O livro “The Secret Science Behind Miracles” [“A Ciência Secreta Por Trás Dos Milagres’], de autoria de Max Freedom Long, como uma fonte primária de conhecimento e entendimento da sabedoria Huna praticada pelos Kahunas na Polinésia, explora as complexas interseções entre Práticas Espirituais Ancestrais e Princípios Científicos Modernos, criando uma narrativa envolvente que convida os leitores a reconsiderar a natureza da realidade.
Esse livro já foi estudado e analisado em artigos da OREM1, que podem ser acessados na seção Categorias: “Conhecer e Entender Ho’oponopono”.
Em resumo, a prosa eloquente de Long mescla ensinamentos místicos com aplicações práticas, revelando como os mecanismos do pensamento e da crença podem influenciar a experiência pessoal e facilitar resultados milagrosos.
Enraizada no contexto da filosofia do Novo Pensamento, essa obra sintetiza conceitos metafísicos com insights da psicologia, oferecendo aos leitores uma perspectiva transformadora sobre espiritualidade e auto empoderamento.
Max Freedom Long, uma figura renomada nos campos da metafísica e da espiritualidade, dedicou grande parte de sua vida ao estudo das antigas artes de cura [healing] Havaianas e das verdades universais que as fundamentam. A sua extensa pesquisa, incluindo o estabelecimento da filosofia [psicofilosofia] Huna, que lhe proporcionou um entendimento singular de como a consciência no nível da percepção [consciousness] opera em relação ao mundo físico.
A experiência de Long como escritor e palestrante reflete o seu compromisso em desvendar os segredos das manifestações milagrosas, tornando-o uma voz autorizada nessa área. Esse livro é altamente recomendado para leitores que buscam aprofundar o seu entendimento sobre o poder do pensamento e da intenção na formação da própria realidade.
Seja você um buscador de sabedoria espiritual ou simplesmente curioso sobre a Ciência por trás dos milagres, a exploração esclarecedora de Long lhe dará o poder de aproveitar esses princípios transformadores em sua própria vida.” Fonte: Amazon Books
Esse livro é altamente recomendado para leitores que buscam aprofundar o seu entendimento sobre o poder do pensamento e da intenção na formação da própria realidade.
Destacamos abaixo outra fonte de conhecimento sobre Espiritualidade e Ciência no Século XXI, em artigo de Fritjof Capra (fonte primária de conhecimento), para darmos continuidade ao nosso estudo do sistema de pensamento da Psicofilosofia Huna, como base para o processo de resolução de problemas a partir do Ho’oponopono, assim como resposta à nossa questão se é possível imaginar a implantação de uma Ciência da Espiritualidade, aplicando o método científico…
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Artigos para reflexão…
Artigo:
Mystics and Scientists in the Twenty-First Century: Science and Spirituality Revisited
Místicos e Cientistas no Século XXI: Ciência e Espiritualidade Revisitadas
Autor:
Fritjof Capra
40th Anniversary Mystics and Scientists Conference Horsley Park, Surrey, 7-9 April 2017
Site:
Introdução
“Eu lamento não poder estar presente nessa conferência comemorativa tão especial, mas eu estou muito feliz por poder compartilhar algumas reflexões com vocês dessa maneira. Eu gostaria de compartilhar a minha visão sobre o relacionamento entre Ciência e Espiritualidade e como ele evoluiu ao longo dos últimos 50 anos.
Eu me formei em física e passei vinte anos, de 1965 a 1985, pesquisando física teórica de altas energias. Desde os meus primeiros anos de estudante, eu fiquei fascinado pelas mudanças drásticas de conceitos e ideias que ocorreram na física durante as três primeiras décadas do século XX. Aos dezenove anos, eu li sobre esse período revolucionário da Ciência pela primeira vez em um livro de Werner Heisenberg, um dos fundadores da teoria quântica.
O livro, que desde então se tornou um clássico, chama-se ‘Physics and Philosophy’ [‘Física e Filosofia’]. Nele, Heisenberg apresenta um relato vívido da experiência de um pequeno grupo de físicos — Niels Bohr, Erwin Schrödinger, Wolfgang Pauli e outros — que foram os primeiros a explorar fenômenos físicos envolvendo átomos e partículas subatômicas, o que os colocou em contato com um mundo estranho e inesperado. Na luta deles para compreender essa nova realidade, esses cientistas perceberam dolorosamente que os seus conceitos básicos, a sua linguagem e toda a sua maneira de pensar eram inadequados para descrever os fenômenos atômicos. Os problemas deles não eram meramente intelectuais, mas equivaliam a uma intensa crise emocional e, pode-se dizer, até mesmo existencial. Eles levaram muito tempo para superar essa crise e, no final, foram recompensados com profundas percepções sobre a natureza da matéria e a sua relação com a mente humana.
Quando eu li o livro de Heisenberg como um jovem estudante em Viena, eu provavelmente entendi menos da metade, mas o livro tornou-se o meu companheiro ao longo de minha carreira como físico e teve um profundo impacto em meu pensamento. Isso preparou o terreno para o meu entendimento da profunda mudança de visões de mundo, ou paradigmas, que está acontecendo agora em todas as Ciências e em toda a sociedade — uma mudança da visão de mundo mecanicista de Descartes e Newton para uma visão holística e ecológica.
Eu recebi o meu doutorado em física teórica pela Universidade de Viena em 1966, passei dois anos na Universidade de Paris e depois me mudei para a Universidade da Califórnia. Durante os dois anos seguintes, eu experienciei a chamada contracultura na Califórnia como uma transformação pessoal profunda e radical, que incluiu um profundo interesse pelas tradições espirituais Orientais, a prática da meditação e um forte senso de empoderamento.
…uma mudança da visão de mundo mecanicista de Descartes e Newton para uma visão holística e ecológica.
A Dança de Shiva
Naquela época, eu tive uma experiência única que me colocou no caminho que levou à escrita do meu primeiro e ainda mais conhecido livro, ‘O Tao da Física’. Eu estava sentado à beira-mar em uma tarde de final de verão, observando as ondas quebrando e sentindo o ritmo da minha respiração, quando de repente eu me dei conta de que todo o meu ambiente estava envolvido em uma gigantesca dança cósmica. Como físico, eu sabia que a areia, as rochas, a água e o ar ao meu redor eram feitos de moléculas e átomos vibrantes e que esses consistiam em partículas que interagiam entre si, criando e destruindo outras partículas. Eu também sabia que a atmosfera da Terra era continuamente bombardeada por chuvas dos chamados ‘raios cósmicos’ — partículas de alta energia que sofrem múltiplas colisões ao penetrarem o ar.

Tudo isso me era familiar por conta da minha pesquisa em Física de altas energias, mas até aquele momento eu só havia experienciado isso por meio de gráficos, diagramas e teorias matemáticas. Enquanto eu estava sentado naquela praia em meditação, as minhas experiências anteriores ganharam vida. Eu ‘vi’ cascatas de energia descendo do espaço sideral, nas quais partículas eram criadas e destruídas em pulsos rítmicos. Eu ‘vi’ os átomos dos elementos e os do meu corpo participando dessa dança cósmica de energia. Eu senti o seu ritmo e ‘ouvi’ o seu som; e naquele momento eu soube que aquela era a Dança de Shiva, o Senhor dos Dançarinos venerado no Hinduísmo.
Naquela época, eu já havia me interessado muito pelo misticismo Oriental e havia começado a ver alguns paralelos impressionantes com a Física Moderna. Eu havia sido particularmente atraído pelos aspectos enigmáticos do Budismo Zen, que me lembravam os enigmas da teoria quântica, descritos tão vividamente no livro de Heisenberg. No início, porém, relacionar Física e Misticismo era um exercício puramente intelectual. Eu levei vários anos para superar a lacuna entre o pensamento racional e analítico e a consciência no nível da percepção [consciousness] meditativa; para experienciar como a mente pode fluir livremente; como os insights espirituais surgem por si mesmos, sem qualquer esforço, emergindo das profundezas da consciência no nível da percepção [consciousness].
A experiência inesquecível da Dança de Shiva foi seguida por muitas outras semelhantes, embora menos intensas; e gradualmente eu vim a reconhecer que a Física Moderna nos conduz a uma visão de mundo consistente e harmoniosa com a antiga sabedoria Oriental. Ao longo dos anos, eu tomei muitas notas, eu escrevi alguns artigos sobre os paralelos que descobria e, finalmente, eu resumi as minhas descobertas em ‘O Tao da Física’, publicado inicialmente em Londres e Berkeley em 1975 e agora disponível em mais de 40 edições e mais de 20 idiomas em todo o mundo.
Ciência e Religião
À primeira vista, parece estranho que se possa traçar paralelos entre Ciência e Misticismo, pois cientistas e professores espirituais perseguem objetivos muito diferentes. Enquanto o propósito dos primeiros é encontrar explicações para os fenômenos naturais, o propósito dos últimos é transformar a pessoa e o seu modo de vida. Contudo, em suas diferentes buscas, ambos são levados a fazer afirmações sobre a natureza da realidade que podem ser comparadas.
Antes de entrar em mais detalhes, eu necessito dizer algumas palavras sobre Religião. A visão da Ciência e da Religião como uma dicotomia tem uma longa história, especialmente na tradição Cristã e foi recentemente revivida em diversos livros escritos por cientistas como Stephen Jay Gould, Richard Dawkins e outros. Por outro lado, há muitos cientistas que não veem uma dicotomia intrínseca entre Ciência e Religião, ou Ciência e Espiritualidade. No cerne dessa situação confusa, em minha opinião, reside a incapacidade de muitos autores de distinguir claramente entre espiritualidade e Religião.
Para entender a natureza da espiritualidade, é útil começar pelo significado fundamental da palavra ‘espírito’. O Latim ‘spiritus’ significa ‘sopro’; e, curiosamente, o mesmo se aplica à palavra Latina relacionada ‘anima’, ao Grego ‘psyche’ e ao Sânscrito ‘atman’. O significado comum desses termos-chave indica que o significado original de espírito e de alma, em muitas tradições filosóficas e religiosas antigas, tanto no Ocidente quanto no Oriente, é o de ‘sopro da vida’. O espírito — o sopro da vida — é o que nós temos em comum com todos os seres vivos. Ele nos nutre e nos mantém vivos.
A espiritualidade é geralmente entendida como uma maneira de ser que flui de uma certa experiência profunda da realidade, conhecida como experiência ‘mística’, ‘religiosa’ ou ‘espiritual’. Existem inúmeras descrições dessa experiência na literatura das religiões do mundo, que tendem a concordar que se trata de uma experiência direta e não intelectual da realidade, com algumas características fundamentais independentes dos contextos culturais e históricos.
O espírito — o sopro da vida — é o que nós temos em comum com todos os seres vivos. Ele nos nutre e nos mantém vivos.
De acordo com o significado original de espírito como ‘o sopro da vida’, a experiência espiritual pode ser descrita como uma experiência não ordinária da realidade durante momentos de intensa vitalidade. Os nossos momentos espirituais são momentos em que nós nos sentimos intensamente vivos. A vitalidade sentida durante essa ‘experiência culminante’, como a denominou o psicólogo Abraham Maslow, envolve não apenas o corpo, mas também a mente. Os Budistas se referem a esse estado de alerta mental elevado como ‘atenção plena’ (‘mindfulness’) e enfatizam que a atenção plena está profundamente enraizada no corpo. A experiência espiritual é uma experiência de vitalidade da mente e do corpo como uma unidade.
Além disso, essa experiência de unidade transcende não apenas a separação entre mente e corpo, mas também a separação entre o self e o mundo. A consciência no nível da realidade [awareness] central nesses momentos espirituais é um profundo senso de unicidade com tudo, um senso de pertencimento ao universo como um todo. Esse senso de unicidade com o mundo natural é plenamente comprovado pela Física Moderna e, de fato, pela Ciência Moderna como um todo.
No entanto, isso não é necessariamente verdade para a Religião e aqui se torna importante distinguir entre as duas. A Espiritualidade é uma maneira de estar ancorado (aterrado) em uma determinada experiência da realidade, independente dos contextos culturais e históricos. A Religião é a tentativa organizada de entender a experiência espiritual, interpretá-la dentro de um contexto histórico e cultural específico e usar essa interpretação como fonte de diretrizes morais para a comunidade religiosa.
A consciência no nível da realidade [awareness] central nesses momentos espirituais é um profundo senso de unicidade com tudo, um senso de pertencimento ao universo como um todo. Esse senso de unicidade com o mundo natural é plenamente comprovado pela Física Moderna e, de fato, pela Ciência Moderna como um todo.
Em muitas tradições espirituais — por exemplo, nas diversas escolas do Budismo — a experiência mística é sempre primária; as suas descrições e interpretações são consideradas secundárias e provisórias, insuficientes para descrever plenamente a experiência espiritual. De certa maneira, essas descrições não são muito diferentes dos modelos limitados e aproximados da Ciência, que estão sempre sujeitos a modificações e aprimoramentos.
Na história do Cristianismo, por outro lado, as afirmações teológicas sobre a natureza do mundo, ou sobre a natureza humana, eram frequentemente consideradas verdades literais e qualquer tentativa de questioná-las ou modificá-las era considerada herética. Essa posição rígida da Igreja levou aos conhecidos conflitos entre a Ciência e o Cristianismo fundamentalista, que têm persistido até os dias atuais.
Na verdade, as atitudes fundamentalistas não se limitam a líderes religiosos. Os cientistas também podem ser fundamentalistas, esquecendo-se de que todos os seus modelos e teorias são limitados e aproximados e ignorando o importante papel das metáforas — tanto na Religião quanto na Ciência. Quando isso acontece, o debate entre cientistas e líderes religiosos logo se transforma em um ‘dialogue des sourds’, como os Franceses o chamam, um ‘diálogo de surdos’.
Minha Tese Principal
Permitam-me agora resumir a tese principal de ‘O Tao da Física’. A minha tese principal é que as abordagens de físicos e místicos, embora à primeira vista pareçam bastante diferentes, compartilham algumas características importantes. Para começar, o método deles é completamente empírico. Os físicos derivam o conhecimento deles de experimentos; os místicos, de insights meditativos. Ambos são observações e em ambos os campos essas observações são reconhecidas como a única fonte de conhecimento.
Os objetos de observação são, naturalmente, muito diferentes nos dois casos. Os místicos olham para dentro e exploram a consciência no nível da percepção [consciousness] deles em vários níveis, incluindo os fenômenos físicos associados à corporeidade da mente. Os físicos, por outro lado, iniciam a investigação deles sobre a natureza essencial das coisas estudando o mundo material. Explorando reinos cada vez mais profundos da matéria, eles tomam ciência da unidade essencial de todos os fenômenos naturais. Mais do que isso, eles também percebem que eles próprios e a consciência no nível da percepção [consciousness] deles são parte integrante dessa unidade. Assim, o místico e o físico chegam à mesma conclusão; um partindo do reino interior, o outro do mundo exterior. A harmonia entre os seus pontos de vista confirma a antiga sabedoria Indiana de que Brahman, a realidade última exterior, é idêntica a Atman, a realidade interior.
Outra importante semelhança entre os caminhos do físico e do místico reside no fato de que as observações deles ocorrem em domínios inacessíveis aos sentidos comuns. Na Física Moderna, esses domínios são os do mundo atômico e subatômico; no misticismo, são estados não ordinários de consciência no nível da percepção [consciousness] nos quais o mundo sensorial cotidiano é transcendido. Em ambos os casos, o acesso a esses níveis não ordinários de experiência só é possível após longos anos de treinamento em uma disciplina rigorosa e em ambos os campos os ‘especialistas’ afirmam que as suas observações muitas vezes desafiam expressões na linguagem comum.
Assim, o místico e o físico chegam à mesma conclusão; um partindo do reino interior, o outro do mundo exterior. A harmonia entre os seus pontos de vista confirma a antiga sabedoria Indiana de que Brahman, a realidade última exterior, é idêntica a Atman, a realidade interior.
Impacto do Livro
Ao longo dos últimos quarenta anos, ‘The Tao of Physics’ [‘O Tao da Física’] foi recebido com um entusiasmo que superou as minhas expectativas mais otimistas. Essa enorme receptividade teve um forte impacto em meu trabalho e em minha vida. Eu tenho viajado bastante, dando palestras para públicos profissionais e leigos na Europa, América do Norte e do Sul e Ásia; e discutindo as implicações da chamada ‘Nova Física’ com homens e mulheres de todas as esferas da vida. Desde então, eu escrevi vários outros livros, mas ainda hoje eu encontro pessoas em todo o mundo que me dizem: ‘Eu adoro o seu livro’ ou ‘O seu livro mudou a minha vida’. E eu não necessito perguntar a qual livro elas se referem. Elas se referem ao The Tao da Física.
Repetidamente, eu tenho testemunhado como esse livro e as minhas palestras sobre ele geram uma forte ressonância nas pessoas e passei a entender essa recepção entusiasmada no contexto cultural mais amplo do meu trabalho. Inúmeras vezes, homens e mulheres me escreviam ou me diziam após uma palestra: ‘Você tem expressado alguma coisa que eu sentia há muito tempo, mas não conseguia colocar em palavras’. Geralmente, eles não eram cientistas nem místicos. Eles eram pessoas comuns e ainda assim extraordinárias: artistas, avós, empresários, professores, agricultores, enfermeiras; pessoas de todas as idades, tanto acima quanto abaixo dos cinquenta anos. Muitas eram idosas e as cartas mais comoventes vieram de mulheres e homens com mais de oitenta anos e em dois ou três casos, até mesmo com mais de noventa!
O que o Tao da Física despertou em todas essas pessoas? O que elas experienciaram em si mesmas? Eu cheguei à conclusão de que o reconhecimento das semelhanças entre a Física Moderna e o Misticismo Oriental faz parte de um movimento muito maior, de uma mudança fundamental de visões de mundo, ou paradigmas, na ciência e na sociedade, que está acontecendo agora em todo o mundo e que representa uma profunda transformação cultural. Essa transformação, essa profunda mudança de consciência no nível da percepção [consciousness], é o que tantas pessoas têm sentido intuitivamente ao longo das últimas quatro décadas e é por isso que “O Tao da Física” tem ressoado de forma tão responsiva.
Da Física às Ciências da Vida
Durante minhas palestras e seminários, homens e mulheres de todas as áreas frequentemente me diziam que uma mudança de paradigma semelhante estava acontecendo em seus respectivos campos. Isso me levou a expandir o meu foco e, em meus livros subsequentes, eu explorei a mudança de paradigmas em vários outros campos — biologia, medicina, psicologia, economia, administração e assim por diante.
Para conectar as mudanças conceituais na Ciência com a mudança mais ampla de visão de mundo e valores na sociedade, eu precisei ir além da Física e buscar uma estrutura conceitual mais abrangente. Ao fazer isso, eu reconheci que os nossos principais problemas sociais — saúde, educação, direitos humanos, justiça social, poder político, proteção ambiental, gestão de organizações empresariais e assim por diante — estão todos relacionados a sistemas vivos; a seres humanos individuais, sistemas sociais e ecossistemas.
Com essa tomada de consciência, o meu interesse de pesquisa se deslocou da Física para as Ciências da Vida e, ao longo dos últimos trinta anos, eu construí a estrutura conceitual mais ampla que eu estava buscando, utilizando insights da teoria dos sistemas vivos, da teoria da complexidade e da ecologia. Trata-se de uma estrutura que integra quatro dimensões da vida: a biológica, a cognitiva, a social e a ecológica. Eu apresentei resumos dessa estrutura, à medida que ela evoluía, em diversos livros. A minha síntese final foi publicada pela Cambridge University Press em um livro didático multidisciplinar intitulado ‘The Systems View of Life: A Unifying Vision’ [‘A Visão Sistêmica da Vida: Uma Visão Unificadora’), do qual eu sou coautor com Pier Luigi Luisi, professor de Bioquímica em Roma.
Ampliando os Paralelos
Com a minha mudança de perspectiva da Física para as Ciências da Vida, eu agora vejo futuras elaborações da tese que eu apresentei em O Tao da Física não tanto em aprofundar os paralelos entre Física e Misticismo, mas sim em estender esses paralelos a outras ciências. De fato, isso já está sendo feito.
Após a publicação de O Tao da Física em 1975, inúmeros livros foram publicados nos quais Físicos e outros cientistas apresentaram explorações semelhantes dos paralelos entre Física e Misticismo. Outros autores estenderam as suas investigações para além da Física, encontrando semelhanças entre o pensamento Oriental e certas ideias sobre livre-arbítrio; morte e nascimento; e a natureza da vida, da mente, da consciência no nível da percepção [consciousness] e da evolução. Além disso, os mesmos tipos de paralelos também foram traçados com as tradições místicas Ocidentais. Algumas dessas explorações foram iniciadas por professores espirituais Orientais. O Dalai Lama, em particular, manteve diálogos com cientistas Ocidentais em diversas ocasiões.
As extensivas explorações dos relacionamentos entre Ciência e Espiritualidade ao longo das últimas três décadas tornaram evidente que o senso de unicidade, característica fundamental da experiência espiritual, é plenamente confirmado pelo entendimento da realidade na Ciência Contemporânea. Portanto, existem inúmeras semelhanças entre as visões de mundo de místicos e professores espirituais — tanto Orientais quanto Ocidentais — e a concepção holística, ou sistêmica, da natureza que está sendo desenvolvida em diversas disciplinas científicas.
A consciência no nível da realidade [awareness] de estarmos conectados com toda a natureza é particularmente forte na ecologia. Conectividade, relacionamento e interdependência são conceitos fundamentais da Ecologia; e conectividade, relacionamento e pertencimento são também a essência da Experiência Espiritual. Eu acredito, portanto, que a Ecologia — e em particular a escola filosófica da Ecologia Profunda — é uma ponte ideal entre a Ciência e a Espiritualidade.
Quando nós observamos o mundo ao nosso redor, nós descobrimos que nós não estamos imersos no caos e na aleatoriedade, mas nós fazemos parte de uma grande ordem, uma grandiosa sinfonia da vida. Cada molécula em nosso corpo já fez parte de corpos anteriores — vivos ou não vivos — e fará parte de corpos futuros. Nesse sentido, o nosso corpo não morrerá, mas continuará a viver, repetidamente, porque a vida continua. Além disso, nós compartilhamos não apenas as moléculas da vida, mas também os seus princípios básicos de organização com o restante do mundo vivo. De fato, nós pertencemos ao universo e essa experiência de pertencimento é capaz de tornar as nossas vidas profundamente significativas.
Eu sou grato!
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Fritjof Capra, Ph.D., físico e teórico de sistemas, é um dos diretores fundadores do Center for Ecoliteracy [Centro para a Ecoalfabetização] em Berkeley, Califórnia. Ele integra o corpo docente do programa de educação executiva Amana-Key em São Paulo, Brasil. Ele é membro do Schumacher College (Reino Unido) e atua no Conselho da Carta da Terra Internacional. Capra é autor de diversos best-sellers internacionais, incluindo *O Tao da Física* (1975), *A Teia da Vida* (1996) e *As Conexões Ocultas* (2002). Ele é coautor, com Pier Luigi Luisi, do livro didático multidisciplinar *A Visão Sistêmica da Vida* (Cambridge University Press, 2014). O novo curso online de Capra (www.capracourse.net) é baseado em seu livro didático.
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Carta da Terra
Como uma referência ética e espiritual para a implantação de uma esperada “Ciência da Espiritualidade”, nós estamos destacando abaixo, como modelo, a Carta da Terra que trata-se de um documento que estabelece as diretrizes para que a humanidade possa alcançar o desenvolvimento sustentável, a paz e a justiça social ainda no século XXI. Ela foi elaborada no final da década de 1990 sob a supervisão da Comissão da Carta da Terra e mediante uma série de consultas internacionais para o alinhamento de ideias.
A carta final, que foi lançada na cidade de Haia (Países Baixos) no dia 29 de junho de 2000, alerta para a degradação do meio ambiente em curso e para o aprofundamento dos problemas socioeconômicos no mundo.
Ela oferece um novo marco, inclusivo e integralmente ético para guiar a transição para um futuro sustentável.
Ela propõe, então, a cooperação internacional, principalmente entre membros da sociedade civil e a aplicação de 16 princípios básicos para que os seus objetivos sejam alcançados.
Esses princípios estão baseados no respeito, na integridade ecológica, na justiça social e econômica e na paz e democracia.
Resumo sobre a Carta da Terra
- A Carta da Terra é um documento que estabelece as diretrizes para que a humanidade possa alcançar o desenvolvimento sustentável, a justiça social e a paz no século XXI.
- Ela se tornou, também, um instrumento para a implementação de ações práticas e éticas em diferentes países e territórios do mundo.
- A carta alerta para a fragilidade do planeta Terra e chama toda a sociedade civil para se unir e cooperar diante da degradação do meio ambiente e das injustiças sociais e econômicas.
- Para alcançar os seus objetivos, a Carta da Terra estabelece 16 princípios básicos que estão apoiados nos seguintes pilares:
- respeito e cuidado da comunidade de vida;
- integridade ecológica;
- justiça social e econômica;
- democracia, não violência e paz.
- A Carta da Terra foi redigida entre 1996 e 2000 e o seu processo de redação foi acompanhado de perto pela Comissão da Carta da Terra.
- Dentre os membros da Comissão da Carta da Terra, formada por pessoas de 19 países, estava o filósofo e teólogo Brasileiro Leonardo Boff.
- O documento oficial foi lançado no dia 29 de junho de 2000 na cidade de Haia (Países Baixos).
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A CARTA DA TERRA
PREÂMBULO
Confrontamos um momento crítico na história da Terra, uma época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, simultaneamente, grandes perigos e grandes promessas. Para prosseguir, nós devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, nós somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Nós devemos combinar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura de paz. Para atingir esse propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos a nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida e com as futuras gerações.
Terra, O Nosso Lar
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, o nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável juntamente todos os seus sistemas ecológicos, de uma rica variedade de plantas e animais, de solos férteis, de águas puras e de ar limpo. O meio ambiente global com os seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.
A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo provocam devastação ambiental, redução dos recursos e uma extinção em massa de espécies. Comunidades são arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não são divididos equitativamente e a distância entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos aumentam e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana sobrecarrega os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.
Desafios Para o Futuro
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Nós devemos compreender que, quando as necessidades básicas são atingidas, o desenvolvimento humano deverá ser primariamente centrado em ser mais, não em ter mais. Nós temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir os nossos impactos no meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Os nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos nós podemos preparar soluções inclusivas.
Responsabilidade Universal
Para realizar essas aspirações, nós devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com a nossa comunidade local. Nós somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão interligadas. Todos nós partilhamos a responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco para com toda a vida é fortalecido quando nós vivemos com reverência ao mistério da existência, com gratidão pela dádiva da vida e com humildade considerando o lugar que o ser humano ocupa na natureza.
Nós carecemos urgentemente de uma visão comum de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, nós afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será guiada e avaliada.
PRINCÍPIOS
I. RESPEITO E CUIDADO DA COMUNIDADE DE VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda a sua diversidade.
a. Reconhecer que todos os seres são interligados e que cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com entendimento, compaixão e amor.
a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de prevenir danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
a. Assegurar que as comunidades de todos os níveis garantem os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionam a cada um a oportunidade de realizar o seu pleno potencial.
b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as gerações atuais e futuras.
a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apoiem, a longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.
Para poder cumprir esses quatro amplos compromissos, é necessário:
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
a. Adoptar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integrante de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b. Estabelecer e proteger reservas viáveis da natureza e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar a nossa herança natural.
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.
d. Controlar e erradicar organismos não nativos ou modificados geneticamente que causem danos às espécies nativas e ao meio ambiente e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
e. Gerir o uso de recursos renováveis, como água, solo, produtos florestais e vida marinha, de forma a não exceder as taxas de regeneração e a proteger a sanidade dos ecossistemas.
f. Gerir a extração e o uso de recursos não renováveis, como minerais e combustíveis fósseis, de forma a diminuir a exaustão e a não causar prejuízos ambientais graves.
6. Prevenir os malefícios ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
a. Agir de modo a evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais, mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.
b. Impor o ónus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará danos significativos e fazer com que esses grupos sejam responsabilizados pelo prejuízo ambiental.
c. Garantir que as tomadas de decisão se orientam pelas consequências cumulativas, a longo prazo, indiretas, de longo alcance e globais da atividade humana.
d. Impedir a poluição de qualquer fracção do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e. Evitar que atividades militares causem danos ao meio ambiente.
7. Adoptar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos podem ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Agir com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer progressivamente a recursos energéticos renováveis, como a energia solar e eólica.
c. Promover o desenvolvimento, a adopção e a transferência equitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no seu preço de venda e habilitar os consumidores a identificar os produtos que satisfazem as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir o acesso universal a assistência de saúde que estimule a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adoptar estilos de vida que acentuam a qualidade de vida e a subsistência material num mundo finito.
8. Desenvolver o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada com a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em vias de desenvolvimento.
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e para o bem-estar humano.
c. Garantir que informações de importância vital para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.
III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
a .Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e ao saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
b. Munir cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar segurança social e coletiva a todos aqueles que não são capazes de se manter por conta própria.
c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir aqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver as suas capacidades e alcançar as suas aspirações.
10. Garantir que as atividades e instituições econômicas de todos os níveis promovem o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável.
a. Promover a distribuição equitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
c. Garantir que todas as transações comerciais apoiam o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas laborais progressistas.
d. Exigir que as corporações multinacionais e as organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas consequências das suas atividades.
11. Afirmar a igualdade e a equidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, à assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
c. Fortalecer as famílias, garantir a segurança e providenciar ternura e cuidado a todos os membros da família.
12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos Indígenas e às minorias.
a. Eliminar a discriminação em todas as suas formas, sejam elas baseadas na raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma ou origem nacional, étnica ou social.
b. Afirmar o direito dos povos Indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relativas a modos de vida sustentáveis.
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir o seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo seus significado cultural e espiritual.
IV.DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ
13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça.
a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e de atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembleia pacífica, de associação e de oposição.
d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais de modo a que possam ser cumpridas com maior eficiência.
14. Integrar, na educação formal e no aprendizado ao longo da vida, os conhecimentos, valores e aptidões necessárias para um modo de vida sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e das humanidades, assim como das ciências, na educação para a sustentabilidade.
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massas no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.
15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
a. Impedir crueldades para com os animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los do sofrimento.
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
c. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.
16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.
a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para gerir e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo a restauração ecológica.
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico atesta a proteção ambiental e a paz.
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual fazemos parte.
O CAMINHO A SEGUIR
Como nunca antes na história, o destino comum incentiva-nos a procurar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir essa promessa, nós devemos nos comprometer a adoptar e a promover os valores e objetivos nela presentes.
Isso requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Nós devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. A nossa diversidade cultural é uma herança preciosa e diferentes culturas encontrarão as suas próprias e distintas formas de realizar essa visão. Nós devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque nós temos muito que aprender a partir da busca contínua e conjunta pela verdade e pela sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isso pode significar escolhas difíceis. Porém, é necessário encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos a curto prazo com metas a longo prazo. Todos os indivíduos, famílias, organizações e comunidades têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não governamentais e os governos são chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre o governo, a sociedade civil e a classe empresarial é essencial para uma governabilidade efetiva.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar o seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir as suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme em alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida.
ORIGEM DA CARTA DA TERRA
A criação da Carta da Terra foi dirigida pela Earth Charter Commission, convocada como um seguimento da Earth Summit de 1992, de modo a produzir uma declaração global consensual de valores e princípios para um futuro sustentável. O documento foi desenvolvido ao longo de quase uma década, através de um extenso processo de consultoria internacional, para a qual cerca de cinco mil pessoas contribuíram. A Carta tem vindo a ser legalmente aprovada e seguida por milhares de organizações, em que se incluem a UNESCO e a World Conservation Union (IUCN).
Para mais informações, acessar www.EarthCharter.org.
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Imagem: Cameron Gray 13.06.26
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Kristin Zambucka, artista, produtora e autora do livro “Princess Kaiulani of Hawaii: The Monarchy’s Last Hope” (tradução livre: “Princesa Kaiulani do Havaí: A Última Esperança da Monarquia”);
Kuman M. – Scientific Explanation of the Hawaiian Method of Healing and Life Success Ho’oponopono. Current Trends in Biomedical Engineering & Biosciences [Explicação Científica do Método Havaiano de Cura [Healing] e Sucesso na Vida Ho’oponopono. Tendências Atuais em Engenharia Biomédica e Biociências]. 2022; 20(4): 556043. DOI: 10.19080/CTBEB.2022.20.556043;
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Louise L. Hay – livro “You Can Heal Your Life – (tradução livre: “Você Pode Curar Sua Vida”);
Malcolm Gradwell – livro “Blink: The Power of Thinking without Thinking” (Tradução livre: “Num piscar de olhos: O Poder de Pensar Sem Pensar”);
Manu Meyer, artigo denominado “To Set Right – Ho’oponopono – A Native Hawaiian Way Of Peacemaking” [“Corrigir Um Erro – Ho’oponopono – Uma Maneira Nativa Havaiana de Reconciliação”].
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Marianne Szegedy-Maszak – edição especial sobre Neurociência publicada na multiplataforma “US News & World Report”, destacando o ensaio “Como Sua Mente Subconsciente Realmente Molda Suas Decisões”;
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Max Freedom Long – BOLETIM HUNA 3 – Combinando a Alta e a Baixa Magia – Tempo, Emoção – 1º de julho de 1948 Site: https://maxfreedomlong.com/huna-bulletins/huna-bulletin-003/;
Max Freedom Long – Livro “The Secret Science Behind Miracles” [A Ciência Secreta Por Trás Dos Milagres], originalmente publicado em 1948, por Kosmon Press – Los Angeles 6, California, 2208 West 11th St.;
Max Freedom Long. Livro: “Self-Suggestion And The New Huna Theory Of Mesmerism And Hypnosis” [“Autossugestão e a Nova Teoria Huna do Mesmerismo e da Hipnose]. Publicado por: Huna Research Publications – Vista, Califórnia [1956];
Maxwell Maltz (Dr.) – livro “The New Psycho-Cybernetics” (tradução livre: “A Nova Psico-Cibernética”);
Michael E. McCullough, K. Chris Rachal, Steven J. Sandage, Everett L. Worthington, Jr., Terry L. Hight e Susan Wade Brown. Artigo: “Interpersonal Forgiving in Close Relationships: II. Theoretical Elaboration and Measurement” [“Perdão Interpessoal em Relacionamentos Próximos: II. Elaboração Teórica e Mensuração”];
Michael Lerner, PhD – Artigo “Difference Between Healing and Curing” [tradução livre “Diferença Entre Cura [Healing] e Cura [Curing]. Site: https://www.awakin.org/v2/read/view.php?op=photo&tid=1066;
Moji Solanke – Journal The Guardian Nigeria – Artigo: “Medical Cure And Spiritual Healing” [tradução livre: “Cura [Cure] Médica e Cura [Healing] Espiritual”]. Site: https://guardian.ng/features/medical-cure-and-spiritual-healing/;
Napoleon Hill – livro “The Law of Success in Sixteen Lessons” (tradução livre: “A Lei do Sucesso em Dezesseis Lições”);
Nelson Spritzer (Dr.) – livro “Pensamento & Mudança – Desmistificando a Programação Neurolinguística (PNL)”;
Olivier Urbain, June 18, 2004, [email protected]. Artigo “Three Sessions Using Hawaiian-Style Reconciliation Methods Inspired by the Ho’oponopono Problem-solving Process” [Três Sessões Usando Métodos de Reconciliação no Estilo Havaiano Inspirados no Processo de Resolução de Problemas Ho’oponopono];
Osho – livro “The Golden Future” (tradução livre: “O Futuro Dourado”);
Osho – livro “From Unconsciousness to Consciousness” (tradução livre “Do Inconsciente ao Consciente”);
Osho – livro “Desvendando mistérios”;
Pacifica Seminars – Ho’oponopono Overview – In English wherever you are – in the spiritual context of our time. Autores Michael Micklei and Yvette Mauri. Site em Inglês: Pacifica Seminars Informationen, Übersicht
Paul Cresswell – livro “Learn to Use Your Subconscious Mind” (tradução livre: “Aprenda a Usar a Sua Mente Subconsciente”);
Paulo Freire, educador, pedagogo, filósofo brasileiro – livro “A Psicologia da Pergunta”;
Platão – livro “O Mito da Caverna”;
Quimby, Phineas Parker – (1802–1866). Livro: “The Quimby Manuscripts” [“Os Manuscritos de Quimby”]. Capítulo 16 – Doença e Cura [Healing]. Editado/Publicado por Horatio W. Dresser, 1921. Fonte: 16. Disease and Healing – Quimby Manuscripts;
Richard Maurice Bucke (Dr.) – livro ‘Consciência Cósmica’;
Richard Wilhelm – livro “I Ching”;
Roberto Assagioli, Psicossíntese. Site http://psicossintese.org.br/index.php/o-que-e-psicossintese/
Sanaya Roman – livro “Spiritual Growth: Being Your Higher Self (versão em português: “Crescimento Espiritual: o Despertar do Seu Eu Superior”);
Sean McCleary – Artigo: “The Evolution of the Aloha Spirit” [“A Evolução do Espírito Aloha”]. Fonte: Kahuna Research Group. Site: The Evolution of the Aloha spirit – Kahuna Research Group;
Serge Kahili King (Dr.) – livro “Cura Kahuna” (Kahuna Healing);
Serge Kahili King (Dr.) – Artigo: “Body of God” [O Corpo de Deus] – Artigo completo em inglês no site: https://www.huna.org/html/bodyofgod.html;
Serge Kahili King (Dr.) – Artigo: “The Aka Web of Healing” [tradução livre “A Teia [Web] Aka de Cura [Healing]]. Site: https://www.huna.org/html/healingweb.html;
Serge Kahili King (Dr.) – Artigo: “Energy Healing” [tradução livre: Cura [Healing] Energética. Site: https://www.huna.org/html/energyhealing.html;
Serge Kahili King (Dr.) – Artigo: “How To Heal A Situation” [tradução livre: “Como Curar [To Heal] Uma Situação]. Site: https://www.huna.org/html/HealASituation-SKK1121.pdf;
Serge Kahili King (Dr.) – Artigo: “Healing Bad Memories” [tradução livre: Curando [Healing] Memórias Ruins]. Site: https://www.huna.org/html/healmemories.html;
Serge Kahili King (Dr.) – Artigo: “Healing Shapes” [tradução livre: “Formas de Cura [Healing]. Site: https://www.huna.org/html/4symbols.html;
Serge Kahili King (Dr.) – Artigo: “Healing Shapes Revisited” [tradução livre: “Formas de Cura [Healing] Revisitado. Site: https://www.huna.org/html/4symbols2.html;
Serge Kahili King (Dr.) – Artigo “A Living Philosophy, by Serge Kahili King” Site: https://www.huna.org/html/living_phil.html;
Serge Kahili King (Dr.) – Artigo “Principles of Shamanic Practice” – Huna Article – Huna International. Site: https://www.hunahawaii.com/Serge/shamanpractice.htm
Serge Kahili King (Dr.), livreto “The Little Pink Booklet of Aloha” [Tradução livre “O Pequeno Livreto Rosa de Aloha”], em tradução livre Projeto OREM®
Serge Kahili King (Dr.), artigo “Bless Your Way To Success,” [tradução livre “Abençoe O Seu Caminho Para O Sucesso”.
Sílvia Lisboa e Bruno Garattoni – artigo da Revista Superintessante, publicado em 21.05.13, sobre o lado oculto da mente e a neurociência moderna.
Site da Associação de Estudos Huna https://www.huna.org.br/ – artigos diversos.
Site www.globalmentoringgroup.com – artigos sobre PNL;
Site Wikipedia https://pt.wikipedia.org/wiki/Ho%CA%BBoponopono, a enciclopédia livre;
Tad James (pai de Matt James), M.S., Ph.D., com George Naope e Rex Shutte. Material disponibilizado no site Huna – Kahuna Research Group.
Tad James. Livro “The Lost Secrets of Ancient Hawaiian Huna” [“Os Segredos Perdidos da Antiga Huna Havaiana”].
Thomas Lani Stucker – Kahuna Lani – Artigo “The Professional Huna Healer” – Site: https://www.maxfreedomlong.com/articles/kahuna-lani/the-professional-huna-healer/;
Thomas Lani Stucker – Kahuna Lani – Artigo “PSYCHOMETRIC ANALYSIS” [tradução livre: “ANÁLISE PSICOMÉTRICA”], editado no outono de 1982, no Huna Work International #269. Site: https://www.maxfreedomlong.com/articles/kahuna-lani/psychometric-analysis/;
Thomas Troward – livro “The Creative Process in the Individual” (tradução livre: “O Processo Criativo no Indivíduo”);
Thomas Troward – livro “Bible Mystery and Bible Meaning” (tradução livre: “Mistério da Bíblia e Significado da Bíblia”);
Tor Norretranders – livro “A Ilusão de Quem Usa: Reduzindo o tamanho da Consciência” (versão em inglês “The User Illusion: Cutting Consciousness Down to Size”);
“Um Curso em Milagres” – 2ª edição – copyright 1994 da edição em língua portuguesa;
Usha Rani Kandula, Zeenath Sheikh, Aspin R, Jeya Beulah D, Manavalam, Hepsi Natha – Artigo Effectiveness of Ho’oponopono: A Comprehensive Review. Tuijin Jishu/Journal of Propulsion Technology – ISSN: 1001-4055 – Vol. 46 No. 2 (2025). Site: View of Effectiveness of Ho’oponopono: A Comprehensive Review;
Vernon S. Brown. Artigo “The Connection Between Ho’oponopono and Psychological Safety [A Conexão Entre Ho’oponopono E Segurança Psicológica]”. Psychological Safety Advancement and Review [Avanço e Revisão da Segurança Psicológica]. Site: https://doi.org/10.5281/zenodo.8374435;
Victoria Shook – Artigo “Current Use of a Hawaiian Problem Solving Practice: Ho’oponopono” [“Uso Contemporâneo de Uma Prática Havaiana de Resolução de Problemas”], Prepared by The Sub-Regional Child Welfare Training Center School of Social Work – University of Hawaii. – 31 de julho de 1981 – Honolulu, Hawaii;
Wallace D. Wattles – livro “A Ciência para Ficar Rico”;
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William R. Glover – livro “HUNA the Ancient Religion of Positive Thinking” – 2005;
William Walker Atkinson – livro: “Thought Vibration – The Law of Attraction in the Thought World” (tradução livre: “Vibração do Pensamento – A Lei da Atração no Mundo do Pensamento”) – Edição Eletrônica publicada em 2015;
Yates Julio Canipe (Dr.) e Sarah Jane Eftink. Livro “Quantum Huna: The Science missed by Max Freedom Long in ‘The Secret Science Behind Miracles’” [tradução livre: “Huna Quântica: A Ciência não alcançada por Max Freedom Long em ‘A Ciência Secreta Por Trás dos Milagres’”]. Versão em Inglês, 11.janeiro.2013 Straightforward Inc.
Zach Royer – Artigo: “Synchronicity: What is it?” [“Sincronicidade: O que é isso?”]. Fonte: Kahuna Research Group. Site: Synchronicity: What is it? – Kahuna Research Group;
Zanon Melo – livro “Huna – A Cura Polinésia – Manual do Kahuna”;

