observe que três deles são relacionamentos dentro da família. A família era a unidade básica da sociedade e a esperança de reforma de Confúcio, porque era a escola primária a mais influente em caráter, virtude e consciência. Assim, o regresso a li assume um significado maior do que uma simples saudade de um passado idílico.

Como Huston Smith observou, ‘que três dos Cinco Relacionamentos pertencem à família é um indicativo de quão importante Confúcio considerava essa instituição ser. Nisso ele não estava inventando, mas continuando a suposição Chinesa de que a família é a unidade básica da sociedade. Essa suposição está graficamente incorporada na lenda Chinesa, que credita ao herói que ‘inventou’ a família com a elevação dos Chineses a partir do nível animal para o humano.’24

O QUE VOCÊ FARIA?

Yijing

Os cinco grandes relacionamentos sobre os quais a civilização Chinesa é construída prescrevem papéis definidos para as classes sociais e os sexos. Como na Grécia antiga, as mulheres na China antiga estavam encarregadas dos deveres domésticos e do cuidado da família. Elas não eram esperadas nem consideradas capazes de assumir funções fora de casa e certamente não no competitivo mundo dos negócios. No entanto, considere o caso fictício de Yijing.

Yijing era filha do comerciante Bei Li, que vendia ferramentas agrícolas e produtos agrícolas em Cao, que fazia fronteira com Lu. O negócio de Bei Li era muito bem-sucedido e ele se orgulhava disso. Ele tinha três filhos que trabalhavam com ele, mas nenhum tinha a cabeça para os negócios que a sua filha Yijing tinha. Além disso, nenhum deles queria assumir o negócio após a sua morte. Quando Yijing implorou por uma chance de administrar o negócio de seu pai, ele concordou, mas insistiu que ela se disfarçasse de homem ao viajar e fazer negócios em nome da família. Se as pessoas soubessem que ela era mulher, ridicularizariam a família e se aproveitariam dela. Embora surpresa com o pedido de seu pai, Yijing concordou e acabou assumindo o negócio, tornando-o extremamente próspero.

Pensamento Crítico

Se você fosse Yijing, o que você poderia ter feito?

Para Confúcio, a terceira abordagem do Caminho da humanidade era a doutrina da conveniência. Onde o Budismo e o Taoísmo defendiam a compaixão e o Moísmo defendia o amor universal, o Confucionismo definia a retidão como a virtude que temperaria a compaixão e o amor para que as pessoas pudessem viver juntas não apenas pacificamente, mas com justiça.25 A retidão incluía uma abordagem prática para a solução de problemas que ajudava a política, a diplomacia e a administração civil florescer.

Essa conveniência, ou quan, é uma característica notável do Confucionismo. Originalmente referindo-se a um pedaço de metal usado em balanças de equilíbrio, quan é aplicado ao pesar opções em um dilema moral e atua como um contrapeso para alcançar a justiça, permitindo que as partes em uma transação cheguem a um acordo equitativo. Em última análise, o quan permite que pessoas e instituições priorizem a ação responsiva sobre o ritual e serve como uma forma de alinhar o que as pessoas fazem com quem elas são, permitindo assim que se tornem mais humanas. Para o empresário, pode significar não fugir do mundo ‘indecoroso’ do mercado, mas reconhecer a humanidade que há nele.

Um exemplo do uso de quan é o Broad Group, um fabricante Chinês de produtos de ar-condicionado central. A empresa produz sistemas de energia limpa e desenvolveu uma alternativa ao Freon. O novo refrigerante mudou a forma como a energia é fornecida a tal ponto que Zhang Yue, diretor executivo da empresa, recebeu o prêmio Champions of the Earth das Nações Unidas em 2011 por seu trabalho em energia verde.26 Certamente, há mais oportunidades para fabricação sustentável e práticas comerciais éticas em toda a China e o estado está tentando promover tais esforços.”

Notas de Fim

1. Alfred North Whitehead, Process and Reality. An Essay in Cosmology. Gifford Lectures Delivered in the University of Edinburgh During the Session 1927–1928. (Cambridge, UK: Cambridge University Press, 1929).

2. Robert C. Solomon, “Business and the Humanities: An Aristotelian Approach to Business Ethics” in Business as a Humanity, eds. Thomas J. Donaldson, R. Edward Freeman. The Ruffin Series in Business Ethics, ed. R. Edward Freeman. (New York: Oxford University Press, 1994), 66-67.

3. Aristotle, The Nicomachean Ethics, translated by J.A.K. Thomson. (New York: Penguin Books, 2004), 1097b.

4. Aristotle, The Nicomachean Ethics, translated by J.A.K. Thomson. (New York: Penguin Books, 2004), 1169b.

5. Aristotle, The Nicomachean Ethics, translated by J.A.K. Thomson. (New York: Penguin Books, 2004), 1124b–1125a.

6. Aristotle, The Nicomachean Ethics, translated by J.A.K. Thomson. (New York: Penguin Books, 2004), 1123b.

7. Aristotle, The Nicomachean Ethics, translated by J.A.K. Thomson. (New York: Penguin Books, 2004), 1142a.

8. William O’Neal, “The Status of Women in Ancient Athens,” International Social Science Review 68, no. 3 (1993): 118.

9. Nigel Wilson, ed., s.v. “Demography” in Encyclopedia of Ancient Greece. (New York: Routledge, 2006), 213–216.

10. South Morning China Post, “2.9 Million Trapped in Modern-Day Slavery in China, 30 Million Worldwide,” October 17, 2013; updated October 18, 2013. http://www.scmp.com/news/world/article/1333894/29-million-trapped-modern-day-slavery-china-30-million-worldwide.

11. Patrick Winn, “Slavery on Thai Fishing Boats Is Straight from the 18th Century,” June 23, 2013. http://www.businessinsider.com/thailandslavery-fishing-boats-2013-6; Amar Toor, “Soccer and Slavery: World Cup Dogged by Reports of Labor Abuse in Qatar,” October 3, 2013. https://www.theverge.com/2013/10/3/4797842/qatar-faces-allegations-of-slave-migrant-labor-ahead-of-world-cup-2022.

12. Aristotle, The Nicomachean Ethics, translated by J.A.K. Thomson. (New York: Penguin Books, 2004), 1096a.

13. Solomon, “Business and the Humanities: An Aristotelian Approach to Business Ethics,” 70.

14. Aristotle, The Nicomachean Ethics, translated by J.A.K. Thomson. (New York: Penguin Books, 2004), 1141b.

15. Marta Rocchi et al, “Margin Call: What if John Tuld Were Christian? Thomistic Practical Wisdom in Financial Decision-Making,” Working Paper no. 01/17 (Pamplona: Universidad de Navarra, Facultad de Ciencias Económicas y Empresariales, 2017), 6. https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2936288.

16. Huston Smith, ed., “Confucianism” in The World’s Religions. (New York: HarperCollins, 1991), 160.

17. Daryl Koehn, “East Meets West: Toward a Universal Ethic of Virtue for Global Business,” Journal of Business Ethics 116, no. 4 (2013): 712.

18. Huston Smith, ed., “Confucianism,” in The World’s Religions. (New York: HarperCollins, 1991), 175.

19. Huston Smith, ed., “Confucianism,” in The World’s Religions. (New York: HarperCollins, 1991), 158–159.

20. Huston Smith, ed., “Confucianism,” in The World’s Religions. (New York: HarperCollins, 1991), 166–167.

21. Chichung Huang, The Analects of Confucius: A Literal Translation with Introduction and Notes. (New York: Oxford University Press, 1997), 14.

22. Chichung Huang, The Analects of Confucius: A Literal Translation with Introduction and Notes. (New York: Oxford University Press, 1997), 23.

23. Chichung Huang, The Analects of Confucius: A Literal Translation with Introduction and Notes. (New York: Oxford University Press, 1997), 22 (16.1).

24. Huston Smith, ed., “Confucianism” in The World’s Religions. (New York: HarperCollins, 1991), 176.

25. Chichung Huang, The Analects of Confucius: A Literal Translation with Introduction and Notes. (New York: Oxford University Press, 1997), 6.

26. UBS, “You May Be Surprised at Which Country Is Setting an Example for the Future of Sustainable Cities,” January 8, 2018. https://mashable.com/2018/01/08/china-sustainable-cities/#qTP12grk4uqc.

Imagem nick-night-7WTVpZw6pEM-unsplash-1.jpg – 30 de julho de 2023

—–continua Parte II—–

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios podem ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.
Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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