Artigo extraído de trechos do livro “Business Ethics”, dos autores Stephen M. Byars – USC Marshall School of Business e Kurt Stanberry – University of Houston-Downtown, para o nosso conhecimento e entendimento sobre a Ética no Ambiente Empresarial ao longo dos tempos e espaços, onde as Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs) demandam os seus negócios.

É conhecido, através de inúmeros estudos Acadêmicos disponíveis na internet, que a relação entre Ética e Espiritualidade nas Organizações tem crescido em interesse nas últimas décadas, daí esse artigo para profunda reflexão sobre a Ética nos Negócios.

“Download for free at https://openstax.org/details/books/business-ethics.” – ©2018 Rice University

Chapter 2 – “Ethics from Antiquity to the Present”

Tradução livre Projeto OREM®

Capítulo 2 – Ética a partir da Antiguidade até o Presente Momento

—–continuação da Parte II—–  

2.5 Deontologia: Ética como Dever

Objetivos de Aprendizado

Ao final dessa seção, você será capaz de:

• Explicar o conceito de dever de Immanuel Kant e o imperativo categórico

• Diferenciar entre Utilitarismo e Deontologia

• Aplicar um modelo de ética empresarial Kantiana

Ao contrário de Bentham e Mill, Immanuel Kant (1724-1804) não estava preocupado com as consequências das ações de alguém ou com os danos causados ​​aos interesses individuais. Em vez disso, ele se concentrou nos motivos e na disposição dos indivíduos de agir para o bem dos outros, mesmo que essa ação pudesse resultar em perda pessoal. Fazer algo pelo motivo certo era muito mais importante para Kant do que qualquer resultado particular.

Despertado A Partir Do ‘Sono Dogmático’

Em 1781, com a idade de cinquenta e seis anos, Kant publicou Critique of Pure Reason [Crítica da Razão Pura] (Kritik der Reinen Vernunft) em Königsberg, Prússia (Figura 2.9).51 Quase imediatamente, transformou-o de um obscuro professor de metafísica e lógica em um figura proeminente no mundo da filosofia. No tomo de 800 páginas, Kant criticou a forma como o Racionalismo (‘razão pura’) assumia o manto da verdade absoluta, suplantando tanto a fé religiosa quanto a ciência empírica. Kant referiu-se à aceitação inquestionável do Racionalismo como Dogmatismo. Seja Cristão ou Revolucionário, o pensamento dogmático deveria ser evitado porque obscurecia as verdades da ciência e da religião por meio de uma lógica falha.

Figura 2.9 Publicado pela primeira vez em 1781, Critique of Pure Reason [Crítica da Razão Pura] de Immanuel Kant forneceu um novo sistema para entender a experiência e a realidade. Defendeu a fé religiosa contra o Ateísmo e o método científico contra o ceticismo do Iluminismo. (crédito a: modificação de ‘Immanuel Kant (1724-1804)’ por ‘Daube aus Böblingen’/Wikimedia Commons, Domínio público; crédito b: modificação da ‘Página de título da edição de 1781 da Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant’ por ‘Tomisti ‘/Wikimedia Commons, Domínio Público) Kant atribuiu ao ceticismo do filósofo empírico David Hume (1711–1776) o despertar do ‘sono dogmático’, embora discordasse de Hume, que afirmava que a mente não existia, mas era o resultado de associações mentais derivadas da experiência sensorial.52 Para Kant, a realidade poderia ser discernida não apenas pelo raciocínio ou pela experiência sensorial, mas somente pelo entendimento da natureza da mente humana.

Kant argumentava que a experiência sensorial não criou a mente, mas sim que a mente criou a experiência por meio de suas estruturas internas. E dentro das estruturas complexas da mente também existia um dever inerente e incondicional de agir eticamente, que Kant chamou de ‘imperativo categórico’, descrito pela primeira vez em Groundwork of the Metaphysic of Morals [Fundamentos da Metafísica da Moral] (1785).53

Em sua forma inicial, Kant descreveu o seu conceito de imperativo categórico da seguinte forma: ‘Aja apenas de acordo com aquela máxima pela qual você pode, ao mesmo tempo, querer que ela se torne uma lei universal.’54 O imperativo categórico (ou incondicional) de Kant tem aplicações práticas para o estudo da ética. O imperativo categórico contém duas suposições principais: (1) Nós temos que agir com base na boa vontade e não puramente por motivos de interesse próprio que nos beneficiam às custas dos outros; (2) Nós não temos que tratar os outros como meios para fins que nos beneficiem sem considerá-los também como fins em si mesmos. Kant sustentava que observar o imperativo categórico ao considerar quais ações tomar levaria diretamente a ações éticas de nossa parte.

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Assista a esse vídeo sobre o imperativo categórico (https://openstax.org/l/53categorical) para aprender mais.

Como você vê o imperativo trabalhando em sua própria vida? Dentro da sua família? Nas suas relações pessoais e profissionais? O entendimento de Kant sobre a relação entre arte e beleza está de acordo com o seu próprio?

Na visão de Kant, o Racionalismo e o Empirismo impediam as pessoas de perceber a verdade sobre a sua própria natureza.

Qual era essa verdade? O que era suficiente para constituí-la? Kant identificou um mundo a priori de conhecimento e entendimento no qual a verdade reside nas estruturas e categorias da mente que estão além da percepção e da razão. Esse era um conceito radical para a época.

No final, a análise sistemática de Kant sobre conhecimento e entendimento forneceu um contrapeso muito necessário para a lógica do Racionalismo Iluminista. A existência das estruturas mentais que ele propôs foi confirmada até hoje. Por exemplo, o consenso científico é que os seres humanos nascem com estruturas cognitivas projetadas especificamente para aquisição e desenvolvimento da linguagem. Ainda mais surpreendente, pode haver estruturas cognitivas semelhantes para moralidade, consciência e tomada de decisão moral.55  Assim, é bem possível que a consciência, se não a felicidade, tenha afinal um componente genético, embora o próprio Kant não acreditasse que as categorias do entendimento ou as estruturas a priori da mente fossem biológicas.

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Leia uma boa pesquisa sobre a crítica de Kant ao Racionalismo Iluminista e ao Empirismo (https://openstax.org/l/53KantCritique) nesse artigo.

Utilitarismo e Deontologia

A partir de uma perspectiva Kantiana, fica claro que a adesão ao dever é o que constrói a estrutura para atos éticos. Isso está em contradição direta com a visão de Bentham da natureza humana como egoísta e exigindo um cálculo objetivo para que a ação ética resulte. Kant rejeitou a ideia de tal cálculo e acreditou, em vez disso, que as percepções foram organizadas em categorias preexistentes ou estruturas da mente. Compare a sua noção de um universo ordenado e proposital de leis com o logos, ou lógica, semelhante dos Gregos antigos. Uma dessas leis incluía a implementação do imperativo categórico de agir eticamente, de acordo com a nossa consciência. No entanto, embora esse imperativo deva ser seguido sem exceção, nem todos o fazem. Nos ensinamentos morais de Kant, os indivíduos ainda tinham livre arbítrio para aceitá-lo ou rejeitá-lo.

Há um claro contraste entre o Utilitarismo, mesmo a versão de Mill, e o sistema ético de Kant, conhecido como Deontologia, no qual o dever, a obrigação e a boa vontade são da maior importância. (A palavra é derivada do Grego deon, que significa dever e logos novamente, aqui significando organização para fins de estudo.56)

Uma decisão ética nos exige que observemos apenas os direitos e deveres que nós devemos aos outros e, no contexto de negócios, que ajamos com base no motivo principal de fazer o que é certo para todas as partes interessadas. Kant não estava preocupado com utilidade ou resultado – o seu sistema não era direcionado para resultados. A questão para ele não era como alcançar a felicidade, mas como se tornar digno dela.

Assim como Aristóteles e Confúcio, Kant ensinava que os aspectos transcendentes da natureza humana, se seguidos, nos levariam inevitavelmente a tratar as pessoas como fins e não como meios. Ser moral significava renunciar ao Dogmatismo desinformado e ao Racionalismo, respeitar o imperativo categórico e abraçar a liberdade, o senso moral e até mesmo a divindade. Esse não era um objetivo elevado ou inatingível na mente de Kant, porque essas virtudes constituíam parte da estruturação sistemática da mente humana. Isso pode ser alcançado vivendo com verdade ou, como dizemos hoje, com autenticidade. Tal feito transcendeu a lógica tanto do Racionalismo quanto do Empirismo.

O QUE VOCÊ FARIA?

Les Misérables

Você pode ter visto o muito popular show da Broadway ou filme Les Misérables, baseado no épico romance francês do século XIX de Victor Hugo com o mesmo nome. O personagem principal, Jean Valjean, rouba um pão para alimentar a família faminta de sua irmã e é preso e enviado para a prisão. Se aplicarmos o raciocínio convencional e os princípios da lei a seu crime, Valjean é genuinamente culpado da acusação e nós não necessitamos considerar nenhuma circunstância atenuante. No entanto, em um quadro ético Kantiano, nós levaríamos em conta os motivos de Valjean, bem como o seu dever de tratar a família de sua irmã como fins em si mesmos que merecem viver. O destino de Valjean demonstra o que pode ocorrer quando há uma lacuna entre o legal e o moral. Claramente, Valjean infringiu a lei ao roubar o pão. No entanto, ele agiu moralmente corrigindo um erro e possivelmente salvando vidas humanas. De acordo com a ética Kantiana, Valjean pode ter sido ético ao roubar pão para a sua família, principalmente porque a ação foi baseada na boa vontade e beneficiou os outros mais do que a si mesmo.

Pensamento Crítico

• Já foi dito que na ética Kantiana o dever vem antes da beleza e a moralidade antes da felicidade. Você consegue pensar em outras situações em que é apropriado quebrar um código moral para satisfazer outro, talvez maior? Quais são os fatores decisivos em cada caso?

• O que você faria se fosse Jean Valjean?

Ética Kantiana nos Negócios

Ao contrário do Utilitarismo, que constitui o fundamento filosófico para a maioria das análises de custo-benefício nos negócios, a ética Kantiana não é tão facilmente aplicada. Por um lado, ela oferece uma oportunidade única para o desenvolvimento da moralidade individual por meio do imperativo categórico de agir eticamente, que enfatiza a humanidade e a autonomia.57 Esse imperativo aborda um lado importante da ética nos negócios: o pessoal. Caráter e formação moral são cruciais para criar uma cultura ética. De fato, a ética nos negócios [empresarial] está repleta de casos de empresas que sofreram crises danosas devido ao descompromisso de seus dirigentes em agir com boa vontade e em pensar no que beneficia os outros.

Exemplos recentes incluem o Uber, onde um ambiente de trabalho tóxico foi autorizado a prevalecer e a Volkswagen, que conscientemente deturpava o nível de emissões de seus carros.58 Esses exemplos também existem no governo, como confirmam os recentes escândalos Theranos e ‘Fat Leonard’.59 Esse último consistia em suborno e corrupção na frota da Marinha dos EUA no Pacífico e tem sido uma fonte contínua de constrangimento para uma instituição que se orgulha da conduta honrosa de seus oficiais. Uma pessoa pode fazer a diferença, positivamente ou negativamente.

Por outro lado, o imperativo categórico de Kant é apenas isso: categórico ou incondicional. Exige um comportamento moralmente correto, independentemente das circunstâncias externas ou do contexto histórico de um ato ou decisão proposta. Kant afirmou que ‘a lei moral é um imperativo, que comanda categoricamente, porque a lei é incondicionada.’60 A ética incondicional pode ser um desafio para uma organização global que lida com fornecedores, clientes e concorrentes em culturas às vezes muito diferentes. Isso levanta uma questão filosófica mais ampla: a saber, Kant estava correto ao acreditar que a moralidade e as categorias mentais são independentes da experiência? Ou eles podem ser condicionados culturalmente e, se assim for, isso os torna relativos em vez de absolutos, como Kant acreditava que fossem?

Essa questão se a ética é universal, ela é distintamente Kantiana, porque Kant acreditava que não apenas um agente moral tem que agir com os interesses dos outros em mente e ter as intenções corretas, mas também que a ação seja universalmente aplicável. Pense em como a ética Kantiana pode ser aplicada não apenas no nível individual, mas em toda a organização e, em seguida, na sociedade. Kant julgava um ato corporativo ético se beneficiasse os outros ao mesmo tempo em que beneficiava a liderança da empresa e os acionistas e se não colocasse os seus interesses acima dos de outras partes interessadas.

Se a lealdade a um colega de trabalho entrar em conflito com a lealdade a um supervisor ou à organização, por exemplo, então os atos resultantes dessa lealdade podem não atender às condições da Deontologia. Tanto o supervisor quanto a empresa seriam tratados como um meio e não como um fim. Embora o elemento qualitativo ou humanizador da ética Kantiana tenha amplo apelo, ele encontra limitações em um ambiente de negócios real. Se as limitações têm efeitos bons ou ruins depende da cultura e liderança da organização. Em geral, porém, a maioria das empresas não adere às rígidas teorias Kantianas, porque elas olham para o resultado de suas decisões em vez de focar em motivos ou intenções.

CASOS A PARTIR DO MUNDO REAL

Samsung

No outono de 2016, a Samsung Electronics experimentou um enorme desastre de relações públicas quando os seus smartphones Galaxy Note 7 começaram a explodir devido a baterias e carcaças defeituosas. Inicialmente, a empresa negou que houvesse problemas técnicos. Então, quando ficou óbvio que os telefones explodindo representavam uma ameaça à segurança e à saúde (eles foram banidos dos aviões), a Samsung acusou os seus fornecedores de criar o problema. Na realidade, a pressa para superar a data de lançamento do iPhone 7 da Apple foi a razão mais provável pela qual os cantos foram cortados na produção. A Samsung finalmente assumiu o problema, recolheu mais de dois milhões de telefones em todo o mundo e os substituiu por novos e aprimorados Galaxy Note 7s.

A resposta da empresa e a substituição dos telefones contribuíram muito para neutralizar o desastre e até mesmo aumentar o preço das ações da empresa. Se a administração soubesse disso, a sua resposta seria Kantiana. A Samsung concentrou-se no fim (ou seja, segurança e satisfação do cliente) com o objetivo de fazer a coisa eticamente responsável. Embora alguns possam argumentar que a empresa poderia ter feito bem mais e muito mais rapidamente, talvez ela ainda agisse de acordo com o imperativo categórico. O que você acha?

Pensamento Crítico

• Como o imperativo categórico pode se tornar parte da cultura organizacional? Isso poderia funcionar nos negócios?

• Você vê o imperativo categórico como aplicável aos seus próprios interesses e esperança de uma carreira?

2.6 Uma Teoria da Justiça

Objetivos de Aprendizado

Ao final dessa seção, você será capaz de:

• Avaliar a resposta de John Rawls ao Utilitarismo

• Analisar o problema de redistribuição

• Aplicar a teoria da justiça em um contexto de negócios

Esse artigo começou com uma imagem da Justiça segurando uma balança no alto como um símbolo de equilíbrio e justiça. Termina com um filósofo político Americano para quem a distribuição igualitária de recursos era uma preocupação primordial. John Rawls (1921–2002) queria mudar o debate que prevalecia nas décadas de 1960 e 1970 no Ocidente sobre como maximizar a riqueza para todos. Ele procurou não maximizar a riqueza, que era um objetivo utilitário, porém estabelecer a justiça como o critério pelo qual os bens e os serviços eram distribuídos entre a população. Justiça, para Rawls, tinha a ver com equidade – na verdade, ele frequentemente usava a expressão justiça como equidade – e o seu conceito de equidade era político e dependia do Estado para cuidar dos mais desfavorecidos. Em sua teoria da justiça, ofereceu como alternativa ao Utilitarismo dominante da época, a ideia de justiça aplicada além do indivíduo para incluir a comunidade, bem como a análise da injustiça social com remédios para corrigi-la.

Teoria da Justiça

Rawls desenvolveu uma teoria da justiça baseada nas ideias Iluministas de pensadores como John Locke (1632-1704) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que defendiam a teoria do contrato social. A teoria do contrato social sustentava que o estado natural dos seres humanos era a liberdade, mas que os seres humanos se submeteriam racionalmente a algumas restrições à sua liberdade para garantir a sua segurança e benefício mútuos, não a subjugação a um monarca, não importa quão benigno ou bem-intencionado.

Essa ideia é paralela à de Thomas Hobbes (1588-1679), que interpretou a natureza humana como egoísta e brutal a ponto de, na ausência da mão forte de um governante, o resultado seria o caos. Assim, as pessoas consentem voluntariamente em transferir a sua autonomia para o controle de um soberano, de modo que as suas próprias vidas e propriedades sejam garantidas. Rousseau rejeitava essa visão, assim como Rawls, que expandiu a teoria do contrato social para incluir a justiça como equidade. Em A Theory of Justice (1971), Rawls introduziu um sistema universal de justiça e um conjunto de procedimentos para alcançá-lo. Ele defendia um sistema de governança prático e empiricamente verificável que seria político, social e econômico em seus efeitos.

A teoria da justiça de Rawls contém três princípios e cinco etapas processuais para alcançar a justiça. Os princípios são (1) uma ‘posição original’, (2) um ‘véu de ignorância’ e (3) unanimidade de aceitação da posição original.61 Por posição original, Rawls quis dizer algo semelhante à compreensão de Hobbes sobre o estado da natureza, uma situação hipotética em que pessoas racionais podem chegar a um acordo contratual sobre como os recursos serão distribuídos de acordo com os princípios da justiça como equidade. Esse acordo pretendia refletir não a realidade presente, mas um estado de coisas desejado entre as pessoas da comunidade.

O véu da ignorância (Figura 2.10) é uma condição na qual as pessoas chegam à posição original imaginando que não têm identidade em relação à idade, sexo, etnia, educação, renda, atratividade física ou outras características. Dessa forma, eles reduzem o seu viés e interesse próprio. Por último, a unanimidade de aceitação é a exigência de que todos concordem com o contrato antes que ele entre em vigor. Rawls esperava que essa teoria da justiça fornecesse uma garantia mínima de direitos e liberdades para todos, porque ninguém saberia, até que o véu fosse levantado, se eles eram homens, mulheres, ricos, pobres, altos, baixos, inteligentes, uma minoria, Católico Romano, inválido, veterano e assim por diante.

As cinco etapas processuais, ou ‘conjecturas’, são (1) entrar no contrato, (2) concordar unanimemente com o contrato, (3) incluir condições básicas no contrato, como liberdade de expressão, (4) maximizar o bem-estar das pessoas mais desfavorecidas e (5) assegurar a estabilidade do contrato.62 Essas etapas criam um sistema de justiça que Rawls acreditava que dava à equidade o seu devido lugar acima da utilidade e do resultado final. As etapas também apoiavam a sua crença no impulso instintivo das pessoas por justiça e tratamento equitativo.

Talvez isso seja mais bem visto em um ambiente educacional, por exemplo, a universidade. Ao se matricular, os estudantes firmam um contrato que inclui liberdades básicas, como reunião e expressão. Estudantes em desvantagem (por exemplo, aqueles sobrecarregados com empréstimos, empregos ou outras restrições financeiras) são acomodados da melhor maneira possível. O contrato entre a universidade e os estudantes tem se mostrado estável ao longo do tempo, de geração em geração. Esse mesmo procedimento se aplica em um nível micro à experiência em sala de aula entre um professor individual e os estudantes. Nas últimas décadas – para o bem ou para o mal – o programa do curso assumiu o papel de um contrato escrito que expressa esse relacionamento.

Rawls deu um exemplo do que ele chamou de ‘pura justiça processual’ em que um bolo é dividido entre várias pessoas.63 Por meio de qual acordo o bolo deve ser dividido? Rawls determinou que a melhor maneira de dividir o bolo é fazer com que a pessoa que está cortando o bolo pegue o último pedaço. Isso garantirá que todos recebam uma quantia igual.

O que é importante é um padrão independente para determinar o que é justo e um procedimento para implementá-lo.64

O Problema da Redistribuição

Parte da crítica de Rawls ao Utilitarismo é que o seu cálculo de utilidade pode levar à tirania. Se nós definimos prazer como aquele que é popular, a minoria é capaz de sofrer de maneiras terríveis e a maioria vir a ser não mais que números. Isso veio a ficar claro na tentativa de Mills de humanizar o cálculo de Bentham. Mas o princípio do dano de Mills teve um efeito tão ruim, pelo motivo oposto. Não exigia que ninguém desistisse de nada se tivesse que ser feito por meio de coerção ou força.

Para estender o exemplo do bolo de Rawls, se uma pessoa fosse dona de uma padaria e outra pessoa passasse fome, como a irmã de Jean Valjean em Les Misérables, o Utilitarismo forçaria o padeiro a abrir mão do que tinha para satisfazer o faminto sem levar em conta se o padeiro tinha mais dívidas, um cônjuge doente que requer tratamento médico ou um filho com empréstimos educacionais; em outras palavras, o contexto da situação é importante e não apenas as consequências.

No entanto, o Utilitarismo de Mill, aderindo ao princípio do dano, deixaria a pessoa faminta à sua própria sorte. Pelo menos ele ou ela teria uma fatia de bolo. Esse era o problema de distribuição e redistribuição que Rawls esperava resolver, não calculando prazer e dor, lucro e perda, mas aplicando a justiça como um valor normativo que beneficiaria os indivíduos e a sociedade.65

O problema com essa abordagem é que a teoria da justiça é uma forma radical e igualitária de Liberalismo na qual a redistribuição de bens e serviços materiais ocorre sem levar em consideração o contexto histórico ou a presunção que muitos compartilham de que é inerentemente errado tomar a propriedade legalmente adquirida por alguém e distribuí-la a outro.

Rawls tem sido criticado por promover o mesmo tipo de coerção que pode existir no Utilitarismo, mas com base na justiça e não no prazer. A justiça em nível social garantiria moradia, educação, tratamento médico, alimentação e as necessidades básicas da vida para todos. No entanto, como mostraram as recentes campanhas políticas, a questão de quem pagará por esses bens e serviços garantidos por meio de impostos é controversa.

Essas não são questões meramente fiscais e políticas; elas são questões filosóficas que exigem que respondamos a questões de lógica e, especialmente no caso da teoria da justiça, da equidade. E, naturalmente, nós temos que perguntar, o que é justo?

Os princípios e etapas de Rawls assumem que a forma como ocorre a redistribuição de bens e serviços seria acordada pelas pessoas da comunidade para evitar qualquer problema de justiça. Mas as perguntas permanecem. Por um lado, a justiça de Rawls, como a representação icônica, é cega e não pode ver as circunstâncias em que os bens e serviços são distribuídos. Em segundo lugar, nós podemos questionar se uma noção de justiça é realmente inata. Em terceiro lugar, apesar da alegação de que a teoria da justiça não é Consequencialista (o que significa que os resultados não são a única coisa que importa), há um aspecto coercitivo na justiça de Rawls uma vez que o contrato está em vigor, substituindo a utilidade pela justiça obrigatória. Quarto, esse é o tipo de sistema no qual as pessoas se desenvolvem e prosperam ou, ao se concentrar nos piores, a iniciativa, a inovação e a criatividade são prejudicadas por parte de todos os outros?

Talvez o crítico mais contundente de Rawls a esse respeito tenha sido o seu colega da Universidade de Harvard, Robert Nozick (1938–2002), que escreveu A Theory of Entitlement (1974) como uma refutação direta da teoria da justiça Rawlsiana.66 Nozick argumentava que o poder do estado nunca pode ser usado eticamente para privar alguém da propriedade que ele ou ela obteve ou herdou legalmente para distribuí-la a outros que dela necessitem.

Ainda assim, uma das vantagens da teoria da justiça sobre os outros sistemas éticos apresentados nesse capítulo é a sua ênfase no método em oposição ao conteúdo. O sistema é executado em uma metodologia ou processo para chegar à verdade por meio do valor subjacente da justiça. Novamente, nesse sentido, assemelha-se ao Utilitarismo, no entanto, ao exigir unanimidade, evita os extremos das versões de Bentham e Mill. Como método em ética, pode ser aplicado de várias maneiras e em múltiplas disciplinas, porque pode ser adaptado a praticamente qualquer conteúdo carregado de valores. Claro, isso levanta a questão do conteúdo versus método na ética, especialmente porque a ética foi definida como um conjunto de normas culturais baseadas em valores acordados. O método pode ser mais eficaz para determinar quais são esses valores subjacentes, em vez de como eles são implementados.

Figura 2.10 O ‘véu da ignorância’ na ‘posição original’ de Rawls. Aqueles na posição original não têm ideia de quem serão quando o véu (parede) for levantado. Rawls pensou que tal escolha poderia motivar as pessoas da comunidade a fazer escolhas justas. (atribuição: Copyright Rice University, OpenStax, sob licença CC BY 4.0)

LINK PARA APRENDIZADO

O ‘véu da ignorância’ é um conceito central na teoria da justiça de Rawls. O que ele é? O que ele tenta realizar? Assista a esse vídeo sobre como ‘a concessão pode melhorar a tomada de decisões’ (https://openstax.org/l/53Rawls) para explorar mais.

Justiça nos Negócios

Embora nenhuma estrutura ética seja perfeita ou se encaixe completamente em uma determinada época, a teoria da justiça de Rawls tem vantagens distintas quando aplicada aos negócios no século XXI.

Em primeiro lugar, à medida que as empresas vêm a ser interdependentes e globalizadas, elas têm que prestar mais atenção ao controle de qualidade, aos recursos humanos e à liderança em diversos ambientes. O que dará maior legitimidade a uma organização nessas áreas do que a equidade? A equidade é um valor transcultural, adotado por diferentes grupos sociais e entendido por quase todos. No entanto, o que é considerado equitativo depende de vários fatores, incluindo valores subjacentes e características individuais, como personalidade. Por exemplo, nem todos concordam se ou como a diversidade deve ser alcançada. Também não há consenso sobre ação afirmativa ou redistribuição de recursos ou renda. O que é justo para alguns pode ser extremamente injusto para outros. Isso representa uma oportunidade de debate engajado e participação entre os membros da comunidade de Rawls.

Em segundo lugar, como nós vimos anteriormente, a teoria da justiça fornece um método para alcançar a justiça, o que pode torná-la uma parte prática e valiosa do treinamento em todos os níveis de uma empresa. O fato de seu conteúdojustiça e equidade – ser mais acessível às pessoas contemporâneas do que a ética da virtude Confuciana e mais flexível do que o imperativo categórico de Kant, o torna uma maneira eficaz de lidar com as partes interessadas e a cultura organizacional.

A teoria da justiça também pode fornecer uma maneira perfeita de se engajar externamente na responsabilidade social corporativa e internamente no desenvolvimento dos funcionários. A equidade como doutrina corporativa pode ser aplicada a todas as partes interessadas e definir uma cultura de confiança e abertura, com todos os benefícios correspondentes, em marketing, publicidade, desenvolvimento de conselhos, relacionamento com clientes e assim por diante.

Ela é também uma forma eficaz de integrar a ética nos negócios à organização, de modo que a ética não seja mais vista como responsabilidade exclusiva do departamento de compliance ou da equipe jurídica. Os líderes locais e os gerentes intermediários entendem a justiça; os funcionários provavelmente ainda mais, porque são mais diretamente afetados pela falta dela. A justiça, então, é tanto parte do trabalho quanto um processo contínuo de um sistema ético. Sem dúvida, faz com que a força de trabalho seja mais feliz e produtiva. Uma organização dedicada a ela também pode desempenhar um papel maior na vida cívica e no processo político, o que, por sua vez, ajuda a todas as pessoas.

O QUE VOCÊ FARIA?

Experimento do Pensamento de John Rawls

A posição original de John Rawls representa uma comunidade na qual você não tem ideia de que tipo de pessoa você acabará sendo. Nesse sentido, é como a própria vida. Afinal, você não tem ideia de como será o seu futuro. Você pode acabar rico, pobre, casado, solteiro, morando em Manhattan ou no Peru. Você pode ser um cirurgião ou pescador de esturjão. No entanto, há uma comunidade da qual você provavelmente fará parte em algum momento: os idosos. Dado que você sabe disso, mas não tem certeza dos detalhes, com quais condições você concordaria agora para que os idosos fossem atendidos? Lembre-se de que você provavelmente se juntará a eles e experienciará os efeitos do que decidir agora. Você está vivendo atrás não de um véu espacial da ignorância, mas um véu temporal da ignorância.

Pensamento Crítico

• Do que você está disposto a abrir mão para que os idosos — sejam eles quem forem — recebem cuidados e segurança em seus últimos anos?

• Você deveria ter que pagar por um sistema que fornece cobertura médica para outras pessoas menos preocupadas com a saúde do que você? Por que ou por que não?

Termos Chave

Imperativo categórico –

O preceito incondicional de Kant de que nós temos que ‘agir apenas de acordo com aquela máxima pela qual você pode, ao mesmo tempo, querer que ela se torne uma lei universal’; agir com base na boa vontade, em vez de motivos puramente de interesse próprio e nunca tratar os outros como meios para um fim sem considerá-los como fins em si mesmos

Consequencialismo –

Uma teoria ética em que as ações são julgadas apenas por suas consequências, sem levar em consideração o caráter, a motivação ou os princípios absolutos do bem e do mal e separadas de sua capacidade de produzir felicidade e prazer

Eudaimonia –

A felicidade ou florescimento humano que resulta da atividade virtuosa; é mais do que contentamento ou satisfação

Média de ouro (média áurea) –

Na ética da virtude Aristotélica, o objetivo do comportamento ético, um valor entre o excesso e a deficiência

Princípio do dano –

A ideia de que o único propósito para o qual o poder do estado pode ser usado corretamente é prevenir danos a outros

Junzi –

Uma pessoa graciosa, magnânima e culta; um ser humano florescente

Justiça como equidade –

Resumo de Rawls da essência de sua teoria da justiça

Teoria da justiça –

A ideia de justiça aplicada além do indivíduo para incluir a comunidade, bem como a análise da injustiça social com remédios para corrigi-la

Li –

A ordem adequada do universo e os costumes e rituais que sustentam a ordem e a harmonia na Terra

Ética gerencial –

Uma maneira de se relacionar consigo mesmo, com os funcionários e com a organização que equilibra a responsabilidade individual e coletiva

Posição original –

Na teoria da justiça de Rawls, uma situação hipotética na qual pessoas racionais podem chegar a um acordo contratual sobre como os recursos devem ser distribuídos de acordo com os princípios da justiça como equidade

Phrónēsis –

Prudência ou sabedoria prática; a virtude intelectual que Aristóteles considerava mais importante

Quan –

Conveniência; uma consideração prática da correção relativa das opções ao considerar um dilema moral

Teoria do contrato social –

Uma teoria que sustenta que o estado natural dos seres humanos é a liberdade, mas que os seres humanos se submeterão racionalmente a algumas restrições à sua liberdade para garantir a sua segurança e o benefício mútuos

Unanimidade de aceitação –

Na teoria de Rawls, a exigência de que todos concordem com o contrato antes que ele entre em vigor

Função de utilidade –

Uma medida, em ‘utils’, do valor de um bem, serviço ou ação proposta em relação ao princípio utilitário do bem maior, ou seja, aumentar a felicidade ou diminuir a dor

Véu da ignorância –

Na teoria de Rawls, uma condição na qual as pessoas chegam à posição original imaginando que não têm identidade em relação a idade, sexo, etnia, educação, renda, atratividade física ou outras características; dessa forma, elas reduzem o seu viés e interesse próprio

Ética das virtudes –

Um sistema ético baseado no exercício de certas virtudes (lealdade, honra, coragem) enfatizando a formação do caráter

Resumo

2.1 O Conceito de Negócios Éticos na Atenas Antiga

O papel da ética em Atenas durante a Era de Ouro da Grécia (século V aC) foi substancial. Aristóteles enfocou o papel da virtude no desenvolvimento do caráter individual e da estabilidade social. Ele acreditava que as ações de uma pessoa determinavam se ela era virtuosa e o objetivo da vida virtuosa era a felicidade, ou eudaimonia.

Aristóteles identificou dois tipos de virtudes: as intelectuais e as morais. As virtudes intelectuais foram adquiridas por meio do aprendizado e serviram como guias para o comportamento, ajudando o indivíduo a descobrir a verdade. As virtudes morais foram adquiridas pelo hábito e o caráter construído ajudando alguém a buscar o que é benéfico e evitar o que é prejudicial na vida cotidiana. Aristóteles considerava a phrónēsis, ou prudência, a virtude mais importante, por causa de sua aplicação prática.

O filósofo e teólogo do século XIII Tomás de Aquino concordava com Aristóteles que agir desonrosamente lança descrédito a todos os envolvidos. Fins e meios tinham de ser alinhados, particularmente nos negócios, que forneciam o sustento das pessoas e asseguravam a saúde econômica da cidade-estado.

2.2 Conselhos Éticos para Nobres e Funcionários Públicos na China Antiga

Confúcio (551–479 aC) tentou revisar antigas tradições e costumes Chineses para combater o caos social de sua época. O seu sistema de ética das virtudes enfatizava os relacionamentos e, quando seguido fielmente, conduzia ao dao da humanidade, ou seja, a verdadeira convivência harmoniosa. Havia três maneiras de alcançar dao: ‘sinceridade e veracidade de todo o coração’, o ‘meio constante’ e ‘conveniência’ (quan). Alguém que vivia virtuosamente tornava-se mais humano, o que resultava em um indivíduo próspero e uma nação ordenada.

Na ética da virtude Confuciana, os negócios eram vistos como uma rede de relacionamentos dependentes de confiança e retidão. A retidão era uma forma de justiça que compelia todos a agir de boa fé. Considerada dessa forma, a justiça permite a criação de riqueza, o investimento e o planejamento estratégico, desde que todos cumpram o seu papel e ajam de acordo com o padrão básico de relacionamento identificado por Confúcio.

2.3 Comparando a Ética da Virtude do Oriente e do Ocidente

Aristóteles e Confúcio construíram, cada um, um sistema ético baseado na virtude, com o resultado antecipado de Aristóteles sendo a felicidade e o de Confúcio sendo a harmonia. Para Aristóteles, a felicidade consistia na busca da verdade.

Confúcio procurou criar um sistema que acabasse com o caos civil. Embora ambos os sistemas dependessem da razão e do controle para alcançar os seus fins, Aristóteles colocou o locus do comportamento ético nos indivíduos, mas sustentava que uma educação moral e um bom governo político também contribuíam para a formação do caráter moral.

Confúcio via esse locus na família, que fornecia o padrão básico de relacionamentos para a vida pessoal e profissional. A razão prevalecia por toda parte, como no cultivo de uma pessoa mais justa e humana.

Em um contexto de negócios, a razão e o controle estão diretamente relacionados à gestão, liderança e cultura corporativa.

Eles constituem uma forma de cultivar a virtude individual e o ethos corporativo de forma que os dois andem de mãos dadas.

O ambiente ou a cultura de uma organização necessita de indivíduos de caráter que possam seguir a sua consciência e experienciar a conversão moral. Nós podemos imaginar o surgimento de valores universais como razão e controle que nutrem tanto o indivíduo quanto a organização.

2.4 Utilitarismo: O Maior Bem para o Maior Número

Jeremy Bentham desenvolveu um método quantificável para determinar o que era benéfico e o que era prejudicial. Ele chamou esse método de Utilitarismo, porque a sua unidade básica, o ‘util’, agia como uma unidade monetária.

O protegido de Bentham, John Stuart Mill, refinou esse sistema para incluir os direitos humanos. O seu ‘princípio do dano’ é um elemento marcante em sua versão do Utilitarismo.

O Utilitarismo nos negócios pode levar a uma mentalidade de resultados na qual as decisões são baseadas em alcançar o maior bem para a organização, uma vez que diz respeito ao maior número de partes interessadas, incluindo acionistas e todos os outros afetados pelas ações da organização. O resultado é o fator determinante, não a intenção dos atores ou se as pessoas são tratadas com humanidade.

2.5 Deontologia: Ética como Dever

Rejeitando o pensamento dogmático de todos os tipos, Kant acreditava que as pessoas não eram a soma total de reações a estímulos, mas seres complexos com estruturas inatas de entendimento e sensibilidade moral inata. A seu ver, todos tinham o dever de obedecer a um imperativo categórico de fazer a coisa justa e moral, independentemente das consequências.

O resultado de um ato não era tão importante quanto a intenção do ator e se o ato tratava os outros como fins ou meios. Aqui, Kant refletiu a ética da virtude Aristotélica ao ver as pessoas como fins em si mesmas e não como ‘ferramentas vivas’ ou recursos humanos.

Essa visão tipicamente não governa a maioria das decisões de gerenciamento nos negócios; indiscutivelmente, o Utilitarismo é a teoria eficiente e prática na qual os líderes corporativos frequentemente confiam. No entanto, um entendimento Kantiano da ética nos negócios permanece viável até hoje e às vezes se manifesta nas ações mais compassivas e humanas que as organizações comerciais em evolução adotam.

2.6 Uma Teoria da Justiça

Rawls desenvolveu uma teoria da justiça baseada na teoria do contrato social, sustentando que o estado natural dos seres humanos é a liberdade, não a subjugação a um monarca, por mais benigno ou bem-intencionado que seja. A teoria de Rawls vê os seres humanos como inerentemente bons e, ecoando Kant, inclinados à retidão moral e à ação. Em sua teoria, Rawls incluiu o ‘véu da ignorância’, que garante objetividade em nossas escolhas e evita preconceitos. A crítica à teoria de Rawls concentra-se principalmente na questão da distribuição, porque as decisões tomadas na ignorância não recompensam a inovação e o empreendedorismo nem encorajam o risco.

Perguntas de Avaliação

1. Qual das seguintes não é uma virtude intelectual de acordo com Aristóteles?

A. a ordem básica da vida

B. conhecimento

C. sabedoria

D. prudência

2. A prudência deliberativa faz tudo o que segue, exceto ________.

A. alinhar fins e meios

B. incentivar a prodigalidade

C. evitar conflitos

D. evitar comportamento precipitado

3. Verdadeiro ou falso? Segundo Aristóteles, a felicidade é uma atividade virtuosa da alma.

4. Verdadeiro ou falso? É possível agir deliberada e astutamente de uma maneira boa ou para um bom fim.

5. Como a ética da virtude pode se aplicar aos negócios contemporâneos?

6. Quan significa qual das seguintes?

A. adesão ao passado

B. tradição filosófica

C. praticidade

D. insistência no protocolo

7. Os Analectos de Confúcio ________.

A. são semelhantes à Ética a Nicômaco de Aristóteles

B. representam uma tradição oral

C. refletem os ideais budistas

D. codificam um sistema de ética da virtude

8. Verdadeiro ou falso? A ética da virtude Confucionista é semelhante à versão Aristotélica no sentido de que ambas são muito práticas.

9. Verdadeiro ou falso? De acordo com Confúcio, a esperança de reforma da sociedade Chinesa era um sistema de planejamento centralizado.

10. Como é possível a qualidade de ser íntegro e a sinceridade poderem servir como modelos de avaliação de risco?

11. ‘Controle’ conforme usado nessa seção não se refere a qual dos seguintes?

A. reverência

B. phrónēsis

C. temperança

D. autorregularão Confuciana

12. A ética gerencial está relacionada à qual dos seguintes?

A. riqueza do acionista

B. justiça

C. burocracia

D. honra

13. Verdadeiro ou falso? Tanto no Oriente quanto no Ocidente, os meios usados ​​para atingir um determinado fim são muitas vezes mais importantes do que o fim.

14. Verdadeiro ou falso? O Individualismo era o maior valor na ética Confuciana.

15. O Utilitarismo é um sistema que ________.

A. considera as condições históricas

B. aborda a deliberação Aristotélica

C. baseia-se na teoria da lei natural

D. tenta quantificar o bem

16. Em On Liberty, John Stuart Mill ________.

A. propõe um princípio de dano

B. exalta o Libertarianismo [Libertarismo]

C. prescreve uma resposta consequencialista para crises éticas

D. rejeita direitos

17. Verdadeiro ou falso? A ênfase de John Stuart Mill nos direitos humanos o distingue de Jeremy Bentham.

18. Como o Utilitarismo afeta a prática empresarial contemporânea?

19. O valor que John Stuart Mill atribuiu ao processo deliberativo e à expressão individual como principais formas de chegar à verdade tem alguma relevância para o debate político hoje?

20. Immanuel Kant se opôs ao Dogmatismo em ________.

A. religião

B. ciência

C. ambos A e B

D. nem A nem B

21. Verdadeiro ou falso? Immanuel Kant afirmou que as pessoas muitas vezes interpretam a razão subjetivamente.

22. Verdadeiro ou falso? Uma crítica ao imperativo categórico de Immanuel Kant é que a sua recusa em permitir exceções ao agir eticamente é impossível de observar na vida.

23. Quais são as diferenças essenciais entre a versão do Utilitarismo de John Stuart Mill e a Deontologia de Immanuel Kant?

24. Como a ética Kantiana funciona em um ambiente de negócios?

25. A teoria da justiça de John Rawls é baseada em qual dos seguintes?

A. estruturas cognitivas

B. dever moral

C. teoria do contrato social

D. sobrevivência do mais apto

26. O ‘véu da ignorância’ garante qual das seguintes opções?

A. delírio em massa

B. objetividade

C. autossuficiência

D. razão Iluminista

27. Verdadeiro ou falso? A teoria da justiça de John Rawls é principalmente não-Utilitarista.

28. Uma característica distintiva da teoria da justiça é que ela enfatiza o método sobre o conteúdo.

29. Que desafios a teoria da justiça Rawlsiana apresenta quando se trata da redistribuição de bens e serviços na sociedade?

Notas de Fim

51. Immanuel Kant, Critique of Practical Reason. http://www.gutenberg.org/cache/epub/5683/pg5683-images.html (accessed November 19, 2017).

52. David Hume, A Treatise of Human Nature, Section I. https://www.gutenberg.org/files/4705/4705-h/4705-h.htm#link2H_4_0042 (accessed November 18, 2017), I.

53. Immanuel Kant, Critique of Practical Reason, I. http://www.gutenberg.org/cache/epub/5683/pg5683-images.html (accessed November 19, 2017).

54. Immanuel Kant, Grounding for the Metaphysics of Morals. On a Supposed Right to Lie Because of Philanthropic Concerns, translated by James W. Ellington. (Indianapolis, IN: Hackett, 1993), 30.

55. Edward O. Wilson, “The Biological Basis of Morality,” The Atlantic, April 1998; Internet Encyclopedia of Philosophy, s.v. “Morality and Cognitive Science” (by Regina A. Rini). https://www.iep.utm.edu/m-cog-sc/.

56. Stanford Encyclopedia of Philosophy, s.v. “Deontological Ethics” (by Larry Alexander and Michael Moore). https://plato.stanford.edu/entries/ ethics-deontological/ (accessed November 19, 2017).

57. Immanuel Kant, Critique of Practical Reason, Preface. http://www.gutenberg.org/cache/epub/5683/pg5683-images.html (accessed November 19, 2017).

58. Biz Carson, “Cocaine and Groping—Bombshell Report on Uber’s Work Environment Makes It Sound Awful and Full of Bros,” Business Insider, February 22, 2017. http://www.businessinsider.com/another-negative-report-about-uber-work-environment-2017-2; Jack Ewing, “Engineering a Deception: What Led to Volkswagen’s Diesel Scandal,” New York Times, March 16, 2017. https://www.nytimes.com/ interactive/2017/business/volkswagen-diesel-emissions-timeline.html.

59. Mark D. Faram,“2 Navy Officers Sentenced in ‘Fat Leonard’ Case,” Navy Times, March 7, 2018. https://www.navytimes.com/news/yournavy/2018/03/07/o-6-and-o-5-sentenced-in-fat-leonard-case/ (accessed March 8, 2018); Sarah Ashley O’Brien, “Theranos Founder Elizabeth Holmes Charged With Massive Fraud,” CNN, March 14, 2018. http://money.cnn.com/2018/03/14/technology/theranos-fraudscandal/index.html.

60. Immanuel Kant, Critique of Practical Reason, VII. http://www.gutenberg.org/cache/epub/5683/pg5683-images.html (accessed November 19, 2017).

61. John Rawls, A Theory of Justice. (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2009), 120, 136.

62. John Rawls, A Theory of Justice. (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2009), 121, 464.

63. John Rawls, A Theory of Justice. (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2009), 85.

64. John Rawls, A Theory of Justice. (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2009), 85.

65. Stanford Encyclopedia of Philosophy, s.v. “John Rawls. 3.3 Reasonable Pluralism and the Public Political Culture” (by Leif Wenar). https://plato.stanford.edu/entries/rawls/ (accessed November 20, 2017).

66. Stanford Encyclopedia of Philosophy, s.v. “Robert Nozick’s Political Philosophy” (by Eric Mack). https://plato.stanford.edu/entries/nozickpolitical/ (accessed March 9, 2018).

Imagem alexandr-chernyaev-h37irs6QLlc-unsplash-1.jpg – 31 de julho de 2023

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios podem ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.
Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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