Trechos do documento preliminar de trabalho de uma Conferência da Universidade de Santa Clara (EUA), denominado “Bridging the Gap Between Spirituality and Business” (tradução livre: “Construindo Ponte Sobre a Brecha Entre Espiritualidade e Negócio), para o nosso conhecimento e entendimento sobre as Organizações Baseadas em Espiritualidade (OBE) e o cenário de ambiente de trabalho (AT) onde essas Empresas atuam.

Debate de Santa Clara – Conferência entre 9 e 11 de março de 2001

Editor Andre’ L. Delbecq – E mail: [email protected]

©Leavey School of Business

Tradução livre Projeto OREM®

O Diálogo de Santa Clara Entre Acadêmicos de Administração, Executivos Seniores e Teólogos

…continuação da Parte I…

Algumas Tentativas de Integração de Visões de Mundo Alternativas na Prática Empresarial

Cinco desenvolvimentos intimamente relacionados com a espiritualidade merecem menção.

1. O movimento dos relacionamentos humanos. Esse movimento trata os trabalhadores como fins e não apenas como meios. Os defensores argumentam que os trabalhadores têm melhor desempenho quando se sentem valorizados por si mesmos, são mais autoconscientes e têm maior liberdade em relação ao controle de supervisão. O movimento dos relacionamentos humanos tem influenciado significativamente a prática corporativa nos Estados Unidos. Os executivos dizem frequentemente que os recursos humanos de uma empresa são os seus ativos mais importantes e as políticas da empresa estão cada vez mais estruturadas para permitir ao indivíduo mais espaço para a autorrealização e para expressar a apreciação da organização pelo indivíduo como pessoa. Os profissionais de recursos humanos vêm ganhando destaque e importância para o sucesso estratégico corporativo.

As empresas que promovem downsizing e depois contratam trabalhadores contingentes a tempo parcial [outsourcing] conseguem reduzir custos e, como resultado, as suas ações aumentam muitas vezes no curto prazo. Contudo, uma análise de grande parte da sabedoria convencional sobre cortar custos através de downsizing e da terceirização é conduzida equivocadamente. Essa estratégia não só diminui a motivação e a lealdade dentro da empresa, mas também aumenta os acidentes e a rotatividade; o resultado é um desempenho pior para a empresa.

Jeffrey Pfeffer argumenta que a sobrevivência, o sucesso e os lucros são gerados ‘colocando as pessoas em primeiro lugar’. (Pfeffer, 1998). Algumas formas de fazer isso são formação extensiva, equipes de autogestão, tomada de decisões descentralizada, remunerações comparativamente elevadas, distinções de estatuto reduzidas, partilha de informações financeiras e de desempenho e até segurança no emprego. Como exemplos corporativos de ‘colocar as pessoas em primeiro lugar’, Pfeffer aponta a Hewlett-Packard, a Southwest Airlines, a Toyota, a Wal-Mart e a Home Depot. Um líder empresarial de sucesso que exemplifica essa abordagem é Max DePree, que foi por muitos anos CEO da Herman Miller Furniture; durante a sua gestão, a empresa teve uma taxa de crescimento anual de 41% e foi listada pela Fortune como uma das dez empresas mais bem administradas. (DePree, 1989; 1992)

2. O movimento das partes interessadas (stakeholders). Enquanto Milton Friedman (Friedman, 1970) afirmava que o único objetivo de uma empresa era aumentar a riqueza dos seus acionistas (shareholders) dentro das regras do jogo, outros começaram a argumentar que uma empresa deveria servir as necessidades de um conjunto mais amplo de ‘partes interessadas’ (stakeholders). As partes interessadas são definidas como aquelas que são influenciadas pelas atividades da empresa e, portanto, têm interesse em suas operações. O movimento das partes interessadas tem envolvido tanto a teoria como a prática. A teoria tem sido avançada e defendida por vários autores. (Friedman, 1986; Eagan et al, 2002; Svendsen, 1998) Duas grandes empresas comprometidas com a prática da responsabilidade das partes interessadas são a Royal Dutch Schell e a BP Amoco, ambas com políticas e sistemas formais para as partes interessadas – muitas vezes chamadas de ‘auditorias sociais’ —para medir o desempenho delas em relação às preocupações das partes interessadas.

3. O movimento de responsabilidade social. Um fenómeno semelhante ao movimento das partes interessadas, no entanto, não ligado à teoria das partes interessadas, é o movimento de responsabilidade social. A partir da década de 1970, muitas empresas Americanas experimentaram políticas que geralmente envolviam atenção à segurança do consumidor, ação afirmativa e gestão ambiental. Incluíram também tentativas inovadoras de desenvolver negócios no centro da cidade e de tornar a vida corporativa mais amigável às responsabilidades familiares dos funcionários. Várias empresas menores, incluindo Ben & Jerry’s Ice Cream, Stony Farm Yogurt e The Body Shop (sediada no Reino Unido), perseguiam objetivos sociais e econômicos, às vezes chamados de ‘resultados financeiros duplos’ (‘double bottom line’). Em 1988, um grupo dessas empresas formou a Social Venture Network e em 2000 a Rede contava com 200 empresas-membros, incluindo algumas da Europa e da América Latina. A maioria das empresas-membro gozava de liberdade de ação, porque a sua propriedade ainda era mantida de perto ou porque a política empresarial ainda era dominada pelo fundador. Várias empresas da Rede, juntamente com algumas empresas maiores, formaram a Business for Social Responsibility como um recurso para ajudar as empresas a ‘terem sucesso comercial de maneiras que demonstrem respeito pelos valores éticos, pelas pessoas, pela comunidade e pelo meio ambiente’. O número de membros da Business for Social Responsibility cresceu para várias centenas de empresas no ano 2000 e foram formadas coligações com organizações semelhantes noutros países.

4. O movimento de ética empresarial. Desde o final da década de 1970 tem tido atenção considerável à ética nos negócios. Um número crescente de livros sobre o assunto surgiram; também surgiram cursos de graduação e pós-graduação, centros de pesquisa e sociedades profissionais dedicadas à ética empresarial. Muitas empresas desenvolveram declarações de princípios éticos e lançaram programas internos de treinamento em ética empresarial.

5. Grupos de apoio religioso. Algumas organizações existem para apoiar líderes empresariais em sua fé religiosa. Thomas Monoghan, fundador de uma rede de pizzarias em Detroit, fundou uma organização chamada Legatus, dedicada ao desenvolvimento da fé de executivos Católicos. As discussões em pequenos grupos de executivos da Tradição Católica também são conduzidas pela The Woodstock Business Conference em cerca de vinte comitês nos Estados Unidos. Os Cristãos Evangélicos criaram a Christian Business Leadership Worldwide e outra organização chamada Connecting Business and the Marketplace to Christ. Além disso, existem vários diretórios de empresas Cristãs que incentivam empresários e consumidores a apoiar outros empresários Cristãos.

Os movimentos e organizações mencionados nos cinco títulos anteriores representam conquistas significativas. Eles mostram que Jerry e Maria não são os únicos empresários que fazem perguntas mais amplas. No entanto, embora Jerry e Maria possam achar algumas das suas preocupações refletidas nesses esforços existentes, eles podem não achar apoio para todas as suas preocupações. Em particular, os primeiros quatro movimentos acima mencionados centram-se em duas questões: equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e ética empresarial. Esses movimentos não abordam diretamente preocupações sobre um significado mais profundo ou segurança duradoura, embora alguns indivíduos nos movimentos o façam. Estas questões surgem mais comumente entre aqueles que reconhecem o Transcendente.

Espiritualidade e o Transcendente

Embora nós tenhamos começado com o entendimento da espiritualidade como um esforço humano para achar sentido na vida, muitas pessoas como Jerry e Maria estão convencidas de que existe outra dimensão da espiritualidade que eles chamam de Deus ou de o Transcendente ou de Mistério. Fazer isso é afirmar alguma realidade eterna como o contexto último dentro do qual a vida humana ocorre. Se existe tal realidade eterna, então as nossas questões sobre equilíbrio, ética, significado mais profundo e segurança duradoura não podem ser respondidas adequadamente sem levar em conta Mistério. As espiritualidades que afirmam Mistério fornecem formas de relacionar as preocupações da vida cotidiana com Mistério. Nós iremos focar em apenas duas características de como isso é feito – histórias e formas sociais.

Primeiro, toda tradição afirmativa Transcendente apresenta o que nós poderíamos chamar de ‘Grande História’, isso é, um relato abrangente da natureza da realidade, das origens, do propósito humano e do destino final por meio de uma coleção de histórias. Deus ou múltiplas divindades podem estar entre os personagens da coleção de histórias ou Mistério que podem ser sugeridos indiretamente. Em ambos os casos, o significado geral das coisas é transmitido através da narrativa. A pequena história da existência de uma pessoa assume então um significado mais profundo à medida que é incorporada na Grande História e numa comunidade que vive de acordo com essa História. A Grande História de uma espiritualidade também informa os seus rituais e as suas práticas e muitas vezes é sustentada por doutrinas. A Grande História, os rituais e as doutrinas moldam as experiências dos membros e também são alimentados por essas experiências. Também associados à Grande História estão os ensinamentos éticos e as expressões materiais, como edifícios especiais ou símbolos físicos. Assim, a tradição espiritual proporciona um sistema abrangente de significado que é expresso em histórias, bem como em outras formas e está enraizada numa comunidade.

Uma segunda característica de como uma tradição de espiritualidade relaciona o cotidiano com o Transcendente é através de certas formas sociais. A tradição só é vital enquanto houver um grupo social que viva de sua Grande História. Na verdade, as tradições espirituais desenvolvem grupos sociais e especialistas para ajudar os membros a nutrir e expressar essa visão de mundo. Por exemplo, após a destruição do Templo em Jerusalém em 70 EC. e o fim dos sacrifícios a Deus conduzidos por sacerdotes, a prática Judaica concentrava-se no estudo de seus escritos sagrados liderados por rabinos eruditos. Quando uma espiritualidade como a antiga religião Romana deixa de ser praticada por uma comunidade viva, ela vem a ser apenas uma peça de museu para estudo.

Em muitos casos, essa dimensão social da espiritualidade tem sofrido mudanças profundas. Enquanto em algumas sociedades tradicionais todos tinham a mesma religião e, portanto, partilhavam a mesma visão do mundo e as mesmas práticas fundamentais, verifica-se cada vez mais que as sociedades são pluralistas na visão do mundo.

Efeitos do pluralismo

O fato de pessoas com visões de mundo diferentes interagirem umas com as outras tem vários efeitos profundos.

1. Privatização e compartimentação. Um dos efeitos tem sido fazer com que a visão de mundo de uma pessoa – se religiosa ou não – seja um assunto privado. Em parte, isso tem sido um subproduto de conflitos e guerras entre pessoas de diferentes convicções religiosas. Uma forma de reduzir os conflitos entre diferentes grupos religiosos tem sido remover a religião do domínio público, incluindo os negócios e fazer com que ela seja um assunto puramente privado. Um resultado comum tem sido que os empresários mantêm a sua atividade empresarial num compartimento da sua vida e a sua religião num outro compartimento. Assim, eles podem tomar decisões empresariais tendo em vista exclusivamente os lucros e decidir questões familiares segundo um padrão totalmente diferente. A religião rege as relações familiares, enquanto o lucro rege os negócios.

Está claro que Jerry e Maria não estão satisfeitos com essa compartimentação. Eles estão fazendo questionamentos de moralidade que ultrapassam as fronteiras invisíveis. Jerry está preocupado com a forma como a sua decisão comercial afetará os funcionários de sua empresa. Maria está preocupada com as desigualdades cada vez maiores produzidas pelo sistema econômico. Ambos estão buscando uma maior integração pessoal, à medida que eles buscam equilíbrio, uma conexão entre o significado do trabalho e o significado da vida e uma segurança maior do que o dinheiro e o status alguma vez é possível proporcionar.

2. Plausibilidade enfraquecida. Os sociólogos têm salientado que aquilo que nós acreditamos ser verdadeiro e bom é fortemente influenciado pelo nosso contexto social. Ou seja, nós, seres humanos, temos muito mais probabilidade de acreditar que algo é verdadeiro ou valioso se outras pessoas em quem nós confiamos também acreditarem nisso. A concordância de outras pessoas significativas faz com que isso seja plausível, persuasivo; desacordo faz com que isso seja improvável. Assim, quando nós vivemos numa sociedade com uma pluralidade de visões de mundo, é menos provável que nós tenhamos garantias sobre algumas questões críticas de verdade e ação.

3. Ênfase na escolha pessoal. Um efeito intimamente relacionado é que numa sociedade pluralista os indivíduos sentem um maior grau de escolha sobre a visão do mundo. Os indivíduos sentem que eles podem – talvez até tenham que – escolher se querem ser religiosos ou não e que particular visão de mundo e prática se apoiar. Portanto, participar de um grupo que apoia uma determinada visão de mundo e prática vem a ser mais uma escolha. Nas últimas décadas, a mudança entre subgrupos dentro de uma religião tornou-se comum (por exemplo, um Cristão Metodista que vem a ser um Presbiteriano), e a mudança de uma religião para outra ocorre com mais frequência (por exemplo, um Cristão que vem a ser um Muçulmano). Ter pouco ou nenhum envolvimento com uma instituição religiosa também vem a ser mais comum. Algumas pesquisas indicam que cerca de metade dos Americanos abandonam a religião organizada durante pelo menos dois anos durante a sua vida, embora a percentagem daqueles não afiliados diminua à medida que envelhecem. Alguns levam a escolha individual ainda mais longe, tratando todas as espiritualidades, tanto religiosas como não-religiosas, como itens de um bufê; esses indivíduos reúnem qualquer combinação que agrade a eles.

4. Desconfiança nas instituições sociais. Desde a década de 1960, nas sociedades Ocidentais, a falta de confiança nas instituições sociais tem produzido em muitas pessoas uma desconfiança semelhante nas instituições religiosas e uma confiança ainda maior no indivíduo. Um resultado é a afirmação de muitos de que são espirituais, mas não religiosos. Eles enfatizam o aspecto da experiência individual na espiritualidade, mas desconfiam das instituições religiosas. Por vezes, essa desconfiança advém de uma experiência pessoal infeliz com um grupo religioso, mas também pode resultar mais da falta de contato pessoal com qualquer instituição religiosa.

Resumindo, a mudança para um contexto social pluralista tem dado aos indivíduos maior liberdade, mas também tem acrescentado novos riscos para indivíduos e sociedade. Um risco é que uma espiritualidade elaborada por preferência pessoal a partir da linha de opções do buffet seja uma moda passageira que carecerá de profundidade e poder de permanência, pois as espiritualidades/religiões que resistiram ao teste do tempo geralmente exigem alguma grande transformação. Na verdade, a longo prazo, pode não ser útil criar um grande fosso entre a espiritualidade e a religião. No curto prazo, tal distinção é útil para aqueles para quem a ‘religião’ carrega fortes associações negativas, mas muitas vezes é feita também criando uma barreira entre a experiência individual e a instituição social. Um relato justo, porém, reconhecerá que a religião viva é tanto experiencial como institucional e qualquer espiritualidade durável tem realidade institucional e também experiencial.

Uma Falta de Integração Pessoal

Outro risco que o nosso contexto social pluralista produz é viver uma vida dividida que impede a integração pessoal. A vida empresarial de uma pessoa é separada da preocupação com as pessoas e com um significado mais amplo. Uma sociedade profundamente dividida, enraizada nessa compartimentação, vem a ser um barril de pólvora, à medida que aqueles que são ignorados pelos privilegiados recorrem cada vez mais ao crime e à violência.

Nós diríamos que a atenção à nossa espiritualidade não é um luxo opcional, mas é essencial para uma vida plena. No fundo, o que está em jogo é quem nós somos como seres humanos, tanto como pessoas e como comunidades. Como uma prática visão de mundo mais um caminho, a espiritualidade molda fundamentalmente a forma como nós vivemos. Portanto, nós já vivemos de acordo com uma espiritualidade, quer nós a reconheçamos ou não. Para identificar o que realmente é essa espiritualidade, a pergunta-chave a ser feita é: ‘O que é mais importante para nós?’ ‘Qual é a nossa maior prioridade?’ Pode ser difícil responder a essa pergunta, mas por vezes as circunstâncias forçam uma escolha difícil que clarifica as nossas prioridades e valores. Doenças graves na família podem nos obrigar a decidir se a família ou o trabalho vêm em primeiro lugar. Um grande declínio nas receitas da nossa organização pode nos forçar a cortar custos. A forma como nós realizamos essas reduções de custos reflete os nossos valores. As escolhas nesses momentos manifestam a nossa visão do mundo.

Movendo-se para a Profundidade Espiritual

Como a espiritualidade nos molda fundamentalmente, ela merece uma consideração cuidadosa e profunda. A consideração aprofundada da espiritualidade, por sua vez, envolve atenção especial a uma tradição espiritual específica. Embora o estudo da grande variedade de tradições espirituais – religiosas e não religiosas – seja muito interessante, nós afirmamos que é difícil incorporar tal variedade na prática real de alguém sem ser superficial. Embora alguém possa usar aspectos de diversas fontes, nós acreditamos que a unidade e a profundidade vêm do recurso mais substancial a uma única tradição de espiritualidade. Portanto, a concentração nos elementos-chave de uma tradição é vital. Nós ilustraremos isso examinando quatro elementos centrais da espiritualidade Cristã.

Elementos Fundamentais da Espiritualidade Cristã

Quatro aspectos-chave da ‘Grande História’ Cristã e, portanto, da espiritualidade Cristã são Deus, os seres humanos, o discipulado de Jesus Cristo e a igreja. Nós discutiremos cada um deles separadamente.

1. Deus é sem dúvida o personagem central na história Cristã e o foco da espiritualidade Cristã. A natureza de Deus é revelada através dos eventos da história. A história bíblica começa com Deus criando o mundo e depois respondendo à corrupção maligna do mundo, elegendo Israel para cumprir um propósito redentor especial. O caráter de justiça e amor inabalável de Deus é revelado através de muitas relações com Israel. Para os Cristãos, Deus é revelado mais plenamente na vida, morte e ressurreição de Jesus, a quem eles consideram o Messias ou Cristo, aquele escolhido de Deus de maneira especial. Sob a influência do Espírito de Deus, uma comunidade de crentes em Jesus Cristo surge e se expande. A história continua olhando para o futuro, para uma eventual culminação, por meio de Jesus Cristo, do propósito de Deus na criação do mundo. Portanto, o personagem central da Grande História Cristã é Deus.

Com algumas exceções entre os Cristãos, Deus é entendido como trino, tradicionalmente expresso como Pai, Filho e Espírito Santo. Quando articulada em forma doutrinária, a trindade não se refere a três divindades, mas a distinções eternas dentro do ser de Deus. Portanto, em vez de falar metaforicamente do ser de Deus como um oceano perfeitamente calmo e uniforme, a doutrina trinitáriaDeus como eternamente ativo e relacional. Assim, o envolvimento ativo de Deus com o mundo e o relacionamento pessoal com os humanos são consistentes com o ser eterno de Deus.

2. Os seres humanos – no que diz respeito à sua natureza, valor e situação – são vistos em relação a Deus.

a. Natureza humana. O antigo teólogo Agostinho declarou sucintamente uma perspectiva Cristã sobre a natureza e o destino humanos em uma oração a Deus: ‘Você nos tem feito para si mesmo e os nossos corações estão inquietos até que eles sejam capazes de achar paz em você.’ ‘Você nos tem feito para si mesmo’ é uma maneira de dizer que, diferentemente dos sapos, nós, humanos, recebemos a capacidade de um relacionamento mais desenvolvido com Deus. As tradições bíblicas do Judaísmo e do Cristianismo chamam isso de ser feito à imagem de Deus. Isso não significa que os humanos se pareçam literalmente com Deus, mas que nós somos capazes de ter consciência da presença divina de uma forma mais complexa do que outros animais. Essa capacidade para Deus permite-nos transcender as nossas circunstâncias imediatas e buscar um significado global para a existência. Assim, o fato de que nós humanos somos espíritos em busca de significado é dado-por-Deus.

‘Você nos tem feito para si mesmo’ significa não só que nós, seres humanos, fomos criados com essa capacidade, mas também que Deus se aproxima continuamente de nós para estabelecer um relacionamento mais próximo. Ou seja, Deus não produz simplesmente seres humanos e depois os ignora, pois Deus está sempre presente e busca um envolvimento cada vez mais profundo com cada pessoa. No entanto, ao contrário das coisas nesse mundo, Deus está sempre além do nosso alcance direto.

Agostinho continua dizendo: ‘Os nossos corações estão inquietos até que eles sejam capazes de achar paz em você’ Ele afirma que nós, humanos, fomos criados de tal maneira que nós não estamos verdadeiramente em paz até que Deus venha a ser a nossa prioridade mais fundamental. Isso reflete um entendimento bíblico dos humanos, conforme expresso na reafirmação de Jesus de um resumo anterior da lei Judaica: ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o maior e primeiro mandamento.’ (Mateus 22:37-38; cf. Deuteronômio 6:5). Todas as pessoas amam muitas coisas – familiares, amigos, certas atividades, coisas preciosas, lugares especiais. Cada um desses amores é um compromisso certo.

Jesus diz que o primeiro amor de alguém, o compromisso mais básico de alguém, deve ser com Deus. Ele prossegue dizendo que na medida em que isso realmente aconteça com uma pessoa, ela conhecerá uma paz que nada mais pode proporcionar. E essa paz não será apenas interna, mas social. Pois quando alguém ama a Deus acima de tudo, também ama outras pessoas e as trata como pessoas de grande valor. Assim, ao maior e primeiro mandamento, Jesus acrescenta: ‘E um segundo é semelhante: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas’ (Mateus 22:39-40 cf. Levítico 19:18). Assim, do ponto de vista bíblico, o esforço incansável do homem tem um profundo significado espiritual. Afirma que só em Deus as pessoas encontrarão uma paz duradoura, porque a busca humana por um significado e segurança duradouros só pode achar uma base adequada em Deus.

b. Valor humano. A partir desse entendimento da natureza humana, o pensamento ético Cristão chegou, ao longo do tempo, à conclusão de que cada pessoa tem um grande valor. Visto que cada ser humano é criado à imagem de Deus, eles não devem ser tratados como propriedade, material dispensável ou meio para outro fim. Embora isto tenha sido muitas vezes violado pelos Cristãos, continua a ser um princípio ético Cristão que a preocupação pelos pobres e marginalizados é central. Esse princípio tem implicações de longo alcance para a prática empresarial. O líder que honra a dignidade de todas as outras pessoas, seja colega de trabalho, cliente ou concorrente, torna o ambiente de negócios mais humano. Os negócios são certamente competitivos, mas não necessita ser uma competição de cada um por si (impiedosa, desumana, cruel) que mina a humanidade de todos os envolvidos.

c. O dilema humano. De acordo com a perspectiva bíblica, o problema humano básico é que nós tendemos a fazer de alguma coisa à parte de Deus o alicerce de nossas vidas. Pode ser outra pessoa, o nosso trabalho, a nossa riqueza, o nosso sucesso – uma série de coisas. Mas nenhum delas é capaz de suportar esse peso. Pessoas podem morrer, as causas podem falhar, as coisas podem desaparecer. Tratar alguma coisa criada como se fosse o Criador – idolatria – certamente decepcionará. No entanto, a tendência humana persistente é depositar confiança e esperança fundamentais num substituto espiritual para Deus. Os substitutos espirituais mais populares no mundo dos negócios são a riqueza e o sucesso.

3. Na história Cristã, o discipulado de Jesus Cristo envolve mudanças fundamentais. Quando Jesus começou a pregar publicamente, ele convocou as pessoas ao arrependimento, isso é, a mudarem de direção, a reorientarem as suas vidas (Marcos 1:14-15). Essa reorientação não é fácil, no entanto, implica uma reordenação das prioridades e muitas vezes envolve sofrimento. ‘Ele chamou a multidão com os seus discípulos e disse-lhes: Se alguém quiser ser o meu seguidor, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me’’ (Marcos 8:34). Dado que o problema humano básico é a idolatria, ou seja, dar o maior compromisso a uma criatura e não a Deus, Jesus convoca os seus seguidores a uma reordenação [reprogramação] fundamental dos seus compromissos, para que amem a Deus acima de todas as coisas e amem o próximo como a si mesmos. Essa mudança é difícil.

Jesus prossegue dizendo que embora essa mudança radical seja extremamente difícil, com Deus todas as coisas são possíveis. Num relato do Novo Testamento sobre a vida de Jesus, Jesus usa a metáfora de um ramo que tem que estar preso à videira para dar frutos. ‘Permaneça em mim como eu permaneço em você. Assim como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vocês não poderão dar frutos, se não permanecerem em mim. Eu sou a videira, vocês são os ramos. Aqueles que permanecem em mim e eu neles dão muito fruto’ (João 15:4-5). Paulo, outro importante escritor do Novo Testamento, desenvolve o entendimento da ação de Deus na reorientação da vida das pessoas, falando sobre a graça de Deus como envolvendo perdão e transformação. Portanto, a mudança fundamental é paradoxalmente dada por Deus e promulgada pelos humanos.

4. Outra parte importante da Grande História Cristã é a formação de um grupo social especial, Israel e a igreja. Nessa história, Deus trabalha centralmente, entretanto, de forma alguma exclusivamente, através de uma comunidade humana específica. É centralmente na comunidade eclesial que a Grande História Cristã é repetidamente contada, os rituais que expressam essa história são realizados, as experiências correspondentes são promovidas, a doutrina Cristã é ensinada, o comportamento moral consistente com a história é incentivado e os símbolos materiais dessa história são produzidos. Alguém poderia dizer que na igreja a história Cristã assume existência corporal.

A formação da comunidade é fundamental para o ser e a atividade de Deus. De acordo com grande parte da teologia trinitária, Deus é eternamente relacional, não porque haja três divindades conversando, mas porque as distinções dentro de Deus são vividas em relacionamento amoroso mútuo. É inteiramente consistente que esse Deus de amor mútuo crie um mundo no qual os humanos devem viver em relacionamento amoroso com Deus e uns com os outros e estão intrinsecamente conectados com todas as outras entidades criadas, animadas e inanimadas. De acordo com a Grande História Cristã, a intenção de Deus é que o mundo eventualmente venha a ser uma comunidade harmoniosa onde tudo esteja em conformidade com a vontade amorosa e justa de Deus, o que a Bíblia chama de reino de Deus.

Os indivíduos estão relacionados com a comunidade de fé mais ampla de várias maneiras. Para mencionar apenas três funções no Antigo Testamento: havia sacerdotes que lideravam a adoração no templo, havia profetas que muitas vezes criticavam muito a conduta da comunidade e havia reis que lideravam a vida civil da nação. Quer fossem funcionários leais ou críticos ferrenhos, eles se preocupavam com a comunidade e extraíam sustento de seus recursos em tradições, escritos e pessoas. Da mesma forma, não existe uma maneira única de os Cristãos se relacionarem com a igreja, mas a longo prazo eles se preocuparão com ela e serão nutridos pelas riquezas das suas tradições, como a Bíblia, as práticas de oração e a vida de adoração.

Uma espiritualidade que seja solidamente Cristã basear-se-á fortemente nesses quatro elementos centrais. Acima de tudo, será uma espiritualidade centrada no Deus trino, pois a comunhão com Deus é o seu sangue vital. Entenderá que o dilema humano fundamental é a alienação de Deus, que também traz a alienação de outras pessoas e de outras criaturas. Uma espiritualidade Cristã participará na dádiva e na tarefa de reorientar a vida através do discipulado para Jesus Cristo e achará nutrição nos recursos e na comunidade da igreja.

Usando o exemplo da espiritualidade Cristã, nós temos sugerido que, em geral, basear-se muito substancialmente numa única tradição espiritual confere profundidade e coerência à tarefa de abordar as questões fundamentais de equilíbrio, ética, significado profundo e segurança duradoura. Muito poucas pessoas têm o conhecimento e a experiência necessários para sintetizar duas ou mais grandes tradições para essa tarefa. Se isso for concedido, então a questão que se nos depara a seguir é mais especificamente como a liderança empresarial e a espiritualidade devem estar relacionadas.

Liderança Empresarial e Espiritualidade

Comecemos por esclarecer o que nós queremos dizer por liderança. Embora nós muitas vezes pensemos num líder como a pessoa que detém a autoridade máxima numa organização, na verdade qualquer pessoa que exerça liderança, seja por designação oficial ou por reconhecimento informal, é um líder. Liderança é o processo de influenciar outras pessoas para atingir determinados objetivos. Para que uma organização empresarial alcance seus objetivos, ela tem que ter uma liderança eficaz. E à medida que uma empresa vem a ser maior, uma boa liderança em todos os níveis é essencial para o seu sucesso. Mas como a espiritualidade e a liderança empresarial devem estar relacionadas? Nós consideraremos três respostas.

Liderança é o processo de influenciar outras pessoas para atingir determinados objetivos.

VI. A resposta mais comum é que a espiritualidade pertence apenas à vida privada do líder empresarial e não tem lugar na esfera pública de uma empresa. Duas coisas deveriam levar-nos a duvidar que essa abordagem seja adequada.

Em primeiro lugar, nós devemos recordar que o mundo empresarial não é espiritualmente neutro. Como nós temos observado, as espiritualidades do materialismo e do sucesso já existem e têm um tremendo poder de seduzir e coagir. Fingir que o domínio empresarial é uma zona espiritualmente neutra é deixá-lo sob o controlo de forças que limitam a humanidade de todas as pessoas envolvidas.

Em segundo lugar, quer se reconheça ou não, a espiritualidade e os valores de um líder afetam fundamentalmente a sua liderança. O nosso caráter é moldado por nossos compromissos, pelo que nós valorizamos. O nosso compromisso mais básico é crucial, pois estabelece o nosso valor mais elevado. Uma vez que o nosso compromisso mais básico é dado ao significado geral da vida, a espiritualidade de um líder influencia poderosamente o seu carácter moral e, portanto, afeta a sua percepção, motivação e escolhas.

A nossa escala de valores influencia a nossa percepção, o que nós percebemos. Por exemplo, Jerry, que estava ouvindo a mensagem de voz dele enquanto dirigia para casa, enfrenta uma difícil decisão sobre mudar o escritório de Arkansas e tirar um casal do trabalho. Enquanto Jerry pense sobre essa situação, que fatores aparecem em seu radar pessoal? O que ele considera digno de consideração é determinado pela sua visão de mundo.

Os nossos valores também constituem a nossa motivação. O que nos energiza? O que nos move à ação e nos mantém em movimento quando há dificuldades? Visto que muitas coisas podem nos atrair, a nossa motivação mais fundamental para trabalhar pode não ser óbvia. Na verdade, a maioria de nós tem que trabalhar para obter as necessidades da vida, mas será que o nosso trabalho serve a um propósito maior? A resposta para isso é achada no significado fundamental da vida, na visão de mundo da pessoa. Como nós temos visto, riqueza e sucesso são dois candidatos comuns a essa posição. A tradição Cristã sugere que o trabalho de alguém pode ser uma vocação, isto é, um chamado de Deus para servir o bem-estar dos outros no e através do seu trabalho. A vocação é o tema da próxima Reflexão.

Os nossos valores também têm uma influência poderosa em nossas escolhas. Embora as circunstâncias geralmente coloquem restrições às nossas decisões, as nossas escolhas refletem inevitavelmente, em certa medida, o que é mais importante para nós. Um exemplo disso é Maria, a mãe solteira que enfrenta decisões difíceis sobre o seu futuro na empresa. As prioridades dela influenciarão fortemente as suas escolhas. No entanto, Maria também ilustra a dificuldade que às vezes nós experienciamos ao tomar uma decisão. Aqui a tradição Cristã oferece orientações concretas nas práticas de discernimento. O discernimento é um tópico-chave no terceiro ensaio desse livro.

Assim, a ideia de que a liderança empresarial e a espiritualidade devem ser totalmente separadas não funciona na prática, pois a espiritualidade de um líder influencia inevitavelmente a sua forma de influenciar os outros.

VII. Todas as pessoas em um negócio obedecem à tradição espiritual do líder máximo. Alguns líderes empresariais fazem com que as suas empresas adiram a uma forma Evangélica ou Fundamentalista de Cristianismo em suas contratações e práticas comerciais. Outras empresas seguem explicitamente uma forma de espiritualidade da Nova Era, por vezes na crença de que é a essência subjacente de todas as grandes espiritualidades. Embora haja pontos fortes em ter uma espiritualidade endossada por uma empresa, isso é mais facilmente feito em uma empresa privada. A prática também impõe limites rígidos sobre quem pode ser contratado e talvez também sobre quem fará negócio com a empresa.

VIII. O líder empresarial afirma publicamente a importância da espiritualidade sem exigir que outros se conformem a uma determinada. Essa estratégia intermediária, que pode ser usada com empresas de grande porte ou de propriedade pública. Essa forma de relacionar espiritualidade e liderança empresarial pode assumir diversas formas.

“…a ideia de que a liderança empresarial e a espiritualidade devem ser totalmente separadas não funciona na prática, pois a espiritualidade de um líder influencia inevitavelmente a sua forma de influenciar os outros.”

Por exemplo, é possível que uma líder empresarial Judia siga os próprios costumes Judaicos dela e discuta abertamente como as suas convicções Judaicas sobre Deus notificam os seus princípios para fazer negócios. Ela poderia insistir para que os seus funcionários seguissem os mesmos princípios morais gerais nos negócios, ainda mais encorajá-los a fundamentar esses princípios em sua própria tradição espiritual. Além disso, o equilíbrio que ela encontra na sua própria vida através da observância do Sabbath e de outros dias santos Judaicos pode dar apoio a outros para receberem os benefícios do equilíbrio através dos dias santos da sua própria tradição.

Max DePree, ex-CEO da Herman Miller Furniture, é um Cristão praticante que baseia a sua maneira de fazer negócios em ideias bíblicas como aliança e servidor, no entanto, ele não espera que todos em sua empresa sejam Cristãos. DePree diz: ‘Os líderes devem uma aliança com a empresa ou instituição, que afinal é um grupo de pessoas. As alianças unem as pessoas e permitem que elas atendam às suas necessidades corporativas, atendendo às necessidades umas das outras.’ DePree combina essa noção de aliança como algo que une as pessoas com uma ênfase no líder como servidor. (DePree, 1989; Greenleaf, 1983) Outro ponto forte dessa abordagem é que ela confere consistência à liderança.

Resumindo o Argumento da Espiritualidade nos Negócios

Os líderes em todos os níveis têm que responder às outras pessoas quando o líder e os outros estão no seu melhor e no seu pior. Os líderes têm que fazer escolhas, quer as circunstâncias sejam favoráveis ​​ou desfavoráveis. Tudo isso acontece frequentemente quando há oferta insuficiente de informações, tempo e recursos.

É fácil reagir no calor do momento, ser apanhado pelo turbilhão atual. No meio dessa complexidade, uma espiritualidade abertamente declarada é capaz de acrescentar consistência à liderança de uma pessoa de diversas maneiras. Em tempos de grande pressão e acontecimentos rápidos, as práticas intencionais da espiritualidade de uma pessoa podem ajudar o líder a manter-se em contato com os seus valores mais profundos, a obter uma perspectiva mais ampla e a explorar uma fonte mais profunda de força. Uma tradição espiritual também pode ser um ponto comum ao buscar conselhos de outras pessoas. Além disso, todos os líderes às vezes tomam decisões erradas e até injustas. Se esse líder tiver uma espiritualidade declarada abertamente, outros poderão apelar para a tradição espiritual do próprio líder para pedir uma reconsideração.

Nesse capítulo, nós temos observado que as questões fundamentais de equilíbrio, ética, significado profundo e segurança duradoura são enfrentadas por líderes empresariais de todas as convicções, sejam elas religiosas ou não. De várias maneiras, as tradições religiosas colocam essas questões no contexto do Mistério. A maioria das religiões identifica esse Mistério como Deus, embora essas tradições Teístas tenham vários acordos e desacordos quanto ao carácter do divino. Nós temos dito que as religiões e outras espiritualidades se expressam numa Grande História e em certas formas sociais. Nós temos afirmado também que uma espiritualidade adequada para abordar questões fundamentais normalmente se baseará muito substancialmente numa única tradição espiritual. Para ilustrar, nós temos identificado quatro elementos-chave na espiritualidade Cristã. Finalmente, nós propusemos a estratégia na qual um líder empresarial afirma publicamente a importância da sua própria espiritualidade sem exigir que outros se adaptem a uma espiritualidade específica.

Nós acreditamos que, uma vez que a espiritualidade e a liderança organizacional estão intimamente ligadas na experiência humana real, é vital refletir cuidadosamente sobre esses aspectos da vida e a sua relação mútua. Esse é o propósito desse livro. Nessa primeira reflexão nós temos examinado os vínculos estreitos entre a espiritualidade e a liderança organizacional e como a nossa situação cultural contemporânea faz com que seja mais necessário do que nunca que os indivíduos conectem a espiritualidade e a liderança organizacional.”

Referências:

DePREE, Max, Leadership Is An Art. New York, Dell, 1989

DePREE, Max, Leadership Jazz, New York, Doubleday, 1992.

DOWNEY, Michael, Understanding Christian Spirituality, New York -Mahwah, N.J., Paulist Press, 1997.

EGAN, John et. al, Private Business –Public Battleground The Case for 21st Century Stakeholder Companies. New York, Palgrave Macmillan, 2002

FREEMAN, R. Edwards, Strategic Management: A Stakeholder Approach. New York, Harper Collins, 1986

FRIEDMAN, Milton, “The Social Responsibility of Business is to Increase Its Profits”, New York Times Magazine, September 13, 1970

GREENLEAF, Robert K., Servant Leadership. Ramsey New Jersey, Paulist Press, 1983

LEVERING, Robert and Robert Moskowitz, The 100 Best Companies to Work for in America. New York, Plune, 1993

PFIFFER, Jeffrey, The Human Equation: Building Profits by Putting People First. Boston, Harvard Business School Press, 1998

SVENDSEN, Ann, The Stakeholder Strategy. San Francisco, Berrett-Koehler, 1998.

Referências Adicionais:

Nós observamos alguns dos principais livros e grupos de oração que estão disponíveis para empresários.

Livros

Existem centenas de livros e mais artigos sobre espiritualidade para empresários. Nós analisaremos alguns livros mais conhecidos e úteis.

Work and Spirit: A Reader of New Spiritual Paradigms for Organizations [Trabalho e Espírito: Um Revisor de Novos Paradigmas Espirituais para Organizações] (eds., Jerry Biberman e Michael D. Whitty. Scranton: University of Scranton Press, 2000) é uma coleção de artigos acadêmicos e práticos sobre espiritualidade no trabalho. Os artigos representam uma variedade de pontos de vista e são um guia muito útil para quem está tentando compreender melhor o que está sendo pensado, escrito e orado atualmente em relação à espiritualidade e ao trabalho.

Spiritual Goods: Faith Traditions and the Practice of Business [Bens Espirituais: Tradições de Fé e a Prática de Negócios] (ed. Steward W. Herman. Bowling Green, OH: Philosophy Documentation Center, 2001) é uma compilação de artigos que mostram a relação entre as principais tradições de fé (Protestantismo, Catolicismo, Ortodoxa Oriental , Budismo, Mormonismo, Islamismo e Judaísmo) e as implicações práticas dessa fé no local de trabalho. Destacam-se a influência dessas tradições religiosas nas decisões éticas de negócios.

The Soul of Business: Management for Profit and the Public Good [A Alma dos Negócios: Gestão para o Lucro e o Bem Público] (Nova York: Bantam, 1993), de Tom Chappell, CEO da Tom’s of Maine, descobriu que ele e outros em sua empresa haviam perdido o senso de missão pessoal e propósito comum. Procurando raízes e uma nova visão, ele se matriculou na Harvard Divinity School. Essa experiência deu-lhe a perspicácia e a coragem para usar o seu papel como CEO para trazer alma de volta à empresa. Chappell descobriu que ‘valores comuns, um senso de propósito compartilhado, podem transformar uma empresa em uma comunidade onde o trabalho diário assume um significado e uma satisfação mais profundos’.

O best-seller de Mitch Albom, Tuesdays with Morrie [Terças-feiras com Morrie] (Nova York: Doubleday, 1999), trata da morte, do desapego, do materialismo, do sentido da vida e do amor incondicional. Outro livro, popular entre gestores e acadêmicos, começa com os problemas gerados pelo downsizing, pela tecnologia e pela despersonalização.

Lee G. Bolman e Terrence E. Deal, Leading with Soul: An Uncommon Journey of Spirit [Liderando com Alma: Uma Jornada Incomum do Espírito] (São Francisco: Jossey-Bass, 1995). Os autores estão convencidos de que os gestores se tornaram excessivamente racionais e orientados para os números; eles carecem de coragem, espírito e esperança. O livro consiste em uma série de diálogos entre um CEO e a sua mentora, Maria, que incentiva um novo reconhecimento do coração, da alma e do espírito dentro da empresa. O CEO eventualmente incentiva os subordinados a ‘ouvirem o seu coração’. A abordagem aqui não é religiosa; utiliza poesia, literatura, música, arte, teatro, dança para obter melhor autoconhecimento, escuta, coração e espírito.

Um dos best-sellers escritos com mais devoção e reverência é Jesus, CEO: Using Ancient Wisdom for Visionary Leadership [Jesus, CEO: Usando Sabedoria Antiga para Liderança Visionária] (Nova York: Hyperion, 1995), de Laurie Beth Jones. Usando as ações e palavras de Jesus como modelo, Jones apresenta ao empresário a importância de: autodomínio, ação apropriada e desenvolvimento de relacionamentos. O livro compreende dezenas de seções curtas, como ‘Ele Formou uma Equipe’, ‘Ele Teve uma Visão de Longo Prazo’, ‘Ele Empoderou as Mulheres’ e ‘Ele Viu o Amor no Controle do Plano’, seguido por várias questões de devoção e reverência. Jones usa trechos e citações bíblicas regularmente, juntamente com exemplos contemporâneos de negócios. Com base no sucesso de seu livro, Jones oferece ajuda aos desfavorecidos: materiais de treinamento e bolsas de estudo para mulheres sem-teto e aulas em prisões e para jovens infratores.

The Leadership Wisdom of Jesus: Practical Lessons for Today [A Sabedoria de Liderança de Jesus: Lições Práticas para Hoje] foi escrito por um experiente membro do corpo docente e consultor de administração, Charles Manz (San Francisco: Berrett Koehler, 1998). Em suas seções, ‘Limpe a Imagem Espelhada’, ‘Conduza os Outros com Compaixão’ e ‘Conduza os Outros a Serem o que Eles Têm de Melhor’ e ‘Plante Sementes de Mostarda Dourada’, Manz tenta sistematizar e tornar mais relevantes os ensinamentos de Jesus sobre como lidar com outras pessoas. Ele faz isso com exemplos da vida de Jesus e de negócios contemporâneos. Os estudantes respondem bem ao material desse livro.

Os dois últimos livros são brochuras baratas. Nem Jones nem Manz são estudiosos das escrituras, portanto a exegese deles das escrituras não é perfeita. No entanto, ambos captaram grande parte da mensagem básica de Jesus. Além disso, eles têm colocado essa mensagem no contexto da organização contemporânea de modo a ser útil ao atual líder. O objetivo de ambos os autores é ajudar o líder a fazer melhor o seu trabalho. Ambos os autores falam de Jesus com respeito, como um líder carismático com muita sabedoria para comunicar. Jones tem uma pequena seção incentivando os líderes a meditar e orar. No entanto, nenhum dos autores discute abnegação, sofrimento, responsabilidades para com os marginalizados ou Jesus como Deus.

Grupos de Oração

Existem grupos de oração para líderes empresariais. Alguns estão nas instalações da empresa e parcialmente no horário comercial. Num exemplo, o CEO de um fabricante de ferramentas de médio porte no Missouri convidou funcionários de sua empresa para se juntarem a um grupo de oração na empresa. Depois de três anos, seis grupos de oração se reúnem semanalmente e isso compreende de 10 a 20% de todos os funcionários. O CEO afirma que os grupos de oração ‘reduziram drasticamente os erros, as queixas, o absentismo e a rotatividade de funcionários, ao mesmo tempo que resolveram crises familiares e aceleraram a cura [healing]’. Para evitar preconceitos e contestações legais, eles estabeleceram algumas regras básicas: ‘nada de dirigentes corporativos, nada de listas de participação, limite de tempo pago a 30 minutos por semana, mantenha isso não-denominacional e aberto a todas as fés’.

Capelães contratados em empresas como Toco Bell, Pizza Hut e divisões do Wal-Mart prestam aconselhamento e até realizam casamentos ou funerais para os trabalhadores. Um grupo sem fins lucrativos chamado Marketplace Ministries, em Dallas, fornece capelães para outras 131 empresas em 38 estados. A Toco Bell diz que reduziu o turnover [a taxa de rotatividade dos colaboradores] anual de 300% para 125% e atribui a queda ao programa de capelães. Fellowship Companies for Christ International de Atlanta tem engajado 1.500 empresas em todo o mundo. Os capelães e membros dos grupos de oração são em grande parte Cristãos, no entanto, há também Judeus, Muçulmanos, Hindus, Budistas e de outras orientações religiosas. Business Week diz:

“Se os principais executivos dos EUA tivessem tentado algo assim há 10 anos, provavelmente teriam inspirado o ridículo ou talvez até o ostracismo. Mas hoje, um renascimento espiritual está varrendo a América Empresarial, à medida que executivos de todos os matizes misturam misticismo na sua gestão, importando para os corredores dos escritórios as lições normalmente distribuídas em igrejas, templos e mesquitas. Longe vai o velho tabu contra falar sobre Deus no trabalho. Em seu lugar está uma nova espiritualidade, evidente nos grupos de oração da Delotte & Touche e nos estudos do Talmud nos escritórios de advocacia de Nova York…”

O Woodstock Business Conference (WBC) é o grupo de oração mais bem organizado e conhecido da tradição Católica para líderes empresariais. Atualmente ele possui comitês em 19 cidades nos EUA, cada um com 10 a 25 membros. O grupo é uma rede nacional de executivos empresariais comprometidos em examinar a relação entre: fé, família e empresa. Da declaração de missão do grupo: Fundada na tradição Católica Romana, ela está comprometida com a convicção de que a ética e os valores surgem da herança religiosa de alguém.

A maioria dos comitês foi iniciada por um líder empresarial individual e é patrocinada por uma universidade, escola secundária, paróquia ou centro de retiros Jesuítas. As reuniões são normalmente mensais e duram uma hora e meia. Elas consistem em: oração de abertura, leitura e reflexão sobre a passagem da Escritura selecionada e discussão do tema escolhido para o mês. O WBC tem um coordenador nacional em Washington, DC, que pode fornecer exemplos de materiais para as reuniões. O sucesso de um comitê local depende de ter um coordenador ou defensor voluntário local, que incentive os voluntários a liderar cada reunião e geralmente garanta que o grupo esteja funcionando sem problemas. Muitos comitês também contam com um capelão, que participa da discussão e pode atuar como recurso.

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1.Enander, John O., “Prayer Groups on Company Time,” Industrial Distribution, V. 89, no. 2 (Feb., 2000), p. 78.

2. Conlin, Michelle, “Religion in the Workplace: The Gorwing Presence of Spirituality in Corporate America,” Business Week (November 1, 1999) pp. 150-158

3. Director, Woodstock Business Conference, Woodstock Theological Center, Georgetown University; Washington, DC 20057-1137. Phone: (202) 687-6565.

Recursos Adicionais:

Berry, Thomas (1997), The Great Work: Our Way Into the Future. (New York: Bell Tower/Crown).

Cavanagh, Gerald F. (1998), American Business Values: With International Perspectives. (Upper Saddle River: Prentice-Hall).

DeVos, Richard (1993), Compassionate Capitalism, (New York: Dutton).

Downey, Michael, ed. (1993), The New Dictionary of Catholic Spirituality, (Collegeville, Minn., The Liturgical Press.

Greenleaf, Robert (1973), The Servant Leader. (Newton Center, MA: Greenleaf Center).

Mitroff, Ian I. and Elizabeth A. Denton (1999a), A Spiritual Audit of Corporate America (San Francisco: Jossey-Bass).

Mitroff, Ian I. and Elizabeth A. Denton (1999b), A Spirituality in the Workplace, Sloan Management Review. V. 40, N. 4.

Nash Laura L. (1994), Believers in Business. (Nashville: Thomas Nelson).

Novak, Michael (1996), Business as a Calling: Work and the Unexamined Life, (New York: Free Press).

Woods, R. (1993), “What is New Age Spirituality”, The Way, July.

Wuthnow, Robert (1998), After Heaven: Spirituality in American Life since the 1950s (Berkeley: University of California).

Imagem sincerely-media-dGxOgeXAXm8-unsplash.jpg – 5 de novembro de 2023

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios podem ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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