Artigo extraído de trechos do livro “Business Ethics”, dos autores Stephen M. Byars – USC Marshall School of Business e Kurt Stanberry – University of Houston-Downtown, para o nosso conhecimento e entendimento sobre a Ética no Ambiente Empresarial ao longo dos tempos e espaços, onde as Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs) demandam os seus negócios.

É conhecido, através de inúmeros estudos Acadêmicos disponíveis na internet, que a relação entre Ética e Espiritualidade nas Organizações tem crescido em interesse nas últimas décadas, daí esse artigo para profunda reflexão sobre a Ética nos Negócios.

“Download for free at https://openstax.org/details/books/business-ethics.” – ©2018 Rice University

Appendix A – “The Lives of Ethical Philosophers”

Tradução livre Projeto OREM®

As Vidas dos Filósofos da Ética

Figura A.1 Ao longo do tempo e em diferentes partes do mundo, a filosofia da ética tem ocupado o pensamento de muitos pensadores importantes. Aqui estão os nomes e tempo de vida de algumas dessas figuras. (atribuição: Copyright Rice University, OpenStax, sob licença CC BY 4.0)

A Ética de Aristóteles: Teoria da Virtude

Aristóteles, 384 aC–322 aC

Aristóteles (384 aC–322 aC) foi um estudante de Platão, que foi estudante de Sócrates, um dos fundadores da filosofia Ocidental. Aristóteles passou cerca de vinte anos na Academia de Platão em Atenas, primeiro como estudante e depois como um associado. Mais tarde, ele foi tutor do jovem Alexandre da Macedônia, que se tornaria Alexandre, o Grande.[i]

Aristóteles finalmente retornou a Atenas, onde ele abriu a sua própria escola, o Lyceum e onde ele estudou e ensinou extensivamente filosofia, governança e ciências naturais e sociais. Ele, junto com a maioria dos pensadores Gregos clássicos, acreditavam que todas as disciplinas acadêmicas estavam interligadas. Eles eram muito menos inclinados do que nós a separar as disciplinas acadêmicas rigidamente.

A principal obra de Aristóteles sobre ética, A Ética a Nicômaco, foi dedicada a seu pai ou filho, ambos chamados de Nicômaco, um nome popular em sua família. Em Ética, onde Aristóteles expôs a essência da teoria da virtude, ele afirmou que, se realmente nós desejamos que as pessoas sejam éticas, então nós temos que fazê-las praticar a ética desde tenra idade. Assim como Platão afirmava que os indivíduos antiéticos simplesmente não tinham educação ética, Aristóteles sustentava que a prática constante é o melhor meio para criar humanos éticos. Ele afirmou que os homens – para Aristóteles, ao contrário de Platão, a educação era restrita aos homens – que são ensinados a ser éticos em assuntos menores como meninos, agirão automaticamente de forma ética em todos os assuntos à medida que amadurecem. Claro, uma questão legítima em relação a ambos os filósofos é que se nós acreditamos que eles estão corretos nesses pontos.

Em Ética, Aristóteles introduziu o conceito do que é geralmente referido como o meio-termo de ouro da moderação. Ele acreditava que toda virtude reside em algum lugar entre os vícios de deficiência e excesso. Ou seja, pode-se exibir muito pouco ou muito de uma coisa boa, ou uma virtude. O truque, como para Cachinhos Dourados[*], é ter a quantidade certa.

[*] O princípio de Cachinhos Dourados é assim chamado por analogia à história infantil Cachinhos Dourados e os Três Ursos, em que uma garotinha chamada Cachinhos Dourados prova três pratos diferentes de mingau e prefere o mingau que não é nem muito quente nem muito frio, mas que tem a temperatura ideal. Como a história infantil é bem conhecida entre diferentes culturas, o conceito de ‘a quantidade ideal’ é facilmente compreendido e aplicado em diversas áreas, incluindo psicologia do desenvolvimento, biologia, astronomia, economia e engenharia. Fonte: Wikipedia.

Para aumentar a complexidade disso, no entanto, está o fato de que encontrar o equilíbrio certo entre muito e pouco não necessariamente coloca um meio-termo entre os dois. A média de moderação é mais um valor deslizante, oscilando entre deficiência e excesso, mas não dividindo automaticamente a diferença entre eles. Dependendo da virtude em questão, a média pode estar mais próxima de um déficit ou de um superávit. Por exemplo, considere a virtude da coragem (Figura A.2). Para Aristóteles, o meio-termo está mais próximo da imprudência ou arrogância. Não é que a imprudência seja um vício menos do que a covardia; é que a coragem está mais próxima de um do que do outro.

[i] A família de Aristóteles originou-se de uma região no norte da Grécia adjacente à Macedônia clássica e o seu pai, Nicômaco, havia ensinado de forma semelhante o pai de Alexandre, Filipe II da Macedônia.

Figura A.2 (atribuição: Copyright Rice University, OpenStax, sob licença CC BY 4.0)

O que constitui uma virtude em primeiro lugar, de acordo com Aristóteles? Além da coragem, as virtudes incluem sabedoria, bondade, amor, beleza, honestidade e justiça. Essas se aproximam das mesmas virtudes proclamadas por Platão. Aristóteles também fala de Eudaimonia, um equilíbrio perfeito entre felicidade e bondade interpretado classicamente.

Os seres humanos experienciam Eudaimonia tanto em si mesmos quanto no mundo quando agem virtuosamente e vivem uma vida de pensamento racional e contemplação. Como Aristóteles argumentou, o pensamento racional é a atividade do divino, assim é apropriado que os homens imitem essa prática também.

A Ética de Bentham e Mill: Utilitarismo

Jeremy Bentham, 1748–1832

John Stuart Mill, 1806–1873

Jeremy Bentham, um advogado, tornou-se o que hoje nós chamaríamos de consultor do Parlamento Britânico no final do século XVIII. Ele recebeu a tarefa de criar um método pelo qual os membros pudessem avaliar o valor da legislação proposta. Ele pegou um termo Latino – util, ou utilidade, benefício (valia) ou felicidade – e calculou o número de utils nas contas propostas. Essencialmente, isso quantificou a pontuação da legislação futura – as peças com o maior número de utils receberam uma classificação mais alta do que aquelas com menos.

O Utilitarismo como um sistema ético hoje, embora ele tenha aplicação em muitas áreas além da simples criação de leis, mantém esse mesmo princípio. Ao tomar decisões morais, nós somos aconselhados a selecionar a ação que produz a maior quantidade de bem para o maior número de pessoas. Se o equilíbrio entre o bem ou felicidade ou benefício (valia) supera o do mal, o do dano (prejuízo) ou da infelicidade, então a escolha é moral. Por outro lado, se o saldo do mal supera o do bem, então a escolha é imoral. Devido a essa ênfase no resultado das decisões éticas, o Utilitarismo é classificado como uma teoria Consequencialista.

Bentham expõe muito de sua teoria em An Introduction to the Principles of Morals and Legislation [Uma introdução aos Princípios da Moral e da Legislação] (1789). Lá, ele propõe o cálculo hedônico – do Grego hedone, ou prazer – como um mecanismo pelo qual se pode determinar a quantidade de prazer versus dor nas escolhas morais.

Bentham encontrou um pronto apoiador e suporte em James Mill (1773-1836), um advogado escocês que veio para ajudar Bentham a defender o Utilitarismo como uma filosofia política. E quando o filho de Mill, John Stuart, nasceu, Bentham, não tendo filhos, veio a ser o seu padrinho. Juntos, Bentham e o Mill mais velho estabeleceram um currículo pelo qual o Mill mais jovem fosse educado em casa, um arranjo que não era incomum no início do século XIX. John Stuart era evidentemente um prodígio e desde cedo aprendeu Grego, Latim, teoria econômica e matemática avançada.

Uma reviravolta estranha acompanha os arranjos que Bentham fez para seu corpo após a sua morte. Como cadáveres doados eram raros em hospitais-escola e isso levava a uma onda de roubos de túmulos, ele estipulou que o seu corpo fosse dissecado por cirurgiões para a educação de seus estudantes, na presença dos amigos dele.

Ele ainda solicitou que, posteriormente, o seu corpo fosse costurado novamente, vestido com as suas próprias roupas e exibido perpetuamente no que era então uma nova escola que ele havia doado, a University College em Londres. Até hoje, o cadáver de Bentham, com uma cabeça de cera para substituir a original, mumificado, é colocada em uma caixa de vidro nas reuniões dos curadores do University College, tudo por disposição de seu testamento.

John Stuart Mill, ao atingir a idade adulta, veio a se tornar um líder da segunda geração de Utilitaristas. Ele rompeu com o seu mentor, no entanto, de uma maneira significativa: distinguindo entre diferentes níveis de prazer – superiores e inferiores – e oferecendo um meio para determinar onde se enquadra qualquer prazer. Enquanto Bentham insistia que a classificação dos prazeres eram subjetiva e que ninguém poderia realmente dizer que alguns prazeres eram objetivamente mais valiosos do que outros, o jovem Mill afirmou que nós poderíamos de fato determinar especificamente quais prazeres eram os mais elevados por meio de pesquisas com pessoas instruídas.

Aqueles prazeres que eram classificados como mais elevados por esse grupo seleto eram de fato os melhores e os classificados como menor eram os inferiores. Mill também refinou as aplicações políticas do Utilitarismo e, ao fazê-lo, lançou as bases para o movimento político do Libertarianismo. Embora ele mesmo nunca tenha usado esse termo e provavelmente discordaria de ser rotulado de libertário se estivesse vivo hoje, ele introduziu muitos dos princípios que são estimados pelos libertários. Em seu trabalho mais importante sobre liberdades políticas, On Liberty (1859), ele introduziu a regra de não causar danos (sofrimentos). Com isso, Mill propôs que nenhum indivíduo seja privado de seu direito de agir de qualquer maneira, mesmo de forma autodestrutiva, desde que a sua ação não colida fisicamente com os outros.[ii]

Por exemplo, de acordo com Mill, nós podemos tentar persuadir um alcoólatra a parar de beber. Nós podemos reunir os nossos melhores argumentos na tentativa de convencê-lo de que isso é errado e prejudicial – ‘advertir (protestar)’ [‘remonstrate’; em Inglês] é o verbo que ele empregava. Ainda assim, se o alcoólatra persistir em beber excessivamente, apesar de nossos melhores esforços para incentivá-lo a não fazê-lo, então nenhum poder do estado deve ser exercido para impedi-lo de beber, a menos e até que a bebida cause danos físicos a outras pessoas. . Pode-se ver a aplicação disso para, digamos, leis de capacetes de motocicleta hoje. Mill teria afirmado que, embora a capacidade de prevenção de lesões dos capacetes possa ser claramente demonstrada, os motociclistas ainda devem ser autorizados a abster-se de usá-los, se assim o desejarem.

A importância do Utilitarismo em nossa era reside no fato de que muitos de nós implementamos processos de pensamento Utilitaristas quando nós temos que fazer muitas escolhas éticas, mesmo que não nos consideremos necessariamente Utilitaristas. Além disso, o Utilitarismo continua a influenciar as novas gerações de filósofos e pensadores da ética, como o Australiano Peter Singer, uma inspiração para o movimento contemporâneo pelos direitos dos animais que atualmente faz parte do corpo docente da Universidade de Princeton.

Uma crítica contundente do Utilitarismo, no entanto, é a objeção de que ele não avalia o bem ou o mal nos atos em si mesmos, no entanto, apenas no bem ou no mal que esses atos produzem. Se uma proposta de lei municipal, estadual ou federal pudesse ser demonstrada para atender aos interesses definidos de uma maioria em detrimento dos interesses apenas de uma minoria, então o Utilitarismo sugeriria que tal lei é boa e moral. Pouco reconhecimento aparece dentro do Utilitarismo da possibilidade de tirania da maioria.

Muitos críticos do Utilitarismo avaliaram essa fraqueza do sistema ético. Um exemplo persuasivo disso é o conto ‘Those Who Walk Away from Omelas’ [‘Aqueles Que se Afastam de Omelas’], da escritora Americana Ursula K. Le Guin (1929–2018).

[ii] Uma limitação dentro do princípio de nenhum dano de Mill era o seu foco apenas no dano físico sem o reconhecimento da realidade do dano psicológico. Ele não fez concessões para o que a lei hoje denota como dor e sofrimento. Em sua defesa, esse conceito é do século XX e tem pouca credibilidade entre os contemporâneos de Mill.

A Ética de Kant: Deontologia

Immanuel Kant, 1724-1804

O sábio de Königsberg na Prússia (agora Kaliningrado na Rússia), Kant ensinou filosofia na Universidade de Königsberg por vários anos. Com efeito, ao longo de uma vida muito longa, sobretudo para os padrões do século XVIII, ele nunca se afastou muito da cidade onde ele tinha nascido.

Os pais de Kant eram membros de uma seita estrita do Luteranismo chamada Pietismo e ele permaneceu um Cristão praticante por toda a vida. Embora ele mencionasse a religião apenas ocasionalmente em seus escritos, a sua defesa da Deontologia não pode ser entendida separada de uma apreciação de sua fé religiosa. Religião e ética andavam de mãos dadas para Kant e Deus sempre permaneceu o fundamento ou a matriz sobre a qual o seu conceito de moralidade foi erguido.

Embora ele nunca tenha se casado, Kant não era, segundo relatos contemporâneos, um solitário obstinado. Ele aparentemente era muito popular entre os seus colegas e estudantes e costumava passar as noites comendo e bebendo na companhia deles.

Ele frequentemente organizava reuniões em seu próprio alojamento e atuava como professor mestre na Universidade. Ele também era uma criatura de hábitos, fazendo caminhadas tão regulares pela vizinhança ao redor do campus que os residentes podiam dizer a hora do dia no momento em que ele passava pela porta ou janela.

O termo Deontologia deriva do grego deondever, obrigação ou comando. Como um sistema ético, é o oposto radical do Utilitarismo na medida em que sustenta que as consequências de uma decisão moral não importam. O que é importante são os motivos pelos quais alguém agiu da maneira que agiu. Assim, uma ação pode ter resultados benéficos, mas ainda ser antiética se tiver sido realizada pelos motivos errados. Da mesma forma, uma ação pode ter consequências catastróficas, mas ainda ser considerada moral se tiver sido realizada com base na vontade correta.

A Deontologia não é apenas não-Consequencialista, ela e também não-Situacionalista. Ou seja, um ato é certo ou errado sempre e em toda parte. O contexto que o envolve não é importante. O melhor exemplo disso é a famosa alusão de Kant a um assassino de machado que, ao procurar a sua vítima, sempre tem que estar informado da verdade sobre o paradeiro de sua suposta vítima. Pelo raciocínio de Kant, não se pode mentir mesmo nessa terrível circunstância para salvar a vida de uma pessoa inocente. Kant não estava diminuindo o significado da vida humana ao sustentar que a verdade sempre tem que ser dita. Em vez disso, ele insistia que dizer a verdade é um dos princípios invioláveis ​​que moldam as nossas vidas. Mentir – mesmo em defesa da vida – é baratear e enfraquecer um pilar essencial que nos sustenta. Kant sabia que esse exemplo atrairia críticos, mas ele o escolheu deliberadamente de qualquer maneira para demonstrar a sua convicção sobre a correção de certos atos.

Talvez o elemento mais conhecido da ética de Kant seja a sua explicação do imperativo categórico, apresentado em seu Fundamental Principles of the Metaphysics of Ethics [Princípios Fundamentais da Metafísica da Ética], 1785. Essa frase intimidadora é apenas uma maneira elegante de dizer que algumas ações sempre têm que ser tomadas e certos padrões sempre mantidos, tais como dizer a verdade. O imperativo categórico tem duas expressões, cada uma das quais Kant considerava como afirmando a mesma coisa.

Em sua primeira expressão, o imperativo categórico sustenta que um agente moral (ou seja, um ser humano imbuído de razão e de uma alma dada por Deus) é livre para agir apenas de maneiras que ele ou ela permitiria que qualquer outro agente moral agisse. Ou seja, nenhum de nós pode alegar ser especial e, portanto, ter direito a privilégios aos quais outros também não têm direito.

E em sua segunda expressão, o imperativo categórico estipula que nós temos que tratar os outros como fins em si mesmos e não apenas como meios para os nossos próprios fins. Portanto, nós jamais podemos simplesmente usar as pessoas como trampolins para as nossas próprias metas e objetivos, a menos que nós também estejamos dispostos a ser tratados por elas.

Apesar da popularidade duradoura do Utilitarismo como um sistema ético, a Deontologia é provavelmente ainda mais pronunciada dentro de nossa sensibilidade moral. Talvez o melhor indicador disso seja que a maioria de nós acredita que os motivos de uma pessoa para agir devem ser levados em consideração ao julgar se essas ações são éticas ou antiéticas.

Para testemunhar um famoso exemplo literário disso, Victor Hugo deixou claro em Les Misérables [Os Miseráveis] ​​que o seu protagonista, Jean Valjean, veio a ser um homem caçado simplesmente porque ele roubou pão para alimentar a sua família faminta. Pelos padrões de Hugo – e pelos nossos – Valjean realmente não cometeu nenhum crime e a tragédia de sua vida é que ele tem que passar uma parte significativa fugindo do obstinado inspetor Javert.

A Deontologia, como todos os sistemas éticos, tem os seus críticos e eles se concentram em sua inflexibilidade em relação a atos que nunca podem ser permitidos, como mentir, mesmo que seja para salvar uma vida. Ainda assim, o sistema continua a inspirar devotados seguidores de filósofos até hoje. No século XX, isso foi notavelmente representado pelo Eticista Britânico W. D. Ross (1877-1971) e pelo Filósofo Político Americano John Rawls (1921-2002).

Aqueles que abraçam a Deontologia são tipicamente atraídos por seu profundo senso de honra e compromisso com valores objetivos, além de sua insistência em que todos os seres humanos sejam tratados com dignidade e respeito.

A Ética de John Rawls: Teoria da Justiça

John Rawls, 1921–2002

Embora Rawls considerasse a si mesmo um Utilitarista, ele também reconheceu que a sua filosofia moral devia muito à tradição do contrato social representada nos últimos séculos por John Locke e David Hume, entre outros. Para complicar ainda mais a filosofia de Rawls, havia um pouco de Deontologia exibida nela também, por meio do sentimento de Rawls de que as liberdades políticas e as posses materiais fossem distribuídas da forma mais completa e ampla possível precisamente porque é a coisa certa a fazer.

Rawls é um filósofo político exclusivamente Americano e isso pode ser visto em sua ênfase na liberdade política.

Entretanto, essa declaração também fala de seu compromisso com o Utilitarismo de John Stuart Mill, o líder da segunda geração desse movimento. Daí a afirmação de Rawls de que ele realmente era um Utilitarista de coração.

Quaisquer que sejam as influências sobre o seu pensamento, Rawls foi o filósofo político mais importante que já surgiu nos Estados Unidos e provavelmente um dos Eticistas mais influentes do Ocidente nos últimos séculos. Ele rotulou a sua ética como ‘justiça como equidade’ e a desenvolveu ao longo de quase toda a vida. Foi apresentado formalmente em 1971 com a publicação de seu A Theory of Justice, um tratado de mais de 550 páginas. Ainda assim, rascunhos preliminares do que veio a ser esse livro circulavam nos círculos filosóficos desde o final dos anos 1950.

Para ser justo, insistia Rawls, a justiça humana tem que estar centrada em uma base sólida que inclua um primeiro e um segundo princípio.

O primeiro princípio declarava que ‘cada pessoa deve ter um direito igual à mais ampla liberdade básica compatível com uma liberdade semelhante para os outros’. Essas liberdades incluíam as tradicionais, como a liberdade de pensamento e expressão, o voto, um julgamento justo quando acusado de um crime e a propriedade de alguns bens pessoais não sujeitos à apreensão do estado. Muito poucos comentaristas têm criticado esse princípio.

É o segundo princípio, no entanto, que tem suscitado as maiores objeções. Consistia em dois subpontos: primeiro, a desigualdade socioeconômica é permissível apenas na medida em que traz o maior benefício para os membros menos favorecidos da sociedade. (Rawls rotulou isso de princípio da diferença.) E, segundo, a autoridade e os cargos devem estar disponíveis para todas as pessoas competentes para ocupá-los. (Rawls chamou isso de justa igualdade de oportunidades.)

Além disso, o treinamento para garantir que todos possam merecer esses cargos absolutamente tem que estar disponível para todos.

O que Rawls realmente defendia era uma distribuição pelo menos mínima de bens e serviços materiais para todos, independentemente da herança que ele ou ela pudesse receber ou do trabalho que ele ou ela pudesse se envolver.

E esse princípio tem gerado uma tempestade de controvérsias. Muitos adotaram o que chamam de perspectiva igualitária de Rawls sobre a propriedade. No entanto, outros argumentaram que ele ignorou o direito ilimitado de propriedade pessoal especificamente baseado em trabalho árduo e/ou legados da família. Por outro lado, os Marxistas puros rejeitaram esse princípio por não ir longe o suficiente para garantir que propriedades consideráveis, bem como os meios de produção, sejam extraídos das garras dos Plutocratas.

Como a sociedade pode se mover em direção à justiça como equidade? Rawls propôs um exercício de pensamento:

Se todos nós pudéssemos imaginar a nós mesmos, antes do nascimento, estar no que ele chama de Posição Original, sabendo somente que nós nasceríamos apenas sem conhecimento de que sexo, raça, riqueza, etnia, inteligência, saúde, ou estruturas familiares nós seríamos designados, então nós necessariamente garantiríamos que esses dois princípios seriam observados.

Nós faríamos isso porque nós não teríamos absolutamente uma maneira de prever as circunstâncias da vida real que nós herdaríamos após o nascimento e nós não gostaríamos de correr o risco de nascer em um ambiente empobrecido ou tirânico.

A razão pela qual nós estaríamos sem visão quanto ao mundo que cada um de nós habitaria seria porque nós estaríamos encobertos por um ‘véu de ignorância’ que nos protegeria do pré-conhecimento de nossas circunstâncias uma vez que nós tivemos nascido – em outras palavras , visto a partir da posição original, nós não correríamos o risco de sofrer com a opressão política ou a pobreza material. O interesse próprio, então, nos motivaria a insistir que esses níveis mínimos de generosidade política e material seriam o direito inato de todos.

É claro que nós não somos capazes de retornar ao nosso estágio pré-natal e, portanto, negociar esse tipo de acordo de antemão.

Portanto, a única maneira de criar esse tipo de mundo agora seria imaginar que nós estivéssemos na posição original e deliberadamente construir um ambiente tão justo para todos.

Dada a natureza humana e o seu egoísmo inerente, é razoável esperar que os seres humanos façam um esforço conjunto para criar as estruturas necessárias para a justiça como equidade? Talvez não, mas perceba que Rawls estava apenas seguindo os passos de Platão em sua proposta de criar uma polis perfeita, ou cidade-estado, em The Republic [A República]. Nisso Platão pegou toda a beleza e sabedoria da Atenas de sua época e a imaginou sem nenhuma de suas limitações.

Platão sabia que isso era um ideal, no entanto também percebeu que mesmo uma tentativa de construir tal cidade-estado produziria o que ele considerava um bem incalculável.

Appendix C – A Succinct Theory of Business Ethics

Uma Teoria Sucinta de Ética no Negócio

A Natureza da Ética nos Negócios

A Ética nos Negócios deve ser fundamentada na Deontologia mais do que no Utilitarismo. Ou seja, os fins normalmente não devem ser considerados justificativa suficiente para os meios quando se trata de estruturar uma estratégia de negócios.

Pelo contrário, são os meios que enobrecem os fins. O Utilitarismo, como teoria Consequencialista e quando aplicado aos negócios, enfatiza o maior bem (ou lucro) para o maior número de acionistas. No entanto, esse pode ser um critério inadequado para determinar o que é verdadeiramente ético na condução dos negócios, porque a moralidade dos negócios não deve ser centrada apenas em cálculos de lucro ou prejuízo. A Deontologia, por outro lado, concentra-se nos motivos e razões pelas quais os empreendedores se envolvem em negócios e nos métodos que eles implementam para fazê-lo.

Em última análise, ambas as teorias têm lugar na prática dos negócios, no entanto, deve-se dar preferência à Deontologia.

A honra ou vergonha que se acumula nos negócios como uma profissão é diretamente atribuível às práticas éticas de seus líderes. Assim, se o negócio como um todo tem uma reputação desagradável, é uma consequência provável das práticas nas quais a administração se envolve. E embora essa reputação não seja facilmente alterada, ela pode ser melhorada por meio de um compromisso diligente da administração em fazê-lo.

Opor-se a ética contra os lucros e insistir que um líder nos negócios tem que escolher entre os dois é uma falsa dicotomia.

Na verdade, negócios bem-sucedidos podem ser praticados de maneira ética. Além disso, a conduta ética de uma empresa atrairá naturalmente a lealdade de muitos consumidores e clientes. Não apenas isso, mas os funcionários e outras partes interessadas desse negócio também aprovarão e, como resultado, o seu relacionamento com a empresa pode se tornar ainda mais próximo.

Da mesma forma, diminui a ética insistir que ela é útil apenas para manter os líderes nos negócios fora da prisão e evitar opróbrio, como por meio da mídia social. O comportamento ético é capaz de manter os executivos a salvo de indiciamentos, mas também realiza muito mais. As práticas de negócios éticos honram a profissão e a dotam de integridade e credibilidade.

Quando se trata de contratar e promover no local de trabalho, o mérito e o compromisso devem receber o valor mais alto. Ao mesmo tempo, o mérito não deve ser visto como uma palavra-chave para discriminação; nem deve ser depreciado. A ética nos negócios se aplica a todas as pessoas igualmente no sentido de que raça, etnia, credo, sexo, orientação sexual, idade e deficiência são irrelevantes para as habilidades que elas trazem para o local de trabalho.

A Natureza do Líder de Negócios Éticos

Um líder de negócio ético aprecia a existência de várias partes interessadas e aceita a responsabilidade por todas elas. Isso inclui funcionários, acionistas, fregueses/clientes, vendedores, fornecedores, atacadistas, varejistas e a comunidade como um todo dentro da qual reside uma corporação. Embora nem todas as partes interessadas tenham a mesma importância, todas elas são significativas.

Empreendedores éticos são bons administradores dos ambientes social e físico onde eles fazem negócios.

Eles protegem a terra ao mesmo tempo em que eles protegem o capital humano.

Além disso, o executivo ético se envolve em filantropia privada e corporativa. Assim, ele ou ela está disposto a comprometer uma parte dos fundos de sua organização, bem como de sua riqueza pessoal, para organizações comunitárias de caridade dignas.

Os profissionais corporativos conquistam respeito pela maneira como lideram e conduzem os negócios. Não há correlação positiva entre as armadilhas do sucesso deles – as casas que eles possuem, os carros que eles dirigem, as roupas que eles vestem – e o caráter deles como seres humanos. As limusines e jatos que eles comandam e os resorts de férias que frequentam são externalidades completamente desconectadas do que Martin Luther King Jr. chamou de ‘o conteúdo do caráter deles’. Pelo contrário, os bens materiais excessivos tiram a visão dos líderes de negócios das tarefas gerenciais deles mais importantes.

Na verdade, os líderes que estão no negócio apenas pelo salário e pelos privilégios encontraram a profissão errada, pois sofrerão constantemente a frustração ao assumir as responsabilidades que vêm com os privilégios.

E embora os executivos bem-sucedidos sejam remunerados mais do que os seus subordinados, isso não deve ser vários múltiplos a mais. Quanto menor for a disparidade entre os membros, mais e menos bem pagos de uma empresa, maior será o nível de trabalho em equipe e comprometimento que prevalecerá entre todos. Em suma, as pessoas trabalharão mais e se comprometerão mais profundamente com uma empresa que tenha uma equipe de liderança com a qual eles possam se identificar.

Além disso, um MBA não é uma licença para arrogância por parte de seu titular. Líderes éticos são justificadamente orgulhosos da perspicácia deles nos negócios, no entanto dominar os outros corre o risco de sacrificar a sua eficácia como gerentes.

Às vezes, o membro com menos grau de educação de uma empresa pode saber mais sobre como manter a dignidade e o valor próprio de todas as pessoas na equipe e, portanto, pode ser o funcionário mais essencial para a empresa ter para esse propósito.

Um executivo realizado não está isolado dos/das funcionários/as e não deve ser um ‘senhor’ ou ‘senhora’ para os subordinados/as, mas sim um parceiro ou colega ou colega de trabalho e, portanto, um chefe preocupado.

Da mesma forma, os líderes éticos são bem-vindos e admirados, em vez de temidos e ressentidos. Respeito de colegas, funcionários e concorrentes, em última análise, não pode ser compelido. Em vez disso, isso flui naturalmente das formas lícitas e justas pelas quais os líderes gerenciam e competem.

Gerentes dignos sustentam a dignidade e o autorrespeito de todos que os cercam. Isso ao mesmo tempo reconhece a humanidade básica daqueles com quem eles trabalham e, simultaneamente, os inspira a contribuir com os seus melhores esforços.

Da mesma forma, os melhores líderes de negócios se orgulham das realizações do negócio e de seus funcionários. Esse sucesso pode nunca ser concedido diretamente aos próprios gerentes, mas os funcionários com certeza reconhecem os chefes que os ajudam a realizar o melhor. Além disso, é precisamente esse tipo de líder que motiva a maioria dos funcionários a ir acima e além do que é meramente exigido deles no trabalho.

Em suma, os executivos de negócios éticos veem a ser os facilitadores do sucesso profissional entre os seus colegas. Não é no sentido de ser escravo do negócio e de seus funcionários, mas sim colocar os interesses da empresa e dos colegas de trabalho acima dos seus próprios. Quando isso ocorre, a empresa obtém sucesso de uma forma que todos os associados a ela podem se orgulhar. Essa é realmente a essência da melhor liderança de negócios.

Um objetivo de um local de trabalho mais igualitário – no qual gerentes e funcionários se respeitam – é um senso renovado de lealdade entre todos os que estão lá. Muitas vezes hoje nós testemunhamos desconfiança ao longo da divisão gestão/trabalho. Cada lado acusa o outro de não ter nenhum compromisso exceto consigo mesmo.

Infelizmente, a acusação frequentemente é verdadeira. Uma maneira de dissipar isso é os líderes de negócio darem os primeiros passos para restaurar o senso de obrigação que os proprietários e os funcionários devem uns aos outros. Essa pode ser a tarefa mais importante da liderança de negócio agora e daqui para frente.”

Imagem memento-media-SuDN17Hzudc-unsplash.jpg – 8 de agosto de 2023

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios podem ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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