Eu tenho me perguntado qual seria a perspectiva do Curso sobre os Dez Mandamentos, visto que “eles são as pedras angulares da moral e da ética ocidental”, assim como se o Jesus do Curso vai na mesma direção que o Jesus histórico em sua mensagem para o nosso despertar espiritual – “o caminho de ouro para sair do nosso sofrimento”.

Para tal resposta nós buscamos inspiração em Greg Mackie, professor e pesquisador do Curso, que com a sua didática, lógica e sabedoria nos esclarece em seu artigo “The Ten Commandments and A Course in Miracles” (tradução livre: Os Dez Mandamentos e Um Curso em Milagres”), que transcrevemos em tradução livre a seguir.

O artigo completo em inglês poderá ser acessado no site Circle of Atonement https://circleofa.org/library/the-ten-commandments-and-a-course-in-miracles/.

Greg Mackie enfatiza que o significado dos Dez Mandamentos e o papel que desempenham na sociedade continuam a ser debatidos até hoje, como nós temos visto, por exemplo, nas controvérsias sobre a exibição dos Dez Mandamentos em tribunais dos Estados Unidos.

Como eles são tão influentes, Greg percebeu que a equipe Círculo [Circle of Atonement https://circleofa.org/] nunca havia escrito sobre eles, então ele pensou que seria um excelente tópico a ser explorado.

Na Bíblia, existem duas versões dos Dez Mandamentos: Êxodo 20:3-17 e Deuteronômio 5:7-21.

Fonte de consulta para a tradução dos Dez Mandamentos em português: https://biblia.com.br/perguntas-biblicas/quais-sao-os-10-mandamentos-e-onde-os-encontramos-na-biblia-cl/.

Greg utilizou a versão clássica do King James da passagem do Êxodo.

Diferentes denominações Cristãs subdividem os mandamentos de maneiras diferentes; ele usou as divisões preferidas pela maioria dos Cristãos.

Quanto ao Curso, há referências a alguns dos mandamentos, mas não muitas referências no geral. Portanto, Greg fez muitas especulações sobre o que o Curso pode dizer sobre esses mandamentos, no espírito de sua própria reinterpretação dos versículos bíblicos.

Afinal, se pode dar uma interpretação positiva para “A mim pertence a vingança, diz o Senhor” (ver T-3.I.3:1), certeza de que pode lançar uma nova luz sobre todos esses mandamentos.

Vamos agora começar o nosso tour pelos Dez Mandamentos, refletindo sobre o artigo de Greg.

1. Não terás outros deuses diante de mim.

“Originalmente (pelo menos de acordo com muitos estudiosos da Bíblia), esse mandamento foi dado em um mundo politeísta onde cada nação tinha o seu próprio deus.

Assim, originalmente, este mandamento dizia que, enquanto outras nações deviam adorar apropriadamente os seus próprios deuses, os Israelitas deveriam adorar apenas o Deus de Israel.

Mais tarde, quando Israel desenvolveu um verdadeiro monoteísmo, esse mandamento passou a significar adorar o Deus de Israel como o único Deus verdadeiro, o único Deus que realmente existe.

Hoje, em contextos Cristãos conservadores, muitas vezes significa adorar o Deus Cristão que (na visão deles) é o único Deus real, ao invés dos ‘deuses’ de outras religiões.

Dito isto, tanto Judeus como Cristãos modernos também podem ler de uma forma mais metafórica, dizendo, por exemplo, que nós devemos adorar a Deus em vez do ‘deus’ do álcool, dinheiro, etc.

Eu penso que o Curso concordaria com a interpretação mais literal deste mandamento em um sentido genuíno: A nossa devoção deve ser a Deus somente, o único Deus verdadeiro, ao invés de outros ‘deuses’, que são falsos.

Claro, o verdadeiro Deus que o Curso tem em mente não é o Deus de nenhuma religião em particular, mas o Deus que, em sua visão, é o verdadeiro espírito por trás de todas as religiões e caminhos de despertar: o Deus que ele chama de nosso Pai amoroso, o Deus de Amor.

Existem muitas maneiras de se devotar a esse Deus verdadeiro, incluindo maneiras que não fazem referência a ‘Deus’; como o Curso diz, os professores de Deus ‘vêm de todas as religiões e de nenhuma’ (MP.1.2:2).

O que todos os professores de Deus têm em comum, como diz o Suplemento de Psicoterapia, é simplesmente que eles ‘ensinam perdão em vez de condenação’ (ver P-2.II.1:2).

Quais são, então, os ‘deuses’ rivais que o Curso não quer que nós tenhamos diante do Deus verdadeiro?

Greg não pensa que ele [o Curso] esteja muito preocupado com os deuses pagãos da antiguidade. Em vez disso, ele pensa que vai muito mais na direção daqueles Judeus e Cristãos que alertam contra os ‘deuses’ do álcool e do dinheiro.

Na verdade, o Curso fala frequentemente de vários ‘deuses’ que nós acreditamos ter poder sobre nós, deuses que ambos tememos por causa do que eles podem fazer a nós e oramos por causa do que nós esperamos que eles nos deem.

Isso inclui deuses aparentemente assustadores, como o deus da doença e o deus da morte e deuses aparentemente atraentes, como o deus do especial e o deus do prazer físico.

Todos esses, o Curso diz, são deuses que nós tememos e adoramos no lugar do Deus verdadeiro.

Mas o deus supremo do qual o Curso deseja que nos afastemos é o falso deus que é a raiz de todo o mal aparente: o deus supremo da separação, o ego.

De fato, ‘A aliança à negação de Deus é a religião do ego’ (T-10.V.3:1) e os outros deuses são simplesmente deuses subordinados no panteão da religião do ego.

O Curso nos diz que ‘o desejo fundamental do ego é o de tomar o lugar de Deus’ (LE-pI.72.2:1) e todos os outros deuses a seu serviço têm o propósito de realizar esse desejo. Esse desejo, o desejo de colocar o ego diante de Deus, é o desejo final a ser desfeito.

Este é de longe o mandamento favorito do Curso para citar. Aqui estão algumas passagens que dão o sabor da abordagem do Curso sobre ele:

Poderias aceitar paz agora para todas as pessoas e oferecer-lhes perfeita liberdade de todas as ilusões porque ouviste a Sua Voz. Mas não tenhas outros deuses diante Dele, ou não ouvirás (T-10.III.8:2-3).

Se Deus tem apenas um Filho, existe apenas um Deus. Tu compartilhas a realidade com Ele, porque a realidade não é dividida. Aceitar outros deuses diante Dele é colocar outras imagens diante de ti (T-10.III.10:1-3).

Só no altar de Deus acharás a paz. E esse altar está em ti porque Deus lá o colocou. A Sua Voz ainda te chama para retornar e Ele será ouvido quando não mais colocares outros deuses diante Dele (T-10.III.11:1-3).

Se Deus te criou perfeito, tu és perfeito. Se acreditas que podes estar doente, colocaste outros deuses diante Dele (T-10.IV.1:4-5).

Não vejas no relacionamento especial nada além de uma tentativa sem significado de erguer outros deuses diante Dele e, adorando-os, obscurecer a insignificância que lhes é própria e a Sua grandeza (T-16.VI.13:1).

No entanto, o caminho de Deus é certo. As imagens que tenho feito não podem prevalecer contra Ele, porque não é minha vontade que o façam. A minha vontade é a Dele, e eu não colocarei outros deuses diante Dele (LE-pI.revI.53.5:5-7).

Da mesma forma, na oração passas por cima das tuas necessidades específicas tal como as vês e entrega-as nas Mãos de Deus. Lá elas passam a ser as tuas dádivas a Ele, pois Lhe dizem que não queres outros deuses diante Dele, nenhum Amor a não ser o d’Ele (CO-1.I.4:3-4).

O que vemos repetidamente nessas passagens é a ideia de que nossa decisão de adorar esses falsos deuses – como o deus da doença, o deus do especialismo e todas as miríades de deuses que nós fizemos das coisas do mundo – bloqueia o real Deus de nossa consciência.

Só o Deus verdadeiro nos dará a paz, a liberdade, a união, a perfeição, a completude, o amor que todos nós buscamos.

Nós somos chamados, então, a não colocar outros deuses diante Dele, para que nós possamos reconhecê-Lo e todos os Seus verdadeiros dons para nós mais uma vez.

Por que, então, não há outros deuses diante de Deus? Como você pode ver, não é porque Ele é ‘ciumento’ e quer nos governar com punho de ferro. Não é porque nós temos que desistir de toda a diversão que os nossos outros deuses podem fornecer a fim de apaziguar o severo Capataz.

Não, na visão do Curso, nós devemos desistir desses outros deuses porque eles não nos fazem felizes. O verdadeiro Deus, o Deus de Amor, deseja apenas a felicidade de todos; os falsos deuses que nós adoramos em Seu lugar, especialmente o ego do qual todos eles surgem, não nos deram nada além de doença, sofrimento e morte.

Não ter outros deuses diante de Deus, então, é simplesmente a maneira de ser feliz.

Por que não, então, ser devotado apenas a Deus, porque todos os outros deuses são ilusões, nós não podemos realmente adorá-los de qualquer maneira?

Como o Curso diz:

Vós não tereis outros deuses diante Dele porque não há nenhum outro (T-4.III.6:6).

Por que perder o nosso tempo adorando ilusões que nos deixam infelizes, quando nós poderíamos nos entregar completamente ao nosso Pai amoroso que nos traz pura alegria?

2. Não farás para ti nenhuma imagem esculpida.

Esse, é claro, é muito semelhante ao primeiro mandamento – tão semelhante, de fato, que em algumas versões dos mandamentos faz parte do primeiro mandamento.

Originalmente, isso significava não fazer uma imagem do Deus de Israel (ou, é claro, de qualquer outro deus). Muitas das outras nações daquela época fizeram imagens (ídolos) de seus deuses para adorar. Mas Israel não faria isso.

Hoje, é claro, assim como com o primeiro mandamento, muitos Judeus e Cristãos alertam de uma forma mais metafórica contra os ‘ídolos’ que nós adoramos no lugar do Deus verdadeiro, que não pode ser verdadeiramente retratado ou capturado em qualquer coisa finita.

A visão do Curso sobre esse mandamento é praticamente o mesmo que o anterior.

Claro, ele [o Curso] não iria querer que literalmente nós adorássemos ídolos de pedra (nem mesmo as belas Rochas Vermelhas de Sedona). Em vez disso, como nós já vimos, ele quer que nós paremos de adorar o ego e todos os seus deuses subordinados.

Na verdade, esses deuses às vezes são descritos no Curso como imagens esculpidas; falando do deus da crueldade, o Curso diz:

…embora os seus lábios estejam manchados de sangue e embora pareça lançar chamas de fogo, é apenas feito de pedra (LE-pI.170.7:2).

O próprio ego é uma falsa autoimagem, uma espécie de ídolo de pedra e o Curso nos convida a não mais adorá-lo.

O Curso, na verdade, fala frequentemente de nossa adoração a ‘ídolos’.

Na terminologia do Curso, um ‘ídolo’ é qualquer coisa que nós recorremos além de Deus para satisfazer as nossas necessidades percebidas.

Como eu disse, o ego em si é um ídolo, assim como as coisas que nós reunimos ao nosso redor para servir ao ego, coisas como aquelas nesta lista do Curso:

‘…pílulas, dinheiro, roupa ‘protetora’, influência, prestígio, que gostem de ti, conhecer as pessoas ‘certas’ e uma lista infindável de formas do nada que dotas com poderes mágicos’ (LE-pI.50.1:3).

Nós até transformamos os nossos irmãos em ídolos, especialmente em nosso relacionamento especial com eles;

Pois ele [seu irmão] virá a ser para ti uma imagem esculpida e um sinal de morte (T-30.VI.10:4).

Nós adoramos essas coisas, nós colocamos em nossos altares internos, pensando que elas e não Deus, nos trarão a felicidade que buscamos.

Todas essas coisas são os teus substitutos para o Amor de Deus (LE-pI.50.2:1).

E precisamente porque são substitutos do Amor de Deus, eles realmente não nos trazem a felicidade que nós buscamos.

Oh, nós dizemos a nós mesmos que sim e assim nos apegamos a eles com severa determinação de manter o Deus verdadeiro afastado:

Deus não tem ciúmes dos deuses que fizeste, mas tu tens (T-10.III.8:4).

Mas o fato é que tudo o que eles realmente fazem é nos deixar infelizes.

Essa miséria assume muitas formas, mas está enraizada no fato de que as nossas tentativas de coletar ídolos para nós mesmos são ataques a Deus e a todos os nossos irmãos e, portanto, tudo o que eles realmente nos trazem é a culpa:

Nunca houve um momento em que um ídolo te trouxesse coisa alguma exceto a ‘dádiva’ da culpa. Nenhum deles foi comprado a não ser ao custo da dor e nem jamais foi pago apenas por ti (T-30.V.10:3-4).

É por isso, claro, que nós devemos abandoná-los. É por isso que o Curso nos diz em suas instruções práticas para a Lição 110:

Não deixes que as imagens de escultura que fizeste para que fossem o Filho de Deus em lugar do que ele é sejam adoradas no dia de hoje (LE-pI.110.9:3).

Novamente, desistir de ídolos não é um sacrifício às demandas de um Deus ciumento.

Em vez disso, trocar ídolos pelo Amor de Deus é para a nossa felicidade – é de fato a única coisa que trará felicidade para nós e para todos os outros.

Nós não podemos realmente ter ídolos de qualquer maneira, pois eles são completamente irreais:

O que é um ídolo? Nada! (T-29.VIII.5:1).

Por que não trocar esses pedaços de nada que nos trazem dor pelo Pai amoroso que é o único que pode nos trazer alegria?

3. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.

No entendimento popular, esse mandamento passou a significar que você não deve jurar, especialmente de uma forma que inclui uma referência a Deus, como “God damn it!”

[God = Deus
God damn it!: é uma expressão em inglês da linguagem informal.
God damn it! = Maldito seja! Droga!]

É quase certo que não era isso o que significava originalmente, mas o que significava originalmente é um tópico de intenso debate.

Alguns dizem que é proibido fazer juramentos falsos em nome de Deus; significava, em essência, ‘não jure falsamente pelo nome de Deus’.

Outros dizem que é proibido usar o nome de Deus de qualquer maneira frívola, ou em práticas mágicas ou ocultas.

Seja qual for a verdade da questão, o que todas essas ideias têm em comum (até mesmo o entendimento popular) é a ideia de que este mandamento proíbe usar o nome de Deus de uma forma que desrespeite ou desonre a Deus.

O Jesus histórico parece referir-se a esse mandamento no Sermão da Montanha e, como é típico dele, oferece uma versão mais estrita dele:

Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos. Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus … Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno (Mateus 5:33-34, 37).

Isso foi interpretado de várias maneiras, mas a essência parece clara: em vez de fazer um juramento de que está dizendo a verdade (o que implica que, quando você não faz um juramento, pode não estar dizendo a verdade), apenas diga a verdade. Ponto final.

O Curso não tem nenhuma referência específica a esse mandamento. Não acho que o autor do Curso se preocupe muito se nós usamos palavras impertinentes, como aquelas sete palavras da famosa comédia de George Carlin [humor stand-up americano].

Mas acho que ele gostaria que nós deixássemos de xingar com raiva, não tanto por causa das palavras exatas usadas, mas precisamente porque é raiva.

Pense nisso: se você está pedindo a Deus para ‘condenar‘ alguém, isso não é um ataque? E, claro, dada a insistência do Curso na honestidade em todos os níveis (ver MP-4.II), ele não iria querer que nós fizéssemos juramentos falsos por Deus ou algo mais.

Em um nível mais profundo, vejo um Curso paralelo a esse mandamento em seus ensinamentos sobre o Nome de Deus. Na visão do Curso, o Nome de Deus é o Nome que todos nós compartilhamos, o único Nome verdadeiro de tudo (para discussões sobre isso, veja especialmente as Lições 183 e 184 do Livro de Exercícios).

Quando nós nos separamos de Deus, contudo, nós criamos um mundo separado ilusório e nós demos a esse mundo realidade aparente ao nomear tudo nele:

Às coisas sem nome foram dados nomes e assim também lhes foi dada realidade [aparente] (LE-pI.184.3:3).

O Nome de Deus que todos compartilhamos foi substituído por milhares de nomes para o nada que parecem dar realidade a este mundo que ‘foi feito como um ataque a Deus’ (LE-pII.3.2:1).

Se você pensar sobre isso, isso foi em certo sentido uma violação desse mandamento contra tomar o nome de Deus em vão. Foi um ato de desonrar o Seu Nome (embora é claro que Ele não está zangado com isso), até mesmo um ato de idolatria, uma vez que, ao nomear as coisas do mundo, as tornamos ‘deuses’ por direito próprio.

Então, do ponto de vista do Curso, pode-se dizer que nós podemos obedecer a esse mandamento ignorando os nomes falsos que nós temos dado a tudo e percebendo o verdadeiro Nome de Deus compartilhado em tudo.

Nós podemos escolher ignorar a separação do passado e perceber a Unicidade. Este é o objetivo da prática de repetir o Nome de Deus nas Lições 183 e 184:

Repete o Seu Nome e vê quão facilmente esquecerás os nomes de todos os deuses que valorizaste. Eles perderam o nome de deus que tu lhes deste (LE-pI.183.4:3-4).

Por que não fazer isso, já que o Nome de Deus representa tudo o que nos torna verdadeiramente felizes e dar às coisas do mundo o nome de Deus é verdadeiramente ‘em vão’ de qualquer maneira, já que elas nem existem?

4. Lembre-te do dia do sábado, para o santificar.

Originalmente, essa era uma proibição de trabalhar no sétimo dia da semana, o sábado Judeu (Sabbath), que era o sábado (estritamente falando, do pôr-do-sol da sexta-feira ao pôr-do-sol do sábado).

Visto que Gênesis diz que Deus descansou no sétimo dia após a criação do mundo, os Seus seguidores devem fazer o mesmo.

Os Judeus ortodoxos ainda seguem esta injunção. Os Cristãos mantiveram o costume de descansar um dia por semana, mas mudaram para o dia santo, o domingo.

Eles até chamavam esse dia de ‘Sabbath’, embora o sábado Judeu original fosse claramente o sábado (ao qual denominações Cristãs como os Adventistas do Sétimo Dia ainda aderem).”

Greg enfatiza: “Eu não penso que o autor do Curso tenha algo contra nós trabalharmos no sábado ou domingo ou qualquer outro dia. Este mandamento, também, não tem nenhuma referência real no Curso que eu possa encontrar.”

“Mas eu encontro uma ideia paralela no Curso, uma ideia que é ao mesmo tempo uma mudança de uma injunção comportamental para uma mental e uma grande expansão da injunção.

A ideia é esta: mais do que reservar um dia da semana para se dedicar a Deus em vez de trabalhar, o Curso nos faria dedicar todos os dias a Deus, mesmo enquanto nós estamos trabalhando.

Eu vejo esse tema, por exemplo, na seção ‘Eu não preciso fazer nada’ do Texto (T-18.VII).

Nessa seção, nós somos solicitados a deixar de lado as atividades do corpo e entrar em um instante santo, um instante em que nós saímos do tempo e do espaço e ‘não fazemos nada’.

Isso é uma reminiscência desse mandamento, já que é um instante santo (um tempo passado com Deus) e no qual nós nada fazemos.

Mas então, a seção fala do que vai acontecer depois:

Esse centro de quietude, no qual tu nada fazes, permanecerá contigo, dando-te repouso em meio a todas as tarefas trabalhosas às quais fores enviado (T-18.VII.8:3).

Portanto, aqui, o tempo santo e quieto com Deus deve continuar além do tempo que nós reservamos, para permanecer conosco mesmo enquanto nós estamos envolvidos em atividades ocupadas.

Também vejo um paralelo a esse mandamento na ênfase do Livro de Exercícios em ter um dia ideal, que em sua opinião é um dia inteiramente passado com Deus, independentemente do que você está fazendo do lado de fora.

Parte desse dia ideal é reservar momentos de silêncio em que ‘descansamos em Deus’ (LE-pI.109.Título), mas também envolve trazer esse tempo de silêncio para os negócios do dia.

Isso é exemplificado em lições como a Lição 232, ‘Que estejas em minha mente, meu Pai, durante todo o dia.

Na verdade, o objetivo é eventualmente passar cada instante com Deus:

Em tempo, com prática, nunca deixarás de pensar Nele e ouvir a Sua amorosa Voz guiando os teus passos por caminhos quietos, onde caminharás verdadeiramente sem defesas (LE-pI.153.18:1).

Novamente, o objetivo do Curso não é simplesmente pararmos de trabalhar um dia por semana e devotá-lo a Deus, mas nós devotarmos cada instante a Deus, mesmo enquanto estamos trabalhando.

E nós não fazemos isso para imitar o Seu ‘descanso’ no final da primeira semana do mundo, mas porque nos faz felizes e na verdade nós já estamos com Deus, quer nós percebamos ou não.

‘Assim devem ser todos os dias’ (LE-pII.232.2:1), porque isso é como todos os dias realmente são: Cada dia é santo, pois nunca nós deixamos o abraço amoroso de Deus.

5. Honra a teu pai e a tua mãe

Esse mandamento é relativamente direto. Especialmente nas sociedades antigas, os laços de família eram importantes; as pessoas dependiam de suas famílias para obter apoio, proteção e posição na vida.

Honrar, respeitar e obedecer os pais (especialmente o pai; a inclusão da mãe aqui é incomum nas culturas patriarcais) era uma forma crucial de manter a sociedade unida.

Hoje, é claro, honrar a seu pai e a sua mãe ainda é considerado algo altamente positivo.

‘Valores familiares’, qualquer que seja a definição, ainda são importantes para nós.

Esse é outro mandamento que o Curso não faz referência especificamente. Mas nem é preciso dizer que, dada a ênfase do Curso em amar a todos, tenho certeza de que o seu autor ficaria muito feliz se honrássemos os nossos pais e mães.

Além disso, no ditado inicial de material para Helen Schucman que não faz parte do Curso publicado, há na verdade um punhado do que poderia ser chamado de citações ‘pró-família’.

Dizem-nos que ‘Os milagres são uma bênção dos pais para os filhos‘ e que ‘Os filhos são milagres por si próprios’.

No material sobre sexo, o Curso fala a duas pessoas que se unem como pais comprometidos com o ‘estabelecimento conjunto de um lar criativo … para permitir que Almas [seus filhos] embarquem em novos capítulos em sua experiência e, assim, melhorem seu histórico(versão Urtext).

Jesus realmente parece ser um cara com ‘valores familiares’ no melhor sentido do termo. (Embora, é claro, por mais que elogie o papel do pai literal, ele tem um papel igualmente digno para aqueles que não têm filhos, como Helen e Bill: ‘Muitos filhos que já estão aqui precisam de pais espirituais.‘)

Quanto ao Curso em si, embora ele não fale especificamente sobre honrar o seu pai e a sua mãe, ele fala muito sobre honrar. E no estilo típico do Curso, expande o conceito muito além de apenas o nosso pai e a nossa mãe.

Antes, fala da importância de honrar cada membro do que chama de ‘família de Deus’ (T-1.V.3:8).

Ocasionalmente ele fala de nós honrando a Deus, mas com muito mais frequência fala de nós honrando uns aos outros como membros da Filiação e até mesmo fala de Deus, o Espírito Santo e Jesus nos honrando dessa forma.

Nas palavras do Curso, ‘a honra é o cumprimento natural dos verdadeiramente amados para outros que são como eles’ (T-3.I.6:3).

O que, especificamente, o Curso quer dizer com ‘honrar’?

Resumindo, significa ter um grande amor e respeito pelo outro, porque na verdade todos nós somos eminentemente dignos desse amor e respeito.

Uma maneira de nós darmos essa honra, de acordo com o Curso, é dando milagres:

Em última instância, cada membro da família de Deus tem que retornar. O milagre chama cada um a voltar porque o abençoa e o honra, mesmo que ele possa estar ausente em espírito (T-1.V.4:1-2).

Como você pode ver, essa homenagem a todos (incluindo, é claro, o seu pai e a sua mãe terrenos!) não é pouca coisa. É a maneira como nós retornamos a Deus:

Hoje, que eu honre o Teu Filho, pois só assim posso achar o caminho para Ti (LE-pII.280.2:1).

Não é um dever relutante que nós devemos cumprir para agradar a Deus e manter a sociedade funcionando. É nada menos do que a maneira como a família de Deus se reúne em alegre reunião. É a maneira como nós retornamos ao Lar que nunca nós deixamos.

6. Não matarás.

Como o anterior, esse mandamento parece simples no início: não mate ninguém por nenhum motivo.

Mas, é claro, havia tipos de assassinato que as leis do antigo Israel consideravam aceitáveis, como matar inimigos na guerra e cumprir a pena de morte por muitas violações da lei.

Portanto, o seu significado original provavelmente tem a ver com o crime de um Israelita assassinar outro; provavelmente significa algo como ‘Não mates um companheiro Israelita’. (De fato, as versões modernas da Bíblia em inglês frequentemente a traduzem como algo como ‘Você não pode matar.’).

Hoje em dia, é claro, é expandido para significar que você não deve matar ninguém, não apenas pessoas de seu próprio país.

Esse é um mandamento ao qual o Jesus histórico se dirigiu. Ele o tornou mais rigoroso, aplicando-o não apenas ao comportamento, mas também ao pensamento por trás do comportamento:

Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’ e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra o seu irmão estará sujeito a julgamento (Mateus.5:21-22 NVI).

Claro que o autor do Curso concordaria que nós não devemos matar uns aos outros.

O Curso não tem nada de bom a dizer sobre assassinato, guerra ou pena de morte.

Matar em todas as suas formas é uma coisa universalmente negativa no Curso. Mas o Curso vai muito além.

Não é de surpreender que, se o Curso foi realmente escrito por Jesus, ele vai na mesma direção que o Jesus histórico foi, pedindo que nós deixemos de lado não apenas os atos assassinos, mas os pensamentos assassinos por trás deles – pensamentos que chamamos de pensamentos de ataque.

E do ponto de vista do Curso, os pensamentos de ataque não são apenas os pensamentos raivosos óbvios que surgem ocasionalmente; eles incluem qualquer pensamento que não seja compatível com o Deus de Amor, como…

…leve irritação, talvez até leve demais para que seja claramente reconhecida (MP-17.4:4).

Ou…

…até mesmo um pequeno suspiro de cansaço, um leve desconforto ou o menor olhar de reprovação estão admitindo a morte (LE-pI.167.2:6).

Esses pensamentos de ataque, mesmo os que parecem moderados e razoavelmente benignos, são considerados pelo Curso como pensamentos de assassinato:

O ataque, sob qualquer forma, é igualmente destrutivo…; Sua única intenção é assassinar… (T-23.III.1:3, 5).

Não surpreendentemente, então, na visão do Curso, desistir de todos os pensamentos de ataque é essencial para o despertar.

Essa renúncia ao ataque é ‘a única saída para o medo que terá sucesso’ (LE-pI.23.Título-1:1).

Na verdade, o Curso nos diz que ‘A segurança é o abandono completo do ataque. Nenhuma transigência é possível nisso’ (T-6.III.3:7-8).

Diz-nos que a única escolha que nós temos que fazer é ‘a escolha entre os milagres e o assassinato…’ (T-23.IV.9:8).

E, como você pode ver, nós devemos fazer isso não apenas porque é a coisa certa a fazer, mas porque é a única coisa que nos fará felizes.

Os nossos pensamentos de ataque não nos trouxeram nada além de sofrimento. Eles são o combustível que mantém o matadouro do ego funcionando.

Somente substituindo os pensamentos de ataque por pensamentos de amor, nós encontraremos o destemor, a segurança e a felicidade que o nosso Pai deseja para nós.

Em última análise, os nossos impulsos assassinos têm como objetivo matar o Filho de Deus dentro de nós, assim como os romanos e os seus colaboradores crucificaram Jesus há dois mil anos.

Mas assim como Jesus mostrou por meio de sua ressurreição que ele não poderia ser morto, o Curso nos assegura que o Filho de Deus em nós é igualmente invulnerável:

O Filho da Vida não pode ser morto. Ele é imortal como o Seu Pai (T-29.VI.2:3-4).

‘Não matarás’ é realmente ‘Não podes matar’.

Então, uma vez que os nossos pensamentos assassinos nos tornam infelizes e nós não podemos matar o que é real em nós de qualquer maneira, por que não desistir deles?

7. Não cometerás adultério.

A rigor, esse mandamento originalmente tinha um significado muito restrito: ele significava simplesmente que um homem era proibido de ter relações sexuais com uma mulher que fosse casada com outra pessoa.

Não proibia sexo entre solteiros ou sexo entre um homem casado e uma mulher solteira (embora, é claro, ainda se esperasse que uma mulher solteira respeitável fosse virgem até o casamento).

Hoje em dia, embora as interpretações variem, geralmente se pensa que esse mandamento proíbe qualquer atividade sexual fora do casamento.

Esse é outro mandamento ao qual o Jesus histórico se dirigiu. Assim como fez com ‘Não matarás’, ele o tornou mais rigoroso, aplicando-o não apenas ao comportamento, mas ao pensamento por trás do comportamento:

Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher e desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração (Mateus.5:27-28 NVI).

E aqui, novamente, no material do Curso que foi amplamente editado na versão publicada, o autor do Curso vai na mesma direção que o Jesus histórico.

O autor do Curso incentiva o ‘autocontrole’ em relação ao comportamento sexual, mas vai muito além, dizendo que, em última análise, ‘o mecanismo subjacente deve ser desenraizado.

Nós devemos, em última instância, desfazer o próprio impulso sexual – ou, para expressar o ponto com mais precisão, nós devemos permitir que ele seja transformado de volta ao impulso milagroso que realmente é na verdade.

Para esclarecer este ponto, deixe-me extrair mais deste material do Curso não publicado sobre sexo, preservado na versão Urtext.

Em sua opinião, ‘Todo verdadeiro prazer vem de fazer a Vontade de Deus.

Mais especificamente, todo prazer interpessoal vem de agir sobre os impulsos milagrosos no fundo de nossas mentes – de estender milagres uns aos outros.

Embora essa extensão de milagres frequentemente assume a forma de um comportamento amoroso, ela é, em sua essência, uma união de mentes não físicas.

Esta, e somente esta, é a verdadeira união interpessoal.

Mas o ego, em seu esforço para evitar que a verdadeira união aconteça, transformou esses impulsos milagrosos em impulsos sexuais, ‘impulsos milagrosos mal direcionados‘.

Agora, em vez de unir mentes por meio de milagres, nós estamos tentando unir corpos por meio do sexo.

Agora, em vez de duas pessoas se vendo como filhos sagrados de Deus, ‘Ambas as pessoas são percebidas essencialmente como ‘objetos’ que cumprem os seus próprios impulsos de prazer.

O ego conseguiu evitar a união real de mentes, substituindo-a por uma pseuda união de corpos.

A resposta é que nós devemos permitir que os nossos impulsos sexuais sejam transformados de volta em impulsos milagrosos.

Nós podemos fazer isso por meio de nossa prática contínua do Curso, incluindo a prática que o próprio Jesus nos dá neste material sobre sexo:

Convide-me para entrar em qualquer lugar onde a tentação surgir. Vou mudar a situação de atração sexual inadequada para uma de operação milagrosa impessoal.

E talvez com este tópico mais do que qualquer outro, é importante enfatizar que seguir essa injunção, ou pelo menos nos mover em sua direção o melhor que nós pudermos, não é um ato de desistir de nossa diversão para apaziguar um Deus severo ou ganhar alguma recompensa futura.

Ao longo de suas páginas, o Curso nos diz que o prazer físico nem mesmo é verdadeiramente prazeroso, então abandonar a nossa busca por ele é realmente abrir mão de nada:

O Espírito Santo não exige de ti que sacrifiques a esperança do prazer do corpo, ele não tem nenhuma esperança de prazer (T-19.IV.B.3:5).

Na visão do Curso, então, transformar os nossos impulsos sexuais em impulsos milagrosos é para nossa felicidade agora.

Novamente, todo prazer real vem de fazer a Vontade de Deus, o que significa trabalhar em milagres.

O nosso verdadeiro anseio é unir-nos genuinamente uns aos outros e nos é dito enfaticamente, ‘a proximidade física não pode alcançar isso.

Todos nós percebemos isso em nossos corações; Por mais que nós gostemos do sexo, nós não descobrimos que, sem um amor verdadeiro que transcende o corpo um pelo outro, é um ‘prazer’ vazio e superficial que nos deixa mais solitários do que nunca?

Por que não abandonar uma tentativa de união que está fadada ao fracasso e recuperar os impulsos milagrosos que por si só nos dão a união verdadeira e alegre que realmente nós queremos?

8. Não roubarás.

Curiosamente, alguns estudiosos acreditam que este mandamento originalmente proibia roubar escravos ou sequestrar pessoas para escravizá-los – crimes que, como assassinato e adultério e ao contrário do roubo comum, eram crimes capitais na antiga Israel.

Dito isso, em nosso entendimento moderno, ele foi claramente ampliado para incluir qualquer roubo de propriedade de um outro.

Certamente o Curso concordaria que roubar um do outro é um erro. É um ataque e dificilmente algo que você faria a alguém que você ama e considera como alguém com você.

O ego, porém, criou um mundo no qual parece que roubar de um tipo ou de outro é inevitável e necessário para a sobrevivência.

Na visão do ego (para usar as expressões memoráveis ​​de Robert da essência do ego):

‘Eu sou eu e você não é‘ e, portanto, ‘Eu sou o fim e você é o meio.

Para atender às minhas necessidades, devo tirar de você. A sua perda é o meu ganho.

O Curso diz que mesmo os nossos relacionamentos ‘amorosos’, aqueles nos quais parece haver tanta doação, são permeados por essa dinâmica ‘Eu sou o fim e você é o meio‘.

São pechinchas em que cada parceiro tenta obter o melhor ‘negócio‘ do outro, tirar o máximo possível do outro e, ao mesmo tempo, dar o mínimo possível em troca.

Em uma passagem inesquecível, o Curso fala de nossos relacionamentos convencionais de ‘amor’ como coberturas meramente ‘agradáveis’ para o roubo desenfreado:

Pois um relacionamento não-santo baseia-se em diferenças, onde cada um pensa que o outro tem o que ele não tem. Eles vêm a estar juntos, cada um para completar a si mesmo e roubar o outro. Ficam até pensarem que nada mais há a ser roubado e então vão adiante (T-21.In.2:5-7).

E esse roubo não é apenas (ou mesmo principalmente) o roubo de coisas físicas: é o roubo do valor, da inocência, do especialismo.

É a tentativa de nos diferenciarmos e acima dos outros, para que nós possamos nos sentir mais dignos, mais inocentes, mais especiais.

De fato, o Curso diz assustadoramente, que nós estamos tentando roubar o próprio Céu um do outro:

Tens que estar amedrontado se acreditas que o teu irmão está te atacando com o fim de arrancar-te o Reino do Céu (T-7.VII.8:4).

Nós, de fato, acreditamos nisso e passamos as nossas vidas tentando ter certeza de arrancar o Céu dele primeiro.

Não é surpreendente, então, que o Curso não queira que nós roubemos. Mas o que pode ser surpreendente é a sua justificativa para não roubar.

Ele de fato não quer que nós paremos de roubar simplesmente porque é errado roubar dos outros, embora isso certamente seja verdade.

Ele quer que nós paremos de roubar porque roubar dos outros é, na verdade, roubar de nós mesmos, uma garantia de que nos sentiremos privados.

Pois na visão do Curso, nós realmente recebemos para nós mesmos não o que tiramos dos outros, mas o que damos a eles.

…pois dar é receber (LE-pI.126.7:5).

Esta é uma lei imutável do universo, que o Curso chama de ‘lei do amor’:

…que o que eu dou a meu irmão é meu presente para mim (LE-pII.344.Título).

Isso funciona tanto em formas negativas quanto positivas. Na forma negativa: se eu tentar tirar algo do meu irmão, eu mesmo me sentirei privado. Nas palavras do Curso:

…se você escolheres tirar alguma coisa de alguém, [sentirá que] não ficarás com nada (LE-pI.133.7:1).

E, ao olhar para o ‘tesouro’ que pensei ter, achei um vazio onde não há nada, jamais houve e jamais haverá (LE-pII.344.1:3).

Na forma positiva: Se eu der verdadeiras dádivas de amor aos meus irmãos, eu estarei cheio da abundância do espírito:

No entanto, aquele que eu perdoo me dará dádivas muito além do valor de tudo na terra. Que os meus irmãos perdoados encham as minhas reservas com os tesouros do Céu, os únicos que são reais (LE-pII.344.1:6-7).

E embora se trate de dons espirituais, este ensino se aplica a coisas materiais também, pois ‘as coisas apenas representam os pensamentos que as fazem’ (LE-pI.187.2:3).

Assim, quando nós damos as coisas materiais com o pensamento de amor verdadeiro por trás delas, nós estamos dando dons espirituais e esses dons espirituais vão voltar para nós em qualquer forma (incluindo formas materiais) de que nós precisamos para servir a nossa própria jornada para Deus:

Os milagres que dou me são dados de volta sob a forma exata de que preciso para ajudar-me com os problemas que percebo (LE-pII.345.1:4).

Portanto, a razão de ‘não roubarás’ não é apenas para ser bom e gentil com os outros, não importa o quanto você acabe perdendo no processo.

Em vez disso, é a maneira de evitar perder. Todos ganham; ninguém perde.

É, portanto, para a sua própria felicidade, bem como para a felicidade de todos os outros.

Afinal, como o Curso nos diz, ‘Deus te deu todas as coisas’ (T-4.III.9:2) e o que Deus deu nunca pode ser tirado, nem de ninguém.

Por que tentar roubar de outras pessoas quando você já tem tudo e roubar é realmente impossível?

9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

Originalmente, isso provavelmente se referia a dar falso testemunho contra um companheiro Israelita em um ambiente legal.

Dar falso testemunho era uma ofensa tão grave no antigo Israel que a falsa testemunha seria forçada a se submeter a qualquer punição que o falsamente acusado teria sofrido, incluindo a pena de morte.

Mas a aplicação deste mandamento foi expandida ao longo do tempo, ao ponto em que agora é frequentemente considerado uma proibição geral de mentir, especialmente mentir sobre outras pessoas. Visto desta forma, trata-se de honestidade em geral.

O Curso não apenas concordaria que nós devemos ser honestos com as nossas palavras, mas, mais uma vez, vai muito além.

Nós vemos isso na subseção sobre ‘Honestidade’ na seção do Manual de Professores sobre as características dos professores de Deus (MP-4.II).

Na visão do Curso, o nosso objetivo final é uma honestidade tão completa que haja consistência absoluta entre todos os nossos pensamentos, palavras e ações:

A honestidade não se aplica apenas ao que dizes. De fato, o termo significa consistência. Nada do que dizes contradiz o que pensas ou fazes, nenhum pensamento se opõe a outro pensamento, nenhum ato atrai tua palavra e nenhuma palavra discorda de outra. Tais são os verdadeiramente honestos. Não há nenhum nível em que estejam em conflito com qualquer pessoa ou qualquer coisa (MP-4.II.1:4-9).

Voltando-se para a ideia mais específica de prestar falso testemunho contra o seu vizinho, o Curso na verdade tem várias referências específicas a este mandamento.

Uma é a referência ao caso que nós fazemos contra nós mesmos na ‘Corte Suprema do próprio Deus’ (T-5.VI.10:4), o caso de nossa pecaminosidade com base em todas as coisas terríveis que nós fizemos neste mundo.

O Curso nos diz:

Não pode haver nenhum processo contra uma criança de Deus e toda testemunha em favor da culpa nas criações de Deus está cometendo falso testemunho contra o próprio Deus (T-5.VI.10:3).

Outra referência diz que nós vemos cada irmão como uma testemunha de Cristo ou do ego (ou seja, nós o vemos como Cristo ou como um ego), dependendo do que nós queremos acreditar sobre ele e, portanto, o que nós queremos acreditar sobre nós mesmos:

Tudo o que percebes é uma testemunha do sistema de pensamento que queres que seja verdadeiro. … Tu não podes aceitar um falso testemunho dele [o seu irmão] a não ser que tenhas evocado falsos testemunhos contra ele. Se ele não te fala de Cristo [ou seja, se ele não parecer uma testemunha de Cristo para você], não lhe falaste de Cristo [ou seja, você optou por não vê-lo como uma testemunha de Cristo] (T-11.V.18:3, 5-6).

Ainda outra referência fala de como nós julgamos os nossos irmãos com base no que os seus corpos fazem.

Esta passagem nos encoraja a ouvir o julgamento do Espírito Santo, que olha completamente além do corpo:

…e a deixar que apenas a Voz por Deus seja o Juiz do que é digno da tua própria crença. Ele não dirá que o teu irmão deve ser julgado pelo que teus olhos contemplam, nem pelo que a boca do corpo do teu irmão diz aos teus ouvidos, nem pelo que o toque dos teus dedos te reporta sobre ele. Ele ignora esses vãos testemunhos, que apenas dão falso testemunho do Filho de Deus (LE-pI.151.7:1-3).

Nós podemos ver um tema comum aqui. Os nossos julgamentos de nossos irmãos e de nós mesmos, enraizados na crença de que nós somos ‘corpos se comportando mal’, como Robert gosta de dizer, são completamente falsos, porque o corpo e o ego que o faz mal são completamente irreais.

Quando nós julgamos com base no que corpos e egos fazem, então, nós prestamos falso testemunho contra os nossos irmãos e contra nós mesmos, pois o que nós estamos vendo e afirmando ser real não é a verdade – e em algum lugar bem no fundo, nós sabemos disso.

Na verdade, todos nós somos realmente o Cristo, o Santo Filho do próprio Deus, seres espirituais ilimitados que não são realmente corpos de forma alguma. Testemunhar verdadeiramente é ver e afirmar apenas isso.

Isso está diretamente ligado ao tema de desonestidade mais geral que nós vimos acima, pois esse julgamento de corpos que se comportam mal é fundamentalmente desonesto.

Julgar é ser desonesto, pois julgar é assumir uma posição que não tens. É impossível haver julgamento sem autoengano (MP-4.III.1:2-3).

Além disso nos torna infelizes, pois se dar é receber (como nós vimos acima), os nossos julgamentos de condenação contra os nossos irmãos são condenações de nós mesmos e nos trazem todo o sofrimento e dor que os condenados ‘merecem’.

Mais uma vez, então, nós devemos nos abster de dar falso testemunho contra os nossos irmãos, não apenas porque é a coisa certa a fazer, mas porque é o caminho para a nossa própria felicidade.

Além disso, nós não podemos realmente julgar:

Ao desistir ao julgamento, [o professor de Deus] está apenas desistindo do que não tinha (MP-10.2:2).

Por que não parar de dar falso testemunho, visto que isso nos torna infelizes e nós não podemos realmente julgar de qualquer maneira?

10. Não cobiçarás … coisa alguma que seja do teu próximo.

A versão completa desse mandamento, que fala entre outras coisas de não cobiçar a ‘esposa’ ou ‘servo’ ou ‘serva’ (escravos) do seu vizinho, contém muitos problemas para as sensibilidades modernas.

Como todos os Dez Mandamentos, era dirigido especificamente aos homens e refletia uma sociedade em que as mulheres eram consideradas propriedade e a escravidão era considerada normal.

Mas o espírito do mandamento é algo que nós podemos entender nos tempos modernos.

Não cobice as coisas que pertencem ao seu próximo, tanto porque reflete uma insatisfação com o que Deus lhe deu, quanto porque cobiçar muitas vezes leva ao roubo. (De fato, alguns intérpretes sugerem que o verbo hebraico geralmente traduzido como ‘cobiçar’ na verdade significa ‘pegar’.)

Esse mandamento é muito semelhante ao oitavo mandamento, aquele que proíbe o roubo.

É essencialmente uma versão mental desse mandamento: você não só não deve roubar coisas do seu vizinho, como também não deve desejá-las em seu coração.

Novamente, a cobiça geralmente leva ao roubo.

Dada a semelhança deste mandamento com o oitavo, eu penso que o que eu disse sobre o oitavo se aplica igualmente aqui: Não cobice nada que seja do seu próximo, porque tirar dele é só tirar de você, porque qualquer coisa física que você quer dele é apenas uma ilusão sem valor real e porque Deus já deu tudo a vocês dois – os infinitos dons do espírito – de qualquer maneira.

Ao seguir esses mandamentos sobre cobiçar e receber, ‘não se está pedindo nada em troca de tudo’ (LE-pI.98.3:6).

O que temos a perder?

Deixe-me, então, simplesmente terminar esta seção com uma das mais belas orações do Curso celebrando o fato de que dar é receber, que não há nada a cobiçar ou tirar de ninguém, porque tudo é nosso eternamente:

O fim do sofrimento não pode ser perda. A dádiva de todas as coisas só pode ser benefício. Tu apenas dás. Nunca tiras. E me criaste para ser como Tu és, por isso o sacrifício é impossível para mim como para Ti. Eu também tenho que dar. Assim todas as coisas me são dadas para todo o sempre. Permaneço como fui criado. O Teu Filho não pode fazer nenhum sacrifício, pois não pode deixar de ser completo, tendo a função de completar a Ti. Sou completo porque sou Teu Filho. Não posso perder, pois só posso dar e tudo é meu para sempre (LE-pII.343.1:1-11).

Comentários gerais

Ao olhar para os mandamentos como um todo e pensar sobre eles da perspectiva do Curso, vejo um padrão aproximado.

O padrão funciona melhor com alguns dos mandamentos do que com outros, mas parece uma maneira útil de enquadrar amplamente o tópico de como o Curso vê os mandamentos em geral.

Com cada mandamento, você tem:

  • O significado convencional do mandamento;
  • A interpretação mais radical do mandamento do Jesus histórico (pelo menos com alguns dos mandamentos): transformar o mandamento de apenas uma injunção comportamental em uma injunção mental;
  • A perspectiva mais radical do Curso (ecoando o Jesus histórico): transformar o mandamento de apenas uma injunção comportamental em uma injunção mental;
  • O incentivo do Curso para seguir o mandamento: você não se abstém de fazer a coisa proibida como um sacrifício para agradar a um Deus severo e/ou obter uma recompensa futura; em vez disso, você se abstém de fazer a coisa proibida porque isso na verdade traz felicidade para você e para todos os outros neste momento;
  • A posição final do Curso: no sentido final, você realmente não pode fazer a coisa proibida de qualquer maneira, então por que tentar?

Vejamos isso com um pouco mais de detalhes.

Primeiro, você tem o significado convencional do mandamento, que geralmente é uma injunção comportamental.

Agora, em alguns casos, como não trabalhar no sábado, eu penso que o Curso é essencialmente neutro. Mas com a maioria desses mandamentos, eu penso que o Curso geralmente concorda com a injunção comportamental.

Não quer que nós veneremos ídolos, matar, roubar, mentir ou cobiçar as coisas de outras pessoas. Encoraja o autocontrole sexual e deseja que nós honremos o nosso pai e a nossa mãe.

Eu penso importante esse reconhecimento de que o Curso concorda em termos gerais com essas injunções comportamentais.

O comportamento é importante para o autor do Curso; é a forma principal pela qual nós nos comunicamos com os nossos irmãos e irmãs e, na visão do Curso, todo comportamento deve comunicar amor.

A maioria das injunções comportamentais nos Dez Mandamentos, deixando de lado algumas das ideias antigas problemáticas e olhando para a essência, são simplesmente maneiras de expressar o amor de forma mais eficaz.

Mas o Curso se preocupa com muito mais do que comportamento; está preocupado com a postura mental por trás do comportamento.

E, assim, nós vemos o Jesus do Curso ecoando o Jesus dos Evangelhos: O mandamento se torna muito mais rígido, não sendo apenas sobre o comportamento, mas sobre o nosso estado da mente.

Nós vemos isso de novo e de novo: Não se abstenha de fazer ídolos de pedra, mas veja Deus como a única fonte de sua felicidade.

Não apenas tire um dia de folga do trabalho para honrar a Deus, mas mantenha um sábado permanente em seu coração, dedicando cada instante a Ele, mesmo enquanto você trabalha.

Não apenas evite matar, mas desista de todos os pensamentos de ataque.

Não se limite a roubar, mas perceba que qualquer pensamento de roubar de outra pessoa é um roubo de você mesmo.

Não apenas evite mentir para os outros, mas seja totalmente honesto e completamente consistente em pensamentos, palavras e ações.

Não apenas pratique o autocontrole sexual, mas transforme o impulso sexual inteiramente, vendo o impulso milagroso por trás dele e verdadeiramente se unindo aos outros por meio de milagres.

Não honre apenas o seu pai e a sua mãe, mas honre a todos.

Então, o Curso realmente nos chama a aderir a uma versão muito mais rígida desses mandamentos do que o normal.

Neste ponto, nós podemos estar engolindo em seco e dizendo: ‘Parece uma montanha muito difícil para subir para mim.’

Se realmente nós tentarmos fazer isso, dizemos a nós mesmos, a festa acabou.

Mas agora nós chegamos às boas novas: seguir essas injunções é para o nosso benefício, bem como para todos os outros. Fazer isso é o que nos deixará felizes.

Não adorar ídolos ou matar ou roubar ou mentir, etc. não é o fim da festa, mas o fim da pena de prisão. É o caminho de ouro para sair do nosso sofrimento.

Eu penso que este é um ponto absolutamente crítico.

Normalmente, nós seguimos códigos morais como os Dez Mandamentos com uma atitude mais ou menos assim:

‘Bem, com certeza seria divertido fazer o que eu quero. Eu tenho todos esses desejos que estão clamando por expressão e não seria ótimo se eu pudesse apenas dar-lhes rédea solta? Ah, mas eu sei melhor. Eu quero ser uma boa pessoa e, para isso, só preciso me controlar. Eu amo a Deus e quero agradá-Lo e ele é muito rígido. Ele pode me punir se eu não obedecer. Portanto, eu preciso seguir esses mandamentos, quer seja bom ou não. Eu preciso sacrificar os meus desejos agora por amor a Deus e pelo bem do meu futuro. Se eu fizer isso, então eu espero ser feliz na vida que está por vir.’

É claro que é por isso que é tão difícil seguir mandamentos como esses. Nós estamos agora em uma luta corpo a corpo entre os desejos mais básicos e os melhores anjos de nossa natureza.

E muitas vezes, os impulsos mais básicos vencem, fazendo-nos sentir culpados e nos convencendo de que nós nunca seremos dignos desse Capataz severo, Deus.

Talvez nós sejamos felizes na vida que está por vir, mas da maneira como as coisas estão indo, nós dizemos a nós mesmos, podemos muito bem passar a vida futura em um lugar muito menos feliz (e muito mais caloroso).

A culpa gerada por seguir a religião rígida desse Deus temeroso pode se tornar tão aguda que pode nos levar a desistir completamente do empreendimento.

Muitos de nós, é claro, deixamos esse tipo de religião para trás. Infelizmente, o que costuma acontecer é que nós vamos ao extremo oposto.

Em nossas mentes, se o problema é que todas essas regras nos fazem sentir culpados e tiram toda a nossa diversão, então a solução deve ser jogar fora todas as regras e nos divertir o máximo que pudermos. Afinal, Deus quer que sejamos felizes, certo?

Então, não há mais regras! Aproveite os prazeres do mundo. Comemore o corpo. Comer Beber e ser feliz. Vá com o fluxo. Se faz você se sentir bem, faça.

Esta é uma atitude comum a grande parte da Nova Era e espiritualidade alternativa, uma atitude que o psicólogo transpessoal Ken Wilber chama de ‘Boomerite‘ – uma religião cujo ditado central é: ‘Não me diga o que fazer!’

Infelizmente, do ponto de vista do Curso, isso é realmente apenas uma mudança de um falso deus para outro. Simplesmente nós trocamos o falso deus do medo e da culpa pelo falso deus dos prazeres mundanos superficiais.

E em um nível mais profundo, nós realmente não trocamos deuses, pois na visão do Curso, o deus do prazer mundano superficial é apenas o deus do medo e da culpa vestindo um disfarce tentador, um disfarce que na verdade o torna ainda mais difícil de ver o que ele realmente é.

Por que questionar um deus que (supostamente) está fazendo você se sentir tão bem? Assim, uma vez que nós estamos escolhendo o deus do medo e da culpa, não importa o caminho que nós sigamos, no final nos sentimos miseráveis, mesmo que nós não percebamos imediatamente.

O Curso supera o falso deus do medo e da culpa de uma forma completamente diferente, que nos leva ao Deus real.

Desta forma, nós não abrimos mão das regras. Pelo contrário, como nós vimos, no Curso nós somos solicitados (embora nunca ordenados) a seguir regras que são na verdade muito mais rígidas do que regras como os Dez Mandamentos, regras não apenas para comportamento, mas ‘regras para decisões’ (T-30.I), regras que se aplicam não apenas às ações externas, mas às atitudes internas.

A diferença é que o Curso nos dá uma razão totalmente diferente para seguir as suas regras, uma razão completamente livre de medo e culpa.

Ele diz, em essência:

‘Fazer o que Deus quer que eu faça é o que eu realmente quero. A minha vontade é uma com a de Deus. Todo o prazer real vem de se fazer a Vontade de Deus. Ele não vai me punir se eu não fizer o que Ele me chama para fazer; em vez disso, ao não fazer isso, eu me puno. Ser realmente bom é o que faz a mim e a todos os meus irmãos radiantemente felizes. As regras que me pedem para seguir voluntariamente são simplesmente ‘as regras que te prometem um dia feliz’ (T-30.I.7:5). Portanto, eu sigo as injunções de Deus não com medo, mas com alegria. Fazer isso não é um sacrifício; pelo contrário, é assim que eu e todos os meus irmãos encontramos a felicidade agora, felicidade que está sempre presente na vida eterna que já pertence a todos nós.

Por fim, a notícia fica ainda melhor: na verdade, nós não podemos nem fazer as coisas que nós somos chamados a não fazer. Oh, nós podemos fazê-los no sentido comum de ter pensamentos terrenos desamorosos e nos engajar em um comportamento terreno desamoroso, como nós sabemos muito bem.

Mas, uma vez que o ego e este mundo são ilusões, nós não podemos realmente fazer as coisas que nós devemos parar de fazer. Que alivio!

Nós não estamos fadados a ficar inevitavelmente aquém do que Deus nos chama para fazer; pelo contrário,

Se Ele te pede, tu és capaz de fazer (T-14.VII.5:14).

Nós não somos pecadores por natureza; nós somos crianças santas de Deus que são perfeitamente capazes de fazer a Sua Vontade, porque a Sua Vontade e a nossa verdadeira vontade são a mesma.

Fazer o que Deus deseja que nós façamos não é uma luta amarga contra a nossa natureza pecaminosa (mas tão tentadora); é um passo em direção a uma vida de acordo com a nossa natureza verdadeira e sagrada.

O que pode ser mais fácil – e mais feliz – do que viver de acordo com a nossa verdadeira natureza?

Seguindo essas injunções, então, nós não estamos sacrificando nada. Como o Curso diz:

…o mundo não tem nada para dar. O que pode significar o sacrifício de nada? Não pode significar que tenhas menos por causa disso (MP-13.2:1-3).

Ao contrário, desistir das coisas do mundo nos desperta para o reconhecimento de que, como nós vimos acima,

Deus te deu todas as coisas (T-4.III.9:2).

Nada para tudo – uma troca bem fácil, não é?

Assim, a abordagem do Curso sobre os Dez Mandamentos é um movimento de ‘Tu não deves…’ (Não faça isso) para ‘Tu não desejas…’ (Você realmente não quer fazer isso) para ‘Tu não podes…’ (Você não pode realmente fazer isso).

É um movimento de regras que nós temos que seguir do apaziguar um Deus severo, para as chamadas a fazer o que realmente nos permitirá encontrar a felicidade que Deus deseja para nós, para as verdades profundas que nos revelam o que realmente nós podemos e não podemos fazer como criações de um Pai que ama eternamente.

Por que não, então, seguir os mandamentos no sentido mais profundo? Por que não fazer o que o nosso Pai deseja conosco e assim fazer a nossa parte para reunir a família santa de Deus?

Imagem ben-white-W8Qqn1PmQH0-unsplash.jpg

Bibliografia da OREM3:

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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