Um pecado diz que você é culpado e deve ser punido. Um erro diz que você é completamente inocente e só precisa fazer melhor da próxima vez.” Robert Perry.

…continuação da Parte I…

Robert Perry, professor de Deus e divulgador de UCEM, esclarece-nos sobre o tema “pecado” em seu artigo “There is no sin” (tradução livre: “Não há pecado”), que transcrevemos trechos, em tradução livre, para o nosso entendimento sobre o sistema de pensamento do Curso.

O artigo completo em inglês pode ser acessado através do site https://circleofa.org/library/there-is-no-sin/

Não há pecado

Robert Perry inicia o artigo afirmando que a maioria de nós não usa muito a palavra “pecado”; tem um tom bastante desagradável. Mas o conceito, assim pensa o autor, está profundamente enraizado em nossa psique.

O autor do artigo então prossegue:

“O que é pecado? Eu não sou versado em tratamentos teológicos disso, mas eu penso que tenho uma boa compreensão do conceito popular, aquele alojado em nossa psique. Esse conceito me parece ter três elementos.

Primeiro, o pecado geralmente tem uma dimensão interpessoal. Nós pecamos contra o nosso próximo. A ideia é que existe algo egoísta em nós que busca ganhar às custas dos outros. Nós machucamos o nosso irmão para nos ajudar.

Segundo, o pecado é a violação das leis de Deus. Como tal, o nosso pecado não prejudica apenas o nosso irmão, mas também prejudica o nosso relacionamento com Deus. O que quebra as leis de Deus também quebra o relacionamento com ele.

Se Deus é santo, então o que é pecaminoso não pode permanecer com ele. O pecado, portanto, cria um abismo enorme entre nós e o nosso Criador, deixando-nos no frio, longe do calor de Sua Presença.

Terceiro, o pecado corrompe a nossa própria alma. Quando nós magoamos o nosso irmão e rompemos o relacionamento com Deus, a nossa própria identidade parece mudar.

Alguma essência no nosso íntimo parece ficar manchada de culpa. A nossa pureza fica contaminada.

A culpa que nós sentimos neste ponto é mais do que apenas um sentimento. Parece ser uma experiência direta da condição contaminada de nossa alma.

Em resumo, o pecado, como é convencionalmente entendido, fere o nosso irmão, destrói o nosso relacionamento com Deus e mancha a nossa identidade. É uma força destrutiva poderosa.

Um Curso em Milagres fala muito sobre o pecado. O conceito de pecado, na verdade, é uma parte fundamental do sistema de pensamento do Curso.

Ainda assim, o Curso pegou este conceito tradicional e o reformulou, reconhecendo o seu poder neste mundo, mas negando a sua realidade última.

A tradição cristã sempre reconheceu algumas trevas essenciais na natureza humana, algo que se opõe a Deus. Embora essa perspectiva sempre tenha sido desagradável, eu acredito que continua sendo uma explicação racional para todas as trevas deste mundo.

Como a nossa natureza poderia ser preenchida com nada além de doçura e luz enquanto nós estivemos nos dilacerando membro por membro desde o início dos tempos?

Um Curso em Milagres também vê trevas profundas na natureza humana. Ele vê no coração de nossa personalidade humana algo realmente planejado para o assassinato de outros e até mesmo de Deus.

Bem no fundo de nós, diz, jaz um “assassino, o inimigo secreto, o vingador e o destruidor do teu irmão e do mundo da mesma forma” (T-27.VII.12:2).

Estas são palavras duras, talvez ainda mais duras do que as que ouvimos do púlpito na manhã de domingo. No entanto, elas explicam muito sobre a nossa experiência.

Elas explicam, por exemplo, por que, apesar de nossos melhores esforços, os nossos relacionamentos tantas vezes se desintegram em hostilidade e as nossas nações tantas vezes acabam em guerra.

Na verdade, diz o Curso, essas palavras explicam toda a nossa dor e sofrimento.

De acordo com o Curso, a nossa tristeza fundamental é que os nossos pecados contaminaram irreparavelmente a nossa inocência original.

Nós acreditamos que os nossos pecados nos tornaram para sempre indignos de estar na presença de Deus.

Por mais confiantes que nós estejamos na superfície, por mais que nós estejamos certos de que é culpa do outro cara, nas profundezas de nossa mente nós apontamos o dedo firmemente para nós mesmos.

Nós acreditamos que “fizemos um demônio do Filho de Deus” (LE-pI.101.5:3) – o Filho de Deus sendo nós mesmos como nós fomos originalmente criados. Essa, acredito, é a raiz enterrada de nossa baixa autoestima.

Parece-me que todos nós carregamos um sentimento incômodo que diz, simplesmente, que há algo de errado conosco. Em vez de nos sentirmos inteiros, nós nos sentimos desequilibrados e defeituosos, crivados de falhas.

Nós podemos atribuir isso ao fato de não termos a figura perfeita, a renda mais alta ou a mente mais rápida, mas acho que a verdadeira fonte desse sentimento é a nossa crença submersa de que cometemos – na verdade, que somos – um crime fundamental contra Deus.

Nós podemos não pensar dessa forma conscientemente, mas posso atestar o fato de que a crença está lá embaixo.

Quando olho no fundo da minha mente, vejo uma imagem de mim mesmo como um ser separado lutando para atender às minhas necessidades separadas às custas de todo o resto.

Neste quadro, represento uma ofensa ao que é bom e santo, uma verruga na face da realidade.

Com base nisso, posso me relacionar com o autor medieval de “The Cloud of Unknowing” [tradução livre: “A Nuvem do Não Saber” ou “A Nuvem do Desconhecido”] quando ele falou sobre o “caroço fedorento e asqueroso” do ser.

Tudo isso parece, de fato, uma notícia muito ruim. No entanto, aqui, exatamente onde o desespero parece ser a única resposta válida, é onde Um Curso em Milagres traz as boas novas, notícias que parecem boas demais para se acreditar.

A boa notícia não é que nós pecamos, mas nós podemos ser perdoados. A boa notícia é que nunca pecamos. Nós somos incapazes de pecar. “O pecado é impossível” (LE-pII.359.1:7). O pecado, como o unicórnio, é um conceito que todos nós carregamos em nossas mentes, mas que não existe na realidade.

Não apenas não pecamos, ninguém jamais pecou e ninguém jamais pecará. Simplesmente não é da nossa natureza fazer isso.

O Curso categoricamente afirma: “…o pecado não existe” (MP-10.2:9)

Como isso pode ser? Uma coisa é alegar alegremente que o pecado não existe, mas outra bem diferente é explicar essa afirmação de uma forma que a torne verdadeiramente crível.

Nós dissemos no início que o pecado é uma força destrutiva, prejudicando outras pessoas, o nosso relacionamento com Deus e a nossa própria alma. A única maneira de o pecado ser realmente irreal é se ele não causar esse dano.

Como diz o Curso, “O que não tem efeito não existe” (T-9.IV.5:5). O pecado só pode ser irreal se não tiver efeito. E é exatamente isso que Um Curso em Milagres ensina.

Como pode o pecado não ter efeito? Vamos explorar isso analisando a nossa lista dessas três coisas que o pecado parece prejudicar.

Primeiro, os nossos pecados parecem prejudicar a outra pessoa, a quem o Curso chama de nosso irmão. Nossos ataques podem parecer destruir a sua propriedade, machucar o seu ego e até mesmo ferir o seu corpo.

No entanto, Um Curso em Milagres faz a afirmação radical de que a verdadeira Identidade de nosso irmão (que o Curso coloca em maiúscula em honra de Sua magnitude) não é nenhuma dessas coisas.

Na realidade, diz o Curso, o nosso irmão é um ser eterno e imutável, que se identificou erroneamente com o seu ego, o seu corpo e a sua propriedade. Essa ideia tem as implicações mais abrangentes. Uma delas é que, por definição, o nosso irmão não pode ser ferido, pois ele é imutável.

Falando sobre a sua realidade, o Curso diz:

Os ventos soprarão sobre ela e a chuva cairá, mas sem efeito algum. O mundo será levado pelas águas e, no entanto, esta casa não cairá, pois a sua força não está apenas em si mesma (T 28.VII.7:3-4).

Os nossos “pecados” não têm efeito real sobre o nosso irmão e, portanto, de fato não existem.

O segundo efeito do pecado é que parece prejudicar o nosso relacionamento com Deus. No entanto, e se Deus não quiser que o nosso relacionamento com Ele seja prejudicado? E se Ele quiser permanecer um só conosco, independentemente do que tenhamos feito? Ele não consegue o que quer? Afinal, ele é Deus.

O Curso diz:

O pecado é percebido como se fosse mais poderoso do que Deus; diante dele, o próprio Deus teria que se inclinar e oferecer Sua criação ao seu conquistador. Isso é humildade ou é loucura? (T-19.III.7:6-7).

Nós faríamos bem em nos fazer essa pergunta. Acreditar que nós pecamos parece uma expressão de humildade. No entanto, é realmente?

O conceito de pecado implica que nós dominamos o próprio Deus. Embora Ele quisesse permanecer para sempre perto de nós, supostamente tínhamos o poder de nos distanciar Dele. Isso é humildade ou é loucura?

De acordo com Um Curso em Milagres, o nosso relacionamento com Deus é imutável. Nada pode afetar a sua harmonia e beleza eternas.

Tudo o que nós podemos fazer é adormecer. No entanto, mesmo enquanto dormimos, nós dormimos em Seus braços. Os nossos “pecados” não têm efeito real em nosso relacionamento com Deus e, portanto, de fato não existem.

O terceiro efeito do pecado é que parece prejudicar a nossa própria alma, manchar o âmago de nossa identidade e manchá-la de culpa.

Isso se baseia na ideia de que nós ferimos outras pessoas, mas, como nós vimos, isso nunca realmente aconteceu. Como nós podemos ser culpados se nunca realmente machucamos ninguém?

Além disso, se realmente nós acreditamos que a nossa identidade foi criada por Deus, a ideia de manchá-la novamente não implica aquela noção absurda de dominar Deus?

O Curso ensina que, apesar de nossos piores erros e ataques mais raivosos, a nossa verdadeira Identidade permanece para sempre pura, porque essa é a Vontade de nosso Criador.

Isso significa que os nossos sentimentos de culpa não são uma experiência direta de nossa alma contaminada. Eles são uma ilusão psicológica, criada por nossa crença em uma contaminação que nunca aconteceu. Os nossos “pecados” não têm efeito real em nossa Identidade e, portanto, de fato não existem.

Você pode ver que notícia libertadora é essa? Se o Curso estiver correto, a nossa tristeza mais profunda é a dor da inocência perdida.

Em certo sentido, todas as lágrimas que nós derramamos são lágrimas por uma inocência que, aos nossos olhos, nunca pode ser recuperada.

Parece que nós contaminamos tanto a nossa pureza original que não há esperança para nós; nós nunca podemos voltar para casa.

O Curso não nega que nós cometemos erros. Nem mesmo nega a intenção assassina de nossa parte. Não nega a escuridão no coração humano. Simplesmente nega que os nossos ataques e erros tenham algum efeito real.

E isso significa que há esperança para nós. Existe uma saída para a tristeza, pois a nossa tristeza na verdade não tem fundamento. É baseada em uma premissa falsa.

Nós nunca ferimos o nosso irmão. Nós nunca nos separamos de Deus. E nós nunca contaminamos a nossa alma. Nós estamos livres de todos os pecados que jamais pensamos ter cometido. Nós não temos pecado.

Este é um ponto de vista radical, que pode levar muito tempo para nós aceitarmos, se é que nós o aceitamos.

Aceitar que não há pecado, pode parecer uma traição a Deus. No entanto, eu acredito que é um reconhecimento de Deus, de Sua soberania absoluta.

O pecado não é a vontade de Deus e a Sua vontade é todo-poderosa. Não há pecado, porque Deus é Deus. A inocência que pensávamos ter perdido nunca foi maculada. Ela ainda brilha dentro de nós, tão intensamente quanto no instante em que Deus nos criou.

Se nós podemos aceitar essa ideia, nós estamos aceitando motivo de gratidão sem fim, em que as seguintes orações se tornam a alegria jubilosa do nosso próprio coração:

Nós compreendemos equivocadamente todas as coisas. Mas não fizemos pecadores dos Filhos santos de Deus. O que criaste sem pecado assim continuará para todo o sempre. Somos assim. E nos alegramos ao aprender que cometemos equívocos que não têm efeitos reais sobre nós. O pecado é impossível e, com esse fato, o perdão repousa sobre uma base certa, mais sólida do que o mundo de sombras que vemos (LE-pII.359.1:2-7).

Pai, ofereço-Te a minha gratidão pelo que eu sou; por teres mantido minha Identidade intocada e sem pecado em meio a todos os pensamentos de pecado que a minha mente tola inventou. E obrigado por me teres salvo desses pensamentos. Amém (LE-pII.229.2:1-3).

Por que o pecado é meramente um erro?

Para reforçar o conceito de que “nunca pecamos”, buscamos inspiração, em outro artigo do professor Robert Perry, onde é discutida a diferença entre pecado e erro, conforme o sistema de pensamento do Curso, que transcrevemos trechos em tradução livre para a nossa reflexão.

O artigo “Why is sin merely a mistake?” [tradução livre “Por que o pecado é apenas um erro?”] completo em inglês pode ser acessado através do site https://circleofa.org/library/why-is-sin-merely-a-mistake/.

“De acordo com o Curso, nós nunca pecamos, nós apenas cometemos erros. Esta é uma distinção extremamente importante. Um pecado diz que você é culpado e deve ser punido. Um erro diz que você é completamente inocente e só precisa fazer melhor da próxima vez.

É um contraste muito curativo. É fácil, no entanto, entender mal o que o Curso quer dizer com esse contraste. Por trás do que isso realmente significa, está uma verdade crucial sobre a nossa psicologia e a nossa natureza.

Um erro é quando você visa um resultado e obtém outro. Uma linha clássica de Hamlet captura essa ideia:

Eu atirei a minha flecha sobre a casa e feri o meu irmão.

Isso é um erro, certo? Eu estava apenas atirando uma flecha. Eu não pretendia que realmente atingisse ninguém. Então, ferir o meu irmão não era o resultado que eu estava “almejando”.

Como diz a frase frequentemente citada, eu “errei o alvo”. Eu não pequei. Eu apenas cometi um erro.

Porém, há um problema com isso. O Curso é muito claro que nós de fato pretendemos causar danos, muito mais do que nós admitiremos para nós mesmos. O Curso diz:

Ninguém ataca sem a intenção de ferir. Isso não pode ter exceção (LE-pI.170.1:1-2).

No ditado inicial, Jesus até criticou a noção de ações “irrefletidas”, pois elas implicam, disse ele, “que se a pessoa tivesse pensado, não teria se comportado como se comportou”.

O que ele quer dizer é que nós pensamos antes de agir, sempre. Nenhuma ação é verdadeiramente impensada. Consequentemente, com mais frequência do que nós poderíamos admitir, realmente nós estávamos falando sério. Então, qual é o real significado do conceito de “erro”?

O seu verdadeiro objetivo é o prazer do ato. Esse prazer é a chave. Se nós pensarmos que alguém realmente gosta de ferir os outros, nós classificaremos essa pessoa como má.

Pense nas pessoas que geralmente nós consideramos más. Existe Hitler, é claro. Existem assassinos em série. Existem homens que torturam e matam crianças pequenas.

No cerne de nossa percepção de que eles são maus está a noção de que eles obtêm prazer em ferir os outros, a ponto de ficarem altamente motivados a infligir danos extremos repetidamente.

Essa é a própria essência, penso eu, do que torna alguém mau aos nossos olhos – a ideia de que causar dor aos outros os torna felizes.

No entanto, é claro, não é apenas em um Hitler que vemos esse conceito.

Em formas mais suaves, nós vemos isso em todos os lugares. Nós vemos isso quando um colega de trabalho se sente envaidecido por zombar da gente. Nós vemos isso quando o nosso cônjuge pensa que ganha algo por nos rebaixar. Nós vemos sempre que alguém ataca, pois claramente essa pessoa não atacaria a menos que visse benefício nisso.

E onde quer que o vejamos, nós o rotulamos de pecado. Nós concluímos que essa pessoa é apenas um pouco má.

O que o Curso está nos dizendo, no entanto, é que na verdade é psicologicamente impossível obter felicidade machucando outras pessoas.

Não está em nossa composição fazer isso. Um invasor pode parecer se sentir bem após o ataque, mas isso, diz o Curso, é apenas a camada mais superficial de uma história muito maior.

Sob essa superfície, algo totalmente diferente está acontecendo. O Curso diz:

No entanto, ele irá sofrer e olhará para sua intenção [dolorosa] em pesadelos nos quais os sorrisos terão desaparecido e o propósito [prejudicial] vem à tona para encontrar a sua consciência horrorizada e continuar perseguindo-o (T-23.III.1:7).

Em seguida, acrescenta:

Pois ninguém pensa em assassinato e escapa da culpa que o pensamento acarreta (T-23.III.1:8).

As implicações disso são surpreendentes. Isso significa que ninguém jamais se beneficiou em atacar você.

Por causa da inocência fundamental de sua natureza, eles se sentiram pior. Eles apenas sofreram por isso. Pois a sua natureza é amor e essa violação de sua natureza os fez sentirem-se violados.

O fato de não terem sido amorosos os deixou com a dor persistente da auto traição. Talvez essa dor estivesse enterrada bem fundo. Mas estava lá e veio à tona em toda forma de infelicidade, estendida ao longo do tempo e aparentemente desconectada de sua causa original.

Agora nós podemos ver o que o Curso quer dizer com o pecado sendo meramente um erro.

Um erro, como nós vimos, é quando eu miro uma coisa e consigo outra. Assim (para recapitular tudo o que dissemos), eu ataquei de propósito – não foi por acaso. Eu tentei machucar. Ao fazer isso, eu estava almejando a felicidade que tinha certeza que viria. Mas isso nunca aconteceu. Em vez de obter a rosa do prazer que busquei, tudo o que eu consegui foram os espinhos da culpa, as feridas da auto traição. Eu mirei uma coisa, mas consegui outra. Eu cometi um erro.

Isso é ótimo, porque se eu realmente tivesse obtido prazer com isso, se eu realmente tivesse ganho com a sua perda, teria sido um pecado. E eu seria mau; talvez não o mal de Hitler, mas ainda um pouco mal.

Graças a Deus eu não alcancei a felicidade que almejava. Graças a Deus, eu cometi um erro.

Quando você realmente aplica essa ideia, ela traz uma quantidade surpreendente de alívio. Para fazer isso, eu usei uma prática que destilei da Lição 133 [Livro de Exercícios].

Descobri que essa prática é uma ótima maneira de dissipar a dor da culpa. Você pode querer lembrar-se de algo pelo qual está se sentindo culpado e tentar:

Eu tentei ganhar às suas custas. 
Mas eu não pequei. Eu meramente falhei em ganhar.

O sofrimento é uma punição auto infligida por pecado imaginário

Para finalizar a nossa reflexão sobre o “pecado”, segundo o sistema de pensamento do Curso, buscamos inspiração em artigo denominado “If God is love, why do we suffer?” (tradução livre: “Se Deus é amor, por que nós sofremos?”), de autoria do professor de Deus Greg Mackie, que transcrevemos, a seguir, trechos em tradução livre.

O artigo completo pode ser acessado no site Circle of Atonement https://circleofa.org/library/if-god-is-love-why-do-we-suffer/.

“O Curso realmente concorda com a visão bíblica de que os pecadores merecem punição por meio do sofrimento:

Se o pecado é real, então a punição é justa e não se pode escapar. Dessa forma, a salvação só pode ser comprada através do sofrimento (LE-pI.101.2:1-2).

No entanto, ao mesmo tempo, rejeita categoricamente a ideia de que nós somos pecadores que merecem punição:

Ninguém é punido pelos pecados e os Filhos de Deus [isto é, todos nós] não são pecadores (T-6.I.16:4).

Dado todo o pecado aparente no mundo e dado que a punição pelo pecado é justa, como pode ser que nós não somos pecadores e Deus não está nos punindo?

E se o sofrimento é punição pelo pecado, mas nós não somos pecadores, o que está causando o nosso sofrimento?

Isso leva a duas alterações críticas no conceito de que o sofrimento é punição pelo pecado.

Primeiro, porque nós não podemos realmente nos separar de Deus ou uns dos outros, o pecado não é real. É algo que nós imaginamos que fizemos e continuamos a fazer, mas não é mais real do que as coisas que nós fazemos em sonhos.

Em segundo lugar, embora o pecado não seja real e, portanto, Deus não o veja, nós acreditamos que seja real. Nós achamos que realmente nos separamos e continuamos a violar a Vontade de Deus.

Portanto, de acordo com o Curso, em uma parte muito profunda e atualmente inconsciente de nossas mentes, nós caímos no sono e nós estamos tendo um pesadelo enraizado em nossa culpa pelo que nós acreditamos ter feito [“pecado”].

Neste pesadelo, este mundo que nós criamos como um ataque a Deus é também um ataque a nós mesmos: ele serve como um dispositivo de punição por nossos “pecados”, punição infligida por meio de todo o sofrimento que o mundo distribui.

Assim, o sofrimento não é a punição de Deus por nossos pecados, mas, em vez disso, a nossa punição auto infligida por pecados imaginários.

Nas palavras do Curso, o nosso sofrimento é “um sonho de uma punição severa por um crime que não poderia ser cometido (LE-pI.190.2:4).

O perdão, reflexo da verdade, me diz como oferecer milagres e assim escapar da prisão em que penso viver. O Teu Filho santo me é mostrado, primeiro no meu irmão, em seguida em mim. A Tua Voz pacientemente me ensina a ouvir o Teu Verbo e a dar como recebo. E hoje ao olhar para o Teu Filho, ouço a Tua Voz instruindo-me para achar o caminho para Ti, tal como designaste que ele deve ser: “Contempla a tua impecabilidade e sê tu curado”. (LE-pII.357.1:1-5)

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Bibliografia da OREM3:

  • Livro “Um Curso em Milagres” – Livro Texto, Livro de Exercícios e Manual de Professores. Fundação para a Paz Interior. 2ª Edição –  copyright© 1994 da edição em língua portuguesa.
  • Artigo “Helen and Bill’s Joining: A Window Onto the Heart of A Course in Miracles” (tradução livre: A União de Helen e Bill: Uma Janela no Coração de Um Curso em Milagres”) – Robert Perry, site: https://circleofa.org/
  • E-book “What is A Course in Miracles” (tradução livre: O que é Um Curso em Milagres) – Robert Perry.
  • E-book “Autobiography – Helen Cohn Schucman, Ph.D.” – Foundation for Inner Peace (tradução livre: Autobiografia – Helen Cohn Schucman, Ph.D., Fundação para a Paz Interior).
  • Livro “Uma Introdução Básica a Um Curso em Milagres”,  Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Livro “O Desaparecimento do Universo”, Gary R. Renard.
  • Livro “Absence from Felicity: The Story of Helen Schucman and Her Scribing of A Course in Miracles” (tradução livre: “Ausência de Felicidade: A História de Helen Schucman e Sua Escriba de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Artigo “A Short History of the Editing and Publishing of A Course in Miracles” (tradução livre: Uma Breve História da Edição e Publicação de Um Curso em Milagres” – Joe R. Jesseph, Ph.D.
  • http://www.miraclestudies.net/history.html
  • E-book “Study Guide for A Course in Miracles”, Foundation for Inner Peace (tradução livre: Guia de Estudo para Um Curso em Milagres, Fundação para a Paz Interior).
  • Artigo “The Course’s Use of Language” (tradução livre: “O Uso da Linguagem do Curso”), extraído do livro “The Message of A Course in Miracles” (tradução livre: “A Mensagem de Um Curso em Milagres”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Artigo Who Am I? (tradução livre: Quem Sou Eu?) – Beverly Hutchinson McNeff – Site: https://www.miraclecenter.org/wp/who-am-i/
  • Artigo “Jesus: The Manifestation of the Holy Spirit – Excerpts from the Workshop held at the Foundation for A Course in Miracles – Temecula CA” (tradução livre: Jesus: A Manifestação do Espírito Santo – Trechos da Oficina realizada na Fundação para Um Curso em Milagres – Temecula CA) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Livro “Quantum Questions” (tradução livre: “Questões Quânticas”) – Ken Wilburn
  • Livro “Um Retorno ao Amor” – Marianne Williamson.
  • Glossário do site Foundation for A Course in Miracles (tradução livre: Fundação para Um Curso em Milagres), do Dr. Kenneth Wapnick, https://facim.org/glossary/
  • Livro Um Curso em Milagres – Esclarecimento de Termos.
  • Artigo “The Metaphysics of Separation and Forgiveness” (tradução livre: “A Metafísica da Separação e do Perdão”) – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Livro “Os Ensinamentos Místicos de Jesus” – Compilado por David Hoffmeister – 2016 Living Miracles Publications.
  • Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – A Canção da Oração” – Helen Schucman – Fundação para a Paz Interior.
  • Livro “Suplementos de Um Curso em Milagres UCEM – Psicoterapia: Propósito, Processo e Prática.
  • Workshop “O que significa ser um professor de Deus”, proferido pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D..
  • Artigo escrito pelo escritor Paul West, autor do livro “I Am Love” (tradução livre: “Eu Sou Amor”), blog https://www.voiceforgod.net/.
  • Artigo “The Beginning Of The World” (tradução livre: “O Começo do Mundo”) – Dr Kenneth Wapnick.
  • Artigo “Duality as Metaphor in A Course in Miracles” (tradução livre: “Dualidade como Metáfora em Um Curso em Milagres”) – Um providencial e didático artigo, considerado pelo próprio autor como sendo um dos artigos (workshop) mais importantes por ele escrito e agora compartilhado pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Artigo “Healing the Dream of Sickness” (tradução livre: “Curando o Sonho da Doença”  – Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D.
  • Livro “The Message of A Course in Miracles – A translation of the Text in plain language” (tradução livre: “A mensagem de Um Curso em Milagres – Uma tradução do Texto em linguagem simples”) – Elizabeth A. Cronkhite.
  • E-book “Jesus: A New Covenant ACIM” – Chapter 20 – Clearing Beliefs and Desires – Cay Villars – Joininginlight.net© (tradução livre: “Jesus: Uma Nova Aliança UCEM” – Capítulo 20 – Clarificando Crenças e Desejos).
  • Artigo “Strangers in a Strange World – The Search for Meaning and Hope” (tradução livre: “Estranhos em um mundo estranho – A busca por significado e esperança”), escrito pelo Dr. Kenneth Wapnick e por sua esposa Sra. Gloria Wapnick.
  • Artigo “To Be in the World and Not of It” (tradução livre: “Estar no Mundo e São Ser Dele”), escrito pelo Dr. Kenneth Wapnick e por sua esposa Sra. Gloria Wapnick.
  • Site https://circleofa.org/.
  • Livro “A Course in Miracles – Urtext Manuscripts – Complete Seven Volume Combined Edition. Published by Miracles in Action Press – 2009 1ª Edição.
  • Tradução livre do capítulo Urtext “The Relationship of Miracles and Revelation” (N 75 4:102).
  • Artigo “How To Work Miracles” (tradução livre “Como Fazer Milagres”), de Greg Mackie https://circleofa.org/library/how-to-work-miracles/.
  • Artigo “A New Vision of the Miracle” (tradução livre: “Uma Nova Visão do Milagre”), de Robert Perry https://circleofa.org/library/a-new-vision-of-the-miracle/.
  • Artigo “What Is a Miracle?” (tradução livre: “O que é um milagre?”), de Robert Perry https://circleofa.org/library/what-is-a-miracle/.
  • Artigo “How Does ACIM Define Miracle?” (tradução livre: “Como o UCEM define milagre?”), de Bart Bacon https://www.miracles-course.org/index.php?option=com_content&view=article&id=232:how-does-acim-define-miracle&catid=37&Itemid=57.
  • Livro “Os cinquenta princípios dos milagres de Um Curso em Milagres”, de Kenneth Wapnick, Ph.D..
  • Artigo “The Fifty Miracle Principles: The Foundation That Jesus Laid For His Course” (tradução livre: “Os cinquenta princípios dos milagres: a base que Jesus estabeleceu para o seu Curso”), de Robert Perry https://circleofa.org/library/the-fifty-miracle-principles-the-foundation-that-jesus-laid-for-his-course/.
  • Artigo “Ishmael Gilbert, Miracle Worker” (tradução livre: “Ishmael Gilbert, Trabalhador em Milagre”), de Greg Mackie https://circleofa.org/library/ishmael-gilbert-miracle-worker/.
  • Blog “A versão Urtext da obra Um Curso em Milagres (UCEM)” https://www.umcursoemmilagresurtext.com.br/.
  • Blog “Course in Miracles Society – CIMS – Original Edition” https://www.jcim.net/about-course-in-miracles-society/.
  • Site Google tradutor https://translate.google.com.br/?hl=pt-BR.
  • Site WordReference.com | Dicionários on-line de idiomas https://www.wordreference.com/enpt/entitled.
  • Artigo “The earlier versions and the editing of A Course in Miracles” (tradução livre: “As versões iniciais e a edição de Um Curso em Milagres), autor Robert Perry https://circleofa.org/library/the-earlier-versions-and-the-editing-of-a-course-in-miracles/.
  • Livro “A Course in Miracles: Completed and Annotated Edition” (“Edição Completa e Anotada”) – Circle of Atonement.
  • Livro “Q&A – Detailed Answers to Student-Generated Questions on the Theory and Practice of A Course in Miracles” – Supervised and Edited by Kenneth Wapnick, Ph.D. – Foundation for A Course in Miracles – Publisher (tradução livre: “P&R – Respostas Detalhadas a Questões Geradas por Alunos sobre a Teoria e Prática de Um Curso em Milagres” – Supervisionado e Editado por Kenneth Wapnick, Ph.D. – Fundação para Um Curso em Milagres – Editora)
  • Artigo “The Importance of Relationships” (tradução livre: “A Importância dos Relacionamentos”), no site https://circleofa.org/library/the-importance-of-relationships/, autor Robert Perry.
  • Artigo: “The ark of peace is entered two by two” (tradução livre: “Na arca da paz só entram dois a dois”) – Robert Perry Site: https://circleofa.org/library/the-ark-of-peace-is-entered-two-by-two/
  • Artigo “Living a Course in Miracles As Wrong Minds, Right Minds, and Advanced Teachers – Part 2 of 3 – How Right Minds Live in the World: The Blessing of Forgiveness”, por Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D..
  • Artigo “Living a Course in Miracles As Wrong Minds, Right Minds, and Advanced Teachers – Part 1 of 3 – How Wrong Minds Live in the World: The Ego’s Curse of Specialness”, por Dr. Kenneth Wapnick.
  • Transcrição do vídeo do Dr. Kenneth Wapnick no YouTube, intitulado: “Judgment” (tradução livre: “Julgamento”).  O artigo completo em inglês no site https://facim.org/transcript-of-kenneth-wapnick-youtube-video-entitled-judgment/.
  • Trechos do Workshop “The Meaning of Judgment” (tradução livre “O Significado de Julgamento”), realizado na Fundação para Um Curso em Milagres em Roscoe NY, ministrado pelo Dr. Kenneth Wapnick. O artigo completo em inglês no site: https://facim.org/online-learning-aids/excerpt-series/the-meaning-of-judgment/.
  • Comentários do professor de Deus Sr. Allen Watson, que transcrevemos, em tradução livre, do site Circle of Atonement (https://circleofa.org/workbook-companion/what-is-sin/).
  • Artigo “There is no sin” (tradução livre: “Não há pecado”), Robert Perry, site https://circleofa.org/library/there-is-no-sin/.
  • Artigo do Professor Greg Mackie, denominado “If God is Love Why do We Suffer?” (tradução livre: “Se Deus é Amor porque nos sofremos?”) https://circleofa.org/library/if-god-is-love-why-do-we-suffer/.
  • Artigo “The Ten Commandments and A Course in Miracles” (tradução livre: Os Dez Mandamentos e Um Curso em Milagres”), Greg Mackie, site https://circleofa.org/library/the-ten-commandments-and-a-course-in-miracles/.
  • Artigo escrito pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D. e pelo Padre Jesuíta W. Norris Clarke, da Companhia de Jesus, Ph.D., sobre o livro “Um Curso em Milagres e o Cristianismo: Um Diálogo”, disponível no site http://www.miraclestudies.net/Dialogue_Pref.html.
  • Livro “Um Curso em Milagres e o Cristianismo: Um Diálogo”, escrito pelo Dr. Kenneth Wapnick, Ph.D. e pelo Padre Jesuíta W. Norris Clarke, da Companhia de Jesus, Ph.D..
  • Artigo do Consultor, Escritor e Professor Rogier Fentener Van Vlissingen, de Nova Iorque, intitulado “A Course in Miracles and Christianity: A Dialogue” (“Um Curso em Milagres e o Cristianismo: Um Diálogo”), disponível no Blog Closing the Circle e acesso no link: https://acimnthomas.blogspot.com/2011/04/course-in-miracles-and-christianity.html.
  • Artigo do professor Robert Perry intitulado “Do we have a chalice list?” (tradução livre: “Temos uma lista de cálice?”), acesso através do link: https://circleofa.org/2009/07/13/do-we-have-a-chalice-list/.
  • Artigo “The religion of the ego” (tradução livre: “A religião do ego”), Robert Perry, link https://circleofa.org/library/the-religion-of-the-ego/.
  • Artigo “A New Realities Interview with William N. Thetford, Ph.D.”, conduzida por James Bolen em abril de 1984. Tradução livre Projeto OREM®. Artigo em inglês https://acim.org/archives/a-new-realities-interview-with-william-n-thetford/.
  • Artigo “Why is sin merely a mistake?” [tradução livre “Por que o pecado é apenas um erro?”], Robert Perry, link https://circleofa.org/library/why-is-sin-merely-a-mistake/.

Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso. Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. LE.II.13


Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.
T.In.2:2-4

Autor

Graduação: Engenheiro Operacional Químico. Graduação: Engenheiro de Segurança do Trabalho. Pós-Graduação: Marketing PUC/RS. Pós-Graduação: Administração de Materiais, Negociações e Compras FGV/SP. Consultor de Empresas: Projeto OREM® - Organizações Baseadas na Espiritualidade (OBEs). Estudante e Pesquisador Independente sobre Espiritualidade Não-Dualista; Psicofilosofia Huna e Ho’oponopono; A Profecia Celestina; Um Curso em Milagres (UCEM); Espiritualidade no Ambiente de Trabalho (EAT); A Organização Baseada na Espiritualidade (OBE). Certificação: “The Self I-Dentity Through Ho’oponopono® - SITH® - Business Ho’oponopono” - 2022.

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