O livro Um Curso em Milagres, UCEM ou o Curso, Editora FIP, é um caminho de desenvolvimento espiritual que assume a forma de um curso educacional que consiste em um livro texto (“Texto”), um livro de exercícios para estudantes (“Livro de Exercícios”) e um manual para professores (“Manual de Professores”). A segunda edição também inclui os Suplementos a Um Curso em Milagres: “Psicoterapia: Propósito, Processo e Prática” e “A Canção da Oração”. Essas seções são extensões dos princípios do Curso ditadas à Dra. Helen Schucman logo após a conclusão de Um Curso em Milagres.

2ª Edição em língua portuguesa de Um Curso em Milagres©
Cronograma e Impressões de UCEM – FIP (Em inglês: A Course in Miracles”)

Sobre a Editora do Livro: A missão da Foundation for Inner Peace (tradução livre: Fundação para a Paz Interior) ou FIP é publicar, distribuir e discutir o livro Um Curso em Milagres.

Como diz o Curso: Esse é um curso que te ensina como conhecer a ti mesmo. Tens ensinado o que tu és, mas não tens permitido que o que és te ensine. Tens sido muito cuidadoso em evitar o óbvio e em não ver a relação real de causa e efeito que é perfeitamente evidente. Entretanto, dentro de ti está tudo o que ensinaste. O que será isso que não aprendeu? Tem que ser essa parte que realmente está fora de ti, não por tua própria projeção, mas na verdade. E é essa parte, que levaste para dentro, que não és. O que aceitas em tua mente não a muda na realidade. Ilusões não são senão crenças no que não existe. E o aparente conflito entre verdade e ilusão só pode ser resolvido separando-te da ilusão e não da verdade. T.16.III.4.

Seu objetivo é reeducar nossa percepção básica da realidade e nos ensinar a estender essa nova percepção aos outros, para que ambos possamos dar felicidade e encontrar a felicidade.

Como Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D. nos esclarece: O Curso chegou até nós no nível mais baixo da escada, no nível da forma e do símbolo – é por isso que Jesus se refere a si mesmo com tanta frequência e enfatiza nossa união com ele. Somos todos como crianças. Nenhum de nós cresceu no sentido espiritual. O Curso foi escrito para crianças – não crianças cronologicamente pequenas, mas crianças adultas.

Na Introdução em “Esclarecimento de Termos” de “Um Curso em Milagres” temos a afirmação que esse não é um curso de especulação filosófica, nem se preocupa com uma terminologia precisa. Ele se ocupa somente da Expiação ou da correção da percepção. O meio para a Expiação é o perdão. A estrutura da “consciência individual” é essencialmente irrelevante porque é um conceito que representa o “erro original” ou o “pecado original”. Estudar o erro em si não leva à correção, se queres realmente ter sucesso em não ver o erro. E é apenas esse processo de deixar de vê-lo que constitui o objetivo do curso.

Dra. Judith Skutch Whitson (1931-2021), que foi presidente da Foundation for Inner Peace (tradução livre: Fundação para a Paz Interior) e que esteve diretamente envolvida com o Curso, ao lado da escriba Dra. Helen, do Dr. Bill e do Dr. Wapnick, principais personagens da transcrição, formatação, edição e publicação de Um Curso em Milagres, certa ocasião, durante uma entrevista, ela disse:

“Basicamente, eu poderia chamar o Curso de um sistema metafísico de psicoterapia espiritual, o que é um bocado, eu sei – mas metafísico porque não lida com o mundo da forma; espiritual, porque se dirige ao espírito como uma realidade; psicoterapia, porque fala de cura e nos diz que todos nós precisamos de cura por causa de uma dualidade e que se olharmos além do mundo da forma, seremos capazes de ver e experimentar o que realmente somos, nossa verdadeira natureza, que é espírito.”

Ela também acrescenta:

“E tudo o que temos a fazer é olhar ao nosso redor, para o mundo que chamamos de real e ver quanta cura é necessária. Madre Teresa expressa isso muito bem quando fala de forma muito simples sobre a necessidade de amor no mundo. Ela diz que o mundo está sofrendo de uma terrível epidemia, que se chama privação espiritual. Mas, graças a Deus, ela diz, há um remédio; chama-se amor e é contagioso. E Um Curso em Milagres para mim é um manual definitivo sobre como amar.”

O Curso foi criado por meio de um processo de ditado interno. Dra. Helen Schucman (1909-1981) e Dr. William Thetford (Bill) (1923-1988) eram psicólogos respeitados no topo de sua área, trabalhando no Colégio de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Columbia na cidade de Nova York. No verão de 1965, após anos de conflito entre eles e dentro de seu departamento, Dr. Bill fez um discurso acalorado para Dra. Helen, no qual dizia: “Deve haver uma outra maneira” – uma maneira pela qual as pessoas pudessem cooperar em vez de competir.

Dra. Helen o surpreendeu ao dizer que se juntaria a ele nessa nova abordagem. Foi um raro momento de união para eles, que sabiam ser significativo na época, mas que teve repercussões muito além do que poderiam imaginar.

Ela disse: “Sabe, Bill, acho que você está certo. Não sei qual seria a melhor maneira, mas vou ajudá-lo a encontrar.”

“’Tem que haver um outro jeito!’ Como se eu estivesse esperando este sinal, concordei em ajudar a achá-lo. Aparentemente esse Curso é o outro jeito”. Dra. Helen Schucman.

Como diz o Curso: … Assim, a separação permanece sendo a condição escolhida pelo ego. Pois ninguém sozinho pode julgar o ego verdadeiramente. No entanto, quando dois ou mais se reúnem para buscar a verdade, o ego já não é mais capaz de defender a sua falta de conteúdo. O fato da união lhes diz que ele não é verdadeiro. T.14.X.9.

Outro princípio que estava sendo vivenciando, na prática, naquele exato momento, é o instante santo onde duas pessoas se unem para encontrar uma forma melhor de estar no mundo – ou seja, de curar um relacionamento.

Dra. Helen, uma autoproclamada “ateísta militante”, logo começou a ter uma série de visões internas, sonhos intensos e experiências psíquicas. Isso culminou no outono de 1965, quando ela ouviu uma voz interior dizer-lhe: “Este é um curso de milagres, por favor, tome nota.” Esta mesma voz lhe disse que ela concordou em tomar Um Curso em Milagres como sua contribuição para um plano maior visando restaurar o progresso espiritual da humanidade.

Assim começaram sete anos transcrevendo ([scribing] em inglês) Um Curso em Milagres. Dra. Helen escrevia as palavras da voz interior em cadernos de taquigrafia e, mais tarde, ditava o que escrevera para Bill, que o datilografava. Ela às vezes resistia a tomar ditados e muitas vezes argumentava com o ensino do Curso, mas ela fazia o possível para registrar fielmente o que estava ouvindo.

Apesar de seu ceticismo, o Curso claramente inspirava grande respeito por ela. Em sua autobiografia, ela escreveu sobre “a combinação particular de certeza, sabedoria, gentileza, clareza e paciência que caracterizava a Voz.” Ela e Bill consideravam o Curso um depósito sagrado de que tinham sido encarregados, e Dra. Helen acabou por se referir a isso como o trabalho de sua vida.

Depois que Um Curso em Milagres foi publicado em 1976, ele teve um efeito semelhante nos leitores. Eles, como a Dra. Helen, frequentemente discutiam com ele [o Curso], mas ao mesmo tempo concediam-lhe uma autoridade tremenda e muitos devotavam suas vidas a isso. Desde que foi publicado, o Curso vendeu quase três milhões de cópias.

Tornou-se um clássico espiritual moderno, adquirindo um status de Sagrado aos olhos dos leitores de todo o mundo.

Em primeiro lugar, Um Curso em Milagres é realmente um curso, um programa educacional.

Ele é projetado para conduzir os seus estudantes por um processo de internalização de seu sistema de pensamento [do Curso]. Neste processo, aprendemos a aceitar em nossas mentes e estender aos outros o que o Curso chama de milagres, que curam a percepção de quem os recebe. Cada um dos três volumes do Curso significa uma fase diferente neste processo geral.

Os volumes não precisam ser feitos em ordem, mas eles são organizados em uma sequência lógica que reflete a progressão geral que o Curso parece esperar que os estudantes passem.

O Texto é o primeiro, mais longo e importante volume. Fornece a “fundamentação teórica” do Curso. O Texto é uma obra-prima do pensamento espiritual. À medida que nos guia por centenas de tópicos, os significados que atribuímos ao mundo começam a desaparecer, revelando um novo significado em tudo. Isso acontece até no nível da linguagem. O Curso usa termos familiares, mas os preenche com um novo significado, tornando cada termo um microcosmo de seu sistema de pensamento. Como resultado, o Texto não é uma leitura fácil.

Para colher seus frutos, temos que realmente nos envolver com ele. O Curso nos pede para ler suas palavras lenta e cuidadosamente, pensando sobre o que significam. Ele nos pede para tomá-las pessoalmente e tratá-las como práticas, mais do que um jogo intelectual. Se fizermos isso com o Texto, experimentaremos nossa velha cosmovisão sendo lentamente desmontada e uma nova cosmovisão surgindo em seu lugar.

O estudo do Texto é a primeira fase do programa do Curso. É aqui que o sistema de pensamento do Curso inicialmente entra em nossas mentes. Este é apenas o começo do processo, mas é a base para tudo o que se segue.

O segundo volume, o Livro de Exercícios, contém 365 lições, uma para cada dia do ano. Em cada lição (com exceção das aulas de revisão), pegamos uma única ideia do Curso e a praticamos de maneiras específicas ao longo do dia. À medida que a aplicamos a nós mesmos, aos outros e às nossas situações e eventos diários, nossa percepção muda e passamos a ver com novos olhos. Sentimos paz onde antes sentíamos ansiedade e agitação.

Por fim, aprendemos a nos envolver cada dia em paz, de modo que comecemos o dia em um estado de paz, renovemos essa paz ao longo do dia, a recuperemos quando for abalada e terminemos o dia descansando nessa mesma paz. A serviço desse objetivo, o Livro de Exercícios nos ensina uma variedade de práticas diferentes, incluindo seus próprios métodos de meditação e oração.

O Livro de Exercícios, então, é realmente um programa de treinamento prático do sistema espiritual do Curso. Embora tenha sido planejado como um programa de um ano, tem como objetivo nos estabelecer um hábito vitalício de prática espiritual, para nos conduzir a um novo modo de vida interior.

A prática do Livro de Exercícios é a segunda fase do currículo do Curso. Por meio da prática, as mesmas ideias que aprendemos no Texto tornam-se mais profundamente internalizadas. Eles se tornam cada vez mais as lentes através das quais vemos e a fonte do que sentimos.

O Manual de Professores, embora possa ser lido por qualquer estudante, foi escrito para aqueles que concluíram o Livro Texto e o Livro de Exercícios e que agora estenderão o sistema de pensamento do Curso a outros.

O Manual de Professores concentra esta extensão em duas formas. A primeira forma é a do professor de estudantes, em que um aluno mais experiente do Curso desempenha o papel de mentor, orientando habilmente o aluno ao longo do percurso do Curso. Este é aparentemente o método preferido do Curso para ensinar e aprender seu currículo.

A outra forma é a de um curador que vai até às pessoas com problemas de saúde e ilumina suas mentes com o poder de cura do perdão. Estender-se a outras pessoas pode assumir muitas formas além dessas, mas a sua essência é simplesmente dar amor, geralmente de maneiras muito comuns.

A extensão é a terceira e última fase do programa do Curso. Aqui, pegamos o mesmo sistema de pensamento que estudamos no Texto e praticamos no Livro de Exercícios e o estendemos a outros na forma de expressões de amor. Isso nos beneficia tanto quanto a eles, pois quando damos uma ideia (como o amor), fortalecemos sua presença em nossas próprias mentes.

Como o Curso diz: Tudo o que você ensina, você está aprendendo. Ensine apenas o amor e aprenda que o amor é seu e você é amor. T-6.IV.7:7-8.  Através de nossa extensão, o sistema de pensamento do Curso recebe seu reforço final em nós, de forma que finalmente comanda nossa crença total. Como o Curso diz: Pois dar e receber é a mesma. T.26.I.3:6. Dar e receber são um só na verdade. LE.108.

O novo mundo de significado que encontramos pela primeira vez no Texto tornou-se agora o único significado que vemos em nós mesmos e em todas as coisas.

A 2ª Edição do Um Curso em Milagres tem 1.454 páginas e veremos que, ao estudarmos o Curso, uma das razões pelas quais é tão longo é que, embora a verdade possa ser simples e consistente, o nosso ego não o é – e ele precisa ser desfeito gradualmente.

O ensinamento

Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D., explica que Um Curso em Milagres (UCEM) é escrito em dois níveis, I e II.

As passagens do Nível I discutem os contrastes entre a Mente Única e a mente separada; i.e. entre Deus-Céu-Cristo-Mente e o sonho da separação. As passagens de nível I são declarações absolutas e intransigentes. Por exemplo: O Céu não é um lugar nem uma condição. É meramente uma consciência da perfeita Unicidade e o conhecimento de que nada além disso existe, nada fora dessa Unicidade e nada mais dentro dela. T-18.VI.1:5-6

As passagens do Nível II discutem os contrastes entre as separadas mente certa e mente errada. Normalmente, as passagens do Nível II são discussões do processo, especialmente o processo de perdão, como: O perdão olha gentilmente para todas as coisas desconhecidas no Céu, as vê desaparecer e deixa o mundo como uma lousa limpa e sem marcas, e que o Verbo de Deus pode agora substituir os símbolos sem sentido lá escritos anteriormente. LE-p1.192.4.1.

Esses diferentes níveis de discurso devem ser notados durante a leitura do Curso. Caso contrário, ocorrerá a confusão das declarações de Jesus sobre Deus e o Céu e as passagens que se referem ao nosso sonho separado. Isso leva a mal-entendidos sobre o novo ensino de Jesus. Também é crucial notar quais passagens são metáforas e quais devem ser interpretadas literalmente.

Um Curso em Milagres distingue dois mundos: Deus e o ego, conhecimento e percepção, verdade e ilusão. A rigor, todos os aspectos do mundo da percepção pós-separação refletem o ego. No entanto, o Curso subdivide ainda mais o mundo da percepção em mente errada e mente certa. Dentro dessa estrutura, o Curso quase sempre usa a palavra “ego” para denotar a mente errada, enquanto a mente certa é o domínio do Espírito Santo, que ensina o perdão como a correção para o ego. Assim, podemos falar de três sistemas de pensamento: a unicidade, que pertence ao conhecimento e a errada e a certa, que refletem o mundo da percepção.

O Curso está falando no nível do símbolo. É extremamente importante, enquanto lemos o Curso, não confundir realidade e ilusão, não confundir símbolo com a realidade além do símbolo. A realidade além do símbolo não pode ser expressa em palavras nem ensinada. Portanto, precisamos de um conjunto de símbolos. Mas não queremos tornar os símbolos realidade. É isso o que as igrejas têm feito há dois mil anos. Não queremos transformar os símbolos em realidade e adorar o símbolo – senão, ficamos presos no símbolo.

O Curso contrasta repetidamente conhecimento e percepção. Conhecimento é usado quase exclusivamente para denotar o estado do Céu. Não é o conhecimento de algo. É o Conhecimento que é a consciência da unidade de Deus e Cristo – não há um “Eu” que esteja ciente do outro.

Este não é um curso sobre a verdade. Se fosse sobre a verdade, não seria um curso. A verdade nunca é ensinada – a verdade não pode ser aprendida. A ilusão é o que ensinamos a nós mesmos e, portanto, a ilusão é o que precisamos desaprender. Quando a ilusão é desaprendida, a verdade que sempre existiu sobra.

A verdade já está presente em nós – só precisamos nos lembrar dela.

O Curso foca-se em nossos pensamentos, não nas suas manifestações externas que são realmente projeções desses pensamentos. Como diz o Curso: Este é um curso de causa e não de efeito. T-21.VII.7:8. Portanto, não busques mudar o mundo (efeito), mas escolhe mudar a tua mente (causa) sobre o mundo. T-21.In.1:7.

Na Introdução em “Esclarecimento de Termos”, de Um Curso em Milagres, temos a afirmação que esse curso permanece dentro da estrutura do ego, onde ele é necessário. Não se ocupa do que está além de todo o erro, porque está planejado somente para estabelecer a direção nesse sentido. Por conseguinte, usa palavras que são simbólicas e não podem expressar o que está além dos símbolos. É só o ego que questiona porque é só o ego que duvida.

O Curso nos ensina que o ego falou primeiro e está errado e que o Espírito Santo é a Resposta. T-5.VI.3:5; T-5.VI.4:2

O curso apenas dá outra resposta, uma vez que tenha sido levantada uma questão. No entanto, essa resposta não tenta apelar para a inventividade ou para a engenhosidade. Esses são atributos do ego. O curso é simples. Tem uma função e uma meta. Só nisso ele é completamente consistente, porque só isso pode ser consistente.

O ego vai pedir muitas respostas que esse curso não dá. Ele não reconhece como perguntas a mera forma de uma pergunta à qual é impossível dar uma resposta. O ego pode perguntar: “Como ocorreu o impossível?”, “Para que aconteceu o impossível?” e pode perguntar isso de muitas formas. Entretanto, não há nenhuma resposta, apenas uma experiência. Busca somente isso e não deixes que a teologia te atrase.

Um Curso em Milagres oferece uma perspectiva única sobre a realidade, a condição humana e o caminho para a felicidade. O que se segue é uma tentativa de condensar sua grande sinfonia de ideias em um breve resumo.

A base para tudo no Curso é o seu conceito de um Deus que ama incondicionalmente. Embora Deus não tenha gênero, o Curso descreve Deus como sendo o Pai perfeito – puramente amoroso, sem o menor traço de raiva – apenas expandido ao infinito.

O Curso é único como sistema espiritual porque é muito claro sobre a pureza absoluta de Deus e Seu Amor – Deus não tem nada a ver com nada irreal ou ilusório. Ao mesmo tempo, o Curso nos dá um sistema de pensamento muito prático e um caminho espiritual muito prático que nos encontra onde acreditamos que estamos – no mundo da forma.

Antes que o tempo começasse, esse Pai amoroso nos criou como Seus filhos amados. Ele derramou todos os Seus atributos, todo o Seu ser em nós, para que fôssemos exatamente como Ele – sem ego, sem limites e repletos de um amor imparcial e abrangente. Ele nos criou sem corpos, sem quaisquer limites para nos separar Dele.

Assim, existíamos em uma unidade ilimitada com Deus e uns com os outros, desfrutando de um amor Dele que excede nossa compreensão atual.

Como o Curso diz sobre este amor: Não há nada na terra que possas comparar a isso e nada do que jamais sentiste, à parte Dele, se parece com isso nem de leve. T-14.IV.8:5.

O que aconteceu então? Como diz o Curso: Na eternidade, onde tudo é um, introduziu-se uma ideia diminuta e louca, da qual o Filho de Deus não se lembrou de rir. T-27.VIII.6:2.

Pensamos que poderíamos seguir nosso próprio caminho, que poderíamos estar acima dos outros Filhos e até acima de Deus. Isso era impossível, pois toda a realidade está imutavelmente mantida sob o poder da autoria de Deus. E então retiramo-nos para um sonho de separação. Sonhamos coletivamente com um universo inteiro no qual todos estavam separados, lutando egoisticamente uns com os outros e trancados dentro de corpos vulneráveis ​​que envelheceram e morreram.

O Curso ensina que o mundo do tempo e do espaço não foi criado por Deus: Ele não é louco. No entanto, só a loucura faz um mundo como esse. LE-152.6:6-7. Ele também ensina que, por mais sólido que este mundo possa parecer, ele não é verdadeiramente real.

Isso pode parecer desanimador à primeira vista, mas na verdade é uma notícia maravilhosa, pois significa que o Céu continua sendo a única realidade e que este mundo de dor nunca realmente aconteceu. Do ponto de vista final, é ridículo pensar que poderíamos realmente deixar Deus e fazer um mundo à parte Dele.

Portanto, temos uma base racional para nos sentirmos livres de tudo o que fizemos e de tudo o que nos foi feito, pois estamos livres disso.

Nós, no entanto, acreditamos que este mundo é real e, portanto, todos os nossos esforços são voltados para reorganizar as suas circunstâncias. Nós perseguimos posses, dinheiro e poder. Procuramos aquela pessoa especial que nos fará felizes. Nós esbanjamos atenção ao nosso corpo – sua aparência, seu prazer, seu conforto e sua segurança. No entanto, nada disso realmente funciona. Tudo isso apenas perpetua o problema real, que permanece sem solução.

Importante mencionar que Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D., no livro “Os cinquenta princípios dos milagres de Um Curso em Milagres”, também nos esclarece que a meta do Curso não é nos despertar do sonho. A meta é transformar o pesadelo em um sonho feliz. No sonho feliz, nós ainda estamos vivendo dentro desse mundo de ilusão, o mundo de corpos separados, mas não estamos mais projetando qualquer culpa nele. Isso é viver nesse mundo com o que é chamado de “percepção verdadeira”. É isso que o Curso chama de “mundo real”: é um mundo totalmente sem pecado em nossas mentes. Essa é a meta do Curso. Então, ele diz que o Próprio Deus dá o último passo e é isso que finalmente nos desperta do sonho por inteiro. Mas o foco de Um Curso em Milagres é nos ajudar a viver nesse mundo, que é um mundo do corpo, mas sem projeções de culpa.

O verdadeiro problema não está no mundo; está em nossa mente. O problema é o que o Curso chama de ego. O ego nada mais é do que uma falsa crença sobre nossa identidade. É a crença de que estamos separados, sozinhos e por conta própria. O ego é egocêntrico. Seu modo básico é o ataque, tanto na forma de pensamentos de ataque (por exemplo, julgamento e condenação) quanto de comportamentos de ataque.

A meta real no nível prático do Curso não é ficarmos livres de problemas, mas reconhecermos o que eles são, para depois reconhecermos os meios para desfazê-los dentro de nós.

Mais uma vez, de forma muito clara, o propósito de Um Curso em Milagres é trazer à tona o sistema de pensamento do ego e o sistema de pensamento do Espírito Santo—a nossa mentalidade errada e a nossa mentalidade certa—para assim nos habilitar a optar contra a mentalidade errada e a favor do perdão e do Espírito Santo.

Em trecho retirado do Workshop realizado na Fundação para Um Curso em Milagres em Temecula-CA pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D., temos a didática explicação sobre o que é o curso, importante para o nosso entendimento e a nossa reflexão:

“Dentro da estrutura do ego em que o Curso chega até nós, há alguns pontos que vale a pena comentar mais. Primeiro, embora o ego seja realmente uma parte de nossa mente dividida, há valor em falar dele como se estivesse separado de nós. É útil pensar que existem duas vozes dentro da mente.

Algumas vezes eu falei sobre a mente dividida como tendo três partes – o ego, o Espírito Santo e a parte de nossas mentes que escolhe entre eles. Na realidade, é tudo um só, porque não há tempo – nenhum passado, presente ou futuro linear – e nada realmente separado. Mas porque acreditamos que estamos separados e acreditamos que existe um passado, um presente e um futuro, é útil pensar na mente como uma sala de aula na qual escolhemos qual professor vamos ouvir.

Uma vez que todos nós crescemos (nos tornamos adultos ou maduros), quer tenhamos consciência disso ou não, acreditando apenas no ego e acreditando que somos quem somos – separados, pecadores, culpados, irados, viciosos, deprimidos, pessoas solitárias, é útil ter a ilusão de outro pensamento ou outra pessoa dentro de nós que representa outra coisa. Enquanto acreditarmos que estamos dentro do mundo das ilusões, dos sonhos e dos símbolos, temos que trabalhar com isso – mas não porque sejam reais. No final, reconheceremos que é tudo um só.

O segundo ponto é entender que o uso da palavra Deus pelo Curso, ao invés de apenas palavras impessoais como verdade, realidade, unidade, conhecimento, etc., é deliberado. O objetivo do Curso é elevar à nossa consciência todas as associações negativas que temos de Deus – Deus como um homem punitivo, como um pai punitivo e assim por diante, para que possamos perdoá-lo. É por isso que o Curso vem em idioma judeu-cristão, onde Deus é muito visto como um pai masculino. E a identidade de Jesus é central para o Curso, por causa de toda a falta de perdão que as pessoas – tanto judeus quanto cristãos – têm com ele. Portanto, o Curso traz todos os preconceitos e rejeições, todas as dores e todos os medos, para que possamos olhar para eles.

Devo acrescentar que o conceito de Deus sobre o qual estamos falando não é o que o Deus real é – estamos falando sobre o que o ego fez do Deus real. E então o Curso usa nomes que cresceram com todos no mundo ocidental – sejam judeus ou cristãos. Basicamente, é o falso Deus que devemos perdoar. No Curso, Jesus, referindo-se a si mesmo, em um ponto, fala dos ídolos amargos que foram feitos dele (ET-5.5:7). Quando pensamos em Jesus, todos os ídolos amargos surgem – o Jesus que acreditava em perseguição, sacrifício e morte, exclusão e especialismo, etc..

Uma linha maravilhosa, encerrando uma seção sobre o especialismo, diz: “Perdoa ao teu Pai por não ter sido Sua Vontade que sejas crucificado” (T-24.III.8:13). Basicamente poderíamos dizer a mesma coisa sobre Jesus – perdoa Jesus, pois não foi sua vontade que sejamos crucificados.”

Tentamos encobrir nossos ataques com sorrisos, mas a intenção básica dos ataques ainda é tirar dos outros – o autorrespeito deles, suas posses, seu status, sua inocência – para o nosso próprio ganho. Tudo o que realmente recebemos, entretanto, é um fardo esmagador de culpa. Com o tempo, nossos “pecados” se acumulam, de modo que acabamos arrastando nossos erros passados ​​para trás como correntes pesadas.

No fundo do nosso inconsciente, acreditamos que contaminamos irremediavelmente nossa inocência original, que fizemos do Filho de Deus um demônio. LE-101,5:3. Essa crença é a causa oculta de todo o nosso sofrimento, pois é uma afirmação constante de que merecemos sofrer, como punição pelo que fizemos.

O Curso coloca isso sem rodeios: A culpa é … a única causa da dor em qualquer forma. T-30.VI.2:1.

Em uma tentativa desesperada de nos livrarmos dessa culpa, nós a projetamos para fora. Agora, a culpa que vemos dentro parece estar fora de nós, espreitando em todos que encontramos. E agora a dor que é realmente causada de dentro (pela culpa) parece vir de fora, de uma série de pessoas insensíveis e eventos calamitosos.

Por meio da projeção, nos vemos como uma boa pessoa cercada por um mundo cruel, um mundo repleto de ameaças potenciais. Portanto, vivemos em um estado de medo, imaginando de onde virá o próximo ataque. O que não percebemos é que a verdadeira fonte de nosso medo é nossa própria culpa. Temos medo de que nossos “pecados” acabem nos alcançando.

Por mais desesperador que pareça este cenário, o Curso ensina que há uma saída do ego e de todo o sofrimento que ele traz. Esse caminho envolve uma transformação de nosso pensamento, uma transformação que assume principalmente a forma de uma mudança radical em nossa percepção dos outros. Começamos percebendo que nossa visão atual dos outros, longe de ser uma verdade objetiva, é o produto de dinâmicas ocultas em nossas próprias mentes.

Outras pessoas são radicalmente diferentes dos seres que percebemos que são. Nós os vemos como pecadores que roubaram nossa felicidade, mas isso é apenas porque projetamos neles o sentimento de pecaminosidade dentro de nós que realmente nos roubou a felicidade. Nós os vemos como corpos minúsculos contendo personalidades mesquinhas, mas na verdade eles são algo infinitamente maior.

Eles são os ilimitados Filhos de Deus, que ainda são puros e santos como no instante em que Deus os criou. Se pudermos apenas retirar nossas projeções e ver as aparências externas do passado, veremos nos outros, como o Curso coloca, uma beleza que vai encantar-te e que nunca cessará de te maravilhar pela sua perfeição. T-17.II.2:6. E a beleza que vemos neles, então reconheceremos em nós mesmos.

Essa mudança de percepção é chamada de perdão, mas é um tipo de perdão muito diferente daquele a que estamos acostumados. No Curso, primeiro não presumimos que outra pessoa realmente mereça nossa raiva e depois vamos em frente e a “perdoamos” de qualquer maneira. Em vez disso, percebemos que nossa raiva se baseia em uma percepção equivocada dela e, portanto, deixamos essa percepção ir. Em outras palavras, perdoamos ao perceber que não há nada a perdoar. T-15.VIII.1:7.

Esse tipo de perdão é tão desprovido de ego que, em nosso estado vinculado ao ego, precisamos da ajuda do Espírito Santo, a Voz por Deus no sonho, para completá-lo. É Ele Quem, em um instante santo, realiza o milagre do perdão dentro de nós. Porém, como esse perdão não tem ego, sua escolha nos ensina que não temos ego. Se errar é humano e perdoar divino, então nosso perdão nos mostra que somos divinos.

Por meio do perdão, começamos a nos relacionar com os outros de uma nova maneira. Em vez de tirar deles para atender às nossas necessidades, estendemos ajuda e cura para o benefício de suas necessidades. Pegamos o amor que surge em nós por meio do perdão e o expressamos de maneira útil. Este, de fato, é o significado principal da palavra “milagre” no Curso: uma expressão de amor que cura a percepção do outro – que é o que o amor sempre faz. À medida que nosso amor se aprofunda, fazer milagres passa a ser nossa função, nosso propósito de vida.

Um tema principal do Curso em termos de seu processo é que vemos a face de Cristo uns nos outros – o que significa que perdoamos – e então a memória de Deus surge em nossa mente (por exemplo, ET.3.4:1; ET.5.2:1). A memória de Deus já está em nossas mentes, mas nós a esquecemos.

É por isso que este é um Curso para perdoar e desfazer a culpa por meio do milagre.

Eu sou a luz do mundo, diz o Livro de Exercícios. Essa é a minha única função. É por isso que estou aqui. LE-61.5:3-5.

O Curso está dizendo que o mundo não pode ser levado a sério.

…continua Parte II…

Bibliografia da OREM3:

1) Livro “Um Curso em Milagres” – Livro Texto, Livro de Exercícios e Manual de Professores. Fundação para a Paz Interior. 2ª Edição –  copyright© 1994 da edição em língua portuguesa.

2) Artigo “Helen and Bill’s Joining: A Window Onto the Heart of A Course in Miracles” (tradução livre: A União de Helen e Bill: Uma Janela no Coração de Um Curso em Milagres”) – Robert Perry, site: https://circleofa.org/

3) E-book “What is A Course in Miracles” (tradução livre: O que é Um Curso em Milagres) – Robert Perry.

4) E-book “Autobiography – Helen Cohn Schucman, Ph.D.” – Foundation for Inner Peace (tradução livre: Autobiografia – Helen Cohn Schucman, Ph.D., Fundação para a Paz Interior).

5) Livro “Introdução Básica a Um Curso em Milagres”,  Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

6) Livro “O Desaparecimento do Universo”, Gary R. Renard.

7) Livro “Absence from Felicity: The Story of Helen Schucman and Her Scribing of A Course in Miracles” (tradução livre: “Ausência de Felicidade: A História de Helen Schucman e Sua Escriba de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

8) Artigo “A Short History of the Editing and Publishing of A Course in Miracles” (tradução livre: Uma Breve História da Edição e Publicação de Um Curso em Milagres” – Joe R. Jesseph, Ph.D. http://www.miraclestudies.net/history.html

9) E-book “Study Guide for A Course in Miracles”, Foundation for Inner Peace (tradução livre: Guia de Estudo para Um Curso em Milagres, Fundação para a Paz Interior).

10) Artigo “The Course’s Use of Language” (tradução livre: “O Uso da Linguagem do Curso”), extraído do livro “The Message of A Course in Miracles” (tradução livre: “A Mensagem de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.

10) Artigo “Theory” (adapted from the Glossary-Index for A Course in Miracles,  Fourth Edition) (tradução livre: “Teoria” (adaptado do Índice-Glossário de Um Curso em Milagres, Quarta Edição) https://facim.org/online-learning-aids/theory/ – Kenneth Wapnick, Ph.D.

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Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

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Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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