Com o objetivo de pesquisa, estudo, conhecimento e entendimento sobre o sistema de pensamento de uma Organização Baseada na Espiritualidade (OBE), nós estamos transcrevendo, em tradução livre, trechos do artigo “A conceptual framework developed for measuring the impact of workplace spirituality on organizational performance for family-owned businesses in the Philippines” [Um modelo conceitual desenvolvido para medir o impacto da espiritualidade no ambiente de trabalho sobre o desempenho organizacional de negócios familiares nas Filipinas]. Autor: Jose Mari L. Yupangco, De La Salle University. Fonte: National Business and Management Conference 2015 | p. 337

Resumo

Os princípios de gestão estratégica e governança corporativa anteriores têm sido popularmente vistos como um meio para aumentar a produtividade, a eficiência, a eficácia, a lucratividade, vencer a concorrência e garantir a sobrevivência dos negócios, onde o funcionário comum é percebido como representando apenas uma parte minúscula de um quadro maior. Mas com a crescente atenção ao novo paradigma no campo dos negócios e da gestão e mais recentemente à ciência organizacional, pesquisas em todo o mundo têm estabelecido que a maioria dos funcionários busca encontrar significado em seu trabalho. Com uma porcentagem expressiva de negócios nas Filipinas classificados como familiares, bem como uma população massiva pertencente quase inteiramente à fé Cristã, é importante entender como a Espiritualidade no Ambiente de Trabalho, se implementada adequadamente, é capaz de ajudar positivamente uma grande porcentagem de negócios nas Filipinas. Esse artigo (paper) apresenta uma figura em continuum de uma Estrutura de Valores para medir o impacto da Espiritualidade no Ambiente de Trabalho sobre o desempenho organizacional, extraída de um artigo do Journal of Business Ethics e propõe uma estrutura conceitual atualizada sobre como a espiritualidade no ambiente de trabalho é capaz de influenciar positivamente o desempenho dos funcionários e, consequentemente, o desempenho organizacional, para negócios familiares nas Filipinas.

Keywords:

Spirituality, organizational leadership, religion, employee job-performance, family owned business, culture.

Palavras-chave:

Espiritualidade, liderança organizacional, religião, desempenho profissional dos funcionários, empresa familiar, cultura.

I. Introdução

“O fenômeno recorrente da espiritualidade no ambiente de trabalho tem despertado crescente interesse e consciência no nível da realidade [awareness] em organizações corporativas em todo o mundo. Com a vida profissional complexa, exigente e estressante desse milênio, nós somos levados a buscar respostas e maneiras de alcançar equilíbrio pessoal e força interior.

A pergunta frequente é: ‘Por que a espiritualidade no ambiente de trabalho está se tornando um tema em voga no mundo dos negócios? Será que é apenas uma moda passageira ou um novo paradigma?’ Apesar de ser um conceito abstrato, a espiritualidade no ambiente de trabalho tem sido tema de reportagens da Newsweek, Time, Fortune e Business Week devido à sua crescente presença no mundo corporativo (Fry e Slocum, 2007).

Um movimento que teve início no começo da década de 1920 nos Estados Unidos, a espiritualidade no ambiente de trabalho emergiu como um movimento popular, com indivíduos buscando vivenciar a sua fé e/ou valores espirituais no ambiente de trabalho. Com um número crescente de trabalhadores refletindo sobre a crise de significado em todas as fronteiras, a espiritualidade no ambiente de trabalho tornou-se muito mais internacional nos últimos anos.

Um movimento que teve início no começo da década de 1920 nos Estados Unidos, a espiritualidade no ambiente de trabalho emergiu como um movimento popular, com indivíduos buscando vivenciar a sua fé e/ou valores espirituais no ambiente de trabalho.

Embora algumas opiniões afirmem que a espiritualidade no ambiente de trabalho seja considerada uma construção altamente individual e teológica, Gibbons (2000) cita que a maioria das definições acadêmicas reconhece que a espiritualidade envolve um senso de integridade, conectividade no trabalho e valores mais profundos. Além disso, a espiritualidade no ambiente de trabalho pode ser definida como ‘…o reconhecimento de que os funcionários têm uma vida interior que nutre e é nutrida por um trabalho significativo que ocorre no contexto da comunidade’ (Ashmos e Duchon, 2000, p. 137).

“…a maioria das definições acadêmicas reconhece que a espiritualidade envolve um senso de integridade, conectividade no trabalho e valores mais profundos.

As empresas familiares geralmente possuem características culturais específicas que estimulam o desenvolvimento da espiritualidade no ambiente de trabalho mais do que as empresas não familiares (Neal e Vallejo, 2008). Além disso, as empresas familiares desempenham um papel fundamental na economia global. Estima-se que entre 80% e 90% de todas as empresas no mundo sejam classificadas como familiares (Ward, 1987).

“…a espiritualidade no ambiente de trabalho pode ser definida como ‘…o reconhecimento de que os funcionários têm uma vida interior que nutre e é nutrida por um trabalho significativo que ocorre no contexto da comunidade’ (Ashmos e Duchon, 2000, p. 137).

II. Objetivos e Significância do Estudo

Esse artigo (paper) tem dois objetivos: o primeiro é apresentar uma Estrutura de Valores em continuum de Espiritualidade no Ambiente de Trabalho, ancorada em um artigo do Journal of Business Ethics de Jurkiewicz e Giacalone (2004), considerado por esse autor como uma importante avaliação mensurável da cultura de uma organização (Apêndice A); e o segundo é incorporar esse continuum na forma como a espiritualidade no ambiente de trabalho pode ter um impacto positivo no desempenho profissional dos funcionários e, consequentemente, no desempenho organizacional, em um negócio familiar nas Filipinas.

Reconhecendo que a empresa é o local onde nós passamos a maior parte de nossas vidas, os líderes de negócios são chamados a concentrar a sua atenção nos processos de comunidade entre os seus stakeholders: integridade, plenitude, responsabilidade e moralidade. Como será discutido nas páginas seguintes, a liderança espiritual é retratada como um processo dinâmico e interativo.

Entretanto, aproximadamente 45% de todas as empresas internacionais de capital aberto em todo o mundo (La Porta, Lopez-de-Silanes e Schleifer, 1999) são de propriedade familiar. Nas Filipinas, relatórios mostram que 99,6% de todas as empresas são compostas por pequenas e médias empresas (PMEs), das quais 80-90% são empresas familiares (DTI-Filipinas, 2006). Uma empresa familiar é definida como aquela cujo negócio tem pelo menos 50% de propriedade e gestão dentro de uma mesma família, seja por laços sanguíneos ou matrimoniais (Lee-Chua, 1997).

Síntese do Artigo do Journal of Business Ethics

O artigo principal desse paper, ‘A Values Framework for Measuring the Impact of Workplace Spirituality on Organizational Performance’ [‘Uma Estrutura de Valores para Medir o Impacto da Espiritualidade no Ambiente de Trabalho sobre o Desempenho Organizacional’] (Jurkiewicz & Giacalone, 2004), fornece uma premissa teórica sobre como a espiritualidade no ambiente de trabalho pode aprimorar o desempenho organizacional. Uma estrutura de valores (ver Anexo A) foi introduzida, revisada e analisada, estabelecendo uma base para testes empíricos em organizações.

Utilizando a estrutura de valores, esse autor elaborou uma figura em continuum que poderia ser usada para medir e avaliar os valores de uma cultura organizacional. Organizações que exibem valores positivos na figura em continuum demonstram maior espiritualidade no ambiente de trabalho do que aquelas com valores negativos, conforme apresentado na Figura 1.

[Interpretação PO:

Figura 1: Uma Estrutura de Valores em Continuum de Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (Avaliação Mensurável da Cultura de uma Organização)

Quadro explicativo em tradução livre:

Diz-se que a busca por uma cultura com valores positivos contribui para o aprimoramento do desempenho organizacional e, consequentemente, para o sucesso da estratégia da organização (Ashmos e Duchon, 2000; Mitroff e Denton, 1999). Para uma melhor compreensão e valorização da espiritualidade no ambiente de trabalho, diversos pesquisadores apresentaram múltiplas perspectivas e definições sobre o tema. Vejamos agora a nossa análise crítica da literatura relacionada.

IV. Revisão da Literatura Relacionada

Definição e Perspectiva da Espiritualidade

Karakas (2010) indicou que existem mais de 70 definições de Espiritualidade no Ambiente de Trabalho. A ausência de uma definição padrão de ‘espiritualidade’ faz com que o processo seja mais difícil. Algumas definições de espiritualidade incluem conceitos como consciência no nível da percepção [consciousness] interior, iluminação e uma visão de mundo com um caminho.

A visão da espiritualidade como um conceito ou princípio de origem intrínseca defende que ela se origina no interior do indivíduo. Guillory (2000) define espiritualidade como ‘a nossa consciência no nível da percepção [consciousness] interior’ e aquilo que é espiritual provém de dentro, para além de nossas crenças e valores programados.

Embora a espiritualidade se refira a algum poder ou autoridade que emana do indivíduo, ela também inclui um sentimento de estar conectado com o próprio trabalho e com os outros (Ashmos e Duchon, 2000; Neck e Milliman, 1994). A perspectiva de Turner (1999) sobre a espiritualidade a define como “aquilo que vem de dentro, além dos instintos de sobrevivência da mente”.

A espiritualidade é frequentemente caracterizada pela necessidade de se sentir conectado a outras pessoas, ao ambiente e a uma realidade superior. Em última análise, refere-se aos valores e significados mais profundos pelos quais uma pessoa vive (Mackenzie, 2011).

Diferenciando Espiritualidade de Religião

Espiritualidade e religião são frequentemente interpretadas equivocadamente como sendo a mesma coisa. Embora sejam consideradas compatíveis, não são idênticas (Garcia-Zamor, 2001).

Bruce (1996) define religião como uma combinação de crenças, ações e instituições que pressupõem a existência de entidades sobrenaturais com poderes de ação, ou poderes ou processos impessoais dotados de propósito moral. Karakas (2010, p. 91) foi além, diferenciando espiritualidade de religião ao descrevê-la como um ‘sentimento humano pessoal, inclusivo, não denominacional e universal; ao invés da adesão às crenças, rituais ou práticas de uma instituição ou tradição religiosa organizada específica’.

Karakas (2010, p. 91) descreve espiritualidade como um ‘sentimento humano pessoal, inclusivo, não denominacional e universal; ao invés da adesão às crenças, rituais ou práticas de uma instituição ou tradição religiosa organizada específica’.

Além disso, Fry e Slocum (2007) afirmam que a espiritualidade inclui conceitos psicológicos positivos na busca de uma visão de serviço ao próximo. Nessa perspectiva, ‘a espiritualidade é necessária para a religião, mas a religião não é necessária para a espiritualidade. Consequentemente, a espiritualidade no ambiente de trabalho pode ser inclusiva ou exclusiva da teoria e prática religiosa’.

3. Perspectivas a partir de um Existencialismo

A visão existencialista sobre a espiritualidade é frequentemente citada como a expressão mais frequente para descrever a ‘busca por significado’ no que nós estamos fazendo no ambiente de trabalho (Naylor et al., 1996; Neck e Milliman, 1994; Kahnweiler e Otte, 1997). Algumas questões existenciais comuns são: Por que eu estou fazendo esse trabalho? Qual o significado do trabalho que eu estou fazendo? Para onde isso me leva? Existe uma razão para a minha existência e para a organização à qual eu pertenço?

Os itens acima nos têm fornecido uma breve visão geral das diferentes perspectivas sobre espiritualidade. No entanto, o importante não é observar uma definição unificada de espiritualidade, mas sim os benefícios obtidos quando a espiritualidade no ambiente de trabalho é incentivada. Mas, em primeiro lugar, vamos analisar uma estrutura para a espiritualidade no ambiente de trabalho.

4. Benefícios da Espiritualidade no Ambiente de Trabalho

Krishnakumar e Neck (2002) sugerem que a espiritualidade é capaz de trazer benefícios no ambiente de trabalho nas áreas de intuição e criatividade, honestidade e confiança, satisfação pessoal e comprometimento, o que, por sua vez, leva a um aumento do desempenho organizacional.

Intuição e Criatividade

O aumento da intuição e da criatividade tem sido observado em indivíduos que praticam a espiritualidade, pois ela expande as fronteiras de sua consciência no nível da percepção [consciousness] além dos limites normais (Guillory, 2000; Cash e Gray, 2000; Harman e Hormann, 1990).

Honestidade e Confiança

Burack (1999) indicou que a falta de honestidade e confiança em uma organização pode levar a problemas de comunicação e, eventualmente, afetar seriamente a cooperação entre funcionários e gerência. Por outro lado, a honestidade e a confiança podem levar a um melhor desempenho organizacional por meio de melhor comunicação, tomada de decisão mais rápida, mais inovação e maior nível de atendimento ao cliente (Kriger e Hanson, 1999).

Satisfação Pessoal

A espiritualidade tem sido associada ao conceito de autoatualização de Abraham Maslow, como o senso de pertencimento e a sensação de realização (Burack, 1999).

Comprometimento

Essa área inclui o comprometimento dos funcionários com a organização, bem como o comprometimento da organização com a qualidade de seus produtos ou serviços e com o cliente (Wagner-Marsh e Conely, 1999). O comprometimento dos funcionários com a organização é o que se denomina “comprometimento afetivo”. Nesse caso, observa-se um vínculo emocional por parte do indivíduo, pois ele se identifica com os objetivos da organização e deseja contribuir para que ela alcance os seus objetivos (Ketchand e Strawser, 2001).

Desempenho Organizacional

De fato, tem sido demonstrado que organizações que incentivam a espiritualidade no ambiente de trabalho podem experienciar um aumento no desempenho organizacional (Neck e Milliman, 1994; Turner, 1999; Thompson, 2000). Corroborando essa ideia, algumas pesquisas mostram que organizações que incentivaram a espiritualidade obtiveram maiores lucros e sucesso (Mitroff e Denton, 1999; Turner, 1999).

5. Construto da Espiritualidade no Ambiente de Trabalho

Após desenvolver um questionário e realizar uma análise fatorial de componentes principais, Ashmos e Duchon (2000) extraíram sete dimensões diferentes da espiritualidade no ambiente de trabalho. No entanto, apenas três dimensões principais foram consideradas, incluindo propósito no trabalho ou ‘trabalho significativo’ (nível individual), ter um ‘senso de comunidade’ (nível de grupo) e estar em ‘alinhamento com os valores e a missão da organização’ (nível organizacional).

A Figura 2 abaixo resume a estrutura conceitual da espiritualidade no ambiente de trabalho utilizada no estudo para os níveis de interação individual, de grupo e organizacional. Uma breve descrição de cada dimensão principal da espiritualidade no ambiente de trabalho é apresentada a seguir:

Dimensões da Espiritualidade no Ambiente de Trabalho

Nível Individual

Em primeiro lugar, parte-se do pressuposto de que cada pessoa no trabalho possui as suas próprias motivações, verdades e desejos internos para se envolver em atividades que conferem maior significado à sua vida e à vida dos outros (Ashmos e Duchon, 2000; Hawley, 1993).

Nível de Grupo

A espiritualidade no ambiente de trabalho, em nível de grupo, diz respeito às interações entre os funcionários e os seus colegas. Neal e Bennett (2000) citam que esse nível de espiritualidade envolve as conexões mentais, emocionais e espirituais entre os funcionários em equipes e grupos dentro da organização.

Nível Organizacional

A terceira dimensão da espiritualidade no ambiente de trabalho se manifesta quando os indivíduos em um ambiente de trabalho experienciam um forte senso de alinhamento entre os seus valores pessoais e a missão e o propósito da organização. O alinhamento se concretiza quando os funcionários acreditam que os gestores e os colegas de sua organização compartilham valores semelhantes, possuem uma forte consciência e se preocupam com o bem-estar dos funcionários e da comunidade (Ashmos e Duchon, 2000).

6. Liderança Espiritual e Criação de Cultura

O livro ‘Capturing the Heart of Leadership – Spirituality and Community in the New American Workplace’  [‘Capturando a Essência da Liderança – Espiritualidade e Comunidade no Novo Ambiente de Trabalho Americano’] (Fairholm, 1997c) busca promover uma abordagem espiritual para a liderança organizacional que vai além da gestão criativa. Líderes e liderados em busca de significado espiritual em suas vidas profissionais estão surgindo de todos os lados.

O autor apresentou, entre outros, um cenário de organizações complexas que não conseguem alcançar resultados significativos no ambiente de trabalho Americano. Por mais de 100 anos de história da gestão e liderança modernas, os objetivos organizacionais têm se concentrado principalmente no aumento da produtividade, eficiência, eficácia e lucratividade.

Líderes e liderados em busca de significado espiritual em suas vidas profissionais estão surgindo de todos os lados.

A segunda hipótese propõe que a espiritualidade nos níveis individual, grupal e organizacional traz benefícios para o ambiente de trabalho, resultando em atributos desejáveis ​​nas áreas de intuição e criatividade, honestidade e confiança, satisfação pessoal e comprometimento. Portanto, existe um relacionamento causal bidirecional ou recíproco entre o fenômeno do relacionamento e a variável liderança espiritual, visto que ambos são concebidos como influenciando-se mutuamente, conforme ilustrado na Figura 3 acima.

Enquanto isso, um relacionamento causal recíproco semelhante ocorre entre a variável liderança espiritual e a variável dependente da satisfação de resultados. Os relacionamentos causais recíprocos acima são simultâneos e sugerem que esse mecanismo promove a criação de uma cultura por meio de líderes que fomentam valores e costumes no ambiente de trabalho.

7. O Modelo de Liberdade Espiritual

Duas perspectivas diferentes podem ser observadas no incentivo e na implementação da espiritualidade no ambiente de trabalho. Mitroff e Denton (1999) sugeriram que, como existem muitas escolhas e preferências possíveis entre os diferentes indivíduos no ambiente de trabalho, seria impossível ter espiritualidade no ambiente de trabalho em uma base individual. Portanto, a abordagem organizacional foi vista por alguns pesquisadores como um método favorável, no qual a espiritualidade é implementada em toda a organização.

No entanto, a implementação de um princípio espiritual comum em uma organização pode gerar problemas quando os funcionários não conseguem expressar as suas próprias visões sobre espiritualidade (Krishnakumar e Neck, 2002). Um bom exemplo seria uma empresa ‘baseada na religião’, na qual os funcionários da organização podem não estar dispostos a aceitar uma religião específica como a sua dimensão espiritual.

Por outro lado, a abordagem individualizada (Figura 4 acima) de incentivo e implementação da espiritualidade no ambiente de trabalho começa com o indivíduo (Turner, 1999) e a organização busca acolher e incentivar as demandas espirituais de seus funcionários (Cash e Gray, 2000). Esse método aceita a ‘variedade (diversidade) espiritual’ que os seus funcionários possuem individualmente.

O modelo ilustra o conceito de ‘liberdade espiritual’ dentro de uma organização, onde os funcionários são encorajados a expressar as suas próprias visões sobre espiritualidade. A abordagem individualizada do modelo é vista como uma alternativa mais adequada aos ambientes de trabalho comuns, uma vez que se abstém de estabelecer um princípio espiritual específico dentro da organização, mas, ao invés disso, busca acolher as demandas espirituais de seus funcionários, independentemente de suas diferentes crenças espirituais (Krishnakumar e Neck, 2002).

V. Estrutura Conceitual Proposta – Espiritualidade no Ambiente de Trabalho em uma Empresa Familiar

Esse artigo (paper) teórico propõe uma estrutura conceitual (Figura 5 abaixo) sobre como a espiritualidade no ambiente de trabalho pode ter um impacto positivo no desempenho profissional dos funcionários e, consequentemente, no desempenho organizacional, em um negócio familiar nas Filipinas. Oito (8) hipóteses [H] extraídas das discussões anteriores sobre diferentes construtos são apresentadas aqui para descrever e resumir os relacionamentos correspondentes.

Com base na estrutura proposta, a variável consequente ou dependente é o desempenho profissional do funcionário. Por outro lado, as variáveis ​​preditoras ou independentes que levam ao desempenho profissional do funcionário são atributos individuais de intuição e criatividade, honestidade e confiança, satisfação pessoal e comprometimento. Portanto:

H1: Indivíduos que possuem atributos como intuição e criatividade, honestidade e confiança, satisfação pessoal e comprometimento influenciam positivamente o desempenho no trabalho deles.

A segunda hipótese propõe que a espiritualidade nos níveis individual, grupal e organizacional traz benefícios ao ambiente de trabalho, levando a atributos desejáveis ​​nas áreas de intuição e criatividade, honestidade e confiança, satisfação pessoal e comprometimento. Portanto:

H2: A espiritualidade no ambiente de trabalho, nos níveis individual, grupal e organizacional, influencia positivamente atributos desejáveis ​​dos funcionários, como intuição e criatividade, honestidade e confiança, satisfação pessoal e comprometimento.

A abordagem baseada no indivíduo do modelo de Liberdade Espiritual implementa a espiritualidade dentro de uma organização, incentivando e acomodando a ‘variedade espiritual’ de seus funcionários, independentemente de suas diferentes crenças espirituais. Então:

H3: A abordagem baseada no indivíduo do modelo de Liberdade Espiritual influencia positivamente a implementação da espiritualidade no ambiente de trabalho nos níveis individual, grupal e organizacional.

A influência da implementação da Estrutura de Valores para mensurar o Impacto da Espiritualidade no Ambiente de Trabalho sobre o desempenho organizacional depende da liderança espiritual e da criação de uma cultura que promova os seus valores e costumes entre os seus seguidores. Portanto:

H4: A liderança espiritual e a criação de cultura influenciam positivamente a Estrutura de Valores para medir o impacto da Espiritualidade no Ambiente de Trabalho sobre o Desempenho Organizacional.

A influência sobre a implementação da abordagem baseada no indivíduo do modelo de Liberdade Espiritual no ambiente de trabalho depende fortemente da Estrutura de Valores utilizada para mensurar o impacto da Espiritualidade no Ambiente de Trabalho sobre o desempenho organizacional. Portanto:

H5: A Estrutura de Valores utilizada para mensurar o impacto da Espiritualidade no Ambiente de Trabalho sobre o desempenho Organizacional modera positivamente a influência da implementação da abordagem baseada no indivíduo do modelo de Liberdade Espiritual no ambiente de trabalho.

Organizações que incentivam a espiritualidade no ambiente de trabalho experienciam melhor desempenho organizacional, maiores lucros e maior sucesso. Consequentemente:

H6: O efeito moderador de organizações que utilizam a Estrutura de Valores para mensurar o impacto da Espiritualidade no Ambiente de Trabalho sobre o desempenho organizacional, em relação à influência da abordagem baseada no indivíduo do modelo de Liberdade Espiritual para a implementação da espiritualidade no ambiente de trabalho, é positivamente moderado pelo desempenho organizacional, maiores lucros e maior sucesso.

A espiritualidade no ambiente de trabalho, nos níveis individual, grupal e organizacional, levará, em última análise, ao desempenho organizacional, a maiores lucros e ao sucesso. Consequentemente:

H7: A espiritualidade no ambiente de trabalho, nos níveis individual, grupal e organizacional, influencia positivamente o desempenho, os maiores lucros e o sucesso.

Por fim, o desempenho dos funcionários no trabalho levará, eventualmente, ao desempenho organizacional, a maiores lucros e ao sucesso. Consequentemente:

H8: O desempenho dos funcionários no trabalho influencia positivamente o desempenho organizacional, a maiores lucros e ao sucesso.

VI. Conclusão

A espiritualidade no ambiente de trabalho tornou-se uma ferramenta popular para aprimorar a direção e a ação corporativa, ou, como é mais conhecido, a governança corporativa. A elaboração contínua de um artigo (paper) teórico sobre o tema da minha dissertação, Espiritualidade no Ambiente de Trabalho em negócios familiares nas Filipinas, fez com que esse autor reconhecesse a vasta quantidade de pesquisas existentes e potenciais sobre o assunto.

Além de conceber uma estrutura, esse estudo também buscou proporcionar um melhor entendimento, uma definição e os benefícios de uma abordagem espiritual para a liderança e a cultura organizacional, a partir das diferentes teorias relevantes discutidas.

É importante lembrar também que, embora espiritualidade e religião não sejam a mesma coisa, muitas vezes estão intimamente ligadas e interligadas. Apesar de ser um conceito abstrato e individual, a espiritualidade no ambiente de trabalho tem demonstrado crescente capacidade de transformação organizacional em todo o mundo.

Vale mencionar ainda que o Cristianismo nas Filipinas representa uma enorme porcentagem da população (estima-se que pelo menos 90% da população total seja composta por Católicos Romanos, cerca de 80% e o restante pertencente a grupos como a Igreja de Cristo, Aglipayanos [Igreja Filipina Independente], Protestantes e Cristãos). Como mencionado anteriormente, os negócios familiares desempenham um papel fundamental na economia global e nas Filipinas, uma grande porcentagem das empresas (80-90% de todas as PMEs) são familiares.

Apesar de ser um conceito abstrato e individual, a espiritualidade no ambiente de trabalho tem demonstrado crescente capacidade de transformação organizacional em todo o mundo.

Uma última observação sobre Espiritualidade no Ambiente de Trabalho seria o método de incentivo e implementação. Para evitar potenciais problemas, o conceito de ‘liberdade espiritual’ individual, citado anteriormente (O Modelo de Liberdade Espiritual na Figura 4), seria ideal em uma organização onde os funcionários são encorajados a expressar as suas próprias visões sobre espiritualidade.

A realização de pesquisas adicionais nas seguintes áreas poderá ampliar o nosso entendimento sobre Espiritualidade no Ambiente de Trabalho em negócios familiares:

**Espiritualidade medida em diferentes amostras ou atividades de trabalho (por exemplo, diferentes setores);

**Espiritualidade medida em diferentes ambientes institucionais (por exemplo, organizações com fins lucrativos versus organizações sem fins lucrativos);

**Mudanças organizacionais necessárias antes da implementação da Espiritualidade no Ambiente de Trabalho.

VIII. Referências

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Imagem: pexels-niclawc-757432 20.02.26. Manila, NCR, Philippines. Foto De Multidão De Pessoas No Mercado

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios são capazes de ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.

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Autor

Graduação: Engenharia Operacional Química. Graduação: Engenharia de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing - PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras - FGV/SP. Blog Projeto OREM® - Oficina de Reprogramação Emocional e Mental - O Blog aborda quatro sistemas de pensamento sobre Espiritualidade Não-Dualista, através de 4 categorias, visando estudos e pesquisas complementares, assim como práticas efetivas sobre o tema: OREM1) Ho’oponopono - Psicofilosofia Huna. OREM2) A Profecia Celestina. OREM3) Um Curso em Milagres. OREM4) A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE) - Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT). Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista como uma proposta inovadora de filosofia de vida para os padrões Ocidentais de pensamentos, comportamentos e tomadas de decisões (pessoais, empresariais, governamentais). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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