…continuação da Parte II…

Parte VII – O sonho que perdoa (T-29.IX) (conclusão)

O autor Dr. Kenneth Wapnick enfatiza que estamos prontos para a terceira etapa do julgamento, mas antes ele resume brevemente e depois prossegue com os esclarecimentos.

O primeiro tipo de julgamento é o sonho de julgamento do ego, que sempre se baseia em diferenças e ataques.

O segundo julgamento é ser capaz de olhar para o primeiro julgamento sem julgá-lo, ser capaz de olhar para toda a feiura de nossos egos – toda a maldade, a grosseria, todo o ódio, o assassinato e o canibalismo – e então dizer que isso é simplesmente um brinquedo.

Olhar para isso implica compreender o propósito que esses sonhos de julgamento servem. Nós temos pensamentos rudes, críticos e odiosos porque temos medo do Amor de Deus. É a presença de Jesus em nossas mentes que está nos levando à loucura e para nos defendermos dessa presença amorosa, nós criamos ídolos do especialismo e então nos sentimos ainda mais culpados.

Assim, nesta segunda forma de julgamento, que é realmente olhar para o julgamento do ego, percebemos que o julgamento é um brinquedo com o qual a mente de uma criança brinca. Nós julgamos porque nós temos medo do verdadeiro pensamento de amor dentro de nós. Nós substituímos esse pensamento real de amor pelo pensamento de culpa e o pensamento de julgamento e então projetamos isso e o vemos nos outros.

Nós precisamos apenas olhar para esse processo, não com o objetivo de mudá-lo, mas simplesmente com o objetivo de olhar para ele através da visão de Cristo. Ao olhar para ele com os olhos de Jesus, nós percebemos que se trata simplesmente de um jogo infantil bobo que nós inventamos porque temos medo do pensamento de ódio em nossas mentes.

Mas esse pensamento de ódio é uma defesa contra o pensamento de amor, o que significa que nós não somos pecadores desprezíveis; nós estamos simplesmente com medo. Nós temos medo do amor de Jesus.

No entanto, isso é tudo o que precisamos fazer. Depois de fazermos isso completamente e sem qualquer reserva, nos encontraremos no mundo real, que é o que discutiremos agora, enquanto continuamos com ‘O sonho que perdoa’.

“No mundo real, eu vejo toda a minha culpa sem culpa e todo o meu ódio sem ódio, o que significa que a culpa e o ódio desaparecerão. Se eu olhar para a culpa e o ódio com Jesus ao meu lado e não me julgar mais por tê-lo afastado, traído e abandonado, então minha única realidade será a sua presença unida à minha, a minha presença unida à dele. E, nesse amor conjunto, eu olharei para um mundo diferente – não um mundo que mudou fisicamente, mas um que eu verei de maneira diferente porque eu mudei.

Eu darei uma olhada no que o Curso chama de mundo real, que não tem nada a ver com o que parece ser externo. É simplesmente o julgamento que faço sobre mim mesmo que diz que não fiz nada de errado. Como Jesus disse no início do Curso

Filho de Deus, tu não pecaste, ​​mas tens estado muito equivocado’ (T-10.V.6:1).

E então eu percebo que não fiz nada pecaminoso. Simplesmente eu cometi um erro e o erro é acreditar que eu poderia estar separado de Deus. Agora percebo que eu não estou separado. E ao me unir a Jesus, a verdade dessa percepção se torna realidade para mim. Dessa presença de amor dentro de mim, agora eu olho para o mundo e tudo o que vejo são expressões de amor ou pedidos de amor. Só existe amor dentro de mim e isso é tudo o que posso ver fora de mim.

No entanto, o mundo real não é afetado pelo mundo que ela pensa que é real. Tampouco as suas leis foram mudadas porque ela não as compreende (T-29.IX.6:8-9).

A minha incapacidade de entender o que é amor não muda o amor. Os meus ataques ao amor não mudam o amor. O amor simplesmente espera pacientemente em minha mente até que eu volte a ele.

O mundo real ainda é apenas um sonho (T-29.IX.7:1).

É por isso que esta terceira etapa do julgamento não é a última. A quarta e última etapa é o fim total do sonho.

No mundo real, ainda estamos dentro do sonho, mas temos plena consciência de que é um sonho.

E então, como nós poderíamos ficar com raiva do sonho de outra pessoa? Nós não ficamos com raiva de algo que sabemos não ser real. Só ficamos com raiva de algo que nós acreditamos ter poder sobre nós.

É por isso que Jesus não ficou zangado no final de sua vida e porque ele não teve medo ou culpa e, acima de tudo, nenhuma dor. Ele sabia que nada estava acontecendo com ele. Ele sabia que ele não era o seu corpo.

O mundo real ainda é apenas um sonho. Mas as figuras mudaram. Elas não são vistas como ídolos que traem (T-29.IX.7:1-3).

Isso não significa que as figuras mudem fisicamente. Elas mudam em termos do que representam. Assim, eu só te vejo como um inimigo porque primeiro me vi como um inimigo: eu creio que sou aquele que traiu e destruiu o Amor de Deus.

Mas se agora eu sinto o amor de Jesus dentro de mim, eu não vou mais me ver como um inimigo. Se eu sinto o seu amor dentro de mim, então eu sei que não matei o amor. E se eu não o matei, não há pecado, nem culpa, nem necessidade de me proteger projetando a culpa para fora da minha mente.

Então agora olho para a mesma pessoa que está cravando um prego em meu corpo, mas não a vejo mais como me traindo. Eu a vejo como um irmão em Cristo que é medroso. E na insanidade de seu medo, ele acredita que fica seguro me destruindo. É assim que Jesus percebeu.

É [o mundo real] um sonho no qual ninguém é usado para substituir alguma outra coisa, nem interposto entre os pensamentos que a mente concebe e aquilo que ela vê (T-29.IX.7:4).

Eu não preciso mais de você para ser uma defesa contra esses pensamentos de julgamento em minha mente, ou para se colocar entre mim e a vingança de Deus.

Projetando minha culpa e julgando você, o meu ego espera que quando Deus vier atrás do pecador que o roubou, Ele não verá o pecador em mim, Ele verá em você. Portanto, eu estou seguro, pois agora Deus vai pegar você em vez de mim. Mas, uma vez que a minha culpa se vá, eu não preciso mais dessa defesa.

Ninguém é usado como algo que não é, pois as coisas infantis foram todas postas de lado (T-29.IX.7:5).

Eu estou usando você como parte do meu sonho, negando assim Quem você é como Cristo. Estou negando a sua realidade porque eu estou vendo você como eu quero que seja.

Ao primeiro negar a minha realidade como Cristo e me ver como um ego pecador e culpado, eu devo então negar a sua realidade como Cristo e vê-lo como um ego pecador e culpado.

A maneira como me vejo se torna automaticamente a maneira como vejo você – não pode ser de outra maneira. O único valor do mundo é que ele me mostra que o que estou vendo do lado de fora é uma projeção do que está dentro.

Se eu quiser saber de quem eu peguei a mão – de Jesus ou do ego -, só preciso monitorar como estou experienciando o mundo. E se alguma coisa no mundo perturba a minha paz ou me traz paz, eu sei que larguei a mão de Jesus e peguei a do ego.

E o que uma vez foi um sonho de julgamento, agora mudou e veio a ser um sonho no qual tudo é alegria, porque esse é o propósito que ele tem (T-29.IX.7:6).

Isso não significa necessariamente que o mundo mude. Não estamos falando sobre uma mudança externa. O mundo externo de Jesus certamente não mudou para melhor no final. Estamos falando sobre o propósito que nós damos ao mundo, mudando de julgamento e culpa para alegria e paz. A nossa percepção do mundo irá então mudar de acordo – ele precisa.

Só sonhos que perdoam podem entrar aqui, pois o tempo está quase no fim (T-29.IX.7:7).

O tempo não acabou completamente porque não chegamos ao fim da ilusão; mas estamos no fim do uso da ilusão pelo ego. E assim também estamos no fim de toda ansiedade, medo e dor.

E as formas que entram no sonho são agora percebidas como irmãos, não em julgamento, mas em amor (T-29.IX.7:8).

Novamente, nada externo muda. Apenas o que é interno muda. E porque minha mente muda, agora me identificando com o amor de Jesus em vez do ódio do ego, eu automaticamente verei todos banhados naquele amor.

Mas porque ainda eu faço parte do mundo dos sonhos e da mente dividida, eu vou perceber que tudo dentro da mente é um pensamento de amor ou um pensamento de medo. Portanto, eu reconhecerei que tudo o que você fizer que pareça ser um ataque e desamoroso vem do medo e não é realmente um ataque.

Em outras palavras, dentro da mente dividida existem apenas os pensamentos de medo e os pensamentos de amor. O ego interpreta os pensamentos de medo como pensamentos de especialismo, ataque, assassinato e canibalismo.

Mas, em minha mentalidade certa, eu percebo todos eles simplesmente como expressões de medo. E o medo é realmente o medo do Amor de Deus que foi negado pelo sistema de pensamento do ego de separação e culpa.

Isso é tudo o que eu estou vendo. As imagens podem ser exatamente as mesmas, as formas do sonho podem ser exatamente as mesmas, mas o significado é totalmente diferente.

Sonhos de perdão têm pouca necessidade de durar. Eles não são feitos para separar a mente daquilo que ela pensa (T-29.IX.8:1-2).

Essa é a correção para a afirmação do ego de que as ideias podem deixar a sua própria fonte (T-26.VII.12:3; W-pI.167.4:3) – que eu posso ter um pensamento separado de minha mente, que eu poderia então projetar para fora de minha mente.

No mundo real, por meio do perdão, eu percebo que tudo é um só. E finalmente eu entendo que nem mesmo Jesus está separado de mim. Jesus e eu somos pensamentos que fazem parte do mesmo amor. Nada está separado em minha mente.

Eles [sonhos que perdoam] não buscam provar que o sonho está sendo sonhado por alguma outra pessoa (T-29.IX.8:3).

Isto é o que o ego está sempre tentando provar: não é o meu sonho de julgamento ou o meu sonho de traição. É o seu sonho de julgamento e traição!

E nestes sonhos ouve-se uma melodia que todos lembram, embora não a tenham ouvido desde antes do início dos tempos. O perdão, uma vez completo, traz a intemporalidade para tão perto que a canção do Céu pode ser ouvida, não com os ouvidos, mas com a santidade que nunca deixou o altar que habita para sempre profundamente dentro do Filho de Deus. E quando ele ouve essa canção outra vez, sabe que nunca deixou de ouvi-la (T-29.IX.8:4-6).

Isso é o que é chamado de Canção da Oração no Panfleto de mesmo nome (CS-3.IV.1:10) e o que, na bela seção no início do capítulo 21, é referido como A canção esquecida (T-21.I), a música sempre presente em nossas mentes. Não é uma música ouvida com os ouvidos. Jesus está falando metaforicamente sobre a experiência da unidade do Amor de Deus com Cristo.

E onde está o tempo, quando os sonhos de julgamento foram postos de lado?

Essa afirmação deixa bem claro o motivo pelo qual nós vivemos no mundo dessa forma: nós não queremos nos lembrar da canção. Para lembrar essa canção, nós devemos estar dispostos a esquecer a canção do ego. E qual é a música do ego? Que eu existo como uma pessoa separada, que eu tenho o que roubei de Deus (a quarta lei do caos [T-23.II.9]), mas outra pessoa é responsável por isso.

Não queremos abrir mão de nosso especialismo, nossa singularidade, nossa individualidade. As pessoas elogiam o maravilhoso mundo de diferenças que Deus criou. Todo mundo é exclusivamente diferente; não existem dois objetos iguais: todos nós temos impressões digitais diferentes; cada floco de neve é ​​único.

E apontamos isso como prova de que este é o mundo de Deus! Mas este é o mundo do ego. O mundo de Deus é a Unicidade perfeita.

Este é um mundo de diferenças perfeitas! Essa é a canção do ego e nós não queremos desistir dela. Nós percebemos que ouvir a canção do Céu – que está sempre cantando em nossas mentes porque é isso que o Espírito Santo reflete – significa desistir da canção do ego de especialismo e individualidade.

Todos nós queremos ter o nosso bolo e comê-lo (ter as duas coisas ao mesmo tempo). Queremos as duas canções, que devem comprometer a verdade.

Sempre que sentires medo, sob qualquer forma – e tu estás amedrontado se não sentes um profundo contentamento, uma certeza de seres ajudado, uma calma segurança de que o Céu vai contigo – estejas certo de que fizeste um ídolo e acreditas que ele vai trair-te (T-29.IX.9:1).

Sempre que nós não estamos sentindo uma profunda sensação de contentamento e certeza de ajuda e uma serena certeza de que Deus está sempre conosco, tornamo-nos um ídolo do especialismo. Esse ídolo é o que nós acreditamos ter feito de nós mesmos. Então nós projetamos o ídolo e acreditamos que ele voltará e nos trairá.

Pois, por trás da esperança de que ele [esse ídolo] vá salvar-te, estão a culpa e a dor da auto traição e da incerteza, tão profundas e amargas que o sonho não é capaz de ocultar completamente todo o teu sentimento de perdição (9:2).

A sensação de desgraça, desespero, pavor e desesperança que todos nós sentimos – e todos neste mundo sentem isso porque todos vamos morrer – vem realmente daquele pensamento dentro de cada um de nós que diz: ‘Eu matei Deus e isso é irrevogável. Eu nunca poderei voltar para onde eu saí.

Claro que nunca poderei voltar porque não quero abrir mão do que me impede de voltar: a minha individualidade. O desejo secreto do ego, novamente, é manter o que roubou, mas culpar outra pessoa por isso.

A tua auto traição tem que resultar em medo, pois o medo é julgamento, levando com certeza à busca frenética de ídolos e da morte (T-29.IX.9:3).

A auto traição é a nossa crença de que traímos Quem realmente nós somos como Cristo. Essa é a culpa que nós sentimos, que automaticamente leva ao medo, que vem do julgamento de que o que nós fizemos é pecaminoso e errado.

Nós devemos então projetar o pecado fora de nossas mentes e acreditar que há algo lá fora, do qual agora nós devemos nos esconder. E então o problema não está mais em nossas mentes, está fora de nós.”

Sonhos que perdoam lembram a ti de que vives em segurança e que não atacaste a ti mesmo (T-29.IX.10:1).

Dr. Kenneth Wapnick enfatiza que isso é o que Jesus nos demonstrou e ainda nos ensina. O pensamento de separação é irreal – nunca aconteceu. Eu nunca ataquei Deus. Eu nunca ataquei a Cristo. Ninguém foi atacado. Foi tudo um sonho. E assim não há culpa nem medo de ser atacado em troca.

“Quando nós nos sentimos na presença do Amor de Deus, absolutamente nada pode nos ferir ou afetar. Isso não significa que nós não respondamos ao que está acontecendo no mundo, mas a resposta virá do amor. Não vem do medo ou de interesses separados ou interesse próprio.

Assim dissipam-se os teus terrores infantis e os sonhos vêm a ser um sinal de que fizeste um novo começo, não uma outra tentativa de adorar ídolos e manter o ataque (T-29.IX.10:2).

‘O Novo Começo‘ é o título do próximo capítulo, então isso olha para frente. Quando começamos a perdoar, de repente percebemos que há esperança – que finalmente fizemos um novo começo.

O propósito de Um Curso em Milagres é para nos ajudar neste novo começo. O novo começo significa que eu não luto mais contra o meu ego. Eu simplesmente recuo, com Jesus ao meu lado e vejo os pensamentos do meu ego em ação sem justificá-los, racionalizá-los, espiritualizá-los ou negando ou projetando-os.

Simplesmente eu olho para eles e percebo: ‘Sim, é isso que estou fazendo. E estou fazendo isso porque tenho medo do amor.’ E se eu puder olhar para o meu medo do amor com amor ao meu lado, eu estou começando a aprender que o amor não é mais o meu inimigo.

Sonhos que perdoam são benignos para com todas as pessoas que figuram no sonho. E assim trazem ao sonhador liberação plena dos sonhos de medo (10:3-4).

O perdão não é algo que fazemos externamente. Deixe-me repetir a frase que eu [Dr. Wapnick] mencionei antes:

‘O perdão, por sua vez, é quieto e na quietude nada faz. Apenas olha e espera e não julga’ (LE-pII.1.4:1,3).

O perdão não faz nada. Nós perdoamos o nosso irmão pelo que ele jamais fez (T-30.IV.7:3). O perdão não está ativo. Eu não faço nada para você, nem com você, nem por você. O perdão não é algo que o meu corpo faz. É algo que minha mente faz voltando para dentro de si mesma e olhando para os meus pensamentos implacáveis ​​e críticos. O perdão simplesmente olha para esses pensamentos sem julgá-los. ‘Ele apenas olha e espera e não julga‘ – essa é a ideia-chave.

Então o meu corpo pode fazer algo – eu posso dizer algo. Mas o perdão não é uma ação. É o desfazer de um pensamento e, mais precisamente, é olhar com um sorriso gentil para a feiura do sistema de pensamento do ego.

Ele [o sonhador] não tem medo do próprio julgamento pois não julgou ninguém e nem buscou se liberar, através do julgamento, daquilo que o julgamento necessariamente impõe (T-29.IX.10:5).

Eu não preciso mais ter medo do que chamei de meu julgamento e da projeção de meu julgamento sobre você, porque eu nada fiz. O julgamento deve impor punição e dor e eu tenho tentado evitar minha própria punição julgando você: ‘Você é o pecador, não eu; portanto, não sou eu que devo ser punido.’ Portanto, eu tentei escapar do que o meu julgamento me diz que devo receber, insistindo que não fui eu quem julgou; foi você quem julgou e atacou.

E durante todo o tempo ele está se lembrando do que esqueceu, enquanto o julgamento parecia ser o caminho para salvá-lo da penalidade de julgar (10:6).

Nós estamos nos lembrando do Amor de Deus, que é o que nós esquecemos. Julgar os outros parecia ser a maneira pela qual eu me salvaria da penalidade de meu ódio por mim mesmo. Mas enquanto eu estava julgando, o Amor de Deus repousou seguro dentro de mim, esperando pacientemente pelo meu retorno.

Eu simplesmente tenho que invocar Jesus – não de uma forma mágica, mas simplesmente olhando com ele para os pensamentos do meu ego, para o que o meu ego tem feito e fez no mundo e dizer: ‘Eu fiz isso apenas porque eu estava com medo de você.

E se eu puder aprender a dizer isso a ele cada vez mais, sem ter medo de seu julgamento, aprenderei que não há julgamento. No final das contas, nada aconteceu.

Para encerrar o workshop, eu [Dr. Wapnick] pensei em ler uma breve lição do Livro de Exercícios, Lição 352. É um final bonito porque reflete a etapa final do julgamento, o julgamento de Deus, que diz que nada aconteceu. O título quase pode servir de lição por si só. A lição em si é uma oração nossa a Deus Pai.

O julgamento e o amor são opostos. De um vêm todas as tristezas do mundo. Mas do outro vem a paz do próprio Deus.

O perdão olha apenas para a impecabilidade e não julga. Através disso venho a ti. O julgamento limitará os meus olhos e me cegará. Mas o amor, aqui refletivo no perdão, lembra a mim que Tu me deste um caminho para achar a Tua paz outra vez. Sou redimido quando escolho seguir esse caminho. Tu não me deixaste sem consolo. Dentro de mim, trago tanto a Tua memória quanto Aquele Que me conduz a ela. Pai, quero ouvir a Tua Voz e achar a Tua paz no dia de hoje. Pois quero amar a minha própria Identidade e Nela achar a memória de Ti. (LE-352.Título.1:1-9)”

Como se abandona o julgamento?

O Manual de Professores (MP-10:1-6) diz:

O julgamento, como outros instrumentos através dos quais se mantém o mundo das ilusões, é compreendido de forma totalmente errada pelo mundo. De fato, é confundido com sabedoria e substitui a verdade. Considerando a forma que o mundo usa o termo, um indivíduo é capaz de fazer “bom” ou “mau” julgamento e a sua educação tem por objetivo fortalecer o primeiro e minimizar o último. Entretanto, há grande confusão em torno do que significam estas categorias. O que é “bom” julgamento para um, é “mau” para outro. Além disto, até a mesma pessoa, em um dado momento, classifica a mesma ação como sendo demonstrativa de “bom” julgamento e de “mau” julgamento em outro. Nem é possível ensinar-se qualquer critério consistente para a determinação do que são estas categorias. A qualquer momento o estudante pode discordar daquilo que o seu pretenso professor diz a esse respeito, e o próprio professor pode muito bem ser inconsistente em relação àquilo em que acredita. “Bom” julgamento, nestes termos, não significa nada: assim como “mau” também não significa nada.

É necessário que o professor de Deus reconheça, não que não deve julgar, mas que não pode julgar. Ao desistir do julgamento, está apenas a desistir do que não tinha. Desiste de uma ilusão; ou melhor, tem a ilusão de desistir. De fato, simplesmente, se tornou mais honesto. Reconhecendo que o julgamento sempre lhe foi impossível, não mais tenta fazê-lo. Não há nenhum sacrifício. Ao contrário, coloca-se numa posição na qual o julgamento pode ocorrer através dele, em vez de por ele. E este julgamento não é “bom” nem é “mau”. É o único julgamento que existe e é apenas um: “O Filho de Deus não tem culpa e o pecado não existe.”

O objetivo do nosso ensinamento, ao contrário da meta de aprendizagem do mundo, é o reconhecimento de que o julgamento, no sentido usual do termo, é impossível. Isto não é uma opinião, mas um fato. Para poder julgar qualquer coisa acertadamente, a pessoa teria de estar inteiramente ciente de uma escala inconcebível de coisas passadas, presentes e por vir. A pessoa teria de reconhecer antecipadamente todos os efeitos dos seus julgamentos sobre todas as outras pessoas e coisas, de alguma forma envolvidas com tais efeitos. E a pessoa teria de estar certa de não haver nenhuma distorção na sua percepção, de forma a que o seu julgamento fosse totalmente justo em relação a todos aqueles sobre os quais recai, agora e no futuro. Quem está em posição de fazer isto? Quem, a não ser em grandiosas fantasias, poderia reivindicar tal coisa para si mesmo?

Lembra-te de quantas vezes pensaste que conhecias todos os “fatos” necessários para um julgamento e de como estavas enganado! Existe alguém que não tenha tido esta experiência? Saberias quantas vezes, simplesmente, pensaste que estavas certo, sem jamais reconheceres que estavas errado? Por que escolherias uma base tão arbitrária para tomar decisões? A sabedoria não está em julgar, mas no abandono do julgamento. Faz, então, apenas mais um julgamento. É o seguinte: há Alguém contigo cujo julgamento é perfeito. Ele conhece todos os fatos passados, presentes e por vir. Ele, na verdade, conhece todos os efeitos do Seu julgamento sobre todas as pessoas e todas as coisas que, de alguma forma, estão envolvidos com esse julgamento. E Ele é totalmente justo para com todos, pois não há distorção na Sua percepção.

Portanto, deixa de lado o julgamento, não com pesar, mas com um suspiro de gratidão. Agora, estás livre de uma carga tão grande que somente poderias cambalear e cair para debaixo dela. E tudo era ilusão. Nada mais. Agora, o professor de Deus pode erguer-se sem cargas e caminhar com leveza. Porém, não é esse, apenas, o seu benefício. O seu senso de preocupação desvaneceu-se, pois já não tem nenhuma preocupação. Abdicou disso, juntamente com o julgamento. Entregou-se Àquele em cujo julgamento escolheu passar a confiar, em vez do seu próprio. Agora, não se engana. O seu Guia é seguro. E onde o professor de Deus veio para julgar, veio para abençoar. Onde ele agora ri, antes costumava vir para chorar.

Não é difícil abandonar o julgamento. Mas é, de fato, difícil tentar mantê-lo. O professor de Deus abandona o julgamento com felicidade no momento em que reconhece o seu preço. Toda a feiura que vê à sua volta é consequência do julgamento. Toda a dor que contempla é o seu resultado. Toda a solidão e o senso de perda, do tempo que passa e da desesperança crescente, do desespero doentio e do medo da morte; tudo isso veio do julgamento. Agora, o professor de Deus sabe que tais coisas não precisam de ser assim. Nenhuma delas é verdadeira. Pois desistiu da sua causa e elas, que nunca foram senão os efeitos da sua escolha errada, deixam de estar presas a ele. Professor de Deus, este passo irá trazer-te a paz. Será difícil querer apenas isto?

Bibliografia da OREM3:

  • Livro “Um Curso em Milagres” – Livro Texto, Livro de Exercícios e Manual de Professores. Fundação para a Paz Interior. 2ª Edição –  copyright© 1994 da edição em língua portuguesa.
  • Artigo “Helen and Bill’s Joining: A Window Onto the Heart of A Course in Miracles” (tradução livre: A União de Helen e Bill: Uma Janela no Coração de Um Curso em Milagres”) – Robert Perry, site: https://circleofa.org/
  • E-book “What is A Course in Miracles” (tradução livre: O que é Um Curso em Milagres) – Robert Perry.
  • E-book “Autobiography – Helen Cohn Schucman, Ph.D.” – Foundation for Inner Peace (tradução livre: Autobiografia – Helen Cohn Schucman, Ph.D., Fundação para a Paz Interior).
  • Livro “Uma Introdução Básica a Um Curso em Milagres”,  Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Livro “O Desaparecimento do Universo”, Gary R. Renard.
  • Livro “Absence from Felicity: The Story of Helen Schucman and Her Scribing of A Course in Miracles” (tradução livre: “Ausência de Felicidade: A História de Helen Schucman e Sua Escriba de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Artigo “A Short History of the Editing and Publishing of A Course in Miracles” (tradução livre: Uma Breve História da Edição e Publicação de Um Curso em Milagres” – Joe R. Jesseph, Ph.D. http://www.miraclestudies.net/history.html
  • E-book “Study Guide for A Course in Miracles”, Foundation for Inner Peace (tradução livre: Guia de Estudo para Um Curso em Milagres, Fundação para a Paz Interior).
  • Artigo “The Course’s Use of Language” (tradução livre: “O Uso da Linguagem do Curso”), extraído do livro “The Message of A Course in Miracles” (tradução livre: “A Mensagem de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Artigo Who Am I? (tradução livre: Quem Sou Eu?) – Beverly Hutchinson McNeff – Site: https://www.miraclecenter.org/wp/who-am-i/
  • Artigo “Jesus: The Manifestation of the Holy Spirit – Excerpts from the Workshop held at the Foundation for A Course in Miracles – Temecula CA” (tradução livre: Jesus: A Manifestação do Espírito Santo – Trechos da Oficina realizada na Fundação para Um Curso em Milagres – Temecula CA) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Livro “Quantum Questions” (tradução livre: “Questões Quânticas”) – Ken Wilburn
  • Livro “Um Retorno ao Amor” – Marianne Williamson.
  • Glossário do site Foundation for A Course in Miracles (tradução livre: Fundação para Um Curso em Milagres), do Dr. Kenneth Wapnick, https://facim.org/glossary/
  • Livro Um Curso em Milagres – Esclarecimento de Termos.
  • Artigo “The Metaphysics of Separation and Forgiveness” (tradução livre: “A Metafísica da Separação e do Perdão”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Livro “Os Ensinamentos Místicos de Jesus” – Compilado por David Hoffmeister – 2016 Living Miracles Publications.
  • Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – A Canção da Oração” – Helen Schucman – Fundação para a Paz Interior.
  • Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – Psicoterapia: Propósito, Processo e Prática.
  • Workshop “O que significa ser um professor de Deus”, proferido pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D..
  • Artigo escrito pelo escritor Paul West, autor do livro “I Am Love” (tradução livre: “Eu Sou Amor”), blog https://www.voiceforgod.net/.
  • Artigo “The Beginning Of The World” (tradução livre: “O Começo do Mundo”) – Dr Kenneth Wapnick.
  • Artigo “Duality as Metaphor in A Course in Miracles” (tradução livre: “Dualidade como Metáfora em Um Curso em Milagres”) – Um providencial e didático artigo, considerado pelo próprio autor como sendo um dos artigos (workshop) mais importantes por ele escrito e agora compartilhado pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Artigo “Healing the Dream of Sickness” (tradução livre: “Curando o Sonho da Doença”  – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Livro “The Message of A Course in Miracles – A translation of the Text in plain language” (tradução livre: “A mensagem de Um Curso em Milagres – Uma tradução do Texto em linguagem simples”) – Elizabeth A. Cronkhite.
  • E-book “Jesus: A New Covenant ACIM” – Chapter 20 – Clearing Beliefs and Desires – Cay Villars – Joininginlight.net© (tradução livre: “Jesus: Uma Nova Aliança UCEM” – Capítulo 20 – Clarificando Crenças e Desejos).
  • Artigo “Strangers in a Strange World – The Search for Meaning and Hope” (tradução livre: “Estranhos em um mundo estranho – A busca por significado e esperança”), escrito pelo Dr. Kenneth Wapnick e por sua esposa Sra. Gloria Wapnick.
  • Artigo “To Be in the World and Not of It” (tradução livre: “Estar no Mundo e São Ser Dele”), escrito pelo Dr. Kenneth Wapnick e por sua esposa Sra. Gloria Wapnick.
  • Site https://circleofa.org/.
  • Livro “A Course in Miracles – Urtext Manuscripts – Complete Seven Volume Combined Edition. Published by Miracles in Action Press – 2009 1ª Edição.
  • Tradução livre do capítulo Urtext “The Relationship of Miracles and Revelation” (N 75 4:102).
  • Artigo “How To Work Miracles” (tradução livre “Como Fazer Milagres”), de Greg Mackie https://circleofa.org/library/how-to-work-miracles/.
  • Artigo “A New Vision of the Miracle” (tradução livre: “Uma Nova Visão do Milagre”), de Robert Perry https://circleofa.org/library/a-new-vision-of-the-miracle/.
  • Artigo “What Is a Miracle?” (tradução livre: “O que é um milagre?”), de Robert Perry https://circleofa.org/library/what-is-a-miracle/.
  • Artigo “How Does ACIM Define Miracle?” (tradução livre: “Como o UCEM define milagre?”), de Bart Bacon https://www.miracles-course.org/index.php?option=com_content&view=article&id=232:how-does-acim-define-miracle&catid=37&Itemid=57.
  • Livro “Os cinquenta princípios dos milagres de Um Curso em Milagres”, de Kenneth Wapnick, Ph.D..
  • Artigo “The Fifty Miracle Principles: The Foundation That Jesus Laid For His Course” (tradução livre: “Os cinquenta princípios dos milagres: a base que Jesus estabeleceu para o seu Curso”), de Robert Perry https://circleofa.org/library/the-fifty-miracle-principles-the-foundation-that-jesus-laid-for-his-course/.
  • Artigo “Ishmael Gilbert, Miracle Worker” (tradução livre: “Ishmael Gilbert, Trabalhador em Milagre”), de Greg Mackie https://circleofa.org/library/ishmael-gilbert-miracle-worker/.
  • Blog “A versão Urtext da obra Um Curso em Milagres (UCEM)” https://www.umcursoemmilagresurtext.com.br/.
  • Blog “Course in Miracles Society – CIMS – Original Edition” https://www.jcim.net/about-course-in-miracles-society/.
  • Site Google tradutor https://translate.google.com.br/?hl=pt-BR.
  • Site WordReference.com | Dicionários on-line de idiomas https://www.wordreference.com/enpt/entitled.
  • Artigo “The earlier versions and the editing of A Course in Miracles” (tradução livre: “As versões iniciais e a edição de Um Curso em Milagres), autor Robert Perry https://circleofa.org/library/the-earlier-versions-and-the-editing-of-a-course-in-miracles/.
  • Livro “A Course in Miracles: Completed and Annotated Edition” (“Edição Completa e Anotada”) – Circle of Atonement.
  • Livro “Q&A – Detailed Answers to Student-Generated Questions on the Theory and Practice of A Course in Miracles” – Supervised and Edited by Kenneth Wapnick, Ph.D. – Foundation for A Course in Miracles – Publisher (tradução livre: “P&R – Respostas Detalhadas a Questões Geradas por Alunos sobre a Teoria e Prática de Um Curso em Milagres” – Supervisionado e Editado por Kenneth Wapnick, Ph.D. – Fundação para Um Curso em Milagres – Editora)
  • Artigo “The Importance of Relationships” (tradução livre: “A Importância dos Relacionamentos”), no site https://circleofa.org/library/the-importance-of-relationships/, autor Robert Perry.
  • Artigo: “The ark of peace is entered two by two” (tradução livre: “Na arca da paz só entram dois a dois”) – Robert Perry Site: https://circleofa.org/library/the-ark-of-peace-is-entered-two-by-two/
  • Artigo “Living a Course in Miracles As Wrong Minds, Right Minds, and Advanced Teachers – Part 2 of 3 – How Right Minds Live in the World: The Blessing of Forgiveness”, por Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D..
  • Artigo “Living a Course in Miracles As Wrong Minds, Right Minds, and Advanced Teachers – Part 1 of 3 – How Wrong Minds Live in the World: The Ego’s Curse of Specialness”, por Dr. Kenneth Wapnick.
  • Transcrição do vídeo do Dr. Kenneth Wapnick no YouTube, intitulado: “Judgment” (tradução livre: “Julgamento”).  O artigo completo em inglês no site https://facim.org/transcript-of-kenneth-wapnick-youtube-video-entitled-judgment/.
  • Trechos do Workshop “The Meaning of Judgment” (tradução livre “O Significado de Julgamento”), realizado na Fundação para Um Curso em Milagres em Roscoe NY, ministrado pelo Dr. Kenneth Wapnick. O artigo completo em inglês no site: https://facim.org/online-learning-aids/excerpt-series/the-meaning-of-judgment/.

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Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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