Artigo: “Interview – Spirituality in Business: Sparks from the Anvil – In conversation with Suresh Hundre, Chairman and MD, Polyhydron Pvt. Ltd.

Autor (Entrevistador): Professor B. Mahadevan – Gestão de Produção e Operações, Indian Institute of Management Bangalore, Bangalore, Índia

Entrevista – Espiritualidade nos Negócios: Faíscas a partir da Bigorna

Parte II

Tradução livre Projeto OREM®

“Em conversa com Suresh Hundre, Presidente e MD, Polyhydron Unip. Ltda.

Palavras-chave: Espiritualidade nos negócios; Ética nos negócios; Filosofia da Índia; Competitividade da produção; Empresas familiares; Noção de espiritualidade; Espiritualidade no ambiente de trabalho; Produtividade

Site: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0970389613000219

Resumo

As crises económicas do passado recente levaram a um interesse renovado em explorar o papel da espiritualidade na gestão de negócios (empresarial). No entanto, existem vários desafios no entendimento do que significa ‘espiritualidade’ no sentido operacional da gestão de negócios. Esse artigo em primeiro lugar traça a pesquisa na área da espiritualidade aplicada aos negócios e, na segunda parte, relata as crenças de Suresh B. Hundre, Presidente e MD da Polyhydron Pvt. Ltd, Belgaum, Índia, conforme praticado na Polyhydron, uma empresa conhecida por sua gestão ética e onde o conceito de ‘Business Ashrama’ integra a espiritualidade nos negócios.

—–continuação da Parte I—–

A noção de espiritualidade nos negócios

BM: Deixe-me passar agora ao tópico principal. Em primeiro lugar, as pessoas têm noções muito diferentes sobre espiritualidade. Para efeitos dessa conversa, eu gostaria de saber qual é o seu entendimento do termo espiritualidade.

SH: A espiritualidade, no meu entendimento, nada mais é do que uma expressão de pureza. Se uma pessoa quer ser espiritual, eu digo que você purifica as suas ações, o seu discurso e o seus pensamentos. Purifique e alinhe todos os três e você virá a ser espiritual.

Para começar, pode ser difícil purificar os seus pensamentos, mas você pode purificar o seu discurso e as suas ações. A última coisa é o pensamento. Se você continuar tentando, um dia os seus pensamentos também virão a ser puros. É tão simples. Qualquer ser humano pode fazer isso. Por outro lado, se você falar sobre o Bhagavad Gita, ou algum sloka,(8) ou mantra, muitas pessoas poderão achar difícil compreendê-lo. Mas quando eu defino dessa forma, as pessoas entendem e começam a explorar a possibilidade de aplicá-lo também nos negócios.

Os negócios também são capazes de virem a ser espirituais, purificando as ações, o discurso e o pensamento dos líderes, bem como a filosofia e os princípios de fazer negócios. Por exemplo, o líder pode ter que decidir que fará negócios não ‘de alguma forma’, porém eticamente. Nos últimos 26 anos eu tenho chegado à conclusão de que sem ser espiritual, nenhuma empresa ou ser humano pode levar uma vida feliz plenamente.

(8) Sloka é uma palavra Sânscrita. Na tradição Indiana, sloka refere-se a versos poéticos definidos em métricas pré-determinadas. Eles são frequentemente usados ​​​​em textos e literatura espiritual e religiosa.

A espiritualidade, no meu entendimento, nada mais é do que uma expressão de pureza. Se uma pessoa quer ser espiritual, eu digo que você purifica as suas ações, o seu discurso e o seus pensamentos. Purifique e alinhe todos os três e você virá a ser espiritual.

BM: Então a espiritualidade como um valor individual não é diferente da espiritualidade como valor empresarial?

SH: Uma organização também é um organismo como um ser humano. Tem o seu próprio caráter, a sua própria filosofia, os seus próprios pensamentos, os seu próprio processo de pensamento. Portanto, a mesma regra se aplica lá também.

BM: Como você desenvolveu esse interesse pela espiritualidade? Foi por acidente ou por um esforço acertado? Como isso realmente ajuda na gestão empresarial?

SH: Eu era muito reativo e às vezes uma pessoa irritada. Eu costumava assumir tudo e confrontar os funcionários do governo de frente. Eu costumava levar uma vida normal, ganhando dinheiro e me divertindo com isso. Involuntariamente, também nós gerávamos dinheiro sujo em nossos negócios. De certa forma, eu levava uma vida agitada e não estava realmente interessado em espiritualidade ou em programas religiosos. Naquela época, a seita Brahma Kumari(9) iniciou uma unidade em nossa cidade (Belgaum) e eles queriam que algumas pessoas proeminentes de Belgaum fossem para o seu centro em Mount Abu. Eles se aproximaram de mim e me convenceram a ir.

Com muita relutância eu concordei em ir. Eu fiquei cinco dias em Mount Abu durante aquela viagem e experienciei um modo de vida diferente. Eu fiquei impressionado com os arranjos deles e seu nível de serviço. Quando eu voltei, eu senti que deveria mudar alguns dos meus hábitos de vida. Esse foi o primeiro passo para a pureza e começou a mudar os meus pontos de vista. Eu fiquei calmo. Eu comecei a fazer algum trabalho social. A minha jornada rumo à pureza começou aí.

A ideia de que purificar o negócio significava não gerar dinheiro sujo e não sonegar impostos estava crescendo em minha mente. Como eu mencionei anteriormente, o incidente com as autoridades fiscais em 1986-87 reforçou em mim esse pensamento.

Economizar Rs. 11.340 em imposto de renda me levaram ao tribunal em 1986. Em contraste, durante 2010 e 2011, eu paguei cerca de Rs. 50.000 como imposto de renda, por hora. Como eu tinha decidido ser honesto, eu pago um terço de tudo o que tenho ganho como imposto. Eu considero a espiritualidade uma jornada de maior magnitude.

Eu digo que Deus está no nível 100% de espiritualidade. Na minha opinião, para um homem imaculado, o nível de espiritualidade é de 20%. Um homem que está no nível animal está em 0%. Um homem que deseja trilhar o caminho da espiritualidade começa a crescer e dependendo da quantidade de purificação que fizer pode chegar a 25%, 30%, 40% e assim por diante. Se você tem essa foto na sua frente, você pode começar a sua jornada. Onde você chega no final da sua vida é o retorno pelo bom trabalho que você tem feito – Karma yoga.(10)

Essa jornada tinha me ensinado algumas lições e tem me proporcionado algumas perspectivas sobre os negócios. Na minha opinião, a simplicidade reduz as preocupações e a honestidade reduz o estresse. Se você acredita que as pessoas são honestas, isso significa que você confia nelas e o seu estresse diminui. O policiamento e o custo de gerenciamento desaparecem com o tempo. As pessoas virão a ser autogerenciadas e autocapacitadas no processo, o que eventualmente leva a uma produtividade muito boa. Swami Vivekananda disse que combinar a eficiência e o dinamismo Ocidentais com os valores Indianos será bom para a produtividade.

(9) Para mais detalhes sobre a Brahma Kumaris, os leitores podem visitar o site http://www.brahmakumaris.com/, acessado pela última vez em 5 de fevereiro de 2013.

(10) Karma Yoga é um dos princípios fundamentais estabelecidos no Bhagavad Gita.

Eu considero a espiritualidade uma jornada de maior magnitude.

BM: Eu vejo muita influência de Swami Vivekananda em você e em sua organização. Como isso aconteceu?

SH: Ao embarcar nessa jornada, um dia eu ouvi que Swami Vivekananda tinha vindo para Belgaum e permanecido por doze dias. Eu já havia lido Swami Vivekananda quando eu estava na faculdade de engenharia, mas havia esquecido. Eu fui até o local, vi a sala que Swami Vivekananda havia usado e fui apresentado aos seus livros. Eu comecei a ler as obras de Swami Vivekananda e eu descobri que havia muita força em seus pensamentos.

Certa vez, durante uma jornada de trem de Belgaum a Bangalore, um co-passageiro me deu um livro sobre gestão Indiana, de Swami Jitatmananda(11), onde eu me deparei com o pensamento de Swami Vivekananda, particularmente sobre combinar o dinamismo e a eficiência Ocidentais com a espiritualidade Indiana para alcançar a melhor liderança de gestão no mundo. Eu pensei nisso e conceituei a ideia de um ashrama empresarial.(12) Mais tarde, por coincidência, eu encontrei essa ideia em um livro do Prof. S. K. Chakraborty.(13) No entanto, eu insisti nessa ideia, comecei a trabalhar nisso e construí o ashrama empresarial. Eu acredito que a eficiência num ashrama empresarial é muito superior ao normal.

Operacionalizando a espiritualidade nos negócios

BM: Eu entrei no seu site. Há uma menção de que a Polyhydron é um centro de peregrinação para o mundo corporativo da Índia. É possível você descrever isso com algum detalhe?

SH: Um centro de peregrinação é um lugar puro, um lugar tranquilo e um lugar silencioso. Um templo ou ashrama é um exemplo. As pessoas se movimentam silenciosa e pacificamente. Num ashrama você não supervisiona os devotos. Você tem algumas orientações para eles e deixa o resto para os devotos. Você sabe que eles trabalharão com o coração, com o desejo intrínseco. Também nesse local o meu esforço é fazer com que as pessoas manifestem o seu desejo intrínseco de trabalhar e se esforcem de acordo com as exigências do trabalho. Aqui eles trabalham de forma silenciosa, pacífica e sem nenhum estresse.

Não há fiscalização, não há policiamento. As pessoas gostam de trabalhar, como numa peregrinação.

(11) “Indian Ethos in Management” [Ethos Indiano em Gestão”] por Swami Jitatmananda, Missão Ramakrishna, Rajkot, 1992

(12) Ashrama é uma palavra Sânscrita que significa eremitério (mosteiro, convento, lugar isolado) ou um lugar onde os buscadores espirituais e de conhecimento se reúnem e aprendem sob a orientação de um guru.

(13) “Ethics in Management – Vedantic Perspectives” [“Ética na Gestão – Perspectivas Vedanta”] por S. K. Chakraborty, Oxford University Press, 1995.

BM: O ashrama empresarial é apenas outra forma de organizar as atividades na fábrica ou há algo mais? É o mesmo conceito de fábrica dentro de uma fábrica?

SH: No conceito de fábrica dentro de uma fábrica, existem várias unidades. Cada unidade funciona de forma independente.

Há um líder de equipe para cada unidade. Da mesma maneira, nós temos construído várias unidades pequenas. Há muitas árvores ao redor e o lugar é muito limpo. A atmosfera lembra a de um ashrama. A criação da atmosfera é muito importante; a criação da cultura vem depois.

BM: A atmosfera no seu salão de meditação é muito serena.

SH: Várias pessoas têm sentido o mesmo. Existem muitos casos de pessoas cujos dilemas empresariais têm sido resolvidos depois de se sentarem no nosso centro de meditação. Isso funciona. Isso me dá inspiração quando eu necessito disso num determinado momento e a força que eu necessito para tomar uma decisão.

BM: Agora eu entendo a sua definição de ashrama empresarial. Você está dizendo que é um ashrama em um ambiente de negócios onde as pessoas vêm e abrem os seus corações sem supervisão e força.

SH: Sim, as pessoas se empoderam, ou melhor, elas assumem o empoderamento, eu não tenho que dá-lo. Eles têm que dizer, eu farei o trabalho, em vez de no sistema de gestão normal onde você dá o trabalho, onde as instruções são recebidas e o trabalho é executado. As pessoas assumirão os seus empregos dizendo que é a minha responsabilidade e o meu compromisso com a organização.

BM: Muitas vezes existe um conceito equivocado de que quanto mais você vem a ser espiritual, isso diminui o desejo de se envolver no meio da ação. Qual é a sua opinião sobre isso?

SH: Deixe-me explicar. Qual é o objetivo da vida? Levar uma vida de felicidade plena [joyful life]. Geralmente, se você perguntar a uma pessoa qual é o objetivo da vida, ela dirá: levar uma vida feliz [happy life]. Há muita diferença entre uma vida de felicidade plena [joyful] e uma vida feliz [happy]. Geralmente acredita-se que a felicidade vem a partir de todas as coisas materialistas. Na minha opinião, na chamada vida feliz [happy life] o nível de espiritualidade é próximo de zero. Eu acredito que uma vida de felicidade plena(*) [joyful life] é uma combinação de felicidade e contentamento.

[(*) Obs.: Deepak Chopra chama esse estado de consciência de bem-aventurança; As bem-aventuranças são os ensinamentos que, de acordo com o Evangelho segundo Mateus, Jesus pregou no Sermão da Montanha, Mateus 5,1-12, para ensinar e revelar aos homens a verdadeira felicidade. Wikipedia]

Eu uso uma equação para descrever a relação entre esses dois [conceitos]:

Felicidade [Happiness] + Contentamento [Contentment] = Felicidade Plena [Joyfulness]

As pessoas muitas vezes pensam que, à medida que satisfazem as suas necessidades, elas ficam felizes. Na realidade isso funciona ao contrário: à medida que você continua atendendo às suas necessidades, a lista de novas necessidades a serem atendidas aumenta. À medida que as suas necessidades não atendidas aumentam, você fica infeliz.

Pode-se usar um índice para entender essa situação:

Todos nós nos esforçamos para ter um IF de 100%. Nesse processo, à medida que nós aumentamos as nossas necessidades totais (o que acontece apenas quando nós adicionamos novas necessidades não atendidas ao denominador da equação acima), o valor do IF diminui significativamente. Isso cria uma pressão considerável sobre os indivíduos, uma vez que a única forma de restaurar o IF para próximo de 100% é converter as necessidades não atendidas em necessidades atendidas. Isto exige mais recursos materialistas.

Eventualmente, isso incentiva algumas pessoas a recorrerem a formas antiéticas de ganhar dinheiro. Isso significa que tal pessoa não está ascendendo (ou evoluindo).

Para melhorar o IF, uma forma é reduzir as necessidades. À medida que nós avançamos, nós vamos reduzindo as nossas necessidades. Quando nós reduzimos as nossas necessidades, que talvez fossem desnecessárias em primeiro lugar, nós tentamos manter a relação próxima de um. Em outras palavras, as necessidades atendidas e as necessidades totais são quase as mesmas. Nós estamos felizes e contentes. Isso leva à felicidade plena [joyfulness].

Isso também significa que para nós sermos felizes plenamente, nós temos que sacrificar a felicidade. Esse conceito é difícil para as pessoas aceitarem. Elas não têm percebido a diferença entre felicidade plena [joyfulness] e felicidade [happiness]. No processo de virem a ser felizes, as pessoas correm o risco de adotar caminhos antiéticos.

É assim que eu vejo as coisas: a simplicidade, reduzindo as suas necessidades, leva à felicidade plena [joyfulness]. Há também outra solução para isso. Se você realmente quer levar uma vida de felicidade plena [joyful life], faça com que os outros sejam felizes, satisfaça as necessidades deles. Por exemplo, você é capaz de dar comida a um homem faminto. Entretanto, para isso você necessita sacrificar o seu dinheiro. Um homem que não enxerga quer atravessar a rua. Você tem que gastar tempo para ajudá-lo a atravessar a rua. Você sacrificou o seu tempo. A felicidade materialista está disponível no mercado, desde que você tenha dinheiro. No entanto a felicidade plena [joyfulness] não está. Você tem que sacrificar a felicidade para obter a felicidade plena [joyfulness].

A espiritualidade, em minha mente, tem tudo a ver com aumentar o contentamento de viver e adotar tal abordagem apenas fará com que você seja mais ativo, mais sacrificado pelos outros e trabalhando por uma causa maior.

BM: Tradicionalmente, nós temos uma literatura muito rica sobre espiritualidade. O Bhagavad Gita, por exemplo, é um texto rico. Há algum exemplo específico que você possa pegar emprestado, digamos do Gita ou de qualquer outro texto, que você possa implementar e ver por si mesmo?

SH: Karma yoga é um conceito. Ele simplesmente diz para fazer o seu trabalho sem esperar os frutos e é isso que eu tenho feito.

BM: Mas como você faz com que outros também façam isso?

SH: É pela prática. Ocupando a posição que eu ocupo, eu venho a ser um modelo. Ao invés de pregar a espiritualidade, eu a pratico e as pessoas tentam seguir isso. Não é necessário que 100% das pessoas sigam. Se eu estabelecer tal expectativa, então isso será um equívoco. Aqueles que estão interessados ​​​​devem se apresentar e aceitar as ideias. Por exemplo, eu tenho uma certa ideia sobre o uso das roupas. Se as pessoas gostarem da minha ideia de usar uma camisa azul para trabalhar como forma de reduzir as minhas necessidades, elas poderão seguir isso. Alguém deve liderar pelo exemplo.

Faça com que a sua vida seja simples. Faça com que isso seja disciplinado. Faça com que isso seja transparente. Pratique a ética e a moralidade. Com o tempo, pessoas interessadas seguirão isso. Essa é uma forma mais prática e sustentável.

Outro conceito importante é que a cultura da organização é um reflexo do caráter do líder. O que um líder faz se reflete em sua organização. Se o líder for puro, cria-se uma atmosfera de pureza. Se ele for honesto, a honestidade se infiltrará na organização e as pessoas tentarão ser honestas. Se eu presumir que todas as pessoas ficarão tão inspiradas e se eu tentar fazer com que 100% das pessoas sejam honestas, eu estou cometendo um equívoco. Eu deveria deixar as pessoas seguir isso, compreender isso, aceitar isso e praticar isso. É como a precipitação de uma ideia ao longo do tempo.

BM: Você começou dizendo que a espiritualidade nos negócios tem tudo a ver com pureza. Então você usou três palavras: simplificar, ser transparente e confiar. É possível você explicar um pouco? Como isso acontece no seu negócio?

SH: Para ser feliz plenamente, você necessariamente tem que ser espiritual. Mas para ser espiritual, você tem que ser moral. Uma pessoa imoral não pode ser espiritual. Para ser moral, você tem que ser ético. Para ser ético, você tem que ser honesto. Para ser honesto, você tem que ser transparente. Para ser transparente, você tem que ser simples. Para ser simples, você deve ser disciplinado. Essas são as etapas. Sempre que eu interajo com estudantes de engenharia e de MBA, eles costumam perguntar ‘Por onde nós começamos a ser felizes plenamente?’ Eu digo a eles para primeiro serem disciplinados. Então eu os apresento à escada da felicidade plena [joyfulness] (ver Fig. 1)

BM: Organizacionalmente, como você vê essa escada?

SH: Nós somos muito exigentes em relação à disciplina, em primeiro lugar. E então nós temos sistemas simples e transparentes.

BM: O que você quer dizer com transparente?

SH: Todos têm acesso à informação em nossa organização, o que é atípico de uma organização com faturamento de Rs. 850 milhões. Por exemplo, se alguém quiser saber qual é o lucro obtido na empresa ou qual é o meu salário, ele é capaz de descobrir. Ele tem acesso às informações.

Esse é um aspecto da prática da transparência. Nós mantemos recibos de todas as transações. Eu não posso tirar uma rúpia dessa organização sem o conhecimento de outras pessoas ou do pessoal de contabilidade. As contas, as informações sobre salários e os lucros, estão todas disponíveis para o escrutínio das pessoas, se assim elas o desejarem.

Para ser feliz plenamente, você necessariamente tem que ser espiritual. Mas para ser espiritual, você tem que ser moral. Uma pessoa imoral não pode ser espiritual. Para ser moral, você tem que ser ético. Para ser ético, você tem que ser honesto. Para ser honesto, você tem que ser transparente. Para ser transparente, você tem que ser simples. Para ser simples, você deve ser disciplinado. Essas são as etapas.

BM: Você mencionou que está pagando bônus de 100% nos últimos anos. Qual é a base para isso?

SH: Esse é outro conceito, como o da relação de distribuição de riqueza. É minha convicção pessoal que, em qualquer organização, o custo de funcionamento da organização deve ser inferior a 30% do lucro líquido. Nós temos um meio de calcular a relação entre o custo do emprego para a riqueza criada e nós calculamos o bónus com base nessa relação. Deixe-me fornecer uma breve ilustração disso:

Lucro depois dos impostos (PAT – Profit After Tax): XXX

Remuneração, salários pagos: YYY

Riqueza líquida criada: WWW (Soma dos itens acima)

Total a pagar aos funcionários: AAA (30% do WWW)

Já pago como salários: YYY

Saldo a pagar como bônus: BBB (AAA – YYY)

Atualmente, na Polyhydron, YYY é inferior a 50% de AAA.

Portanto, nós podemos pagar um bônus de 100%. Como você pode ver, quanto menor for o YYY como percentual de AAA, melhor para a organização e também para os funcionários. Se o percentual for inferior a 50%, os funcionários terão a certeza de receber um bônus de 100% e a organização será beneficiada com maior produtividade.

BM: Como os seus salários se comparam com os de outros? Você é um bom pagador se levar em consideração o bônus?

SH: O salário base é quase igual ao que outros pagam na área. Os nossos funcionários começarão a ter melhores rendimentos após dois anos. Nos primeiros dois anos nós mantemos o salário baixo. Nós queremos saber se as pessoas estão realmente interessadas em ficar aqui. Inicialmente nós as colocamos em estágio de aprendizagem por um ano e as confirmamos no final do ano com base no desempenho. Durante esse período nós pagamos a elas um salário mínimo. No final do primeiro ano após a confirmação nós damos a elas um bónus de 60%. No final do segundo ano de confirmação nós pagamos 80% e no terceiro ano após a confirmação nós pagamos 100%. Elas realmente começam a ganhar bem depois disso, mas têm que trabalhar pelo menos dois anos antes de perceberem esse benefício. Depois de dois anos, se elas quiserem um emprego com salário maior, elas têm que sair da cidade.

BM: Outra prática que eu ouvi falar na sua organização é que você não acredita em horas extras. Qual é a lógica por trás disso?

SH: Um ser humano deveria trabalhar do nascer do sol até o pôr do sol para a alimentação dele e para as necessidades simples mínimas. Esse é o meu conceito. Se você aceitar esse conceito, então não é possível fazer horas extras ou turnos. Isso também faz muita diferença na saúde dos colaboradores. Eles podem ser verdadeiramente produtivos, ao contrário de organizações que levam os seus funcionários ao limite físico. Longas horas de trabalho não naturais também perturbam a paz de espírito de uma pessoa e muitas vezes levam a estilos e hábitos de vida pouco saudáveis.

BM: Uma das suas (dez) crenças (ver Tabela 1) é que um funcionário deve ganhar salários e não ser pago. O que isso significa?

SH: Tal como explicado anteriormente, a percentagem de bónus que os funcionários pretendem receber depende da relação entre o custo do emprego e a riqueza criada. Eventualmente, o sistema responsabiliza os funcionários pelos seus retornos e, por sua vez, melhora a riqueza gerada por funcionário. Cabe a eles fazer o dinheiro e ganhar o seu salário. A administração apenas criou um mecanismo para distribuir o dinheiro. É por isso que nós acreditamos que os funcionários devem ganhar os salários deles.

Tabela 1

As dez crenças da Polyhydron.

1. O propósito dos negócios é a criação de riqueza (para a nação)

2. Negócios e ética são uma perfeita combinação

3. Excelência e espiritualidade estão relacionadas

4. Cada cliente é um ‘bom pagador (patrocinador, provedor)’ (desde que você não estenda a linha de crédito aberta)

5. Todo funcionário do governo é honesto (desde que você esteja comprometido com negócios limpos)

6. O lucro inclui imposto de renda

7. O sistema de gestão ganha dinheiro, os produtos não

8. Os funcionários devem ganhar salários e não serem pagos

9. A corrupção acrescenta custos e reduz a qualidade

10. Fornecedores, sociedade e natureza não são vacas para serem ordenhadas

Fonte: http://polyhydron.com/ppl_page/index_main_about.htm.

Desafios da liderança na prática da espiritualidade

BM: A sua declaração de missão(14) em seu site diz que você promoverá uma organização gerida de forma ética. É possível você explicar o que é ética em uma empresa?

SH: O parâmetro simples da ética é ‘você gera dinheiro sujo?’ Por geração de dinheiro sujo eu quero dizer criação de riqueza para si mesmo, desviar dinheiro para ganhos pessoais, aproveitar a vida pessoal às custas da empresa, etc. Um de meus amigos disse: se eu estivesse sentado no seu lugar, teria comprado um Mercedes. Eu lhe respondi que embora eu fosse capaz de comprar vários Mercedes sem pedir dinheiro emprestado, eu não necessito deles. As minhas necessidades diminuíram, então eu uso um Reva. O meu status não depende do carro que eu dirijo. Lembro-me de um episódio na vida de Swami Vivekananda. Vivekananda disse certa vez a um Americano que o confrontou nas ruas e o advertiu sobre o seu código de vestimenta que ele não sabia que os alfaiates criavam personalidade na América; em seu entendimento, o caráter fazia a personalidade.

O segundo parâmetro é ‘Você evita impostos?’ Você tenta planejar impostos? Em minha experiência e entendimento, existe uma linha tênue que separa o planejamento tributário da evasão fiscal. Por exemplo, um consultor fiscal pode aconselhá-lo sobre formas de poupar impostos, o que está na fronteira, entretanto eventualmente você terá que encarar as consequências, não a pessoa que deu o conselho. Essas são ocasiões para a liderança demonstrar o quanto acredita na pureza da gestão do negócio.

(14) Para obter mais detalhes, consulte http://polyhydron.com/ppl_page/index_main_about.htm. Último acesso em 5 de fevereiro de 2013.

BM: Deixe-me bancar o advogado do diabo. Uma política como ‘Eu não gerarei dinheiro sujo nem evasão de impostos’ é uma receita clara para o assédio por parte de uma série de autoridades. Como é possível lidar com essas questões de uma maneira que não prejudique a eficiência?

SH: Muito boa pergunta. Você deve ser firme em não pagar subornos e comunicar a mensagem a todos os departamentos quando surgirem oportunidades. Isso requer muita paciência e forte determinação e você não tem que mostrar qualquer sinal de flexibilidade ou medo no que diz respeito à corrupção. Finalmente a mensagem é transmitida. No entanto, nós enfrentamos situações desafiadoras no passado. Nos primeiros dez anos, enfrentamos muitos problemas. Mesmo agora, um processo criminal está sendo aberto contra a Polyhydron porque nós temos nos recusado a subornar. Alguém tem que ser financeiramente forte também para lidar com essas situações. Finanças e espiritualidade podem ser complementares, elas podem ajudar-se mutuamente.

Além disso, os sacrifícios que você tem feito por tanto tempo não serão em vão. Eu tenho recentemente obtido crédito a partir do governo dentro do prazo estipulado sobre impostos especiais de consumo e impostos sobre vendas para exportação no valor de Rs. 66,5 milhões sem pagar nada. Nós temos também estabelecido esse tipo de relacionamento e valores com a maioria dos departamentos governamentais ao longo do tempo.

BM: Uma de suas dez crenças fundamentais é que o crescimento exige muito sacrifício por parte da gestão e renúncia à mentalidade de propriedade. O que você quer dizer com renúncia à mentalidade de propriedade e como você a pratica?

SH: Nós deveríamos trabalhar como se fôssemos trustees(*) e não como proprietários. Se eu disser que eu sou proprietário, eu sou capaz de fazer qualquer coisa com a riqueza que nós criamos. E eu usaria isso para adquirir coisas e aproveitar a vida. Quando você é um trustee, você aceita que você deve fazer essa organização crescer. Você tem que abandonar práticas como desviar dinheiro, criar dinheiro sujo, evasão fiscal e assim por diante. Então o dinheiro permanecerá no negócio e isso ajudará você a crescer. Todo o dinheiro que nós ganhamos têm permanecido no negócio. Ao longo dos anos, eu tenho percebido que um negócio tão livre é um negócio em rápido crescimento. Caso contrário, metade da riqueza criada é retirada pelos institutos financeiros para o serviço das suas dívidas e assim por diante.

[(*)Obs.: Trustee é uma pessoa física ou entidade jurídica, a qual deve administrar os bens em favor dos beneficiários, de forma legal e transparente, realizando investimentos produtivos. Os principais deveres do trustee são: Administração dos bens em prol dos beneficiários; Realização de investimentos produtivos, maximizando os ganhos dos beneficiários; Identificação dos direitos e bens do trust, segregadamente dos bens do trustee; Prestação de contas e de informações; Distribuição dos bens e rendimentos; Diversificação dos investimentos, respeitando a finalidade do trust; Agir igualmente em prol de todos os beneficiários; Não delegação da administração dos bens a terceiros. Fonte: pesquisas internet]

BM: Como você define então o diretor administrativo (MD – Managing Director) dessa organização? Você é dono dessa empresa ou não?

SH: Eu sou o funcionário número um dessa organização. Isso é tudo. A propósito, eu sou chamado de MD. Como um funcionário dessa empresa, todas as regras e regulamentos também se aplicam a mim. Se eu não usar o uniforme ou calçado aprovado no chão de fábrica, eu serei multado como qualquer outra pessoa. Nós temos a segunda geração sendo introduzida no negócio agora.

Espera-se que eles sigam os nossos passos. Tecnicamente, eles não são os proprietários no momento. Eles não possuem uma única ação. Eles são funcionários puros. Não nos comportamos como se nós fôssemos proprietários, nós pensamos em nós mesmos como funcionários. Quando eu não estou, cabe a eles seguirem os meus passos ou não. Eles viram os resultados e o respeito que nós temos conquistado na sociedade, então isso cabe a eles.

BM: Quais são as implicações, a longo prazo, da ética e da espiritualidade na gestão de topo, nos funcionários, nos clientes, nos fornecedores, no governo e nas outras pessoas que nos rodeiam?

SH: A primeira coisa é que você é respeitado na sociedade. Em segundo lugar, à medida que você vem a ser mais espiritual, você vem a ser menos apegado. Isso permite uma forma muito equilibrada de conduzir os negócios.

Quando você se apega, você tem medo de perder algo e a sua mente fica perturbada. Uma mente perturbada ou com medo tem maior propensão a tomar decisões erradas. Quando você vem a ser mais espiritual, a sua mente fica calma e tranquila e a qualidade das decisões é melhor. Mesmo que ocorra um equívoco, você não se preocupa com isso e aceita isso como parte do jogo. Quando você vem a ser espiritual, você não julga muito as pessoas. O negócio é uma transação e você segue o seu próprio caminho depois de concluído.

Uma de nossas crenças é ‘Todos os funcionários do governo são honestos’. Quando eu não pago suborno, por que eu deveria chamá-los de desonestos? Da mesma forma, nós acreditamos que todos os clientes são bons pagadores (patrocinadores, provedores). Eu não dou nenhum crédito a eles. Então, por que eu deveria chamá-los de mal pagadores (patrocinadores, provedores)? Eles me pagam primeiro e depois levam os materiais. Então, eles são bons pagadores (patrocinadores, provedores).

BM: Então você não dá nenhum crédito?

SH: Não, exceto para três ou quatro clientes, não damos crédito a ninguém. As pessoas têm que pagar adiantado e levar o material. Se não houver dinheiro na conta do cliente no momento da cobrança, cobraremos 1% a mais. Alternativamente, se houver mais dinheiro na conta do que o valor da fatura, damos 1% de desconto. Se for menor que o valor do faturamento, damos 1% de desconto sobre o saldo credor disponível na conta. Agora, quase 99% dos meus clientes garantem que o dinheiro esteja lá antes de o faturamento ser feito. Nenhum acompanhamento é necessário. Esse é outro problema da indústria. As pessoas gastam dinheiro e tempo em viagens, telefonemas e correspondência. Tudo isso foi simplificado no meu negócio. Não há pessoas designadas para acompanhar os pagamentos.

BM: Quão desafiador é o planejamento de sucessão para essa empresa, dada a sua formação e os sistemas de valores baseados na espiritualidade?

SH: Nós crescemos através de muito trabalho e sacrifício. Tudo isso culminou no que o grupo Polyhydron é hoje. Nós sentimos que nós não podemos desistir amanhã e desistir da (abandonar a) empresa. Nós estamos tentando entregar o manto bem devagar. O processo pode levar mais três ou quatro anos. A próxima geração tem entusiasmo. Eles têm ideias diferentes das nossas. A cultura deles necessita ser absorvida pela configuração aqui e isso leva tempo. Eu estou trabalhando 8 horas por dia no processo de entrega, aceleração e passagem do bastão.

BM: É aqui que a sua espiritualidade entra em jogo. Em algum momento você tira as mãos.

SH: Sim. À medida que eu cresço em minha espiritualidade, eu ficarei desapegado. Então, se alguma coisa der errada, eu não serei incomodado. Eu tenho começado a praticar o desapego. Eu estou em um nível diferente de espiritualidade. Eu não fico muito perturbado com muitas coisas agora.

Assimilando a espiritualidade nos negócios: questões e implicações

BM: Então, a partir do que conversamos até agora, parece que ser puro, ser simples e ser honesto pode realmente fazer sentido nos negócios. Por que é que as pessoas não estão ficando interessadas nisso?

SH: Isso é uma escolha entre uma Mercedes e Sumo ou um Indica. Empréstimos estão disponíveis para todos os três. Quanto mais simples for a sua escolha, menor será o seu passivo. Finalmente, isso se resume a uma escolha pessoal de vida que permite ou não o progresso em direção à espiritualidade.

BM: Se alguém está no mundo dos negócios e está interessado em seguir a ética e a espiritualidade, por onde deve esse alguém começar, quanto tempo leva e que tipo de coisas deve alguém fazer?

SH: Há algum tempo, um industrial de Kolhapur veio até mim com perguntas semelhantes. Ele veio até mim duas vezes. Na terceira vez ele veio com a sua equipe. Aí eu disse a ele, antes de você trazer a sua equipe para cá, primeiro você tem que mudar a si mesmo. Você tem que tornar o seu sistema transparente. Em primeiro lugar, pare de gerar dinheiro sujo. Pare de sonegar impostos. Faça com que tudo seja transparente. Se isso for possível, só então você começa.

Você não pode dizer que darei bônus de cem por cento à minha equipe, entretanto não me pergunte quanto dinheiro eu faço. Isso não é transparência. Você não pode escolher alguns recursos daqui e misturá-los. Isso não é espiritual. Você tem que ser cem por cento verdadeiramente transparente. Você não pode dizer que o direito à informação é aplicável até certo ponto e não além disso. Você não pode alegar compulsões comerciais ou responsabilidade perante os acionistas e outras razões semelhantes para comprometer a transparência. Se você não é capaz de ser totalmente transparente, é melhor não entrar nisso. O primeiro requisito é a disciplina, o próximo é a transparência.

BM: Então você diz que há muito investimento pessoal do líder, para começar. O líder tem que passar primeiro pela transformação. Supondo que alguém passou no teste decisivo e demorou algum tempo, o que vem a seguir?

SH: Depende da taxa com que você simplifica os seus processos e faz com que eles sejam transparentes. Se você é capaz de fazer isso em dois anos você é capaz de obter os resultados em dois anos. Você tem que mudar a mentalidade do seu pessoal, eles têm que aceitar o sistema. Se isso leva quatro anos, então isso levará quatro anos para obter os resultados. Você tem que ser paciente, já que você está em um longo caminho a percorrer. Você tem que confiar um no outro.

BM: O que isso significa confiar?

SH: Deixe o trabalho para ele e acredite que ele o fará. Não supervisione. Permita que ele falhe. Confiar significa permitir que ele falhe. Dê essa garantia. Eu darei um exemplo simples. Ao contrário de outras organizações onde todas as coisas são encaminhadas aos superiores, os meus funcionários têm instruções claras para responder perguntas e dizer a verdade. Se um funcionário do governo vier e pedir uma informação específica a um dos meus funcionários, o funcionário tem que contar a verdade ao funcionário do governo. Se ele fala a verdade e se há um passivo, a empresa paga por isso. Se ele mente e há um passivo, o funcionário paga por isso. Agora, por que o funcionário deveria mentir? Quando o proprietário ou o líder impõe uma prática e um sistema como esse, o funcionário ganha confiança. Eu estou pronto para assumir a responsabilidade se o meu funcionário fala a verdade.

BM: Se uma organização tenta tornar-se espiritual, quais aspectos mudarão? Como é possível alguém saber se uma organização está no caminho da espiritualidade?

SH: Isso é muito simples. Você é capaz de ver isso na escada – disciplina, simplicidade, transparência e assim por diante. Você começará a visualizar de forma diferente. Por exemplo, em nossa organização, nenhum dos cinco edifícios tem grades nas janelas. Nós também temos simplificado bastante as nossas necessidades de pessoal. Você não encontrará trabalhadores não qualificados e secretárias pessoais aqui como em outras organizações. Muitos desses sinais é possível de serem observados quando há prática da espiritualidade em um ambiente de negócios.

BM: Você pensa que essas ideias serão mais fáceis de praticar em uma empresa pequena e familiar, uma vez que existe algum controle na maneira de fazer as coisas?

SH: Isso depende da sua capacidade e não do tamanho da empresa ou do padrão de propriedade. Tem a ver com o nível de espiritualidade que você alcançou. Konosuke Matsushita fundou a Panasonic, que já foi o maior fabricante de produtos elétricos e ele era um homem espiritual. À medida que você aumenta o seu nível espiritual, a sua capacidade aumenta. Matsushita fala sobre isso. A história da vida dele é altamente inspiradora.(15) Ele estudou até a quarta série, tinha saúde muito debilitada e trabalhava em uma oficina de bicicletas. Ele começou com um único produto e construiu um império ao longo do tempo. Em minha opinião ele alcançou o nível de 50% de espiritualidade. Quando um empresário cresce em sua espiritualidade, o seu império começa a crescer.

No entanto, isso não significa que todas as grandes empresas sejam altamente espirituais. Algumas empresas grandes e aparentemente bem-sucedidas podem ser antiéticas e não ter espiritualidade. Essas são exceções e eu não ficarei surpreso se elas morrerem depois de algumas décadas.

(15) Leitura adicional: Matsushita Leadership [Liderança Matsushita]; 2010; John P. Kotter; Imprensa livre.

Partilhando valores espirituais através de instituições educacionais

BM: Existe um dilema que nós atravessamos no meio acadêmico. É realmente possível ensinar a um estudante de pós-graduação (aos 25 anos) ideias relativas a sistemas de valores, espiritualidade, comportamento moral e ético? Já que você nutriu pessoas que se tem alinhado um pouco ao seu processo de pensamento, qual é a sua opinião sobre isso?

SH: Quantas pessoas virão a ser espirituais? Quantas pessoas ultrapassarão a barreira dos 20% de espiritualidade que eu mencionei? Talvez muito poucos o façam. Não tente fazer com que  as pessoas sejam 100% espirituais. Todos os funcionários estão em níveis diferentes. Deixe-os lá. Deixe-os diminuir ou aumentar por conta própria. Nós necessitamos apenas colocar o modelo de comportamento diante deles. O aumento da espiritualidade faz com que a sua vida seja feliz plenamente, só isso. Você não é capaz de forçar as pessoas. Nós temos um salão de meditação nas instalações da fábrica. Nós nunca forçamos as pessoas a irem para lá. Apenas cinco pessoas vão lá pela manhã. Elas chegam cedo, antes do horário de trabalho, porque elas têm interesse, elas saem do impulso pessoal delas. Você é capaz de fazer uma tentativa semelhante quando isso se trata de ensinar esses tópicos.

BM: Há um interesse generalizado entre as escolas de negócios de que cursos formais têm que ser oferecidos sobre espiritualidade nos negócios. É uma ideia que vale a pena? Se sim, como é possível nós lidarmos para ensinar isso?

SH: Eu acho que há uma tendência em algumas instituições educacionais de ver o processo educacional de um ângulo comercial. A minha opinião franca é que essas organizações com mentalidade puramente comercial não deveriam falar sobre isso. Essas escolas podem não ter pessoas com as qualificações exigidas. Pode haver várias instituições educacionais genuínas. Elas têm que expor os estudantes a valores como simplicidade, transparência. Mesmo que 1% dos estudantes entendam a ideia, o propósito será atendido.

O outro desafio é a pessoa com recursos para ministrar o curso. Se você tem uma disciplina sobre ética e espiritualidade, quem ensinará isso? Não faz sentido se o curso for ministrado por alguém que não pratica esses valores. Mesmo nas instituições de ensino isso começa com a prática, tanto quanto isso é numa organização empresarial.

Hoje em dia, os estudantes ouvem falar de apenas um caminho no último ano. Trata-se principalmente de salários gordos e cálculos de salário bruto + benefícios.

Todas as pessoas andam por esse caminho, correm por ele. Isso é como uma roda da qual não há retorno uma vez que você entra.

Há tanta correria, tanta competição que você tem que continuar correndo, goste ou não. Caso contrário, você será empurrado ou cairá e será pisoteado. O outro caminho sobre o qual eu falo com os estudantes é o caminho menos percorrido – Raja Marga, o caminho espiritual. Existem muito poucas pessoas nesse caminho. Você é capaz de viajar no seu próprio ritmo.

Aproveite a viagem. A relação de 5% e 95% nos dois caminhos sempre se manterá. É natural. Somente o espiritual seguirá o caminho menos percorrido. Outros serão forçados a seguir o caminho competitivo, quer gostem ou não, devido aos antecedentes familiares, às suas responsabilidades, etc. Tais cursos poderiam ser usados ​​para mostrar esses caminhos alternativos aos estudantes.

BM: Obrigado pela conversa muito boa. Tem sido interessante conhecer alguns dos aspectos e perspectivas singulares da espiritualidade e a sua relevância para a gestão empresarial. De cada vez quando há um interesse renovado pela espiritualidade na gestão empresarial, eu tenho a certeza que os nossos leitores irão se beneficiar a partir dessa conversa.

SH: Eu desejo a você tudo de melhor.”

Eu digo que Deus está no nível 100% de espiritualidade. Na minha opinião, para um homem imaculado, o nível de espiritualidade é de 20%. Um homem que está no nível animal está em 0%. Um homem que deseja trilhar o caminho da espiritualidade começa a crescer e dependendo da quantidade de purificação que fizer pode chegar a 25%, 30%, 40% e assim por diante. Se você tem essa foto na sua frente, você pode começar a sua jornada. Onde você chega no final da sua vida é o retorno pelo bom trabalho que você tem feito – Karma yoga.

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Nós lamentamos profundamente informar que o Sr. Suresh Hundre faleceu em 23 de maio de 2013.

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Imagem nicolas-hoizey-2MuZ23gkFKo-unsplash.jpg – 20 de setembro de 2023

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A Espiritualidade nas Empresas trata-se de uma Filosofia cujos Princípios podem ajudar tanto as Pessoas quanto as Organizações.
Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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